RELEMBRE (OU CONHEÇA) DRÁCULA – A SOMBRA DA NOITE

sábado | 31 | maio | 2008

Vampiros em estilo mangá, numa pequena pérola esquecida das histórias em quadrinhos brasileiras

Já foi dito que para estar na moda não é necessário estar obsessivamente antenado às tendências dominantes, basta manter os seus gostos pessoais, interesses e convicções, pois, em algum momento, a moda acabará por alcançá-lo. Um dos casos mais recentes são as histórias sobre zumbis. Quem imaginaria, cerca de cinco anos atrás, que os mortos-vivos popularizados pela – até então – trilogia cinematográfica do genial George Romero (A Noite dos Mortos Vivos, Despertar dos Mortos e Dia dos Mortos) estariam hoje na “crista da onda”, quase em vias de saturação da fórmula? Por toda parte pipocam filmes, quadrinhos e até livros sobre o tema. Desde a brilhante HQ Os Mortos-Vivos (publicada no Brasil pela HQM Editora), de Robert Kirkman, até bizarrices como Zumbis Marvel, do mesmo autor, em que os super-heróis são os zumbis canibais famintos.

Para quem nunca deixou de cultuar o gênero, essa superexposição provoca sentimentos ambíguos. Por um lado, é fascinante assistir ao surgimento de uma legião de novos fãs, bem como aproveitar à facilidade de acesso a obras raras que voltam a ser lançadas no mercado graças ao (com perdão do trocadilho inevitável) ressuscitado interesse geral. Por outro, não há como não se sentir meio “invadido”, como se um bando de desconhecidos entrasse na sua casa sem a menor cerimônia e mexesse nos seus brinquedos mais antigos e queridos. Ranhetice? Sim, sem dúvida… mas com algum fundamento.

Afinal, não é nada agradável para um fã com um mínimo de conhecimento histórico testemunhar certas distorções e injustiças típicas das ondas de modismo. Há quem tenha classificado Terra dos Mortos, aguardado retorno do bom e velho Romero ao gênero que ajudou a sedimentar, como “mais um filme de zumbis”. É uma imitação de Madrugada dos Mortos“, este escriba já teve o desprazer de ouvir. Claro que o herege que falou essa bobagem ignora que o popular filme de Zack Snyder nada mais é que um remake do clássico (ainda) insuperável Despertar dos Mortos, de Romero.

Cruel, não?

E é ainda mais triste constatar que enquanto remakes, variações e até pastiches gozam de popularidade e lucro, os filmes originais são raramente vistos, pois são produções de baixo orçamento, assumidamente underground, que não contam com as milionárias campanhas de marketing dos grandes estúdios, sendo facilmente confundidas com filmes trash pelo público leigo.

Mas o que todo esse preâmbulo tem a ver com vampiros (que, em termos de popularidade, deixam os pobres comedores de carne humana no chinelo)? Voltaremos a esse ponto mais adiante

A série Drácula – A Sombra da Noite, de Ataíde Braz e Neide Harue, lançada em 1985 pela editora Nova Sampa, reconta a imortal saga do príncipe dos vampiros sob um prisma romântico deliciosamente sensual e com desenhos com forte influência do estilo japonês.

Note que trata-se de dois pilares da cultura pop atual: vampirismo e mangá, cuja penetração no imaginário do público jovem já foi muito além do simples modismo. Uma HQ combinando ambos tem, atualmente, enormes chances de sucesso comercial, mesmo que seja mal produzida e não tenha mais ambições além do lucro fácil, o que não foi, nem de longe, o caso deste Drácula. Entretanto, vale a pergunta: caro leitor, por acaso alguma vez já ouviu falar dessa série?

Não se envergonhe de dizer não. No início da pesquisa para este artigo, uma busca no Google não revelou mais do que uma dúzia de links, a maioria de sebos virtuais anunciando a edição encadernada publicada posteriormente.

De fato, foi apenas por meio da consulta direta ao criador e escritor da série, o pernambucano Ataíde Braz, que foi possível descobrir mais detalhes sobre sua gênese e publicação. No gigantesco emaranhado de dados da internet, Drácula – A Sombra da Noite permanece quase sumariamente esquecida. Este artigo é uma tentativa de remediar tal injustiça.

Hoje parece inacreditável, mas o fato é que, até o final dos anos 80, ninguém dava muita trela para vampiros ou mangás por aqui. Claro que, devido à tradição do terror nos quadrinhos nacionais, histórias dos seguidores de Drácula sempre foram produzidas, mas não chegavam a ser mais populares do que os demais monstros que infestavam os gibis do período, sem contar o fato de que o gênero passava por um franco declínio.

Quanto ao mangá, com exceção do best-seller Akira e de algumas tímidas tentativas de publicação de cults, como Lobo Solitário e Crying Freeman, era um estilo praticamente desconhecido pelos brasileiros, chamando a atenção apenas de um público mais bem informado, porém insuficiente para garantir a permanência em banca.

Falar em “mangá brasileiro” num contexto assim seria algo próximo do absurdo, e nem era essa a intenção da desenhista Neide Harue, esposa de Ataíde Braz. As características orientais eram apenas parte de seu estilo pessoal, que chegou a ser criticado, na época, por ser semelhante demais ao mangá e não ter um caráter mais “brasileiro”. Quem diria, não? Eram realmente outros tempos.

Polêmicas à parte, o importante é que, mesmo apresentando algumas fragilidades técnicas nos primeiros capítulos, o traço oriental de Harue imprimia um charme irresistível aos personagens e combinava perfeitamente com o romantismo assumido do texto. Vale ressaltar, inclusive, que se por um lado esse não foi o primeiro “mangá nacional”, ao menos foi o primeiro quadrinho brasileiro inteiramente ilustrado por uma mulher. Um fato raramente mencionado.

Mas se o visual japonês foi apenas incidental, o mesmo não se pode dizer da tentativa de reformulação do mito do vampiro empreendido por Ataíde Braz. Totalmente na contramão das tendências da época, o autor apresentou aos leitores (e editores) um vampiro jovem, bonito, elegante, de temperamento intempestivo e audacioso, que questionava a imortalidade e sofria com a solidão melancólica de séculos de uma existência vazia, ainda que orgulhoso de sua linhagem nobre e com energia suficiente para continuar sua busca por vitalidade e amor. Algo muito diferente do paradigma do “monstro maligno sugador de sangue”, estilo Tumba de Drácula, cuja estética permeava praticamente todas as produções do gênero.

A trama, narrada originalmente em cinco edições de periodicidade irregular, seguia a seqüência de eventos do romance de Bram Stoker, porém adaptando livremente os detalhes, sentidos, pontos de vista e caracterizações, além de introduzir novos plots e personagens.

O resultado, para todos os efeitos, era uma nova história, com identidade própria, na qual o terror moralista vitoriano de Stoker foi substituído propositalmente pela aventura romântica, com um casal de protagonistas tão cativante quanto divertido.

Momentos clássicos do livro, como o aprisionamento de Jonathan Harker no castelo da Transilvânia, a vampirização e morte de Lucy Westenra, a formação do grupo de destemidos caçadores de vampiros liderados pelo Prof. Van Helsing, a transformação de Mina Murray em noiva de Drácula, tudo isso marca presença na série, porém com um caráter diferente.

Aqui, Harker é um jovem ingênuo e moralista, cujo terror parece muito mais fruto de sua sexualidade travada do que de alguma ameaça real por parte do conde, que mais parece zombar da afetação do rapaz. Lucy nada mais é do que uma nova tentativa do vampiro de encontrar uma companheira, assim como as três noivas no castelo, com a agravante de ser muito parecida (ao menos fisicamente) com Catherine, sua primeira esposa. Van Helsing é um senhor gentil e de coração puro que, apesar de acreditar que Drácula precisa ser destruído, é permanentemente tomado por dúvidas quanto à moralidade de sua cruzada cristã. Os caçadores de vampiros ganham personalidades muito mais marcantes e bem definidas do que no livro, com destaque para um insuportável Lord Arthur Holmwood, que rouba a cena como o nobre pedante e covarde.

Mas é Mina Murray que detém o coração da HQ. Com seus cabelos curtos e atitudes pouco apropriadas para uma mulher de respeito no século XIX, a impulsiva e geniosa Mina de Ataíde Braz encanta os leitores tanto quanto o orgulhoso conde.

A dinâmica do casal segue a tradição clássica de amor/ódio estilo …E o Vento Levou, com duelos verbais ferinos temperados com astutas provocações sensuais, culminando no tórrido desfecho da edição # 3 (um dos melhores momentos da série), em que a moça se entrega à paixão pelo conde e aceita seu destino como uma nova sombra da noite. Uma cena inteiramente diferente do estupro simbólico cometido no livro, em que Drácula obriga a moça a beber o sangue de uma ferida em seu peito.

E aqui cabe uma pausa. Um leitor atento já deve ter percebido as semelhanças entre a HQ e o filme Drácula de Bram Stoker, que também segue de perto a história do romance, mas modifica o sentido original das cenas, especialmente em momentos como o encontro vampírico/sexual de Drácula e Mina. No longa-metragem, ao invés de ser forçada a beber o sangue amaldiçoado, Winona Ryder suga voluptuosamente, e de bom grado, o peito de um relutante e extasiado Gary Oldman.

De fato, existem ainda mais semelhanças entre as duas obras. Da segunda edição até o final da série, a trama principal alterna-se com flashbacks revelando o passado humano de Vladmir Drácula, suas origens guerreiro/aristocráticas, a guerra sangrenta contra os magiares, a paixão por sua primeira esposa Catherine e sua transformação em vampiro após a morte dela. Praticamente uma versão ampliada do prólogo da película de Francis Ford Coppola. O fato interessante, todavia, é que o filme foi lançado em 1992, sete anos depois de Drácula – A Sombra da Noite ser publicado.

Não seria exagero afirmar que a série foi precursora de um novo paradigma do gênero. Ataíde Braz não apenas ajudou a resgatar a dignidade da então desgastada figura do Conde Drácula, como arriscou lançar mão de uma série de idéias que, posteriormente, se tornariam muito populares. Duas delas merecem ser destacadas aqui:

1) Além de belos e atraentes, os vampiros têm uma existência física bastante concreta, diferente dos seres indefinidos e ectoplásmicos do livro de Stoker, que os velhos filmes, como os da produtora inglesa Hammer, ajudaram a popularizar (e desgastar). Depois da inebriante noite de amor, Mina ouve o coração de Drácula batendo, uma prova de que ele não é um cadáver ambulante ou um espectro, mas sim um imortal num corpo concreto de carne e sangue.

(Ainda assim, o conde é capaz de se transformar em morcego ou lobo, algo desnecessário para a trama, mais parecendo uma concessão às velhas histórias.)

2) Há uma clara tentativa de desvincular o vampirismo da religião. Na série, Drácula não renunciou a Deus, não fez pacto com o demônio, nem mesmo foi o primeiro dos vampiros. O conde desconhece as origens da maldição, tudo o que sabe é que foi transformado pela traiçoeira Maria, uma misteriosa vampira estrábica (!) responsável por uma conspiração para tomar seu reinado e seu coração. Com a morte dela, Drácula teve que aprender sozinho os mistérios do vampirismo, acabando por atingir um nível de poder considerável com o passar dos séculos.

(Aqui também há um tipo de concessão, uma vez que os vampiros da série – particularmente os mais jovens e fracos – mostram-se vulneráveis a crucifixos, porém Ataíde Braz apresenta a idéia de que é a “essência não maculada pelo ódio” do portador da cruz que realmente afeta o vampiro, não o símbolo religioso em si. Uma outra forma de dizer que talvez seja preciso ter fé para que funcione, mas ainda assim uma abordagem pouco comum na época.)

Essas idéias (evidentemente em formas mais desenvolvidas e lapidadas) são elementos importantes da mitologia criada pela escritora Anne Rice na sua série de romances Crônicas Vampirescas, uma mitologia que se tornou a base da “cultura vampírica”, como a conhecemos hoje.

Novamente, a HQ chegou antes, pois embora o romance original Entrevista com o Vampiro tenha sido lançado em 1976, foi somente a partir da publicação de Vampiro Lestat (1985) e Rainha dos Condenados (1988) que a popularidade dos livros começou a se espalhar por outras mídias e alcançar proporções de culto.

Paralelamente, Coppola produzia sua “versão definitiva” de Drácula, logo seguida pela vitoriosa adaptação para as telas do próprio Entrevista com o Vampiro (dirigida por Neil Jordan em 1994) além do surgimento de um dos mais bem-sucedidos jogos de RPG da década de 1990, Vampiro – A Máscara (1991), cujo sistema de regras conseguia a proeza de unificar todas as subespécies vampíricas que a imaginação humana já concebeu num bizarro sistema de castas, permitindo ao jogador vivenciar um vasto universo underground, bem ao estilo dos romances de Rice.

De um gênero decadente do cinema de horror, nos anos 70, o vampirismo adentrou a década de 1990 como um “estilo de vida alternativo”, uma subcultura urbana que movimenta uma indústria que abarca filmes, livros, quadrinhos, RPGs, jogos eletrônicos, vestuário, casas noturnas e outros itens não tão facilmente imagináveis.

Naturalmente, uma parcela significativa dessa produção é de qualidade bastante discutível, mas a existência de um público colecionador fiel é suficiente para manter os investimentos se movimentando, seja para artistas ou oportunistas (ou ambos).

No começo dos anos 80, entretanto, não foi nada fácil para Ataíde Braz convencer alguma editora a publicar sua série. Veterano dos quadrinhos nacionais, ele já havia abordado novas facetas do vampirismo numa história publicada no número # 5 da saudosa revista

Spektro (uma edição especial só com HQs de vampiros), em que o protagonista se sacrificava por amor.Uma segunda tentativa, entretanto, foi rejeitada pela editora Vecchi e não chegou sequer a ser desenhada. O curioso é que a descrição de Ataíde Braz para essa história tem tudo o ver com o modelo vampírico pós-Anne Rice: “Era sobre um vampiro atormentado por um fantasma. Toda madrugada, antes de o sol nascer, ele recebia a visita deste fantasma, ele mesmo quando ainda era mortal. Era um vampiro que questionava a imortalidade. Que se angustiava ao ver todas as suas referências, sua época, tudo desaparecendo, mudando. E sentia saudades da sua vida como mortal. De quando a vida o surpreendia. E, no fim, o fantasma o convence a permanecer na janela e ver o sol nascer e assim se juntar aos que ele amava e que já tinham partido.”

O primeiro número de Sombra da Noite, na esperança de conseguir ser publicado, propositalmente abriu o máximo de concessões possíveis ao esquema dos quadrinhos de horror da época, com direito ao conde sendo expulso de uma igreja por um padre gritando “Vade retro, Demônio!” e outras amenidades do tipo.

Finalmente a Nova Sampa topou a empreitada, dando aos autores a liberdade de continuar a história sem interferências e sem um número pré-definido de edições. O resultado foi uma trama sólida, construída lentamente em capítulos de 60 páginas progressivamente mais cativantes, sendo as edições #3, #4 e #5 as mais bem acabadas, tanto nos roteiros quanto nos desenhos cada vez mais seguros de Neide Harue.

Mas como azar pouco é bobagem, o primeiro número foi pego em cheio pelo famigerado Plano Cruzado, tendo seu preço de capa congelado por um ano, o que complicou muito as chances de continuidade.

Com tiragens pequenas, distribuição limitada e temática tão desacreditada, a série tinha poucas chances de ser conhecida, mas surpreendentemente vendeu bem e obteve uma resposta satisfatória, em especial do público feminino.

Ainda assim, os custos e as dificuldades para lançar cada número deixavam claro que a coisa não poderia prosseguir por muito tempo. E Drácula acabou sendo encurralado por seus inimigos (de maneira similar ao livro de Stoker), vindo a morrer juntamente com sua amada Mina, no desfecho da edição # 5, frustrando as esperanças de muitos leitores que escreviam para a redação pedindo um final feliz.

Ou não? Algum tempo depois do final da série, a Nova Sampa lançou a edição especial O Retorno de Drácula – Um Vampiro no Ragtime, trazendo o conde de volta a vida em plenos anos 20.

Seguindo a mesma estrutura de 60 páginas, a revista foi uma maravilhosa promessa tristemente não cumprida. O início de uma nova trama em que Drácula, livre dos caçadores de vampiros já falecidos, inicia uma busca pelo corpo desaparecido de Mina, ao mesmo tempo em que se envolve com novos e fascinantes personagens.

Mais seguros depois da boa recepção da série original, os autores criaram uma história ainda mais envolvente e bem executada, com ganchos suficientes para várias edições, agora sem a obrigação de seguir a trama do livro.

Entre os novos personagens estava a fogosa francesinha Anne, criada sob medida para virar a cabeça do mulherengo conde, e o jovem Holt, um personagem homossexual sem estereótipos e com uma visível queda pelo vampiro, uma ousadia rara para qualquer mídia na época, especialmente o conservador mercado de quadrinhos brasileiro.

Fazia parte dos planos de Ataíde Braz que a nova série girasse em torno da rede de desejos formada entre Drácula, Anne, Holt e as ressuscitadas Maria e Mina (um plot que também teria antecipado os jogos de sedução bissexuais dos vampiros de Anne Rice) e culminaria na vinda de Drácula para o Brasil!

Infelizmente, os problemas econômicos acabaram decretando o fim da empreitada e Um Vampiro no Ragtime não passou dessa primeira edição. Mas a aventura do conde em São Paulo chegou a ser publicada… mas não no Brasil. Os roteiros inéditos foram adaptados e resumidos na forma de um álbum de 48 páginas lançado na França, Bélgica e Holanda.

Os fãs brasileiros nunca puderam saber como a história terminaria, tendo que se contentar apenas com tímidas tentativas de reedição da série original. No finzinho dos anos 80, a Nova Sampa republicou os dois primeiros números, mas mesmo com belas novas capas de Neide Harue (com um Drácula claramente inspirado no ator Christopher Lambert) aparentemente as vendas não compensaram uma continuidade.

Tempos depois, chegou às bancas uma edição encadernada contendo a série completa (menos Um Vampiro no Ragtime). Era um encalhe com páginas borradas que manchavam as mãos de tinta. Ainda assim, esse volume continua sendo a melhor chance para os interessados conhecerem a obra, pois aparece ocasionalmente em sebos virtuais. Já as edições originais são tão raras que nem mesmo os autores têm uma cópia.

“Mas se a série é tão boa não seria viável reedita-la hoje?”, alguém pode perguntar. Bom, aí é que está. Isso nos leva de volta aos zumbis de George Romero e a quem chamou Terra dos Mortos de “imitação”.

Talvez fosse viável um relançamento de Drácula – A Sombra da Noite para essa geração tão obcecada por vampiros e mangás, mas é difícil não se sentir como aquele ranheta que não gosta da idéia de ver seus queridos velhos brinquedos sendo grosseiramente manuseados por mãos pouco carinhosas.

Seria trágico ver a série ser confundida com bobagens como Drácula 2000 e suas seqüelas. Ou ver os desenhos serem colocados no mesmo patamar das “emulações” de mangá que infestam as gibiterias. E seria triste demais ouvir o roteiro ser chamado de antiquado (devido ao que conserva das velhas tradições do gênero) ou acusado de seguir a onda da abundante literatura vampírica brasileira pós-Anne Rice. Enfim, a falta de conhecimento (e interesse) histórico poderia facilmente levar a série a ser menosprezada pelos fãs das mesmas tendências da qual foi precursora.

Com todos os seus acertos e erros, a obra de Ataíde Braz e Neide Harue tem sua força e sua fraqueza no contexto em que foi criada, como um “elo perdido” entre dois paradigmas do mito do vampiro, além de ter apontado caminhos para a crise que os quadrinhos de horror brasileiros atravessavam.

Só isso já seria suficiente para merecer mais do que meia dúzia de entradas no Google e ter seu lugar garantido entre os mais significativos trabalhos da história editorial dos quadrinhos no Brasil.

* Agradecimentos especiais a Ataíde Braz, pela disposição em esclarecer as dúvidas tanto do autor deste artigo quanto do garotinho que um dia encontrou o número cinco de Drácula – A Sombra da Noite numa banca de gibis usados em São Paulo e passou anos tentando descobrir de onde aquilo tinha vindo. E também a Neide Harue, por ter estimulado os sonhos eróticos/românticos desse mesmo menino com suas mulheres espevitadas de rostinhos redondos.
>> UNIVERSO HQ – por Rodrigo Emanoel Fernandes – maio/2008


FICÇÃO DE POLPA: ELES ESTÃO DE VOLTA!

sexta-feira | 30 | maio | 2008

De robôs em crise de consciência a astronautas e alienígenas solitários, armadilhas do sobrenatural que se escondem onde menos se espera, experiências científicas que dão errado, um golem descontrolado e um detetive do imaginário, será lançado pela Não Editora, mais um volume de Ficção em Polpa.

Após o sucesso do Volume 1, chega em julho de 2007, o projeto Ficção de Polpa com maior número de páginas e autores e ultrapassa fronteiras (com autores de outras regiões do Brasil e de Portugal), mas ainda buscando representar o universo do terror, da ficção científica e do fantástico.

Vinte autores aceitaram o novo desafio do organizador Samir Machado de Machado. Dessa forma, robôs, alienígenas, fantasmas e seres imaginários ganharam vida e mostram a força que a literatura tem para escritores e leitores. Eles estão de volta! Ficção de Polpa – Volume 2, que passa a ser publicado pela Não Editora, terá sessão de autógrafos no dia 04 de junho, a partir das 18h, no Cult Bar (Rua Comendador Caminha, 348 – Porto Alegre).

O primeiro volume do Ficção de Polpa, que reuniu 16 autores, pendeu mais para o horror. No Volume 2, que possui 176 páginas e tem apresentação de Daniel Pelizzari, os contos abordam mais a ficção científica, embora a edição tenha uma mistura dos três estilos (ficção científica, terror e fantástico). Robôs em crise de consciência, astronautas e alienígenas solitários, armadilhas do sobrenatural, experiências científicas malsucedidas, um golem descontrolado e um detetive do imaginário são alguns
dos temas.

Participaram do Volume 1 e retornam no Volume 2 os escritores Annie Piagetti Müller, Antônio Xerxenesky, Guilherme Smee, Luciana Thomé, Marcelo Juchem Rafael Bán Jacobsen, Rafael Kasper, Rafael Spinelli, Rodrigo Rosp, Samir Machado de Machado e Silvio Pilau. E fazem sua estréia no projeto Bernardo Moraes, Carlos Orsi, Frederico Cabral, João P. Kowacs Castro, Juarez Guedes Cruz, Kelvin K., Leonardo Siviotti, Pena Cabreira e Yves Robert (Portugal).

O Ficção de Polpa foi inspirado nas revistas Pulp, ou Pulp Fictions, que foram publicadas entre as décadas de 1920 e 1950. O objetivo é dar continuidade ao projeto de incentivar a produção de uma literatura do gênero que, homenageando suas origens, se compromete em ser entretenimento do mais
alto nível.

Seguindo a edição anterior, a antologia traz dois destaques. O primeiro é uma faixa-bônus, com a publicação de Uma Odisséia Marciana, de Stanley G. Weinbaum, história há muito tempo sumida das prateleiras. O conto, com tradução feita especialmente para o livro, é um dos mais importantes da história da ficção científica por ser o primeiro texto literário a retratar um alienígena inteligente, que não fosse um monstro de olhos esbugalhados ou um “humano de outro planeta”. Além disso, o livro contém os estudos para a arte da capa, com ilustração de Gisele Oliveira.

