O insight deste artigo surgiu após a leitura de uma pequena notícia intitulada “País pirata”, redigida por Alexandre Versignassi e publicada na edição de março de 2007 da revista Superinteressante, que reproduzimos abaixo:
O site sueco Pirate Bay defende a pirataria online sem fazer média e permite baixar qualquer vídeo de graça. Por isso mesmo, está tendo problemas com a Justiça de seu país. Mas já arranjou a solução: mudar para o “Principiado” de Sealand, uma plataforma de 500 metros no canal da Mancha. Uma família foi morar lá em 1967 e “declarou independência” do Reino Unido. O país tratou isso como piada, claro. Mas Sealand ficou famosa, e agora está à venda por US$ 1 bilhão. O pessoal do Pirate Bay pede doações (VERSIGNASSI, 2007, p. 32).
Criado por uma organização anti-copyright no começo de 2004, o site Pirate Bay (“Baía Pirata”) utiliza o protocolo BitTorrent que permite compartilhar, através de uma rede própria, arquivos já descarregados; também exibe orgulhosamente as “ameaças legais” recebidas de empresas como Microsoft, Apple e Warner Bros[2]. Como verdadeiros piratas que seguem suas próprias leis, dividem as riquezas saqueadas e abraçam a fama de fora-da-lei…
O objetivo deste artigo é analisar as conexões metafóricas entre o universo da pirataria e o da cibercultura. Mapearemos, portanto, os usos do termo “pirata” pela cultura digital, sem nos determos em questões de origem. Consagrado pelos estudos sobre pirataria nos séculos XIV ao XIX, Peter Lamborn Wilson valeu-se dos seus conhecimentos para compreender as utilidades subversivas do ciberespaço: o resultado é o livro TAZ: zona autônoma temporária (1991), assinado com o pseudônimo Hakim Bey. Esta obra nos servirá como compasso durante nosso mapeamento, principalmente por indicar nomes (William Burroughs, por exemplo) e obras (Islands in the Net [1988], de Bruce Sterling, por exemplo) relevantes para o objetivo deste artigo.
Como o título indica, o conceito central da obra de Bey é o de zona autônoma temporária (ou TAZ, sigla em inglês de “Temporary Autonomous Zone”). Para o autor, “a TAZ é uma espécie de rebelião que não confronta o Estado diretamente, uma operação de guerrilha que libera uma área (de terra, de tempo, de imaginação) e se dissolve para se re-fazer em outro lugar e outro momento, antes que o Estado possa esmagá-la” (BEY, 2006, p. 14; grifo do autor). Portanto, a efemeridade de tais zonas não é uma característica, mas uma meta, pois seus “levantes”, para usarmos um termo do autor, evitam cristalizar-se em novos Estados (como ocorreu com várias revoluções fracassadas do século XX). Alguns exemplos de TAZ são as primeiras festas ravers, cujos “[...] participantes utilizavam velhas tecnologias (emissoras de rádio que revelavam números de telefone portáteis, por exemplo) e novas (telefones celulares, scanners e rádios móveis) articulados em uma enorme rede de comunicação para fazer a festa e escapar ao controle policial” (LEMOS, 2002, p. 251); o já citado Pirate Bay; os antigos enclaves piratas. Por abarcar tanto os piratas quanto os rebeldes da fronteira digital, o conceito de TAZ nos será útil ao longo deste artigo.
1. Ciberespaço: o oitavo mar
Logo no primeiro parágrafo de TAZ, Bey assinala algumas relações entre pirataria e ciberespaço: “Os piratas e corsários do século XVIII montaram uma ‘rede de informações’ que se estendia sobre o globo. Mesmo sendo primitiva e voltada basicamente para negócios cruéis, a rede funcionava de forma admirável” (BEY, 2006, p. 7). Na verdade, se considerarmos a definição de ciberespaço formulada por Sterling, essa antiga rede de pirataria apresenta algumas afinidades com esta nova tecnologia, mesmo que sejam somente num nível teórico:
Um escritor de ficção científica cunhou o usado termo ciberespaço em 1982. Mas o território em questão, a fronteira eletrônica, existe há 130 anos. Ciberespaço é o “lugar” onde uma conversa telefônica ocorre. Não dentro do seu telefone real, o aparelho plástico em cima da escrivaninha. Não dentro do telefone de outra pessoa, em alguma outra cidade. O lugar entre os telefones. O lugar indefinido fora daí, onde dois de você, dois seres humanos, realmente se conhecem e se comunicam[3] (STERLING, 1993, p. xi; grifos do autor).
