‘ALINE’ GANHA VERSÃO PARA A TV: CASAL DE TRÊS DOS QUADRINHOS

quarta-feira | 31 | dezembro | 2008

Maria Flor interpreta Aline, a garota que vive com seus dois namorados.
Roteirista diz que cidade de São Paulo é ‘quarto personagem’.

header_aline1.jpg

Quem diria? Aline, a garota mais moderninha dos quadrinhos brasileiros, será a estrela do horário nobre desta terça-feira (30). Criação do cartunista Adão Iturrusgarai, a ruivinha nariguda e seus dois namorados são tema do especial “Aline”, que vai ao ar logo após a novela “A favorita”.

aline1

A atriz Maria Flor, protagonista de Aline.

“Aline é uma pessoa livre, que acredita no amor e não se importa com que os outros estão pensando”, define a protagonista Maria Flor, que usará a indefectível minissaia de caveirinha no especial. Os dois namorados, Otto e Pedro, são vividos pelos atores Bernardo Marinho e Pedro Neschling.

A idéia de levar a personagem para a televisão partiu do roteirista Mauro Wilson. “O que sempre me atraiu nas tirinhas foi o fato de dois homens dividirem o amor pela mesma mulher e ainda serem amigos”, explica. “O namoro dos três é harmonioso e bem-resolvido. Eles não são de ficar discutindo a relação”.

No entanto, a versão televisiva é uma espécie de “Aline para hipertensos”. Esqueça as estripulias que a mocinha já aprontou nos quadrinhos, como a temporada em que viveu como garota de programa por puro fetiche, ou passou a semana viajando de ácido.

“Será uma história mais romântica que sexual. Claro que vamos mostrar os três na cama, que é uma constante nos quadrinhos, mas não haverá cena de sexo”, adianta Wilson, que escreveu o roteiro inspirado em “Bande à part”, de Godard, “Jules e Jim”, de Truffaut, e “Os sonhadores”, de Bertolucci – todos clássicos cinematográficos sobre “casais de três”. 

aline2

Pedro Neschling (Pedro), Bernardo Marinho (Otto) e Maria Flor, em cena de 'Aline'.

 Comédia romântica
O “pai” de Aline, Adão Iturrusgarai, faz ressalvas em relação ao bom-comportamento de sua “filha” na TV. “Sei que será uma história para um público maior e até mais careta que o dos quadrinhos. Mas espero que não transformem numa comédia romântica babaca”, alfineta o cartunista.

 Adão não participou do processo de adaptação de “Aline” para a telinha. E diz que nem terá como assistir ao especial nesta terça. “Não entendo nada de televisão e estou aqui na Patagônia. Que horas vai passar aí no Brasil?”, debocha.

Além de Aline, Pedro e Otto há um quarto protagonista no episódio: a cidade de São Paulo. Segundo Wilson, a escolha das locações onde foram gravadas as cenas foi pensada de acordo com o jeitão urbano da personagem. “Aline é uma menina moderna, baladeira, que gosta do cotidiano da capital. É uma história que não caberia ter o Rio de Janeiro como cenário”, opina o roteirista.

 Assim, a São Paulo de “Aline” vai muito além do “buraco da Paulista” – complexo viário que liga as avenidas Paulista, Doutor Arnaldo e Rebouças, transformado em clichê de novelas que se passam na paulicéia. A personagem vive com seus dois amores desvairados em um apartamento em frente a Praça da Sé, compra CDs da Galeria do Rock, passeia de bicicleta no Minhocão, e, festeira que só ela, é fã das noitadas de música eletrônica no club D-Edge.
>> G1 – por Dolores Orosco

Veja o blog do especial ‘Aline’</a>


“CORAÇÃO DE TINTA” RETRATA PERSONAGENS FANTÁSTICOS

quarta-feira | 31 | dezembro | 2008
coracao-de-tinta_filme

Cena do filme 'Coração de Tinta', com Brendan Fraser

Aventura infanto-juvenil de férias com potencial para engajar também adultos em busca de diversão, “Coração de Tinta” baseia-se no livro homônimo da autora alemã Cornelia Funke, em torno da fantasia de que algumas pessoas teriam o dom de trazer para este mundo personagens dos livros apenas lendo suas histórias em voz alta.

Um desses “línguas encantadas” é o encadernador de livros raros Mortimer Folchart (Brendan Fraser, de “Viagem ao Centro da Terra”), pai de Meggie (Eliza Hope Bennett). Desde o misterioso desaparecimento de sua mulher, Resa (Sienna Guillory), ele deixou de lado a leitura em voz alta e procura desesperadamente o livro em que ela entrou, também chamado “Coração de Tinta”.

Visitando o sebo de uma cidadezinha atrás do livro, Mortimer encontra Dedo Empoeirado (Paul Bettany, de “O Código Da Vinci”) – um homem que tem poderes mágicos para controlar o fogo e que foi trazido a este mundo por conta de uma leitura doméstica de Mortimer. Dedo está desesperado para voltar para sua mulher, no reino do livro, mas Mortimer não quer saber de atendê-lo. Refugia-se na casa de sua excêntrica tia-avó, Elinor (Helen Mirren, de “A Rainha”), dona de uma esplêndida biblioteca.

Mortimer é localizado em seu esconderijo não só por Dedo Empoeirado como por outros seres malignos vindos das páginas do livro. Liderados por Capricórnio (Andy Serkis, o Gollum de “O Senhor dos Anéis”), os vilões planejam trazer para a terra o mais poderoso ser do mal de sua história, o gigantesco Sombra.

As aventuras seguintes envolvem a captura e fuga de Mortimer, ajudado por Dedo Empoeirado e Farid (Rafi Gavron), um rapazinho de “As Mil e Uma Noites”. Complicando a situação, Capricórnio descobre que a menina Meggie é também uma “língua encantada”, chantageando-a para usar seu poder ao informá-la de que a mãe dela está em seu poder no seu castelo – onde são prisioneiros os personagens de diversas histórias e lendas, como os macacos voadores de “O Mágico de Oz”, o crocodilo de “Peter Pan” e o Minotauro.

Enquanto isso, Mortimer, Dedo Empoeirado e Farid localizam na Itália o autor de “Coração de Tinta”, Fenoglio (Jim Broadbent), pedindo sua ajuda para restaurar a ordem das coisas.

Este intenso tráfego entre o mundo da realidade e da imaginação requer, como se pode prever, um uso intensivo de efeitos especiais, que são eficientes. O que falta é um ritmo adequado para um maior envolvimento com os personagens, que parecem estar o tempo todo apenas correndo uns dos outros.

O diretor inglês Iain Softley, que foi bem na condução do drama de época “Asas do Amor”, baseado em livro de Henry James, aqui teve um resultado inferior.
>> REUTERS – por Neusa Barbosa, do Cineweb


NEIL GAIMAN E OS DEUSES AMERICANOS

quarta-feira | 31 | dezembro | 2008

deuses-americanosRecomendo a quem gosta de literatura fantástica o romance de Neil Gaiman Deuses Americanos, lançado pela Conrad Editora. Gaiman é mais conhecido como roteirista da série de quadrinhos Sandman, mas de dez anos para cá tem publicados vários romances. Coraline, uma história de terror para crianças, é muito bom. Este American Gods também. A premissa do livro é que os antigos deuses e criaturas mitológicas européias se transportaram para a América do Norte durante a colonização, mas estão decadentes e sem poder. Eles andam pelas ruas, transformados em pessoas de carne e osso; têm uma enorme longevidade, mas podem morrer, tanto de morte-morrida quanto de morte-matada. E estão travando uma batalha feroz contra os Novos Deuses: os deuses da Mídia Ambiente, ou seja, da publicidade, do cinema, da TV, etc.

Gaiman é um escritor fluente e ótimo contador de histórias. Uma espécie de Stephen King sem a morbidez doentia que King muitas vezes tem, uma vontade de espremer até o fim o suco de terror e repulsa que uma cena pode fornecer. Gaiman oferece uma boa quantidade de imagens arrepiantes, mas concede apenas uma dúzia de linhas a elas, não mais, e segue em frente – o que me parece literariamente mais eficaz. O livro conta a história de Shadow, um sujeito que ao sair da prisão depois de uma pena leve por assalto vê sua vida familiar destruída e logo depois é contratado como guarda-costas de um sujeito que parece ter poderes sobrenaturais e está sendo perseguido por mafiosos igualmente estranhos.

A humanização dos deuses nórdicos, eslavos, africanos, etc. é um dos aspectos mais interessantes do livro, porque o autor consegue nos dar a idéia de que esses personagens têm poderes imensos e ao mesmo tempo são tão frágeis, complicados e indefesos quanto nós. Eles podem muita coisas que não podemos; mas não podem tudo. Eles também têm que “ir à luta”, têm que “batalhar pelo seu espaço”, etc. O mundo sobrenatural é tão competitivo quanto um escritório ou um mercado financeiro. Gaiman (que é inglês) tem um olho crítico muito arguto para certos aspectos da vida americana: os museus e atrações surrealistas de beira-de-estrada, a cidadezinha pacífica mas cheia de terrores sob a superfície ao estilo Twin Peaks, os golpes e falcatruas dos vigaristas profissionais. Tudo isto é misturado à narrativa sobrenatural com a mesma eficiência de um Tim Powers.

Cultura pop e mitologia milenar são duas galáxias em lenta colisão nos últimos cem anos da Literatura. São dois universos que à primeira vista não têm nada a ver um com o outro, mas que são gerados pelo mesmo impulso humano: o de fantasiar, criar um panteão imaginário de seres excepcionais, que nos servem de espelho, modelo, farol, alerta ou ameaça. O livro de Gaiman deveria interessar a quem gosta de ler sobre mitos. É o mesmo universo de Câmara Cascudo, Joseph Campbell, Miracea Eliade, J. G. Frazer, Umberto Eco (cultural medieval + cultura de massas).
>> MUNDO FANTASMO – por Bráulio Tavares


BANCO IMOBILIÁRIO DA TRILOGIA SENHOR DOS ANÉIS

quarta-feira | 31 | dezembro | 2008

monopoly-senhor-dos-aneis

O clássico jogo de tabuleiro Banco Imobiliário, que agora se chama Monopoly também aqui no Brasil, tem inúmeras edições diferentes.

No meio de tantas edições não podia faltar o Monopoly em homenagem a trilogia O Senhor dos Anéis.

O “Monopoly – The Lord of the Rings Trilogy Edition” foi lançado pela Hasbro em 2006 e pode ser jogado da maneira tradicional ou no modo “One Ring” mais rápido e criado especialmente para esta edição. No jogo você faz uma viagem pela Terra Média construindo fortalezas e castelos para defender seus novos territórios.

O Monopoly vem com 6 peças especiais: Aragorn, Frodo, Gimli, Galadriel, Gandalf e Legolas. Tabuleiro colorido, sete “Denominations of Power” que substituem o dinheiro, um dado especial Eye of Sauron, um dado normal e o Anel de “ouro”.
>> BLOG DE BRINQUEDO – por Dado Ellis


BATTLESTAR GALACTICA: WEBISODES 4, 5 e 6

quarta-feira | 31 | dezembro | 2008

A ação não para com mais três partes dos dez webisódios da nova temporada de “Battlestar Galactica – The Face of the Enemy” (”O Rosto do Inimigo”)
 
Battlestar Galactica – The Face Of The Enemy – Webisode 04

Battlestar Galactica – The Face Of The Enemy – Webisode 05

Battlestar Galactica – The Face Of The Enemy – Webisode 06


O GRANDE SONO DA FICÇÃO CIENTÍFICA

quarta-feira | 31 | dezembro | 2008

Há muito que o género perdeu a sua estante exclusiva nas livrarias. Por quê?
fc_portugal
Viajar no tempo, usar um manto de invisibilidade ou dar um passeio pelo centro da Terra são impossibilidades que um dia a Ciência poderá concretizar. Por enquanto, resta sonhar. Ou ler Ficção Científica. Mas será fácil? Basta entrar numa qualquer livraria e perguntar pela secção de livros de Ficção Científica (FC). A resposta mais comum é a de que isso não existe. Há muito que o género perdeu a sua estante exclusiva. Os livros ou estão dispersos, sem pouso fixo, ou sobrevivem no meio da literatura de género Fantástico e de divulgação científica. Longe vai a “Idade de Ouro da FC”. Entre os anos 30 e 50, o género recebeu a ampla atenção do público e surgiram autores como Isaac Asimov, Robert A. Heinlein e Arthur C. Clarke, hoje clássicos. Meio século depois, o retrato que os livreiros traçam é unânime: a FC já não está na moda.

A constatação vem de quem vende e de quem publica. Nos anos 80, a Caminho apostou numa colecção dedicada à FC e criou o prémio Editorial Caminho Ficção Científica. O último romance saiu em 2001. A colecção de capa azul morreu.

Na série de FC mais antiga e prestigiada do país – Argonauta (Livros do Brasil) – já não se publica um livro desde 2006. Na década de 60, as tiragens dos livros da Argonauta rondavam os 20 mil exemplares. As últimas edições não ultrapassam as 5 mil unidades. O próximo volume está, no entanto, agendado para Fevereiro.

A colecção “Livros de Bolso – Série Ficção Científica”, da Europa-América, está sem novidades desde 1998. A outra chancela do grupo dedicada a este tipo de literatura, a Nébula, está com mais sorte apesar do ritmo de publicação ter diminuído.

O editor da Europa-América, Tito Lyon de Castro, reconhece que o mercado de FC já viveu melhores dias e está, neste momento, “fraco”.

“Viajantes no Tempo” é a série da Presença que surgiu em 2002. “Apesar do mercado internacional apostar no género como nova tendência, a colecção da Presença nunca obteve vendas significativas”, refere o director de marketing Francisco Pinto Espadinha. No início do ano, a colecção parou. Em 2005 a Saída de Emergência começou a publicar FC apesar do editor Luís Corte Real reconhecer que o género é “comercialmente desinteressante”.

“Editamos por carolice. Não existe um retorno financeiro expressivo com a publicação deste tipo de literatura”, assegura. Apesar do mercado não estar virado para a FC, existem sempre algumas editoras que decidem remar contra a maré. É o caso das Edições Chimpanzé Intelectual que abriram o catálogo, em 2006, com a antologia “Ficções Científicas e Fantásticas” de nove escritores portugueses. “Começamos pela colectânea ‘Ficções Científicas e Fantásticas’ por estes serem géneros que em Portugal têm pouca tradição e reduzido espaço de afirmação, apesar de continuarem a dar azo a grandes obras da literatura mundial, assumindo um papel de contracultura importante”, justifica o editor Miguel Neto. Este ano, a editora já lançou “A Bondade dos Estranhos”, de João Barreiros. É o primeiro volume da primeira trilogia portuguesa de FC. A Gailivro também arriscou e publicou o romance “Ar”, de Geoff Ryman.

O passado, não o futuro
Este panorama sombrio não impediu, contudo, que um núcleo português de criadores do género saísse da obscuridade graças à extinta colecção da Caminho. João Barreiros, um dos autores que publicou nessa colecção, acha que o público português não lê FC porque está mais interessado no passado -o sucesso dos romances históricos é disso exemplo -e não consegue visualizar o universo que o rodeia.

“O maior problema deste tipo de literatura deve-se ao desconhecimento do público em relação aos livros que são publicados”, opina também Luís Filipe Silva, vencedor do Prémio Ficção Científica Caminho 1991 com “O Futuro à Janela”. “Neste momento, as editoras publicam muitas obras de género Fantástico. Os escassos livros de FC que vão saindo acabam por desaparecer rapidamente da exposição nas livrarias.” O universo destes dois géneros de literatura não poderia estar mais distante: a Ficção Científica especula sobre situações que um dia a Ciência poderá vir a concretizar; a literatura Fantástica usa o sobrenatural, algo extraordinário que deriva da imaginação e se supõe não existir.

A “iliteracia” dos leitores é, para o ex-realizador e escritor de FC António de Macedo, a causa da fraca adesão a este género: “A FC de agora é mais exigente, ao contrário da que surgiu nos anos 50, e o público tem dificuldade em ler algo que o obrigue a participar activamente na leitura. Mas os leitores pensam que para lerem FC precisam de conhecimentos científicos, o que não é verdade”, acrescenta.

Rogério Ribeiro, presidente da Associação Portuguesa do Fantástico nas Artes -Épica, destaca a “má fama” de que a FC goza por estar ligada demasiadas vezes a obras de qualidade inferior. “Na verdade, a FC terá a mesma proporção de más obras do que qualquer temática literária”, ressalva. As “más traduções” e a “publicação das obras mais obscuras dos autores mais medíocres” são outras razões que, diz João Barreiros, levam os portugueses a não consumirem esta literatura.

Mais optimista está Luís Miguel Sequeira, presidente da Associação Portuguesa de Ficção Científica e Fantástico -Simetria: “Não creio nada que o público português não se interesse por FC. Está é a consumila sem se aperceber do género que está a ler”. O problema não parece estar, para Sequeira, do lado das editoras, porque tem visto boas edições que não recebem a recepção do público. Todos parecem estar de acordo num ponto: a comunicação social não dá atenção ao que se vai publicando dentro do género.