A Não Editora foi criada em outubro de 2007. Uma das palavras mais fortes da língua portuguesa, o “Não” também é uma das mais pronunciadas e ouvidas no mercado editorial. É para esse “Não” que a Não Editora diz não: para tudo o que é convencional, comum, repetido e pré-estabelecido. A Não Editora tem como ideal assumir riscos junto com seus autores, sem interferir ou tentar enquadrá-los. Apenas apostando no que é diferenciado. Seu Conselho Editorial é formado pelos escritores Antônio Xerxenesky, Guilherme Smee, Rafael Spinelli, Rodrigo Rosp e Samir Machado de Machado. A editora planeja vários lançamentos para 2008, entre eles livros de novos autores e ainda o terceiro volume da antologia Ficção de Polpa.

Para ver a lista de livrarias e cidades em que o livro estará à venda, visite o site da editora www.naoeditora.com.br.

*LANÇAMENTO DA ANTOLOGIA FICÇÃO DE POLPA – VOLUME 2*, com sessão de autógrafos dos autores
Data e horário: *04 de junho*, a partir das 18h
Local: Cult Bar (Rua Comendador Caminha, 348 – Porto Alegre – RS). Entrada franca.
Preço: R$ 20,00 o exemplar


”OS MUTANTES – CAMINHOS DO CORAÇÃO ” GIRARÁ EM TORNO DE TRÊS NOVAS TRAMAS CENTRAIS

quinta-feira | 29 | maio | 2008

No final da novela da TV Record, “Caminhos do Coração”, em seu último capítulo, será revelado o mistério do seqüestro de Maria, quem é o (a) mandante, o (a) responsável pelos crimes da Progênese.

Dois terços do elenco, aproximadamente 40 atores da fase atual, continuarão em “Os Mutantes – Caminhos do Coração”. Haverá aproximadamente 20 novos atores e atrizes, contratados para a nova fase. Marcelo e Maria continuam na nova fase, ao lado de novos heróis e vilões.

Em “Os Mutantes – Caminhos do Coração”, as mutações perigosas continuam a se espalhar pela sociedade, transformando homens e mulheres em feras, vampiros, lobisomens, serpentes, que atacam nas ruas de São Paulo, disseminando o mal, como uma epidemia. Maria e Marcelo reúnem a Liga do Bem na mansão, onde passam a proteger os mutantes do bem. Juntos eles agem para tentar deter as feras.

O DEPECOM – Departamento de Pesquisa e Controle de Mutantes, é reestruturado com enorme verba. Ganha sala com vários computadores, agentes instruídos para deter os mutantes perigosos.

O DEPECOM está dividido em duas alas: a do bem e a do mal. A ala do bem é representada por Marcelo, Beto, Miguel (ainda não escalado)e a jovem policial Aline (ainda não escalada). A ala do mal é representada por Fredo e seus Agentes (participações – a definir), que querem simplesmente exterminar todos os mutantes, inclusive os do bem, os pacíficos. A ala do bem quer separar o joio do trigo. Quer prender os violentos, deixá-los nas celas, e cuidar dos outros, dos pacíficos. A população, apavorada, passa a perseguir todos os mutantes, inclusive os do bem.

A história girará em torno de três novas tramas centrais:

Primeira: O Mistério de Valente.
Segunda: Policial apaixonado por vampira.
Terceira: Salvar os bebês para salvar o mundo.

“Os Mutantes – Caminhos do Coração”, de Tiago Santiago com direção Geral de Alexandre Avancini estréia em 02 de Junho, às 21h na Record.

Primeira nova trama central
O MISTÉRIO DE VALENTE

VALENTE sofre atentado do novo vilão – o policial FREDO e seus AGENTES. Escapa do atentado, mas perde a memória. VALENTE acorda e não se lembra absolutamente nada de seu passado. Do seu passado, ele só tem uma carteira, com alguns papéis, cartões e documentos. Ele será salvo pela doutora GABRIELA, jovem médica. Enquanto ele tenta desvendar o mistério do seu passado, é sempre perseguido por FREDO e seus AGENTES. Sabemos que FREDO deseja desesperadamente matar VALENTE, para impedir este passado de vir à tona.
Quem é na verdade VALENTE? Qual é o mistério do seu passado? Este é o novo mistério estrutural da nova fase de “Caminhos do Coração – Os Mutantes”.
Entre duas mulheres, uma que o perseguirá – a policial ALINE -, mas depois terminará por ajudá-lo, e outra que o esconderá (GABRIELA), duas amigas, o coração de VALENTE terá que escolher.
A perseguição a VALENTE e GABRIELA gerará cenas de muita adrenalina e fortes emoções.
E a revelação do mistério do seu passado trará grandes surpresas para a audiência.

Segunda nova trama central
POLICIAL APAIXONADO POR VAMPIRA

MIGUEL é um jovem policial de 30 anos, que entrou para o DEPECOM.
Ele investiga em profundidade a Liga Bandida, que se organizou em São Paulo, congregando mutantes feras, vampiros, lobisomens, serpentes e outros perigosos.
A Liga Bandida é liderada por JULI, a nova DOUTORA JÚLIA.
Para escapar da cadeia, condenada por seus crimes, DOUTORA JÚLIA usa o pouco que conseguiu produzir de soro da juventude e torna-se trinta anos mais jovem.
Apesar de se tratar do mesmo personagem, como terá rejuvenescido trinta anos, de modo fantástico, JULI será vivida por outra atriz.
MIGUEL lutará ao lado de BETO e MARCELO para destruir a Liga Bandida.
Porém, MIGUEL se apaixonará por NATI, jovem vampira do bem.
Por ser vampira, NATI será perseguida por MIGUEL, que se apaixona por ela.
NATI se encontra com VLADO, que também se apaixona por ela, e quer levá-la para a Liga Bandida, mas a índole de NATI é boa, e ela reluta em se entregar ao mal.
Seu coração bate na verdade por MIGUEL.
NATI se sente totalmente sem lugar no mundo. Não se identifica com a Liga Bandida. É perseguida por ser vampira. E eventualmente será rejeitada pelos mutantes do bem, os quais têm medo de todos os vampiros.

Terceira nova trama central
SALVAR OS BEBÊS PARA SALVAR O MUNDO

JANETE ampliará seus poderes e enxergará o futuro distante. Ela faz uma profecia: a sobrevivência da espécie humana vai depender da sobrevivência dos filhos de LEONOR (o menino de luz) e BIANCA (o menino da supercomunicação).
Aquelas crianças terão que ser protegidas ou toda a humanidade será dominada pelos mutantes ferozes.
BIANCA e LEONOR são resgatadas da Ilha com seus bebês e se juntam à Liga do Bem.
JULI consegue descobrir isso, e junto com todo o pessoal da Liga Bandida, ataca os bebês e suas mães, que passam a ser protegidos pela Liga do Bem.
O novo elenco ainda está em definição.


AS SÉRIES DE TV NA INTERNET

terça-feira | 27 | maio | 2008
A Folha de São Paulo publicou uma extensa matéria no caderno de Informática sobre os fãs de séries de TV que utilizam a Internet como meio de assistir aos episódios de suas séries favoritas e como fonte de informação sobre as mesmas. Na matéria, a jornalista Daniela Arrais aborda a velha conhecida dos fãs e internautas: baixar episódios de séries é crime??

Na matéria da Folha, foi publicado o seguinte trecho que fala sobre o assunto:

Baixar conteúdo protegido por direito autoral não é crime, desde que a cópia única seja para uso privado, sem visar lucro, de acordo com especialistas ouvidos pela Folha.

Quem baixa episódios de séries para consumo próprio não comete crime, e sim infração da propriedade intelectual, de acordo com Túlio Viana, professor da PUC Minas e advogado especialista em crimes informáticos.

Ao infringir a propriedade intelectual, um usuário pode ser multado e ter o objeto em questão apreendido, como o computador. “Mas preso ele não pode ser de jeito nenhum”, afirma Viana.

Disseminar esse tipo de conteúdo em sites, fóruns ou programas, no entanto, pode ser configurado como crime. “O autor fica sujeito a pagar pelo número de downloads. Se não der pra identificar esse número, ele paga 3.000 vezes o valor do vídeo. E fica sujeito a pena que varia de dois a quatro anos”, diz o advogado especialista em direito digital Renato Opice Blum.

No início dessa alternativa encontrada por fãs de séries, que hoje tornou-se parte do dia-a-dia, tanto diretores de canais pagos quanto empresários do ramo de distribuição de filmes e séries em DVD afirmaram em matérias publicadas em jornais que baixar o programa pela Internet não era crime. Hoje, passados pelo menos cinco anos, com o mercado de TV paga e distribuição em DVD tendo sofrido uma enorme queda nas vendas de produtos e assinaturas, tem gente que começa a apontar o dedo afirmando que esta atividade é pirataria. Mau percebendo que para muitas pessoas, o download funciona como uma vitrine para conhecer a série para depois acompanhá-la na TV ou DVD.

A Internet é uma nova mída com a qual a televisão e as distribuidoras ainda não souberam se adaptar. Lutar contra não melhora a situação. O importante é saber abraçar esse novo veículo e aprender a melhor forma de utilizá-lo. É o que os internautas estão fazendo.

De qualquer forma, o download, na verdade não é o maior problema das distribuidoras de DVD. O problema é o fator preço. Ao disponibilizar o DVD no Brasil, o box fica mais caro que se fosse importado (já incluso o valor postal). Maior rapidez em disponibilizar o produto e um valor mais justo para o mercado e perfil do segmento no Brasil seria a melhor forma de reconquistar o público que fugiu do DVD oficial. Sem mencionar a necessidade da TV paga em preservar seus telespectadores oferecendo rapidez na oferta de seus programas, melhor seleção de programação (algo que poderá ser constatado inclusive pelo número de downloads que uma determinada série tem na Internet) e a oferta de opção de áudio e legendas.
>> TV SÉRIES – por Fernando Furquim – maio/2008

Fãs se articulam para ver séries no micro

Episódios exibidos nos EUA são colocados na internet em poucas horas; internautas apontam falhas da TV paga

Sexta-feira é um dia longo para os fãs do seriado “Lost”. Isso porque eles passam a noite de quinta esperando a exibição, nos Estados Unidos, do episódio mais recente da trama.
Assim que termina mais uma aventura de Jack, Kate e sua turma, fãs do seriado se desdobram para colocar o arquivo na internet -principalmente por meio de programas de torrent, que centralizam e direcionam as informações de milhares de microcomputadores.
Com base na cooperação, usuários se articulam em sites para fazer downloads e uploads de suas séries preferidas; outros ficam responsáveis pelas legendas -no Legendas.TV, por exemplo, apenas uma versão das legendas de “Lost” chega a mais de 50 mil downloads.
Em sites como o www.mininova.org são disponibilizados os arquivos. Em três dias, o torrent mais popular com um episódio da série pode ultrapassar os 300 mil downloads.
“A velocidade de informação é impressionante. O que vai ao ar hoje nos EUA, amanhã já está no meu computador com legenda em português do Brasil com qualidade que nenhuma emissora da TV paga tem”, diz Daniel Barcelos, que mantém o blog Série Maníacos (seriemaniacos.wordpress.com).
Para Ale Rocha, editor do Poltrona TV (poltrona.tv), o crescimento da audiência de séries de TV na internet se deve a uma deficiência dos canais pagos no Brasil. “Eles demoram muito para lançar uma série. Há casos de séries que já chegaram ao país em DVD, mas não foram exibidas ainda pela televisão”, afirma.
Outro problema que afasta o telespectador da TV são as legendas. “Tem muito erro de português, erro de sincronização. As legendas feitas por fãs são mais caprichadas.”
O aumento no número de domicílios com acesso à conexão banda larga também é apontado como fator que contribui para a prática. “Hoje, com velocidade de 2 Mbps, você consegue baixar um episódio em 40 minutos”, diz Rocha.
Para a estudante Gisele Ramos, que escreve no Blog na TV (www.blognatv.com), o principal motivo se deve à facilidade de assistir ao que quiser, quando quiser. “Posso montar minha programação. Como eu trabalho, estudo, tenho filhos e outros compromissos, não consigo me adaptar a um horário fixo para assistir aos meus programas favoritos.”

Irreversível
O interesse dos fãs pelos seriados é positivo, na opinião de Paulo Barata, diretor do Universal Channel (globosat.globo.com/universalchannel) -o canal pago exibe séries de sucesso, como “Heroes” e “House”. “É muito bom que a gente lide com um produto que gera esse tipo de fidelidade, que esteja associado a um conteúdo pelo qual as pessoas façam esse esforço”, diz.
O canal mantém quatro blogs. “As mídias se complementam. O fato de as pessoas verem na internet antes ajuda na divulgação. Parte do esforço promocional acontece nesse momento do boca-a-boca digital.”
>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Daniela Arrais – 21/04/2008

Episódios têm desdobramentos na internet

“Lost” é um bom exemplo de como a televisão pode ser feita em colaboração com os internautas. A série, sobre os sobreviventes de um acidente aéreo, tem vários desdobramentos na internet.
Em fóruns, blogs, podcasts e games, os mistérios da trama são discutidos por internautas. A experiência de assistir ao seriado, portanto, é uma para quem o acompanha on-line, e outra para quem se contenta com uma hora de episódio.
“Os produtores colocam dicas e histórias que fazem parte da história em jogos, como o Lost Experience e o Find 815, em que foram divulgados vídeos sobre a Iniciativa Dharma, por exemplo”, diz Daniel Melo, administrador do portal LostBrasil.com, que tem mais de 170 mil cadastrados.
Mas a articulação pode gerar problemas. A equipe do LostBrasil já foi ameaçada, na época em que fazia legenda para os episódios. “Tentamos convencer a distribuidora de que não tínhamos nenhum lucro em cima disso”, diz Melo.
Na segunda-feira, a coluna Mônica Bergamo, na Folha, informou que a Polícia Federal prepara uma blitz contra sites de legendagem. Já foram mapeados 19 sites, cujos donos podem responder pelo crime de produção de conteúdo pirata, pois os textos também são protegidos pelas leis de direitos autorais.
>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Daniela Arrais – 21/04/2008

VEJA SÉRIES ON-LINE
“SOUTH PARK”
Versões integrais das doze temporadas da animação estrelada por Stan, Kyle, Cartman e Kenny, em streaming
www.southparkstudios.com/episodes

“CLARK AND MICHAEL”
Episódios curtos, estrelados por Clark Duke e Michael Cera (que fez “Juno”), sobre o processo de criação de um roteiro para televisão
www.clarkandmichael.com

TERRATV
A TV do portal Terra disponibiliza episódios inteiros, divididos em partes, de séries como “Lost”, “Desperate Housewives” e “Criminal Minds”
terratv.terra.com.br

“BATTLESTAR GALACTICA”
Remake da série de ficção científica dos anos 70, em que andróides se rebelam contra seus mestres -episódios por streaming
www.scifi.com/battlestar


SAIU A LISTA DOS INDICADOS PARA O 20º PRÊMIO HQMIX

sexta-feira | 23 | maio | 2008

CHEGAMOS AO 20° TROFÉU HQMIX
Dia 23 de julho de 2008 acontecerá no SESC Pompéia, a festa de entrega do 20° Troféu HQMIX.

Com apresentação de Serginho Groisman e sua banda, apoio do SESC Pompéia, o Troféu HQMIX chega à sua 20ª edição. É um histórico de sucesso de um evento que é reconhecido internacionalmente como um dos principais no mundo. A votação é feita nesse mês de maio após as indicações da Comissão de Organização capitaneada pela Associação dos Cartunistas do Brasil-ACB e do Instituto Memorial das Artes Gráficas do Brasil – IMAG. São cerca de 1.200 profissionais da área que votam nos 45 itens, escolhendo os melhores do ano que passou. A auditoria é feita pelo Dr. Edwin Ferreira Britto do Tribunal de Ética da OAB.
Neste ano a presidência do Evento é da professora e escritora Sonia Bibe-Luyten.
Além dos criadores do prêmio, Jal e Gualberto Costa, já presidiram o evento, Orlando Pedroso e Zélio Alves Pinto.
A cada ano os itens sofrem alguma modificação por conta do surgimento de novas plataformas de mercado e para isso foram formadas comissões de estudo.
São 20 anos iniciados no programa TV MIX(1988) da TV Gazeta em São Paulo, apresentado por Serginho Groisman com a participação de Jal e Gual.

Troféu homenageia Cláudio Seto e desenhistas de mangá brasileiros
Em pleno ano em que se comemoram os 100 anos da Imigração Japonesa no Brasil, a figura que irá se transformar em troféu é o personagem SAMURAI de Cláudio Seto. O sucesso do personagem nos anos 70, desenhado no clássico estilo mangá, foi o motivo da escolha. Como nos anos anteriores a estatueta será esculpida pelo artista Olintho Tahara e se juntará à galeria de homenagens a Horácio (Mauricio de Sousa), Pererê (Ziraldo), ReBordosa (Angeli), Piratas do Tiete (Laerte), Amigo da Onça (Péricles), Sig (Jaguar), Madame e seu cachorro (Fortuna), Zeferino/Orelana e Graúna (Henfil), Lamparina (J.Carlos), Kactus Kid (Canini), Reco-Reco, Bolão e Azeitona (Luiz Sá) e Garra Cinzenta (Renato Silva).

A programação envolverá exposição, workshop, debates e exibição de desenhos animados durante todo o mês de julho no SESC Pompéia, Rua Clélia n° 93 , São Paulo.

INDICADOS AO 20º PRÊMIO HQMIX

1) Desenhista Nacional
Fábio Moon e Gabriel Bá (5, Alienista e Fanzine)
Guazzelli (O Primeiro Dia, O Relógio Insano e Ragú #6)
José Márcio Nicolosi (Fetichast: Província dos Cruzados)
Laudo (Clube da Esquina e Tianinha)
Marcatti (A Relíquia)
Mozart Couto (A Boa Sorte de Solano Dominguez)
Spacca (D. João Carioca)

2) Desenhista Estrangeiro
Charles Burns (Black Hole)
David B. (Epiléptico 1)
Doug Braithwaite (Justiça)
Frank Quitely (Grandes Astros Superman)
Hiroya Oku (Gantz)
John Cassaday (Planetary)
Takehiko Inohue (Vagabond, Slam Dunk)

3) Roteirista Nacional
Daniel Esteves (Nanquim Descartável)
Fábio Moon (O Alienista)
Guazzelli (O Primeiro Dia, O Relógio Insano)
Laerte (Laertevisão)
Marcatti (A Relíquia)
Spacca (D. João Carioca)
Wander Antunes (O Corno que sabia demais, A Boa Sorte de Solano Domingues)

4) Roteirista Estrangeiro
Alan Moore (Lost Girls)
Alison Bechdel (Fun Home)
David B. (Epiléptico)
Ed Brubaker (Demolidor)
Guy Delisle (Pyongyang)
Kazuo Koike (Samurai Executor, Lobo Solitário)
Warren Ellis (Planetary)

5) Desenhista Revelação

Daniel Gisé (Sociedade Radioativa / The Doors)
Felipe Cunha (Front / Eterno)
Gabriel Renner (Tarja Preta )
Jozz (Zine Royale)
Leonardo Pascoal (Bongolê-Bongoró)
Shiko (Blue Note)
Vinicius Mitchell (Revista O Globo)

6) Roteirista Revelação
A. Moraes (Desvio)
Cadu Simões (Homem-Grilo / Nova Hélade / Garagem Hermética)
Chicolam ( Menino-Caranguejo)
Fabiano Barroso (Um dia Uma Morte)
Leonardo Melo (Quadrinhópole)
Leonardo Santana (Prismarte)
Nestablo Ramos Neto ( Zona Zen)

7) Chargista
Angeli (Folha de São Paulo)
Chico Caruso (O Globo-RJ)
Cláudio (Agora -SP)
Dálcio (Correio Popular – SP)
Jean (Folha de São Paulo)
Paixão (Gazeta do Povo-PR)
Santiago (Jornal do Comércio de Porto Alegre)

8) Caricaturista
Baptistão (O Estado de S.Paulo)
Cárcamo (Revista Época / Folha de São Paulo)
Dálcio (Correio Popular)
Fernandes (Diário do Grande ABC)
Gustavo Duarte (Lance!)
Leite (Salão Carioca de Humor / Salão de Imprensa)
Loredano (O Estado de S.Paulo)

9) Cartunista
Adão Iturusgarai
Allan Sieber
Amorim
DaCosta
Dálcio
Duke
Simanca

10) Ilustrador
Adams Carvalho
Cau Gomez
Cavalcante
Gilmar Fraga
Kako
Walter Vasconcelos

11) Ilustrador de livro infantil
Alê Abreu (As Cocadas – Global Editora)
André Neves (O capitão e a sereia – Scipione)
Daniel Bueno (Fernando Sabino na sala de aula – Panda Books)
Felipe Cohen (O nascimento de Zeus – CosacNaify)
Joana Lira (A criação do mundo – Cia das Letras)
Mariana Massarani (Vivinha, a baleiazinha – Salamandra e Adamastor, o pangaré – Melhoramentos)
Suppa (Valentina – Global Editora e Rima ou Combina – Editora Ática)

12) Publicação Infantil
As Tiras Clássicas da Turma da Mônica(Panini)
Histórias da Carolina (Globo)
Luluzinha (Devir)
Naruto (Panini)
Turma da Mônica (Panini)
Turma do Xaxado (Cedraz)
Witch (Abril)

13) Publicação de Clássico
As Aventuras De Tintim – Explorando A Lua (Companhia Das Letras)
Corto Maltese – As Célticas (Pixel)
Krazy Kat – Páginas Dominicais 1925-1926 (Opera Graphica)
Marvel 40 Anos (Panini)
O Gaúcho (SM)
Turma Da Mônica – Coleção Histórica (Panini)
Um Contrato Com Deus E Outras Histórias De Cortiço (Devir)

14) Publicação de Humor
Escombros (Zarabatana)
Groo: Odisséia (Opera Graphica)
Humortífero (Opera Graphica)
Marusaku (Conrad)
Os Noivos Podem Se Beijar (Via Lettera)
Piratas do Tietê: A Saga Completa (Devir)
Tarja Preta (Independente)

15) Publicação Mix
Front – Ódio #18
Graffiti #16
Marvel Max
Irmãos Grimm em Quadrinhos
Pixel Magazine
Ragú # 6
Tarja Preta # 5

16) Publicação de Terror
A Serpente Vermelha (Zarabatana)
Black Hole (Conrad)
Courtney Crumrin & As Criaturas da Noite (Devir)
Death Note (Jbc)
Midnight Nation – O Povo Da Meia-Noite (Panini)
Preacher – Rumo Ao Sul (Pixel)
Zombie World – O Campeão Dos Vermes (Pixel)

17) Publicação Erótica
Chiara Rosenberg (Zarabatana)
Justine (Pixel)
Lost Girls (Devir)
Morango E Chocolate (Casa 21)
Mulheres (Zarabatana)
Revolução (Conrad)
Valentina Volume 2 – 66-68 (Conrad)

18) Revista de Aventura
Grandes Astros Superman (Panini)
J. Kendall – Aventuras De Uma Criminóloga (Mythos)
Lobo Solitário (Panini)
Mágico Vento (Mythos)
Marvel Action (Panini)
Pixel Magazine (Pixel)
Slam Dunk (Conrad)

19) Publicação de Tiras

Animatiras de Jean (Abril)
Benett Apavora! de Benett (Independente)
Livro Negro de André Dahmer (Desiderata)
Maakies de Tony Millionaire (Zarabatana)
Mais Preto No Branco de Allan Sieber (Desiderata)
O Mundo É Mágico – As Aventuras de Calvin & Haroldo de Bill Watterson (Conrad)
Talvez Isso… de Marcelo Campos (Casa 21)

20) Edição Especial Nacional
A Boa Sorte De Solano Dominguez (Desiderata)
A Relíquia (Conrad)
Fetichast: Províncias dos Cruzados (Devir)
Irmãos Grimm Em Quadrinhos (Desiderata)
Laertevisão (Conrad)
O Alienista (Agir)
O Corno Que Sabia Demais (Pixel)