O escritor de ficção científica referido é William Gibson, autor de Neuromancer (1984), obra-prima da ficção cyberpunk. Mas enfim, os antigos piratas obviamente não utilizavam telefone. Entretanto, além do sistema telefônico, o que está em jogo na definição de Sterling é a noção derridiana de entre-lugar. Para Evandro Nascimento (2006, p. 55), o entre-lugar é o lugar não-essencializado. Por não ocuparem ou não desejarem um lugar próprio, os piratas vivem num entre-lugar, as terras desconhecidas ou não-reconhecidas pelas nações. Contudo, o último pedaço da Terra foi devorado em 1899. O nosso século é o primeiro sem terra incógnita, sem fronteiras. Nacionalidade é o princípio mais importante do conceito de “governo” – nenhuma ponta de rocha do Mar do Sul pode ficar em aberto, nem um vale remoto, sequer a lua ou os planetas. Essa é a apoteose do “gangsterismo territorial”. Nenhum centímetro quadrado da Terra está livre da polícia ou dos impostos… em teoria (BEY, 2006, p. 17-18; grifos do autor).
Certamente, o coroamento tecnológico deste processo de “fechamento do mapa”, para usarmos uma expressão do autor, é o Google Earth, um programa que apresenta um modelo tridimensional do globo terrestre, construído a partir de fotografias de satélite. Entretanto, “o mapa está fechado, mas a zona autônoma está aberta. Metaforicamente, ela se desdobra por dentro das dimensões fractais invisíveis à cartografia do Controle” (BEY, 2006, p. 18; grifo nosso). A metáfora da dimensão fractal é perfeita, pois, “para a imaginação, um fractal é uma maneira de ver o infinito” (GLEICK, 1990, p. 94): as infinitas frações entre dois números inteiros; já para a cartografia, um fractal é uma maneira de ver o invisível: os invisíveis espaços não-catalogados pela abstração do Mapa. Sealand é um exemplo de dimensão fractal, invisível ao Mapa e, conseqüentemente, ao Controle; outro exemplo é dado por Fredric Jameson quando aborda o espaço contemporâneo como uma “terra de ninguém” e cita
[...] um episódio em um dos romances de John LeCarré no qual os personagens se encontram em um espaço embaixo do muro de Berlim, espaço esse além de qualquer jurisdição nacional ou política, no qual os piores crimes podem ser cometidos com impunidade e no qual, de fato, a própria pessoal social se dissolve (JAMESON, 1994, p. 198).
Na verdade, o muro de Berlim era, literalmente, um entre-lugar, pois se localizava entre as antigas República Federal da Alemanha e República Democrática Alemã. Outros exemplos de dimensões fractais são oferecidos pela literatura, principalmente por aquela denominada cyberpunk, como veremos adiante; contudo, o exemplo mais conhecido e mais acessível é o ciberespaço. Para Pierre Lévy, os Estados ainda têm outros pontos de vista, mais ou menos vastos e compreensivos, sobre a emergência do ciberespaço. A abordagem mais limitada coloca os problemas em termos de soberania e de territorialidade. De fato, o ciberespaço é desterritorializante por natureza, enquanto o Estado moderno baseia-se, sobretudo, na noção de território (LÉVY, 1999, p. 204).
A extensão infinita e a difusão global do ciberespaço tornam-no uma imensa dimensão fractal, uma camada invisível sobre o Mapa e, conseqüentemente, os Estados. Por estar em todos os lugares, o ciberespaço não pertence a nenhum lugar, logo é um lugar não-essencializado, um entre-lugar.
2. Burroughs e a literatura cyberpunk
Segundo Wilson (2001), um dos primeiros escritores que menciona o caráter utópico das sociedades piratas é Burroughs, na introdução do romance Cidades da noite escarlate (1981). Logo no primeiro parágrafo, Burroughs afirma que “os princípios liberais englobados na revolução francesa e americana, e mais tarde nas revoluções liberais de 1848, já haviam sido codificados e aplicados por comunidades de piratas cem anos antes” (BURROUGHS, 1995, p. 9); mais adiante, ele cita a colônia pirata do capitão Mission e afirma o seguinte:
A colônia recebeu o nome de Libertaria e era regida pelos Artigos elaborados pelo capitão Mission. Os Artigos proclamam, entre outras coisas: todas as decisões relacionadas com a colônia serão submetidas à votação dos colonos; a abolição da escravidão por qualquer motivo, inclusive dívida; a abolição da pena de morte; e liberdade para seguir quaisquer crenças ou práticas religiosas, sem sanção ou molestamento (BURROUGHS, 1995, p. 10).
