A DC Comics chegou na San Diego Comic Con deste ano carregada de novidades. Em quatro dias, foram anunciadas novidades para personagens de todo o universo da editora. Os destaques ficam para o retorno (ou melhor dizendo, retorno ao papel de protagonista) de Barry Allen em The Flash: Rebirth, o anúncio de Neil Gaiman como roteirista de um arco de histórias de Batman e as aquisições do universo Milestone e dos heróis da Archie, que agora integrarão o Universo DC.
Estavam presentes nos painéis o editor-chefe Dan Didio, o VP de vendas Bob Wayne, os editors Ian Sattler, Mike Carlin, Eddie Berganza, Mike Marts e Jann Jones, além dos criadores Judd Winick, Keith Giffen, Geoff Johns, Ethan Van Sciver, James Robinson, Greg Rucka, Ian Sattler, Peter Tomasi, Bill Willingham, Kevin Smith, Brad Meltzer, Philip Tan, Grant Morrison, J.G. Jones, Alex Sinclair, Gail Simone, Mike Grell, Dwayne McDuffie, Brian Azarello e Dustin Nguyen.
Além de novidades sobre o novo arco de Superman, New Krypton (que você confere aqui), o painel DC Nation no primeiro dia de Comic Con falou da Crise Final e de alguns personagens da editora. O editor-chefe abriu e fechou a convenção dando destaque ao Batman.
Didio abriu o painel dizendo que Batman R.I.P acaba em novembro, mesmo mês em que o cineasta e quadrinhista Kevin Smith fará uma minissérie em três partes com o personagem, que reintroduzirá o vilão Onomatopéia no UDC.
Conhecido nos seus quadrinhos por sua passagem em Demolidor e pela ressurreição do Arqueiro Verde, Kevin Smith também é lembrado por dar cano na Marvel Comics por anos. Levou quatro anos para terminar uma minissérie da Gata Negra com o Homem-Aranha. Em 2004 também lançou a minissérie Bulseye: Target, mas até hoje apenas uma edição viu a luz do dia.
Após ser introduzido, Smith brincou: “vai demorar uns três anos pra ficar pronta”. Depois, contou que os roteiros de duas edições já estão terminados. “A terceira ficará pronta quando minha filha fizer 16 anos”, brincou novamente. Batman: Cacophony terá Walt Flanagan na arte.
Os fãs questionaram a baixa qualidade de Countdown to Infinite Crisis, e os editores se defenderam afirmando que daqui para frente todos os personagens terão histórias como as que vêm sendo desenvolvidas em Lanterna Verde, a exemplo da já anunciada nova fase do Homem de Aço, que já vem engatinhando com os arcos de Atlas e Brainiac nas revistas Superman e Action Comics.
O editor-chefe sinalizou a volta dos Elseworlds, histórias passadas em outras Terras do Multiverso (antigamente, quando o Multiverso ainda não tinha voltado a existir, as séries mostravam outras origens e cronologias dos personagens da editora, a exemplo dos O Que Aconteceria Se…, da Marvel).
Didio também revelou que Judd Winick sairá dos roteiros de Green Arrow/Black Canary, e que seu substituto será Andrew Kreisberg, escritor da série de TV Eli Stone. O editor também confirmou que Paul Dini escreverá uma série mensal da maga Zatanna, como há muito tempo já se especulava.
Geoff Johns confirmou que fica em Lanterna Verde mesmo após o fim de Blackest Night, em 2009, e que as Indigo Lanterns, a Tropa das Safiras Estrela, será vista entre abril ou maio do ano que vem.
Keith Giffen levantou discretamente a possibilidade de Paul Levitz e ele voltarem a trabalhar em Legião dos Super-Heróis, mas disse que “estava só pensando”, quando a platéia reagiu com felicidade à pergunta.
No sábado foi a vez dos painéis Crisis Management e A Guide to Your Universe, um centrado em Final Crisis e outro nos personagens da editora. Dan Didio iniciou o painel deixando dois fãs lerem fotocópias de Final Crisis #3.
Greg Rucka explicou que o especial Final Crisis: Resist, que roteiriza, com artes de Ryan Sook, mostrará os heróis, perdedores da guerra contra o mal, tentando sobreviver. “Imagine que você mora na França ocupada durante a Segunda Guerra Mundial. Agora imagine que a França é este planeta e que os nazistas são os Novos Deuses”, explicou.
Em seguida, Brad Meltzer disse que Final Crisis: Last Will and Testament vai mostrar a última noite dos heróis na Terra, e que “Grant vai explodir com tudo”. Geoff Johns disse que George Peréz desenhou cada personagem que já foi da Legião dos Super-Heróis em Final Crisis: Legion of Three Worlds.
Morrison explicou que “uma vez que a Nova Terra entra em colapso, todo Multiverso acompanha”. Dan Didio disse que os fantasmas de Ralph e Sue Dibny podem aparecer nas histórias de Batman pós-R.I.P.
Já em A Guide to Your Universe, Didio explicou que os heróis da Archie serão introduzidos na DC Comics em Brave and Bold. J. M. Stracynzski revelou que dois heróis serão inseridos por edição. O editor ainda disse que Static, do Universo Milestone, estará na nova formação dos Novos Titãs.
Mike Grell, conhecido por sua passagem por Arqueiro Verde, disse que está preparando o retorno do Guerreiro, uma de suas criações para a editora. Uma minissérie do personagem foi lançada há alguns anos, feita por Bruce Jones.
Grant Morrison disse que após o fim de Batman R.I.P., o Homem-Morcego terá sua “última história” contada em uma HQ em duas partes, Batman: Battle for the Cowl, que ainda terá como personagens principais Asa Noturna, Jason Todd, Silêncio, Robin e Mulher-Gato. Morrison ainda contou que Jason Todd vai ganhar uma grande série após o arco.
Gail Simone disse que trará as verdadeiras amazonas de volta em Mulher-Maravilha.
Neste painel, Brad Meltzer contou que em Final Crisis: Last Will and Testament, Geoforça vai atrás do Exterminador para vingar a morte de sua irmã, Terra. Já Geoff Johns disse que a morte do Caçador de Marte aconteceu porque “Geoff Johns precisava de um Lanterna Negro”.
O último dia de convenção marcou mais um painel DC Nation, para falar sobre a editora como um todo. O destaque do dia ficou para o anúncio de Neil Gaiman e Andy Kubert como equipe criativa do mês de janeiro das HQs do Batman.
O painel começou com Geoff Johns dando mais uma dica sobre o retorno de Bart Allen em Final Crisis: Legion of Three Worlds, mas sem confirmar a volta do personagem. Já Dan Didio disse que Ronald Raymond, antigo Nuclear, será outro dos Lanternas Negros.
Sem muitas novidades, Didio manteve o painel apenas com perguntas dos fãs, até em seu final anunciar que Denny O’Neil cuidará de um especial que mostrará Gotham após o fim de R.I.P., e exibir um vídeo com um caixão com um morcego dizendo “Whatever Happened to the Cape Crusader? Neil Gaiman, Andy Kubert – 2009”.
A DC Comics é atualmente uma das maiores editoras de quadrinhos nos EUA, conhecida por ser a casa de famosos super-heróis como Batman, Superman, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde, Flash, Homem-Borracha, entre outros. Junto com sua linha adulta, Vertigo, e a linha Wildstorm, oferece diversidade para todas as idades. A DC produz mais de oitenta títulos por mês e cerca de mil por ano. Também é uma das mais antigas empresas do ramo, com setenta anos de publicação contínua. >> HQ MANIACS – por Por Artur Tavares
Editoras investem na fórmula do audiolivro e criam tendência de mercado
Capitu traiu ou não traiu Bentinho? Só quem ler (ou ouvir) Dom Casmurro, de Machado de Assis, poderá dar palpite. Isso mesmo: ouvir. A história de um dos casais mais famosos da literatura brasileira já virou audiolivro, assim como os enredos de alguns dos mais procurados livros nacionais e estrangeiros. Esse segmento representa 10% das vendas nos EUA e no Brasil ainda costuma ser associado à Bíblia lida por Cid Moreira. Mas, ao que parece, por pouco tempo. A Ediouro investiu mais de R$ 1 milhão na criação do Plugme, selo pelo qual serão lançadas versões em áudio de best sellers de seu catálogo e também de outras editoras. De A vida como ela é, de Nelson Rodrigues, a Alô, chics!, de Gloria Kalil, 17 títulos foram narrados por atores famosos, como Paulo Betti, José Wilker e Milton Gonçalves, ou pelos próprios autores. Trata-se apenas da primeira leva, que em agosto estará disponível em CD ou em arquivos para download.
10% é a fatia ocupada pelos audiolivros nos EUA. No Brasil, o formato já fazia sucesso com a edição da Bíblia
A Audiolivro é outra editora que aposta nos mais vendidos, como O caçador de pipas, de Khaled Hosseini. Os selos menores disputam esse promissor mercado com obras de domínio público e, no momento, não existe autor mais em alta que Machado de Assis. Dom Casmurro, por exemplo, ilustra as vantagens da nova mídia: no formato tradicional, o romance tem 300 páginas, mas pode ser ouvido em apenas seis horas. “Quem consegue ler quatro livros por mês? Mas é fácil ouvir um audiolivro por semana, só com o tempo que se perde no trânsito”, diz Patrick Osinski, diretor do Plugme. Tanta facilidade seria um desestímulo à leitura? Os editores garantem que não. “Ao ouvir uma história e gostar dela, o ouvinte vai querer conhecer mais. E há coisas que você só alcança lendo o livro”, diz Sandra Silvério, dona da Livro Falante. O escritor Luis Fernando Verissimo concorda: “A literatura começou via oral, com histórias contadas e não escritas. O audiolivro inclui cegos, idosos e analfabetos. Sou a favor.” Suas crônicas reunidas em As mentiras que os homens contam serão lançadas em áudio pelo Plugme, na voz do ator Bruno Mazzeo.
Os textos normalmente são lidos na íntegra. No caso de Memórias póstumas de Brás Cubas (Livro Falante), também de Machado de Assis, o repórter do programa Custe o que custar, Rafael Cortez, recorre ao seu violão para interpretar dois capítulos do livro que só trazem sinais de pontuação: “Narrar Machado de Assis é sempre muito difícil, mas esse livro em particular foi um desafio maior. Os períodos são longos e há muitas expressões estrangeiras.” Como se trata de um dos romances mais bem escritos da literatura brasileira, meio caminho já está andado. >> ISTO É – por Adriana Prado
Em 1969, Jerry Levitan, 14 anos, armado com um gravador de rolo, matou aula e foi bater na porta dos quartos do King Edward Hotel, em Toronto — até que uma camareira o abordou e perguntou: “Você está procurando pelo Beatle?”
Então ele achou o quarto onde John Lennon estava hospedado. Lennon deu risada e deixou ele ficar para uma conversa.
Foi divulgado o trailer de Harry Potter e o Enigma do Príncipe, sexto filme da série criada pela escritora britânica J. K. Rowling. A maior novidade do vídeo é mostrar Lorde Voldemort, interpretado pelo ator Ralph Fiennes ainda criança, aos 11 anos de idade.
Segundo a Warner Bros., o filme tem estréia prevista no Brasil para o dia 21 de novembro.
No vídeo, que tem um minuto e meio de duração, é possível ver o diretor da escola de bruxaria Hogwarts, Albus Dumbledore, dando a Harry, novamente interpretado pelo ator Daniel Radcliffe, um frasco com as memórias de infância de seu arqui-rival, lorde Voldermort.
Então aparece a mensagem: “Para se saber do futuro, é preciso saber do passado”. Harry é levado para o passado e descobre fatos importantes da infância daquele que se tornaria líder dos bruxos do mal, os chamados “Comensais da Morte”.
O blog MTV Movies divulgou as primeiras fotos de Harry Potter e o Enigma do Príncipe, sexto longa da série criada pela escritora J. K. Rowling. O longa estréia prevista para 21 de novembro no Brasil. >> O GRITO!
À sua direita, o cartaz da série “True Blood”, de Alan Ball para a HBO. À sua esquerda, o cartaz do filme “Jennifer´s Body”, de Karyn Kusama, com roteiro de Diablo Cody, com distribuição da Fox.
Qual dos dois terá sido criado primeiro? >> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim
O curta-metragem de animação stop-motion de César Cabral, Dossiê Rê Bordosa, baseado na já lendária personagem criada pelo cartunista Angeli, foi o grande vencedor do prêmio de júri popular do Anima Mundi, levando os prêmios de Melhor Animação Brasileira e Melhor Curta-Metragem tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro.
No Rio, faturou ainda o Prêmio Aquisição Canal Brasil.
O filme, exibido também durante a recente a premiação do 20º HQ Mix, já tem um histórico de premiações, tendo vencido em três categorias no Festival Paulínia de Cinema, faturando os prêmios de Melhor Filme Curta-Metragem, Melhor Curta – Júri Popular e o Prêmio da Crítica. Além disso, já está indicado na categoria Curta-Metragem em 35 mm no Festival de Gramado 2008. >> UNIVERSO HQ – por Guilherme Kroll Domingues
Escritor, quadrinista e ator bissexto retrata horror da classe média em novo romance
Depois de retratar o nonsense e o humor angustiado que se esconde na vidinha classe média, o quadrinista, romancista e agora cada vez mais ator Lourenço Mutarelli dá um passo além em seu novo livro.
O romance A Arte de Produzir Efeito sem Causa (Companhia das Letras, 216 páginas, R$ 39,50) é um angustiante retrato do horror cotidiano dessa mesma classe.
O livro narra a história de Júnior, homem medíocre, que, devido a um episódio infeliz, abandona o emprego e a família e volta a dormir em um sofá na casa do pai. Em um cenário de enfeites que já foram frascos de perfume da Avon e quadros de crianças envoltos em lendas macabras, ele rememora obsessivamente números de série de kits de peças para automóveis (seu antigo ramo de trabalho). Uma obsessão numérica simbolizada pelas ilustrações do livro que se vê nesta página, de autoria do próprio Mutarelli. Um dia, Júnior começa a receber envelopes anônimos com recortes de jornal, a maioria relacionadas a um crime cometido pelo escritor beatnik americano William Burroughs.
- O que eu queria retratar nesse romance é que a situação do personagem é tão mediana que ele abandonar tudo não muda muita coisa. Hoje a classe média vive para pagar contas, e ele só não tem mais as contas, mas tem a mesma falta de sentido – comenta Mutarelli.
O livro chega no momento em que Mutarelli trabalha em outra obra, um romance para o projeto Amores Expressos, pelo qual passou duas semanas nos Estados Unidos. Mesmo com quatro romances já publicados (além de O Cheiro do Ralo, também lançou O Natimorto e Jesus Kid), foi apenas na redação desta história de amor ainda não concluída que Mutarelli se considerou um escritor de fato.
- Tive muita dificuldade com esse livro. Ser escritor é algo que faço pela experiência, e normalmente escrevo meus livros em um jorro. Este foi o primeiro no qual não sabia contar a história do ponto de vista técnico, tive de ficar experimentando, se primeira pessoa, se terceira. Fui mais escritor no meu bloqueio do que nos meus livros – diz.
Essa ânsia de experimentação é a razão pela qual Mutarelli, um dos quadrinistas mais aclamados do cenário nacional, agora prefere trabalhar em áreas nas quais ainda pode ser considerado “estreante”. Além de romances e peças de teatro, sua mais nova curtição é atuar. Participou de curtas, da montagem de uma de suas peças de teatro e fez uma elogiada ponta como o vigia da loja de penhores no filme O Cheiro do Ralo, baseado em seu primeiro romance. É presença confirmada também em O Dobro de Cinco, adaptação de uma de suas histórias em quadrinhos que ainda está em fase de garantir o financiamento, e na adaptação de seu romance O Natimorto, que deve ir aos cinemas no ano que vem e na qual é o protagonista.
Claudio Martini, editor-chefe da Zarabatana Books, revelou a imagem do primeiro trabalho nacional que sua editora irá lançar em breve. Confira acima.
A obra, intitulada Dr. Bubbles & Tilt, é uma criação de Tulio Caetano. O artista nasceu em Goiânia e se formou em Publicidade na UnB. Atualmente reside na França, onde publicou vários trabalhos e participou de festivais, inclusive o prestigiado Festival de Angoulême.
O anúncio foi feito durante a entrega do 20º Troféu HQMix, na semana passada. Mais detalhes serão revelados em breve.
A Zarabatana Books é uma editora de Campinas, que iniciou as atividades em 2006, publicando o álbum O Prolongado Sonho do Sr. T. Sua proposta é publicar obras de artistas mundiais que se destaquem pela qualidade e originalidade. >> HQ MANIACS – por Andréa Pereira
Carlos Nine impressiona em tudo que faz – ilustração, quadrinhos, animação, escultura, livros – , em cada coisa que a que se dedica e em cada detalhe do que cria. Deslumbra como artista e cativa como pessoa. Nem precisa mais motivos para conhecer seu site rico de atrações.
