TESE DA USP MOSTRA QUE QUADRINHOS ESTIMULAM CRIANÇAS A LER

quinta-feira | 12 | junho | 2008


Há um conjunto de rótulos pejorativos sobre os quadrinhos, a maioria herdada de décadas anteriores. Um deles bate na jocosa tecla de que “quadrinhos são coisa de criança”. Uma tese de doutorado da USP (Universidade de São Paulo) pôs a expressão à prova. E mostrou que ela é verdadeira, sim. Mas não no sentido depreciativo.

A pesquisa chegou a basicamente duas conclusões: 1) quadrinhos estimulam as crianças a ler; 2) esse estímulo fomenta a migração para outras formas de leitura, como os livros.

A tese foi defendida – e aprovada – há pouco mais de um mês na ECA (Escola de Comunicações e Artes) da universidade. A autoria é da paulistana Valéria Aparecida Bari, de 42 anos. (É ético de minha parte registrar que integrei a banca de doutorado).

As conclusões foram possíveis por meio de entrevistas feitas com alunos da própria USP que tinham o hábito de ler quadrinhos. O levantamento foi feito entre 2001 e 2007.

A pesquisadora confrontou os resultados com a realidade observada na Espanha, onde fez parte do estudo. O objetivo da viagem ao país europeu era perceber se a realidade brasileira é válida também em outro universo de leitores. Conclui que é. E que a Espanha já desenvolve projetos de leitura com quadrinhos.

Nesta entrevista, feita por e-mail, Valéria Bari detalha um pouco mais sobre a tese, intitulada O Potencial das Histórias em Quadrinhos na Formação de Leitores: Busca de um Contraponto entre os Panoramas Culturais Brasileiro e Europeu“.

Para ela, a leitura de quadrinhos deve ser estimulada não só nas escolas, mas também pelos pais, dentro de casa, e nas bibliotecas públicas.

***
Blog – Por que, no seu entender, sempre circulou um discurso contrário à idéia de que quadrinhos estimulam a leitura?

Valéria Bari – Como a posse da informação sempre representou uma forma de poder socialmente constituído, naturalmente é desinteressante para os detentores dessa informação que ela transite livremente. Como a linguagem dos quadrinhos sempre foi representativa na leitura infantil e das camadas populares, sua validade cultural é questionada por aqueles que preferem privilegiar linguagens, discursos e obras inacessíveis.

Os pais, então, devem estimular a leitura dos quadrinhos?
Se o interesse dos pais é a criação de filhos inteligentes e curiosos, que saberão buscar informações e conhecimentos com autonomia e competência, que terão habilidades para ler, escrever e se comunicar por meio de diversas outras linguagens, inclusive as digitais, é ótimo que disponibilizem histórias em quadrinhos para a leitura de seus filhos no lar. Permitam também que seus filhos pratiquem escambo com suas revistas em quadrinhos, para que conheçam outros amigos que gostam de ler e compartilhem o que estão aprendendo. Respeitem as coleções pessoais dos seus filhos, que são tão importantes para eles quanto os livros e papéis completamente insossos que nós adultos adoramos acumular e dar tanta importância. Uma criança adquire o gosto pela leitura em um ambiente no qual sua infância é respeitada, os seus gostos pessoais são respeitados e as atitudes dos adultos que o rodeiam denotem que a leitura é fonte de prazer e alegria.

O governo federal distribui quadrinhos às escolas do ensino fundamental desde 2006. Como você analisa esse programa [chamado PNBE, Programa Nacional Biblioteca na Escola]?
O programa, assim como o elenco de políticas públicas que visam incentivar o gosto pela leitura e a formação do leitor, esbarra em uma limitação muito importante: a falta do acompanhamento do uso que o material disponibilizado recebe. Assim, as histórias em quadrinhos disponibilizadas recentemente aos estudantes, assim como outras amostras de leitura infanto-juvenil, não estão alcançando toda a sua potencialidade na formação do leitor. É necessário que as políticas públicas contemplem a formação dos professores, a inserção da leitura como atividade-fim nas grades curriculares, a formação natural de espaços de leitura dentro e fora dos espaços escolares.

Como os quadrinhos deveriam ser tratados pelo governo?
Os quadrinhos deveriam ser tratados como um material bibliográfico relevante à formação dos leitores. Atualmente, as bibliotecas públicas estão desenvolvendo acervos de histórias em quadrinhos, pois esta nova forma de ver as histórias em quadrinhos já está ocorrendo. Porém, mais e mais crianças e jovens que são egressos de famílias completamente iletradas estão sendo escolarizados, o que significa que toda a sociedade tem de fazer esforços redobrados, para que a formação desses novos leitores não fique perdida pelo caminho. A mobilização da sociedade sobre a questão da leitura é essencial para o êxito da escolarização universalizada, e as histórias em quadrinhos certamente têm muito a contribuir para a evolução desse preocupante quadro social.

E qual o papel das bibliotecas – escolares ou não – nesse processo?
As bibliotecas públicas e escolares, por sua proximidade social com os leitores novatos, também têm o papel de atuar no desenvolvimento do gosto pela leitura. Ocorre que, apesar da recente melhora na qualidade e quantidade dos acervos, este papel ainda não está sendo desempenhado como deveria. Para tal desempenho, é necessária uma mudança de mentalidade e uma disposição dos profissionais envolvidos em assumir esta nova responsabilidade.

Sua tese comparou a realidade brasileira com a espanhola? Quais as diferenças e o que há em comum?
Para compreender melhor o problema da leitura no Brasil, fiz uma viagem de estudos à Espanha. Entre espanhóis e brasileiros, existem muitas coisas em comum, quando se trata do letramento e da formação do leitor. Em ambos os casos, a cultura das famílias não enfatizava a leitura doméstica até datas recentes, assim como o nível de escolarização era heterogêneo. A principal diferença entre os dois povos está na inovação rápida das políticas públicas e na mentalidade dos profissionais, no caso espanhol, que estão aplicando exemplarmente o potencial dos quadrinhos. Porém, o Brasil tem a possibilidade de difundir o gosto pela leitura por toda a sociedade, apesar das severas restrições orçamentárias, caso invista criteriosamente na formação de seus profissionais e na disponibilização de acervos estrategicamente desenvolvidos, sempre com a presença das histórias em quadrinhos.

Qual o papel dos quadrinhos na formação das pessoas?
As necessidades individuais não se restringem à alimentação e o abrigo. O ser humano chega a um estado social de dignidade se lhe é dado o direito de sonhar, de se alegrar, de compartilhar suas experiências e fantasias com outras pessoas e ser compreendido. As histórias em quadrinhos estabelecem uma relação leitora que, além da natural carga de informação do texto escrito, investe muito no onírico, no sonho, de forma individual e social. Pela leveza e articulação da linguagem dos quadrinhos, a sua leitura é relaxante, mesmo quando os temas e enredos abordados são mais sérios e pertencem à temáticas adultas. A leitura em quadrinhos é naturalmente atrativa e, além de preparar o cérebro para apropriar toda a natureza de linguagens complexas, ajuda a enfatizar a imaginação e fomentar os sonhos, o que é importantíssimo para todas as pessoas, sejam crianças ou adultos.
>> BLOG DOS QUADRINHOS – por Paulo Ramos


BOOM! LANÇA NOVA HQ INSPIRADA EM LOVECRAFT

quinta-feira | 12 | junho | 2008


Em agosto, o BOOM! Studios lança nos EUA a minissérie em quatro edições Necronomicon, escrita por William Messner-Loebs e desenhada por Andrew Ritchie. Loebs se propõe a lançar uma ficção que contará os segredos do famoso escritor de livros de terror, H. P. Lovecraft, com muita magia negra e criaturas sobrenaturais.

Nas histórias do falecido escritor, o Necronomicon era um livro que reunia segredos das artes das trevas. Na história de Messner-Loebs, o objeto místico é usado de forma simples: quando alguém precisa de algo, desenha em suas páginas. Apesar da aparente simplicidade, há mais histórias complexas por trás do livro.

Ele revelou que seu editor-chefe, Mark Waid, pediu uma extensa pesquisa sobre o mundo de Lovecraft, para não pecar em nenhum momento na obra. O escritor não se chateou, e disse ainda ser um prazer fazer essa pesquisa, já que é um universo muito rico e criativo.

Após estudar esse universo místico, o autor arrisca alguns palpites. Ele acha que as mitologias de Lovecraft têm a ver com seu passado familiar. Para quem já leu referências sobre o antigo escritor de terror, não é novidade que sua família o maltratava e que ele tinha graves problemas psicológicos. Ainda garoto, ele via monstros e era conhecido como uma criança chorona e doente. Alguns estudiosos da literatura lovecraftiana afirmam que, de fato, muitos dos monstros de seus livros eram frutos de sua imaginação.

Nas histórias de Lovecraft, o criador do livro Necronomicon foi o árabe Abdul Alhazred. Ao escrever suas primeiras idéias no artefato, Alhazred deixou muitas lacunas na história, é então que entra o trabalho de adaptação da minissérie. Algumas outras idéias tiveram de ser adaptadas para caber no quadrinho, mas sem alterar a essência.

Loebs afirma que o resultado vai agradar os fãs do falecido Lovecraft, pois deixou a história assustadora e bem mística, usando de referências que o autor mesmo deixou.

William Messner-Loebs é um escritor e desenhista cujo braço direito foi amputado quando ainda era jovem, por causa de um câncer. Treinou o desenho e escrita com o braço esquerdo e conseguiu entrar para o seleto grupo que já trabalhou em personagens importantes da DC, como Flash, Mulher-Maravilha e Gavião Negro.
>> HQMANIACS – por Klaus Gambarini


MANGÁS E ANIMES CONQUISTAM FÃS NO BRASIL

quinta-feira | 12 | junho | 2008

No Brasil, 200 mil exemplares de mangás chegam às bancas por mês.
As animações começaram a fazer sucesso a partir da década de 90.
 

Uma mina de ouro brota do papel jornal e projeta para o mundo a face pop da potência tecnológica. Pelos traços do desenho, o Japão dos bits e bytes se impõe também como exportador de cultura.

“O mangá está aí com força total hoje dominando boa parte do mercado, deixando até heróis tradicionais americanos pra trás. É um fenômeno mundial”, diz o editor de mangás Marcelo Greco .

O tempero das histórias é o caráter humano dos personagens. Nesse mundo de fantasia, os heróis envelhecem e sofrem como qualquer mortal.

“Os personagens são bem humanos e passam coisas que a gente passa no nosso cotidiano. Por isso, a gente se identifica bastante com eles”, explica a professora de mangá Açunciara Azima.

Essa química, que vende mais de um bilhão de revistas por ano no Japão, criou um exército de fãs no Brasil. Oito anos depois de produzir os primeiros mangás, as editoras daqui despejam, em média, 200 mil exemplares nas bancas todo mês.

