‘TRUE BLOOD’: 1ª TEMPORADA

terça-feira | 30 | junho | 2009

Chegou este mês às lojas o box em DVD da primeira temporada de “True Blood”. A produção de Alan Ball, de “A Sete Palmos/Six Feet Under”, tem conquistado público e crítica nos EUA. Aqui no Brasil sua popularidade ainda é menor em comparação, mas crescente graças à Internet e agora com o DVD.

A série tem como base os livros de Charlene Harris, publicados entre 2001 e 2009. Conhecidos como The Southern Vampires Mysteries, a autora já publicou nove livros narrando as aventuras de Sookie e seus amigos: “Dead Until Dark”, “Living Dead in Dallas”, “Club Dead”, “Dead to the World”, “Dead as a Doormail”, “Definitely Dead”, “All Together Dead”, “From Dead to Worse” e “Dead and Gone”. Também existem alguns contos e histórias curtas estreladas por personagens da série de livros e que não contam com as participações de Sookie.

A trama é simples. Temos uma jovem sulista que se apaixona por um vampiro chamado Bill. Ambos enfrentam as oposições das sociedades que eles representam, as quais, cada uma à sua maneira, não aceitam esta miscigenação.

Quando a série estreou causou reações opostas, alguns críticos gostaram, outros acharam o piloto “esquisito” e outros simplesmente não gostaram. Mas o público, leitor da obra de Harris, demonstrou interesse e ansiedade para conhecer a visão de Alan Ball. O painel da série na Comic Con de 2008 foi o mais concorrido, sinal de que a produção não passaria desapercebida quando estreasse na TV.

A resposta foi rápida e a prova mais recente de que a série agradou está no fato de que a primeira temporada em DVD já alcançou a marca de 1 milhão de boxes vendidos somente nos EUA em um único mês.

Se é uma obra de arte? Não, mas tem consistência e apelo popular. O apelo está na trama principal, um “Romeu e Julieta” vampiresco. Mas se você procura por algo mais denso e profundo, dê uma olhada mais de perto na série e encontrará um ambiente riquíssimo e uma construção de personagens que vale a pena acompanhar.

Situada em uma cidade do sul dos EUA a série, em sua primeira temporada, traz uma boa seleção de personagens e situações que representam de forma abrangente os hábitos e costumes sulistas. Não apenas no sotaque, mas na linha de pensamento e comportamentos, retratados em pequenos comentários aparentemente desnecessários, passando por atitudes que para os desavisados podem parecer absurdas, chegando no desenrolar da própria trama em si.

Charlene Harris soube explorar uma cultura ainda atrasada abordando questões como o preconceito à relacionamentos entre duas raças distintas, a presença do pensamento e atitudes religiosas que estão enraigadas nas comunidades sulistas, as questões políticas, passando pelos vícios, chegando à essência do ser humano e seu medo à solidão, temperadas à uma linguagem de metáforas.

Trazendo para as telas da TV, os roteiristas souberam captar esta mensagem. Entre fantasias, folclores e mitos a série explora a imaginação humana questionando comportamentos, seduzindo com imagens de atos sexuais intensos (para a faixa etária a qual se destina) e instigando a curiosidade do público sobre o destino dos personagens.

A primeira temporada tem como base o livro “Dead Until Dark”. A série começa com a informação de que os vampiros “saíram do caixão”, alusão ao termo “saíram do armário” dado aos homossexuais. Eles convivem na sociedade junto com os humanos graças ao surgimento do sangue sintético desenvolvido por uma empresa japonesa (ótimol!) o qual é vendido em garrafas.

Assim, com o “True Blood”, o sangue sintético, a sociedade pode ficar tranqüila em saber que os vampiros estão à solta. Estes, por sua vez, buscam uma legitimação, criando fundações e associações para defenderem seus direitos junto à sociedade dos humanos. É claro que existem as gangues, que não aceitam limitações impostas ao seus estilos de vidas e portanto escolhem viver à margem de sua própria sociedade.

Sookie Stakhouse

No elenco principal da trama temos Sookie (Anna Paquin) uma jovem garçonete capaz de ler os pensamentos das pessoas. Este dom foi descoberto quando ela ainda era criança e, aparentemente, todos na cidade sabem sobre ele. Este dom será sua salvação e seu castigo posteriormente.

Criada pela avó que lhe dá total liberdade de tomar suas próprias decisões, algo raro no ambiente em que ela vive, Sookie demonstra ser uma jovem inteligente e corajosa. No entanto, aos poucos, o público vai percebendo que ela é apenas uma menina no corpo de uma mulher adulta.

Jason Stakhouse 

Inexperiente, ingênua, de pouca cultura, deslumbrada pelo novo Sookie vai aos poucos descobrindo o mundo em que ela vive. Protegida pela avó, Sookie não conhece de fato as pessoas e do que elas são capazes. Ao longo da primeira temporada ela vai caindo em si, o que a leva a decepcionar-se com alguns e a agarrar-se a outros. Sua vida sofre uma reviravolta e a pouca experiência de vida de Sookie a faz ficar sem base para tomar as decisões. Sua honestidade para consigo e seus sentimentos são as únicas armas que ela tem para enfrentar o mundo que se abre para ela.

Neste mundo está seu irmão, Jason (Ryan Kwanten), um jovem viciado em sexo que logo encontra outro vício ao qual dedicar-se: o sangue dos vampiros que dá aos seres humanos a capacidade de elevar seus sentidos, em uma alusão ao uso das drogas. Posteriormente Jason irá se dedicar à religião, a qual será explorada pela série como um vício da humanidade.

Tara Thorton

Tara Thorton (Rutina Wesley) é a melhor amiga de Sookie. Mas a jovem tem grandes problemas. Talvez a personagem que melhor represente uma a vida no sul dos EUA. Negra, filha de mãe alcóolatra, sem pai, cresceu praticamente sozinha tendo o apoio da avó de Sookie. Apaixona-se por um jovem que não percebe sua existência e não consegue manter um relacionamento ou um emprego. O rancor e a tristeza acumulados durante anos endureceram Tara que acredita não precisar de ninguém para viver. Mesmo sabendo não ser verdade, Tara afasta todos que a cercam com um diálogo rude e sincero em excesso.

Sua relação com a mãe é um dos pontos altos desta temporada. Através das duas temos a oportunidade de ver explorada as questões de fé, do vício, da dor de um relacionamento entre mãe e filha, bem como do abandono.

Por curiosidade, Rutina Wesley substituiu Brook Kerr, que chegou a filmar os dois primeiros episódios.

Sam Merlotte

Ainda no elenco central desta primeira temporada temos o jovem Sam Merlotte (Sam Trammell) o rapaz “boa gente”, apaixonado por Sookie, incompreendido e solitário que busca por alguém a quem amar. Logo descobrimos que existe uma longa história por trás do rapaz aparentemente apático. Ele irá representar uma das tramas que será posteriormente explorada.

Bill Compton

E, é claro, temos o vampiro Bill. Curiosamente, Alan Ball não escolheu um modelo de capa de revista para interpretar o romântico vampiro. Stephen Moyer mais parece um ator de filmes pornôs dos anos 70 que propriamente um herói romântico do século XXI. Mas ele dá conta do recado em sua segunda incursão como vampiro. A primeira foi na minissérie britânica “Ultraviolet”, de 1998.

Bill surge do nada na vida de Sookie (e da atriz Anna Paquin, já que os dois começaram a namorar depois que se conheceram no episódio piloto). Solitário, Bill não se envolve nem mesmo com sua própria gente, os vampiros. Ele servirá de elo de ligação entre os dois mundos promovendo situações de risco para Sookie e seus amigos, ao mesmo tempo em que luta para conseguir demonstrar seus sentimentos à muito adormecidos.

Sua história será narrada ao longo da primeira temporada, fazendo com que o público o aceite e dê suporte para sua história de amor, a qual ao longo de toda a série sofrerá com os interesses e atitudes de terceiros.

Em sua primeira temporada “True Blood” conseguiu apresentar sua proposta e provar sua força junto ao público. No entanto, a série dependerá do pulso firme de Alan Ball para não correr o risco de se perder ao longo de sua jornada. Visto que ela se apóia em dois elementos significativos: a trama de aventuras fantásticas e a construção sócio cultural de personagens/ambiente presentes nos livros.

Desta forma, com a fama, Ball precisa controlar os interesses econômicos e populares para não permitir que a aventura se sobreponha ao embasamento cultural no qual a série foi contruída e o qual lhe dá a legitimidade junto à uma crítica especializada.

Com uma bela fotografia que trabalha os tons fortes ao longo do dia e a cor acizentada com o jogo de luz e sombra durante a noite, a série mantém a presença do ambiente sulista em seus cenários e figurinos mesmo sendo filmada em Los Angeles; apesar de pequenos escorregões, como a presença de uma palmeira no episódio 10.

A trilha sonora é assinada por Nathan Barr em seu primeiro trabalho significativo na TV. No cinema ele foi assistente para as trilhas de “Melhor Impossível” e “O Príncipe do Egito” e assinou a trilha de “Os Gatões”, entre outros.

“True Blood” – Primeira Temporada

Título Original: True Blood: The Complete First Season
Estúdio: Warner Home Video
Tempo: 641
Cor: Colorido
Ano de Lançamento: 2009
Recomendação: 14 anos
Região do DVD: Região 4
Legendas: Português, Francês, Inglês
Idiomas / Sistema de som: Dolby Digital 2.0
Formato de tela: Widescreen
Nº de Discos: 5
Preço de Lançamento: R$119,90


POE: ESCRITOR FALA SOBRE A MINISSÉRIE

terça-feira | 30 | junho | 2009

Poe é o nome de uma nova minissérie da Boom! Studios que mistura fantasia e realidade ao mostrar o escritor Edgar Alan Poe como um detetive do sobrenatural em meados do séc. XIX.

Escrita por J. Baton Mitchell, um estreante em quadrinhos, mas um veterano do cinema e da TV, a narrativa de Poe começa logo após a morte de sua mulher, cuja dor despertou nele algumas habilidades macabras, como a capacidade de ver como as pessoas morrem.

“Acho que a maior força dessa trama está nos elementos das histórias de Edgar Alan Poe que fazem parte da narrativa. A ideia é que o mundo onde Poe vive é esse do sobrenatural e suas experiências nesse mundo são a matéria-prima para as histórias que ele ira escrever”, disse Mitchell.

Para o escritor, mostrar Poe como um personagem é uma atração à parte, já que o protagonista da história não é um típico herói. “Ele é baixo, franzino, inseguro. O que o força a pensar como ele pode sair das situações de perigo ao invés de lutar, ao contrário do seu irmão, William, que é seguro, confiante e esperto. A relação entre os dois cria uma dinâmica chave para a história”.

Mitchell também disse que existe até uma história de amor incrustada nessa mini, de forma que nem tudo será voltado apenas para fãs das histórias de Poe.

Os desenhos da minissérie são de Dean Kotz e o lançamento do #1 acontecerá em julho.

O Boom! Studios foi inaugurado em 2005, com a proposta de viabilizar projetos autorais de grandes nomes dos quadrinhos. A editora possui uma série de títulos em vários gêneros diferentes, entre os quais se destacam Hero Squared, Zombie Tales, Cthulhu Tales e títulos com personagens da Pixar e Disney. Mark Waid é seu atual editor.
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno


‘LITTLE HEROES’: PEQUENOS E GRANDES PERSONAGENS

terça-feira | 30 | junho | 2009

Previsto para ser lançado em agosto, o projeto “Little Heroes”, criado e roteirizado pelo capixaba Estevão Ribeiro (“Contos Tristes”), reúne oito histórias em quadrinhos estreladas por crianças e adolescentes onde acontecem atos heróicos que remetem a grandes personagens da DC Comics.

- A ideia era mostrar o “Little Heroes” para as editoras gringas, por isso o nome das histórias e do projeto ser em inglês – explica Ribeiro, por email, ao Gibizada. – Aqui, o álbum será chamado de “Pequenos Heróis” e será bilingue. Eu criei o projeto e assino os roteiros, que não tem falas, até para podermos imprimir no Brasil e enviar para editoras dos EUA e da Europa para apreciação.

Como co-editor do projeto, cuidando dos convites a diversos ilustradores, está o ilustrador Mário César, que também é responsável por uma das HQs: “Superbro”, homenagem ao Super-Homem. A imagem que abre este post, da HQ “Little Wonders”, de Fernanda Chiella, presta homenagem a Mulher-Maravilha. As outras seis histórias são: “The dark boy” (Batman), de Emerson Lopes; “The Deep Sea’s Little King” (Aquaman), de Jaum; “The Boy From Mars” (Ajax), de Ric Milk; “My Sweet Little Bird” (Canário Negro), de Leo Finocchi; “The Quickest” (Flash), de Vitor Cafaggi; e ”The Lantern” (Lanterna Verde), de Raphael Salimena.

Segundo Ribeiro, serão 80 páginas de quadrinhos mais ilustrações avulsas de artistas convidados, biografia de cada autor e bastidores da produção, tudo bilíngue. O álbum terá cerca de 110 páginas em formato americano.

