
H.P. Lovecraft perambula pela tênue linha entre a realidade e o horror angustiante "fictício", na esperança de manter afastados deuses antigos e pesadelos vivos disformes. Uma esperança que está rapidamente definhando.
“Um livro sobre Gnose do século XX deveria incluir o romancista fantástico H.P.Lovecraft, que se inspirou no relatório siríaco de Teodor bai Konai, sobre maniqueísmo” (História da Filosofia Oculta. Alexandrian. Coleção Esfinge, página 76).
Até o início da conquista espacial convencionou-se, mesmo para os não crentes e não crédulos, associar ao céu entidades benévolas. Hoje, os avanços da ciência, principalmente da física quântica, mostram-nos uma face desconhecida do cosmos: energias com cargas atômicas diferentes, carregadas com anti-matéria, sustentadas por outras leis cósmicas, uma face que Lovecraft, já no início do século mostrava em suas histórias e que alicerçou a teogonia e a cosmogonia que iriam influenciar muitos, às quais não fiquei imune. Meu interesse pelos estudos alquímicos e um discreto namoro com a astronomia justificam a cumplicidade que tenho tido, estes anos todos, com Lovecraft.
O gênese lovecraftiano pode ser reconstruído através de seus contos e novelas e as demais do círculo de Lovecraft, a maioria saída do WT( grupo de escritores da revista Werd Tales ). Contam a saga das raças pré-humanas: os Antigos, também conhecidos como Primordiais, vieram dos espaços interestelares e fixaram-se no continente antártico, numa era que é temeroso datar. Documentos tão antigos quanto elas, narram a epopéia das guerras travadas contra outras raças: dos polvos cósmicos de Cthulhu, raça que construiu em um reduto do Pacífico, na lendária Ponapé, a cidade pétrea de R’lyeh; dos shoggoths, uma raça de servos por ela criada e contra os lendários Mi-Go, uma raça galática de crustáceos. Expulsa pelos deuses Arquetípicos, uma raça benévola, também conhecida como Ancestrais, ela vive no exterior, na superfície do planeta e conta com o auxílio de bruxos, feiticeiros e incautos para abrirem as portas que dão para o limiar, região conhecida na literatura esotérica como cauda draconis, representada por um dragão com a cauda na boca, simbolizando as trevas circulares do deus Amenti que circundam a Terra e têm conotação com as forças destrutivas.
As tentativas para explicar as semelhanças entre o credo lovecraftiano e a obra do místico austríaco Rudolph Steiner, criador da Antroposofia e do Método Pedagógico Waldorf, acabaram por nos levar até Londres do século XIX, uma Londres com encantos à Watteau: jantares, bailes, festas na água, com direito a um encontro com o bizarro lord Edward Bulwer-Lytton.
A história carece ser contada do começo: Steiner era jornalista e residia em Berlim. Escreveu, entre outros, o livro Ciência Oculta, onde narra uma visão cósmica do sistema planetário e das raças que, segundo ele, habitaram nosso planeta. Dessa visão, conseguida através de uma intensa disciplina esotérica, resultou uma cosmogonia e uma teogonia descritas pelo autor e que não cabem nesse texto. Jacques Bergier, físico e escritor francês, explica essa capacidade citando as gravações akashiques, informações guardadas na textura espaço-tempo (sic) e que podem ser recuperadas através de faculdades paranormais. À página 130 do referido livro, Steiner escreveu: “Falamos aqui dos planetas e de seus nomes, exatamente no sentido em que o fazia outra ciência mais antiga, uma época da qual não existem registros históricos, onde não só a escrita, mas a própria linguagem eram desconhecidas. Certo tipo de homens podiam elevar-se até um “ser”que, juntamente com os seus companheiros, foi o primeiro a ser expulso da evolução solar…esse “ ser” vive na periferia da Terra.”
