GIANFRANCO MANFREDI ENCERRARÁ MÁGICO VENTO EM 2010

magico-vento61Há alguns dias foi divulgada na Itália a informação de que o roteirista Gianfranco Manfredi encerrará o fumetti Mágico Vento, da Sergio Bonelli Editore, em 2010.

No Brasil, Mágico Vento é publicado pela Mythos Editora desde 2002.

O Universo HQ entrou em contato com o autor para saber mais detalhes sobre o assunto que mexeu com os fãs do personagem. Nesta rápida entrevista, Manfredi informou, com exclusividade, qual deve ser a última edição da saga de Ned Ellis.

Universo HQ: Por que concluir a série em 2010? Até lá terão acabado todas as histórias que você queria contar sobre Ned Ellis?
Gianfranco Manfredi: Com o passar dos anos Mágico Vento tornou-se um longo romance/saga, no qual os episódios individuais eram ligados por uma continuidade cada vez mais fechada. Uma história assim precisa ter uma conclusão, senão vira uma daquelas novelas infinitas em que os protagonistas envelhecem junto com o público.
Por isso, quis completar a obra enquanto ela está cheia de vida, evitando o risco de um declínio devido ao meu cansaço com o gênero faroeste (o qual já escrevo há 15 anos) ou a uma progressiva diminuição nas vendas – que levaria a um declínio na qualidade, se tivéssemos que passar o material a desenhistas não tão bons e que custam menos. Ou ainda por uma queda do mercado que, nesses tempos de crise, é mais que possível. Em resumo, todas essas considerações me levaram a concluir o projeto.

manfredi-gianfrancoVocê reservou algo grandioso para o final? Em que edição terminará Mágico Vento?
Mágico Vento terminará no número 130 (ou 131) e depois virá o especial que várias vezes prometemos aos leitores e que se tornou realmente “especial”, pois terá um estilo único, com três episódios inéditos: um (desenhado por Marcello – autor do álbum A Noite Bárbara, da Martins Fontes) é do início da série; outro fala da primeira investigação jornalística de Poe e o último traz um episódio da vida de Ned no final de suas aventuras, ambientado no México.
As histórias de antes do especial (ou seja, as que sairão na Itália em 2009 e 2010) serão divididas em três ciclos: o primeiro, em fase de publicação, fala da perseguição de Ned a Hogan ao longo do curso do rio Mississipi até o confronto final nos pântanos de Nova Orleans. O segundo conta dos deslocamentos de Ned através do Texas e do Novo México para encontrar os rebeldes apaches de Victorio no Arizona. E o último retrata as guerras apaches até a morte de Victorio no México.
Se eu fosse além, teria que falar do declínio das nações indígenas até Wounded Knee, e a história seria extremamente triste.

Como foi a reação de Sergio Bonelli? Na editora dele não é comum as séries terem começo, meio e fim.
Sergio teve muitas dúvidas. Nos últimos anos foram produzidas muitas minisséries, mas ele aprecia muito as séries longas e potencialmente infinitas. Mas essas revistas hoje têm um sério problema com a quantidade de desenhistas, de roteiristas e de tamanho da equipe. Por isso, são muito difíceis de projetar e de administrar.
E também aconteceu que Tex precisou de novos desenhistas e esses foram quase todos “pescados” de Mágico Vento, que, pelas suas exigências, já tinha poucos.
Deve-se ter em mente que os desenhistas mais novos têm dificuldade com os cavalos e com o faroeste em geral. Em razão disso, não chegavam novas forças para substituir os nossos “campeões” que iam para o time de Tex ou para outros personagens.
Nessas condições não é possível manter duas séries de faroeste. É evidente que sobrevive o mais forte, isto é, aquele que vende mais. De minha parte, não tive crises de consciência porque há tempos queria escrever outras coisas. A minha nova série Volto Nascosto (em português, Rosto Escondido), sobre a primeira guerra colonial italiana, durou 14 números e foi muito bem. Atualmente, estou projetando outra obra ambientada na China no período da revolta dos boxers. Tenho necessidade de variar, não sou autor de um personagem só.

Depois do final, existe alguma chance de continuarem sendo feitas edições especiais (sem periodicidade) de Mágico Vento?
No momento, não penso nisso. Se houvesse uma rebelião de leitores contra o encerramento, poderíamos avaliar. Mas creio ter contado tudo o que queria contar sobre o Oeste.
Além disso, neste período também estou escrevendo alguns episódios de Tex. Por isso tudo, no momento prefiro pensar em histórias de outro tipo.

Você pensa em continuar escrevendo fumetti? Já tem alguma série em produção?
Em parte, já expliquei nas respostas anteriores, e só posso acrescentar que, no futuro, gostaria de me dedicar a romances literários. O meu novo romance, Ho freddo (Estou com frio), que acabou de ser publicado pela editora Gargoyle Books, está indo muito bem. Para quem tiver interesse e quiser saber mais, é só visitar o site oficial, que também poderá ver um documentário de dez minutos gravado nos locais retratados.
O romance retoma um tema que eu havia mencionado em Mágico Vento, que é a história da família Tillinghast e da Peste Vampírica do final do Século XVIII, em Rhode Island.
Em Mágico Vento, contei essa história de um ponto de vista fantástico (nota do tradutor: edições 102 a 104), mas no romance parto de um ponto de vista histórico, porque aquela família existiu realmente. Ou seja, eu queria falar dos “vampiros reais”, não daqueles com a capa preta de forro vermelho. Disso saiu um romance de 540 páginas.
Numa história em quadrinhos eu jamais poderia fazer uma coisa dessas. Como escritor literário, me sinto muito mais livre. Não preciso respeitar formatos nem regras redacionais, e também não preciso depender da qualidade dos desenhistas; posso realmente escrever tudo o que quero e como quero.
Mas isso não significa que eu tenha intenção de parar com os quadrinhos, e nem excluo a possibilidade de criar outra série longa, se achar a idéia certa. Mas, por enquanto, Ho freddo já foi encomendado em vários países e estou pensando numa seqüência.
Também espero conseguir achar um editor brasileiro. Assim, os leitores daí poderão ler e fazer uma comparação entre o Manfredi dos quadrinhos e o dos romances. Nos dois casos sou o mesmo, mas – repito – num romance acho que consigo dar algumas surpresas a mais aos leitores.

A entrevista foi gentilmente transcrita para o português por Julio Schneider, tradutor de Mágico Vento e de outros fumetti publicados em nossas bancas.
>> UNIVERSO HQ – por Sidney Gusman

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