- A maior parte dos envolvidos já confirmou a participação no segundo número de “Little Heroes”, que será uma trilogia: Heróis da DC, Heróis da Marvel e Heróis Clássicos, como Mandrake, Fantasma, Flash Gordon, Tarzan, Príncipe Valente e outros.
>> GIBIZADA – por Télio Navega – 3/04/2008


MAURÍCIO DE SOUSA: PERSONAGEM MÔNICA É NOMEADA EMBAIXADORA DA CULTURA DO BRASIL

terça-feira | 30 | junho | 2009

Depois de conquistar gerações e gerações de fãs, a personagem Mônica, do desenhista Maurício de Sousa, foi nomeada embaixadora da cultura do Brasil, nesta sexta-feira (26), durante evento do Ministério da Cultura, no Museu Brasileiro da Escultura, em São Paulo.

Monica_evolucao A evolução da personagem Mônica ao longo das décadas 

A homenagem marca o início das comemorações dos 50 anos de carreira de Maurício de Sousa, que vão contar com lançamentos de exposições, livros e um documentário sobre a Turma da Mônica.

Publicada em quadrinhos desde 1970, a personagem tem hoje mais de 1 bilhão de revistas publicadas e mantém a liderança nas vendas de HQs no Brasil. As histórias da Turma da Mônica também foram editadas em 50 idiomas, em 126 países.
>> G1, DO RIO


LANÇAMENTO: ‘O VAMPIRO DA MATA ATLÂNTICA”, DE MARTHA ARGEL

segunda-feira | 29 | junho | 2009

Lancamento_conviteA


WILLIAM SHATNER ENTREVISTA LEONARD NIMOY

segunda-feira | 29 | junho | 2009

Entrevista para o programa “Raw Nerve“, talk show de William Shatner
para o canal Biography,realizada em janeiro de 2009


MAGOS, BRUXAS E FEITICEIROS: O BEM E O MAL NA LITERATURA DE FANTASIA

domingo | 28 | junho | 2009

Personagens praticantes de magia aparecem em histórias da tradição oral desde que o mundo é mundo. Muito antes que Harry Potter voasse em sua vassoura nas aulas de vôo de Madame Hooch em Hogwarts, feiticeiros e feiticeiras já andavam às voltas com palavras de poder, encantamentos, vassouras e caldeirões nos mitos e contos de fadas, as narrativas ancestrais que deram origem ao que hoje chamamos de Literatura.

E, embora nessas histórias antigas os bruxos e bruxas tenham sido retratados com frequência como personagens malignos, nem sempre isso aconteceu. Bem antes de a ideia de “Mago do Mal / Mago do Bem” ser personificada em Voldemort / Dumbledore, temos feiticeiras odiadas como Medéia e Circe (mitologia grega), magos nefastos como o tio de Aladim (1001 Noites), e bruxas terríveis como a madrasta de Branca de Neve (Irmãos Grimm); mas encontramos também magos benignos como Merlin nos mitos do Ciclo Arthuriano ou Gandalf  na obra de J. R. R.Tolkien, e bruxas ambíguas como a da tradição oral russa, Baba-Yagá, que se apresenta ora com um aspecto maligno, ora com um aspecto maternal.

O arquétipo da bruxa, aliás, é caracterizado por essa ambiguidade: sua origem pode estar em antigas religiões matriarcais, em que se venera a Deusa, a Grande Mãe, que tanto pode doar vida como tirá-la. Há inúmeros exemplos em variadas mitologias (Inanna, Ishtar, Astarté, Ceridwen), mas uma das figuras mais arquetípicas nesse sentido é a deusa Kali, do Hinduísmo – deusa da morte mas também da vida, terrível porém necessária à manutenção da existência. Essa dualidade vai permear as figuras literárias que são sucedâneos do arquétipo da Mãe-Bruxa-Deusa através dos séculos (seja em figuras femininas ou masculinas, devemos notar) e que são descritas como praticantes de magia, feitiçaria, bruxaria – machos ou fêmeas.

Podemos começar a analisar como esses praticantes de magia são vistos nas histórias da literatura (e como com o passar do tempo essa visão muda, transforma-se, enriquecendo nossa percepção da ideia de Bem versus Mal) escolhendo dois casos interessantes.

O primeiro caso une a obra O Mágico de Oz, de L. Frank Baum (1900), a seu sucedâneo, o livro Wicked, de Gregory Maguire (1995).

O Mágico é Oz é considerado o primeiro e mais bem-sucedido livro de Fantasia infanto-juvenil dos Estados Unidos. Foi publicado em 1900, quando seu autor, o eclético Lyman Frank Baum, tinha 44 anos. Baum foi avicultor, produtor teatral e caixeiro-viajante, entre outras coisas; e, como ocorre a muitos escritores (inclusive eu mesma), começou a inventar histórias apenas para contá-las aos filhos. Após o lançamento do livro A Cidade Esmeralda de Oz, cujo título foi alterado para O Maravilhoso Mágico de Oz, ele se firmou como escritor e adaptou a história para uma versão musical, apresentada em Chicago em 1902. Daí o musical foi para a Broadway, e o grande sucesso do livro e da peça o levaram a escrever outras histórias baseadas na Terra de Oz.

Magico de OzA

Em 1939 seu primeiro livro foi transformado em uma superprodução da Metro sob a direção de Victor Fleming, estrelando Judy Garland e, embora houvesse uma versão anterior, nos primórdios do cinema, esta foi considerada a definitiva. A grande popularidade da produção fez com que a obra se transformasse em uma das histórias mais conhecidas e parodiadas na história das telinhas e telonas. Os personagens se tornaram parte da cultura oral, virtual, televisiva e cinematográfica: quem nunca ouviu falar no Mágico de Oz, na Cidade Esmeralda, nos Munchkins, na Estrada de Tijolos Amarelos, nos sapatos encantados, nos Macacos Voadores e na Boa Feiticeira Glinda, além dos inefáveis Espantalho sem cérebro, Homem de Lata sem coração e Leão covarde? Quem nunca cantarolou a canção “Over the Rainbow”?

A Terra de Oz é um mundo colorido – em oposição ao mundo cinzento original da protagonista, Dorothy (o Kansas). Sob esse ponto de vista, trata-se de uma Utopia: uma terra cheia de magia, animais falantes e bons sentimentos – veja-se como Dorothy encontra acolhida e bondade pelo caminho – exceção feita, é claro, aos antagonistas como a pérfida Bruxa Malvada do Oeste e monstros ocasionais, como os Kalidahs e os Cabeças-de-Martelo. O Mágico (uma tradução para Wizard, que hoje seria traduzida de preferência como Mago, ou Feiticeiro; veja nota de rodapé. 1 ) é um governante na Cidade Esmeralda, temido e poderoso. Mais tarde descobrimos que na verdade Oz é humano, e não possui capacidade mágica alguma; usa de tecnologia, truques, para impressionar os Ozianos e se manter no poder (é peculiar como, ao optar pela tecnologia como forma de dominação de um povo, ele se assemelha a Saruman, embora o Istar [mago] de O Senhor dos Anéis possuísse, sim, poderes de magia, apesar de que não pudessem superar os de Gandalf, que o combateu antes e depois de se tornar Gandalf o Branco) 2.

No entanto, Oz não é perverso, é apenas uma fraude, um usurpador; e tem medo dos reais poderes existentes na Terra de Oz – as quatro Bruxas, do Norte, Sul, Leste e Oeste. Nesse cenário, tais personagens (suas designações às vezes são traduzidas como Bruxas, às vezes como Feiticeiras, uma palavra menos carregada de carga semântica negativa) dominam os quatro países, ou regiões, Ozianas: Gillikin ao Norte, Quadling ao Sul, Winkie / Winkus a Oeste e Munchkin a Leste. As Bruxas do Leste e do Oeste são malignas, enquanto as do Norte e do Sul são benignas. A única a ser designada pelo nome, por Baum, é Glinda (segundo ele, a Bruxa Boa do Sul).

O clássico de Baum está novamente em efervescência hoje em dia por obra e graça do autor Gregory Maguire, que em 1995 publicou o best-seller Wicked (Maligna,), uma versão da história de acordo com o ponto de vista da Bruxa Malvada do Oeste – ou, talvez, fosse mais correto chamar o livro de uma versão ampliada das motivações dos personagens, centrada no relacionamento entre Glinda e Elphaba (a Maligna, ou Wicked Witch of the West do título) e levando em conta uma história anterior da Terra de Oz e um detalhamento das relações entre os diversos povos Ozianos.

Em Maligna, Oz não é mais uma Utopia, um mundo colorido e bonitinho, mas um mundo enroscado em diversidades, que fazem com que as diferentes terras / diferentes raças convivam num delicado equilíbrio político – e onde existem dúvidas, preconceitos, divergências religiosas, problemas com a posse dos meios de produção, luta pelo poder, assassinatos, corrupção, erotismo, censura e terrorismo. Ah, sim, e magia.

Essa intrigante e perturbadora fantasia é uma versão do que teria ocorrido na Terra de Oz antes e durante a visita da menina  Dorothy àquele mundo, porém contada do ponto de vista da Bruxa Malvada do Oeste, o que faz com que, como é dito na contracapa do livro, após essa leitura nunca mais olhemos para Oz da mesma forma…

O foco na vida das bruxas é mostrado com detalhes que não existem no livro que deu origem a tudo. Glinda, aqui, será a Bruxa Boa do Norte; Nessarose, a Bruxa Má do Leste; e sua irmã Elphaba, a Bruxa Malvada do Oeste. Tais personagens são desenvolvidas desde a infância/adolescência até o momento em que entram em confronto com o personagem ambíguo do Mágico de Oz (grandes surpresas quando percebemos sua verdadeira natureza…) e da tremenda Madame Morrible – esta sim, a verdadeira malignidade da história, e que não está presente no clássico. A pergunta inicial que Maguire coloca é: por que Glinda é tão amada e Elphaba tão odiada? O que fez as Bruxas serem o que são?Maldade? Bondade? Ou a força onipresente da Propaganda?

Os Munchkins, Winkies e Quadlings são mostrados de uma forma bem diferente do que nas obras originais; e quanto a Dorothy, a garota não é mais apenas a protagonista boazinha que (literalmente) caiu em Oz por obra do acaso – ela aparece como uma inocente útil que se envolve com a luta por poder e liberdade em Oz. Mas, de certa forma, essa noção já estava presente em Baum. No livro original, quando a garota finalmente chega à Cidade Esmeralda (após percorrer a Yellow Brick Road, estrada de tijolos amarelos) e encontra o Mágico, as palavras dele são as seguintes:

– Você não tem o direito de esperar que eu a mande de volta ao Kansas, a menos que você em troca faça algo por mim. Nesta terra todo mundo deve pagar por tudo que obtém. Se você quer que eu use meus poderes mágicos para mandá-la de volta a sua casa, precisa fazer alguma coisa por mim antes. Ajude-me que eu ajudo você.
– Que devo fazer? – perguntou a menina.
– Mate a Bruxa Malvada do Oeste – respondeu Oz.

Maguire leva às últimas consequências esse diálogo. Manipulada por Oz, a criança deve se tornar uma assassina. O resultado é que o Bem e o Mal se confundem, e de repente não podemos distingui-los claramente, pois também nós, leitores, somos ofuscados pelas verdes e hipnotizantes luzes da Cidade Esmeralda. No torvelinho que se segue a personagem mais fascinante é Elphaba, a menina que nasce verde e que, sem perceber, vai sendo transformada pelas circunstâncias na figura que hoje temos como estereótipo da malignidade. Seria ela realmente maligna, ou apenas teria optado por manter seu livre arbítrio diante de um déspota? De repente, o Mágico de Oz não é mais apenas um atrapalhado usurpador, tornou-se uma figura assemelhada a um Sauron (de O Senhor dos Anéis), um Galbatorix (de Eragon), um Tirano (de Crônicas do Mundo Emerso) e tantos outros arquétipos do detentor de poder militar, esteja ele à direita ou à esquerda de uma classe média que preferiria permanecer neutra quanto à política. Perdidos ma história, em meio à eterna dualidade do Bem contra o Mal, enxergamos nuances inesperadas nas entrelinhas do discurso que envolve esses dois conceitos – em Wicked não tão rígidos quanto na obra clássica, embora, como vimos, até ali já se abrisse certo espaço para uma discussão não-maniqueísta.

A versão da Broadway para Wicked, um musical magnífico, em cartaz desde 2003, é mais leve e menos complexa que a história do livro, mas transborda de ironia e sarcasmo quanto à hipocrisia de uma sociedade ávida por bodes expiatórios (e um dos bodes expiatórios aqui é mesmo um Bode…). Mas são ricas e interessantíssimas as discussões resultantes desse embate entre O Mágico de Oz livro, musical e filme e Wicked (livro e musical, sem esquecermos que diz-se haver em Hollywood a pré-produção uma versão para cinema, prometida para 2010).

Magico de Oz_WickedA

Na saída do teatro, na Broadway, em letras garrafais (verdes, é claro), há os dizeres:

YOU ARE NOW LEAVING OZ. REALITY RIGHT AHEAD.
DRIVE (OR FLY) CAREFULLY.

Ao deixar a Terra de Oz, então, e encontrar a Realidade à nossa frente, restam-nos as dúvidas e a necessidade premente de analisar sempre, duvidar sempre, das noções de Bem e Mal que nos são apresentadas, na ficção ou na realidade.

