HISTÓRIAS EM QUADRINHOS, MITOS E FORMAS NARRATIVAS

segunda-feira | 30 | junho | 2008


Há, ao menos, quatro maneiras de relacionarmos o universo das Histórias em Quadrinhos e os mitos. a) em relação à função que as artes e a indústria cultural desempenham no mundo moderno, em substituição ao mito e às narrativas orais do mundo tradicional; b) o aproveitamento direto de temas de mitos na construção de personagens e ambientações, o que podemos chamar “referências literárias”; c) a utilização de elementos da estruturação mítica e da imaginação simbólica na “estruturação profunda” de personagens e ambientações; e d) a consideração do próprio processo enquanto “forma simbólica”, considerando-se a noção de “mito” de forma mais abrangente, enquanto “narrativa de imagens simbólicas”.

Do Desencantamento à Indústria Cultural
Com o final da Idade Média e o advento da sociedade moderna, o espaço ocupado pelo mito e pelo símbolo, pela imagem e pelo sagrado, cede seu lugar à mecânica, ao cálculo e à razão. Deste modo, querelas medievais que levantavam fiéis defensores da “verdade revelada” contra os “hereges”, simplesmente deixaram de ocupar o primeiro plano da vida política, econômica e cultural, com a preocupação cada vez maior com a produção (mecanizada) o surgimento do Estado nacional (burocrático e racionalizado) e o desenvolvimento das ciências modernas. Para o moderno, discutir o simbolismo do “sexo dos anjos”, que deve ter sido de primeira relevância para um pensador medieval, tornou-se sinônimo de questão tanto irrelevante, quanto insolúvel.

Este fenômeno, de peculiar significância na história da humanidade, foi chamado “desencantamento do mundo” (entzauberung) por um dos pais da sociologia, o pensador alemão Max Weber. Este desencantamento coincide com a expansão da influência européia sobre os demais continentes, fazendo desabar formas de organização milenares, como as orientais, que não tiveram alternativa senão se “modernizarem”; as civilizações africanas, que foram estilhaçadas na partilha dos mercados de consumo para os produtos das fábricas mecanizadas; e as ameríndias, que detinham uma sofisticada cultura e viram seu número reduzir, somente no Brasil, de cinco milhões, no século XVI, para pouco mais de oitocentos mil, no século XXI. Contudo, a imaginação simbólica, destronada pelo advento das luzes cegantes da razão, não perece, buscando abrigo nas artes – como a pintura, a escultura e a literatura; ao mesmo tempo, o poeta ou artista ganha um status de “marginal” ou outsider, como o típico adepto do Romantismo, que não parece encontrar lugar confortável no mundo luminoso da indústria, da técnica ou da organização burocrática do Estado.

Em um segundo momento, são a própria ciência e a indústria que percebem a impossibilidade de reduzir a alma humana intrinsecamente à sua dimensão “racional”. Para suprir o vácuo deixado pelo racionalismo, nasce a indústria cultural, cujas principais expressões são o cinema, o rádio, a música “comercial” da indústria fonográfica, bem como a TV, enquanto modos industriais, ou industrializados, de suprir o necessário alimento onírico às massas de uma cultura já sem encantamento. Independentemente da postura crítica ou entusiástica frente a esta nova modalidade de produção de imagens e narrativas, um denominador comum pode ser encontrado: o modo como a indústria cultural toma o lugar deixado vago pelo fim da primazia do mito e da fábula. Este é um ponto consensual entre autores díspares, como o ácido Walter Benjamin, da Escola de Frankfurt, e Marshall McLuhan, que cunhou a expressão “aldeia global” para denotar este retorno ao primeiro plano da vida coletiva do imaginário, cujo substrato são narrativas e imagens, semelhante aos mitos e fábulas das “aldeias” tradicionais, contudo agora em escala “global”.

Neste contexto, a História em Quadrinhos, ou, simplesmente, HQ, goza de um status cambiante. Nascida no seio da indústria cultural, advoga, diversas vezes, o status de Arte, assim como o cinema. Em ambos os casos podemos encontrar um chamado “main stream” (algo como “rio principal”) que conduzirá os esforços de produção e consumo de massa, ao lado de circuitos “alternativos”, que serão caracterizados pelo privilégio à dimensão estética e expressiva, assim como certa “especialização” do público, que se torna um conhecedor mais aprofundado do tema, bem como dos elementos expressivos da linguagem.

Citações Literárias de Temas Míticos em HQs
São diversos os modos como as temáticas tradicionais dos mitos são recuperados e refundidos pelas HQs. O primeiro modo é aquele no qual heróis culturais são tomados como fonte de inspiração para a elaboração de personagens, como o Heracles grego ou Thor escandinavo. Aqui, a utilização é de caráter mais literária, ou seja, a referência ao mito se dá de modo direto, como uma “citação”, aproveitando-se a popularidade do nome, mas transportando o personagem para universos imaginários contemporâneos. O que, na maioria das vezes, descaracteriza o simbolismo originário pela perda do contexto imaginário ou da tessitura arquetípica das narrativas tradicionais.

A adaptação de temas míticos – bem como literários – a contextos contemporâneos ocasiona tantas rupturas nos elementos estruturantes internos das narrativas clássicas ou tradicionais, com o intuito de acentuar a dramaticidade, conforme o gosto do público atual, que resulta um algo apenas superficialmente semelhante ao original. Independentemente do resultado estético ou do envolvimento alcançado com esta forma de adaptação, pode-se afirmar, com segurança, que não é possível considerar-se “conhecida” uma narrativa mítica tradicional a partir do contato apenas com sua adaptação atual, seja em HQ, seja em cinema, TV ou outra fonte. E este ponto é de primeira importância em contexto educacional, que não pode prescindir do contato com a fonte original.

O Mito como Estrutura Profunda de Narrativas
Um segundo modo, mais sofisticado, é a utilização de mitemas – menor unidade significante do mito – e elementos arquetípicos na constituição de personagens e narrativas, não ao modo de “citações” ou apropriações, mas como estruturação “em profundidade” de personagem e seus universos imaginários. Este é o caso de Superman, um dos heróis mais conhecidos das HQs, que sobrevive a um planeta destruído (dilúvio) e é abandonado em uma espécie de cesto, semelhante ao Moisés bíblico. O vôo ascencional, as imagens luminosas e a ênfase na visão do “olhar além do alcance” são atributos clássicos do herói solar, presente em diversas mitologias, constelação simbólica que confere coerência imaginária à caracterização do Superman. Sandman, de Neil Gaiman, é outro exemplo de adaptação inteligente de temas míticos ao universo dos Quadrinhos, embora a constelação simbólica seja totalmente diversa, de estruturação noturna ou, poderíamos dizer, lunar. As “três faces da lua”, um dos principais arquétipos do imaginário noturno, é personificado na Hécate de Neil Gaiman; o próprio personagem principal, Sandman, é construído a partir de mitemas de Orfeu, herói grego de essencial relevância na arte Romântica. Assim como Orfeu, Sandman deverá descer aos infernos, realizar um resgate e retornar. Paralela a esta história, Neil Gaiman narra, ponto a ponto, um mito ou rito de iniciação.

Tanto no caso do Superman, quanto do Sandman, as referências a mitos e narrativas tradicionais não são apenas superficiais. Em Sandman pode-se observar inúmeras referências diretas às mais diversas e importantes produções da cultura – como a bela adaptação do Sonho de uma Noite de Verão, de Shakespeare, ou de uma narrativa das Mil e Uma Noites, em Ramadan, dentre muitas outras. No entanto, a adaptação é realizada, até mesmo com muita liberdade de recriação, mas consciente da estrutura simbólica profunda das narrativas originárias. Em Superman sequer são realizadas referências diretas aos mitos inspiradores. Não obstante, a recriação é coerente ao apresentar certa “coesão interna” entre as imagens estruturantes da narrativa. Estes casos da HQ podem ser aproximados, em termos de sucesso na execução, a outros, como as adaptações do filólogo inglês, J.R.R. Tolkien, da mitologia nórdica para o mundo literário (Senhor dos Anéis); e à recriação, para o cinema, do estudo de mitologia comparada de Joseph Campbell (O Herói de Mil Faces) por George Lucas (Guerra nas Estrelas).

A HQ Enquanto Forma Simbólica
Um último modo de se considerar a relação entre HQ e mito é tomar este último termo no sentido utilizado por Gilbert Durand, dentre outros autores, que não designam com o termo “mito” apenas uma classe ou espécie de narrativa, especialmente aquelas com relevância cultural ou tradicional, mas toda e qualquer produção do imaginário. Neste sentido, uma leitura mítica do universo da HQ equivale diretamente a uma morfologia de suas narrativas e de seus universos imaginários, mantendo como base uma arquetipologia geral e como instrumento principal a própria imaginação simbólica. Nesta abordagem, não se busca elementos de adaptação de mitologias ou narrativas tradicionais por parte dos autores de HQ, mas, considera-se a própria HQ enquanto produção do imaginário, portanto forma simbólica, passível de uma análise arquetipológica.

Parafraseando-se o mitólogo norte americano, Joseph Campbell, para quem o sonho é um mito individual, e o mito, é um sonho coletivo, na abordagem da HQ enquanto forma simbólica, o trabalho consiste em observar como a criação subjetiva – e muitas vezes solitária – se espelha e ressoa nas grandes narrativas coletivas de seu tempo, nessa circulação entre as pulsões subjetivas e as intimações e demandas do meio cultural e social, trajeto cuja sutura é o símbolo. Nesta última concepção, não se busca referências ou adaptações de temas culturalmente difundidos, mas, de modo direto, discernir as imagens simbólicas presentes na produção de cada autor, haja vista que a imaginação humana (sua atividade onírica ou criativa) se desenvolve de modo simbólico.

Em Síntese
A indústria cultural e a produção artística ocuparam um espaço deixado vago com a perda do prestígio das narrativas tradicionais na sociedade, no final da idade média européia, fenômeno que se espalha por todo o globo – o desencantamento do mundo (entzauberung), termo cunhado pelo sociólogo Max Weber. O estudo e utilização da mitologia e da arquetipologia pelos autores e criadores de HQ é amplo, e são diversos os substratos que as narrativas tradicionais fornecem neste contexto. A compreensão da estruturação profunda do mito é primordial para uma boa adaptação, e existem excelentes exemplos, seja em circuitos comerciais ou alternativos. Em ambos os casos, as narrativas ganham uma espécie de “força”, por ressoarem em estruturas profundas da alma humana.

Livros Citados
WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.
BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo : Brasiliense, 1985
MCLUHAN, Marshall. Os meios são as massa-gens. Rio de Janeiro, Record, 1969
CAMPBELL, Joseph. O herói de mil faces. São Paulo, Cultrix.
DURAND, Gilbert. As Estruturas Antropológicas do Imaginário: introdução à arquetipologia geral. São Paulo: Martins Fontes, 1994.

José Abílio Perez Junior, graduado em Comunicação Social e mestre em Educação pela USP. Docente em disciplinas de graduação da FANORPI/PR. Assessor em diversos projetos de formação de professores e gestão da educação desde 1996
>> BIGORNA – por José Abilio Perez Junior


HOMEM DOS SETE MARES

segunda-feira | 30 | junho | 2008


Pixel lança quinto álbum da série Corto Maltese, marujo com jeito sensual que se tornou obra-prima, criada pelo Italiano Hugo Pratt

Escritor e desenhista de origem italiana, Hugo Pratt morreu há 13 anos. Mas sua obra-prima, Corto Maltese – um misto de lobo-do-mar solitário, aventureiro, desbravador dos cinco continentes e sete mares – continua vivo e procurando emoções por onde quer que passe. Para aqueles que desejam reviver a emoção de se deparar com um texto poético, denso, cheio de ação e reflexão, nada melhor do que conferir, ou rever, as páginas de As Etiópicas, quinto álbum lançado pela Pixel para os amantes do marujo no Brasil. A história é uma pequena amostra do que foi produzido por Pratt e protagonizado por Corto nas quase três décadas de parceria entre autor e criatura.

Nesta aventura, Pratt, mais uma vez, combina as andanças do personagem com fatos reais e faz Corto se embrenhar na guerra entre turcos, árabes e ingleses – a mesma que permitiu Lawrence das Arábias, um jovem e sonhador tenente britânico, virar clássico da história, do cinema e da literatura. Neste caso, como em todos os outros, a “missão” vivenciada por Corto Maltese é pura ficção, mas os fatos em volta são reais: em 1916, conduzido por dois guias muçulmanos, nosso aventureiro chega ao Iêmen, que à época estava tomado pelos turcos, atravessa a Somália ocupada pelos ingleses, passa pela Etiópia para chegar à África Oriental Alemã. Andanças no meio de um barril de pólvora, e de muitos perigos e tiros, mas que ajudam a compreender um pedaço da história recente.

Especificamente neste episódio, Corto Maltese enfrenta a morte, e escapa dela novamente. Mas vai além: mais do que nos reportar às batalhas e lutas nas areias do deserto, também faz várias alusões a um homem que não apenas é referência literária de muitas as gerações, mas que chocou ao mundo quando decidiu abandonar os cafés e a vida boêmia de Paris para se refugiar nos países africanos, como contrabandista, traficante de armas e mercenário. Sim, ele mesmo, Arthur Rimbaud. No caso, sendo protagonista de histórias passadas nos primeiros anos do início do século 20, Corto não poderia, ainda, conhecer a fama e a verve do enfant terrible das letras. Mas Pratt sim, e homenageou Arthur ao fazer com que seu lobo do mar percorresse o itinerário de Rimbaud (de Djibuti a Harrar) quando resolveu incorporar o traficante de armas. Uma bela forma de interligar vidas, histórias, sonhos.

Por essas e por outras situações, o marinheiro Corto e seu mundo podem ser igualados aos
personagens e universos criados por escritores do porte de Herman Melville, Joseph Conrad e Robert Louis Stevenson. Ou seja, o marujo corso, com sua personalidade marcante, seu espírito desbravador, seu temperamento independente, mas sereno, conseguiu tornar-se um clássico dos quadrinhos de todos os tempos. Para se ter idéia da sua força no gênero, basta dizer que em 1996 um júri, formado por críticos europeus de seis países, elegeu o conjunto de suas aventuras como “os quadrinhos do século 20”.

Corto Maltese surgiu em 1967, como um dos muitos personagens pitorescos do clássico A Balada Do Mar Salgado. O seu “caráter”, segundo contava Pratt, lhe chamou atenção, porque dava a possibilidade de desenvolver boas histórias. Ao ser convidado pela revista PIF para publicar uma série, Pratt elegeu Corto como personagem central. E criou um mito das HQs. Após eleger o marinheiro como protagonista das suas sagas, Pratt deu-lhe um perfil: Corto nasceu do encontro entre uma cigana da Andaluzia — Nina de Gibraltar — e um marinheiro inglês da Cornualha, que fazia uma escala no litoral do Mediterrâneo. Anticolonialista, ele é um marinheiro que já teve um barco no começo da vida, mas o perdeu em um desastre logo nos primórdios de suas aventuras.
>> O GRITO! – por Fernando de Albuquerque


CONFIRMADO O REMAKE DE “O PRISIONEIRO”

segunda-feira | 30 | junho | 2008


O canal americano AMC confirmou hoje que uniu-se ao canal inglês ITV para produzir um remake da série “O Prisioneiro“, uma das mais importantes da história do gênero. Serão produzidos, inicialmente, seis episódios. No elenco estão Jim Caviezel (foto ao lado), do filme “A Paixão de Cristo”, como o prisioneiro número 6 e o ator Ian McKellen, como o número dois.
A série, criada e estrelada por Patrick McGoohan, exibida em 1967, apresenta um agente secreto que pede demissão do serviço. Ele é então seqüestrado e levado a uma ilha. Lá, ele descobre que outros agentes do mundo todo são feitos prisioneiros e obrigados a colaborar com informações. A Vila, como a ilha é conhecida, é um lugar aparentemente paradisíaco mas tem suas próprias regras sociais, políticas e econômicas. A produção de “O Prisioneiro”, revolucionou a TV inglesa e influenciou a TV americana ao introduzir a teoria da conspiração. Fazendo uma crítica a sistemas políticos e sociais, “O Prisioneiro” definiu padrões e estruturas até hoje reutilizados.

Segundo os canais ITV e AMC, a nova versão pretende manter os temas e atualizá-los à realidade do século 21, apresentando questões como liberdade, segurança, sobrevivência, ansiedade e outros.

O roteiro está a cargo de Bill Gallagher e a direção é de Jon Jones, ambos ingleses. Nenhuma informação sobre quando estreará, nem tão pouco se Patrick McGoohan está envolvido com o remake.