As vendas de FC editada em Portugal não reflectem, contudo, o entusiasmo dos leitores do género. Cristina Alves, bióloga, lê dois ou mais livros do género por mês. Apesar de ter começado por obras traduzidas em português, rapidamente saltou para as edições originais que compra na Net. “Os livros mais recentes nunca estão traduzidos. As compras online colocam os livros nas mãos três dias depois de serem publicados. Para quê esperar 10 anos pela tradução portuguesa?” pergunta João Barreiros.

FC à portuguesa?
A leitura de FC está em crise e o espaço reservado para os escritores portugueses não gozará de melhor saúde. Na colecção Argonauta não encontramos um único autor luso. A Nébula (Europa-América) precisou de editar primeiro 100 livros de autores estrangeiros para dar à estampa “Os Nogmas”, da portuguesa Cátia Palha.

Os autores nacionais só encontraram um espaço de acolhimento visível no mundo editorial no final dos anos 80 com a colecção Caminho Ficção Científica. Excluindo este período de vitalidade, a publicação deste tipo de narrativas escritas por portugueses sempre viveu na clandestinidade, nota a investigadora e docente Teresa Sousa de Almeida, na antologia Fronteiras, publicada pela Simetria em 1998: “Em Portugal a FC é completamente ignorada pela instituição literária nacional, pela escola e, salvo honrosas excepções, pela crítica. Tem sido relegada para edições de autor, colecções especializadas, fanzines de duração efémera e algumas antologias que fizeram história. Face a esse esquecimento, responde na mesma moeda”.

Mesmo não sendo muito visível, António Macedo acredita numa FC portuguesa. Mais céptico é Luís Filipe Silva que reconhece a existência de uma FC escrita por portugueses mas prefere não reivindicar o estatuto de Ficção Científica Portuguesa por serem poucos os escritores lusos e não se inspirarem em elementos de identidade nacional. “Os romances inspiram-se em tradições não portuguesas e por isso caem num vazio conceptual no nosso meio literário, o que não abona em favor deles”.

“Os autores portugueses de FC são herdeiros espirituais de Eça de Queirós ou de Júlio Dinis” acrescenta Luís Miguel Sequeira. A ironia, a paródia, a preocupação com a realidade portuguesa e uma ligeira tendência para ficções de natureza política são as características da FC escrita por autores portugueses que a investigadora Teresa Sousa de Almeida destaca.

Existem discussões e especulações sobre a morte da FC. Na Internet, os argumentos são muitos, desde o rápido avanço da ciência que a FC não acompanha, até à constatação de que já vivemos num cenário de FC, o que torna o género obsoleto ou redundante.

“Quando existe algo que se torna realidade, surge sempre outra coisa que é preciso inventar”, diz António de Macedo que não acredita no fim deste tipo de literatura. Menos certezas têm João Barreiros: “Não sei se a FC está a morrer devido ao desinteresse crescente pelo futuro, mas se assim é, estamos todos em perigo. Daqui a 200 anos quem é que se lembrará do ‘Memorial do Convento’, de José Saramago? Mas a ‘Máquina do Tempo’ do Wells, o ‘Frankenstein’ da Shelly, ‘O Deus das Moscas’ de Golding, o ‘Admirável Mundo Novo’ de Aldous Huxley ou a ‘Laranja Mecânica’ de Burgess continuarão a ser lidos”, vaticina. O que a FC precisa é, segundo Luís Filipe Silva, de se reinventar, “Mais tarde ou mais cedo, a FC acabará por conquistar um público mais expressivo em Portugal”, prevê Francisco Espadinha. Um núcleo de escritores e entusiastas no nosso país está pronto para jogar. Mas, para isso, precisam que a literatura de FC acorde do longo sono em que mergulhou para viajar à velocidade da luz pela mente dos leitores. Em direcção a mundos desconhecidos.

A jornada pode já começar com algumas das próximas publicações do género em Portugal: “Brasil” de Ian McDonald chegou às livrarias, com o selo da Gailivro; “A Máquina do Tempo Acidental”, de Joe Haldeman, será publicado em Dezembro na Nébula; “The Memory Cathedral” de Jack Dann está agendado para Fevereiro de 2009, pela Saída de Emergência.
>> ÍPISILON – por Eduarda Sousa


TERRA INCOGNITA: CHEGOU O NÚMERO 4

terça-feira | 30 | dezembro | 2008

terra incognita 04

BAIXE AQUI!

Tardamos mas não falhamos: no apagar das luzes de 2008, atingimos velocidade de escape, como diria Mark Dery, e conseguimos nosso objetivo: chegar ao número 4 da TERRA INCOGNITA

Foram quatro edições mensais. Não de forma totalmente literal, mas foram 4 em 120 dias. Do the math: até que a conta, no fim das contas, deu certo.

O primeiro conto desta última edição do ano é o natalino (aproveitando o ensejo da data, natürlich) Ritual de Imortalidade, de Rafael “Lupo” Monteiro. Não chega a ser flash fiction, mas falar sobre ele estraga. Só é possível dizer que o Bom (?) Velhinho faz uma participação fundamental.

O segundo é Z, de Rynaldo Papoy. Não, não é uma homenagem ao filme homônimo de Costa-Gavras: é, antes talvez, um tributo ao bom e velho Philip K. Dick, que, se vivo fosse estaria completando 80 anos (o tributo é proposital ou não? Leiam e julguem). De todo modo, o conto de Papoy é incisivo, cortante e satírico, pero sin perder na ternura jamás, principalmente para com nossos hermanos argentinos.

E, para fechar com chave de plutônio nosso ano, temos o prazer de apresentar uma entrevista inédita com o mentor dos cyberpunks, Bruce Sterling, concedida a Fábio Fernandes. Além disso, uma resenha de seu clássico Schismatrix Plus (infelizmente jamais publicado no Brasil) e pela primeira vez em língua portuguesa, o conto Vinte Evocações (Twenty Evocations), uma das mais belas e violentas histórias de Sterling.
Para 2009, Grandes Expectativas, Grandes Mudanças. Vem aí uma edição inteiramente em inglês, com contos de autores brasileiros e estrangeiros inéditos.
Hasta la vista, babies.
>> TERRA INCOGNITA – por Fábio Fernandes
 

Editorial – Em fim, o Annus Mirabilis

Alguém ainda tem dúvida que 2008 foi o ano mais importante da literatura de gênero brasileira dos últimos dez anos? Ou vinte? Não é exagero, nem desprezo por aqueles que batalharam (e batalham) na difícil missão de fazer a Ficção Científica, a Fantasia e o Horror brasileiros gêneros comercialmente ativos, parte da economia cultural do País. É um fato. A literatura especulativa “do B” fecha o ano com saldo muito positivo.

Vejamos: tivemos a consolidação da Fantasticon como a mais importante convenção para fãs de ficção especulativa. Tivemos a segunda edição do Invisibilidades, outra convenção de sucesso que vem para somar e ficar. Tanto em números absolutos quanto na maturidade dos assuntos debatidos, esses dois eventos mostram como os leitores e autores brasileiros evoluíram.

Tivemos ainda uma retomada editorial. A Aleph descarregou nos clássicos indispensáveis da FC, como Nevasca, a trilogia do Sprawl e Nevasca. Por outro lado, a Tarja Editorial e a Não Editora mostraram que é possível apostar no autor nacional, que, aliás, deu mais uma demonstração do amadurecimento do mercado. Mas não só os publicados em papel deram evidências de um futuro próspero. A internet também se consolidou como meio e fim complementar ao mercado editorial tradicional. Além disso, quem permeia os bastidores da produção literária sabe que há tigres prontos para tomar o leitor de assalto.

Em 2008 tivemos até o surgimento de uma subcultura inteira. O gênero steampunk chegou em definitivo aos trópicos, com grupos organizados, revistas e eventos próprios.

E tivemos quatro edições de Terra Incognita, uma revista que é fruto e, ao mesmo tempo, catalisador dessa ebulição. Publicamos autores estrangeiros que a maioria dos brasileiros sequer tinha ouvido falar. Publicamos outros que, mesmo conhecidos de nome, nunca haviam sido lidos em português. Resgatamos autores brasileiros que haviam se desgarrado do rebanho e revelamos novos autores que, temos certeza, serão presença constante nas leituras de todo fã de FC, F, H e quetais. Publicamos histórias de qualidade, criamos a ponte, cumprimos nossa missão até agora.

No entanto, há muito o que fazer em todas as frentes. Mais novos autores estrangeiros precisam ser publicados no Brasil. As editoras precisam acreditar mais nos autores brasileiros e profissionalizarem o mercado. Por sua vez, os autores têm que aumentar consideravelmente a qualidade da literatura que produzem, pesquisando, criando e ousando mais. Retomando o maravilhamento e não somente reproduzindo os últimos cinqüenta anos de literatura especulativa.

Mas estamos confiantes. Muito. Tanto que acreditamos que 2009 será “O ano em que faremos contato”. Com as editoras, com o público, com a mídia, com a produção global. Com nós mesmos, enquanto leitores, editores e autores de gênero. Que venha o presente, então. Porque o futuro chegou mais cedo.
Feliz 2009.
Fábio Fernandes e Jacques Barcia


NIMOY NOS BASTIDORES DO FILME

terça-feira | 30 | dezembro | 2008

spockDia 25 de dezembro teria sido a data original do lançamento de Jornada nas Estrelas. Mas, por decisão do estúdio, teremos de esperar até maio próximo. Para que você não fique muito frustrado, o TrekMovie mostrou uma imagem de bastidores, com Leonard Nimoy na produção de Spock.

 O roteirista Roberto Orci enviou, através de seu iPhone, uma imagem dos bastidores de gravação do filme, onde vemos o ator Leonard Nimoy, em sua seção de making-up, antes de entrar em cena. Veja também alguns breves comentários de Zachary Quinto e Zoe Saldana.

behind-the-scenes

“Fiquei satisfeito e lisonjeado que tinham optado por fazer uma história em que Spock foi tão significativo. Tivemos vários projetos anteriores, onde Spock era marginalizado e não fiquei particularmente feliz com isso. Vi neste filme que Spock volta em foco em uma forma muito maravilhosa … Eu estava muito confortável em trabalhar com J.J. (Abrams). Confiei nele completamente”, disse Nimoy a revista Star Trek magazine (via TrekWeb).

Em entrevista que pode se vista no YouTube, Zachary Quinto, mais uma vez, elogia o trabalho em conjunto com Nimoy. “É algo magnífico para mim”, disse Zachary Quinto. ” Me sinto realmente afortunado por ter Leonard Nimoy envolvido e muito cooperativo e por isso você não pode realmente ficar muito mais além do que a fonte”.

Zoe Saldana se disse espantada, quando viu algumas das cenas que gravou, encontrando-se muito diferente com os efeitos especiais adicionado no filme. “” Eu fiquei encantada com o trailer”, explicou,” Porque nós gravamos em tela verde na metade do tempo. E para ver estes edifícios e o espaço e outras coisas, é muito legal”.
>> TREKBRASILIS 


MILLÔR: “A INTERNET ABASTARDA A LITERATURA”

terça-feira | 30 | dezembro | 2008
millor

Millôr em seu estúdio em Ipanema, no Rio: “Sou mais velho que o Molière. Se ele deixar uma bola na cara do gol, eu chuto”

O tradutor, escritor, desenhista e humorista Millôr Fernandes nega ter uma obra – “é coisa de pedreiro” –, mas reivindica a invenção do frescobol. Ele acha que a tecnologia franqueou a escrita a gente sem talento e desdenha a Academia Brasileira de Letras

Millôr Fernandes, o grande filósofo brasileiro (a definição é do jornalista Sérgio Augusto), vai completar 85 anos no dia 27 de maio de 2009. Esta é a versão oficial. Na verdade, nascido no subúrbio carioca do Méier em 16 de agosto de 1923, Milton Viola Fernandes já passou dessa idade. Foi registrado com quase um ano de atraso pelo pai, o engenheiro espanhol Francisco Fernandes, e sua certidão de nascimento merece respeito. É o mesmo documento que, numa bem-vinda combinação entre a caligrafia torta do escrivão e uma decisão tomada por ele mesmo no fim da adolescência, transformou Milton em Millôr.
Qualquer que seja a idade, o ano que vem será de festa. Não para o próprio Millôr, que continua trabalhando todo dia em seu estúdio numa cobertura do bairro de Ipanema, perto da praia, onde cria suas colunas para a revista Veja. Foi na militância diária do profissionalismo que, órfão muito cedo de pai e mãe, esse autodidata radical construiu desde o início dos anos 40 — “há 250 anos”, como ele diz — sua obra fabulosa de escritor, humorista, desenhista, artista plástico, dramaturgo, tradutor e mais um número indefinido de títulos menos vistosos, entre eles o de inventor do frescobol. Não adianta lhe pedir que mude a esta altura. Aliás, Millôr se arrepia quando ouve falar de obra: “Obra é com o pedreiro”.

Mas é a obra monumental de Millôr Fernandes — não existe outra palavra — o centro da festa. Há dois anos, a Desiderata, hoje um selo do grupo Ediouro, vem repondo nas prateleiras, em edições de capricho inédito, títulos que sofriam com a dispersão por diversas casas editoriais. Millôr nunca esteve ausente das livrarias, mas é a primeira vez que o mercado lhe concede esse balanço luxuoso de uma vida de intensa produção intelectual e artística. Nunca é tarde para reconhecer um gênio.
“No ano que vem, teremos três lançamentos, desta vez todos inéditos em livro”, diz Gabriela Javier, editora da Desiderata. O primeiro título será Poesia Matemática, um híbrido inclassificável de trocadilhos sofisticados com a linguagem dos números e ilustrações singelas de livro infantil. Também estão previstos um novo volume de haicais e uma coletânea de crônicas publicadas em Veja. A dramaturgia e uma seleta de traduções teatrais entram na agenda de 2010. Em entrevista exclusiva a BRAVO!, Millôr faz um balanço de sua carreira e fala da Ipanema de sua juventude, literatura, humor e política. Lula ganha um elogio, mas não escapa de deitar no divã: “É o maior ego do mundo”.

Um Nome a ZelarBRAVO!: Você pegou todos os presidentes desde Getúlio Vargas. Quem sofreu mais com o Millôr? José Sarney, que você destruiu naquela série de textos no Jornal do Brasil sobre o romance Brejal dos Guajas (mais tarde reunidos no livro Crítica da Razão Impura)?
Millôr:
Não tenho essa consciência. A gente vai fazendo… O Sarney não sofreu como presidente, mas como escritor. Terminei a série perguntando: “Afinal de contas, Sir Ney escreveu ou não escreveu um livro? Escreveu, porque segundo a Unesco livro é uma publicação não periódica de mais de 49 páginas. E quando Sir Ney chegou, depois de muito esforço, à qüinquagésima página, fechou a máquina e gritou lá para dentro: ‘Mãe, acabei!’”.

Você prometeu se candidatar à vaga dele na Academia Brasileira de Letras. Pretende cumprir?
Cadeira 38, é verdade. Um perigo. Claro que vou ter que cumprir.

Promessas à parte, já lhe passou pela cabeça se candidatar à Academia?
Não é que não me passe pela cabeça: não passa por nenhuma parte do corpo. Aliás, não tenho muita admiração por aquela frase do Machado de Assis: “Esta é a glória que fica, eleva, honra e consola”. Bastaria dizer: “Esta é a glória que fica”. Consola? Só se for um consolador de borracha.

Você costuma dar cascudos em Machado. Sua crônica sobre a suposta relação homossexual de Bentinho e Escobar em Dom Casmurro é famosa. Considera o Bruxo um escritor medíocre?
A palavra não é “medíocre”. Desde criança, nunca fui induzido pelo nome. Diziam: “Você não vai gostar do Euclides da Cunha, aquela primeira parte de Os Sertões é muito chata”. Um dia fui ler e achei sensacional. Guimarães Rosa eu li com certa dificuldade, mas insisti e vi que a dificuldade era minha, não dele. O Proust eu li em português, francês, inglês e espanhol: é toda uma dimensão literária. Mas o Machado não me diz nada, como o Joyce, que eu nunca consegui ler. Não acredito em ler com esforço.

A cultura escrita está perdendo prestígio no mundo inteiro. Isso é ruim?
O volume de escritos está numericamente maior e percentualmente menor. Com a internet, cada um tem seu blog, e, quando há um volume muito grande de gente praticando, tudo se abastarda. Quando se deliberou que não haveria mais métrica e rima na poesia, toda senhora de 50 anos começou a fazer poesia. Hoje o marketing é violento. Quando o cara consegue explodir, como o Paulo Coelho, está feito: nada faz mais sucesso que o sucesso. Eu só li um livro dele, um com nome árabe [O Zahir]. Outro dia ele disse que não liga para o que os tradutores fazem com seus livros. Pô, o tradutor só pode melhorar aquilo! Mas vai melhorar o Guimarães Rosa…

Você é famoso por não ser saudosista. Existe algo em que o mundo tenha sido melhor do que hoje?
Ah, sem dúvida: Ipanema nos anos 60. Fui morar lá em 1954. Meu edifício foi o primeiro, tive que espantar os índios da praia. Não havia sinal de trânsito. O Rio era uma aldeia. Antes disso eu morava na avenida Atlântica, a duas quadras do meu amigo Sérgio Porto. É impressionante o modo como a gente trabalhava. Eu ficava na praia até as onze. Todo dia tinha mil coisas para fazer, mas às sete da noite estava no bar Vilariño, às nove no Juca’s Bar. Como pode? Não sei. Levava para a praia um cestinho com os jornais, ia escrevendo uns negócios e guardando ali, enquanto a gente conversava. Foi quando inventamos o frescobol.
>> BRAVO! – por Sérgio Rodrigues

Ouça aqui trecho da entrevista de Sérgio Rodrigues com Millôr Fernandes


O HOMEM POR TRÁS DA TURMA CHARLIE BROWN

segunda-feira | 29 | dezembro | 2008
peanuts_capa

Schulz and Peanuts – A Biography David Michaelis. 655 págs, HarperCollins Publishers, US$ 34,95

Perto do fim de sua vida, Charles Schulz, criador da série A turma do Charlie Brown, quis ser Andrew Wyeth. Das mãos de Andrew Wyeth saía uma arte refinada, enquanto ele seria apenas um cartunista de jornal, um desenhista, cujo trabalho certamente não perduraria. Na verdade, há um número maior de pessoas que lêem até hoje os seus quadrinhos, em antologias e compilações, do que o de pessoas que já viram um quadro de Wyeth, e Schulz, pode-se argumentar, tinha mais talento do que o pintor.