Na verdade, a formação das sociedades piratas em si contém alguns princípios liberais. Citando Patrick Pringie, Bey afirma que “[...] o recrutamento de piratas era mais efetivo entre os desempregados, fugitivos e criminosos desterrados. O alto-mar contribuiu para um instantâneo nivelamento das desigualdades de classe” (BEY, 2006, p. 93). Esta noção do mar como nivelador de classes é verificada na seguinte interpretação de Lorde Jim (1899) realizada por Jameson: o mar, no romance de Conrad, “[...] é o local a partir de onde Jim pode contemplar aquela horrível prosa do mundo que é a vida diária na fábrica universal chamada capitalismo” (JAMESON, 1992, p. 216). Ou seja, o mar permite um distanciamento do capitalismo e das suas diferenças de classe.
Entretanto, o que nos interessa no momento é indicar mais um traço de Burroughs na literatura cyberpunk, pois “a obra de William S. Burroughs tem sido freqüentemente creditada como uma influência primária da escrita cyberpunk”[4] (WOOD, 1996, p. 11). Além das idéias e da imagem[5], os escritores cyberpunks também aproveitam algumas utopias de Burroughs, principalmente aquelas relacionadas à pirataria e, conseqüentemente, à introdução-manifesto de Cidades da noite escarlate. Com isto, não afirmamos que, por exemplo, Piratas de dados (1990) – título da edição brasileira do já citado romance de Sterling, Islands in the Net – é um eco da introdução-manifesto de Burroughs; apenas indicamos um fio da complexa trama intertextual que compõem qualquer obra literária. Um pequeno resumo desta obra de Sterling é dado por Bey:
Recentemente, Bruce Sterling, um dos principais expoentes da ficção científica cyberpunk, publicou um romance ambientado num futuro próximo e tendo como base o pressuposto de que a decadência dos sistemas políticos vai gerar uma proliferação de experiências comunitárias descentralizadas: corporações gigantescas mantidas por seus funcionários, enclaves independentes dedicados à “pirataria de dados”, enclaves verdes e social-democratas, enclaves de Trabalho-Zero, zonas anarquistas liberadas etc. A economia de informação que sustenta esta diversidade é chamada de Rede. Os enclaves (e o título do livro) são Ilhas na Rede [no original] (BEY, 2006, p. 8).
Se imaginar um cenário político alternativo é uma forma de utopia, então generalizações como a seguinte exigem cautela: para Jameson, a literatura cyberpunk “[...] aparenta ter sido menos uma produção de novas visões de organização social ou de relações sociais do que a versão anacrônica e insípida das velhas noções industriais de trabalho não-alienado como tal”[6] (JAMESON, 2007, p. 153). Contudo, muitos críticos consideram Piratas de dados como um exemplo de pós-cyberpunk, portanto não incluso na generalização de Jameson[7]. Na verdade, a pequena distância entre imaginado e ocorrido, entre ficção científica e atualidade[8], impede a formulação de grandes utopias ou meta-narrativas como antigamente. Nas orelhas da edição brasileira de Islands in the Net, observamos que “Sterling mostra o futuro com uma riqueza tão grande de detalhes que as pessoas que lerem Piratas de dados terão, daqui a trinta anos, a impressão de um déja vu, de que já viram isso”. Apesar do apelo comercial à pseudo-futurologia da ficção científica, estas palavras confirmam a pequena distância entre imaginado e ocorrido, pois não precisamos de trinta anos quando lemos a seguinte conversa entre as personagens Carlotta e Laura:
– Laura, sabe o porquê de tudo isto?
A outra negou com a cabeça.
– Um exercício, nada mais. Qualquer uma destas plataformas poderia conter todo o Bank of Grenada! – disse Carlotta, apontando para uma estrutura bizarra a estibordo, um ovo geodésico achatado cercado por molhes reforçados. Parecia uma bola de futebol achatada sobre pernas alaranjadas de aranha. – Talvez os computadores do banco estejam lá. Mesmo se o “homem” desembarcar em Granada, o banco pode fugir, como num judô elétrico! Toda essa tecnologia oceânica… Podem fugir para águas internacionais, onde o “homem” não pode alcançar.
