HÍBRIDOS, DE DAVID THORPE

domingo | 14 | dezembro | 2008

hibridosQuando recebi esse livro, confesso que não sabia o que esperar. Não conhecia David Thorpe. Por outro lado, eu havia acabado de ler The Knife of Never Letting Go, de Patrick Ness, já comentado de passagem aqui.

Logo, esse livro me pegou num momento ótimo da minha carreira de crítico/resenhista, porque (sejamos bíblicos hoje) “caíram-se-me as escamas dos olhos”, como disse Saulo/Paulo no caminho para Damasco, e eu hoje sei que a literatura dita infanto-juvenil, ou Young Adult, como é conhecida nos países anglos, é muito mais bacana do que a mídia e o senso comum nos fazem pensar.

Híbridos segue uma linha que poderíamos chamar de tipicamente britânica: a da distopia política. Claro, vocês vão me perguntar: afinal, toda distopia não é essencialmente política? E eu responderei: sim, evidente, está aí titio Fredric Jameson que não me deixa mentir, com suas excelentes análises sobre o cyberpunk.

A questão é que literatura infanto-juvenil de modo geral lida com ritos de passagem do adolescente (seja a passagem da infância para a adolescência, seja da adolescência para a fase adulta). Na Inglaterra, porém, esse rito de passagem quase nunca se dá sem um profundo envolvimento político – e Híbridos coloca de cara a política no cerne da questão.

O protagonista é Johnny Online, um dos tais híbridos – humanos que, subitamente, passaram a apresentar mutações nas quais seus corpos começam a “produzir” aparelhos eletrônicos. Esses aparelham brotam da pele (acarretando infecções e inflamações, para as quais quase nenhum medicamento resolve) e se fundem com o corpo dos infectados. O caso de Johnny – blogueiro que escreveu, num momento de angústia e raiva, a Declaração dos Direitos dos Híbridos, que passa a ser seguida como uma bíblia pelos híbridos – é um dos mais bizarros: seu rosto virou um monitor de computador, com caixas de som, microfone, teclado e câmera embutidos. Ele só consegue se alimentar por uma sonda, mas tirando isso (como se isso fosse pouco) o resto de seu corpo é normal.

A história começa quando ele é abordado por uma jovem rica, Kestrella Chu, que pede ajuda para procurar sua mãe desaparecida. Tanto Kestrella quanto a mãe pegaram o vírus Sinistro, responsável pela hibridização. O efeito colateral de Kestrella não é muito grande – sua mão direita virou um telefone celular – mas foi o suficiente para que ela fosse afastada da escola e perdesse quase todos os amigos. Pois ser um Híbrido é anátema; é ser infecto, ser sujo – e até mesmo o governo da Inglaterra vê as coisas assim. O slogan do governo inglês para a ser “Mantenham a Inglaterra Limpa!” Isso lembra alguma coisa?

1984, por exemplo. Ou V de Vingança misturado com o vírus da AIDS. Preconceito e intolerância que se tornam justificativa para a criação de um estado fascista, que identifica e prende os híbridos. Isso não torna nem um pouco fácil a missão de Johnny, que não só conseguiu até aquele momento se manter um “cinza” (híbrido que não recebeu identificação oficial e que, portanto, não pode ser rastreado nem preso com facilidade), como agora precisa arriscar sua liberdade para encontrar Kestrella – e correr o risco maior ainda de não se apaixonar por ela.

A narrativa de Híbridos é um pós-cyberpunk para todas as idades: tem alta tecnologia, tem hibridização e sucateamento de material, tem personagem em fuga. E tem inteligência. A história alterna capítulos com os pontos de vista de Johnny e de Kestrella, mostrando que uma situação pode ser bem mais complexa do que aparenta quando envolve seres humanos e suas emoções (e os personagens de Thorpe são bem convincentes para seres bidimensionais).