Desde 2006 que o canal AMC está planejando produzir esta nova versão de “O Prisioneiro”, com a intenção de exibí-lo juntamente com a reprise da série inglesa. Uma versão para o cinema também está sendo prevista desde a década de 90, com a assessoria de McGoohan, mas nada sobre o filme está sendo divulgado ainda, nem mesmo se o projeto ainda está em andamento.
>> TV SÉRIES – por Fernada Furquim


Abaixo, veja a sequência da abertura, sem cortes, de
“O Prisioneiro”, dos anos 60.


EXTINTION TIMELINE – O MAPA DA EXTINÇÃO

segunda-feira | 30 | junho | 2008

No ano passado, um cara chamado Richard Watson, lançou um livro curioso. Future Files – A History of the Next 50 Years, (Arquivos do Futuro – A História dos Próximos 50 anos). O livro é cheio de previsões provocantes sobre o próximo século e analisa as tendências que estão em curso na sociedade, tecnologia, economia, negócios, etc.

E uma das coisas mais interessantes no livro é o mapa da extinção, ou Extinction Timeline, que mostra a obsolescência e morte de várias coisas que estão up-to-date hoje em dia. Entre estas “coisas” temos as moedas, veículos movidos à gasolina, a aposentadoria, as geleiras, os blogs (hum, sei não) e pasmem, até o Google!

Este pequeno resumo mostra o que vem (ou não) por aí:

  • 2015: Pensão do Estado
  • 2016: Aposentadoria
  • 2019: Bibliotecas
  • 2020: Direitos Autorais
  • 2022: Web 2.0, As Ilhas Maldivas
  • 2024: Computadores Desktop
  • 2030: Chaves
  • 2033: Moedas
  • 2035: Microsoft, A Cultura Aborígene, o SPAM
  • 2036: Veículos movidos à Petróleo
  • 2037: Geleiras
  • 2038: Paz & Silêncio
  • 2049: Jornais, Google
  • 2050: Feiúra, Morte, Estados Nação

Não sei como o autor chegou a essas previsões, mas algumas bem que poderiam ser antecipadas como por exemplo, o fim do SPAM.

Richard Watson é um escritor futurista e consultor de várias empresas como Virgin, Toyota e Coca-Cola, onde ajuda a traçar tendências e a planejar cenários futuros.

Richard é autor e editor da What’s Next.

Para baixar o mapa, clique aqui.

>> UNITITLED – por Tesla


PARADOXO TEMPORAL

segunda-feira | 30 | junho | 2008


Isaac Asimov, por quase sessenta anos de carreira literária, construiu uma obra tão vasta e impressionante, que muitos de seus livros de divulgação científica e de ficção previram o futuro e ajudaram o mundo a enxergar possibilidade inimagináveis – tecnologias como a nanotecnologia, a TV digital, a Internet, o uso de energia solar foram temas de suas narrativas. Juntamente com Arthur C. Clarke e Robert Anson Heinlein (the Big Three), Asimov era considerado um dos maiores escritores do gênero de ficção científica. Compulsivo, Asimov dizia que não tinha vontade de tirar férias, só queria escrever, foram mais de 400 títulos publicados, dos temas mais variados que alcançaram prestígio e popularidade por gerações.
Um dos seus melhores livros, O Fim da Eternidade (tradução de Susana Alexandria, Editora Aleph, 2007, 255 páginas.) , foi lançado no ano passado no Brasil, pelo selo da editora Aleph, que disponibilizou esse clássico ao público fã de ficção cientifica, que para alguns será uma boa lembrança de anos passados, mas para outros, será uma oportunidade de conhecer o mestre Asimov, o escritor-cientista.
Da extensa obra de Isaac Asimov, O Fim da Eternidade (publicado originalmente em 1955), junto com a série Fundação e The Gods Themselves, está entre os melhores livros escritos pelo autor, e é considerada uma das mais bem-sucedidas histórias de viagem no tempo. Antes dele, apenas H. G. Wells, com o seminal A Máquina do Tempo, havia se aventurado a escrever sobre o tema. Mas no caso de O Fim da Eternidade, sua originalidade ultrapassa a ousadia da idéia ao agregar o conceito de paradoxos temporais e ao conferir à história um clima de romance e suspense até então inéditos, mesmo na obra do próprio Asimov. Mais de 50 anos após sua publicação, o livro é considerado um dos grandes clássicos do gênero.
Perguntas como: qual seria a nossa atitude se descobríssemos que nossa individualidade como ser humano poderia ser totalmente anulada por um sistema social maior, dominado pela máquina? E qual seria a atitude sensata e válida a ser tomada se tivéssemos que escolher entre a nossa existência, tal como a desejamos, e a continuidade do mundo de que dependemos, mas que é contrário às nossas aspirações? Essas, entre outras serão as questões levantadas na narrativa de O Fim da Eternidade, onde o protagonista Andrew Harlan é um Eterno, membro de uma organização que monitora e controla o Tempo. Um técnico que lida diariamente com o destino de bilhões de pessoas no mundo inteiro. Sua função é iniciar mudanças de realidade, ou seja, alterar o curso da História. Condicionado por um treinamento rigoroso e por uma rígida autodisciplina, Harlan aprendeu a deixar as emoções de lado durante o trabalho. procurava uma resposta única e total. Durante longos anos Harlan desenvolveu grande habilidade dentro daquela organização singular e exclusiva dos Eternos. Como Eternos, eles dominavam os séculos passados e presentes, na tentativa de restabelecer a ordem na longa e contraditória história da humanidade e o processamento de pequenas mudanças no tempo – a forma ideal de se recuperar o equilíbrio perdido.
Contudo, Harlan começa a desconfiar de suas próprias ações na Eternidade, se apaixonando e começando a modificar seu pensamento em relação ao seu próprio mundo. Os Eternos não são conscientes de que sua própria existência é o maior perigo para a própria humanidade aque tanto tentam proteger, limitando seu desenvolvimento normal: séculos diante, numa zona inacessível para os Eternos, a humanidade não existia mais. Para corrigir a situação, os humanos desta zona excluída de seu controletentam infiltra-se e manipular a Eternidade.
Nesta romance, Asimov resolve de forma brilhante o paradoxo temporal. Uma verdadeira sátira, para não dizer crítica do paternalismo excessivo dos governos. Apoiado nas Ficção cientifica da Era der ouro, O Fim da Eternidade é um livro é um dos melhores exemplos da arte da criação do mestre Asimov. Uma ótima leitura.

Isaac Asimov nasceu em Petrovich, Rússia, em 1920. Naturalizou-se norte-americano em 1928. O Bom Doutor, como era carinhosamente chamado pelos fãs, escreveu e editou mais de 500 livros, entre os quais a série Fundação e as histórias de robôs que inspiraram filmes como O Homem Bicentenário e Eu, Robô. Além de suas mundialmente famosas obras de ficção científica, Asimov alcançou sucesso também com tramas de detetive e mistério, enciclopédias, livros didáticos, textos autobiográficos e uma impressionante lista de trabalhos sobre aspectos variados da ciência.
Morreu na cidade de Nova York, em 1992, por falência múltipla de órgãos provocada pelo vírus da Aids, contraído em uma transfusão de sangue realizada durante uma cirurgia em 1983.
>> POPPY CORN – por Cadorno Teles


A FUNÇÃO DO MONSTRO NA NARRATIVA

sexta-feira | 27 | junho | 2008


Nas diversas manifestações artísticas ao longo do século 20 podemos reconhecer um fascínio constante pelo sobrenatural e o fantástico. Em cada um, o semelhante prazer de corromper, ultrapassar, experimentar veículos que trazem a tona a desregra, a desordem e a reinvenção. Um rápido olhar pelas correntes estéticas do século passado oferece uma leitura desta permanente tendência a excentricidade e divergências tanto no cinema, quanto em outras expressões artísticas. O explodir das vanguardas no início do século 20 (e todos os seus ismos) talvez seja o grande responsável por isso, através das dinâmicas entre gêneros artísticos e das intensificações das sensações estéticas, em que a desfiguração Dádá, por exemplo, passou a invadir a percepção e a representação da figura quotidiana.

Nesse sentido podemos dizer que a monstruosidade pode ser reconhecida como uma tendência constante da história da arte recente, enquanto a dinâmica de desvio e ruptura se formaliza em desfigurações do corpo, dos gestos, das organizações, no que concorre a crescente importância do poder da imagem. A deformação das figuras naturais então passam a ser algo naturalíssimo dentro do dia-a-dia.

A estranheza então tomou o lugar do belo na expressão da arte contemporânea em que a monstruosidade manifesta-se através de uma certa utilização das técnicas de interpretação e de novas tecnologias. O caráter da monstruosidade decorre da criação dela em uma perspectiva que introduz a presença de monstros na criação do cinema por meio de uma estética do artificial. Por esse motivo que permanece a idéia de que as figuras da morte, por exemplo, são “seres sem destino”. Isso indica um paradoxo: se por um lado seres inanimados são os mais adequados para a representação da vida na arte, por outro, a semelhança destes corpos materializa a presença da morte através do vazio existêncial e do movimento.

A relação entre o cinema e os monstros pode ser estabelecida por dois paralelos. O primeiro é mediado pela idéia de desfiguração ou transfiguração dos corpos e, sobretudo, por uma desumanização ambígua da fisionomia humana. Como na crição computadorizada de monstros e de homens que são mais monstros que pessoas. De certa forma, podemos dizer que esta transfiguração dos corpos orgânicos ou inanimados é condicionada primeiro pelo figurino e depois com a composição mais elaborada de uma personagem fantástica. Neste sentido, a personagem fantástica mais constante na história do cinema ocidental parece ser o Vampiro. E aí há uma miríade de filmes (de gêneros pra lá de variados sobre essa temática). Já no oriente, o fantástico é apresentado por demónios, espíritos e pela humanização dos animais. Estas figuras corporizam uma série de tendências desviantes, e a sua presença introduz, ainda hoje, uma tendência monstruosa de corrupção do discurso e da imagem.

As imagens dos monstros possuem a representabilidade ideal para o audiovisual, tal como o cinema possui uma dinâmica interna de desdobramento e exagero, próprio da monstruosidade. Por esse desdobramento, tanto o monstro quanto quem o veicula pode manipular a imagem que cria e intensificá-la, no sentido do humor ou do vazio. Através deste paralelismo entre modos de representação, o cinema torna-se um espaço propício à criação de monstros, tal como a monstruosidade se torna o veículo do cinema.

Das diversas formas de representação dos monstros, o cinema aproxima-se das artes plásticas pela mesma relação com a visão e pela criação de espaços e corpos. No entanto, ele se caracteriza pela criação de imagens e objetos na modalidade do seu acontecimento. É uma arte de presenças e “um monstro é sempre um excesso de presença”, disse o escritor potuguês José Gil, no livro Monstros.

O corpo do monstro é o corpo mais desenvolto na projeção do vídeo, suas sombras ou reflexos, a sua presença inanimada interpela o ator e o espectador da mesma forma que os manequins, marionetas e máscaras que auxilíam na representação. Em ambos os casos, os corpos artificiais apresentam-se como duplos dos atuantes. Ao mesmo em que a computação cria um corpo, ou um ator o interpreta criam-se simulacros de vida que modulam a recepção visual através de dinâmicas de desdobramento e criam planos de ruptura, intervalos, fazendo cruzar diferentes modos de percepção no espectador e perturbando a comunicação com uma série de dispositivos convencionais e tecnológicos que abrem o acontecimento a uma leitura plural.

No entanto, os monstros e quem os personifica são mais do que uma presença dupla na tela, são deformações do próprio corpo, são superfícies de corpos perversos, invertidos, caóticos, desorganizados dentro de sua própria deformação. O monstro, então, se estabelece através de uma relação de similitude, de onde sua natureza superficial, simulada, se torna exemplo da sua própria condição de representação.

A monstruosidade, materializada em corpos avessos ou através da perturbação superficial das organizações biológicas, condiciona o jogo visual numa lógica de associação de opostos, entre o humor e o vazio, criando um plano de compreensão da representação do mundo, em íntima partilha com uma fina sensibilidade do interior e do exterior, das entranhas e da pele. Se o cinema preza pela artificialidade, os monstros protagonizam um cinema que pode pender para o bem ou para o mal já que todos eles trazem um ponto de vista sobre o interior do corpo, sobre as partes desirmanadas e a representação do cinema no mundo contemporâneao.
>> REVISTA O GRITO! – por Fernando de Albuquerque


CINEMA FANTASMAGÓRICO – MUY ALÉM DO BEM E DO MAL

sexta-feira | 27 | junho | 2008

Novas obras voltadas ao público infantil evidenciam influências pra lá de assustadoras


O bem, uma figura onipresente que ninguém vê mas todos sentem, prestes a voltar e acabar com o império do mal, instalando em seu lugar a alegria e o bem dos quais são dignos só os mais honrados. Não, esse não é um texto bíblico. Mas sim a premissa dos principais clássicos de literatura fantástica que há tempos conquistou telonas graças a tecnologias e efeitos especiais vem dando caras, nomes e texturas aos seres encantados, antes só existente na imaginação de seus leitores.

As Crônicas de Nárnia: Principe Caspian, segundo filme da série dirigido por Andrew Adamson, a trama se apresenta mais densa, com mais ação e dialoga mais com o público adulto que a exibida em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa, de 2005. Inspirados na obra do inglês C.S Lewis, autor dos sete livros que formam a coleção, o filme segue o rastro de grandes sucessos anteriores – o principal deles é a trilogia Senhor dos Anéis que chegou às telonas entre 2001 e 2003, foi dirigida por Peter Jackson, os filmes trazem para as telas uma releitura das mais de 1.000 páginas que formam a obra do autor J.R.R. Tolkien. Contemporâneos, ambos os autores ingleses têm uma biografia permeada pela religiosidade e utilizaram a criação de universos fantásticos para disseminar a crença numa postura diante da vida, claro regada de muita fé.

Com um discurso um pouco menos vínculado a religiosidade, mas também muito importantes para um entendimento de como surgiram essas histórais que invadem a tela grande estão os Irmãos Grimm. A obra dos Grimm ganhou uma releitura em 2005, nas mãos de Terry Gilliam (lembrado também pela direção de Brazil, comédia utópica ao som de Aquarela do Brasil). No Will (Matt Damon) e Jake Grimm (Heath Ledger) são golpistas que aproveitam-se da ingênuidade do povo francês para ganhar dinheiro enfrentando monstros e bruxas. Na vida real os Irmãos Grimmn, foram dois importantes pesquisadores alemães que tentaram resgatar a história de seu país através da tradição oral de seu povo. Compilando num livro de contos lendas e folclores. É de responsabilidade dos Grimm algumas dos mais importantes clássicos da literatura infantil, entre eles: Chapéuzinho Vermelho, João e Maria e Rapunzel.

Mas não dá pra fazer um panorama do cinema fantástico sem falar do fenômeno Harry Potter. A série foi criada pela escritora britânica J.K Rowling (mulher mais rica da história da literatura com mais 300 milhões de exemplares vendidos). Desde A Pedra Filosofal, lançado em 1997 e adaptado para o cinema em 2001, foram publicados mais seis livros. O quinto filme da saga será lançado em novembro. Harry Potter e o Enigma do Príncipe traz a história do sexto ano de Harry Potter na escola de magia de Hogwarts. Apesar da adaptação do livro final Harry Potter e as Relíquias da Morte, publicado em 2007, só está prevista para 2010, já dá pra afirmar pela história do livro que o bruxinho que cresceu com seus espectadores terá sim um final feliz.

Mas nem todos os grandes filmes fantásticos são fruto de adaptação de histórias literárias. Em 2006, o diretor Guilherme del Toro, nos brindou com o sombrio Labirinto do Fauno. O filme conta a história da pequena Ofélia (Ivana Baquero), obrigada a viver com seu padastro, o capitão Vidal (Sergi Lopez), membro das forças fascistas do general franco, num acampamento no meio de uma floresta encantada, onde será guiada por um fauno assustador de volta a seu reino, do qual descobrirá que é a princesa perdida há várias gerações. Apesar do enredo mágico, o filme é bem denso com momentos cruéis e traz trechos que discutem assuntos importantes como: as agruras da vida num regime ditatorial e o dilemma entre uma vida difícil ou uma morte libertadora.