Lendo os quadrinhos, o colecionador de mangás Jefferson Kayo aprendeu o idioma do pai. Hoje, mantém uma coleção de 500 títulos. “Os valores são bastante realçados nos mangás. A honra, a dignidade, a amizade, que atraem o japonês e também quem não é japonês”, afirma Kayo.
 

 A história dos mangás

A palavra mangá foi usada pela primeira vez em 1814 pelo artista Katsushita Hokusai para batizar uma coleção de gravuras. A forma atual surgiu depois da Segunda Guerra, pelas mãos de Osamu Tezuka, o maior quadrinista japonês. Aos poucos, os personagens, que eram parecidos com os dos comics americanos, ganharam estilo próprio.

Como em qualquer publicação japonesa, é de trás para frente que se lê um mangá. As páginas são viradas da esquerda para a direita. A fórmula é bem definida: capa e algumas páginas coloridas. O resto, em preto e branco.

Uma linguagem cinematográfica, em que parte da história é contada apenas com imagens, e as linhas dão sensação de velocidade. Os personagens têm características marcantes: são magros, têm pernas alongadas, cabelos pontudos e, o mais importante, olhos grandes, que expressam sentimentos.

“Eles desenham olho grande porque o olho para o oriental é a janela da alma. Então, você olha pra dentro da alma do personagem”, fala a pesquisadora de anime Careime Assmann.

Sem cerimônia, muitos aparecem sem roupa. Mangás eróticos são apenas uma categoria do mercado, que tem publicações específicas para meninas e meninos.

Fã de histórias de aventura, o designer gráfico Thiago Spykid quer virar profissional. Ele é um dos 500 alunos que passaram por essa escola de desenho de mangá, em São Paulo. Enquanto não consegue uma editora, imprime e vende em eventos as revistas que produz. “Acredito que é uma coisa em expansão. O principal é fazer, produzir, praticar muito, ter um trabalho bom, consistente, sólido”, diz o designer.
 

 Dos quadrinhos para as telas

Assim como os americanos, o sucesso também fez os japoneses trilharem o caminho dos quadrinhos para as telas. As animações produzidas a partir dos anos 60 conquistaram o mundo na década de 90. As histórias mantêm viva a tradição, abordam problemas de relacionamento e exploram o sobrenatural.

Com o sofisticado “A viagem de Chihiro”, os animes fizeram até Hollywood se curvar. O filme ganhou o Oscar de animação em 2003, batendo concorrentes americanos.

Às vezes, o anime ganha carne e osso. A estudante Lola Louro é praticante de cosplay, uma brincadeira em que ganha quem fica mais parecido com os ídolos dos quadrinhos e desenhos animados. Em feiras como o Mercado Mundo Mix, a turma libera a criatividade.

E pra quem acha tudo isso meio esquisito, Lola esclarece. “Tem gente que pensa, ‘ai meu Deus do céu, eles são loucos, se vestem assim durante o dia’. Não, isso não existe. A gente faz isso pra se divertir, é um hobby com qualquer outro, só que a gente é o nosso próprio herói durante um dia”, afirma.
>> G1, com informações do Jornal da Globo – 3/04/2008

Conheça o mundo dos mangás e veja o que os quadrinhos e animações do Japão têm que os americanos não têm?


POP GOTICO EM SOM E QUADRINHOS

quarta-feira | 11 | junho | 2008


Em primeiro livro da série Mojo Comix Martinelli e Salimena recontam música mais famosa do Bauhaus

BELA LUGOSI’S DEAD
Leo Martinelli (texto) e Raphael Salimena (arte)
[Mojo Books, 20 págs, Download gratuito ]

Em 1978, a banda pós-punk inglesa Bauhaus criou o que seria considerado mais tarde o precursor do rock gótico, a música “Bela Lugosi’s Dead”. Obcecados por ícones do Expressionismo, a idéia era satirizar filmes como Drácula e Nosferatu. A piada acabou gerando um culto que dura até hoje. Os quadrinhistas Leo Martinelli e Raphael Salimena captaram o espírito jocoso da obra máxima do Bauhaus e criaram uma adaptação em quadrinhos que faz parte da nova série da Mojo Books, a Mojo Comix.

Lançada pela revista eletrônica Speculum, a Mojo Books é uma iniciativa exitosa que se propõe a adaptar clássicos da música pop para a literatura. Os primeiros volumes tiveram como autores Luiz Cesar Pimentel (criador da revista ZERO) e o jornalista e roteirista Ricardo Giasseti. A partir deste mês, o projeto também contempla quadrinhos. E a estréia com dois jovens promissores autores do quadrinho independente nacional mostra que a série tem futuro. Martinelli e Salimena desenvolvem a hq St. Bastard, ainda sem editora. A qualidade dos desenhos e texto impressionam. Não demorará, a dupla estará no mercado internacional.

Nesta HQ, eles criaram em apenas 20 páginas, uma historieta de humor afiado e mórbido. Bela Lugosi recebe a visita de Christopher Lee, ator que por diversas vezes encarnou o Conde Drácula em Hollywood. Os dois iniciam um embate ideológico, já que Lee representa o ideal de um cinema que se esforça em ser cult, enquanto Lugosi com sua teatralidade exagerada, é mais tosco. Referências a nomes importantes do cinema pop, como George Lucas e Tim Burton não faltam. Falando em Lucas, a cena final da história é genial e utiliza um dos maiores símbolos da filmografia do diretor.

Não faltam batalhas entre os dois velhacos vampiros, ora transformados em morcegos, ora com com olhar hipnótico. Mesmo com poucas páginas, a narrativa surpreende o leitor a todo momento. A dupla compreendeu a proposta do Bauhaus e fez, 30 anos depois a melhor representação do gótico que nada mais é que uma paródia de si. Como Bela Lugosi.
>> O GRITO – por Paulo Floro


TARJA PRETA É REMÉDIO FORTE!

quarta-feira | 11 | junho | 2008

Moralmente incorreta. Socialmente conflituosa. Mas quando o assunto é humor, atitude e quadrinhos, a palavra que melhor define a revista Tarja Preta é apenas uma: Sensacional!

Sem pudor algum e nem periodicidade, a publicação independente conta com nomes de cartunistas famosos como Allan Sieber (criador da tirinha “O estagiário”), dos fanzineiros Juca e Sylvio Ayala e do fotográfo e jornalista Matias Maxx (idealizador do projeto).

A maioria das histórias traz o grande herói Capitão Presença, responsável pelo baseado (isso mesmo) de todos os personagens que aparecem nos quadrinhos.

Se você é amante de um humor bem apimentado e muitas vezes acha a vida social um grande porre, seja bem vindo ao universo da Tarja Preta. E antes que qualquer pessoa politicamente correta julgue o que não deve, ai vai uma frase da equipe da revista: “Esta revista não faz apologia. Tudo aqui acontece no mundo fantástico dos quadrinhos…”

E antes de desejar uma boa leitura, lembre-se: Tarja Preta é remédio forte!
>> ZUPI – por Jack Starman – 3/04/2008


“OS SIMPSONS” ATINGE MARCA HISTÓRICA NA TV

quarta-feira | 11 | junho | 2008

Com a renovação para uma 20ª temporada anunciada recentemente, Os Simpsons empataram com Gunsmoke como o seriado em exibição há mais tempo no horário nobre da televisão norte-americana.

Seriado de faroeste, Gunsmoke teve 20 temporadas exibidas entre 1955 e 1975 pelo canal norte-americano CBS.

Os Simpsons já detém o título de animação há mais tempo no ar no horário nobre da televisão norte-americana. Além disso, também é o programa com mais participações especiais da história segundo o Guinness Book Of World Records. Ícone da cultura pop, Homer Simpson ganhou até um verbete no Oxford English Dictionary: o seu gutural “D’oh!”.


‘Prefácio’ de Harry Potter alcança US$49 mil em leilão

quarta-feira | 11 | junho | 2008

Um texto manuscrito com 800 palavras em que J.K. Rowling escreve uma espécie de prefácio à história de Harry Potter foi vendido na terça-feira por 25 mil libras [49 mil dólares] num leilão beneficente. Treze autores e ilustradores doaram contos e desenhos originais em cartões do tamanho de cadernos para a rede de livrarias Waterstone, que os leiloou em benefício das entidades English PEN e Dyslexia Action. A história de Rowling representou mais de metade da arrecadação total da noite, 47.150 libras, mas mesmo assim o valor é irrisório para os padrões do mercado editorial. Em dezembro, um livro ilustrado de magia, escrito à mão por Rowling, alcançou 1,95 milhão de libras em outro leilão beneficente. No leilão da livraria, um conto da Nobel de Literatura Doris Lessing foi vendido por 3.000 libras. Também participaram, entre outros, o dramaturgo Tom Stoppard [4.000 libras], o ilustrador Axel Scheffler [2.700] e o romancista Sebastian Faulks [2.500]. As histórias poderão ser lidas a partir de quarta-feira no site. >> Reuters – 11/06/2008 – por Mike Collett-White


FÁBULAS PIXEL #1 – O MELHOR DAS FÁBULAS EM UMA SÓ EDIÇÃO

quarta-feira | 11 | junho | 2008


Qualquer história em quadrinho precisa empolgar o seu público para ser levada adiante pelas editoras. Roteiros devem fazer o leitor não desgrudar os olhos da HQ. Existe Sandman em uma edição especial de luxo? Sim. Há aqueles quadrinhos que contam histórias mirabolantes, sem nexo, mas que no final das contas, sempre dá um jeito de entrelaçar e finalizar o que começou? Também. O ponto em questão é que a Pixel Media demonstra estar a um largo passo à frente das editoras rivais.

Em 2007, após o acordo com a linha adulta da DC Comics – os selos ABC, Vertigo e Wildstorm – que dá o direito da editora brasileira publicar os títulos por aqui, o público ganhou o primeiro mix de HQs de renome no mercado: Pixel Magazine. Lógico que surgiram cópias. Nenhuma tão influente. A idéia é realmente boa e funciona até hoje. E agora, depois de quase um ano de existência da P.M, eis que surge um novo mix: Fábulas Pixel. A HQ reunirá todas as histórias de fantasia dos selos adultos da editora. Herói colocou as mãos e devorou a primeira edição, que chega às bancas e comics shops na semana que vem. Títulos de sucesso, como Fábulas – Saindo do Bosque, No Centro do Palco e Sandman Apresenta: As Fúrias são grandes estórias dos quadrinhos para fã nenhum reclamar – se fizer isto, é que já deve estar louco por ter se aficcionado tanto ao mundo dos nerds. Lógico, somos o primeiro site a destrinchar cada palavras de Fábulas Pixel #1. E para animar ainda os nossos leitores, o editor da Pixel Media, Cassius Medauar, ainda nos enviou um preview das oito primeiras páginas da revista – exclusividade nacional.

Herói destrincha, a partir de agora, cada história publicada na Pixel Fábulas #1 (logo abaixo). Cada tópico terá uma mini-crítica (não dá para ter spoiler, não?) e a ficha completa do título. Saiba antes de todo mundo o quão bom é esta reunião de histórias fantásticas. No final de tudo isto, veja um preview exclusivo de duas páginas de cada história. Animal, hein?

