MIYAZAKI RECLAMA DA ANIMAÇÃO ATUAL

segunda-feira | 26 | janeiro | 2009

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O consagrado animador e diretor Hayao Miyazaki não suporta a animação atual, de acordo com uma manchete do Straits Times de Cingapura. Durante uma entrevista sobre o filme “Ponyo on the Cliff by the Sea”, Miyazaki voltou a criticar o excesso de aparelhos eletrônicos na vida dos jovens. Disse ainda que a animação atual é repleta de imagens estranhas e excêntricas.

Os animadores de seu estúdio são testados em ambiente em que celulares, iPods e outros aparelhos do gênero são proibidos. “Jovens estão cercados de coisas virtuais. Eles têm falta de experiência real de vida e perdem a imaginação. Animadores só pode desenhar de suas próprias experiências emotivas, dores e choque”, conclui Miyazaki. O diretor diz que ainda que seu atual filme seja 100% tradicional (feito a mão), não rejeita a idéia de trabalhar utilizando outras técnicas.

Frank Marshall, Kathleen Kennedy and John Lasseter estão atualmente trabalhando na dublagem em inglês para os EUA tendo nas vozes Matt Damon, Tina Fey, Cate Blanchett, Liam Neeson, Lily Tomlin e Cloris Leachman.

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O Castelo de Cagliostro foi o primeiro longa-metragem dirigido por Hayao Miyazaki,

O Castelo de Cagliostro
Falando em Miyazaki, gostaria de indicar este texto do blog do crítico João Solimeo sobre “O Castelo de Cagliostro”, o primeiro longa-metragem do diretor japonês, que ficou mais conhecido no ocidente por produções primorosas como “A Viagem de Chihiro” e “O Castelo Animado”. Se ainda não viu nenhum deles, faça isso o quanto antes! Publico trecho da crítica do João a seguir:

O roteiro acompanha um ladrão boa pinta chamado Lupin III (Lupin Terceiro, ou Lupin Neto) que salva a vida de uma princesa, apenas para vê-la ser seqüestrada novamente por vilões não identificados. Na fuga, a princesa deixa para trás um misterioso anel. Lupin e um companheiro de aventuras vão até o país de Cagliostro atrás da origem de umas notas falsificadas e para tentar salvar a princesa. A trama é complicada e envolve um conde falsário, uma espiã que pode ser tanto aliada quanto inimiga de Lupin, um personagem misterioso que parece um samurai e vários guardas com garras mortais.

O personagem Arséne Lupin foi criado por Maurice Leblanc no início do século XX, sendo contemporâneo do Sherlock Holmes de Arthur Conan Doyle. O que um personagem francês do início do século XX está fazendo em um filme animado japonês feito em 1979?

A animação japonesa (e a cultura japonesa em geral, na verdade) tem a característica de se apropriar da cultura estrangeira, lhe dar uma roupagem nova, bem japonesa, e colocar de volta no mundo. É frequente a influência européia nas animações de Hayao Miyazaki; mesmo que, no fundo, elas permaneçam inequivocadamente japonesas.

Em “Láputa, Castelo no Céu” (Tenkuu no Shiro Laputa, 1986), por exemplo, Miyazaki pegou “emprestada” a cidade flutuante de “Láputa”, criada por Jonathan Swift em “As Viagens de Gulliver”, para criar sua própria cidade aérea. O personagem principal de “O Castelo de Cagliostro”, Lupin Terceiro, foi protagonista de duas séries animadas da televisão japonesa (a primeira co-dirigida pelo próprio Miyazaki em 1971) e um longa metragem.

A influência de Miyazaki pode ser notada em vários momentos do filme. Seu amor por máquinas (principalmente máquinas voadoras) pode ser visto no helicóptero que o vilão usa para chegar ao castelo. As engrenagens do relógio da torre também lembram muito o estilo que Miyazaki usaria em “Láputa” ou “Naushika” (“Naushika do Vale do Vento” é a obra prima de Hayao Miyazaki, produzido em 1984).

Há uma longa seqüência de perseguição entre estas engrenagens que é sem dúvida um feito para a animação da época, toda feita à mão e sem o uso de computadores. O DVD contém uma entrevista muito interessante com o diretor de animação do filme, Yasuo Ohtsuka. Ele conta que o filme foi produzido em apenas quatro meses e meio, com os animadores trabalhando dia e noite. Ele diz que hoje isso seria impossível, pois é tudo muito mais “fácil” e “rico”. Ohtsuka diz que da “pobreza” se tira muito mais criatividade.
>> ANIMATION ANIMAGIC – por Celbi Pegoraro


“MITCHIKO E HATCHIN”: ANIMAÇÃO JAPONESA USA O BRASIL COMO CENÁRIO

segunda-feira | 26 | janeiro | 2009

Produção de ‘Mitchiko e Hatchin’ visitou o país para ter inspiração.
Animação tem trilha sonora assinada pelo carioca Kassin.

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Material de divulgação do animê 'Michiko e Hatchin', com a cidade do Rio de Janeiro ao fundo.

Nem todas as animações japonesas se passam em mundos de fantasia medievais ou em planetas cheios de bichinhos colecionáveis. Algumas vezes elas podem acontecer em mundos muito mais familiares, como aquele que você encontra em “Michiko e Hatchin”.

Com cenário inspirado no Brasil (uma favela no Rio de Janeiro, nos primeiros episódios), a série estreou no Japão na segunda metade de 2008, e é produzida pelo estúdio Manglobe, responsável por animês famosos como “Samurai Champloo”.

Michiko e Hatchin” conta a história de Michiko Malandro, uma mulher que foge da prisão para resgatar Hana “Hatchin” Morenos, que está sofrendo nas mãos de seus pais adotivos. Os episódios, nomeados com termos em português, mostram favelas, pontos tradicionais do Rio de Janeiro e incluem até mesmo uma viagem para a Amazônia.

Ainda não existe previsão para a estreia de “Michiko e Hatchin” no Brasil – a série está chegando nos últimos episódios no Japão. Apesar disso, é possível encontrar na internet versões legendadas em português dos episódios exibidos no Japão.

Fidelidade
O animê tem uma fidelidade com a ambientação que é difícil de encontrar em outras produções internacionais que se passem no Brasil. “Até a moeda corrente é desenhada igual ao real”, conta Hiromi Konishi, coordenadora de projeto do animê (como são chamadas as animações japonesas). 

Michiko (esq.) e Hatchin, personagens principais do animê tem como cenário favela e pontos turísticos, além da trilha sonora

Em busca dessa “inspiração” brasileira, os produtores da série (incluindo a diretora Sayo Yamamoto) vieram até o Brasil em 2007.

Outro ponto brasileiríssimo do animê é a trilha sonora, coordenada por Shinichiro Watanabe (diretor do animê “Cowboy Bebop”) e assinada pelo carioca Kassin (+2 , Artificial, Orquestra Imperial), marido de Konishi.

Trabalhando à distância, Kassin diz que só vê a animação muito tempo depois de terminar as trilhas: Recebo roteiros e sugestões de como devem ser as músicas, essas sugestões vêm do Shinichiro e são muito precisas”, diz, elogiando o diretor, “a direção musical dele é brilhante”.

Cantam na trilha, em português, Thalma de Freitas, Nina Becker, Bnegão, Wilson das Neves, Ritchie e o próprio Kassin – enquanto a música de abertura, “Paraíso”, fica a cargo do grupo japonês Soil & “Pimp” Sessions. O disco com a trilha sonora original foi às lojas no Japão nesta sexta-feira (23).
>> G1 – por Amauri Stamboroski Jr.

Assista ao trailer de Michiko e Hatchin:


“LOST” MOSTRA ILHA COMO “DISCO RISCADO”

segunda-feira | 26 | janeiro | 2009

1º capítulo do 5º ano da série, que passou na última quarta nos EUA, explica “pulos” no tempo e necessidade de fugitivos voltarem.

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Produtores da trama indicam saber como será o desfecho, em 2010; ainda não há data de estreia da temporada no Brasil

Pense na ilha como sendo um disco de vinil rodando sobre o prato da vitrola; agora, o disco está pulando. Pulando no tempo. E, se os fugitivos não retornarem, o mundo estará condenado. Com essa explicação inicia-se a quinta temporada do seriado “Lost”, que estreou na última quarta, nos EUA.

No final da quarta temporada, encerrada há quase sete meses nos EUA, após a fuga de helicóptero de seis dos sobreviventes do voo 815 (Jack, Kate, Sun, Aaron, Hurley e Sayid, os Oceanic 6), o insensível vilão Ben gira uma engrenagem misteriosa que muda a ilha de lugar. Mas não apenas.

Revela-se então só agora o que teria acontecido com os visitantes que permaneceram na ilha (Sawyer, Juliet, Daniel…). Além disso, o novo episódio entrega quando se passam os acontecimentos que vemos no continente com os Oceanic 6 (a vida de Kate e Aaron, o encontro de Jack com Ben, Locke no caixão…). E ainda explica que o destino do planeta está relacionado diretamente à volta definitiva dos fugitivos da ilha.

Enfim, “Lost” começa a caminhar para algo mais concreto. Apesar de brincar com viagens no tempo, assunto delicado de tratar, pois geralmente surgem paradoxos irreparáveis, os produtores da série parecem saber mesmo como a terminarão (as regras para evitar o efeito borboleta, que prega que qualquer mudança no passado ocasionará alterações inesperadas no futuro, são finalmente colocadas na mesa).

Mesmo com os mistérios começando a ser solucionados, “Lost”, da ABC, teve sua pior audiência em uma estreia de temporada. Os dois episódios mostrados na quarta-feira (“Because You Left” -porque você partiu- e “The Lie” -a mentira) foram vistos por 11,4 milhões de pessoas, 26% menos que em 2008, segundo a Nielsen Company, que divulga a audiência nos EUA.

No Brasil, ainda não há data de estreia da quinta temporada. O quarto ano de “Lost” é exibido pela Globo, até terça (seg. e ter., após o “Jornal da Globo”), e tem reprises no canal pago AXN (vários horários).
>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Leandro Fortino

Assista ao novo video promocional da quinta temporada de LOST:


24 HORAS: REDENÇÃO, O FILME

segunda-feira | 26 | janeiro | 2009

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O longa da eletrizante série 24 Horas se fazia anunciar no Internet Movie Database (IMDb) desde o ano passado. Mas, agora lançado em DVD, descobrimos que não é um filme conforme muitos esperavam. Não é, surpreendentemente, um teaser para não-iniciados em matéria de Jack Bauer – é, ao contrário, um remendo, um parêntese, um interlúdio entre a sexta e a sétima temporadas.

O medo dos realizadores era o de haver uma nova greve dos roteiristas neste ano, prejudicando, como em 2008, a cronologia de 24 Horas e o andamento dos trabalhos. Solução: adiantar uma nesga da próxima temporada com um produto novo (chegaram, inclusive, a cogitar formatos para a internet ou para o celular).

As gravações começaram, adiantadamente, no fim de abril e terminaram em junho. Bauer, depois de matar boa parte do elenco (e ir perdendo, ano a ano, seus colegas e familiares), ressurge em “Sangala”, um país fictício da África. Como a ação nunca o abandona, chega procurando se reconciliar com sua alma inquieta, mas encontra a região no meio de um iminente golpe de estado. Voilà: Bauer, mais uma vez, não consegue, como agente, se aposentar.

A idéia por trás do roteiro se aproxima, deliberadamente, do genocídio de Ruanda, durante o governo Clinton – o qual se eximiu de intervir, sendo criticado, justamente, por dar a entender que, na África, não estão em jogo interesses como, no Oriente Médio, o do petróleo… Coincidência ou não, a série que já antecipou um presidente negro,  em 2001, atualmente aposta numa mulher presidente, aproximando-a, inevitavelmente, de Hillary Clinton.

Bauer salva as criancinhas africanas de uma guerra civil, mas a suposta participação de norte-americanos na ação golpista – neste Redenção apenas sugerida – há de ser concluída na sétima temporada… O filme, exibido na TV dos EUA, atraiu mais de 10 milhões de telespectadores. Bauer, ainda assim, sem alma (e quase sem identidade), vai ter de se reinventar na sua sétima encarnação.
>> DIGESTO CULTURAL – por Julio Daio Borges


TOM & JERRY GANHAM LONGA-METRAGEM NOS CINEMAS

segunda-feira | 26 | janeiro | 2009

tom-e-jerrySegundo o site da revista norte-americana Variety, a Warner está planejando levar Tom & Jerry aos cinemas. E não se trata de uma animação, e sim de um filme onde os personagens, gerados por computação gráfica, interagem com um cenário e pessoas de carne e osso.

O produtor Dan Lin, que atualmente está envolvido com Sherlock Holmes e O Exterminador do Futuro: A Salvação, trabalhará com base em um roteiro de Eric Gravning.

A história mostrará como Tom e Jerry se conheceram e o desenvolvimento de sua rivalidade. Até que, em uma reviravolta, os dois precisam, relutantemente, trabalhar juntos em uma árdua jornada por Chicago.

Tom & Jerry é uma série animada com mais de seis décadas de existência, criada nos anos 40 por William Hanna e Joseph Barbera para a Metro-Goldwyn-Mayer. Os desenhos mostram a rivalidade entre um gato (Tom) e um rato (Jerry), que atormentam um ao outro.
>> HQ MANIACS – por Émerson Vasconcelos


“O ESTRANHO MUNDO DE JACK” PARA COLECIONADORES

segunda-feira | 26 | janeiro | 2009

DVD Estranho Mundo de Jack edicao especial

Quinze anos depois do seu lançamento nos cinemas, o desenho animado “O Estranho Mundo de Jack” (The Nightmare Before Christmas, 1993) chega às prateleiras numa edição especial para colecionadores. Nesta versão em DVD duplo lançada pela Disney Brasil o charme está no segundo disco, que contém muitas ilustrações de cenários e personagens, testes de animação, cenas inéditas e, principalmente, dois curtas dirigidos por Tim Burton, o criador do Rei das Abóboras.

DOIS CURTAS QUE VALEM A PENA
“Frankweenie” é um curta-metragem de 1984 numa clara paródia a história do Frankenstein. O pequeno Victor, de apenas 10 anos, perde seu cão, Sparky, e inconformado, decide trazer o animal de volta à vida. Na apresentação do filminho, Burton anuncia que o curta será, no futuro, um longa-metragem em animação stop motion – modalidade de animação que usa bonecos movimentados e fotografados quadro a quadro, a 24 quadros por segundo.

Frankenweenie de Tim Burton

Por sua vez, “Vincent” nos apresenta outra criança angustiada, o jovem Vincent Malloy, de apenas 7 anos, que sonha em ser o Vincent Price – famoso ator americano de filmes de terror falecido em 1993. Depressivo, sombrio e triste, o menino vive sua frustração com narrativa em versos do próprio Price. Realizado em stop motion, este foi o primeiro curta-metragem de Burton.

Vincent de tim burton

O DESENHO QUE FEZ HISTÓRIA
Na época em que foi lançado, “O Estranho Mundo de Jack” foi um marco, trazendo personagens, interpretações e uma perfeição técnica que até então não existia no meio. Demorou três anos para ficar pronto, envolvendo mais de 100 pessoas, sendo 13 animadores, além de 230 cenários e 19 estúdios. Segundo depoimentos no making off, foi necessário se mudar para um prédio onde oito equipes de filmagem trabalharam simultaneamente. Muitas cenas usaram de 20 a 30 luzes diferentes, além de 60 bonecos de personagens individuais, alguns com três ou quatro duplicatas. Para o Jack foram modeladas 400 cabeças diferentes, com variações de bocas e expressões. A técnica de stop motion é tão exaustiva que para se produzir um minuto de filme era necessário uma semana de filmagem.