O segundo caso que gostaríamos de comentar, ao confrontar algumas versões de obras de Fantasia que abordam Magos, Bruxas e Feiticeiros, é a história de Branca de Neve. Certa ocasião, para compor uma peça teatral encomendada, li pelo menos dez versões desse conto folclórico, recontado pelos irmãos Grimm em sua forma mais conhecida. Em todas elas encontrei a garota, Snow White (Branca de Neve) retratada como a proverbial princesinha dos contos de fada, bondosa, amorosa e merecedora de toda a felicidade, enquanto sua Madrasta é maligna, dada a práticas de magia negra e traições sem fim. Os mesmos estereótipos que cercam Dorothy e Elphaba.

Originalmente, como ocorre com os contos de fada, esta não era uma história para crianças; com o tempo, porém, passou a ser; e reconhecemos sua origem não-infantil claramente, ao analisar os castigos a que a Madrasta-Bruxa é submetida no final do conto. Eles dariam inveja a um torturador da Inquisição: vão desde a versão açucarada da Disney, em que a tempestade a faz cair de um precipício, até a condenação à morte, que a faz ser levada a uma praça pública e ter de calçar um par de sapatos de ferro incandescentes, para dançar até cair morta.

FUMACA_E_ESPELHOS

Podemos encontrar, porém, uma versão dessa história que faz o que Wicked fez a Oz: mostra a versão do antagonista – não mais a Bruxa Malvada do Oeste, mas a Madrasta de Branca de Neve. Em Smoke and Mirrors, uma coletânea de contos do autor britânico Neil Gaiman, o conto Snow, Glass, Apples retrata Branca de Neve como uma vampira – faz sentido, afinal a garota é branca como a neve, tem a boca vermelha como sangue, e ostenta um aspecto frio, gelado, presente até em seu nome.

Então a inversão acontece novamente: o Bem e o Mal se confundem, e a Rainha, a feiticeira maligna que enfeitiça a enteada com uma maçã envenenada e manda arrancar-lhe o coração estaria apenas tentando livrar o mundo de uma gélida sugadora de sangue. O que a condena (a Rainha) a uma morte terrível. Perturbador, não?

Não há dúvidas de que, se O Mágico de Oz e Branca de Neve são hoje consideradas histórias exemplares para crianças, reflexões sobre elas a que obras como as de Maguire e Gaiman nos levam são bem-vindas e salutares. Num mundo em que pessoas e instituições, devidamente respaldadas por leis setoriais ou escrituras ditas sagradas, ainda queimam livros (literalmente), e seus autores são execrados por parcelas da população que abençoam a censura, consideram a tortura a terroristas aceitável e certamente aplaudiriam a execução pública de praticantes de magia / bruxaria / feitiçaria ou quaisquer práticas que eles julguem como tais – é mais do que importante discutir os arquétipos e as noções de Bem e Mal presentes nos livros, suas implicações e motivações.
    E está aí uma das funções mais importantes da Literatura Fantástica.

Leituras sugeridas:
O Mágico de Oz – L. Frank Baum. Editoras: Ática, Martin Claret, Ediouro, L&PM.
Maligna – Gregory Maguire. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007.
Branca de Neve – Irmãos Grimm. Inúmeras editoras.
Smoke and Mirrors – Neil Gaiman. New York: Harper Collins, 1998.


Notas:
 
1. Vejamos as traduções mais correntes para palavras da língua inglesa ligadas aos praticantes de magia: Witch – bruxa, feiticeira. Wizard – mágico, feiticeiro, bruxo, encantador, adivinho.  Sorcerer – mágico, feiticeiro. Sorceress – feiticeira, bruxa. Magician – mágico, prestidigitador. Magi – (plural magus) mágicos, feiticeiros ou astrólogos – esta provavelmente a origem da variação Mage, muito usada em Role Playing Games.
 
2.  Tolkien, J.R.R., O Retorno do Rei, SP: Martins Fontes/Lisboa: Europa-América.

>> VALINOR – por Rosana RiosMagico de Oz_colagemA


‘HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE’: LIVRO ILUSTRADO CHEGA ÀS BANCAS

domingo | 28 | junho | 2009

Harry Potter e o Enigma do Príncipe_cards 
Toda a magia e emoção do sexto filme de Harry Potter chega até você com o Livro Ilustrado Harry Potter e o Enigma do Príncipe e uma série de cromos especiais!

O filme Harry Potter e o Enigma do Príncipe tem lançamento no Brasil previsto para 15 de julho. A editora Panini desenvolveu um álbum de figurinhas com 360 cromos sendo que 12 brilham no escuro, 24 são estampados e 36 metalizados e  têm detalhes em verniz. Cromos muito especiais para um filme muito especial.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe promete ser um marco na história do jovem bruxo. Harry, Rony, Hermione e seus amigos têm muito pela frente em seu sexto e penúltimo ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts!

Como se não bastassem as confusões típicas de um período tão conturbado quanto a adolescência, eles ainda têm que enfrentar Lord Voldemort e seus aliados, que agora também ameaçam o mundo dos trouxas! Mas Harry e Dumbledore reúnem cada vez mais informações sobre o passado do Lorde das Trevas e estão perto de descobrir uma maneira de derrotá-lo. 

[harry.jpg]


‘LUA NOVA’: BELLA E JACOB JUNTOS EM CAPA ALTERNATIVA DA SÉRIE ‘CREPUSCULO’

sábado | 27 | junho | 2009

New Moon Book Cover Featuring Taylor Lautner
Little, Brown aproveita o novo filme para reeditar
o segundo livro da série Crepúsculo

A editora Little, Brown dos EUA divulgou uma capa alternativa para o segundo livro da série Twilight. Para ligar o volume ao filme, a arte coloca Kristen Stewart e Taylor Lautner juntos. Confira ao lado e na galeria.

Lua Nova (The Twilight Saga: New Moon), o segundo filme da cinessérie Crepúsculo, tem direção de Chris Weitz (A Bússola de Ouro) e sai no Brasil pela Paris Filmes simultaneamente ao lançamento nos EUA, em 20 de novembro. O terceiro filme, Eclipse, será dirigido por David Slade, com estreia prevista para 2010.
>> UARÉVAA – por Marcelo Hessel


‘DAYBREAKERS’: ASSISTA AO PRIMEIRO TRAILER DO FILME DE VAMPIRO

sábado | 27 | junho | 2009

Daybreakers_posterA

Prévia estilosa mostra um futuro assolado pela escassez de sangue fresco

Depois do pôster mostrado esta semana, Daybreakers, filme de vampiros estrelado por Ethan Hawke e Willem Dafoe, acaba de ganhar o seu primeiro trailer. Confira abaixo.

Daybreakers se passa em 2016, quando a população mundial é composta essencialmente por vampiros, e os poucos vivos são presos para fornecer sangue. Agora o alimento está no fim – e o personagem de Hawke se alia a um grupo de humanos para tentar salvar a raça humana.

Sam Neill (Jurassic Park), Michael Dorman e Vince Colosimo também estão no elenco. A direção é dos irmãos australianos Peter e Michael Spierig, do cult Undead.

A Lionsgate lança o filme nos EUA em 8 de janeiro de 2010. No Brasil ainda não há data definida.
>> OMELETE – por Marcelo Hessel


‘DISTRICT 9′: ASSISTA AO NOVO TEASER DA FICÇÃO CIENTÍFICA POLÍTICA

sexta-feira | 26 | junho | 2009

District 9

Noticiário alerta população para fuga dos seres não-humanos do Distrito 9

District 9, ficção científica com teor politizado, ganhou um novo teaser. O vídeo tem formato de plantão noticiário e informa a fuga de seres não-humanos da área de segurança Distrito 9. Assista abaixo.

Na trama, uma raça alienígena cai na Terra e, uma vez aqui, acaba isolada numa região similar a uma periferia, provocando o medo – e o rancor – dos humanos. As cenas foram rodadas no Soweto de Joanesburgo, na África do Sul.

A produção da WingNut Films de Peter Jackson, dirigida pelo novato sul-africano Neill Blomkamp, tem distribuição da Sony Pictures. O roteiro foi co-escrito por Blomkamp e Terri Tatchell. A estreia acontece em 30 de outubro no Brasil.
>> OMELETE – por Marcelo Hessel

Confira o trailer logo abaixo:


“THE BOX”: FILME DA WARNER É VERSÃO DE “ALÉM DA IMAGINAÇÃO”

sexta-feira | 26 | junho | 2009

Quem acompanha este blog a mais tempo deve se lembrar deste post. A Warner e a Appian Way, que pertence ao ator Leonardo DiCaprio, estavam na ocasiação pesquisando entre os episódios produzidos para a série “Além da Imaginação/The Twilight Zone”, histórias que pudessem adaptar para o cinema. Pois encontraram a primeira.

O próximo filme de Cameron Diaz que estréia em breve nos cinemas americanos é uma adaptação do episódio “Bottom, Bottom”, escrito por Richard Matheson e exibido no remake da série “Além da Imaginação produzido nos anos 80, o qual produziu novas histórias além de refilmar antigos roteiros.

No episódio, Mare Winningham e Brad Wright formam um casal que recebe uma caixa de um estranho. Este lhe diz que se apertarem o botão que está na caixa, ganharão muito dinheiro, mas alguém, em algum lugar, morrerá por isso.

No filme “The Box”, que será lançado pela Warner por volta de setembro ou outubro, Norma e Arthur Lewis formam o típico casal do subúrbio que recebem anônimamente uma caixa com a qual poderão ganhar um milhão de dólares caso apertem o botão da caixa. No entanto, causarão a morte de uma pessoa em algum lugar do mundo, alguém que eles não conhecem. Eles têm agora 24 horas para decidir se apertam o botão.

O filme é dirigido por Richard Kelly, que também adaptou a história de Matheson, e estrelado por Cameron Diaz, James Marsden, de “Ally McBeal”, e Frank Langella.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim

Veja abaixo o trailer:

Assista ao episódio de “Além da Imaginação”:


KAFKA: DA PÁGINA PARA A TELA

sexta-feira | 26 | junho | 2009

Assisti O Processo, filme de David Jones feito em 1993, adaptando o romance de Kafka, com Kyle MacLachlan no papel de Joseph K. Como se sabe, este romance havia sido adaptado em 1963 por Orson Welles, sendo K. interpretado por Anthony Perkins. Quem se interessar, pode pegar os dois filmes em qualquer boa locadora e fazer uma comparação. São filmes que contam a mesma história, com episódios basicamente na mesma ordem, com os mesmos personagens, diálogos muito parecidos, etc. e tal. E no entanto são filmes substancialmente diversos. Pode-se também fazer o teste com o Macbeth do mesmo Orson Welles (1948) e o de Roman Polanski (1971). Mesma história, mesmos personagens, mesmos diálogos (Shakespeare, religiosamente intocado por ambos os diretores). Filmes diferentíssimos.

Não é só uma questão de visual, fotografia, cenários. É uma questão (por exemplo) de como os diálogos são ditos. Lembro-me de uma entrevista de Paulo Autran na TV em que ele recordava uma cena que fez numa peça. Havia uma cena entre um casal, e um diálogo (não lembro o quê) que era extremamente emotivo, intenso, e ele tinha medo que ficasse “over”, exagerado, e estragasse a cena. Aí ele disse que teve a idéia (aprovada pelo diretor) de dizer aquelas longas falas sentado na cama, calçando as meias e os sapatos. Isto deu às frases um contraponto de banalidade, de rotina, de cotidiano-de-casal, que tornou as frases ditas ainda mais pungentes.

O crítico Roger Ebert tem uma frase ótima sobre isto: “Um filme não precisa ser fiel ao livro. Adaptação não é casamento. Refilmagem não é adultério”. Seria terrível se Guerra e Paz ou Grande Sertão: Veredas só pudessem ser adaptados para o cinema uma única vez. Adaptar não é transpor. Adaptar não é transcrever-o-mais-fielmente-possível. Adaptar pode ser várias coisas, porque não existe uma receita universal, existem soluções que cada cineasta, seja ele Welles ou David Jones, acha mais adequada ao seu modo de fazer as coisas.

Para uns, é mais fácil captar e reproduzir a atmosfera psicológica e social de um filme, mesmo desmontando sua estrutura, inventando episódios, deletando personagens, etc., e no fim o filme torna-se quase que um prolongamento do livro, uma extensão, um complemento de cenas que poderiam muito bem estar no livro, poderiam ter sido escritas pelo autor. Para outros, adaptar é preencher as lacunas, colocar em primeiro plano o que no livro estava sem destaque, comentar visualmente o que tinha sido dito em palavras. Mal comparando, é como vários compositores receberem uma mesma letra, e a incumbência de musicá-la, sem alterar uma palavra sequer. Cada um vai fazer aquela letra dizer coisas que estavam latentes e a gente nunca tinha percebido. Dali resultarão canções diferentes – e irmãs. Imagine Guinga, Luiz Tatit, Arnaldo Antunes e Antonio José Madureira recebendo, para musicar, o mesmo soneto de Camões.
>> MUNDO FANTASMO – por Bráulio Tavares


“INDIGNAÇÃO” DE PHILIP ROTH

sexta-feira | 26 | junho | 2009

Em Indignação, Philip Roth coloca em cena um “defunto-narrador”
e combina o realismo da sua ficção com elementos da tragédia

Por quase toda sua longa e prolífica carreira literária, Philip Roth atravessou décadas sem encontrar um tema adequado que amplificasse seu imenso talento verbal. Seus primeiros romances com os personagens Zuckerman e Kepesh, nas décadas de 1970-80, são todos fluentes e imaginativos, mas escritos com esmero numa prosa vibrante que passava uma incômoda impressão de ser desperdiçada com assuntos tão banais. Até mesmo o incensado Complexo de Portnoy (1969), quando lido sem fanatismo, revela-se pueril e superestimado. No entanto, em 1993, algo aconteceu: com Operação Shylock, Roth se reinventou como escritor e atingiu uma densa gramatura narrativa que parecia não estar mais ao seu alcance. Ocupou o proscênio e não mais o largou. A partir da obra-prima O Teatro de Sabbath (1995), Roth publica, incansável, um grande livro após o outro. É impreciso o motivo exato dessa virada. O que se pode afirmar, no entanto, é que esse renascimento, esse encontro de sua prosa com uma substância que lhe fizesse justiça, em parte é fruto do enamoramento de Roth com o potencial ficcional da história. O arco de narrativas que vem de Pastoral Americana (1997) ao agora editado no Brasil Indignação é um contra-relato da história estadunidense oficial.