– O “homem”?
– O homem, o complexo, a conspiração. Você sabe. O patriarcado, a lei, a polícia, os caretas. A Rede. Eles (STERLING, 1990, p. 97).
O “Bank of Grenade”, este antecessor fictício do Pirate Bay, opera através de informações da Rede. A liberdade ou invisibilidade legal oferecida pelas plataformas em águas internacionais é o objetivo do Pirate Bay com a compra de Sealand.
Além de Granada, o romance de Sterling apresenta outras zonas autônomas, como, por exemplo, a imensidão não-vigiada do deserto Saara, que serve como base para a Revolução Cultural Inadin: “Já ouvi isso antes. Em Granada e Cingapura, nos paraísos informáticos. Você também pertence às ilhas. Uma ilha nômade num mar de deserto” (STERLING, 1990, p. 314), diz Laura para o líder Gresham. Em Neuromancer, a estação espacial Zion, perdida na imensidão do mar sideral, é uma ilha livre ocupada por rastafaris (GIBSON, 2003, p. 123). Já em “Zona Autônoma da Antártida: uma história de ficção científica” (1988), poema da coletânea Futuro proibido, Bey indica outra imensidão como TAZ:
ou então a Z.A.A.
abandona as Nações do Tratado
cidade feia de cúpulas de gelo com bolhas do vento
cientistas desertores, marinheiros bichas
libertários extremistas, algumas putas
mineiros anarquistas
uma economia baseada em baleias
alguns poços de petróleo e navios-tanque explorando
recifes incertos “isentos de regulamento fiscal”
registro de navios & selos postais do Pólo Sul
coros de pingüins
estampas de gravuras antigas
impressas em linhas azuis geladas (BEY, 2003, p. 121)
(Estarão nos objetivos do Pirate Bay, caso não consiga comprar Sealand, mudar-se para o Saara, para a Antártida ou para uma estação espacial?)
A inclusão de Bey nesta coletânea cyberpunk, como os organizadores definem Futuro Proibido (RUCKER; WILSON; WILSON, 2003, p. 24), não é por acaso: o próprio admite ser um “fã do cyberpunk” (BEY, 2006, p. 32). Na verdade, o anônimo que “assina” o décimo segundo texto da coletânea, “Visite Port Watson!” (1988), também é, provavelmente, Hakim Bey, ou melhor, Peter Lamborn Wilson. Escrito como um guia turístico, o texto descreve Sonsorol, uma ilha do pacífico cujo porto (Port Watson) serve como base para um banco dirigido por hackers que garantem uma renda mensal aos habitantes acionistas, sem que precisem trabalhar:
Port Watson foi planejado para usufruir uma liberdade quase total da lei, com o banco praticando uma forma nova e invisível de pirataria. Uma vez que, para a sua eficácia, ela depende das comunicações via satélite, ela poderia talvez ser chamada de Pirataria Espacial!
(…) Todo cidadão de Sonsorol e morador de Port Watson, criança, mulher e homem, tornou-se um acionista eqüitativo no Banco (ANÔNIMO, 2003, p. 160).
Também lemos no texto que “[...] a ‘forma’ de governo de Port Watson poderia ser chamada de Pacto de Piratas – ou talvez comunismo laissez-faire – ou anarcomonarquia (uma vez que cada ser humano é considerado um ‘senhor livre’ ou agente soberano)” (ANÔNIMO, 2003, p. 163). Estas poucas citações reforçam nosso palpite de Wilson como autor de “Visite Port Watson!”, mas a passagem que transforma nosso palpite em certeza é a seguinte:
Ora, os piratas do passado viviam praticamente sem autoridade – mesmo os seus capitães eram considerados apenas os primeiros dentro de um grupo de iguais – e eles criaram “utopias” sem lei ou encraves financiados por riquezas roubadas. Os dois jovens amigos decidiram que, uma vez que Sonsorol não poderia nunca produzir nenhuma riqueza de verdade, eles deveriam seguir o procedimento dos piratas – reconhecidamente o caminho dos parasitas e bandidos, e não dos “verdadeiros revolucionários” – e roubar a energia que precisavam para financiar e fundar a sua utopia (ANÔNIMO, 2003, p. 159).
