‘NATION UNDEAD': FILME COLABORATIVO DE ZUMBIS

quarta-feira | 13 | agosto | 2008


Mais uma dos americanos: Nation Undead, um filme de zumbis colaborativo. O diretor Patrick Peirson dividiu os EUA em 9 zonas, cada uma com seis a oito estados. Qualquer um pode participar do projeto, é só escolher uma zona e criar um vídeo de até 5 minutos. Para manter a coesão da narrativa, existem instruções específicas para cada zona, além de vários recursos fornecidos pela produção (mp3s, posters, informações sobre os zumbis, elementos de cenário etc.).

A idéia suprema é que as 9 zonas não são apenas geográficas. Cada zona representa também um dos 9 estágios da história – epidemia, pânico, choque, isolamento…. Então os vídeos enviados pelos participantes da zona 2 se passam após os da zona 1 e assim por diante.
>> SUPERINTERESSANTE – por André Sirangelo


GEORGE LUCAS AFIRMA QUE “A MITOLOGIA É A MAIOR FONTE DO CINEMA”

quarta-feira | 13 | agosto | 2008

O diretor americano George Lucas fala a ÉPOCA com exclusividade sobre o filme Star Wars: Clone Wars

George Lucas, criador do Star Wars: "Os novos episódios, em animação digital incorporam, a perspectiva tridimensional e a estética dos mangás japoneses

O diretor George Lucas, de 64 anos, não é um reflexo imediato das aventuras populares que têm encantado gerações de fãs. Pelo contrário, a impressão que dá o sujeto baixo, barbado e de olhar agudo é a de um daqueles críticos de cinema freqüentadores de sessões alternativas. Por telefone, ele se expressa como um professor de cinema bem-humorado. Seu sonho, conforme diz nesta entrevista, é se aposentar para realizar antigos projetos de filmes experimentais. Mas, por enquanto, conta, ele dá seqüência ao seu grande achado: a possibilidae de ampliar um universo paralelo feito de fantasias de futuro.

ÉPOCA – Como surgiu a idéia de criar um novo mundo mitológico?
George Lucas - Não há nada de novo nisso (risos). Pelo contrário. Estudei Antropologia e mitologia na faculdade e acabei sistematizando uma velha paixão. Sempre fui fascinado pelas histórias antigas. Logo me interessei menos pelos detalhes arqueológicos ou de construção de linguagem que pela psicologia que subjaz a cada figura mitológica. São traços que fazem parte da vida cotidiana em todos os períodos da História. De alguma forma, os mitos explicam as características e motivações básicas do ser humano. Dão conta, de certo modo, do funcionamento das sociedades até hoje. Eles são válidos até hoje. A mitologia é a grande fonte do cinema, e, de resto, de todo o conhecimento humano. O que fiz foi transpor os mitos arcaicos para um ambiente de ficção científica.

Você não se sente um pouco como Adão, por ter criado e dado nomes a personagens como Yoda, Chewbacca, Jabba, Palpatine e tantos outros?
É uma sensação incrível ver as pessoas tratando seus personagens com intimidade. Eu me sinto feliz por ter criado novidade a partir de elementos arcaicos e de ter convertido a mitologia em uma situação cotidiana.

Por que você voltou à saga de Guerra nas Estrelas, mesmo tendo dito que a saga estava encerrada?
Porque eu me divirto muito com ela! É como uma caixa de areia que posso explorar eternamente, como se pudesse toda vez me tornar criança de novo. So um menino entretido num mundo que criei para mim mesmo. É maravilhoso explorar esse mundo e notar que milhões de pessoas sentem essa emoção também.

A história de The Clone Wars acontece um pouco antes do terceiro episódio do filme…
Sim, ela faz parte da grande epopéia. E é um momento que faltou mostrar no filme, o da eclosão das guerras clônicas, envolvendo a República e os rebeldes monarquistas. Uma saga como esta permite que a gente se aprofunde em um detalhe – e este detalhe se transforme em uma ótima história. Por isso, convidei Dave (Filoni) para dirigir a animação, porque ele conhece a mitologia de Guerra nas Estrelas até mais do que eu! (risos).

Você naturalmente quis ressuscitar em The Clone Wars o guru Yoda e o gângster Jabba, o Hutt…
Sim, gosto tanto deles… Quis enfatizar o caráter esquisito de Anakin Skywalker, sempre desajeitado em cumprir as ordens de seu mestre, Obi-Wan Kenobi. Mais que todos, gosto de Yoda. Ele é a figura do ancião venerável, um sábio que faz falta no dia-a-dia. Quando pensei nele, a idéia era criar um velho pequeno, na proporção de uma criança. Yoda tem um rostinho de criança. Isso faz parte de seu charme eterno.

Por falar em eternidade, você não acha que, de alguma forma, Guerra nas Estrelas se tornou um universo em expansão infinita?
O mito não tem fim. O que me fascina é poder inspirar as pessoas, especialmente as crianças, a contar suas próprias histórias. Porque Guerra nas Estrelas é menos um fim que um ponto de partida para a criatividade das pessoas. Com o conhecimento que está lá, você pode partir para sua própria viagem por um universo inédito. Por que não?

Você foi o pioneiro na computação gráfica. Como você vê as novas tecnologias no cinema, como o Imax e o 3D. São soluções para a arte cinematográfica?
Sou fascinado por novas tecnologias no cinema – e desde os anos 70 eu trabalho no desenvolvimento de inovações em som e imagem. A tecnologia em IMax, com sua projeção em tela gigante, tem dado um novo impacto de realismo ao cinema. O 3D ganha mais e mais adeptos em Hollywood, e tem me inspirado bastante. A tendência do cinema é ampliar o efeito de realidade, e para isso o som é importante. É o caminho do cinema. Isso não quer dizer que o 2D não seja interessante também. Os novos episódios de Star Wars em animação digital incorporam a perspectiva tridimensional e a estética dos mangás japoneses. São uma combinação intrincada de idéias.

A série continuará na TV. Como estão seus projetos em televisão?
Atualmente tenho me dedicado pessoalmente a dirigir documentários e séries de televisão, um meio cada vez mais fascinante. Minha idéia é desenvolver projetos televisivos.

É verdade que sua inspiração para Guerra nas Estrelas foi Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa?
Sem dúvida, o cinema de Akira Kurosawa foi fundamental na construção da saga de Guerra nas Estrelas: os vários personagens, a grande missão, a psicologia de cada figura e a própria narrativa em vários planos são influência de Kurosawa.

E há outras fontes cinematográficas que o influenciaram?
Sou amigo e fã de Steven Spielberg. Ele revolucionou o cinema de ação e aventura e continua a ser a minha grande inspiração. Minhas fontes de inspiração vêm de meu período de estudante. São tantos diretores que não saberia dizer agora. Vi muita ficção científica nos anos 50. E Stanley Kubrick com Dr. Strangelove.

Você continua sendo um fanático por filmes independentes?
Adoro assistir a produções alternativas e obscuras. Faz parte de minha formação. Estou sempre atrás de coisas diferentes no cinema contemporâneo e experimental. Ali estão as grandes idéias.

Como você equilibra seu gosto pessoal, que é de um cinéfilo, com as exigências de produção?
Desde cedo eu me dei conta de que tinha de separar minhas inclinações cinematográficas da realidade da produção! Eu aprendi logo que havia o lado da sobrevivência e o do prazer estético. Para ter sucesso na indústria do cinema, não adianta apenas ter idéias geniais ou querer fazer um grande filme. É preciso trabalhar com orçamento, projetos e metas. Vivo sempre esta duplicidade. Antes de realizar velhos projetos pessoais, tive de trabalhar. E curiosamente quando tive uma idéia lucrativa os grandes estúdios de Hollywood não quiseram bancar. Era Guerra nas Estrelas.

Você sempre diz que quer dirigir seus próprios filmes “autorais”. Quando isso acontecerá?
Quando eu me aposentar, mas, pelo visto, vai demorar um pouco… (risos) Tenho um monte de idéias de filmes pessoais, uns três ou quatro. Espero só ter tempo para realizá-los. Desde o início de minha carreira como cineasta e cinéfilo, me dei conta de que era preciso conseguir dinheiro para expressar suas próprias idéias. Bem, acho que agora eu posso fazer isso!
>> ÉPOCA – por Luís Antônio Giron


MEMÓRIAS DO CÁRCERE EM SANGUE E QUADRINHOS

quarta-feira | 13 | agosto | 2008


Com obra apoiada no novo filme do Zé do Caixão, ilustrador Samuel Casal confirma prestígio nacional

Fruto de devaneios pessoais do criador e ator José Mojica, o personagem Zé do Caixão nunca rendeu tantos frutos. Com estréia do filme na última sexta, A Encarnação Do Demônio, o rei do cinema trash de horror nacional é o tema da temporada e já alcança novas mídias, desta vez em quadrinhos com o lançamento de Prontuário 666 do ilustrador e desenhista de Samuel Casal, que a editora Conrad lançou semana passado em todo o país.

Dono de traços únicos, Casal traz em sua obra a história dos 40 anos de cárcere do Zé do Caixão (desde 1968, no filme Esta Noite Encarnarei No Teu Cadáver até o atual Encarnação do Demônio, fechando a trilogia). Apesar de roteiro original e traços personalizados, o livro surgiu de um projeto do diretor Paulo Sacramento. “A idéia não partiu de mim, mas de Paulo (que dirigiu A encarnação…). Ele queria fazer um link entre os quadrinhos e o filme, aproveitando o momento da mídia. Originalmente seria uma obra com vários autores, mas, por conta do curto prazo da editora e dificuldade de contato com outros artistas, acabei fazendo sozinho”, conta Samuel, em entrevista por telefone. O resultado é no mínimo brilhante: uma obra com roteiro original e aprovação não apenas do dono do personagem, mas de mídia e público.


A forma de produção de Samuel é um caso a ser analisado com muito carinho. Artistas passam meses para terminar um quadrinho, a exemplo de Fábio Lyra, que passou um ano e meio na construção do recém lançado Menina Infinito. Para Prontuário 666, foram dois meses: “Desenho rápido, muito favorável ao tempo que dispunha para a obra. Foram dois meses de trabalho intenso, com desenhos e construção de roteiro paralelamente. Tudo muito louco, sem cronologia: fiz o final primeiro e depois umas partes e fui criando até chegar naquele final que já estava registrado. No fim, deu tudo certo”, conta o autor. O talento conta muito, claro, mas nem tudo é fácil como aparenta. “Trabalhar em cima de um personagem já existente é complicado. Estava preocupado com a caracterização e como colocar a minha assinatura. Queria deixar meu traço, minhas idéias e, ao mesmo tempo, não descaracterizar Zé do Caixão. Acredito que tenha conseguido.”, comenta.

Para entrar no mundo da arte, Samuel “ralou” como todo mundo, mas nada de anormal em sua trajetória. Auto-didata, foi um daqueles famosos adolescentes artistas de sala de aula, com desenhos nas últimas folhas do caderno, aprendendo aos poucos e sempre aperfeiçoando. “Não pensava em ser artista, fazia de tudo: jogava bola, saia por aí com os moleques. Foi tudo muito rápido”, conta Casal. Diferentemente dos desenhistas da pré-adolescência, correu atrás e suas obras não foram parar nos arquivos de infância e, já aos 16 anos, conseguiu seu primeiro emprego na vida: no departamento de arte de um jornal. “Nem sabia que em jornal tinha departamento de arte”, brinca.

Os desenhos? O que para muitos era “viagem”, “coisa de doido”, trouxe a fama que carrega hoje: “Olha, seus desenhos são horríveis, não dá para publicar; mas, suas idéias são muito boas”, foi a resposta que teve do editor-chefe do jornal da RBS, em Caxias do Sul, terra natal. “Eu queria fazer HQ’s mais underground, mas no jornal não rolava. Deviam olhar para mim e pensar: este menino é doente “, conta aos risos. Nada de grandes cursos técnicos em escola de arte, tudo no suor e curiosidade de aprender. Costuma dizer que seus professores foram os artistas colegas de trabalho, dando dicas e analisando o material bruto para melhoras, método permanente até os dias atuais. “Sempre peço opinião, mas, claro, sou muito mais confiante e auto-crítico agora”, diz. Sua primeira HQ teve apenas três capítulos – A “Bicarbonato de Ódio”, um lance alienígena bang-bang e, segundo a definição do próprio autor, horrível.

Com traços únicos e mutáveis de uma obra a outra, Samuel Casal ganhou espaço na mídia independente e hoje tem cacife para fazer o que quer e quando quer. Para ilustrar, então, joga-se nas obras, criando formas e conteúdos os mais variados e autônomos possíveis, como rostos e figuras algumas vezes desconcertantes. Seu estilo, aliás, gera controvérsias nas críticas, que em nada abalam o autor. “Já disseram que sou bucólico, grotesto, expressionista, e até muito parecido com um impressionista alemão. Busco sempre me abster da maior quantidade de referências quanto possível, para não perder minha originalidade e assim, evitar mais comparações.

Não busco referências para produzir”, explica. Referências, aliás, é algo difícil de imaginar em suas obras publicadas, nada interliga-se com nada, exceto pela mão criadora. “Tenho minhas preferências, claro, tudo que tiver originalidade. Curto quadrinhos preto e branco, gravadores mexicanos, pois consigo ver em cada obra um rosto diferente nos bastidores. Aprecio muito a força do desenho, sua representação, sua leitura da realidade. Não curto nada apático”, explica. “O mangá, por exemplo, parece produção de massa, tudo feito pela mesma pessoa aparentemente. Se peço a cinco desenhistas que desenhem cinco cachorros, quero ver cinco cachorros diferentes, cinco leituras de um mesmo objeto, isso é uma obra autoral”, comenta.

Aos 33 anos, o currículo do cara é de derrubar o queixo dos sonhadores com uma vida de ilustrador. Já colaborou com diversas publicações nacionais como Superinteressante, Folha de São Paulo, Viagem & Turismo, Florense, Le Monde Diplomatique, Exame, Tam Magazine, Quatro Rodas entre outras. Foram 16 anos dedicados à redação de jornal, incluindo uma direção de arte no Diario Catarinense, deixada em 2006, mas em nada prejudicando sua busca por novos horizontes. “Trabalhar com o factual é algo estático, preso ao momento social. Infelizmente sua liberdade fica restrita, precisa trabalhar com prazos mais curtos e muita criatividade instantânea”, diz. “Um fator que sempre me ajudou foi produzir rápido. Nunca necessitei utilizar todo o prazo concedido, até mesmo em trabalhos mais autorias de free lance”.

Samuel publicou também histórias em quadrinhos na Argentina, França, Alemanha, Bolívia, Chile e Espanha, e seu trabalho de gravura foi destaque em revistas de arte na Itália. Também ministrou oficinas de desenho vetorial nos encontros internacionais de quadrinhos de La Paz (Bolívia) e Recife. Premiado duas vezes no Salão Internacional de Desenho para Imprensa de Porto Alegre, já recebeu seis troféus HQMIX (Museu de Artes Gráficas Brasileiro e Associação de Cartunistas), sendo dois deles consecutivos como melhor ilustrador nacional e um como melhor desenhista nacional.