Não precisa ir longe para saber que sempre houve e haverá espaço para o cinema do faz de conta. Para os adultos que acham essa uma arte feita para crianças fica um desafio: que tal rever o sempre mágico História Sem Fim, 1984? Mesmo com 25 anos de defasagem tecnologica, continua fascinante somente pela sua história. No enredo, um garoto chamado Bastian rouba um livro chamado História Sem Fim, toda vez que ele revisita a narrativa acaba interferindo no destino de seus personagens, que vão desde Fuchur, o cão alado, passando pelo Dragão do Destino, até o Homem de Pedra, qualquer jovem com seus vinte e poucos anos já quis ser Bastian e não vai poder negar que também se deixou levar pela magia que envolvia a história.
>> REVISTA O GRITO! – por Por Raphaella Spencer


A ESCRITA AUTOMÁTICA

sexta-feira | 27 | junho | 2008


Os surrealistas dos anos 1920, com André Breton à frente, criaram o que chamavam de “escrita automática” como um dos meios para desacorrentar o fluxo de idéias da mente, o chamado “stream of consciousness”, e revelar através dele o funcionamento real do pensamento, livre de considerações estéticas, morais, etc. Livre de qualquer tipo de censura ou auto-coerção. Os resultados são discutíveis, porque produziram inúmeros bons poemas ou textos em prosa (do próprio André Breton, de Benjamin Péret, Paul Éluard, etc.) como também uma quantidade enorme de textos desconexos dos quais é impossível (pelo menos para mim) extrair qualquer arremedo de impressão literária.

Na mesma época, os escritores da “pulp fiction” norte-americana estavam descobrindo o filão das revistas populares, que pagavam alguns centavos de dólares por palavra. Para tornar rentáveis esses centavos, precisavam escrever uma quantidade imensa de texto por dia; e acabaram desenvolvendo o seu próprio sistema de “escrita automática”. Escreviam sem pensar, sem parar, sem voltar atrás, sem corrigir, sem revisar.

Isaac Asimov orgulhava-se de jamais revisar um texto. Punha o papel na máquina, mandava ver, e quando escrevia “The End” colocava a maçaroca de folhas num envelope e a enviava para a revista de sua preferência. Há uma conferência muito divertida em que ele satiriza as preocupações estilísticas dos autores “literários”. Diz ele que o sujeito escreve o início de um conto: “Era uma noite escura e tempestuosa..” Aí pára para ver se a frase está boa, e decide mudar: “Era uma noite tempestuosa e escura…” Ainda não parece o ideal, e ele muda mais uma vez: “Era uma noite cheia de escuridão e de tempestades…” Passa dias inteiros nessa frase, e nada de história.

Philip K. Dick, que era capaz de datilografar cem palavras por minuto, dizia conceber mentalmente seus romances por inteiro, e depois tinha só que colocá-los na página; chegava a escrever sem parar três ou quatro dias seguidos, praticamente sem dormir, mantendo-se acordado à base de café e comprimidos. O mesmo acontecia com Lester Dent, o criador de “Doc Savage, o Homem de Bronze”: dezoito horas de trabalho por dia, que lhe permitiram escrever um livro de 60 mil palavras por mês ao longo de doze anos (ele é autor de 165 dos 182 livros sobre Doc Savage). Robert Silverberg costumava escrever um conto de 7.500 palavras por dia, durante dias a fio.

Diferentemente de Breton, todos estes escritores trabalhavam com prosa neutra, fosca, sem inovações, sem vanguardismos, prosa de gramática transparente e regras estilísticas convencionais. O fato de não pararem para burilar frases brilhantes, no entanto, lhes possibilitava mergulhar diretamente no domínio fantástico da história em si, das peripécias incríveis, das ações dos personagens. Escrevendo dentro das convenções da FC, eles produziram uma escrita automática que revelava um nível mais profundo da imaginação criadora.
>> JORNAL DA PARAÍBA – por Bráulio Tavares


Mundo mágico

sexta-feira | 27 | junho | 2008

Nárnia

Toda a aventura de Nárnia estará presente em uma contação de história que acontece neste domingo, 29 de junho, às 16h, na Saraiva MegaStore do Morumbi Shopping (Av. Roque Petroni Jr., 1089 – São Paulo. Tel.: 5181-7574). A adaptação de O retorno a Nárnia – O resgate do príncipe Caspian, C. S. Lewis, (WMF Martins Fontes) vai encantar as crianças com esta história muito especial sobre as aventuras dos quatro irmãos, que mais uma vez partem para salvar Nárnia. A última vez que Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia deixaram Nárnia foi pelo guarda-roupa e agora são chamados de volta por um príncipe que luta para recuperar o trono. FONTE: PublishNews - 27/06/2008


O CABELEIRA FAZ ROTEIRO DE CINEMA NA FORMA DE QUADRINHOS

quinta-feira | 26 | junho | 2008

Álbum nacional inspirado no romance de Franklin Távora foi lançado neste mês pela editora Desiderata


O fim do ano passado sinalizava para um maior investimento editorial em álbuns nacionais. Parte deles de adaptações literárias. Outra parcela em histórias inéditas.

“O Cabeleira”, lançado neste mês (Desiderata, 136 págs., R$ 39,90) fica na fronteira entre essas duas tendências. Não é só uma adaptação literária. É um exercício de roteiro de cinema na forma de quadrinhos.

A história surgiu em razão de um laboratório de roteiro, promovido pelo Sesc. Leandro Assis e Hiroshi Maeda inscreveram uma primeira versão de “O Cabeleira”. Publicitário e engenheiro, respectivamente, os dois tinham em comum o interesse pelo cinema.

O roteiro foi sabatinado e remoldado. O resultado final não foi filmado. Foi vertido para a linguagem dos quadrinhos, no álbum lançado pela Desiderata.

 

A versão de Leandro Assis e Hiroshi Maeda mostra a trajetória do personagem central em dois momentos, na fase adulta e na infância dele (como mostrado no desenho acima).

A base do roteiro foi o romance de Franklin Távora (19842-1888). O escritor cearence foi o primeiro a relatar em letras as histórias orais do Cabeleira, uma espécie de Lampião que percorreu Pernambuco no século 18. O livro é de 1876.

É do primeiro capítulo da obra o dito “Fecha a porta, gente / O Cabeleira aí vem / Matando mulheres / Meninos também”. José Gomes, nome do Cabeleira, fez fama por roubar e assustar os moradores da região. Nem igrejas e crianças poupava. Nos saques e matanças, era acompanhado pelo pai, Joaquim Gomes, de quem herdou o tino pelo estilo de vida violento.

 

 A “câmera” de Assis e Maeda foi o traço do carioca Allan Alex. A escolha dele foi um dos acertos da editora Desiderata, que propôs o projeto aos dois. O desenho de Alex soube captar os enquadramentos e, principalmente, os cortes cinematográficos da proposta original. E sem perder a necessária expressividade da obra.

Em vários momentos, cria-se a sensação de leitura de um storyboard, que serve de base para muitas filmagens cinematográficas. É como se fosse um longa-metragem moldado em quadrinhos.

 

“O Cabeleira” é o segundo álbum nacional com histórias longas lançado pela Desiderata.

O primeiro -”A Boa Sorte de Solano Dominguez”- foi publicado em novembro do ano passado (mais aqui). O roteiro de Wander Antunes também se diferenciava nesse projeto.

Os dois trabalhos seguem a proposta da editora carioca de produzir álbuns nacionais. Há pelo menos outros três em produção: “Mesmo Delivery”, de Rafael Grampa, “Menina Infinito”, de Fabio Lyra, e “Copacabana”, de Odyr e de Sandro Lobo, editor de quadrinhos da Desiderata (leia mais aqui).
                                                           ***

Ver obras bem produzidas como “O Cabeleira” leva ao questionamento, ainda sem uma resposta definitiva, de por que as editoras brasileiras não investiram antes nesse filão.

Já há exemplos concretos de que desponta um grupo de roteiristas e desenhistas capaz de criar boas histórias, uma das críticas que existiam até então.

Faltou coragem? Então, que se reconheça, de público, a meritória coragem editorial da Desiderata e de poucas outras -entre elas a HQM- que têm investido e desbravado essa área.

                                                           ***
Nota: A obra de Franklin Távora está em domínio público e pode ser lida na internet (aqui). 
>> BLOG DOS QUADRINHOS – Paulo Ramos


Spielberg deve adaptar série inédita de livros ‘The 39 Clues’

quinta-feira | 26 | junho | 2008

O estúdio DreamWorks informou na quarta-feira ter adquirido os direitos de filmagem da série de livros e jogos ‘The 39 Clues’, com a possibilidade de Steven Spielberg ser o diretor do projeto. ‘The 39 Clues’ é um produto multimídia que será lançado em setembro pela editora norte-americana Scholastic, a mesma que publicou os livros ‘Harry Potter’. A nova série inclui 10 livros, mais de 350 cards colecionáveis e um jogo online no qual as crianças competem para desvendar o mistério por trás de uma família chamada Cahills. O primeiro livro será The Maze of Bones, escrito por Rick Riordan. ”The 39 Clues’ dá reviravoltas criativas para transportar a história dos livros para estágios múltiplos de descoberta e imaginação’, disse Spielberg em um comunicado. >> Reuters – 26/06/2008 – por Bob Tourtellotte


GABRIEL BÁ É INDICADO AO PRÊMIO HARVEY

quinta-feira | 26 | junho | 2008

Saiu a lista de indicados ao Prêmio Harvey e o brasileiro Gabriel Bá está entre eles. Bá concorre na categoria “Melhor Desenhista” por seu trabalho na série – inédita no Brasil – “The Umbrella Academy”, publicada nos EUA pela Dark Horse Comics. A Academia do Guarda-Chuva do título original é um grupo de jovens com superpoderes que, após a morte do pai, se reúne para salvar o mundo.

A série, escrita por Gerard Way, do grupo My Chemical Romance, também foi indicada nas categorias “Melhor série” e “Melhor nova série”. Os vencedores serão anunciados no dia 27 de setembro, durante a Comic-Con de Baltimore. Veja todos os indicados aqui.

The Umbrella Academy” também concorre ao Prêmio Eisner, o Oscar dos quadrinhos, na categoria “Melhor série limitada”. O resultado sai no próximo dia 25 de julho, durante a Comic-Con de San Diego. Já “Sugar Shock”, história ilustrada pelo irmão gêmeo de Bá, Fábio Moon, concorre ao Eisner como “Melhor HQ digital”. Leia aqui, em inglês.

Juntos, os irmãos ainda concorrem ao Eisner na categoria “Melhor antologia” pelo gibi independente “5″. Produzido por eles em parceria com Vasilis Lolos, Becky Cloonan e o brasileiro Rafael Grampá, a história não tem diálogos e funciona como um portfólio do trabalho do quinteto. Sem Grampá, ocupado com seu primeiro álbum, “Mesmo delivery”, que deve sair pela Desiderata em julho, o quarteto levará para a Comic-Con de San Diego uma nova HQ independente feita pelo grupo: “Pixu”.
>> GIBIZADA – Télio Navega


XENA E GABRIELLE REENCONTRAM HÉRCULES E IOLAUS

quinta-feira | 26 | junho | 2008


Os fãs das séries “Hécules” e “Xena, a Princesa Guerreira“, terão a oportunidade de ver os atores Kevin Sorbo, Michael Hurst, Lucy Lawless e Renée O´Connor novamente reunidos em “Bitch Slap”. Não se trata de um filme com os personagens que tornaram esses atores famosos. Mas, sim, uma produção na qual os atores se reencontram interpretando outros personagens.

Dirigido por Rick Jacobson, com roteiro dele em parceria com Eric Gruendemann, ambos das séries “Hércules” e “Xena”, o filme faz uma paródia às produções B dos anos 50 a 70. Na história, três mulheres, uma stripper, uma drogada assassina e uma empresária falida, chegam à uma cidade para roubar 200 milhões dólares em diamantes. O verdadeiro passado das três são revelados em flashbacks, apresentados de trás para a frente.

Kevin Sorbo interpreta um agente que investiga o local; Michael Hurst, o Iolaus na série “Hércules”, é um gângster, vítima das três mulheres que desejam roubar seus diamantes; Lucy Lawless e Renée O´Connor, a Xena e Gabrielle, fazem participação especial no filme, como a Madre Superiora e uma freira, a Irmã Batrill (trocadilho com a Irmã Bertrille de “A Noviça Voadora“?), de um convento local. O filme está parevisto para ser lançado no final de 2008.

Sorbo também está com participação marcada para um episódio da série “The Middleman”, produção para a ABC Family com base em uma história em quadrinhos, que acompanha as aventuras de um super-herói. Já Renée O´Connor também está no telefilme “Genesis Code”. O ator Michael Hurst, que continua vivendo na Nova Zelândia onde as séries eram produzidas, ainda está no elenco do filme “The Map Reader”, e Lucy Lawless, vista recentemente na série “Battlestar Galactica”, integra também o elenco do filme “Bedtime Stories”, com Courtney Cox-Arquette, de “Dirt” e Keri Russell, de “Felicity”.
>> TV SÉRIES – por Fernanda furquim


CONCURSOS LITERÁRIOS, UMA FACA DE DOIS GUMES

terça-feira | 24 | junho | 2008


Todos aqueles que aspiram ao estatuto de escritor secretamente alimentam a crença de que as suas escritas são o tesouro no covil do dragão, à espera de ser descoberto por algum intrépido editor.

Independentemente do valor ou não da escrita, a maioria encara os concursos literários como instrumentos para atingir fortuna e fama. Se o concurso for ganho, a tão desejada publicação do manuscrito é finalmente concretizada, e não faltará muito para ver o livro em todas as livrarias. Talvez. Ou talvez não.

Há concursos literários e há concursos literários. E é importante que o indivíduo que esteja disposto a arriscar a sua sorte nestes concursos, tenha o discernimento suficiente para saber distinguir o trigo do joio, para saber quando esses concursos estão realmente interessados em promover a literatura e tudo o que esta tem de melhor, ou se não estarão antes interessados em obter dinheiro através de estratégias condenáveis e reprováveis.

Serve este post para alertar os eventuais candidatos a título de escritor de que há concursos que, por detrás de uma fachada de genuíno interesse por divulgação de novos autores, escondem uma ganância e um desejo de engordar o saldo da conta bancária à custa da ingenuidade ou desconhecimento das pessoas.

E quem fala em concursos, fala também de editoras, as verdadeiras responsáveis por essas tácticas dúbias.

Passando a exemplos mais concretos, quando devem desconfiar de um concurso literário ou não?

Se prometer direitos de publicação ao vencedor sem este ter direito a qualquer ónus.

Se implicar a cedência de direitos autorais sem estarem os termos bem definidos.

Se prometer a impressão de uma tiragem limitada e impor ao vencedor o pagamento de “x” quantia de livros impressos.

Se cobrar pela inscrição no concurso. Isso não quer dizer que o concurso seja uma fraude, mas é um sinal de alerta (especialmente em Portugal).

Devem verificar sempre a legitimidade da entidade que está a promover o concurso. Se for uma casa ou instituição de mérito ou prestígio reconhecido, há menos sinais para desconfiar (embora isso não queira dizer que não devam ler SEMPRE o regulamento com a máxima atenção possível).

A maioria das editoras ou entidades que patrocinam estes concursos com segundas e terceiras intenções não têm sequer a capacidade de distribuição para que o livro esteja presente em todas as livrarias nacionais. Acreditem quando se diz que a distribuição é um dos maiores problemas no mercado editorial português e que é difícil obter uma distribuição equitativa e justa em Portugal sem ter que desembolsar uma dolorosa percentagem de lucros. Quanto muito irão colocar em algumas livrarias da zona para que os amigos do vencedor possam comprar.

Isso não quer dizer que uma editora que tenha uma distribuição limitada deva ser desprezada. Muito pelo contrário. Há muitas pequenas e médias editoras que têm desenvolvido um excelente trabalho no campo da literatura, mesmo com meios limitados. Mas quando pedem o vosso dinheiro para publicar algo que, à partida, nenhum escritor deve pagar, então é sinal de que estão a ser enganados e roubados.

O que acontece é que os preços cobrados pelas editoras pagam praticamente a totalidade dos custos de impressão (o principal gasto a cargo da editora) e ainda há uma margem que vai directamente para os seus bolsos. Mais ganham se os amigos dos amigos dos vencedores comprarem.

Lá fora são muito frequentes estes esquemas de angariação de dinheiro, embora em Portugal se tenham começado a fazer notar mais nesta última década. Não vou apontar nomes mas existem. A Épica tem tomado conhecimento de vários casos, e muitos nos pedem conselhos sobre se vale a pena ou não participar em tais concursos.

Recomendamos é que não arrisquem às cegas porque publicação nem sempre é sinónimo de ser-se escritor. Nos últimos tempos, tem sido cada vez mais fácil publicar-se um livro com quase a mesma qualidade que uma casa editorial profissional, por metade dos custos. E é preciso desenvolver a auto-consciência de que nem sempre o que se escreve é bom e publicável, por mais que custe a admiti-lo.

