A ESCRITA AUTOMÁTICA

sexta-feira | 27 | junho | 2008


Os surrealistas dos anos 1920, com André Breton à frente, criaram o que chamavam de “escrita automática” como um dos meios para desacorrentar o fluxo de idéias da mente, o chamado “stream of consciousness”, e revelar através dele o funcionamento real do pensamento, livre de considerações estéticas, morais, etc. Livre de qualquer tipo de censura ou auto-coerção. Os resultados são discutíveis, porque produziram inúmeros bons poemas ou textos em prosa (do próprio André Breton, de Benjamin Péret, Paul Éluard, etc.) como também uma quantidade enorme de textos desconexos dos quais é impossível (pelo menos para mim) extrair qualquer arremedo de impressão literária.

Na mesma época, os escritores da “pulp fiction” norte-americana estavam descobrindo o filão das revistas populares, que pagavam alguns centavos de dólares por palavra. Para tornar rentáveis esses centavos, precisavam escrever uma quantidade imensa de texto por dia; e acabaram desenvolvendo o seu próprio sistema de “escrita automática”. Escreviam sem pensar, sem parar, sem voltar atrás, sem corrigir, sem revisar.

Isaac Asimov orgulhava-se de jamais revisar um texto. Punha o papel na máquina, mandava ver, e quando escrevia “The End” colocava a maçaroca de folhas num envelope e a enviava para a revista de sua preferência. Há uma conferência muito divertida em que ele satiriza as preocupações estilísticas dos autores “literários”. Diz ele que o sujeito escreve o início de um conto: “Era uma noite escura e tempestuosa..” Aí pára para ver se a frase está boa, e decide mudar: “Era uma noite tempestuosa e escura…” Ainda não parece o ideal, e ele muda mais uma vez: “Era uma noite cheia de escuridão e de tempestades…” Passa dias inteiros nessa frase, e nada de história.

Philip K. Dick, que era capaz de datilografar cem palavras por minuto, dizia conceber mentalmente seus romances por inteiro, e depois tinha só que colocá-los na página; chegava a escrever sem parar três ou quatro dias seguidos, praticamente sem dormir, mantendo-se acordado à base de café e comprimidos. O mesmo acontecia com Lester Dent, o criador de “Doc Savage, o Homem de Bronze”: dezoito horas de trabalho por dia, que lhe permitiram escrever um livro de 60 mil palavras por mês ao longo de doze anos (ele é autor de 165 dos 182 livros sobre Doc Savage). Robert Silverberg costumava escrever um conto de 7.500 palavras por dia, durante dias a fio.

Diferentemente de Breton, todos estes escritores trabalhavam com prosa neutra, fosca, sem inovações, sem vanguardismos, prosa de gramática transparente e regras estilísticas convencionais. O fato de não pararem para burilar frases brilhantes, no entanto, lhes possibilitava mergulhar diretamente no domínio fantástico da história em si, das peripécias incríveis, das ações dos personagens. Escrevendo dentro das convenções da FC, eles produziram uma escrita automática que revelava um nível mais profundo da imaginação criadora.
>> JORNAL DA PARAÍBA – por Bráulio Tavares


Mundo mágico

sexta-feira | 27 | junho | 2008

Nárnia

Toda a aventura de Nárnia estará presente em uma contação de história que acontece neste domingo, 29 de junho, às 16h, na Saraiva MegaStore do Morumbi Shopping (Av. Roque Petroni Jr., 1089 – São Paulo. Tel.: 5181-7574). A adaptação de O retorno a Nárnia – O resgate do príncipe Caspian, C. S. Lewis, (WMF Martins Fontes) vai encantar as crianças com esta história muito especial sobre as aventuras dos quatro irmãos, que mais uma vez partem para salvar Nárnia. A última vez que Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia deixaram Nárnia foi pelo guarda-roupa e agora são chamados de volta por um príncipe que luta para recuperar o trono. FONTE: PublishNews - 27/06/2008


O CABELEIRA FAZ ROTEIRO DE CINEMA NA FORMA DE QUADRINHOS

quinta-feira | 26 | junho | 2008

Álbum nacional inspirado no romance de Franklin Távora foi lançado neste mês pela editora Desiderata


O fim do ano passado sinalizava para um maior investimento editorial em álbuns nacionais. Parte deles de adaptações literárias. Outra parcela em histórias inéditas.