O criador de Charlie Brown e de sua turma transformou as tiras de jornal, movimentadas e abarrotadas de imagens quando ele começou a trabalhar no final dos anos 40. Ao preenchê-las com espaços vazios e ao reduzir seus personagens infantis a traços quase abstratos – grandes cabeças circulares equilibradas sobre corpos diminutos –, tornando-as muito mais expressivas que os demais quadrinhos. A tira conseguiu registrar emoções adultas, como ansiedade, depressão, anseios, desilusões, que nunca haviam freqüentado os cartuns antes. Ao invés das onomatopéias “Bum!”, “Pam!”, “Pou!”, que eram a língua franca dos quadrinhos, a nova série empregava um vocabulário menos estridente, e mais eloqüente: “Ouh!” e “Suspiro”.

Todos adoravam as personagens: os mais transados e os garotos de faculdade (especialmente nos anos 60); os presidentes (certa vez, Ronald Reagan escreveu um bilhete de fã a Schulz, afirmando identificar-se com Charlie Brown); os astronautas da Apollo 10, que batizaram seus veículos orbital e de pouso com os nomes de Charlie e Snoopy; sacerdotes e pastores, que tiraram lições morais e teológicas das tirinhas; os engravatados de Detroit, que pagaram uma pequena fortuna para Charlie e sua turma fazerem propaganda do Ford Falcon.
>> ENTRELIVROS – por Charles McGrath


NARUTO: ANALISANDO A CRIAÇÃO

segunda-feira | 29 | dezembro | 2008

 De acordo com uma norma não-oficial praticada por muitos autores, o personagem é criado de antemão para ser popular. E depois se desenvolve o mundo que ele vive, de modo que ele seja funcional. Naruto foi criado para uma história fechada. Quando foi repensado para virar uma série, o personagem em si foi mantido intocado, mas todo um elenco foi criado do nada ? e por tabela, o mundo em que eles vivem…</span>

 

Naruto: Segundo o próprio autor, o tema básico da história seria o da aceitação. O personagem surgiu de forma boba: o autor gostava de Lamen. E o sobrenome Uzumaki era uma referência um tanto infantil às espirais que o Lamen forma no prato. De acordo com a filosofia editorial da Shonen Jump, os personagens devem ser nomeados de modo que os leitores possam associar uma característica ao personagem. Isso até explica o motivo do design da insígnia da vila da folha incluir uma espiral. Mas isso é imediatamente posterior a um dos mais importantes elementos do personagem: a raposa-demônio, que já nasceu na versão original e que, ainda segundo Kishimoto, surgiu por motivos práticos: a raposa é considerada um dos mais poderosos seres do bestiário mitológico japonês, e a Raposa de Nove Caudas, em especial, é a mais poderosa dentre elas. Assim ele seria produzido e já havia sido testado na história à parte publicada na Akamaru Jump. E era necessário alguém que o reconhecesse. Assim, o personagem a nascer em seguida foi Iruka, o primeiro mestre que Naruto conheceu ? e talvez o mais próximo de uma figura paterna que ele conheceria por muito tempo.

 

Naruto viria a ser modelado com o tempo. “Quando você fala sobre ninjas, invariavelmente fala sobre sapos.” No folclore japonês, sapos são animais mágicos, e o óleo de sua pele é um ungüento tradicional para ferimentos ? o que explica a ligação que apareceria mais tarde ? mas já foi pensada desde o começo. Tendo os dois personagens principais, seria importante desenvolver o cenário em linhas muito gerais (uma aldeia de ninjas no meio do mato). Ele precisaria de um chefe da aldeia. E assim nasceu o Hokage. Nascia também o gancho principal do personagem: Naruto um dia sonha ser o Hokage. Simples assim.

 

A Vila da Folha: feitos os personagens básicos, era a hora de estabelecer o cenário. Segundo Kishimoto, ele chegou a pensar em histórias de samurais ? mas não queria ter que competir em um mercado dominado por duas séries, naquele exato momento: Blade ? A Lâmina do Imortal e a reta final de Samurai X. Por contraponto, veio a idéia de fazer um cenário sobre ninjas. E, ao mesmo tempo, não exatamente o que se pensava sobre os mangás tradicionais de Ninjas ? até porque o próprio Kishimoto não engolia a idéia de um serviço de inteligência onde seus agentes se cobrem todo de amarelo.

 

Mas há mais: são raros os ninjas realmente conhecidos na história do Japão, aqueles que se tornaram figuras legendárias, comparando com a figura do samurai. É porque o ninja, antes de mais nada, é uma figura que faz do sigilo e da furtividade seu meio de vida. Ser um ninja perfeito é ser uma sombra, virtualmente invisível. Se um ninja é conhecido pelos seus feitos, ele definitivamente não fez um bom trabalho. E, por isso mesmo, levando em conta que o princípio básico do personagem é reconhecimento e respeito, seguir um esquema tradicional de ninjas entraria em contradição com o conceito e com os próprios interesses do personagem. O cenário seria contraproducente, e segundo as normas da filosofia “o personagem acima de tudo”, se há algo errado para o crescimento do personagem dentro do cenário, então, o erro está no próprio cenário. Era necessária outra abordagem.

 

E essa abordagem partiria assumidamente de suas memórias de infância: ele e o irmão cresceram em um ambiente rural, pacato e bucólico, mas próximo a uma base militar japonesa (os Estados Unidos providenciam a defesa do Japão desde a Segunda Guerra, mas há um corpo militar de oficiais no país ? a JSDF, Força de Auto-Defesa Japonesa). Os Ninjas na série funcionam mais como um corpo militar, com seu próprio modelo de disciplina. Livros sobre a Mossad e a SAS ajudaram o autor a compor a verdadeira natureza de seus Ninjas. Havia muitos campos de formação ? e daí nasceu um segundo elemento fundamental em Naruto: as equipes de três homens, padrão normal em termos militares.

 

Ficou patente que Naruto precisaria de mais dois companheiros e um mestre que o treinasse junto a eles. O mestre chegou primeiro, e foi assim que Kakashi veio a ser desenvolvido. Mas como havia parâmetros para a organização dos personagens, o trabalho, a partir desse momento, passaria a ser muito mais fácil.

 

Sasuke: uma vez acertado que haveria uma trinca, veio uma sugestão do editor Yagagi para que Naruto tivesse um rival. Segundo Kishimoto, ele adorou a idéia: ela o fez se lembrar de sua adorada série Dragon Ball ? e não chegou a ser uma dor de dente criar um personagem com esse perfil. Ironicamente, o próprio Kishimoto observa que o papel de Naruto seria mais próximo de Kuririn, que é a verdadeira fonte da rivalidade. Goku não via razão para rivalidades ? e, pensando bem, Sasuke, de início, também não. Naruto não era ninguém para ele… até que o personagem mostrasse ao que veio.

 

Mas havia mais. Naruto poderia ter a figura da raposa associada a ele, por isso a idéia de associar um sapo parece desnecessária. Mas o próprio Kishimoto aponta para a correlação entre ninjas e sapos. E há o mito da tríade da cobra, do caracol e do sapo na mitologia japonesa (Sansukumi), que analogamente à trinca “pedra-tesoura-papel” do jankenpo, funciona da seguinte forma: a cobra é mais poderosa que o sapo, o caracol é mais poderoso que a cobra, e o sapo é mais poderoso que o caracol.

 

E num dos primeiros desenhos, houve uma associação entre uma cobra e Sasuke, Naruto e um sapo e… um caracol à uma menina que viria a ser conhecida como Sakura.

 

Sakura: não há muito mistério quanto a ela. Uma vez que o conceito da trinca era baseado em um senso de equilíbrio (sugerido pela imagem do Sansukumi), e os personagens estão em extremos de capacidade e competência no começo da história, ela se tornou uma personagem mediana, mas potencialmente mais versátil do que ambos. Ironicamente, ela se tornou um elemento fundamental na caracterização dos personagens: a partir da sua rivalidade, ela passou a servir de foco para um triângulo amoroso. O que faz Naruto se mover em uma situação onde ele simplesmente não tem muitas chances…

 

Não deixa de ser curioso que ela é obviamente a razão pela qual foram criadas duas das personagens mais populares da série:

 

 Ino surgiu para dar uma rivalidade de verdade para alguém nessa história (porque, convenhamos, o dia em que Sasuke mostrasse algum sinal de masculinidade para a menina mais próxima que arrastasse um bonde para ele, e sabemos quem seria essa menina por mera questão lógica; Naruto, que nunca teve chance com Sakura, seria jogado para escanteio impiedosamente).

 

Mas ainda havia uma ponta a resolver nessa pequena armadilha de roteiro que poderia gerar uma bola de neve desastrosa.

 

Hinata: a bem da verdade, ela não passa de uma reação ao efeito colateral de algo inusitado ? o crescimento do eleitorado feminino na Shonen Jump.

 

Um dos fatores que mais surpreenderam nos últimos anos foi que, em recentes pesquisas de público no Japão, o público revelou que sua antologia favorita não era a Betsucomi, a Hana to Yume ou a Nakayoshi. Era a Shonen Jump. Terreno tipicamente masculino, supunha-se. E algumas séries, como Bleach, Prince of Tennis e Naruto atraíram uma grande fatia de leitoras. Kishimoto conta que 90% das cartas que lhe são enviadas são de meninas.

 

Foram essas meninas que deram gás à paixão de Sakura por Sasuke. E criaram uma situação inesperada e pouco confortável: o protagonista da série não tinha a menor chance, mesmo que o outro vértice da trinca pareça ter mais interesse em fazer pose na frente da câmera do que se perguntar se o sexo oposto existe. A solução tinha que ser executada de forma rápida antes que se criasse uma situação que deixasse um gosto muito ruim no eleitorado masculino ? que, afinal de contas, é o público-alvo principal da série. E no 39º capítulo do mangá, a solução veio: se apelou para um dos mais velhos clichês, a menina tímida que foi a única pessoa que gostou da gente quando todo o mundo parecia estar contra nós ? mas nunca notamos. Um clichê de apelo emocional imenso para qualquer homem que já tenha se sentido sozinho na vida. E funcionou perfeitamente.

 

No desenho animado, ela foi introduzida retroativamente logo no primeiro capítulo, para dar a entender que ela sempre esteve lá ? e, por tabela, aparecendo antes de Sakura. Cuidado extra, para deixar claro que Naruto tinha alguém no universo esperando por ele ? e preparando o espectador que não leu o mangá para a situação que viria se apresentar. Dor de cabeça resolvida, era a hora de deixar aquilo como um mero lastro para não prejudicar o andamento da história. Mexicanizações podem ser muletas muito sedutoras.

 

Jiraya, sapos e outros personagens: Jiraiya é um personagem posterior e o único inspirado em um ninja conhecido; é também o responsável para a inclusão oficial dos sapos na mitologia de Naruto, reforçando assim o conceito de Sansukumi que viria a ser encampado por Sasuke com a entrada de Orochimaru na história. Do resto do elenco, por outro lado, não há muito o que dizer: quando se produz regular e periodicamente, usualmente os personagens surgem pela necessidade de uma história específica. É uma regra universal dos quadrinhos de massa.

 

Para terminar, há uma frase perfeita do autor que encerra tudo: “Criar um mangá não é apenas desenhar bem, mas escrever uma boa história. Mantenha a arte e os roteiros reais para os leitores, e você não tem como errar. E não deixe de ver os bons filmes de Hollywood. Aqueles que caminham contra a indústria de entretenimento estão apenas mantendo a mente fechada.” Definitivamente, ele sabe o que diz.

>> ANIME PRÓ – por Alexandre Lancaster


GRIMMS MANGÁ, DE KEI ISHIYAMA

segunda-feira | 29 | dezembro | 2008

grimms_mangaUm excelente trabalho para ser observado pelo aspecto do “espaço disponível” dado numa obra encomendada.

O traço de Kei Ishiyama é impecável, bem definido, longo, elegante e bem detalhado – uma desenhista que sabe trabalhar bem todos os tipos de personagens indo desde crianças pequenas até idosos e animais, coisa que nem todos os mangakás (inclusive alguns muito badalados) sabem fazer com competência técnica.

Mas além do traço bem definido e da bem equilibrada aplicação de retícula, o aspecto mais marcante desse trabalho é o espaço utilizado. Ao observarmos, logo de início, vemos páginas cheias e, aparentemente, poluídas, mas quando observamos com cuidado, descobrimos uma competência para narrar detalhes utilizando um limite definido de páginas num jogo de diagramação fora do comum, que nos dá uma noção precisa da habilidade de enquadramento da autora. As páginas, tirando poucas exceções, têm oito quadros ou mais e isso nos mostra as limitações de espaço que a desenhista enfrentou para nos narrar, com precisão, os clássicos revisitados dos Grimms – outra tarefa nada fácil de fazer: pegar um clássico e lhe dar um aspecto novo sem que fique ruim.

Para os aprendizes do gênero, é uma excelente referência, tanto no aspecto traço e acabamento, como no aspecto diagramação com limitação física e todas as possibilidades exploradas em função disso. Uma verdadeira aula de diagramação!
>> STUDIO SEASONS


MANGÁ MESSIAS

segunda-feira | 29 | dezembro | 2008

Em comum, eles só têm o fato de serem ambos do Oriente, mas um vem do médio e outro do extremo. O mangá vem do Japão, e Jesus, da região da Palestina, mais especificamente da cidade de Belém, em Israel. Cerca de 2 mil anos separam o nascimento dos dois e agora eles se encontram no novo lançamento da Editora Vida Nova.

 

É o Mangá Messias (288 pp., R$ 26,90 ), um mangá que conta a história da vida de Jesus, ilustrando a narrativa Bíblica de maneira criativa e colorida. O título faz parte de uma série de cinco mangás que pretendem contar a história da humanidade conforme retratada na Bíblia cristã. Serão três livros contando as histórias do Antigo Testamento e outros dois destacando as do Novo. O Mangá Messias já foi lançado em japonês, inglês, espanhol, indonésio e, agora, em português; e outras 13 línguas estão em fase de produção.
>> ANIME PRÓ


FILME “CREPÚSCULO” NÃO É TOTALMENTE FIEL AO LIVRO DE STEPHENIE MEYER

domingo | 28 | dezembro | 2008

Fãs não encontrarão algumas das cenas mais aguardadas do mesmo modo que elas foram escritas pela americana
crepusculo_filme2a
 Os fãs do livro “Crepúsculo”, escrito por Stephenie Meyer, não irão ver uma adaptação fiel do livro para as telas do cinema. Várias seqüências da obra não aparecem no filme ou foram alteradas.

Logo no início, quando Bella Swan (Kristen Stewart) recebe a caminhonete de presente de seu pai, é possível perceber um deslocamento da narrativa, pois no livro, Jacob (Taylor Lautner) não aparece nesta cena.

A decepção maior dos fãs, no entanto, pode ser justamente o momento em que Edward Cullen (Robert Pattinson) confirma para Bella que ele é um vampiro. No filme, a cena acontece na floresta, mas no livro o episódio se passa inteiramente dentro do carro de luxo do personagem.

A floresta é, na verdade, um marcador espacial de outra atmosfera da relação entre Bella e Edward: o amor e o carinho mútuo. Do ponto de vista narrativo, o carro, com sua velocidade, é o símbolo da tensão existente quando se descobre que o Edward é um sugador de sangue. A diretora Catherine Hardwicke não esteve atenta a este detalhe e reconstruiu uma das cenas mais aguardadas pelos leitores.

Problemas existem também para quem não tem a menor idéia sobre o que é “Crepúsculo”. O principal deles é a questão “de que lugar vem todo o dinheiro da família Cullen?”. O público do filme fica sem resposta, pois nunca imaginaria que os dotes de clarividência da vampira Alice (Ashley Greene) são usados para apostas certeiras na bolsa de valores.

Mais emoção
A versão cinematográfica de “Crepúsculo” escapa, em alguns momentos, da visão em primeira pessoa de Bella. As cenas sem a presença da personagem principal foram adicionadas para criar uma maior atmosfera de tensão – que falta em metade do livro.

Há flashs do bando do vampiro James (Cam Gigandet) caçando homens como a refeição do dia. Obviamente, tal seqüência não existe no livro, pois Bella nunca poderia saber de algo em que ela não estivesse presente.