Para obterem mais informações, recomendo a leitura deste artigo da parte do Science Fiction Writers of America sobre as fraudes literárias, concursos e esquemas que têm como alvo escritores.
>> ÉPICA – Safaa Dib


A nova missão dos super-heróis depois de virarem setentões

terça-feira | 24 | junho | 2008

Os heróis também envelhecem, mas com estilo. Este ano Super-Homem, Batman e Mulher-Maravilha são convocados para a frente de batalha das comemorações pelos 70 anos no Brasil da DC Comics, empresa norte-americana de quadrinhos. Nada melhor que brindar os novos setentões com novidades nas bancas e uma bela repaginada no visual. A Panini lança no momento uma coleção especial com as melhores histórias de cada herói. A coleção tem início com Superman e traz histórias selecionadas das fases mais marcantes do personagem. Batman, Mulher-Maravilha, Flash, Lanterna Verde e a Liga da Justiça são os próximos heróis DC da Coleção 70 Anos. Além dos seis volumes, a coleção ainda terá uma edição especial com outros personagens que não tiveram espaço na fornada atual. A publicação comemorativa com o Super-Homen contém histórias de escritores e desenhistas consagrados, que se revezam para mostrar a bravura de um dos primeiros super-heróis do mundo HQ. >> Gazeta Mercantil – 23/06/2008 – por Sheila Horvath


CARNAVALHA: SURREALISMO E CARNAVALIZAÇÃO NO NOVO ROMANCE DE NILTO MACIEL

terça-feira | 24 | junho | 2008


De 1974 até agora, Nilto Maciel publicou dezenove livros de ficção e apenas um de poemas. O romance e o conto, conforme se pode observar, evidenciam as predileções do Autor, em seu longo itinerário de 33 anos nos domínios da literatura. Quem já leu seus livros de ficção terá notado, certamente, o cuidado do ficcionista na escolha dos nomes de seus personagens. Não seria nenhum despropósito pensar na elaboração de uma nomenclatura para todos esses figurantes que trafegam nas páginas de seus romances e histórias curtas. Zuza, Pedro Cabral, Eurico, Jesonias, Otávio, Noé, Alessandra, Cátia, Márcia, Aluísio, Orlando, Joice, Cida, Eleide, Cynthia, Ocelo e tantos e tantos outros que despertam a atenção do leitor para esse aspecto importante da carpintaria dos romances. Até os cachorros de Palma foram homenageados com apelidos que se destacam pelo seu ineditismo e originalidade: Alão, Brochote, Cafoto, Dentola etc.

O livro começa com a notícia da chegada de alguns rapazes e moças procedentes de Brasília. Eram funcionários públicos que vinham para as festas carnavalescas de Palma, cidade utópica criada pela imaginação de Nilto Maciel para o desenrolar dos acontecimentos do seu universo ficcional. Palma não deixa de evocar a legendária Macondo, palco das histórias fantásticas de Gabriel Garcia Márquez, em seu caudaloso romance Cem Anos de Solidão. Na página 15, o inusitado mostra o seu feitiço: “O galo cantou estridentemente. As galinhas correram, espantadas. Uma revoada de andorinhas encheu o céu dos quintais”. Só faltou acrescentar que ventos diluviais arrebataram crianças que sonhavam com os anjos enquanto dormiam.

A ficção de Nilto Maciel nos coloca no centro de uma realidade fantástica, que nos leva às portas do surreal. Uma atmosfera de sonhos e pesadelos permeia as narrativas do romance. Seus capítulos, predominantemente curtos, exploram os conteúdos, sob perspectivas oníricas, das temáticas desenvolvidas no livro. Numerosos personagens contribuem com depoimentos pessoais para o desfecho das narrativas. Mas essa contribuição, eivada de contradições enigmáticas, paradoxalmente só fazem aprofundar ainda mais os mistérios em torno dos acontecimentos. A cidade e seus habitantes passam a impressão de atores de um filme de mistério conduzido por um diretor voluntarioso, que parece se divertir com seu elenco de fantoches.

Na página 96, uma sucessão de fatos provoca calafrios no leitor. Um dos gatos que farejam pássaros numa árvore começa, de repente, a crescer aos olhos de Jacinta. Enquanto outros felinos fugiam daquela visão aterradora, o gato assumia as proporções de um tigre, “abria a boca e avançava lentamente, ameaçador”. Juarez, marido de Jacinta, tentou dar cabo do animal, mas “a fera estraçalhava Juarez”. Como se observa, a leitura dessa narrativa exige do leitor um mínimo de conhecimento acerca do simbolismo de que se revestem certos aspectos do cotidiano. Pode-se afirmar, sem risco de equívoco, que o simbolismo está presente em grande parte da expressão literária do todos os tempos. E até mesmo nos atos mais rotineiros da vida das pessoas, sem que elas se dêem conta desse fato.

Em “Rodopio de moedas” (p. 97), Nilto Maciel volta a usar das mesmas estratégias insólitas para despertar a imaginação do leitor. A conhecida frase de Shakespeare (“Há muita coisa entre o céu e a terra a que não chega a nossa vã filosofia”) nunca foi tão justificada como nas páginas desse romance do escritor cearense. Suas narrativas são vertentes de onde jorram mistérios e enigmas da raiz das palavras. Bastou que uma ave fincasse “as unhas no telhado da casa de Quincas” para que fatos estranhos à lógica do senso comum começassem a acontecer entre Juarez e sua mulher. Moedas e cédulas, sacudidas por ventos misteriosos, vindos não se sabe de onde, caíam da mesa e espalhavam-se pelo chão. Tentavam alcançá-las, mas não o conseguiam. Como se mãos invisíveis os impedissem de tocá-las. Algo parecido com as artimanhas do diabo. Na tentativa de recuperar as moedas e cédulas, “Quincas estatelava-se feito um jarro de porcelana”.

A narrativa da página 27 evoca certas estratégias de Kafka. Da troca de palavras entre Gilberto, Jesonias, Aluísio e Orlando, fica-se com a impressão de que os personagens viajam no porão de um navio que fosse para a Atlântida ou, talvez, para a eternidade. A mesma densidade impenetrável envolve os diálogos obscuros. Lá pelas tantas, Gilberto produz esta frase de significado ambíguo: “Estou com viagem marcada para lá, numa expedição de alto risco”. Aluísio vomitava. “De sua boca saíam pequenos sapos, ratos, baratas. Gilberto se apavorava e também ia ao solo” (128).

Carnavalha não é, seguramente, livro de estrutura linear. Precisa ser lido com o faro de quem procura fragmentos de ouro numa peneira de cascalho. Todas as narrativas exigem leituras plurais, precisam atingir a profundidade das camadas estilísticas onde se encontram os veios simbólicos. A realidade desses escritos de Nilto Maciel é de outra índole. São realidades submersas que não se acham à flor da pele nem tampouco na superfície das palavras. Palma é uma cidade utópica onde criaturas utópicas fingem ter os mesmos defeitos e virtudes das pessoas de carne e osso. Ao leitor cabe decifrar os códigos desta linguagem que nos fala de um mundo possível para os que já nasceram condenados à morte. Ou por imprudência ou por todos os males a que estamos sujeitos. A única expectativa que nos acena é a certeza de que “Não se pode morrer na metade do quinto ato” de alguma peça de Ibsen.

Os interessados na aquisição do livro podem fazer pedido também ao escritor: niltomaciel@uol.com.br . O preço do exemplar é R$20,00 (vinte reais).

NILTO MACIEL nasceu em Baturité, Ceará, em 1945. Ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará em 70. Criou, em 76, com outros escritores, a revista O Saco. Mudou-se para Brasília em 77, regressando a Fortaleza em 2002. É editor da revista Literatura desde 91. Obteve primeiro lugar em alguns dos grandes concursos do país, como: Brasília de Literatura, promovido pelo Governo do Distrito Federal, com A Última Noite de Helena (romance) em 1990, Graciliano Ramos, promovido pelo Governo do Estado de Alagoas, com Os Luzeiros do Mundo (romance) em 1992; Cruz e Sousa, promovido pelo Governo do Estado de Santa Catarina, com A Rosa Gótica (romance) em 1996; Bolsa Brasília de Produção Literária, com Pescoço de Girafa na Poeira (conto) em 1998; Eça de Queiroz, União Brasileira de Escritores, Rio de Janeiro, com Vasto Abismo (novela) em 1999; VI Prêmio Literário Cidade de Fortaleza, Fundação Cultural de Fortaleza, com o conto Apontamentos Para Um Ensaio; IV Edital de Incentivo às Artes da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará na categoria de pesquisa em Literatura Cearense, em 2007. É autor de Itinerário (contos, 1974); Tempos de Mula Preta (contos, 1981); A Guerra da Donzela (novela, 1982); Punhalzinho Cravado de Ódio (contos, 198); Estaca Zero (romance, 1987); Os Guerreiros de Monte-Mor (romance, 1988); O Cabra que Virou Bode (romance, 1991); As Insolentes Patas do Cão (contos, 1991); Os Varões de Palma (romance, 1994); Navegador (poemas, 1996); Babel (contos, 1997); Panorama do Conto Cearense (ensaio, 2006) e A Leste da Morte (contos, 2006). Tem contos e poemas publicados em esperanto, espanhol, italiano e francês. O Cabra que Virou Bode foi transposto para a tela (vídeo), pelo cineasta Clébio Ribeiro, em 1993.
>> VERDES TRIGOS – por Francisco Carvalho


Sociedade da Caveira de Cristal

terça-feira | 24 | junho | 2008

Sociedade da Caveira de Cristal


REVISITANDO A BIBLIOTECA DE BABEL

segunda-feira | 23 | junho | 2008

No livro Ficções o escritor argentino Jorge Luis Borges materializa no breve conto A Biblioteca de Babel um universo infinito de livros distribuídos por prateleiras, estantes, salas e andares que conteriam todas as combinações possíveis de letras em suas páginas e onde todas as obras imagináveis e inimagináveis estariam arquivadas.

Hoje nós temos uma nova Biblioteca de Babel que se espalha pela internet e a cada dia nos revela novas obras ou ainda outras esquecidas no tempo. Um blog recente e um site e nos abrem as páginas ilustradas de livros e revistas que antes só poderíamos esperar encontrar em um centenário sebo londrino ou na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.

O blog Golden Age Comic Book Stories vem dedicando-se em suas atualizações diárias a apresentar histórias em quadrinhos, ilustrações, cartazes e capas de revistas que são de uma outra era de artistas e que merecem ser conhecidos pela qualidade e originalidade de seu trabalho.

Ali podemos ver obras de desenhistas famosos junto a outras de autores pouco conhecidos: capas das revistas Famous Monsters, Weird Tales, Crime e Shock SuspenStories; pin-ups de Enoch Bolles e Olivia; ilustrações clássicas de N. C. Wieth, Franklin Booth e Alphonse Mucha; desenhos para livros infantis de Jessie Wilcox Smith e Kay Nielson; histórias em quadrinhos de terror, aventura e ficção-científica dos anos 1940/1950; os belos desenhos de Jules Guérin retratando o Oriente Próximo e dos castelos da França; Tarzan nas páginas coloridas de Burne Hogarth e nos bicos-de-pena de Reed Crandall; uma extensa pesquisa pictórica de como Hollywood retratava os orientais em seus filmes; O Sombra de Michael Kaluta; HQs dos primórdios da revista MAD; as estranhas ilustrações de Hannes Bok e Virgil Finlay utilizando a técnica de pontilhismo para obras de ficção-científica.

Descobrimos curiosidades, como uma HQ sobre Pearl Harbor e que mostra Uncle Sam como super-herói, com barba branca e cartola, que foi publicada meses antes do ataque japonês, ou ilustrações de Harold Foster (o criador do Príncipe Valente) para anúncios de uma rede ferroviária.

Embora a maioria dos posts apresente material criado na primeira metade do século passado, o blog tem também obras de grandes nomes da ilustração e HQ mais atuais, como Frank Frazetta, Berni Wrightson, Jeffrey Jones, Alex Nino e do inovador e prematuramente falecido Vaughn Bodé.

Já o site Barnacle Press é dedicado às histórias em quadrinhos norte-americanas do início do século passado, quando tudo ainda era muito novo e as convenções gráficas e narrativas estavam sendo estabelecidas. Em milhares de páginas de mais de duzentos personagens podemos rever nossos velhos conhecidos, como Os Sobrinhos do Capitão e Pafúncio, ou conhecer muitas outras HQs com nomes sugestivos como: Joe and Asbestos, Economical Bertie ou Our Antediluvian Ancestors.

E essas são apenas algumas das obras e imagens que estão ao nosso alcance nessa Biblioteca de Babel que nem Borges pôde imaginar.

P.S.: Um outro blog interessante foi criado apenas para a revista Mystery Tales nº. 40, que se tornou personagem do seriado Lost em seu episódio 11. Nele podemos fazer o download das HQs que recheiam as páginas dessa misteriosa revista de 1956.
>> TERRA MAGAZINE – por Claudio Martini

Achados. Quadrinhos em que Tio-Sam é super-herói produzido pouco antes do ataque de Pearl Harbor é veiculado na internet


ARQUIVO X TERÁ BOX ESPECIALÍSSIMO

segunda-feira | 23 | junho | 2008


Prepare-se, ardoroso fã de aliens: tem mais Arquivo X chegando para você. E você também, que não conhece nada sobre a série de ficção científica mais famosa do mundo todo, poderá com esse box entrar de cabeça nessa febre mundial. A novidade vem no mesmo mês da estréia do segundo filme, chamado Arquivo X – Eu Quero Acreditar. Para ter toda a obra de Chris Carter na sua casa, está aí a pedida.

Dia 08 de julho de 2008 será um grande dia, com o lançamento de Arquivo X Essencial, um box contendo 4 DVDs com dois episódios cada um. Tais episódios foram escolhidos à dedo pelo próprio Chris Carter, criador da série, e servirão como base de revisão para quem já manja tudo sobre a série, ou como um informativo bem encorpado para quem está começando a curtí-la agora. Além disso, haverão vários extras, que você confere abaixo, junto da sinopse de cada episódio, da data de lançamento e do preço sugerido:

DISCO UM

Arquivo X (Piloto) – 1ª Temporada
Uma jovem agente do FBI recebe como tarefa espionar um colega agente, mas descobre que se sente atraída por suas investigações dos fenômenos paranormais e inexplicáveis.

O Vidente – 1ª Temporada
Scully acredita nas premonições psíquicas de um condenado à morte que parecem ser a única esperança para conseguirem prender um perigoso assassino.

DISCO DOIS

O Hospedeiro – 2ª Temporada
Mulder e Scully perseguem um estranho ser, resultado de uma monstruosa mutação genética, cujo habitat é o sistema de esgotos de New Jersey.

O Repouso Final de Clyde Bruckman – 3ª Temporada
Ao seguir a pista de um assassino em série, os agentes recebem a ajuda de um vidente que prediz a morte de Mulder.

DISCO TRÊS

Lembranças Finais – 4ª Temporada
Scully tenta se reconciliar com seu câncer incurável, enquanto Mulder e os Pistoleiros Solitários invadem um laboratório de pesquisa protegido por forte esquema de segurança para encontrar a cura que pode salvar a vida de Scully.

Prometeu Pós-Moderno – 5ª Temporada
Durante a investigação da aparição de uma aberração da natureza em uma cidadezinha do interior, os agentes descobrem uma perigosa experiência genética que saiu completamente de controle.

DISCO QUATRO

Vampiros – 5ª Temporada
Durante a investigação de mortes de cabeças de gado por extração de sangue, os agentes descobrem um culto a vampiros em uma pequena cidade do Texas.

Milagro – 6ª Temporada
Um escritor vizinho de Mulder torna-se o suspeito principal de uma série de assassinatos.

EXTRAS:

Disco 1: Introdução aos episódios, trailer WonderCon, entrevista WonderCon*.
Disco 2: Introdução aos episódios
Disco 3: Introdução aos episódios
Disco 4: Introdução aos episódios, trailer da série

*Entrevista Wondercon – 38 minutos de entrevistas com Gillian Anderson, David Duchovy, Frank Spotnitz e Chris Carter, discutindo sobre o novo filme e respondendo diversas perguntas dos fãs.

Especificações Técnicas:- Formato de tela: 4×3 e 16×9, dependendo do episódio.
- Idiomas: inglês e espanhol 2.0 estéreo
- Legendas: inglês, espanhol e português
- Duração: aproximadamente 45 minutos cada episódio

Preço sugerido: R$ 49,90
Data de lançamento: 08 de julho de 2008
>> HERÓI – por Rafael Arbulu


“STAR WARS – THE CLONE WARS”: ANIMAÇÃO TEM ESTRÉIA ANTECIPADA NO BRASIL

segunda-feira | 23 | junho | 2008

Animação chega ao Brasil no mesmo dia da estréia nos Estados Unidos

A Warner Bros. Pictures antecipou para 15 de agosto a estréia de Star Wars: The Clone Wars nos cinemas brasileiros. Inicialmente, o lançamento estava previsto para o dia 29 do mesmo mês. Com isso, os fãs da saga de George Lucas terão a oportunidade de assistir ao filme no mesmo dia em que ele estréia nos Estados Unidos.