O estranho mundo de jack casal amor

Além do trabalho como ilustrador, Tim Burton conheceu a fama através dos filmes “Batman – O Retorno”, “Beetlejuice” e “A Noiva Cadáver”. Fã declarado do ator Johnny Depp, dirigiu três filmes com ele: “Edward Mãos de Tesoura”, “A Fantástica Fábrica de Chocolate” e “Sweeney Todd: o barbeiro demoníaco da Rua Fleet”. No momento, trabalha no filme “Alice no País das Maravilhas”, que contará com Depp, a atriz Anne Hathaway e sua esposa-atriz Helena Bonham Carter.
>> JORNAL DO BRASIL – por Pedro de Luna


“O REINO DO AMANHÔ: COM HUMOR NIILISTA, J.B. BALLARD RETRATA VILANIA DO CONSUMISMO

domingo | 25 | janeiro | 2009

Romance registra nascimento de fascismo
em cidade dominada por shopping center

ballard

Novo livro do escritor britânico J. G. Ballard, que aos 78 anos, continua lutando contra um câncer na próstata, prevê um futuro sombrio.

O apocalipse está para a literatura atual assim como o mal do século está para a literatura romântica. Se para os autores do século 19 o indivíduo é quem era cerceado e combatido pelo resto do mundo, chegamos agora à constatação de que são os desejos individuais que estão pouco a pouco destruindo o mundo -gerando uma crise econômica, climática e ideológica. James Graham Ballard entende o apocalipse como ninguém. Nascido em Xangai em 1930, filho de pais ingleses, foi prisioneiro durante a adolescência na Segunda Guerra Mundial, experiência que narrou no romance autobiográfico “Império do Sol” (levado às telas em 1987 por Steven Spielberg).

Também passou por tragédias pessoais, como a morte por pneumonia de sua primeira mulher, que o deixou com três filhos pequenos, e, atualmente, luta contra um avançado câncer de próstata.

Com tudo isso, é especialmente curioso notar sua perspicácia em localizar o tédio e o consumismo como os principais vilões da atualidade, deixando de lado confrontos militares e tratando de forma épica, com ares de ficção científica, dramas burgueses subjetivos. “O Reino do Amanhã” – lançado originalmente em 2006, e que sai agora no Brasil pela Companhia das Letras, com tradução do colunista da Folha José Geraldo Couto- foca uma cidade nos arredores de Londres dominada por um shopping: o Metro-Centre.

Richard Pearson é um publicitário recém-demitido que chega a esse cenário para enterrar o pai, vítima de um possível ataque terrorista. Afastado há muitos anos, Pearson busca respostas sobre o pai no apartamento que herdou. Aos poucos, vai percebendo a aura de violência da cidadezinha, onde fascistas e consumistas, apocalípticos e integrados vão fermentando uma guerra crescente, encubada pelo Metro-Centre.

“Para a maioria das pessoas a vida é confortável hoje, e temos tempo livre para ser irracionais se quisermos. Somos como crianças entediadas. Estivemos de férias por um tempo longo demais, e ganhamos muitos presentes. Qualquer pessoa que tenha tido filhos sabe que o maior perigo é o tédio. O tédio e um deleite secreto com a própria maldade. Juntos eles podem incitar a uma notável inventividade”, diz o psiquiatra do livro, diagnosticando uma “loucura voluntária” na sociedade local.

Depois que drogas, sexo e guerra deixaram de surtir efeito, a loucura vem trazer a energia que falta ao homem.

reino-do-amanha_capaTom profético
A ruína do consumismo e o fato de o protagonista ser um publicitário desempregado dão um saboroso tom profético ao livro. O nacionalismo agressivo e as brigas de torcida são colocadas lado a lado como uma resposta fisiológica à confortável apatia mantida durante décadas de capitalismo selvagem.

Mas, ainda que seja atual, não é exatamente novidade. Especialista em ficção científica desde os anos 60, Ballard já fez isso antes. E talvez tenha feito melhor em “Terroristas do Milênio” (lançado aqui em 2005, também pela Companhia das Letras), em que o mesmo manifesto e a análise sociológica estão presentes no texto de maneira menos didática. Ainda assim, a fina ironia e o humor niilista do autor suavizam o caráter panfletário do livro. E, como diria o protagonista: “Violência? Que homem não gosta?”.

>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Santiago Nazarian


“TEMPOS DE FÚRIA”, DE CARLOS ORSI

domingo | 25 | janeiro | 2009

A ficção científica brasileira “é invisível”, dizem por aí. Nem marginal, pois que não é considerada. O que dizer, então, de um autor que se arrisca a produzir ficção científica e terror? Ingênuo?

Carlos Orsi é ousado, isso sim. Reconhecido internacionalmente, com três livros publicados e contos em diversos idiomas. Conhecido aqui por seus contos de terror inspirados em H. P. Lovecraft, o escritor mostra em “Tempos de Fúria” (Novo Século, 157 pags.) que seu trabalho está muito além disso.

Já no conto de abertura, “15 minutos”, Orsi mostra a que veio. “Fim de tarde num boteco de chão de terra batida, a meio caminho do alto do morro.” Hein? Boteco, morro? Como isso pode dar uma história e tanto de ficção científica?

Apenas um exemplo da mistura de Brasil puro com FC da melhor qualidade que poucos escritores podem oferecer. O poder de alterar a realidade como se faz na edição de um filme, quadro a quadro, é a base para uma trama que envolve roubo, traição, traficantes, pagode e popuzadas.

Dando mostras do “poder de fogo” – ou da fúria – que o livro oferece, segue a leitura com “Questão de Sobrevivência”, conto mais longo que o anterior e que apresenta a guerra urbana que toma São Paulo e o Brasil em 2020. Na cidade devastada, grupos lutam por interesses econômicos escusos, usando a população como massa de manobra. Ao mesmo tempo um ataque a ideologias atuais com um vislumbre de algo que pode vir a ser real.


A seqüência, “Pressão Fatal”, apresenta uma investigação em pleno espaço que rende homenagem tanto ao clássico detetive de Conan Doyle quanto aos contos de Isaac Asimov, que tinham por solução a aplicação de lógica pura dentro de um contexto de tecnologia e informações computadorizadas, aliados à boa e velha inteligência humana.

“Planeta dos Mortos” é o melhor conto do livro, apresentando mistura perfeita de ficção científica e horror. Um soldado em sua primeira missão enfrenta a realidade mais terrível e inescapável que se pode imaginar. Orsi consegue renovar diversos “clichês” dos dois gêneros em um texto fluido, interessante e inteligente.

O penúltimo conto, “Desígnios da Noite”, é um dos que menos gosto no livro. Não significa que é ruim – apenas o tema, o desenvolvimento não me agradaram tanto. Acordado de uma ressaca homérica – cujo motivo, claro, é uma mulher – um duelista profissional precisa agir como detetive e descobrir a pessoa por trás de um atentado de proporções “galáticas” que esconde algo ainda mais podre.

E o livro fecha com “A Aventura da Criança Perdida”, um conto ótimo, mas que também não é dos meus preferidos. É como se depois de “Planeta dos Mortos”, os contos perdessem um pouco de sua luz, ofuscados pela genialidade ali presente. Novamente, o leitor não entenda errado: é um ótimo conto.

“Tempos de Fúria” é um dos melhores livros da literatura fantástica nacional e leitura obrigatória aos fãs da ficção científica, do terror ou de ambos! E Orsi, tá na hora de lançar um romance ou uma coletânea mais gordinha, não tá não?
>> LEITURAS – por Fernando Trevisan


LITERATURA FANTÁSTICA E PERDA DE REFERÊNCIAS LITERÁRIAS

domingo | 25 | janeiro | 2009

Séries de sucesso como “O Senhor dos Anéis”, de Tolkien, e “Harry Potter”, de J. K. Rowling, deram o mote para que tivesse florescido um género literário, que de menor consideração, se elevou ao sucesso comercial, contando hoje com um amplo mercado mundial e nacional. (Não é despicienda a projecção de algumas obras no grande ecrán!).

O público-alvo é, sem dúvida, a camada jovem, que vai devorando títulos, sem que muitos tenham, contudo, a possibilidade de detectar, em grande parte dessas obras, quase-plágios, tornando-as obras derivativas, mas que, por muito iletradas que sejam, com imitações claras dos mais conhecidos tropos do género, vão deliciando a juventude.

Apesar de género literário com obras de proa bastante respeitáveis, a sua proliferação comercialmente abrangente traz alguns problemas. Antes de mais, inundou o mercado, das livrarias aos hipermercados, levando à extinção das principais colecções de “ficção científica” das principais editoras portuguesas. Não é, pois, nada fácil encontrar hoje os grandes autores canónicos, como Philip K. Dick, Robert A. Heinlein, Stanislaw Lem, Robert Silverberg ou mesmo Asimov.

Depois, açambarcou o tempo de leitura dos mais jovens. Diríamos: por que não?! Afinal, os mais jovens lêem pouco, em geral e particularmente em Portugal, e a leitura deve ser uma actividade livre. Com certeza. Mas estes jovens, apesar de estarem a ler mais, não estão a ler o melhor. Corremos o risco das novas gerações de leitores crescerem num castrante vazio de referências literárias.

E o que é isto de referências literárias? São as melhores obras de arte literária que jamais alguém conseguiu escrever, desde os clássicos gregos à actualidade, na sua magnânima intemporalidade. São incontornáveis – apenas no género da ficção científica ou da literatura fantástica – H. G. Wells (“Guerra dos Mundos”, de 1898, problemática da existência de extraterrestres e conflito com os terráquios, obra recentemente honrada com um filme), Aldous Huxley (“Admirável Mundo Novo”, de 1932, problemática, actualíssima, do controlo do comportamento humano através de manipulação genética), George Orwell (“1984”, de 1949, problemática do controlo político do indivíduo pelo Big Brother Estado) ou mesmo Humberto Eco (sobretudo, no fascinantemente hermético “O Pêndulo de Foucault”, de 1988, sapiencial incursão no ocultismo das sociedades secretas medievais).

Por que é importante ler estas obras de proa? O tempo disponível para ler não é infinito – não se pode ler tudo! Por isso, seria muito mais proveitoso, sobretudo para o neófito, que lhe fosse proporcionada leitura (pelo menos, também) dos autores que melhor dominam a linguagem escrita ou determinada língua em particular, que mais criativos são na forma como escrevem, na forma como nos transmitem sentimentos, emoções, ideias, na forma como nos transportam para novos mundos possíveis, que mais corajosos, informados e inteligentes são na forma como abordam os temas-problemas mais fundamentais, que entretecem a nossa existência, e, no fundo, pela mestria com que nos permitem o acesso à compreensão do mundo e de nós mesmos.

Assim, na questão da literacia da leitura em geral, urge uma política educativa séria, corajosa e libertadora, que fugisse à tentação populista da novela fácil ou do perigo, eminente, do pragmatismo instrumentalizador da língua, que pode transformar a sua aprendizagem simplesmente num empobrecedor aprender a ler um contrato ou a escrever uma mensagem de correio electrónico! “Planos de leitura” sim (uma das poucas boas medidas educativas deste governo); mas com graus de evolução para patamares mais elevados, com estimuladoras consequências para a avaliação dos alunos e com concertada participação e envolvimento de todos (pais, professores e sociedade civil).
>> TERRA QUENTE – por Miguel Portugal


O GATO DE SCHRODINGER

domingo | 25 | janeiro | 2009

O “princípio da incerteza” é um dos conceitos mais discutidos da discutidíssima Física do século 20, e diz respeito à nossa dificuldade em observar e medir o comportamento das partículas sub-atômicas. Para ilustrá-lo, o físico Erwin Schrodinger concebeu um experimento. Certas substâncias radioativas têm exatamente 50% de probabilidade de emitir radiação no período de uma hora. O estado dessa substância depois de uma hora de iniciada a medição pode ser descrito através de uma equação matemática que expressa essa possibilidade dupla, este ser-ou-não-ser, este haver-ou-não-haver radiação.

Schrodinger sugeriu que puséssemos um gato vivo numa caixa fechada, e que a emissão radioativa desencadeasse um mecanismo que mataria o gato. Uma hora depois do gato posto ali, a equação matemática que descreve o experimento nos diz que o que há dentro da caixa é um gato metade morto, metade vivo. As duas possibilidades se equivalem, e só ao abrirmos a caixa, e constatarmos o que aconteceu, faremos com que uma delas se concretize e a outra se evapore. Enquanto a caixa não for aberta (enquanto o observador não interferir com o fenômeno observado) é preciso ficar lidando com o conceito de um gato meio-morto, meio-vivo.

A parábola do “Gato de Schrodinger” (porque pra mim isto é uma parábola equivalente às do Novo Testamento) é um exemplo do curioso mundo da Física Quântica, onde não existem realidades, e sim probabilidades, e é nossa interferência quem faz essas probabilidades se inclinarem numa ou noutra direção. Eu posso sugerir outras parábolas igualmente eficazes (corrijam-me os físicos, caso eu esteja errado).

Por exemplo, a parábola do Pênalte Decisivo. Na decisão do Campeonato, o time A joga pelo empate para ser campeão; o time B, pela vitória. O jogo está 0×0 e no último minuto (já incluídos os descontos) é marcado um pênalte a favor do time B. Ou seja: se o pênalte for convertido, B é campeão; se for desperdiçado, A é campeão. Talvez as probabilidades não sejam rigorosamente iguais. É mais fácil converter um pênalte do que perder; mas imaginemos também o nervosismo do cobrador… Enfim: a equação matemática desse momento do jogo proclama a existência sólida, palpável, com 50% de chances para cada lado, de dois Universos contraditórios e mutuamente excludentes (ou seja, um não pode existir ao mesmo tempo que o outro): A campeão, B campeão. A bola foi colocada na marca, o goleiro retesa o corpo e abre os braços, o atacante começa sua corridinha rumo à bola…

É um momento quântico. Duas probabilidades inconciliáveis são, naquele instante, absolutamente possíveis, e estão coexistindo no mesmo espaço físico. Dentro de alguns segundos, uma delas será real, a outra desaparecerá para sempre. É assim o mundo da matéria. Cada vez que observamos algo, fazemos com que uma coisa “tenha acontecido”, e todas as outras probabilidades “tenham deixado de acontecer”.
>> MUNDO FANTASMO – por Bráulio Tavares


EDGAR ALLAN POE: OS MELHORES CONTOS QUE VOCÊ (PROVAVELMENTE) NUNCA LEU

sábado | 24 | janeiro | 2009

poeResponda sem pensar: quais os contos mais famosos de Edgar Allan Poe? (Não vale ler o post abaixo). Ou, melhor: quais os contos de Edgar Allan Poe que você já leu?

Provavelmente os contos mais publicados no Brasil: além das histórias de Auguste Dupin, os contos de terror gótico como O Poço e o Pêndulo, O Barril de Amontillado, A Máscara da Morte Rubra ou Uma Descida ao Maelström. Contos que fizeram (e ainda fazem) a cabeça de milhões de leitores no mundo inteiro. Mas que estão longe de compor a maior parte da produção de Poe.

Estamos precisando ler no Brasil alguma coletânea com toda a produção ficcional em prosa de Poe. No mundo anglo-americano não vale: Poe aparentemente só perde para Shakespeare em termos de quantidade de coletâneas e antologias. A que estou usando para esta série de resenhas e comentários é The Complete Stories, da Everyman´s Library britânica.

É uma festa para os olhos. São 68 histórias no total, sendo que uma, The Narrative of Arthur Gordon Pym, é um romance (o único que Poe escreveu). 955 páginas com todos os contos de Poe.

Evidentemente (e infelizmente), não é possível resenhar todos. Mas, ao longo desta semana, vou comentar alguns dos mais interessantes – outra opção difícil, porque Poe pode ter tido uma vidinha miserável, mas com ele não tem conto ruim. Neste post, portanto, a idéia é dar uma pincelada nos contos que, até onde sei, não são republicados no Brasil há muito tempo – e que mereciam.