Está no dicionário. Fabuloso: admirável, excelente, prodigioso. Fabulista: autor de fábulas, narrações alegóricas, cujas personagens são, por via de regra, animais, e que encerra uma lição moral.
Este é Carlos Nine, argentino, nascido em 1944, autor de HQs e livros infantis, ilustrações para revistas e jornais, ganhador de muitos prêmios ao redor do mundo, e pouco conhecido e editado no Brasil. Usando seres humanos contracenando com coelhos, patos, gatos e vacas ele cria uma nova definição para fábula, em histórias que não encerram lições morais. Fazem o contrário: mostram o lado sórdido das pessoas e de suas relações.
Ele foi construindo seu universo em uma série de livros memoráveis:
Meurtres et Chatiments, uma de suas melhores obras, traz pequenas histórias com detetives disformes e belas mulheres, com um visual dos anos 1950, envolvidos em crimes e tramas que se entrecruzam em uma Hollywood de prostituição e chantagens.
Em Oh merde, les Lapins, constrói uma alegoria política sobre a Europa, em belíssimos desenhos a lápis, em preto e branco.
Com Prints of the West, Nine recria o oeste americano em belos retratos e irônicas biografias fictícias.
Gesta Dei reúne desenhos publicados em jornais argentinos e no Le Monde francês. Em uma advertência no início do livro, Nine diz: “Existe o perigo de que as imagens contidas nesta obra possam eventualmente capturar a vontade de artistas plásticos, desenhistas, ilustradores, humoristas… Nós recomendamos fervorosamente o culto da autocrítica e da perseverança a fim de suplantar esta tendência, visto que as possibilidades criativas são infinitas”. E é exatamente o que acontece. Após ver o livro todos vão querer sair desenhando com a leveza, habilidade, humor, desprendimento e absoluto domínio dos materiais usados por Nine.
Na série de três livros, Pampa, com roteiro de Jorge Zentner, ele ambienta a história nos pampas argentinos, com gaúchos e índios, desenhados com uma técnica de pastel deixando os personagens difusos e estilizados.
Na série Donjon Monsters, de Joann Sfar e Lewis Trondheim, onde cada livro é ilustrado por um desenhista diferente, Nine realizou o volume número 8: Creve-Coeur.
Fantagas, histórias de um detetive com formato de ovo, em ambientes surrealistas com estranhos personagens, belas mulheres e muitos animais.
E finalmente Saubon, le Canard qui Amait les Poules, que é como um Krazy Kat moderno, doentio e erótico.
Agora temos editado no Brasil uma pequena amostra de sua arte no livro Vingança em Veneza, da Cosac Naify, sobre um texto de Giovanni Boccaccio. Cultuado principalmente na França, onde edita em primeira mão a maioria de suas obras, Nine só teve um outro livro com suas ilustrações publicado no país: Tempestade em Copo D’Água, da Editora Dimensão, que traz uma adaptação para crianças de textos de Shakespeare. Mas a editora Casa 21 promete para 2008 a visão do artista sobre Porto Alegre, dentro da ótima coleção Cidades Ilustradas, que vem fazendo um mapeamento das capitais brasileiras por grandes artistas gráficos.
Carlos Nine abusa das deformações e estilizações. Suas histórias em quadrinhos são como caricaturas delirantes, onde ele usa todas as técnicas e materiais de desenho disponíveis: lápis, pastel, aquarela, crayon, nanquim, criando um mundo único de formas e movimento. >> TERRA MAGAZINE – por Claudio Martini
Guerra, conspiração, ganância, disputa pelo poder e muito terror. Política contemporânea? Não, esse é o enredo de Anjo – A Face do Mal, (261 páginas, 26 reais, Novo Século) romance de Nelson Magrini. Acrescente aí personalidades espirituais como Lilith, Ogum, Astaroth e arcanjo Gabriel.
Nessa trama policial, física e metafísica se unem para combater um mal terrível. Uma entidade misteriosa espalha o medo na cidade de São Paulo, ao cometer assassinatos sangrentos e atemoriza o plano astral, pondo anjos, demônios, caboclos e entidades milenares em alerta de guerra.
Enquanto na Terra, o policial Rafael tenta compreender a natureza desses terríveis crimes, duas figuras nada convencionais – um suicida e o temido Lúcifer, autodenominado Portador da Luz – se unem para combater a terrível criatura, que, antes de derramar sangue numa cruel carnificina, dá às suas vítimas um enorme sentimento de paz interior.
Intrigado com a força desconhecida, Lúcifer é seduzido pelo conhecimento do novo ser. Contudo, leis da física o impedem de se manter no plano terrestre por muito tempo, tornando necessária a companhia de um mortal. Assim sendo, pede a ajuda do desiludido Lucas, doando-lhe um pouco de esperança ao lhe prometer a realização do mais forte desejo. Confuso, amedrontado, mas sem muito a perder, Lucas aceita o acordo.
Com originalidade, Magrini apresenta o paraíso governado pelo sistema democrático, com o qual os anjos definem o destino universal. Lúcifer, em vez de um sanguinolento monstro chifrudo e com rabo, é um elegante e irônico senhor, cujo olhar gélido é capaz de fazer tremer a alma, mas cuja habilidade de questionamento consegue fragilizar até as certezas do anjo mais virtuoso.
Numa perseguição alucinante, naves angelicais e armas demoníacas são roubadas, entidades se atrapalham com feitiços de invisibilidade, e possessões grotescas não poupam sequer as crianças, conduzindo-nos da ansiedade à náusea sem piedade.
Contudo, a trama perde força com o desfecho: o cumprimento do trato por Lúcifer soa fraco, fácil demais em vista do enredo fortemente original. Mas a ação e a criatividade, ainda assim, conseguem assegurar uma leitura instigante e inusitada. >> ALMANAQUE VIRTUAL – por Por Aline Aimée
Para Tolkien, uma língua vive das lendas que a acompanham. Talvez por isso, o Esperanto seja a mais viva das línguas artificiais.
“Volapuque, Esperanto, Ido, Novial etc. etc., estão mortos, muito mais mortos do que antigas línguas sem uso, porque seus autores jamais criaram lendas para acompanhá-las”, escreveu em 1956 J. R. R. Tolkien, escritor, filólogo e inventor de línguas. Essa frase contém uma intuição profunda e verdadeira, mas também uma injustiça, principalmente no que se refere ao segundo desses idiomas.
O Esperanto, apesar de nunca ter alcançado a difusão sonhada pelo seu inventor, vai muito bem de saúde. Tem vários periódicos e edições regulares de traduções de obras literárias – inclusive La Mastro de l’ Ringoj, ou seja, O Senhor dos Anéis. Os falantes fluentes de Esperanto no mundo são estimados em mais de um milhão. Esse número é comparável ao de conhecedores do latim – só que a língua de Virgílio ainda é obrigatória no currículo de boa parte do ensino médio e superior na Europa, enquanto o aprendizado do Esperanto é totalmente voluntário.
Mesmo as outras três línguas citadas por Tolkien, cuja própria existência é ignorada da grande maioria, bem como algumas das outras relegadas aos etcéteras, como a Interlíngua e o Occidental, continuam a ser usadas por pequenos, mas fiéis, círculos de seguidores. Além de grupos de discussão na internet, cada uma tem sua Wikipédia. A versão em Novial, língua com menos de cem usuários, é previsivelmente a mais pobre, mas conta quase dois mil artigos, mais que versões em idiomas naturais como o bielo-russo, o maltês e o iorubá.
O Ido é só um pouco menos obscuro, mas há mais artigos nessa língua – quase vinte mil – do que em albanês ou em latim. Quanto à Vikipedio em Esperanto, com mais de oitenta mil artigos, supera as de línguas tão vivas quanto o turco, o tcheco, o romeno e o húngaro. Seja qual for a qualidade do conteúdo – desconfiança válida também para wikipédias em línguas e dialetos naturais – isso revela, no mínimo, um interesse sincero em manter tais línguas vivas.
Claro, Tolkien não as considerava “mortas” no sentido de terem sido completamente abandonadas, o que seria apenas um erro banal. Certamente, quis dizer que tais línguas careciam de uma verdadeira vida espiritual. Aí está a injustiça, pois pelo menos algumas dessas línguas a têm e justamente porque seus autores criaram uma lenda para acompanhá-las: um mito de paz e fraternidade universal.
Na época em que Bacon e Comenius sonharam com línguas universais e Lodwick, Dalgarno e Wilkins fizeram as primeiras tentativas de criá-las na prática (leia A segunda Torre de Babel e Lodwick, Dalgarno e Wilkins: uma língua filosófica, havia uma língua que, se não chegava a ser verdadeiramente universal, ao menos era pan-européia: o latim, conhecido de todas as pessoas cultas. O que os inventores de novos idiomas propunham era um veículo alternativo para o debate erudito, livre das inconsistências lógicas e gramaticais do latim, da tradição da Igreja Católica e do ranço da filosofia tomista e escolástica, que facilitasse a constituição de um novo consenso baseado na nova razão iluminista.
Ao longo dos séculos XVIII e XIX, porém, a educação pública das massas, sua participação crescente no debate público e a difusão do jornalismo e da literatura combinaram-se com a decadência da antiga ordem feudal, a ascensão da burguesia e a constituição de Estados de base nacional para esvaziar tanto o latim quanto as línguas e dialetos minoritários.
Seguindo o modelo da França, os principais estados europeus constituíram-se em torno da idéia de nação, identificada em boa parte com a comunidade de usuários de uma mesma língua. Com base apenas no fato de aprenderem a ler um mesmo idioma, os súditos das dezenas de reinos e principados de língua alemã passaram a reivindicar um grande estado nacional que os unisse a todos. O mesmo se deu na Itália. Nas décadas de 1860 e 1870, ambas as línguas subitamente criaram grandes Estados em regiões que haviam permanecido politicamente fragmentadas por séculos.
Nesse processo, como Tolkien bem apontou, a criação de mitos nacionais teve um papel crucial. Da Antiguidade clássica ao início da Idade Moderna, os personagens de ficção tendiam a se mover por todo o mundo conhecido ou imaginado de seu tempo, ou pelo menos por toda a Europa. As fronteiras eram irrelevantes para Odisseu e Jasão, assim como para o Cândido de Voltaire ou o Gulliver de Jonathan Swift. Entretanto, à medida que avançava o século XIX, os personagens de romances (com exceção dos vilões que, sobretudo na Inglaterra, são de preferência estrangeiros) deixam de cruzar mares ou fronteiras. Os cenários exóticos são reservados a obras de terror, fantasia e ficção científica, à margem da literatura “séria”.
Como mostra o crítico literário italiano Franco Moretti no Atlas do Romance Europeu, este gênero identificou-se totalmente com a imaginação do Estado nacional. Nos romances históricos, tratam de sua construção – às vezes de forma direta, com personagens que agem em nome do rei para impor o monopólio da violência legítima, como os Três Mosqueteiros de Alexandre Dumas.
No bildungsroman ou romance de formação, como Ilusões Perdidas de Honoré de Balzac ou David Copperfield de Charles Dickens, um jovem provinciano realiza ou frustra na capital nacional os sonhos que não cabem na aldeia natal, sem cogitar de conhecer outros países. Onde ainda não há uma capital, como na Alemanha e na Itália da primeira metade do século XIX, o tal jovem perambula irresolutamente entre os centros culturais de sua nacionalidade, como a tentar unificar uma nação que ainda não existe – como em O aprendizado de Wilhem Meister, de Goethe.
Assim é que cada nação da Europa veio a formar-se em torno de uma literatura e esta ao redor de um punhado de obras fundadoras, cruciais para a definição de uma linguagem e uma cultura, como Os Lusíadas em Portugal, Dom Quixote na Espanha, A Divina Comédia na Itália ou a obra de Shakespeare na Inglaterra. Aqueles que falavam línguas e dialetos de longa tradição cultural, mas sem o patrocínio de um Estado nacional, como o provençal, o basco, o napolitano ou o galês, tinham agora de aprender a língua nacional se quisessem se dirigir a seu governo ou à justiça, fazer negócios, informar-se sobre os acontecimentos ou simplesmente não serem ridicularizados. Por outro lado, Estados sem uma maioria lingüística definida e incapazes de impor o ensino de uma mesma língua à maioria de seus súditos ou cidadãos enfrentaram dificuldades para conservar sua unidade, como era o caso do Império Austro-Húngaro e do Império Russo.
Nessa realidade, a idéia de que uma língua comum para toda a humanidade seria uma forma de relativizar o nacionalismo e construir uma fraternidade que atravessasse as fronteiras não soava absurda, ainda que fosse inegavelmente ingênua. É o desenvolvimento dessa idéia que abordaremos nos próximos artigos. >> TERRA MAGAZINE – por Antonio Luiz M. C. da Costa
Um conto do renomado autor de ficção científica Philip K. Dick será adaptado para os quadrinhos. The Eletric Ant, publicado originalmente em 1969, será quadrinizado por David Mack, junto com o desenhista Pascal Alixe e com o veterano Paul Pope criando capas.
Na história de K. Dick, um homem acorda após um acidente de carro e descobre que é uma “formiga elétrica” – um robô orgânico. A realidade tal qual ele a conhecia é fruto de um microchip implantado em seu peito. Ele começa então a fazer experiências com o artefato, alterando assim sua realidade.
A história serviu de inspiração, entre outros, para Frank Miller em sua obra Hard Boiled: À Queima-Roupa. >> HQ MANIACS – por Andréia Pereira
“A história trata de questões como ´quem sou eu?´, ´quem me criou?´, `por que fui criado?´, ´qual o sentido da vida?´, `tenho livre-arbítrio?`, `estou limitado por alguma programação?´, `o que é a realidade´, `posso alterar minhas percepções e transcender meu ego e limitações de programa para ver uma realidade
“A Noite dos Palhaços Mudos”, peça inspirada nos personagens homônimos criados pelo cartunista Laerte, recebeu quatro indicações da etapa paulista do Prêmio Shell de Teatro.
Os nomes dos selecionados deste primeiro semestre foram divulgados na tarde desta segunda-feira. A montagem, que teve texto de Laerte, foi indicada nas categorias:
direção: Alvaro Assad
ator: Domingos Montagner e Fernando Sampaio
trilha sonora original: Marcelo Pellegrini
Na peça, os dois personagens criados por Laerte -a versão em quadrinhos é mostrada acima- tentam resgatar um nariz de palhaço mutilado. O nariz vermelho está guardado numa organização secreta, que tenta acabar com a categoria circense.
A montagem foi apresentada até a semana passada no Espaço Parlapatões, na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo. O fim da temporada, programado inicialmente para maio, havia sido prorrogado até este mês.
O Prêmio Shell de Teatro, um dos principais do país, faz indicações semestrais. As divulgadas hoje se referem às montagens apresentadas em São Paulo entre janeiro e junho deste ano. O mesmo processo foi feito no Rio de Janeiro. A etapa fluminense foi definida há uma semana.
Os selecionados deste segundo semestre serão divulgados em janeiro de 2009. Somente depois disso é que serão definidos os premiados, que recebem uma escultura e R$ 8.000. >> BLOG DOS QUADRINHOS – por Paulo Ramos
Crítica | A Noite dos Palhaços Mudos
MAIS É MAIS, MESMO QUANDO É MENOS
Encenação da Cia. La Mínima é baseada nos quadrinhos dos Palhaços Mudos e estava em cartaz em SP. Foto: Carlos Gueller
Pesquisa que sempre se renova em cada um dos que se arriscam com o nariz vermelho, o palhaço tem o dom de permanecer incompleto ao longo da história das artes cênicas. Palhaço sem público reagindo, rindo, completando a obra é quase uma zorra-tot… ops, um não-palhaço. O único personagem que pode se dar ao luxo de ser ingênuo do início ao fim da uma apresentação e, o melhor, quanto mais naïve (ui), mais contagiante. Nesse ano que rodamos por aí, encontramos palhaços sem nariz, palhaços “clássicos“, palhaços “corifeus“, palhaços “políticos“, palhaços “críticos“, palhaços “palhaços“, mas ainda não tínhamos topado com palhaços mudos.
A sacada da história de Laerte, criada em 1987, impõe mais um desafio a quem quisesse adaptá-la ao teatro. O trabalho ficou a cargo da Cia. La Mínima, que transpôs boa parte das cenas concebidas por Laerte em A Noite dos Palhaços mudos, mas soube recriar a história à sua maneira. Nela, valeram-se de efeitos cinematográficos – o próprio palco italiano e as movimentações dentro dele nos remetem à “janela para o mundo” – e não tiveram medo de tirar um personagem que, a princípio, parecia central na história de Laerte e colocar um nariz em seu lugar. E como a peça veio depois de Matrix, todos os personagens que se assemelhavam com o agente Smith – os únicos que não são mudos na história de Laerte – foram unificados num só ator (que também é um palhaço, diga-se, sem nariz).