FÁBULAS – SAINDO DO BOSQUE E VERMELHO BRANCO E AZUL
Capítulo Um – A Marcha dos Soldados de Madeira
História publicada originalmente em “Fables 19″ (novembro de 2003) e em “Fables 20″ (dezembro de 2003)
Capa: James Jean
Roteiro: Bill Willingham

Você não precisa ter lido outros títulos de Fábulas para entender esta história, mas lê-los tem a sua importância para um compreendimento geral do que acontece neste universo. Esta história mostra que a bela Chapeuzinho Vermelho fugiu da Cidade das Fábulas. Agora ela parte em busca de uma nova e melhor vida na terra dos mundanos. Outrora, Branca de Neve está grávida de Bigby. Nada será como antes. Quando ela descobre, através do porco Cícero, que a luz que dará em breve lhe trará algumas surpresas. E também é avisada de que algo terrível acontecerá aos mundados. Sinais através de sonhos (e quem disse que não é real), Branca de Neve volta para a sua vida normal no gabinete do Prefeito. Algo está acontecendo e ninguém sabe exatamente o quê. O pai de seus filhos prevê que seu ex-marido, o Príncipe Encantando, prepara uma bomba das grandes. Neve terá que “atuar” da melhor forma para lidar com a pressão que Bigby faz a ela sobre a gravidez. A chegada de Chapeuzinho Vermelho também lhe trará problemas. Seu ex-marido prepara uma gigantesca reviravolta na prefeitura dos mundanos. E até o momento, o mundo não é o bastante para os protagonistas desta história.

No Centro do Palco
História publicada originalmente em Astro City Vol. 2 #13

Quem diria que um simples cartaz ou uma cena de um filme poderia ganhar vida? Com a arma do Professor Borzoi, um raio materializador isto é possível. Num tumulto há décadas, um disparo deu vida ao leão Loony Leo. Ele só poderia ficar vivo se os humanos acreditassem nele. Foi o que aconteceu. A partir deste momento, a vida do bichano nunca mais foi a mesma. Ele fechou contrato com um grande estúdios de Hollywood e fez muito filmes, em sua maioria de sucessos. Uma vida completamente fora dos padrões de qualquer humano comum. É a vida de um astro dos cinemas. Mas parece que Amy Winehouse encarnou a história de vida de Loony Leo. Ele simplesmente se perdeu em seu caminho quando não mais tinha a fama de antes. Álcool, drogas e uma pitada de rock´n`roll fez parte da vida do leão durante boa parte de sua vida. A história é bacana porque retrata a realidade da maioria das estrelas de Hollywood com um humor. E quer saber? Ele vai morar em Astro City para se reerguer. E consegue. Tem coisa melhor? Não. A verdade é que heróis, fábulas e seres nunca antes vistos no mundo normal nunca morrem.

Sandman Apresenta – As Fúrias
História publicada originalmente em “Sandman Presents: The Furies” em 2002

Se Fábulas chamou a atenção no começo de Fábulas Pixel, o Eisner Awards desta edição vai para Sandman Apresenta – As Fúrias. Uma história curta: o roteiro é misterioso e dá pistas de que mais ganchos possam vir a acontecer. Realmente uma história para ler em poucos minutos, mas que deixará muitas pessoas pra lá de satisfeitas. Também, com roteiro de Mike Carey e os desenhos de John Bolton dão um ar real aos personagens, cujo a protagonista é Lita Hall. Esta mulher, desde que seu filho Daniel virou o novo Sandman e desapareceu de casa, sofre de transtorno bipolar. Ora é é amável. Outrora, tem sede de brigas. Ela é uma mulher solitária, que não quer mais saber de relacionamentos sérios com homens. Ela prefere o sexo casual a manter apenas um homem dentro de sua casa. Quando ela conhece novos rapazes, sempre é amável, doce, como toda mulher. Basta um escorregão do ser ou ela se lembrar de seu passado, que o título As Fúrias faz jus ao transtorno bipolar dela.

Jack B. Quick – Inventor Mirim
História publicada originalmente em “Tomorrow Stories #1″ em 1999.

Para Jack B. Quick, um jovem garoto que mora em Queerwater Creek, as teorias cravadas nos livros de física por Copérnico e Galileu servem apenas para ele quebrar as barreiras do universo. É como um Hiro Nakamura, de Heroes, que quebra a lei do espaço-tempo. Nesta história, o jovem garoto criará, com suas próprias mãos, um sistema solar para tentar salvar um dos animais do curral da família. Entretanto, parece que só Deus tem o dom e poder de criar algo magnífico e perfeito. A pratica de Quick poderá trazer muitos danos para a sua cidade. Mas até aonde termina a história, isto não fica muito claro. Será que o jovem conseguirá, em futuras edições da Fábulas Pixel, construir algo sólido e perfeito? Ao que tudo indica, ele tem uma dádiva: a de ser o novo Deus.
>> HERÓI – por Rodolfo Bruno Braz


VAMPIROS, DEMONIOS Y SINIESTROS

quarta-feira | 11 | junho | 2008

 O ciclo de cinema fantástico espanhol, no Centro Cultural São Paulo, de 10 a 15 de junho, traz uma seleção, a partir da apresentação de 10 títulos entre 1929 e 2005

A visão do maravilhoso, do diferente, do inexplicável incorporou-se ao cinema praticamente desde o seu nascimento. A criatividade dos primórdios do cinema incentivou as fantasias que povoaram os filmes de cineastas pioneiros como o francês Georges Méliés.

Com o estabelecimento do cinema narrativo e sonoro, os roteiristas que escreviam para o jovem cinema popular passaram a ser influenciados pelos elementos da literatura gótica, das tiras de quadrinhos com personagens de terror e do romance escabroso. Com o tempo, o registro da fantasia foi materializado e incorporado em muitos filmes, criando personagens e, sobretudo, encontrando um público fiel que tem conseguido manter o rigor de um cinema de série.

O cinema espanhol não poderia viver à margem desse fenômeno e de sua discussão, e dele surgiram importantes profissionais do mundo internacional do terror como Jess Franco (ator de Karate a muerte en torremolinos) ou Paul Naschy (La duodécima hora). A mostra Vampiros, demonios y siniestros tem a intenção não só de apresentar algumas dessas obras, mas também de estabelecer um pequeno trajeto de marcos desse gênero tão peculiar. Desde os primórdios do cinema mudo, com El sexto sentido, até El habitante incierto, segundo filme de Guillem Morales – diretor que transita pelo universo do medo, assim como fizeram Alejandro Amenábar ou J. A .Bayona -, os mistérios do desconhecido também têm sua história no cinema espanhol.

co-realização: Instituto Cervantes de São Paulo. Apoio: FANTASPOA.
Idade recomendada: 16 anos
retirada de ingressos: uma hora antes de cada sessão
Sala Lima Barreto (110 lugares) – entrada franca
legendas em português, suporte DVD)

dia 10/6 – terça
16h
</Karate a muerte en torremolinos
(Espanha, 2002, cor, 79min)
direção: Pedro Temboury – elenco: Curro Cruz, Jess Franco, Sonia Okomo, Paul Lapudus
Torremolinos ano 2000. Aquela que parece ser a cidade mais calma do mundo está a ponto de submergir numa onda de terror. O terrível Dr. Malvedades chega à cidade com a intenção de ressuscitar quatro caratecas afogados na Baía de Málaga. Seu plano é seqüestrar cinco garotas que haviam perdido a virgindade sob a lua de agosto para despertar o monstro jocántaro e conseguir dominar o mundo.

 18h
 El sexto sentido

(Espanha, 1929, P&B, 77min)
direção: Nemesio Sobrevila e Eusébio Fernández Ardavin – elenco: Maria Anaya, Ricardo Baroja, Faustino Bretaño, Enrique Duran
Carlos aconselha seu amigo Leon a visitar o professor Kamus. Este lhe apresenta sua nova invenção, o sexto sentido, que não é outra coisa senão a câmera cinematográfica.

(Espanha, 1944, P&B, 81min)
direção: Edgar Neville – elenco: Antonio Casal, Isabel de Pomés, Julia Lajos, Guilhermo Marin
Madri, final do século 19, o enigmático fantasma do Dr. Mantua revela a Basílio a existência de uma cidade subterrânea habitada por dezenas de corcundas dedicados à atividade criminosa. O jovem consegue chegar à torre dos sete corcundas, na qual permanece seqüestrada e hipnotizada Inês, a sobrinha do defunto doutor.

 

dia 11/6 – quarta
16h
 Amanece que no es poco

(Espanha, 1988, cor, 110min)
direção: José Luis Cuerda – elenco: Antonio Resines, Cassen, Luis Ciges, Aurora Bautista, Enrique San Francisco
Um engenheiro espanhol trabalha como professor numa universidade nos Estados Unidos. Ele regressa à Espanha e descobre que seu pai matou sua mãe. Para compensar a perda o pai compra para o filho uma motocicleta com “sidecar”. Juntos chegam a um remoto povoado nas montanhas onde encontram pessoas estranhas.

(Espanha/Suíça/Alemanha, 1958, P&B, 90min)
direção: Ladislao Vajda – elenco: Heinz Rühmann, Maria Rosa Salgado, Michel Simon, Gert Fröbe
Um homem tímido, casado com uma mulher dominadora, esconde uma segunda personalidade patológica, a de seqüestrador e assassino de crianças, que são atraídas mediante sugestivos jogos de prestidigitação. 

(Espanha, 1970, cor, 86min)
direção: Pedro Olea – elenco: Jose Luis López Vázquez, Amparo Soler Leal, María Arias, Modesto Blanch
Um doente que sofre de epilepsia e cresceu num ambiente pouco sofisticado e supersticioso acaba considerado por todos, inclusive por ele mesmo, como um homem lobo.

 

dia 12/6 – quinta
16h
Metamorfosis

(Espanha, 1971, cor, 90min)
direção: Jacinto Esteva Grewe – elenco: Marta May, Alberto Puig, Carlos Otero, Julian Ugarte
Um rico homem de negócios mantém uma fundação de experimentos para a cura de seres anormais. Ele parece ter conseguido um ser extraordinário, mas foi um ledo engano.

 18h
 El caballero del dragón

(Espanha, 1985, cor, 90min)
direção: Fernando Colomo – elenco: Miguel Bosé, Klaus Kinski, Harvey Keitel, Fernando Rey
Um OVNI, que abduz animais terrestres para estudos, aterroriza um povoado espanhol em plena Idade Média. Os moradores do lugar o tomam como um dragão mítico. Quando a filha do conde, que governa o povoado, é abduzida pelo cientista extraterrestre é organizada uma investida armada contra o “dragão”.