Do mesmo modo, a cena final, em que Edward defende sua amada das presas do sanguinário James, é mostrada de um modo diferente daquela escrita por Stephenie Meyer. É possível ver todo o duelo, além das mordidas, arranhões e socos. Nada disso aparece na obra da autora americana.

Essa última cena é um dos acertos do filme, pois adiciona a carga de violência que falta na versão literária. O único erro é mostrar James sangrando, uma vez que vampiros não têm sangue.

Dessa forma, “Crepúsculo” não deverá agradar os fãs mais ortodoxos e pode servir apenas de diversão barata para aqueles que nunca leram os livros.
>> ABRIL – por Jack Rafael Kato


PUSH: MISTO DE ESPIONAGEM COM FICÇÃO CIENTÍFICA

domingo | 28 | dezembro | 2008

push_cartaza
Filme tem Chris Evans, Camilla Belle, Djimon Hounsou e Dakota Fanning no elenco

Push, thriller político de ficção científica dirigido pelo escocês Paul McGuigan (Xeque-Mate), ganhou um cartaz interessante, que mostra o poder de telecinesia dos personagens. Confira acima.

No roteiro escrito por David Bourla, também produtor-executivo do filme, alguns agentes estadunidenses com poderes de clarividência e telecinesia se refugiam em Pequim para escapar das garras da inteligência dos EUA. Para se verem livres para sempre, porém, eles precisam aceitar uma última missão.

Chris Evans, o Tocha Humana dos filmes do Quarteto Fantástico, puxa o elenco, que tem também Camilla Belle, Djimon Hounsou e Dakota Fanning, entre outros. O filme estréia nos EUA em 6 de fevereiro. No Brasil, por enquanto, ainda não há uma data certa.
>> OMELETE – por Marcelo Hessel

Assita ao trailer de PUSH:


THE SURROGATES: PRIMEIRA FOTO OFICIAL DA ADAPTAÇÃO

domingo | 28 | dezembro | 2008

The Surrogates

O ComingSoon.net divulgou a primeira foto de The Surrogates, adaptação ao cinema da HQ de Robert Venditti e Brett Weldele. Na imagem o protagonista do filme Bruce Willis. Confira acima e na galeria abaixo (imagem em alta resolução).

Na trama, ambientada em 2054, quase todo mundo trocou sua vida normal por andróides substitutos, que fazem tudo sem que você tenha que sair de casa. Um terrorista tecnológico, porém, quer sabotar esse novo mundo perfeito, e começa a assassinar os andróides. Cabe a dois policiais impedi-lo – um homem de verdade (Willis), que evidentemente cuida do caso à distância, e a sua cópia-andróide, que fica com todo o trabalho pesado.

Completam o elenco Ving Rhames, Radha Mitchell (Silent Hill), Rosamund Pike (007 – Um Novo Dia para Morrer) e Ned Vaughn.

O filme tem direção de Jonathan Mostow e o roteiro é de Michael Ferris e John Brancanato, mesma equipe de Exterminador do Futuro 3. A estréia acontece no Brasil em 13 de novembro de 2009.

Vale lembrar que Mostow foi confirmado na direção de outra adaptação de uma HQ. O cineasta comandará a adaptação de Capitão América para a Marvel.
>> HQ NEWS – por Júnior


KURT VONNEGUT: WAMPETERS, FOMA E GRANFALLOONS

domingo | 28 | dezembro | 2008

Kurt Vonnegut Jr.

 O escritor Kurt Vonnegut Jr. tem um livro intitulado Wampeters, foma and granfalloons. É uma coletânea de ensaios, artigos de jornal, conferências, etc. As palavras do título foram tiradas do seu romance Cat´s Cradle. Elas mostram como nossa língua (e aqui se incluem a língua inglesa e a língua portuguesa) não é de jeito nenhum um sistema completo. Existem idéias para as quais não temos palavras, ou melhor, ainda não temos uma palavra específica.

O que é um “wampeter”? Não, amigo, não tem nada a ver com Vampeta, o bravo meio-campista da Seleção, que passou por tantos clubes e hoje joga no Brasiliense. Um “wampeter”, segundo Vonnegut, é um objeto em volta do qual giram as vidas de pessoas que não têm nada em comum além deste fato. Ele dá como exemplo o Santo Graal, um objeto mítico que tem sido procurado, estudado e discutido por pessoas de todos os países e de todas as épocas. Outros exemplos de wampeters poderiam ser, talvez, o monstro do Lago Ness e a “Pedra do Reino” de Belmonte. O grupo de pessoas cujas almas giram em torno de um wampeter é chamado de “karass”, e “assim como não existe uma roda sem um eixo, não existe um karass sem um wampeter”.

“Foma” (e aqui eu fico em dúvida se a palavra é masculina ou feminina) são mentiras inofensivas destinadas a confortar os espíritos simplórios. Como exemplo de foma, Vonnegut cita frases do tipo “a prosperidade está ali na esquina”. Nossas coleções de provérbios e frases-feitas estão repletas de fomas: “Deus ajuda a quem trabalha”, “Antigamente era muito pior”, etc. Já um “granfalloon” é, segundo Vonnegut, um agrupamento pomposo e sem sentido de pessoas, uma associação irrelevante que serve apenas para dar um senso de importância àqueles que participam dela. Muitos dos nossos clubes sociais e associações culturais e políticas, sem dúvida, se enquadram nesta categoria.

Palavras assim podem até dar trabalho a um tradutor. (Eu as traduziria com “um vampeta”, “um(a) foma” e “um granfalão”) Mas elas são necessárias à língua, porque exprimem conceitos nítidos que antes tínhamos que referir por aproximação. É como “ciberespaço”, criada por William Gibson para definir o espaço virtual por onde passeia a mente conectada a uma rede de computadores. É curioso que o maior criador de palavras novas em nossa literatura, Guimarães Rosa, não tenha conseguido transportar nenhuma delas para nossa linguagem cotidiana. Não consigo me lembrar de nenhuma palavra rosiana que tenha passado a fazer parte do vocabulário, se não das pessoas da rua, pelo menos da comunidade literária. Usa-se “nonada”, mas esta, pelo que sei, era uma palavra já existente que ele trouxe de volta à circulação. Parece até que as pessoas têm pudor de usar criações tão personalizadas quanto as de Rosa. A maior homenagem que se poderia fazer a ele seria incorporar ao dicionário os milhares de pequenas invenções que ele nos deixou.
>> MUNDO FANTASMO – por Bráulio Tavrares


A ALMA INFANTIL DA FICÇÃO CIENTÍFICA

sábado | 27 | dezembro | 2008

crianca-fcPego o mote do Fábio Fernandes, “Da ficção científica como literatura infanto-juvenil (ou não)”, e duas frases me vêm à mente. Uma entra pelo ouvido esquerdo, a outra pelo hemisfério direito, e as duas se encontram em algum ponto no centro do corpo caloso, onde alguns teólogos medievais localizavam a sede da alma. A primeira é de David G. Hartwell, crítico especializado em ficção científica: “The golden age of science fiction is twelve.” Já volto a ela, depois de elaborar um pouco sobre a segunda, que é de Cristo (Mt 18, 3): “Em verdade vos digo, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, não entrareis no reino dos céus.” Para que não pairem dúvidas, é bom lembrar que, segundo o mesmo bom e véio JC (Lc 17, 21), “o reino de Deus está em vós”. Ou seja, não estamos falando de um campo de nuvens habitado por harpas e camisolões brancos, mas de uma dimensão do espírito humano que, ao menos no entender do menino Jesus, é acessível apenas às crianças e àqueles que nunca deixaram ou que souberam voltar a ser como crianças.

O que isso quer dizer? Como todos os ditos atribuídos a Jesucristo, a frase está aberta a interpretações. A usual, como não podia deixar de ser, é a de que ele se refere à inocência das crianças, esses anjos de candura, de alma pura e imaculada. Acontece que, desde titio Sig, essa visão idealizada sobre a infância deixou de colar, e eu gosto de pensar que Jay-C manjava um pouco mais da natureza humana do que Freud, mesmo que dois mil anos de distorções teológicas possam nos levar a crer no contrário. Então, fico com uma leitura alternativa, que pode até nem ser verdadeira, mas é verdadeira pra mim, e isso basta. Não, não me esqueci de Hartwell. Um pouco mais de paciência e chegamos lá. Continuemos com Freud, que definiu a criança como um “polimorfo perverso” e vamos ver onde é que isso nos leva.

Polimorfo perverso é uma dessas expressões freudianas sonoras, mas profundamente enganosas (como “inveja do pênis”, pra citar outro exemplo que fez as feministas arrancarem os cabelinhos). Faz a gente visualizar um pequeno Cthulhu, mas na verdade não é nada disso. Quer dizer apenas que o psiquismo infantil ainda não foi colonizado pelo superego e, dessa forma, a libido infantil está livre para se expressar de muitas formas, em contraste com o adulto bem-integrado, cuja vida afetiva flui apenas pelos canais sancionados pela moral e os bons costumes. Em outras palavras, a criança é como uma nuvem de possibilidades quânticas superpostas, um campo aberto de potenciais capazes de fluir em qualquer direção. Mais tarde, conforme o piá vai crescendo, esses potenciais vão sendo limitados, podados e canalizados em direção a modalidades normatizadas de comportamento, até que ele se torna mais “um dito cidadão respeitável que só usa dez por cento de sua cabeça animal” (salve, Raul!). Freud diz ainda que a criança é um metafísico nato. Para ela, tudo é novo e o mundo inteiro é um enigma, mas as questões que mais a incomodam são o tripé de toda investigação filosófica que se preza: quem somos, de onde viemos, para onde vamos.

Armados com os Três Ensaios Sobre a Sexualidade Infantil, poderíamos parafrasear Mt 18, 3 da seguinte forma: “Em verdade vos digo, se não vos converterdes em polimorfos perversos, para os quais tudo é novo e motivo de curiosidade, e que não perderam a capacidade de se espantar com o mundo, não entrareis no reino dos céus.” E então, entendemos porque “the golden age of science fiction is twelve”. Doze anos é o fim da infância, é o ponto exato de (des)equilíbrio entre a criança e a adolescência, esse mito que a nossa cultura foi obrigada a inventar simplesmente porque abolimos os ritos de passagem que marcam a mudança de fase da puberdade. (De fato, pode-se argumentar que, para muitos adolescentes ocidentais, a ficção científica – seja em filmes, quadrinhos ou livros – faz as vezes de ritual de iniciação, mas isso é assunto pra outro colóquio.) Aos doze anos, a mentalidade racional já está plenamente desenvolvida (ainda que não necessariamente amadurecida) mas, pelo menos no melhor dos mundos possíveis, o guri ainda não perdeu aquela capacidade de espanto perante o mundo que é a matriz e o combustível da ficção científica: nada menos que o sense of wonder.

Página de tituloDaí que, sim, como Thomas Disch reclamou tempos atrás, a ficção científica é a expressão de uma mentalidade infantil, só que, ao contrário do que ele pensava, isso não é necessariamente ruim. Alguma coisa dentro dos escritores e leitores de ficção científica estacionou aos doze anos de idade, fincou os pés nesse território liminar entre a criança e o adulto, e se recusa a sair daí. A ficção científica conserva vivo o espírito do puer aeternus, o Pequeno Príncipe que sonha voltar as estrelas e que, ao contrário do adulto plenamente catequizado, ainda é capaz de reconhecer uma jibóia engolindo um elefante, e não a confunde com um respeitável chapéu a ser usado na respeitável cabeça de um cidadão respeitável. Todos os mundos possíveis que a ficção científica é useira e vezeira em explorar não passam de disfarces, nomes de fantasia, para a Terra do Nunca, o País das Maravilhas, o território da imaginação livre – não necessariamente bela, não necessariamente idílica, utópica, mas livre.

No worst case scenario, que é o que Disch lamentava, a alma infantil da ficção científica se expressa em histórias simplórias, com personagens rasos, que dão corpo a fantasias de onipotência e gratificação. Certo, ninguém discute isso, ninguém discute que isso é ruim. Mas a moeda tem um outro lado, que é o potencial que a ficção científica oferece para nos levar ao reino dos céus.
Só que a bordo de uma espaçonave.
>> COLÓQUIOS – por Lúcio Manfredi


CRÔNICAS DE NÁRNIA: DISNEY DESISTE DO TERCEIRO FILME

sábado | 27 | dezembro | 2008

Razões logísticas e orçamentárias tiram Disney da produção do terceiro Crônicas de Nárnia

A Disney e a Walden Media confirmaram nesta terça-feira que não irão co-produzir nem co-financiar Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada, o terceiro filme da franquia, informa o site The Hollywood Reporter.

Segundo a produtora, a parceria não irá continuar devido a problemas logísticos e orçamentários. A Viagem do Peregrino da Alvorada, que deve contar com o mesmo elenco de Príncipe Caspian, já estava em pré-produção e tem data de estréia marcada para 2010.

De acordo com o The Hollywood Reporter, qualquer produtora que decidir fazer parceria com a franquia de Nárniaprecisará fazer um investimento pesado.

Para filmar o primeiro filme da série, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, foram gastos US$ 180 milhões. Já Príncipe Caspian custou cerca de US$ 200 milhões.
>> CINEMA TERRA


PAPO COM BRUCE STERLING, AUTOR DE “TEMPO FECHADO”

sábado | 27 | dezembro | 2008

Bruce Sterling, um dos fundadores do Movimento Cyberpunk  nos anos 80.
Bruce Sterling, um dos fundadores do Movimento Cyberpunk

Bruce Sterling, escritor de ficção científica e jornalista internacional, é com William Gibson um dos principais nomes do Movimento Cyberpunk, que ele ajudou a fundar na década de 1980.

O segundo romance de Bruce Sterling publicado no Brasil, Tempo Fechado (“Heavy Weather”) foi lançado há poucas semanas pela Editora Devir, de São Paulo. Antes, ele havia aparecido no Brasil com Piratas de Dados (“Islands in the Net”), romance ganhador do Prêmio John W. Campbell em 1989, foi publicado no Brasil em 1991 pela Editora Aleph. Contos de sua autoria apareceram nas revistas Isaac Asimov Magazine e Quark (onde apareceu o seu primeiro trabalho premiado com um Hugo, a noveleta “Concertador de Bicicleta”, de 1997).

Tempo Fechado é um movimentado romance ambientado num futuro em que a mudança climática que sofremos agora alterou as condições de vida da maioria da população da Terra.
Trechos desta entrevista apareceram na revista Sci-Fi News N.º 129.

Publicado originalmente em 1994, Tempo Fechado parece ser um livro verdadeiramente antecipatório quanto à mudança climática. Como você vê as transformações na compreensão geral quanto à mudança climática e ao aquecimento global, de lá para cá?
Bruce Sterling -
Coisas terríveis que os cientistas então apenas teorizavam, agora se tornaram fatos da vida real que a população em geral vem sofrendo. Infelizmente ainda estamos nos primeiros estágios dessa crise global. O pior do problema ainda está diante de nós.

Com Tempo Fechado você retirou a sensibilidade cyberpunk da mancha urbana e a jogou no mundo rural? Como situaria o romance dentro do conjunto de idéias e atitudes cyberpunks?
Considerando que Tempo Fechado é um romance sobre pessoas que caçam tornados, ele precisa acontecer numa área com um bocado de tornados. Não dá para caçar tornados no centro de Tóquio ou no eixo metropolitano Boston-Atlanta. Os caçadores de tornados tendem a ser um bando bastante grosseiro e rústico, e por isso compõem um elemento natural para um romance cyberpunk. E Tempo Fechado é definitivamente um romance cyberpunk; todos os personagens principais são rebeldes high-tech, subversivos e desajustados.

Tempo Fechado é, em sua maior parte, ambientado no Texas, o estado em que você nasceu. O que o motivou a empregar essa ambientação?
É uma ambientação fácil de alcançar. Como pesquisa para o livro eu realmente saí e cacei alguns tornados com uma equipe de televisão de Oklahoma. Não apanhei nenhum tornado, mas foi útil observar esse pessoal trabalhando.

Atormentado por uma doença respiratória crônica, Alex Unger parece ser um personagem bastante original, na ficção científica. Como ele foi criado?
O conjunto irmão e irmã no livro, que são os personagens detentores do ponto de vista narrativo, foram criados como uma dupla. Temos a irmã, Jane, que é passional, comprometida, energética e convicta no que faz, e temos o irmão mais novo, Alex, que é mais distanciado, cético e quase indiferente quanto à sua própria sobrevivência e à dos outros. Gosto de usar múltiplos pontos de vista nos livros. Acho que é importante brincar com as suposições e expectativas do leitor. O mesmo vale para os personagens: eles precisam ser desafiados, precisam ser mantidos na corda-bamba, precisam aprender coisas que não sabem, quando o livro começa.