Mais que uma possível crítica às corporações e seus funcionários, na forma da peça – palco quase sempre limpo, pouquíssimos elementos cênicos, jogos de luz sem virtuoses – descobrimos que o potencial crítico do palhaço também está na criação de mundos a partir de muito pouco – fique bem claro que não estou dizendo “menos é mais”. A chave da montagem é o jogo que se estabelece com o público e o entrosamento do trio que parece ter se preparado além da conta.
Laerte estava presente na estréia e foi legal constatar que o cara – repito O Cara – consegue se divertir com a recriação de sua própria história. Ele, provavelmente melhor que todos naquela sala, sabe que sua história foi reapropriada, reeditada, recriada e que agora ele passou a ser no máximo um co-autor, o que já é um grande mérito, tendo em vista o resultado apresentado. Os quadrinhos brasileiros mal começaram a mostrar o seu potencial nos palcos e no cinema, mas pelo menos no caso dessa adaptação já saímos desejando que venham outros com o mesmo ímpeto criativo. >> BACANTE – por Fabrício Muriana
Pautado pelo centenário de morte do escritor, editora carioca lança adaptação de A Cartomante unindo fotografia e quadrinhos
A idéia mais errônea que pode existir por trás de uma adaptação literária para os quadrinhos é que uma HQ precisa ser um livro ilustrado. Quando Flávio Pessoa, ilustrador e designer gráfico se jogou na aventura de adaptar A Cartomante de Machado de Assis [Jorge Zahar, 33 págs, R$ 39], tinha em mente que precisava, antes de tudo inovar na linguagem. E o intuito foi alcançado com sucesso, resta saber até onde funcionou.
Para os padrões da produção quadrinhística nacional, o álbum, lançado pela Jorge Zahar traz técnicas inovadoras, apostando no uso de fotografias da época – de Marc Ferrez e Augusto Malta, entre outros – para situar e contextualizar o leitor. No entanto, mais do que representar uma interessante experiência estética, a idéia leva o leitor à uma literalidade e obviedade que prejudica o resultado final. A sensação é de uma colagem um tanto caótica, distante do bem-sucedido O Fotógrafo, que usa técnica parecida.
O roteiro é melhor construído. Sabendo que levar ao pé da letra a fidelidade ao texto original resultaria em redundância, o texto é solto, proporcionando leitura agradável. Um dos responsáveis é Maurício O. Dias, formado em cinema e roteirista de TV e cinema, que co-assina a adaptação. A Cartomante é a obra de Machado que melhor se encaixa em outras mídias. Mas não por ser fácil, e sim por trazer a síntese de toda a obra do escritor: pessimista, irônico e por que não, maldoso. A história é velha conhecida: Vilela ama Rita, que ama Camilo, seu melhor amigo, que chegou de viagem. Segue-se um enredo de adultério e dissimulações e, no meio de tudo, uma cartomante, que irá guiar os personagens para um destino trágico, mas inevitável.
Este álbum ainda conseguiu transpor o clima de thriller para os momentos finais, quando Camilo, o amigo traidor vivencia os últimos momentos antes do encontro com o marido traído, Vilela. Os desenhos em aquarela colaboram para transpor o clima do Rio de Janeiro daqueles tempos. O conto, publicado em 1884 traz o duro olhar de Machado sobre a sociedade burguesa da época. Hoje, perdura sobre um estudo das relações humanas, além de figurar como uma das obras primas da literatura nacional.
A edição da Jorge Zahar, pautada pela comemoração do centenário de morte de Machado de Assis podia ter um preço menor. São apenas 33 páginas por R$ 39 reais. Nada demais o livro ser fininho, mas o preço não precisava ser tão alto. >> O GRITO! – por Por Paulo Floro
No domingo foram divulgados os vencedores da 16ª edição do Anima Mundi, o festival internacional de animação do Brasil. Em cerimônia realizada no Memorial da América Latina, os diretores do evento – Aida Queiroz, Cesar Coelho, Lea Zagury e Marcos Magalhães -, anunciaram os 21 filmes premiados em 11 categorias em São Paulo e no Rio. Segundo a organização, aproximadamente 90 mil espectadores estiveram presentes nas sessões e oficinas desde o início do festival no dia 11, no Rio. Dossiê Rê Bordosa, de César Cabral, levou quatro prêmios. A lista completa dos vencedores está no site. FONTE: O Estado de São Paulo – 29/07/2008
Desde que se iniciaram as gravações de Condomínio Jaqueline, há algumas semanas, um ilustre penetra tem circulado pelos sets do filme. Numa madrugada de sexta para sábado, enquanto Roberto Moreira e equipe rodavam uma cena simples, mas, ao mesmo tempo complicada, em que era preciso colocar em quadro o sedutor pano de fundo de São Paulo à noite, o primeiro plano da vida da personagem Marina no prédio em que vive, e aproveitar da melhor forma o som natural dos ônibus que sobem e descem freneticamente a Consolação, quem observava e anotava tudo, de bloquinho em punho, era Papito. Formado em Design, procurado como ilustrador e quadrinista incondicional, é dele a tarefa de transformar em quadrinhos os personagens do filme. Condomínio Jaqueline deve chegar às telas e às livrarias no primeiro semestre de 2009 e estrear na TV em seguida. FONTE: O Estado de São Paulo – 29/07/2008 – por Flávia Guerra
Terminou ontem em San Diego o evento conhecido como ComicCon que reuniu 127 mil pessoas no San Diego Convention Center. Apresentando painéis de filmes, séries de TV e quadrinhos, o evento também ofereceu várias outras atividades relacionadas ao culto dos quadrinhos, da ficção científica e da fantasia.
Criado em 1970 por Shelton Dorf, um fanático por histórias em quadrinhos, o primeiro evento ocorreu no dia 1º de agosto de 1970 reunindo 300 pessoas no salão de eventos do U.S. Grant Hotel. Inicialmente, o evento foi batizado de Golden State Comic Book Convention e tinha como objetivo reunir fãs de quadrinhos e ficção científica para trocar e negociar material, trocar idéias e assistir a palestras de artistas ligados ao universo dos quadrinhos, que também se colocavam disponíveis para responder perguntas. O nome do evento mudou em 1972 para San Diego´s West Coast Comic Convention e, em 1973, recebeu o nome pelo qual é conhecido até hoje, San Diego ComicCon, ou simplesmente, ComicCon.
A fama do evento cresceu chegando em 1998 com um público de 42 mil visitantes. Em 2007, pela primeira vez, os ingressos se esgotaram no dia de abertura, deixando muita gente de fora. Este ano, já estavam esgotados dias antes do evento iniciar. A presença de grandes estúdios que utilizam o evento para o lançamento de filmes e séries, bem como novas temporadas, além da presença dos artistas dessas produções provocou ao longo dos anos um aumento na freqüência de público que se estendeu ao nível internacional.
O crescimento, apesar de positivo, tem preocupado os organizadores em função da própria organização e administração do espaço. O contrato dos organizadores com o San Diego Conventional Center vai até 2012. Acredita-se que haja a necessidade de uma ampliação do local para acomodar o próximo evento que ocorrerá em 2009. Outras cidades já ofereceram seus espaços para receber o ComicCon, mas os organizadores preferem manter a tradição de realizá-lo em San Diego. Em 2006, teve início o New York ComicCon, no Jacob K. Javits Convention Center, que nada tem a ver com os organizadores de San Diego, mas segue a mesma linha de evento, com painéis, palestras, feiras, prêmios, etc.
Tendo sido criado por fãs para fãs, o evento se diferencia, e muito, de outros organizados por grandes corporações para atender um público e, principalmente, a mídia. No caso do San Diego ComicCon, o público tem a preferência, a mídia faz parte do público. Não há atendimento diferenciado, como ocorre, por exemplo com o Television Critics Association – TCA, evento que ocorre duas vezes por ano, janeiro e julho, e reúne a mídia americana e canadense para apresentar as novidades da televisão americana. Sendo organizado para atender a mídia, o evento oferece melhores condições de cobertura. No caso do ComicCon, os fãs estão liberados para filmar, fotografar e conversar com os participantes, tanto quando a imprensa. Eles se misturam e disputam um espaço. Muito embora, grandes jornais ou empresas possam ter algum privilégio.
AS SÉRIES
Embora receba muitas críticas por parte dos participantes mais interessados em quadrinhos (sua origem, afinal), que reclamam da invasão do cinema, da televisão, bem como, do vídeo game, o evento ainda é o maior e mais importante na área de quadrinhos nos EUA.
De fato, a presença dos grandes estúdios promoveu um aumento na “audiência” do evento e em sua importância, transformando-o em vitrine de propaganda de séries e filmes. O evento ganhou maiores proporções para a indústria televisiva em 2004, com a exibição do episódio piloto de uma nova série chamada “Lost”. Desde então, a produção se fez presente nos painéis, atraindo um maior número de fãs de séries de TV ao ComicCon. Em conseqüência disso, outros canais intensificaram sua presença no evento com suas séries de TV.
Este ano, pela primeira vez, as séries de TV ocuparam o maior salão do Centro de Convenções de San Diego, o Hall H, até agora destinado a painéis de filmes e quadrinhos. Apesar da fama de “Lost”, foi “Heroes” que reuniu o maior público este ano, com 6.500 fãs na apresentação de seu painel. Tim Kring, criador da série, retribuiu o carinho e o interesse dos fãs exibindo, na íntegra, o primeiro episódio da terceira temporada, que só irá ao ar na TV americana no início da próxima temporada. Normalmente são exibidos pilotos de séries que ainda não estrearam, para que, assim, conquiste o interesse do público que fará a propaganda “boca-a-boca” (mais eficaz que qualquer campanha caríssima de marketing) e garantir uma audiência em sua estréia na TV.
As séries que se fizeram presentes este ano no ComicCon foram, além das já mencionadas “Lost” e “Heroes”: “24 Horas”, “Fringe”, “Dollhouse”, “Chuck”, “Pushing Daisies”, “Battlestar Galáctica”, “Knight Rider”, “The Office”, “The Big Bang Theory”, “Prison Break”, “Supernatural”, “Ghost Whisperer”, “Dexter”, “Bones”, “Kings”, “Middleman”, “Stargate”, “True Blood”, “Terminator: The Sarah Connor Chronicles”, “O Super-Herói Americano/The Greatest American Hero”, “Legend of the Seeker”, “Buffy, a Caça-Vampiros”, “Kyle XY”, “Eureka”, “The Sarah Silverman Program”, “It´s Always Sunny in Philadelphia”, as inglesas “Dr. Who”, “Torchwood”, “Spaced”, “Primeval”, uma homanagem a Gene Roddenberry sob o nome de “The Gene Roddenberry Legacy: Roddenberry in the 21st Century”, painéis com autores de séries animadas e ainda a presença de Noel Neill, a Lois Lane na série dos anos 50 “As Aventuras do Superman”, que comemorou no evento o aniversário de 60 anos em que interpretou pela primeira vez a personagem.
Vamos dar uma olhada no que resultou alguns dos painéis de séries.
Atenção! A partir daqui, só tem Spoilers!!
As informações abaixo têm como base diversas publicações americanas, bem como comentários em blogs de pessoas que participaram. Seguirei a ordem dos painéis para não correr o risco de esquecer alguma, mas, caso eu esqueça, é só avisar que incluirei, a não ser que nada tenha sido divulgado:
Fringe – A nova série de J. J. Abrams, que teve seu piloto vazado na Internet, teve uma recepção morna. Apontada como cópia de “Arquivo X”, a reação à exibição do episódio piloto não foi das melhores. A maioria das críticas publicadas na mídia ou em blogs reclamavam do excesso de clichés. No painel, J. J. Abrams comentou que algumas cenas do piloto serão refeitas. A Fox preparou uma fraca campanha de marketing que incluiu a distribuição de brindes com o logo da série. Mas o que causou reação negativa foi o fato dela ter montado em um espaço do estacionamento um curral com vacas, animal que aparece no episódio piloto.
Knight Rider – Este é o remake da série “A Supermáquina” produzida nos anos 80 com David Hasselhoff. A NBC preparou um evento de marketing apresentando o novo carro KITT ao público. Durante o evento foi exibido o trailer da série. Particularmente, não vejo motivos para refilmar esta produção e pela reação do público presente e da mídia, eles também não.
Kings – Com a presença de Michael Green, Francis Lawrence, Erwin Stoff, Sebastian Stan, Susanna Thompson e Allison Miller na mesa, o painel serviu para introduzir ao público esta nova série que tem como base a história bíblica do rei Davi, já comentada neste blog. O ator Ian McShane que interpreta Davi não pode estar presente porque ficou preso no trânsito. Mandou uma mensagem via celular pedindo desculpas. Foram exibidos os primeiros os primeiros 20 minutos do filme piloto que estréia em fevereiro de 2009.
Doctor Who – Com as presenças dos roteiristas Steven Moffat e Julie Gardner, o painel apresentou um trailer com as melhores cenas de episódios escritos por ele. Apesar da presença dos fãs que perguntavam o que a 5ª Temporada irá trazer, os dois recusaram-se, de forma bem humorada, a adiantar qualquer informação.
Torchwood – O painel foi basicamente um bate-papo entre os fãs e o ator John Borrowman, que interpreta Jack, um bissexual que vem do futuro. Esta característica do personagem foi a mais comentada e discutida. O ator respondeu a perguntas sobre sua vida pessoal e comentou que adoraria interpretar o Capitão América no cinema, caso foi convidado pela Marvel, por ser seu herói favorito. Ele e a atriz Naoko Mori, que estiveram no musical “Miss Saigon” na Inglaterra, deram uma palhinha para o público interpretando uma das canções”.
O Super-Herói Americano – A série produzida nos anos 80, sobre um professor que recebe de alienígenas uma roupa de super-herói, mas perde seu manual de instruções, esteve presente no Comic Com para anunciar seu retorno. Não na televisão, mas nas histórias em quadrinhos. No painel estavam William Katt, Connie Sellecca e Robert Culp, um ícone da TV americana, que foi ovacionado pelo público presente. William Katt, que estará em participação na terceira temporada de “Heroes”, criou sua própria editora de quadrinhos, a Catastrophic Comics, com a qual pretende lançar seis edições do “Super-Herói Americano”. As três primeiras edições irão recontar a origem do herói. As demais deverão dar continuidade à série do ponto em que ela parou. O lançamento deve ocorrer no final deste ano. Também está sendo planejada a produção de curtas animados para ser disponibilizada na Internet e no celular. Escrito por William Katt, Sean O´Reilly e Christopher Folino, deverá ser criado um vilão recorrente. Estas produções tem o apoio de Stephen J. Cannell, criador da série.
The Middleman – Esta é uma nova série que estreou pela ABC Family, mas que não tem conseguido alcançar uma boa audiência. O painel contou com a presença de seu criador, Javier Grillo-Marxuach, que revelou a trama do último episódio da primeira temporada: os personagens encontrarão seus duplos em um universo paralelo nos quais eles terá uma personalidade inversa à deles. Foi exibido um clip do episódio que irá ao ar no dia 11 de agosto, com a participação do ator Kevin Sorbo, de “Hercules”. Também fizeram o anúncio do lançamento da série em DVD, com 12 episódios, comentários, e cenas de bastidores. Um representante do canal informou que a decisão de renovar a série para uma segunda temporada ainda não foi tomada, mas que será levada em consideração a venda do DVD e o número de downloads que a série tem conquistado.
Legend of the Seeker – A nova série de Sam Raimi utilizou o ComicCon para divulgar sua produção, a mudança de título e os nomes dos atores, já divulgados neste blog. Apesar da fama de Raimi e do sucesso dos livros de onde a série se originou, o painel não provocou grandes reações à estréia da série. Também não apresentou o trailer que foi disponibilizado na Internet. A primeira temporada da série que tem 22 episódios encomendados cobrirá os eventos do primeiro livro. Se renovada, a segunda cobrirá a do segundo livro e assim por diante. São ao todo sete livros.
True Blood – Com estréia prevista para o dia 7 de agosto pela HBO americana, a nova produção de Alan Ball, criador de “A Sete Palmos/Six Feet Under”, não teve boa receptividade via Internet quando seu piloto vazou para download. Com base nos livros de Charlaine Harris, apresenta a Terra povoada por vampiros que dividem o espaço com os humanos. Estrelada por Anna Paquin, que estava no painel juntamente com Ball e Harris, a série teve a apresentação de um trailer. Ao contrário da reação daqueles que fizeram o download do piloto, a série foi muito bem recebida pelo público que se fez presente no painel, isso porque era formado, basicamente, por fãs do livro.