Em Star Wars: The Clone Wars, os fãs jovens e os mais antigos irão se juntar a seus personagens favoritos, como Anakin Skywalker, Obi-Wan Kenobi e Padmé Amigdala, que agora têm a companhia de novos heróis, dentre os quais a padawan Ahsoka, pupila de Anakin. Sinistros vilões – comandados por Palpatine, Dooku e pelo General Grievous – estão determinados a conquistar a galáxia. Há muito em jogo e o destino do universo de Star Wars está nas mãos dos ousados cavaleiros Jedi, cujas façanhas os levarão às mais emocionantes batalhas e a novas revelações.

O lançamento de Star Wars: The Clone Wars nos cinemas é o começo de todas as novas aventuras de Star Wars, que incluem também uma série animada para a TV a ser exibida nos Estados Unidos pelo Cartoon Network e, em seguida, pela TNT. A série televisiva trará uma nova roupagem para a galáxia muito, muito distante onde se passam as aventuras dos cavaleiros Jedi – combinando o rico universo da saga de Star Wars com arte da animação gerada em computador.
>> ANTIGRAVIDADE – por Maurício Muniz

ASSISTA AO TRAILER


Lenda do mangá

segunda-feira | 23 | junho | 2008

Pouco conhecido pelas novas gerações, Claudio Seto foi o responsável pela introdução do mangá no Brasil. Filho de japoneses, Claudio cresceu lendo as histórias trazidas do Japão até que, um dia, resolveu criar a sua. “Quase todo japonês sabe desenhar. É da cultura”, disse o autor ao Folhateen. Em 1967, o desenhista lançou Samurai, Flores Banhadas de Sangue, considerado o primeiro mangá publicado fora do Japão. Naquela década, os brasileiros acostumados com Batman e Superman achavam o estilo bem esquisito. “Tentei desenhar como nos gibis ocidentais, mas não consegui.” Em seu novo livro, Lendas do Japão (Devir/Jacarandá, 128 pp., R$ 32), estão reunidas 15 lendas inspiradas na história antiga do país. As narrativas são ricas em simbolismos do budismo e referências ao confucionismo. >> Folha de S. Paulo – 23/06/2008 – por Juliana Calderari


Zumbis assombram em HQ de terror

segunda-feira | 23 | junho | 2008

De repente, e sem explicação alguma, há zumbis por todos os lados. Eles são lentos, não pensam e estão mortos, mas são incansáveis e tentam morder humanos, que seriam transformados em novos zumbis. Esse tema, um clássico de histórias de terror, é retomado na série em quadrinhos batizada Os Mortos-Vivos, cujo terceiro volume, Segurança Atrás das Grades (HQM, 148 pp., R$ 29,90), de Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn, acaba de ser lançado no Brasil. Ao retomar o tema de mortos-vivos, Kirkman optou por sair da linha tradicional, em que mocinhos sobreviventes enfrentam monstros malvados. Ele conta a história de pessoas levadas ao limite, que têm que se preocupar não apenas com os monstros que as cercam, mas também com os demais sobreviventes e, claro, com eles próprios. “Os Mortos-Vivos” é uma HQ de horror, com direito a sustos, surpresas e assassinatos. >> Folha de S. Paulo – 23/06/2008 – por Pedro Cirne


COMO FOI A MESA-REDONDA SOBRE FANTASIA

domingo | 22 | junho | 2008


Ao que parece, a mesa-redonda na Livraria Cultura do Shopping Market Place no último dia 14 de junho foi o tiro de largada de uma verdadeira maratona de eventos e lançamentos que acontecem entre junho e julho deste ano, principalmente em São Paulo.

O tema deste encontro foi a Fantasia, com os participantes aparentemente desistindo de discutir seus rumos, como tentou o painel “Novos Rumos da Ficção Científica Brasileira”, que aconteceu no mesmo local em 29 de março.

Os participantes da nova jornada foram Ana Cristina Rodrigues como a moderadora (ela é a atual presidente do Clube de Leitores de Ficção Científica); os editores Rogério de Campos, da Conrad, Delfin, da Aleph, e Gianpaolo Celli, da Tarja Editorial; e os escritores Orlando Paes Filho e Claudio Villa; além de Silvio Alexandre, o organizador do Fantasticon 2008. Na platéia, gente como os escritores André Vianco, Martha Argel, Giulia Moon, Cristina Lasairis, e Renato Azevedo, e o crítico e colunista de Terra Magazine, Antonio Luiz M.C. Costa.

Em comparação com a primeira mesa-redonda, esta foi mais dinâmica, mais descontraída. A mediadora flexibilizou a regra dos cinco minutos, tornando as intervenções mais aprofundadas. O encontro foi apresentado como um “aquecimento” para o Fantasticon, que ocorre nos dias 5 e 6 de julho.

O primeiro a falar foi Silvio Alexandre, que tentou colocar uma série de questões quanto à inserção da fantasia no Brasil. Faz sentido haver fantasia medieval brasileira, considerando que o país não existia na Idade Média? Ele crê que sim, e aponta as tradições do cordel e da cavalhada como registros da influência medieval sobre nossa cultura. Um exemplo mais literário seria Ariano Suassuna e o seu Movimento Armorial. Que tipo de fantasia se pode fazer por aqui, então? Aquela calcada em J.R.R. Tolkien? Vale tudo, mesmo a imitação? Haveria uma oposição entre nacionalismo e universalismo.

A seguir, Rogério de Campos fez questão de frisar que a Conrad não é uma editora de fantasia, que ela publica circunstancialmente. A idéia da editora é publicar o que não se encontra facilmente no Brasil, com um pendor para obras que desafiem o mainstream. A fantasia é esquisita e marginal o suficiente para caber na proposta editorial, mas ele não publica “sub-Tolkien” nem “sub-Harry Potter”. Ele não gosta de ficção científica previsível e acha que a fantasia deveria ser espaço de teste de idéias, não a fantasia de clichês ou do tipo compensatória de frustrações adolescentes.

Gianpaolo Celli é um interessado em mitologia, e citou Joseph Campbell, autor de O Herói de Mil Faces. Para Celli, a importância da fantasia está em motivar o intelecto. Não obstante, o gênero é visto como infantil e escapista. Em termos editoriais brasileiros, “o cinema abriu as comportas”, segundo ele, e colocou a Tarja em busca de novos talentos.

O gaúcho Delfin, coordenador editorial da Aleph, começou afirmando que não se criou no fandom, mas tem a mente aberta. Pegando a deixa de Celli, argumento que talvez a fantasia seja considerada uma subliteratura por causa de sua adesão freqüente a fórmulas. Apontou Jorge Luis Borges, Julio Cortázar e Murilo Rubião como autores de literatura fantástica com status literário, e se dispôs, na Aleph, a abordar o público em geral, e não apenas aquele sedimentado no fandom. A Aleph irá publicar fantasia a partir de 2009, e Delfin mencionou especificamente três antologias a serem editadas por Silvio Alexandre.

Orlando Paes Filho, um best-seller da fantasia nacional, disse que seus romances pendem mais para a ficção histórica. Ele foi humilde e afirmou ser, aos 46 anos, um escritor em processo de amadurecimento. Com seus livros ele se dirige ao público jovem, buscando comunicar valores. Comentou então que para ele “fantasia” são Wall Street e os bancos brasileiros, e surpreendeu ao descrever uma reunião na Disney, tentando vender a série Angus para o cinema, e tendo que enfrentar os comentários comerciais e redutivos das “peruas da Disney”, que perguntaram se ele tiraria o elemento religioso (central em seus livros). Ele foi taxativo e acabou perdendo seu agente literário. Na sua experiência, o que o mainstream vende é a futilidade.

Uma observação interessante, que contrapõe à visão da fantasia como escapismo, aquela visão mais tolkieniana da fantasia como uma fuga das fantasias financeiras e comerciais que norteiam nossas vidas.

Falando por último (as falas foram por ordem alfabética do último nome), Cláudio Villa afirmou não ser um estudioso da fantasia, e que seu aprendizado tem sido por tentativa e erro. Seu modelo literário é Frank Herbert, o autor da série Duna. Villa é autor do romance Pelo Sangue e pela Fé, edição do autor financiada pela venda de um automóvel que ele possuía. Livreiro, Villa admitiu que em geral o profissional da área é conservador e que o público leitor prefere ficção estrangeira. Isso começa a mudar agora, assim como a noção, prevalecente nas livrarias, de que fantasia é igual a infanto-juvenil. Acha que é possível escrever fantasia medieval brasileira, mas se pergunta como, e admitiu a possibilidade de elfos na floresta tropical, ou que talvez fosse possível se escrever uma fantasia sobre o período colonial brasileiro, algo que ele tem tentado. Rogério de Campos interveio, afirmando, em tom de brincadeira, que “elfos não comem banana!”.

Mantendo no ar a mesma peteca, Orlando Paes contou de uma mesa no Rio de Janeiro em que dois espanhóis exigiram que ele se retirasse, porque o Brasil não teve Idade Média. O brasileiro logo emendou que foi “por isso que os espanhóis apanharam tanto nas Cruzadas”. Essa evidência de eurocentrismo nos estudos medievalistas (embora a questão fosse literária) foi corroborada pela medievalista Ana Cristina Rodrigues, que já passou por situações semelhantes.

Rogério de Campos, ecoando a fala de Silvio Alexandre, observou que há aspectos da Idade Média na literatura de Ariano Suassuna e de Guimarães Rosa, e apontou a falta de ambição dos autores brasileiros. Villa pegou o bastão e observou que muitos autores novos começam sua aventura literária com trilogias e tetralogias, sem estarem devidamente amadurecidos. Recomendou que escrevam contos antes.

O debate esquentou quando Roberta, uma jovem presente na audiência, perguntou a respeito de que valores a fantasia pode comunicar, perante o cinismo da sociedade atual. Paes disse que sua ficção transmite valores cristãos, combativos, e surpreendeu novamente, agora por sua veemência ao condenar a política nacional. Faria, “sem problemas, uma Cruzada contra Brasília”.

Villa acha que a fantasia é apropriada para comunicar valores como honra e amizade e os dramas em torno de perdas e da morte. Celli retomou a questão da jornada do herói, e sua função de mostrar que é possível ser honrado, dentro de uma postura individualista. E disposto a polemizar com Paes, Campos brincou, dizendo que, como editor, pensa nos valores que quer tirar dos compradores dos seus livros – mas como ateu, citou Alan Moore e Valerio Avangelisti, dois autores que ele publicou, e que militam contra a moral cristã, em suas obras. Citou Marcuse, o pensador marxista da Escola de Frankfurt: a revolução só ocorre a partir da crença de que a vida vale ser vivida, que ela pode ser melhor, e que a pessoa pode torná-la melhor. Moore e Evangelisti, entre outros, fariam o leitor entender essa perspectiva.

Delfin também evocou o poder questionador da literatura, mas disse que a presença de uma “moral” da história enfraquece o valor da obra. A literatura deve problematizar, e trazer o novo, novas visões, para avançar contra a estagnação.

O debate derivou, por intervenção de André Vianco – o maior best-seller brasileiro da literatura de horror – para a questão do livro como produto. Villa e a mediadora acreditam que o problema maior é ver o produto antes da obra. Quando o livro é uma realidade, não há como escapar da questão de como vendê-lo ao editor e ao público.

Enfim, perdeu-se muito tempo com uma outra questão surgida da audiência, a dos cursos universitários de escrita literária. Na platéia estava um jovem que participa do curso de pós-graduação lato sensu em escrita montado por Gabriel Perissé. A maioria dos membros da mesa achou estranha a idéia de um escritor “com diploma”, metáfora desastrada mas muito repetida no debate.

É claro que ninguém terá na parede um diploma “de escritor”, mas sim um bacharelado ou pós-graduação em “escrita criativa”, “criação literária” ou seja lá como esse tipo novo de atividade acadêmica vem sendo chamado no Brasil. Nos EUA e Inglaterra os cursos de escrita criativa são comuns e estabelecidos há décadas, com as suas respectivas saídas para os mundos acadêmico, editorial e literário – seus formandos não apenas se formam como escritores, mas como acadêmicos habilitados a multiplicar cursos e oficinas e a pensar a literatura de forma diferente da tendência hegemônica da teoria e do historicismo que temos no Brasil. Por aqui eles ainda são novidade – e já levando pedrada de críticos, jornalistas e escritores -, mas deve ser só questão de tempo até que as primeiras turmas encontrem os seus nichos e passem a atuar, com prestígio, igual, maior ou menor do que seus congêneres internacionais em seus respectivos países.

Afinal, a idéia do gênio solitário e outra fantasia daquelas apontadas por Orlando Paes Filho – que, aliás, conhece Perissé e apóia a idéia, dentro da chave da relação mestre-aprendiz, que nós perdemos nessa era do astro instantâneo da literatura e da ausência de movimentos literários reais.
>> TERRA MAGAZINE – por Roberto Causo


LANÇAMENTO DO ROMANCE “KARA & KMAM – UMA SAGA DE ALMA E SANGUE”

domingo | 22 | junho | 2008

Novo livro de Nazarethe Fonseca será lançado nesta Sexta-feira, dia 04 de Julho de 2007, às 18 horas, no Bardo Batata (Rua Bela Cintra, 1333 – SP).

Melhor do que revisitar antigos personagens é poder dar a eles uma nova vida, mais detalhes e, acima de tudo, muito mais força e carisma. É o que Nazarethe Fonseca fez em sua nova obra, com Kara Ramos e Jan Kmam, o casal de vampiros mais complexo e apaixonante dos últimos séculos.

Neste livro, fica clara a referência aos vampiros clássicos, como o de Bram Stocker, que são jogados em um caldeirão de romantismo digno dos protagonistas de Francis Ford Copolla. Para quem espera algo leve, este é o livro errado, pois a intriga e o terror se entrelaçam como ervas daninhas ao romance dos casal.

Envolvente, atual e real. Acima de tudo, assustadoramente real. É isso o que você pode esperar deste romance. Sinta-se à vontade para entrar na vida de Kara e Kmam. O risco é inteiramente seu!

A trama: Um casal de vampiros se vê em meio a uma grande rede de intrigas, perigos e poder. Sua existência é regada a doses vertiginosas de romance e sedução, do tipo que somente as criaturas da noite são capazes de criar. E, como não poderia deixar de ser, igualmente permeada de interesses, jogos de poder e vingança. Os protagonistas da trama já são velhos conhecidos dos amantes dos vampiros: surgiram aos milhares nos velhos séculos e suas histórias foram contadas em Alma e Sangue, o despertar do vampiro. Agora ressurgem com muito mais paixão e fascínio para dar continuidade a esta saga de alma e sangue.

Nazarethe Fonseca nasceu em São Luís, no Maranhão. Leitora voraz desde a infância, manteve o hábito de devorar seus livros na calada da noite. Sua paixão pelo soturno passou a abraçar os filmes, as músicas e tudo com uma capacidade inerente de gerar a atmosfera fascinante do sobrenatural. Como predestinação, os vampiros foram os personagens que mais marcaram esse prazer, fazendo aflorar a arte das letras, que a autora exerce desde seu primeiro romance: Alma e Sangue, o Despertar do Vampiro. Agora, traz volta Kara e Kman em uma nova saga de alma e sangue.


FNAC LANÇA PRÊMIO DE ESTÍMULO A NOVOS TALENTOS

sexta-feira | 20 | junho | 2008

Em sua primeira edição, o Prêmio Fnac Novos Talentos será dedicado à área de Quadrinhos. Os três primeiros colocados serão premiados com equipamentos e prêmio em dinheiro e terão suas obras publicadas.

A Fnac lança um prêmio de estímulo a jovens estudantes abraçarem uma profissão nas áreas de literatura, artes visuais e música. A cada ano, o Prêmio Fnac Novos Talentos será voltado a uma área cultural diferente e, nesta sua primeira edição, será dedicado às Histórias em Quadrinhos. Segundo Pierre Courty, diretor geral da Fnac Brasil, “uma de nossas missões, da qual muito nos orgulhamos, é incentivar a descoberta e a criação, revelando novos talentos e apoiando a produção artística”.

O júri desta edição é composto pelo cartunista Angeli, pelo pintor e cartunista Zélio (um dos fundadores do Pasquim e do Salão de Humor de Piracicaba, irmão do Ziraldo) e pela cantora Fernanda Takai (vocalista da banda Pato Fu). Um júri popular apontará os 20 melhores trabalhos. A curadoria é de Silvio Alexandre (membro da Comissão Organizadora do Troféu HQMIX). As obras concorrentes devem ser criadas sob o tema “Infinita Diversidade em Infinitas Combinações”.