“O Cabeleira”, lançado neste mês (Desiderata, 136 págs., R$ 39,90) fica na fronteira entre essas duas tendências. Não é só uma adaptação literária. É um exercício de roteiro de cinema na forma de quadrinhos.

A história surgiu em razão de um laboratório de roteiro, promovido pelo Sesc. Leandro Assis e Hiroshi Maeda inscreveram uma primeira versão de “O Cabeleira”. Publicitário e engenheiro, respectivamente, os dois tinham em comum o interesse pelo cinema.

O roteiro foi sabatinado e remoldado. O resultado final não foi filmado. Foi vertido para a linguagem dos quadrinhos, no álbum lançado pela Desiderata.

 

A versão de Leandro Assis e Hiroshi Maeda mostra a trajetória do personagem central em dois momentos, na fase adulta e na infância dele (como mostrado no desenho acima).

A base do roteiro foi o romance de Franklin Távora (19842-1888). O escritor cearence foi o primeiro a relatar em letras as histórias orais do Cabeleira, uma espécie de Lampião que percorreu Pernambuco no século 18. O livro é de 1876.

É do primeiro capítulo da obra o dito “Fecha a porta, gente / O Cabeleira aí vem / Matando mulheres / Meninos também”. José Gomes, nome do Cabeleira, fez fama por roubar e assustar os moradores da região. Nem igrejas e crianças poupava. Nos saques e matanças, era acompanhado pelo pai, Joaquim Gomes, de quem herdou o tino pelo estilo de vida violento.

 

 A “câmera” de Assis e Maeda foi o traço do carioca Allan Alex. A escolha dele foi um dos acertos da editora Desiderata, que propôs o projeto aos dois. O desenho de Alex soube captar os enquadramentos e, principalmente, os cortes cinematográficos da proposta original. E sem perder a necessária expressividade da obra.

Em vários momentos, cria-se a sensação de leitura de um storyboard, que serve de base para muitas filmagens cinematográficas. É como se fosse um longa-metragem moldado em quadrinhos.

 

“O Cabeleira” é o segundo álbum nacional com histórias longas lançado pela Desiderata.

O primeiro -“A Boa Sorte de Solano Dominguez”- foi publicado em novembro do ano passado (mais aqui). O roteiro de Wander Antunes também se diferenciava nesse projeto.

Os dois trabalhos seguem a proposta da editora carioca de produzir álbuns nacionais. Há pelo menos outros três em produção: “Mesmo Delivery”, de Rafael Grampa, “Menina Infinito”, de Fabio Lyra, e “Copacabana”, de Odyr e de Sandro Lobo, editor de quadrinhos da Desiderata (leia mais aqui).
                                                           ***

Ver obras bem produzidas como “O Cabeleira” leva ao questionamento, ainda sem uma resposta definitiva, de por que as editoras brasileiras não investiram antes nesse filão.

Já há exemplos concretos de que desponta um grupo de roteiristas e desenhistas capaz de criar boas histórias, uma das críticas que existiam até então.

Faltou coragem? Então, que se reconheça, de público, a meritória coragem editorial da Desiderata e de poucas outras -entre elas a HQM- que têm investido e desbravado essa área.

                                                           ***
Nota: A obra de Franklin Távora está em domínio público e pode ser lida na internet (aqui). 
>> BLOG DOS QUADRINHOS – Paulo Ramos


Spielberg deve adaptar série inédita de livros ‘The 39 Clues’

quinta-feira | 26 | junho | 2008

O estúdio DreamWorks informou na quarta-feira ter adquirido os direitos de filmagem da série de livros e jogos ‘The 39 Clues’, com a possibilidade de Steven Spielberg ser o diretor do projeto. ‘The 39 Clues’ é um produto multimídia que será lançado em setembro pela editora norte-americana Scholastic, a mesma que publicou os livros ‘Harry Potter’. A nova série inclui 10 livros, mais de 350 cards colecionáveis e um jogo online no qual as crianças competem para desvendar o mistério por trás de uma família chamada Cahills. O primeiro livro será The Maze of Bones, escrito por Rick Riordan. ”The 39 Clues’ dá reviravoltas criativas para transportar a história dos livros para estágios múltiplos de descoberta e imaginação’, disse Spielberg em um comunicado. >> Reuters – 26/06/2008 – por Bob Tourtellotte