Por exemplo, temos as sátiras histórico-mitológicas. A Tale of Jerusalem e Four Beasts in One são contos ambientados no passado distante (curiosamente para os dias de hoje, ele fornece a datação judaica, e não a cristã, pois ambas as histórias se passam antes de Cristo). O primeiro é uma piada de péssimo gosto que romanos pregam em dois judeus; o segundo é a descrição de um rei-deus pagão da Síria que é simplesmente um “homo-camelopardo”, descrito com riqueza de detalhes, que é venerado por todos os seus súditos, escoiceados por ele sem piedade.

O interessante é que em nenhum momento Poe é venenoso ou agressivo contra seus personagens, mas mordaz e irônico, apontando em todos mais os seus defeitos do que qualidades. Apesar de escravagista, Poe não se mostra racista (não no sentido de considerar brancos superiores a negros), nem anti-semita (os judeus em seus contos não são inferiores a gentios, o que não quer dizer que ele não conte piadas sem medo de ofender este ou aquele grupo – afinal, o politicamente correto ainda não existia).

Mas Poe voltava sua metralhadora giratória para outros temas bem diferentes. Como, por exemplo, em Diddling, onde ele escreve um tratado explicando como ser malandro! O chamado Golpe do Vigário não está ali, mas em compensação os hoje clássicos “confidence games” são todos ensinados por ele no conto. E Philosophy of Furniture, em forma de artigo, onde ele afirma (ironicamente) como se pode “julgar” o temperamento de um povo, ou de um indivíduo, pela maneira como se mobilia uma casa.

E os hilários How to Write a Blackwood Article e Why The Little Frenchman Wears His Hand in a Sling? O primeiro é um show de pseudo-erudição, escrito por uma certa Signora Psyche Zenobia, mais conhecida como Suky Snobbs. Entre idas e vindas e muitas janelas abertas para mudança de assuntos, Suky Snobbs explica o que um autor precisa fazer para publicar seus textos numa “famosa” revista norte-americana. O segundo conto é um tour-de-force: escrito inteiramente em linguagem fonética cockney (ou algo aproximado do falar da classe operária do Reino Unido), é uma história contada em primeira pessoa por um irlandês de maus bofes que se mete numa briga com um gentilhomme francês e trata o sujeito como um cão fila. Falar mais do que isso estraga a história, mas vocês entenderam.

Aliás, com Poe é assim, principalmente com as histórias mais curtas. Descrever demais é correr o risco de contar a história inteira. Poe era um mestre não apenas do final-surpresa, mas também do começo-surpresa e até mesmo do meio-surpresa. Às vezes o fim do conto é abrupto e nos deixa querendo mais, mas quando o escritor é bom isso não importa. (James Joyce, com os contos de Dubliners, é outro belo exemplo de como um conto pode terminar em suspenso e valer pela beleza de suas palavras e tanto pelo que ficou nas entrelinhas quanto pelo que é escrito.)

The Sphinx e Von Kempelen and His Discovery, por outro lado, são contos que têm finais fechados, e engraçados. O primeiro é uma paródia dos próprios contos de horror de Poe, evocando uma imagem monstruosa que certamente deve ter ficado na cabeça de um certo H.P.Lovecraft, mas com uma virada final curta, grossa e totalmente anticlimática – o que é ótimo. A segunda história é escrita como uma notícia de jornal, e mostra o impacto da descoberta de um cientista alemão sobre o mundo – antecipando de certa maneira uma ficção científica que não descuida do caráter tecnológico mas volta seu olhar para as conseqüências sociais que a tecnologia (ou, no caso, uma invenção aparentemente simples) pode ter numa sociedade que já não se espanta tanto assim com “milagres”, mas quer saber o que vai ganhar com isso.

Vocês leram alguns desses contos? Se não leram, corram atrás; se já leram, leiam de novo urgentemente. Faz bem a leitores e a escritores.
>> PÓS-ÉSTRANHO – por Fábio Fernandes


1984: QUANDO A IMAGINAÇÃO SÓ ACOMPANHA A REALIDADE

sábado | 24 | janeiro | 2009

1984 é um daqueles livros que, mais tarde ou mais cedo, acabam por ser lidos. Há sempre um amigo ou conhecido que diz que a coisa vale a pena ou um professor ou alguém em quem se deposita confiança que recomenda a obra. É normal. É assim que uma obra se torna clássica. De boca em boca ao longo dos anos.

Um clássico tem a particularidade de ficar marcado por uma ideia ou por um tema simplificador. Em Crime e Castigo, por exemplo, é evidente a necessidade de Raskolnikov atravessar o seu abismo até chegar à redenção. No pesado Em Busca do Tempo Perdido, há um rapaz que atravessa o seu passado à procura de algo que nunca voltará atrás – o tempo. Na Odisseia, de Homero, temos, uma vez mais, uma continuação do título no fio narrativo que acompanha as deambulações de Ulisses, e uma sucessão de viagens extraordinárias. Ora, na obra em análise, não há a clarividência das obras atrás mencionadas, no entanto, sabe-se que 1984 é uma data do futuro. Em finais da década de quarenta do século passado, o então doente George Orwell (1903-1950) imagina um futuro na qual o mundo é governado por um regime tirânico e completamente dominador, que usa o poder como um fim e não como um meio. O «Grande Irmão» está sempre presente, as pessoas estão sempre a ser filmadas. Há uma «Polícia do Pensamento». Usam-se constantemente as seguintes palavras de ordem: «Guerra é paz», «Liberdade é escravidão»; «Ignorância é força». Há sempre uma grande deturpação da verdade antiga, da verdade que usavam os povos que não viviam para o progresso avassalador. A verdade nova é aquela que interessa. Mesmo o sexo faz mal aos povos. Sob o regime do Grande Irmão, o sexo é proibido. Há quem pense acabar com o orgasmo. Não será difícil imaginar uma sociedade assim num futuro hipotético, tal como fez Orwell.

A tirania retratada pelo autor não é uma qualquer. Claro que existem pontos de encontro entre todos os regimes que usam a tirania como porta-estandarte. Claro que se poderá pensar numa qualquer ditadura de um passado recente e associá-la a este livro. Acontece que 1984 se associa, muito especialmente, à União Soviética. É o sorriso que se esconde por detrás do bigode do grande chefe que se pretende descodificar. Tendo participado na Guerra Civil Espanhola, Orwell não ficou contente com aquilo que viu por parte de gente que deveria lutar do mesmo lado da barricada. Os estalinistas, em vez de se juntarem a anarco-sindicalistas e a trotskistas, põem-se contra eles e combatem-nos. Orwell revolta-se contra isso, mesmo sabendo que nenhuma variante do comunismo «oficial», como o anarquismo, poderia alguma vez ser aceite pelos camaradas de Moscovo. Para Estaline e para os seus, era mais importante atacar o anarquismo em Espanha do que impedir Franco de obter o poder absoluto. Assim sendo, poder-se-ia argumentar que, apesar de ter o seu desenrolar num futuro algo distante daquele que escreve o seu autor, 1984 é também um livro que tenta criticar a brutalidade soviética em Espanha. Notam-se as sucessivas tentativas do autor de colocar as suas personagens em situações nas quais a manipulação da história e a mentira são um modus operandi. Na Terceira Parte do livro, a tortura, a primazia da cultura do ódio, a ideia de poder ilimitado, a violência, a despersonalização das massas e a perda de individualidade do ser humano estão mais do que presentes.

Vítima de tudo é Winston Smith, um homem que, enganado por O’Brien, um indivíduo da estrutura governamental, adere àquilo que pensa ser a «Fraternidade», uma organização clandestina e revolucionária inspirada nas ideias de Goldstein, isto é, Trotsky, o traído, tanto na URSS como em Espanha. É na «Sala 101» que Winston encontrará o pior dos seus medos, as ratazanas. É nessa sala que os homens do Grande Irmão põem à prova a resistência física e mental dos traidores do partido. Em termos de uso de violência, é nesta Terceira Parte do livro que Orwell atinge o seu pico. Na Primeira Parte, há a «descoberta» de Winston e da sua cidade, Londres, anti-capitalista, dominada pelo regime já descrito. A Segunda Parte é, quanto a mim, o sumo do livro. É a parte mais romanceada. Winston conhece Julia e por ela se apaixona. Muitas páginas se passam nesse clima de devassa. Todavia, finda a segunda parte, deixa de haver espaço para os dois namorados. Volta a ser o Grande Irmão o grande protagonista.

Julia e Winston Smith precisavam de mais espaço e de mais vida um ao lado do outro. É essa a parte que mais interessa de toda a obra. No entanto, Orwell não quis seguir o caminho do «romance» e decidiu explorar uma ideia política. Quanto a mim, fez mal. Torna-se banal. Boris Pasternak, no seu magistral Doutor Jivago, soube explorar bem essa história de amor e desamor em tempos de ódio. Orwell não soube, ou não quis saber. E, por isso, limitou-se à construção de uma realidade ficcional que já existia na realidade da vida.
>> ORGIA LITERÁRIA – por Paulo Rodrigues Ferreira


‘O AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA’, DE GARCÍA MÁRQUEZ

sábado | 24 | janeiro | 2009

amor-nos-tempos-colera_capaCerta vez, o poeta catalão Carlos Barral disse, com venenosa ironia, que acreditava ser o escritor colombiano Gabriel García Márquez nada mais que um narrador oral do norte da África. É realmente curioso notar como o nome do escritor prêmio Nobel de 1983 acabou se tornando motivo de antipáticas controvérsias, principalmente entre alguns autores mais novos que o acusam às claras de criar obras folclóricas que acabam por diminuir e caricaturizar a imagem dos latino-americanos no mundo, reduzindo-os aos estereótipos que a mentalidade preconceituosa e simplista do leitor médio europeu deseja encontrar neles.

Outra crítica regular, mais implícita, é a denuncia da aparente falta de rigor técnico que emana das narrativas de Márquez, o que parece soar como um sacrilégio aos seus críticos justamente num século saturado de vanguardas e novidades que se apresentam, uma após a outra, como lutas declaradas contra toda espécie de conservadorismo narrativo.

As duas críticas não procedem, e se, por um lado, o onírico é muitas vezes uma realidade mais densa que o próprio espaço real do vasto território latino-americano, por outro, a exuberância narrativa dos romances e novelas de Gabriel García Márquez se superpõem claramente à sua complexa maestria técnica que, muito sutilmente, se perde pelos encantatórios rios de humor e inteligência verbal que atravessam as centenas de páginas vitais e densas dos seus textos. Em Gabriel García Márquez (e em seu contemporâneo igualmente brilhante Guillermo Cabrera Infante) são as palavras que praticamente contam as estórias; e essas palavras são grávidas de poesia e de sensual malícia.

O romance O amor nos tempos do cólera é uma rica enciclopédia sobre o amor, e em suas páginas podem-se encontrar praticamente todas as manifestações reais ou imaginárias desse sentimento tão cruel quanto maravilhoso. O que caracteriza um grande escritor não é a sua capacidade de propor, a cada parágrafo, acontecimentos nunca antes narrados e idéias inéditas e originais; o grande escritor nasce da soberana autoridade de sua voz e imaginação: no inescapável ritmo de medusa de sua prosa, na vertigem magnética das palavras com as quais envolve o avançar narrativo.

Desse modo, quando García Márquez decidiu escreveu sobre o amor, sentimento que já foi dissecado por toda uma imensa e grandiosa tradição, poderia se imaginar que estava correndo um risco imenso de naufragar em um mar sem princípio nem fim. Imagens demasiado gastas, sentimentos repetidos em incontáveis versos, o Eros domesticado em seu frêmito animal – no entanto, ao terminar de ler o romance, o mero fato de García Márquez ser García Márquez parece redimi-lo de qualquer chance de fracasso: o amor segundo o mestre é tão pessoal que faz o leitor repensar os limites que ele próprio impõe aos seus sentimentos. Aí está sua grandiosidade: avança por um mundo sentimental comum a todos, e no entanto revela nesses passos já dados novas camadas, nódoas, cheiros e esquadros.

É bastante clara a intenção da paródia de García Márquez, e O amor nos tempos do cólera não deve nada às inúmeras novelas rosas que são vendidas, em papel jornal e edições baratas, nas bancas de jornal: todos os lugares-comuns do melodrama e folhetim contaminam a massa verbal. O tom da narrativa, uma voz claramente mergulhada na coletividade do povo de Cartagena de las Índias, parece propositalmente acentuar, por meio de claros procedimentos de fábula e lenda, as intenções paródicas de Márquez (presentes em praticamente todos seus outros livros, inclusive os de contos).

A estória do amor contrariado de Florentino Ariza e Fermina Daza atinge, nas mãos do mestre, um apelo inescapável – sua despretensão é toda uma teoria: descreva com as palavras inequívocas os sentimentos de um homem e alcançará o núcleo-duro do coração de todos. Em cada rua simples moram avenidas agitadas; no útero macio da vila o embrião nervoso da cidade dorme; a morte de um homem contém eco de sombra do pó de gerações; o adjetivo que revela o suor da pele de uma mulher abraça as curvas macias daquelas ainda não nascidas.

É bastante curioso ser justamente esse romance, de toda sua vasta bibliografia, o preferido de García Márquez. É mais factual e menos metafísico que Cem anos de solidão, romance que deu ao autor uma extraordinária projeção internacional, mas que não é necessariamente seu melhor livro – é o mais próximo ao chão das personagens, aquele mais contaminado pelo ritmo cotidiano e seus objetos. O que parece evidente é que, tanto quanto em O Outono do Patriarca, Márquez realiza nesse romance seu vôo mais embebido na linguagem popular caribe, o que alimenta a intensa cor local da prosa, cheia de versos de música e modos verbais inusitados.

É possível que O amor nos tempos do cólera seja o livro que mais se alimentou da biografia pessoal e familiar de Márquez, desse modo sendo bastante compreensível seu gosto particular por ele. No entanto, o que é mais epidérmico é que García Márquez, mesmo descendo ao mais prosaico e convencional, mesmo descrevendo o suor inconfundível da terra de sua região, canta com uma universalidade encantatória tão envolvente que, por ser demasiada singular, parece metamorfosear tudo que toca – inclusive o próprio leitor e seus mastigados e domesticados sentimentos. A literatura não é apenas uma máquina de fazer ver; ela deve resgatar o vigor seqüestrado dos olhos cansados, fazê-los enxergar naquilo que apenas vêem gostos novos (e antigos, regurgitados).
>> TERRA MAGAZINE – por Vinicius Jatobá


ANJOS DA NOITE: DEPOIS DO TERCEIRO FILME, FRANQUIA PODE VIRAR SÉRIE DE TV

sexta-feira | 23 | janeiro | 2009

Len Wiseman diz que a ideia de abordar passado e presente
ainda pode ser melhor explorada

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 Nesta sexta-feira está estreando no EUA Anjos da Noite: A Revolução, terceiro filme da série Underworld. O site Bloody-Disgusting conversou com Len Wiseman durante a premiére e descobriu um projeto para levar a franquia para a TV.

O diretor dos dois primeiros filmes, produtor deste terceiro, disse: “Tem rolado muita conversa sobre uma série de TV, estou de olho nisso no momento. Se eu puder me envolver [nessa possível série] e se puder fazer do jeito certo, seria muito interessante”.

“Sempre esperamos poder fazer uma trilogia, agora que completamos a missão o horizonte ficou aberto. Eu adoraria ir e voltar no tempo agora”, refere-se Wiseman à história da luta entre vampiros e lobisomens que atravessa séculos, da Idade Média aos dias de hoje.
>> OMELETE – por Marcelo Hessel


“LUA NOVA”: DAKOTA FANNING PODE SER A VILÃ JANE VOLTURI

sexta-feira | 23 | janeiro | 2009

dakota-fanning_lua-novaSegundo o site E! Online, Dakota Fanning poderá interpretar Jane no filme Lua Nova, que dá sequência ao blockbuster Crepúsculo. Jane é descrita como uma letal vilã, proveniente da família Volturi (um antigo grupo de vampiros da Itália). Os Volturi são vampiros que caçam outros vampiros – aqueles que se comportam indevidamente.