21) Edição Especial Estrangeira
Antes do Incal – Volume 2 (Devir)
Asterix e a Volta Às Aulas(Record)
Fun Home – Uma Tragicomédia em Família (Conrad)
O Sonhador (Devir)
Persépolis Completo (Companhia Das Letras)
Planetary/Batman – Noite na Terra (Pixel)
Pyongyang – Uma Viagem à Coréia Do Norte (Zarabatana)

22) Minissérie
52 (Panini)
A Saga do Tio Patinhas (Abril)
Eternos (Panini)
Ex Machina – Símbolo (Pixel)
Fábulas – 1001 Noites (Pixel)
Guerra Civil (Panini)
Justiça (Panini)

23) Publicação sobre Quadrinhos
Crash (Editora Escala)
Jornal Graphiq (Independente)
Mundo dos Super-heróis (Editora Europa)
Neo Tokyo (Escala)
Revista Omelete (Mythos)
Tokyo Pop (NSP)
Wizmania (Panini)

24) Publicação Independente de Autor
Defensores da Pátria #1
Dinossauro do Amazonas #1
Homem-Grilo # 42
Lorde Kramus # 1
Menino Caranguejo # 1
Necronauta # 1

25) Publicação Independente de Grupo
Café Espacial #1
Nanquim Descartável # 1
Bongolé Bongoro # 2
Quadrinhópole # 4
Cão # 2
Garagem Hermética # 3
O Contínuo #6

26) Publicação Independente Especial
5
Contos Tristes
El Terrado
Música para Antropomorfos
Na Bodega
O Relógio Insano
Schem Há-Mephorash

27) Publicação Independente de Bolso
A Serpente e a Borboleta
De Bris
Juke Box # 4
Subterrâneo # 20
The Doors
Tulípio # 5
Zine Royale # 2

28) Projeto Gráfico
A boa sorte de Solano Dominguez (Desiderata)
Almanaque do Ziraldo (Melhoramentos)
Cidades Ilustradas São Paulo (Casa 21)
Estórias Gerais (Conrad)
Laertevisão (Conrad)
Piratas do Tietê vol.2 (Devir)
Sandman – Fim dos Mundos (Conrad)

29) Álbum de Aventura
300 De Esparta (Devir)
Bone – A Princesa Revelada (Via Lettera)
Corto Maltese – As Célticas (Pixel)
Invencível – Perfeitos Estranhos (Hq Maniacs)
Loki – Edição Especial Encadernada (Panini)
O Menino-Vampiro – Infância Maldita (Mythos)
Os Supremos – Edição Definitiva (Panini)

30) Publicação de Charges
As Galinhas #1 de Eduardo Prado (Independente)
Dálcio – Charges Publicadas entre 2003 e 2007 de Dálcio (Correio Popular)
Imbróglio Capixaba de Vários (Independente)
Ninguém Segura Caratinga de Vários (Independente)
Pasquim (Antologia 72-73) #2 (Desiderata)
Pizzaria Brasil de Cláudio (Devir)
Urubu de Henfil (Desiderata)

31) Publicação de Cartuns
Assim Rasteja A Humanidade de Allan Sieber (Desiderata)
Confesso de Marco Jacobsen (Independente)
Desenhos de Humor de Reinaldo (Desiderata)
Existe Sexo Após a Morte de Adão (Desiderata)
Jeremias, O Bom de Ziraldo (Melhoramentos)
Ninguém Segura Caratinga de Vários (Independente)
Onde Foi Que Eu Errei? de Rico (Independente)

32) Livro Teórico
Almanaque de Cultura Pop Japonesa de Alexandre Nagado (Via Lettera)
Desenhando Quadrinhos de Scott McCloud (M. Books)
Iconográfilos – Teorias, Colecionosmo e Quadrinhos de Agnelo Fedel (LCTE)
JAPOP – O Poder da Cultura Pop Japonesa de Cristiane A. Sato (NSP Hakkosha)
Love Hina Infinity (JBC)
Mulher ao Quadrado – As Representações Femininas nos Quadrinhos
Norte-americanos de Selma Oliveira (UNB/Finatec)
O Riso que nos Liberta de Wellington Srbek (Marca da Fantasia)

33) Tira Nacional
Animatiras de Jean Galvão
La Vie En Rose de Adão
Malvados de André Dahmer
Níquel Náusea de Fernando Gonsales
Piratas Do Tietê de Laerte
Quadrinho Ordinário de Rafael Sica
Salmonelas de Benett

34) Projeto Editorial
A Ciência Ri (UNESP)
Batman Crônicas vol. 1 (Panini)
Coleção 100% Quadrinhos (Graffiti)
Irmãos Grimm em Quadrinhos (Desiderata)
Krazy Kat – Páginas Dominicais 1925-1926 (Opera Graphica)
Laertevisão (Conrad)
São Paulo (Casa 21)

35) Animação
Disputa Entre o Diabo e o Padre pela Posse do Cênte-Fór na Festa do Santo Mendigo de Francisco Tadeu e Eduardo Duval
EngoleDuasErvilhas, de Marão
Garoto Cósmico de Alê Abreu
Juro Que Vi : Matinta Pereira de Humberto Avelar
Leonel Pé-de-Vento (Leonel The Flurry-Foot) de Jair Giacomini
Turma da Mônica – Uma aventura no Tempo de Maurício de Sousa
Yansan de Carlos Eduardo Nogueira

36) Exposição
400 Quadrinhos Franceses (Midiateca da Aliança Francesa), Niterói/RJ
Exposição “Oscar Niemeyer” (FIQ) Belo Horizonte/MG
Fierro – La Historieta Argentina (FIQ) Belo Horizonte/MG
Mangá: Como o Japão Reinventou os Quadrinhos (Metrô Clínicas) São Paulo/SP
Viajando em Quadrinhos pela França e Alemanha, Icaraí/RJ
Ziraldo – O Eterno Menino Maluquinho (Salão Carioca), Rio de Janeiro/RJ

37) Evento
25 Anos da Gibiteca de Curitiba (Gibiteca Curitiba)
2ª Semana de Quadrinhos (Ufrj)
2º Festival de Quadrinhos (Fnac Brasília)
4º Ilustra Brasil! (SIB)
5° FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos
Anime Dreams
Recife 12 Horas de Hq

38) Salão e Festival
1º Salão Internacional De Humor Pela Floresta Amazônica
15º Salão Universitário De Humor De Piracicaba
18º Salão Carioca De Humor
20º Salão De Humor De Volta Redonda
34º Salão De Humor De Piracicaba
3º Salão De Humor De Paraguaçu Paulista
IX Festival De Humor E Quadrinhos De Pernambuco

39) Adaptação para outro veículo
1º Salão Mackenzie De Humor E Quadrinhos – Documentário
300 – Filme
Carlos Zéfiro – Calendário (Cervejaria Devassa)
Homem Aranha 3 – Filme
Hqs – Quando A Ficção Invade A Realidade – Romance (Rosana Rios)
Três Irmãos De Sangue – Documentário
Turma Da Mônica – Uma Aventura No Tempo

40) Web Quadrinhos
Desvio – A. Moraes / Jean Okada: http://www.desvio.art.br
Dinamite & Raio Laser – Samuel Fonseca: http://www.dinamiteraiolaser.com.br/index.php
Linha do Trem – Raphael Salimena: http://linhadotrem.blogspot.com
Malvados – André Dahmer: http://www.malvados.com.br
Nicolau – Lucas Lima: http://www.lucaslima.com
The Major – Hector Lima / Irapuan Luiz / Michelle Fiorucci: http://www.themajor.org
Toscomics – Samanta Flôor: http://www.cornflake.com.br/cornflake/toscomics

41) Site sobre Quadrinhos
Bigorna – http://www.bigorna.net
Fanboy – http://www.fanboy.com.br
Guia dos Quadrinhos – http://www.guiadosquadrinhos.com
HQManiacs – http://www.hqmaniacs.com
MundoHQ – http://hq.cosmo.com.br
Omelete – http://www.omelete.com.br
Universo HQ – http://www.universohq.com

42) Blog sobre Quadrinhos
Blog do Universo HQ – http://universohq.blogspot.com
Blog dos Quadrinhos – http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br
Gibizada – http://oglobo.globo.com/blogs/Gibizada
Mais Quadrinhos – http://maisquadrinhos.blogspot.com
Melhores do Mundo – http://www.interney.net/blogs/melhoresdomundo
Projeto Continuum – http://projetocontinuum.blogspot.com
Zine Brasil – http://zinebrasil.googlepages.com

43) Blog / Flog de artista gráfico
Fabiano Gummo – http://fgummo.blogspot.com
Grafar – http://grafar.blogspot.com
Gustavo Duarte – http://mangabastudios.blog.uol.com.br
Luigi Rocco – http://roccoblog.zip.net
Rafael Coutinho – http://raffa-bingo.blogspot.com
Rafael Grampá – http://furrywater wordpress.com
Solda – http://cartunistasolda.blogspot.com

44) Site de Autor
André Caliman – http://www.andrecaliman.com
Daniel Gisé – http://www.danielgise.com
Jozz – http://www.jozz.com.br
Julia Bax – http://www.juliabax.com
José Aguiar – http://www.joseaguiar.com.br
Leonardo Pascoal – http://www.leonardopascoal.com
Lorde Lobo – http://www.lordelobo.com.br

45) Articulista de Quadrinhos
Álvaro de Moya (Revista Abigraf)
André Morelli (Mundo dos Super-heróis)
Eduardo Nasi (UniversoHQ)
Gonçalo Júnior (Revista Cult, Bigorna)
Marcus Ramone (UniversoHQ)
Paulo Ramos (Blog dos Quadrinhos do UOL)
Télio Navega (O Globo/Gibizada)

46) Editora do Ano
Conrad
Desiderata
Devir
JBC
Panini
Pixel
Zarabatana


UM GÊNERO INOMINÁVEL

sexta-feira | 23 | maio | 2008

Como no livro “O Inominável”, de Beckett, certas coisas simplesmente não podem ser definidas, porque não há nome que as contenha (e acaso existe nome que contenha inteiramente aquilo que é nomeado? Pausa para reflexão). A idéia se aplica com perfeição a uma nova vertente da literatura fantástica.

Em termos de literatura, essa nomeação é de caráter quase adâmico: imposta quase sempre de cima para baixo, ou seja, das editoras para os autores, sem interferência destes. Estou me referindo à classificação do livro em determinada categoria, ou gênero literário. No Brasil, ao contrário dos Estados Unidos ou da Europa, não se nomeia o gênero na lombada do livro – mas isso não impede que a editora classifique o livro e anuncie essa classificação por intermédio de sua assessoria de imprensa e das estantes das livrarias.

(Isso nem sempre funciona a contento – vide o caso, já antigo, de “Marte”, de Fritz Zorn, um livro contendo as reflexões de seu autor, um homem que estava prestes a morrer de câncer; “Marte”, publicado pela editora Nova Fronteira e classificado apenas como literatura estrangeira, foi encontrado por este que vos digita em diversas livrarias na seção de Ficção Científica, evidentemente por causa de seu título, digamos, espacial, embora a referência de Zorn no título fosse mitológica.)

A ficção científica, aliás, é um dos gêneros mais afetados por esse tipo de equívoco editorial ou livreiro. Livros como “Terroristas do Milênio”, de J.G.Ballard (uma tradução infeliz para “Millennium People”, muito mais sutil) e “Shikasta”, da recém-Nobelizada Doris Lessing, são assumidos como ficção científica por seus autores, mas nem sempre são vendidos como tal; talvez porque eles sejam conhecidos como, digamos, escritores mais polivalentes, que não jogam apenas no campo da FC (o que não é verdade com Ballard, que já cansou de declarar que tudo o que escreve é ficção científica e ponto final, embora a Companhia das Letras insista em ignorar isso, como se fosse uma praga).

E quando isso acontece do lado dos escritores? Foi assim com o Movimento Cyberpunk em 1984, uma revolta imposta pela “classe operária” da ficção científica, ou seja, os próprios autores, como William Gibson e Bruce Sterling. O movimento desta vez foi de baixo para cima, mas rapidamente caiu no gosto da mídia e gerou uma revolução que até hoje ressoa no imaginário popular (“Matrix” que o diga).

De lá para cá, a indefinição pós-moderna de barreiras não fez muito mais que gerar clones de histórias de Gibson e cópias do filme dos irmãos Wachowski. É o que costuma acontecer com todo movimento, dos hippies aos punks, e com os cyberpunks não seria diferente: a cooptação pelo establishment.

Esse tipo de situação às vezes provoca incômodos entre os mais xiitas (no caso dos punks, só não provocou incômodo para Malcolm McLaren, que já criou os Sex Pistols pensando na grana, mas esta é outra história). No entanto, a cada época o que lhe é de direito: se no tempo dos cyberpunks, os anos 1980, ainda existia uma certa ingenuidade do tipo “fight the power”, “rage against the machine” e congêneres, hoje parece que isso deu lugar a uma ironia corrosiva – e não necessariamente saudável ou producente.

Talvez por isso os novos “movimentos” que tenham surgido nos últimos anos não tenham tido lá muita vontade de se considerarem como tais. Surgem novos e talentosos autores, que expandem as barreiras do gênero, e os editores fazem a sua parte: buscam rótulos para categorizá-los segundo a classificação de Dewey ou a classificação bem menos rigorosa e atenta das livrarias. Esta situação viu passar nos últimos 15 anos autores como Neal Stephenson, Charles Stross, Alastair Reynolds, China Miéville, Cory Doctorow, Steph Swainston e muitos, mas muitos outros mesmo.

Vários destes autores deram a volta na revolução cyberpunk promovendo revoltas silenciosas e de-um-autor-só; assim, desde 1992, nasceram diversos movimentos como subgêneros dentro da ficção científica: o pós-cyber, do qual “Snow Crash” é o representante máximo, a New Space Opera, que tem entre seus principais defensores John Scalzi e Alastair Reynolds, e a New Weird Fiction, que, de todos esses movimentos, é o mais organizado. Primeiro, por conta de revistas como a quase centenária revista Weird Tales, que publicou nos bons tempos da pulp fiction contos de autores hoje clássicos, como H. P. Lovecraft e Robert E. Howard (este, criador de Conan, o Bárbaro); segundo, porque seus autores têm trocado idéias nos últimos anos de um jeito e com uma intensidade que não se via desde os tempos do cyberpunk.

O segundo motivo eu tenho em minhas mãos agora: a coletânea “The New Weird”, editada por Ann e Jeff VanderMeer. O livro promove uma revolução saudável e adequadamente bizarra: para os editores, o casal Ann e Jeff VanderMeer (ela se tornou recentemente editora da Weird Tales e ele é editor e escritor de primeira – confiram aqui a novela kafkiana “The Situation”, que a Wired disponibilizou de graça), o Movimento New Weird propriamente (se é que houve realmente um movimento) já acabou. O que não quer dizer que seus autores e histórias não estejam cada vez mais fortes.

Paradoxo? Talvez. Mas o paradoxo não é o paradigma do pós-moderno, ou melhor, da modernidade líquida, segundo Bauman? É o que as suculentas 403 páginas do livro demonstram.
O livro “The New Weird” é um verdadeiro estudo de caso: dividido em várias seções, ele analisa os precursores recentes (sem deixar de mencionar seus representantes mais famosos, como Lovecraft e Howard, ou Mervyn Peake, autor da trilogia “Gormenghast”, escrita na década de 1950, que promove uma revolução na fantasia tolkieniana até então vigente) como M. John Harrison, autor de “Viriconium” e dos recentes “Light” e “Nova Swing” (este último ganhador do Arthur C. Clarke Award de 2007), que começou a escrever na década de 1970. Juntamente com Michael Moorcock (este o principal articulador da New Wave britânica de FC dos anos 1960, outro exemplo de revolução midiática criado pelos próprios autores) e Clive Barker, clássico do horror, mas que produziu contos mais estranhos do que assustadores – ou talvez assustadores porque estranhos, no sentido proposto pelo formalista russo Viktor Chklovski, que criou o neologismo ostraniene, ou estranhamento.

Em seguida, somos apresentados aos autores da nova safra, como China Miéville, autor do já clássico “Perdido Street Station” (que, por sua riqueza narrativa e imaginativa daria por si só um ou mais artigos, mas esta também é outra história), Jeffrey Thomas, autor do ótimo “Deadstock”, Jay Lake, K.J. Bishop, a finlandesa Leena Krohn (cujo conto está traduzido do finlandês, mostrando que, ao contrário da paranóica administração Bush, os americanos que escrevem FC não têm o menor preconceito contra quem vem de outras terras), e uma das maiores autoras do gênero no momento, a inglesa Steph Swainston.

Depois, somos brindados com uma seção de Simpósio:, que contém artigos de editores europeus sobre o New Weird e algo que não existia (não como conhecemos hoje) na época de “Neuromancer”, nem nunca foi feito na antologia máxima do movimento, “Mirrorshades”: um resumo de uma lista de discussão onde os autores procuraram, em 2003, definir o que seria esse tal de New Weird. Uma discussão nem sempre totalmente ponderada, mas que também não descamba para uma discussão acirrada. O foco continua fixo ao longo da discussão e, se não sabemos exatamente o que pode ou deve ser considerado New Weird, ao menos saímos dessas páginas entendendo um pouco mais sobre o que não é New Weird (exatamente o que acontece com todos aqueles que tentam fixar limites sobre a ficção científica, esse gênero tão elusivo).

Ao final do volume, uma surpresa: uma round-robin, ou seja, uma história escrita em parceria onde a regra principal é que um autor cria uma premissa e os seguintes vão desenvolvendo da forma mais coerente possível, mas sem noção de como ela deve terminar. A história, que mistura cidades e criaturas bizarras com terrorismo, termina de forma muito brusca, mas a Tachyon Publications, editora do livro, fornece gratuitamente um final alternativo em seu site (mas atenção: não vale ler se você não tiver lido a história toda no livro; você não vai entender nada)

Como dito antes na resenha de “Brasyl”, quem não faz leva. Mas aqui o puxão de orelha não é para os autores, e sim para os editores. Já está mais do que na hora de alguém perceber que FC é literatura adulta e de qualidade, e The New Weird é prova mais que suficiente disso.
>> CIBERCULTURA – Por Fábio Fernandes – Maio/2008


CONHEÇA A GUERRA DOS TRONOS, DE GEORGE. R.R. MARTIN ATRAVÉS DE DAENERYS, A MÃE DOS DRAGÕES

sexta-feira | 23 | maio | 2008

Se fosse um livro em papel, Daenerys, A Mãe dos Dragões, seria o maior best-seller da editora portuguesa Saída de Emergência. Já foram ultrapassados os 25.000 downloads! Faça o seu clicando aqui
Daenerys, A Mãe dos Dragões é um eBook gratuito, da autoria de George R. R. Martin, e que nos conta a história de uma jovem princesa exilada, e da luta que tem de travar, não só para recuperar o seu trono, mas também a sua dignididade. Daenerys, a última descendente da dinastia Targaryen, antigos senhores dos Sete Reinos. Exilada pelo Usurpador, Daenerys terá que crescer mais depressa do que seria normal para uma menina da sua idade. E em vez do luxo destinado aos senhores dos Sete Reinos, terá que experimentar as agruras da fuga, da carência, das tentativas de assassinato, do casamento forçado…

Daenerys, A Mãe dos Dragões é uma coletânea dos capítulos dedicados a esta personagem, presentes em A Guerra dos Tronos, a mais fantástica, elogiada, premiada e vendida série de fantasia da actualidade. Segundo a revista Locus: “A Guerra dos Tronos é a obra-prima da fantasia moderna e reúne o que de melhor o género tem para oferecer: magia, mistério, intriga, romance e aventura.”

Entrevista com George R. R. Martin
Eu sempre gostei de ler entrevistas com George R. R. Martin. Não porque ofereçam aspectos informativos relevantes sobre a sua (sim, também existe no fantástico épico) brilhante série As Crónicas de Gelo e Fogo, que, devido às suas múltiplas perspectivas e ocasional narrativa subtil, oferece a hipótese de se ser exposto a informação provocativa, bem como a oportunidade de se ser levado ao longo de elaboradas pistas falsas, como ele tão bem frisou ao falar do enredo e das personagens de uma forma mais específica. Também não tem a ver com qualquer tipo de tendência de Martin para ser controverso nas suas afirmações.

Aquilo que tão estranhamente me fascina é que, quando leio entrevistas com Martin, crio esta imagem de um escritor ocupadíssimo que preferiria mil vezes fazer qualquer outra a falar sobre si próprio enquanto tem um livro por ser terminado, e caramba… há algo de admirável nisso. Um autor que não precisa de publicidade, e que em vez de abrandar um pouco – satisfeito por ter alcançado o seu objectivo – ainda vai a meio da sua obra máxima, talvez até a obra máxima dentro do subgénero épico em si, trabalhando naquela que, possivelmente, será a obra mais aguardada dentro da sua área no próximo ano.

Na entrevista, perguntei a Martin o que é que ele achava que separava o seu trabalho do de outros no seu subgénero, e embora ele tenha evitado o assunto graciosamente (ou me tenha enviado para o Inferno – lembrem-se, ele é o mestre de perspectivas), eu sempre achei que o que separa o trabalho dele é o facto de a interacção entre o fã e a história contada não ter sido esquecida. Não há qualquer outra série contemporânea – talvez até em toda a história do género – que tenha provocado um debate tão grande acerca da própria história narrada. Há mais teorias excêntricas bem desenvolvidas nesta série do que enredos lógicos em dezenas de outras séries combinadas. É este entusiasmo quase epidémico, e a sua própria consciência do mesmo, que, na minha opinião, melhor mostram quão único Martin é.

Martin não precisa de criar polémica nem de aparecer em qualquer outro que não as prateleiras de livrarias de forma a ser o mais debatido autor de fantástico, cuja audiência não seja maioritariamente representada por crianças. Tal característica define o sumo elemento por que todos os autores deveriam ansiar, o elemento que mantém um livro ou uma série de livros na mente do leitor após a página final ter sido virada.

Dito isto, enquanto esperamos pelo quinto volume, A Dance with Dragons, e numa altura em que alguns, de forma a acompanharem a série, acabaram de comprar a edição económica de A Feast for Crows, lançada pela Voyager há bem pouco tempo, deixo-vos com uma edição algo resumida da entrevista com George R.R. Martin.

Jay Tomio: De onde veio a ideia que o levaria a escrever uma sequência épica, em vários livros, que seria contada através de múltiplas narrativas?
George R.R. Martin: Isso gostava eu de saber. Para dizer a verdade, eu estava a trabalhar num novo romance de FC em 1991 quando o primeiro capítulo de A Guerra dos Tronos – o capítulo onde Brad cavalga com o seu pai até ao local onde um homem vai ser decapitado, e onde eles encontram as crias de lobo na neve – me surgiu certo dia, de uma forma tão vigorosa e vívida que eu soube de imediato que tinha de deixar o outro romance para o escrever. Nessa altura, eu não fazia a mais pequena ideia de que seria uma obra com múltiplos volumes. Apenas sabia que tinha de passar tudo para o papel. A presente estrutura dos livros Gelo e Fogo, com os seus vários pontos de vista e enredos entrelaçados, foi inspirada pela estrutura aberta dos livros Wild Cards, que tenho vindo a editar e escrever desde 1985. Muitos dos livros Wild Cards são romances em mosaicos, onde cada um dos escritores conta a história da sua própria personagem, juntando eu em seguida tudo. É uma espécie de filme de Robert Altman, mas em prosa. Estruturalmente falando, os livros Gelo e Fogo são Wild Cards, onde eu escrevo todas as partes.