Jacques Bergier foi admirador e correspondente de Lovecraft. Em Passaporte para uma Outra Terra, ele declara que o conceito de Portas Induzidas, um dos suportes da doutrina lovecraftiana, constava dos ensinamentos sub rosa, ou seja, oral e somente para iniciados, da Golden Down. Essa sociedade foi fundada em Londres, em 1867 e mantinha relações com sociedades germânicas, secretas e similares. Samuel Mathers, um de seus fundadores, alegava manter comunicações e receber instruções de seres que ele denominava Superiores Desconhecidos. Hitler iria declarar, mais tarde, ter contato com os mesmos.
Da Golden Down, fizeram parte escritores famosos: W.B.Yeats (poeta irlandês, ganhador do Nobel); Bram Stocker (criador do Drácula); Algernon Blackwood (criador do termo Cthulhu com o qual Lovecraft nomeou os Mitos); Arthur Machen (remodelador dos contos de medo. Sua obra exerceu grande influência, principalmente na segunda fase, a melhor de Lovecraft) e Edward B. Lytton, autor de Zanoni, publicado na Itália onde foi escrito, com o nome de O Guardião da Soleira. (figura de linguagem que irá constituir uma verdadeira obsessão para Lovecraft). Lytton promoveu a divulgação do ocultismo na Inglaterra e pode ser considerado o responsável pelo renascimento da magia, convertendo-a em prioridade do romantismo. Atendendo seu pedido, o cabalista francês, Eliphas Levi veio a Londres e ambos, apaixonados por teurgia, servindo-se das Clavículas de Salomão, invocaram o espírito de Apolônio de Tiana, o qual teria indicado o local onde estava o seu Nuctemeron, (antigo manuscrito dos assírios). O nome pode ser traduzido por Dia das Trevas. É um manual de alta magia, voltado para a invocação dos demônios, divide-se em doze horas simbólicas e a nona hora deve ser passada em silêncio (por ser a hora dos grandes mistérios). Não nos passou desapercebida a semelhança fonética com o Necronomicon, a bíblia lovecraftiana, onde o autor nos adverte que o nono verso, quando devidamente entoado, invoca os demônios.
O século XIX foi o século da magia, por excelência. A Filosofia Oculta (que o vulgo chama de magia) não se difundiu de forma oficial, como a Escolástica, porque afastava os profanos e rompia com o pesado dogmatismo das escolas. Foram grupos independentes, formados ao redor de um mestre solitário, que a reivindicaram. O número de seitas e sociedades secretas que surgiu foi tão grande que, o século poderia ser estudado através delas. Não é o nosso intento. Pretendemos apenas comentar sobre esta ou aquela que, direta ou indiretamente, tenha influenciado o solitário cavaleiro de Providence.
A Gnose, seita religiosa surgida após os ensinamentos de Zoroastro (conhecido no Ocidente como Zaratrusta), a proibição ao culto dos demônios, por ele pregada, combinou cristianismo, pensamento grego e religiões orientais. Talvez, essa a razão de ter sido tão cara aos intelectuais. No século XIX, os eons da Gnose vão sofrer a concorrência dos sephirotes da Cabala. O homem da época não era religioso. No século anterior, o enciclopedismo havia se encarregado de queimar na fogueira da Razão, o demônio e seus exércitos de íncubos e súcubos. A revolução industrial era realidade, mas os patrões continuavam os mesmos e o homem da época tinha que enfrentar a concorrência desleal da máquina. Esse derrotismo (das massas) iria influenciar a literatura da época, motivando o renascimento do romantismo e com ele, o da magia.
No livro, História da Filosofia Oculta, página 76, o autor escreveu: Um livro sobre Gnose no século XIX, deveria incluir o romancista fantástico, H.P.Lovecraft, que se inspirou nos relatos siríacos de Teodoro bai Kunai, o qual teria vivido na Síria Oriental,no século VIII e escrito o Livro dos Escolhos, conhecido na Europa com o nome de Livro de Adão. Escreveu sobre a existência de seitas estranhas à sua época, notadamente a dos audianos que possuíam livros apócrifos, entre eles, O livro Secreto de João e o As Revelações de Alógeno. Os estudos desse material por professores da Sorbone, trouxeram à luz a existência dos mandeos, um povo que ainda hoje vive junto ao Golfo Pérsico. Desde 1875, quando foi publicada uma gramática da língua e da literatura desse povo, os orientalistas alemães dedicaram-se aos estudos dessa civilização, incluindo sua religião, estudos esses que foram complementados pelas pesquisas de lady Drower.