Dexter – A terceira temporada da série estréia no dia 28 de setembro. O painel foi super concorrido, lotando o espaço e deixando muita gente de fora. Estiveram presentes os atores Michael C. Hall e Julie Benz, e os roteiristas Clyde Phillips e Melissa Rosenberg. Foi exibido o trailer da terceira temporada que introduz o personagem de Jimmy Smitts, o promotor Miguel Prado, que se tornará, de certa forma, um amigo para Dexter. A terceira temporada focará na evolução de Dexter, que deixará o código de Harry de lado e passará a utilizar seu próprio código moral. Lundy (Keith Carradine) não irá retornar à trama. A roteirista Rosenberg declarou ter ficado satisfeita com as edições que a CBS fez nos episódios da série quando exibida em canal aberto, pois isto possibilitou conquistar um novo público. Os roteiristas também afirmaram que a série deverá terminar quando Dexter começar a sentir remorsos por seus atos.
The Big Bang Theory – Com a presença de todo o elenco, o painel da série serviu, basicamente, para responder perguntas do público sobre a carreira e a vida pessoal de cada um. Com relação à produção, Chuck Lorre, co-criador da série, comentou que a personagem de Sarah Gilbert, Leslie, deverá retornar em novos episódios da segunda temporada.
Stargate Atlantis – Com a presença de Jon Flanigan (Capitão John Shephard) e Robert Picardo (Richard Woolsey), o painel da série contou apenas com curiosidades de bastidores.
Spaced & Primeval – A sitcom britânica Spaced que fez muito sucesso na Inglaterra esteve presente no painel para responder curiosidades e divulgar o lançamento da série em DVD nos EUA. Também foram comentadas as brigas de bastidores entre os criadores e a versão americana que não aceitou a participação deles no processo criativo, e foi cancelada. A série fez parte do painel da BBC América, juntamente com Dr. Who, Torchwood e Primeval, que contou com a presença dos atores Douglas Henshall, Juliet Aubrey e Karl Theobald e respondeu perguntas relacionadas a curiosidades de produção.
Bones – O painel contou com as presences dos produtores Hart Hanson e Barry e dos atores David Boreanaz, Michaela Conlin, Tamara Taylor e Jon Francis Daley. Foi exibido meia hora do primeiro episódio da quarta temporada da série. O ator Eric Millegan irá retornar em mais episódios interpretando o assassino Zack Addy, que deverá ser preso desta vez. Cam (Taylor) e Sweets (Daley) terão um romance, mas não foi explicado se com terceiros ou entre eles. O misterioso marido de Ângela irá aparecer. Camille se envolverá com alguém com quem Ângela já dormiu e Booth e Brennan irão para a cama juntos; e a família de Booth irá aparecer em alguns episódios. Os produtores revelaram que o final da última temporada não terminou como eles gostariam, em função da greve dos roteiristas. A idéia era terminar com Booth levando um tiro. O primeiro episódio da próxima temporada tem duas horas de duração e foi filmado em Londres.
24 Horas – Com mais de um ano fora do ar, a série retorna em sua sétima temporada e com um filme que precede seus acontecimentos. O painel serviu para reentroduzir a série aos fãs, agradecer sua lealdade e responder a curiosidades de produção. Na mesa estavam os produtores, Howard Gordon, Jon Cassar, os roteiristas Manny Coto, Carlos Coto, David Fury e Brennan Braga, e os atores Kiefer Sutherland, participando pela primeira vez de uma Comic Com, e Carlos Bernard, que retorna ao elenco como Tony Almeida. Foi exibido o trailer do filme “24:Exile”, já divulgado aqui, cujo principal conflito será em torno de crianças que se tornam soldados. A idéia inicial era produzir um filme de 7 a 10 minutos de duração para preceder a sétima temporada, mas a emissora optou por um filme de duas horas de duração. Não é mais novidade que Tony Almeida não morreu, mas a explicação de seu retorno somente será vista quando a temporada iniciar. Segundo os produtores, a nova temporada irá lidar com um nível mais intenso de tortura, jamais visto na série. Respondendo à famosa a pergunta, Kiefer disse que Jack vai ao banheiro quando ele não está em cena. Certa vez foi filmada uma cena neste sentido, mas foi cortada na edição final. Sobre um possível filme para o cinema, Sutherland e os produtores reafirmaram que somente será produzido, se produzido, quando a série terminar, algo que ainda não está previsto.
Prison Break – Com a presença anunciada dos atores Dominic Purcell, Sarah Wayne Callies e Wentworth Miller, o painel iniciou com a exibição dos dez primeiros minutos do primeiro episódio da quarta temporada. Wentworth Miller não compareceu. Com o sucesso da série, o ator britânico tornou-se recluso, não aparecendo em eventos ou entrevistas. Quando divulgada sua presença, muitos fizeram questão de participar do painel. Mas tão logo disseram que ele não viria por estar filmando em outro lugar, várias pessoas sentiram-se enganadas e saíram do recinto. A próxima temporada inicia com Michael perseguindo Whistler em Los Angeles. Em uma festa, Gretchen confessa a Michael que Sarah não morreu que tudo não passou de uma armação. Será uma premiere com duas horas de duração as quais irão focar na busca de Michael e Linc por Sarah. Não deverá ocorrer histórias relacionadas à prisão, os dois não estarão sendo perseguidos. Eles é que se tornarão perseguidores.
Eureka – Com a presença dos atores e produtores, foi revelada algumas informações sobre a terceira temporada da série, que trará novos personagens: Eva Thorne (Francês Fisher) conhecida como “The Fixer”, tentará descobrir o que está acontecendo em Eureka e iniciará um novo arco na história. A outra personagem será Lexxie, irmã de Jack, que irá virar o mundo dele de pernas para o ar, tornando-se amiga de todos muito mais rápido que ele. A filha de Jack, Zoe, irá trabalhar no Café Diem. Carter e Allison terão uma cena em que estarão nus, mas nada mais foi revelado. Mais informações sobre o pai biológico de Kevin será revelada; bem como mais informações sobre o passado do Xerife Lupo. Beverly não irá retornar nesta temporada, mas o personagem Jim Taggart aparecerá em vários episódios a partir da segunda metade da próxima temporada. Fargo e Henry encontrarão romance em suas vidas. A Internet será mais utilizada para agregar informações sobre a série. Sara passará a dar informações sobre a casa de Jack, respondendo a perguntas. Será lançado o Eurela Unscripted Site, que dará informações sobre como os roteiristas preparam seus textos. Também um podcast será lançado dois dias após a exibição de cada episódio.
Heroes – Presentes os atores Masi Oka (Hiro), Hayden Panettiere (Claire), Adrian Pasdar (Nathan), Milo Ventimiglia (Peter), Greg Grunberg (Matt), Ali Larter (Niki), Sendhil Ramamurthy (Suresh), Zachary Quinto (Sylar), James Kyson Lee (Ando), Jack Coleman (HRG), Dania Ramirez (Maya), o criador Tim Kring, o artista Tim Sale, responsável pelos quadros, e o produtor Jeph Loeb. O painel iniciou com a exibição do primeiro episódio da terceira temporada, que estréia nos EUA no dia 22 de setembro. Nele é apresentado os fatos que ocorrem logo após o final da segunda temporada em que Nathan sofre um atentado, provocado por seu irmão Peter, que veio do futuro. Após sua quase morte, Nathan se volta para Deus e se torna evangélico (a Record vai gostar desta parte!) e conhece um político que irá ajudá-lo, interpretado por Bruce Boxleitner, de “Babylon 5”. Foi divulgado que a segunda temporada da série em DVD terá a inclusão de episódios inéditos. Mohinder irá adquirir super-poderes e Noah está em uma prisão. A exibição do episódio tomou quase todo o tempo disponível para o painel de “Heroes” e poucas perguntas foram respondidas.
Terminator: The Sarah Connor Chronicles – Moderado pelo criador da série, Josh Friedman, e com as participações dos atores, o painel iniciou com a exibição do trailer da próxima temporada. Cam (Summer Glau) sobreviveu à explosão do caminhão que encerrou a primeira temporada. O personagem de John Connor deverá amadurecer, começando a surgir aqui o homem que irá liderar uma revolução no futuro. Foi revelado que um dos personagens irá morrer, algo que, parece, nem os atores estavam sabendo.
Lost – Com as presenças dos produtores Damon Lindelof e Carlton Cuse, o painel iniciou com a divulgação do DVD da quarta temporada. Apresentando um “representante” da iniciativa Dharma, o painel continuou com a distribuição de brindes a quem fazia perguntas. Em dado momento, uma pessoa perguntou se este ano faria o que fizeram ano passado, que foi o de trazer como convidado surpresa um dos atores do elenco. Algo que eles negaram que seria feito. Após mais algumas perguntas, os produtores começaram a discutir se o boneco do Jack era parecido com o ator ou não. A pessoa que iria receber de brinde ficou insistindo que não se importava. Até que o ator Matthew Fox entrou no palco, altografou a caixa do boneco e entregou pessoalmente ao rapaz que ainda recebeu um abraço do ator. Fox sentou-se à mesa do Painel e ficou até o final. A estrutura narrativa da série sofrerá uma mudança. Inicialmente focada nos flashbacks, a partir da quarta temporada passou a trabalhar os flashfowards e flashbacks. Com a quinta temporada, o público vai ficar sem saber em que época ou momento do tempo os personagens estão. Jin, Locke e Faraday estarão de volta. A história de Rousseau será apresentada, mas não em flashbacks, tornando-se importante para a trama neste momento. Kate voltará a encontrar Sawyer e o público voltará a ver Vincent (o cão). Uma série de fatos relacionados ao livro do Capitão Gault serão apresentados. No final da quarta temporada, quando Desmond moveu a chave na escotilha para mover a ilha, ela não se moveu de fato. A quinta temporada que deverá iniciar as filmagens em 18 de agosto terá 17 episódios e, a sexta terá mais 17 episódios. A série continuará a produzir webisodes, mobisodes e games.
Kyle XY – A produtora Julie Plec respondeu a perguntas dos fãs e garantiu que por hora não haverá spinoff da série. A personagem Jessie, uma espécie de “vilã” ou pelo menos alguém que costuma causar problemas, seria a mais indicada para ter sua própria série, mas o canal ABC Family não tem planos no momento para isso. Poucas informações foram divulgadas sobre este painel.
The Office – Com a presença do ator Rainn Wilson e dos roteiristas a presença da série neste evento é no mínimo, estranha, já que não se trata de ficção científica, fantasia ou ação. Foi discutido como os roteiros são escritos. Também foi mostrado cenas em que os roteiristas tiveram participação na série. Nenhuma informação sobre a próxima temporada ou sobre a spinoff, que não vai mais ser spinoff e sim uma série própria.
Dollhouse – A nova série de Joss Whedon está com seu piloto sendo refilmado então não foi apresentado no evento. Apenas um trailer e um press release do que se trata a série já comentada aqui no Blog. O público era basicamente de fãs de Whedon, que explicou que a série vai estrear no ano que vem. Muito embora não haja nenhum sinal de que será cancelada antes de sua estréia, o fato do piloto estar sendo refilmado e a última produção de Whedon, “Firefly”, ter sido cancelada, fez com que surgissem na Internet uma campanha para salvar “Dollhouse” do cancelamento. Whedon declarou que está agradecido pelo carinho dos fãs, mas a campanha o assusta pois dá a impressão para as pessoas de que o produto não é bom.
Battlestar Galactica – Com as presenças dos atores Jamie Bamber, Michael Trucco, Katee Sackhoff, James Callis, Tricia Helfer, do criador Ron Moore e do produtor David Eick, o painel foi moderado pelo cineasta Kevin Smith. Um vídeo clip foi apresentado com resumo das histórias passadas e com cenas do que está por vir, como Adama e Roslyn juntos. A Terra que eles encontram foi devastada por um ataque nuclear. Poucas informações foram passadas ao público. Uma delas foi que o sexto cilônio será alguém que já apareceu na história e não um ator ou atriz convidado(a). Perguntada se Starbuck seria a sexta cilônia, Kate Sackhoff não confirmou ou negou. A série finaliza sua produção com a quarta temporada que termina sua exibição no ano que vem. “Caprica”, que precede a história de Galáctica, ainda está no filme piloto, sua audiência deverá definir a produção de uma série.
Pushing Daisies – Com a presença dos atores e do criador Bryan Fuller, o moderador do painel foi Barry Sonnenfeld. Durante a seção de perguntas e respostas, Kristin Chenoweth interpretou a canção “Somewhere Over the Rainbow”. Cantora de musicais da Broadway, a atriz foi indicada ao Emmy de Melhor Atriz Coadjuvante em Comédia deste ano. Foi apresentado um preview da segunda temporada, com dois minutos de duração. A próxima temporada irá lidar com os problemas de Ned e seu pai, bem como com os problemas relacionados ao pai de Chuck. Um personagem, Dwight Dixon, será introduzido no quinto episódio. Ele será o elo de ligação na história dos dois pais. Chuck vai se mudar do apartamento de Ned, suas tias começarão a freqüentar a Pie-Hole, Olive vai passar um tempo no convento, a mãe de Emerson vai aparecer e será interpretada por uma atriz da Broadway, e a história será desenvolvido de forma a apresentar situações que somente serão exploradas em uma terceira, possível, temporada.
Chuck – Com a presença do elenco e dos criadores Josh Schwartz e Chris Fedak, algumas informações sobre a segunda temporada foram revelados. A próxima temporada irá focar mais na relação de Chuck e Sarah, além da cobertura que eles criaram de namorados. Mais informações sobre a trama serão reveladas, como os motivos pelos quais Chuck se envolveu nesta história. Alguns dos atores convidados da próxima temporada incluem, Melinda Clarke, Jordana Brewster, Michael Clarke Duncan e Tony Hale. Ellie e Awesome farão planos de casamento. O esquadrão do Best Buy vai se tornar fixo. A série estréia no dia 29 de setembro.
Smallville – Moderado por Jeph Loeb teve a presença dos atores Allison Mack, Justin Hartley, Sam Witwer, Cassidy Freeman e dos produtores Kelly Souders, Brian Peterson, Todd Slavkin e Darren Swimmer. Chloe utilizará seus poderes no início da nova temporada e irá aperfeiçoa-los ao longo dos episódios. Ela manterá seu relacionamento com Jimmy e se afastará de Clark. Este deverá ter algum envolvimento com Tess. A história de Doomsday dos quadrinhos será preservada e a origem do Arqueiro Verde será revelada. Uma spinoff está planejada para focar um dos heróis apresentados na série. A nova temporada terá 22 episódios.
It´s Always Sunny in Philadelphia – Damon Lindelof, co-autor de “Lost”, foi o moderador do painel que iniciou com a exibição do primeiro episódio da quarta temporada, que tem o título de “Mac and Dennis: Manhunters”. A história faz referências a “Indiana Jones”, “Tubarão” e outros. Com as presenças dos atores Rob McElhenney (Mac), Glenn Howerton (Dennis) e Charlie Day (Charlie), autores da série, o painel respondeu a perguntas dos fãs sobre como a série foi criada e curiosidades de produção. Kaitlin Olson não estava presente porque ela teve um acidende emachucou as costas, precisando ficar em repouso. De novidade, haverá um episódio em flashback que levará os personagens para o ano de 1776, durante a guerra da revolução. No final do painel, Charlie Day cantou a música de seu personagem “Night Man”.
The Sarah Silverman Program – Moderado por Patton Oswalt, o elenco da série esteve presente no painel respondendo a perguntas sobre os personagens, a produção e sobre os próprios atores. Em meio a muitos palavrões, insinuações de sexo e um discurso sobre maconha, o painel não revelou nenhuma informação sobre a produção, muito embora não haja de fato o que revelar. Outro painel que não faz sentido nenhum ter existido neste tipo de evento.
Supernatural – Com a presença dos atores Jensen Ackles e Jared Padalecki, do criador da série, Eric Kripke, e dos produtores Sera Gamble, Ben Edlund e Peter Johnson, o painel teve início com a exibição dos cinco minutos do primeiro episódio da nova temporada. Entre as informações passadas para o público, qualquer personagem poderá retornar na próxima temporada, Sam irá desenvolver seus poderes e poderá ter uma namorada. O pai de Mary Winchester irá aparecer e será interpretado por Mitch Pileggi, o Skinner de “Arquivo X”. Existem planos para uma spinoff, mas nada definitivo ainda. A estréia está prevista para o dia 11 de setembro. >> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim
Com uma minissérie em dez edições chamada Daytripper, os irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, muito elogiados por Jerry Robinson (um dos primeiros roteiristas de “Batman”) durante a San Diego Comic Con, vão estrear no selo Vertigo, a linha de quadrinhos adultos da DC Comics.
“Será um divisor de águas na nossa carreira”, disse Gabriel. E Fábio explicou que a história mostra “um cara que quer se tornar escritor e como as coisas que fazemos todos os dias determinam o que você fará para o resto da vida”. A história de Daytripper será ambientada no Brasil e a estréia está programada para a próxima primavera do hemisfério norte.
Além disso, também foi anunciado na San Diego Comic Con, que os “meninos do Brasil”, Fábio & Gabriel, irão desenhar a série BPRD 1947, escrita pelo Mignola e pelo Josh Dysart.