Numa entrevista recente, fez um comentário que, na minha opinião, foi bastante preciso relativamente ao crescimento do género – mais precisamente, à quantidade crescente de livros publicados actualmente – ter afectado negativamente o género. Isto porque, embora a variedade seja, de facto, algo positivo, a base de fãs tem vindo a tornar-se bem mais exclusiva dentro de cada subgénero, em vez de serem fãs de Fantástico e de Ficção Científica, coisa que também comentou: “O Fantástico e a Ficção Científica separaram-se, uma tendência que, a meu ver, é particularmente triste”. Acha que isto foi resultado de edição/marketing ou terá sido meramente uma reacção por parte destes de forma a seguir a mudança da base de fãs, e, assim sendo, o que associa à causa desta mudança?
A meu ver, as diferenças entre FC e o Fantástico são bem menos importantes do que as coisas que têm em comum. Não foi por acaso que ambos os subgéneros partilharam prateleiras durante décadas a fio, ou que escritores como Jack Vance, Paul Anderson e L. Sprague de Camp mudassem fácil e alegremente de um para o outro no decorrer das suas longas carreiras. Tanto a FC como o Fantástico são variedades de literatura imaginativa proveniente da tradição romântica. Há fãs que apenas lêem FC e ignoram o Fantástico, e o mesmo se passa ao contrário. Aliás, são os suficientes para que as editoras pareçam decididas a construir muros entre os dois subgéneros, de forma a satisfazer os seus preconceitos, chegando em alguns casos a dizer aos novos escritores de FC que têm de mudar de nome se quiserem escrever Fantástico. Isso é um completo disparate.

A sequência de As Crónicas de Gelo e Fogo desfrutou de verdadeiro sucesso, nada de atípico numa série épica de Fantástico. No entanto, aquilo que, de facto, se distingue é o facto de o George ter conseguido tornar-se uma espécie de excepção no que se refere a ser aceite pela crítica dentro do círculo do Fantástico. O que considera haver neste trabalho que proporcione este passaporte que pode, ou não, estar presente noutros trabalhos dentro do subgénero?
Sou a pessoa errada para responder a essa pergunta, que deveria ser dirigida à crítica. Um escritor nada mais pode fazer do que tentar produzir a melhor obra possível, e esperar que a mesma seja bem aceite. Não adianta nada estar sentado à espera da “aceitação por parte da crítica” ou da falta desta.

Recentemente, um artigo da TIME consagrou-o ” o Tolkien americano”. Teve conhecimento dessa afirmação antes da sua publicação? Qual foi a sua reacção?
Eu sabia que a TIME poderia publicar uma crítica, mas até eu ter lido o artigo eu não fazia ideia do que iam dizer. Quando o fiz, fiquei entusiasmado. O Tolkien é o pai do fantástico moderno, e um dos grandes escritores do século XX. Para mim, ele foi uma influência enorme, quando eu me deparei pela primeira vez com O Senhor dos Anéis, ainda andava eu na escola. Eu e ele somos escritores muito diferentes, disso não há dúvida, ma ao mesmo tempo senti-me tremendamente satisfeito e lisonjeado pelo rótulo “Tolkien Americano”.

Permita-me lançar aqui uma pergunta fútil, uma que lhe será perguntada 1000 vezes mais em 2006. Como vai a escrita de A Dance with Dragons?
Uma página de cada vez.

Lisonjeia frequentemente o trabalho de Vance, e penso que se pode ver pequenos reflexos de influência em Tuf Voyaging. O que é que distingue Vance dos outros na sua mente, tornando-o igualmente eficaz no Fantástico e na Ficção Científica (e, já agora, no mistério)?
O seu estilo. A sua imaginação. A forma como combina as palavras. A sua criatividade para nomes, para a língua. Ninguém escreve como Jack Vance. Ele é único.

Tornou uma regra sua não falar de outros autores, contudo tenta destacar alguns escritores novos dentro do panorama. Recentemente, fez comentários positivos acerca de dois que já li e gostei, Daniel Abraham, cujo livro de estreia, A Shadow in Summer, foi publicado recentemente, e Scott Lynch, cuja obra de estreia, The Lies of Locke Lamora, foi publicada este mês. Num género que tem demasiadas publicações, o que é que, para si, separou estes trabalhos dos restantes?
A qualidade dos mesmos. Enviam-me vários trabalhos, e tento pelo menos passar uma vista de olhos em todos. Em alguns casos, basta-me ler um ou dois capítulos para saber se é simplesmente mais do mesmo numa caixa diferente, mas o Abraham e o Lynch captaram-me a atenção logo na primeira página, e a partir daí eu já não consegui parar. Havia uma frescura no trabalho deles que eu não encontro em muitos dos livros que me enviam… para além de personagens que me agradaram.

Em 1982, numa resposta acerca da troça de Dish sobre Labor Day Group, o George disse: “A divisão entre ficção popular e literária é recente e odiosa”. 25 anos mais tarde, as mesmas discussões parecem implacáveis no género. Acha que agora está pior, ou era pior antes? A sua posição mudou?
A minha posição não mudou, não. Penso que, de facto, houve alguns sinais que mostram uma tendência para a divergência baixar, ao longo das últimas décadas. Jornais e revistas importantes mostram-se agora mais disponíveis para fazer críticas a obras de FC e de fantasia do que há vinte anos. Michael Chabon ganhou o Pulitzer com The Adventures of Kavalier and Clay, Stephen King ganhou o National Book Award, e o Tolkien destacou-se em vários inquéritos acerca das obras mais importantes do século XX. Não pretendo de forma alguma com isto dizer que a divisão deixou de existir, mas parece-me que estamos na direcção certa.

Comentou já acerca das dificuldades associadas à publicação de A Feast for Crows, que se deveram a várias razões. O que mais lhe agradou no livro, no que se refere ao desenvolvimento de personagens e do enredo terem resultado melhor do que esperava?
Estou demasiado ligado ao livro para poder avaliá-lo de uma forma objectiva. Pergunte-me de novo dentro de vinte anos, e pode ser que eu tenha uma resposta para si.

As histórias Dunk and Egg, que estão para vir, já têm editora?
Ainda não as acabei, infelizmente. Mas assim que as acabe, não me parece que vá ter muito problemas em entregá-las a uma editora. Já recebi várias propostas aliciantes.

The Ice Dragon vai ser reeditado, e eu pergunto-me se haverá planos para mais ficção curta (sem ser Dunk and Egg), seja a nível de trabalhos novos ou reedições no futuro?
A nova edição de The Ice Dragon é uma versão para jovens adultos ilustrada pela magnífica artista britânica Yvonne Gilbert. Há décadas que a minha dama, Parris, me vinha dizendo que The Ice Dragon daria um fabuloso livro para crianças, e por fim ouvi-a. Esperamos que o livro ajude a apresentar o meu trabalho a uma nova geração de leitores, que depois crescerão e tentarão ler as minhas outras histórias. No entanto, é provável que seja um acontecimento único. The Ice Dragon necessitou penas de ser ligeiramente editado de forma a adequar-se a leitores mais novos, mas essa facilidade não se verifica com qualquer outra das minhas histórias, por isso, este pode bem ser o meu único trabalho para jovens adultos.
No entanto, para leitores adultos, tenho, de facto, uma edição britânica da minha enorme colecção: GRRM: A RRetrospective, publicada inicialmente pela Subterranean Press, em 2003, sendo em seguida publicada pela Gollancz sob o título Dreamsong. São cerca de meio milhão de palavras da minha ficção curta, peças escritas para televisão e autobiografia.

Agora a grande questão! Pode prometer a um fã leal que Bronn vai sobreviver?
Lamento. Ninguém está a salvo nos meus livros.
>> SAIDA DE EMERGÊNCIA – por Jay Tomio


GEORGE TAKEI ANUNCIA CASAMENTO COM PARCEIRO

quinta-feira | 22 | maio | 2008


Com a aprovação da união entre homossexuais na Califórnia, mais um ator famoso anuncia seu casamento. George Takei, o Sulu de “Jornada nas Estrelas” divulgou em seu site que irá se casar com seu parceiro Brad Altman, com quem mantém uma relação de 21 anos.

Segunto Takei, Altman é seu parceiro e empresário que esteve ao seu lado nos momentos bons e ruins, como a perda de sua mãe que morava com eles nos últimos anos de sua vida. Em seu depoimento, Takei revela que já sofreu muitos preconceitos. Na época da Guerra, cresceu em uma espécie de campo de concentração nos Estados Unidos para onde foram levados os japoneses que residiam na América após o ataque a Pearl Harbor. Depois, precisou esconder sua condição homossexual. Agora, não apenas pôde se revelar publicamente, como poderá realizar um sonho que acalentou durante anos.

George Takei é a segunda personalidade ligada ao mundo das séries de TV que anuncia seu casamento após a decisão da Suprema Corte da Califórnia em autorizar a união entre pessoas do mesmo sexo. A primeira a divulgar seus planos de casamento foi Ellen DeGeneres e Portia de Rossi.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


O SUCESSO MEDE-SE POR DOWNLOADS

quinta-feira | 22 | maio | 2008

Ou seja, o caso da revista Bang!, que depois de uma curta vivência na versão impressa, durante a qual teve de defrontar problemas de distribuição e visibilidade, a Saída de Emergência tomou a decisão correcta e corajosa de disponibilizá-la gratuitamente na internet, em versão para leitura directa no computador ou recorrendo a impressora. E em bom tempo o fez, porque o mercado mostrou-se receptivo (lembrem-se do velho apanágio de que neste país ninguém dá nada a ninguém) e já no primeiro número virtual (o terceiro da série), lançado em inícios deste ano, atingiu o número recorde de 16000 downloads. Como afirma o editor, Luís Corte Real, «num país onde a tiragem média de um romance ronda os 2000 exemplares, uma revista literária (ainda por cima dedicada a géneros marginais) com mais de 16000 downloads só pode ser um sucesso!».

No quarto número, que agora se encontra disponível, autores portugueses ombreiam com estrangeiros, conhecidos são publicados ao lado de recém-chegados, e contos inéditos surgem a par de clássicos da literatura. Edgar Allan Poe, António de Macedo, João Barreiros, Inês Botelho, Miguel Garcia, Nuno Travesso, David Soares, José Manuel Lopes, são os autores que povoam este novo número de mais de 100 páginas. Particular destaque para o conto de Wolmyr Alcantara, em representação da nossa antologia Por Universos Nunca Dantes Navegados e uma menção humilde para o meu artigo no qual se narram as aventuras e desventuras da concepção da mesma. Também é apresentado o regulamento da antologia Pulp Fiction à Portuguesa, cujo período de submissão foi alargado para 31 de Outubro de 2008.
>> TECNOFANTASIA – por Luis Filipe Silva


A PERFEIÇÃO É A MORTE

quarta-feira | 21 | maio | 2008

Uma crônica do escritor e músico Bráulilo Tavares. Para ler mais dessas crônicas confira no blog Mundo Fantasmo, com a vantagem adicional da busca através de “tags”, ou marcadores, por assuntos específicos.

Já comentei (“O mundo em progresso”, 2 de março) o conto de Arthur C. Clarke “Os Nove Bilhões de Nomes de Deus”, em que o Universo deixa de existir quando um super-computador calcula todos esses nomes. Com isto, a Humanidade cumpre sua função e deixa de ser necessária. Clarke nos induz a pensar que o Universo é um processo que busca a completude, e que, uma vez completado, não terá mais razão de ser. Por outro lado, essa lista dos nomes de Deus talvez não tenha que ser um recenseamento de nomes próprios (Allah, Iavé, Adonai, etc.) mas uma reconstituição verbal de todos os elementos que são o reflexo do Divino no mundo material, seus átomos, por assim dizer. Como um nome contém (de acordo com certas doutrinas) a totalidade da coisa que nomeia, no momento em que conseguíssemos relacionar tudo que existe no Universo material teríamos criado um reflexo total desse Universo no mundo da palavra. O Universo se veria duplicado. Estaria, impossivelmente, transformado em dois Universos idênticos, e assim um deles teria que deixar de existir.

O leitor há de recordar um dos contos mais curtos e mais conhecidos de Edgar Allan Poe, “O Retrato Oval” (1842), onde se conta a história de um artista que está pintando o retrato a óleo de sua mulher. À medida que ele se dedica ao trabalho, ao longo de meses, a mulher enfraquece, fica anêmica. No instante em que ele dá a última pincelada, exclama: “Isto aqui é a vida, a vida propriamente dita!” E quando olha para a esposa percebe que ela acabou de morrer. O retrato era tão perfeito que equivalia a uma duplicação da mulher; e não podem existir no Universo dois seres idênticos. No momento em que uma duplicação assim ocorra, um dos dois tem que deixar de existir.

Esse impasse está na raiz de todas as histórias de ficção científica que envolvem a desmaterialização e rematerialização de objetos ou de pessoas. O famoso “teletransporte” ou “teleportagem” da FC seria, em tese, um processo em que na cabine A o corpo de um sujeito é desmaterializado, transformado em informação, essa informação é remetida à velocidade da luz para uma cabine B, e ali é usada para materializar um corpo idêntico ao primeiro. Os desenhos do Cartoon Network nos acostumam desde a infância a essa noção básica, que é utilizada apenas para permitir viagens instantâneas de um lugar para outro. Escritores mais espertos, contudo, questionam o processo.

Uma das formas de questioná-lo é perguntar: “E se o primeiro corpo não precisasse ser desmaterializado? Se bastasse escaneá-lo, e depois produzir um corpo igual? Teríamos dois gêmeos idênticos? Poderíamos produzir um exército de clones?” Obras de FC como “Rogue Moon” de Algis Budrys (1960) e “The Prestige” de Christopher Priest (1995) trataram esse tema indo ao fundo de suas complicações existenciais e filosóficas. Se um sujeito igual a mim pode ser criado artificialmente, qual deles sou eu? Como distinguir entre o original e a cópia?
>> JORNAL DA PARAÍBA – por Braulio Tavares – 08/05/2008


BIOGRAFIA CONTA A HISTÓRIA DO PRIMEIRO DRÁCULA DO CINEMA

terça-feira | 20 | maio | 2008

O primeiro retrato cinematográfico de Drácula foi tão sombrio que alguns críticos se perguntaram se o ator era realmente um vampiro. Mas desde sua morte, pouco foi feito para ressuscitar a reputação de Max Schreck– até agora.

Schreck é sempre lembrado por ter representado o cadavérico vampiro Conde Orlok no clássico do cinema mudo de 1922 “Nosferatu: Uma Sinfonia de Horror” de F.W. Murnau, uma adaptação não-autorizada do romance “Drácula”, de Bram Stoker.

O resto de sua carreira foi completamente esquecido, o que para o autor alemão Stefan Eickhoff, que escreveu a biografia de Schreck, é algo injusto.

“Quem espera descobrir um vampiro, ficará desapontado, mas achará um ator de grande habilidade e versatilidade”, disse Eickhoff. “Ainda assim, ele permanece coberto pelo mistério”.

“Nosferatu” falhou em tornar seu principal ator uma estrela, mas conseguiu um status cult tão grande que fez que muitos estudiosos de filmes achassem que seu nome — a palavra Schreck significa “medo” ou “susto” em alemão — fosse na verdade um pseudônimo.

Mesmo com anos de pesquisa, Eickhoff achou que não havia anedotas ou mesmo referências sobre Schreck nas memórias de pessoas com as quais ele havia trabalhado.

Eickhoff disponibiliza uma crônica detalhada da carreira de Schreck, filho de um funcionário público que representou cerca de 800 papéis no palco e no cinema. Visões sobre o homem por trás da máscara de ator continuam escassas.

Apenas na morte, o personagem de Schreck se torna mais vivo. As mais reveladoras descrições do ator vem de tributos e homenagens feitas a Schreck depois de sua morte repentina em 1936.

A biografia escrita por Eickhoff “Max Schreck — Gespenstertheater” (Teatro Fantasma) será publicada ainda este ano.
>> REUTERS – por Dave Graham


MESTRE SHIMA: 50 ANOS DE QUADRINHOS EM REVISTA

terça-feira | 20 | maio | 2008

Julio Shimamoto é um dos artistas mais importantes dos quadrinhos brasileiros, além de ser uma das pessoais mais cordiais e gentis que conheço. Esse talentoso artista já somou cinquenta anos de carreira nos quadrinhos, tendo participado de alguns dos momentos mais significativos de nossas HQs. Mestre Shima completa sessenta e nove anos, e para marcar a data fizemos uma entrevista em que ele nos fala de alguns dos episódios mais marcantes de sua trajetória.

Sua carreira profissional nos quadrinhos começou em 1957 ou 1958, certo? Como foram aqueles primeiros dias?
Na verdade iniciei minha carreira em 1957. Eu tinha me demitido do dpto. de promoção da multinacional Sears & Roebuck, loja de departamentos. Embora fosse contratado como desenhista, incumbiam-me com frequência tarefas de office-boy, restando-me pouco tempo como desenhista. Fiquei 2 meses procurando novo emprego, sem sucesso. Decidi tentar quadrinhos, e fui procurar Miguel Falcone Penteado, de quem fui grande admirador quando ilustrava capas de gibis da Ed. La Selva, juntamente com Jayme Cortez. Miguel estava dirigindo a Gráfica Editora Novo Mundo, no bairro do Brás (SP). Mostrei-lhe um projeto pronto intitulado “A conquista do Acre”, narrando a saga de Plácido de Castro, mas Miguel reprovou os desenhos (por insuficiência técnica) e o roteiro (por tratar os bolivianos de forma discriminatória e pejorativa). Percebendo meu ar de decepção, insistiu-me para que não desistisse e que voltasse com novos trabalhos para sua avaliação. Cheio de esperança retornei no mês seguinte, e ele disse que eu tinha progredido muito. Encomendou-me um projeto para ocupar o espaço da série Acredite se quiser, de Ripley, que saía na 3ª capa de suas revistas. Senti um frio na barriga, mas topei o desafio, e me dei bem. Pouco tempo depois encomendou-me uma HQ de terror, e estreei no gênero com “Satanasia, a mulher do Diabo”. Apresentou-me ao Cortez, na época diretor artístico da Ed. La Selva, e em pouco tempo comecei a desenhar para as revistas infantis Fusarca e Torresmo e Arrelia e Pimentinha, palhaços que atuavam na tevê.

Miguel Penteado foi um nome importante no fortalecimento de uma produção brasileira de quadrinhos no fim dos anos 50, através da pioneira Outubro. Qual a importância dessa editora para os quadrinhos brasileiros?
Miguel convidou 4 amigos, Jayme Cortez, Helí Lacerda, Cláudio de Souza e José Sidekerskis para juntarem recursos e talentos para fundarem a Ed. Continental (logo depois rebatizada de Outubro, mês da inauguração), voltada somente para o quadrinho nacional. Mas quadrinistas estrangeiros radicados no país podiam colaborar. Além do português Cortez, tinha o talentoso italiano Nico Rosso. Com exceção de Queiroz, Colin, Gedeonne, Gutenberg, Manoel Ferreira, Itagiba e Sérgio Lima, a maioria era jovens iniciantes como eu: Saidenberg, Aragão, Igayara, Maurício, Isomar, Dag Lemos, Bortolassi, Aylton Thomás, Webster, Juarez Odilon, Getúlio Delphin e tantos outros dos quais não recordo. Os roteiristas mais assíduos eram Hélio Porto, Cláudio de Souza, Pergentino e Costa Cotrin. Publicavam-se revistas infantis, juvenis, femininas (historinhas de amor), de terror, clássicos de terror, faroeste (Colin desenhou Shane e eu Matar ou Morrer). A Outubro cresceu rapidamente impulsionada por ótimas vendas. Chegaram a lançar mensalmente 4 títulos de terror. A Ed. La Selva também ia bem, e cheguei a colaborar para lá também. Essas 2 editoras entrincheiradas no Brás e na Mooca, antigo reduto de imigrantes italianos, começaram a incomodar as grandes e tradicionais editoras do eixo Rio-S.Paulo, tanto que se uniram no propósito criarem o selo “Aprovado pelo Código de Ética”, como atestado de qualidade de suas revistas. A intenção era para incitar os pais a boicotarem revistas que não estampassem o selo.

Devo dizer que fiquei muito surpreso quando descobri que o senhor tinha sido o desenhista da HQ de estréia do Capitão 7 em 1959. Conte-nos, por favor, como o amigo acabou sendo o desenhista na primeira história em quadrinhos de super-heróis do Brasil.
O Capitão 7 era série infantil de tevê do Canal 7 de Televisão, interpretava o herói o lutador de catch Ayres Campos, muito popular entre a gurizada. Cortez me convidou para tocar a quadrinização do personagem que seria roteirizado por Cláudio de Souza, mas não me empolguei. Topei quando me garantiu que eu só faria o número inaugural, para outro desenhista continuar. Eu preferia continuar com “terror”, por ter mais flexibilidade de me aprimorar e desenvolver meu aprendizado em desenho e técnica de roteiro. Nesse período devorei compulsivamente quase todos os clássicos da literatura gótica e fantástica.

No começo dos anos 60, tivemos algumas iniciativas de valorização da produção brasileira, como o movimento pela nacionalização das histórias em quadrinhos e a experiência da cooperativa gaúcha CETPA. Por que essas iniciativas não deram certo? Algo a ver com o Golpe Militar de 1964 e interesses econômicos menos nacionalistas?
O movimento pela valorização da produção brasileira nos inícios dos anos 60 deve-se à conjunção de fatores político, cultural e esportivo que o país respirava, sob influência do nacionalismo getulista somado ao desenvolvimentismo juscelinista. Era um período triunfalista para os brasileiros, transbordando auto-estima. Por 1 polegada Marta Rocha deixou de ser Miss Universo; a construção de Brasília pelos geniais Lúcio Costa e Oscar Niemeyer; a implantação da indústria automobilística: Eder Jofre campeão mundial dos galos; Brasil campeão de 2 copas mundiais ; a Bossa Nova e o Cinema Novo conquistam aplausos e prêmios internacionais; na salto-triplo Ademar Ferreira é ouro olímpico; campeã várias vezes em Winbledon e Grand Slam, Maria Esther Bueno (589 títulos internacionais) é considerada a maior tenista de todos os tempos! Em 1961, o mundo está dividido pela guerra-fria entre blocos Leste / Oeste. Pregando neutralidade, elege-se presidente Jânio Quadros, com votos da esquerda e da direita. Surpreendentemente foi ele o primeiro presidente apoiar o movimento pela nacionalização dos quadrinhos. Mas, sob pressão oculta dos militares, ele acaba renunciando, cedendo a vez para seu vice Jango Goulart assumir sua vaga. E este continua a linha política do antecessor… No Rio Grande do Sul, o governador é seu cunhado Leonel Brizola, que decidiu apoiar a implantação de núcleo de produção de quadrinhos com temas brasileiros, a CETPA (Cooperativa Editora de Trabalho de Porto Alegre). A presidência ficou com o ex-quadrinista carioca José Geraldo Batista. As oportunidades foram franqueadas também para desenhistas de outros estados. Eu desenhei a História do R. G. do Sul, Luís Saidenberg a História do Cooperativismo, Flavio Colin desenhou a saga do líder guarani Sepé Tiarajú, e Getúlio Delphin quadrinizou as aventuras dos Abas Largas, como são conhecidas as polícias montadas das fronteiras gaúchas. Fortunato desenhou uma fábula sobre conflitos sociais. Canini fez sátira contra super-heróis. Bendatti, criou Lupinha, um detetive trapalhão. Flavio desenhou o personagem infantil Piazito, um indinho. Houve outros projetos, mas não cheguei a conhecer. Testemunhei alguns problemas muito comuns hoje em dia, como a incorporação de apadrinhados políticos no núcleo da CETPA, pessoas com conhecimento zero sobre quadrinhos mas ávidos para pegar carona no movimento, visando prestígio ou alguma vantagem material. Apesar disso não vacilo em afirmar que o Golpe Militar foi responsável pelo fracasso do movimento pela nacionalização dos quadrinhos, que foi confundido com movimento político de esquerda.