Mas, somente a partir das pesquisas do professor Puech (1936) e dos achados do povoado de Jonoboskion (1947), onde foi encontrada uma jarra contendo cerca de quarenta manuscritos, foi dado a conhecer ao público que heresiólogos da antiguidade , entre eles Teodor bai Kunai, estudaram essas heresias. A principal originalidade delas é ter buscado nas mitologias preexistentes as bases de uma ampla concepção filosófica, segundo a qual o mundo inferior nada mais é do que um arremedo imperfeito e perverso do mundo superior.
As referências aos monstros e demônios, na literatura, não é novidade. A mitologia foi construída com eles. Na Grécia, por trás dos grandes pensadores havia um povo de oprimidos, gente simples que acreditava na existência desses demônios. A religião era, para eles, mais uma trama de terrores que uma escada de esperanças. Cumpria manter-se alerta contra eles e realizar cerimônias mágicas que os afugentassem. Acreditavam na existência dos keres (pequenas formas de demônios que causavam doenças e que poderiam ser comparados aos bacilos e bactérias da medicina atual. Os mortos eram impuros porque haviam sido arrebatados pelos keres, definitivamente.
Foi a partir de 1890 que Papus (chefe do laboratório de hipnoterapia dos hospitais de Caridade de Paris) estabeleceu os princípios da ciência (dita) oculta. Afirmou que o mundo para lá da realidade é o plano astral, das forças invisíveis que circulam entre os astros, banhado ele também (plano astral), pela luz astral. Nele, vive uma população complexa: espíritos dos defuntos, espíritos dos elementos, espíritos planetários e mesmo, entidades vivas. Os elementais são seres mortais, intermediários entre o mundo material e o psíquico e o magisto (mago) pode domesticá-los. Seu discípulo, Decrespe, qualificou-os como micróbios do astral, carentes de forma, com visibilidade negativa, visíveis como bolas de fogo incandescentes.
Estanislau de Guaita, grande senhor cabalista, escreveu entre outros o livro A chave da Magia Negra, onde expôs a Inteligência da Natureza. Segundo ele, das forças que nos rodeiam, a Luz Astral é o suporte físico do Universo sensível. Compreende duas correntes antagônicas: Herbe, construtiva ao longo da cadeia do Tempo e Ionah, expansiva, abundante através das planícies do espaço.(sic) Citou os Indígenas do Astral, larvas nas quais os cabalistas não vêm nada além de carapaças inanimadas, agindo como potências da dissolução do Herbe. Há um capítulo sobre a morte que relata a odisséia alucinante dos elementos que sobrevivem ao corpo, a agressão da qual são vítimas por parte dos masikim (vermes, hienas e corvos do Invisível)
É fácil imaginar a influência que essas teorias tiveram nos meios acadêmicos da época, notadamente nos literários.
O círculo de Lovecraft para contar a saga que alicerça essa (inquietante) teogonia, usou uma rica e variada estante de livros; alguns, têm existência real, como a lista de alquimistas famosos, destaque para Fludd (nome latino de Robertus Fluctibus ), do século XV; abade Trithème (inventor da criptografia); Raimundo Lulio ou Lulle (escritor e alquimista espanhol); o napolitano Giovanni Batista de la Porta; Roger Bacon (divulgador da filosofia aristotélica); Alberto Magnus (mestre de Santo Tomás de Aquino); pouco conhecido foi Bagio Viginère (ocultista do século XVI); outros, considerados imaginários por muitos autores, são reais, como a dra Margareth Murray, autora do livro O Culto da Feitiçaria na Europa Ocidental e Michel Raufft, médico alemão que visitou a aldeia de Kasilova, na Hungria, onde a lenda conta que os vampiros se alimentavam nas sepultura. Escreveu o livro Tratado sobre Mortos que mascam nos Sepulcros. Há citações de livros reais, como O livro de Toth, o livro de Dzian, o de Hermes Trimegisto e, outros.