Estas palavras resumem o principal uso do termo “pirata” pela cibercultura, pois a autonomia dos piratas digitais é alcançada através do roubo. Mas o que, por exemplo, o Pirate Bay rouba? E qual utopia é financiada por estes roubos? O site sueco rouba os “direitos autorais” e estes roubos alimentam uma utopia de informação livre, certamente o lema da cibercultura (LEMOS, 2002, p. 202).
3. Algumas conclusões
Como numa volta ao mundo realizada a bordo de uma embarcação pirata, a conclusão deste artigo é o início dele. Ao longo desta viagem, citamos várias manifestações do imaginário da cibercultura – o cyberpunk (LEMOS, 2002, p. 200) – e, certamente, a conclusão mais coerente é a “concretização” deste imaginário, justamente o projeto de comprar Sealand assinalado pelo Pirate Bay. Ainda assim, nosso mapeamento (como qualquer outro) não catalogou muitas zonas invisíveis. Para retornarmos à definição de Bey, a TAZ é “[...] uma operação de guerrilha que libera uma área (de terra, de tempo, de imaginação) [...]” (BEY, 2006, p. 14; grifo nosso). No campo da imaginação, a própria ficção científica é uma TAZ. Segundo Sterling, a ficção científica como gênero, até em sua faceta mais “convencional”, é uma cultura bastante subterrânea. (…) A ficção científica, como a boemia, é um lugar útil para por certa variedade de pessoas, onde suas idéias e ações podem ser examinadas sem o risco de pô-las diretamente numa prática mais ampliada[9] (STERLING apud MORENO, 2003, p. 11).
Provavelmente, Bey concluiria esta citação da seguinte maneira: sem o risco de pô-las (as idéias da ficção científica) diretamente sob a censura do Controle. Não apenas pela característica subterrânea, mas também por ser um entretenimento ingênuo aos olhos do Controle, a ficção científica é uma zona autônoma. Pois hoje, em qual outro lugar podemos falar de utopias piratas?
REFERÊNCIAS
ANÔNIMO. Visite Port Watson! In: RUCKER, Rudy; WILSON, Robert Anton; WILSON, Peter Lamborn (orgs.). Futuro proibido. São Paulo: Conrad, 2003.
BEY, Hakim. Zona Autônoma da Antártida: uma história de ficção científica. In: RUCKER, Rudy; WILSON, Robert Anton; WILSON, Peter Lamborn (orgs.). Futuro proibido. São Paulo: Conrad, 2003.
_____. TAZ: zona autônoma temporária. Porto Alegre: Deriva, 2006.
BURROUGHS, William. Cidades da noite escarlate. São Paulo: Siciliano, 1995.
CARNEIRO, André. Introdução ao estudo da “science fiction”. São Paulo: Scorpio, 2004.
GIBSON, William. Neuromancer. São Paulo: Aleph, 2003.
GLEICK, James. Caos: a criação de uma nova ciência. Rio de Janeiro: Campus, 1990.
JAMESON, Fredric. O inconsciente político: a narrativa como ato socialmente simbólico. São Paulo: Ática, 1992.
_____. Espaço e imagem: teorias do pós-moderno e outros ensaios. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1994.
_____. Archaeologies of the future: the desire called utopia and other science fictions. New York: Verso, 2007.
LEMOS, André. Cibercultura: tecnologia e vida social na cultura contemporânea. Porto Alegre: Sulina, 2002.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.
MORENO, Horacio. Cyberpunk: más allá de Matrix. Barcelona: Círculo Latino, 2003.
NASCIMENTO, Evandro. O entre-lugar da leitura. Revista de Letras, São Paulo, v. 46, n. 2, p. 54-66, jul./dez. 2006.
PERSON, Lawrence. Notes toward a Postcyberpunk Manifesto. Nova express, Austin, v. 4, n. 4, p. 11-12, jan./jun. 1998.
PIRATE BAY. Disponível em: <http://thepiratebay.org>. Acesso em: 16 jan. 2008.
RUCKER, Rudy; WILSON, Robert Anton; WILSON, Peter Lamborn (orgs.). Futuro proibido. São Paulo: Conrad, 2003.
STERLING, Bruce. Piratas de dados. São Paulo: Aleph, 1990.
_____. The Hacker Crackdown: law and disorder on the electronic frontier. New York: Bantam, 1993.
VERSIGNASSI, Alexandre. País pirata. Superinteressante, São Paulo, n. 237, p. 32, mar. 2007.