A cada edição do prêmio um padrinho será convidado e “apadrinhará” o vencedor. Ele participará da comissão julgadora e também promoverá um encontro com o ganhador a fim de mostrar como é o dia-a-dia de um profissional da área. Para esta edição foram escolhidos os gêmeos dos quadrinhos, criadores da série 10 Pãezinhos, Gabriel Bá e Fábio Moon, premiados por suas histórias cativantes, traços finos e boa construção de personagens.

O vencedor será premiado com a publicação de um livro pela editora Devir e ganhará R$ 5 mil, um super computador, monitor, tablet, impressora, scanner, softwares, além de outros materiais que o ajudarão na sua profissão. Os segundo e terceiro lugares terão histórias publicadas na revista Pixel. O segundo também ganhará R$ 3 mil, computador, monitor, tablet, impressora, scanner e softwares. O terceiro ganhará R$ 2 mil, tablet e softwares. Também será premiada a escola onde o concorrente está matriculado, que ganhará um computador e uma coleção de 100 títulos de quadrinhos para incrementar sua biblioteca.

Os participantes têm que ter pelo menos 16 anos de idade e ser estudantes, tanto em nível médio quanto superior ou mesmo curso livre, dos cursos de artes gráficas ou visuais, desenho, design, HQ, ilustração e literatura. As inscrições devem ser feitas somente através do site http://www.fnac.com.br/premiofnacnovostalentos, no período de 1° de julho a 30 de agosto de 2008. Neste mesmo endereço, já está disponível todo o regulamento. Após preencher a ficha de inscrição, os candidatos devem fazer o upload da obra concorrente, com os seguintes pré-requisitos: apenas uma folha, no tamanho A4, digitalizadas no tamanho 1024 x 1325 pixels (horizontal ou vertical), modo de cor RGB, em arquivo JPEG de, no máximo, 1MB. Os resultados serão divulgados em outubro deste ano.

O tema “Infinita Diversidade em Infinitas Combinações” é uma homenagem à série Jornada nas Estrelas, criada por Gene Roddenbery, e é a base da filosofia vulcana (uma das principais raças da série), que deseja transmitir a idéia de inúmeras possibilidades, sempre com espaço para novas idéias. A proposta é que devemos reconhecer e aceitar nossas diferenças e combiná-las para podermos crescer. Fala do diferente, da aceitação do outro, da inclusão e da não-discriminação. A tolerância como princípio, onde as diferenças entre indivíduos não devem afetar, mas antes promover a sintonia das sociedades humanas. Este tema resume o compromisso Fnac com a diversidade e a igualdade. Entretanto, para efeito de julgamento, o ambiente e personagens de Jornada nas Estrelas devem ser evitados nas obras inscritas. O participante deve demonstrar capacidade de criação, de apresentação e desenvolvimento do tema, assim como domínio de técnica e particularidade no traço.

Sobre a Fnac
A Fnac, a maior rede européia de lojas de produtos de cultura e informação, presente há nove anos no Brasil, tem um mix de produtos único no mundo: livros, CDs, DVDs, equipamentos de áudio, vídeo, telefonia, fotografia, informática, games e serviços. Atualmente, são sete lojas no Brasil, três em São Paulo (Fnac Paulista, Fnac Pinheiros e Fnac Morumbi, no MorumbiShopping), uma em Campinas (Shopping Parque Dom Pedro), uma no Rio de Janeiro (Barra Shopping), uma em Curitiba (Park Shopping Barigui) e outra em Brasília (Park Shopping), além do site http://www.fnac.com.br. Fundada há mais de 50 anos na França, a rede Fnac tem 131 grandes lojas na França, Suíça, Espanha, Portugal, Itália, Bélgica, Grécia e Brasil.


CHEGARAM AS FIGURINHAS DA NOVELA “CAMINHOS DO CORAÇÃO”

sexta-feira | 20 | junho | 2008

A Panini acaba de lançar em bancas de todo o país o álbum de figurinhas baseado na novela Caminhos do Coração, da Rede Record.

O livro ilustrado Caminhos do Coração tem 36 páginas no formato 27,5 cm x 20,5 cm e custa R$ 3,00. Cada envelope vem com três “fotocards” – figurinhas com fotos dos personagens da novela – e custa R$ 0,80. São 64 fotocards no total, medindo 10 x 15 cm cada.

“O sucesso da novela estimulou o lançamento deste produto. Acreditamos que esta coleção atingirá o mesmo sucesso da novela, já que o espectador/leitor poderá colecionar os personagens da trama”, afirma o diretor de marketing da Panini, Marcio Borges.

A novela Caminhos do Coração estreou em agosto do ano passado, escrita por Tiago Santiago e dirigida por Alexandre Avancini. A trama começa quando um cientista do Guarujá consegue alterar embriões geneticamente e criar seres humanos mutantes.

Vale lembrar que a novela entrou no começo deste mês em uma nova fase e mudou de nome. Passou a se chamar Os Mutantes – Caminhos do Coração e vai ao ar de segunda a sábado, às 20h40, no canal Record.
>> HQ MANIACS – por Andréia Pereira


Encarnação do Demônio, de José Mojica Marins

sexta-feira | 20 | junho | 2008

Encarnação do Demônio

Após 40 anos preso, Zé do Caixão é finalmente libertado. De volta às ruas, o coveiro sádico está decidido a cumprir a meta que o levou à prisão: encontrar a mulher que possa gerar seu filho perfeito. Em seu caminho pela cidade de São Paulo ele deixa um rastro de horror, enfrentando leis não naturais e crendices populares. Terceira parte da trilogia de Zé do Caixão iniciada em 1964 com o clássico À Meia-Noite Levarei sua Alma.

“A encarnação do demônio representa a vitória de uma saga contra o sistema estagnado na mesmice. Atravessei todos os estágios do absurdo da alma humana. Já fui mal compreendido, mal interpretado e tido como representante da geração maldita. Mas foi com imenso prazer que concretizei esta trilogia. Encarnação do Demônio representa a essência de Zé do Caixão, discutindo valores históricos e culturais. Dennison Ramalho, co-roteirista, Paulo Sacramento e os irmãos Gullane foram imprescindíveis para esta concretização. Encarnação do Demônio é a bíblia do terror, representa uma missão cumprida, uma lição de vida”, relata o cineasta José Mojica Marins.

TRILOGIA ZÉ DO CAIXÃO

1964 – À Meia-Noite Levarei sua Alma.
1967 – Esta Noite Encarnarei em seu Cadáver
2008 – Encarnação do Demônio

Ficha Técnica

Brasil, 2008 – 90 min, 35mm

Direção: José Mojica Marins
Roteiro: Dennison Ramalho e José Mojica Marins
Direção de Fotografia: José Roberto Eliezer, ABC
Direção de Arte: Cassio Amarante
Montagem: Paulo Sacramento
Música: André Abujamra e Marcio Nigro
Som Direto: Louis Robin
Edição de Som: Ricardo Reis e Miriam Biderman, ABC
Mixagem: Armando Torres Jr.
Cenografia: Fábio Goldfarb
Figurino: David Parizotti
Produção de Elenco: Alessandra Tosi
Coordenação de Pós Produção: Fran Mosquera
Produção Executiva Paulo Sacramento, Caio Gullane e Fabiano Gullane
Produção: Paulo Sacramento, Debora Ivanov, Caio Gullane e Fabiano Gullane Produtor Associado: Patrick Siaretta e Paulo Ribeiro
Co-Produzido: Gabriel Lacerda

MAIS SOBRE O FILME: http://www.encarnacaododemonio.com.br


Harry Potter quebra 400 milhões em vendas

sexta-feira | 20 | junho | 2008

Os números de vendas da série Harry Potter estiveram durante muito tempo mais encolhidos do que a maioria de outros livros, com exceção obviamente da Bíblia, mas com a notícia de que as histórias mágicas de JK Rowling já superaram 400 milhões no mundo todo, parece possível que o menino bruxo possa se recuperar do atraso. De acordo com o agente de Rowling, Christopher Little, os sete livros de Harry Potter até agora foram traduzidos para 67 línguas, acumulando o número de 400 milhões desde a publicação do primeiro livro da série, Harry Potter e a pedra filosofal, em 1997. Apesar do furioso ritmo de vendas, Harry Potter ainda terá trabalho para alcançar a Bíblia, que, segundo o livro Guinness dos Recordes, tem 2.5 bilhões de cópias vendidas desde 1815, e foi traduzido para 2.233 línguas e dialetos. Seria mais provável para Rowling alcançar o Mao Zedong’s Little Red Book, que tem 900 milhões de exemplares vendidos, mas que estão com as vendas abrandando. >> The Guardian – 18/06/2008 – por Guy Dammann


TOLKIEN NO FAR-WEST DO FUTURO

quinta-feira | 19 | junho | 2008

Acabei de ler um livro que me deixou pensativo: The Gunslinger, o primeiro volume da série “The Dark Tower”, escrita pelo subestimado Stephen King. São sete enormes livros que King começou a escrever em 1970 e concluiu no ano passado, ou seja, 33 anos depois. Diz ele que quando leu O Senhor dos Anéis aos 19 anos teve um impulso imediato de escrever uma história parecida. Centenas de jovens tiveram o mesmo impulso, daí a existência, hoje, do gigantesco mercado de histórias de Fantasia, não só na literatura (Terry Brooks, Stephen Donaldson, Fritz Leiber, George R. R. Martin, Marion Zimmer Bradley, etc.) como no cinema, nos quadrinhos, nos “role playing games”.

A primeira idéia de King foi fazer o que todos fizeram: escrever uma batalha épica entre o Bem e o Mal, com elfos, orcs, dragões voadores, espadas mágicas… Mas ele não se sentia à vontade escrevendo uma fantasia baseada em campônios ingleses e ambientações escandinavas. A revelação lhe veio ao assistir O Bom, o Mau e o Feio, faroeste italiano de Sérgio Leone, e ver “um Clint Eastwood com dez metros de altura” e “um Lee Van Cleef com rugas que pareciam desfiladeiros”. Os dois universos se fundiram em sua mente: “Percebi que o que eu queria escrever era um romance que tivesse o mesmo sentido épico e mágico de Tolkien, mas cuja história acontecesse naquele ambiente do Oeste, majestoso, absurdo.”

The Gunslinger conta a história do pistoleiro Roland de Gilead, e de sua caça ao Homem de Preto, feiticeiro do Mal (uma espécie de Saruman). Ao longo da história vamos percebendo que aquele mundo fica vagamente no futuro. A ambientação é de faroeste, mas aqui-acolá os personagens evocam um passado onde havia grandes cidades, arranha-céus… Das areias do deserto, emergem maquinarias gigantescas e enferrujadas. Ficamos com a sensação de que em algum ponto do século 21 houve o colapso da nossa civilização, e que a humanidade se reorganizou como pôde. Nesse faroeste futurista, existem mutantes radioativos, ferrovias subterrâneas abandonadas, e pianistas de “saloon” que tocam “Hey Jude”. Quem quiser mais informações sobre a série, pode achá-las em: http://www.stephenking.com/DarkTower/.

Não é mais Tolkien, portanto. É uma resposta orgulhosa e viril dos sertanejos norte-americanos à obra de Tolkien, da qual o livro de King guarda aquele mesmo espírito épico, mas traduzido em elementos próprios (o faroeste, a ficção científica). Em “Tolkien e Guimarães Rosa” (14.1.2004) e em artigos nos dias seguintes, comparei estes dois autores, e agora quero colocar Stephen King nessa mesma prateleira. Aquietai-vos, ó críticos: não estou dizendo que King é um estilista comparável a Rosa. Mas ser escritor não é apenas ter estilo, é também ser fabulista, como disse Drummond. King é injustamente chamado de “fast-food” literário, mas para mim seu livro é uma carne-de-sol com macaxeira e um café bem forte, que é como eu gosto dessas coisas.
>> JORNAL DA PARAIBA – por Bráulio Tavares


VEM AÍ… PRÊMIO FNAC NOVOS TALENTOS – QUADRINHOS

quarta-feira | 18 | junho | 2008

SAIBA MAIS EM: www.fnac.com.br/premiofnacnovostalentos


LEIA O CONTO DE “800 PALAVRAS” ESCRITO POR J.K. ROWLING!

terça-feira | 17 | junho | 2008

Um conto de 800 palavras envolvendo o universo Harry Potter, escrito por J. K. Rowling, foi a leilão para revertar o dinheiro para caridade. Ele foi arrematado por US$49 mil! E imediatamente foi disponibilizado no site da livraria Waterstone’s.

A história é sobre Tiago Potter e Sirius Black, que se passa por volta de três anos antes do nascimento de Harry.

O site da livraria Waterstone’s divulgou o texto e o Potterish está trazendo, em primeira mão, a tradução dessa história.

O que esteve dirigindo tinha um longo cabelo preto; sua boa aparência insolente desagradavelmente lembrava a Fisher o namorado vagabundo e guitarrista de sua filha. O segundo garoto também tinha cabelo preto, mas esse era curto e espetado em todas as direções; ele usava óculos e tinha um largo sorriso. Ambos estavam vestindo camisetas com o emblema de um grande pássaro dourado; o emblema, sem dúvida, de alguma banda de rock desafinada e ensurdecedora.

Leiam-na na íntegra clicando em notícia completa e divirtam-se com esse pequeno pedaço inédito do mundo Potter! Vejam também os prints aqui, e fotos do cartão no leilão nesse link.

Muitíssimo obrigado à toda a nossa maravilhosa equipe de tradutores que se disponibilizou a ficar de plantão o dia inteiro!

HARRY POTTER
A história dos Marotos

Waterstone’s ~ JK Rowling
11 de junho de 2008
Tradução: Eduardo Andrade
Revisão: Patricia Abreu

        A motocicleta de corrida fez a curva acentuada tão rápido na escuridão que os dois policiais no carro de perseguição gritaram “Uou!”. O Sargento Fisher forçou seu enorme pé no freio, pensando que o garoto que estava na carona com certeza seria esmagado embaixo de suas rodas; porém, a motocicleta fez a curva sem derrubar nenhum de seus ocupantes, e com uma piscada da sua luz traseira vermelha, desapareceu na apertada rua lateral.

        ― Agora nós os pegamos! – exclamou animado o policial Anderson. – É um beco sem saída!

        Segurando forte na direção e estraçalhando seu câmbio, Fisher destruiu metade da pintura da lataria ao forçar o carro pelo beco na perseguição.

        Lá sob a luz dos faróis estava sentada a presa, finalmente parada após um quarto de hora de caçada. Os dois passageiros estavam emboscados entre uma alta parede de tijolos e o carro da polícia, que agora estava se aproximando deles como um predador rosnando, de olhos luminosos.

        Havia tão pouco espaço entre as portas do carro e as paredes do beco que Fisher e Anderson tiveram dificuldade em se soltar do veículo. Feria a dignidade ter que se arrastar, que nem um siri, até os malfeitores. Fisher arrastava sua generosa barriga pela parede, arrancando botões de sua camisa enquanto ia, e finalmente arrancando o espelho retrovisor com sua parte traseira.

        ― Saiam da moto! – ele gritou para os jovens com sorrisos de desdém, que estavam confortáveis na brilhante luz azul como se estivessem aproveitando.

        Eles fizeram o que lhes foi mandado. Finalmente se livrando do espelho retrovisor quebrado, Fisher os encarou. Eles pareciam estar no fim da adolescência. O que esteve dirigindo tinha um longo cabelo preto; sua boa aparência insolente lembrava desagradavelmente a Fisher do namorado vagabundo e guitarrista de sua filha. O segundo garoto também tinha cabelo preto, mas o dele era curto e espetado em todas as direções; ele usava óculos e tinha um sorriso forçado. Ambos estavam vestindo camisetas com a estampa de um grande pássaro dourado; o emblema, sem dúvida, de alguma banda de rock desafinada e ensurdecedora.

        ― Sem capacetes! – gritou Fisher, apontando de uma cabeça descoberta para a outra. – Ultrapassando o limite de velocidade por… por uma quantia considerável! (De fato, a velocidade registrada tinha sido maior do que Fisher poderia considerar qualquer motocicleta capaz de viajar.) – Não parando para a polícia!

        ― Nós teríamos adorado parar para bater papo, – disse o garoto de óculos. – mas é que estávamos tentando…

        ― Não se faça de esperto, vocês dois estão em uma baita encrenca! – rosnou Anderson. – Nomes!

        ― Nomes? – repetiu o motorista de cabelos compridos. – Er… bem, vamos ver. Existe Wilberforce… Bathsheba… Elvendork…

        ― E o legal desse aí é que você pode usá-lo para um garoto ou uma garota – disse o garoto de óculos.

        ― Ah, os NOSSOS nomes, você quis dizer? – perguntou o primeiro, quando Anderson balbuciou com raiva. – Você deveria ter dito! Esse aqui é Tiago Potter, e eu sou Sirius Black!