Borges não disse nem afirmou, mas assim como lhe pareceu a Filosofia ser um tramo marginal da literatura fantástica, pode-se ver a História como filha metódica dos romances de aventura. Tanto a narrativa da História como a narrativa da Aventura possuem o mesmo nó: um homem perdido na voragem dos acontecimentos; instabilizado, no olho da tormenta. Seus atos são desencontrados; o texto organizado ao seu redor sabe mais que ele; e no final da narrativa, quase sempre, sua vida assume um sentido exemplar. Borges chamava atenção para uma aproximação de poéticas entre o metafísico, o fantástico e o sobrenatural, sugerindo que a diferença entre o filosófico e literário era de artifício. Buscavam a mesma coisa: apenas cerceavam-na de forma diferente. Romancistas e historiadores são irmãos de sangue, separados pelo método (ou gênero). E nesse contexto, não é absurdo afirmar que o historiador Carlos Ginzburg, por exemplo, com sua verve imaginativa e apurado senso de detalhes, é o melhor “romancista” europeu contemporâneo. Basta, para isso, ler de outro lugar.

Considerando que ficção é repetir em diferença, tanto o historiador como o romancista trabalham-na em chaves divergentes. Quanto mais próxima da materialidade dos fatos, quanto mais “exata” for essa repetição, melhor e mais persuasiva será a narrativa historiográfica. No entanto, para funcionar, o romance precisa ir pela direção contrária, muitas vezes. Trabalham com a mesma essência, mas o gênero romanesco funciona com convenções mais desarticuladas. Nem tão factual e lógica, com um método delirante em que ser exato pode levar ao erro. Philip Roth tornou-se um entusiasta tão grande do potencial ficcional da História que tem uma ótima narrativa dedicada não apenas em repetir em diferença como também em explorar a possibilidade histórica de outra versão dos acontecimentos: o romance O Complô Contra a América (2004), em que imagina o que seria dos EUA caso Lindbergh, um entusiasta do nazismo, tivesse se candidatado e ganhado a presidência e, assim, alinhando-se com as políticas anti-semitas durante a 2º Guerra Mundial. Em literatura, criar uma narrativa sobre acontecimentos que nunca aconteceram é iluminar e comentar, de outro lugar, aquilo que sucedeu de fato. E nenhum romancista escapa da História porque os sujeitos sociais são marcados por ela.

O fortíssimo Indignação se alinha com a Trilogia Americana – Pastoral Americana (1997), Casei com um comunista (1998) e A marca humana (2000) – como um romance que traça comentários ficcionais de determinado momento da História estadunidense. Narrado pelo protagonista Mascus Messner (estratégia diferente da Trilogia, narrada por Zuckerman), Indignação se debruça sobre um momento emblemático da cultura estadunidense: o impacto que o envolvimento americano com a Guerra da Coréia provocou no cotidiano das pessoas. Como em todos seus livros de maturidade, existe no romance tanto a contumaz e persuasiva riqueza de detalhes como a cinética força vernacular de sua prosa. Roth narra mais uma vida exemplar: um indivíduo devastado pela virulência de sua época. Seu personagem é centrado e consciente, estudioso e responsável, e em Roth é a consciência que acaba tornando as personagens vítimas das circunstâncias. Basta que abaixem a guarda uma única vez para serem arrebatadas na voragem dos acontecimentos. Como o reitor da faculdade onde Messner estuda afirma, após controlar uma baderna, num dos momentos mais eloqüentes do romance: “A História é o palco. E vocês estão no palco”. Não há fuga.

O romance, dessa forma, é menos sobre a Guerra da Coréia e mais sobre como uma cultura jovem, alimentada por um sentimento de inadequação aos valores hegemônicos da década de 1950, é “castigada” pelos mais velhos com o envio a uma Guerra violenta para onde se vai para morrer. Há sempre esse elemento estrangeiro demolidor em todas as narrativas de maturidade de Roth: é o macarthismo em Casei com um comunista; o politicamente correto em A marca humana; a morte progressivamente materializada em doenças em Homem Comum; a impotência e velhice em O Teatro de Sabbath. Há uma mesma trajetória nas personagens de Roth – reconhecimento do perigo, rendição consciente ao risco, e vertigem destrutiva pelo meio social -, e o sofrimento infligido acaba, no sentido fechado da obra, por tornar essas vidas exemplares. São construídas como se fossem núcleos a partir dos quais se podem construir comentários ficcionais de determinado momento histórico assumindo o olhar de quem está dentro da tormenta. Indignação, no entanto, é um livro mais simples, já que Roth usa, com exceção do brevíssimo epílogo, a própria voz de Messner, que está macerado por feridas fatais, delirando pela ação da morfina. Ao ter Zuckerman narrando os livros da Trilogia Roth criava, de forma sofisticada, outra camada ficcional: sobre a voz da personagem relatando seus conflitos, existia a voz de Zuckerman deslocando para outro contexto os sentidos daquela narrativa que apropriava. Ao mesmo tempo em que narrava o mundo da personagem como ela o via, desmontava o que acabava de narrar trazendo os acontecimentos para sua perspectiva, amplificando assim as ambigüidades das interpretações. Em Indignação, resta ao leitor simpatizar ou não com a versão delirante de Messner dos fatos. Não é pouco, é um grande livro; e apesar de não ser tão impactante quanto a Trilogia, e mais uma cintilante pérola no colar maduro de suas recentes narrativas.
>> TERRA MAGAZINE – por Vinicius Jatobá


“AMANHECER”: O ÚLTIMO LIVRO DA SÉRIE ‘CREPUSCULO’, DE STEPHENIE MEYER CHEGA ÀS LIVRARIAS

quinta-feira | 25 | junho | 2009

Amanhecer_capa

Depois de vender mais de 55 milhões de exemplares em todo o mundo Amanhecer (Intrínseca, 576 pp., R$ 49,90) começou a chegar ontem (23/6) às livrarias brasileiras.

Com tiragem inicial de 400 mil exemplares, o último livro da série bestseller de Stephenie Meyer (Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse) vai prender os fãs na cadeira, na cama, no chão ou onde acharem melhor mergulhar nos últimos lances dessa aventura.

Vampiros, lobisomens e a bela Bella se unem pela última vez no empolgante romance. Bella vai mesmo se tornar uma imortal vampira? Edward terá coragem para cumprir sua promessa e dar-lhe o beijo da morte – ou da vida…? Seu amigo Jake, o lobisomem, vai ficar quieto no seu canto? Parece que os acontecimentos inesperados e os perigos não têm fim na vida da heroína – ou seria ela uma vilã? O final dessa história pode transformar o destino dos dois clãs: vampiros e lobisomens.

Os fãs que aguentaram esperar pela versão em português certamente vão devorar as 576 páginas que encerram esta emocionante série. Se o livro ainda não chegou à sua livraria leia aqui o primeiro capítulo. “Quando se ama aquele que vai matá-la, restam alternativas?” (Bella Swan).
>> PUBLISHNEWS – por Ricardo Costa


DISNEY DIVULGA ARTE DO VILÃO DE “A PRINCESA E O SAPO”

quinta-feira | 25 | junho | 2009

Disney_Princesa e o SapoO site oficial da Walt Disney Animation Studios divulgou as novas imagens conceituais do vilão Dr. Facilier, personagem do longa-metragem de animação “A Princesa e o Sapo”. Na história, ele será responsável por transformar o príncipe Naveen em sapo e modificar para sempre a vida de Tiana, a primeira princesa negra da Disney.

O amigo Léo Francisco destacou que teremos uma nova prévia do filme no próximo dia 28. Confira abaixo:

A Disney acaba de anunciar que no próximo domingo, dia 28 de Junho, acontecerá a apresentação de uma nova prévia do filme no Disney Channel dos Estados Unidos. Confira abaixo as informações em inglês:

SUNDAY, JUNE 28 (7:00 p.m., ET/PT)

* This evening's presentation features an exclusive sneak peek of footage from Walt Disney Pictures' “The Princess and the Frog,” an animated comedy adventure that provides a modern twist on a classic tale, featuring a beautiful girl named Tiana, a frog prince who desperately wants to be human again, and a fateful kiss that leads them both on a hilarious adventure through the mystical bayous of Louisiana.

Produzido em animação tradicional, o longa marca o retorno do estúdio a técnica que o tornou uma das maiores empresas da animação. A estréia oficial de “A Princesa e o Sapo”, o primeiro longa-metragem de animação do estúdio a apresentar uma princesa negra, acontecerá dia 11 de Dezembro nos Estados Unidos, sendo que algumas sessões especiais começaram a ser exibidas a partir do dia 24 de novembro.

No Brasil, a Disney confirmou o lançamento do animado para o dia 11 de Dezembro.
>> ANIMATION-ANIMAGIC – por Celbi Pegoraro


DISNEY PREPARA LIVROS SOBRE CANÇÕES E “A BELA E A FERA”

quinta-feira | 25 | junho | 2009

Disney_song

Duas novidades para quem curte livros sobre os bastidores de Disney. Dois novos livros estão prometidos para breve no mercado norte-americano. O primeiro deles se chama The Disney Song Encyclopedia dos autores Thomas Hischak e Mark A. Robinson.

O livro descreve e discute mais de 900 das mais famosas e não-tão-famosas canções de produções Disney para televisão, cinema, Broadway e parques temáticos desde a década de 1930 até os dias atuais. A idéia é determinar exatamente o que fazem essas canções serem tão memoráveis.

O livro incluirá também um glossário de termos da canção, uma lista de todas elas e suas origens, alem de uma lista com todas as canções de acordo com seu compositor e letrista, bibliografia e guia de gravações e DVDS. Aparentemente esse é um daqueles livros imperdíveis para quem curte música Disney.

Ainda sem autor definido, o segundo livro prometido é Tale as Old as Time (The Art and Making of Beauty and the Beast), e nada mais é do que o tão esperado livro de arte do clássico da animação “A Bela e a Fera” lançado em 1991. Até então, o único registro maior dos bastidores havia sido publicado na segunda parte da primeira edição do livro “The Art of Disney Animation” do autor Bob Thomas (a segunda edição tem os bastidores de “Hercules”).

O livro promete abordar desde a primeira versão do filme concebida pelo casal Richard e Jill Purdum, até a chegada da dupla Kirk Wise e Gary Trousdale, o envolvimento de Howard Ashman com as canções, além de entrevistas com artistas, executivos e atores; além de transcrições de reuniões e ilustrações com esboços, caricaturas, sequências de animação e arte conceitual de cenas descartadas. Dependendo do autor e do tratamento dado ao livro, será também algo imperdível.

O Animagic possui uma lista comentada de livros sobre o mundo da animação (com ênfase Disney). Novos livros serão adicionados em julho.
>> ANIMATION-ANIMAGIC – por Celbi Pegoraro


TRILOGIA “PADRÕES DE CONTATO”, DE JORGE LUIZ CALIFE

quinta-feira | 25 | junho | 2009

Padroes de Contato_capaA
Num único volume, a primeira trilogia da ficção científica hard brasileira

O fluminense Jorge Luiz Calife é um dos mais importantes e prolíficos autores de ficção científica do nosso país, considerado o “pai da FC hard brasileira” pelo pioneirismo da sua trilogia “Padrões de Contato” (Devir, 644 páginas), aqui reunida pela primeira vez num único volume, com introdução de Marcello Simão Branco.

Calife ajudou a popularizar a idéia de uma FC brasileira publicando em revistas como EleEla, Playboy, Isaac Asimov Magazine e Manchete – onde foi publicado o seu conto “2002”, que impressionou Arthur C. Clarke e o motivou a escrever uma seqüência ao seu clássico 2001: Uma Odisséia no Espaço. Seus contos apareceram também na França e em Portugal.

Alguns dos contos de Calife estão reunidos em As Sereias do Espaço (2001). Jornalista e divulgador científico, também publicou Espaçonaves Tripuladas (com Cláudio Oliveira Egalon e Reginaldo Miranda Júnior, 2000) e Como os Astronautas Vão ao Banheiro? E Outras Questões Perdidas no Espaço (2003).