WILSON, Peter Lamborn. Utopias piratas: mouros, hereges e renegados. São Paulo: Conrad, 2001.
WOOD, Brent. William S. Burroughs and the Language of Cyberpunk. Science Fiction Studies, New York, v. 23 (part 1), n. 68, p. 11-26, mar. 1996.
NOTAS
[1] Doutorando em Letras pela Universidade Federal de Santa Maria. Mestre em Letras e Bacharel em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, ambos pela Universidade Federral de Mato Grosso do Sul. E-mail: rodolfolondero@bol.com.br
[2] Disponível em: <http://thepiratebay.org/legal>. Acesso em: 16 jan. 2008.
[3] Tradução livre do original: “A science-fiction writer coined the useful term cyberspace in 1982. But the territory in question, the electronic frontier, is about 130 years old. Cyberspace is the “place” where a telephone conversation appears to occur. Not inside your actual phone, the plastic device on your desk. Not inside the other person’s phone, in some other city. The place between the phones. The indefinite place out there, where the two of you, two human beings, actually meet and communicate”.
[4] Tradução livre do original: “The work of William S. Burroughs has often been credited as a primary influence on cyberpunk writing”.
[5] Segundo Alex Antunes, um dos episódios de Neuromancer é possivelmente inspirado em Electronic revolution (1971), de Burroughs (ver sétima nota do tradutor em GIBSON, 2003, p. 80). Já para Brent Wood, o melhor tributo à obra de Burroughs “[...] é dado por Gibson em Neuromancer, onde ele escolhe a voz, a personalidade e a sabedoria de Burroughs para o papel de McCoy Pauley, o Dixie Linha Plana. Um construto de memória ROM, Linha Plana guia o protagonista de Gibson em sua missão ciberespacial” (WOOD, 1996, p. 21). Tradução livre do original: “[...] is given by Gibson in Neuromancer, where he casts Burroughs’ voice, personality and wisdom as McCoy Pauley, the Dixie Flatline. A ROM construct, the Flatline guides Gibson’s protagonist in his cyberspatial mission”.
[6] Tradução livre do original: “[...] seems less to have been the production of new visions of social organization and of social relations than the rendering anachronistic and insipid of the older industrial notions of non-alienated labor as such”.
[7] De acordo com Lawrence Person, “contestavelmente, a ficção científica entrou na era pós-cyberpunk em 1988 com a publicação de Piratas de dados, de Bruce Sterling. Enquanto The Artificial Kid, de Sterling, encapsulou muitos temas do cyberpunk antes do movimento ter um nome, Piratas de dados prefigurou um corpo de obras crescente que pode (ao menos que alguém surja com um nome melhor) ser rotulado pós-cyberpunk” (PERSON, 1998, p. 11). Tradução livre do original: “Arguably, science fiction entered the postcyberpunk era in 1988 with the publication of Bruce Sterling’s Islands in the Net. Just as Sterling’s The Artificial Kid encapsulated many of cyberpunk’s themes before the movement had a name, Islands in the Net prefigured a growing body of work that can (at least until someone comes up with a better name) be labeled postcyberpunk”.
[8] André Carneiro apresenta um exemplo cotidiano desta afirmação: “Se pegarmos um jornal diário e o lermos com olhos limpos da rotina, descobriremos notícias surpreendentes, que nos colocam face a realidades que não parecem aquelas normais do bom senso, mas criações exageradas da science fiction” (CARNEIRO, 2004, p. 19).
[9] Tradução livre do original: “La ciencia-ficción como género, aun en su faceta más ‘convencional’, es una cultura bastante subterránea. (…) La ciencia-ficción, como la bohemia, es un lugar útil para poner cierta variedad de gente, donde sus ideas y acciones pueden ser examinadas sin el riesgo de ponerlas directamente en una práctica más amplia”.
>> CIBERPESQUISA 404nOtF0und – por Rodolfo Rorato Londero
Escrito por Silvio Alexandre 





















Bram Stroker






















![[The+Elegant+Variation.jpg]](http://3.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SN6oDjZkW3I/AAAAAAAAA8M/oW11qzK9zrg/s1600/The%2BElegant%2BVariation.jpg)