20h
 Amanece que no es poço

(Espanha, 1988, cor, 110min)
direção: José Luis Cuerda – elenco: Antonio Resines, Cassen, Luis Ciges, Aurora Bautista, Enrique San Francisco
Um engenheiro espanhol trabalha como professor numa universidade nos Estados Unidos. Ele regressa à Espanha e descobre que seu pai matou sua mãe. Para compensar a perda o pai compra para o filho uma motocicleta com “sidecar”. Juntos chegam a um remoto povoado nas montanhas onde encontram pessoas estranhas.

dia 13/6 – sexta
16h
 El caballero del dragón

(Espanha, 1985, cor, 90min)
direção: Fernando Colomo – elenco: Miguel Bosé, Klaus Kinski, Harvey Keitel, Fernando Rey
Um OVNI, que abduz animais terrestres para estudos, aterroriza um povoado espanhol em plena Idade Média. Os moradores do lugar o tomam como um dragão mítico. Quando a filha do conde, que governa o povoado, é abduzida pelo cientista extraterrestre é organizada uma investida armada contra o “dragão”.

18h
 Metamorfosis

(Espanha, 1971, cor, 90min)
direção: Jacinto Esteva Grewe – elenco: Marta May, Alberto Puig, Carlos Otero, Julian Ugarte
Um rico homem de negócios mantém uma fundação de experimentos para a cura de seres anormais. Ele parece ter conseguido um ser extraordinário, mas foi um ledo engano.

20h
 Los blues del vampiro

(Espanha, 1999, cor, 86min)
direção: Jesús Franco – elenco: Rachel Sheppard, Anália Ivars, Lina Romay, Jesús Franco
Uma garota americana descansa alguns dias na Espanha. Apaixonada por cinema de terror, compra uma camiseta com a imagem de uma erótica e bela vampira. A partir desse momento, a vampira apodera-se dos seus sonhos e de suas vontades.

dia 14/6 – sábado
16h
 El bosque del lobo

(Espanha, 1970, cor, 86min)
direção: Pedro Olea – elenco: Jose Luis López Vázquez, Amparo Soler Leal, María Arias, Modesto Blanch
Um doente que sofre de epilepsia e cresceu num ambiente pouco sofisticado e supersticioso acaba considerado por todos, inclusive por ele mesmo, como um homem lobo.

 18h
 El habitante incierto

(Espanha, 2005, cor, 110min)
direção: Guillem Morales – elenco: Adoni Garcia, Mónica López, Francesc Garrido, Agusti Villaronga
Um arquiteto está emocionalmente acabado com a recusa de sua namorada de continuar morando com ele. Certa noite ele recebe a visita de um desconhecido que lhe pede para usar o telefone, mas num momento de descuido o indivíduo desaparece sem deixar rastro. A partir daí uma série de acontecimentos, cada vez mais inquietantes, o fazem pensar que o tal intruso permaneceu morando na casa. 

20h
 Karate a muerte en Torremolinos

(Espanha, 2002, cor, 79min)
direção: Pedro Temboury – elenco: Curro Cruz, Jess Franco, Sonia Okomo, Paul Lapudus
torremolinos ano 2000. Aquela que parece ser a cidade mais calma do mundo está a ponto de submergir numa onda de terror. O terrível Dr. Malvedades chega à cidade com a intenção de ressuscitar quatro caratecas afogados na Baía de Málaga. Seu plano é seqüestrar cinco garotas que haviam perdido a virgindade sob a lua de agosto para despertar o monstro jocántaro e conseguir dominar o mundo.

dia 15/6 – domingo
16h
 El cebo

(Espanha/Suíça/Alemanha, 1958, P&B, 90min)
direção: Ladislao Vajda – elenco: Heinz Rühmann, Maria Rosa Salgado, Michel Simon, Gert Fröbe
Um homem tímido, casado com uma mulher dominadora, esconde uma segunda personalidade patológica, a de seqüestrador e assassino de crianças, que são atraídas mediante sugestivos jogos de prestidigitação.

18h
 La torre de los siete jorobados

(Espanha, 1944, P&B, 81min)
direção: Edgar Neville – elenco: Antonio Casal, Isabel de Pomés, Julia Lajos, Guilhermo Marin
Madri, final do século 19, o enigmático fantasma do Dr. Mantua revela a Basílio a existência de uma cidade subterrânea habitada por dezenas de corcundas dedicados à atividade criminosa. O jovem consegue chegar à torre dos sete corcundas, na qual permanece seqüestrada e hipnotizada Inês, a sobrinha do defunto doutor. 

20h
 El sexto sentido

(Espanha, 1929, P&B, 77min)
direção: Nemesio Sobrevila e Eusébio Fernández Ardavin – elenco: Maria Anaya, Ricardo Baroja, Faustino Bretaño, Enrique Duran
Carlos aconselha seu amigo Leon a visitar o professor Kamus. Este lhe apresenta sua nova invenção, o sexto sentido, que não é outra coisa senão a câmera cinematográfica.


Contos de Anerás

terça-feira | 10 | junho | 2008

Os contos de Anerás são histórias de um mundo fantástico para onde o leitor é transportado quando inicia sua leitura. Ali, o leitor pode encontrar contos de caráter aventurescos, ou onde o suspense impera, ou mesmo histórias comuns, com personagens humanos vivendo situações difíceis. Enfim, são representações da vida em Anerás, para o leitor conhecer melhor o ambiente que envolve as histórias do blog. 
Alguns dos contos são relatos da vida de um personagem em particular ou de um acontecimento que pode ter conseqüências futuras para o Reino de Anerás. Luciano R.S., o autor, escreve sob o pseudônimo de Orfanik, um personagem peculiar da literatura de Julio Verne. Acesse http://contos-de-aneras.blogspot.com/


Zona Mórfica

terça-feira | 10 | junho | 2008

Zona Mórfica

Zona Mórfica reúne contos modernos que guiarão você por cativantes tramas de suspense, terror e fantasia. Nesta coletânea de contos, Cleber Pacheco traz nove histórias sinistras e envolventes. Em Zona Mórfica, dois garotos conseguem controlar seus sonhos; a tênue linha que aparta o mundo real do espaço onírico pode transformar a descoberta num terrível pesadelo. No conto gigante Aemulatores, Daniel desenvolve uma habilidade psicocinética que lhe pode ser útil quando envolto por criaturas – literalmente – de outro mundo. William, o garoto das mãos ociosas, recebe incentivo de uma ruiva bastante estranha para vingar-se de um professor. Três seres assombrosamente poderosos se digladiam em Três Bestas. Mais detalhes acesse www.cleberpacheco.com.br.


Versátil, Grampá vai da HQ ao cinema

terça-feira | 10 | junho | 2008

Uma indicação ao principal prêmio de quadrinhos do mundo; a direção de arte de um filme baseado em obra de Lourenço Mutarelli; participação em projeto envolvendo escritores e quadrinistas. Aos 30 anos, Rafael Grampá lança no mês que vem sua primeira HQ individual, mas seu traço peculiar já ganhou admiradores não apenas no universo dos quadrinhos, não apenas no Brasil. Gaúcho, Grampá trabalhou na rede de TV RBS. Há quatro anos em São Paulo, foi designer da premiada produtora Lobo e hoje dedica-se exclusivamente à produção de quadrinhos e de animação para o cinema. Resultado dessa dedicação é “Mesmo Delivery”, a aguardada estréia de Grampá numa obra individual. A HQ ganhará as prateleiras brasileiras em julho, pela Desiderata. Nos EUA, o livro ganha lançamento independente na Comic-Con, maior evento de quadrinhos do mundo, cuja 39ª edição acontece em San Diego entre 24 e 27 de julho. >> Folha de S. Paulo – 10/06/2008 – por Thiago Ney


LIVRO FAZ RAIO-X DO TERROR: QUADRINHOS, CINEMA & ROCK-N’-ROLL

quinta-feira | 5 | junho | 2008

 

Livro que será lançado no Fantasticon 2008, dias 5 e 6 de julho, em São Paulo, já está pronto: “Enciclopédia dos Monstros”, escrita pelo jornalista e pesquisador Gonçalo Junior.

 

“Enciclopédia dos Monstros” (Ediouro, 304 págs., R$ 59,90), foi produzido nas cores preta e vermelha e mostra as várias formas do terror em diferentes gêneros artísticos, inclusive nos quadrinhos, área em que o autor tem vários livros publicados. O mais conhecido é “Guerra dos Gibis”, lançado pela Companhia das Letras.

 

Gonçalo Junior tem uma trajetória muito ligada aos quadrinhos de terror.

Iniciou a coleção ainda criança. Comprava revistas do gênero publicadas pela editora Bloch. Depois, migrou para outras publicações, entre elas as da D-Arte. A extinta editora publicava revistas hoje clássicas, como “Calafrio” e “Mestres do Terror”. “Tornei-me fanático”, diz o jornalista baiano, que há alguns anos mora em São Paulo.

 

“Enquanto isso, descobria o cinema de horror e, principalmente, a literatura gótica dos séculos 18 e 19. Tanto que 99% das imagens do livro vieram de meu acervo particular.”

 

Ele diz que, do convite finalização, demorou um ano e meio para compor a obra. Nesse período, houve alguns ajustes. Um deles foi o nome. Deixou de ser “Livro dos Monstros” e incluiu a palavra “enciclopédia” no título. Outra alteração foi no número de páginas. Caiu de 360 para 304. Isso obrigou a enxugar parte do conteúdo, inclusive na parte de quadrinhos.

 

Gonçalo Junior tem outra obra de terror em finalização. É um roteiro de quadrinhos. O álbum, desenhado por Leônidas Grego, transforma cangaceiros em zumbis (leia mais aqui). Ele tem também outras três obras prontas, de cunho biográfico, e uma terceira em revisão, sobre os quadrinhos eróticos publicados no Brasil durante o período militar (mais aqui).

 

Na entrevista a seguir, feita por e-mail, o jornalista fala uma pouco mais sobre esses trabalhos -dois deles já têm editora definida- e detalha o conteúdo da “Enciclopédia dos Monstros”.

 

Blog – O livro aborda quais temas ou gêneros do terror?

Gonçalo Junior – O enfoque é mais cultural, o monstruoso no imaginário popular (que inclue as artes em geral). Trata dos monstros no cinema, nos quadrinhos, nas artes plásticas, na literatura, no rock, na TV etc. Por causa do gigantismo que rendeu, tive de tirar alguns tópicos menos relevantes, como os monsters trucks (aqueles carros com rodas gigantes), monstros nas tatuagens, serial killers, no cordel etc.

 

Na última vez em que conversamos (link), você mencionou que o livro teria por volta de 360 páginas e se chamaria “Livro dos Monstros”. O site da editora mostra que a versão final ficou com 304 páginas e teve o nome alterado para “Enciclopédia dos Monstros”. O que ocorreu?