GABRIEL BÁ É INDICADO AO PRÊMIO HARVEY

quinta-feira | 26 | junho | 2008

Saiu a lista de indicados ao Prêmio Harvey e o brasileiro Gabriel Bá está entre eles. Bá concorre na categoria “Melhor Desenhista” por seu trabalho na série – inédita no Brasil – “The Umbrella Academy”, publicada nos EUA pela Dark Horse Comics. A Academia do Guarda-Chuva do título original é um grupo de jovens com superpoderes que, após a morte do pai, se reúne para salvar o mundo.

A série, escrita por Gerard Way, do grupo My Chemical Romance, também foi indicada nas categorias “Melhor série” e “Melhor nova série”. Os vencedores serão anunciados no dia 27 de setembro, durante a Comic-Con de Baltimore. Veja todos os indicados aqui.

The Umbrella Academy” também concorre ao Prêmio Eisner, o Oscar dos quadrinhos, na categoria “Melhor série limitada”. O resultado sai no próximo dia 25 de julho, durante a Comic-Con de San Diego. Já “Sugar Shock”, história ilustrada pelo irmão gêmeo de Bá, Fábio Moon, concorre ao Eisner como “Melhor HQ digital”. Leia aqui, em inglês.

Juntos, os irmãos ainda concorrem ao Eisner na categoria “Melhor antologia” pelo gibi independente “5”. Produzido por eles em parceria com Vasilis Lolos, Becky Cloonan e o brasileiro Rafael Grampá, a história não tem diálogos e funciona como um portfólio do trabalho do quinteto. Sem Grampá, ocupado com seu primeiro álbum, “Mesmo delivery”, que deve sair pela Desiderata em julho, o quarteto levará para a Comic-Con de San Diego uma nova HQ independente feita pelo grupo: “Pixu”.
>> GIBIZADA – Télio Navega


XENA E GABRIELLE REENCONTRAM HÉRCULES E IOLAUS

quinta-feira | 26 | junho | 2008


Os fãs das séries “Hécules” e “Xena, a Princesa Guerreira“, terão a oportunidade de ver os atores Kevin Sorbo, Michael Hurst, Lucy Lawless e Renée O´Connor novamente reunidos em “Bitch Slap”. Não se trata de um filme com os personagens que tornaram esses atores famosos. Mas, sim, uma produção na qual os atores se reencontram interpretando outros personagens.

Dirigido por Rick Jacobson, com roteiro dele em parceria com Eric Gruendemann, ambos das séries “Hércules” e “Xena”, o filme faz uma paródia às produções B dos anos 50 a 70. Na história, três mulheres, uma stripper, uma drogada assassina e uma empresária falida, chegam à uma cidade para roubar 200 milhões dólares em diamantes. O verdadeiro passado das três são revelados em flashbacks, apresentados de trás para a frente.

Kevin Sorbo interpreta um agente que investiga o local; Michael Hurst, o Iolaus na série “Hércules”, é um gângster, vítima das três mulheres que desejam roubar seus diamantes; Lucy Lawless e Renée O´Connor, a Xena e Gabrielle, fazem participação especial no filme, como a Madre Superiora e uma freira, a Irmã Batrill (trocadilho com a Irmã Bertrille de “A Noviça Voadora“?), de um convento local. O filme está parevisto para ser lançado no final de 2008.

Sorbo também está com participação marcada para um episódio da série “The Middleman”, produção para a ABC Family com base em uma história em quadrinhos, que acompanha as aventuras de um super-herói. Já Renée O´Connor também está no telefilme “Genesis Code”. O ator Michael Hurst, que continua vivendo na Nova Zelândia onde as séries eram produzidas, ainda está no elenco do filme “The Map Reader”, e Lucy Lawless, vista recentemente na série “Battlestar Galactica”, integra também o elenco do filme “Bedtime Stories”, com Courtney Cox-Arquette, de “Dirt” e Keri Russell, de “Felicity”.
>> TV SÉRIES – por Fernanda furquim


CONCURSOS LITERÁRIOS, UMA FACA DE DOIS GUMES

terça-feira | 24 | junho | 2008


Todos aqueles que aspiram ao estatuto de escritor secretamente alimentam a crença de que as suas escritas são o tesouro no covil do dragão, à espera de ser descoberto por algum intrépido editor.