Mas, os livros que conferem maior credibilidade aos Mitos são imaginários, na maioria, canônicos. Usamos a lista de Carter, um dos exegetas dos Mitos:
Manuscritos Pnakóticos: fragmentos originários das terras de Lomar, no planalto de Leng, onde, em eras pré-pleistocênicas, adoradores do informe Tsathoggua fundaram a cidade de K’naa.
Sete Livros Crípticos de Hsan: originários da gelada Lomar, sobre os quais as informações são ainda mais imprecisas.
Livro de Eibon ou Líber Ivonis, invenção de Clarck Asthon Smith: originários da antiga Hyperborea, do qual restam poucos fragmentos.
Texto de R’lyeh: onde é contada a história da raça pré-humana, descendente de Ctlhulhu.
O Livro Negro, também conhecido com o nome de Cultos sem Nome, da suposta autoria do alemão van Juzt, escrito realmente por Robert Howard, amigo pessoal de Lovecraft, criador de Conan.
Argilas de Kadatheron: livro originário da cidade homônima, construída às margens do rio Ai, nas terras de Mnar.
Papiro de Ilarneck: nele, são descritos os habitantes de Ib, uma raça de sáurios que viveram antes da malograda Sarnath.
De Vermis Mysteriis, autoria atribuída a Ludvig Prinn, morto na fogueira da Inquisição em Bruxelas. Dizia-se alquimista, nigromante e alardeava uma idade tão avançada que ela lhe permitira participar da nona Cruzada. Velhas crônicas citam o seu nome como cavalheiro de Montserrat e seus conhecimentos de feitiçaria são atribuídos aos anos vividos como prisioneiro, na Síria. Os últimos anos viveu em Flandres (sua terra natal), ao pé de um sepulcro romano, cercado por servidores vindos das estrelas.
Culto dos Güls (a palavra güll é originária do inglês ghoul e designa cadáveres que se alimentam de cadáveres). É da autoria do conde D’Erleth, nome com o qual Lovecraft designava o amigo e colaborador August Derleth.
Necronomicon, a bíblia lovecraftiana. Foi citado pela primeira vez em Nameless City, escrito em 1921. Lovecraft criou tantas histórias ao redor dele que, depois, ficou difícil negar a sua existência. Segundo ele, o livro teria sido escrito pelo árabe (louco) Abdul al Hazred, poeta e filósofo nascido no Iêmen, no ano 700, morto (devorado por um demônio) em Damasco, em 738. Antes de escrever o livro, teria passado algum tempo entre as ruínas da Babilônia, nas catacumbas de Mênfis e no deserto da Arábia. O Al-Azif (nome original) teria circulado secretamente em rolos de pergaminho, durante dois séculos. Foi traduzido para o grego e acabou sendo condenado pelo patriarca de Constantinopla. No século XIII, foi feita uma tradução latina por Olaus Wormius, mantendo o título em grego, Necronomicon, que pode ser traduzido por…coisas pertinentes aos costumes, leis e hábitos dos mortos. Quanto a sua autoria, Lovecraft declarou numa carta, escrita em 1924 para o amigo Edwin Baird, que desde a infância (quando lia o The Arabian Nights ) tinha sido um maometano devoto e que teria assumido o nome de Abdul, nas suas brincadeiras, queimado uma rolha para maquiar o rosto e passado a usar turbante. Assim, teria nascido o Necronomicon.
Demiurgo de um novo mundo, Lovecraft precisava, agora, criar um habitat para colocar os seus deuses, assentar o seu povo (híbrido) e movimentar as suas histórias. Escolheu, como era de se esperar, a Nova Inglaterra. Numa extensão que se estendia dela até as estrelas, fundou o seu império.