O papel teria sido oferecido diretamente a Dakota, sem audições. A descrição do papel bate perfeitamente com o perfil de Dakota. Além disso, há alguns dias surgiu uma petição online em que os fãs reivindicavam que a atriz vivesse Jane.

Lua Nova tem estreia prevista para o dia 20 de novembro nos EUA.

O primeiro filme segue o romance entre a adolescente Bella (Kristen Stewart) e o vampiro Edward Cullen (Robert Pattinson). Em Lua Nova, Edward, temendo pela segurança da amada, decide partir. Triste, a jovem busca consolo em Jacob Black, um amigo da família.

Os filmes são baseados na série de romances da autora Stephenie Meyer.
>> HQ MANIACS – por Émerson Vasconcelos


O HOBBIT: MIKE MIGNOLA SE UNE À EQUIPE DO FILME

sexta-feira | 23 | janeiro | 2009

mike-mignolaO diretor Guilhermo del Toro revelou em entrevista recente que sua equipe, junto da Weta (empresa de efeitos especiais responsável pela trilogia do Senhor dos Anéis), começou a trabalhar no design de produção de The Hobbit. Segundo Del Toro, “Mike Mignola vai chegar em breve. Ele irá participar da equipe de designers”.

Mignola já trabalhou com del Toro antes, fornecendo artes para os dois filmes baseados em sua criação, Hellboy, e para O Labirinto do Fauno.

As filmagens começarão no outono de 2009, na Nova Zelândia.

Mike Mignola é um artista e escritor de quadrinhos mais conhecido como o criador do personagem Hellboy, publicado pela Dark Horse. Ao longo de mais de vinte anos de carreira, Mignola ilustrou personagens famosos dos quadrinhos, como Batman, Demolidor e Wolverine, antes de se concentrar em sua obra autoral. Além das HQs, ele trabalhou em animações como The Amazing Screw-On Head (baseado em uma obra sua), e Atlantis, longa-metragem da Disney. Também foi consultor das duas adaptações cinematográficas de Hellboy.

O Hobbit é um livro escrito por J. R. R. Tolkien. Na história, que antecede o clássico O Senhor dos Anéis, o mago Gandalf e treze anões convocam o hobbit Bilbo Bolseiro para uma jornada ao tesouro, durante a qual o pequeno habitante da Terra Média encontra o Um Anel, objeto de disputa que move toda a trama de O Senhor dos Anéis.

A New Line Cinema e a MGM são parceiras no projeto, com Peter Jackson (diretor de O Senhor dos Anéis) sendo o produtor-executivo.
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno


BENJAMIN BUTTON EM QUADRINHOS NAS LIVRARIAS

sexta-feira | 23 | janeiro | 2009

benjamin-buttonNos próximos dias, chega às livrarias de todo país o álbum O Curioso Caso de Benjamin Button, que adapta para os quadrinhos o conto homônimo do romancista F. Scott Fitzgerald.

A história também acaba de ganhar uma adaptação cinematográfica, que estreou semana passada. Estrelado por Brad Pitt e Cate Blanchett, o filme tem David Fincher (de Se7en e Clube da Luta) na direção e é um dos fortes concorrentes ao Oscar deste ano.

O álbum foi anunciado em novembro passado pela Pixel Media. Entretanto, no começo do ano, a empresa foi reestruturada, transformando-se em um selo da Ediouro.

A história de Fitzgerald começa em 1922 e segue a vida do peculiar Benjamin Button, que misteriosamente nasce com a aparência de um homem de 70 anos. Ao longo da vida, em vez de envelhecer, ele rejuvenesce. A adaptação ilustra as diversas aventuras do protagonista: ele se apaixona, arranja uma família e cria um negócio de sucesso. Em seus últimos anos, ele vai à guerra e depois à universidade de Harvard. Ao envelhecer, fica igual a um bebê recém-nascido e volta aos cuidados do berço.

O conto foi adaptado para os quadrinhos por Nunzio DeFillippis e Christina Weir, e publicado ano passado nos EUA, pela Quirk Publishing.

O Curioso Caso de Benjamin Button tem 128 páginas no formato 23 x 15,5 cm e custa R$ 29,90. Confira abaixo um preview da edição.
>> HQ MANIACS – por Andréa Pereira


ANITA GARIBALDI GANHARÁ BIOGRAFIA EM QUADRINHOS

sexta-feira | 23 | janeiro | 2009
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Desenho feito de acordo imagem cedida pelo Archivio Fotografico del Comune Di Genova.

A brasileira Anita Garibaldi, figura representativa e inspiradora que desde o século 19 é sinônimo de coragem e perseverança dentre as mulheres do Brasil e da Itália, ganhará em breve uma biografia em quadrinhos.

Escrita e ilustrada pelo cartunista paulistano Custódio, a obra está em fase inicial de produção e conta com o apoio da Secretaria de Cultura de São Paulo.

O projeto tem um blog próprio, criado há poucos dias, no qual Custódio revelará todos os passos da produção, incluindo os trabalhos de pesquisa e as primeiras imagens da HQ. O processo exigirá oito meses de dedicação do autor.

Anita Garibaldi – Biografia em Quadrinhos será lançada no dia 4 de agosto de 2009, quando serão completados 160 anos da morte dessa figura histórica.
>> UNIVERSO HQ – por Marcus Ramone


“A LEITURA DOS QUADRINHOS”: LIVRO FAZ RAIO-X DA LINGUAGEM DOS QUADRINHOS

sexta-feira | 23 | janeiro | 2009
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A Leitura dos Quadrinhos é o segundo volume da coleção “Linguagem & Ensino”, da Editora Contexto. Começa a ser vendido neste mês de janeiro. Custa R$ 23 e tem 160 páginas.

Quais as características dos quadrinhos? Como funciona o balão? Que papel exercem as onomatopeias, a cor e os personagens nessa forma de linguagem? Quais são exatamente os gêneros dos quadrinhos?

Há muitas perguntas sobre a linguagem dos quadrinhos e ainda poucas respostas. O livro A Leitura dos Quadrinhos, que começa a ser vendido neste primeiro mês do ano, tem o objetivo de esclarecer muitos dos pontos ainda obscuros e pouco estudados sobre a chamada nona arte.

A obra é do jornalista e especialista em quadrinhos Paulo Ramos. Com doutorado na área pela Universidade de São Paulo, ele esmiúça os principais pontos da linguagem, dos mais básicos, como os diferentes formatos do balão, até aspectos mais complexos, como as estratégias de movimentação dos personagens e o papel da cor. O livro também dá detalhes as características dos diferentes gêneros que compõem os quadrinhos, como as tiras, o cartum, a charge e outras variadas formas de produção dessa forma de arte.

A Leitura dos Quadrinhos integra a coleção “Linguagem & Ensino”, da Editora Contexto, voltada a estudantes universitários, professores, pesquisadores e profissionais da área de comunicação. A obra procura ter uma escrita bastante acessível, de modo a facilitar a leitura a quem não é iniciado no tema. Mas o interesse do livro não se restringe ao campo do ensino ou a pessoas da área de comunicação. É fonte para todos os que apreciam o assunto ou gostariam de entendê-lo melhor.

paulo-ramosSobre o autor
Paulo Ramos é jornalista, professor universitário e doutor em Letras pela USP.

Trabalhou como apresentador e editor executivo de telejornais na TV Cultura e TV Tribuna, onde foi também repórter especial. Teve duas passagens pela “Folha de S.Paulo”, na última como consultor de língua portuguesa, cargo que exerceu também no UOL. No mesmo portal, mantém um blog jornalístico, o “Blog dos Quadrinhos”, especializado em informações sobre a nona arte.

No campo acadêmico, atuou como docente na USP-Leste e nos cursos de Jornalismo e Relações Públicas da Universidade de São Paulo. Possui artigos científicos publicados em diferentes congressos de Linguística e de Comunicação. É também co-autor do livro “Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula”, da Editora Contexto, obra referência no assunto, já está na terceira edição.

É possível ler na internet
uma parte de “A Leitura dos Quadrinhos”.

A editora disponibilizou a introdução e o sumário em pdf. Podem ser acessados aqui e aqui.

E a Livraria Cultura oferece o primeiro capítulo, sobre gêneros, também em pdf. Clique aqui.


QUADRINHOS: VIRADA DO ANO FOI PROMISSORA PARA AS OBRAS TEÓRICAS

sexta-feira | 23 | janeiro | 2009
reprodução

Coincidência ou não, houve uma concentração de obras teóricas sobre quadrinhos entre o fim de 2008 e o início deste 2009. Pelo menos sete delas começaram a ser vendidas nas livrarias na virada de ano. Cinco são inéditas. As outras duas, novas versões de antigas obras. Nesta e nas próximas duas postagens, o blog vai noticiar cada um dos livros. A série vai seguir uma linha cronológica. Esta, que dá início ao trio de postagens, mostra as obras que chegaram ao mercado no fim do ano passado. 

Capa de “A Magia dos Quadrinhos”, um dos sete livros sobre quadrinhos que começaram a ser vendidos nas livrarias entre 2008 e 2009

A Magia dos Quadrinhos” (Edições Bagaço, 376 págs., R$ 35) é uma obra que relembra a evolução dos primeiros quadrinhos publicados no Brasil, com particular interesse pelos norte-americanos. O autor – o médico e colecionador Rostand Paraíso – se declara um apaixonado por quadrinhos e o livro seria um forma de débito “pelo que eles me proporcionaram”. O detalhamento da descrição evidencia mesmo um trabalho de fã. Parte das pesquisas se pautou em obras já existentes, parte em material próprio.

O relato histórico começa com a extinta revista “O Tico-Tico”, que começou a ser publicada em 1905, e se centra principalmente na primeira metade do século passado. Há um motivo para Paraíso se fixar nesse período. Ele defende a tese de que os quadrinhos atuais estão em decadência. A Europa ainda teria redutos de qualidade, tanto nos desenhos quanto no texto. A queda, na leitura dele, teria início após a Segunda Guerra Mundial. Os super-heróis teriam perdido a graça por terem superpoderes que os tornam invencíveis.

“O aparecimento dos mangás japoneses, com suas figuras geradas, em grande parte, por computador, parece em nada ter contribuído para modificar a decadência sentida no setor.”

Batman e a Filosofia – O Cavaleiro das Trevas da Alma” (Madras, 256 págs., R$ 34,90) é uma coletânea de artigos sobre o herói da editora norte-americana DC Comics. A obra foi produzida pelos pesquisadores estadunidenses Mark D. White e Robert Arp. White assina um dos 20 capítulos do livro, divididos em seis partes. O conteúdo se debruça sobre as características do personagem de Gotham City.

Discute-se, por exemplo, por que o herói não mata o vilão Coringa, o papel ético de Batman e paralelos do personagem com ideias de Wittgenstein, Kierkegaard, Aristóteles e Kant.

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Nossos Deuses São Super-Heróis – A História Secreta dos Super-Heróis das Histórias em Quadrinhos” (Cultrix, 248 págs., R$ 29,90) é outra obra traduzida do inglês que dialoga com elementos da filosofia. O autor, Christopher Knowles, se aprofunda sobre um tema recorrente: as influências míticas presentes nas histórias de super-heróis. A própria capa inicia as comparações reproduzindo, com heróis, quadro sobre a Santa Ceia.

“Nossos Deuses São Super-Heróis” busca mitos que influenciaram na produção dos super-heróis norte-americanos

Nos 23 capítulos, Knowles vê diálogos com as culturas greco-romanas, com a maçonaria, com a literatura, com a magia, com a ciência, para ficar em alguns exemplos. Embora haja uma conclusão no final, cada capítulo exerce o papel de um pequeno ensaio autônomo, exemplificado por um ou mais heróis dos quadrinhos norte-americanos.

Traços Ideogramáticos na Linguagem dos Animês” (Via Lettera, 160 págs., R$ 37) é a versão em livro do doutorado de Patrícia Borges realizado na área de Comunicação e Semiótica da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). 

O livro mostra como se dá a presença de elementos do cineasta russo Sergei Eisenstein (1898-1948) nos animês – principalmente - e nos mangás, os quadrinhos japoneses. A teoria desenvolvida na obra - chamada de Teoria da Montagem -, em linhas bem gerais, divide as animações em quadros e os compara em sequência. O método é aplicado nas animações “A Princesa e o Cavaleiro”, “Gundam Wing”, “Ranma 1/2″, “Os Cavaleiros do Zodíaco”, “Neon Genesis Evangelion” e “A Viagem de Chihiro”.
 

Narrativas Gráficas e Falas & Balões ganham novas ediçõesreprodução

As obras não são novas, mas ganharam novas edições neste início de 2009. O conteúdo de “Narrativas Gráficas de Will Eisner” e “Falas & Balões – A Transformação dos Textos nas Histórias em Quadrinhos” é essencialmente o mesmo das primeiras versões, lançadas respectivamente em 2005 e 1998.

As principais diferenças estão nos capítulos extras e no tratamento editorial. As duas reedições – e as mudanças em relação às versões anteriores – são o tema desta segunda postagem sobre obras teóricas sobre quadrinhos lançadas na virada do ano.

Obra de Will Eisner teve edição ampliada; outros livros teóricos do autor, um deles inédito, serão lançados ainda este ano

Narrativas Gráficas” (Devir, 176 págs., R$ 40) manteve o formato original, mas ganhou nova capa e um capítulo que não existia na primeira edição da obra, lançada também pela Devir. A parte extra aborda a presença dos quadrinhos na internet.

Nas cinco páginas do novo capítulo, o autor, o norte-americano Will Eisner (1917-2005), faz uma rápida descrição da diferença de leitura nas páginas impressas e na tela e quais as melhores maneiras de transpor para o computador a arte desenhada.

O capítulo extra é coerente com a proposta da obra: dialogar com o produtor de quadrinhos, que quer criar histórias desenhadas ou aprimorar a arte delas. Eisner procura mostrar como se processa a narrativa nos quadrinhos. A maioria dos exemplos apresentados é do próprio autor. O livro é a segunda obra teórico-prático dele. O primeiro, “Quadrinhos e Arte Sequencial“, fazia uma descrição da linguagem dos quadrinhos e se tornou referência na área.

Quadrinhos e Arte Sequencial” também será relançado pela Devir. A primeira versão da obra é de 1989. Foi publicada pela editora Martins Fontes e teve mais de uma edição. A Devir planeja lançar ainda um terceiro livro de Eisner, “Anatomia Expressiva“. Inédita no Brasil, a obra foi publicada nos Estados Unidos após a morte do autor. Segundo a editora, os dois trabalhos serão publicados ainda este ano.

reprodução

 “Falas & Balões” (Marca de Fantasia, 68 págs., R$ 11) é um trabalho bem mais sintético, se comparado ao de Eisner. Mas tem em comum o objetivo de abordar elementos da narrativa em quadrinhos. No caso do livro de Marcos Nicolau, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal da Paraíba, o interesse está nas mudanças textuais vistas ao longo dos anos.

Livro de Marcos Nicolau discute a evolução das falas e dos balões nos quadrinhos; nova edição ganhou capítulos extras

O autor procura encontrar momentos que apresentaram algumas dessas mudanças, alterações que ajudaram a tornar mais rica e complexa a linguagem. Como a presença de outras formas narrativas - herança da literatura – e o surgimento das onomatopeias.

Em essência, a obra é a mesma que foi lançada em 1998, também pela Marca de Fantasia. Há um novo capítulo e um apêndice. O capítulo extra atualiza o tema na série “Sin City”, de Frank Miller. A outra parte traça uma cronologia evolutiva das falas e balões. O tratamento editorial também é outro. O formato é de bolso, menor que o da primeiro versão, em tamanho revista. Isso exigiu a retirada de parte dos exemplos ou o deslocamento deles para o final da obra.