Gonçalo – Adequação de mercado. Foi preciso deixar tudo muito enxuto para se fazer um livro que o máximo de pessoas pudessem adquiri-lo. Por exemplo: os dráculas do cinema: são dezenas, mas precisei selecionar meia dúzia. O mesmo vale para os quadrinhos. Dos 53 dráculas, deixei seis ou sete. Claro que, com isso, corro o risco de ser criticado por esquecido algum monstro, pois sempre aparece um pentelho para aproveitar e mostrar que ele sabe mais que tudo mundo. Faz parte da vida. Mas fiquei feliz com o resultado, não me violentei em nenhum momento por ter de cortar textos e imagens. Tudo foi feito com extrema gentileza por Pedro Almeida [editor da Ediouro], que sabe ver o lado comercial das coisas, mas é extremamente respeitoso com o autor. Um editor raro.

 

Na mesma entrevista, você dizia que o livro teria um terço do conteúdo relacionado a quadrinhos. Isso se manteve?

Gonçalo – Quadrinhos e cinema ocupam espaços mais ou menos do mesmo tamanho, o que dá mais da metade do livro. Cortei muita coisa de quadrinhos – pelos meus cálculos, ocupariam 600 páginas. De modo geral, porém, os textos introdutórios dão um panorama mais completo do que planejei inicialmente, o que torna a obra menos passível de críticas quanto à sua profundidade. Além disso, preservei a idéia inicial de oferecer ao leitor um passeio visual pelo mundo do horror. As crianças vão adorar nesse aspecto.

 

O que da área de quadrinhos você aborda na obra?

Gonçalo – Optei por duas partes: uma seleção dos mais importantes monstros de todas as editoras nacionais – La Selva, Outubro, Taika, Ebal, RGE, Vecchi, Grafipar, Press, D-Arte, Nova sampa etc) e outra com subgêneros: vampiros, dráculas, lobisomens, múmias, crianças-monstros, vilões-monstros, monstros japoneses, monstros infantis, monstros do pântano etc. O mesmo vale para cinema e TV.

 

Quanto do material abordado no livro é de quadrinho nacional e quanto é de publicações estrangeiras?

Gonçalo – Não me preocupei com isso. Tentei abraçar ao máximo tudo que foi publicado, com ênfase em descobrir criaturas esquecidas e sem deixar de fora as mais populares. No ítem “Monstros do Pântano”, por exemplo, encontrei quase 20, desde 1950. Mas a parte nacional está mais completa, creio, porque o Brasil tem uma tradição de terror só comparável aos Estados Unidos. Em número de títulos, acho que somos o número um do mundo em todos os tempos.

 

O Brasil tem um histórico de publicações de terror em quadrinhos. Da década de 1980 para a seguinte, sumiram. Você conseguiu mapear o motivo disso?

Gonçalo – Boa pergunta. Resposta complexa. A última editora atuante de terror foi a D-Arte, que encerrou suas atividades em 1993. De lá para cá, revoluções aconteceram no mercado com as graphic novels e os mangás, principalmente. O Brasil se profissionalizou também, os artistas foram para os quadrinhos mais autorais, undergrounds no sentido da crítica social e de comportamento, ou partiram para produzir super-heróis. E o terror, que já dava sinais de saturamento, desapareceu. Acho que os editores não apostam mais em sua viabilidade. Há um vácuo de uma geração aí e a molecada não cresceu lendo esse gênero, o que reflete a falta de interesse. O terror está sendo renovado no cinema com a tecnologia digital e isso ainda não refletiu nos quadrinhos. Embora o Brasil tenha tradição, cá entre nós, produzimos muito lixo, muito plágio descarado dos quadrinhos da EC Comics nos anos de 1950 e 1960 (a renovação só veio com Spektro, criada em 1977). Esse é um aspecto que precisa ser desmistificado. No dia em que um acadêmico parar para ler e estudar essas histórias, ficará com vergonha, com raríssimas exceções. Na verdade, nós idolatramos nossos artistas pelo desbravamento e coragem e não pelo conteúdo em si do que fizeram. Só sairemos do atraso no dia em que isso for revisto.

 

E suas outras obras? A biografia de Álvaro de Moya [pesquisador de quadrinhos], o livro sobre as editoras de revistas eróticas da década de 1970. A quantas andam?

Gonçalo – As biografias de Moya e Rodolfo Zalla [um dos mais antigos desenhistas com atuação no Brasil]– que fiz em 2005 e 2003, respectivamente – sairão até o fim do ano por uma editora de São Paulo que respeito muito pela ética e boa conduta no mercado, pela relação que tem com os autores. Sairão com os nomes deles como autores. Apenas colhi suas maravilhosas histórias e botei no papel. A Guerra dos Gibis 2 (sobre revistas eróticas) está concluída, mas preciso dar umas mexidas – e sem qualquer pressa para publicação, se isso acontecer um dia. Tem ainda uma microbiografia de Colin que deve sair pela Marca de Fantasia e um livro sobre a revista O Grilo, ainda sem editor (e não vou correr atrás de nenhum). Essas são as minhas saideiras do mundo da pesquisa dos quadrinhos. São coisas que estão na gaveta faz tempo. Depois, vou sair completamente desse meio. Quero me dedicar a pesquisas em outras áreas (aliás, o que já estou fazendo
>> BLOG DOS QUADRINHOS – por Paulo Ramos


MESAS-REDONDA DE FANTASIA & TERROR NA LIVRARIA CULTURA

quinta-feira | 5 | junho | 2008

Flyer da Mesa redonda na Livraria Cultura


TIRINHAS DE KAS REVELAM O SUBMUNDO DOS DESENHOS ANIMADOS

quinta-feira | 5 | junho | 2008

Série de tiras alternativas Underworld’ ganha antologia no Brasil.
Quadrinhos mostram o lado B de Popeye, Mickey Mouse e cia.


A vida dos personagens de desenhos animados nem sempre tem final feliz. No submundo de Kazimieras G. Prapuolenis, quadrinista americano mais conhecido como Kaz, Popeye tornou-se um assaltante e traficante de drogas, Mickey Mouse engordou uns quilos e também se voltou para o mundo do crime e Félix, o gato, acabou se transformando em um fumante compulsivo e mal-educado.

Publicada na imprensa alternativa americana desde 1991, a série de tirinhas “Underworld” chega finalmente ao Brasil este mês numa antologia da editora Zarabatana - mesma que introduziu também há pouco os quadrinhos underground de Tony Millionaire e Dave Cooper nas livrarias brasileiras.

Leia uma seleção de tiras de ‘Underworld’

Indicada quatro vezes ao prêmio Harvey nos EUA, “Underworld” mistura ícones da cultura pop infantil com o tempero subversivo e sacana de Robert Crumb e da revista “MAD”. Mas que os adultos não se enganem: apesar de certo parentesco gráfico com Disney e a Turma do Pernalonga, o conteúdo das tirinhas de Kaz não é nada indicado para crianças.

Leia a seguir trechos da entrevista que o autor concedeu ao G1 por email:

G1 – Vamos começar com um pouco de background. Quando e como você começou a trabalhar com quadrinhos?
Kaz - Eu só comecei a desenhar quadrinhos a sério quando terminei o colegial e percebi que minha vida seria desperdiçada em trabalhos sem perspectiva caso eu não me tornasse um cartunista. Aos 18 anos, criei uma tira chamada “Mister Roach”, cujo personagem era um inseto que eu vinha desenhando nos meus bloquinhos de anotações. Desenhei e imprimi quatro semanas de tiras e as enviei para todas as agências de distribuição, mas fui rejeitado por todas elas. Cheguei à conclusão de que não sabia nada sobre quadrinhos e fui estudar na School of Visual Arts, em Nova York. No segundo ano, tive aulas com Art Spiegelman [autor de "Maus"], que me encorajou a meter as caras e a buscar as publicações. Eu acabei vendendo uma tira chamada “The pests” para uma revista de música mensal chamada “The New York Rocker”. Era uma tira sobre três insetos que formavam uma banda de rock, mas, depois de alguns meses, eles me demitiram dizendo que meu texto era terrível. Eles estavam certos. Aquelas tiras eram horríveis. Mas continuei fazendo quadrinhos de uma página na aula do Spiegelman, meio relutante em mostrá-los porque achava que eram muito cabeça, estranhos, e nada comerciais. Mas como não tinha nada mais para oferecer, mostrei para a “New York Rocker” e eles amaram e me contrataram de novo. Essa tira se chamava “Vamp dance” e me colocou no mundo dos quadrinhos underground, que era algo bem pequeno naquela época (final dos anos 70, começo dos 80).

Você tem uma família da Lituânia, católica, mas suas referências culturais são completamente americanas (desenhos animados, quadrinhos underground etc.). Como era sua relação com esses dois mundos tão distintos quando estava crescendo?
Kaz -
A cultura dos meus pais sempre me pareceu velha, careta e morta. Se havia uma cultura lituana diferente, meus pais não me apresentaram a ela. Quando eu era mais jovem, me fizeram freqüentar aulas de lituano, onde eu fazia danças típicas e peças infantis lituanas. Mas quando cheguei à adolescência mergulhei completamente na cultura pop americana. Me sentia mais atraído pela margem da cultura pop: quadrinhos underground, punk rock, filmes B, desenhos animados, pornô e, mais tarde, um pouco de pintura de vanguarda. Um amigo já me disse que os meus temas são geralmente sombrios e que isso evoca a arte do leste europeu. Fui conferir e reconheci uma ligação, até me convenci de que eram minhas raízes lituanas funcionando como um filtro para todo o lixo americano que tinha absorvido. E isso se tornou o meu “negócio”, um conceito que uso até para me definir.

Você tem uma família da Lituânia, católica, mas suas referências culturais são completamente americanas (desenhos animados, quadrinhos underground etc.). Como era sua relação com esses dois mundos tão distintos quando estava crescendo?
Kaz -
A cultura dos meus pais sempre me pareceu velha, careta e morta. Se havia uma cultura lituana diferente, meus pais não me apresentaram a ela. Quando eu era mais jovem, me fizeram freqüentar aulas de lituano, onde eu fazia danças típicas e peças infantis lituanas. Mas quando cheguei à adolescência mergulhei completamente na cultura pop americana. Me sentia mais atraído pela margem da cultura pop: quadrinhos underground, punk rock, filmes B, desenhos animados, pornô e, mais tarde, um pouco de pintura de vanguarda. Um amigo já me disse que os meus temas são geralmente sombrios e que isso evoca a arte do leste europeu. Fui conferir e reconheci uma ligação, até me convenci de que eram minhas raízes lituanas funcionando como um filtro para todo o lixo americano que tinha absorvido. E isso se tornou o meu “negócio”, um conceito que uso até para me definir.

Em que momento você começou a olhar para personagens como Popeye, Mickey e Donald sob esse ângulo, digamos, menos ortodoxo?
Kaz -
Quando criança eu desenhava cartuns sujos para me divertir, mas foi só quando vi o trabalho de Robert Crumb por volta dos 13 que meu cérebro deu nó. Ele fazia personagens bonitinhos de cartuns, mas que eram mais honestos com o modo que as pessoas realmente eram. Em particular, sua tira “Squirrely the Squirrel”, onde Squirrely, um sujeitinho de aparência típica dos desenhos, era revelado como sendo um sádico perigoso. Eu fui vítima de violência física quando criança e esse quadrinho era mais honesto para mim do que o que eu via na televisão. Fui fisgado. Mas levou um tempo para eu ter a coragem de desenhar quadrinhos tão sombrios e engraçados quanto eu via o mundo. Foi só na escola de artes e depois de ver alguns museus de arte em Nova York que me permiti usar esses personagens como Popeye e Mickey Mouse e injetar neles minhas próprias sensibilidades. Eu passei a controlar sua dor, seus tormentos e seus planos diabólicos. Era algo divertido e libertador.