Nos anos 70, o senhor trabalhou em HQs eróticas para a Grafipar, faroestes para a Vecchi e na série A Múmia para a Bloch. Se comparados a projetos mais autorais como O Gaúcho, aqueles foram trabalhos mais comerciais. Mas talvez o que falte aos quadrinistas brasileiros hoje seja exatamente editores interessados em investir em revistas comerciais que propiciem trabalho regular. O senhor concorda?
Muito interessante a sua colocação, mas uma observação isenta revela uma evidência crônica: por exemplo, as editoras de livros preferem investir em títulos de autores estrangeiros consagrados, do que apostar num autor local, salvo raras exceções. Essa fórmula é adotada também no setor dos quadrinhos – basta uma simples olhada nas estantes de nossas gibiterias, lotadas de publicações americanas, européias e asiáticas (sobretudo japonesas). Basta lembrar que Outubro só deu certo porque ocupou o espaço do gênero “terror” que o macartismo proibiu nos EUA. A Ed. Bloch chamou-me para desenhar A Múmia devido a Marvel ter cancelado a série quando começou a dar prejuízo. Walmir, Adauto e eu desenhamos Fantasma para a Rio Gráfica pelo mesmo motivo… a King aposentou seu desgastado personagem. Quando cancelarem o Homem-Aranha, com certeza vão procurar alguém para continuá-lo aqui no Brasil. Excetuando Maurício, Ziraldo e os quadrinistas que produzem super-heróis para o exterior, a maioria se abriga nos fanzines e nas chamadas “independentes” ou “alternativas”, publicações de escassas tiragens, produzindo HQs autorais com temáticas existenciais ou sociais. Eu próprio estou nessa atualmente, apenas para manter a prática e a auto-estima, fingindo ignorar meu bolso vazio. Heroicamente teimosos como você Srbek, Salles, Arthur Filho, Leonardo Melo, Henrique Magalhães, Leonardo Santana, e muitos outros, estão lutando para romper a camisa-de-força que amesquinha espaço para criadores locais.

Tendo participado de importantes momentos e movimentos nos últimos 50 anos, em sua opinião por que não temos hoje revistas brasileiras importantes como Spektro, Calafrio e Mestres do Terror?
Porque o mundo mudou, e está cada vez mais acelerado, abreviando o tempo de validade das coisas classificadas como lúdicas e supérfluas. O quadrinho infelizmente é um item vulnerável, descartável. Um exemplo: sou pai de 4 filhos, mas nenhum lê história em quadrinhos (muito menos os meus). Em contrapartida, também não gosto de muitas coisas que eles lêem, som que ouvem, ou filmes que assistem. Voltando ao assunto, sem ironia, eu creio que há mais gente querendo fazer quadrinhos do que leitores.

Nas últimas décadas, percebemos nos seus trabalhos cada vez mais experimentações com diferentes técnicas, ao lado de um interesse por temas tradicionais. O que define o caminho e as buscas artísticas do mestre Shima?
Por também ter trabalhado muito com publicidade, adquiri síndrome de inovação. Sem essa compulsão não se sobrevive nessa atividade nem 2 semanas. Quando retornei para os quadrinhos trouxe junto essa neurose. Sabia que o grande e saudoso mestre Flavio Colin trabalhou mais tempo do que eu na publicidade? Ele burilou seu inimitável e extraordinário estilo nas pranchetas das grandes e melhores agências do Rio. Para mim, embora o quadrinho nunca tenha significado um meio confiável de sustento, sempre me proporcionou os melhores momentos de minha vida. Foi importante para a formação não apenas artística, mas também da minha personalidade, sobretudo por fortalecer minha auto-estima.

Em que projetos o amigo está trabalhando agora e quais seus planos futuros para os quadrinhos?
Já sonhei com dezenas de projetos simultâneos, mas baixei a bola para um projeto por vez. Terminado um, aí penso no próximo. Atualmente fiz 2 HQs sobre “causos” com meu pai, acontecidos no sertão, quando administrava fazendas nos inícios da década dos anos 40, na carona da comemoração dos 100 anos da Imigração japonesa no Brasil. Foram encomendadas pela Ed. Escala (SP) e revista Front de Porto Alegre. Você citou a frequência com que trabalho com temáticas tradicionais… como samurais. Isso se explica pelo fato de ter ouvido de papai e da minha avó fatos sobre nossos ancestrais e dos personagens heróicos da história medieval nipônica. Como quadrinista, sinto prazer em resgatar esse passado e mostrar para meus leitores. Como esclareci antes, minha rotina mesmo que ativa, segue sem sobressaltos, como que levado pelo vento, evitando ondas impetuosas. Nessa idade, pretendo manter o leme sob controle absoluto, sem excesso de atrevimentos.

Quero agradecer por esta entrevista, desejando-lhe muitas felicidades, saúde e quadrinhos!
Eu que lhe agradeço por esta entrevista (embora eu costume rejeitá-las), por ter-me permitido externar algumas revisões em minhas antigas convicções em relação aos quadrinhos. Também desejo a você e seus leitores muitas felicidades! Obrigadão e um grande abraço!

Para quem quiser conhecer alguns dos primeiros trabalhos de Julio Shimamoto, lancei com a Marca de Fantasia em 2007 a coletânea Shima: HQs clássicas de um samurai dos quadrinhos. Vale conferir!
>> MAIS QUADRINHOS – por Wellington Srbek


DUELO DE HERÓIS

segunda-feira | 19 | maio | 2008

Briga entre editoras de HQs leva personagens populares para as telas de cinema

O burburinho vem tomando conta da internet: o que existe depois do final dos créditos de Homem de Ferro, em cartaz nos cinemas? Para os fãs que foram pacientes e esperaram todas as letrinhas subirem, a pequena cena de menos de um minuto vale tão a pena quanto o filme inteiro.

Após Tony Stark, alter ego do herói dos quadrinhos, chegar em casa, se depara com uma pessoa na sua sala, que lhe pergunta: “Você acha que é o único super-herói do universo?”. Assim que o homem misterioso, interpretado pelo ator Samuel L. Jackson, vem para a parte iluminada da mansão de Stark, a surpresa. O inconfundível tapa-olho denuncia a identidade: Nick Fury! E ele já adianta ao Homem de Ferro o assunto da conversa, um projeto chamado Os Vingadores.

Se aquele frio tomou a sua espinha, prepare-se. O filme que conta a história do grupo de super-heróis, publicado pela Marvel Comics pela primeira vez em 1963, deve chegar às telonas em 2011, com roteiro de Zak Penn (dos dois últimos X-Men), de acordo com o site IMDB.
Originalmente formado por Homem de Ferro, Thor, Hulk, Vespa e Homem-Formiga, os quadrinhos foram desenvolvidos por Stan Lee, Jack Kirby e Dick Ayers. O grandão verde logo saiu da série e o Capitão América foi escalado para substituí-lo.

E o que o personagem vivido por Jackson tem a ver com isso? Na verdade, o coronel Nicholas Joseph “Nick” Fury, em determinada fase da HQ, se torna comandante chefe da Supreme Headquarters International Espionage Law-Enforcement Division, ou simplesmente Shield, organização que monitora Os Vingadores e aparece em Homem de Ferro, auxiliando o super-herói e sua fiel secretária Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) no combate ao Monge de Ferro (Jeff Bridges).

Historicamente, Os Vingadores foram uma resposta da Marvel Comics à Liga da Justiça, equipe de super-heróis criada pela DC Comics no início dos anos 60 e que contava com Super-Homem, Batman, Mulher Maravilha, Aquaman, Lanterna Verde, Flash e Caçador de Marte.

Pois a briga saiu das páginas das HQs para as telonas do cinema. O filme Justice League: Mortal (Liga da Justiça: Mortal, em tradução livre) está previsto para ser lançado em 2009, de acordo com o site IMDB. A direção já está definida, a cargo de George Miller, o mesmo da trilogia oitentista Mad Max.

Entretanto, a Marvel Enterprises, braço cinematográfico da editora, anunciou que, antes do lançamento de Os Vingadores, os principais líderes do grupo vão chegar às telonas em filmes individuais.

O primeiro deles é Hulk. O segundo filme do grandão verde, O incrível Hulk (também com roteiro de Penn), estréia no próximo mês em todo o mundo. Ele traz Edward Norton (Clube da luta, Seven) como Bruce Banner (alter ego do herói) e teve cenas rodadas em favelas cariocas. Depois é a vez de Thor, anunciado para estrear em junho de 2010, mesmo ano da seqüência de Homem de Ferro. Já The first avenger: Captain America só deve ser visto em 2011, pouco tempo antes do filme do grupo.

O mais legal é que a Marvel parece preparar o terreno para a chegada de Os Vingadores. Em O incrível Hulk, não se espante ao ver uma “participação especial” de Tony Stark/Homem de Ferro. Recentemente, quando anunciou os novos projetos, a editora de HQs – que hoje se tornou um conglomerado de empresas de mídia – também informou que Thor fará uma participação em Homem de Ferro 2.

A DC Comics não pretende esperar tanto. Justice League: Mortal já está em pré-produção e deve estrear antes mesmo dos filmes individuais dos principais personagens saírem. Batman, o cavaleiro das trevas chega aos cinemas em julho e Superman: Man of steel em junho de 2009, enquanto The Flash só chega depois do longa da Liga da Justiça. Já o filme sobre a Mulher Maravilha está parado, de acordo com o produtor Joel Silver. A expectativa era que o longa chegasse aos cinemas em 2009.

Revistas – Se nos cinemas a DC parece um pouco à frente, nas HQs a concorrente domina com larga dianteira. No ano passado, de cada cem revistas de super-heróis pedidas pela Diamond, distribuidora americana especializada, cerca de 75% tinham a marca da Marvel. O gibi mais procurado foi a edição 25 da série A morte do Capitão América.

Um dos personagens intrigantes desse eterno duelo entre as editoras é o diretor, produtor e roteirista Bryan Singer. Ele dirigiu e escreveu os dois primeiros filmes da trilogia X-Men, da Marvel, mas depois passou para o lado da DC e assumiu a direção, roteiro e produção de Superman – O retorno (2006) e está escalado para os mesmos trabalhos no novo filme do homem de aço.
***
Para ‘espectadores’ de gibis

Antes do confronto de quem leva a melhor nas bilheterias, Liga da Justiça ou Os Vingadores – um encontro que já aconteceu em poderes e punhos nas HQs – muitos outros super-heróis e personagens conhecidos nos quadrinhos chegarão aos cinemas. Junto com O incrível Hulk e Batman, o cavaleiro da trevas, chega aos cinemas nesse meio de ano O procurado – com Angelina Jolie, e baseado na série de HQ homônima, de Mark Millar –, Punisher: War zone – mais um sobre O Justiceiro – e Hellboy 2 – O exército dourado.

No início de 2009 será a vez de The Spirit, novo filme de Frank Miller (Sin City) e Watchmen, sobre o grupo homônimo de super-heróis que introduziu uma temática mais adulta às HQs. A adaptação é dirigida por Zack Snyder, o mesmo de 300. Ainda para o ano que vem estão previstos o quarto filme do Homem-Aranha e o esperado X-men origins: Wolverine, com o início da história do super-herói, que também será vivido por Hugh Jackman, assim como na trilogia sobre os X-men.

Além destes, são aguardados longas sobre Luke Cage, Surfista Prateado, Tintin (com direção de Steven Spielberg), Akira, Shang Chi – Mestre do Kung-Fu, Capitão Marvel (aquele que diz “Shazam!”), a primeira seqüência de Sin City, Novos Titãs (personagens adolescentes ou ajudantes de alguns super-heróis, entre Robin e Moça-Maravilha), X-men origins: Magneto e até uma refilmagem de Barbarella, clássico de 1968, com Jane Fonda.

Os fãs estão cada vez mais ansiosos e esperando que não venham por aí fiascos, como o bizarro Mulher-gato (2004). O mundo das HQs tem se mostrado bem rentável para as produtoras de cinema, vide o sucesso de Homem de Ferro, que em duas semanas já chegou à marca de 178 milhões de dólares arrecadados só nos EUA. O duelo entre DC e Marvel vai agradando cada vez mais aos leitores, que parecem se tornar cada vez mais espectadores.
>> CORREIO DA BAHIA – por Ivan Marques


Os personagens clássicos envelheceram de vez

segunda-feira | 19 | maio | 2008

E se alguns clássicos personagens de histórias em quadrinhos e desenhos animados infantis envelhecessem e, atualmente, aparentassem visualmente sua idade editorial?. A ilustração foi apresentada em um artigo publicado na edição de maio da revista Spirit Magazine, distribuída nos vôos da companhia norte-americana de aviação Southwest Airlines. No texto, o jornalista Winston O’Grady narra sua maratona de 24 horas assistindo a desenhos animados na TV, a fim de saber o que as crianças andam vendo nos canais dedicados a elas. Além de explanar considerações sobre o abismo (com exceções) entre a adequação de conteúdo das produções antigas e as atuais o artigo leva o leitor a uma desconcertante verdade: o público infantil de hoje desconhece ou não gosta das animações clássicas que marcaram a infância de seus pais e avós. >> UniversoHQ – 19/05/2008 – por Marcus Ramone


Milo Manara desenha graphic novel dos X-Men

segunda-feira | 19 | maio | 2008

Na última sexta-feira, em mais uma edição do My Cup o’ Joe, bate-papo semanal de Joe Quesada com o jornalista Jim McLauchlin, no site da Marvel Comics, o editor-chefe da “Casa das Idéias” revelou mais algumas novidades da editora para os próximos meses. Entre as boas notícias está o lançamento da graphic novel Women of the X-Men, anunciada há cerca de dois anos e só agora nos estágios finais de produção. Escrita por Chris Claremont e desenhada pelo italiano Milo Manara, a HQ continua sem data de estréia definida. As primeiras páginas de Women of the X-Men foram entregues por Manara no mês passado. >> UniversoHQ – 19/05/2008 – por Marcus Ramone


FICÇÃO CIENTÍFICA NO BRASIL: GRANDES ESPERANÇAS

sábado | 17 | maio | 2008

A história está longe de terminar para a FC brasileira. Graças às comunidades de Web, novos autores, que não tinham a menor ligação com o CLFC nem com os autores citados anteriormente, foram surgindo e ocupando um lugar fundamental na literatura do gênero e em suas discussões críticas.

O Brasil não é um país sério, já disse o ex-presidente francês Charles de Gaulle – e já começamos mal, porque, segundo uma pesquisa feita nos anos 1980 pelo saudoso cronista Marcos de Vasconcellos, do Pasquim, quem teria dito a malfadada frase não foi o francês, mas um diplomata brasileiro em conversa com De Gaulle. Coisa que jamais saberemos ao certo (mas faz sentido). E para o brasileiro, essa frase já se tornou quase uma substituta para o dístico positivista “Ordem e Progresso” de nossa bandeira

Por não ser considerado um país sério, toda tentativa de se fazer algo que fuja do humor na cultura é muitas vezes encarada no Brasil – claro – com risos.

Mas a ficção científica no Brasil (e do Brasil) não deveria ser encarada com tanto desprezo se pensarmos, entre outras coisas, que o escritor judeu alemão Stefan Zweig, ao se abrigar aqui na sua fuga da Alemanha nazista, declarou (e escreveu um livro com esse título, publicado originalmente em 1941) que o Brasil era o país do futuro. Coisa que nos deixou muito felizes: Zweig era um intelectual de primeira água, e não disse essas palavras de modo leviano. Estava empolgado porque via no Brasil a semente de algo que poderia ser construído num ambiente de tolerância e, o que era mais importante no mundo em guerra, paz.

 

A ironia foi que Zweig não viveu nem para ver o entusiasmo de JK, a política dos cinqüenta anos em cinco, Brasília e a Bossa Nova: em 1942, ainda vivendo em Teresópolis, estado do Rio, não agüentou de tanta angústia e cometeu suicídio. Pode ter sido aí que a idéia de país do futuro morreu no nascedouro: se o sujeito que foi o primeiro estrangeiro a afirmar isso categoricamente se matou, poderíamos confiar no que fora dito? O suicídio de Zweig foi o equivalente intelectual/cultural da derrota da Copa de 1950 para os brasileiros. Enterrou mais fundo o punhal da auto-estima nas costas da nossa gente.

Claro que isto é um exagero proposital; como diria Norbert Elias (certamente teria dito se fosse brasileiro), o buraco do nosso processo civilizador é bem mais embaixo. Mas este não é um texto sobre história pré-colombiana ou pré-cabralina, e sim de ficção científica, e ficção científica feita no Brasil.

Assim como no meu artigo anterior eu já havia escrito que falar de FC não é tarefa simples, tampouco é fazer a mesma coisa de maneira menos genérica e mais centrada em nosso país de origem. Assim, caveat lector: não é intenção deste escriba fazer uma grande e profunda análise deste gênero literário, nem no Brasil nem no exterior (tanto é que me sinto obrigado a ressaltar que, depois de publicado o primeiro artigo, percebi que havia deixado de lado ninguém menos que a grande precursora da ficção científica, a inglesa Mary Shelley, e seu Frankenstein. Peço, portanto, desculpas aos leitores e sigo em frente).

 

Esgotar qualquer tema relativo à literatura de ficção científica é uma tarefa impossível para um gênero que, oficialmente, nasceu há cerca de oito décadas e simplesmente nunca mais parou de produzir autores e obras. Há alguns anos, quando parei de assinar a revista Locus (a Publishers Weekly do gênero), ela registrava, em toda edição de janeiro, a quantidade de livros de FC, fantasia e terror publicados nos EUA/Inglaterra no ano anterior. Antes do ano 2000, essa quantidade anual quase chegava a 700, ou seja, cerca de dois livros publicados por dia em língua inglesa.

Claro, dirão os cínicos (e estarão certos): ah, mas a maior parte disso é lixo literário. Ao que respondo concordando e citando outro luminar da ficção científica, Theodore Sturgeon, autor do clássico More Than Human (que já foi publicado no Brasil pela L&PM e infelizmente anda esgotado), autor de uma citação que ficou conhecida (lá fora, inclusive fora do métier science-fictional) como Lei de Sturgeon, que reza: “Noventa por cento de toda a ficção científica escrita é lixo; mas, se pararmos para analisar, noventa por cento de TUDO o que se escreve é lixo”. E também não vamos entrar aqui em nenhuma análise de qualidade. A questão que cabe fazer é: existe ficção científica made in Brazil? E, se existe, por que ela não é conhecida?

Os precursores

Precursores tivemos muitos, mas quase todos no século 19 eram mais ligados ao que hoje classificamos como fantasia, e não com romances científicos (como se chamava a FC na época de Verne e Wells), como Gastão Cruls e Coelho Netto. Machado de Assis também escreveu vários contos num registro fantástico, como “Uma visita de Alcibíades”, em que o protagonista de 1875 recebe a visita, de corpo presente, como se teletransportado ao século 19, do político ateniense do século V a.C. Em 1994 foi encontrado e publicado o manuscrito de O Doutor Benignus, de Augusto Emílio Zaluar, avô da antropóloga Alba Zaluar e precursor, entre nós, de um romance científico numa linha entre Arthur Conan Doyle e Jules Verne.

 

Mas essas obras, quando publicadas em seu próprio tempo, eram quase sempre encaradas como humorísticas (definitivamente no caso de Machado, satirista convicto e juramentado) ou como cautionary tales (que talvez pudéssemos traduzir para o português como “contos de acautelamento”, histórias beirando o horror em que, na verdade, se avisa ao leitor para não se meter em esferas além de seu conhecimento).

Jerônymo Monteiro e Gumercindo Rocha Dórea

Uma ficção científica que realmente lidasse com conceitos científicos surgiria de modo mais organizado e consciente com dois nomes: Jerônymo Monteiro e Gumercindo Rocha Dórea. Monteiro, jornalista e editor (foi o primeiro editor do Pato Donald no Brasil, em 1950), fundou a Sociedade Brasileira de Ficção Científica em 1964 e no início da década de 1970 tornou-se editor do Magazine de Ficção Científica, edição brasileira da Magazine of Fantasy & Science Fiction norte-americana.

 

Monteiro publicou três livros que se encontram esgotados mas que ainda são disputados a tapa nos sebos pelos fãs: Três meses no século 81, de 1947, A cidade perdida, de 1948 e Fuga para parte alguma, de 1961. Morreu em 1970, mas antes disso um outro nome se destacaria como editor: o baiano radicado em São Paulo Gumercindo Rocha Dórea, que lançou, entre outros, nomes como Rubem Fonseca (é da editora GRD a primeira edição de O Caso Morel) e Nélida Piñon. Gumercindo bancou do próprio bolso suas edições e lançou dezenas de livros de várias temáticas, de política a ficção, com especial predileção pela ficção científica.

 

Nos anos 1980, Gumercindo se aproximou da nova geração que estava começando a lançar contos em fanzines (de papel, ainda não existia a Web) e se dispôs a publicar material novo, coisa que fez no mesmo esquema de duas décadas antes. Desta vez foram publicados novos autores, como José dos Santos Fernandes, Roberto Schima e Cid Fernandez, entre vários outros. Foi nesta época que surgiu o termo “Segunda Onda” para batizar essa nova geração, em contraposição, obviamente, à Primeira Onda, capitaneada por Jerônymo Monteiro e Gumercindo Rocha Dórea.

A FC e a Web

Os anos 1980 e pelo menos metade dos anos 1990 foram o tempo dos fanzines de papel, entre os quais o SOMNIUM (zine oficial do Clube de Leitores de Ficção Científica, entidade criada em 1985 por Roberto Nascimento para unir os fãs do gênero), MEGALON, criado por Marcello Simão Branco, HIPERESPAÇO, de César Silva e Renato Rosatti, e SCARIUM, de Marco Bourguignon. Destes, apenas SCARIUM fez a transição para a Web sem deixar de publicar, até hoje, seu zine em papel. Megalon e Hiperespaço optaram por encerrar as publicações sem entrar na Web. O SOMNIUM está voltando este mês, dentro do site do CLFC, somente em formato digital.

 

O começo do novo milênio marcou a transição definitiva para a Web. A coisa começou devagar, com um blog ou outro, e estourou mesmo por volta de 2004, quando surgiu o Orkut, ferramenta de relacionamento do Google, que permitia a criação de comunidades. Isto facilitou em muito a comunicação com pessoas do mundo inteiro (muito embora o Brasil tenha invadido de forma um tanto visigoda o Orkut, a ponto de os americanos e a maioria esmagadora dos falantes de língua inglesa simplesmente cometerem orkuticídio e partirem dessa para melhor, ou seja, o MySpace (e atualmente o FaceBook e o Twitter, mas estas últimas ferramentas estão encontrando um equilíbrio maior entre usuários do mundo todo).

 

Antes disso, pode-se dizer que um site se destacou mais do que os outros do gênero no Brasil: foi o portal da Intempol, um shared universe (universo compartilhado) criado por Octavio Aragão. Criada em 1998, a Intempol surgiu originalmente num conto escrito para a coletânea Outras Copas, Outros Mundos, da editora independente Ano-Luz (criada, por sua vez, por um coletivo de escritores de FC, entre os quais Carlos Orsi, Gerson Lodi-Ribeiro e o próprio Octavio Aragão). Incentivado por várias pessoas, entre os quais este escriba, Aragão decidiu fazer uma experiência inédita no Brasil: compartilhar seu universo com quem quisesse escrever histórias ambientadas nele.

 

Isso gerou uma coletânea de onze contos inéditos que foi lançada em 2000, além de um projeto multimídia que até hoje vem gerando ondulações no mar da ficção científica: foi criado um portal com mais contos e entrevistas com autores brasileiros e estrangeiros, um RPG (escrito a quatro mãos por Aragão e este que vos digita) ainda inédito, uma graphic novel que concorreu ao Prêmio HQMix, o “Oscar” dos quadrinhos brasileiros, e promete dar mais alguns frutos no futuro próximo, entre os quais mais uma HQ e talvez mais uma coletânea. O site sofreu um grande baque no ano passado, quando, por problemas no mainframe do provedor, todo o conteúdo foi deletado. Felizmente, a maior parte desse material estava salva, e o espaço da Intempol na Web está voltando aos poucos, temporariamente hospedado no endereço http://intemblog.blogspot.com/.