Mesmo com vasta experiência, são mais de 15 anos dedicados ao desenho, Prontuário 666 vem como marco em sua carreira: é a primeira obra completa dedicada a apenas um personagem. “Nunca relevei a possibilidade de trabalhar tanto tempo apenas em uma coisa. O processo é muito intenso, já que minha forma de produção envolve dedicação quase exclusiva e perfeccionismo. Costumo dizer que não existe cara mais chato do que eu. Rola um medo de enjoar do personagem. Depois do trabalho pronto, começo a relevar a possibilidade de entrar em novos projetos do mesmo nível”, conta Samuel. Nada marcado ou agendado ainda, tudo em cogitações de uma mente criadora e em eterno trabalho.
 >> O GRITO! – por Lidianne Andrade

MAIS DE SAMUEL CASAL
Site Oficial

CONFIRA O PREVIEW DE PRONTUÁRIO 666


RELANÇADA NO BRASIL OBRA POLÊMICA DE TINTIM

terça-feira | 12 | agosto | 2008

"Tintim no Congo" mostra visão estereotipada do país africano e foi refeita pelo autor, o belga Hergé

Até aqui, tudo bem. Faz pouco mais de duas semanas que “Tintim no Congo” começou a ser vendido nas grandes livrarias e, nesse tempo, não houve protestos, confusões, nem notícias alarmantes na grande mídia. O álbum mais polêmico do personagem do belga Hergé (1907-1983) conseguiu uma façanha: passar quase despercebido no país. É uma situação bem diferente do que ocorreu no Reino Unido, em julho do ano passado.

A Comissão para Igualdade Racial do Reino Unido pediu às livrarias britânicas que deixassem de vender a obra.A entidade entendia que o álbum tinha conteúdo racista e mostrava os congolenses de maneira idiotizada e com traços semelhantes a macacos. “O único lugar aceitável para mostrar o livro é um museu, com uma grande placa dizento ´material ultrapassado, totalmente racista”, disse a comissão na época, em depoimento reproduzido pelo jornal “Folha de S.Paulo”.

Duas das principais livrarias do Reino Unido atenderam parcialmente o pedido. Tiraram a obra da seção infantil. Mas não deixaram de vender o álbum de Hergé. O argumento das livrarias é que caberia ao leitor a decisão da compra. Resultado da polêmica: uma semana depois, a editora Egmond, que publica Tintim na Inglaterra, registrava aumento de 4.000% nas vendas do título.

A obra foi relançada no Brasil pela Companhia das Letras (62 págs., R$ 36). A editora paulista tem reeditado as histórias de Tintim desde o fim de 2004. Esta edição, no entanto, procura antecipar eventuais críticas. Traz uma nota contextualizando o conteúdo da obra ao leitor.

“Neste retrato do Congo Belga, hoje República Democrática do Congo, o jovem Hergé reproduz as atitudes colonialistas da época”, diz a nota. “Ele próprio admitiu que pintou o o povo africano de acordo com os estereótipos burgueses e paternalistas daquele tempo -uma interpretação que muitos leitores de hoje podem achar ofensiva. O mesmo se pode dizer do tratamento que dá à caçada de animais.”

A tal “caçada de animais” é referência às mortes provocadas por Tintim. Nas páginas do álbum, ele atira em jacarés, elefantes, veados e num macaco. “Tintim no Congo” mostra a viagem do jovem repórter ao país africano. Lá, é recebido com honras e é reconhecido por todo canto onde vá. Na tradução brasileira, feita por Eduardo Brandão, é tratado pelos congolenses como “Nhozinho”.

A história foi publicada em 1930 no suplemento infantil do jornal “Le Vintième Siècle”. Nos anos e décadas seguintes, a história foi reunida na forma de álbum. Essa primeira versão acentuava ainda mais o tom colonialista que os belgas tinham do país na época, contexto essencial para que a trama seja entendida.

Hergé fez duas revisões da obra, uma em 1946 e outra em 1970. As mudanças reduziram parte do tom paternalista. Abaixo, um exemplo, extraído na cena em que Tintim ensina alunos congolenses:

Meus queridos amigos, eu vou falar hoje da pátria de vocês: a Bélgica“, diz o repórter no primeiro quadrinho, que aparecia na versão original da obra.

Refeito e colorizado, teve o diálogo mudado para uma conta de dois mais dois. A versão que a Companhia das Letras lança agora no Brasil é a revisada por Hergé.

A última vez que a história tinha sido publicada no Brasil tinha sido em 1970, pela Record. A editora optou por traduzir o título por “Tintim na África”. Essa edição está esgotada.

A viagem do personagem ao Congo tem de ser vista dentro do contexto, algo que os não leitores habituais de quadrinhos costumam se esquecer ao mencionar a obra. Nesses casos, não deixa de ser curioso que o grande mal seja o álbum em quadrinhos, e não as produções do cinema norte-americano das décadas de 1930 e seguintes, que tinham visão semelhante à da obra de Tintim.

Crédito: a imagem das duas versões da obra foi fornecida pelo especialista em quadrinhos Waldomiro Vergueiro, a quem este jornalista agradece a colaboração.
>> BLOG DOS QUADRIHOS – por Paulo Ramos


LIVRO QUE INSPIROU A SÉRIE “DEXTER” CHEGA AO BRASIL

terça-feira | 12 | agosto | 2008


A Editora Planeta lança no Brasil o livro que deu origem à série de TV “Dexter”. Trata-se de “Darkly Dreaming Dexter”, primeira obra de Jeff Lindsay sobre um serial killer que trabalha para a polícia de Miami. A produção do canal Showtime, estrelada por Michael C. Hall, baseou-se na série de livros escritos por Lindsay, sendo que a primeira temporada, refere-se aos fatos ocorridos neste primeiro livro. Com o título de “Dexter: A Mão Esquerda de Deus“, o livro com capa de brochura, 272 páginas, está sendo vendido a um preço sugerido de 44,90 reais.

Dexter Morgan é um jovem que trabalha com análise de sangue para a equipe forense do departamento de polícia de Miami. Sem que ninguém saiba, ele atua como um serial killer para satisfazer suas necessidades de sentir emoção e prazer. Dexter escolhe a dedo suas vítimas. Seguindo um código criado por seu pai, ele mata apenas pessoas iguais a ele. Antes de matá-las, informa a elas e ao público, os motivos pelos quais está cometendo um ato bárbaro e a sangue frio, visto que ele as executa quando ainda estão acordadas, esquartejando-as com uma serra elétrica.

Um tema muito difícil para ser discutido em um livro, quanto mais em uma série, visto que a obra transforma o bandido em herói. Justificando o personagem, ele tem em seu passado um trauma que motivou suas atitudes enquanto adulto. A trama faz uma análise do perfil psicológico do serial killer, suas motivações e desejos, bem como influências. Um ser congelado de sentimentos e afetos que vai, aos poucos, descongelando, conforme descobre mais sobre si mesmo e seu passado, trazendo para ele uma outra consciência. Segundo os produtores da série, “Dexter” irá terminar quando ele finalmente atingir uma consciência comum aos demais, ou seja, quando “descongelar” por completo.

Tal qual a série, no livro Lindsay traz a narrativa na primeira pessoa, possibilitando o leitor a acompanhar suas idéias, opiniões e sentimentos. Oscilando entre humano e não humano, Dexter tenta conviver em uma sociedade da qual não sente fazer parte. Alegando não sentir emoções, ele as demonstra em sua narrativa, ou na forma como vê a si mesmo. Em relação aos demais, suas emoções são explosivas, violentas, visto que ficaram sufocadas por muito tempo. Aos poucos, como uma criança, vai aprendendo a lidar com elas. Uma das diferenças entre a série e o livro é que os demais personagens ganharam maior proporção na televisão do que na obra literária, a qual focaliza Dexter o tempo todo. Para quem é fã da série, é uma ótima recomendação, conhecer a obra que deu origem a tudo.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


AS BRUXAS DE EASTWICK SERÁ TRANSFORMADA EM SÉRIE DE TV

terça-feira | 12 | agosto | 2008

Mais um filme de cinema ganha sua versão para a TV no formato seriado. Desta vez trata-se de uma produção que está tentando a sorte pela terceira vez. Segundo o jornal Variety, a rede ABC americana está com o projeto de transformar o filme “As Bruxas de Eastwick/The Witches of Eastwick” em uma série de TV.

A adaptação está a cargo de Maggie Friedman, que tem em seu curriculo as séries “Once and Again”, “Jack and Bobby”, “Related”, “Wasteland” e “Dawson´s Creek”. Ela fará uma mistura entre o filme e o livro do qual se originou. Produzido em 1987 e estrelado por Jack Nicholson, Cher, Susan Sarandon e Michelle Pfeiffer, o filme teve como base o livro de John Updike.

Trata-se da história de três mulheres que ao terminarem seus respectivos relacionamentos, conjuram, de briancadeira, o homem perfeito que irá satisfazer todas as suas vontades. No dia segunte, chega à cidade Daryl Van Horne, homem misterioso e com uma capacidade de entender exatamente o que cada uma delas precisa. Ao longo da história, conscientes dos poderes de bruxas, elas decidem enfrentar Daryl, que se revela o diabo, ou assim ele se apresenta, quando ele passa a se interessar por uma mulher mais jovem. O livro também gerou a produção de um musical montado nos EUA e na Inglaterra em 2000.

A Warner Brothers está há anos tentando transformar o filme/livro em série de TV. Em 1992 foi produzido um piloto para a rede NBC, estrelado por Catherine Mary Stewart, Julia Campbell, de “O Quinteto/Party of Five”, Ally Walker, de “Tell Me You Love Me”, e Michael Siberri. A versão estava a cargo de Carlton Cuse e Jeffrey Boam. Mas o piloto não rendeu uma série.

Em 2002, um novo projeto teve início, desta vez para Fox, em associação com a Warner. Sob o título de “Eastwick”, foi produzido um episódio piloto, estrelado por Lori Loughlin, atualmente em “90210”, Marcia Cross, de “Desperate Housewives”, Kelly Rutherford, de “Gossip Girl”, e Jason O´Mara, atualmente em “Life on Mars”. Este piloto, roteirizado por Jon Cowan e Robert Rovner, também não conseguiu ser transformado em série de TV.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


MOEDA DE EURO NA ESPANHA VEM COM CARA DE HOMER SIMPSON EM VEZ DO ROSTO DO REI

terça-feira | 12 | agosto | 2008

Moeda de Homer faz paródia com rei Juan Carlos

Uma moeda de um euro com a cara de Homer Simpson no lugar do rei Juan Carlos apareceu na Espanha, disse o dono de uma loja de doces à Reuters nesta sexta-feira.

José Martinez estava contando o dinheiro de sua caixa registradora na cidade de Aviles quando se deparou com a moeda, ilustrada com a cabeça careca de Homer, famoso personagem do desenho norte-americano “Simpsons”, no lugar do rosto sério do rei espanhol.

“A moeda deve ter sido feita por um profissional, o trabalho é impressionante”, disse ele à Reuters. O autor desconhecido do desenho de Homer não modificou o outro lado da moeda, que ainda tem o mapa da Europa. Até agora, nenhuma outra moeda com o rosto do personagem foi achada em circulação.

“Já me ofereceram 20 euros por ela”, disse Martinez.
>> REUTERS – por Por Raquel Castillo


EDITORA DE HARRY POTTER FAZ USO DO TERROR PARA ESTIMULAR LEITURA

segunda-feira | 11 | agosto | 2008


Para atrair jovens garotos para a leitura, a Scholastic, que edita os livros de Harry Potter nos Estados Unidos, aposta no horror, em banhos de sangue e descrições um tanto nojentas de passagens históricas.

A série Wicked History, que traz títulos como Vlad the Impaler: the real Count Dracula e Mary Tudor: Courageous Queen or Bloody Mary?, é recheada de batalhas sangrentas e detalhes de assassinatos e guerras. Os livros já foram adotados em escolas e tem feito bastante sucesso entre os garotos.

A editora pretende aumentar o número de meninos leitores que, hoje, não passam de 2% do público freqüentador das bibliotecas norte-americanas.
>> HOMEM NERD – por Bia Nunes de Sousa


“STARLOST” SAI EM DVD NOS EUA

segunda-feira | 11 | agosto | 2008

Lembra de “Starlost – A Estrela Perdida”? A produção canadense de 1973 será lançada em DVD pela independente VCI Entertainment no dia 21 de outubro nos EUA. Serão quatro discos com os 16 episódios produzidos, pelo preço sugerido de 49.95 dólares.

No material de Extras será disponibilizado o video produzido para ser exibido nas agências de publicidade e conquistar anunciantes/patrocinadores. Este video foi exibido uma única vez na TV quando a série estreou pela rede NBC e pela CTV no Canadá. No video, Keir Dullea e Douglas Trimbell apresentam a idéia de “Starlost” e o tipo de tecnologia que pretendem utilizar para transformar a idéia em realidade.

Criada por Harlan Elison para a 20th Century Fox americana, a série teve sérios problemas de produção que fizeram com que ela fosse parar no Canadá. Tudo começou quando a Fox, que na época ainda não tinha um canal próprio, não conseguiu vender a idéia para nenhum canal. Pensou então em estrear a série em syndication, canais regionais, mas também não teve sucesso.

Assim, ela foi parar no Canadá, onde, na época, era necessário utilizar apenas a equipe técnica e os produtores do país, sem a participação (ou participação mínima) dos americanos. A série foi produzida em parceria com a Fox que ficou com os direitos de distribuição. Mas perderam parte do patrocínio que tinham, forçando cortes de orçamento. Com isso, ao invés de se filmar em película, foi gravada em video. Os cortes também provocaram redução de cenários e figurinos além dos efeitos especiais.

Antes mesmo de estrear pelo canal canadense CTV, e posteriormente pela NBC, Harlan já tinha se desiludido com a série e se afastou da produção. Não conformado, pediu que retirassem seu nome dos créditos o qual foi substituído por um pseudônimo. E, assim, a série foi creditada à Cordwainer Bird. Apesar de nada promissora, o tema era muito bom e extremamente inovador para a época. Talvez por isso não tenha conseguido um canal que apostasse de imediato na idéia.

A história gira em torno de uma espaçonave chamada Ark, ou Arca, de 11 mil quilômetros de comprimento, a qual tem a capacidade de abrigar todos os sobreviventes do planeta Terra que foi destruído. Dentro da nave, povos de cultura variadas que vivem em diferentes ambientes de biosferas alto-suficientes. A Ark inicia sua viagem no ano de 2285, mas, logo no início, ocorre um acidente e toda a tripulação que se encontrava na área de comando é morta, deixando a nave vagando sem rumo pelo espaço.

Séculos se passaram. O ano agora é 2790. Uma nova geração de sobreviventes ignora que vive em uma espaçonave e segue com suas vidas. Um jovem, Devon (Keir Dullea – de “2001, Uma Odisséia no Espaço”), vive em uma comunidade Amish. Ele se apaixona por Rachel (Gay Rowan), que está prometida a Garth (Robin Ward). Mas este não a ama. Quando Devon revela seu desejo em desposar Rachel, ele é expulso da comunidade por tentar destruir suas tradições. Vagando sem rumo, ele acaba encontrando a cabine de comando da nave onde um computador revela a verdade à Devon. Para piorar a situação, ele descobre que seu “mundo”, a Arca, está em rumo de colisão um planeta da classe G, algo como o sol. Ele tenta avisar seu povo, mas apenas Rachel e Garth acreditam nele.

A idéia era apresentar na série as diferenças culturais, sociais e religiosas em contraste com a tecnologia e a ciência. Além dos atores fixos, também fizeram parte da série como atores convidados, Walter Koenig, de “Jornada nas Estrelas”, John Colicos, de “Galactica”, e Barry Morse, de “Espaço:1999″ e “O Fugitivo”.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim

Veja abaixo a abertura da série:


REVISTA N’ROLL: ROCK E HEAVY METAL EM QUADRINHOS

segunda-feira | 11 | agosto | 2008


A revista N’ROLL, desenvolvida em 2007 por Gustavo Fiali (roteirista que já trabalhou nos Quadrinhos da Disney e nos Estúdios Mauricio de Sousa) e por Renata Benetti (artista gráfica), adaptará para Quadrinhos letras de músicas de rock e heavy metal. O projeto conta com o apoio de gravadoras de todo o mundo e teve um pré-lançamento durante o evento Wacken Open Air em Hamburgo, Alemanha, no dia 31 de julho.