Gabriel Bá, Fabio Moon e Rafael Grampá venceram na categoria antologia.
Vitória pela série ‘The Umbrella Academy’ levou Bá outra vez ao palco.
A partir da esquerda, Fabio Moon, Rafael Grampá e Gabriel Bá (ao microfone) recebem o Eisner Award de melhor antologia (Foto: Diego Assis/G1)
A cerimônia de entrega dos Eisner Awards, premiação mais importante do mercado de quadrinhos dos Estados Unidos, ganhou tom verde e amarelo na noite desta sexta-feira (25) em San Diego com a vitória dos irmãos Gabriel Bá e Fabio Moon e do quadrinista Rafael Grampá na categoria melhor antologia. O troféu foi conquistado pela revista independente “5″, que inclui também histórias de Becky Cloonan e Vasilis Lolos.
Bá também subiu outra vez ao palco para receber o prêmio de melhor série limitada por “The Umbrella Academy”, HQ da Dark Horse com roteiro de Gerard Way, da banda My Chemical Romance e desenhos do brasileiro.
Mais adiante, o próprio Bá foi chamado para entregar o prêmio de melhor HQ digital para o irmão Fábio Moon pela HQ “Sugar Shock”.
“Eu amo quadrinhos… tudo o que eu sempre quis foi fazer histórias em quadrinhos”, declarou no palco um Fabio Moon ainda atônito com a vitória pela antologia. Já recomposto, Bá continou: “A gente vem do Brasil para cá há 12 anos e me lembro que, na primeira vez, o Frank Miller fez um discurso que dizia entre outras coisas: você pode fazer mais. E é isso que a gente vem tentando fazer desde então, mais e melhor”.
Aplaudidos com entusiasmo pelo público, os brasileiros viraram o assunto da noite, citados por nomes como Jerry Robinson, escritor veterano de “Batman”, que se disse “feliz de ver os meninos do Brasil aqui”, e o escritor da DC Comics Brad Meltzer, que dedicou seu prêmio “não aos heróis, mas àqueles que tentam; a todos os nerds, geeks e loosers, e a caras como os autores do Brasil, que continuaram tentando”. >> G1 – por Diego Assis
Abaixo, trechos da matéria do Walt Street Journal sobre os Gêmeos que estão se destacando nos quadrinhos norte-americanos. Tradução da Carol Almeida, do blog Zuper.
“Nos últimos 12 anos, Fábio Moon e seu irmão gêmeo Gabriel Bá gastaram milhares de dólares para viajar de sua cidade natal, São Paulo, até a San Diego Comic Con, o maior evento de quadrinhos dos Estados Unidos. Eles esperavam que seus desenhos chamasse a atenção de um editor grandão e passavam horas esperando por um autógrafo de ídolos como Frank Miller e Jeff Smith. Porém, nesta edição do Comic Con, que começou quinta passada, os senhores Bá and Moon, ambos com 32 anos, são aqueles sob os holofotes. Ambos irmãos têm trabalhos indicados ao Eisner Awards, o equivalente do Oscar nos quadrinhos…. “
“Parte do apelo dos gêmeos é a habilidade de ambos em criar bem sincronizadas colaborações. Muito de seus trabalhos compartilha do mesmo sentimento luxuoso e diáologos curtos. A casa de infância no boêmio bairro da Vila Madalena transformou-se em estúdio e eles trabalham alguns centímetros distantes. “Nós somos a consciência um do outro porque pensamos muito parecido em termos do que é importante para uma história”, diz Moon.”
Imagem do livro "Coisas que a Gente Gosta e Não Gosta", do desenhista Jaca.
Com tantas HQs que atualmente estão presentes em bancas, livrarias e lojas especializadas, muitas obras brasileiras que não têm o privilégio de uma distribuição mais global acabam perdidas em meio aos lançamentos mais badalados e de artistas reconhecidos. Por isso queria destacar aqui algumas destas edições que merecem a atenção de quem gosta de quadrinhos e de livros ilustrados.
A Quadrinhofilia de José Aguiar Quadrinhofilia. De quadrinho(-s- + -filia. Arte de colecionar, criar ou apreciar histórias em quadrinhos..
Você não vai achar esta definição nos dicionários, mas ela já existe. Primeiro como uma coluna sobre HQs em um site e uma exposição dos trabalhos do quadrinhista curitibano José Aguiar, e agora como um livro da editora HQM que reúne as histórias curtas do autor.
Vale a pena buscar este livro e mergulhar nas histórias que Aguiar tece com talento e criatividade. Com um estilo de traço às vezes lembrando Mike Mignola ou o alemão Andreas, mas mantendo seu estilo pessoal, o autor percorre com desenvoltura temas como o humor, a ficção-científica, o terror, o fantástico.
A experimentação gráfica e de linguagem é uma constante nas quatorze histórias deste álbum que alterna HQs coloridas e preto e branco, destacando o lado sombrio da vida. Humor negro, film noir, expressionismo alemão: em várias histórias é a porção obscura do ser humano que Aguiar traz à tona, inclusive com uma adaptação do clássico filme alemão, O Gabinete do Dr. Caligari.
A capa do álbum traz uma parece repleta de quadros com cenas das histórias que encontraremos no interior, resumindo a galeria de personagens e contos estranhos que fora reunidos em Quadrinhofilia para nosso prazer de ler e ver.
Necronauta: em busca do morto perdido
Com edições de 12 páginas em fotocópia o fanzine Necronauta já chegou ao seu quarto número. Cada revista traz uma história do personagem principal em sua missão: resgatar pessoas que morreram mas que se recusam a aceitar essa realidade.
Os ótimos desenhos são sempre de Danilo Beiruth, mas cada revista conta com um roteirista convidado.
Com um clima do antigo seriado Além da Imaginação, as pequenas histórias bem humoradas e despretensiosas sobre a morte cativam o leitor e nos fazem querer ler mais. Só nos resta ficar atentos para a próxima aparição do Necronauta.
O Câncer Urbano
A pequena obra Câncer é uma edição especial publicada pela revista independente O Contínuo. Belissimamente produzida, é criação do roteirista Dalton Correa Soares e dos desenhistas Rafael Mathé e Olavo Costa.
Misturando pequenas histórias multicoloridas que utilizam a linguagem dos graffiti com páginas de anotações e esboços em sépia, Câncer cria um jogo urbano com referências à mitologia, magia e astrologia.
Underground para crianças
Este livro também utiliza a linguagem dos graffitis, mas desta vez em uma obra para o público infantil desenhada por um veterano dos quadrinhos underground brasileiros, que já foi colaborador das revistas Dundum e Animal e atualmente participa da exposição de cultura urbana Transfer, em Porto Alegre.
O desenhista Jaca, com roteiro de Fabio Zimbres e Laura Costa, nos leva em “Coisas que a Gente Gosta e Não Gosta“, da editora Hedra, a um passeio divertido e lúdico pelas coisas simples e boas (ou más) da vida de uma criança, com sensibilidade e inventividade, trazendo uma nova estética para os livros infantis, geralmente mais apegados às ilustrações tradicionais.
A Warner Brothers e a Appian Way, que pertence ao ator Leonardo DiCaprio, estão pesquisando entre os episódios produzidos para a série “Além da Imaginação/The Twilight Zone”, histórias que possam adaptar para o cinema.
Em 1983, a Warner lançou uma versão da série para o cinema na qual apresentou quatro segmentos que eram um remake de episódios. Dirigidos por Joe Dante, John Landis, George Miller e Steven Spielberg, esta versão cinematográfica ficou marcada como sendo responsável pela morte do ator Vic Morrow, de “Combate”, e duas crianças orientais. Eles participaram de uma cena, dirigida por Landis, que se recusou a utilizar dublês, na qual um helicóptero caiu e decapitou-os com sua hélice. Landis, alguns produtores e técnicos foram levados a julgamento mas foram considerados inocentes da acusação de negligência.
Desta vez, a idéia é produzir uma história de narrativa contínua e não em segmentos. Criada, produzida e apresentada por Rod Serling, a série antológica estreou em 1959 trazendo para a ficção científica uma abordagem mais adulta, com temáticas políticas, sociais e psicológicas. Até então, a ficção científica na TV era voltada para o público infantil com abordagens didáticas. Algumas tentativas de levar a ficção para o mundo adulto, como “Tales of Unexpected” ou “Um Passo Além/One Step Beyond”, não tiveram o mesmo sucesso. “Além da Imaginação” abriu as portas para novas produções de ficção que seguiram o caminho de Serling em relação a este tipo de abordagem, como foi o caso de “Jornada nas Estrelas/Star Trek”, no final dos anos 60, com a qual Gene Roddenberry deu continuidade à proposta de Serling.
Com uma equipe de roteiristas como Richard Matheson, Charles Beaumont, George Clayton Johnson, Earl Hamner Jr., que mais tarde criaria a série “Os Waltons”, além do próprio Serling, entre outros, “Além da Imaginação” é um marco na história das séries de TV americana. Nos EUA, a série completa já foi lançada em DVD pela independente Image Entertainment.
Atualmente, a Warner já produz um filme com base em história de Richard Matheson, que foi originalmente adaptada para o remake de “Além da Imaginação” nos anos 80, chamado “The Box”. Nele temos um casal que recebe uma caixa na qual existe um botão. Se apertarem o botão, eles ganharão um milhão de dólares, mas alguém, em algum lugar do mundo, irá morrer em conseqüência deste ato. O filme é dirigido por Richard Kelly e estrelado por Cameron Diaz, James Marsdem, de “Ally McBeal”, e Frank Langella. Previsão de estréia para 2009. >> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim
O futuro da série mais cultuada dos anos 90 depende do interesse do público pelo filme Arquivo X – Eu Quero Acreditar, 10 anos depois do primeiro longa-metragem e 6 anos após o último episódio ir ao ar. A história é independente da série e, segundo o diretor e roteirista Chris Carter, não envolve conspirações alienígenas ou governamentais, o que pode decepcionar muita gente.
10 anos atrás, a foto acima causaria um cataclismo nas listas de discussão da internet discada. A escalada de Arquivo X como fenômeno pop coincidiu com a popularização da web ao redor do mundo – época em que Mulder e Scully ainda não tinham se beijado na TV (isso só aconteceu na 7ª temporada!). Os fãs estavam divididos em grupos “rivais”: os ‘shippers’, a favor de um possível relacionamento, e os ‘noromos’, que defendiam que a tensão sexual não-resolvida entre os agentes era o motor e principal atrativo do seriado.
Está nas lojas uma coletânea chamada de Arquivo X Essencial, lançada para preparar o terreno para o longa que estréia hoje. São 8 episódios que supostamente se relacionam com o filme, mas que não exatamente servem para representar a série e introduzi-la para novos fãs. Vários deles são episódios que fogem tanto da fórmula “monstro da semana” como do arco maior da grande conspiração, que envolve uma invasão alienígena acobertada pelo governo. Quem nunca viu Arquivo X na vida vai ficar um pouco perdido com episódios como ‘Prometeu Pós-Moderno’ (um exercício de estilo em P&B sobre um mutante que é fã da Cher) e ‘Vampiros’ (um dos episódios favoritos dos fãs, mas com tons de auto-paródia que só entende quem viu os episódios “normais” da série). >> SUPERINTERESSANTE – por André Sirangelo
Em janeiro de 2000, a SUPER publicou uma matéria descolada comentando o que há de pura ivenção e o que há de verdade científica nos episódios de Arquivo X. Abordando de nanomáquinas inteligentes a bebês com rabo, a reportagem foi inspirada pelo livro ‘The Real Science Behind The X-Files’, ou A ‘Verdadeira Ciência por Trás do Arquivo X’, lançado no Brasil naquele ano. Vale a pena dar uma olhada lá no SuperArquivo.
Considerada “menor”, a ficção científica tem se mostrado mais realista do que a “grande literatura”, ao abordar as transformações tecnológicas e sociais causadas pela informática e pela globalização, tornando o controle social ainda mais sofisticado
Valerio Evangelisti é um dos principais autores da nova geração da literatura italiana. Seus últimos livros fazem uma mistura de gêneros e comentário político, características do "New Weird", tendência recente dentro do campo da ficção cientifica e fantasia.
A globalização da economia, o papel hegemônico da informática, o poder de uma economia desmaterializada, as novas formas de autoritarismo ligadas ao controle da comunicação, todos estes temas parecem deixar indiferentes os escritores da “grande literatura”, pelo menos na Europa. Na maior parte de seus romances, o mundo parece imutável. Predominam as histórias intimistas, que poderiam ter-se passado há cinqüenta anos — ou que poderiam acontecer daqui a cinqüenta anos… Amores, paixões e traições perpetuam seu consumo à luz de uma vela, num mundo de cores pálidas e cheirando a poeira e talco. Há, é claro, algumas exceções; mas na maior parte do tempo o cenário geral é imoderadamente “minimalista”.
O estilo insosso, extenuado, passou a ser considerado como realista. Parece deter a verdade, a ponto de tornar-se a única forma de literatura nobre. Pouco importa se o autor, que não tem tempo a perder, digita seu texto num computador e o envia por correio eletrônico. Pouco importa se o tempo de impressão foi reduzido em mais da metade graças às novas tecnologias. Essas inovações vulgares não poderiam refletir-se na história, sob pena de contaminá-la e reduzir sua carga de sublime. A prosa “realista” situa-se fora do tempo; o que é ancorado no tempo não tem valor.
Obediência ao mercado
É lógico que a literatura “branca” arrasta consigo sua antítese, o roman noir. Aqui, a rua, o conflito, o urbano, o social desempenham um papel importante. Já as estruturas planetárias do sistema, as evoluções históricas, as mutações psicológicas e comportamentais que o desenvolvimento tecnológico gera não têm papel algum, exceto em casos raros. Os acontecimento se reduzem ao conflito entre alguns indivíduos animados pelas eternas paixões: ódio, vingança, amor, sede de justiça. O “maximalismo” do cenário se dissolve no “minimalismo” do tratamento: policial corrupto, ou dúbio, ou honesto, contra criminoso honesto, dúbio ou corrupto. Nem sempre, mas com bastante freqüência. E no entanto o sistema é questionado, em seu conjunto. Na realidade, trata-se de um “minimalismo” mais amplo, ou de um “maximalismo” reduzido. Dois passos à frente e um passo atrás.
O fato é que hoje, mais do que nunca, o sistema diluiu-se em escala continental e o controle sobre as vidas individuais se encontra nas mãos de um poder anônimo e longínquo. Um volume vertiginoso de trocas decide no espaço de um dia centenas de milhares de destinos: uma fábrica fecha na França, uma revolta estoura na Indonésia, uma empresa italiana desloca sua produção para a Albânia, um aventureiro ganha milhões de dólares na Austrália e os perde na Espanha no dia seguinte; tudo isso escoltado por milhares de dramas que ninguém se encarrega de registrar… Alguém gostaria de saber quem está na origem de tantas tragédias? Descobre-se que são acionistas inconscientes que confiaram suas economias a um administrador de fundos. Este último também é parcialmente inconsciente: tudo o que ele conhece é o mercado. Ora, o mercado não é uma entidade física, é um conjunto de equilíbrios gerado por regras. Quem impôs tais regras? Os governos. Mas os governos também são inconscientes, pelo menos em parte: tomam decisões em ligação com outros governos mais poderosos. A quem obedecem estes últimos? Em teoria, ao mercado, na realidade, a ninguém…
Estranho código genético
Se procurássemos o elemento detonador, talvez terminássemos por descobri-lo num professor alcoólatra, numa pequena universidade norte-americana de província… O qual, em pleno delírio etílico, elabora uma teoria fundada sobre nada, mas em afinidade total com o que, naquele momento, a política de seu governo exige… A teoria se mistura à ideologia, o resultado se metamorfoseia em político, a política se transforma em poder, o poder se faz potência.
Nessa altura, o desempregado já sabe a quem agradecer. Ou talvez não. Ninguém sabe. Enquanto a “grande literatura” se compraz em ignorar tudo isto, a literatura do “andar de baixo” fez da época seu objeto de predileção. Aludo à ficção científica. Não a toda ficção científica, bem entendido, pois há muita bobagem nesse campo. Mas, por natureza, o gênero é “maximalista” e inclina-se a tratar vários assuntos: pinta mutações em larga escala, revela sistemas ocultos de dominação, denuncia efeitos trágicos ou bizarros da tecnologia, inventa sociedades alternativas. Assim como o spaghetti-western mais pesado podia incluir momentos de cinema de qualidade, o romance de ficção científica menos legível pode conter grandes intuições. Mesmo que se perca em aventuras sem outro fim que elas mesmas, em retratos psicológicos mal-acabados, em simplificações de historieta infantil. Mas o “minimalismo” nele continua, para sempre, intolerável. É estranho a seu código genético.