É possível ver em seu site que as reações a seu trabalho nunca foram unânimes. Quais foram as críticas ou ameaças mais marcantes que você já recebeu?
Kaz -
Ser demitido do jornal “Arizona Republic” foi a mais intensa. Eles publicaram uma tira minha sobre um travesti que fazia programas, e o editor ficou tão feliz de receber reclamações que as enviou por e-mail diretamente para mim. Mas as reclamações aumentaram tanto que, no final do dia, ele teve de cancelar meus quadrinhos. O “Arizona Republic” era um jornal vendido em banca, então havia receio de que eles perdessem seus clientes. Todos os outros jornais que publicam “Underworld” são semanais gratuitos. As pessoas que os lêem sabem o que estão levando então ninguém sai ofendido. Houve vezes em que eu quis ser provocativo e me impressionei por não haver reação. Então agora eu faço o que der na telha.

Você falou em Crumb e Spiegelman como influenciadores, mas você vê uma nova onda de quadrinhos underground hoje, com nomes como Johnny Ryan, Tony Millionaire e o seu?
Kaz -
Bem, essa onda já está velha agora. Tony Millionaire disse que foi ao ver minha primeira tira “Underworld” publicada no “The New York Press” que decidiu fazer sua própria. Mas é preciso muita energia para continuar fazendo esses quadrinhos semana após semana. Muita gente fica na área por um tempo e depois desiste quando descobre que não está conseguindo muitos jornais e não consegue se manter.

Você trabalhou em animações como “Bob Esponja”, “Camp Lazlo” e “Phineas and Ferb”. Acha que os desenhos animados adultos de hoje estão expandindo a área dos quadrinhos underground?
Kaz -
Na verdade, são os desenhos animados que se parecem com quadrinhos underground. Cartunistas que estariam fazendo quadrinhos preferem agora gastar fazendo desenho animado porque o dinheiro é muito melhor e eles não têm de fazer todos os desenhos sozinhos. Desenhos animados para adultos são hoje uma forma reconhecida de entretenimento comercial. Eu ainda preciso chegar lá, porque o que tenho feito são animações para crianças. Mas estou me cansando das regras do entretenimento infantil e meus próximos esforços serão para fazer programas adultos. A princípio, pensei que o campo já estava saturado e que não haveria nada com que eu pudesse contribuir na animação adulta que já não estivesse fazendo com meus quadrinhos. Mas há um público vasto para animação que nunca leu quadrinhos.
>> G1 – por Diego Assis – 3/04/2008


SUPER-HERÓI GAY EM SERIADO DE TV

quinta-feira | 5 | junho | 2008


Em agosto do ano passado, o livro Hero, escrito por Perry Moore, angariou grande destaque na mídia. Apesar dos elogios da crítica especializada e do sucesso de público – que nos primeiros dias de lançamento fez a obra entrar na lista dos mais vendidos nos Estados Unidos -, o que chamou a atenção foi menos a qualidade literária e mais o protagonista do enredo.A trama narra as desventuras de Thom Creed, um adolescente que esconde do mundo a sua homossexualidade e o incrível poder de curar ferimentos e doenças. As dificuldades em controlar esse dom e conviver com a descoberta sexual tornam sua vida uma miríade de confusões psicológicas e sentimentais.

Quando o destino o faz cruzar o caminho da Liga, uma equipe de super-heróis que o aceita no grupo, Creed descobre um mundo de romances, aventuras e, como não poderia deixar de ser, muitas batalhas contra o mal.

Destinado ao público jovem, Hero também acumulou desafetos e polêmicas que poderão acompanhá-lo em sua nova empreitada no mundo do entretenimento.Com a ajuda de ninguém menos que Stan Lee, criador do Homem-Aranha e de outros famosos super-heróis dos quadrinhos, o livro de Perry Moore deverá ganhar uma versão para seriado de TV.

Os dois artistas estão em conversas para realizar a idéia que, inicialmente, era a de produzir um longa-metragem para a tela grande. Dois canais de televisão dos Estados Unidos estariam interessados no projeto.

O autor de Hero garante que o seriado não terá um clima camp e será similar a Lost, seja qual for o sentido dessa afirmação.

Lee é um fã confesso da obra de Moore, um roteirista e produtor de cinema (responsável pela série Crônicas de Nárnia) que com esse trabalho estreou como escritor de romances.

Uau! Isso é totalmente original! (…) Uma experiência inesquecível – imperdível!”, escreveu Stan Lee para a quarta capa das reedições do livro.E assim, depois de passar pelo mundo literário, sair incólume a ainda ser aplaudido, o primeiro super-herói gay adolescente – como Thom Creed já é chamado – se prepara para transpor mais um obstáculo que Perry Moore afirma ser o preconceito contra heróis homossexuais.

No artigo Quem se importa com a morte de um super-herói gay?, de autoria do escritor e publicado em seu site, é apresentada uma extensa lista de personagens gays dos quadrinhos que foram descartados, maltratados e, em sua grande maioria, assassinados. O texto inclui tópicos de contagem relacionados ao assunto, mostrando, em um dos trechos, que o mutante Wolverine já matou um homossexual.

“Homossexuais não podem ser heróis”, finaliza o artigo, citando o comentário que um leitor de quadrinhos postou há alguns anos no site do roteirista Peter David.
>> UNIVERSO HQ – por Marcus Ramone 


O NOVO MUNDO SEGUNDO SHAUN TAN

quinta-feira | 5 | junho | 2008

Não é sempre que podemos ter em nossas mãos um livro de HQs inovador e candidato a se tornar um marco. The Arrival (Scholastic, 2007, EUA), obra do desenhista australiano Shaun Tan é um deles.

O livro conta a história de um migrante, habitante de um mundo fictício e fantástico, que deixa temporariamente sua família em um país aterrorizante e parte em busca de uma nova vida em um outro continente. Na megalópole deste novo mundo, claramente baseada em Nova Iorque, ele vai enfrentar uma língua desconhecida, hábitos incomuns, estranhos animais de estimação (que acompanham cada pessoa) e uma legião de outros imigrantes que, como ele, chegaram ali pelos mais diversos motivos buscando um refúgio e um futuro menos opressor.

Mas essa determinação em trilhar um novo caminho esbarra em um mundo com arquitetura, alimentos, transportes, habitações e escrita completamente incompreensíveis e enigmáticos, e onde a simples compra de um pão ou leitura de um mapa da cidade é um quebra-cabeça que exige muita energia.

Shaun Tan nos conta esta saga, em uma história em quadrinhos de 120 páginas desenhadas com lápis grafite, com uma maestria incomum. Utilizando-se apenas de imagens, sem nenhum texto, ele monta uma espécie de seqüência de antigas fotos em tons sépia ou azuladas feitas por uma velha máquina fotográfica, construindo o que seria a recordação de uma história vivida há muito tempo. Um dos inspiradores do livro foi seu próprio pai, que se mudou da Malásia para a Austrália em 1960.

Mesmo usando como referências indiretas (e fazendo-nos lembrar) as imagens sombrias do expressionismo alemão, as passagens sufocantes das histórias de Kafka e a cruel fauna da animação O Planeta Selvagem, de Roland Topor, Shaun Tan conta uma história positiva, de esperança, amizade e superação.

Tan já havia publicado antes vários livros com imagens – picture books – geralmente classificados como obras para o púbico infantil, mas que podem ser apreciados por pessoas de qualquer idade: The Viewer, The Rabbits, Memorial, The Lost Thing, The Red Tree.
The Arrival é o primeiro em que ele utiliza o formato graphic novel. E com muito sucesso, pois dentre os vários prêmios que conquistou está o de Melhor Álbum de 2008 do Festival Internacional de HQ de Angoulême, com a edição francesa da história (Là Où Vont Nos Peres, Dargaud, 2007).

Esperemos que esse prêmio seja um convite e um incentivo para a criação de outras obras que se tornem habitantes do planeta das histórias em quadrinhos
>> TERRA MAGAZINE – por Cláudio Martini

Maestria incomum. Com apenas imagens, sem texto, australiano monta espécie de seqüência de antigas fotos feitas por uma velha máquina fotográfica


Premiê britânico vira personagem de HQ

quinta-feira | 5 | junho | 2008

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, tornou-se personagem de uma nova edição da revista em quadrinhos Captain Britain, ou Capitão Bretanha, produzida nos Estados Unidos pela editora Marvel Comics. Em Captain Britain & The MI13, o premiê aparece como uma figura heróica que pede a ajuda de super-heróis britânicos – entre eles o Capitão Bretanha – em uma missão para salvar a nação de invasores alienígenas. Na trama, três dos invasores conseguiram penetrar no gabinete e assumiram a forma de ministros, entre eles, o ministro do Interior. Na vida real, o governo Brown enfrenta uma grave crise, com os índices de popularidade mais baixos das últimas décadas. Fundada em 1939, a editora Marvel Comics publica quadrinhos de heróis como o Capitão América, Homem Aranha, Homem de Ferro, o Poderoso Thor, o Incrível Hulk e o Quarteto Fantástico, entre outros. >> BBC Brasil – 05/06/2008


Novos universos de Asterix

quinta-feira | 5 | junho | 2008
O inusitado encontro de Asterix e Obelix com seu criador, a história de uma romana que, cansada de ver seus namorados apanharem dos dois gauleses, vai à aldeia para tirar satisfação com a dupla, e uma fantástica visita dos dois famosos personagens à Patópolis, onde conhecem Tio Patinhas, Pato Donald e muitos outros. Estas são algumas das cenas criadas por 34 ilustradores de todo o mundo, que apresentam sua visão sobre o universo de Asterix em histórias inéditas, feitas exclusivamente para o álbum Asterix e seus amigos [Record, 64 pp., R$ 25]. A fim de celebrar os 80 anos de Albert Uderzo, dezenas de artistas, entre os mais talentosos do momento, fizeram questão de dar seu testemunho sobre seus inspirados e valiosos desenhos. Criação de René Goscinny e Albert Uderzo, as histórias dos personagens já venderam centenas de milhões de exemplares em mais de 107 línguas e dialetos desde 1961, data do primeiro álbum [Asterix, o gaulês]. FONTE: PublishNews - 05/06/2008

1ª TEMPORADA DE “CONTRATEMPOS” JÁ ESTÁ NAS LOJAS

quarta-feira | 4 | junho | 2008

Para os fãs de “Contratempos/Quantum Leap“, a série chegou em DVD no Brasil. Com seus oito primeiros episódios lançados em mid-season nos EUA, juntamente com o filme piloto que deu origem à série, o Box traz dois discos, opções de áudio em português (dublagem original) e inglês, além das legendas em inglês e português. Não tem Extras. A imagem é remasterizada e o áudio é em 2.0 Dolby Digital, tanto para o som em inglês quanto em português.