A primeira edição adaptará a canção Time to be Free, do compositor e vocalista brasileiro André Matos, e tem roteiro de Gustavo Fiali, arte de Wagner Nogueira, cores de Daniel Barreto, e design e letras de Renata Benetti. A arte de capa da revista será assinada por Greg Tocchini e haverá tiragens em português, inglês e alemão; o lançamento mundial da N’ROLL acontecerá em setembro deste ano.
>> BIGORNA – por Por Humberto Yashima


DE LIVROS SOBRE CINEMA

segunda-feira | 11 | agosto | 2008


Quando, na década de 60, comecei a freqüentar o Clube de Cinema da Bahia, programado pelo ensaísta Walter da Silveira, e vim a constatar que o cinema, mais do que um simples espetáculo, era, também, uma expressão artística, escassa a bibliografia sobre o assunto para aqueles que queriam se iniciar. Os raros livros existentes, e em selecionadas livrarias, batiam na tecla de que o cinema é uma arte e procuravam dar os rudimentos de sua linguagem. Os estudos semióticos encontravam-se nos seus primórdios na Europa e aqui não se alastraram nesta época.

Os métodos críticos, a crítica estruturalista, textual, etc, precisaram esperar uma década para que fossem publicados, a exemplo dos livros de Christian Metz e Jean Mitry. Quem queria ler sobre cinema tinha que se contentar com as boas críticas dos jornais, principalmente as que saíam no Correio da Manhã e O Estado de S.Paulo, e, mais adiante, no Jornal do Brasil, e contar com os “manuais de sobrevivência”, a exemplo de “O Cinema, sua arte, sua técnica, sua economia”, do célebre historiador francês Georges Sadoul, da Editora da Casa do Estudante do Brasil, traduzido por Alex Viany. Ou com os publicados pela Agir: “Iniciação ao cinema”, de J. P. Chartier e R.P.Desplanques ofereceu um certo embasamento introdutório às coisas do cinema, entre outros desta editora, pioneira no lançamentos de obras sobre a chamada sétima arte, como os escritos do Padre Guido Logger.

Sobre o cinema nacional, havia um livro pioneiro, de pesquisa exaustiva, hoje um clássico já reeditado várias vezes, “Introdução ao cinema brasileiro”, de Alex Viany, cuja primeira edição saiu pelo Instituto Nacional do Livro (INL). Em 1963, Glauber Rocha em “Revisão crítica do cinema brasileiro” causou a polêmica necessária ao atacar o inatacável “O cangaceiro”, de Lima Barreto, dizer que “Limite”, de Mário Peixoto, não passava de um mito, entre outras diatribes peculiares ao controvertido cineasta e animador. Alguns anos se passaram para Jean-Claude Bernardet, como se descobrisse o gênio da lâmpada, afirmasse, em “Brasil em tempo de cinema” (1967), que os filmes do Cinema Novo refletiam a mentalidade classe média de seus autores.

Mas sobre o cinema internacional, sua evolução histórica, havia o indispensável “História do Cinéma Mundial”, de Georges Sadoul, em dois volumes, uma redução dos oito ou nove volumes originais publicados na França pelo historiador, o alentado “Histoire du Cinema Mondial”, numa tradução e “redução” de autoria de Sonia Salles Gomes, e editado pela Martins. Nele se tomou conhecimento da invenção do “cinematógrafo” dos Irmãos Lumière, dos primórdios, de Georges Méliès, da importância de Griffith como pai da narrativa cinematográfica, do expressionismo alemão, do neo-realismo italiano, etc.

Em meados da década de 60, numa iniciativa pioneira da Civilização Brasileira, à frente o intimorato Ênio Silveira, foi criada uma coleção, a Biblioteca Básica de Cinema (BBC), quando se teve a oportunidade de conhecimento de teóricos importantes da arte do filme. Bem editados, com índice remissivo, os livros da BBC fizeram a alegria daqueles que estavam impossibilitados de ler algo mais profundo sobre a linguagem e a estética cinematográficas (e receber livros do exterior era um processo difícil e demorado bem diferente dos dias de hoje, quando a internet “lhe manda” com o pedido feito diretamente de seu computador).

“O processo da criação cinematográfica”, de John Howard Lawson, constituiu-se em acontecimento editorial que veio enriquecer a fraca bibliografia de cinema em português. Assim como “Elementos da estética cinematográfica”, de Umberto Barbaro, “A aventura do cinema”, de Renato May, “Luis Buñuel”, de Ado Kyrou (com prefácio de Glauber Rocha intitulado “A visão do novo Cristo”). Todos estes pela BBC da Civilização.

Antenado com as novidades editoriais, homem culto, o editor Jorge Zahar não perdeu tempo e colocou na praça “O cinema como arte”, de J. R. Debrix e Ralph Stevenson, “Reflexões de um cineasta”, de Sergei Eisenstein, entre outros.

A sede de leitura de livros sobre a expressão cinematográfica foi sendo atendida no decorrer da segunda metade dos anos 60. Mas a Civilização deixou de publicar obras de teóricos para se dedicar, na sua coleção BBC, a roteiros de filmes. Há algumas preciosidades como os roteiros completos e análises e ensaios de obras-primas como “Viridiana”, de Buñuel, “Rocco e seus irmãos” e “Os deuses malditos”, de Luchino Visconti, “A doce vida”, de Federico Fellini. A seguir, a BBC estacionou em Fellini com muitos roteiros seus publicados.

Em 1966, Walter da Silveira lança, em Salvador, pela editora Tempo Brasileiro, o essencial “Fronteiras do cinema”, que reúne vários ensaios escritos ao decorrer do tempo, alguns magistrais como “Crítica e contracrítica”, “Entrevisão a Ingmar Bergman”, “Da oralidade em Alain Resnais”, “Espaço e tempo no cinemascópio”, etc. E um bem equivocado: “As vertigens de Alfred Hitchcock”. Mas obra de referência de um dos maiores pensadores cinematográfico do país em todos os tempos. Foi sua obra de estréia (antes escrevia artigos caudalosos para os jornais e sua obra completa, em quatro grossos volumes, foi, ano retrasado, editada pelo governo do estado: “O eterno e o efêmero”, título de seu discurso de posse na Academia Baiana de Letras em 1968). O segundo livro de Walter da Silveira, publicado pouco antes de sua morte (ocorrida em novembro de 1970), “Imagem e roteiro de Charles Chaplin”, pela editora Mensageiro da Fé, reúne um dos mais lúcidos e brilhantes textos sobre os filmes do hoje quase esquecido Carlitos.

A partir dos anos 70, estudos mais teóricos e aprofundados foram sendo lançados, como a coleção da Editora Perspectiva, que deu a conhecer ao leitor “A significação do cinema”, de Christian Metz e, em seu rastro, vários outros exemplares significativos.

Se a crítica de cinema dava sinais de fastio nos jornais, com estes a limitar o espaço e a determinar mais a feitura de resenhas como “guia de consumo” ao invés das análises perfuratrizes do pretérito, as editoras, pelo contrário, multiplicaram os lançamentos de obras sobre o processo de criação cinematográfica, desde manuais de roteiro, teoria do cinema, linguagem e estética cinematográficas, além da reunião em livros dos ensaios e críticas de renomados críticos de cinema: “Paulo Emílio no Suplemento Literário”, “Cinema e verdade”, de Francisco Luiz de Almeida Salles, e, recentemente, a Companhia das Letras presenteou os estudiosos da sétima arte com as notáveis antologias de “Um filme por dia”, de Antonio Moniz Viana”, “Um filme é um filme”, de José Lino Grenewald, “Um filme é para sempre”, de Ruy Castro. A Aplauso publicou uma pequena coletânea das críticas de Rubem Biáfora (que merecia um volume mais alentado).

Mas o que queria falar era mesmo do avanço que se verifica atualmente na oferta de livros sobre a arte do filme. O estudioso do cinema pode ter, agora, em português, uma biblioteca considerável sem a necessidade de importação de livros. E uma recomendação se faz aqui necessária: “Hitchcock/Truffaut”, que saiu ano retrasado, em reedição, não é apenas uma aula sobre o cinema de Hitchcock, mas uma aula sobre o processo de criação no cinema. Essencial e imprescindível.
>> TERRA MAGAZINE – André Setaro – de Salvador (BA)


O CRIME DO DETETIVE

segunda-feira | 11 | agosto | 2008

Sherlock Holmes em versão literária

 
Exploramos as relações entre o vampirismo e sociedade vitoriana no artigo O neoliberalismo e os neodráculas, mas a obra de Bram Stoker não foi a única a expressar na literatura popular o mal-estar e a insegurança do Império Britânico a caminho da decadência, nem a confortar os leitores com soluções de fantasia.

Se existe um personagem da literatura britânica do século XIX ainda mais popular que o conde da Transilvânia, é o detetive de Baker Street. Já em seu tempo, fazia muito sucesso: seu criador Conan Doyle, quis livrar-se dele para dedicar-se a romances históricos mais sérios e o “matou” em O Problema Final, publicado em 1893, mas os fãs indignados o pressionaram a ressuscitá-lo. Doyle publicou seu último volume das aventuras de Holmes em 1927 e talvez continuasse a escrevê-las se não viesse a falecer três anos depois.

A criatura sobreviveu ao criador. William Stuart Baring-Gould, um entusiasta que em 1962 publicou uma minuciosa biografia do personagem, com base nas narrativas de Doyle e na sua própria imaginação, afirmou que Holmes morreu em 1957, ao completar 103 anos. Foi, porém, mais um alarme falso. O próprio Baring-Gould faleceu em 1967, mas em 1974, o cineasta e escritor Nicholas Meyer, no romance Uma solução sete por cento, confiou a saúde mental do detetive, abalada pelo vício em cocaína, aos cuidados de um investigador igualmente famoso mas real, Sigmund Freud.

Holmes continua a reaparecer quando e onde menos se espera, inclusive nos trópicos, em uma das obras fantásticas do escritor José J. Veiga (O Relógio Belisário) e no primeiro romance do humorista Jô Soares (O Xangô de Baker Street), ambos de 1995. No alvorecer do século XXI, Loren D. Estleman escreveu Sherlock Holmes vs. Dracula, no qual o detetive encontra Van Helsing e impede o Conde é de conquistar a Inglaterra e o mundo. Cinco anos depois, Caleb Carr, em The Italian Secretary, envolveu Holmes em outra trama paranormal. Com bem mais de um século de idade, Sherlock Holmes continua bem vivo e muito ativo.

Ninguém diria que o primeiro livro foi quase um fracasso. A primeira aventura, o romance Um Estudo em Vermelho, de 1887, causou pouca impressão: o sucesso estrondoso veio em 1891, com a publicação dos primeiros contos na Strand Magazine. Como apontou o crítico literário Franco Moretti, entre essas duas datas veio o ano de Jack, o Estripador, 1889 – a sociedade foi angustiada por uma série de crimes não resolvidos, crimes sem um sujeito a quem culpar e punir. A ficção policial veio exorcizar, ao menos no imaginário, o medo de assassinos a circularem desconhecidos e impunes, zombando da justiça e da sociedade.

A principal finalidade da ficção policial criada por Conan Doyle, diz Moretti, é exorcizar qualquer sentimento de que a culpa possa ser impessoal, coletiva, social. “Uma máquina de escrever”, diz Holmes em Um Caso de Identidade, “tem na verdade tanta individualidade quanto a letra de um homem”. Sempre se pode encontrar o culpado e purgar a sociedade – concebida como organismo ou corpo social – de suas exceções patológicas.

Essa ficção é fascinada pelos “mistérios do quarto trancado”: a sociedade, inocente, fica do lado de fora. O assassino e a vítima se encontram do lado de dentro porque, de alguma maneira, são parecidos. Em boa parte das histórias de Conan Doyle, o criminoso foi vítima de um crime anterior e vice-versa. A vítima “pediu aquilo” ao querer manter em segredo um passado sombrio e impedir a “ajuda” da sociedade.

O porcentual de homicídios aumenta gradualmente nas histórias de Sherlock Holmes até se tornarem a norma. A morte nunca aparece como evento natural e universal: é sempre o resultado de um antagonismo e a punição de quem, querendo ou não, ultrapassou os limites da normalidade – como que garantindo ao leitor que, caso se ajuste aos estereótipos, nunca será vítima nem criminoso.

Conseqüentemente, os personagens da ficção policial são inertes, não crescem. Enquanto no romance clássico a meta da narrativa é a evolução do personagem rumo à autonomia, na ficção policial o objetivo é voltar à normalidade do status quo anterior.

A ação se inicia não porque uma pessoa vive e cresce, mas porque um indivíduo morre e isso representa uma anomalia a ser corrigida pelo ritual de identificação e sacrifício do indivíduo criminoso. Daí a ficção sherlockiana ajustar-se melhor à forma literária de conto que à do romance, ainda que sua extensão, em número de palavras, possa dar a impressão de um romance.

O culpado nem sempre é o mordomo, mas é sempre a individualidade, da vítima e do criminoso. Os “inocentes” mostram que o são comprovando que realmente são os estereótipos sem história que parecem ser e cumprem suas rotinas habituais. O criminoso, pelo contrário, é uma consciência autônoma, voltada para uma meta.

Curiosamente, porém o criminoso de Conan Doyle nunca é membro da burguesia. Ao menos na Inglaterra vitoriana, essa classe deixara de ser a encarnação do risco e da inovação para se tornar a defensora da prudência, da conservação e da estabilidade.

Na maioria dos casos, o criminoso é um nobre ou um novo-rico. No primeiro caso, tenta reagir ao desaparecimento de sua riqueza, opor-se ao curso natural do mercado e da história. No segundo, aspira a um salto social súbito. A intervenção do detetive visa garantir que a economia siga sua lógica e não seja violada pela vontade arbitrária do senhor feudal decadente, nem pela brutalidade da acumulação primitiva do passado.

Uma terceira possibilidade é que o criminoso seja o padrasto, o pai adotivo que deseja a herança – pois a ficção policial quer perpetuar a ordem existente, legítima por definição, baseada na autoridade do pai verdadeiro. Em todo caso, o móvel do crime é sempre a riqueza, mas não há nenhuma menção à maneira como ela foi produzida. Assim como a economia liberal, a ficção policial induz a procurar o segredo do lucro na circulação, onde não pode ser encontrado – embora se encontrem roubos, estelionatos e fraudes. A indignação contra a podridão e a imoralidade da economia deve concentrar-se nas anomalias da corrupção, inocentando o funcionamento normal da produção e da exploração do trabalho no campo e na fábrica.

O detetive Holmes, qual anjo imune à corrupção, vive para servir à sua arte: “ela é algo impessoal, algo além de mim mesmo”, diz em As Faias Cor de Cobre; “minha profissão é a sua própria recompensa”, em A Faixa Malhada. Sacrifica a individualidade, a fome, o sono, ao trabalho, mas não deixa de ser um diletante, um intelectual. Sua meta é cultural: o criminoso pode até fugir (e isso chega de fato a acontecer), contanto que sua culpa seja provada.

O papel da ficção policial vitoriana é pôr um problema – o crime – e declarar relevante uma única causa: o criminoso. Deixa de lado as causas sociais e as dúvidas sobre a parcialidade e subjetividade de seus pressupostos. Trata-se de reafirmar a idéia de um interesse geral da sociedade, que consiste em resolver aquele mistério e prender aquele indivíduo, mais ninguém, como solução válida para todos. A sociedade, por definição, é sempre inocente.

Sherlock Holmes é o médico da sociedade vitoriana, feito para convencer o leitor de que a sociedade é um organismo a ser conhecido e tratado de acordo com um senso comum sistematizado. Já o Dr. Watson pode ser um médico na ficção, mas age como mero espectador. Na realidade da técnica literária é, como os futuros ajudantes-de-detetive que o sucederão, um mero recurso prolongar a ação e o suspense, acumulando detalhes inúteis até que a intervenção fulminante do detetive genial não fornece as revelações realmente importantes.