“[Agradeço] ao Sr. Jorge Luiz Calife, do Rio de Janeiro, por uma carta que me fez pensar seriamente numa possível continuação [de 2001: Uma Odisséia no Espaço]”

Como este agradecimento em 2010: Uma Odisséia no Espaço II, Arthur C. Clarke colocou o brasileiro Calife no mapa da ficção científica mundial, abrindo a ele as portas para escrever a Trilogia Padrões de Contato:
Século XXV. A humanidade controla o Sistema Solar e vive uma era de hedonismo e tranqüilidade econômica e social. Empreiteiros espaciais disputam megaprojetos de ultratecnologia, dividindo o Sistema Solar entre seus interesses. Residências aéreas dão forma a uma vida paradisíaca nos céus da Terra. Golfinhos mantêm contato telepático com uma inteligência galáctica de bilhões de anos, a Tríade, guardiã da segurança da humanidade. Mas tudo começa a mudar com a chegada do Batedor, sonda de uma civilização distante que oferece testemunho de como o destino da humanidade deve ser entre as estrelas.

Século XXVI. A humanidade tenta encontrar saídas para a colonização estelar. Tensões aumentam entre os que desejam manter a pureza do corpo humano, os que se querem a fusão com a máquina, e os que buscam a simbiose com organismos geneticamente manipulados. Baleias trabalham na construção civil em Europa, a lua de Júpiter, e jovens simbiontes conseguem flutuar no vácuo sem trajes espaciais. Contudo, um problema de preservação ambiental pode limitar a construção de um novo porto espacial de grande importância para a Terra.

Século XXVIII. A ultratecnologia trouxe a felicidade? Não para um grupo de transcendentalistas que enviam apelos ao espaço com radiotelescópios. Para eles, a Tríade tem a solução — a fusão de mentes individuais à sua matriz cristalina, unindo a espécie humana à sua consciência coletiva ancestral.

Assim Jorge Luiz Calife constrói a sua história do futuro. O fio condutor é Angela Duncan, mulher tornada imortal pela Tríade. A saga avança com a descoberta de uma nave de gerações tripulada por brasileiros e vítima de uma cruel ditadura militar, uma guerra com parasitas espaciais, jornadas por de um buraco negro até o passado da Terra, e a resolução do mistério da Tríade.

“Um brasileiro imaginativo, bem informado e irreverente, capaz de lidar com a ficção científica tão bem quanto os melhores autores estrangeiros do gênero.”
—Miriam Paglia Costa, Veja.

“Os romances de Calife são os primeiros a combinar a escala épica do mito, sense of wonder, e a crença na tecnologia no Brasil… Ele representa uma nova espécie de escritor de ficção futurista no Brasil, que explora questões sociais, ecológicas e políticas, ao mesmo tempo que especula sobre a colonização do espaço e novas tecnologias… Calife ultrapassa os limites dos escritores anteriores do gênero, ao criar um mundo no qual a tecnologia, quando associada a uma consciência social e metafísica, abre um novo conjunto de possibilidades para o futuro.”

—M. Elizabeth Ginway, autora de Ficção Científica Brasileira

“Dono já de um estilo, [Calife] manipula os ingredientes próprios do gênero com precisão… sem os artificialismos que tanto prejuízo trazem a grande parte dos volumes que em todo mundo se imprimem…”
—Gumercindo Rocha Dorea


‘COLD SOULS’: ASSISTA AO TRAILER DA COMÉDIA DRAMÁTICA DE FICÇÃO CIENTÍFICA

quarta-feira | 24 | junho | 2009

Cold Souls_posterA
Paul Giamatti interpreta a si mesmo neste Spike Jonze genérico

A comédia dramática de ficção científica Cold Souls ganhou o seu primeiro trailer. Confira abaixo Paul Giamatti interpretando a si mesmo – não só pelo fato de fazer sempre o mesmo papel de loser, o personagem é ele mesmo de fato – nesta mistura de Quero ser John Malkovich com Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças.

Na trama escrita e dirigida por Sophie Barthes, estreante em longas, Giamatti está passando por uma crise criativa e existencial. Eis que surge o Dr. Flintstein (David Strathairn) com uma solução: remover e arquivar a alma de Giamatti. Como o paciente não vê melhoras, pede pra tê-la de volta – e aí começam os problemas. Ela foi roubada por traficantes de almas e agora se encontra em algum lugar na Rússia.

Emily Watson e Lauren Ambrose também estão no elenco. O filme estreia nos EUA em 7 de agosto. No Brasil não há previsão.
>> OMELETE – por Marcelo Hessel


“ALICE NO PAIS DAS MARAVILHAS”: DETALHES DA TRAMA

quarta-feira | 24 | junho | 2009

O site norte-americano CC2K divulgou detalhes sobre o roteiro de Alice no País das Maravilhas, novo filme do diretor Tim Burton.

De acordo com a informação, o filme não será uma adaptação fiel da obra de Lewis Carroll, e sim uma espécie de continuação. Alice agora é uma jovem de 17 anos, que não se lembra de sua viagem anterior ao País das Maravilhas.

Na festa do seu noivado com um rico empresário, Alice acaba indo atrás de um coelho branco. O coelho deseja avisá-la sobre uma profecia, segundo a qual a jovem estaria destinada a matar Jabberwock, o guardião do império da Rainha Vermelha. Alice então reencontra velhos conhecidos, como o Gato de Cheshire, Tweedle-Dee e Tweedle-Dum, a Lebre de Março e o Chapeleiro Louco. A jovem descobre que a bondosa Rainha Branca, de quem todos eram súditos leais, foi banida pela malvada Rainha Vermelha, auxiliada pelo Valete de Copas.

Segundo o site, haverá também um envolvimento romântico entre Alice e o Chapeleiro Louco.

No filme que chega aos cinemas em 5 de março de 2010, Mia Wasikowska faz o papel de Alice, Johnny Depp é o Chapeleiro Louco, Matt Lucas interpreta Tweedle-Dee e Tweedle-Dum, Anne Hathaway é a Rainha Branca, Helena Bonham-Carter, a Rainha Vermelha e Crispin Glover é o Valete de Copas. O roteiro da produção da Walt Disney Pictures está a cargo de Linda Woolverton.

Alice no País das Maravilhas é o livro mais famoso de Lewis Caroll, considerado um dos clássicos da literatura inglesa. Carregada de nonsense, a história começa quando a menina Alice, perseguindo um coelho branco, cai em um buraco e se descobre em um lugar fantástico, povoado de criaturas peculiares.
>> HQ MANIACS – por Andréa Pereira


TRÊS LIVROS INFANTIS DE NEIL GAIMAN SAIRÃO NO BRASIL EM 2010

quarta-feira | 24 | junho | 2009

Rocco traz The Graveyard Book, Blueberry Girl e The Dangerous Alphabet

De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, a editora Rocco adquiriu os direitos de publicação de três livros infantis do escritor Neil Gaiman. São The Graveyard Book, Blueberry Girl e The Dangerous Alphabet. Todos devem sair em 2010 no Brasil.

Nenhum dos títulos tem tradução para o português até o momento. The Graveyard Book é o mais famoso deles – repetindo o estilo de Coraline (também publicado aqui pela Rocco), é um livro de prosa com ilustrações em preto e branco de Dave McKean, que conta a história de um menino criado pelos fantasmas e assombrações de um cemitério após seus pais serem assassinados. A obra ganhou a prestigiosa John Newbery Medal, dedicada ao melhor da literatura infantil, e vai ser adaptada para o cinema por Neil Jordan.

Blueberry Girl e The Dangerous Alphabet são livros ilustrados – respectivamente por Charles Vess (que colaborou com Gaiman em Sandman) e Gris Grimly. Os dois foram publicados este ano nos EUA e seguem o estilo de Os Lobos Dentro das Paredes, colaboração de Gaiman e McKean também já lançada por aqui pela Rocco.

Vale lembrar que este ano sai no Brasil Mr. Punch, graphic novel inédita de Gaiman e McKean. E para as editoras sedentas por alimentar a gaimania nacional: trabalhos infantis como Crazy Hair e The Day I Swapped My Dad For 2 Goldfish (outras colaborações com McKean) e Odd and the Frost Giants (que sai nos EUA nos próximos meses, ilustrado por Brett Helquist), bem como infanto-juvenis como M is for Magic (coleção de contos) e Mirrormask (McKean de novo) continuam inéditos por aqui.
>> OMELETE – por Érico Assis


TRÊS MOMENTOS GRACIOSOS PORÉM NADA CORRETOS

quarta-feira | 24 | junho | 2009

Monstrinhos e monstrengos interagem com pessoas reais, assustando, divertindo...

Monstrinhos e monstrengos interagem com pessoas reais, assustando, divertindo…

1 

Estranhos monstros invadindo as ruas, shopping centers, estações do metrô, escolas, lojas e supermercados. Monstros alegres, mal educados, rabugentos, tristes, desastrados, violentos e confusos. Monstros de todas as cores e tamanhos. Monstros voadores, nadadores, saltadores e rastejadores. Monstros em forma de cachorro-quente, brócolis, Elvis Presley e gorilas. Monstros-bomba e monstros aposentados.

São essas aparições inusitadas que o grupo Volstok Telefunken, formado pelos belgas Thijs De Cloedt e Wouter Sel, que entre outras coisas faz animações comerciais e vinhetas para a MTV, está colocando em seu site em filmes de meio a um minuto.

Em cada um dos cerca de cem vídeos, os monstrinhos e monstrengos interagem com pessoas reais, assustando, divertindo, incomodando e participando de pequenos momentos da vida urbana da população belga.

É impossível entrar no site www.demonsters.be e assistir a apenas um desses pequenos vídeos divertidos e criativos.

2

No blog seemikedraw.wordpress.com uma frase anuncia “Os cartuns mais engraçados da Terra – garantido!” para depois explicar que “A garantia, na verdade, não é garantida”. Mas se não são os mais engraçados pelo menos estão disputando o páreo por uma cabeça.

O desenho de Mike, nos cartuns e quadrinhos do blog, apresenta os personagens com um traço gracioso e cores suaves. Mas esta aparente inocência formal traz um humor adulto e corrosivo, satirizando situações de sexo, literatura, religião, cinema e TV.

As atualizações, que o autor promete serem semanais, não são muito frequentes, mas vale o trabalho de checar e ver o Mike desenhar gags cruéis e nada politicamente corretas.

3

O último da lista é uma animação de pouco mais de três minutos que traz o personagem Quimby the Mouse e sua relação de amor e ódio com Sparky, um gato que é apenas uma cabeça, sem corpo.

No estilo dos antigos desenhos animados da primeira metade do século 20, a história com o traço limpo e preciso de Ware, com cores discretas e sem palavras, mostra um conto de abuso e violência sutil, bem ao estilo do autor, um dos maiores quadrinhistas da atualidade, criador de Jimmy Corrigan e da série de livros/revistas Acme Novelty Library.

A excelente animação pode ser vista aqui: http://vimeo.com/4412391?pg=embed&sec=

Estranhos monstros invadindo as ruas, shopping centers, estações do metrô, escolas, lojas e supermercados. Monstros alegres, mal educados, rabugentos, tristes, desastrados, violentos e confusos. Monstros de todas as cores e tamanhos. Monstros voadores, nadadores, saltadores e rastejadores. Monstros em forma de cachorro-quente, brócolis, Elvis Presley e gorilas. Monstros-bomba e monstros aposentados.
>> TERRA MAGAZINE – por Claudio Martini


“ANTES DE NASCER O MUNDO”: MIA COUTO CHEGA AO BRASIL PARA FALAR SOBRE SEU NOVO ROMANCE

terça-feira | 23 | junho | 2009

O escritor moçambicano Mia Couto será homenageado no Festlip, que acontece em julho no Rio

O escritor Mia Couto será homenageado no Festlip, que acontece em julho no Rio

Depois que o mundo acabou, um lugarejo chamado Jesusalém tornou-se o lar do que restou da humanidade –Silvestre Vitalício, os dois filhos, um tio dos meninos, um serviçal e, vá lá, a jumenta Jezibela, “tão humana que afogava os devaneios sexuais” do velho Vitalício.

Mas um dia Mwanito, o filho mais novo, vê uma mulher e desaba em lágrimas, porque achava ue não havia mais nenhuma delas na Terra. É a partir desse ponto, entre o fim e o começo da existência, que se desenrola “Antes de Nascer o Mundo”, o mais recente romance do moçambicano Mia Couto. O livro tem lançamento simultâneo no Brasil e em Portugal, Angola e Moçambique.

Por aqui, Couto, 53, um dos maiores nomes da literatura africana contemporânea, desembarca nesta semana para uma série de eventos. O primeiro acontece nesta quinta, em São Paulo, quando o autor lança o romance na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.

Embora a descrição da história de “Antes de Nascer o Mundo” lembre algo de realismo fantástico, é de uma realidade bem próxima do autor que o romance trata. Jesusalém, “a terra onde Jesus haveria de se descrucificar”, é um lugar como tantos outros que o escritor conheceu em seu país.

“No interior de Moçambique deparei com famílias que viviam numa quase completa condição de marginalidade. Estavam aparentemente longe de tudo. Trabalhei com essas comunidades e reparei sempre que, depois de um primeiro olhar, a ligação umbilical com o mundo de hoje estava presente”, ele diz à Folha.

É dessa ligação que Vitalício, o líder do lugarejo, tenta se livrar. Mais precisamente, da lembrança que o mundo real lhe traz –a morte de Dordalma, mãe de seus filhos. A tentativa de apagar o passado é também uma fuga da guerra que, durante 16 anos, fez quase 1 milhão de mortos no país.

“Os moçambicanos escolheram o esquecimento. Quem hoje viaja pelo país não sente sinal nenhum dessa guerra. Esse esquecimento é uma sabedoria, uma percepção de que os demônios do passado ainda não foram enterrados. Mas é um falso esquecimento, como quase sempre sucede com os lapsos de memória”, diz Couto.