Preocupações ambientais ou verdes também estão presentes no Movimento de Design Viridiano que você lançou. Conte-nos algo a respeito.
Acho que já fiz, com o Movimento Viridiano, tudo o que conseguiria fazer como um escritor de ficção científica. De fato, depois de dez anos de experiência com ele, terminei ensinando numa escola de design e escrevendo textos sobre design. Gostaria de poder dizer que o Movimento Viridiano evitou a crise climática ao estudá-la e ao elevar a consciência das pessoas a respeito do assunto, mas não conseguimos fazer isso. O design verde é atualmente uma idéia muito atraente e está na moda, e temos visto um bocado desse design aparecendo, mas ainda vamos sofrer com a crise. Por outro lado, tem sido agradável ver o Brasil tomar algumas decisões positivas em termos de política energética. O Brasil tem planícies de cana-de-açúcar e oceanos de álcool; cada vez que alguém se mete numa suja e sangrenta guerra por petróleo, os brasileiros devem dar risada.

Você poderia nos dar uma lista dos escritores favoritos de ficção científica da atualidade?
Gosto dos mesmos escritores de ficção científica de que sempre gostei, na maior parte já mortos. É extremamente importante para os escritores profissionais que eles leiam escritores mortos. Quanto mais e melhor você entende o seu próprio tempo e lugar, mais importante se torna desenvolver um alcance que se distancie deles. Hoje em dia minha tendência é de gastar muito tempo com escritores que escrevem em outras línguas do que o Inglês. Haruki Murakami, Ivan Pelevin, Orhan Pamuk.

Que caminhos os seus escritos estão tomando hoje?
Ainda estou escrevendo sobre o Efeito Estufa. A mudança climática tem aparecido em todos os meus romances de ficção científica. Houve um tempo em que ela era uma possibilidade, e agora é uma certeza. Meu novo romance, The Caryatids, é sobre uma sociedade mundial devastada pela mudança climática. Gosto de ser fantástico e imaginativo, mas luto mais é para ter uma postura honesta.
>> TERRA MAGAZINE – por Roberto de Sousa Causo


REINVENÇÕES DE HERÓIS ALAVANCOU BILHETERIAS NACIONAIS EM 2008

sábado | 27 | dezembro | 2008

Em 2008, as bilheterias dos cinemas brasileiros confirmaram o que já se tornou uma tendência: o sucesso dos filmes de heróis e ação entre o público nacional. A lista dos dez primeiros lugares, porém, trouxe filmes que inovaram um pouco o filão, com trama e visual mais sombrio –caso de “Batman”– ou personagens mais irônicos, como “Homem de Ferro”.

     

O filme mais assistido pelos brasileiros foi “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, com uma bilheteria que ultrapassou R$ 32 milhões de reais no país. No total, mais de 4 milhões de espectadores foram às salas para assistir o segundo filme da saga sob a direção de Christopher Nolan.

Foi ele quem deu nova vida ao personagem em “Batman Begins” (2005), depois do desgaste da série em 1997 com “Batman e Robin”, mal recebido por público e crítica. Em “O Cavaleiro das Trevas”, Nolan soube fazer uma seqüência que surpreendesse os fãs, com uma trama mais inteligente e que recupera o ambiente soturno de Gotham City dos quadrinhos originais.

O vilão Coringa deu nova vida aos filmes de Batman, desgastados no final dos anos 90
O vilão Coringa deu nova vida aos filmes de Batman, desgastados no final dos anos 90A volta do vilão Coringa, no entanto, na pele do ator Heath Ledger, foi o grande trunfo do filme. Ao contrário do palhaço brincalhão e sexagenário interpretado anteriormente por Jack Nicholson no primeiro filme do homem-morcego –”Batman” (1989), de Tim Burton– o Coringa de Ledger aparece como um maníaco, inconseqüente, masoquista e punk.

O sadismo e a agressividade dada ao personagem rendeu boas críticas a Ledger, que morreu pouco tempo depois das filmagens por causa de uma overdose acidental de remédios.

A boa atuação rendeu ao ator várias homenagens póstumas, o que ajudou a alavancar ainda mais a venda de ingressos em todo o mundo. Outro fato, menor, mas que também chamou a atenção para o filme foi a prisão de Christian Bale –que interpretou Batman– por acusações de agressão contra a mãe e a irmã em Londres.

Novos velhos heróis

Na esteira de “Batman”, outros filmes que ficaram entre as dez maiores bilheterias nacionais souberam inovar a receita já batida dos filmes de super-heróis e ação. O destaque é para “Homem de Ferro”, que ficou em terceiro lugar –com faturamento de R$ 23 milhões e público beirando os 3 milhões de espectadores.

Em “Homem de Ferro”, Robert Downey Jr. dá mais humanidade ao herói fora da armadura
Em "Homem de Ferro", Robert Downey Jr. dá mais humanidade ao herói fora da armaduraO filme, estrelado por Robert Downey Jr., também representou uma reviravolta na reputação ruim do ator nos bastidores da indústria do cinema americano. Há tempos ele não estrelava um blockbuster por causa do envolvimento com drogas e constantes brigas com produtores de Hollywood.

A boa atuação em “Homem de Ferro”, mostrando a fragilidade do personagem sem a armadura, rendeu boas críticas ao ator. Outro “homem de ferro” que se mostrou mais sensível em seu último filme foi James Bond, que em “007 – Quantum of Solace”, alcançou a nona maior bilheteria no Brasil, com 1,7 milhão de espectadores e renda de R$ 15 milhões.

Seguindo a linha do anterior, “Casino Royale” (2006), o ator Daniel Craig imprimiu ao personagem um ar mais solitário e dramático. Apesar de durão, o Bond do último filme ainda sofre com a perda de seu primeiro e verdadeiro amor, a personagem Vesper Lynd. Para muitos fãs, o filme até desagradou pela falta de cenas mais picantes.

Para Pedro Butcher, editor do portal de cinema Filme B, foi a reinvenção do perfil dos heróis –mais humanizados– que possibilitou o sucesso dos filmes de herói e ação, cujas fórmulas já vinham se desgastando há alguns anos. Prova disso foi o sucesso de “Hancock” –quinto lugar nas bilheterias brasileiras, com mais de 2,7 milhões de ingressos vendidos e renda de R$ 21 milhões de reais.

Em “Hancock”, Will Smith mostra um herói em apuros, com imagem manchada por mancadas
Em "Hancock", Will Smith mostra um herói em apuros, com imagem manchada por mancadasO filme, estrelado por Will Smith, é uma sátira explícita aos filmes de herói, mostrando as trapalhadas do personagem John Hancock. Apesar salvar vidas com seus superpoderes, ele fica com a imagem manchada em Los Angeles depois de danificar boa parte da cidade e precisa da ajuda de um relações-públicas.

“São filmes que trazem certa ironia, com trechos politicamente incorretos e que fogem do convencional”, diz Butcher. Para ele, é uma tentativa de Hollywood inovar dentro do filão que, apesar de um tanto desgastado, continua popular.

Para Butcher, o apelo dos filmes de ação continua forte, especialmente em vista do enorme investimento que é feito na divulgação dessas grandes produções. Nesse ponto, “Batman” e “Homem de Ferro” também seguem o script.

Entre os filmes que repetem a fórmula e continuam lucrativos estão “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” — quarta maior bilheteria, com renda de R$ 21,8 milhões–, “Eu Sou a Lenda” –sexto lugar, com R$ 18,3 milhões– e “A Múmia: Tumba do Imperador Dragão” — nono lugar e renda de R$ 17,5 milhões.

Selton Mello em “Meu Nome não é Johnny”; único filme nacional nas maiores bilheterias
Selton Mello em "Meu Nome não é Johnny"; único filme nacional nas maiores bilheteriasFórmulas

Compõem a lista do top 10 da bilheteria nacional os infantis “Kung Fu Panda” (terceiro lugar: R$ 26,9 milhões) e “As Crônicas de Nárnia 2″ (décimo colocado: R$ 12,2 milhões).

Uma explicação para a grande venda de ingressos neste caso foram as datas de lançamento dos filmes, em período de férias escolares. Seguindo esse caminho, “Madagascar 2″, já está cotado para o top 10 de 2009.

Completa a lista das dez maiores bilheterias no Brasil “Meu Nome Não É Johnny”, único representante nacional no ranking. O filme ficou na sétima posição, com renda de R$ 18,3 milhões e público de 2 milhões de espectadores.

Na visão de Butcher, neste caso, funcionou bem a trama já explorada em filmes nacionais como “Cidade de Deus”, “Tropa de Elite” e “Carandiru” que mistura trama de drogas, violência e história “baseada em fatos reais”.
>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Renan Ramalho


BATTLESTAR GALACTICA: THE FACE OF THE ENEMY – 2º E 3º WEBISODE

sábado | 27 | dezembro | 2008

A ação continua com mais duas partes dos dez webisódios da nova temporada de “Battlestar Galactica”. “The Face of the Enemy” (“O Rosto do Inimigo”) está cheia de revelações surpreendentes que não serão vistos na série. O tenente Gaeta é enviado num raptor com vários estranhos quando um deles morre misteriosamente.

O conflito da psicologia humanos versus cylônios se acentua no espaço restritivo da nave com toda paranóia e suspeitas entre eles. Um a um os passageiros vão morrendo em circunstâncias mosteriosas e aqueles que permanecem começam a perguntar se um cylônio é o responsável pelas mortes, ou se pode ser um dos seus – um humano.

Battlestar Galactica – The Face Of The Enemy – Webisode 02

Battlestar Galactica – The Face of the Enemy – Webisode 03


REPERCUSSÃO DE WATCHMEN NO CINEMA PAUTA DOIS LANÇAMENTOS

sábado | 27 | dezembro | 2008
watchmen_alepha

"Os Bastidores de Watchmen", inédito no Brasil, tem lançamento programado para fevereiro, um mês antes da estréia do longa-metragem no cinema

Se o grande público, que normalmente não lê quadrinhos, não sabe do que se trata “Watchmen”, muito provavelmente vai saber já nos primeiros meses de 2009. A minissérie – tida como uma dss principais obras em quadrinhos produzidas nos Estados Unidos - foi adaptada para o cinema e tem estréia prevista para março do ano que vem. As primeiras imagens da caracaterização dos personagens e do trailer têm conseguido boa repercussão na internet, inclusive na página principal do UOL, que hospeda este blog.  O burburinho em torno da adaptação cinematográfica já pautou pelo menos dois lançamentos ligados à série.

O primeiro é o relançamento encadernado dos 12 números da minissérie que pautou o filme. A confirmação de que “Watchmen” será publicado mais uma vez foi dada pela revista “Wizmania”, especializada em notícias sobre quadrinhos. O álbum – em formato de luxo - será publicado pela Panini, que também edita a “Wizmania”. A multinacional tem posto no mercado desde o ano passado diferentes obras em formato de livro visando as livrarias.

“Watchmen” – que faz uma leitura mais realista dos super-heróis – foi lançado pela primeira vez no Brasil pela Editora Abril. Foi publicada em seis edições entre novembro de 1988 e abril do ano seguinte. Cada edição trazia duas partes da minissérie. A mesma Abril lançou uma vez mais a obra em 1999, mas, desta vez, em 12 números, como a versão original. A última edição nacional foi feita pela Via Lettera, em quatro volumes, lançados entre 2005 e 2006. Essa versão ainda é encontrada nas livrarias e lojas especializadas em quadrinhos.

O outro lançamento pautado pelo filme, ao contrário do anterior, tem data de lançamento programada: fevereiro do ano que vem. É o livro “Os Bastidores de Watchmen”, escrito pelo desenhista da série, Dave Gibbons. Segundo a Aleph, editora da obra, a publicação mostra o passo-a-passo da produção da história em quadrinhos da DC Comics, a mesma de Batman e Super-Homem.

O livro deve marcar também a entrada da editora na área de quadrinhos. Delfin, editor da Aleph, diz que a empresa tem planos para o segmento. Mas ainda não adianta quais. “Por ora, posso te adiantar que o planejamento que estamos fazendo, e que ainda não podemos divulgar, envolve muitas ações bacanas, caso elas se concretizem como desejado”, diz, por e-mail. “Mas queremos deixar tudo bonito antes de qualquer anúncio.”
>> BLOG DOS QUADRINHOS – por Paulo Ramos


MULHERES DO UNIVERSO DC: O VERDADEIRO PODER?

sexta-feira | 26 | dezembro | 2008

Os meninos podem não gostar mas… o poder das mulheres está em alta. Desenhado originalmente como uma peça promocional para a DC Comics na San Diego Comic Con, esse poster traz as Mulheres do Universo DC e está agora disponível para venda. Com impressionantes 39 polegadas de largura e 24 de altura, o poster mostra Mulher-Gato, Oracle, Zatanna, Black Canary, Power Girl, Mulher Maravilha, Supergirl, Batwoman, Vixen, Poison Ivy e Harley Quinn como o verdadeiro poder do Universo DC e vestidas de noivas, retratadas pelo aclamado artista Adam Hughes.

O poster vai ser lançado para vendas em Agosto de 2009 com o preço estimado de $ 8.99 dolares.
>> OUTRA COISA – por Sissi Freire


LONGA BASEADO NA HQ ‘SPIRIT’ SERÁ LANÇADO EM FEVEREIRO

sexta-feira | 26 | dezembro | 2008

Odd Lot Entertainment, Lionsgate, Dark Lot Entertainment/Divulgação

Estamos nos anos 40, tempo em que os homens usam chapéu, paletó e gravata, os táxis são sedãs elegantes e as mulheres têm cinturas que se podem circundar usando apenas as duas mãos. Nessa época, as pessoas de bem só têm um herói para defendê-las dos meliantes e dos vigaristas: o Spirit, misterioso vigilante de máscara que corre pelos telhados de Central City combatendo a perfídia.

Pois bem: aquele herói de um tempo esquecido, criado pelo genial cartunista americano Will Eisner (1917-2005), está de volta. Pelas mãos do maior ídolo dos quadrinhos atuais, Frank Miller (criador de O Cavaleiro das Trevas, Ronin, Elektra e outros clássicos), e com um elenco estelar – Scarlett Johansson (vilã Silken Floss) e Eva Mendes (ladra sexy Sand Saref) e Samuel L. Jackson (vilão Octopus) – o destemido Spirit salta de novo sobre telhados do mundo. Na pele do Spirit, está Gabriel Macht, o primeiro a viver o personagem de Eisner na telona (já houve uma transposição para a TV, em 1987, mas foi um fiasco).
spirita
Spirit é um filme-gibi. Estréia mundialmente em 6 de fevereiro, mas na semana passada, em Nova York, foi mostrado pela primeira vez num cinema da 5ª Avenida. No sábado, elenco e diretor se reuniram com a imprensa. Miller disse que escolheu o ator que encarna o Spirit, Macht, após inúmeros testes. “Todos pareciam garotos no papel. Ele era um homem, falava como um homem. Foi por isso que o escolhemos”, explicou o diretor. Ele afirmou que estão previstas duas seqüências para a história, e que Macht assinou contrato para fazer ambas.

Já Samuel L. Jackson disse que não se importa de interpretar um personagem que, no gibi, não tem rosto (nos quadrinhos, só aparecem as luvas, o chapéu ou os braços de Octopus). “Fãs do gibi antigo ou são da minha idade ou estão mortos”, disse Jackson, 59 anos.

Eva Mendes, ao ser indagada sobre qual foi a inspiração para compor um personagem tão sexy em cena, não se conteve: “Olhe para ele”, disse, apontando para Macht. “Ele é um gato. Ele te inspira. Você se imagina a namorada dele e todo o resto vem naturalmente”, divertiu-se. Ambos são casados.
>> DIVIRTA-SE UAI

Assista ao trailer de The Spirit – O Filme


RESIDENT EVIL TERÁ HQ AMERICANA

sexta-feira | 26 | dezembro | 2008

Aproveitando o lançamento do aguardado jogo Resident Evil 5, que chega ao mercado no início do próximo ano, a Capcom (que tem um tremendo “olho grande” quando o assunto é faturar fora dos videogames) se uniu a Wildstorm (estúdio de Jim Lee que hoje pertence à DC Comics) para a produção de uma revista em quadrinhos que irá preparar terreno para a chegada do game. 

Trata-se de uma mini-série em seis partes estrelada por Chris Redfield e Sheva Alomar, e que contará passagens que não estão presentes no no jogo, funcionando como um prequel da história. O lançamento está previsto para março de 2009.
>> JBOX – por Tio Cloud


FRANK FRAZETTA

quinta-feira | 25 | dezembro | 2008

frazetta_livroa
Um dos mais influentes artistas de comics dos últimos tempos finalmente terá uma homenagem mais que justa: a Image Comics está lançando, aproveitando a época de natal, o “The Fantastic Worlds Of Frank Frazetta”, um enorme lançamento em capa dura com o primeiro livro de comics autorizado baseado nos mais famosos trabalhos de Frank Frazetta.

Frazetta é admirado abertamente por diversas personalidades de Hollywood, como Clint Eastwood, George Lucas, Steven Spielberg e Sylvester Stallone, já tendo inclusive sendo chamado para fazer diversos posters de filmes (o seu poster de “Mad Max” é um dos seus mais famosos). Já trabalhou em diversos comics, mais notavelmente para as capas de “Conan”, “Spider-Man” e “Cat Girl” (pintura pela qual Frazetta já foi oferecido um milhão de dólares – mais de uma vez!).

Segundo o editor da Frazetta Comics, Jay Fotos, “The Fantastic Worlds Of Frank Frazetta é um livro essencial para qualquer fã de Frazetta. Nós queríamos fazer deste primeiro lançamento algo tão legal quanto possível, tanto que não apenas nós trouxemos as histórias e a arte em um formato oversized, mas também incluímos todo o material extra que podíamos. Tem bem mais de sessenta páginas de material original que nenhum fã jamais viu!”.