Essa ficção dá a sensação de conhecimento científico e parece satisfazer a aspiração de certeza porque evita com rigor a prova da realidade externa: é a ciência transformada em mito, tornada auto-suficiente ao ter licença para pressupor tudo aquilo que deveria demonstrar.

Ao longo do século XX, bem depois de terem desaparecido a era vitoriana e o poderio britânico, alguns autores e autoras continuariam apegados ao modelo sherlockiano, explorando-o em mil variações acadêmicas e maneiristas. Como Agatha Christie – cujo primeiro livro desenvolve sua ação no ano dos piores massacres da I Guerra Mundial, mas se interessa apenas por um assassinato no segundo andar de uma elegante casa de campo inglesa. Mas essa não é a única maneira de se escrever ficção policial, como veremos no próximo artigo.
>> TERRA MAGAZINE – por Antonio Luiz M. C. da Costa


DIABOLÔ LITERÁRIO

sexta-feira | 8 | agosto | 2008

Os romances de Cortázar inauguraram uma nova forma de fazer literatura na América Latina, rompendo com o modelo clássico mediante uma narrativa que escapa à linearidade temporal e onde os personagens adquirem uma autonomia e uma profundidade psicológica raramente vistas.

Será que as pessoas ainda enfrentam Julio Cortázar? Dormem com suas palavras? O dia é para que os homens sofram com o trabalho, viajem na calçada, confrontem a consciência com os sonhos, parem no café e comprem diabolôs para os meninos. Mas e à noite? Ler à noite, à véspera do sonho, assim é que se lê, porque no escuro esperamos que um dia novo nos redima. É preciso que os livros nos preparem para o que virá, que nos ajudem a transformar o que não mais funciona sob o grande sol.

Ninguém, dizem-me, lê Cortázar como lia antes. O crítico Davi Arrigucci, que sobre ele escreveu “O Escorpião Encalacrado”, acredita que o escritor tenha sempre buscado o sentimento do novo, o homem no limite da decisão, de um aperfeiçoamento, de uma passagem _ o homem no seu rito de adolescência.

Eis por que não seria estranho dizer que Cortázar interessaria sobremaneira aos que jogam amarelinha ou quem sabe, contemporaneamente, o diabolô. Os grandes, estes em situação de comprar livros e, ainda mais, apaixonados por literatura, estariam com Jorge Luis Borges, divertidamente lembrado como oposto de Cortázar, mas a quem ele admirava como a um mestre _ o mesmo Borges que foi o primeiro a publicar Cortázar em uma revista literária, e para ilustrar o conto de estréia, “Casa Tomada”, providenciara um desenho de sua irmã, Nora Borges.

Talvez esta consideração de uma literatura para jovens esconda o fato de que as ansiedades da adolescência sejam aquelas de formação _ e que as pessoas, hoje, formem-se cada vez mais tarde para as decisões. O experimento lhes parece permitido em idade avançada. Vive-se mais nestes dias. No orkut, a comunidade dedicada a Cortázar tem cinco mil membros. Isto é pouco? Nem todos os comunitários são jovens.

Penso como teria andado o escritor argentino por esta São Paulo doente, em 1975, já que desconfiava que o perseguiam. Ele, ainda mais, portador e buscador das palavras, inventara uma leitura livre em “Rayuela”, e a liberdade interessava aos jovens, os revolucionários de então.

Aos 59 anos, Cortázar passeara pelo Instituto Butantã, comera no Mexilhão, no Pingão, no Amigo Leo, vira Maria Bethânia no Tuca, todos eles itens de um roteiro turístico na capital paulista daqueles tempos. Em comunicação com os paramilitares argentinos, a polícia soubera, em abril, que Cortázar se encontrava aqui, que ocupava o Hotel Esplanada, no centro, e que lá depositara suas valises.

A polícia recebeu a informação da presença do escritor entre nós diretamente de um jornal vespertino que dera a manchete “Cortázar está em São Paulo, fingindo que não está”. A polícia, depois disso, revirou o quarto que ele ocupava no hotel, durante sua ausência. Nada, é evidente, encontrou.

O perigoso e subversivo Julio Florencio Cortázar, jurado do Tribunal Bertrand Russell contra os atos de tortura em países da América Latina, queria estar em São Paulo para, entre outras coisas, comprar discos de Gal Costa. Já visitara a mãe e a irmã em Campos do Jordão, sigilosamente, por uma semana. Não poderia voltar à Argentina, ele que morava em Paris. Se pisasse em Buenos Aires, os paramilitares o pegariam.

Antes de deixar São Paulo às pressas, rumo ao aeroporto que o levaria a Paris, em abril, ele jogou na privada o café da manhã. Dormira no quarto revirado antes de tomar a decisão. Que palavras teria carregado pela noite?

Arrigucci diz que, no aeroporto de Congonhas, à espera do ônibus que o levaria a Viracopos, ele lia “Balanço da Bossa e Outras Bossas”, de Augusto de Campos. Fazia sentido. Bossa nova, Caetano ou Gal eram novidades radiantes. Diz o próprio Arrigucci que Cortázar não se cansava de buscá-las, como quem quer abrir a porta a um mundo mágico. Tudo, aliás, poderia ser magia para ele. Um dia viu o desenho de um escorpião na placa de um estabelecimento e se perguntou se aquilo representaria um sinal.

Estive com Arrigucci nesta semana e pude ler alguns trechos de cartas enviadas a ele por Cortázar. Selecionei o que vai a seguir. Cortázar tenta, aparentemente, consolar Arrigucci de alguma espécie de tristeza do crítico, que contava então 34 anos. E diz, em 13 de janeiro de 1977, ao “querido Davi”:

Não reprove meu silêncio, porque também minha vida é difícil, viajo demasiado por razões que nada têm que ver com meus gostos mais profundos, sabe-o bem; há dias em que sinto a boca amarga, vontade de que tudo se vá ao diabo, e eu em primeiro lugar. Mas depois olho para o sol, encontro um sorriso em uma rua, me agrada uma mulher, essas coisas que de repente me dizem que estou vivo e que só o estarei uma vez. Então volto para minha casa e escrevo ou escuto discos ou faço amor ou brinco com um menino, e penso que ao fim e ao cabo valeu a pena ter estado um instante neste sujo, fodido, planeta.

A carta prossegue com seus interesses, depois de Cortázar ter dado fim à “filosofia barata” que acabara de dizer.
>> CARTA CAPITAL – por Rosane Pavam


O MANÍACO DO OLHO VERDE

sexta-feira | 8 | agosto | 2008

ADORÁVEL VAMPIRO
Recluso, Dalton Trevisan lança novo livro de contos e confirma o prestígio entre fãs

Avesso a entrevistas, o escritor curitibano Dalton Trevisan coleciona uma legião de fãs que cresce proporcional a sua aparente timidez. Quanto mais se recusa a aparecer, mais ansiosos por sua próxima obra crítica e público se tornam. E de fato, eles não irão se decepcionar com o inédito O Maníaco do Olho Verde (Record, R$ 28,00, 128 páginas), que chegou às livrarias na última sexta-feira, pela Record.

Para os fãs, o livro é um grato presente. Para os que ainda não são, é uma excelente iniciação à obra de um dos maiores escritores brasileiros. Em 26 contos, com uma linguagem mordaz e diálogos insólitos, o livro reúne o melhor do estilo enigmático e enxuto do autor. Vencedor do Prêmio Portugal Telecom 2003 com Pico na Veia, Dalton prova, a cada novo trabalho, porque é um dos mais renomados contistas brasileiros contemporâneos.

O Maníaco do Olho Verde é composto por textos enxutos que retratam a realidade e a condição humana, onde a miséria, o desemprego e o desespero diante da desesperança provocam humilhações, medo, amargura e exploração sexual. Pelas páginas do livro passeiam noivos pernetas, prostitutas, ladrões, assassinos, pessoas humildes, marginalizadas, sem oportunidade ou opção.

O tal maníaco , que dá nome a um dos contos e ao livro, é um homem normal a não ser por uma estranha fixação: sexo. Doença ou tara, o fato é que bastava ser mulher para atrair seus assustadores olhos verdes: “Me diga. Que culpa tenho eu? Assim fui nascido. Simples capricho do Senhor Deus. Sei lá, o mau sangue dos pais. Uma praga do capeta desgracido. Podem me condenar, babacas e bundões. O que eu faço? Tudo o que vocês gostariam. Eu sou um de vocês”.
>> REVISTA O GRITO!


HISTÓRIAS FEITAS NO LIQUIDIFICADOR: “COISAS FRÁGEIS”, DE NEIL GAIMAN

sexta-feira | 8 | agosto | 2008


Neil Gaiman é referência obrigatória para quem curte quadrinhos. Seu maior sucesso, Sandman, foi lançado em 1989 e ainda é uma das mais comentadas graphic novels. Pouca gente sabe é da lenda de que Sandman foi lançado inicialmente para “preparar o terreno” para Orquídea Negra, uma belíssima criação lançada em 1990, onde se pode curtir a arte de Dave McKean (responsável pelas capas de Sandman) em todas as páginas.

Mas Gaiman tem outros talentos para além da banda desenhada. Seu “Stardust” (1998) virou filme em 2007. O autor também assina, junto com Roger Avary, o roteiro de Beowulf além de outras produções menos conhecidas.

Mas há os livros… Um monte deles! A Conrad tem lançado no Brasil a obra de Gaiman em edições impecáveis. Confira “Lugar Nenhum” (1997), “Deuses Americanos” (2001) e “Filhos de Anansi” (2005).

O mais novo lançamento é “Coisas Frágeis” (204 pp., R$ 38) que é lançado por ocasião da participação do autor na edição 2008 da Feira Literária Internacional de Paraty (FLIP). É a terceira vez que Gaiman vem ao Brasil e desta vez participa da mesa “A mão e a luva” no evento literário mais badalado do país.

“Coisas Frágeis” é um livro de contos em que o autor passeia por climas tão diversos quanto Matrix, Sherlock Holmes ou Nárnia. A “mistura” inclui puberdade, punk rock e ficção científica em “Como Conversar com Garotas nas Festas”, combina Conan Doyle com H. P. Lovecraft em “Um Estudo em Esmeralda” e visita a Matrix em “Golias” (que é inspirado no roteiro original do primeiro filme).
>> OUTRA COISA – por Eduardo Santos

O livro é composto por nove contos e mistura puberdade, punk rock e ficção científica em “Como conversar com garotas nas festas”; combina o Sherlock Holmes de sir Arthur Conan Doyle com o terror de H. P. Lovecraft em “um estudo em esmeralda”, e extrapola o mundo de Matrix em “Golias”, inspirado no roteiro original do primeiro filme.

A publicação é um tratado prático de como escrever boas histórias – histórias que, como diz a introdução do livro, “duram mais que todas as pessoas que as contaram, e algumas duram muito mais que as próprias terras onde elas foram criadas”.

Leia um trecho


VERSÃO ANIMADA DE BUFFY CAI NA INTERNET

sexta-feira | 8 | agosto | 2008


Abaixo está o video de três minutos da versão animada de “Buffy, a Caça-Vampiros”, produção de 2001 que foi abortada pela Fox. Este video foi produzido para ser apresentado a possíveis anunciantes e banqueiros que poderiam se interessar em financiar a produção da série animada.

A animação foi criada por Joss Whedon e contou com as vozes da maioria do elenco da série original, menos Sarah Michelle Gellar, a própria Buffy, que não aceitou participar da versão animada pois preferiu investir em sua carreira cinematográfica. Giselle Loren fez a voz de Buffy neste video e em dois games da série. As demais vozes são de Alyson Hannigan (Willow), Anthony Stewart Head (Giles) e Nicholas Brendon (Xander). Foram escritos entre seis e sete roteiros, mas apesar de terem conseguido financiamento, a produção não conseguiu um canal para ser exibida e foi cancelada.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


TRAILER DE LIVRO DE TERROR NA LISTA DOS MAIS ASSISTIDOS DO YOUTUBE

sexta-feira | 8 | agosto | 2008


A Publisher Weekly informa que a lista de vídeos mais assistidos do Youtube inclui geralmente momentos capturados por amadores em cenas caseiras. Portanto, foi um golpe quando o trailer do próximo livro de Sherrilyn Kenyon, Acheron, entrou para a lista dos mais assistidos na semana passada. Apenas um dia depois de ser publicado no site, o vídeo trailer foi visto mais de 113 mil vezes. Uma semana depois, esse número ultrapassou 175 mil.

A obra, um romance paranormal, vai à venda ainda em agosto com tiragem inicial de 350 mil cópias. O vídeo, que foi produzido por uma equipe de Hollywood, é de 33 segundos de duração e já suscitou comentários dos telespectadores como “eu mal posso esperar para este livro chegar em minhas mãos” e “eu estou tão ansioso pelo livro.
>> PUBLISHnEWS – por Publishers Weekly


O JUSTICEIRO ZÉ DO CAIXÃO QUER SALVAR O MUNDO

sexta-feira | 8 | agosto | 2008


O assunto da temporada. Para um bando de cinéfilos, a estréia de Zé do Caixão é maior do que as Olimpíadas.
Hoje, sexta-feira 08/08/08, entra em cartaz o mais novo filme de José Mojica Marins, o ‘A Encarnação do Demônio’ – filme que reúne todas as referências com que trabalhou ao longo de sua carreira: pornochanchada, animais vivos – aranhas, ratos e baratas -, sadismo, misticismo, alucinações…

Considerando que o roteiro estava pronto desde 1966, esse é o filme que levou 40 anos para sair do papel. Atualizado para os novos tempos, o autor do personagem Zé do Caixão acredita que “atingiu o limite da sua criatividade”, e que esse longa “é a prova de que o gênero terror no Brasil é viável”. Uma quebra de tabu – não sem antes apavorar a equipe de filmagem que assistiu durante nove semanas toda a sorte de danação possível: uma mulher saindo de dentro de um porco morto, uma figurante empolgada que pede para costurarem de verdade sua boca, um ouriço humano com quase mil agulhas cravadas pelo corpo (essa cena não entrou na versão final), suspensão de gente por ganchos cravados na pele e o cheiro horrível que tomava conta do set.
Certamente bem mais assustador que o próprio filme.

Como disse o Mojica na pré-estréia: “Que o cosmo ilumine seus passos e prestem atenção nos diálogos”!

Mojica, porque essa obsessão com o ‘filho perfeito’?
A idéia do filho perfeito é que a mente do Zé acredita em hereditariedade do sangue. Na lógica dele, ele quer alguém que pensa como ele, e crê que através de um filho ele poderá ser eterno.
Por isso ele testa e analisa as mulheres com quem quer ter um filho, para saber se são inteligentes.
Para o Zé do Caixão não importa se 300 pessoas morrem em um acidente – porque se são pessoas inferiores são um estorvo. Para ele basta salvar apenas um ser que seja superior. Porque ele precisa de mais gente para salvar o mundo. E para isso, nesse filme ele deixa sete mulheres grávidas.

Mas como salvar o mundo se ele é o Demônio?
O povo chama o Zé de demônio porque não entendem ele. O Zé é cético, não crê em nada, é ateu.

Mas ele é sádico.
Ele é frio. Como ele não ama, ele também não odeia. É como cobra – se você não passa na frente, ela não pica. No filme ele mata quem atrapalha o caminho dele.
Ele é assim pelo fato de ter sofrido quando volta da II Guerra, tendo lutado como um pracinha, e encontra sua noiva com uma autoridade da cidade. Ele não perdoa e mata os dois. Fica revoltado porque o Brasil não valoriza seus heróis.
Essa é a origem do Zé do Caixão que será lançada em HQ.