O livro só é vendido por meio do site da editora Marca de Fantasia (link).
>> BLOG DOS QUADRINHOS – por Paulo Ramos


E A TURMA DA MÔNICA CRESCEU

sexta-feira | 23 | janeiro | 2009

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Quando em 1959 o jornalista policial Mauricio de Sousa ofereceu aos seus redatores uma tira em quadrinhos sobre um cãozinho e seu dono, Bidu e Franjinha, não imaginava o sucesso que sua turma de personagens alcançaria no Brasil. Dos anos sessenta pra cá, pelo menos três ou quatro gerações conhecem os gibis, tirinhas, filmes e brinquedos com a marca da Mônica. E isso não é pouca coisa! Num tempo de avalanche norte-americana, de Mickey, Pateta e Pato Donald a todo vapor, a Mônica resistiu, e depois resistiu aos Jaspions e Power Rangers, ao Chaves, ao Shrek, firmando-se como a única referência cultural brasileira para crianças.Turma da Mônica Jovem.

Na nova série, “eles cresceram”, como anuncia a capa, mas não tanto quanto a idade da criação, e sim uns 10, 12 anos, o suficiente para atingir a idade de um grupo de leitores que continuou lendo quadrinhos. Sim, de uma geração para cá as crianças não substituem necessariamente quadrinhos por livros, muitas seguem na leitura de quadrinhos e prova disso são as edições de luxo dos quadrinhos de heróis e a onda de publicações japonesas que chegam por aqui. E é essa a geração que convenceu Mauricio de Sousa a entrar em novo mercado, mexer nas consagradas figuras de Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão.

Claro que os adultos que um dia leram a Turma da Mônica, e por vezes se alfabetizaram lendo a Turma da Mônica, guardam carinho e saudade pelos personagens. Quem já não se identificou com Cascão, Mônica, Cebolinha, Magali, Franjinha, Chico Bento? Quem já não chamou algum cachorro de Floquinho por causa dos pelos, algum menino de Cascão pela falta de banho, alguma menina de Mônica pelo vestido vermelho, ou pelos dentões, ou pela brabeza? Quem não lembra da Magali ao comer melancia, do Cebolinha ao falar elado, da Rosinha ao ver alguém de tranças? Prova de que a maior qualidade de Mauricio de Sousa é a de criar tipos, personagens simples, carismáticos, transpostos do dia-a-dia das famílias brasileiras e reproduzindo, de certa forma, seus valores e preocupações.

Mas não quero aqui voltar aos quadrinhos de minha infância, nem antecipar as comemorações de 50 anos da primeira publicação da Turma. A novidade do momento é a Turma da Mônica Jovem. Na nova série, “eles cresceram”, como anuncia a capa, mas não tanto quanto a idade da criação, e sim uns 10, 12 anos, o suficiente para atingir a idade de um grupo de leitores que continuou lendo quadrinhos. Sim, de uma geração para cá as crianças não substituem necessariamente quadrinhos por livros, muitas seguem na leitura de quadrinhos e prova disso são as edições de luxo dos quadrinhos de heróis e a onda de publicações japonesas que chegam por aqui. E é essa a geração que convenceu Mauricio de Sousa a entrar em novo mercado, mexer nas consagradas figuras de Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão.

Confesso que não achei o número 1 para comentar nesta resenha, até porque segundo comunicado do próprio Mauricio, publicado no número 2, “a editora teve de religar a impressora várias vezes para atender à demanda explosiva, e de uma previsão que ia pelos 50, 60 mil exemplares, saltamos para mais de 200 mil”. Mas o número 2 de certa forma continua uma história iniciada no primeiro, retoma a apresentação das quatro personagens principais e nos dá uma boa noção do projeto.

Em geral, minha principal curiosidade era como adaptar aquelas crianças tão politicamente incorretas para os dias de hoje. Uma coisa é um cartunista em busca de espaço criando suas personagens, outra é um megaempresário de sucesso pensando num novo nicho de mercado em um tempo de consciência ecológica, pacificista, nutricional, social e assim por diante. Tinha certeza que a Magali não seria uma adolescente obesa, apesar de existirem tantas. Que o Cebolinha não falaria elado e nem arrumaria briga com os vizinhos, apesar de tantos o fazerem. Que o Cascão não continuaria fugindo da água, nem fedendo. E, principalmente, que a Mônica não bateria mais nos amigos com ou sem coelho, fosse ou não dentuça. O que, convenhamos, tiraria toda a graça da história.

Mas a solução encontrada pela equipe de Mauricio de Sousa foi engenhosa e pode se tornar bastante produtiva. A Mônica ainda é a líder da turma, um tanto nervosa, mas cresceu, ganhou corpo, altura e o Sansão fica guardado na cama do quarto. A Magali segue esfomeada, mas se cuida, busca uma alimentação saudável e tem um corpão. O Cebolinha foi numa fonoaudióloga e só fala elado quando está nervoso (grande sacada!). Virou namorado da Mônica. E do Cascão foi ampliado o lado moderno, de skatista, das gírias, e mesmo que não goste, agora toma banho sem dramas. Em suma, numa linguagem teórica pode-se dizer que os personagens se tornaram menos planos e mais esféricos, menos simples e mais complexos, sem perderem a essência construída ao longo de 50 anos.

monica-jovem_cebolinhaA estética dos gibis, como se tem comentado muito, é mangá, o estilo anime japonês que saltou dos quadrinhos para os desenhos de televisão até quase a exaustão. Mais alinhado ao público jovem, traz ilustrações grandes (algumas de página inteira), cenários mais elaborados, impressão em preto e branco e mais de uma centena de páginas. Esteticamente a adaptação não foi traumática, pelo contrário, atualizou a linguagem simples da Turma da Mônica para uma geração muito acostumada a imagens. A dúvida é se esse alinhamento com o mangá irá provocar também uma mudança de conteúdo.

Se tomarmos como exemplo o número 2, que tenho em mãos, o conteúdo das histórias mudou muito mais do que as personagens, num claro rompimento entre uma e outra geração. As primeiras histórias da Turma da Mônica Jovem nos levam para um mundo de fantasia, com unicórnios, monstrengos, dragões e feiticeiras que precisam ser destruídos. Para combatê-los a Mônica se torna arqueira; o Cebolinha vira guerreiro; a Magali, feiticeira; e o Cascão, ladino (numa clara referência aos RPGs). Os quatro são transportados para outra dimensão e lá precisam resgatar cinco chaves, lutando contra monstros tão feios e perigosos quanto fáceis de serem vencidos.

Para nós, acostumados aos conflitos realistas e cotidianos dos gibis, essa “harrypotterização” da Mônica desagrada, quase ofende. Pode ser que seja apenas um começo, que em breve vejamos a Turma com conflitos de adolescentes, sem pirotecnias e sem apelar para a batida luta entre Bem e Mal, para clichês como fuga em montanha russa, para cenas de lutinha que lembram os desenhos japoneses exaustivamente repetidos na televisão.

monica-jovem_monica4E isso não porque a Turma de antes era melhor que a de agora ou porque os adolescentes precisam de algumas lições. Não! Apenas porque um grupo de personagens que sobreviveu a Mickey, Pateta, Pato Donald, Jaspion, Power Rangers, Chaves, Shrek não pode levar surra do Pokémon, não pode se transformar sob o risco de perder a essência que o trouxe até os anos 2000.

Nesse sentido me preocupa um trecho da já citada carta de Mauricio de Sousa na edição nº 2: “vai ser um bom trabalho, com ramificações pra todo lado, desde publicações especiais com a turminha, licenciamento, desenhos animados, a turma da escola, no celular, na música, em shows, como produto de exportação…”. Está bem, não sejamos ingênuos, é claro que a Turma da Mônica só sobreviveu a Walt Disney pela visão comercial de Mauricio, mas será mesmo preciso pensar nesse passo importante, nesse novo momento como um novo produto? Será preciso mencionar licenciamentos e porcarias para celular, que certamente farão as crianças obrigarem os pais a gastar? Não haverá bandeiras mais dignas do tamanho da Turma da Mônica, como incentivo a leitura, valorização do nacional, conscientização de problemas sociais que não aparecem na televisão? Espero que sim, espero que aos poucos a turma seja menos Quarteto Fantástico, menos Harry Potter e mais Shrek, Toy Story, Madagascar, bons exemplos de “produtos” para criança capazes de entreter, fazer pensar e ainda divertir os pais que estão acompanhando os filhos.

Porque os leitores cresceram, é verdade. Mas nem todos ficaram altos, bonitos, fortes, atraentes e felizes.
>> DIGESTO CULTURAL – por Marcelo Spalding


PREACHER: FILME GANHA ROTEIRISTA

sexta-feira | 23 | janeiro | 2009

Foi anunciado pelo Hollywood Reporter o nome de John August (“Peixe grande” e “A fantástica fábrica de chocolate”) como roteirista de “Preacher”. A produção do filme, que levará para as telas a ótima HQ de Garth Ennis (roteirista), Steve Dillon (ilustrador) e Glenn Fabry (capista e autor da arte acima), caberá à Columbia Pictures. E Sam Mendes, o mesmo de “Beleza americana” e “Foi apenas um sonho” – com Leonardo DiCaprio e Kate Winslet -, será o diretor.

Resta saber se veremos o final da HQ, publicada originalmente no final da década de 1990 nos EUA, lançado no Brasil. Depois de sair por várias editoras por aqui, a Pixel é atualmente a responsável pelo título. E, não custa perguntar, quem poderia representar bem no cinema o trio de protagonistas da HQ: o ex-reverendo Jesse Custer, que possui o dom da voz de Deus e parte em busca do Criador para um acerto de contas; sua amada, Tulip; e o vampiro irlandês Cassidy? Façam suas apostas.
>> GIBIZADA – por Télio Navega


MUNDO DOS SUPER-HERÓIS 14 CHEGA ÀS BANCAS

sexta-feira | 23 | janeiro | 2009
Chega às bancas do Rio e São Paulo no início da próxima semana (nas demais praças só em março) a edição 14 da revista Mundo dos Super-Heróis, publicação bimestral da Editora Europa vencedora de dois Prêmios HQ Mix.
A revista apresenta várias mudanças a partir deste número: mais páginas, ampliação de seções existentes e criação de novas, capa com maior gramatura e adição da quinta cor. Por conta das melhorias, o preço sofreu um pequeno reajuste: R$ 14,90.
Esta edição de janeiro/fevereiro traz o dossiê de um dos maiores nomes da indústria mundial dos quadrinhos: Stan Lee, numa capa desenhada pelo artista brasileiro Joe Bennett. São 26 páginas dedicadas a falar do seu início da carreira, a criação do universo Marvel, o trabalho como editor nos anos 70, a produção de desenhos animados e seriados, a parceria com gênios como Jack Kirby e Steve Ditko, as famosas aparições nos filmes de seus personagens e, ainda, uma lista com 10 HQs imperdíveis escritas por ele.
A seção De A a Z, escrita por mim, detalha a obra-prima de Alan Moore e Dave Gibbons, Watchmen, e antecipa alguns fatos da adaptação cinematográfica que estréia dia 6 de março.
As demais seções são Heróis Clássicos, com Spirit; Retrô-TV, sobre o desenho animado de He-Man; Fichado, a respeito do mago Constantine; Procurado: Darkseid; Action Figures, com os saudosos bonecos Super-Powers; Catacumba, sobre a também saudosa revista Heróis da TV; e Clássicos da Era de Ouro, a última matéria de Gedeone Malagola para a Mundo dos Super-Heróis, com lembranças da personagem Sungirl.

A revista publica, ainda, uma entrevista com o artista brasileiro Rafael Albuquerque, uma homenagem ao precursor do mangá no Brasil, Cláudio Seto – morto em novembro passado – e a nova seção Colecionador, além das já tradicionais Artista da Capa, Recebemos, Peneira Pop, Superleitores e Galeria.

E ainda: na seção Etc & Tal, o editor Manoel de Souza abre um debate sobre os prós e contras dos “scans”, quadrinhos digitalizados que inundam a Internet.
>> PAPO DE QUADRINHO – por Jota Silvestre

Nos próximos dias, a versão digital da revista está disponível aqui.

 

KILL BILL: QUENTIN TARANTINO FALA SOBRE A VERSÃO ESTENDIDA

quinta-feira | 22 | janeiro | 2009

Diretor comenta nova animação
que será incluída no capítulo de O-Ren Ishii

Há quase um ano comentávamos a ideia de Quentin Tarantino de lançar um box de quatro DVDs, intitulado Kill Bill: The Whole Bloody Affair, com os dois volumes de Kill Bill reunidos em um único longa-metragem. Em entrevista ao site Quentin Tarantino Archives, ele diz que o projeto segue de pé.

“Nós, na verdade, ainda adicionamos mais coisas. Tem um capítulo inédito que eu escrevi e desenhei para a sequência em animação. Quando ainda estávamos pensando em fazer um filme só, esse capítulo ficou de fora porque era longo demais. Então nos reunimos com a [produtora de animação] Production IG, ficou legal. É uma sequência de sete minutos quando o filme fala de O-Ren”, disse.

kill-bill_dvdIsso casa com a declaração de Uma Thurman em abril passado, quando disse que Tarantino está criando novos animês para ligar os dois volumes. Para quem não se lembra, o trecho animado de Kill Bill enfoca a infância sangrenta de O-Ren Ishii, vivida adulta em live-action por Lucy Liu.

Segundo a loja virtual Amazon, que lista Kill Bill: The Whole Bloody Affair entre em seus futuros lançamentos (mas indisponível para venda), a caixa totalizará 247 minutos de mortandade. Não há uma data definida para o lançamento.
>> OMELETE – por Marcelo Hessel


HARRY POTTER: COMEÇAM AS FILMAGENS DO SÉTIMO FILME

quinta-feira | 22 | janeiro | 2009

harry-potter-7
A atriz Emma Watson, que interpreta a personagem Hermione Granger nos filmes do bruxinho criado por J.K. Rowling, disse em seu site oficial que as primeiras filmagens de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 já começaram.

“Nesta segunda-feira, fiz os primeiros testes de câmera para o filme”, revela ela. Watson se diz empolgada com o começo das filmagens e com saudades de seus colegas de elenco, Daniel Radcliffe e Rupert Grint, respectivamente Harry Potter e Rony Weasley.

O sétimo filme da série será dividido em duas partes. A primeira tem estreia prevista para 19 de novembro de 2010 e a segunda, para maio de 2011.

A direção está novamente a cargo de David Yates, mesmo diretor do quinto e sexto filmes do personagem. Harry Potter e o Enigma do Príncipe, o sexto filme, tem estreia marcada para 17 de julho.

Harry Potter é filho de dois bruxos poderosos, assassinados por Lorde Voldemort quando Harry ainda era bebê. O órfão Harry é criado por parentes não-bruxos, mas aos 11 anos descobre sua história e recebe o convite para estudar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Seu primeiro livro, Harry Potter e A Pedra Filosofal, foi publicado em 1997. Desde então, a série alcançou grande popularidade no mundo inteiro, ganhando adaptações para o cinema, videogames, bonecos, estatuetas e diversos outros itens. Graças a esse sucesso, sua criadora, J.K. Rowling tornou-se a mulher mais rica da história da literatura.
>> HQ MANIACS – por Leo Santos


ANJOS DA NOITE 3 – A REVOLUÇÃO: ASSISTA AO PRIMEIRO CLIPE

quinta-feira | 22 | janeiro | 2009

anjos-da-noite_rise-of-the-lycans2aAnjos da Noite 3: A Revolução, terceiro filme da série, teve divulgado seu primeiro clipe. Assista abaixo, Sonja enfrentando vampiros com sua espada – até que Viktor, seu pai, surge.

Underworld 3: The Rise of the Lycans mostrará o surgimento e a ascensão da raça dos lycans, os lobisomens rivais dos vampiros. A disputa medieval entre Lucian (Michael Sheen), emergente líder dos lycans, contra Viktor (Bill Nighy), cruel rei vampiro escravista, será o foco principal. No meio da briga está Sonja (Rhona Mitra), filha de Viktor e amor secreto de Lucian.