Nem efêmera nem negligenciável
Só a ficção científica apresenta descrições realistas (sim, realistas!) do mundo em que vivemos. Por exemplo, que outro gênero literário já dedicou um romance aos mecanismos das crises econômicas? Nenhum. Mas tomemos Depression or Brust (1974), de Mark Raynolds. Um sujeito cancela sua encomenda de uma geladeira, o que leva à falência da concessionária, depois do fabricante e, etapa após etapa, ao colapso de toda a economia dos Estados Unidos. A história não tem outro personagem a não ser a crise e a fragilidade geral do sistema. Talvez não se trate de literatura refinada, mas não se pode relegá-la ao campo do efêmero ou negligenciável. Os temas são tão fortes que é impossível deixá-la à margem.
Voltemos atrás, com Hell’s Pavement, de Damon Knight (1955). Uma sociedade imaginária, relativamente próxima à nossa no tempo, descobre o remédio definitivo contra o crime. Os criminosos confirmados são condicionados a sofrer alucinações no momento em que tentarem cometer um delito. A descoberta cai nas mãos de algumas sociedades multinacionais, que a adaptam a seu próprio objetivo: o delito mais grave, que provoca alucinações, torna-se a compra dos produtos das empresas concorrentes. Resultado: O mundo inteiro é dividido em zonas de influência, onde cada sociedade multinacional exerce sua dominação impondo aos cidadãos as alucinações que lhes convêm.
Distinguir o verdadeiro do falso
Isso faz você sorrir? Eu não sorrio. Vivo num país — a Itália — onde um movimento político nasceu de um aceno, graças ao único fato de que seu líder — Silvio Berlusconi — era o dono de uma rede de televisão…
Ainda no capítulo das alucinações: um autor italiano de ficção científica, Vittorio Curtoni, escreveu há uns vinte anos uma série de histórias sobre o tema de uma guerra do futuro. Os protagonistas recorriam a armas psicodélicas, o que gerava uma humanidade impotente para distinguir o verdadeiro do falso, incapaz de se considerar como pertencente a um todo solidário…
Os que ainda se lembram da onda de desinformação divulgada pelas fontes mais confiáveis durante a guerra do Golfo e a guerra do Kosovo compreendem do que se trata: recém-nascidos arrancados da incubadora pelos homens de Saddam Hussein, as 700 crianças kosovares seqüestradas para doar sangue aos soldados de Milosevic… E outras tantas informações falsas, que nos levam a pensar que a guerra das alucinações já começou.
A falência da democracia
Um último exemplo. Aludi à dificuldade de identificar, hoje, quem maneja as alavancas do poder. Sobre este assunto, há uma história deliciosa de Jack Vance, Dodkin’s Job (1964). Numa sociedade de classes rígida, um operário é perturbado pelas ordens irracionais que lhe são impostas e então tenta descobrir de quem elas vêm. Depois de uma longa pesquisa, descobre que não vêm de ninguém… Melhor ainda, é um velho porteiro dos palácios do poder quem se encarrega de datilografar um rascunho numa velha máquina de escrever, e depois o sistema se apodera do rascunho, deforma-o e o transforma em ordens absurdas.
À primeira vista, não passaria de uma brincadeira. Na realidade, uma parábola sobre a falência da democracia que se manifesta nas formas modernas da sociedade, quando o poder se exerce sem controle.
A resistência do cyberpunk
Com a metáfora, a ficção científica soube perceber, melhor que qualquer outra forma de narração, as tendências evolutivas (ou regressivas) do capitalismo contemporâneo. Isto lhe permitiu, freqüentemente, ultrapassar os limites habituais da literatura e se expandir para os costumes, comportamentos, os modos de falar comuns, em uma palavra, a vida cotidiana. A corrente cyberpunk, ainda ativa há uns dez anos, constitui o exemplo principal. Pela primeira vez na história, e bem antes do desenvolvimento atual da Internet, muitos escritores tomavam como tema de seus romances esta forma de relação entre o homem e a máquina, que é a informática.
Seriam romances “fantásticos”, afastados do realismo considerado como a forma privilegiada da literatura? Permitam-me duvidar. Quando a Internet se impôs, as obras de William Gibson, Bruce Sterling, Rudy Rucker e outros forneceram à nova realidade os termos adequados para descrevê-la e um mapa de seus porvires potenciais. Melhor ainda, mostraram aos oponentes o caminho da resistência, cultural e prática, diante das ameaças contidas na emergência de uma rede de comunicação onipresente e capaz de reproduzir as relações de dominação no terreno enganador do imaterial.
As batalhas dos piratas
Segundo eles mesmos confessaram, militantes da extrema-esquerda européia criaram, sob a influência de histórias cyberpunk, a rede European Counter Network (ECN); foram os primeiros a utilizar a velocidade do novo sistema de informação para coordenar suas ações. Os centros sociais dos jovens revoltados encheram-se de modems e de computadores, sistematicamente destruídos durante as batidas policiais. Os piratas da informática empreenderam titânicas batalhas individuais contra os grandes grupos econômicos, reduzindo a velocidade de acesso à rede e sua submissão.
Já tínhamos visto a literatura popular influenciar a vida (por exemplo, as novelas do século XIX ou as recaídas sociais dos romances de Eugène Sue), mas nunca de modo tão maciço e sistemático. A ponto de o cyberpunk não se ter extinguido devido à fraqueza, mas por ter-se tornado supérfluo, diante de sua expansão fora do campo narrativo. Não creio que outras correntes literárias se possam gabar de fim tão glorioso.
Investindo nos sonhos
Tem-se a impressão que o fantástico, e muito particularmente a ficção científica, é a única maneira, do ponto de vista literário, de descrever o mundo atual de modo adequado. Porque é um mundo onde o imaginário assumiu uma importância excepcional. Se fôssemos reformular a teoria do valor (e como isto seria necessário!), seria preciso acrescentar a informação aos fatores enumerados por diversas escolas econômicas. As noções de quantidade de trabalho contida nas mercadorias, de penúria de bens, de diferença entre a oferta e a procura não bastam mais. A procura de uma mercadoria aumenta com sua notoriedade, e seu valor cresce em conseqüência disso.
O capitalismo tradicional contentava-se com a publicidade. Agora, vai mais longe: na imaginação, nos sonhos, nas mais íntimas visões do mundo. O crescimento da comunicação o permitiu, impondo modos de vida, criando necessidades onde não havia, aumentado a sede de afirmação do indivíduo. Não se compreende nada da sociedade contemporânea se não se levar em conta a rápida colonização do imaginário consumada nestes últimos anos. Antes, desempenhávamos um papel produtivo durante um certo número de horas por dia, enquanto o resto do tempo era dedicado à diversão e ao repouso, isto é, a nós mesmos. As atividades de descontração, todas baseadas na comunicação, prolongaram o campo da produtividade à custa do lazer e do tempo de repouso. Quase todos os espetáculos televisivos contêm incitações à compra, seja através de publicidade explícita ou referências a modos de vida considerados melhores para todos.
Imagens sem contexto
A imagem já causou verdadeiras comoções sociais: a corrida às mercadorias ocidentais depois da queda do muro de Berlim, a chegada maciça de albaneses à Itália, atraídos pela fascinação das ondas televisivas captadas além-Adriático… Mas se a informação é uma coisa, a sua manipulação é outra. Hoje em dia, a comunicação capitalista visa diretamente o inconsciente. A produção simbólica, antes ajustada à evolução dos séculos, tornou-se frenética. Incentiva-se sem pudor a perda de identidade.
Por outro lado, informação e comunicação são partilhadas quando os grandes temas estão em jogo. Imensas tragédias se reduzem a diligentes seqüências de imagens, tão rápidas que delas nada resta. Ver um jornal da CNN é não ver nada. Sai-se com uma série de noções inutilizáveis, porque ali falta o contexto, a análise, a reflexão. É verdade que a profundidade é a grande inimiga dos que controlam os destinos de outros (ainda que de forma anônima). O sistema só subsiste se os subordinados viverem na futilidade. E daí a exigência de introduzir em sua intimidade, até na sua psique, falsas informações, falsas representações para que não percebam sua condição.
As formas bastardas da ficção
A ficção científica, o fantástico, a literatura centrada no imaginário, têm o poder de reforçar a inventividade contra este gênero de agressões. Elas o utilizam menos do que seria necessário, e às vezes nem o utilizam. A ficção científica norte-americana contemporânea é a sombra do que foi: padronizada, pobre, reduz-se muitas vezes a formas bastardas de vulgarização científica, tão nulas literária quanto intelectualmente. A renúncia à ambigüidade e à provocação foi, certamente, fatal.
Todavia, não se deve esperar que a “grande literatura”, o mainstream (de tal forma indiferente à sociedade que o cerca que fez do descompromisso e do retorno sobre si um critério de qualidade) conduza a resistência contra a colonização do imaginário.
É necessário para isto uma narração “maximalista”, consciente de si mesma, que preocupe e não console. A ficção científica foi isto. Poderia sê-lo de novo. Traduzido por Maria Elisabete de Almeida. >> LE MONDE DIPLOMATIQUE – por Valerio Evangelisti- 08/2000
Ray Bradbury "dá um alô", na ComicCon, em San Diego, de julho de 2006.
O autor de ficção científica Ray Bradbury brinda sua audiência com histórias sobre sua vida e o amor ao escrever, em discurso no Sexto Simpósio Anual de Escritores do Mar, patrocinado pela Universidade Point Loma Nazarene.
Uma sessão com Ray Bradbury, de início de século, na qual o autor nos conta as histórias que geraram as histórias e que, de certa forma, as descodificam. Está aqui tudo, como ele próprio diria, As Crónicas Marcianas e o Homem Ilustrado e a Cidade Fantástica (que nem de longe se poderá considerar fantástico, embora seja uma extraordinária fábula sobre o encanto da infância e da redescoberta através da memória).
A meu ver, a melhor lição para autores acaba por estar contida em sugestões práticas, como a necessidade da leitura frequente e variada sobre uma multiplicidade aleatória de temas, tendo por meta um ensaio e um poema e um conto por dia; e a importante necessidade de praticar e praticar bastante através dos contos, através de histórias curtas, obter assim a satisfação imediata de ver algo acabado num curto espaço de tempo (segundo me lembro de outras paragens, uma história que era reescrita ao longo dos cinco dias úteis, de uma forma tosca inicial de segunda-feira para uma completa e acabada à sexta para submissão às revistas). Investir no conto antes do romance, ou ao invés deste.
Também uma descrição pungente de tempos bastante mais difíceis que os nossos (recordo-me sempre do que Woody Allen referia num dos seus filmes, «Não entendo a propensão actual para a depressão. A minha mãe andava sempre tão ocupada a tratar da família que não tinha tempo para pensar em depressões nem suicídio».)
Imagino o que faria um Bradbury rejuvenescido, regressado ao início da vida adulta por intermédio de uma máquina de feira ou por um bolinho chinês da sorte, com toda a tecnologia e a liberdade que hoje se nos depara? Toda aquela força de conseguir iria levá-lo mais além, ou como muitos, iria dispersar-se ante a falta de obstáculos e a facilidade de obter? Será esta uma história? >> EFEITOS SECUNDÁRIOS – por Luis Filipe Silva
O elenco central conta com Craig Horner (Richard) e Bridget Regan (Kahlan).
A nova série de Sam Raimi, famoso por “Xena, a Princesa Guerreira” e “Hércules”, tem como base o livro de Terry Goodkind “Sword of Truth“, que segue uma narrativa de fantasia em uma época distante. Com produção de Sam Raimi, Rob Tappert, Ned Nalle e com o apoio do autor dos livros, a série é filmada na Nova Zelândia, tal qual as produções anteriores de Raimi.
A nome da série mudou de “Wizard´s First Rule”, para “Legend of the Seeker“. Ao lado, segue a primeira foto do casal principal e abaixo o trailer da série, que estréia no dia 1º de novembro em canais regionais dos EUA, tal qual suas séries anteriores.
O elenco central conta com Craig Horner (Richard) e Bridget Regan (Kahlan). E agora foram confirmados para o elenco: Bruce Spence, que será Zeddicus Zul Zorander; Jay Laga’aia, que será Chase Brandstone; e Craig Parker, interpretará Darken Rahl.
“Legend of the Seeker” traz a história de um rapaz que descobre ter poderes mágicos com os quais pretende libertar seu povo de um tirano.
Um dos meus contos preferidos sobre Realidade Virtual (mundos criados em computador) é “In the Upper Room” de Terry Bisson (“Playboy”, abril 1996), cujo texto completo pode ser obtido clicando aqui. É a história de um cara que se perde no interior de um catálogo virtual da Victoria´s Secret, a famosa loja de lingerie. Nesse catálogo virtual, o cliente, em vez de folhear uma revista com fotos das mulheres usando aqueles trajes provocantes, “entra” numa mansão e percorre quartos onde encontra simulações de belas modelos trajando coisas mais provocantes ainda. Um crítico chamou a atenção para um detalhe que revela o caráter serial, repetitivo, mecânico daquele mundo. Diz o narrador: “I stood beside her at the window watching the robins arrive and depart on the grass. It was the same robin over and over.” (“Fiquei ao lado dela, observando os tordos chegarem e partirem do gramado. Era o mesmo tordo, que ia e voltava, ia e voltava.”) Esse passarinho, sempre o mesmo, revela a natureza artificial daquela paisagem; e o escritor destaca isto com sutileza, com o uso de verbos ( “arrive”, “depart”) que usamos normalmente para aviões, não para aves.
Que frio na espinha, que calafrio na alma não sentiríamos se percebêssemos, em nosso mundo real, que certos elementos se repetem em “loop” interminável, como os figurantes de filmes como Cidade das Trevas ou O 13o. andar? As pessoas acostumadas a jogar jogos em CD-Rom (de The Sims a Zoo Tycoon ou a Great Theft Auto) estão acostumadas à presença desses figurantes cibernéticos: pessoas, carros ou animais que estão sempre passando ao fundo, sempre os mesmos, cumprindo as mesmas ações e os mesmos gestos, para nos dar a ilusão de Vida Real.
O que não deixa de me trazer à memória a famosa “Ode to a Nightingale” de John Keats (1819), em que o grande poeta romântico sente-se desprendido da realidade terrena ao escutar o canto de um rouxinol, cuja beleza o liberta por alguns instantes das tristezas da vida e da fragilidade do corpo (Keats morreria de tuberculose dois anos depois, aos 26 anos). Ele se sente transportado para um plano fora do espaço e do tempo ao escutar aquela canção que, sem dúvida, é a mesma que os rouxinóis cantam desde que o mundo é mundo. Keats percebeu (embora não nos termos que aqui coloco) que um pássaro não passa de um corpo físico descartável que executa um software musical repetitivo, sempre o mesmo, e que nunca se extingue: “Thou wast not born for death, immortal bird!” O pássaro não morre, porque é um figurante virtual em nosso mundo; cada rouxinol de hoje é o mesmo que cantou na Antiguidade remota. O poeta percebeu que era o mesmo rouxinol que ia e voltava, cantando para indivíduos únicos, efêmeros, mortais, conscientes da existência do Tempo, e de que só deixariam na Terra a sua canção. O rouxinol de Keats continua cantando, mas me consola pensar que Keats também. >> MUNDO FANTASMO – por Bráulio Tavares
A revista Mundo dos Super-Heróis ganhou, pelo segundo ano consecutivo, o prêmio HQ MIX na categoria “Melhor Publicação Sobre Quadrinhos”.
Agora, já está nas bancas SP e RJ a “Mundo dos Super-Heróis 11″, com um dossiê sobre as principais mudanças e curiosidades da carreira do Batman. São 30 páginas com informações essenciais do personagem, além da crítica do novo filme e uma nova seção – chamada “Procurado” – com um mini-dossiê sobre o Coringa.
O batdossiê conta com os seguintes capítulos:
> A criação do herói no fim dos anos 30 e seu desenvolvimento nos anos 40
> O processo de censura ocorrido nos anos 50
> Os divertidos e inocentes anos 60
> A volta do lado sombrio do herói nos anos 70
> Os anos de maior popularidade do Batman na década de 80
> Catástrofes e provações dos anos 90
> A renovação do ano 2000
OUTRAS REPORTAGENS DA EDIÇÃO 11 DA MUNDO: Criador: Neil Gaiman (8 págs) Graças à sua abordagem pouco convencional, Neil Gaiman é um dos mais elogiados roteiristas de quadrinhos da atualidade. Conheça os detalhes de sua carreira.
10 Mais: Heróis Negros (5 págs) Eles ganharam seu espaço nos quadrinhos e hoje apresentam histórias muito interessantes e criativas. Selecionamos 10 heróis negros que marcaram época, como Pantera Negra, Luke Cage, John Stewart, Blade…
Thor de A a Z (7 págs) Os detalhes da rica mitologia do Deus do Trovão, um dos maiores heróis da Marvel.
Entrevista: Greg Tocchini (4 págs) Ele é um dos muitos brasileiros que desenham para o exterior. Mas com uma diferença: é sempre chamado para projetos bem particulares que envolvem a criação de visuais diferenciados. Veja como Tocchini trabalha isso.