Da sua primeira fase de produção literária, fortemente influenciada por lord Dunsany, são as cidades oníricas, as terras banhadas por rios caudalosos, batizadas com nomes estrambóticos, montanhas com picos até as nuvens e…nelas, os deuses dançam nas noites de lua cheia. Romantismo e melancolia casam-se com o lúgubre. São os contos da Nova Inglaterra.
Na segunda fase, a dos Mitos de Cthulhu, é que se dá a fundação das cidades míticas.
Nelas, a influência das velhas cidades da Nova Inglaterra, tentando subsistir ao tempo. Nessas cidades hipotéticas, Lovecraft procurou conservar os hábitos, a arquitetura, dialetos, alfândegas, etc, mantendo a atmosfera de um mundo que lhe era caro. Assim, surgem Arkham, no vale do rio Miskatonic. Em carta de 1931, dirigida ao amigo Derleth, fala que o nome do rio nasceu das raízes confusas do Algonquins e que Arkham correspondia a Salém, que Kingsport correspondia a Marblehead e que Dunwisch lembrava o eco decadente da zona rural de Massachussets, ao redor de Springfields. Numa carta a Emil Petaja, em 1934, escreveu que a cidade portuária Innsmouth seria uma versão de Newburyport, no Massachussets. E, acrescenta: …eu tento ser o mais realista possível, ao descrever essas cidades velhas, com suas ruelas sinuosas e casas, algumas com mais de duzentos e cinqüenta anos.
Talvez, das cidades míticas, a mais famosa tenha sido Kadath, no Deserto de Ferro. A sua procura motivou o aparecimento de regiões abomináveis, como as planícies de Leng e as terras de Lomar. A sua geografia vertical não conheceu limites. Da Nova Inglaterra às estrelas, colocou deuses em Aldebarã, nas Híades, em Betelgeuse, para não citarmos todas. Na horizontal, estendeu seus limites até o Pacífico, onde, perto de Panapé, nas ilhas Carolinas, encerrou o temível Cthulhu. Sob a influência de Ambroise Bierce, criador da divindade Hastur, o deus dos pastores que Chambers (outro colaborador) transformou em divindade terrorífica, trabalhou com a mítica Carcosa. Autores acreditam que foram as informações de Abraaham Merritt, grande explorador da Oceania, que permitiram a Lovecraft saber da Veneza Ciclopeana, onde as lendas falam de passagens secretas, subterrâneas, nas ilhotas das Carolinas.
Na ilha de Sumatra, uma lenda Indonésia fala de um templo que leva a um lago, no qual se realizam rituais mágicos. Foi, provavelmente, sob a influência dela que ele escreveu em 1920, The Temple. As informações que permitiram escrever The Nameless City (1921), onde aparece Irem, a cidade perdida do deserto, são de E.Hoffman Price, orientalista famoso, numa época, quando o deserto apaixonava os ocidentais. Enquanto uns partiam para explorá-lo, outros usavam a pena para divulgar os seus mistérios.Acredito ser difícil especularmos quais as fontes às quais Lovecraft teve acesso para construir os seus mundos e criar os seus deuses. Discutiu-se sobre as influências que recebeu de Sônia Greene (esposa) quando em Nova Yorque, fato que nos remete a Golden Down, dado ao relacionamento dela com Aleister Crowley, mago inglês exonerado dessa sociedade. Das influências das leituras de Poe, de Arthur Machen, de Blake, das aulas de astronomia da avó, do conhecimento de várias mitologias antigas, destaque para a sumeriana e a egípcia, da maçonaria (criando parentesco com possíveis maçons) e, outras mais que nem imaginamos. Uma coisa é certa: Rafael Llopis, um dos maiores estudiosos do fenômeno Lovecraft, adverte que ler Lovecraft é transpor os umbrais do outro mundo e olhar a cara das divindades amorfas das origens. É como dar férias ao ego e libertar o Caos sem forma. É anular temporariamente, nossos esquemas cotidiano de pensamentos e tudo o que eles possuem de racional e repressivo e reativar estruturas arcaicas.
>> SCARIUM – por Anna Creusa