O livro mostra os primeiros quatro trabalhos de Frank Frazetta com comic books: “Frank Frazetta’s Dark Kingdom” (Mark Kidwell e Tim Vigil), “Frank Frazetta’s Creatures” (Rick Remender e Peter Bergting), “Frank Frazetta’s Dracula Meets The Wolf-Man” (Steve Niles and Francesco Francavilla) e “Frank Frazetta’s Swamp Demon” (a introdução de “Frank Frazetta’s Death Dealer”, por Joshua Ortega e Josh Medors). E além das histórias, há ainda o material bônus, que inclui scripts, rascunhos, páginas não usadas, e muito mais!

Esta edição será lançada amanhã nas lojas norte-americanas, por incríveis trinta dólares. Uma excelente opção, que infelizmente tem pouca probabilidade de lançamento por aqui. A vantagem é que livros não são passíveis de cobranças de impostos em compras pela internet…
>> OUTRA COISA – por Lucas Sigaud


BRAD PITT, HUGH JACKMAN E VIN DIESEL COMO THUNDERCATS: FÃ FAZ TRAILER FALSO DO FILME DO DESENHO

quinta-feira | 25 | dezembro | 2008

Brad Pitt é Lion e Hugh Jackman, Tygra. Gostou?

Os fãs de “Thundercats” – o clássico desenho exibido nos anos 80 pela Globo e, mais recentemente, na TV paga – parecem estar meio impacientes com os boatos de que um filme inspirado no desenho irá surgir em 2010. Tanto que um deles resolveu unir a ansiedade à criatividade e fez um trailer para o filme da série animada!

O vídeo tem pouco mais de 2m30s de duração e mostra diversas estrelas nos papéis de heróis: o galã Brad Pitt vive o protagonista, Lion; Hugh Jackman (o Wolverine dos filmes de “X-Men” é Tygra; e o truculento Vin Diesel é o não menos bruto Panthro… Que escalação, hein?
>> SÉRIES ETC.

Assista abaixo o divertido vídeo feito pelo fã da turma de Thundera.


“PLAN 9 FROM OUTER SPACE”: CLÁSSICO TRASH TERÁ CONTINUAÇÃO EM QUADRINHOS

quinta-feira | 25 | dezembro | 2008

plan-9-from-outer-space_cartaz
Enquanto isso, tem gente achando que consegue refilmar a pérola de Ed Wood.
Plan 9 From Outer Space
, o clássico trash de Ed Wood, considerado um dos piores filmes da história do cinema, terá uma seqüência. Mas longe das telas: numa HQ, Plan 9 From Outer Space… Strikes Again, da editora Bluewater, que vai ressuscitar a luta entre zumbis e aliens na Terra.

A história se passa 50 anos depois do filme, quando uma equipe corrupta de cientistas do governo reativa a horda zumbi para atrair os aliens – de quem querem roubar a mais poderosa arma da galáxia. Somente o teórico de conspiração Eugene e sua mãe, ex-lutadora de luta livre, podem impedir o plano dos cientistas.

A HQ tem roteiro de Chad Helder e Darren G. Davis, e os desenhos são de Giovanni P. Timpano. Sai nos EUA em março. Enquanto isso, uns hereges pensam que podem refilmar o clássico…
>> OMELETE – por Erico Assis


EXTRATERRESTRES E COWBOYS: TEX, ZAGOR E MÁGICO VENTO

quinta-feira | 25 | dezembro | 2008

tex-willer31Parte I: Tex
Em geral podemos identificar um gênero literário pelos ícones que pertencem a este determinado gênero. Se estamos diante de seres com poderes fantásticos é quase certeza que se trata de uma história de super-herói, se falamos de robôs e alienígenas é provável que estamos a ler uma história de ficção científica, mas se nos deparamos com nativos americanos (índios) e cowboys estamos a ler faroeste.

Sou leitor de gibis desde criança, e meu primeiro gibi foi um gibi de
faroeste, e também sempre fui leitor de ficção científica, sendo que
tenho algumas centenas de livros de FC em minha biblioteca. Como fã
destes dois gêneros sempre me chamou à atenção histórias em que estes se misturavam.

Atualmente existe todo um gênero de ficção, conhecido como Steampunk, em que elementos típicos do século XIX, como a tecnologia a vapor, acaba por ter um desenvolvimento para além daquele que realmente teve no século XIX.

Ao mesmo tempo a narrativa incorpora outras tecnologias e elementos
que se tornaram parte de nosso imaginário apenas no século XX.
Podemos citar, para ficar apenas nos quadrinhos e no cinema, como
obras típicas deste movimento: A Liga Extraordinária de Alan Moore,
As loucas aventuras de James West (filme e série), a série O Mundo
Perdido, a HQ Rocketeer, o filme Capitão Sky e o Mundo de Amanhã, o
desenho animado Steamboy e a HQ Docteur Mystére.

Nos quadrinhos Bonelli (quase um sinónimo para quadrinhos italianos),
do qual o mais famoso é TEX, mas também já foram editados no Brasil
outros gêneros destes quadrinhos, além de dois outros faroestes que
fazem sucesso entre o publico brasileiro: Zagor e Mágico Vento,
elementos de steampunk sempre estiveram presente, assim por vezes
podemos ver extraterrestres, robôs, naves espaciais e outras coisas
impossíveis no século XIX `real’ em meio a histórias de faroeste.

Neste artigo, em três partes, pretendo comentar as aparições de
extraterrestres nas histórias de faroeste destes três personagens: Tex, Zagor e Mágico Vento. Sendo o primeiro o faroeste mais tradicional dos três, o segundo o faroeste mais fantástico e o terceiro o mais realista, mesmo quando trata de temas fantásticos. Tex, apesar de ser um faroeste mais tradicional, tem algumas histórias voltadas para temas fantásticos. Inclusive aqueles que são considerados por muitos leitores seus maiores inimigos: Mefisto, seu filho Yama e Zhenda, são feiticeiros. Em outros momentos Tex já enfrentou Vikings, lobisomens, o Sasquatch e até dinossauros. Vamos as histórias com possíveis extraterrestres:

O Vale da Lua: Em Wilcox, sopé dos Montes Dragoon, depois de um
encontro com um velho amigo chamado Ben Rufus, Tex acompanha o amigo até a mina no Vale da Lua, onde descobre que um estranho ser,
portando uma arma futurista, aterroriza os garimpeiros da região do
Vale da Lua. Este ser faz dos apaches Chiricahuas, que o consideram
filho do Grande Espírito, seus escravos. Esta história saiu em Tex
n.º 17 e Tex Edição Histórica n.º 32.

A Flor da Morte: Uma flor, trazida por um meteorito, provoca a morte
daqueles que entram em contato com ela, para resolver este enigma Tex procura a ajuda do bruxo El Morisco. História publicada em Tex n.º 65 e Tex Coleção n.º 212, 213 e 214

Um mundo Perdido: Tex Miller, Kit Carson, Jack Tigre e Kit Miller, em uma expedição ao monte Rainer encontram seres de pele escamada e o que pode ser uma nave extraterrestre. História publicada em Tex nº 188 e 189.

A Ameaça do Espaço: um meteorito, carregado com estranhos microorganismos, provoca mutações em diversas pessoas, que transformam-se em horrendas criaturas. O primeiro homem contaminado pelos microorganismos foge da perseguição imposta por Tex e acaba por contaminar toda uma tribo indígena, então estes contaminados iniciam uma trilha de massacres e novas contaminações até que são detidos e mortos por Tex e Kit Carson. História publicada em Tex nº 333, 334 e 335.

Nestas histórias de Tex nota-se uma profunda influência do mestre do
terror cósmico H. P. Lovecraft, devido a origem enigmática destes
supostos extraterrestres, a história A Ameaça do Espaço tem nítidas
similaridades com o famoso conto A Cor que caiu do Céu, conto
clássico de contaminação por organismo extraterrestre. A nestas
histórias também uma perplexidade e estranhamento dos personagens
frente ao mistério extraterrestre que também são típicas das histórias de H. P. Lovecraft. Estranhamento este perfeitamente compreensivo, tendo em vista que estamos falando de um homem do século XIX (Tex) frente a um fenômeno para o qual sua cultura não o preparou para entender (extraterrestres).
 

zagor1Parte II: Zagor

Zagor é uma mistura de Tarzan ou Fantasma com Tex. Para criar um Zagor basta bater em um liquidificador um cowboy, um aventureiro pulp e um super-herói, e ter o talento de Guido Nolitta (roterista criador do personagem). O nome Zagor é uma abreviação de Za-gor-te-nay, ou seja, “O espírito da machadinha”. Zagor possui extraordinários reflexos e dotes atléticos e é extremamente hábil no uso de sua machadinha. Os seus feitos, além da impressão causada por suas vestes (azul e vermelha, com um símbolo enorme no peito) e por seu grito de guerra (AAHHYAAKK!) o fazem ser considerado pelos índios como uma espécie de semi-deus enviado por Manitú.
O herói vive naquela que seria a época da consolidação dos Estados Unidos como nação e início da expansão americana para o Oeste, mais ou menos nos anos de 1830. Nesta época os Estados Unidos já haviam adquirido (em 1803), através de compra, o enorme território da Louisiana, que dobrou a extensão territorial do país. Uma segunda guerra sem vencedores tinha sido travada com os britânicos, a Guerra de 1812, os Estados Unidos também tomaram a força a Florida Ocidental (administração de James Madison) e compraram a Florida Oriental (administração Moore).
Já na década de 1830, o governo federal deportou forçosamente tribos indígenas do sudeste do país para territórios menos férteis no oeste. Este caso foi parar na Suprema Corte americana, que julgou o caso a favor dos indígenas. Mesmo assim, o Presidente americano na época, Andrew Jackson, ignorou o mandato da Suprema Corte. Esta história foi contada numa das melhores histórias já escritas de Zagor “A Longa Marcha” , publicada em Zagor Especial 8 e 9, em um total de 330 páginas de aventura.

 

Na fictícia floresta de Darwwood, que teoricamente existiria no triângulo que forma as fronteiras dos estados da Pensilânia, Virgínia Ocidental e Ohio mora Zagor, que busca defender os indígenas do local (vale destacar que nenhuma reserva indígena existe atualmente nesta área). Além das tradicionais histórias de faroeste, como aquela apresentada no recente Zagor Especial 30 anos de Brasil “Homens na Tempestade”, Zagor também se vê as voltas com vampiros, druidas, lobisomens, robôs, mutantes, bandidos super inteligentes e até extraterrestres.

 

 

Na história “O Raio da Morte”, Zagor n.º 6 da Editora Record (edição muito lembrada pelos fãs do personagem por ter tido 432 páginas de história, graças ao empenho editorial de Otacílio d’Assunção Barros, ou simplesmente OTA, o eterno editor da MAD no Brasil), Zagor enfrenta alienígenas do planeta Akkron, aliados ao cientista Hellingen, no meu entender o inimigo mais perigoso de Zagor. Na história Zagor quase é derrotado pela tecnologia superior dos
alienígenas (vale lembrar que estamos em 1830, e nem se quer temos rifles de repetição).

Por fim Zagor consegue vencer os alienígenas, para tanto usar armas místicas, que anteriormente foram usadas por um lendário guerreiro indígena. Pode até parecer uma histórias absurda, um sujeito que luta com arco e flecha contra alienígenas, mas no trama geral da história este aparente absurdo se torna coerente, em uma história muito bem escrita. Recentemente o cientista Hellingen reapareceu nas histórias de Zagor ainda tentando usar a tecnologia dos alienígenas de Akkron para vencer Zagor (Zagor Extra, Editora Mythos, n.° 41 e 42).

Mais recentemente na revista mensal de Zagor n.° 81 e 82 (Mythos Editora) foi publicada a história em duas parte O fogo que veio do Céu (1º parte ) e Ameaça Alienígena (2º parte), nesta história uma nave alienígena cai em Darkwood. Zagor e Chico vão investigar o local do impacto e descobrem que um dos pilotos, de aparência monstruosa, está morto, enquanto outro sobreviveu e vaga pela floresta. Alguns caçadores e índios se depararam com o monstro e entram em confronto com o mesmo.

Enquanto Zagor sai atrás dos rastros do extraterrestre, Chico alertar a aldeia Onondaga que fica próxima sobre a ameaça. Mas quatro guerreiros saem à caça do monstro ao mesmo tempo em que um caçador (que assassinou um homem e uma mulher numa fazenda) se aproveita para jogar a culpa dos homicídios no alienígena.

Quando Zagor consegue fazer contato com o alienígena descobre que ele não é a ameaça que todos pensam, mas, não convence um grupo de caçadores que passa a perseguir Zagor e o alienígena. Por fim o alienígena é resgatado por outra nave e todos compreendem o erro de julgamento cometido sobre o alienígena (perpetuado pelo caçador que queria esconder seus crimes).

Vale ressaltar que o alienígena presente nesta história tem semelhança visual com aquele do filme “O Predador” estrelado por Arnold Schwarzenegger, enquanto os alienígenas da história “O Raio da Morte “, os akkronianos, tinham semelhança visual com os tradicionais Grays, aqueles alienígenas cinzentos que são capas de revistas de ufologia e aparecem em séries como Taken e Arquivo X. É isso ai! No próximo mês teremos a terceira e última parte deste artigo, agora comentando uma aparição alienígena nas histórias de Mágico Vento.

magico-vento1aParte III: Mágico Vento

Mágico Vento é uma das melhores HQs seriadas que já aportou em terras brasileiras. Cada história é mais surpreendente que a outra, sem falar que os roteiros são bastante diversificados, com histórias de faroeste, terror (em geral envolvendo mitologia indígena),
misticismo, espionagem, guerra e intrigas políticas.
Entre tal variedades de temas, certamente não podia faltar uma história de ficção científica. História esta publicado no n.° 41 “Os
Replicantes”. Mas antes de comentar esta história em especifico vamos falar um pouco do personagem Mágico Vento.
Mágico Vento é na verdade o nome indígena de Ned Ellis, único soldado sobrevivente de um massacre, ocasião esta em que teve cravado em sua cabeça um estilhaço de metal, este lhe proporcionou o dom de ter visões, mas lhe causou a perda de sua memória.

 

Ned Ellis é então encontrado pelo xamã Cavalo Manco dos Sioux, indigenas do norte dos Estados Unidos, e uma das ultimas nações indigenas a se render aos brancos, após a famosa batalha de Little Big Horn. Nesta batalha, juntos a outras nações indigenas, os sioux derrotaram a 7° Cavalaria dos Estados Unidos sob o comando do General George Armstrong Custer.

 

 

Reconhecido por Cavalo Manco como um Waaytan (homem que tem o dom da visão), Ned Ellis passa a ser conhecido como Mágico Vento, e se torna um xamã sioux, treinado para substituir o velho Cavalo Manco. No decorrer de suas aventuras Mágico Vento estará envolvido com questões indigenas (tanto em batalhas como em seu papel como xamã), mas também com intrigas políticas (envolvendo uma poderosa sociedade secreta) e também tentando recuperar seu passado perdido.

Diversos personagens perpassam as histórias de Mágico Vento, mas é Willy Richards, um jornalista tão idêntico ao escritor Edgar Allan Poe que recebeu o apelido de POE, o companheiro inseparável de Mágico Vento, e aquele que da o norte das aventuras de espionagem desta série criada por Gianfranco Manfredi.

Manfredi é roterista, cineasta e romancista de grande renome na Itália, e com Mágico Vento criou um westerm inovador, misturando diversos gêneros, com uma diferença de outros faroestes como Tex e Zagor. Enquanto Tex tem apenas histórias dispersas fretando com outros gêneros, esta é a tónica de Mágico Vento, mas se em Tex certas aventuras são pouco críveis, assim como em Zagor, Mágico Vento consegue ser extremamente realista, mesmo quando estamos a volta com demônios e outras entidades místicas.

Na aventura “Os Replicantes” (n.° 41), Mágico Vento e Poe deparam-se com um atormentado jovem em uma instalação que serve como bar, pensão e mercearia. O jovem tem um pesadelo e acidentalmente começa um tiroteio, que só não vira um massacre devido a intervenção de Mágico Vento e Poe. Logo após o confronto índios da nação Mandan chegam e levam embora o misterioso jovem, que deixa para traz seus diários.

Nestes diários Poe e Mágico Vento ficam sabendo da existência de um Observatório Astronómico nas imediações, no qual Theo (nome do rapaz) trabalha como ajudante de um astrônomo, assim como os índios mandans que o levaram. Em uma noite de observação os dois presenciaram a queda de um meteoro, que traz em seu interior misteriosos ovos, após algumas observações descobre-se que estes ovos contém um liquido replicante, capaz de criar copias iguais de qualquer animal. O astrônomo decide então testar o liquido em um índio mandan, descobrindo-se que pode-se replicar até seres humanos, entretanto a copia é sempre mais forte que o original e acaba por matar o mesmo.

Theo atormentado foge para alertar a comunidade científicas destas experiências, mas como já o sabem Mágico Vento e Poe, ele foi capturado novamente pelos índios Mandan que servem o astronômo.