Algo a ver com o seu cinema ser considerado trash…
Consideram meu cinema ‘ trash’ aqui, mas não é trash. Conto isso na Europa e nos Estados Unidos e eles ficam revoltados. Lá eles me dão valor. O que antes era chamado de trash hoje pode ser chamado de cult.

Você se considera underground?
Não. Me considero um autodidata. Aprendi tudo sozinho. Morava no fundo de um cinema e procurei fazer uma linguagem própria, que já foi chamada de ‘marginal’, ‘primitiva’, ‘udigrudi’ – são tantos nomes que já me deram. Mas eu digo que faço ‘cinema de invenção’, porque inventei o que já estava inventado de uma maneira econômica, de baixo orçamento, economizando nos negativos por exemplo.

Você fez um terror genuinamente brasileiro.
Sim eu procuro mostrar o Brasil. Luto por isso. Por isso nos meus filmes tem macumba, misticismo, favela… É o que os europeus, americanos e asiáticos querem ver.

Você acredita em Deus?
Acredito em Deus, sou católico, mas não sou praticante. Carrego em minha casa São José, e a Virgem Maria Nossa Senhora, em que me apego e sou socorrido.

É a força do cosmo?
A gente não tem idéia para onde vai quando morre, se é um mundo paralelo, uma outra dimensão, outra galáxia. A luz do cosmo é infinita, é a maior força. Espero que lá tenha vida.

E o lançamento no dia 08/08/08?
Preciso do cinema lotado, no dia 08, 09 e 10. Não deixem de ir. Quis concorrer com as Olimpíadas. E acho que eles estão com medo.
>> TERRA MAGAZINE – por Paula Guedes


Sombrias Escrituras

sexta-feira | 8 | agosto | 2008
Sombrias Escrituras

Sombrias Escrituras

O site Sombrias Escrituras renovou suas funções, dando mais espaço a divulgação de livros nacionais, e lançando fanzines com publicações de contos, poemas e ilustrações de diversos autores contemporâneos.
Tendo à frente o editor Alexandre Souza, que atende pelo pseudônimo “Sr. Arcano”, o site traz seções de Poesia, Fanzines, Entrevistas, Correio, Colunas, etc…

Acesse: www.sombriasescrituras.com.br

Comunidade no Orkut: http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=60871905

Dentre as novidades, podemos conferir: Concurso de Poesia com ótimas premiações, Lançamento recente do Fanzine Antológico e Espaço para publicidade de livros.


PÔSTER E TRAILER DO FILME “CTHULHU”

quinta-feira | 7 | agosto | 2008


A produtora Regent Releasing divulgou o primeiro pôster e trailer de Cthulhu, filme que leva o nome da criatura proveniente do romance O Chamado de Cthulhu, de H. P. Lovecraft. O filme, que estreará em 22 de agosto nos EUA, conta com a direção de Daniel Gildark e tem os atores Jason Cottle, Tori Spelling e Scott Green no elenco.

O filme conta a história de um professor de história que retorna a sua cidade natal após a morte de sua mãe. Lá ele reencontra sua antiga melhor amiga e se envolve em uma série de eventos quando descobre aspectos sobre o culto de uma Nova Era de qual seu pai participa e que poderão ocasionar perigosos e apocalípticos eventos.

Cthulhu surgiu no conto O Chamado de Cthulhu na forma de uma estatueta de argila, representando um híbrido de octópode com ser alado. Ele está ligado ao mito dos Grandes Antigos (criaturas gigantescas e monstruosas dos primórdios do tempo), que surgem constantemente em diversas obras de Lovecraft.

Na ficção, há vários cultos que veneram Cthulhu e geralmente consistem em grupos de pessoas primitivas ou isoladas que acreditam que Cthulhu anunciará uma era de caos e violência desenfreada ou que ele exterminará toda a humanidade, mas matará o culto rápida e relativamente sem dor. De acordo com Lovercraft, os seres humanos nunca poderão entender totalmente Cthulhu, pois sua existência vai além da compreensão mortal.
>> HQ MANIACS – por Willian Matos

O trailer pode ser conferido clicando aqui:


DVD DE “PLANETA TERROR” EM PRÉ-VENDA

quinta-feira | 7 | agosto | 2008


Já está em pré-venda o DVD de Planeta Terror, a metade de Grindhouse dirigida por Robert Rodriguez, contanto uma história clássica de invasão zumbi no mundo.

O DVD, que será lançado oficialmente no dia 20 de agosto, terá entrevistas e trailers do filme, além de dois dos trailers falsos filmados para Grindhouse e mais uma novidade: uma versão dublada do filme em MP4, própria para ser assistida em MP3 Players compatíveis.

E enquanto isso, nem sinal de À Prova de Morte, a metade de Grindhouse dirigida por Quentin Tarantino, que vem sendo adiada sucessivamente. Para ver uma crítica de Grindhouse, clique aqui.

O texano Robert Rodriguez é conhecido como um dos grandes diretores da nova geração de Hollywood, tendo dirigido grandes filmes como a trilogia de El Mariachi com Antonio Bandeiras, Sin City e a série Spy Kids. Entre seus próximos projetos estão o filme de Red Sonja, um segundo Sin City e o longa de Madman.

Grindhouse foi uma experiência dos diretores Robert Rodriguez e Quentin Tarantino em reviver as sessões duplas de filmes B, clássicos em suas infâncias. Foram produzidos dois filmes, Planeta Terror, sobre um ataque zumbi, e À Prova de Morte, um thriller sobre um dublê assassino. Os filmes de Grindhouse foram distribuídos separadamente no resto do mundo, sendo que apenas Planeta Terror foi lançado no Brasil.
>> HQ MQNIACS – por Thiago “Dinobot” Colás


CANAL BRASIL EXIBE SÉRIE SOBRE QUADRINHOS

quinta-feira | 7 | agosto | 2008

Estréia em agosto, no Canal Brasil, a série Quadrinhos. Produzida pela Ideograph e dirigida por Eduardo Calvet, ela conta em cinco episódios semanais a trajetória das histórias em quadrinhos no País.

Os temas abordados nesta primeira parte vão de Angelo Agostini à criação da Editora Brasil-América por Adolfo Aizen.

O episódio de estréia tem 26 minutos e será exibido em 26 de agosto, às 21h, com reprises em 27 de agosto às 15h30min e em 30 de agosto às 12h.

Entre as curiosidades do programa, está a indústria de quadrinhos brasileira, que já teve vendas de 5 milhões de cópias de heróis e monstros desenhados em nosso país.

Os heróis terão destaque, como o mascarado verde e amarelo Judoka, de Pedro Anísio, imortalizado no traço de Floriano Peixoto, cuja revista chegou a passar do número 50 e teve um filme trash feito nos anos 70, estrelado por Pedro Aguinaga e Elisângela.

O implacável detetive, o Anjo, herói da Rádio Nacional que virou quadrinhos com arte de Flavio Colin. O personagem também virou filme nos anos 80, pelas mãos do mestre do “terrir” Ivan Cardoso.

Entrevistas com historiadores, pesquisadores, editores, escritores e desenhistas, que viveram a história dos quadrinhos no Brasil, entre eles Ziraldo, Mauricio de Sousa, Angeli, Paulo Caruso, Ivan Reis, Lourenço Mutarelli, Ivan Cardoso, Moacy Cirne, Sidney Gusman, Marcelo Campos e muitos outros.

Confira no blog do Universo HQ um trailer dessa nova série. Abaixo, os temas dos episódios:

A Nona Arte – dia 26 de agosto, às 21h: As editoras e revistas que deram início a tudo, como O Tico-Tico, Suplemento Juvenil, O Globinho, a história da Ebal de Adolfo Aizen e mais.

Os Mestres do Terror – dia 2 de setembro, às 21h: O “boom” das histórias em quadrinhos de terror que ocorreu entre as décadas de 1950 e 1970, com o surgimento de desenhistas e ilustradores como Nico Rosso, Rodolfo Zalla e Júlio Shimamoto. A ligação entre o terror e o erotismo, e a figura mítica de Carlos Zéfiro.

A Turma do Infantil – dia 9 de setembro, às 21h: O universo infantil, que se consolidou como a verdadeira indústria dos quadrinhos brasileiros, com nomes como Guttemberg Monteiro, Ziraldo e Mauricio de Sousa.

Gibis, Drogas e Rock´n Roll – dia 16 de setembro, às 21h: A influência da tradição cartunista na época da ditadura militar e seus reflexos nas gerações posteriores, com artistas como Henfil, Ziraldo e os irmãos Caruso e sua contundente crítica política. Surge a geração da Chiclete com Banana com Angeli, Glauco e Laerte. O trabalho autoral de Mutarelli.

Capitão Brasil e sua Gangue – dia 23 de setembro, às 21h: Os heróis brasileiros, como O Anjo, Capitão Sete, Judoka, Jerônimo e outros que povoaram o imaginário dos leitores de quadrinhos durante as décadas de 1940, 1950 e 1960. E desenhistas brasileiros que fazem o Homem-Aranha, Super-Homem e X-Men nos Estados Unidos.
>> UNIVERSO HQ – por Por Ricardo Malta e Marcelo Naranjo


FÁBIO MOON & GABRIEL BÁ: O QUE VEM POR AÍ

quinta-feira | 7 | agosto | 2008

 
Há pouco mais de uma semana, os irmãos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá ganharam dois prêmios Eisner cada um, tornando-se, ao lado de Rafael Grampá – o outro premiado da noite -, os primeiros brasileiros a receber aquele que é considerado o Oscar dos quadrinhos.

Por email, Gabriel Bá explica ao Gibizada alguns dos próximos projetos da dupla. O primeiro deles é uma HQ sobre a cidade de São Paulo para a revista Época SP, cujo capítulo inicial já saiu e pode ser conferido logo abaixo. O próximo sai no mês que vem.

“São HQs pra revista Época São Paulo e tratam da cidade, suas particularidades, sempre com aquele diferencial que só os Quadrinhos podem oferecer”, diz Gabriel Bá. Abaixo, ele conta como serão os outros dois trabalhos, previstos para 2009, nos EUA: 

“DAYTRIPPER”: “A nossa própria série na Vertigo [selo de temas adultos da DC Comics], escrita e desenhada por nós. Trata da vida de um cara que ser ser escritor, mas vive sob a sombra do pai, um consagrado romancista. Acompanhamos vários momentos de sua vida e como cada decisão que você toma influencia os caminhos que sua vida te leva. Por ser publicada na Vertigo, acho que é a nossa chance de sermos vistos como contadores de histórias, escritores, não só como desenhistas.”

“B.P.R.D.:1947″ (no alto): “O Mignola [Mike Mignola, criador de Hellboy e do B.P.R.D., grupo do qual o demoníaco personagem fez parte] tem acompanhado nosso trabalho (sempre que vamos à Comicon damos nossos mais recentes trabalhos para ele) e mostrou interesse em trabalhar conosco já o ano passado. Refletindo sobre o tipo de arte que ele e o Josh Dysart (co-escritor da série) imaginavam, na verdade dois tipos diferentes e complementares, o Fábio e eu nos encaixamos perfeitamente nisso.”
>> GIBIZADA – por Télio Navega


CURIOSIDADE: PROPAGANDA COM WILLIAM SHATNER

quinta-feira | 7 | agosto | 2008

O video mostra o eterno capitão Kirk, atual Danny Crane, fazendo propaganda do game World of Warcraft.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


CREPÚSCULO, DE STEPHENIE MEYER COMPETE POR LEITORES DE HARRY POTTER

quarta-feira | 6 | agosto | 2008

Crepúsculo marca a estréia da americana Stephenie Meyer na literatura como um fenômeno do mercado editorial. Ela assina uma saga de quatro livros que se tornou uma febre ao vender mais de cinco milhões de exemplares em todo o mundo

'Eclipse' narra aventuras de uma adolescente que se apaixona por um vampiro.

Publicado nos Estados Unidos em 2005, Crepúsculo se manteve por 56 semanas na lista de mais vendidos do New York Times, cinco delas em primeiro lugar. Assim, chegou à marca de dois milhões de exemplares vendidos.

No Brasil, Crepúsculo já encontra fãs que acompanham os personagens desde as primeiras edições estrangeiras, com página na Internet em português, blogs e comunidades em sites de relacionamento. Meyer conquistou não apenas uma legião de leitores, mas a crítica norte-americana, o que fez de Crepúsculo um dos títulos mais comentados de 2005, quando foi lançado e obteve o título de “Livro do Ano” pela Publishers Weekly.

Lua Nova e Eclipse — os dois volumes que dão seqüência a esse primeiro romance ―, já lançados nos Estados Unidos, fizeram trajetória semelhante: Lua Nova esteve por 31 semanas em primeiro lugar na lista do New York Times e Eclipse, que registrou 150 mil exemplares vendidos nas primeiras 24 horas do lançamento. A publicação do quarto volume, Breaking Dawn, que traz o grand finale desse épico de amor sobrenatural e fantasia, mobiliza o mercado americano para o lançamento em agosto. Já está entre os primeiros lugares em pré-venda nas livrarias, que prometem um esquema nos moldes da campanha de Harry Potter, com lojas abertas até a meia-noite.

Com direitos vendidos para 32 países e para o cinema, Crepúsculo ganhará as telas americanas ainda em 2008, em filme assinado por produtores de O Diabo Veste Prada, protagonizado por Robert Pattinson e Kristen Stewart e dirigido por Catherine Hardwicke.

Crepúsculo poderia ser como qualquer outra história não fosse um elemento irresistível: o objeto da paixão da protagonista é um vampiro. Assim, soma-se à paixão um perigo sobrenatural temperado com muito suspense, e o resultado é uma leitura de tirar o fôlego — um romance repleto das angústias e incertezas da juventude — o arrebatamento, a atração, a ansiedade que antecede cada palavra, cada gesto, e todos os medos.

Isabella Swan chega à nublada e chuvosa cidadezinha de Forks – último lugar onde gostaria de viver. Tenta se adaptar à vida provinciana na qual aparentemente todos se conhecem, lidar com sua constrangedora falta de coordenação motora e se habituar a morar com um pai com quem nunca conviveu. Em seu destino está Edward Cullen.

Ele é lindo, perfeito, misterioso e, à primeira vista, hostil à presença de Bella ― o que provoca nela uma inquietação desconcertante. Ela se apaixona. Ele, no melhor estilo “amor proibido”, alerta: Sou um risco para você. Ela é uma garota incomum. Ele é um vampiro. Ela precisa aprender a controlar seu corpo quando ele a toca. Ele, a controlar sua sede pelo sangue dela. Em meio a descobertas e sobressaltos, Edward é, sim, perigoso: um perigo que qualquer mulher escolheria correr.

Nesse universo fantasioso, os personagens construídos por Stephenie Meyer ― humanos ou não ― se mostram de tal forma familiares em seus dilemas e seu comportamento que o sobrenatural parece real. Meyer torna perfeitamente plausível ― e irresistível ― a paixão de uma garota de 17 anos por um vampiro encantador.