Steven Mackintosh (o vampiro Andreas Tanis do segundo filme) e Kevin Grevioux (o lobisomem Raze do primeiro filme) também estão no elenco. Underworld 3 tem direção do especialista francês em efeitos especiais Patrick Tatopoulos, técnico que desenhou as criaturas dos dois primeiros filmes.

A produção é da Lakeshore Entertainment e da Screen Gems. A Sony cuidará da distribuição mundial. A estréia nos EUA acontece em 23 de janeiro. No Brasil, foi adiada para 13 de março.
>> OMELETE – por Érico Borgo

Confira o clipe abaixo:


BATTLESTAR GALACTICA: SOMETIMES A GREAT NOTION

quinta-feira | 22 | janeiro | 2009

O final de Battlestar Galactica pode ser o aquecimento
para a última temporada de Lost

(Re)Começou: Battlestar Galactica entrou na reta final na última sexta-feira, quando o primeiro episódio da segunda parte da quarta temporada foi exibido nos EUA. Apesar da expectativa em relação à próxima temporada de Lost, que estréia na próxima quarta, presumo que a quinta safra de episódios da ilha maluca vai ter mais enrolação do que perguntas respondidas. Já BSG, não. Sometimes a Great Notion é o primeiro de uma dezena de episódios que encerrarão o cânone clássico de Battlestar Galactica. Se voltaremos a reencontrar estes personagens e este universo, será em cenários bem diferentes do que a busca por um lugar seguro para salvar a humanidade depois que esta foi destruída pelos robôs que criou, os cylons. Portanto, a partir daqui o assunto só interessa a quem já chegou à safra final de episódios do seriado. Tomei cuidado inclusive na seleção das imagens para não revelar demais. Mas uma coisa o episódio de sexta provou: estamos começando a assistir à conclusão dramática de um marco da televisão moderna.

A história recomeça do ponto que havia parado: na Terra. O planeta prometido para o qual rumava a frota galática que trazia o último resquício de humanidade em todo universo não era o paraíso esperado – e sim um planeta devastado há dois mil anos por uma catástrofe nuclear. E se imaginarmos que, durante toda a série, a única esperança de seguir em frente era encontrar o tal planeta – que, no universo de BSG ganhava ares míticos – não é difícil supor que o clima de frustração se abatesse sobre os personagens.

Frustração é eufemismo. O clima do episódio de sexta era de desolação, depressão, derrota e morte. Os primeiros minutos continuavam a cena apática e triste com a qual o seriado se despediu de 2008 – o elenco andando por uma praia deserta, de areia escura, tendo as ruínas do que um dia foi Nova York como cenário e um tom azulado-cinzento fazendo as vezes de luz. E, quando voltam à nave, os personagens aos poucos começam a espalhar a sensação de luto e desespero pela nave. E. aos poucos, eles vão sucumbindo – a começar pelas figuras paternas da tripulação. De um lado, a presidente Roslin abandona os medicamentos que regulam seu câncer e o almirante Adama cede à bebida a ponto de fazer com que seu primeiro subalterno Saul aponte uma arma para sua cabeça – e de Olmos cometer sua pior atuação em toda a série (aquela boca torta me lembra o Moe dos Três Patetas).

Duas personagens, no entanto, atravessam situações que trazem outros sentimentos à tona. Aparentemente alheia ao clima inóspito no seriado, a oficial Duanna tira o dia para ser linda e feliz como nunca foi na série – e sai com Lee para um jantar filmado com cores vivas e música, que terminaria com a mesma metendo um tiro na própria cabeça depois de se despedir do marido. Starbuck, por outro lado, anda pela Terra acompanhada do cylon Leoben, filmada num tom quase em preto & branco, contraste estourado a ponto do mato filmado aparecer branco, e logo depois descobre não apenas o próprio caça que pilotava como o próprio cadáver (!?), que queimaria logo depois numa espécie de funeral viking.

Até pouco antes do episódio terminar, as duas personagens pareciam ser as possíveis candidatas ao posto de último cylon a ser revelado: Dee se mataria pois haveria uma forma de ela renascer em algum lugar (posto que ela poderia ser o último cylon e devido à sua serenidade antes do suicídio) e só isso justificaria o fato de Starbuck ter encontrado o próprio cadáver. Mas à medida em que o episódio transcorria, os quatro cylons revelados no fim da terceira temporada começam a ter visões ou recordações de uma vida que teriam levado naquele mesmo planeta desolado – primeiro Tyrrol, depois Anders e Tory logo depois. O único cylon que não havia tido uma visão de seu próprio passado na Terra era Saul Tigh, para quem foram destinados os minutos finais – em que o quinto cylon finalmente foi revelado: ELLEN TIGH!

Como assim? Então Dee se matou em vão? Se a ex-mulher de Tigh, que ele mesmo havia matado por ser uma colaboradora dos cylons (antes de perceber que ele mesmo era um cylon), então Starbuck é o quê? Depois de analisar alguns restos mortais encontrados na Terra, os cientistas da Galactica chegam à conclusão que o planeta havia sido habitado apenas por cylons (!?), que teriam fugido após o cataclisma nuclear que destruiu aquela civilização. Então quer dizer que as doze colônias que foram atacadas no início do seriado são colônias criadas por cylons? Pior: todos são cylons?

As revelações dos quatro cylons restantes não ajudam a esclarecer as coisas: eles estão vivos há dois mil anos? Então como Adama conhece Saul, por exemplo, desde que ambos tinham vinte e poucos anos? Seriam os cinco cylons finais usados como base de clones humanos que receberiam a consciência destes depois que eles morressem? Starbuck viajou no tempo? Para o passado ou para o futuro? E as profecias de Pítia, que guiaram a tripulação rumo à Terra, que foram escritas há 3.500 anos que, conforme descobrimos, equivaleria ao século XV de nossa era? Foram escritas por quem, pelos maias? E esse monte de nome grego, vem de onde?

E é engraçado ver como, na reta final, o programa tem ganhado uma respeitabilidade além do meio de ficção científica ou mesmo do mondo pop. A Salon publicou um guia para quem quiser entender a série, a Variety publicou uma longa matéria explicando, com declarações de especialistas em diferentes áreas (religiao, política, forças armadas, ciência, ética) para justificar a importância do seriado (como se ser bom não fosse suficiente), além de render coberturas aprofundadas em mídias que já vinham cobrindo o seriado (como entrevistas com intérpretes cruciais no episódio de sexta no LA Times e no Sci Fi Wire – mas o grande trunfo é da blogueira/colunista do Chicago Tribune, Maureen Ryan, que entrevistou ninguém menos que Ron D. Moore depois do episódio ir ao ar), como discussões acaloradas entre os fãs (o site Tor.com, por exemplo, colocou quatro de seus repórteres para debater o episódio mais recente, que repercutiu em inúmeros posts de blogs por aí – que, por sua vez, rendem ainda mais discussões nas áreas de comentários).

Como se a reta final de Battlestar Galactica pudesse antecipar o que vai ser a reta final de Lost. E a julgar pelos acontecimentos deste episódio de sexta, acredite: vamos ir mais fundo na esquisitice em BSG. Só esse primeiro episódio da safra final já cogitou clonagem, viagem no tempo, teletransporte, imortalidade e o dilema existencial robô sobre toda humanidade, bastiões da ficção científica que nunca haviam sido sequer citados no seriado de Ron Moore. E a falta de ação durante este Sometimes a Great Notion me lembra a ansiedade e impaciência ao subirmos em uma montanha russa – com a revelação final funcionando apenas como a sensação que temos que, a partir daí, começou.

Assistir ao final de Battlestar Galactica em tempo real – ainda mais com uma audiência globalizada – é um privilégio que pode prenunciar uma mudança drástica na forma em que encaramos o entretenimento moderno. Não estamos falando apenas de uma novela ou de uma sitcom, mas um seriado que, ao mesmo tempo em que faz comentários em diferentes níveis sobre a atualidade e a condição humana simultaneamente, questiona a própria razão de estarmos assistindo a uma história de ficção, enquanto nos apresenta possibilidades surpreendentes a cada passo. Se o final de Sopranos já havia sido um baque (literal) na expectativa do telespectador, o final de Battlestar Galactica e, por conseqüência, de Lost, concluirão um movimento que diz tanto respeito às novas formas de narrativa quanto aos temas mais importantes para a audiência e saídas econômicas para a sobrevivência em um mercado digital.

E sexta-feira temos mais um: The Disquiet that Follows My Soul. Aí faltarão apenas oito episódios para tudo acabar.
So say we all”.
>> OESQUEMA – por Alexandre Matias


TERRA INCOGNITA: A ARTE DE USAR O TEMPO E O ESPAÇO A FAVOR DA BOA LITERATURA

quarta-feira | 21 | janeiro | 2009

terra-incognita_logoa

Ao notar o vazio editorial e a tendência de crescimento
da literatura fantástica, Fábio Fernandes e Jacques Barcia
idealizaram a revista “Terra Incognita
 

A literatura categorizada como “de gênero” no Brasil cresce, atualmente, em ritmo que causa euforia – nos que vêem consistência e desdobramentos – e desconfiança, naqueles que gostam de dizer “isso já aconteceu antes e não deu em nada”.

Aos pessimistas, cabe indicar que existem dois diferenciais importantes entre este e os booms anteriores. O primeiro é a existência da internet como plataforma de divulgação e aproximação entre leitores, escritores e editores. O segundo – e talvez mais importante – é que o público consumidor atual sempre esteve cercado de referências aos gêneros fantásticos – seja nos filmes, seriados de TV, quadrinhos ou RPGs. Ao contrário da geração que nasceu antes de 1975, que precisava buscar, esta nova geração teve as referências inculcadas, especialmente pela TV.

Não é meu objetivo debater se essas pessoas que cresceram vendo ficção científica na TV realmente procuram consumir algo além das trilogias cinematográficas. Esse debate é antigo entre os estudiosos e fãs do gênero e sempre foi realizado sem dados que realmente o alimentem. O que existe é cada vez mais gente procurando por informações, livros, revistas, etc. – uma busca que pode ser objetivamente verificada nas diversas comunidades on-line.

O nicho da ficção científica

Faltava, tanto para essas pessoas novas como para os fãs antigos, a oportunidade de consumir material novo e ousado, seja na forma ou nos temas. Temos aí, portanto, o vazio editorial e o momento correto para a louvável criação da revista Terra Incognita.

Desde a diagramação, acabamento e planejamento gráfico, até a seleção de material, é perceptível a ousadia nas intenções dos editores de Terra Incognita. Óbvio que ousadia não é necessariamente sintoma de qualidade, mas para felicidade de quem gosta de boa literatura, este é o caso aqui.

A linha editorial é publicar primariamente uma seleção de autores nacionais: gente de talento reconhecido, como Carlos Orsi, Octavio Aragão e Guilherme Kujawski; autores novos que vêm obtendo reconhecimento com seus livros recém-publicados, como Tibor Moricz e Ivan Hegenberg; e novatos que ainda não estrearam com livros próprios, como Ludimila Hashimoto, Rafael Monteiro, Ana Cristina Rodrigues e Lúcio Manfredi.

Para adicionar a estes autores, a revista traz em todas as edições uma entrevista e um conto de algum autor estrangeiro. Na estréia, Ekaterina Sedia – russa; seguida por Charles Stross – britânico; e Jeffrey Thomas e Bruce Sterling – ambos norte-americanos.

A qualidade gráfica; a mistura de textos inéditos de estrangeiros importantes no cenário atual com autores nacionais, tanto publicados quanto novatos; os artigos e resenhas que eventualmente aparecem: tudo isso faz deTerra Incognita uma publicação única no cenário de literatura de gênero.

Essa posição é ainda mais destacada se levarmos em conta que os livros publicados atualmente – como Tempo fechado, de Bruce Sterling, pela Devir, ou Nevasca, de Neal Stephenson, pela Aleph – representam o que de melhor existia no gênero há quase vinte anos (1994 e 1992, respectivamente).

Por fim, ao mesmo tempo em que se define e busca o nicho da ficção científica, a revista traz literatura de qualidade para qualquer pessoa e é publicada online, gratuitamente, de uma forma que pode ser impressa – dois fatores que fazem com que o público potencial da revista cresça exponencialmente.

Terra Incógnita aceita textos de autores nacionais (obviamente, serão avaliados pelos editores) e, como deve ter ficado claro acima, recomendo veementemente, tanto aos fãs de ficção científica como àqueles que ainda acham que o gênero se resume aos clichês e estereótipos tão divulgados – vocês vão se surpreender.
>> LE MONDE DIPLOMATIQUE – por Fernando S. Trevisan


BABYLON 5 PODE TER NOVA CHANCE NOS CINEMAS

quarta-feira | 21 | janeiro | 2009

babylon-5
O roteirista J. Michael Straczynski conversou com o Skiewed and Reviewed sobre a possibilidade de voltar à sua criação Babylon 5 em uma versão cinematográfica da série (algo que sempre teve dificuldade para colocar em andamento no passar dos anos), que teve cinco temporadas, seis filmes para a TV, uma série spin-off, além de quadrinhos e livros.

Para Straza, como é carinhosamente tratado nos quadrinhos, a oportunidade surgiu devido ao sucesso do filme A Troca, de Clint Eastwood, que roteirizou. “A Warner nunca quis fazer um grande filme de Babylon 5, mesmo com seu reconhecimento hoje e na época em que foi lançada. Agora que fiz esse grande filme funcionar, eles começaram a me ligar e dizer ´então, quão grande o filme tem que ser para você voltar e fazê-lo para nós?`.”

Babylon 5 não é a única série de televisão que vem sendo cotada para virar filme. Recentemente, o nome de Pushing Daisies foi cogitado pela imprensa norte-americana, enquanto produtores confirmaram uma nova encarnação de Jericho nos cinemas.

Babylon 5, criada por J. Michael Straczynski, teve início na TV em 1994, tendo cinco temporadas e vários telefilmes. Deu origem também a uma série e uma mini-série em quadrinhos, ambas pela DC Comics; uma série de TV derivada, Crusade, de curta duração; e vários livros. A trama apresenta a última das estações Babylon, criadas na esperança de criar a paz em todo o universo, reunindo embaixadores de seus vários povos. Com o passar do tempo, a série aumenta o número de estratagemas políticos, conflitos espaciais e dramas pessoais, eclodindo numa grande saga que acaba por mudar todo o universo. Toda a série e seus derivados foram lançados em DVD nos Estados Unidos, até o momento sem previsão de lançamento no Brasil.
>> HQ MANIACS – por Artur Tavares


MAURÍCIO DE SOUSA: SAIBA COMO SE FAZ HISTÓRIAS EM QUADRINHOS

quarta-feira | 21 | janeiro | 2009

mauricio-de-sousa_estudio
É difícil encontrar alguém que não goste de gibi. As revistinhas fazem sucesso com pessoas de todas as idades. Há histórias para diferentes faixas etárias e personagens que ganharam fama no mundo inteiro. Raro apontar também quem nunca tenha tentado fazer a sua própria história em quadrinhos. O Correio Criança visitou o estúdio Mauricio de Sousa, que fica em São Paulo, para mostra a você como se faz um gibi.
Se alguém ainda não sabe, Mauricio de Sousa é um dos maiores cartunistas do País, criador da Turma da Mônica, da Turma do Penadinho, do Horácio, do Chico Bento, do Ronaldinho, entre outras histórias, e, mais recentemente, da Turma da Mônica Jovem. 

Sua empresa cresceu tanto que, há algum tempo, Mauricio quase não desenha mais e nem inventa as histórias. Dezenas de roteiristas e desenhistas desenvolvem os quadrinhos, mas nenhum é publicado sem antes passar por sua aprovação. Somente as revistas do Horácio são criadas por ele, pois é seu personagem preferido e é através do dinossauro que Mauricio expressa suas ideias. Mensalmente são publicadas pelo estúdio Mauricio de Sousa nove revistas com histórias inéditas, fora as edições especiais. Esse trabalho soma 800 páginas por mês.