O monstro está despertando

Mas a história está longe de terminar para a FC brasileira. Graças às comunidades de Web, novos autores, que não tinham a menor ligação com o CLFC nem com os autores citados anteriormente, foram surgindo e ocupando um lugar fundamental na literatura do gênero e em suas discussões críticas. A diferença de nomes como Flávio Medeiros, Tibor Moricz, Clinton Davisson, Ivan Hegenberg, Christie Lasaitis e Ana Cristina Rodrigues, entre outros, é que a maioria destes novos nomes não só não publicou nada em fanzines, como partiu diretamente para a experiência da publicação em livro, o que está gerando um grande burburinho e debates envolvendo os grupos da chamada Segunda Onda e desta que já foi batizada como Terceira Onda.

 

Mas, hoje, esses rótulos parecem estar caindo por terra. A possível Terceira Onda é bem menos monolítica que a Segunda, por conter gente de todas as faixas etárias (da casa dos 20 à dos 50) e opções sexuais (heteros e gays convivem num clima agradabilíssimo, algo que ainda não tinha sido visto antes no gênero no Brasil). Essa desmistificação dos rótulos é algo parecido com o que aconteceu com a chamada Geração 90 do mainstream literário – certa vez encontrei Marçal Aquino no metrô, às vésperas do lançamento da coletânea Geração 90, da Ateliê Editorial.

 

Marçal estava bem contente pela publicação, mas não considerava que fizesse parte nominal da tal geração, uma vez que começara a publicar antes, no final da década de 1970, e também achava que, no fim das contas, esse tipo de rótulo até serve para reunir pessoas com interesses semelhantes, mas não muito mais que isso.

 

Talvez seja este o caso agora. Apesar de a FC não tratar necessariamente de futuro, os brasileiros que fazem ficção científica estão cada vez mais dispostos a esquecer o que o passado deixou de marcas ruins e amargas e encarar o futuro próximo de frente. Não um futuro utópico, mas o futuro possível – aquele que pode se tornar realidade num coletivo. Segundo as palavras de dom Hélder Câmara: “Sonho que se sonha sozinho é sonho; sonho que se sonha junto é realidade”.

O sonho coletivo está tomando forma. Preparem-se: o monstro está despertando. E não vai sobrar pedra sobre pedra na literatura brasileira.
>> LE MONDE DIPLOMATIQUE – por Fábio Fernandes – maio/2008


Reino ameaçado

sexta-feira | 16 | maio | 2008
Uma aventura para despertar a imaginação dos leitores de todas as idades. Assim é Veyenor – A vingança de Khaos [Leitura, 232 pp., R$ 28], de Marcelo Lacerda. Ambientada em Veyenor, a história repleta de fadas, magos, elfos e outros seres criados pelo poder dos deuses, muda de percurso quando Khaos ameaça instalar a maldade para sempre na vila. Para combater o mal, surge o guerreiro Dárinus, que torna-se o rei de Veyenor. O sonho do inimigo é arrasar com o império do jovem e acabar de vez com o sonho de paz do povoado, mas para evitar isso, Dárinus vai reunir líderes do bem nessa guerra contra o inimigo. Um livro que busca transmitir valores como amizade, lealdade, amor e a solidariedade. FONTE: PublishNews

Biblioteca ganhou 24 páginas originais de Amazing Fantasy 15

quinta-feira | 15 | maio | 2008

Segundo a curadora Sara Duke, um doador, que prefere se manter anônimo, deu para a Biblioteca do Congresso norte-americano 24 páginas originais da revista Amazing Fantasy #15, de 1962, edição na qual surgiu o Homem-Aranha. O material inclui as 11 páginas da história do Homem-Aranha, de Stan Lee e Steve Ditko. A arte possui alguns retoques em branco, modificando detalhes de algumas mulheres da história, e que aparentemente não foram feitos por Ditko. Duke explicou que o doador consultou Ditko antes de doar as páginas, e o artista consentiu dizendo que, uma vez que as páginas haviam sido dadas de presente (e não por Ditko), poderia fazer o que quisesse com elas. As artes doadas não foram avaliadas pelo doador, antes de serem entregues à Biblioteca do Congresso, mas estima-se que seu valor pudesse estar na casa dos milhares de dólares. >> UniversoHQ – 15/05/2008 – por Sérgio Codespoti


SINOPSE DO FILME “O LOBISOMEM” É REVELADA

quinta-feira | 15 | maio | 2008

O site norte-americano ShockTillYouDrop revelou uma  sinopse de The Wolf Man, refilmagem do clássico O Lobisomem.

The Wolf Man devolve o mito do homem amaldiçoado às suas funestas raízes. Benício del Toro interpreta Lawrence Talbot, um nobre que retorna à mansão de sua família após o desaparecimento de seu irmão e se encontra com seu tenebroso pai (Anthony Hopkins).

A infância de Lawrence terminou na noite em que sua mãe morreu. E mesmo depois de ir embora, ele levou décadas para se recuperar e esquecer o evento. Entretanto, aceita o pedido da noiva de seu irmão, Gwen Conliffe (Emily Blunt), para que procure o noivo. No processo, ele descobre que aldeões vêm sendo mortos por algo feroz e sanguinário. Um suspeito inspetor da Scotland Yard, chamado Aberline (Hugo Weaving), chega à cidade para investigar os crimes.

Conforme as peças do quebra-cabeças vão se encaixando, Lawrence descobre uma antiga maldição que transforma suas vítimas em lobisomens, nas noites de lua cheia. E para proteger a mulher por quem se apaixonou, Talbot deve destruir a criatura que se oculta no bosque de Blackmoor.

The Wolf Man (O Lobisomem, na tradução clássica), é um remake do filme homônimo lançado pela Universal em 1941. A nova versão conta com a direção de Joe Johnston e tem estréia marcada para 3 de abril de 2009.
>> HQ MANIACS – por Alexandre D’Assumpção


Anhangá – A Fúria do Demônio

quinta-feira | 15 | maio | 2008

ANHANGÁ - A Fúria do Demônio, de J. Modesto.<br />

300 anos antes do descobrimento, o Mal
já caminhava sobre terras brasileiras.

Nos primeiros dias após a fundação da vila de São Paulo de Piratininga, o Padre Jesuíta José de Anchieta tenta acalmar um indiozinho aflito que se escondera no pequeno barracão do colégio. O medo do maléfico demônio Anhangá é o motivo do pavor do menino de pele avermelhada.

Com todo o carisma que possuí, o jesuíta acolhe o pequenino enquanto a natureza, lá fora, demonstra toda a sua fúria através de uma tempestade que castiga impiedosamente a vila, sem saberem que o Mal está bem próximo.

É deste cenário que acontece a partida para a fantástica história narrada por J. MODESTO em ANHANGÁ, A FÚRIA DO DEMÔNIO, seu novo livro publicado pela GIZ EDITORIA. O leitor vislumbrará a maravilhosa narrativa acompanhando as aventuras e combates envolvendo tribos indígenas, feiticeiros, deuses e demônios numa terra ainda inexplorada.

Sobre o Autor

J. MODESTO é o mais novo nome da Literatura Fantástica Nacional. Fã ardoroso deste gênero da literatura, formado Arquiteto e Urbanista pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, abandonou suas pranchetas para enveredar pela ficção. Dentre suas influencias está seu maior ídolo, H. P. Lovecraft, seguido de nomes importantes como Bram Stoker, Stephen King, Anne Rice, Mary Shelley, Edgar Allan Poe e o brasileiríssimo André Vianco. Fã confesso de Histórias em Quadrinhos e literatura fantástica, J. Modesto vem agora presentear-nos com seu segundo romance, depois do sucesso de sua obra TREVAS. Em seu perfil, no ORKUT, o escritor mantém contato com leitores interessados em trocar idéias sobre seus livros. O leitor interessado em suas obras poderá acessar sua comunidade também no ORKUT. Sem sombra de dúvidas, J. MODESTO é um nome que veio pra ficar.

LANÇAMENTO NACIONAL

20º BIENAL INTERNACIONAL DO
LIVRO DE SÃO PAULO 2008

20º BIENAL INTERNACIONAL DO <br />LIVRO DE SÃO PAULO 2008

De 14 a 24 de Agosto de 2008
Parque de Exposições Anhembi
Avenida Olavo Fontoura, Nº. 1209
Bairro Santana – São Paulo – SP


NOVO FILME DE ARQUIVO X GANHA TÍTULO EM PORTUGUÊS. ASSISTA O TRAILER

quarta-feira | 14 | maio | 2008

O novo longa-metragem baseado no seriado Arquivo X já tem título em português: Arquivo X: Eu Quero Acreditar. É uma tradução fiel dos dizeres do famoso pôster pendurado no escritório de Fox Mulder, peça famosa da mitologia do seriado.

No filme, misteriosos casos de desaparecimento de jovens mulheres começam a acontecer em uma área rural da Virgínia. As únicas evidências são pedaços humanos jogados em montes de neve em beiras de estradas. Um padre começa a ter visões que levam a polícia a investigar uma bizarra experiência médica secreta, que pode ou não ter ligação com os desaparecimentos. É um caso para o Arquivo X, porém a divisão paranormal do FBI foi fechada anos atrás. Os melhores investigadores seriam Fox Mulder e Dana Scully, mas eles não desejam revisitar o passado.

David Duchovny e Gillian Anderson voltam nos papéis dos agentes Fox Mulder e Dana Scully. No elenco estão também Callum Keith Rennie, Adam Godley, Xbzibit, Amanda Peet e Billy Connolly. A direção é de Chris Carter, criador do seriado. A estréia está marcada para dia 25 de julho de 2008.
>> HQ MANIACS – por Andréa Pereira

Assista ao primeiro trailer de “Arquivo X: Eu Quero Acreditar“, com legendas em português.
O trailer traz cenas do reencontro de Mulder e Scully, de uma busca num campo tomado pela neve e outros elementos que deixarão os fãs muito curiosos. No entanto, nenhum sinal dos Lone Rangers. Carter declarou em diversas entrevistas que o filme terá autonomia, ou seja, poderá ser visto independentemente da mitologia criada para a televisão.
A estréia está prevista para 25 de julho.


A LITERATURA E A IMAGINAÇÃO

quarta-feira | 14 | maio | 2008

Mais uma saborosa crônica do amigo e cúmplice Bráulio Tavares, em sua coluna do Jornal da Paraíba. Para aqueles que quiserem ler mais dessas crônicas pode conferir no blog Mundo Fantasmo, com a vantagem adicional da busca através de “tags”, ou marcadores, por assuntos específicos.

Toda leitura exige um esforço de imaginação. O simples fato, caro leitor, de você enxergar estes insetozinhos pretos na página do jornal e imaginar que estamos dialogando é uma prova do quanto a ficção é necessária para acessarmos a realidade.

A gente lê na manchete do jornal: “Furacão mata dez mil pessoas em Myanmar”. Que gigantesca ficção mental temos que montar para entender esta frase! Primeiro, temos que imaginar um furacão, que nunca vimos ao vivo (eu pelo menos não). Nossa referência sobre ele são algumas imagens desfocadas na TV. Depois temos que imaginar o que são dez mil pessoas, dez mil seres humanos. Eu acho impossível imaginar com um mínimo de nitidez dez mil indivíduos, dez mil rostos, dez mil nomes, dez mil biografias. O que fazemos? Eu, pelo menos, visualizo uma poeira de pontinhos pretos espalhada sobre um mapa. E finalmente temos que imaginar o que é Myanmar, um país que mudou de nome há algum tempo e que eu conhecia pelo nome anterior. Não faço a mínima idéia de onde fica. Como dizia a tia de Quaderna, “deve ser longe como o diabo, ali por perto da Turquia, já quase na beira do mundo!”

Será, amigos, que a imagem mental que me produz aquela manchete é igual à sua? Duvido que seja, e que duas pessoas imaginem uma mesma coisa do mesmo jeito. Cada um de nós produz ficções mentais sobre tudo que lê e imagina. E quantas vezes, ao nos depararmos em carne e osso com uma pessoa ou um local de quem ouvíamos falar, verificamos que “não é como imaginávamos”! Quando a imagem do nosso arquivo mental é desmentida pela dura realidade, sentimo-nos quase ofendidos, como se alguém estivesse nos chamando de mentirosos. Muitas experiências turísticas redundam em desapontamento quanto o turista abrigava em si imagens mentais meio fantasiosas. Para não falar em namoros por correspondência.

Por isso me surpreendo quando alguns amigos me dizem que não conseguem ler ficção científica porque não conseguem visualizar o planeta Trantor de Asimov, ou a cidade futurista de Nessus, de Gene Wolfe. Não obstante, esses meus colegas lêem Homero, lêem Cervantes, lêem Tolstoi. Quantos já terão visto uma trirreme, um moinho de vento, uma estepe nevada?

Imaginar é tudo. Quem rejeita a literatura imaginativa, rejeita o fenômeno literário por inteiro. Quem duvida de Flash Gordon tem que duvidar também de Madame Bovary. Quem recua diante de um futuro “cyberpunk” deveria recuar também diante dos castelos de Proust. A imaginação criativa não é necessária apenas para ler e escrever os contos de Andersen ou os romances de Kafka: ela é necessária também para ler livros de História do Brasil, relatos jornalísticos sobre a Guerra do Iraque, romances realistas. Se uma literatura específica exige mais da nossa imaginação, é porque ainda temos o que aprender, ainda temos o que crescer como leitores. A ficção científica está aí para isso mesmo – para que possamos imaginar o mundo real e enxergá-lo melhor.
>> JORNAL DA PARAÍBA – por Braulio Tavares – 14/05/2008


PARA RELEMBRAR HENFIL

quarta-feira | 14 | maio | 2008

Família e fãs preparam homenagens, entre exposições e lançamenos de livros, nos 20 anos da morte do artista

Ele é Henrique de Souza Filho, mas foi pela junção da primeira sílaba do nome e sobrenome que o mineiro de Ribeirão das Neves ficou conhecido em todo o país. Em 2008, vinte anos depois da morte de Henfil, exposições, antologia de cartoons, livros e filme buscam relembrar as lutas, as conquistas e as dificuldades do cartunista, escritor, jornalista, cineasta, teatrólogo e também grande ativista político. Uma das homenagens fica por conta da irmã do Henfil, Wanda Figueiredo Souza, que tem previsto para este mês lançar o livro “Balaio Mineiro, Memória de uma Família Brasileira”. Para maio está também programado o lançamento em DVD do documentário “Três Irmãos de Sangue”, que conta a história do cartunista e de seus dois irmãos, o músico Francisco Mário e o sociólogo Hebert José de Souza, o Betinho. Outra novidade é a obra “Henfil – O Humor Subversivo”, escrita pelo cartunista e sociólogo Márcio Malta, conhecido como Nico, que, aos 25 anos, representa a nova geração de fãs do artista.

Primeiros traços. Um dos primeiros traços de Henfil foi dado quando ele ainda era criança. No papel, ele desenhou tudo aquilo o que viu dentro de uma igreja. “É uma pena que não tenhamos mais esse que foi um dos primeiros desenhos do Henfil“, lamenta Wanda. Para ela, a data para a publicação de sua obra, que resgata a história da família, é propícia, já que coincide com os 20 anos da morte do irmão. “Escrevi o livro exatamente porque sou conhecida como irmã do Betinho e do Henfil“, comenta. O livro será uma produção independente e Wanda pretende por meio dele destacar também o lado feminino da família, composta por três irmãos e cinco irmãs.

O documentário “Três Irmãos de Sangue”, estreou em 2006, mas em homenagem aos 20 anos de morte do cartunista, ele será lançado em DVD no dia 19 deste mês, de acordo com a diretora do filme, Ângela Patrícia Reiniger. Ela diz que, até o final do ano, uma versão reduzida do filme será distribuída em escolas e universidades. “Nosso projeto é continuar a divulgação de ‘Três Irmãos de Sangue’, de modo que, cada vez mais, pessoas possam conhecer a marcante trajetória desses três homens tão especiais e, ao mesmo tempo, tão parecidos com todos nós brasileiros”, diz.

Foi a admiração e o interesse pela vida do Henfil que levaram Nico a escrever o livro “Henfil – O Humor Subversivo”. Sua obra tem como enfoque a vida política do cartunista e fará parte da coleção Viva o Povo Brasileiro, da editora Expressão Popular, voltada a biografias de personalidades de nosso país. “Meu objetivo é mostrar às pessoas o legado deixado por esse grande artista”, diz. O livro de bolso, previsto para ser lançado até o fim deste mês, custará R$ 3. “Queremos conquistar o maior número de pessoas possível”. Ele pretende ainda promover palestras, debates e reflexões sobre a obra em todo o Brasil.

O filho único do cartunista, o produtor cultural Ivan Cosenza de Souza, diz que este é o ano do Henfil, mas afirma que as homenagens, além de ocorrerem durante 2008, se estendem até 2009, ano em que o pai completaria 65 anos. Souza cuida do acervo do artista desde 1992 e se preocupa em divulgar e manter viva a memória do Henfil. “Em cada divulgação, em cada evento que realizo vejo que há grande repercussão e que o carinho por ele ainda é muito grande”, conta.

As homenagens ao cartunista tiveram início no começo deste ano, quando foi divulgado o livro “Urubu” (Ed. Desiterata, 2007, 143p), que reúne caricaturas e desenhos humorísticos do cartunista. Várias atividades estão previstas para 2008, mas muitas delas ainda sem data definida para acontecer. Uma das idéias do produtor cultural é realizar uma exposição intitulada “Henfil Brasileiro”, que deve ser apresentada tanto nas capitais, quanto em algumas cidades do interior. O projeto é um desdobramento do “Henfil do Brasil”, exposição apresentada durante 2005 e 2006 em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília que, segundo Ivan, foi um grande sucesso.

Outro projeto do produtor cultural é uma antologia dedicada à obra do cartunista. Ele pretende unir vários trabalhos do Henfil e no momento faz a seleção, digitalização e tratamento das imagens. Ivan conta que possui mais de 15 mil trabalhos originais no acervo e destaca a dedicação e carinho do cartunista pelas charges. “Meu pai mandava cópias de seus desenhos aos jornais e ficava com os originais. Uma prova de que ele via seus quadrinhos como uma obra de arte”, afirma. Ele conta também que o livro do cartunista, “Henfil na China”, será relançado até o período das Olimpíadas. “O público pode esperar por uma grande movimentação este ano. Vamos lançar livros, fazer exposições e resgatar o trabalho dessa figura tão importante para o Brasil”, afirma o filho Ivan.

Henfil era apaixonado pelo ser humano
Por meio de 27 personagens, o cartunista Henfil conquistou gerações e consciências. Figura simbólica no Brasil, Henfil deixou registrada sua colaboração tanto para a história dos quadrinhos, quanto para a história do país. Rebelde do traço. Era assim que um dos irmãos de Henfil, Herbert José de Sousa, o Betinho, se referia a Henfil. A referência foi título do livro do pesquisador e jornalista Dênis de Moraes que traduziu, em cerca de 500 páginas, a vida do cartunista (“O Rebelde do Traço: A Vida de Henfil”; Ed. J. Olympio, 1996, 579p). Moraes conta que foi a capacidade do cartunista de traduzir nos desenhos a miséria política, sem perder o olhar para a compreensão da condição humana, que o tornou um admirador do artista. “Henfil foi um apaixonado pelo ser humano.”

O autor lembra a frase do cartunista que dizia: “O humor verdadeiro é aquele que dá um soco no fígado de quem oprime”. Ele conta que o objetivo do artista, por meio das charges, era a conscientização. “Henfil não queria fazer rir, mas fazer pensar”.

A maneira “séria” de fazer humor foi uma das formas que Henfil encontrou de lutar contra a ditadura militar e ele sofreu com a censura. Porém, de acordo com Moraes, ele sempre conseguia passar sua mensagem. “Henfil sempre tentou driblar os censores. Protestava, desenhava quantas vezes fossem necessárias, pois não abria mão de chegar aos leitores.”

Além de ter batizado o movimento Diretas Já, nos anos 80, Henfil foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT).

Laerte é um dos principais quadrinistas do Brasil e é um admirador da obra do Henfil. Eles se conheceram em 1975, enquanto faziam um trabalho político de reação à morte do jornalista Vladimir Herzog, morto sob tortura em 1976. Depois daquele momento, estreitaram laços de amizade e trabalharam muitas vezes juntos. “Ele era uma pessoa incrível. Foi um ídolo para mim. Com ele aprendi de técnicas de desenho até questões como: ‘por que fazer’ e qual é o real significado desse tipo de trabalho.”

Assim como Laerte, outros artistas também foram influenciados pelos traços de Henfil que, até hoje, fascina, inclusive, o público jovem. Quando Henfil morreu, em 1988, o cartunista e sociólogo Márcio Malta, o Nico, tinha apenas seis anos, e hoje, aos 25, ele se diz admirador da obra do artista. O interesse pelo ídolo teve início quando o jovem cartunista, aos 17 anos, teve seus traços elogiados e comparados aos de Henfil por seu professor de desenho.

A questão técnica, agilidade e simplicidade dos traços de Henfil passaram então a chamar a atenção e a agradar Nico, mas sua admiração pelo cartunista também está relacionada ao caráter político e à maneira qual o ídolo utilizava o humor como forma de conscientização da sociedade.

Para ele, o sucesso de Henfil deve-se ainda à atualidade de suas tirinhas. “É incrível como os assuntos tratados por Henfil há vários anos ainda fazem parte da nossa realidade. Essa parece ser uma prova de como nosso país não avançou nos últimos tempos”, acredita.

Outro cartunista que foi amigo de Henfil é Ziraldo. Apesar de em um certo momento eles terem escolhido rumos diferentes na profissão, o criador do Menino Maluquinho ainda é um grande admirador do trabalho do amigo e classifica a Graúna como uma das maiores figuras femininas no imaginário brasileiro. “A influência do Henfil foi tão grande que ficou difícil aos cartunistas que vieram depois dele fazer piada que não tivesse um viés político. Henfil era um gênio”, diz Ziraldo.
>> O TEMPO – por Renata Medeiros


TRAILER DO ANIMÊ DE BLADE – A LÂMINA DO IMORTAL

quarta-feira | 14 | maio | 2008

O site oficial da adaptação em animê do mangá Blade – A Lâmina do Imortal divulgou o primeiro trailer da obra, que fora mostrado durante a Feira de Animês de Tóquio, este ano.

A produção que começará a ser exibida dia 13 de julho no Japão é produzida pelo estúdio Bee Train, e possui direção assinada por Koichi Mashimo (.hack, Noir), com design de personagens de Yoshimitsu Yamashita (Murder Princess). O dublador escolhido para dar vida ao samurai imortal Manji é Tomokazu Seki, que já havia dublado os animês Escaflowne e Gungrave.

No Brasil, Blade – A Lâmina do Imortal é publicado pela editora Conrad, que aguarda renovação de contrato para lançar os volumes que já saíram no Japão. Ao que parece, o animê seguirá o mesmo estilo do mangá, embora a arte deste último seja muito carregada e de uma difícil adaptação.
>> ANIME PRÓ – por Jack Starman – 3/04/2008


COMEÇA A NOVA ERA DOS QUADRINHOS

quarta-feira | 14 | maio | 2008

Nos últimos anos, muito se leu e ouviu sobre o revival das editoras Marvel e DC às Eras de Ouro e de Prata dos quadrinhos, em histórias que mostravam a volta de personagens há décadas esquecidos ou aventuras cujos elementos cronológicos e conceituais remetiam àquelas épocas.

Seja pela necessidade de situar os quadrinhos e suas tendências em determinado intervalo de tempo e contextualizá-los em algum período histórico, ou apenas para apontar marcos a partir dos quais mudaram-se as formas de se contar histórias nos gibis, separar a arte seqüencial em eras é uma das máximas seguidas por qualquer fã de HQs.