No teatro

Os outros eventos de que o autor participa no Brasil são ligados ao teatro. Nesta sexta-feira, ele participa de um bate-papo no Sesc Avenida Paulista, onde está em cartaz a peça “O Outro Pé da Sereia”, adaptada do romance homônimo do autor pela Cia. Fábrica São Paulo.

No dia 3 de julho, faz palestra no Sesc Ginástico, no Rio, dentro do Festlip – Festival de Teatro da Língua Portuguesa (www.talu.com.br/festlip), que reúne 11 espetáculos de seis países.
>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Raquel Cozer

ANTES DE NASCER O MUNDO
Autor: Mia Couto
Editora: Companhia das Letras
Quanto: R$ 42 (280 págs.)
Lançamento: qui., às 19h, na Livraria Cultura do Cj. Nacional (av. Paulista, 2.073, tel. 0/xx/11/3170-4033)

BATE-PAPO COM MIA COUTO
Quando: sex., às 18h
Onde: Sesc Av. Paulista (av. Paulista, 119, 3º andar, tel. 0/xx/11/3179-3700)
Quanto: entrada franca
Classificação: não recomendado para menores de 12 anos


“TAIKODOM”: UNIVERSO INTEIRO PARA SER CRIADO

terça-feira | 23 | junho | 2009

Taikodom_Cronicas_GersonDesenvolvido em Florianópolis, o jogo on-line Taikodom
tem a sua base literária na ficção de Gerson Lodi-Ribeiro

Principal escritor brasileiro de história alternativa, o carioca Gerson Lodi-Ribeiro já imaginou o que teria acontecido se Zumbi tivesse se aliado aos holandeses e vencido a Guerra dos Palmares, no século 17, no livro Outros Brasis (2006). Agora, como um dos responsáveis pelo projeto do universo ficcional Taikodom (que incluiu literatura de ficção científica, quadrinhos e um jogo on–line desenvolvido pela empresa Hoplon, de Florianópolis), ele criou toda uma história da conquista da galáxia nos sete contos do livro Crônicas (Devir, 360 págs. R$ 40 – acompanha CD-Rom com o game Taikodom) o segundo da série (o primeiro foi Taikodom: Despertar, de João Marcelo Beraldo) publicada pela Devir.

Engenheiro eletrônico, físico e astrônomo, o carioca Gerson Lodi-Ribeiro é uma das referências nacionais da chamada terceira onda (as duas primeiras ocorreram nos anos 1950/60 e na década de 1970) da literatura de ficção científica feita no Brasil. Publicou seus primeiros contos em fanzines no final dos anos 1980, mas sua estreia profissional se deu com a noveleta Alienígenas Mitológicos, publicado na versão brasileira da Isaac Asimov Magazine, em 1991. Dois anos mais tarde, inaugurou o gênero de história alternativa no Brasil com a também noveleta A Ética da Traição, um clássico da ficção especulativa nacional, mais tarde traduzida e publicada na França.

Publicou dois livros de contos pela principal editora portuguesa de FC e fantasia, a Editorial Caminho, Outras Histórias… (1997) e O Vampiro de Nova Holanda (1998). Como editor da carioca Ano-Luz, publicou as antologias de contos Phantastica Braziliana (de história alternativa, em 2000) e Como Era Gostosa a Minha Alienígena! (de contos eróticos, 2002).

Desde 2004, Gerson vem desenvolvendo o universo ficcional Taikodom, vindo com frequência a Florianópolis para discutir os rumos do projeto. A última reunião foi na semana passada, quando ele respondeu por e-mail as perguntas do DC:

Taikodom_Cronicas_capaDiário Catarinense – Qual é a sensação de ter pela frente todo um universo ficcional para descrever e desenvolver e poder usar a sua imaginação e o seu conhecimento para criá-lo?
Gerson Lodi-Ribeiro – Sempre gostei de criar e trabalhar em universos ficcionais ricos e extensos. Tenho a impressão de que esta foi uma das razões principais de ter sido escolhido pela Hoplon para ajudar a desenvolver o Universo Ficcional Taikodom. Uma vez especificadas as propriedades desse universo ficcional, o escritor tem acesso a um vasto playground intelectual, repleto de brinquedos, cujas leis de funcionamento ele pode explorar de forma efetiva para criar ficções instigantes, gostosas de ler e de escrever. Daí, a sensação de possuir um universo ficcional do tamanho do Taikodom para explorar é muito boa e a sensação de estar fazendo algo a um só tempo diferente e importante para a ficção científica brasileira é melhor ainda.

O primeiro conto de Crônicas é a narrativa do início do processo de diáspora da humanidade pela galáxia. Até que ponto esse processo se assemelha ao relatado nas crônicas dos viajantes marítimos do século 16 e 17?
Eu diria que essas duas narrativas de diáspora exploratória se assemelham um bocado. Basta dizer que o título provisório da noveleta Point of K(No)w Return era Pitcairn Eridani, uma referência à história real (já ficcionalizada várias vezes pelos estúdios de Hollywood em filmes como The Bounty) de um punhado de marinheiros britânicos e nativas taitianas que naufragaram na Ilha Pitcairn em 1790 e acabaram criando uma comunidade por lá. Quando a comunidade foi “descoberta” em 1808, só um dos marinheiros originais estava vivo. Essa comunidade ainda existe e está em Pitcairn até hoje.

Alguns nomes e sobrenomes de personagens são uma homenagem explícita a alguns autores de ficção científica que você admira, pelo menos isso fica evidente para os leitores mais atentos do gênero, como Ursulla Tertius, só para citar um, inspirado no nome da escritora norte-americana Ursula LeGuin e no famoso conto de Jorge Luis Borges, Tlön, Uqbar, Orbis Tertius. O quanto esses autores e essas leituras inspiraram a sua escrita?

Meus autores favoritos inspiraram muito minha escrita em geral e minhas histórias no universo ficcional Taikodom em particular. No entanto, creio que essa influência se manifesta mais nas temáticas do que nos nomes dos personagens. Há ideias e conceitos apresentados no Taikodom que dialogam, por assim dizer, com obras clássicas da ficção científica. Muitos dos nomes dos meus personagens são homenagens mais ou menos explícitas a pessoas reais ou ficcionais que eu admiro. No caso da Ursulla Tertius… Bem, eu tenho três filhos: Barbara (primogênita); Erich (do meio) e Ursulla (caçula).

No conto Despertar do Físico, você volta a unir a FC e o erotismo, a exemplo da coletânea de contos eróticos fantásticos Como era gostosa a minha alienígena!, que você organizou em 2002. Como foi aquela experiência? E qual o papel que você imagina que o sexo vai desempenhar numa sociedade pós-orgânica, pós-humana?
Olhando para trás, concluo que organizar a antologia temática de ficção científica e fantasia erótica Como Era Gostosa a Minha Alienígena! foi o auge de minha breve carreira (pelo menos até agora) como editor de ficção científica e fantasia. O objetivo inicial era reunir um número igual de autores e autoras lusófonas, com um certo equilíbrio entre obras inéditas, escritas especialmente para a Gostosa! e obras já publicadas anteriormente, algumas até clássicas dentro da ficção científica brasileira e portuguesa. A experiência de lidar com outros autores e seus egos autorais é muitas vezes complicada, mas quase sempre gratificante, sobretudo quando o resultado final é positivo. Na minha opinião, a Gostosa! é a melhor antologia de ficção científica erótica já produzida em termos mundiais. Sim, já li todas as outras. E, sim, sou altamente suspeito para opinar! O Despertar do Físico é um caso especial dentro do Universo Ficcional Taikodom. A ideia original era veicular esse conto numa revista masculina. Como o pessoal da Hoplon já sabia da minha experiência com a Gostosa!, veio a sugestão de que eu tentasse escrever um conto erótico ambientado em nosso universo ficcional. Lembro que à época produzi duas versões, uma mais light (apelidada canal Playboy) e outra mais hardcore (apelidada Sex Hot). Pode até soar ingênuo, mas creio que o sexo vai continuar desempenhando um papel fundamental na sociedades humanas pós-orgânicas. Só que provavelmente assumirá novos contextos e ocupará outros espaços além dos atuais. Afinal de contas, nosso interesse pelo sexo é parte do que nos define como humanos. Agora, quanto à questão do “pós-humano”, neste sentido ela soa como contra-senso. Porque nossas máquinas e programas autoconscientes e hiperinteligentes não serão elaborados por alienígenas, certo? Então, em certos contextos, referir-se a “pós-humano” pode até soar chauvinista (“organicismo”: o preconceito do futuro? Vários autores de ficção científica já abordaram esse tema) aos ouvidos ou outros órgãos auditivos e/ou sensórios de nossos futuros concidadãos artificiais.

Você imagina o processo de diáspora da humanidade pela galáxia patrocinado por um consórcio de megacorporações e, num dado momento deste percurso, imagina, também, a formação de um império nos moldes do antigo império romano, inclusive com a utilização de termos em latim no texto. Não há como escapar desses dois “ismos”, o capitalismo e o totalitarismo, se a humanidade quiser colonizar outros planetas?
Sim. Uma das premissas do universo ficcional Taikodom é que a iniciativa privada, e não as agências governamentais, irá proporcionar a verdadeira conquista do espaço. Mais tarde, com a Restrição da Terra e o fim da civilização global terrestre, o conceito de Estado é inteiramente abandonado. Cerca de um século após a Restrição, algumas comunidades e corporações descontentes com o Consortium (conglomerado de megacorporações do Sol e de Alpha Centauri criado para organizar o Espaço Humano) migram para outros sistemas estelares. Embora essas facções dissidentes acusassem o Consortium de ferir as práticas hipercapitalistas ao tentar ressuscitar o conceito arcaico do Estado, a grande ironia da coisa é que é justamente a maior e mais influente dessas facções que restabelece o Estado e não um Estado qualquer, mas uma forma inspirada na organização estatal mais duradoura da história humana, o Império Romano. Só que, no fundo, como mostraremos mais tarde, o Império não é muito mais totalitário do que o próprio Consortium. Mas, sim, talvez haja como escapar do hipercapitalismo do Consortium e dos estatólatras do Império. É isto que as comunidades anárquicas de Arcturus estão tentando fazer, como mostraremos em breve na trilogia Protocolos de Etrúria.

O público norte-americano é o maior consumidor mundial de FC, em todas as mídias possíveis; na literatura, no cinema, nos games. Será que algum dia teremos algo parecido com isso no Brasil, ou esse projeto multimídia da Hoplon, com a coleção Taikodom, é mais do que uma aposta nesta possibilidade de mercado?
Nós que trabalhamos na Hoplon acreditamos que um dia a ficção científica será mais popular no Brasil. Apostamos nesta possibilidade e estamos fazendo nossa parte. Só que, como você bem colocou, o projeto multimídia do Taikodom não aposta todas as suas fichas apenas na possibilidade (real) do crescimento do mercado de ficção científica e fantasia lusófono.
>> DIÁRIO CATARINENSE – por Dorva Rezende


‘NEVASCA’ (SNOW CRASH), DE NEIL STEPHENSON

terça-feira | 23 | junho | 2009

Primeiro publicado nos Estados Unidos em 1992, Nevasca (Aleph, 434 páginas, tradução de Fábio Fernandes), foi um dos lançamentos mais interessantes da ficção científica no Brasil, em 2008.

O hacker Hiro Protagonist (sic), um jovem afro-asiático-americano, é um espadachim metido a samurai, entregador de pizzas para a máfia (reduzida a uma franquia ítalo-americana de comida típica) e agente da Central Intelligence Corporation, nas horas vagas. A CIC sugere que a atual CIA (Central Intelligence Agency) teria sido privatizada no futuro próximo, e os Estados Unidos que o autor Neil Stephenson imagina é um país fragmentado, pressionado pela hiperinflação, de privatização extrema e de comunidades isoladas ao longo de linhas raciais ou étnicas, administradas por Estados-franquia, os “franchulados”, na tradução de Fábio Fernandes. Como todos têm uma aura criminalizada, fazem lembrar as favelas dos morros cariocas, controladas pelas milícias de policiais militares e o seu capitalismo ultra-selvagem substituindo o Estado brasileiro, nos setores de serviços e segurança.

A diferença é que o foco de Stephenson não está no subúrbio brasileiro, pobre e violento, mas no americano, rico e alienado de Los Angeles. Essa certamente é uma das razões da reputação deste romance, eleito um dos cem melhores romances em língua inglesa do século 20 pela revista Time, e considerado um clássico moderno da ficção científica cyberpunk.

O subúrbio tem sido local de importantes transformações sociais no American way of life desde o fim a 2.ª Guerra Mundial, e nos anos 60 e 70 foram abraçados pela ficção pós-modernista americana – na qual Nevasca se insere. Tanto que o seu primeiro capítulo aparece na Postmodern American Fiction: A Norton Anthology (1998): “Nevasca (1992), de Neil Stephenson, é um exemplar da ficção científica ‘cyberpunk‘, com a sua descrição de um universo de ciberespaço ‘virtual’ sempre em expansão e completamente comercializado, complementado por uma América ‘real’ fragmentada em suburbclaves, cidades-estado privadas onde quatro indústrias principais impulsionam a economia nacional: música, filmes, microcódigos e a entrega de pizzas em alta velocidade”, escreveram os editores da antologia, Paula Geyn, Fred G. Leebron & Andrew Levy.