O cuidado com Híbridos envolve um trabalho metalingüístico muito atraente para o leitor, a começar pela embalagem do livro, lacrada como se fosse um produto altamente perigoso de manipular:

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Frente
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Verso

Além disso, a história é feita para crianças, jovens e adultos – aliás, fico me perguntando até que ponto esse tipo de distinção ainda é válido. A história é boa e funciona. E dá vontade de ler mais: será que essa história é a primeira de uma trilogia (apesar de ter um fim, ok? Quem não gosta de trilogias não precisa se preocupar)? Thorpe faz alusões a clássicos cyberpunks como Neuromancer, de William Gibson, e Synners, de Pat Cadigan. É uma história veloz, furiosa, assustadora e com um final não necessariamente feliz, mas muito interessante (mais do que isso e eu estrago a leitura de vocês. ;-) Altamente recomendado.

Em tempo: Johnny Online tem um blog em português também. É bem bacaninha. Check it out.
>> PÓS-ESTRANHO – por Fábio Fernandes


“O FIM DA ETERNIDADE”, DE ISAAC ASIMOV, GANHA NOVO RUMO NO CINEMA

domingo | 14 | dezembro | 2008

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Em 2003, a Paramount Pictures e a Cruise/Wagner Productions contrataram o escritor e diretor Keith Gordon (Amor maior que a vida) para roteirizar o romance de ficção científica O Fim da Eternidade, de Isaac Asimov. O projeto nunca saiu do chão e, cinco anos depois, os direitos agora estão passando adiante. A New Regency acaba de adquiri-los para distribuição através da 20th Century Fox.

A idéia do estúdio é primeiro levar o livro a potenciais diretores e só então buscar um roteirista. O produtor será Vince Gerardis (Jumper) e a produção-executiva ficará a cargo de Eli Kirschner.

A história do livro mostra Andrew Harlan, operário de uma organização encarregada de manter a ordem na história da humanidade. Faz parte do trabalho dos Eternos o processamento de pequenas mudanças no Tempo para equilibrar eventos históricos. Entretanto, numa missão de rotina, Harlan se apaixona por uma mortal, Noys. O sentimento é proibido aos Eternos e ele terá que aplicar todo o seu conhecimento e treinamento para preservar seu amor, mesmo que isso signifique a ruína de tudo o que acredita.
>> OMELETE – por Érico Borgo


BATTLESTAR GALACTICA: VEJA O 1º WEBISODE DA NOVA TEMPORADA

domingo | 14 | dezembro | 2008

Este é o primeiro de dez webisódios da nova temporada de “Battlestar Galactica”. Sob o título de “The Face of the Enemy”, a história ocorre uma semana após a descoberta da Terra.

Cuidado com Spoilers abaixo!

A história gira em torno do personagem Felix Gaeta que agora tem uma perna artificial e um namorado, o ex-oficial de comunicações da Pegasus, Tenente Hoshi. Ao longo do webisódio, vê-se Gaeta e um grupo de tripulantes, incluindo duas Sharons, se perdendo da Frota após um salto.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


INSCRIÇÕES ABERTAS PARA CONCURSO PARA SÉRIE DE ANIMAÇÃO PARA A TV

domingo | 14 | dezembro | 2008

Estão abertas as inscrições para o Programa ANIMATV, até 21 de janeiro de 2009. Uma realização da Secretaria do Audiovisual e Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, da Empresa Brasil de Comunicação – TV Brasil, da Fundação Padre Anchieta – TV Cultura, da Associação Brasileira das Emissoras Públicas Educativas e Culturais – ABEPEC, com o apoio da Associação Brasileira de Cinema de Animação – ABCA.

A partir de um investimento total em produção de conteúdos de R$ 3,9 milhões, o Programa ANIMATV selecionará projetos de série de animação dirigidas à infância e à adolescência nas faixas etárias de 6 a 11 anos ou de 12 a 14 anos. O regulamento e seus anexos estão disponíveis aqui.

O edital de seleção, formatado nos moldes do DOCTV, tem como objetivos estimular o desenvolvimento da indústria brasileira de animação a partir da sistematização de Ações que visam a geração de projetos de série de animação em diversos pontos do país; a realização de ações regionais de capacitação que reforçam a cultura da série de animação para televisão; a articulação de um circuito nacional de teledifusão de séries de animação brasileiras; a dinamização da produção entre estúdios no território nacional; e a inserção da animação brasileira no mercado internacional.