Heróis BR Velta (4 págs) A trajetória da musa dos quadrinhos independentes brasileiros que completou 35 anos recentemente.
Coleção: especial batmóvel (2 págs) O batmóvel é quase um personagem, uma parte essencial na mitologia do Homem Morcego. Separamos sete modelos imperdíveis para colecionadores.
Clássicos da Era de Ouro (1 pág) O quadrinhista Gedeone Malagola conta a história de Tails Tommy, um herói aviador que fez muito sucesso nos anos 20.
Artista da capa: Samicler Gonçalves (2 págs) Os detalhes de como o talentoso artista brasileiro criou nossa ilustração de capa e nosso pôster central do Batman.
Etc& Tal (1 pág) O jornalista Sílvio Ribas conta os detalhes de sua longa relação com o universo do Batman.
Peneira Pop (10 págs) Notícias e um pouco mais: os bastidores e a crítica do filme Batman, The Dark Knight; novidades sobre o mundo dos quadrinhos; resenhas sobre revistas, fanzines e livros que chegaram à redação.
Super Leitores (5 págs)
Comentários, críticas, textos e desenhos dos leitores. Tem até o desenho de uma leitora de nove anos.
Catacumba (1 pág) O colecionador Fransérgio Rodrigues conta a história da revista da Família Halley, um grande sucesso dos anos 80.
DISTRIBUIÇÃO:
A Mundo dos Super-Heróis 11 será lançada em duas fases. A primeira será do dia 18/7 em São Paulo Capital e em 21/7 no Rio de Janeiro Capital. Depois, a revista será recolhida no dia 18/8 e volta para as demais bancas do Brasil em setembro de 2008.
Para ver uma versão digital da revista, clique aqui
Casanova tem roteiro de Matt Fraction e arte dos irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon.
Além de Casanova, Fraction também assinou contrato para o desenvolvimento de The Last of the Independents, HQ de sua autoria publicada pela AiT/PlanetLar. O título é uma homenagem ao filme policial O Homem que Burlou a Máfia (Charlie Varrick), que traz Walther Matthau no papel principal.
Os dois projetos estão nas mãos de Rick Alexander e Jeff Krelitz. Segundo Alexander, já há atores de primeiro time interessados em Casanova, que poderá vir a ser um blockbuster de grande orçamento.
Alexander está trabalhado para que Casanova faça sua estréia cinematográfica em julho de 2010. A produção de The Last of the Independents está um pouco mais adiantada. O filme já tem um roteirista, Alec Litvak, e as filmagens poderão começar no início de 2009.
Casanova Quinn, personagem que dá nome à série, é um ladrão forçado a se tornar um espião numa perigosa intriga internacional.
Atualmente, Fraction está envolvido com o roteiro de várias revistas da Marvel, como X-Men, Justiceiro e Thor.
Leitores brasileiros ganham, enfim uma edição à altura da importância da obra de Grant Morrison
Repensar todos os mistérios acumulados em séculos da existência humana não é novidade há muito tempo. Grant Morrison, um dos mais importantes escritores de quadrinhos deste século (e do anterior), conseguiu criar a história definitiva de conspiração. Os Invisíveis – Revolução 1 chegou início deste mês às livrarias brasileiras pela editora Pixel.
A idéia de forças ocultas que dominam o pensamento e ações humanas é o mote da série, que chegou a ser a série número 1 do selo Vertigo, da DC Comics. Tudo pode acontecer nas páginas desta HQ, desde viagens no tempo até aparições místicas de demônios, sem esquecer, claro de alienígenas que invadem a Terra. A trama conta a história de uma célula anarquista que busca a evolução da humanidade. Isto é tudo o que é possível explicar nestas linhas. De resto, o prazer de desvendar o quadrinhos é a principal proposta de Os Invisíveis.
O gênio louco de Morrison tornou possível uma transcendência além-papel para a série. Ele é o primeiro a acreditar piamente em sua ficção, ou é isso que ele quer nos fazer acreditar. Já afirmou se tratar de sua obra “autobiográfica” e chegou a dizer que teve uma experiência de conhecer um outro estado de existência (como viajar a outra dimensão) antes de escrever o texto. Mas, para alguém que diz ser uma estudioso da Magia do Caos, tudo é possível.
Ler a série, sobretudo para quem nunca leu nenhum outro texto deste autor escocês pode ser perturbador. Centenas de referências se escondem em cada quadro, cada cena compele o leitor a se confrontar com o mundo em que vive. Existe um outro mundo além das percepções humanas, uma existência ao mesmo tempo mística e virtual. Foi por esta abordagem de um mundo obscurecido por forças dominantes que fez a série ser comparada a Trilogia Matrix, estrelada por Keanu Reeves e dirigida pelos irmãos Warchowski.
Nenhuma outra HQ rompeu tanto com parâmetros da indústria dos quadrinhos norte-americanos quanto Os Invisíveis. Até hoje, figura como referência primordial em todo tipo de experimentação nos quadrinhos. De todos os gênios da nona arte revelados nos anos 80, como Neil Gaiman, Frank Miller e Alan Moore, Morrison é o mais visionário de todos.
Para muitos, seus argumentos chegam a ser egocêntricos e herméticos, mas à ocasião do lançamento do primeiro volume de sua obra maior, disse que travava um diálogo com seus leitores para que eles “despertassem”, ou numa linguagem pop mais entendível, tomem a pílula azul.
Caos
Mais complicado do que entender os conceitos e idéias por trás de Os Invisíveis era tentar acompanhar a série no Brasil. Obra-prima de Grant Morrison, só agora ela ganha uma edição merecida. Lançado pela editora Brainstore, nunca teve peridiocidade definida, nem mesmo uma boa distribuição. A Pixel tenta agora lançar a série em encadernados com nova tradução e bom acabamento.
Chama a atenção também os extras que tentam contextualizar a série com suas diversas referências. Outro renomado escritor de HQs, Peter Miligham (Shade, X-Táticos) assina o prefácio e o jornalista Delfin fez um interessante posfácio do livro. Entre tantos acertos, o único deslize é o formato, menor que o original americano sem que isso significasse uma diminuição no preço. Lembrando que esta era uma das principais queixas que os leitores Vertigo faziam das edições da Devir.
Mas restam razões para comemorar o lançamento de uma das mais importantes obras de quadrinhos do século 20. >> O GRITO – por Paulo Floro
Diferente do que ocorre no Brasil, pequenas e médias editoras da Espanha investem prioritariamente em quadrinhos de autores nacionais, podendo também lançar produtos estrangeiros. Este é o caso da Diábolo Ediciones que, entre outros lançamentos de quadrinistas espanhóis, publica a antologia de terror Cthulhu. Tive a oportunidade de “intercambiar” alguns de meus quadrinhos pelas duas primeiras edições da revista, que podem ser melhor definidas como pequenos álbuns temáticos reunindo vários autores, HQs, textos e histórias ilustradas.
Coordenada por Lorenzo Pascual e Pilar Lumbreras, Cthulhu tem ótima produção gráfica, com capa plastificada e impressão em papel couché, trazendo 64 páginas de miolo em seu primeiro número e 80 no segundo. O título, é claro, refere-se à monstruosa quimera de polvo e dragão idealizada pelo escritor norte-americano H. P. Lovecraft. Alguns dos trabalhos do primeiro número são diretamente adaptados ou parcialmente inspirados em contos e poemas do autor de “A cor que veio do espaço” e “O chamado de Cthulhu”, não faltando sequer uma página da série El Joven Lovecraft(algo como Calvin feito em Expressionismo Alemão). Já a segunda edição, dedicada a histórias de fantasmas, presta um tributo ao escritor britânico M. R. James, com a adaptação de seus contos e incluindo um artigo sobre as “ghost stories” da Era Vitoriana.
À primeira vista, além da qualidade de impressão, salta aos olhos a diversidade de estilos e técnicas empregados em Cthulhu. De um traço mais fotográfico com meios-tons em computação gráfica, passando por páginas coloridas também em computação, até chegar ao mais puro contraste entre preto & branco, a publicação espanhola consegue manter uma unidade na soma das diferenças. Esta unidade vem da temática comum às histórias de terror, que os autores optam por classificar como “ficção sombria”. Há, é claro, uma variação na qualidade artística e mesmo na capacidade técnica dos autores reunidos. Mas é notável que, mesmo nas HQs mais fracas, há algo de interessante (quer seja uma idéia original, quer seja um desenho inspirado). Isto pode ser atribuído ao próprio fundamento da Cthulhu, que é o de ser uma publicação autoral.
As melhores HQs das duas primeiras edições são as assinadas por Pepe Avilés. Em “Oscuridad”, uma expedição de barco que poderia ter feito parte do filme Tubarão acaba mal quando cruza caminho com uma misteriosa criatura das profundezas. Com boa narrativa visual, que se vale de silêncios e contrastes, o autor consegue construir a tensão, envolvendo o leitor até o arrebatamento final. Já o visual em si conta com desenhos eficientes, alternando contrastes em P&B e meios-tons (a título de comparação, o traço lembra muito o estilo de Dave Gibbons em seus melhores momentos). Fechando a segunda edição, “La Advertencia” apresenta uma técnica ainda mais elaborada, com uma narrativa visual impecável, numa história de fantasmas que, no fim, escapa aos lugares-comuns do gênero. Por tudo isso, Avilés é um autor que vale a pena ser conhecido.
Talvez, porém, o mais surpreendente em Cthulhu n°s 1 e 2 não seja uma de suas HQs, e sim as histórias ilustradas criadas pelo escritor Raule e pela ilustradora Meritxell Ribas. Em “Viaje al Más Allí”, uma menina persegue a misteriosa dama que conduz seu irmão “até o umbral onde tudo termina”. Com textos curtos de quatro versos rimados (quadrinhas), a história de cinco páginas impressiona pelas elaboradas ilustrações (que parecem saídas das melhores animações de Tim Burton, como Vincent ou O Estranho Mundo de Jack). Melhor ainda é a bela, arquetípica e horripilante “En lo profundo del bosque”, com seu texto rimado e preciso, suas ilustrações sombrias e envolventes. Uma vez que as editoras brasileiras interessam-se mais por autores estrangeiros, a bela obra produzida pela dupla Raule e Meritxell seria uma ótima opção.
Em princípio, Cthulhu terá edições semestrais, dependendo da resposta dos leitores. Com seus dois primeiros números, a revista prova que mesmo uma iniciativa modesta pode fazer diferença num mercado dominado por quadrinhos comerciais. O resultado é que todos saem ganhando. A editora, por ter produtos originais e interessantes para vender. Os autores, por terem seus trabalhos publicados. Os leitores, por terem mais opções de quadrinhos para ler. E a arte dos quadrinhos que ganha em nuances, linguagens e olhares regionais ou pessoais, que se sobressaem na produção massificada predominante. Certamente, um exemplo que deveria ser seguido por mais editores mundo afora! >> MAIS QUADRINHOS – por Wellington Srbek
Assista ao discurso de abertura do editor Edson Rossatto e dos organizadores Claudio Brites e Helena Gomes, na solenidade de abertura do lançamento da antolologia de contos de temática medieval ANNO DOMINI – MANUSCRITOS MEDIEVAIS, da editora Andross. Realizado no dia 19 de julho de 2008, na Casa das Rosas, em São Paulo.
Jim Caviezel é o herói de Outlander, uma aventura de Ficção Científica da Weinstein Co., dirigida por Howard McCain, que escreveu o roteiro junto com Dirk Blackman.
Após uma batalha que se desenrola nos céus há tempos, a nave de Kainan (Jim Caviezel) cai entre os nórdicos do passado. Pra piorar, o astronauta também descobre que não foi o único sobrevivente. Um segundo passageiro, da raça Moorwen também emerge dos escombros. Um tipo de animal feroz e sanguinário, o Moorwen quer destruir todos os que considera inimigos. Assim, Kainan precisa unir-se aos vikings e unir sua tecnologia às armas dos guerreiros para enfrentar o monstro antes que ele destrua a todos.
No elenco temos ainda Sophia Miles (de Doctor Who e Anjos da Noite) e John Hurt (de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal). A direção é de Howard McCain, saído da TV, e o filme estréia ainda este ano nos Estados Unidos. >> ANTIGRAVIDADE – por Maurício Muniz e Marcelo Fernandes
Watchmen, a adaptação de Zack Snyder (Madrugada dos Mortos, 300) para a graphic novel de Alan Moore e Dave Gibbons, considerada a melhor história de super-heróis de todos os tempos, ganha um trailer que agradou aos fãs.
Quem não gostou de nada (pra variar) foi exatamente Alan Moore, o grande roteirista, considerado “difícil” por muita gente. O trailer está lá embaixo, mas confira antes alguns comentários que Moore fez para a revistaEntertainment Weekly.
Perguntado se tinha curiosidade em ver o que Zack Snyder estava fazendo com sua obra, Moore disse: - Prefiro nem saber.
Sobre o elogiado 300, de Snyder, baseado numa obra de Frank Miller, Moore comentou: - Não gostei da HQ e tudo que vi sobre o filme parece ter aumentado o que não gostei: a história é racista, homofóbica e, acima de tudo, extremamente estúpida.
Sobre a possibilidade de um filme baseado em sua obra mais conhecida ser bom ou não: - Eu disse a Terry Gilliam, que tentou fazer o filme de Watchmen nos anos 80, que ele era impossível de adaptar pois tem coisas que só funcionam nos quadrinhos. No fim, acho que ele veio a concordar comigo.
Sobre a Warner ou a DC tê-lo contatado para falar do filme: - Não quero que ninguém da DC jamais ligue pra mim novamente ou vou mudar meu número. >> ANTIGRAVIDADE – por Maurício Muniz
Confira abaixo o trailer de Watchmen:
A estréia está programada para 6 de março de 2009. Abaixo as últimas imagens liberadas do filme
O pôster em quatro partes de Star Trek com Eric Bana (Nero), Zoe Saldana (Uhura), Zachary Quinto (Spock) e Chris Pine (Kirk) virou papel-de-parede no site oficial do filme.
Trekkers, podem comemorar: saíram os primeiros pôsteres do novo filme baseado em “Jornada nas Estrelas”, que será dirigido por J.J. Abrams, co-criador de “Lost”.
Nas imagens, vemos Zachary Quinto – o Sylar de “Heroes” – como Spock, Chris Pine no papel de Kirk, Zoe Saldana posando como Uhura e o vilão Nero, vivido por Eric Bana.
Os fãs das antigas vão reparar que as cores de fundo dos pôsteres correspondem ao uniforme original de cada personagem de “Star Trek”.
Como a gente já desconfiava, Zachary Quinto ficou perfeito no papel do vulcano. Pine também ficou bacana como Kirk. Só uma dúvida: se Nero será mesmo um Romulano, como os primeiros boatos deram a entender, então cadê as orelhas pontudas típicas desses alienígenas?
O novo filme baseado em “Jornada nas Estrelas” estréia dia 8 de maio de 2009 nos Estados Unidos >> SÉRIES ETC.
Para fazer download das pôsteres acesse o site oficial.
E você pode ver o trailer abaixo. Com menos de um minuto de duração, o trailer é bastante obscuro, e mostra homens construindo e soldando a clássica nave Enterprise! Uma trilha épica e o famoso bordão “Space: the final frontier” (O espaço: a fronteira final”) servem de trilha; e no fim, vemos a seguinte mensagem: “Under Construction” (“Em Construção”).
Em debates sobre Literatura já participei de discussões sobre o “Realismo Mágico”, cujos autores mais conhecidos são Gabriel Garcia Márquez, Jorge Luís Borges, Miguel Ángel Astúrias e outros. Este nome surgiu na Europa, para classificar uma literatura que subvertia o conceito de Realismo. Para um certo tipo de mentalidade européia (que não vigora apenas na Europa) há dois tipos de literatura: o realismo e o fantástico (ou “fantasia”). Realistas são as obras de Balzac, Tolstoi, Stendhal, Flaubert, etc.; elas descrevem o mundo de acordo com as leis científicas o o bom-senso. O fantástico são obras que descrevem um mundo que não existe: como Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll, Viagens de Gulliver de Swift, ou Micrômegas de Voltaire.
Acontece, porém, que as coisas não são assim tão simples. Numerosas obras misturam aspectos realistas e aspectos fantásticos. Uma característica do fantástico moderno (desde a ficção científica de H. G. Wells até o terror de Stephen King) é a minuciosa e realista reconstituição de um ambiente verdadeiro onde se dá a intrusão de um elemento fantástico isolado, que desequilibra todo aquele contexto.
Críticos como o francês Tzvetan Todorov tentaram re-equilibrar esta situação, propondo o conceito de “maravilhoso” para as histórias explicitamente irreais, enquanto que o “fantástico” seriam aquelas histórias que deixariam o leitor numa permanente suspensão, sem saber se atribuía aos acontecimentos narrados no livro uma explicação realista ou uma explicação sobrenatural, sendo ambas igualmente possíveis. O exemplo clássico desse tipo de narrativa é Outra volta do parafuso de Henry James. São aquelas histórias em que os eventos estranhos podem ser atribuídos a uma ilusão ou desequilíbrio mental do protagonista, ou à sua incapacidade de distinguir entre realidade e sonho, fantasia, falsa memória.