STEPHENIE MEYER formou-se em literatura inglesa na Brigham Young University. Sua estréia com Crepúsculo lhe rendeu, além do topo das listas de mais vendidos, a indicação de “Autora mais promissora de 2005” — o que se concretizou no mercado livreiro americano com os outros livros da série, Lua nova e Eclipse. Meyer ganhou status de celebridade e se prepara para o lançamento de The Host, nos Estados Unidos, novo romance que também será lançado no Brasil pela Intrínseca. Mora com o marido e três filhos em Glendale, no Arizona.
>> REVISTA IN ONLINE – por Nobel Tatuapé 

Como todo bom livro, o “Crepúsculo” também irá se tornar uma filme. O lançamento ocorrerá no dia 12 de dezembro deste ano. Confesso que depois de descobrir essa notícia, já estou roendo as unhas pela espera da estréia do filme.
No You Tube já está rolando o primeiro trailer do filme. Veja:


A INDÚSTRIA DOS SUPER-HERÓIS

quarta-feira | 6 | agosto | 2008

O conceito do filme Highlander se originou de uma visita de Greg Winden à Escócia. Ao ver uma armadura, Winden imaginou como seria se o guerreiro desta ainda estivesse vivo. Assim surgiram os Imortais, que lutam entre sí

Como muitos garotos da minha classe social e da minha geração, passei grande parte da minha infância com o nariz enterrado em gibis de histórias-em-quadrinhos. Alguns eram inevitáveis: Superman, Batman, Mandrake, Fantasma. Outros eram menos conhecidos, como “C. B.” (“Crime Buster”, criado por Charles Biro). Ao mesmo tempo, movido pelo entusiasmo de todo mundo lá em casa pelo charadismo e pelas palavras cruzadas, eu devorava com aplicação livros e mais livros sobre Mitologia Grega, desde as aventuras dos personagens do Picapau Amarelo (O Minotauro, Os 12 Trabalhos de Hércules) até o Dicionário da Fábula de Chompré e a Enciclopédia Delta-Larousse.

Não relato isto por mera nostalgia, nem para me gabar da variedade de minhas leituras (e ainda precisa?), mas apenas para comprovar de novo o que vou dizer agora. A indústria cultural é o novo folclore. Aquilo que há 3 mil anos era produzido pelas pessoas em volta das fogueiras, em bate-papos na pracinha, ou em histórias mirabolantes passadas de boca-em-boca no zum-zum-zum das feiras e dos mercados, é hoje uma indústria que movimenta bilhões de dólares e envolve milhões de pessoas. Folclore profissional, remunerado. Criação industrial de mitologias.

Saem de campo Hércules, Ulisses, Perseu, Sansão, Thor e Siegfried, e entram os X-Men, o Homem Aranha, o Demolidor e o Spawn (além dos citados acima). O processo de criação desses tipos continua a ser semi-inconsciente (existe algo mais semi-inconsciente do que a indústria cultural?), feito às pressas, sem preocupação com verossimilhança ou qualidade. Se em nossa vida real precisamos de heróis, em nossa vida imaginária precisamos de super-heróis, de semideuses, só que agora eles têm de ser semideuses com a credibilidade avalizada pela genética, pela energia atômica, pela percepção extra-sensorial, e por outros pretextos que, aos olhos do leitor comum, não se distinguem muito da Magia.

Na cena inicial do filme Highlander (o que deu origem à série sobre espadachins imortais que se enfrentam ao longo dos séculos) vemos um ringue de luta de tele-catch, onde aqueles sujeitões musculosos e peludos se agarram uns aos outros e fingem que estão brigando. Um espectador afasta-se dali, e ao chegar à garagem é atacado por outro: são dois highlanders, e o que vemos em seguida é um duelo mortal, a sério, entre dois guerreiros pra valer. Esta seqüência inicial é a melhor de toda a série, e expressa muito bem esta dualidade entre heróis de mentira (o tele-catch) e heróis de verdade (os highlanders). Vistos daqui de fora, são os highlanders que são os heróis de mentira, os que sabemos que não existem mas que, encenando suas brigas de mentirinha, encarnam nossas aspirações de grandeza e coragem. A diferença é que o que antigamente era feito por um processo espontâneo, pessoal e descentralizado de criação de tipos e de histórias, hoje tem o suspeito perfil de uma indústria lucrativa e deliberada.
>> MUNDO FANTASMO – por Bráulio Tavares


EDITORA MANOLE CRIA NÚCLEO PARA PUBLICAR QUADRINHOS

quarta-feira | 6 | agosto | 2008

Baltimore, ou The Steadfast Tin Soldier and the Vampire, será adaptado para o cinema por Mignola, Golden e o diretor do filme será David Goyer (da série Blade).

Uma das grandes do mercado editorial brasileiro vai entrar no ramo de quadrinhos. A Manole vai publicar obras ligadas à área a partir deste semestre. O livro ilustrado “Baltimore” é o primeiro lançamento confirmado. É uma parceria entre o escritor Christopher Golden e Mike Mignola, criador do personagem Hellboy.

Mignola é quem faz as mais de cem ilustrações da obra norte-americana, que mostra a caça a um vampiro, liberto durante a Primeira Guerra Mundial. Segundo a editora, o livro está na gráfica e deve ser lançado em breve.

A paulista Manole -fundada há 40 anos- ainda define quais serão os próximos títulos a serem trabalhados. Mas demonstrou claro interesse na publicação de álbuns nacionais, tendência seguida por outras editoras também. “A idéia é ter muito material nacional”, diz por telefone Leda Rita Cintra, que cuida da captação de conteúdo para a nova linha da Manole. “A gente quer criar um selo que vença pela qualidade, e não pela quantidade.”

O selo a que ela se refere se chama Amarilys, nome da linha que vai agregar obras literárias e de quadrinhos. Dentro desse selo, que deve ser inaugurado oficialmente em setembro, vai haver uma editoria específica de quadrinhos. O editor será Luis Pereira.

A Manole estuda também a possibilidade de publicar obras teóricas ligadas à área. Na prática, é uma volta à área de humanas, deixada de lado pela editora há alguns anos. O investimento da Manole, desde então, focou-se em produções ligadas à administração, direito, fisioterapia e medicina, áreas pelas quais ficou conhecida no mercado. Agora, volta a investir em literatura e quadrinhos, reiniciando do zero. “Quadrinhos estão vendendo de novo”, diz Leda. “A quantidade está uma loucura. Todo mundo está fazendo.” O objetivo da Manole é vender as publicações do selo nas livrarias.

No final do ano passado, foi noticiado que Baltimore ganhará uma adaptação cinematográfica, produzida pela New Regency e dirigida por David Goyer.

Baltimore conta a história do Lorde Henry Baltimore, um nobre que desperta a ira de um vampiro nos campos de batalha da I Guerra Mundial. O mundo então muda para sempre, pois uma praga é lançada, uma praga que nem a morte pode conter. Enfrentando eternamente as trevas como um solitário soldado, Baltimore convoca três companheiros, homens que devido às suas histórias e atribuições, têm motivos para acreditar que o mal está devorando a alma da humanidade. Enquanto esperam por Baltimore, esses três homens compartilham histórias e contemplam que papéis eles representarão nessa luta sem fim. Antes do final da noite, todos saberão o que é necessário para extirpar o mundo desta praga de uma vez por todas.
>> BLOG DOS QUADRINHOS – por Paulo Ramos


SONIA LUYTEN RECEBE HONRARIA DO GOVERNO JAPONÊS

quarta-feira | 6 | agosto | 2008


No dia 1º de agosto, numa cerimônia solene realizada na Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social, Sonia M. Bibe Luyten recebeu um importante reconhecimento ao seu trabalho de tantos anos divulgando a cultura pop nipônica: por intermédio do seu Ministério de Negócios Estrangeiros, o governo do Japão destinou à professora e pesquisadora uma importante honraria.

O evento integrou as comemorações pelo Centenário da Imigração Japonesa ao Brasil. Para definir quem seria homenageado, foi realizada uma pesquisa sobre as personalidades brasileiras que se destacaram em variados setores promovendo – com sucesso – as relações entre o Japão e o Brasil.

Dentre os 62 escolhidos para receber a honraria havia poucas mulheres, sendo apenas duas não descendentes de japoneses: Sonia Luyten e Ruth Cardoso, ex-primeira dama do Brasil, recentemente falecida. As nipo-brasileiras homenageadas foram a cineasta Tizuka Yamazaki; Geny Wakisaka, diretora do Centro de Estudos Japoneses da Universidade de São Paulo; Midori Kimura Figuchi, pesquisadora sobre imigração e ex-diretora do Memorial do Imigrante; e Takebe Junko, instrutora de artes tradicionais japonesas.

Na cerimônia, foi destacado sobre Sonia Luyten o fato de ser pioneira como especialista em cultura pop japonesa e ter tido grande importância na difusão dos mangás e animês em nosso mercado – o que fez escrevendo livros e artigos e ministrando palestras nas principais cidades do Brasil e até em diversos países da América Latina e da Europa.

Sonia M. Bibe Luyten é mestre e doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, onde, em 1972, iniciou de forma pioneira o curso de Histórias em Quadrinhos. Foi professora de diversas faculdades e lecionou em de Osaka, Tóquio e Tsukuba, no Japão; na Universidade Real de Utrecht, na Holanda; e na Universidade de Poitiers, na França.

Além disso, é autora dos livros Comunicação e Aculturação, O que é História em Quadrinhos, Histórias em Quadrinhos – Leitura Crítica, Mangá, o poder dos quadrinhos japoneses e Cultura Pop Japonesa: mangá e animê. Recebeu vários prêmios, como o Romano Calise, em Lucca, na Itália, pela melhor tese acadêmica na área de Histórias em Quadrinhos; o HQ Mix; o MangaCom e o Angelo Agostini
>> UNIVERSO HQ – por Sidney Gusman


PÔSTER ESPECIAL PARA OS 20 ANOS DE SANDMAN

quarta-feira | 6 | agosto | 2008

O Vulture, blog de entretenimento da New York Magazine apresentou o pôster especial comemorando os 20 anos do Sandman criado por Neil Gaiman. Ele foi desenhado por mais de trinta artistas de quadrinhos, entre eles Charles Vess, Jill Thompson e Sam Kieth. O pôster foi vendido exclusivamente na convenção de quadrinhos de San Diego, a Comic Com, que acontece há alguns dias atrás nos EUA. Veja aqui a lista completa de artistas.


Giz Editorial na Bienal do Livro

quarta-feira | 6 | agosto | 2008
20º Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2008

Giz Editorial na Bienal do Livro

Com apenas três anos de atividades, a Giz Editorial participa pela segunda vez da Bienal do Livro de São Paulo. Desta vez, o tema central do estande da editora, na feira, são os livros de Literatura Fantástica. Para prestigiar um público seleto e ávido por literatura de primeira linha, a editora leva o seu catálogo de pouco mais de cem livros, dos quais se destacam as obras de fantasia para o público jovem.

Clique aqui para acessar a programação completa de atividades da Giz Editorial durante a 20º Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2008.


EDITORA RECORD LANÇA ARTEMIS FOWL EM QUADRINHOS

terça-feira | 5 | agosto | 2008

Artemis Fowl é um garoto de 12 anos, o único herdeiro do clã Fowl. Embora extremamente inteligente, usa essa inteligência para fins pouco nobres – ele é um gênio do crime.

O selo Galera Record, da editora Record, foi criado para atender ao público jovem.

Apostando nos quadrinhos, um dos primeiros lançamentos do selo neste segmento é Artemis Fowl: Graphic Novel (formato 16 x 23 cm, 120 páginas, R$ 23,00), adaptando a série homônima.

Com roteiro de Eoin Colfer (criador da série) e Andrew Donkin, a obra tem ilustrações de Giovanni Rigano e Paolo Lamanna, e tradução de Alves Calado.

Na trama, o leitor conhece o jovem Artemis Fowl, um gênio do crime, mestre por trás de alguns dos planos mais maquiavélicos e tecnologicamente avançados desse século. Ele é o único herdeiro do clã Fowl, uma lendária família de personagens do submundo, célebres na arte da trapaça. Depois que seu pai desaparece misteriosamente com parte da fortuna da família, Artemis se vê na obrigação de assumir o posto do patriarca.

Mas o que ele procura desta vez? Ouro – do Povo das Fadas. O único problema é que este não é um povo qualquer. Artemis não tem idéia do que pode acontecer depois que seqüestra Holly Short, capitã da Unidade LEPrecon. Estes seres encantados não são aqueles dos contos de fadas, eles estão armados e são perigosos. Artemis está confiante de que pode vencê-los quando bem entender, mas eles pararam de jogar conforme as regras.

Esta graphic novel reconta a história do primeiro volume da série, acompanhando as aventuras do jovem gênio do crime e seus comparsas. Artemis Fowl, publicado em 42 países, conta com seis volumes e tem mais de 16 milhões de exemplares vendidos no mundo. Recebeu vários prêmios, como o British Book Awards e o WH Smith.

A obra é um lançamento para a Bienal do Livro de São Paulo, e chega às livrarias no dia 8 de agosto.
>> UNIVERSO HQ – por Marcelo Naranjo


NEIL GAIMAN: PASSEANDO COM O REI DOS SONHOS

terça-feira | 5 | agosto | 2008

Passeando com o Rei dos Sonhos é uma obra imprescindível para os fãs e qualquer um que deseja conhecer mais sobre o homem cujo nome é sinônimo da fantasia moderna.

Passeando com o Rei dos Sonhos: Conversas com Neil Gaiman e seus Colaboradores é a nova publicação da HQM Editora. Neil Gaiman é considerado um dos maiores roteiristas e quadrinhistas da atualidade e a edição trata justamente dele. Gaiman é o criador de uma das séries mais famosas dos quadrinhos, Sandman, que acumula diversas edições publicadas.

A publicação mostra a toda a vida e carreira de Neil Gaiman através de entrevistas feitas pelo jornalista Joseph McCabe com ele e 27 colaboradores.

Passeando com o Rei dos Sonhos vem logo depois da publicação Violent Cases publicada também pela HQM Editora, a primeira obra da dupla formado por Neil Gaiman e Dave McKean. A edição tem no total 314 páginas de pura informação, fotos e ilustrações, algumas delas inéditas. O preço é de R$ 49,90.

E para o lançamento tem uma promoção na Comix Book Shop que ocorrerá até o dia 10 de Agosto. A publicação ficará por R$ 39,90, enquanto Violent Cases por R$ 31,90. E para quem quiser comprar as 2 edições, adquira por R$ 69,90.

Passeando com o Rei dos Sonhos: Conversas com Neil Gaiman e seus Colaboradores traz além do próprio Gaiman, relatos e entrevistas de vários de seus colaboradores, editores e artistas de todas as suas obras, como seu parceiro de sempre Dave McKean, e outros não menos importantes como Terry Pratchett, Jill Thompson, Alice Cooper, Tori Amos, Gene Wolfe, Andy Kubert, Yoshitaka Amano, Chris Bachalo, Michael Zulli, Daniel Vozzo, P. Craig Russel, Bryan Talbot, Charles Vess, Kelley Jones, Mike Dringenberg, Sam Kieth, Karen Berger, Todd Klein, Marc Hempel, Colleen Doran, Shawn McManus, Mark Buckingham, entre outros.

Uma obra indispensável para quem quer conhecer um pouco mais sobre a vida e a carreira de um dos mais brilhantes escritores da atualidade.
>> QUADRINHARTE – por Guilherme Rodrigues Oliveira

Para conferir um preview, basta clicar aqui.


TIRAS DE HUMOR NA NET: CRIATIVIDADE E LIBERDADE

terça-feira | 5 | agosto | 2008

TBK ALIENS: Truck Bearing Kibble abusa de referências pop para criar cenas de nonsense e humor negro

Em tempos de graphic-novels, HQs de super-heróis, mangás e seus primos sul-coreanos, os manhwas; a tirinha, uma história em quadrinhos diária originalmente criada para ser publicada em jornais, foi perdendo espaço. Juntamente com a diminuição do poder, das tiragens e dos leitores dos grandes diários, o tamanho e o número de tiras também diminuiu.

Mas a Internet vem preenchendo este espaço de uma maneira mais democrática. É verdade que agora você precisa ter acesso a um computador conectado à rede, quando antes só era necessário algumas moedas para comprar um exemplar do jornal do dia. Mas, para compensar isto, os criadores têm uma liberdade de criação e possibilidade de experimentação que antigamente era impensável, podendo ser lidos por um público infinitamente maior. No jornal, a tirinha está sujeita à censura dos editores e à crítica dos leitores, que muitas vezes escrevem irritados para a redação pedindo o banimento desta ou daquela HQ. Enfim, está sujeita às leis de mercado, onde o que não faz sucesso ou não agrada, perde o direito de ser publicado.