Neste ínterim Mágico Vento conta a Poe a lenda das três raças, lenda indígena segundo a qual as três raças humanas teriam sido criadas a partir da queda de meteoros trazendo um líquido misterioso. O meteoro que caiu no mar, criou os brancos; o que caiu na lama, criou os negros; e o que caiu no solo firme, criou os indigenas (a raça amarela não aparece na lenda que foi elaborada provavelmente antes de qualquer contato entre indigenas e pessoas desta raça).

No decorrer da história ficamos sabendo que o novo meteoro descoberto por Theo e pelo astrônomo esta, a partir das copias feitas pelo astrônomo dos índios mandans, produzindo uma nova raça, mais forte, para dominar a humanidade. Por sorte Mágico Vento e Poe destroem o líquido alienígena, após um terrível confronto com as copias já produzidas.

Uma belíssima história, com roteiro impecável de Manfredi e desenhos super realistas de Sicomoro, que juntos conseguem apresentar ao leitor uma história unindo faroeste, ficção científica e terror.

Mesmo com tantos gêneros se entrecruzando à história consegue ser bastante crível e em nem um momento corre o risco de virar um pastiche, como poderia facilmente acontecer com um roterista menos talentoso.

Em nossos próximos artigos abordaremos outras histórias de Mágico
Vento, dando ênfase não só nas histórias em si, mas também no rico
contexto criado por Manfredi.
Por Edgar Indalecio Smaniotto, filósofo, mestre e doutorando em Ciências
Sociais. Contato: edgarsmaniotto@gmail.com
Publicado no Jornal GRAPHIQ 22, 23 e 24 (set./out./nov.), 2008.


GABRIEL GARCIA MÁRQUEZ: MEMÓRIA DE MINHAS PUTAS TRISTES

quarta-feira | 24 | dezembro | 2008

memoria-de-minhas-putas-tristesGabriel García Márquez tornou-se um daqueles autores que ficam nas estantes de clássicos da literatura e muitas vezes são deixados de lado por medo. Esse autor colombiano recebeu o cobiçado Prêmio Nobel de Literatura pelo seu livro Cem Anos de Solidão, que se tornou tão importante para a literatura hispânica que a Real Academia Española subsidiou uma edição de luxo, com preço muito acessível para divulgar a obra.

Contudo, a mesma obra que lhe dá toda a sua importância e respeito da crítica é o que com o tempo vai afastando seus leitores. A associação dele com Cem Anos de Solidão é imediata, contudo, é um texto complexo, hermético e que comporta milhares de leituras, interpretações e estudos.

Memórias de Minhas Tristes vai na contra-mão disso. Desde o título, o livro tem toda a cara de best-seller, não por ser a melhor obra da literatura, mas por ser algo interessante, agradável, para todos. Vale notar que nem por isso ele é uma obra inferior. Alguns críticos reclamam deste livro, dizem que com ele, García Márquez se vendeu. É uma forma de se ver. Certamente essa foi uma obra lucrativa, publicada em 2004, hoje já esgotou diversas edições e continua sendo vendido e descoberto por novos leitores.

Ao invés de pensar nesse livro como algo ruim, algo que não chega aos pés da obra de García Márquez, deveriam olhar por outro lado, como uma porta de entrada para o trabalho do autor para aqueles que  não o conhecem e que acabam fugindo dos textos mais herméticos dele.

Memórias de minhas putas triste relata a história de um velho que sempre foi medíocre em tudo que fez, viveu uma vida sem grandes realizações e, principalmente, sem amor. Um professor e escritor aposentado que vive uma vida simples em um casarão herdado dos pais e cuja as únicas atividades se resumem a escrever uma crônica semanal para um jornal local e algumas eventuais resenhas de  apresentações de música clássica. Esse senhor, ao completar 90 anos, decide pedir para uma velha conhecida cafetina que lhe arranje uma jovem virgem para aquela noite.

Essa idéia súbita desencadeia um processo que vai mudar a vida do velho e, nesse livro de memórias, ele relata o ano que segue a partir dessa noite onde ele descobre duas coisas que atormentariam a maioria dos homens: a impotência e um amor.

Chegaria a ser redundante dizer que o amor que ele descobre é insensato, pois todos os grandes amores tem sua dose de insensatez. O mais correto seria dizer que, nesse texto, García Márquez dá um outro enfoque para o amor platônico. O velho se apaixona, por uma garota que é uma bela adormecida. Ela nunca fala com ele, mas continua ali, sempre perfeita, dormindo ao seu lado em um quarto do puteiro que ele toma como exclusivo seu.

Vale dizer que, ao passo que ela não fala com ele, ele fala constantemente com ela, principalmente por seus textos. Suas crônicas semanais que sempre ficaram perto de serem canceladas pelo jornal que exigia que ele se atualizasse – e ele retoricamente respondia que “o mundo se move, mas em círculos em torno do sol”- tornam-se um grande sucesso. Seus textos são comentados por todos na cidade, as palavras de amor que ele escrevia, o sentimento que ele colocava em qualquer assunto despertou a atenção dos leitores que queriam ouvir cada vez mais, sem saber que o que estava escrito ali eram partes de um monólogo com uma garota virgem que dividia a cama com o velho escritor.

Obviamente tem muito mais do que isso no livro. É interessante notar principalmente a forma como ele constrói a garota em sua mente, a forma platônica que esse amor vai assumindo, ao ponto de qualquer coisa que altere a imagem por que ele se apaixonou possa causar um acesso de ira.

No geral, Memória de minhas putas tristes é um livro para você se divertir, passar uma tarde acompanhando as reflexões do fim de uma vida longa e triste e encontrar um outro sentido para a expressão “cem anos de solidão”. Mesmo que os críticos resmunguem, não se assuste, conheça a visão peculiar de Gabriel García Márquez e, quem sabe, leia outras obras. >> POP BALÕES


JOSÉ SARAMAGO

quarta-feira | 24 | dezembro | 2008

A TV Cronópios acompanhou a coletiva de imprensa que José Saramago concedeu na sala de eventos do Consulado Geral de Portugal em São Paulo. E registrou também a abertura da exposição José Saramago: a consistência dos sonhos, montada e em cartaz no Instituto Tomie Ohtake.

Imprensa paulistana em peso nos dois eventos. Perguntas meio bobas de representantes dos principais veículos de comunicação. Saramago tendo de falar de ecologia, por exemplo… foi engraçado… Mas nós também não fizemos nenhuma pergunta brilhante…

Personalidades do mundo político e cultural no evento de inauguração da exposição. Coquetel badalado, sofisticado. Lançamento do livro A viagem do Elefante pela Companhia das Letras.

Saramago está se recuperando de grave doença, e ainda um pouco debilitado e muito magro, enfrentou uma maratona de eventos nessa sua passagem por São Paulo. Veja tudo pelos olhos da TV Cronópios!


                      Assista agora na TV Cronópios Clique aqui
 

   Release da Exposição

Com curadoria de Fernando Gómez Aguilera, diretor da Fundação César Manrique, José Saramago: a consistência dos sonhos, dedicada ao Prêmio Nobel de Literatura (1998), analisa obra e vida do escritor tanto da perspectiva de sua transcendência no mundo da literatura universal como de sua dimensão sociopolítica. Concebida por ocasião do 85º aniversário do autor de Ensaio sobre a Cegueira, a mostra é resultado de dois anos de intenso trabalho de investigação, não apenas desde o momento do reconhecimento internacional, a partir de 1982, mas também abordando períodos menos conhecidos de sua trajetória.

A exposição reúne em torno de 500 documentos originais, entre eles, poesias inéditas, e outros tantos digitalizados que são apresentados através de um desenho inovador que combina os recursos convencionais com os suportes digitais e audiovisuais, empregando mais de 50 monitores. O abundante material traz obras inéditas, manuscritos, notas pessoais, primeiras edições, traduções, fotografias, vídeos, gravações originais, etc, que traçam a vida literária do escritor, assim como exploram as chaves de seu imaginário.

Seguindo uma ordem cronológica, a mostra é pontuada por quatro instalações desenvolvidas por Charles Sandison especialmente para o projeto. Conhecido internacionalmente desde a sua participação na Bienal de Veneza em 2001, o artista escocês, que vive na Finlândia, a partir de programas de computador criados por ele e utilizados como suporte de sua obra, gera projeções sobre telas ou sobre as paredes (Jangada de pedra, Todos os nomes, Manual de pintura e caligrafia e Hermes). >> TV CRONÓPOLIS


Exposição: José Saramago: a consistência dos sonhos

Até 15 de fevereiro de 2009, de terça a domingo das 11h às 20h 
Entrada franca

Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés) – Pinheiros SP
Fone: 11.2245-1900

 

 


“A INVENÇÃO DE HUGO CABRET”: A MEIO CAMINHO ENTRE FILME E LIVRO

quarta-feira | 24 | dezembro | 2008

hugo-cabret2A Invenção de Hugo Cabret é possivelmente a mais interessante proposta literária deste ano, e uma maravilhosa prenda de Natal para todas as idades. Concebida por Brian Selznick como uma mistura de storyboard e narrativa, apresenta uma união original e única entre imagem e texto, uma vez que cada painel ou conjunto de paineis, desenhados a carvão e ocupando ambas as páginas, como se o livro fosse uma tela de cinema, dá passagem para a explicação e narração em texto convencional. O livro, além de interessante, é um objecto bonito e cuidado, e inclusive a editora portuguesa, Gailivro-Leya, teve o cuidado de reproduzir fielmente a edição original ao mesmo tempo que manteve o custo suficientemente acessível para uma obra desta dimensão (não se assustem com o número de páginas pois dada a natureza do livro, torna-se uma leitura ligeira). E a história? De acordo com a editora:

Paris, anos 30. Hugo Cabret vive clandestinamente na estação de trem. Esgueirando-se por passagens secretas, o menino cuida do funcionamento dos gigantescos relógios do lugar. Ele precisa manter-se invisível porque guarda um incrível segredo. Descoberto pelo severo dono da loja de brinquedos e por sua curiosa afilhada, todos os seus planos entram em perigo… Um valioso caderno, uma chave roubada, uma mensagem cifrada e um passado esquecido estão no centro dessa misteriosa aventura.

hugo-cabret_tremA invenção de Hugo Cabret oferece uma diferente e emocionante experiência de leitura. O autor, Brian Selznick, compôs a trama com textos e ilustrações que desenvolvem a história como em um story-board de cinema. A interação entre realidade e ficção é outro dos pontos fortes do livro, que o torna uma fonte de conhecimento. A obra recria uma época-chave da história da humanidade: a industrialização européia, o auge das ferrovias, o mecanicismo (aplicado às artes, à mágica, à relojoaria) e o surgimento do cinema.

Considerada uma obra-mestra pela crítica mundial, a edição inglesa, publicada em março de 2007 pela Scholastic – editora do Harry Potter nos Estados Unidos –, vendeu 300 mil exemplares em três meses. O sucesso não pára por aí. Atraídos pela singularidade da obra, os estúdios Warner Bros. compraram os direitos para sua adaptação ao cinema e já negociam com o diretor Martin Scorsese.
>> TECNOFANTASIA – por Luís Filipe Silva


LIVRO SOBRE QUADRINHOS MARCA PRIMEIRA COLETÂNEA DO QUARTO MUNDO

terça-feira | 23 | dezembro | 2008
pratica-de-escrita_capaa1

"Prática de Escrita: Histórias em Quadrinhos" começou a ser vendido neste fim de semana.

O livro “Prática de Escrita: Histórias em Quadrinhos“, lançado neste sábado à noite, em São Paulo, é mais do que o nome sugere. Não se trata apenas de uma obra sobre a linguagem dos quadrinhos e sua relevância pedagógica como prática de leitura e escrita. É também uma coletânea – a primeira – do movimento do Quarto Mundo,  selo independente que reúne autores de quadrinhos de diferentes partes do país. Das 108 páginas do livro, 86 são dedicadas à recente produção independente brasileira.

“Prática de Escrita: História em Quadrinhos” pinça narrativas quadrinísticas de diferentes momentos e autores, apresentadas em ordem cronológica. As duas primeiras são de 2002. As últimas, deste ano, uma delas inédita. As histórias iniciais são de uma época em que o Quarto Mundo ainda nem tinha se firmado como movimento independente. O grupo lançou o selo oficialmente no 5º FIQ -Festival Internacional de Quadrinhos-, realizado em Belo Horizonte em outubro de 2007.

O movimento completou, portanto, pouco mais de um ano de existência, embora já se percebessem iniciativas no sentido de uma união desde o primeiro semestre de 2007. O que o livro faz é o primeiro registro escrito do grupo, algo que, por isso, adquire valor histórico. O inusitado é que não era essa a função original da obra. A proposta era usar as histórias como apoio teórico para a inserção dos quadrinhos no ensino da Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo.

A idéia partiu do pró-reitor de graduação e titular de língua portuguesa da universidade, Carlos Andrade. Com apoio do editor e produtor cultural Silvio Alexandre, converteu o conceito em realidade. O lado teórico do livro é percebido num artigo de oito páginas, no fim da obra, assinado por Andrade e pelo desenhista Octavio Cariello. Os dois evidenciam o novo papel dos quadrinhos na área de ensino, tardiamente oficializado como prática didática e de leitura pelo governo federal.

Os autores ancoram o texto em conceitos da Lingüística Textual e aproximam os quadrinhos do conceito de gênero, proposto pelo russo Mikhail Bakhtin. Para o pesquisador russo, muito influente na área da Lingüística, gêneros são “tipos relativamente estáveis de enunciado” usados em uma situação sócio-comunicativa. Com base nesse conceito, Andrade e Cariello sintetizam as principais características da linguagem devidamente ilustradas com os próprios recursos dos quadrinhos.

O senão da obra – que custa R$ 15 – é encontrá-la para comprar. Os interessados podem procurar por ela em lojas especializadas em quadrinhos que trabalhem com material independente do Quarto Mundo. Ou procurar por mais detalhes no site do grupo, que pode ser acessado neste link
>> BLOG DOS QUADRINHOS – por Paulo Ramos


TURMA DA MÔNICA JOVEM: HERÓIS “CRESCIDOS”

terça-feira | 23 | dezembro | 2008

Turma da Mônica Jovem, o mais novo projeto de Mauricio de Sousa, traz os mais conhecidos personagens dos quadrinhos nacionais na adolescência, em novas aventuras

monica-jovem

“Eles cresceram!” Esta frase, estampada na capa da primeira edição, resume bem as mudanças pelas quais passaram a turminha de personagens mais famosa dos quadrinhos brasileiros. Trata-se de TURMA DA MÔNICA JOVEM, o mais novo projeto de Mauricio de Sousa, o mais bem-sucedido e famoso artista brasileiro de quadrinhos, que chegou às bancas de todo o país em agosto último, em publicação pela Panini Comics, que já edita as revistas da Turma da Mônica desde 2007. O lançamento oficial da publicação foi feita na última 20ª Bienal Internacional do Livro, realizada na Capital paulista em agosto. Mas os fãs e leitores já tinha tido a oportunidade de ver uma prévia da nova publicação em julho, quando foram distribuídos em dois grandes eventos de animação japonesa, uma edição “zero”, apresentando a nova versão dos personagens.

Como o próprio nome diz, a Turma da Mônica agora são “jovens”, adolescentes. Se nas revistas tradicionais, os personagens sempre foram crianças, com idade de cerca de 6 ou 7 anos, agora eles têm nada menos do que 16 anos, em plena adolescência, com um visual diferente, mas que ainda remete à velha aparência dos personagens que os leitores conhecem. O estilo de desenho também é ligeiramente diferente, enfatizando o tom diferente desta nova versão da turminha mais famosa dos quadrinhos nacionais.

Criador dos personagens, Mauricio de Sousa diz que sempre recebeu pedidos dos leitores que queriam e gostariam de ver os personagens mais “crescidos”. O projeto começou a ser desenvolvido no estúdio, e depois de meses de planejamento, finalmente tomou forma, chegando agora às bancas. A idéia é editar a revista durante um período para testar e sentir a receptividade dos leitores à nova versão dos personagens e às novas histórias e estilo de desenho, para depois então abordar questões mais amplas e pertinentes à adolescência, como namoros, sexo e até drogas, assuntos que não teriam espaço nas revistas tradicionais. “Nesse começo, como é natural, haverá um estudo do terreno em que estamos caminhando, mas minha idéia é usar a Turma da Mônica Jovem para ‘falar’ com os leitores sobre esses assuntos, sim. De uma maneira muito bem estudada. Como se fosse de pais para filhos”, afirma o pai da Turminha, em declaração sobre o projeto.

A idéia, com a Turma da Mônica Jovem, é basicamente ampliar o público leitor. E, para aqueles que possam achar que com isso os quadrinhos originais serão esquecidos, eles podem ficar tranqüilos. Esta é apenas mais uma revista, uma nova versão, dos personagens. As revistas com a Turminha original – ou seja, ainda formada por crianças – continuam e continuarão saindo todos os meses, pela Panini. Este novo projeto não interferirá com as publicações tradicionais, que continuam a ser campeãs de vendagem de quadrinhos no mercado nacional.