O subúrbio é às vezes local de novas formas de segregação racial e econômica, e não surpreende que esses suburbiclaves do futuro incluam grupos de supremacistas brancos, negros, latinos e asiáticos. No começo do livro, Hiro só consegue entregar uma pizza na comunidade supremacista branca com a ajuda de uma skatista Kourier conhecida como “Y.T.”, uma bonita loura de 15 anos e muita personalidade, do tipo que não leva desaforo pra casa, e que aos poucos vai rivalizando com Hiro para assumir o centro do interesse do romance. Hiro a emprega na busca de informações para a CIC, mas os dois trabalham em linhas narrativas separadas.

A intriga principal gira em torno do vírus “nevasca”, que Hiro descobre estar circulando na versão do ciberespaço descrita no livro, o Metaverso – considerado uma antecipação do Second Life dos nossos dias. Com toda a geografia física dividida e recortada, o Metaverso é um espaço em constante expansão “imobiliária” e de expansão da persona dos usuários. Desse modo, a persona heróica de Hiro tem expressão maior no Metaverso, cujo código ele ajudou a criar, quando de sua associação com a ex-namorada Juanita Márquez e o atual marido de Juanita, Da5id Meier (sic), um judeo-americano (ela é católica) vitimado pelo nevasca, que atua também sobre a mente humana.

Stephenson, ao contrário de muitos cyberpunks de primeira geração, entende de programação de computadores, e traz mais verossimilhança às suas especulações – ainda que o romance tenha seu aspecto satírico muito mais pronunciado do que a média dos romances cyberpunks anteriores. Por sua vez, Hiro não lembra o herói cyberpunk-padrão – é um sujeito que se vira bem nas ruas, mas que vendeu suas ações do Metaverso para pagar a aposentadoria da mãe, raramente emprega as falas casuais típicas do cyberpunk e é capaz de acompanhar uma discussão altamente erudita envolvendo a cultura suméria (3300 a 2000 a.C.).

De fato, ao seguirem o rastro do vírus nevasca, Hiro e Y.T. (que raramente se encontram fisicamente) acabam metidos numa intriga capitaneada pelo insidioso magnata da religião eletrônica, L. Bob Rife. Esse personagem claramente satiriza o autor de FC e fundador da cientologia, L. Ron Hubbard (1911-1986), e vive em um vasto favelão flutuante aglutinado em torno do porta-aviões nuclear Enterprise, que Rife adquiriu num saldão de sobras militares. Rife quer dominar o mundo por meio de um vírus-software capaz de programar o comportamento humano, o nam-shub. Há uma elaborada teoria por trás disso, recuando no tempo até os sumérios e seus mitos – num recurso que nos faz lembrar de menos uma obra suméria de importância para a ficção científica, O Épico de Gilgamesh (século 20 a.C.).

A questão suméria é central – ela dá a motivação da intriga. E aponta para o tipo de interesse que Stephenson demonstraria na fase seguinte de sua carreira, em tijolões como Cryptonomicon, de 1999, repletos de conspirações milenares e códigos ocultos. E reforça o status pós-modernista do romance, pela mistura do popular (Nevasca foi primeiro concebido como uma história em quadrinhos) com a erudição histórica, já que a ruptura da divisão entre cultura popular e alta cultura é outra suposta característica do pós-modernismo.

O romance é narrado em capítulos curtos e no tempo presente, dando-lhe, especialmente no início, um grande dinamismo. Por outro lado, as discussões de Hiro com um bibliotecário virtual são longas, pesadas, e destoam do restante da narrativa.

Mais problemático ainda é o fato de que Stephenson associa os mitos sumérios à cosmogonia judaico-cristã, por isso acaba propondo uma linhagem do pensamento do mundo ocidental – hipótese levada a sério pelos eruditos: “É fascinante especular”, escreveu o historiador J. M. Roberts (in History of the World; 1993), “que possamos dever tanto da nossa própria ancestralidade intelectual a uma reconstrução mítica feita pelos sumérios, de sua própria pré-história”. E especular é o que faz a literatura especulativa, mas o problema surge quando Hiro afirma: “poderíamos dizer que o nam-sub de Enki foi o início da consciência humana – quando primeiro precisamos pensar por nós mesmos. Foi o início da religião racional, também, a primeira vez em que as pessoas começaram a pensar em questões abstratas como Deus, Bem e Mal.”

Na sua visão, essas qualidades progridem com o avanço da civilização ocidental. O raciocínio exclui da “consciência humana” culturas anteriores ou as que só seriam “contaminadas” mais tarde. Como a ocidentalização do mundo ainda avança, continua valendo essa exclusão implícita. E Hiro revela a sua teoria na presença do Sr. Lee, o criador do primeiro franchulato (a Grande Hong Kong) e do vietnamita Ng, um homem que foi feito em pedaços e queimado vivo pelas tropas americanas durante a Guerra do Vietnã, e sobrevive em um sistema pessoal de suporte de vida.

Isso tudo coloca em cheque o multiculturalismo do romance, já tão dependente do estereótipo satírico. Se a consciência humana só se propaga com a ocidentalização globalizante (e seus momentos anteriores de mercantilismo, escravismo, colonialismo e imperialismo), não equivale a dizer que os povos não-ocidentais não são realmente humanos até que sejam contaminados pela cultura ocidental?

E embora Rife seja o vilão-mor, aquele que vemos cometendo o maior número de atrocidades é Raven, um nativo das Ilhas Aleutas, de dois metros de altura que anda por aí com uma ogiva nuclear debaixo do braço, e que mata gente aos montes com facas de vidro – armas low-tech que colocam o high-tech em cheque.

Enfim, o romance se apóia fortemente na noção de uma correspondência entre os processos da mente e os do computador – o que Stephenson, um programador, traduz em termos de “código”. A noção está circulando desde, pelo menos, a década de 1950, e Brian Aldiss dedica boa parte do seu livro de não-ficção, The Shape of Further Things (1970), a promover a idéia, seguindo as pesquisas do seu amigo cientista de computadores, Christopher Evans (1931-1979). “Logo, a computação se tornou o modelo da mente”, escreveu o psicólogo americano Jerome Bruner em 1990, “e no lugar do conceito de sentido, emergiu o conceito de computabilidade”. Mas é o próprio Bruner quem chama a metáfora da computação de “reducionista” e insuficiente para definir os processos de geração de sentido. Não obstante, o conceito é central para o cyberpunk – sem ele não haveria inteligências artificiais ou personalidades “baixadas” na memória de computadores.

De modo semelhante, é possível apontar como Nevasca, que é ambientado no início do século 21 que vivemos agora, falhou em “prever” o futuro. Afinal, como diria o crítico Antonio Luiz Costa, os EUA não caíram no anarco-capitalismo; ao contrário, buscam fortalecer o Estado contra o mito do mercado livre como panacéia universal. Mas chamá-lo de “datado” também não é o recurso crítico mais apropriado. Está claro que Stephenson se arriscou ao projetar um futuro tão próximo e de mudanças tão radicais. Mas a sátira precisa de um alvo concreto e reconhecível, algo que tal proximidade oferece. E assim como o objetivo da FC é fazer pensar e não ser profética, toda literatura séria busca capturar com engenho e arte o espírito do seu tempo – do instante em que foi escrita -, e nisso e apesar das ressalvas, o livro de Stephenson pode ter sido muito bem-sucedido.

A mudança de foco para os subúrbios e o lado menos punk dos protagonistas fez Nevasca ser listado como uma das primeiras obras “pós-cyberpunk“. Afinal, o esforço de imaginar um futuro coerente, uma das bandeiras cyberpunk, é menos importante do que a sua veia satírica. Mas é possível encontrar obras anteriores que trilharam caminhos semelhantes. Software (1982), do matemático e cyberpunk de primeira geração Rudy Rucker, é um premiado romance de tons cômicos; e A Usina Nuclear de Papai (Dad’s Nuke; 1985), de Marc Laidlaw, é romance satírico que acampou primeiro aos subúrbios.

Não obstante, Nevasca possui uma qualidade de imaginação, uma ferocidade satírica e uma inserção no pós-modernismo americano mais evidente e, supõe-se, inovadora, garantindo-lhe a fama de que desfruta atualmente.
>> TERRA MAGAZINE – por Roberto Causo


COMO CORTÁZAR TRANSFORMOU-SE EM CORTÁZAR

terça-feira | 23 | junho | 2009

dni

Este é um ano de efemérides cortazarianas. No dia 12 de fevereiro completaram-se 25 anos de da morte do escritor Julio Cortázar. Neste ano também comemoram-se os 60 anos da publicação de “Os Reis”, os 50 anos de “As armas secretas” e os 30 de “Um tal Lucas”. Se estivesse vivo, Cortázar completaria neste ano 95 anos. Mais especificamente, no dia 26 de agosto.

Neste contexto de celebrações sobre a vida e obra de Cortázar, há poucas semanas chegou às vitrines das livrarias portenhas o “Papéis Inesperados”, que reúne obras nunca publicadas antes, entre as quais onze contos, quatro autoentrevistas, treze poemas, anotações, além de capítulos – que nunca haviam sido incluídos – das obras “Livro de Manuel” e “Um tal Lucas”.

Por isso, achei interessante contar sobre um livro publicado na Argentina há 10 anos, por um dos brilhantes jovens jornalistas do país, Emilio Fernández Cicco. O livro é “El secreto de Cortázar” (O segredo de Cortázar), publicado pela Editorial de Belgrano. A obra está esgotadíssima. Quem o encontre em algum sebo, não duvide em comprá-lo.

“Inibido, sempre doente, e de cultura eurocêntrica…Quem poderia imaginar que essa descrição se encaixaria na exuberante personalidade de um dos mais famosos escritores argentinos deste século, Julio Cortázar?”, me explicou Fernández Cicco. E logo, arrematou: “esse era o Cortázar antes de ser Cortázar…”.

Na obra, Fernández Cicco resgatou poemas, canções de ninar e hinos que Cortázar escreveu nesse período, e que eram completamente desconhecidas ou que se imaginavam perdidas.

Fernández Cicco relata a trajetória do tímido professor de literatura que começa sua vida profissional nas cidadezinhas de Bolívar e Chivilcoy, no interior da província de Buenos Aires, passando por Mendoza, até sua volta à capital do país quase uma década depois.
A obra é fruto de dois anos de pesquisa, que esquadrinhou a desconhecida juventude do autor de “O jogo da Amarelinha”, “História de Cronópios e de Famas” e “Bestiário”, entrevistando centenas de ex-alunos, amores platônicos, amigos e parentes.
Cobrindo as mudanças fundamentais ocorridas na vida do jovem escritor entre 1937 e 1945, “o livro conta o desabrochar de Cortázar, tanto literário como da personalidade”, explica o autor.

julio10
Julio, imberbe e tímido

O IMBERBE QUE VIROU BARBUDO
Entre as mudanças ocorridas estão as alterações físicas. Ou melhor, uma só, que chamou a atenção: deixar de ser um imberbe a exibir uma vistosa barba. “Não tinha barba. E subitamente lá na França não sei o que aconteceu. Nunca lhe perguntamos se fez um tratamento. Mamãe surpreendeu-se, porque antes ele somente tinha um bigodinho, e nada mais”, explicou Ofélia Cortázar, irmã do escritor.

Fernández Cicco especula que Cortázar começou a tomar hormônios com o mesmo médico que lhe tratava a asma.
A lenda indica que seu colossal desejo de ter barba o levou a ingerir hormônios.

julio2
Julio, barbudo e exuberante

Fernández Cicco também esclarece a obscura história do pai de Cortázar, que em 1920, quando seu filho tinha 6 anos, desapareceu misteriosamente de casa e nunca mais foi visto. Com o dinheiro da avó, conseguiram sobreviver, além do trabalho da mãe em um Fundo de Aposentadorias.
Anos mais tarde, relata Fernández Cicco, surpreenderam-se a ter notícias do pai: havia falecido no interior do país. Maior foi a surpresa quando souberam que tinham direito aos bens que o pai havia deixado: fazendas e uma confortável pensão para a viúva.
Mesmo estando em dificuldades financeiras, Cortázar filho tomou uma atitude que deixava claro que nada queria do pai ausente: convenceu sua mãe a não aceitar um centavo sequer.

O fantasma do pai, também chamado Julio Cortázar, esteve presente durante anos. Por esse motivo, “Julio Denis” foi seu pseudônimo nas primeiras obras. Somente começou a assinar “Julio Cortázar” a partir de meados de 1945.

FANTASMA DA MORTE
Cortázar imaginava que morreria antes dos 30 anos. Francisco Menta, um colega seu, uma vez lhe ofereceu um cigarro. O futuro escritor, que viveria até os 70 anos, respondeu: “desculpe, mas tenho que cuidar o coração”.


Mais tarde Menta surpreendeu-se ao ver fotos de Cortázar fumando avidamente charutos cubanos. Seus amigos tentaram animá-lo quando seu primeiro livro, “Presencia”, um punhado de poemas crípticos, teve pouca repercussão. “Vamos lá, é seu primeiro livro. Depois haverá mais”, lhe disseram. Com o apoio deles, dois meses depois Cortázar retomou sua produção. Além disso, eles orientaram o jovem poeta para um destino literário diferente: “porquê não volta a escrever aqueles contos tão bons?”, lhe disseram, afastando-o irremediavelmente da poesia.