Um exemplo é o clássico Krazy Kat, de George Herriman, que só continuou a ser publicado, contra a vontade de editores e leitores, por causa da admiração que William Randolph Hearst, o proprietário dos jornais onde a HQ era impressa, tinha pela obra.

No Brasil, Angeli e Laerte fazem parte dos poucos autores contemporâneos que têm o privilégio, conquistado com muito talento e trabalho, de poder fazer experimentações gráficas e de linguagem em suas tirinhas, sem a obrigação de fazer uma piadinha no último quadrinho.

Pois pela Internet é a mesma coisa, só que com ilustres desconhecidos. Qualquer um pode mostrar seu trabalho, sem censura, para quem quiser ver.

Muito nonsense, humor negro e politicamente incorreto corre pelos computadores. Apresentamos aqui, para quem ainda desconhece, três tiras que seguem este caminho: Anomaly, de Kennedy Rose, Truck Bearing Kibble, de Jeremy Kramer e Eric Vaughn e The Perry Bible Fellowship, de Nicholas Gurewitch.

The Perry Bible Fellowship, começou como uma tirinha digital e acabou de virar um livro da Fantagraphics () que foi indicado este ano ao Prêmio Eisner de melhor publicação de humor. PBF, como é conhecido, traz geralmente os bonequinhos brancos de Gurewitch em histórias com muito humor negro. Mas ele alterna seu estilo habitual com muitos outros, de acordo com o tema da HQ: terror, ficção-científica, infantil. É interessante acompanhar a evolução do desenho de Gurewitch, dos traços inseguros das primeiras tiras ao domínio das mais diversas técnicas de desenho.

Anomaly é uma tira politicamente incorreta, abordando religião, sexo e violência. Geralmente em preto e branco, utiliza desenhos de propaganda dos anos 1950 para formar seu cast de personagens: Jesus, o barbeiro e sua vítima, o ventríloquo e seu boneco, o milionário e seu mordomo.

Finalmente, a HQ Truck Bearing Kibble, de Jeremy Kramer e Eric Vaughn, é a que tem o desenho mais elaborado e a com menos tempo de vida. A dupla abusa das referências da literatura, cinema e cultura pop para criar cenas de nonsense e humor negro.

Essas tiras não são para qualquer público, mas esta é a vantagem da Internet, que possibilita que os mais diversos tipos de HQs cheguem ao leitor que pode se interessar e gostar daquele trabalho, sem intermediários nem restrições.

Melhor do que descrever, é visitar os sites das três HQs e conhecer um pouco do trabalho desses artistas. Essas tirinhas provam que este formato, que é tradicionalmente um veículo para críticas sociais e humor delirante, continua vivo e presente. Só passou do papel jornal para a tela do nosso computador.
>> TERRA MAGAZINE – por Cláudio Martini

Veja também:
» Tiras de histórias em quadrinhos


Revista Portal Solaris

terça-feira | 5 | agosto | 2008
Revista Portal Solaris

Revista Portal Solaris

O primeiro número do Projeto Portal, a Revista Portal Solaris, cuja tiragem é de apenas duzentos exemplares, traz contos inquietantes que vão do universo da ficção científica ao do fantástico.

Encabeçado pelo ficcionista e ensaísta Nelson de Oliveira, o projeto pretende ampliar o limite temático auto-imposto pela Literatura, abrindo as possibilidades para que a arte da palavra se renove e saia da mesmice em que se encontra.

Esse projeto não se destina ao grande público, mas a um pequeno grupo de aficionados mais refinados. Por isso, pode-se dizer que Portal Solaris é uma revista só para os raros… só para os loucos.

Chega de bossa-nova, a Literatura quer delírio!

Quem porventura se interessar em conhecer o projeto e a revista Portal Solaris, entre em contato com Homero Gomes [homero.gomes@gmail.com].


VÍDEO CURIOSIDADE DE ULTRAMAN

segunda-feira | 4 | agosto | 2008

Ultraman (1966) foi um dos primeiros seriados de super-herói exibidos em cores na televisão japonesa. Seu sucesso foi tão grande que gerou uma franquia de séries e filmes que dura até hoje.

 

O vídeo abaixo é para os fãs do herói japonês dos anos 60! As imagens são de um filme produzido em 1994 que gira em torno da produção da série “Ultraman“. Eles recriaram as situações, os obstáculos e a tecnologia que a equipe da série original enfrentou para produzir este clássico.

Trata-se de um docudrama que recebeu o título em inglês “The Man Who Became Ultraman“. O video traz a abertura do filme mesclado com imagens nas quais podemos ver alguns dos truques que eram utilizados para fazer o herói voar ou levantar vôo. Divirtam-se!
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim

 


LINDELOF DIZ COMO ANDA A PÓS-PRODUÇÃO DE STAR TREK

segunda-feira | 4 | agosto | 2008


Durante a convenção do ComicCon, Damon Lindelof, co-produtor do filme de Star Trek, , disse ao site Trek Movie como encontra-se agora o trabalho de pós-produção e efeitos especiais do filme. Ele também falou sobre o humor do filme, a não continuidade com A Nova Geração e as orelhas de Nero. J. J. Abrams também falou sobre o assunto.

Como anda o trabalho de pós-produção?
Lindelof: “Nós ainda estamos fazendo a montagem do filme, pegando os efeitos da ILM e depois iremos mostrá-lo para a alta cúpula da Paramount, provavelmente no final de agosto. Estamos realmente, realmente animados sobre o que conseguimos. Acho que o filme realmente funciona. Então, creio que iremos apenas pôr as cenas de efeitos especiais agora. Isso é uma das coisas que nos faz manter a programação de deixar o filme pronto no Natal. De modo que nós iremos nos sentar sobre isso, por enquanto”.

De acordo com J. J. Abrams, a primeira montagem já está quase pronta, mas Bryan Burk disse que poucos efeitos foram produzidos. Os próximos cinco meses serão apenas de produção de efeitos visuais?
“Acho que alguns efeitos estão parcialmente prontos. Então se você está olhando para uma tela panorâmica, você vê o espaço lá fora. Mas o espaço não está totalmente renderizado (digitalização de imagens), nem existem quaisquer elementos. Os planetas são os únicos. É toda uma interação, como se estivesse assistindo Miguelangelo esculpir Davi. É um bloco, então ele está levemente começando a tomar a forma humana. Isto quer dizer que nada está feito, por causa do simples tamanho da coisa. Essa é a razão porque você não vê os robôs de Transformers até seis meses antes do filme começar”.

J. J. Abams disse recentemente que seu filme é “real” e que não era brega. Isso quer dizer que não será engraçado?
“Não, de forma alguma. Eu creio que quando usamos a palavra “grosseiro”, queremos dizer que a série original estava amarrada pelas limitações de orçamento. Então, isso parecia bobo de vez em quando. Os cenários eram irreais, o vestuário também. Havia uma fina linha entre um episódio bem executado e um outro de baixa produção. Mas o episódio The Trouble With Tribbles, o qual deveria ser banal, apenas resultou no que ele realmente se parece, ele é um clássico. Acho que a razão disso é porque ele é divertido. Não quer dizer que estejam ridicularizando a si mesmos. O nosso filme tem um real senso de humor. Creio que Kirk, Magro têm um grande senso de humor. Toda a cena em que Simon Pegg (Scott) esteja é hilária. Mas os assuntos são reais. Na verdade, esses rapazes estão em uma versão militar, de modo que eles levam seus trabalhos com muita seriedade. Então você encontra o humor tão fundamental quanto possa”.

Como grande fã de A Nova Geração, você sabe que muitos fãs preferem essa série para continuar com os filmes. Você acredita que esse filme é para eles também, mesmo que não gostem da série original?
“Eu acho que é para nós. O filme está, em geral, capturando o mundo de Jornada. Um mundo no qual existe uma Federação de Planetas. Os personagens são do tipo intercambiáveis neste mundo. Eu entraria num longo debate com alguém que dissesse gostar de A Nova Geração e detestar a série original. Por que isso? Ambas as séries funcionam no mesmo universo. Obedecem as mesmas regras e estão situadas num futuro que é otimista e aventureiro e elas são séries de exploração. Então seria difícil dizer para os fãs – Se você gostou de Deep Space Nine, provavelmente não gostará do filme, mas se gostou de Voyager, você irá adorá-lo – Não pode separar as séries, até onde sei. Eu vi mais A Nova Geração que a Série Clássica, apenas porque eu estava mais próxima a ela, eu cresci vendo-a”.

Uma questão sobre um dos posters que surgiu. O que houve com as orelhas de Nero?
“Sobre o pedaço que está faltando? Você saberá disso no filme”, disse sorrindo.

Embora a pós-produção esteja indo de vento em popa, a falta propaganda do filme tem gerado críticas por parte do fandom. Quanto a isso J. J. Abrams falou ao site IGN, “Jornada terá uma propaganda muito maior do já teve, com certeza”, afirmou o diretor, “A Paramount sente que ainda é muito cedo para isso. Eles estão nos deixando fazer coisas bem legais, para mais tarde”, disse Abrams acrescentando, “Nós estamos no lugar agora onde temos trailers. Isso está me deixando maluco. Mesmo que o filme venha a estrear em maio do próximo ano, a verdade é que temos todo o material que deveríamos ter tido (quando era para o Natal). Estamos dentro da programação que planejamos. Nós teremos o filme pronto para o Natal”.
>> TREK BRASILIS – por Ralph Pinheiro com as fontes: TrekMovie e TrekWeb


CRISTINA LASAITIS E SUAS “FÁBULAS DO TEMPO E DA ETERNIDADE”

segunda-feira | 4 | agosto | 2008


Assista a escritora e biomédica Cristina Lasaitis em entrevista para Eric Novello.
Ela fala sobre o lançamento de Fábulas do Tempo e da Eternidade e conta curiosidades do seu processo criativo.

No livro, Cristina Lasaitis faz uma incursão especulativa pelo mundo da ficção científica e fantástica, e levanta questões intrigantes sobre a perpétua busca do ser humano pela superação do tempo. Com uma narrativa agradável e bem humorada, pincelada por influências de Jorge Luis Borges, Arthur C. Clarke e Ursula K. Le Guin, a autora apresenta épicos modernos, reinventa mitos antigos e se envereda por futuros imaginários e inimagináveis a dissecar o sentido (ou a falta de propósito) da existência em 12 histórias sobre extrapolação, transcendência e esperança.


RECONHECIMENTO DE PADRÕES

segunda-feira | 4 | agosto | 2008


É o livro mais recente de William Gibson, que com “Neuromancer” inventou o movimento Cyberpunk da ficção científica, histórias baseadas na Realidade Virtual do mundo informático, na guerra-sem-quartel das megacorporações, e na vida de indivíduos meio marginais que tentam sobreviver na selva do capitalismo eletrônico. Em “Reconhecimento de Padrões”, Gibson consegue fazer um romance que não é ficção científica mas que não existiria, como concepção dramática e como visão do mundo, sem a ficção científica, sem o peculiar olho clínico que o escritor de FC tem para avaliar a realidade política, econômica e existencial de hoje.

Cayce Pollard é uma mulher com uma sensibilidade especial para perceber se um logotipo de uma empresa vai “funcionar” ou não. Ela ganha uma fortuna para dar palpites, pois tem uma memória abarrotada de informação da indústria da propaganda, e tem vivência profunda no meio das galeras da rua, para saber o que está sendo gerado no meio dessas tribos e que pode ser a mina-de-ouro da indústria cultural nos próximos anos. (Esta profissão não é inventada. Veja-se, p. ex., “Street Trends – How Today’s Alternative Youth Cultures Are Creating Tomorrow’s Mainstream Markets” de Janine Lopiano-Misdom e Joanne de Luca, Harper, 1997). Ao mesmo tempo, Cayce faz parte de uma subcultura virtual: a dos que acompanham “The Footage”, um conjunto de fragmentos enigmáticos de um filme que ninguém consegue identificar, e que aparecem aleatoriamente na Internet, em websaites obscuros. Ninguém sabe quem fez o filme, onde, quando, e por que motivo as cenas são fornecidas assim, como peças de um quebra-cabeças.

O livro é uma história de suspense, felizmente sem muitos tiros e socos . Tem mistério, espionagem internacional, briga-de-cachorro-grande entre megacorporações, e no meio disto o sonho impossível de um grupo de cinéfilos que se vêem diante do filme mais misterioso de todos os tempos. Os livros de William Gibson transcorrem num universo onde o conceito de “multinacional” foi substituído pelo de “pós-geográfico”.. Seus personagens usam laptops e celulares o tempo todo, fazem vôos internacionais como quem compra cigarro na esquina, hospedam-se em hotéis caros, mas não se vê neles aquela ostentação de novos-ricos que é típica dos autores de best-sellers. Os personagens de Gibson são pessoas de um mundo do futuro que já existe. São instáveis, talentosos, ambiciosos, desconfiados, ingênuos, e capazes de ir até o fim para resolver um problema ou decifrar um mistério.

Reconhecimento de Padrões” é o tipo mais corajoso de ficção científica: o que lida com a zona crepuscular onde diferentes épocas culturais e tecnológicas se entrelaçam. A certa altura, Cayce diz: “O futuro está lá, olhando para trás, em nossa direção. Tentando entender a ficção em que nos transformamos. E do lugar onde estarão, o passado por trás de nós parecerá a eles totalmente diverso do passado que nós, agora, imaginamos ter.”
>> CRONOPIOS – por Braulio Tavares


Coleção Universo Fantástico

segunda-feira | 4 | agosto | 2008

Universo Fantástico

Coleção Universo Fantástico

Giz Editorial prepara coleção de livros para jovens!

A Giz Editorial tem o prazer de anunciar a criação de uma coleção de livros de Literatura Fantástica para o público jovem. O objetivo desta coleção é aprimorar cada vez mais o contato dos jovens leitores com a literatura nacional. Os primeiro cinco livros da Coleção Universo Fantástico são estes:


Maria sem Sobrenome

“Maria sem Sobrenome” narra a história de várias personagens de uma vila chamada Paradechangea, que acontece em outro tempo e se situa em outro lugar.
Nesta vila vivem além de Maria e sua família sem sobrenome, outra família com sobrenome.
Os destinos destas famílias se cruzam e caminham paralelos.
Quando a tristeza toma conta da vila, a mãe Caporosa decide sair em busca de belas esposas para seus lindos filhos. Maria também inicia sua viagem em busca da felicidade e de si mesma.

Sobre a Escritora Taciana V. Ottowitz

Taciana V. Ottowitz é brasileira, mas nasceu na Inglaterra. Mora na Alemanha onde atualmente cursa um doutorado em História da Arte, e também tem formação em Economia Agrícola. É que ela sempre gostou de misturar as coisas para ver o que acontece… Sua paixão atual é misturar texto e desenho, pois além de ilustrar, também escreve histórias. No Brasil atua como ilustradora e escritora de literatura para crianças e jovens. Dentre os seus últimos livros publicados estão: Raminho de Alecrim e Coleção Hora de Ler.


YACAMIN – A Floresta sem Fim

Keila era uma menina como tantas outras da sua turma. Naquele momento, estava passando por alguns problemas familiares e, naquela excursão à Floresta do Elmo com seus colegas de classe, procurava esquecer um pouco o seu dia-a-dia e viver uma pequena aventura. Conhecer uma bela cachoeira, as árvores exuberantes e ouvir o canto mágico dos pássaros no caminho do acampamento, no interior de um bosque.
O que Keila iria perceber sem demora é que a floresta era cheia de encantos. Até seu nome, na verdade, era outro. E, de repente, para descobrir o seu caminho pela floresta, ela precisaria rever o significado de algumas coisas, conhecer personagens incomuns como o provocante Pierrô, o professor Euclides, um certo vaqueiro misterioso, uma cigana desconhecida, um homem de pedra e outras surpresas. Por rios, vales, bosques e montanhas, Keila irá aprender que precisa conhecer um pouco mais a si mesma e crescer para conseguir atravessar a incrível floresta.
Só depois de conhecer os segredos de Yacamin é que terá sucesso. Mas há mais gente para ajudá-la: uma matrona, um esquilo músico, a menina da água e o homem das peças… Não, Keila não estará sozinha. Mas ela – e mais ninguém – será, o tempo todo, a grande heroína dessa travessia.