        ― As coisas estarão seriamente pretas para você em um minuto, seu insolentezinho…

        Mas nem Tiago nem Sirius prestavam atenção. Eles estavam de repente tão alertas quanto cães de caça, encarando algo atrás de Fisher e Anderson, acima do teto do carro policial, na entrada escura do beco. Então, com movimentos fluidos idênticos, eles colocaram as mãos em seus bolsos traseiros

        No espaço de uma batida do coração, os dois policiais imaginaram armas brilhando na direção deles, mas um segundo depois eles viram que os motociclistas tinham retirado nada mais do que…

        ― Baquetas? – ironizou Anderson. – Um par de piadistas vocês, não são? Certo, estamos prendendo vocês sob a acusação de…

        Mas Anderson nunca chegou a nomear a acusação. Tiago e Sirius tinham gritado algo incompreensível, e os raios de luz dos faróis se moveram.

        Os policiais giraram e depois caíram de costas. Três homens estavam voando – realmente VOANDO – pelo beco em vassouras – e, no mesmo momento, o carro de polícia estava se apoiando em suas rodas traseiras.

        Os joelhos de Fisher falharam; ele sentou com força. Anderson tropeçou nas pernas de Fisher e caiu sobre ele, enquanto ‘flãmp’ – ‘bang’ – ‘cranche’ – eles ouviram os homens nas vassouras baterem no carro levantado e despencarem, aparentemente inconscientes, no chão, enquanto pedaços quebrados de vassouras caíam ao redor deles.

        A moto tinha ganhado vida de novo. Com sua boca entreaberta, Fisher reuniu forças para olhar novamente para os dois adolescentes.

        ― Muito obrigado! – disse Sirius acima do ronco do motor. – Nós devemos uma para vocês!

        ― É, foi legal conhecê-los! – disse Tiago. – E não esqueçam: Elvendork! É unissex!

        Houve um barulho de tremer a terra, e Fisher e Anderson jogaram seus braços ao redor um do outro com medo; o carro deles tinha acabado de cair de volta ao chão. Agora era a vez da motocicleta empinar. Em frente aos olhos descrentes dos policiais, ela andou em pleno ar: Tiago e Sirius decolaram para o céu noturno, com o facho da luz traseira brilhando atrás deles como um rubi desaparecendo.
>> POTTERISH – por Daniel


MESA-REDONDA DE TERROR NA LIVRARIA CULTURA DO MORUMBI/SP

terça-feira | 17 | junho | 2008


AS NEGAS MALUCAS DE MIA COUTO

terça-feira | 17 | junho | 2008


Os moradores da Vila Cacimba, onde se passa o novo romance do escritor moçambicano Mia Couto Venenos de Deus, remédios do Diabo poderiam viver parede e meia com os da Vila do Meio-Dia, do lendário musical Gota d’água, de Paulo Pontes e Chico Buarque.

Os moradores da Vila Cacimba, onde se passa o novo romance do escritor moçambicano Mia Couto – Venenos de Deus, remédios do Diabo (Cia das Letras, 188 pp., R$ 38) – poderiam viver parede e meia com os da Vila do Meio-Dia, do lendário musical Gota d’água, de Paulo Pontes e Chico Buarque. Poderiam até ter organizado protestos em grupo. Fosse Atlântico o oceano que banha o lado da África onde fica Maputo,

Deolinda, a mulata do romance africano, poderia até ter trocado segredos com Esmeralda, a mulata de Mar morto, de Jorge Amado. A familiaridade das histórias contadas pelo escritor, em que um médico, Sidónio Rosa, apaixona-se pela bela Deolinda, em meio à sua conturbada ausência, é instantânea. Faz lembrar a proximidade que há entre Brasil e os países lusófonos, não só pela língua – agora ainda mais, pelo acordo ortográfico – mas também pelos temas. Mia venceu a guerra civil moçambicana e evolui em uma trama repleta de universalidade: incesto, política, religião, dores de saudades.

De onde vieram Bartolomeu, Munda, Sidónio Rosa, Deolinda… Como as histórias sopraram-lhe o ouvido?
– Nunca sabemos onde se localizam os personagens que criamos. São vozes, são ecos que moram no fundo de nós, moram na fronteira entre sonho e a realidade. No meu caso, estes personagens corporizam alguns fantasmas relacionados com o sentimento do tempo e o facto de, pela primeira, tropeçar naquilo que se chama “idade”.

A aproximação com a oralidade, neste Venenos de Deus, remédios do Diabo, é o traço mais forte da sua literatura, hoje?
– A oralidade é dominante na sociedade moçambicana. Mas não é o território da oralidade, em si mesmo, que me interessa. È a zona de fronteira entre o universo da escrita e a lógica da oralidade. Essa margem de trocas é que é rica.

Você diz que já é mais velho que o próprio país independente. Neste romance, o tema colonial é o pano de fundo das “incuráveis vidas da Vila Cacimba”. A colônia deixou de ser personagem?
– A colônia nunca foi personagem. Eu creio que, não apenas na literatura, mas no imaginário dos moçambicanos, esse passado colonial foi bem resolvido. É preciso pensar que a independência de Moçambique se deu como resultado de uma luta armada que criou rupturas de cultura bem sedimentadas.

O tema da guerra civil esgotou-se? (Não é uma cobrança, só uma provocação…)
– Já antes a guerra civil se havia esgotado. No O Outro pé da sereia ele já surge.

No fundo, você sempre escreve sobre o mesmo tema?
– Escrevi 23 livros, todos tratam de temas diversos. Existe, sim, uma preocupação central em toda a minha escrita: é a negação de uma identidade pura e única, a aposta na procura de diversidades interiores e a afirmação de identidades plurais e mestiçadas.

De que maneira percebe o ranço colonial na literatura dos países lusófonos?
– Não há ranço. O passado está bem resolvido.

O romancista é o historiador do seu tempo?
– Em certos momentos, sim. Por exemplo, depois da guerra civil os moçambicanos tiveram um esquecimento colectivo, uma espécie de amnésia que anulava os demônios da violência. Os escritores visitaram esse passo e resgataram esse tempo, permitindo que todos tivéssemos acesso e nos reconciliássemos com esse passado.

“As formas de expressão usam-se quando se tem medo de dizer a verdade”, diz a sabedoria bruta de Munda, personagem do livro. O escritor diz a verdade?
– O escritor é um mentiroso que apenas diz a verdade. Porque ele anuncia como uma falsidade aquilo que é a sua obra.

Um brasileiro, ao ler um romance de Moçambique, ganha riquezas sobretudo de linguagem. Você acha que a língua portuguesa tem a perder com o acordo ortográfico?
– As línguas nunca perdem. Os acordos apenas tocam numa camada epidérmica, num lado convencional que não é o coração do idioma.
>> JORNAL DO BRASIL – por Mariana Filgueiras


O PLANO DE DOMINAÇÃO DA MARVEL

terça-feira | 17 | junho | 2008

Quem ficou para ver a cena pós-créditos de Homem de Ferro sabe do que se trata. O arrasa-quarteirão protagonizado por Robert Downey Jr. não só foi a primeira produção independente do Marvel Studios (a Paramount apenas distribui), como marcou o início de um ambicioso plano de interligar todos os seus novos filmes, exatamente como acontece nos quadrinhos (o que antes era impossível porque cada personagem pertencia a uma empresa diferente — X-Men é da Fox, Homem-Aranha da Sony etc.).

Samuel L. Jackson faz uma ponta como Nick Fury no final de Iron Man, e deve estrelar o filme do agente da S.H.I.E.L.D. em algum momento. Antes disso, Thor, Capitão America e o Homem-Formiga (!), os membros originais dos Vingadores, devem ganhar seus próprios longas. A estratégia culminaria com The Avengers (marcado para 2011), reunindo todos os integrantes da equipe.

Chama atenção a coragem da Marvel em atiçar a expectativa do público desse jeito (afinal, cinema não é HQ, as incertezas são muito maiores e o risco de ir tudo para o ralo também). Mas não é só isso: acaba que o ponto alto de O Incrível Hulk, que estréia amanhã, é justamente a aparição surpresa de um certo personagem, dessa vez antes mesmo dos créditos, deixando mais do que explícita a estratégia de localizar as histórias no mesmo universo ficcional.

Sempre achei que o mais interessante em histórias de super-heróis fosse o impacto que eles têm no mundo. O posicionamento e organização de um grupo heróis perante uma sociedade que os hostiliza sempre rendeu boas histórias e é, por exemplo, o maior atrativo de uma franquia que não precisa provar mais nada — X-Men. Do jeito que a coisa se desenha, a idéia de evoluir o conceito de sequência e levar para o cinema algo muito próximo do que é o Universo Marvel nos quadrinhos pode vir a ser, além de algo inédito, o grande trunfo do estúdio para continuar gerando lucros estratosféricos e quebrando barreiras. Mesmo com personagens duvidosos como o Hulk.
>> BLOG ULTRA – por André Sirangelo


UM PRESIDENTE NEGRO QUE A HISTÓRIA ESQUECEU

segunda-feira | 16 | junho | 2008

Se tivesse nascido uns trinta ou quarenta anos antes, Monteiro Lobato provavelmente teria sido convidado para fazer parte da Fabian Society, que tinha entre seus membros H. G. Wells e Bernard Shaw, pregava o socialismo científico ou utópico e previa o progresso da humanidade por meio da ciência

Agora é oficial: Barack Obama é candidato à presidência dos Estados Unidos. Dizem observadores norte-americanos que, mesmo que ele não chegue à Casa Branca, já fez história, pois é o primeiro negro a chegar tão perto desse objetivo, como candidato do Partido Democrata.

Coincidência ou não, a Editora Globo, que começou o bem-vindo relançamento de toda a obra adulta de Monteiro Lobato no ano passado, acaba de publicar seu livro mais polêmico: O presidente negro. Publicado originalmente em 1926, portanto há 82 anos (e, curiosamente, no mesmo ano em que Hugo Gernsback, editor luxemburguês radicado nos EUA, iniciou a publicação da revista pulp Amazing stories e cunhou a palavra scientifiction, logo modificada para uma expressão mais fácil de pronunciar e que se tornaria imensamente mais popular, science fiction), foi o único romance para adultos de Lobato, e um livro explicitamente de ficção científica.

Não era de se espantar: Monteiro Lobato era fã de Henry Ford, defendeu o progresso industrial do Brasil, foi preso por Getúlio Vargas por insistir na exploração de petróleo em território nacional numa época em que isso não era interessante financeiramente para o Estado Novo, e era leitor de escritores de literatura de antecipação, como H. G. Wells, autor de A máquina do tempo. (Lobato, aliás, foi o primeiro tradutor de Wells no Brasil, bem como de Dashiell Hammett – foi dele a tradução de O falcão maltês – e da autobiografia de Henry Ford).

O porviroscópio
Entretanto, O presidente negro passou a ser uma imensa pedra no sapato de sua literatura, particularmente a partir da década de 1960, quase vinte anos após sua morte (e, convenientemente, quando não podia mais se defender), quando foi acusado de racismo.

Numa primeira leitura mais apressada, não é difícil chegar a essa conclusão (particularmente se o senso comum motivado por essas acusações já está no ar): afinal, a história do futuro, conforme descortinada pela máquina fantástica do dr. Benson, mostra um século 23 em que o conflito racial é resolvido por intermédio da eugenia, e um esforço da raça branca para erradicar completamente a raça negra, às vésperas da eleição para a presidência, disputada por uma mulher branca e um homem negro.

A história, entretanto, é mais complexa do que um breve resumo pode abarcar: em 1926, o carioca Ayrton Lobo sofre um acidente de automóvel (na época considerado a epítome do moderno e do progressista) na estrada Rio-Petrópolis e é socorrido por um recluso cientista, o dr. Benson, e sua linda filha Jane. Num longo período de convalescença, Ayrton (que logo se apaixona pela moça) se torna amigo e confidente do dr. Benson, um idoso filho de ingleses que inventou o porviroscópio, um aparelho capaz de ver o futuro como uma espécie de televisão holográfica. Benson mostra alguns vislumbres dos tempos que virão ao apalermado Ayrton, empregado submisso da firma Sá, Pato & Cia., cujos principais interesses são subir na vida e, depois de conhecer a filha do cientista, conquistar o seu amor.

O porviroscópio, legítimo dispositivo fantástico, é o mecanismo por intermédio do qual os personagens conseguem ver o futuro distante – por motivos que o próprio cientista desconhece, ele não vai além do ano 3527. Mas a época em que a história se detém é o ano de 2228, ano da eleição do 88º presidente dos Estados Unidos.

Dublê de Sherazade
A narrativa propriamente dita dos eventos relacionados a essa eleição é particularmente interessante, em primeiro lugar pela óbvia semelhança com o ano de 2008, em que uma mulher branca e um homem negro disputaram não ainda a presidência dos EUA, mas a candidatura de um dos principais partidos – e, como no livro, o negro vence. No livro, Jim Roy, o forte candidato negro, é considerado (até mesmo pelos brancos) uma espécie de novo Lincoln, que agora libertará de vez seus companheiros de raça do jugo branco ao qual têm sido submetidos há quatro séculos.

Evidentemente, isso provocará uma reação que se mostrará devastadora – tanto do ex-presidente, mr. Kerlog, quando da candidata derrotada, Evelyn Astor. O presidente negro não pode de forma nenhuma assumir o poder, e nesse caso, maquiavelicamente, para os brancos tudo é justificável.

O segundo ponto que me chamou particularmente a atenção na narrativa de 2228 é que ela não nos é demonstrada pelo porviroscópio: poucas semanas depois do acidente de Ayrton, o dr. Benson morre, e sem ele seu aparelho deixa de funcionar. Quem conta a história do que se passou em 2228 é a inteligente Jane, que teria ficado dias e dias acompanhando o desenrolar dos acontecimentos futuros no porviroscópio. Mas Ayrton, embora tenha visto previamente uma demonstração do aparelho, jamais vê o que realmente aconteceu com o presidente negro. Ouve e absorve sem pensar tudo o que a diligente e espertíssima Jane, dublê de Sherazade, vai lhe contando todos os domingos, sempre interrompendo a narrativa em pontos críticos para atiçar em Ayrton (como se ele precisasse) o desejo de voltar para vê-la.

Humor e ironia
Essa história fantástica que Ayrton Lobo ouve, mas cuja veracidade nunca comprova (nem lhe passa pela cabeça, pois está apaixonado por Jane), apresenta fragmentos de uma certa futurologia, como na passagem em que Jane descreve a Ayrton o que conheceríamos décadas depois, como o trabalho a distância, graças à ação do rádio. Mas não apenas trabalhará sem sair de casa, como mostra o seguinte comentário de Jane/Lobato:
- -No futuro o senhor Ayrton fumará a distância. Veja quanta economia de tempo e esforço humano!

Se tivesse nascido uns trinta ou quarenta anos antes, Lobato provavelmente teria sido convidado para fazer parte da Fabian Society, que tinha entre seus membros H. G. Wells e Bernard Shaw, pregava o socialismo científico ou utópico e previa o progresso da humanidade por meio da ciência (certamente não é coincidência alguma que o ministro da Eqüidade do governo Kerlog se chame Berald Shaw).

Mas, seguindo o bom espírito de Groucho Marx (de quem foi contemporâneo, e que dizia que não entrava para clube que o aceitasse como sócio), provavelmente a rejeitaria, seria um enfant gaté; certamente um enfant terrible. Pois, vivendo num país que rejeitava o progresso e ainda vivia no atraso tecnológico, Lobato reagia com uma arma poderosíssima, que os brasileiros sempre souberam usar muito bem (e ele mais do que todos): o humor.

Quem já viu os filmes de Kevin Smith e Quentin Tarantino vai entender melhor essa linha de raciocínio. Em O balconista, primeiro filme de Smith, dois funcionários de uma drugstore/locadora de filmes, sem ter o que fazer na loja às moscas, passam a discutir sobre o filme Guerra nas estrelas. Mas não é uma discussão qualquer: um deles inicia um discurso pseudomarxista sobre a condição dos operários que estavam construindo a Estrela da Morte no momento em que o bando de rebeldes liderado pelo mocinho Luke Skywalker a destrói. A argumentação do balconista é que, no fundo, o vilão é Luke, porque ele chega de supetão e deflagra um ataque terrorista, matando muitos pais de família que estavam ganhando seu pão honestamente construindo uma estação espacial. Com franqueza, senhores e senhoras meus leitores: alguém pode levar esse tipo de argumentação a sério?

Cabe lembrar que Lobato não era apenas leitor de Wells e Shaw, mas também de Jonathan Swift – que, além de escrever As viagens de Gulliver, também foi o autor de um panfleto satírico que muita polêmica causou na Irlanda de 1729: em A modest proposal, ele propunha que, para matar a fome, os irlandeses comessem seus próprios filhos. Houve quem acreditasse.