Esta primeira temporada, produzida em 1989, traz Sam Beckett (Scott Bakula – nesta fase dublado por André Filho), um cientista que viaja no tempo e se vê preso em seu próprio período de vida, ou seja, suas aventuras transcorrem entre os anos 50 e os anos 80. Nelas, ele se vê envolvido com pessoas que vêem nele a aparência da pessoa em quem ele “incorporou”. Com isso ele tem a oportunidade de concertar o que uma vez deu errado. Com a ajuda de Al (Dean Stockwell – sempre dublado por Francisco José), seu colega que aparece para ele na forma de um holograma que somente Sam pode ver e ouvir.

A série foi criada e produzida por Donald P. Bellisario, responsável por sucessos como “Magnum”, “JAG”, “Águia de Fogo” e “NCIS”, entre outras. A idéia de “Contratempos” surgiu de um episódio de “Galactica”, produção de 1978 na qual Bellisario trabalhou como roteirista e supervisor de produção. Trata-se do episódio “Experiência na Terra/Experiment in Terra”, escrito por Glenn A. Larson, criador e produtor de “Galactica”.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


Malvadeza nos quadrinhos

quarta-feira | 4 | junho | 2008

André Dahmer, 33 anos, é o criador de “Malvados”, duas criaturinhas estranhas, redondas e sacanas, que viraram febre dos quadrinhos on line. Dez mil pessoas acessam o site diariamente para acompanhar as tirinhas em preto e branco, que viraram livro. Formado em desenho industrial, André é apontado por gente do ramo como um dos melhores quadrinistas da atualidade. Conforme Cleo Guimarães, do Globo, o livro será lançado na noite desta quarta-feira, na Travessa de Ipanema. [Rua Visconde Pirajá, 572 - RJ]. >> O Globo – 04/06/2008 – por Cleo Guimarães (interina)


UM FILME SOBRE CAÇADORAS DE VAMPIRAS LÉSBICAS? AGORA VAI!

quarta-feira | 4 | junho | 2008

Se tem alguma coisa que sempre vai vender é sexo e violência. Quando juntos, a coisa fica cáotica!
O legal é como às vezes idéias que parecem completamente clichés, na verdade praticamente nunca foram usadas. E em matéria de violência e sexo, muita coisa já foi feita no cinema.

Veja esse novo filme por exemplo, Lesbian Vampire Killers. Isso mesmo, Matadores de Vampiras Lésbicas.

É uma idéia tão absurda e legal, que nunca foi explorada. E veja como o próprio título te prepara pro que vêm a seguir. Se eles tivessem só colocado “Matadores de Vampiras”, mostrando caçadores matando um monte de vampiras que ficam todas juntas é um coisa. A partir do momento que a palavra “lésbica” é colocada na frase, tudo muda, pois aí eu já espero por uma cena de sacanagem.=D

E é talvez pensando nisso que tal título foi selecionado para a história de uma vila que tem uma maldição onde todos são atormentados por vampiras, que por um acaso do destino são lésbicas. Então os poucos homens que sobraram mandam dois jovens para serem sacrificados e evitar que as vampiras façam a boa na cidade. Provavelmente eles se tornaram caçadores de vampiras, e então veremos sangue, um pouco de violência caótica, e quase que certamente, peitinhos.=D

Ficaremos de olho e qualquer novidade que apareça sobre essa película com potencial para ser grandiosa, nós contaremos pra vocês.=D
Lesbian Vampire Killers ainda não tem data de estréia.
>> JUDÃO – por André Luiz de Mello

E a cantora  Lily Allen vai estrear  nas telonas. A atualmente loira foi convidada para viver uma vampira lésbica em 2009, no longa ainda sem tradução “Lesbian Vampire Killers”.  A polêmica Lily vai contracenar com os atores da TV britânica, Mathew Horne e James Corden, desconhecidos pelo público brasileiro.


NOVO GIBI DE STEPHEN KING TEM EQUIPE CRIATIVA DEFINIDA

quarta-feira | 4 | junho | 2008

Marvel adapta mais uma série do mestre do terror

Após conseguir um grande sucesso com o prelúdio da série de livros A Torre Negra, a Marvel e Stephen King decidiram continuar a parceria com uma adaptação de The Stand (no Brasil chamado de A Dança da Morte), sobre uma praga que mata a maior parte da humanidade e de como as forças do mal usam esta oportunidade para tentar dominar os sobreviventes. É o maior livro de King, com mais de 1000 páginas.

No último sábado, na convenção Wizard Con da Filadélfia, o editor Joe Quesada anunciou a equipe criativa da revista. Os roteiros ficarão a cargo de Roberto Aguirre- Sacasa (Homem-Aranha) e os desenhos serão de Mike Perkins. Completam a equipe a colorista Laura Martin (que já foi Laura Depuy), o letrista Chris Eliopolus e o capista Lee Bermejo.

A primeira minissérie se chamará Capitão Viajante, o nome do vírus mortal. A editora pretende adaptar o livro inteiro para o formato de quadrinhos.

E nós achando que o cinema é que andava com falta de idéias, apelando pra todo lado…
>> ANTIGRAVIDADE – por Maurício Muniz

E para quem não se lembra ou não viu: The Stand, de Stephen King


CONFIRMADA A MESA DE NEIL GAIMAN NA FLIP

segunda-feira | 2 | junho | 2008

A organização da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) confirmou a mesa da qual e escritor e quadrinista Neil Gaiman participará no evento, ao lado do escritor e roterista Richard Price.
A mesa ocorre no dia 5 de julho, sábado, às 11h45. Abaixo segue a descrição do encontro:

A Mão e a Luva
Neil Gaiman e Richard Price

Richard Price começou a carreira associado ao gênero policial, mas libertou-se do rótulo para firmar-se como um dos principais nomes da prosa de ficção norte-americana. “É exatamente isso que sua linguagem faz: liberta-se”, escreveu o crítico James Wood a respeito de seu último livro, Lush Life, num longo artigo para a New Yorker.

Neil Gaiman tornou-se conhecido como quadrinista, mas seu trabalho também ultrapassou classificações fáceis para firmá-lo como um ícone da cultura pop. Price e Gaiman têm em comum a versatilidade — ambos são roteiristas de cinema — e a capacidade de perturbar idéias prontas a respeito da complexidade dos gêneros que praticam.


BRUXAS, FANTASIA E HUMOR ADULTO

segunda-feira | 2 | junho | 2008

O jornalista Antonio Carlos M. C. Costa publicou uma boa resenha do livro Quando as Bruxas Viajam na revista Carta Capital. Falando do mais recente lançamento do autor inglês no Brasil, Costa aproveita para apresentar Terry Pratchett para o público brasileiro, o comparando ao escritor satírico Jonathan Swift, autor de Viagens de Gulliver. Veja a seguir:

Todo leitor dotado de cultura, humor e algum conhecimento de contos de fada e fantasia corre sério risco de se viciar em Terry Pratchett. Cumpridos os pré-requisitos, pouco importa se o leitor odeia O Senhor dos Anéis, Conan, Wicca e vampiros ou adora tudo isso: os frouxos de riso estão garantidos.

Não é paródia escrachada ao estilo de O Fedor dos Anéis, de Henry Beard e Douglas Kenney, nem o humor frio e nonsense de O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams, e seqüências. Pense-se antes numa atualização das sátiras de Jonathan Swift às histórias de utopias e terras exóticas nas Viagens de Gulliver, adicionando-se uma dose generosa de compreensão e simpatia pela condição humana.

Dos 36 volumes escritos da série Discworld, nome do mundo mítico-medieval-vitoriano que Pratchett pôs no lombo da tartaruga gigante A’tuin, 12 foram publicados no Brasil, o mais recente dos quais é Quando as Bruxas Viajam (Conrad, 320 págs., R$ 39,90). Não é o mais indicado para o recém-chegado, pois as primeiras páginas pressupõem algum conhecimento prévio da série, mas é um bom exemplo.

Três bruxas feiosas montam em suas vassouras para salvar Emberella, personagem de um famoso conto de fadas, das garras de uma terrível fada-madrinha. Dito assim, soa como Shrek, mas não é para crianças. Além de recorrer a humor adulto em vários dos sentidos dessa expressão (inclusive o popular, embora com sutileza), embute reflexões aproveitáveis sobre o lado negativo de se tentar impor modelos de felicidade.

As histórias são hilárias a não mais poder, mas os personagens de Pratchett são mais do que caricaturas. É possível se identificar com seus problemas, crenças e aflições e encontrar neles os contra-sensos da vida real. Por trás das máscaras cômicas, as personagens centrais têm vida, consistência e sentimentos com os quais é possível se identificar, às vezes até admirar. Seu mundo, por mágico e estranho que pareça, tem uma lógica própria e seus problemas são examinados, enfrentados e superados de maneira mais perspicaz e conseqüente do que em muito da literatura dita realista. Não se corre o risco de salvar o mundo jogando um anel em um vulcão.

Na mesma paródia se condensam a “Deusa Tríplice” do misticismo New Age – do qual as duas bruxas mais velhas zombam, mas do qual a terceira é uma ingênua devota –, o folclore europeu e tropical, o tradicionalismo da Inglaterra rural e o provincianismo do turista britânico no exterior, certo de que tudo que não se pauta por seus costumes é pervertido, perspectiva repugnante para uma e fascinante para outra.

Se o leitor nunca se perguntou sobre o que uma bruxa européia tradicional teria a dizer a uma mãe-de-santo vudu, Pratchett responde assim mesmo. A órfã não habita um reino de contos de fada qualquer, mas uma mistura de Disneyworld com New Orleans e Haiti, com direito a pântanos, cozinha cajun e zumbis. Para quem gosta de caçar alusões e citações, é um prato cheio, como toda a série. Pelo caminho são encontrados e devidamente satirizados clichês tolkienianos, Lobsang Rampa, vampiros, turismo, barcas do Mississippi e Oz, tudo sem quebrar a lógica interna do mundo de Pratchett.

Infelizmente, algo da graça se perde na edição brasileira. Nem sempre há como evitar, mas a série mereceria uma tradução mais competente e inspirada. Por outro lado, desvendar a intenção do autor por trás da versão desajeitada talvez proporcione, para quem sabe inglês, uma camada extra de humor.