Sobre o Escritor Carlos Augusto Segato

“Depois de escrever e publicar mais de quinze livros dedicados ao público infanto-juvenil, Yacamin foi um novo grande desafio. Não é incomum o escritor apaixonar-se por suas personagens durante a construção de uma história. No entanto, essa pequena e solitária Keila, forte, mas às vezes tão frágil, insegura, mas capaz de ser atrevida nos momentos mais difíceis, conviveu comigo durante os vários meses em que me fez andar com ela pelos encantos e armadilhas da misteriosa floresta. E, de tropeço em tropeço, de caminho em caminho… Bem, é melhor deixar que cada um de vocês, leitores, possam percorrer também a floresta toda ao longo do livro.
Sou bancário, analista de sistemas, trabalho com Tecnologia da Informação há quase trinta anos no Banco do Brasil. Nasci em Itapeva, no sul paulista, depois morei em Guaratinguetá, Cuiabá e um bom tempo em Ribeirão Preto. Como é inevitável, meus livros carregam em suas páginas muito do que sou e um pouco de cada um dos lugares por onde passei. Atualmente, moro em Brasília. Sempre gostei de escrever, verso ou prosa, e, claro, de ler. Sou um grande freqüentador de livrarias e bibliotecas.
Sou casado e tenho dois filhos, o Guilherme e a Thaís. Adoro a literatura porque ela cria, ilustra, denuncia, questiona, nos dá asas e olhos, além de tudo, ajuda a reinventar mundos inteiros. Ou apenas florestas, como esta exótica Yacamin, que você agora está conhecendo.”


GAME OVER – Uma Ameaça Virtual

Artur é um garoto que adora videogames; e quando sua amiga Viviane, que trabalha na locadora de jogos do shopping, pede sua ajuda para vencer um jogo complicado, que encontrou em um CD caído atrás de uma prateleira da loja, ele fica todo animado. Mas, antes que ele possa fazer qualquer coisa, Vivi é presa de uma doença misteriosa enquanto estava testando o jogo chamado Viagem Mortal – e perde a consciência.
Certo de que o jogo tem algo a ver com a doença da amiga, por quem sente uma paixão secreta, Artur resolve jogar também. Mas não pode imaginar que aquele game antigo, criado por um programador aposentado, é na verdade uma armadilha virtual! Agora ele terá de ter muita coragem e habilidade, pois somente entrando na realidade paralela que o jogo desencadeia, e vencendo todas as fases da aventura, é que ele poderá salvar Viviane – e a si mesmo – de ficarem presos e talvez morrerem, vítimas daquela Viagem Mortal!

Sobre a Escritora Rosana Rios

Rosana Rios é autora de literatura para crianças e jovens, com mais de 90 títulos publicados em 20 anos de carreira. Formada em Arte-Educação, foi professora, roteirista de televisão (inclusive dos programas Bambalalão e O Agente G) e é autora de peças de teatro. Recebeu vários prêmios literários, incluindo o Prêmio Bienal Nestlé de Literatura, o Cidade de Belo Horizonte de Dramaturgia, o selo Altamente recomendável para a Criança / Jovem, além do Prêmio Lúcia Benedetti de melhor livro de teatro, conferido pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.
Mora em São Paulo, Capital, com o marido, os filhos, uma cachorrinha e uma biblioteca enorme. Gosta de chocolate e sorvete, adora literatura fantástica, mas lê tudo o que aparece pela frente; e tem uma coleção de dragões na masmorra de sua casa, que não pára de aumentar. Segundo a própria autora: “Contribuições para a coleção são muito bem-vindas!”.


O Destino de uma Jovem Maga

Tatiana está morrendo. Apesar de consultar os melhores médicos, fazer diversos exames e receber os cuidados amorosos da tia Chica, sua madrinha, ela piora dia a dia, pois seu mal vem da alma.
Algum tempo antes, quando estava sendo treinada para tornar-se uma poderosa maga, Tatiana fez algo feio. Remorso é o nome verdadeiro da doença que vem provocando desespero na garota.
Vários tipos de morte rodeiam o seu leito e todos querem levá-la consigo, mas as boas lembranças ainda conseguem mantê-la conectada ao mundo físico.
Resta saber se Tatiana conseguirá vencer ou se irá expiar suas penas em outras esferas.

Sobre a Escritora Regina Drummond

Nascida “no meio dos livros”, como gosta de dizer, a mineira Regina Drummond sempre trabalhou com literatura. Formada em letras, fala inglês, francês e alemão. É autora de livros infantis e juvenis, tradutora e contadora de histórias.
Há anos Regina desenvolve projetos de estímulo à leitura e eventos para professores e alunos, além de participar de feiras e bienais do livro, nacionais e internacionais. Já contou histórias em programas de rádio e televisão e escreveu peças de teatro infantil. Escreve ainda para jornais e revistas nacionais e estrangeiras.
Atualmente, mora em Munique, na Alemanha. Para a Giz Editorial colaborou no livro Amor Vampiro com o conto A velha, o jovem e o casarão.


A Magia do Pico do Quilombo

Valter e Toninho estão de férias e são convidados por Seu Monteiro, um experiente caçador, para procurar o tesouro do Coronel Paulino que, segundo boatos, estaria enterrado debaixo de uma aroeira bem no Pico do Quilombo – um antigo refúgio dos negros que fugiam das garras de seus senhores no século XIX.
Os aventureiros embrenham-se na mata, porém, deixam de seguir os conselhos do esperto caboclo Justino que garante conhecer os segredos do Pico do Quilombo.
Por não levarem o fumo que a rainha da mata, Dona Caipora, tanto gosta, são amarrados, por ela, no tronco de uma árvore que não pára de crescer.
Frustrados, voltam para a Fazenda Santa Efigênia e, no dia seguinte, recomeçam a aventura. Todavia, se deparam com o Saci que pede cachaça em troca de suas preciosas informações. Sem elas, não encontrarão o tesouro.
Os caçadores confiam nas incríveis histórias do moleque travesso e se dão mal. Após enfrentarem dificuldades, Seu Monteiro, Valter, Toninho e os cães de caça Vaga-lume e Baú, são transformados em pássaros, pela feiticeira Soledad, que mantém o escravo Dodô sob sua magia, transformado em escravo-cobra desde o século XIX.
Com a ajuda do homem-passarinho, os caçadores preparam uma armadilha para a feiticeira, conseguem prendê-la, desvendam a Magia do Pico do Quilombo e encontram finalmente o surpreendente tesouro do coronel Paulino.

Sobre a Escritora Ozeni Lima

Ozeni Lima nasceu na fazenda Bebedouro, Município de Antônio Gonçalves, Bahia, em 1962. É funcionária pública e professora de Literatura. Mora em Santos, cidade litorânea de São Paulo.

Em 1992, numa produção independente, publicou o livro de poemas e crônicas, TRANSPARÊNCIA.

Recebeu vários prêmios, inclusive o de Revelação em Literatura do ano, 1997, da Sociedade de Cultura Latina no Brasil, Mogi das Cruzes, SP, com o livro de crônicas CASABERTA.

Em 2006, seus livros participaram de vários eventos em Munique, Alemanha, entre eles: “Exposição de Livros Brasileiros”, no Goethe Institut, e “Exposição de Autores e Ilustradores Brasileiros para Crianças e Jovens”, no Interim Theater, quando foi feita a leitura de alguns dos seus poemas, especialmente escritos para a ocasião.

Escreveu DIETA DO ESPÍRITO – O Equilíbrio da Existência – publicado em 2007 pela Giz Editorial, São Paulo-SP.

Considera-se uma catadora de histórias. Afirma não ser autora exclusiva de suas obras. Acredita que as idéias são sementes divinas, soltas no universo, à disposição de todos. Aproveita a intimidade que tem com a vida para catar as melhores histórias.

LANÇAMENTO NACIONAL

20º BIENAL INTERNACIONAL DO
LIVRO DE SÃO PAULO 2008

20º BIENAL INTERNACIONAL DO <br />LIVRO DE SÃO PAULO 2008

Dia 16 de Agosto de 2008, às 16h
Parque de Exposições Anhembi
Avenida Olavo Fontoura, Nº. 1209
Bairro Santana – São Paulo – SP


O NEOLIBERALISMO E OS NEODRÁCULAS

sábado | 2 | agosto | 2008


Conservador na política e nos costumes, o vitoriano acreditava firmemente no livre-comércio e sabia que, para se estabelecer, o liberalismo econômico fora necessário destruir a tirania do monopólio feudal. Não podia acreditar que o monopólio pudesse ser seu futuro, que a competição pudesse gerar o monopólio em novas formas.
Ao mesmo tempo, na Grã-Bretanha, a concentração monopolista era muito menos desenvolvida do que nas novas sociedades capitalistas avançadas – a Alemanha, principalmente – que lhe disputavam a hegemonia. O monopólio era percebido como uma ameaça externa.

Por isso, Drácula é um estrangeiro, enquanto seus adversários defendem a civilização britânica até a morte. Assim, apesar de promover uma “ordem nova”, o monopólio é imaginado como coisa de uma Transilvânia feudal, oriental, tirânica, “atrasada”. O vampiro não pode ser produto da mesma ordem que se pretende defender.

No contexto britânico, é até inimaginável: para entender Drácula, os protagonistas britânicos precisam da ajuda de um cientista estrangeiro: o holandês Van Helsing, representante da outra pátria do livre comércio, aliada tradicional da Inglaterra, porém mais familiarizada com a ameaça que se gestava no continente.

Ao se chegar ao fim do romance, Drácula é derrotado, Mina Harker é salva, mas uma nuvem parece obscurecer o final feliz: uma faca atirada por um cigano mata Quincy Morris, estadunidense que ajudava os amigos britânicos, quase por acaso.

Por quê? Elementar, meu caro leitor, diz Moretti: Morris era um vampiro enrustido, precisava ser destruído. Não é que esse caubói do Texas tinha muitos traços em comum com Drácula? Desde que surge, está envolto em mistério, “parece tão jovem e novo que quase soa impossível que tenha estado em tantos lugares e vivido tantas aventuras”. Ninguém sabe onde mora e de onde vem seu dinheiro. Lucy Westenra morre e vira vampiro logo depois de receber uma transfusão de sangue de Morris.

Pouco depois, o texano conta a história de sua égua, “sugada até a última gota de sangue nos Pampas por um daqueles grandes morcegos que chamam de vampiros” – a primeira vez que a palavra “vampiro” é mencionada no romance.

Hum… Um só morcego sugar uma égua? Na reunião para planejar a caça a Drácula, Morris deixa a sala para atirar – e errar, claro – no grande morcego pousado no parapeito da janela. Depois, quando Drácula invade a casa, Morris se esconde entre as árvores, perde o vampiro de vista e sugere aos outros que dêem por terminada a caçada naquela noite.

Ao que tudo indica, Morris – que parece, no mínimo, bem familiarizado com o mundo dos vampiros – é um cúmplice de Drácula, ao menos enquanto as coisas iam bem para o lado do “conde”. É só quando a maré se torna desfavorável ao morto-vivo que Morris se torna seu fiel inimigo.

Tudo se passa como se tivesse entrado em competição com Drácula, como se estivesse disposto a substituí-lo na conquista do Velho Mundo. Mas Stoker não pode fazer de Morris um vampiro de fato, porque quer pintar o monopólio vampiresco como atrasado e feudal, coisa que os EUA – embora crescentemente monopolistas – evidentemente não eram, como um poder estrangeiro e “oriental”, quando os EUA eram filhos legítimos da Grã-Bretanha.

Em suma, fazer de Morris um vampiro seria acusar a civilização britânica e o capitalismo, coisa que Stoker não era capaz de admitir ou mesmo de pensar. Mas permitir que sobrevivesse seria lançar uma sombra sobre o futuro do Império Britânico. Para o romance ter um final britanicamente feliz e tudo voltar a ser como dantes no quartel de Abrantes, era preciso que também o texano desaparecesse, se tornasse coisa do passado.

Também era preciso que Lucy fosse punida com a vampirização e a morte. Ao contrário da ortodoxamente vitoriana Mina Harker, Lucy é uma mulher sexualizada, que jamais pensa em consultar os pais (e o romance deixa claro que tem pelo menos a mãe viva) sobre seu futuro matrimonial. Pior: não só é cortejada por três pretendentes, como confessa à amiga Mina que gostaria de ter os três como maridos, ao mesmo tempo.

Para o leitor vitoriano de Stoker, essas mortes não eram sombras em um final feliz: eram parte indispensável desse final, absolutamente necessárias para garantir a vitória definitiva do British way of life.

Podiam ficar tranqüilos: graças a patriotas como Jonathan Harker e Seward, o Império Britânico governaria o mundo para sempre, assim como continuariam a ser verdades eternas tudo aquilo que os britânicos amavam e admiravam, todos os valores em que acreditavam.

Um happy end tão falso sob o aspecto estético quanto o era do ponto de vista histórico. Na vida real, dali a alguns anos, os EUA imitariam Quincy Morris e ajudariam os britânicos a se defender do Reich vampiresco – mas não para sair de cena em um final providencial e sim para submeter uns e outros à sua própria hegemonia e às novas regras do monopólio fordista.

A revolução sexual levaria um pouco mais de tempo para se impor, mas acabaria por virar de cabeça para baixo os costumes e as noções vitorianas de adequação e correção.

Durante a crise elizabetana dos valores feudais, as tragédias do teatro de Shakespeare e de seus sucessores imediatos – que eram nesse tempo um entretenimento ao menos tão popular quanto a literatura “gótica” viria a ser a partir do final do século XIX – não esconderam do público o beco sem saída em que a contradição entre os valores e a prática social os estava metendo.

Era uma época mais profunda e corajosa: a Grã-Bretanha era uma jovem potência em ascensão, capaz de encarar o medo e o horror do irracional.

Já a crise vitoriana encontrou um Império que não ousava encarar a realidade e as conseqüências da nova contradição que se desdobrava. Uma nação envelhecida, com medo da decadência e da morte e com medo ainda maior de mudar. Um público que não queria se angustiar ante situações trágicas e insolúveis, apenas escapar do medo com a garantia de soluções mágicas e finais felizes nos quais tudo voltasse a ser como “sempre” havia sido.

No final do século XX e início do XXI, como se sabe, vivemos uma era que tem muito em comum com os britânicos do fim do século XIX e início do XX. Valores econômicos teoricamente neoliberais, valores culturais e políticos neoconservadores. Novos tipos de monopólios, novas ameaças ao Ocidente “cristão” e novas forças mal compreendidas inspiram terrores novos. Mas as contradições entre os ideais e as práticas são tão vivos como o eram para nossos bisavós vitorianos.

Não será por acaso que os vampiros e o romance gótico voltaram a ser populares. Até mesmo personagens e cenários que tentam ser estritamente vitorianos – ou que ironicamente fingem sê-lo – voltam à ativa nos romances, nos quadrinhos e em uma série de superproduções cinematográficas.

É lembrar Anne Rice, graphic novels como Coração do Império, toda a literatura steampunk, filmes como A Liga Extraordinária e Van Helsing…

Será que isso diz algo sobre os problemas e as perspectivas de nosso tempo? E se for isso mesmo, não seria mais saudável – ainda que menos agradável e divertido – ressuscitar a tragédia shakespeariana?
>> TERRA MAGAZINE – por Antonio Luiz M. C. da Costa


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