Independentemente do valor ou não da escrita, a maioria encara os concursos literários como instrumentos para atingir fortuna e fama. Se o concurso for ganho, a tão desejada publicação do manuscrito é finalmente concretizada, e não faltará muito para ver o livro em todas as livrarias. Talvez. Ou talvez não.

Há concursos literários e há concursos literários. E é importante que o indivíduo que esteja disposto a arriscar a sua sorte nestes concursos, tenha o discernimento suficiente para saber distinguir o trigo do joio, para saber quando esses concursos estão realmente interessados em promover a literatura e tudo o que esta tem de melhor, ou se não estarão antes interessados em obter dinheiro através de estratégias condenáveis e reprováveis.

Serve este post para alertar os eventuais candidatos a título de escritor de que há concursos que, por detrás de uma fachada de genuíno interesse por divulgação de novos autores, escondem uma ganância e um desejo de engordar o saldo da conta bancária à custa da ingenuidade ou desconhecimento das pessoas.

E quem fala em concursos, fala também de editoras, as verdadeiras responsáveis por essas tácticas dúbias.

Passando a exemplos mais concretos, quando devem desconfiar de um concurso literário ou não?

Se prometer direitos de publicação ao vencedor sem este ter direito a qualquer ónus.

Se implicar a cedência de direitos autorais sem estarem os termos bem definidos.

Se prometer a impressão de uma tiragem limitada e impor ao vencedor o pagamento de “x” quantia de livros impressos.

Se cobrar pela inscrição no concurso. Isso não quer dizer que o concurso seja uma fraude, mas é um sinal de alerta (especialmente em Portugal).

Devem verificar sempre a legitimidade da entidade que está a promover o concurso. Se for uma casa ou instituição de mérito ou prestígio reconhecido, há menos sinais para desconfiar (embora isso não queira dizer que não devam ler SEMPRE o regulamento com a máxima atenção possível).

A maioria das editoras ou entidades que patrocinam estes concursos com segundas e terceiras intenções não têm sequer a capacidade de distribuição para que o livro esteja presente em todas as livrarias nacionais. Acreditem quando se diz que a distribuição é um dos maiores problemas no mercado editorial português e que é difícil obter uma distribuição equitativa e justa em Portugal sem ter que desembolsar uma dolorosa percentagem de lucros. Quanto muito irão colocar em algumas livrarias da zona para que os amigos do vencedor possam comprar.

Isso não quer dizer que uma editora que tenha uma distribuição limitada deva ser desprezada. Muito pelo contrário. Há muitas pequenas e médias editoras que têm desenvolvido um excelente trabalho no campo da literatura, mesmo com meios limitados. Mas quando pedem o vosso dinheiro para publicar algo que, à partida, nenhum escritor deve pagar, então é sinal de que estão a ser enganados e roubados.

O que acontece é que os preços cobrados pelas editoras pagam praticamente a totalidade dos custos de impressão (o principal gasto a cargo da editora) e ainda há uma margem que vai directamente para os seus bolsos. Mais ganham se os amigos dos amigos dos vencedores comprarem.

Lá fora são muito frequentes estes esquemas de angariação de dinheiro, embora em Portugal se tenham começado a fazer notar mais nesta última década. Não vou apontar nomes mas existem. A Épica tem tomado conhecimento de vários casos, e muitos nos pedem conselhos sobre se vale a pena ou não participar em tais concursos.

Recomendamos é que não arrisquem às cegas porque publicação nem sempre é sinónimo de ser-se escritor. Nos últimos tempos, tem sido cada vez mais fácil publicar-se um livro com quase a mesma qualidade que uma casa editorial profissional, por metade dos custos. E é preciso desenvolver a auto-consciência de que nem sempre o que se escreve é bom e publicável, por mais que custe a admiti-lo.

Para obterem mais informações, recomendo a leitura deste artigo da parte do Science Fiction Writers of America sobre as fraudes literárias, concursos e esquemas que têm como alvo escritores.
>> ÉPICA – Safaa Dib


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 80 outros seguidores