O editor norte-americano Lou Aronica comenta assim o Realismo Mágico: “Nele, a história emocional é realista, mesmo que os eventos que produzem essas emoções não o sejam.” Num livro como Cem Anos de Solidão de Garcia Márquez, que ainda hoje é considerado o protótipo do Realismo Mágico, acontecem inúmeros prodígios. Os personagens ficam abismados, surpresos, maravilhados diante daquilo: mas em momento algum lhes ocorre dizer que aquilo não poderia acontecer. Uma mulher sobe levitando aos céus? Um filete de sangue escorre pelas ruas para avisar que um crime foi cometido? Uma epidemia de amnésia mergulha no estupor uma cidade inteira? São prodígios, de fato, mas são aceitos pelos personagens como parte do seu mundo. O latino-americano, mesmo quando não crê em nada, é capaz de aceitar tudo, quando se depara com um fato. O mais radical ateu, se avistar Cristo descendo do céu entre uma legião de anjos, vai comentar: “Ih, vai começar a palhaçada do Juízo Final!” Seu conceito de verdade não está pronto e acabado; pode mudar, com o surgimento de uma verdade nova. >> MUNDO FANTASMO – por Bráuio Tavares
Livro reúne obra de Arlindo Daibert, cultuado pintor mineiro que recriou o universo de “Grande Sertão: Veredas” e seus personagens míticos
“Grande Sertão: Veredas” (1956), de Guimarães Rosa, clássico da literatura brasileira deste século, inspirou o artista plástico Arlindo Daibert (1952-1993) a criar uma série exemplar de imagens do sertão. Daibert reinventou a paisagem remota do sertão, onde “o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar”. Lugar não-localizável. Lugar lúdico, metafísico, fabuloso, ligado à oralidade e ao mito. “Ilhas sem lugar”, como muito bem definiu Fernando Pessoa.
Os desenhos de Daibert nos remetem a um lugar assombrado, de um falar incomum, habitado por Riobaldo, o Urutú-Branco, Diadorim, cordeiro de Deus, Hermógenes, o diabo, o menino Guirigó, o cego Borromeu e Maria Boa-sorte, entre tantos outros personagens místicos, que traçam uma espécie de roteiro de Deus. Riobaldo diz que “às vezes a gente só pode ver o aproximo de Deus na figura do outro”.
O artista Daibert recria cenas como a matança dos cavalos, o duelo, o pacto do diabo; reescreve (a escrita é um caso particular do desenho, segundo Michel Butor) o mundo imaginário de Riobaldo que “conto para mim, conto para o senhor” (interlocutor letrado que nunca aparece), “uma história no meio das outras. Ao quando bem não me entender, me espere”.
Daibert, que já havia dedicado uma série ao “Macunaíma” de Mário de Andrade, apresenta uma mostra pictórica espetacular em “Imagens do Grande Sertão” (Editora UFMG e UFJF), a partir de uma variedade de procedimentos, como a xilogravura, desenho com várias técnicas e objetos. A série é resultado de um prolongado estudo do universo mágico redescoberto por Guimarães.
“Grande Sertão: Veredas” é um manual de satanismo, ação lendária, epopéia/saga do sertão e seus vazios, que é o profundo da gente mesmo; reescritura dos romances medievais, épico, discussão entre Deus e o diabo.
Riobaldo, o narrador, ex-jagunço, barranqueiro que faz um pacto com o diabo, diz: “Deus existe mesmo quando não há. Mas o demônio não precisa de existir para haver _ a gente sabendo que ele não existe, aí é que ele toma conta de tudo (…) Deus vem, guia a gente por uma légua, depois larga.”
A última fala de Riobaldo a um ouvinte imaginário diz que “o diabo não há! É o que eu digo, se for… Existe é homem humano. Travessia”. A travessia do velho Riobaldo resgata uma época arcaica, anterior à escrita; rememora um tempo mítico através de histórias inimagináveis. Afinal, “só não existe o que não se pode imaginar”.
Diadorim, neblina de Riobaldo, é a razão dessas histórias contadas, “e estou contando não é uma vida de sertanejo, seja se for jagunço, mas a matéria vertente. Queria entender do medo e da coragem, e da gã que empurra a gente para fazer tantos atos, dar corpo ao suceder”.
O que sucede com o jagunço Riobaldo Tatarana, o homem sem apego nenhum, “sem pertencências”, são recordações que não se vê a olho nu, estórias sonhadas com lugares que já não são mais os mesmos, perdidos para sempre, mas achados nos escondidos dos devaneios.
Riobaldo retorna a esses lugares, como se, “tudo revendo, refazendo, eu pudesse receber outra vez o que não tinha sido, repor Diadorim em vida”. Diadorim é Reinaldo, homem-mulher, objeto de seu desejo, sua paixão pecadora, que só é descoberta como mulher após morrer lutando contra Hermógenes. Riobaldo então se pergunta: “O senhor me responda: o amor assim pode vir do demo? Poderá!? Pode vir de um-que-não existe?”
A história vivida pelo barranqueiro Riobaldo, que fugia de tiro certo, virava longe no mundo, pisava espaços para correr de tiro dado, fazia todas as estradas para viver um pouquinho mais de instantes ao lado de Diadorim, que “tinha amor em mim” e, morreu desencantada, “num encanto tão terrível”.
Riobaldo quase se endoidou ao saber que Diadorim era uma mulher. “Diadorim era mulher como o sol não acende a água do rio Urucúia, como eu solucei meu desespero”, que, por Diadorim, “às vezes conheci que a saudade dele não me desse repouso; nem o nele imaginar. Porque eu, em tanto viver de tempo, tinha negado em mim aquele amor, e a amizade desde agora estava amarga falseada; e o amor, e a pessoa dela, mesma, ela tinha me negado. Para quê eu ia conseguir viver?” >> CRONÓPIOS – por Pedro Maciel
****** Primeira página do romance “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa
Ilustração de Arlindo Daibert, representa o encontro entre o artista plástico atravessado pela materialidade do texto e o escritor investido pela força das imagens.
_Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. Alvejei mira em árvore, no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço, gosto; desde mal em minha mocidade. Daí, vieram me chamar. Causa dum bezerro: um bezerro branco, erroso, os olhos de nem ser _ se viu _; e com máscara de cachorro. Me disseram; eu não quis avistar. Mesmo que, por defeito como nasceu, arrebitado de beiços, esse figurava rindo feito pessoa. Cara de gente, cara de cão: determinaram _ era o demo. Povo prascóvio. Mataram. Dono dele nem sei quem for. Vieram emprestar minhas armas, cedi. Não tenho abusões. O senhor ri certas risadas… Olhe: quando é tiro de verdade, primeiro a cachorrada pega a latir, instantaneamente _ depois, então, se vai ver se deu mortos. O senhor tolere, isto é o sertão. Uns querem que não seja: que situado sertão é por os campos-gerais a fora a dentro, eles dizem, fim de rumo, terras altas, demais do Urucúia. Toleima. Para os de Corinto e do Curvelo, então, o aqui não é dito sertão? Ah, que tem maior! Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; e onde criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrocho de autoridade. O Urucúia vem dos montões oestes. Mas, hoje, que na beira dele, tudo dá _ fazendões de fazendas, almargem de vargens de bom render, as vazantes; culturas que vão de mata em mata, madeiras de grossura, até ainda virgens dessas lá há. O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães… O sertão está em toda parte.
Do demo? Não gloso. Senhor pergunte aos moradores. Em falso receio, desfalam no nome dele _ dizem só: o Que-Diga. Vote! Não… Quem muito se evita, se convive. Sentença num Aristides _ o que existe no buritizal primeiro desta minha mão direita, chamado a Vereda-da-Vaca-Mansa-de-Santa-Rita _ todo o mundo crê: ele não pode passar em três lugares, designados: porque então a gente escuta um chorinho, atrás, e uma vozinha que avisando: _ “Eu já vou! Eu já vou!….” _ que é o capiroto, o que-diga…
A cerimônia de entrega do Troféu HQMIX 2008 vai ser realizada no próximo dia 23 (quarta-feira), a partir das 19h, no teatro do SESC Pompéia (rua Clélia, 93 – São Paulo).
A apresentação será de Serginho Groisman, com show e acompanhamento da Banda JumboElektro/Cérebro Eletrônico, participação dos Parlapatões,
Teremos, ainda, a exibição dos seguintes filmes: Documentário Cláudio Seto, Clip Los Três Amigos, Quadrinhópole (trecho do curta Insanidade) e Dossiê Rê Bordosa (premiado no fim de semana no Festival Paulínia de Cinema)
O tróféu deste ano é uma homenagem ao personagem Samurai, de Claudio Seto, e foi esculpido por Olintho Tahara. .
Às 19 horas, começam as exibições das produções sobre quadrinhos.
A cerimônia começa às 20horas.
A ENTRADA É FRANCA – os ingressos estarão disponíveis na bilheteria meia hora antes do evento.
Confira a seguir, a lista dos premiados, escolhidos entre mais de 2 mil profissionais da área de quadrinhos:
1- Adaptação para outro veículo – 300 de Esparta – O Filme
2- Álbum de Aventura – 300 de Esparta
3- Animação – Turma da Mônica – Uma Aventura no Tempo
4- Articulista de Quadrinhos – Paulo Ramos
5- Blog/Flog de Artista Gráfico – Rafael Grampá
6- Blog sobre Quadrinhos – Blog dos Quadrinhos
7- Caricaturista – Baptistão
8- Cartunista – Allan Sieber
9- Chargista – Angeli
10- Desenhista Estrangeiro – John Cassaday
11- Desenhista Nacional – Spacca
12- Desenhista Revelação – Jozz
13- Edição Especial Estrangeira – Persépolis Completo
14- Edição Especial Nacional – Laertevisão – Coisas Que Não Esqueci
15- Editora do Ano – Pixel
16- Evento – 5° FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos
17- Exposição – Ziraldo, o eterno Menino Maluquinho
18- Ilustrador – Kako
19- Ilustrador de livro infantil – Daniel Bueno
20- Livro Teórico – Desenhando Quadrinhos de Scott McCloud
21- Minissérie – Fábulas – Mil e uma noites
22- Projeto Editorial – Laertevisão – Coisas Que Não Esqueci
23- Projeto Gráfico – Laertevisão – Coisas Que Não Esqueci
24- Publicação de Cartuns – Assim Rasteja a Humanidade
25- Publicação de Charges – Urubu de Henfil
26- Publicação de Clássico – Um Contrato Com Deus
27- Publicação de Humor – Piratas do Tietê. A Saga Completa
28- Publicação de Terror – Black Hole
29- Publicação de Tiras – O Mundo é Mágico – Calvin e Haroldo
30- Publicação Erótica – Lost Girls
31- Publicação Independente de Autor – Menino Caranguejo 1
32- Publicação Independente de Bolso – Juke Box 4
33- Publicação Independente de Grupo – Quadrinhópole 4
34- Publicação Independente Especial – O Relógio Insano
35- Publicação Infantil – As Tiras Clássicas da Turma da Mônica
36- Publicação Mix – Pixel Magazine
37- Publicação sobre Quadrinhos – Mundo dos Super-Heróis
38- Revista de Aventura – Lobo Solitário
39- Roteirista Estrangeiro – Alan Moore
40- Roteirista Nacional – Wander Antunes
41- Roteirista Revelação – Cadu Simões
42- Salão e Festival – IX Festival de Humor e Quadrinhos de Pernambuco
43- Site de Autor – José Aguiar
44- Site sobre Quadrinhos – Universo HQ
45- Tira Nacional – Níquel Náusea
46- Web Quadrinhos – Malvados
47- Publicação de Caricatura – É Mentira, Chico!
Os outros troféus foram escolhidos pela Comissão de Organização do prêmio. Três são de pesquisas de doutorado, mestrado e trabalho de conclusão de curso. Os demais são homenageados da Comissão:
48- Trabalho de Graduação – Gil Tokio
49- Tese de Doutorado – Jorge Arbach (“O Fato Gráfico – O Humor Gráfico como Gênero Jornalístico”)
50- Tese de Mestrado – Daniel Bueno (“O Desenho Moderno de Saul Seinberg – Obra e Contexto”)
51- Grande Mestre – Ypê Nakashima
52- Grande Mestre – Fernando Ykoma
53- Grande Mestre – Minami Keizi
54- Grande Mestre – Paulo Fukue
55- Grande Mestre – Roberto Fukue
56- Cláudio Seto (criador do Samurai que compõe a estátua do HQMix)
Com a chegada do segundo filme da franquia criada por Chris Carter, Arquivo X 2: Eu Quero Acreditar, as novidades em torno do mundo obscuro da série e do filme ganham mais destaques. Desta vez não são novas action figures. A nova HQ de Arquivo X, que foi anunciada há algum tempo, ganhou uma prévia de cinco páginas divulgadas pelo site da revista Entertainment Weekly. O novo quadrinho tem roteiro de Frank Spotnitz, um dos roteiristas da série e ilustrado por Brian Denham.
A história, de acordo com o trecho divulgado, mantém o clima sombrio e assustador das primeiras temporadas do seriado. Os agentes Fox Mulder e Dana Scully vão para uma cidade do interior dos EUA a fim de investigar o caso de uma mulher sumida há quase vinte anos e reaparece sem sequer ter envelhecido um dia a mais.
Os quadrinhos serão baseados na quinta temporada da série para a tevê. Com isto, Scully já está com câncer e terá que lidar com isto. Já Mulder, como sempre, busca a conspiração que causou tal doença à sua amiga. Além desses detalhes, foi divulgado que um rosto bem familiar e malígno aparecerá nas histórias em quadrinhos. Quem será, hein? O Canceroso?
A HQ The X-Files #0 chega no dia 23 de julho nas bancas americanas – dois dias antes do lançamento do filme. A editora que publica é a gigante DC Comics, dona dos direitos autorais de Batman, Superman, Mulher-Maravilha e muitos outros. >> HERÓI – por Rodolfo Bruno Braz
Encadernado de Planetary repensa não só segredos dos séculos, mas também os quadrinhos
Um dos principais méritos da série Planetary foi repensar toda a história dos quadrinhos de super-heróis de modo a se tornar atemporal, além de se transformar na mais relevante das obras do gênero, ao lado de Watchmen. A Pixel coloca nas bancas este mês o especial Deixando O Século 20, além de ter lançado mês passado a última edição da história, na Pixel Magazine 14.
Deixando O Século 20 é um encadernado que reúne as edições 13 a 18, já publicadas pela editora na revista mensal Pixel Magazine. Aqui, o líder do Planetary se encontra com personagens mitológicos como Sherlock Holmes, Drácula (perfeita a cena do chute nos colhões), além de visitar a cidade perdida de Opak-re. As histórias representam os momentos mais eletrizantes da saga, com muita dose de ação e roteiro muito ágil, que já se encaminha para o final, que se dará nos números restantes.
Planetary conta a história de uma organização internacional (tem sede inclusive no Brasil) que se dedica a desvendar – e guardar – conhecimentos da humanidade através dos tempos. Os principais vilões da série, a superequipe Os Quatro rifaram a Terra para alienígenas de outra galáxia e tentam derrotar Elijah Snow, Jakita Wagner e o Baterista numa incessante luta por informação e poder. Pra completar, são uma releitura criativa do Quarteto Fantástico.
Warren Ellis escreveu seu nome entre os mais importantes autores dos anos 00 com esta série. Por anos, foi acusado de hermetismo pelo seu roteiro elaborado e lotado de referências. Depois, a série atingiu status de culto, com comunidades de fãs tentando desvendar todos os mistérios. O principal mérito é fazer uma releitura de toda a mitologia Marvel e DC, desconstruindo conceitos do mito do herói. Dessa forma, Planetary trouxe uma nova visão do tema como nenhum outro gibi.
No mundo pensado por Ellis e Cassaday, cada século possui suas próprias teorias, medos, segredos. Debater este conceito numa resenha seria muito raso, mas este conceito é importante para compreender a complexidade do roteiro.
Mais do que uma ode nerd com pretensões eruditas, a série trouxe tramas mais inteligentes, algumas truncadas, mas sem deixar a leitura cansativa. A arte de Cassaday, extremamente clean, delicada até, traz dinamismo e colabora para o resultado final. A última edição, publicada no mês passado, deve aumentar ainda mais a notoriedade da obra, que ficou incompleta, e deve ficar assim por um bom tempo. Ellis afirma que já terminou o roteiro, Cassaday diz que irá arrumar tempo para desenhar. Enquanto isso, viveremos o século 20 ainda com muitos segredos escondidos. >> O GRITO! – por Por Paulo Floro