Embora comumente não se discuta os títulos das eras de ouro, prata e bronze, bem como os eventos que marcaram suas transições, há controvérsias sobre o que veio depois, a ponto de ficar a dúvida: a época atual é chamada de ferro ou moderna?

Nenhuma das duas opções é a correta. Do que poucos se deram conta é que os quadrinhos acabaram de dar adeus a essa fase e entraram em outra que promete não dar margem a questionamentos, pelo menos quanto ao nome: a Era Pós-Moderna.

É o que afirma o jornalista norte-americano Shawn O’Rourke, em artigo publicado recentemente na revista eletrônica PopMatters. Para ele, as minisséries Crise Infinita (DC) e Guerra Civil (Marvel), lançadas nos Estados Unidos entre os anos 2005 e 2007 – no Brasil, foram publicadas no ano passado, pela Panini Comics -, marcaram essa transição, cujos primeiros alertas já se pronunciavam há pelo menos duas décadas.

Para O’Rourke, o estopim foi exatamente o início do que ele agora aponta como a era anterior, referindo-se à publicação de Watchmen e Cavaleiro das Trevas, obras que mudaram o conceito dos quadrinhos de super-heróis ao mandar às favas o maniqueísmo tradicionalmente bem delineado nesse gênero de HQ e quebrando outros paradigmas a ele relacionados.

Na época, as duas minisséries apresentaram idéias alheias ao que era publicado mensalmente nos títulos de linha das editoras de super-heróis, vivendo à parte da continuidade normal. Ou seja, apesar de ditarem “regras” que, atualmente, parecem já incorporadas, Watchmen e Cavaleiro das Trevas, lançados em 1985 e 1986, respectivamente, esperaram quase dez anos para ver seus efeitos – alguns deles identificados por muitos leitores como a transformação do herói Lanterna Verde Hal Jordan no vilão Parallax e a proliferação dos anti-heróis.

Esse é uma incoerência apontada por O’Rourke para o fato de essas duas publicações serem aceitas como marcos de uma era.

Por outro lado, de acordo com o articulista, Crise Infinita e Guerra Civil redefiniram instantaneamente e de forma mais drástica o universo dos super-heróis, descontinuando o que estava há muito tempo estabelecido e incorporando essas mudanças no curso de seus títulos de linha.

“As duas companhias criaram histórias com ramificações espetaculares que influenciaram a maioria de suas revistas em quadrinhos de modo significante”, escreveu O’Rourke.

O que as editoras Marvel e a DC fizeram, entretanto, foi nada mais do que apagar aquilo que elas próprias ajudaram a construir durante décadas: ícones da moral cujos princípios estavam acima dos valores mesquinhos do ser humano comum e serviam de exemplos, muitas vezes, na formação de caráter dos leitores.

Pode parecer algo um tanto piegas e “fora de moda”, mas funcionava. E é esse argumento que O’Rourke não explora em seu artigo, ao mesmo tempo em que indica que a nova ordem veio para ficar.

“A nova raça de heróis está sujeita às mesmas dúvidas, medos e ambigüidades moralistas que a pessoa comum é forçada a confrontar. Eles não são mais deuses que vivem entre nós; eles agora são bem mais reais”, vaticinou o articulista.

Mas o que se vê, atualmente, não é tão simples assim. Heróis tornam-se vilões (de fato ou dissimulados) ou absurdamente tão humanos que são exemplos de como é a realidade, e não de como ela deveria ser – a tal válvula de escape do mundo real. Resta saber se é isso mesmo que, a longo prazo, os leitores querem encontrar nessas histórias.

Um bom indicativo da decantada nova era também pode ser encontrado fora das duas editoras dos Estados Unidos. Nas aventuras de Spawn, criação de Todd McFarlane para a Image Comics, o personagem extrapolou seu próprio conceito de anti-herói.

A origem de Spawn carrega a história de um assassino a serviço da CIA. Em suas HQs, o contraponto de suas ações criminosas do passado e a condição de criatura do Inferno era a real busca por redenção. Nos dois últimos anos, entretanto, por meio de reticons (elementos retroativamente adicionados à continuidade), descobriu-se que Al Simmons – alter ego do personagem – espancava a ex-mulher, foi responsável pela morte do filho ainda na barriga da mãe e matou a sangue-frio uma pessoa na adolescência.

Assim, da mesma forma que personagens como o agora mau-caráter Homem de Ferro e o psicopata Superboy Primordial ganharam a antipatia de muitos leitores em Guerra Civil e Crise Infinita, o atormentado Spawn entrou nessa incômoda lista.

Há quem argumente que as transformações da sociedade são os principais motivos das mudanças de abordagem das histórias de super-heróis. Se assim for, o mundo anda realmente muito assustador.

Em toda essa discussão fica clara a imposição dos quadrinhos de super-heróis nos ditames de influências e marcos de eras. Entretanto, como sobriamente destaca o Dr. Peter Coogan em seu livro The Secret Origin of the Superhero: The Emergence of the Superhero Genre in America from Daniel Boone to Batman (A Origem Secreta do Super-herói: O Surgimento do Gênero Super-herói na América, de Daniel Boone a Batman), lançado em 2002 nos Estados Unidos, apenas a Era de Ouro pode ser aplicada aos quadrinhos em geral, pois todas as outras se referem exclusivamente às HQs de heróis fantasiados.

Então, nada mais justo que incluir os quadrinhos infantis na Era Pós-Moderna. E para buscar exemplos da humanização dos personagens e sua aproximação com o cotidiano dos leitores mirins, não é preciso ir muito longe.

Afinal, no Brasil, o primeiro sutiã e outros assuntos antes considerados tabus em gibis para crianças eram abordados com freqüência nos recém-cancelados gibis Menino Maluquinho e Julieta.

Na Turma da Mônica, desde muito antes de qualquer suposta influência das infinitas crises e guerras civis dos super-heróis, são produzidas histórias sobre pais separados, conflitos de gerações e até mesmo escatologia moderada.

Como um sinal dos novos tempos, no ano passado os leitores dos personagens de Mauricio de Sousa foram surpreendidos e se divertiram com uma aventura em que Magali se dava conta de que o gato Mingau andava, segundo suas próprias palavras, “com o fiofó à mostra” – o animal ainda teimava em exibir essa particularidade anatômica, sem pudor, em destaque no quadro.

Ainda na década passada, na Saga do Tio Patinhas, o velho pato da Disney protagonizou um épico em que o drama familiar foi o pano de fundo e sentimentos humanos como remorso e egoísmo envolveram os personagens sem nenhum teor caricato.

Na premiada minissérie escrita e desenhada por Keno Don Rosa, Tio Patinhas vai à berlinda com os leitores na polêmica passagem em que, graças a sua ambição sem limites, é responsável pela destruição de uma aldeia na África, fato que, anos depois, é lembrado e desaprovado por sua irmã em um emocionante diálogo, na impressionante história Uma carta de casa.

Para saber um pouco mais sobre as eras dos quadrinhos, confira a discussão sobre o assunto que o Blog Universo HQ realizou há cerca de dois anos.
>> UNIVERSO HQ – por Marcus Ramone


Brad Meltzer lança livro sobre as origens do Super-Homem

quarta-feira | 14 | maio | 2008

Book of Lies, o novo livro de Brad Meltzer, autor de Crise de Identidade, está diretamente relacionado com um grande nome dos quadrinhos: Jerry Siegel, um dos criadores do Superman. O livro de Meltzer narra dois assassinatos bastante distintos: o de Abel, nas mãos de Caim, como pode ser lido na Bíblia; e o de Mitchell Siegel, pai de Jerry Siegel. Mitchell Siegel foi assassinado com um tiro no peito, em 1932. Meltzer, que ficou obcecado com a história e se envolveu com a família Siegel, diz que ninguém conhece a história verdadeira sobre a criação do Super-Homem, e indica que está muito relacionada com a morte violenta do pai de Siegel. Este é o sétimo livro de Meltzer, e foi precedido por The Book of Fate. A nova obra será lançada em setembro. >> Valor Econômico – 14/05/2008 – por Sérgio Codespoti


A CONSTRUÇÃO DO IMAGINÁRIO CYBER: WILLIAM GIBSON, O CRIADOR DA CIBERCULTURA

terça-feira | 13 | maio | 2008

No livro A Construção do Imaginário Cyber, Fábio Fernandes relata a transformação da visão de futuro que tínhamos anteriormente: de carros voadores e robôs serviçais à comunicação em tempo real e à interconexão de agentes inteligentes. Ele nos fazer compreender de que forma essas mudanças ocorreram e quais são as tendentes alterações de visão para um futuro próximo.

Cheguei a esse livro, fruto da dissertação de mestrado do Fábio Fernandes, em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, após percorrer o seguinte trajeto:*

1 – Comecei a me interessar por ficção científica lendo alguns clássicos, mas com a atitude casual de quem está apenas aberta para o novo e não se considera fã com todos os privilégios outorgados pela posse de uma carteirinha.

2 – No meio da estrada, repleta de livros imperdíveis a serem lidos, séries e filmes a serem vistos, ganhei uma pulga virtual que saltou da Matrix e, de trás da orelha, configurou uma seção de F.A.Q., a saber:
— De onde vem a atitude ciborgue tão fresca (no melhor sentido) das personagens?
— De onde vem o espaço que se desdobra para abarcar a convivência – ainda não harmoniosa– entre homens e inteligências artificiais?
— Por que esse espaço me parece tão fantástico e tão comum, próximo do meu cotidiano pós-advento da Internet?
— De onde vem a estética construída com detalhes de quem sabe o que diz, embora também diga coisas que poderiam prescindir de tal detalhamento capaz de construir um mundo imerso numa cultura surpreendentemente atual?

3 – Andando mais um pouco a passos lentos – nota-se – encontrei em casa um exemplar de Neuromancer, livro de William Gibson publicado pela Aleph com apresentação e tradução não totalmente original de Alex Antunes. As perguntas começaram a ser respondidas e a Matrix teve seu potencial ampliado.

4 – Reencontrei o Fábio Fernandes no Orkut – onde mais? – e fiquei sabendo da publicação de A Construção do Imaginário Cyber- William Gibson, Criador da Cibercultura (2006, Editora Anhembi Morumbi). Fim do trajeto?

Não pretendo fazer um resumo do livro, nem colar aqui vários dos trechos mais interessantes.

Vale apenas dizer que a leitura é indicada por quem leu Neuromancer ou assistiu à trilogia dos irmãos Wachowski e saiu com pelo menos uma pergunta instigante. Indico também para quem quer entender um pouco mais o mundo em que nos metemos, no qual o que era chamado de virtual ganha cada vez mais status de real, uma vez que se compreende o alcance das relações humanas pós-modernas. Indico ainda para quem se interessa por moda (como esta que vos tecla), desviando-se do amontoado de acessórios excessivos para vê-la como comunicação, troca imediata, expressão de negação ou aceitação de ofertas do mesmo mercado que criou bolsas da grife Chanel e esta calça jeans comprada num supermercado qualquer.

Bom, o fim do trajeto é este lugar, atrás do teclado, diante da tela, em que descubro ser uma ciborgue, um ser menos humano que muita I.A. por aí. Mesmo que o meu agora – devido ao meu ritmo lento? – esteja defasado em 24 anos em relação ao presente concebido por Gibson. Para mim e para muitos brasileiros, ele falava do futuro (meu primeiro endereço de e-mail data de 1999), ainda que um futuro já mordendo o calcanhar, “extrapolando o presente”, nas palavras do próprio Fábio (acho, o livro ficou no porta-luvas, atual alternativa à cabeceira).

Quanto à resposta a todas as perguntas sobre a origem da cibercultura, o trajeto é, na verdade, menos linear que o do esboço acima, e é sempre válido voltar aos primórdios do tão distante século XX.

A perspectiva do livro é, para início de conversa e fim desta “opinião do leitor”, a do leitor de ficção científica –seja apaixonado pelo gênero ou adepto do estilo blasé diante das infindáveis novidades–, especialmente o que superou a fase de dar definições ao vasto universo de produção literária afastado em maior ou menos grau das manifestações mainstream.

* Caso você tenha percorrido um trajeto parecido, pode ler o livro e falar sobre ele também
>> ARGAMASSA GORDA – por Ludimila Hashimoto


SUPER-HERÓIS INVADEM O METROPOLITAN MUSEUM DE NOVA YORK

terça-feira | 13 | maio | 2008

Superexposição de uniformes de heróis agita Nova York
A relação dos super-heróis com a moda é explorada em oito categorias

Não foi com pouco bafafá que foi inaugurada, na semana passada, a mostra Superheroes: Fashion and Fantasy (Super-Heróis: Moda e Fantasia), que fica em cartaz até 1º de setembro no Metropolitan Museum of Art, em Nova York.

A concorrida vernissage da exposição teve até confronto de celebridades: a modelo Gisele Bündchen, ao lado do namorado, o jogador de futebol americano Tom Brady, teve que se esquivar do ex, o ator Leonardo DiCaprio.

Além dos três, outras celebridades passaram pelo museu, entre elas, as gêmeas Mary-Kate e Ashley Olsen, as atrizes Claire Danes (Stardust) e Julia Roberts, David Beckham e sua esposa, a ex-Spice Girl Victoria, o ator George Clooney, a cantora Fergie e o estilista Giorgio Armani, patrocinador da mostra. Diz a imprensa especializada na fuzarca nova-iorquina que a noite foi uma das mais agitadas dos últimos tempos na cidade.

O encontro dos superfamosos teve como pretexto a celebração de outra reunião de velhos conhecidos: a moda e os super-heróis.

A exposição, montada pelo Costume Institute (Instituto de Vestuário) do Met, é tida como uma revolução no departamento, mais habituado a focar em pesquisas históricas do que apelar para o mundo da fantasia. A mudança de rumo, pelo visto, deu certo.

A mostra parte do velho pressuposto que os super-heróis forneceram, ao longo dos anos, muita inspiração para estilistas. Mas vai além: o conceito central força o visitante a se lembrar que vestir uma boa roupa deixa qualquer um com a sensação de se estar mais poderoso.

“Compre um vestido sexy ou um par de Jimmy Choos e veja se você não se sente curiosamente invencível na próxima festa”, definiu a jornalista Cathy Horyn, do jornal New York Times.

Taxonomia das capas
A curadoria dividiu os uniformes e as criações dos estilistas em oito categorias. Elas não são estanques e, muitas vezes, se sobrepõem.

Na seção The Graphic Body (O Corpo Gráfico), ficam os uniformes de grande poderio icônico, como o de Superman (com o emblemático S do peito) e o do Homem-Aranha, recoberto por teias.

Em The Patriotic Body (O Corpo Patriótico), localizam-se aqueles super-heróis que se cobrem com a bandeira de seus países. Nessa categoria, são exemplos notáveis o Capitão América e a Mulher-Maravilha.

The Virile Body (O Corpo Viril) mostra corpos que exacerbam sua masculinidade. É nessa categoria que se enquadram os seres supermusculosos que exaltam a potência masculina. Hulk e Coisa são dados como exemplos.

The Paradoxal Body (O Corpo Paradoxal) é o setor dedicado a heroínas contraditórias, que oscilam entre a oferta e a negação da própria sexualidade. A Mulher-Gato é o exemplo mais clássico: ora é boa, ora, má. A heroína-vilã felina, por sinal, é tratada como forte fonte de inspiração para vários criadores de moda: Thierry Mugler, John Galliano, Dolce & Gabbana, Gianni Versace, Jean Paul Gaultier e Alexander McQueen têm criações inspiradas na fantasia de Selina Kyle.

Em alta por conta do longa-metragem, o Homem de Ferro é o inspirador de The Armored Body (O Corpo com Armadura). Mas o uniforme lotado de apetrechos de Batman também se enquadra na categoria, que realça o fim da distância entre corpo e tecnologia – tema que, na moda, inspirou Thierry Mugler, Dolce & Gabbana, Pierre Cardin, Nicolas Ghesquiere, Rudi Gernreich e Gareth Pugh.

The Aerodynamic Body (O Corpo Aerodinâmico) tem como personagem-símbolo o Flash, cujo uniforme apreende elementos da própria velocidade. É um tema que Jean Paul Gaultier utilizou na coleção Femmes Amazone, do outono-inverno 1995-1996. Os uniformes de velocistas também inspiram marcas esportivas como Nike e Speedo.

The Mutant Body (O Corpo Mutante) se baseia nos mutantes da Marvel Comics. A seção trata da aceitação de corpos diferentes, fora dos padrões normais de perfeição, que desafiam limites dos gêneros sexuais. Há uma atenção especial à mutante Mística, cujo corpo pode assumir outras formas.

Por fim, há o segmento The Postmodern Body (O Corpo Pós-Moderno). É nela que estão as criações que se inspiram na dissolução dos heróis vista em obras como Justiceiro, Motoqueiro Fantasma, Watchmen e O Cavaleiro das Trevas. Em vez de apontar para um futuro brilhante, esses personagens (e essas criações) se apóiam em uma visão dark para revelar o terror dos nossos dias.

Ambiente de laboratório
A exposição, que tem catálogo do escritor Michael Chabon, reúne cerca de 60 peças.

Além das criações de estilistas como Walter van Beirendonck , Alexander McQueen e John Galliano, há muitos figurinos de filmes e séries de super-heróis – como o uniforme negro de Homem-Aranha 3 e o traje que Linda Carter usou no seriado da Mulher-Maravilha.

Mas a relação com o cinema vai além: Nathan Crowley, consultor criativo da mostra, é designer de produção dos dois longas de Batman dirigidos por Christopher Nolan.
>> UNIVERSO HQ – por Eduardo Nasi


A mostra Superheroes: Fashion and Fantasy“, em cartaz até 1º/9, não poderia deixar de lado os trajes do Homem-Aranha.


Autor inglês Neil Gaiman vem para a Flip

terça-feira | 13 | maio | 2008
O escritor inglês Neil Gaiman, um dos mais famosos autores de quadrinhos do mundo, foi confirmado na sexta edição da Festa Literária Internacional de Parati [Flip], que acontece de 2 a 6 de julho, na cidade litorânea fluminense. O autor da premiada série em quadrinhos Sandman e de livros como Os Filhos de Anansi virá ao país pela terceira vez – esteve em São Paulo em 1995 e em 2001, quando passou também pela Bienal Internacional do Livro, no Rio. Com milhares de fãs no Brasil, as visitas de Gaiman assemelham-se às de grandes astros do rock. A assessoria de imprensa da editora Conrad, que publica várias obras do inglês no Brasil, confirmou a vinda do autor, mas disse não saber de que mesa ele participaria nem em que dia. >> Folha de S. Paulo – 13/05/2008

“CRÔNICAS DE LANKHMAR”, DE FRITZ LEIBER CHEGA ÀS LIVRARIAS

segunda-feira | 12 | maio | 2008

Adaptação para os quadrinhos da obra de Fritz Leiber, “Crônicas de Lankhmar: As Aventuras de Fafhrd & Gatuno”, é publicada pela Devir


Desde a sua memorável aparição em 1939, Fafhrd & Gatuno, do escritor Fritz Leiber, figuram entre os mais queridos personagens da literatura fantástica. Suas agitadas aventuras no exótico mundo de Nehwon praticamente definiram, ao lado de Conan, o Bárbaro, de Robert E. Howard, o gênero que conhecemos hoje como “Espada & Feitiçaria” e influ­enciaram as obras de alguns dos melhores autores da fantasia moderna, incluindo Terry Pratchet, Michael Moorcock e muitos outros.
A raríssima adaptação em quadrinhos de Fafhrd & Gatuno feita pelos lendá­rios quadrinistas Howard Chaykin, Mike Mignola e Al Williamson, publicada originalmente em 1991, é compilada aqui, em português, pela primeira vez.
O livro tem 200 páginas em papel couchê 90 g, impressas em cores e contém sete histórias: Péssimos Encontros em Lankhmar, adaptação do conto publicado originalmente em 1970 e ganhador dos prêmios Hugo e Nebula; O Círculo Maldito, adaptação do conto publicado originalmente em 1970; A Torre Assombrada, adaptação do conto publicado originalmente em 1941; O Preço do Alívio, adaptação do conto publicado originalmente em 1970; O Bazar do Bizarro, adaptação do conto publicado originalmente em 1963; Tempos Difíceis em Lankhmar, adaptação do conto publicado originalmente em 1959; e Quando o Rei dos Mares Está Fora…, adaptação do conto publicado originalmente em 1960.

Fritz Leiber nasceu no dia 24 de dezembro de 1910, em Chicago, Illinois. Depois de se formar na Universidade de Chicago, freqüentou o Seminário Teológico Episcopal e serviu como padre em igrejas missionárias de Nova Jersey. Depois de uma breve tentativa de atuar na companhia shakespeariana do seu pai, Leiber tornou-se editor da Consolidated Book Publishing Company em Chicago. Sua primeira história foi publicada nessa época, 1939, pela revista Unknown. Antes de dedicar-se em tempo integral à sua carreira de escritor, ele também trabalhou como professor de artes dramáticas e como superintendente numa fábrica de aviões durante a Segunda Guerra Mundial.
Leiber foi fortemente influenciado por H. P. Lovecraft e Robert Graves nas primeiras duas décadas da sua carreira. A partir do final dos anos 1950, ele foi cada vez mais influenciado pelos trabalhos de Carl Jung. De 1965 em diante, começou também a incorporar elementos de O Herói de Mil Faces, de Joseph Campbell. Apesar de ter escrito uma grande variedade de histórias de fantasia, ficção científica e horror, esse talentoso autor é mais conhecido pelos seus contos de espada e feitiçaria de Fafhrd and The Gray Mouser. As histórias, caracterizadas pelo ritmo ágil, a linguagem pitoresca e o afiado senso de humor de Leiber, narram as peripécias de dois aventureiros fanfarrões às voltas com uma paleta variada de traição, corrupção, magos diabólicos, reinos mágicos, belas mulheres e uma grande dose de inimigos espadachins.
Leiber é reconhecido como uma das principais forças criativas da literatura fantástica. Um ganhador habitual dos Prêmios Hugo e Nebula (Péssimos Encontros em Lankhmar, que foi incluído na mini-série em quatro volumes da Epic Comics, deu a Leiber o Hugo e o Nebula de Melhor Conto de 1971), ele também foi honrado com o Prêmio World Fantasy Life, em 1976, por uma vida de realizações nessa área de atividade.
Fritz Leiber faleceu no dia 05 de setembro de 1992, aos 81 anos, em San Francisco, California. Hoje seu universo de “Espada & Feitiçaria” de Lankhmar voltou a ser popular nos EUA graças à republicação desta adaptação em quadrinhos e ao lançamento de uma coleção de oito livros iniciada em novembro de 2006 pela Dark Horse, que também está desenvolvendo uma versão para o cinema. Era um exímio jogador de xadrez e um campeão de esgrima.

Então, seja bem-vindo às sujas e movimentadas ruas de Lankhmar, uma cidade onde feitiçaria e aventura caminham de mãos dadas!

“Havia dois escritores da velha geração cujas virtudes e destrezas literárias, e talento e sensibilidade, eram admirados pela nova geração. Um era Philip K. Dick. O outro era Fritz Leiber, cuja prosa magistral e perspicácia sutil continuaram a eclipsar nossas habilidades imaturas. Nós o reverenciávamos. E ainda reverenciamos.” – Michael Moorcock

“Os contos de Fafhrd & Gatuno, de Fritz Leiber, são um gênero em si. Sutis, em­ble­máticos, cômicos, eróticos e humanos, mesclados com ação verossímil e as criações sinistras de um mestre fantasioso, eles fazem boa parte da ficção de fantasia atual parecer uma coisa morosa e enfadonha.” – Harlan Ellison


BUCK ROGERS VAI AO CINEMA

segunda-feira | 12 | maio | 2008

A Nu Image/Millemmium, pertencente a Avi Lerner, comprou os direitos para a produção de um filme com a história de Buck Rogers. Dizem que Frank Miller irá dirigir o filme.