A nova revista teve uma aceitação espetacular por parte dos leitores. A tiragem inicial esgotou-se com incrível rapidez, sendo necessária novas tiragens para suprir a demanda, que surpreendeu tanto a Panini como a Mauricio de Sousa Produções. A excelente receptividade motivou a realização, neste mês, de um evento específico para tratar do lançamento do novo título, que foi feito durante os dias 9 e 13 de setembro, no Piso Perdizes do Shooping Bourbon, na cidade de São Paulo. O evento contou com uma exposição e palestra mostrando os estudos da criação dos novos personagens, apresentou exibição de clipes em telões e show dos personagens ao vivo, com a presença do Cascão e Magali junto aos personagens Mônica e Cebola, apresentados na última Bienal Internacional do Livro de São Paulo, além de sessões específicas destinadas à imprensa, e também sessões de autógrafos com o próprio Mauricio de Sousa.

A nova revista tem distribuição nacional, 132 páginas, em preto-e-branco, no formato 16,0 cm x 21,4 cm, com lombada quadrada, com preço de lançamento de R$ 5,90. A publicação usará a linguagem tradicional dos mangás e, nas aventuras que serão publicadas, também falará das questões da adolescência, mescladas com muito humor e aventura, para um público que já leu as histórias da Turma da Mônica e busca novidades.

“Faz tempo que eu tinha vontade de criar essa possibilidade, mas foi preciso pesquisar e estudar para unir o estilo mangá com as nossas histórias”, conta Mauricio de Sousa que, juntamente com sua equipe, passou mais de seis meses trabalhando no projeto. Mauricio há muito tempo já era um admirador dos quadrinhos nipônicos, chegando inclusive a tornar-se amigo pessoal de ninguém menos do que Osamu Tezuka, o “deus” do mangá, com quem se encontrou diversas vezes, até pouco antes da morte do artista japonês.

Na primeira edição, ficam evidentes as influências dos quadrinhos nipônicos na nova versão adolescente da Turma da Mônica: o traço dos personagens, que em sua versão tradicional já podiam ser considerados como uma variação do traço dos mangás (como os enormes olhos que os personagens sempre tiveram), agora estão muito mais similares às HQs nipônicas. Vários efeitos visuais comuns nas histórias japoneses também estão presentes, e até o traço de um ou outro personagem é inspirado diretamente dos mangás. Quem já é um leitor assíduos dos quadrinhos orientais que atualmente são publicados no Brasil vai notar a semelhança, tanto de algumas idéias, quanto do traço que as inspirou.

Nesta edição de estréia, além de uma reapresentação da turma em sua nova idade, inicia-se uma aventura com Mônica e seus amigos a enfrentarem uma vilã chamada Yuka, que tem ligações com o passado do Japão, além de rever um velho e conhecido inimigo da turma que agora faz uso de talismãs mágicos orientais para empreender seus planos malignos, além de contar com um novo nome e visual repaginado, bem ao estilo das publicações nipônicas. E, como nos mangás, a história, chamada de “4 Dimensões Mágicas”, tem continuação no próximo número, com nossos heróis tendo de enfrentar uma aventura por mundos estranhos, onde poderão encontrar as chaves da vitória contra a perversa Yuka.

As opiniões dos leitores ficaram meio divididas com relação ao novo visual da turma adolescente. Para alguns, foi uma mudança bem-vinda, que permitirá criar um novo padrão de histórias que não se encaixariam nos personagens crianças, além de permitir uma gama maior de assuntos, além de aprofundar o desenvolvimento dos personagens. Para alguns, especialmente os mais “puristas”, os personagens adolescentes cederam espaço ao “careta” politicamente correto, perdendo as principais características que os diferenciavam, e tornando-os “pasteurizados”, sem maiores atrativos.

A nova versão da turma ganhou elogios de profissionais da área médica, devido ao fato de eles estarem mais preocupados com a saúde. O Cebolinha finalmente fez tratamento para sua dislalia, e por isso está falando corretamente, apesar de alguns escorregões de vez em quando. O Cascão parou de fugir do chuveiro, e agora toma banho, mesmo não gostando, cuidando de sua higiene. E a Magali, apesar de ainda ser gulosa, não sai comendo tudo pela frente, tomando o cuidado de balancear sua alimentação para evitar problemas de saúde. Mas, apesar dos elogios, também houve críticas: a Mônica ainda continua com seus dentões, o que para eles, ainda é um problema que pode significar males à saúde. Mauricio de Sousa não descarta corrigir isso no futuro. Segundo ele, as mudanças nos personagens eram necessárias pelo fato das novas gerações serem muito mais conscientes de cuidar da saúde do que antes, e não dava para manter algumas “manhas” de crianças, como por exemplo, a ojeriza a água do Cascão.

Mas não foram apenas a Mônica, o Cebolinha, o Cascão e a Magali que mudaram com seu novo ar adolescente. Com o andamento das histórias, vários outros personagens da turma darão suas novas caras, mostrando como ficaram. Na primeira edição, já temos o Franja (Franjinha), e o Céuboy (Anjinho), mostrando como estão nesta nova fase. E Mauricio não descansa quando o assunto é seu novo projeto: o autor revelou no evento realizado no Shooping Bourbon que tem planos de lançar uma série em animação (em estilo japonês, claro) da turminha agora adolescente, que pode ter sua estréia no ano que vem, sem prometer nenhuma data firme. Pelo visto, a nova versão vem para ficar. Agora, é curtir as novas aventuras dessa nova Turma da Mônica adolescente.

monica-jovem_todos

OS PERSONAGENS, AGORA ADOLESCENTES

Mônica: Apesar de não ser mais aquela “baixinha dentuça” que tanto o Cebolinha a chamava, ela ainda continua com seus dentões, e vez por outra continua dando suas coelhadas nos desaforados, além de exibir sua tradicional grande força e gênio marcante. Continua a líder da turma, e deixou de vez para trás aquele vestidinho vermelho que tanto a caracterizou quando criança.

Cebola: Eis o nome pelo qual o Cebolinha prefere ser chamado agora. Seu cabelo cresceu finalmente, embora ainda mantenha o velho formato, e também passou a falar direito, graças a um tratamento fonoaudiólogo para curar sua dislalia, que vez por outra ainda dá as caras, quando o rapaz está nervoso, em especial perto de garotas. Se quando criança ele queria “dominar” a rua, agora ele quer conquistar o mundo: criou um site personalizado, e vive colocando mil e uma idéias em prática. E, como é difícil abandonar certos hábitos, ainda vive importunando a Mônica…e levando algumas coelhadas.

Cascão: outrora o rei das fugas do banheiro, o garoto finalmente passou a tomar banho, embora não muito frequentemente. Adepto dos esportes radicais, ele ainda conserva alguns hábitos da infância, como o fato de seu quarto continuar tão bagunçado quanto sempre, para desespero da mãe, que não vence limpar o recinto.

Magali: a pequena comilona continua com um apetite monstruoso, ainda mais agora que está em fase de “crescimento”. Mas passou a cuidar da qualidade de sua alimentação, a fim de cuidar do corpo e evitar exageros. Meiga como ela só, ainda ama gatos (e não fica apenas nos bichanos).

>> POP BALÕES – por Adriano de Avance Moreno


12º FILME DE PÓKEMON ANUNCIADO

terça-feira | 23 | dezembro | 2008

pokemona

Como todo ano, mais um filme de Pokémon será exibido no Japão. Completando a trilogia da saga Diamond & Pearl, já foi divulgado o trailer de Pocket Monsters Diamond to Pearl Gekijouban: Chiyoukoku no Jikuu (À Conquista do Espaço-Tempo, segundo tradução de fãs do site Poképlus). O trailer mostra que haverá uma grande batalha entre os pokémons Dialga, Palkia e Giratina, estrelas dos dois filmes anteriores.

Ainda segundo o site Poképlus, o décimo longa da série, The Rise of Darkrai, já foi dublado e aguarda uma exibição no Cartoon Network sob o nome de O Pesadelo de Darkrai.

Em tempo: a RedeTV começou ontem a exibição do nono ano da série, Pokémon Battle Frontier. É a primeira temporada que foi editada pela Pokémon USA, e não mais pela 4Kids.
>> ANIME PRÓ


GIANFRANCO MANFREDI ENCERRARÁ MÁGICO VENTO EM 2010

terça-feira | 23 | dezembro | 2008

magico-vento61Há alguns dias foi divulgada na Itália a informação de que o roteirista Gianfranco Manfredi encerrará o fumetti Mágico Vento, da Sergio Bonelli Editore, em 2010.

No Brasil, Mágico Vento é publicado pela Mythos Editora desde 2002.

O Universo HQ entrou em contato com o autor para saber mais detalhes sobre o assunto que mexeu com os fãs do personagem. Nesta rápida entrevista, Manfredi informou, com exclusividade, qual deve ser a última edição da saga de Ned Ellis.

Universo HQ: Por que concluir a série em 2010? Até lá terão acabado todas as histórias que você queria contar sobre Ned Ellis?
Gianfranco Manfredi: Com o passar dos anos Mágico Vento tornou-se um longo romance/saga, no qual os episódios individuais eram ligados por uma continuidade cada vez mais fechada. Uma história assim precisa ter uma conclusão, senão vira uma daquelas novelas infinitas em que os protagonistas envelhecem junto com o público.
Por isso, quis completar a obra enquanto ela está cheia de vida, evitando o risco de um declínio devido ao meu cansaço com o gênero faroeste (o qual já escrevo há 15 anos) ou a uma progressiva diminuição nas vendas – que levaria a um declínio na qualidade, se tivéssemos que passar o material a desenhistas não tão bons e que custam menos. Ou ainda por uma queda do mercado que, nesses tempos de crise, é mais que possível. Em resumo, todas essas considerações me levaram a concluir o projeto.

manfredi-gianfrancoVocê reservou algo grandioso para o final? Em que edição terminará Mágico Vento?
Mágico Vento terminará no número 130 (ou 131) e depois virá o especial que várias vezes prometemos aos leitores e que se tornou realmente “especial”, pois terá um estilo único, com três episódios inéditos: um (desenhado por Marcello – autor do álbum A Noite Bárbara, da Martins Fontes) é do início da série; outro fala da primeira investigação jornalística de Poe e o último traz um episódio da vida de Ned no final de suas aventuras, ambientado no México.
As histórias de antes do especial (ou seja, as que sairão na Itália em 2009 e 2010) serão divididas em três ciclos: o primeiro, em fase de publicação, fala da perseguição de Ned a Hogan ao longo do curso do rio Mississipi até o confronto final nos pântanos de Nova Orleans. O segundo conta dos deslocamentos de Ned através do Texas e do Novo México para encontrar os rebeldes apaches de Victorio no Arizona. E o último retrata as guerras apaches até a morte de Victorio no México.
Se eu fosse além, teria que falar do declínio das nações indígenas até Wounded Knee, e a história seria extremamente triste.

Como foi a reação de Sergio Bonelli? Na editora dele não é comum as séries terem começo, meio e fim.
Sergio teve muitas dúvidas. Nos últimos anos foram produzidas muitas minisséries, mas ele aprecia muito as séries longas e potencialmente infinitas. Mas essas revistas hoje têm um sério problema com a quantidade de desenhistas, de roteiristas e de tamanho da equipe. Por isso, são muito difíceis de projetar e de administrar.
E também aconteceu que Tex precisou de novos desenhistas e esses foram quase todos “pescados” de Mágico Vento, que, pelas suas exigências, já tinha poucos.
Deve-se ter em mente que os desenhistas mais novos têm dificuldade com os cavalos e com o faroeste em geral. Em razão disso, não chegavam novas forças para substituir os nossos “campeões” que iam para o time de Tex ou para outros personagens.
Nessas condições não é possível manter duas séries de faroeste. É evidente que sobrevive o mais forte, isto é, aquele que vende mais. De minha parte, não tive crises de consciência porque há tempos queria escrever outras coisas. A minha nova série Volto Nascosto (em português, Rosto Escondido), sobre a primeira guerra colonial italiana, durou 14 números e foi muito bem. Atualmente, estou projetando outra obra ambientada na China no período da revolta dos boxers. Tenho necessidade de variar, não sou autor de um personagem só.

Depois do final, existe alguma chance de continuarem sendo feitas edições especiais (sem periodicidade) de Mágico Vento?
No momento, não penso nisso. Se houvesse uma rebelião de leitores contra o encerramento, poderíamos avaliar. Mas creio ter contado tudo o que queria contar sobre o Oeste.
Além disso, neste período também estou escrevendo alguns episódios de Tex. Por isso tudo, no momento prefiro pensar em histórias de outro tipo.

Você pensa em continuar escrevendo fumetti? Já tem alguma série em produção?
Em parte, já expliquei nas respostas anteriores, e só posso acrescentar que, no futuro, gostaria de me dedicar a romances literários. O meu novo romance, Ho freddo (Estou com frio), que acabou de ser publicado pela editora Gargoyle Books, está indo muito bem. Para quem tiver interesse e quiser saber mais, é só visitar o site oficial, que também poderá ver um documentário de dez minutos gravado nos locais retratados.
O romance retoma um tema que eu havia mencionado em Mágico Vento, que é a história da família Tillinghast e da Peste Vampírica do final do Século XVIII, em Rhode Island.
Em Mágico Vento, contei essa história de um ponto de vista fantástico (nota do tradutor: edições 102 a 104), mas no romance parto de um ponto de vista histórico, porque aquela família existiu realmente. Ou seja, eu queria falar dos “vampiros reais”, não daqueles com a capa preta de forro vermelho. Disso saiu um romance de 540 páginas.
Numa história em quadrinhos eu jamais poderia fazer uma coisa dessas. Como escritor literário, me sinto muito mais livre. Não preciso respeitar formatos nem regras redacionais, e também não preciso depender da qualidade dos desenhistas; posso realmente escrever tudo o que quero e como quero.
Mas isso não significa que eu tenha intenção de parar com os quadrinhos, e nem excluo a possibilidade de criar outra série longa, se achar a idéia certa. Mas, por enquanto, Ho freddo já foi encomendado em vários países e estou pensando numa seqüência.
Também espero conseguir achar um editor brasileiro. Assim, os leitores daí poderão ler e fazer uma comparação entre o Manfredi dos quadrinhos e o dos romances. Nos dois casos sou o mesmo, mas – repito – num romance acho que consigo dar algumas surpresas a mais aos leitores.

A entrevista foi gentilmente transcrita para o português por Julio Schneider, tradutor de Mágico Vento e de outros fumetti publicados em nossas bancas.
>> UNIVERSO HQ – por Sidney Gusman


FOX AMERICANA VAI LANÇAR ‘BITCHES’, SÉRIE SOBRE NOVA-IORQUINAS QUE VIRAM LOBISOMENS

terça-feira | 23 | dezembro | 2008
bitches_fox

Seria "Bitches" um "Sex and the City" sobrenatural?

O sobrenatural parece mesmo ser a nova onda de Hollywood. Depois do lançamento da (ótima) “True Blood” e do filme “Crepúsculo”, a emissora Fox americana vai aderir à tendência: o canal está preparando “Bitches”, dramédia (drama com toques de comédia) centrada em quatro amigas nova-iorquinas que são… lobisomens!

O projeto é descrito pelo roteirista Michael Dougherty como um conto de fadas urbano transformado em série de TV. Inusitado, né?

Em “Bitches”, Dougherty será superivisionado pela dupla Gretchen Berg e Aaron Harberts, co-produtores executivos de “Pushing Daisies”. Será que vai dar certo?

Não há data de previsão para o lançamento da nova e uivante atração. As informações são do site Hollywood Reporter.
>> SÉRIES ETC.


ELIZA DUSHKU TEM MEMÓRIA APAGADA EM CENA DE ‘DOLLHOUSE’, NOVA SÉRIE DO CRIADOR DE ‘BUFFY’. ASSISTA!

terça-feira | 23 | dezembro | 2008

dollhouse2_todos
Os fãs de Joss Whedon (o pai de “Buffy” e “Firefly”) que já estão loucos para ver “Dollhouse” ganharam um bom presente de Natal: a Fox americana liberou uma cena da nova série!

A seqüência mostra Echo (a personagem da protagonista, Eliza Dushku) logo após ter sua memória varrida pelo técnico Topher (Fran Kranz). Após o processo, ela se retira da sala e quem chega é Boyd (Harry Lennix), espécie de tutor da personagem. Ele e Topher entram em uma conversa sobre o papel e a felicidade dos “dolls”…

Se você boiou ao ler o parágrafo acima, calma que a gente explica: “Dollhouse” é sobre um grupo de agentes – os “dolls” – que têm suas memórias constantemente reprogramadas e deletadas, vivendo assim uma diferente personalidade a cada missão.
“Dollhouse” estréia nos Estados Unidos dia 13 de fevereiro.
>> SÉRIES ETC.

Entendeu? Agora, venha aqui assistir à cena!


ANJOS DA NOITE 3 – A REVOLUÇÃO: IMAGENS E PÔSTER

terça-feira | 23 | dezembro | 2008


Anjos da Noite: A Revolução é a terceira parte da série e funciona como uma prequel aos outros dois – Underworld e Underworld: Evolution –, mas agora tem umas novidades. O diretor é Patrick Tatopoulos, que trabalhou nos longas anteriores como designer de criaturas. Ele entra no lugar de Len Wiseman, que comandou as duas primeiras partes.

Outra mudança: saiu a linda Kate Backinsale e entrou a lindona Rhona Mitra, que no início de carreira foi uma das modelos que interpretou Lara Croft nos eventos oficiais da personagem.
>> V OITÃO – por Odair Braz Jr.
 
 

  

 


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 59 outros seguidores