Acusações insensatas
O presidente negro tem semelhanças com dois tipos de narrativa de ficção científica: a narrativa “evolucionária”, como a escrita por Wells, em Things to come, e Olaf Stapledon, contemporâneo de ambos, autor de um clássico da FC esquecido entre nós, Last and first men. A diferença fundamental do livro de Lobato com essas duas histórias é que O presidente negro é uma distopia, ou seja, um livro que preconiza uma realidade anti-utópica, indesejável e muitas vezes aterradora. Nessa categoria, O presidente negro rivaliza com um livro escrito seis anos mais tarde, em 1932: Admirável mundo novo, de Aldous Huxley, que parte de premissa semelhante: a depuração genética da raça humana (apenas para brancos, excluindo negros e indígenas, não nos esqueçamos).

Mas alguém realmente acredita que Lobato queria a erradicação dos negros?

Falta a um crítico que eventualmente analise mais a fundo esse único romance adulto de Lobato a percepção do contexto histórico em que ele foi escrito. Uma época muito anterior ao nazismo, em que se acreditava na eugenia primordialmente como uma questão de saúde pública (e era com essa questão que Lobato mais se importava, como quando escreve sobre o Jeca Tatu; num primeiro escrito, Lobato chega a acreditar que o Jeca é como é por uma questão genética, e nisso é preconceituoso; mas em pouco tempo se convence de que seu preconceito é uma bobagem, e que o caipira é “preguiçoso” devido a uma série de doenças que, se combatidas, tornarão o caipira um cidadão produtivo como qualquer outro).

As críticas eventuais a um pretenso racismo odioso de Lobato lembram a biografia de Bing Crosby escrita por seu filho em 1977, em que ele acusava o pai (recém-falecido) de ser uma pessoa descontrolada… porque batia nos filhos com cinto! Crosby de fato fez isso… na década de 1930, num tempo em que os pais, avós ou bisavós de vários que lêem este texto sofriam o mesmo tipo de castigo físico. Isto é uma defesa de Bing Crosby e de seu método de educação dos filhos? De jeito nenhum. É uma constatação de que naquela época isso era o que o senso comum ditava. Hoje nossa visão de mundo nos diz que isso é errado. Mas deve-se medir uma pessoa dos anos 1920 pela régua do século 21? Não é a toa que algumas das melhores biografias (como a de Einstein escrita por Ronald Clark) têm como subtítulo His life and times; ou seja: Sua vida e sua época. Porque analisar a vida de uma pessoa pelos nossos paradigmas é, além de insensato, um tantinho covarde (porque acusar é fácil, ainda mais a quem já morreu e não pode replicar).

Não deixemos o senso comum ditar a nossa opinião sobre o livro de Lobato. Independente de sua visão de mundo (e, insisto que, apesar de defender a eugenia, o que Lobato escreve é uma bela sátira, que não poupa sequer suas próprias crenças), O presidente negro merece ser resgatado como um bom livro de ficção científica brasileira.
>> LE MONDE DIPLOMATIQUE – por Fábio Fernandes – junho/2008


O FILME DE DRAGON BALL Z NO MÉXICO

segunda-feira | 16 | junho | 2008


A imagem acima é do vulcão Nevado de Toluca, que será cenário das filmagens de Dragon Ball Z

O mais esperado e misterioso filme do universo mangá já El Norte, que na última semana anunciou que Dragon Ball Z – O Filme será rodado na cidade de Durango, México, sob a direção de James Wong (Arquivo X, Premonição). A cidade foi escolhida pelo diretor de efeitos especiais Ariel Velasco (Armageddon, 300 de Esparta). As filmagens vão ser completadas em Nevado de Toluca, um importante vulcão.

Até agora não foram divulgados maiores detalhes sobre o filme, o que ainda deixa muitos fãs desconfiados. A produtora 20th Century Fox adquiriu os direitos para filmar Dragon Ball Z em 2002 – em 2004 saiu o boato de que o roteirista seria Ben Ramsey, que foi desmentido pela Fox rapidamente. Em setembro de 2007, o jornal Montreal Gazette anunciou que o filme seria rodado em Montreal, no Canadá, com um orçamento de 100 milhões de dólares. Com tantos boatos desencontrados, a matéria (ainda que com poucos detalhes) do El Norte pode ser uma fonte confiável. Esperamos descobrir mais sobre o assunto em breve (especialmente a pergunta que não quer calar: quem vai ser o Goku?). Enquanto isso, o mistério continua.
 


NOVIDADES DAS PRÓXIMAS PRODUÇÕES DA TV

segunda-feira | 16 | junho | 2008

John Wells (foto), responsável por “ER/Plantão Médico”, não ficará sem trabalho quando a série encerrar sua trajetória ao final da 15ª Temporada. A NBC já deu sinal verde para a produção do piloto de “LAPD”, uma série policial que gira em torno de um Departamento de Polícia em Los Angeles. Ann Biderman, de “Nova Yorke Contra o Crime/NYPD Blue”, será a roteirista do episódio piloto, que terá Chris Chulack como diretor. Os três serão os produtores de “LAPD” através da John Wells Productions e da Warner Bros.

Já o canal AMC que se destacou com a produção de “Mad Men”, que estréia sua segunda temporada no dia 27 de julho nos EUA, e lançou “Breaking Bad”, que terá uma segunda temporada, empolgou-se com a idéia de novos projetos. Estão no forno as séries “Carter Beats the Devil”, escrita por Wesley Strick, do filme “Missão: Impossível 2″, sobre Charles Carter, um mágico da década de 20 que se envolve com a morte do Presidente Warren Harding. Com base em fatos reais, descritos em livro publicado por David Gold, a história tinha sido originalmente pensada para um filme com Tom Cruise. “Ice”, escrita por Christian Darren, gira em torno de uma família em Nova York que lida com diamantes. Estas duas séries estão sendo planejadas para 2009, mas até o final do ano o canal deverá selecionar mais dois pilotos. A idéia é produzir séries situadas em ambientes e narrando histórias sobre os quais ainda não foram explorados.

A HBO está preparando “Palladium”, com roteiro de Franc Reyes. Trata-se de um drama latino que gira em torno de um nightclub de Nova York e a difícil relação entre pai e filho, proprietários do local. Reyes está a cargo do roteiro, direção e produção do projeto caso ele se transforme em série. Outra série do canal é “Last of the Ninth”, que será estrelada por Ray Winstone, do último filme de “Indiana Jones” e Jonah Lotan. Trata-se de um drama ambientado no ano de 1972. Um Departamento da Polícia de Nova York enfrenta problemas fiscais e acusações de corrupção. Lotan será Joe Dalton, um jovem veterano da Guerra do Vietnã que entra para a Força Policial e passa a trabalhar disfarçado. Winstone será John Giglio, um detetive da velha guarda que ajuda Dalton. A HBO também prepara as adaptações das séries inglesas “Sensitive Skin”, comédia com Kim Cattrall, já mencionada aqui, e “Bad Girls”, também já mencionada aqui, um drama sobre uma prisão feminina que terá Alan Ball como produtor executivo.

Ayda Field, de “Back to You”, entrou para o elenco da comédia ainda sem título de David Kohan/Max Mutchnick da ABC, sobre dois homens, um heterossexual, Derek (Josh Cooke) e um gay (Drew (Alan Tudyk), melhores amigos e sócios que tem suas vidas alteradas quando Derek arranja uma namorada emocionalmente perturbada. Sarah Lafleur interpretou a personagem no episódio piloto, mas saiu para integrar o elenco de outro projeto da emissora.

Jacqueline McKenzie, de “The 4400″, Derek Webster, de “The Shield”, Nicholas Gonzalez, de “The O.C.”, e Marisa Ramirez, entram para o elenco de “Mental”, nova série da Fox Latina que será filmada em Bogotá. Com produção de Deborah Joy LeVine, de “As Novas Aventuras do Superman”, e Dan Levine, a série é estrelada por Chris Vance, de “Prison Break” e Annabella Sciorra, de “A Família Soprano”. A história de “Mental” gira em torno de um hospital psiquiátrico. Maiores informações sobre a produção já foram publicadas aqui.

A Lifetime encomendou 13 episódios de “Rita Rocks”, sitcom a ser estrelada por Nicole Sullivan, de “The King of Queens”. No elenco, também estão Ryan Reynolds, Traylor Howard e Tisha Campbell-Martin, de “My Wife and Kids”. A série gira em torno de uma mãe que tenta resgatar o tempo de sua juventude ao formar uma banda de rock.

A série da Fox, “Virtuality”, a ser estrelada por James D’Arcy, Kerry Bishe e Jimmi Simpson, também terá no elenco os atores Joy Bryant, Sienna Guillory, Nelson Lee, Omar Metwally e Ritchie Coster. Sobre a tripulação de doze pessoas da espaçonava Phaeton, que realiza uma missão de dez anos pelo espaço e tem apenas a realidade virtual como forma de entretenimento, assumindo identidades diferentes, eles podem ir a qualquer lugar e viver qualquer aventura. A produção é de Ronald D. Moore, de “Battlestar Galactica”, e a direção do piloto é de Peter Berg, ator de “Chicago Hope” .

Will Sasson entrou para o elenco de “Five-Year Plan”, comédia sobre um grupo de pessoas com vinte e poucos anos que tentam planejar seus próximos cinco anos de vida. Sasso interpreta um homem recém-divorciado que tem ciúmes do irmão, que tem larga experiência com mulheres. Ele então decide resgatar a juventude perdida.

Já Jon Bernthal e Omar Benson Miller, entram para o elenco de “Courtroom K”, de Paul Attanasio, nova série de tribunal da Fox. A dramédia gira em torno de um Juiz, vivido por Alfred Molina, um promotor, Michael Landes, e uma defensora pública, Megan Dodds. O enredo lembra um pouco a sitcom “Night Court”. Bernthal será um detetive veterano da polícia e Miller um assistente social.

Peter Horton será o diretor e produtor executivo, juntamente com David Eick e Charlie Corwin, de “The Philanthropist”. A série gira em torno de um bilionário que utiliza sua riqueza, poder e amizades para ajudar as pessoas necessitadas. Eick substitui Tom Fontana que deixou a produção em função de diferenças criativas. Peter Horton dirigiu episódios de “Grey´s Anatomy”, “The Shield” e “Dirty Sexy Money”. Como ator, ele estrelou as séries “Brimstone”, “The Geena Davis Show” e “thirtysomething”.

A série “Captain Cook´s Extraordinary Atlas”, da Warner, já tem seu elenco principal definido. Janel Moloney, Patrick Breen, Nathan Gamble e Jodelle Ferland, que interpreta Gwen, uma garota de 13 anos que encontra um Atlas mágico o qual lhe revela os segredos do mudo. Moloney e Breen interpretam os pais adotivos da garota, e Gamble o irmão mais novo. O piloto foi escrito por Tom Wheeler e dirigido por Tommy Schlamme.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


LANÇAMENTO DE HISTÓRIA PREMIADA NA USP

segunda-feira | 16 | junho | 2008


Será lançado, numa sessão de autógrafos coletiva promovida pela Associação Editorial Humanitas (USP/FFLCH), o livro mais recente de Roberto de Sousa Causo, O Par: Uma Novela Amazônica, texto ganhador do Projeto Nascente 11, concurso promovido pela pró-Reitoria de Cultura da Universidade de São Paulo e pelo Grupo Abril de Comunicações. Com 136 páginas, capa do artista Vagner Vargas e introdução do Prof. Osvaldo Ceschin, da USP, o livro estará custando R$ 15,00.

O lançamento vai ser no dia 26 de junho, uma quinta-feira, a partir das 19h00, no Museu de Arte Contemporânea, Cidade Universitária, Rua da Reitoria, 109, São Paulo-SP.

“Muito bom. Ótima fabulação, português seguro, madura técnica narrativa.”
- Roberto Pompeu de Toledo, colunista da revista Veja e um dos jurados do Projeto Nascente 11.

“Com naturalidade e energia a história enreda situações e ações que não deixam entrever o desfecho. O resultado final é imprevisível. Uma magnífica condução da técnica de descrever e narrar, muita informação especulativa e comentários inteligentes sobre a realidade brasileira, mostram por que Roberto de Sousa Causo recebeu o Prêmio Nascente da Universidade de São Paulo… Recomenda-se a leitura de O Par e de outras produções de Roberto de Sousa Causo a quem aprecia o bom texto de ficção literária, de qualquer gênero.”
- Osvaldo Ceschin, na introdução.


INSCRIÇÕES ABERTAS PARA MOSTRA DE CURTA FANTÁSTICO

segunda-feira | 16 | junho | 2008

De 16 de junho a 1º de setembro, os interessados no gênero cinematográfico que explora o horror, a ficção científica e a fantasia terão oportunidade de inscrever seus curtas na terceira edição da Mostra Curta Fantástico. O evento será realizado de 11 a 16 de novembro, no Centro Cultural São Paulo.

Para inscrever um filme ou vídeo, basta preencher e enviar a ficha de inscrição publicada no site http://www.mostracurtafantastico.com.br, onde também está o regulamento completo. Podem participar diretores, produtores, distribuidores profissionais e outros aficionados pelo tema de todo o País.

Só serão aceitos curtas-metragens produzidos nos últimos 36 meses, com duração de até 20 minutos. As películas podem ter sido captadas em qualquer formato (35mm, 16mm, HD, MiniDV, Beta Digital ou outros), com temática fantásticos. Uma comissão convocada pelos organizadores da mostra vai selecionar 42 curtas-metragens, que concorrerão aos seguintes prêmios:

Melhor filme de Fantasia – R$ 2 mil;

Melhor filme de Ficção-Cientifica – R$ 2 mil;

Melhor filme de Horror – R$ 2 mil;

Melhor Criatura – R$ 500;

Melhor Efeito Especial – R$ 500;

Melhor Maquiagem – R$ 500;

Melhor Susto – R$ 500


ARMAZENANDO “O NADA”

quinta-feira | 12 | junho | 2008

Lembram-se daquele filme dos anos 80, História Sem Fim? Onde o protagonista tem que salvar seu mundo do “NADA” que simplesmente engole tudo o que encontra pelo caminho?

Pois é, o “nada” existe e foi armazenado por cientistas canadenses da Universidade de Calgary e por japoneses do Instituto de Tecnologia de Tóquio. É isso mesmo! E aí você pode dizer: em casa também armazeno o “nada”. Tem um monte de potes “vazios” no meu armário. Brincadeiras à parte, o “nada” ou o vácuo total é de suma importância para a ciência.

Explicando melhor, este “nada” tem grande importância para a computação, a criptografia quântica e também para se entender os fundamentos do universo. A experiência permitiu que fosse armazenado um tipo de vácuo, no meio de uma nuvem de gás, tornando-o recuperável quando necessário.

A luz é formada por partículas chamadas fótons. Em uma analogia, quando você apaga a luz, você fica no escuro, mas no mundo quântico – das micro partículas da matéria – você não ficaria completamente no escuro. Você estaria imerso em um mar de “ruídos” ou “sujeiras” dos próprios fótons, ou seja, haveria uma incerteza impedindo que você fizesse medições precisas sobre a ausência dessas partículas.

E como os cientistas conseguiram isso? Não foi muito fácil. Eles utilizaram cristais para manipular um feixe de raio laser, onde conseguiram criar o que eles chamaram de vácuo condensado. Em condições extremamente controladas, este vácuo tem menos ruído do que a total ausência de luz.

Estes “nadas” quânticos são utilizados na detecção de ondas gravitacionais e em pesquisas sobre computação quântica. Estes vazios são utilizados para armazenar informação e para gerar um fenômeno muito interessante, o que os cientistas chamam de entanglement – o entrelaçamento – onde duas partículas se auto-influenciam, independentemente de sua distância. Se você já imaginou uma máquina de teletransporte, este é o princípio.

Tudo isso parece ser ainda mais inacreditável, mas os físicos conseguiram demonstrar que o vácuo condensado pode ser armazenado por algumas frações de segundo, para ser recuperado em seguida. Com base na descoberta da equipe da professora Lene Hau, de Harvard, os cientistas verificaram que ao recuperar a “luz congelada”, ela permanece comprimida, emitindo menos ruído que a ausência de luz.

Além dos computadores quânticos, esta descoberta é importantíssima para se conseguir novas maneiras de construir códigos indecifráveis para a transmissão segura de informações. “Uma memória para a luz tem sido um grande desafio na física por muitos anos e eu estou muito feliz em ter sido capaz de levar isso um passo adiante”, explica Alexander Lvovsky, um dos membros da equipe da Universidade de Calgary.
>> UNTITLED – por Sergio Sparsbrod


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