O realmente lamentável é que o autor, de 60 anos, foi diagnosticado, em 2007, com uma forma precoce do mal de Alzheimer, que pode dar um fim prematuro à sua brilhante carreira. Somando os títulos de Discworld e outros livros adultos e infantis, Pratchett vendeu 55 milhões de exemplares em 33 línguas. Em sua pátria, só J. K. Rowling é mais vendida, sem o merecer – e sem conseguir superá-lo no ranking dos autores mais roubados das livrarias britânicas.
>> CARTA CAPITAL – por Antonio Carlos M. C. Costa – 23/05/2008


SÉRIES NA WEB: CONHEÇA ALGUNS SITES OFICIAIS DOS SEUS SERIADOS FAVORITOS

segunda-feira | 2 | junho | 2008

Nem só de downloads de episódios vive o mundo das séries na internet. Os sites oficiais dos nossos seriados favoritos estão cada vez mais caprichados e acabam se tornando uma continuação da experiência de ver séries na TV. Há tempos que as páginas oficiais das séries americanas vão além dos tradicionais guias de episódios e papéis de parede para o computador.

O Séries Etc. avaliou os sites de algumas de suas (e nossas!) séries favoritas. Infelizmente, todos estão em inglês – um incentivo a mais para você fazer aquele cursinho do idioma.

A página oficial de “Dexter”que você acessa clicando aqui - já começa com uma gracinha: som de gotas caindo (só podem ser de sangue!) seguidos pelo tema de abertura da série. Apesar de estar desatualizada – o vídeo do site anuncia o último episódio do segundo ano – tem coisas bem interessantes.

Por exemplo, as informações sobre os episódios são acessadas pela caixinha onde o serial killer guarda amostras de sangue de suas vítimas. Assim, a gente descobre como elas foram atacadas, por que mereceram morrer e até a roupa usada pelo Dex no momento do assassinato.

Além de podcasts com o elenco, é possível comprar a camisa do time de boliche dos policiais da série ou uma com o logotipo do caminhão usado pelo Ice Truck Killer. O site ainda ensina como analisar manchas de sangue e traz um joguinho onde é preciso fotografar pistas na casa de um assassino.

Se você prefere os heróis mutantes, vai ter o muito que explorar no site de “Heroes”. Logo na primeira tela, dá para ouvir músicas da trilha sonora. O melhor, porém, está na série de histórias em quadrinhos “Heroes: Evolution” – atualmente com 86 capítulos! – com fatos inéditos para quem só acompanha a saga pela TV.

Outro destaque está na história interativa “The Last Shangri-La”, que introduz um personagem novo: Richard Druker. Clicar em “Play this Page” permite acompanhar a trama em versão animada. Os desenhos, caprichados, valem a conferida!

Também é possível entrar no site da Primatech Papers (onde o pai da Claire trabalhava) e no da Yamagato Fellowship, das empresas do pai do Hiro, contendo a história do Takeso Kensei. Para conferir, é só clicar aqui.

Comparando com o que a série tem a oferecer, o site oficial de “Lost” deixa a desejar. Tem links para os jogos “Find 815″“Lostscape”, mas não dá qualquer informação sobre o “Lost Experience”, jogo de realidade alternativa feito entre o segundo e o terceiro ano da série.

Apesar disso, a diversão fica por conta do gerador de apelidos do Sawyer. Outra boa pedida é ver todos os episódios especiais feitos para celulares, lançados oficialmente apenas nos EUA, em “Lost: Missing Pieces” e assistir a vídeos com as teorias de outros fãs sobre a série, além de ver e ouvir os podcasts e vídeo podcasts oficiais. 

O ponto forte está em “Lost: Connections”, um mapa onde é possível navegar pelas conexões existentes entre os personagens, com direito a ver as cenas onde os encontros acontecem. É uma versão estendida, atualizada – já inclui o quarto ano – e mais fácil de navegar do recurso existente no DVD do segundo ano da série. Para visitar o site, é só clicar aqui.

Os fãs de “Grey’s Anatomy” não precisam ficar com inveja porque o cantinho da série na internet é bem servido: clique e confira. Tem imagens de bastidores, teste para ver qual personagem você é, guia das músicas tocadas na série e muitos vídeos – incluindo a seção “Ask Grey’s Anatomy” em que a criadora da série, Shonda Rhimes, responde perguntas dos fãs.

Quer saber mais sobre os procedimentos mostrados na série? A seção “Medical Trivia” mostra as curiosidades médicas da segunda até a quarta temporada. Se tudo isso ainda não for o bastante, você pode ler os blogs, como o “Grey Matter”, dos roteiristas da série.

Mas as fofocas estão mesmo é no “Joe’s Emerald”, o espaço virtual do proprietário do bar freqüentado pelos personagens, no “Nurse’s Station”, relato da rotina do hospital feito pela enfermeira Debbie e no “The Intern”, diário online do residente novato Steve.

O post mais recente no blog do Joe começa com: “Quando Mark Sloan [O McSteamy] entra no bar e pede água, você sabe que há algo muito errado no Seattle Grace!”. Já o Steve diz que as últimas 50 horas de plantão mudaram a vida dele e promete contar os detalhes em alguns dias e, segundo Debbie, Cristina Yang não quer participar de uma cirurgia com a doutora Hahn – que ela vem bajulando desde o início desta temporada! Como assim?

Por falar em fofoca, o site de “Gossip Girl” oferece a chance de curtir o estilo do tem uma cara bacana, onde você clica na máquina fotográfica para ver as fotos, no computador para baixar papéis de parede, e assim por diante. Mas o melhor é saber as fofocas direto da fonte: o blog da Gossip Girl, claro, com relatos detalhadíssimos das vidas de Dan, Serena, Blake e todos os riquinhos que a gente adora!

E para quem tem vontade de adotar o visual da turma, a seção “Style” mostra os modelitos e acessórios ordenados por personagem, por episódio ou por marca. Luxo e riqueza! Para saber o que Dan, Blair, Serena e Jen ouvem em seus IPods, clique em Music para ver as musicas favoritas dos personagens e entrevistas com a supervisora musical da série.

Comédias também têm vez na internet. O ponto alto do bacanérrimo site de “30 Rock” está na grande quantidade de vídeos com melhores momentos dos episódios, além de entrevistas e imagens feitas exclusivamente para a web.

O hilário assistente Kenneth tem uma seção só para ele: o vídeo com dicas de exercícios físicos que você pode fazer no trabalho é imperdível. Tem bom-humor até em “Ask Tina”, onde a criadora da série Tina Fey tira dúvidas dos fãs e diz pérolas como: “O que você está fazendo no site da NBC às 3 da manhã? Vai dormir!” Quer ver? Acesse o site aqui.

Já a página de “House”, uma das mais bonitas da rede, não tem lá muito conteúdo. O destaque está no cantinho para as frases do médico misantropo, os “House-isms”, organizados por temporada. Pérolas como: “Você quer saber de todos os lugares por onde o dedo da sua mãe já passou?” ou “O I de CIA não significa Ironia?”. Clique aqui para conferir.

Quem ainda não sabe que o ator Hugh Laurie é inglês vai estranhar o sotaque britânico nas diversas entrevistas em vídeo disponíveis online. A seção “Q & A”, onde um “médico anônimo” tira dúvidas dos fãs não é atualizada desde a temporada passada, mas ainda vale a visita. E a parte de pesquisa, que segundo a página serve “para ajudar a aumentar suas tendências hipocondríacas”, indica links de sites médicos com as doenças de cada episódio.

Aproveite as dicas, navegue bastante e depois conte pra gente: qual o seu site de seriados favorito?

Os dias e horários das séries estão aqui. Ouça o programa de rádio do Séries Etc. clicando aqui 
>> SÉRIES ETC.


OS RITOS DO DRAGÃO

segunda-feira | 2 | junho | 2008

O que sou? Fui um tirano, um guerreiro e um daqueles que tombaram no campo de batalha. Fui cristão, andarilho e inimigo de Deus. Mendiguei e matei, torturei e salvei, jurei lealdade e traí. Morri e retornei, e bebo sangue quente. Meu nome é Vladislaus, antigo Príncipe da Valáquia, antigo comandante de exércitos. Chamado Tepes, chamado Kazîglu Bey, chamado Drácula, sou hoje muito mais do que fui. E também, talvez, muito menos.

É assim que Drácula apresenta o relato memorialista de sua não-vida como vampiro, desde o instante de sua morte no campo de batalha, passando por suas conquistas, maldades, fracassos e momentos de raiva e fraqueza, até a aceitação plena de sua condição, o desenvolvimento de uma filosofia própria e de uma Disciplina mística capaz de fazê-lo transcender o vampirismo, para não mencionar a fundação da misteriosa Ordo Dracul.

Os Ritos do Dragão, de Greg Stolze (Devir), conta a história de Drácula, sua transformação em vampiro e a maldição que Deus, em sua Divina ira, lançou sobre seu antigo servo. No livro, Drácula apresenta o relato memoralista de sua não-vida como vampiro, desde o instante de sua morte no campo de batalha, passando por suas conquistas, maldades, fracassos e momentos de raiva e fraqueza, até a aceitação plena de sua condição, o desenvolvimento de uma filosofia própria e de uma Disciplina mística capaz de fazê-lo transcender o vampirismo e a fundação da misteriosa Ordo Dracul, a Ordem do Dragão.

No livro que representa o diário de Drácula, encontra-se os segredos e a filosofia da coalizão mais misteriosa de Vampiro: o Réquiem, além de um material fértil para ilustrar diversas crônicas de Vampiro: o Réquiem, mas também uma leitura estimulante e agradável para aqueles que apreciam histórias de vampiros.


Estúdio Brasileiro lança adaptação do clássico de 1922, Nosferatu

segunda-feira | 2 | junho | 2008

O estúdio nacional, Soathman Studio [www.soathmanstudio.com], lança adaptação de Nosferatu, de Murnau, em quadrinhos. A distribuição é feita via web, no blog da própria publicação [http://odiariodehutter.blogspot.com/], ou no website [www.odiariodehutter.com]. A arte e o texto são assinados pelo desenhista brasileiro, Ricardo Soathman. A adaptação do clássico de 1922, do expressionista alemão, F.W. Murnau foi publicada em duas versões, gratuita, para download, em quatro partes, e impressa, em formato de Graphic Novel, com 192 páginas coloridas em papel especial.

 

Maiores informações:

 

http://odiariodehutter.blogspot.com/

www.odiariodehutter.com

www.soathmanstudio.com


Clássicos enquadrados

domingo | 1 | junho | 2008

A literatura em quadrinhos está ganhando cada vez mais destaque no mercado editorial brasileiro. Nove adaptações de clássicos literários acabam de ser lançadas pela Companhia Editora Nacional, por R$ 18,00 cada. Entre os títulos estrangeiros estão A Ilha do tesouro e Raptado, de Robert Louis Stevenson, Moby Dick, de Herman Melville, Viagem ao centro da terra, de Júlio Verne, Oliver Twist, de Charles Dickens, e O Corcunda de Notre Dame, de Victor Hugo. As ilustrações são assinadas pelo búlgaro Penko Gelev. Ao final de cada livro, encontram-se informações sobre a obra original, seu contexto histórico e uma breve biografia do autor. Da safra nacional, há os volumes O alienista, de Machado de Assis, O triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto e Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, todos adaptados e ilustrados por Lailson de Holanda Cavalcanti. >> Folha de S. Paulo – 01/06/2008 – por Luana Villac


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 70 outros seguidores