Criado em 1928 por Phillip Francis Nowlan, o personagem ganhou vida como Anthony Rogers em uma história publicada na revista Amazing Stories. Voltou à público no início da década de 30 já rebatizado como Buck Rogers em formato quadrinhos, que teve co-autoria de Dick Calkins. Entre 1932 e 1947 Buck Rogers virou série radiofônica, considerada a primeira produção de ficção científica para o rádio. Em 1933, foi lançado um filme de 10 minutos exibido durante a Feira Mundial de Chicago, “Buck Rogers in the 25th Century: An Interplanetary Battle with the Tiger Men of Mars”.

Em 1939, Buck Rogers chegou oficialmente aos cinemas com o seriado de 15 capítulos produzido pela Universal e estrelado por Buster Crabbe. Buck chegou à TV em 1950 com uma série infantil de curta duração que teve três atores interpretando o personagem: Earl Hammond, Kem Dibbs e Robert Pastene. Exibida ao vivo, sobreviveram apenas as filmagens em 16mm, o Kinescope, que se fazia na época, focalizando a imagem do televisor. Entre 1979 e 1981 uma nova versão para TV foi estrelada por Gil Gerard e Erin Gray, a qual está em exibição no canal TCM todos os finais de semana ao 12h.

Nesta última versão, Buck Rogers é um astronauta que sofre um acidente durante uma missão espacial. Ele é congelado, voltando a acordar 500 anos depois, quando a Terra está vivendo no Século XXV, tendo passado pela 3ª Guerra Mundial que destruiu grande parte da vida no planeta.
>> REVISTA TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


Eu, mangá

segunda-feira | 12 | maio | 2008

Nem todos os leitores estão satisfeitos com o traço convencional dos mangás de sucesso no Brasil – limpo, delicado e preciso, como nos títulos da Clamp [Sakura Card Captors, X/1999, Chobits etc.]. Apostando nos que preferem linhas tortas, riscos em excesso e sujeira no traço, foi lançado o mangá Ooru, de Jun Hanyunyuu, cujo estilo expressionista e esteticamente feio é incomum em gibis japoneses. A história também foge do básico. Nada de meninas ganhando superpoderes, samurais se enfrentando com golpes fantásticos ou animais de estimação que podem falar. Um dos protagonistas é Kozou Sanou, mangaká [quem desenha mangás] aposentado que decide se tornar mafioso. O outro é Takeshi Antai, editor que, ao não conseguir convencer Kozou a voltar a desenhar, decide entrar também para o crime organizado. >> Folha de S. Paulo – 12/05/2008 – por Diogo Bercito


ELA QUER O SEU FILHO!

segunda-feira | 12 | maio | 2008

Com o livro Crepúsculo e o Vampiro Edward, a escritora Stephenie Meyer pode desbancar o bruxo Harry Potter, de J. K. Rowling
Ela é uma dona-de-casa mórmon, escreveu três livros e já vendeu seis milhões de exemplares em todo o mundo.

Há pouco mais de cinco anos, a jovem dona-de-casa Stephenie Meyer, mãe de três filhos, casada com um pastor mórmon e moradora da pequena cidade de Cave Creek, no Estado americano do Arizona, jamais imaginaria seduzir jovens em todo o mundo com uma fantasiosa história de amor entre uma adolescente e um vampiro. Tampouco vislumbrou que as tramas românticas forjadas em sua imaginação e materializadas em três livros (Crepúsculo, Lua Nova e Eclipse) ficariam 143 semanas na lista de best-sellers do jornal The New York Times, com seis milhões de exemplares vendidos em diversos países – sendo que quatro milhões referem- se apenas às vendas nos últimos 12 meses. Pois foi o que aconteceu. O vertiginoso sucesso de Crepúsculo, que conta a relação amorosa entre o morto-vivo Edward Cullen, com 17 anos desde 1918, e sua amada e humana Isabella Swan (chamada de Bella), ambos colegas no terceiro ano do ensino médio na chuvosa cidade de Forks, conquistou uma legião de fãs. E foi além: acaba de render à escritora, de 34 anos, um lugar entre as 100 personalidades mundiais mais influentes, eleitas pela revista Time. Ela aparece ao lado de nomes como Hillary Clinton, George Clooney e Dalai Lama. Quais são os seus superpoderes?

Stephenie leva uma vida pacata, é religiosa, segue os ditames mórmons e uma de suas poucas rebeldias é o gosto por Pepsi Diet – a igreja desaconselha o consumo de substâncias que tenham cafeína. Até aí, ela não está investida de nenhum truque mágico. Os seus poderes especiais, na verdade, ganham vida graças a uma mente extremamente criativa, voltada à ficção, que monta adoráveis e sedutores vampiros – todos do bem. São seres evoluídos que mudam a dieta (só bebem sangue de animais) para resistir, a duras penas, à sede que têm de sangue humano e assim conseguem viver pacificamente em sociedade. O carisma de seus personagens junto aos adolescentes é comparado ao fascínio exercido pelo bruxo Harry Potter, da escritora inglesa J. K. Rowling, e há quem aposte que a saga dos jovens vampiros reúna qualidades suficientes para desbancá-lo de sua liderança isolada nesse filão editorial. Isso já ocorreu no ano passado quando Eclipse, seu terceiro livro, chegou às lojas quase ao mesmo tempo que a última aventura de Harry Potter.

No cinema, a trajetória dos vampiros já é semelhante à do aprendiz de mágico nascido na Inglaterra: o primeiro livro, Crepúsculo (que chega ao Brasil pela editora Intrínseca, 390 págs., R$ 39,90), virou filme e estreará em dezembro nos EUA. À semelhança das obras de J. K. Rowling, o quarto livro de Stephenie, Breaking down, previsto para agosto, está recebendo tratamento vip com esquema de vendas a partir de meia-noite nas grandes livrarias. A popularidade desses novos personagens já inspirou nomes de bandas de rock, centenas de comunidades de sites de relacionamento e seus nomes aparecem impressos em camisetas. Antes mesmo de suas histórias serem editadas aqui, elas já podiam ser lidas em sites da internet devidamente traduzidas pelos fãs.

É certo que há muito marketing promovendo a nova escritora e seus personagens carismáticos, e nem poderia ou deveria ser diferente. Mas é um fato que a vampiromania foi crescendo até explodir no último ano – e vale lembrar que boa parte da propaganda começou boca a boca, leitor com leitor, adolescente com adolescente. Alguns trechos do primeiro romance se tornaram cults como o momento em que Bella descobre que o lindo garoto por quem está encantada é mesmo um vampiro: “De três coisas eu estava convicta. Primeira, Edward era um vampiro. Segunda, havia uma parte dele – e eu não sabia que poder esta parte teria – que tinha sede do meu sangue. E terceira, eu estava incondicional e irrevogavelmente apaixonada por ele”. A paixão compartilhada por ambos é sempre contida, paira sobre Bella a ameaça do vampirismo de Edward. Se ele ultrapassar o sinal, ela estará morta.

Nas cenas românticas, nunca fica claro se ele deseja ter relações sexuais com Bella ou apenas se alimentar do seu sangue, mordendo- lhe a jugular. Num trecho, ela diz: “Eu podia sentir seu hálito frio em meu pescoço, sentir seu nariz deslizando por meu queixo, inspirando (…)”. E ele sussurra: “Só porque estou resistindo ao vinho, não quer dizer que não possa apreciar o buquê. Você tem um aroma floral, de lavanda ou frésia. É de dar água na boca”. Essa tensão permeia todo o romance e não é diferente dos dilemas humanos que envolvem uma paixão proibida. A autora afirmou em entrevista que foi pressionada a incluir cenas mais explícitas de sexo em seus livros, mas resistiu. Mesmo que algumas passagens sejam sensuais e com insinuações eróticas, os personagens nunca vão além de castos beijos e carinhos no rosto e pescoço – embora demonstrem o tempo todo desejar muito mais do que isso. Nada mais humano, e é justamente com essa humanização dos vampiros que Stephenie parece ter seduzido irrevogavelmente os seus jovens leitores. Os mesmos que J. K. Rowling brindou apenas com o cândido beijo travado entre Harry Potter e Cho Chang.
>> ISTOÉ – por Natália Rangel – 3/04/2008


O filme Crepúsculo estréia em dezembro nos EUA, com Robert Pattinson e Kristen Stewart (à frente) como Edward e Bella


Quadrinhos traduzem a nova geração

sábado | 10 | maio | 2008

Pouca coisa irrita mais o cartunista Ca Zhuxi, de 24 anos, do que a ladainha que diz que a juventude chinesa não aprecia sua cultura, mas apenas consome – e reproduz – a importada. Para ele, custa aos mais velhos entender que os jovens chineses não são rebeldes em busca de novos ícones a adorar ou de velhos ícones a proteger. Essa visão despida de preconceitos explica por que Ca Zhuxi é hoje o mais influente e popular artista gráfico e cartunista alternativo do país. Seu trabalho virou uma febre entre os jovens chineses, que colecionam com avidez não apenas suas histórias em quadrinhos, mas também panfletos e pôsteres que Ca desenha sobre shows de bandas alternativas e raves nos grandes clubes de Pequim e Xangai. Ca é um dos fundadores da revista em quadrinhos adulta “Cult Youth”, que em está em sua segunda edição, já esgotada. A revista vem sendo consumida sem a interferência do governo. Os desenhos de Ca Zhuxi são assumidamente inspirados em mangás japoneses, nas combinações lúgubres de pintura tradicional e fotografia digital feitas pelo australiano Ashley Wood e no imaginário do cartunista americano Rober t Crumb. >> O Globo – 10/05/2008 – por Gilberto Scofield Jr.


10 ANOS SEM SEINFELD

sábado | 10 | maio | 2008

Eu fiz a mesma cara de choque que você quando percebi. 10 anos atrás, em 14 de maio de 1998, foi ao ar o último episódio de Seinfeld. Considerada uma das melhores comédias da TV americana de todos os tempos, a série durou 9 temporadas e foi líder de audiência durante boa parte dos anos 90. Mas será que, depois de uma década do seu final, o “programa sobre nada” resistiu ao tempo?

A nova edição da revista Newsweek traz dois artigos a respeito. Um deles defende que sim e lista as pequenas grandes sacadas que até quem não é fã poderia citar de cor (o elenco, as histórias insanas entrelaçadas, os coadjuvantes bizarros, as indústrias Vandelay, o yada yada yada, o Newman, o episódio da aposta, o do estacionamento, o do cinema, o do…). Já o outro diz que não. E segue destruindo a sitcom, dizendo que as tramas são datadas e com “um monte de piadas sobre roupas. E comida. E carros.”

Acho que o sujeito não entende muito de comédia (e é tão ranzinza quanto eu). Do mesmo jeito que o Chaves nunca perde a graça, Seinfeld envelheceu firme e forte, como as reprises diárias no Canal Sony podem comprovar. Ok, nesses 10 anos a sitcom tradicional, com platéia e aquela risada no fundo, praticamente deixou de existir. As boas comédias do século 21 são mais espertas (30 Rock, The Office), mais ousadas (Weeds, Arrested Development), e várias delas até abandonaram a duração de 30 minutos e podem ser chamadas de “dramédias” (Desperate Housewives, Dead Like Me, Pushing Daisies). Mas Seinfeld ainda tem o maior índice de pura genialidade por episódio (e olha que são 180 deles) da história, sem falar nas incontáveis frases e expressões que entraram para o vocabulário pop por causa da série. Os Soup Nazis da vida que me desculpem, mas isso é só para os grandes.

E você, acha que Seinfeld ainda resiste ou perdeu a graça? Deixe seu comentário aí na caixinha (senão… NO SOUP FOR YOU!).
>> SUPERINTERESSANTE – por André Sirangelo – 15/05/2008


Shogakukan fará site para conteúdo de fãs

sábado | 10 | maio | 2008

Planejado para junho, “Dream Tribe” deverá recrutar novos talentos

A Editora japonesa Shogakukan e a Shogakukan Productions estão planejando lançar um site para quadrinhos feitos por internautas. O projeto, chamado de “Dream Tribe”, será um site onde poderão ser postados quadrinhos, mangás, ilustrações, romances, música e animes feitos pelos usuários.

 A Shogakukan espera atrair e recrutar novos talentos que possam, um dia, estrear em alguma de suas publicações. Por enquanto, o foco inicial do site será para os mangás amadores. Até que o site efetivamente seja inaugurado, uma prévia está disponível online e aceitando usuários por meio de um processo de registro, somente em japonês.

 A página também planeja mostrar as nomeações do Mangá Kōshien, a competição anual do ensino médio (japonês) de mangá.
>> HENSIN – por Arthemis Whitaker


Cartas de Jack, o Estripador são publicadas na Espanha

sábado | 10 | maio | 2008

Javier Terrisse produz livro com documentos que reconstroem diferentes crimes atribuídos ao célebre serial killer

Cento e vinte anos depois de cometer seu primeiro crime em Londres, a Espanha publicou nesta sexta-feira, 9, uma seleção de cartas supostamente escritas pelo célebre assassino Jack, o Estripador. Javier Terrisse é o autor de Obra Seleta, que inclui um grupo de cartas que reconstroem com detalhes os diferentes crimes atribuídos ao misterioso assassino.

Egiptólogo e especialista em Jack, o Estripador, Terrisse viveu durante seis meses no bairro londrino de Whitechapel, onde apareceram mortas várias prostitutas em 1888. O escritor consultou todo o tipo de arquivo para documentar os crimes que aterrorizaram a população na época. Em Obra Seleta, Terrisse e o escritor Gonzalo Torné – que foi encarregado dos aspectos literários – trataram de reproduzir a atmosfera que envolveu os crimes, as lutas internas da polícia e seus métodos, as vidas das prostitutas assassinadas e o ambiente de Londres.

Desde a identidade do criminoso até o número real de vítimas e a causa da morte, existem numerosos interrogatórios abertos que tratam dos assassinatos do Estripador. O número de cartas associadas com o caso passam de cem, e “a grande maioria foi escrita durante o outono de 1888″, afirma o livro. Os documentos foram relatados de diversas formas – com tinta, sangue, algo parecido com a clara de um ovo – e a maioria está assinada, em diferentes caligrafias, por Jack, o Estripador.

Da seleção publicada, a única carta que quase não deixa dúvidas sobre sua autenticidade é a famosa “From Hell” (Do Inferno, em tradução livre), pois foi entregue em um pacote junto com a metade de um rim que logo foi identificado “com quase total certeza” como sendo de Catharine Eddowes, assassinada em 30 de setembro.

Os “estripadorólogos” tradicionais não dão importância para estas cartas, porém Terrisse e Torne acreditam que elas têm “um valor incalculável” para aprofundar o caso e são “nossos únicos caminhos para a realidade do passado”.

A publicação de Obra Seleta coincide com a exposição que será inaugurada no próximo 15 de maio em Londres, no Museu dos Docklands, onde se mostrarão muitos documentos policiais utilizados também pelos autores do livro.

Jack, o Estripador foi um “maestro da ocultação” e por isso “existem centenas de hipóteses flutuando por aí”, afirma Torné, que, como Terrisse, confia que “o caso pode se resolver” algum dia.
>> EFE


Nazistas fugiram para a Lua e retornarão em 2018

quinta-feira | 8 | maio | 2008

Entrou no ar um teaser trailer de uma produção finlandesa de Ficção Científica. Trata-se de Iron Sky (Rautataivas, em finlandês), um filme dos mesmos produtores da série Star Wreck (uma espécie de paródia de Star Trek e Babylon 5), que será lançado sob uma licença Creative Commons. O roteirista é o premiado escritor finlandês Johanna Sinisalo, conhecido por seu romance Troll.

Iron Sky é filme retrô-futurista. Trata-se da consolidação moderna de uma forma de ficção científica popular que saiu de moda: os nazistas no espaço.

Quando a II Guerra Mundial estava para chegar ao fim em 1945, cientistas alemães na Artartida fazem avanços na pesquisa da anti-gravidade. Assim, naves espaciais nazista são enviadas para o lado escuro da Lua para encontrar a base militar Schwarze Sonne (Black Sun). O plano é construir uma poderosa frota e voltar para conquistar a Terra, em 2018.


PROMESSA VÃ

quinta-feira | 8 | maio | 2008

Um livro de viagens, de suspense ou uma novela romântica? Esta é uma das primeiras dúvidas que assaltam o leitor de “O Historiador”, romance de Elizabeth Kostova, editado pela Editora Objetiva.
Como livro de viagens, “O Historiador” até que convence. Passeando pela Europa da Guerra Fria, o romance leva o leitor a lugares como Oxford, Budapeste, Bucareste, Sófia e Istambul, entre muitos outros. Revela lugarejos poucos conhecidos do público, como San-Matthieu-des-Pyrénées-Orientales, ou vilas remotas perdidas no interior da Bulgária, cidades pequenas a sombra de montanhas ou ao pé de mares calmos e deliciosos onde se chega de trem ou de barco.
A construção do texto é outro ponto interessante. Trata-se de uma narrativa picotada, contada através das memórias da personagem principal, de histórias contadas por seu pai e cartas e cartões trocados entre vários personagens. É neste ponto em que “O Historiador” rende seu maior tributo ao romance que definitivamente imortalizou e popularizou a figura que funciona como gancho para a ação: Drácula. O bom e velho conde da Valáquia retorna, mas o que triunfa realmente no texto de Kostova é a capacidade da autora de tecer uma complicada trama de narrativas: apesar da dificuldade que este tipo de discurso apresenta, a autora consegue manter o fio de Ariadne e o leitor não chega a se perder.
Outro acerto é o resgate, ao menos parcial, que Kostova faz do personagem histórico, Vlad Tepes, o pequeno voivoda que, sem o auxílio algum por parte das coroas européias, tentou fazer frente ao poderio otomano que tentava penetrar na Europa através das Balcãs, no século XV, ao mesmo tempo em que enfrentava intrigas palacianas em seu próprio reino. É através deste senhor feudal de importância tão ínfima que sequer aparece nos livros de História, que a autora cria um Conde Drácula mais do que palpável: fascinante. Infelizmente, a memória de Vlad Tepes sobreviveu ao passo dos séculos não graças à bravura com que tentou defender suas terras, mas por causa da crueldade que caracterizava suas ações bélicas – uma crueldade que não era mais do que o horror que inspiravam ações anacrônicas, medievais, em um século destinado a conhecer a genialidade de Leonardo Da Vinci e a concretizar a descoberta de um novo continente. A grande lição que a História nos deixa neste episódio, é que a crueldade sempre nos encanta mais do que a coragem e que o vilão sempre é mais fascinante do que o próprio herói.
Mas os acertos do livro não vão muito além disso. Muito cedo o leitor se dá conta que talvez a história funcionasse melhor nos dias pós-guerra-fria, sobretudo porque muito pouco ou quase nada seria alterado no computo geral dos fatos narrados. Os impedimentos políticos que durante tanto tempo caracterizaram os deslocamentos sob a Cortina de Ferro são tão facilmente transpostos pelos personagens que em alguns momentos a narrativa lembra as costumeiras idas e vindas inconseqüentes que marcaram algumas novelas da Globo.
Entretanto, o pior escorregão que a autora dá é na tentativa de criar o suspense. Tanto promete Kostova, tanto afofa e aduba o terreno da promessa do terror, que esquece da ação propriamente dita. E o suspense, esse arbusto frágil, não chega a florescer. O livro se perde na preparação interminável de uma caçada, na preparação interminável de um encontro, na preparação interminável de uma descoberta, e termina resolvendo o confronto entre as forças do bem e do mal (vamos chamá-las assim) em um único parágrafo. Dá uma nostalgia… uma saudade do senhor Barlow de Stephen King… uma saudade do Conde Drácula de Stoker, uma saudade das histórias de vampiros de Giulia Moon e de Flávia Muniz
Talvez o principal problema de “O Historiador” seja o que as entrelinhas do texto revelam bem: Kostova, como a imensa maioria dos escritores de histórias de vampiros atuais, amam o monstro. Partem do monstruoso para ir despindo-o de sua terrível indumentária, até torná-lo humano, exatamente como na última versão cinematográfica de “Drácula”. Somente Stoker e uns poucos autores têm a coragem de partir do homem para revelá-lo um monstro. Para revelar no homem, o monstro que espreita em todos nós.
>> SCARIUM – por Simone Saueressig


Nova versão do Site Lovecraft no ar

quarta-feira | 7 | maio | 2008

O Denilson pede para informar que o Site Lovecraft dedicado à memória de H.P. Lovecraft foi reformulado e já está no ar, com informações também, sobre seus fãs, admiradores e todos os integrantes originais do chamado “Círculo de Lovecraft”

Entrando em seu quarto ano de vida este site está aqui em sua terceira versão, com novas biografias e as antigas ampliadas, interview, traduções, fotos, HQ´s, trailers de filmes, novos links, ebooks (contos, poesias, trabalhos acadêmicos de pesquisa e não-ficção), além de todo conteúdo e parte gráfica reformulada e ampliada.

Mandem seus contos sobre os “Mitos de Cthulhu” que serão publicados numa seção específica na próxima atualização que será no mês de julho!!!

E inscrevam-se gratuitamente no Yahoo Grupo Culto Lovecraftiano (grupo de discussão de fãs e admiradores de HP Lovecraft e literatura fantástica criado em 2002)

Sobre H. P. Lovecraft

Howard Phillips Lovecraft (1890-1937), foi um dos maiores escritores do gênero horror e fantástico de todos os tempos. Ainda hoje, quase um século depois de sua prematura morte, tem em figuras como Stephen King e Clive Barker seus fiéis admiradores. Lovecraft nasceu e viveu quase toda sua vida em Providence, R.I. Teve uma vida simples do ponto de vista econômico e poucos amigos na vida cotidiana, mas de uma correspondência espantosa (escreveu em torno de 100.000 cartas durante toda sua vida). Ao longo destas correspondências e de seus escritos criou um conjunto de histórias ao qual foi denominada “Mitos de Cthulhu”, parte mais significativa de sua obra. Um conjunto de narrativas fantásticas sobre horror e ficção científica que virou uma grande mitologia.

Além de Lovecraft, muitos outros autores se juntaram a ele, nomes como Robert E. Howard, H.R. Barlow, Frank Belknap Long, Robert Block, Clark Ashton Smith e outros; formando o “Círculo de Lovecraft”. Embora admirado por escritores famosos da época e outros amadores; em vida não teve nenhum livro de capa dura publicado, apenas ensaios e contos curtos em revistas populares da época como a “Weird Tales”, que posteriormente viria a ser muito reconhecida. Apenas alguns anos depois de sua morte, August Derleth e Donald Wandrei, amigos escrotores e admiradores de seu talento criaram uma editora, a “Arkham House” que começou a popularizar a obra do autor. Mas sua grande popularidade só viria em meados da década de oitenta com o RPG “Call of Cthulhu”, baseado em um de seus contos.

Site Lovecraft

“Com teses e mais teses sobre suas obras, sites a perder de vista e alguns filmes (a maioria ruim – o cinema ainda não descobriu HPL). Apesar de tudo isto e de grandes obras publicadas no passado, ainda é escassa e em certos momentos inexistente no Brasil seus livros, pois a maioria encontra-se esgotada na editoras, sendo encontrado mais em sebos e pequenas livrarias. Por conta disto disponibilizamos muito material inédito seja em traduções, ebooks, fotos, trabalhos científicos de pesquisa, biografias e dados sobre “Os Mitos de Cthulhu” e o restante de sua obra.”

“Por fim, espero que encontrem neste site o que esteja procurando e que se possível me ajudem a divulgá-lo para benefício de todos os fãs e admiradores do escritor e para levar sua obra, bem como a cultura da literatura fantástica em geral a mais pessoas. Qualquer dúvida, sugestão, crítica, comentário e ajudas serão bem vindas, pois este site é de todos nós!”


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