PASSO A PASSO

1 – As histórias dos quadrinhos e das tiras publicadas em jornais são criadas por roteiristas. No estúdio Mauricio de Sousa, são cerca de dez roteiristas fixos e outros que prestam serviços vez ou outra. A maior parte deles não vai para o estúdio todos os dias, mas manda a sugestão de casa, por e-mail. O roteirista Robson Barreto de Lacerda conta que eles desenham os quadrinhos numa folha de papel chamada gabarito, que vem com marcações dos quadrinhos para o profissional basear os diálogos. Os temas das histórias são livres e o número de páginas pode variar. Eles podem entregar as páginas coloridas ou não.

2 – Todas as sugestões de roteiros vão para apreciação do Maurício, que devolve com um visto parecido com o de um professor. Por exemplo: VB é Visto Bom; VO é Visto Ótimo e VR é Visto Regular.

3 – História aprovada, ela segue para o desenhista, que coloca nos personagens o estilo de desenho do Mauricio. Os desenhistas usam o papel opaline, um pouco mais grosso que cartolina, tamanho A3 (maior que a folha de sulfite) para facilitar a visualização. Eles utilizam grafite azul para fazer o esboço e lapiseira comum para detalhar o desenho, já com as expressões em cada personagem. O desenhista Lino Paes trabalha no estúdio há nove anos, mas conta que foi difícil conseguir a vaga. Fã da Turma da Mônica, sempre treinou bastante os traços e, por anos e anos, mandou seus desenhos para o Mauricio analisar. Num belo dia, Mauricio o convidou para fazer um estágio. Em seu caso, no segundo mês seus desenhos já estavam sendo publicados, mas há desenhistas que ficam meses e meses em treinamento até atingir o estilo adequado. 

4 - O desenho pronto vai em seguida para o letrista. É ele quem faz os títulos, os dizeres que vão nos balões, as onomatopéias (tradução dos sons, tipo toc-toc, bum!, bang-bang!) e é quem define a forma que os balões vão ter. Nas histórias da Turma da Mônica Jovem, o letreiramento e os balões são feitos em papel separado e aplicados na imagem virtual do desenho. É que a revista é exportada para outros países. Desta forma, fica fácil do texto ser aplicado no idioma local. 

5 - É o arte-finalista quem vai imprimir, quadro a quadro, a noção de textura, de perspectiva e de movimento da história. O arte-finalista usa caneta tipo pena com pontas de espessuras diferentes para dar efeitos como grosso, fino etc. Nos gibis da Turma da Mônica Jovem, alguns desses efeitos são obtidos pelo computador, usando o programa Mangá Studio, facilmente trabalhado num tablet (mesa digitalizadora). A Turma da Mônica Jovem é a única história em que a arte-final é informatizada. 

6 - É no setor de acabamento que é feita a definição e o contorno dos quadros, chamados pelos profissionais de requadros. O que é totalmente preto na história é preenchido nesta etapa e, quando a tinta seca, todos os vestígios de lápis são apagados. O adolescente Kaio Renato Bruder, de 17 anos, trabalha no setor há sete meses. Não é fácil conseguir essa vaga, mas ele a conquistou por ter trabalhado alguns anos no estúdio como patrulheiro. Foi assim que ele exercitou seu talento para o desenho e chamou a atenção dos colegas, garantindo seu espaço. 

7 - Os coloristas definem as cores das páginas, que depois seguem para serem coloridas por software de computador.

8 – O material é digitalizado e impresso em gráfica terceirizada, da Editora Panini.
>> COSMO – por Kátia Nunes


O CASTELO, DE FRANZ KAFKA

quarta-feira | 21 | janeiro | 2009
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O escritor tcheco Franz Kafka em 1906

K. caminha por uma estrada, ora íngreme ora elevada, em busca da entrada que o levará ao castelo onde deve se apresentar às autoridades para finalmente começar seu trabalho de agrimensura para o qual fora convocado. Porém, quanto mais ele caminha mais distante parece estar do castelo, e essa estranha situação permanece até que suas forças e o frio fazem com que desista. Sem perceber, deu uma volta completa nos arredores do castelo, e mesmo que curiosamente veja pessoas subindo e descendo dele, não consegue encontrar a via que o levará às autoridades.

K., o anônimo personagem de Franz Kafka que irresistivelmente imaginamos com o inconfundível rosto do poeta de Praga, movimentou inocente uma das maiores metáforas da literatura do século XX. O imenso fragmento que é o livro chamado O Castelo sobrevive sem um final porque ele é todo uma imagem: de nossa impotência, de nossa irracionalidade, de nossa solidão. Kafka seduz pelo que não podemos compreender.

Dono de uma vida angustiada e triste, Franz Kafka pareceu condenado ao epíteto póstumo de se tornar um adjetivo dramático para definir o fracassado século XX. É difícil ler Kafka com olhos tênues e, desse modo, passa-se desapercebido o humor inteligente e sutil que está presente na maior parte de seus textos. A riqueza de aproximações de leitura de qualquer um de suas narrativas mostra uma das facetas mais surpreendentes do autor tcheco.

Lendo O Castelo de maneira factual, é impossível não rir com a presença da dupla Arthur e Jeremias, com a esperança surda de Barnabás, ou até mesmo com os monólogos racionais e pedagógicos que Frieda ou a dona da pensão infligem ao pobre K. justamente quando seu mundo atinge o maior grau de irracionalidade.

Perto do final do romance, quando K. entra por engano no quarto de um secretário que não buscava e tenta, de qualquer modo, dormir, confundido por fragmentos de sonhos que sinuosamente irrompem para logo desaparecerem, enquanto ouve as reclamações sobre a ineficiência da burocracia do castelo que esse funcionário dispara retoricamente, o efeito humorístico é irresistível.

Porém, o que é extraordinário em Kafka é justamente a força dramática que uma leitura mais subjetiva faz a narrativa alcançar. E, de todos os seus textos, o que mais próximo chega dos deslimites da poesia é O Castelo.

Entretanto, se é certo que em O Castelo encontramos Kafka no limite de sua capacidade imagística – as gralhas circundando as torres do castelo, o pai de Amália esperando os funcionários que não virão em uma estrada abandonada repleta de neve, o amanhecer cronometrado na pensão dos senhores, com sua interminável inda e vinda de processos -, o mesmo não se pode dizer de sua realização estética.

O romance é claramente desigual e sua linguagem muda várias vezes durante a narrativa; há inúmeros trechos que certamente seriam cortados em uma revisão caso Kafka não tivesse desistido da estória tão abruptamente; e, imaginando um desencadeamento a partir de onde a narrativa é interrompida, nada nos leva a crer que ela não se arrastaria por mais quatrocentas páginas.

A melhor realização do romance certamente é a longa visita de K. à família Barnabás onde se conhece a estória de Amália, trecho tão bem escrito e soberano que poderia ter sobrevivido sem prejuízos como uma novela ou um conto largo. É a parte mais importante e central do enorme fragmento, e é onde K. vislumbra, sem reconhecer, seu futuro a partir da decomposição do patriarca Barnabás. É, também, onde ele se entrega finalmente ao seu destino, e sua figura adquire contornos trágicos diante do leitor.

Porém, ainda assim, e muito apesar, é inquestionável que Kafka estranhamente sobrevive como fragmento. Talvez esse seja o caráter mais perturbador de sua personalidade e obra: o artista que morreu justamente quando alcançou pleno domínio técnico e estético – algo que seus últimos contos atestam -, o homem que foi tão constantemente derrotado pelos seus demônios familiares, sem a oportunidade de uma inflexão certamente possível.

De alguma forma, o leitor preenche as lacunas dos anos restantes que foram negados a Kafka com a glória que não teve – e poderia ter encontrado – em vida, e tudo indica, pela constante presença de Kafka no nosso cotidiano, que o perturbador cortejo de seu funeral não terá mais fim porque os mais profundos ecos que completam o que ele deixou interrompido estão cravados justamente no coração de nossa modernidade. O ocidente ainda circunda seu castelo.
>> TERRA MAGAZINE – por Vinicius Jatobá


ECLIPSE: ADOLESCENTE TEM PRESSA DE SE TRANSFORMAR EM VAMPIRA

terça-feira | 20 | janeiro | 2009
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Stephenie Meyer, que deu início à série Crepúsculo em 2005.

 

Há tantas experiências humanas que Bella Swan ainda tem para viver, mas ela está com pressa de se tornar uma vampira imortal, isso aos 18 anos de idade. Afinal, seu amado, Edward Cullen, eternizou-se com apenas 17, há cerca de um século, o que a faz estar um ano em desvantagem. Em Eclipse, terceiro e penúltimo livro da série Crepúsculo, iniciada por Stephenie Meyer em 2005 e que rendeu a adaptação para o cinema, a adolescente que protagoniza a aventura dará muito mais trabalho para o clã de vampiros formado pelos Cullen — que, diferentemente dos outros, só se alimentam do sangue de animais, o que não os difere muito dos humanos carnívoros.

Além de lembrar o tempo todo ao namorado Edward da promessa que ele fez de transformá-la em imortal logo após a formatura no ensino médio, Bella tem atraído cada vez mais perigo para a cidadezinha de Forks, no estado de Washington, onde ela vive com o pai, o policial Charlie.

A inimiga número um da adolescente e dos Cullen, a vampira ruiva Victoria, está formando um exército de vampiros recém-criados em Seattle para vingar a morte do namorado James (o que aconteceu lá no primeiro livro da série), enquanto os temidos vampiros Volturi prometeram sair da Itália para checar se Bella deixou mesmo de ser humana — para os Volturi, não é nada seguro manter uma humana de “estimação”, como fazem os Cullen.

Em meio a tudo isso, tem o melhor amigo de Bella, Jacob Black, que no segundo volume, Lua Nova, revelou-se um lobisomem. Ele disputará o coração da jovem com Edward ao mesmo tempo em que sua alcatéia prepara-se para lutar lado a lado com os Cullen contra os vampiros liderados por Victoria.

Realmente, parece uma baboseira sem fim, mas a trama criada por Stephenie Meyer tem o dom de fisgar adolescentes e adultos. Eclipse (464 páginas, R$ 39,90) chega às livrarias pela Editora Intrínseca no próximo sábado, com tiragem inicial de 300 mil exemplares — Crepúsculo chegou com 50 mil e Lua Nova, 80 mil, mas já vendeu mais de 130 mil exemplares.

Ao revisitar antigas lendas de vampiros e lobisomens, a autora consegue atualizá-las, dar-lhes frescor e carregá-las de sensualidade. A saga Crepúsculo não tem nada de assustadora — nem no livro nem no cinema —, mas trata de um medo intrínseco a todo e qualquer ser vivo: o da morte.

Contraditoriamente, a eternidade tão desejada por Bella significa o fim de sua existência como humana. “Você só vai se formar no ensino médio pela primeira vez uma vez na vida. Não será humana de novo, Bella. É uma vez só numa vida inteira”, alerta Alice, uma vampira do clã dos Cullen, sobre a importância da adolescente comemorar sua formatura como qualquer pessoa “normal”.

Apesar de a autora manter os mesmos clima de mistério e ritmo empolgante dos volumes anteriores, em Eclipse há cortes bruscos demais, sem indicação da passagem do tempo, o que pode confundir o leitor. Isso funciona no cinema, mas a saga parece mesmo um longo roteiro de filme, com muitas descrições e sucessão de acontecimentos. A propósito, a sequência de Crespúsculo, Lua Nova, está prevista para estrear na telona em novembro deste ano.
>> COSMO – por Carlota Cafiero


TURMA DA MÔNICA E A REFORMA ORTOGRÁFICA EM SAIBA MAIS! #16

terça-feira | 20 | janeiro | 2009

monica_reforma-ortograficaA nova edição do gibi Saiba Mais! Turma da Mônica traz uma aventura na qual os principais personagens de Mauricio de Sousa explicam tudo sobre a reforma ortográfica que, desde o dia 1º de janeiro de 2009, está valendo para todos os países de língua portuguesa.

Com a participação do português António Alfacinha, um dos mais novos personagens da Turma da Mônica, o gibi também apresenta passatempos e curiosidades sobre o tema da vez, além de um brinde especial: uma mini-revista que explica as novas regras de ortografia.

Saiba Mais! Turma da Mônica # 16 – Reforma ortográfica tem 32 páginas, custa R$ 5,20 e é uma publicação da Panini Comics.
>> UNIVERSO HQ – por Marcus Ramone


“WHERE THE WILD THINGS ARE”: NOVAS IMAGENS

terça-feira | 20 | janeiro | 2009

Spike Jonze, diiretor da adaptação do livro infantil Where the Wild Things Are, de Maurice Sendak, disponibilizou algumas imagens do filme no site The Girl Skate Company. Confira acima e abaixo.

A estréia do filme está prevista para 3 de outubro do ano que vem. O filme seria originalmente lançado pela Universal, mas desentendimentos com o estúdio fizeram Jonze levar o projeto para a Warner Bros.

Dirigido por Spike Jonze (Quero ser John Malkovich), Where the Wild Things Are conta as aventuras de um garoto chamado Max, que foge de casa depois de ser mandado para a cama sem jantar. Durante suas aventuras, Max veste uma roupa de lobo (a razão, aliás, do seu castigo) e encontra diversas criaturas místicas.
 
O filme, a ser lançado em 2008, mesclará atores reais, marionetes e animação digital. Entre interpretações reais e vozes, estão no elenco Catherine Keener, Benicio Del Toro, Forest Whitaker, Lauren Ambrose, Catherine O´Hara, Tom Noonan, Michael Berry e James Gandolfini.
>> HQ MANIACS – por Will Costa


OS TRAPALHÕES: MAIS CINCO TÍTULOS

terça-feira | 20 | janeiro | 2009

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A Europa Filmes colocou mais cinco títulos de Os Trapalhões
à venda em todas as lojas do Brasil.
Confira agora os títulos que chegam ao mercado,
bem como a sinopse oficial.

O Cangaceiro Trapalhão
Severino do Quixadá (Renato Aragão), pastor de cabras, salva Capitão e seu bando de cangaceiros de uma emboscada do Ten Bezerra. Na confusão, os amigos Mussum e Zacaria fogem da cadeia e todos se encontram no esconderijo dos cangaceiros, onde Gavião (Dedé Santana) é homem de confiança do chefe. Observando sua semelhança com Severino, Capitão lhe dá uma missão, que acaba revelando-se uma emboscada. Com a ajuda de Aninha, sobrinha do prefeito, conseguem fugir e no caminho encontram uma misteriosa bruxa-fada. Ao mesmo tempo, Gavião é encarregado de proteger a menina Expedita, filha de Capitão e Maria Bonita, que acaba se perdendo. Fugindo da perseguição do Ten. Bezerra e às voltas com um cofre que não consegue abrir, os cangaceiros vão embora e deixam os quatro amigos. Sozinhos acabam encontrando, em pleno nordeste, a galinha de ovos de ouro.

O Trapalhão na Ilha do Tesouro

Os pescadores Zé Cação (Renato Aragão) e Lula (Dedé Santana) descobrem a muamba de uma quadrilha de contrabandistas e passam a ser perseguidos por eles. No encalço dos bandidos também está o agente federal Carlos (Mário Cardoso), apaixonado pela jovem Diana (Eliane Martins), dos quais se tornam companheiros. Tudo se desenrola na Pensão dos Pescadores, onde chega o pirata Long John Silver (Edson Guimarães), em busca do mapa de um tesouro escondido numa ilha próxima. O mapa, dividido em duas partes, torna-se objeto de perseguições, sendo trocado de mãos ao longo do filme e conduzindo todos até a ilha. Lá, piratas e contrabandistas são vencidos, a mocinha raptada é socorrida e Zé Cação encontra o tesouro.