O Programa ANIMATV é realizado no âmbito do Programa Nacional de Estímulo à Parceria entre a Produção Independente e a Televisão e do Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultura e se configura como a primeira ação do Programa Nacional de Estímulo ao Desenvolvimento da Animação do Ministério da Cultura.

Serão produzidos 18 pilotos de 11 minutos e, após a transmissão nacional em Rede Pública de TV e a realização de pesquisas inéditas de audiência, serão selecionados dois programas para produção de séries de 12 episódios cada.
>> MINISTÉRIO DA CULTURA


‘LOST': VÍDEO MOSTRA NOVO SÍMBOLO DHARMA E PRODUTORES DÃO NOME DO SÉTIMO EPISÓDIO DO QUINTO ANO

sábado | 13 | dezembro | 2008
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Um farol? Um poste? O que simboliza essa nova imagem da Dharma?

Nós já sabíamos que a quinta temporada de “Lost” nos apresentará novas estações Dharma, né? E agora foi a vez de conhecermos um novo símbolo da misteriosa iniciativa!

O símbolo que você vê ao lado surgiu no fim de um vídeo comandado pelos produtores executivos da série Damon Lindelof e Carlton Cuse. Que tipo de estação ele representaria? Qual seria o nome dela? Nada disso foi divulgado: apenas a enigmática imagem, que parece a de um farol…

No mesmo vídeo, Lindelof e Cuse adiantaram o nome do sétimo episódio desta quinta temporada: “316”. Pois é, mais números para azucrinarem nossa mente!
>> SÉRIES ETC.

Assista ao vídeo da entrevista da dupla, e repare muito bem no finzinho, quando a nova logo Dharma aparece em um piscar de olhos!


COMPANHIA DAS LETRAS TERÁ SELO SÓ PARA QUADRINHOS

sábado | 13 | dezembro | 2008

cia-das-letrras-hq_logoFelizmente, nem só de notícias preocupantes (como as incertezas com Pixel e Conrad) vive o mercado brasileiro de quadrinhos. A Companhia das Letras acaba de anunciar a criação de um selo exclusivo para HQs, o Quadrinhos na Companhia, no qual serão publicados tanto autores renomados, como contemporâneos.

A editora, que há anos vem lançando obras consagradas da arte seqüencial, como Maus – A história de um sobrevivente, a recém-concluída coleção de Tintim, Persépolis e diversos trabalhos de Will Eisner, passará a ter uma linha exclusiva para quadrinhos.

Segundo a Companhia das Letras, estão programados cerca de 20 títulos para 2009 e 2010. E já foram anunciados: Blankets, de Craig Thompson; Bottomless Belly Button, de Dash Shaw; e o premiado Jimmy Corrigan: the smartest kid on Earth, de Chris Ware.

Além disso, haverá uma linha de HQs nacionais, sempre produzidas em dupla. O projeto foi criado em parceria com a RT/Features e o álbum de estréia será Cachalote, do escritor Daniel Galera, com desenhos de Rafael Coutinho.

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A obra, de Gene Luen Yang, apresenta uma história autobiográfica, com a vida de Jin Wang, garoto de origem chinesa que vive em São Francisco, tentando se integrar à comunidade americana tradicional.

Também estão programados novos lançamentos com materiais de Will Eisner, Art Spiegelman e Marjane Satrapi.

Para o público juvenil, o Quadrinhos na Companhia já anunciou pelo menos um lançamento arrebatador: American Born Chinese, de Gene Yang, a única HQ indicada ao National Book Award. Já o brasileiro Spacca, autor dos ótimos Santô – Os pais da aviação e D. João Carioca – A corte portuguesa chega ao Brasil (1808-1821), fará adaptações de histórias de Jorge Amado – a primeira a será o clássico Jubiabá.

A Companhia das Letras encerra seu comunicado à imprensa dizendo que em 2009 serão anunciadas as novas duplas brasileiras que assinarão graphic novels nesse novo selo e também que terá HQs de grandes autores europeus e orientais. A idéia é usar a força que a editora possui em livrarias para atrair leitores que ainda não se aventuraram pelos quadrinhos.
>> UNIVERSO HQ – por Sidney Gusman


QUADRINHOS: PROJEÇÃO E IDENTIFICAÇÃO

sábado | 13 | dezembro | 2008

 

Quero ser o Homem-Aranha. Ou Peter Parker?