O Trapalhão no Planalto dos Macacos
Os amigos Conde (Renato Aragão) e Alex (Dedé Santana) são confundidos pelo Guarda Azevedo (Mussum) com assaltantes de uma joalheria. Na fuga, os três embarcam em um balão prestes a ser lançado, conduzido por Rodrigo, indo parar em um planeta habitado por homens-macacos, onde os humanos são considerados animais inferiores. São aprisionados e depois de muita confusão, incluindo uma tentativa de transformá-los em macacos, surpreendem fazendo funcionar eletrodomésticos escondidos numa caverna. Conseguem fugir do planeta em um balão que chega trazendo os assaltante da joalheria, então deixados à mercê dos macacos.

Os Trapalhões no Reino da Fantasia
Os Trapalhões fazem um espetáculo em beneficio de um orfanato dirigido por Irmã Maria (Xuxa), que enfrenta dificuldades financeiras. Enquanto realizam o espetáculo, o dinheiro dos ingressos é roubado. Didi, Dedé e Irmã Maria perseguem os bandidos, enquanto Mussum e Zacarias continuam com o show. Os três vão para no mundo de Beto Carrero, onde é recriado o cenário do velho Oeste norte americano. O filme também possui uma seqüência de 20 min de desenho animado de Os Trapalhões.

Robin Hood, o Trapalhão da Floresta
Robin Hood e seu bando estragam os planos do fazendeiro João Climério de se apossar das terras do irmão ausente. Durante um confronto, Robin é ferido e precisa ser substituído no comando do grupo. É escolhido Zé Grilo (Renato Aragão), peão modesto e confuso, que ao final desmascara Climério e salva a bela Catarina, pela qual é apaixonado. É auxiliado na missão pelo companheiro William (Dedé Santana) e por uma varinha mágica e uma pena protetora, fornecidas por um índio feiticeiro. Catarina escolhe ficar com Robin Hood e Zé Grilo termina sozinho, mas usa a farinha mágica para transformar seu burrico em um carro.
>> HERÓI – por Rodolfo Bruno Braz


CORINGAS

terça-feira | 20 | janeiro | 2009

Janeiro já está no fim, mas a Panini anuncia ainda para este mês o lançamento de “Coringa”, elogiada HQ recentemente publicada nos EUA. O texto é de Brian Azzarello (“100 balas”) e a arte é de Lee Bermejo. O Batman mal aparece e o palhaço do crime é a estrela.

A editora promete também para janeiro o relançamento de “Batman – a piada mortal”, clássico escrito por Alan Moore e ilustrado por Brian Bolland, o idealizador da HQ. Se não me engano, é a quarta vez que o clássico de 1988, estrelado pelo Coringa, sai no Brasil, mas será a primeira com cores do próprio Bolland, como o artista inglês explicou no encadernado “Grandes clássicos Alan Moore”, publicado no Brasil em outubro de 2006 pela Panini:

“Foi só bem no final, quando a revista estava programada, que tive um súbito ataque de pânico para terminar o serviço e, envergonhado pelo tempo que levei desenhando, concordei relutantemente em deixar outra pessoa colorir. O resultado final não foi bem o que esperava. Não acho que ele se equipara a alguns dos pontos altos da carreira de Alan. Há coisas na história que eu não teria feito, mas ela contém certos momentos (sendo o meu favorito aquele onde a arma do Coringase mostra vazia) que estão entre os maiores da carreira de Alan e alguns dos mais arrepiantes”.

Indo mais longe, poderíamos considerar o Globo de Ouro recém-conquistado por Heath Ledger mais um motivo para este ser o mês do Coringa, mas a consagração virá se o ator receber uma indicação póstuma ao Oscar na categoria ator coadjuvante. E, quem sabe depois, a estatueta. Nada mais justo. Os indicados serão anunciados nesta quinta-feira, dia 22. Nesta mesma data, há um ano, Ledger seria encontrado morto.
>> GIBIZADA – por Télio Navega


FREUD EM QUADRINHOS E MOÇAS DESVIRGINADAS

terça-feira | 20 | janeiro | 2009

No “Chrome Fetus”, Sigmund Freud vai à sinistra zona da repressão, onde é atacado por um gigante com um complexo de Édipo muito mal resolvido.

E nesse link, num assunto até que moderadamente relacionado, um manual de etiqueta para moças recém-desvirginadas, publicado em 1965.

Orientações sobre a coisa mais apropriada a dizer após ser “deflowered” por um velho amigo da família, por um completo desconhecido ou por um tocador de marimba. Não que as leitoras de blog estejam precisando, claro. Links via Bookslut
>> PROSA & VERSO – por Miguel Conde


AS TRAMAS DE POE

terça-feira | 20 | janeiro | 2009

Escritor norte-americano, cujo bicentenário de nascimento se comemora amanhã, abriu caminho para o leitor moderno -a quem é preciso ao mesmo tempo capturar e manter desconfiado- e para o seu respectivo autor -que concebe a própria vida como obra.

edgar-allan-poe

O escritor, poeta, crítico e editor Edgar Allan Poe nasceu em Boston, EUA, em 19 de janeiro de 1809. Publicou, em 1827, o seu primeiro livro de poesia -"Tamerlane and Other Poems". Em 1839, foi lançado "Tales of the Grotesque and Arabesque", traduzido para o francês pelo poeta Charles Baudelaire como "Histoires Extraordinaires" -título mantido nas edições brasileiras, "Histórias Extraordinárias". Em 1845, publicou o poema "O Corvo" -traduzido para o português pelos escritores Machado de Assis e Fernando Pessoa. Poe morreu em 7 de outubro de 1849, em Baltimore, em circunstâncias misteriosas. Ele foi encontrado no dia 3 daquele mês em estado delirante e em seguida levado, inconsciente, a um hospital, onde morreu quatro dias depois. As causas da morte do escritor nunca foram esclarecidas. Especulações incluem alcoolismo, ataque cardíaco, diabetes, sífilis e raiva. Foi enterrado em Baltimore. As cinco cidades norte-americanas onde viveu -Boston, Richmond, Baltimore, Filadélfia e Nova York- preparam eventos para homenageá-lo ao longo deste ano. Exposições, debates e até uma encenação, em Baltimore, do funeral de Poe marcam o bicentenário do seu nascimento e os 160 anos da sua morte.

Tem um Poe para o gosto de cada tipo de leitor moderno: tem o policial de certos contos, o racionalista dos comentários, o filosófico amalucado de “Eureka”, o frio e calculista da “Filosofia da Composição”, o psicanalítico de outros contos, até o sensacionalista das polêmicas, além do herói romântico de vida errática e intensa. A 200 anos de seu nascimento, essas facetas estão cada vez mais nítidas, numa obra nunca totalmente traduzida para o português, que soma milhares de páginas repletas de interesse, por qualquer desses lados. Não custa aumentar a lista com mais este: morreu com apenas 40 anos, e em circunstâncias ainda hoje não esclarecidas.

Morrer aos 40 quer dizer o seguinte: se Machado de Assis houvesse morrido nessa idade, não teria escrito nada a partir das “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e do primeiro volume de seus contos excelentes, “Papéis Avulsos”, e isso inclui nada menos que todos os seus maiores romances e contos; se Jorge Luis Borges tivesse morrido aos 40, não teria publicado nem mesmo “Ficciones” e “El Aleph”, quer dizer, nada do que produziu de maduro e fez sua fama mundial.
Edgar Allan Poe nasceu em Boston, Massachusetts, em 1809, e faleceu em Baltimore, Maryland, em 1849. Perdeu pai e mãe, ambos atores itinerantes, aos dois anos de idade; foi criado por um comerciante rico (de quem incorporou o sobrenome Allan), com quem teria relações conflituosas na juventude. Viveu a meninice na Inglaterra, entre 1815 e 1820, estudando na antiga metrópole de seu jovem país.

Destacou-se nos estudos, mas não cursou senão um ano na universidade, de volta aos EUA. Foi soldado e chegou a entrar na academia de West Point; mas seu temperamento e seu comportamento (endividou-se com jogo, bebia muito) o impediram de seguir carreira militar. Viveu sua vida adulta com grandes dificuldades econômicas (seu pai adotivo não lhe legou nada), sempre trabalhando em jornais e revistas; e tinha desde cedo a convicção, várias vezes expressa, de ser um gênio.

Lembrar Machado e Borges como termos de comparação não tem nada de gratuito. O incomparável escritor brasileiro (1839-1908) cita Poe desde 1866; cita-o poucas vezes, mas o suficiente para expor sua proximidade com aspectos centrais da criação de Poe, além de sua tradução de “O Corvo”, poema-símbolo do escritor norte-americano.

Borges (1899-1986), então, nem se fala: cita-o inúmeras vezes, escreve analiticamente sobre ele, identifica-o como um ponto de apoio para suas concepções de arte. Em certo momento, dirá que foi Poe quem inventou o leitor moderno, o leitor desconfiado a quem é preciso ao mesmo tempo convencer (atingindo a famosa “suspension of disbelief”, que Poe aprendeu com seu mestre-mor, o poeta e ensaísta S.T. Coleridge) e manter tenso, manipulando as frágeis linhas da palavra escrita.

Não foi Poe o único inventor desse novo leitor, claro; certamente teve o grande auxílio de outro gênio, agora francês, não por acaso seu leitor fiel, Charles Baudelaire, tradutor de Poe para a grande língua de cultura letrada do século 19 ainda nos anos 1850, e responsável, por isso, pela enorme divulgação de sua obra Ocidente afora. Foi Baudelaire que formulou o problema, com carinho e rispidez simultâneas, no sintético verso que resume a filosofia moderna do tema: “Leitor hipócrita, meu semelhante, meu irmão”.

Poe não foi tão longe no juízo sobre o novo leitor, mas abriu o caminho. Sua já mencionada “Filosofia da Composição” (1846) anuncia a tese-síntese da literatura que quer capturar o leitor -escrever tendo em vista um efeito previamente deliberado, o que exclui o espontaneísmo e a intuição-, aquele leitor que já não vive nos palácios e sim na rua, que não é o aristocrata vivendo da renda da terra e, portanto, ocioso, mas sim o burguês correndo atrás da grana, com tempo curto. Pelo mesmo caminho, Poe defendeu o conto contra o romance, como um sinal dos tempos, não como decadência, sendo nisso um pragmático; mas não levava livre o mau gosto da burguesia de seu tempo, tendo-a mesmo atacado num texto de grande originalidade, a “Filosofia do Mobiliário”.

Tudo isso aparece pela primeira vez claramente em sua obra, mas ele segue os passos de certa família de ensaístas que já se preocupava com estes temas -o papel do leitor, a irrelevância da literatura que não fala diretamente ao leitor, assim como a importância do autoexame público por parte de quem escreve, o que inclui a revelação de bastidores da concepção. Quem antes dele? A linhagem recua pelo menos a Montaigne, citado em interessante passagem de sua “Marginália”, coletânea de palpites, reflexões rápidas, confissões, crítica social e filosofia, e certamente passa pelos ensaístas ingleses do século 18. Gente do tipo que simultaneamente sabe de sua condição crítica superior -”Para apreciar completamente uma obra de gênio é mister possuir toda a superioridade que serviu para produzi-la”, anota Poe- e sabe das imensas dificuldades de levar a cabo uma obra exigente.

Entre fato e ficção
Talvez por isso, e dadas as condições objetivas de sua vida, Poe inventou outra modalidade de autodivulgação: a mistificação. Por intuição ou por cálculo, ele se promovia como se soubesse que o artista moderno é sua obra e ele mesmo, neste mundo-celebridade. Certa vez, mentiu (por escrito) sobre suas experiências, dizendo, numa autoapresentação para uma antologia de poesia, que muito jovem havia se dirigido à Grécia, para lutar pela independência daquele berço do Ocidente (como Byron), mas no caminho acabara desviando para a Rússia, onde teria vivido intensas experiências. Tudo mentira -mas dava charme.

Essa estratégia de ultrapassagem entre fato e ficção rendeu bem, em termos artísticos: em várias passagens de sua obra contística vamos encontrar alegações de realidade (manuscrito encontrado pelo autor, por exemplo), assim como na obra ensaística haverá momentos de pura ficção (como na carta reproduzida no ensaio “Eureka”, datada de 2848!). Como tantos depois, Poe borrou os limites entre gêneros, padrões literários, estatutos ontológicos.

Que ele seja mais famoso pelo lado gótico, enigmático e histriônico não estranha, porque isso também existe em sua obra; como Baudelaire, ele também foi revelado ao leitor brasileiro mais pelos aspectos gritantes e menos pela vigorosa dimensão crítica. Mas aí estão grandes leitores, como Freud e Lacan, a mostrar que aquele interesse artístico de Poe nos mecanismos do sonho e da fantasia prenunciava o caminho futuro da arte, caminho não por acaso balizado, não custa lembrar, pela lógica profunda do capitalismo, que seu país se preparava para liderar. Mas Poe não é profeta trivial; como outros românticos destemperados e tocados pelo senso da originalidade -me ocorrem dois exemplos desiguais mas não aleatórios, Glauber Rocha e Qorpo-Santo-, sua obra diz mais do que ele intentou, e por isso continua viva.
>> FOLHA – por Luis Augusto Fischer


“FUNDAÇÃO”, DE ASIMOV TEM NOVO ESTÚDIO E O DIRETOR ROLAND EMMERICH ASSUME O PROJETO

segunda-feira | 19 | janeiro | 2009

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 Desde 2003, pelo menos, se fala de uma adaptação ao cinema de Fundação (Foundation), trilogia literária de Isaac Asimov (1920-1992). Na época o projeto estava com a 20th Century Fox, mas no ano passado, em julho, passou à New Line Cinema e Warner Bros. Agora, trocou de mãos novamente porque o estúdio não começou o projeto, perdendo os direitos.

A Columbia Pictures venceu um leilão realizado no final da semana passada e obteve os direitos para adaptar a trilogia. A empresa entregou o filme a Roland Emmerich (10.000 a.C, O Dia Depois de Amanhã), o que prenuncia um filme épico com grande apelo comercial, mas que provavelmente excluirá muitas das idéias mais complexas de Asimov.

Ambientada milênios no futuro, Fundação narra a história de Hari Seldon, um estudioso que inventa uma nova técnica de análise preditiva intitulada “psico-história”. A ciência consiste em predizer matematicamente as ações futuras de um grande número de pessoas. Assim, Seldon descobre que a atual forma de governo galáctico vai entrar em colapso em mil anos, mergulhando a humanidade numa era de trevas, na qual todo o conhecimento seria perdido e o homem voltaria à barbárie, levando outros 40 mil anos para que recuperasse a civilização.

Entretanto, se uma intervenção fosse realizada no momento certo, esse período de recuperação poderia ser reduzido drasticamente para apenas mil anos. Ele começa então a criação de uma enciclopédia, a Enciclopédia Galática, que conteria todos os conhecimentos da raça humana, reunidos em um só lugar, para facilitar a retomada da civilização. Tal publicação de proporções absurdas seria desenvolvida e armazenada em duas Fundações, dispostas em extremos opostos da galáxia.
>> OMELETE – por Érico Borgo


PLANET 51: ANIMAÇÃO HISPANO-MARCIANA

segunda-feira | 19 | janeiro | 2009

planet-51

História escrita por co-roteirista de Shrek e Shrek 2
inverte a lógica das viagens ao espaço

Depois do curioso teaser, Planet 51, longa-metragem animado por computação gráfica do espanhol Ilion Animations Studios, teve fotos e o seu primeiro trailer revelados. Confira abaixo, por cortesia do Filmz:

A história, escrita por Joe Stillman, co-roteirista de Shrek e Shrek 2, inverte a lógica das histórias de viagem pelo espaço: um grupo de extraterrestres recebe em seu planeta a visita de um estranho indivíduo numa nave, onde está escrito NASA.

Dwayne “The Rock” Johnson, Jessica Biel, Seann William Scott e Justin Long dublam o filme em inglês. A direção é dividida entre Jorge Blanco, Javier Abad e Marcos Martínez. A estreia nos EUA acontece em 20 de novembro.
>> OMELETE – por Marcelo Hessel


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