Quero ser o Homem-Aranha. Ou Peter Parker?

Os quadrinhos promovem um sistema de identificação e projeção nos leitores. Com a revista do Homem-Aranha nas mãos o nerd médio se identifica com Peter Parker e projeta em sua imaginação ter a coragem e os poderes do Homem-Aranha. Ou será que acontece um processo inverso? O nerd se identifica com a ausência de poderes e coragem e projeta a vida do comum Parker, buscando um dia ser fotógrafo como ele ou jornalista como Clark Kent?.

São as semelhanças ou as diferenças que nos atraem? Essa questão vem norteando os relacionamentos humanos durante os tempos. Nunca chegou-se a uma conclusão. Mas os estudos mostram que uma das grandes razões de sucesso das narrativas heróicas é a utilização de arquétipos. Nos quadrinhos podemos encontrar vários deles.

Já vimos aqui que em vários quadrinhos, o que faz a grande diferença, o grande big-bang no cérebro é o desconcerto que certas cenas nos oferecem. São as obras quebrando nossas projeções e identificações. Quando o leitor de quadrinhos cresce, ele não está mais preocupado em querer ser o Homem-Aranha, mas fica chocado ao descobrir em Do Inferno, que William Gull, médico da Rainha, é Jack, o Estripador. E não apenas isso. Ele está a mando da soberana para eliminar evidências de um caso extra-conjugal na família real. Claro, que ainda aqueles que se identificam com Gull ou outros personagens como o Justiceiro. A esses, falta um pouco de senso crítico. O que acontece em Do Inferno é a desconfirmação dos arquétipos, a desconstrução da identificação, ainda que um pouco dela deve existir para que o leitor continue acompanhando a história.

“O interesse que sentimos pelos personagens não vem, portanto, daquilo que reconhecemos em nós mesmos (somente os romances mais grosseiros fazem uso desse processo), mas daquilo que aprendemos sobre nós mesmos. A verdade que emana de nossa interação com as figuras fictícias é, com muita freqüência, uma verdade ignorada. É a diferença, e não a semelhança, que permite descobrir-se. Os personagens mais interessantes são aqueles que vão ao encontro das supostas inclinações do leitor”, diz Vincent Jouve no livro L’effet-personnage, citação copiada descaradamente do blog da Carol.

 

o inverso dos arquétipos

Os Perpétuos: o inverso dos arquétipos

Agora peguemos os Perpétuos de Neil Gaiman para explicar essa frase. Nem sempre reconhecemos em nós mesmos o Desespero, ou o Desejo, até mesmo a Destruição. Mas lendo as palavras dos personagens de Gaiman muitas vezes nos pegamos pensando; “é, realmente, acontece dessa forma, por que eu nunca tinha percebido?”. Os personagens de Gaiman tem essa qualidade de, como diz o próprio Sonho, “pronunciar verdades que não se falam”. Quando nos pegamos reconhecendo em nós mesmos nossas falhas, o Destino, a Morte, o Sonho, o Desejo, o Desespero, a Destruição e o Delírio dentro de nós é que conhecemos nossas diferenças. É quando compreendemos que não somos arquétipos, nem personagens. Não precisamos nos identificar exclusivamente. Mas aprendemos. Cada um na sua, com alguma coisa em comum, já dizia a marca de cigarros.

Os próprios Perpétuos são construções e desconstruções destes aspectos da vida humana. Se por um lado a Morte é aquela que nos arranca deste plano de existência, ela também é a irmã ideal, alguém com quem você pode conversar por horas sem se cansar, que é alto-astral e carinhosa. Destruição, por outro lado, é um artista frustrado. Apesar de encarnar o caos, ele quer construir algo para si, ser reconhecido por algo que ele mesmo construiu.

É a diferença, não a semelhança que permite descobrir-se. E talvez seja por essa razão que para muitos sejam mais fácil se identificar com os X-Men. Eles representam a diferença, aquilo que não é comum, mas que permite descobrir que a diversidade é algo mais normal que a semelhança. Essa é a moral da nossa história.
>> SPLASH PAGES – por Smee


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