Durante os anos de Chivilcoy, Cortázar participou como roteirista de um filme feito na própria cidade: “A sombra do passado”. O filme era um policial com traições, amor, drama e vinganças. O filme foi estreado em 1945, mas o público foi indiferente. Da obra, não resta uma só cópia. Só sabemos que Cortázar ao escrever o roteiro, dizia “quanto piores os diálogos, mais o público gosta”.

TIMIDEZ
Os depoimentos da época sustentam que Cortázar não falava sobre mulheres. Os amigos lhe falavam sobre elas, mas ele não respondia, o que causou boatos de que era afeminado. “Não queria saber de mulheres”, afirma categórica sua irmã Ofélia. Uma de suas ex-alunas, foi mais ferina: “em suas calças nem havia volume…”. As conversas com colegas restringiam-se à literatura e arte.

Em Chivilcoy estaria o primeiro amor de Cortázar: a estudante Nelly Martín. Cortázar tentou aproximar-se primeiro através de poemas, que enviava anônimamente.

“Não perguntes quem coloca en este canto / uma alma destinada ao sofrimento / e um pobre coração que te ama tanto; / se tu o adivinhas, nada te espante; / mas se não em encontras em teu sentimento / de nada serve que te dê meu nome” foi um dos poemas que Cortázar lhe enviou.

O “avanço” do jovem professor sobre a estudante é ilustrado saborosamente no livro: sabendo que Nelly iria ver uma peça de teatro do qual ele era o roteirista (uma história sobre gauchos – “O punhal dos trovadores”) Cortázar subornou o funcionário da bilheteria para que vendesse a ela a entrada da cadeira a seu lado.
Depois disso, teriam longos encontros na praça central da cidade, sempre às cinco das tarde. No entanto, nunca nada aconteceria. Mais de meio século depois, Nelly diria a Fernández Cicco: “eu e ele nunca nos beijamos na boca”.

Nelly também o inspiraria a escrever sua primeira novela, “Solilóquio”: a clara descrição de sua vida de professor e seu amor platônico por uma aluna não muito culta, mas “selvagemente sensual”. Anos depois, em Paris, Cortázar queimou o livro, junto com seus primeiros contos fantásticos. No entanto, sobreviveram três cópias que haviam ficado com seus amigos na Argentina. Sua primeira esposa, Aurora Bernández, publicaria “Solilóquio” após seu falecimento.

Chivilcoy o sufocava. Ali era visto como comunista, anarquista e nacionalista. Em 1944 partiu para dar aula de literatura francesa na Universidade de Mendoza. Os Aliados haviam liberado Paris e a universidade fervilhava de ideias políticas. Em 1945, Cortázar participou da ocupação da Universidade pelos alunos.

No fim da ocupação, Cortázar foi preso junto com os alunos. Farto de tudo e com o crescente poder do então coronel Juan Domingo Perón (futuro presidente), a quem ele encarava como um autoritário, Cortázar voltou à Buenos Aires. “Mãe, renunciei a tudo. Não tenho um centavo sequer”, disse ao entrar inesperadamente na casa. “Onde come um, comem dois”, respondeu a mãe.
Cortázar havia deixado suas inibições e seu jeito de menino. Cortázar já começava a ser Cortázar.

6a

SUA IRMÃ, SOBRE JÚLIO:
Sua irmã Ofélia disse a Fernández Cicco que Cortázar nunca lhe mostrou os contos para que os lessem antes de publicado. “Quando o livro saía ele nos dava de presente e pronto. Alguém compreende os livros de Julio? Você teve paciência para ler ‘O jogo da amarelinha’. Ufa ! Por favor…Eu não consegui ler esse livro jamais…”.

Outras frases de Ofélia sobre Júlio:

- “Meu irmão esperava ter uma hora livre para pegar um livro e pensar e imaginar. Essa foi sua vida”.

- “Quando era criança, tínhamos que chamá-lo vinte vezes para que largasse os livros e viesse almoçar’.

cortazar5

BRUXELENSE-PORTENHO
Filho de um casal argentino nascido em 1914 em Bruxelas, Bélgica (seu pai trabalhava na Embaixada argentina nessa cidade), viveu na Argentina durante sua infância, juventude e início da vida profissional, como professor de literatura.

Nos anos 50, perseguido pelo governo do general Juan Domingo Perón, exilou-se na França. Ali transformou-se em um sucesso literário.
Cortázar morreu de leucemia no dia 12 de fevereiro de 1984 em Paris. No dia em que saiu de sua casa para ir ao hospital para mais uma internação, disse, em alusão ao boxe, uma de suas paixões: “se esta luta fosse de sete rounds, eu ganharia. Mas, com doze rounds, acho que não haverá jeito…”.

Ele está enterrado no cemitério de Montparnasse, tal como era seu desejo, ao lado de sua esposa Carole Dunlop, falecida um ano antes dele. Quem visita seu túmulo costuma deixar uma taça de vinho e o rabisco de uma “rayuela” (o jogo da amarelinha, em homenagem a seu mais famoso livro).
>> O ESTADO DE SÃO PAULO – por Ariel Palacios

E, para encerrar, esta entrevista que Cortázar concedeu nos anos 70 à TV Espanhola. Ele explica como surgiram os “Cronópios” e as “Famas”


SUPERSTIÇÃO E MEGALOMANIA

terça-feira | 23 | junho | 2009

Em seu famoso ensaio sobre o “Uncanny” (o Estranho, o Sinistro), Sigmund Freud aponta, como um dos fatores propiciatórios desse contato com uma realidade perturbadora, o que ele chama de “onipotência do pensamento”, que conduz ao pensamento mágico. Do que se trata? Trata-se da sensação instintiva de que o nosso pensamento é capaz de modificar a Realidade sem tocar nela, por um simples esforço da vontade. Freud situa isso numa fase da evolução da mente infantil, em que a criança imagina ou deseja ser capaz de impor suas venetas às pessoas e objetos à sua volta.

A literatura fantástica está cheia de ilustrações dessa fantasia inofensiva, que, quando tratada realisticamente, produz pesadelos arrepiantes. Há um conto de Jerome Bixby, adaptado por Steven Spielberg para um dos episódios do seu Fronteiras da Realidade (Twilight Zone), versão cinematográfica do antigo seriado de TV Além da Imaginação, onde um menino é capaz de transformar seus desejos em realidade. No filme, os adultos vivem humilhados, aterrorizados, bajulando o garoto sem parar, porque sabem que basta uma pequena contrariedade para que ele os faça desaparecer com um piscar de olhos.

Toda a Magia se baseia nisto, tanto a dos índios primitivos quanto a dos intelectuais europeus da Renascença e do Iluminismo. Eles criam que rituais encantatórios, cumpridos à risca, podiam influenciar o Mundo sem ter com ele nenhum tipo de contato. Todos nós lembramos a divertida frase de João Saldanha: “Se macumba ganhasse jogo, o campeonato baiano só terminava empatado”. A frase é perfeita, mas do ponto de vista técnico, os adeptos da Magia podem argumentar que o Campeonato de lá é na verdade uma disputa para ver quem é capaz do feitiço mais bem-feito, do ritual executado com mais rigor. É esse quem decide os gols de uma partida na Fonte Nova ou no Barradão.

Eu que o diga. Quando eu tinha 13 anos, um simples jogo do Treze era cercado dos mais complicados rituais. Nos meus cadernos de anotar resultados, tinha canetas que davam sorte e outras (eu só o descobria tarde demais!) que davam azar. Quando o Treze foi campeão invicto em 1966, vi todos os jogos com a mesma camisa. Quando ouvia os jogos pelo rádio, eu cismava que todas as vezes que aumentava o volume o time jogava bem, e quando o abaixava o time jogava mal. Daí a pouco, a altura do rádio estava insuportável. Minha mãe surgia esbravejando à porta da cozinha, colher-de-pau em punho. Que fazia eu? Esperto, dava uma abaixada total no volume, e ficava aumentando de tiquinho em tiquinho cada vez que a bola rondava a grande área.

Toda superstição é uma forma de humildade (reconhecimento de que o Universo é movido por forças mais poderosas do que nós) e de megalomania – o palpite de que essas forças podem ser bajuladas, seduzidas, estudadas, manipuladas de forma solerte, transformando-nos, ao trilar do apito final do juiz, em Senhores do Universo.
>> MUNDO FANTASMO – por Bráulio Tavares


“BASTARDOS INGLÓRIOS” (“INGLOURIOUS BASTARDS”) GANHA NOVO TRAILER

terça-feira | 23 | junho | 2009

Tarantino_Bastards_posterA
Embora a violência tradicional das produções de Quentin Tarantino não possa ser mostrada em um trailer em toda sua glória, ainda assim vale a pena conferir o novo trailer de Bastardos Inglórios, o novo filme do diretor.

Bastardos Inglórios é o mais novo filme dirigido e roteirizado por Quentin Tarantino, contando com grande elenco, que inclui Brad Pitt, Diane Kruger, Eli Roth, Julie Dreyfus, Mike Myers, entre vários outros, tendo ainda Samuel L. Jackson como narrador.

A trama se passa durante a 2ª Guerra Mundial, quando um grupo de soldados judeu-americanos são escalados para espalhar o terror entre os nazistas, os escalpelando e matando brutalmente. Conhecidos como Os Bastardos, esse grupo logo recebe o reforço da espiã alemã disfarçada Bridget Von Hammersmark, cruzando ainda o caminho de uma jovem judia que viu sua família ser executada pelo coronel nazista Hans Landa, um alvo em potencial dos Bastardos. O filme estreia nos EUA no dia 21 de agosto, chegando ao Brasil somente no dia 23 de outubro.
>> HQ MANIACS – por Leonardo Vicente Di Sessa


“STARGATE UNIVERSE”: O PRIMEIRO VÍDEO

segunda-feira | 22 | junho | 2009

Stargate Universe_logo2

Stargate Universe_elencoA

O SciFi Channel mostrou neste fim de semana o primeiro vídeo da série Stargate Universe, que estreia no segundo semestre, nos EUA. A série é mais uma passada no universo Stargate, que no ano passado viu o seriado Atlantis cancelado por baixas audiências.

Veja o vídeo abaixo. Nele, são apresentadas algumas cenas do programa, bem como trechos de entrevistas com o elenco.

Stargate Universe segue um grupo de soldados, cientistas e civis que têm que se virar por conta própria ao serem forçados a passar por um Stargate quando sua base secreta é descoberta. Os sobreviventes apavorados aparecem em uma velha nave, que está com um curso desconhecido programado e é incapaz de voltar para a Terra.

Confrontados com problemas básicos como falta de água, comida e ar, o grupo tem que descobrir os segredos do Stargate da nave para sobreviver. As provações que eles enfrentarão à bordo vão revelar quem são os verdadeiros heróis e vilões do grupo. No elenco estão Robert Carlyle e Lou Diamond Phillips, entre outros.
>> HQMANIACS – por Artur Tavares


“CONAN”: SÓSIA DE SCHWARZANEGGER PODE SER O NOVO BÁRBARO DA CIMÉRIA

segunda-feira | 22 | junho | 2009


[bomba + cadmia = uma bundinha no seu bíceps]

o ator Roland Kickinger, de 41 anos, está negociando com a Lionsgate e com a Nu Image/Millenniu pra fazer o papel do bárbaro Conan na nova versão pras telas das aventuras do cimério criado por Robert E. Howard e imortalizado nos quadrinhos da Marvel. as filmagens começam este ano ainda, com o diretor Marcus Nispel [do recente reboot de SEXTA-FEIRA 13] no comando.


[Schwarzenegger como Conan]

se Kickinger assinar o contrato vai firmar de vez sua vocação como “Arnold cover”. senão vejamos:

- é a cara do homem;

- é gigante que nem o antecessor no começo de carreira;

- nasceu na Áustria [mesmo país de origem do Governator];

- é um fisiculturista premiado que virou ator;

- interpretou um jovem Shwarza na biografia SEE ARNOLD RUN feita pra TV.

- interpretou o robô T-800 em EXTERMINADOR DO FUTURO – A SALVAÇÃO, sobre o qual foi inserido o rosto do Arnold jovem feito por computação gráfica [isso não é spoiler, apareceu em um dos trailers];

- CONAN, de 82, levou Schwarza ao estrelato como astro de filmes de ação; a nova versão pode fazer o mesmo com Kickinger.

por enquanto o sósia é chegado em comédias. além de ter participado de várias sitcoms, foi o HULK no DISASTER MOVIE. a primeira vez em que o vi foi na série O FILHO DA PRAIA [SON OF THE BEACH], que satirava BAYWATCH na Fox, em que fazia um salva-vidas bobão mas de bom coração.
>> GOMA DE MASCAR – por Hector Lima


‘VIRTUALITY’ EM WEBSODIOS

segunda-feira | 22 | junho | 2009

A Fox lançou novos videos da série ainda não produzida “Virtuality“. Limitada por enquanto ao filme piloto, o qual está agendado para ser exibido nos EUA no dia 26 de junho, a série aguarda o sinal verde para começar a ser produzida. Algo que provavelmente somente irá ocorrer após a avaliação da audiência do piloto.

Enquanto isso o canal estimula o interesse do público lançando videos ao estilo webisodio que apresenta a trama e os personagens como se fosse um documentário ou um reality. Sob o título de “Edge of Never: Life on Phaeton” acompanha a vida “real” de membros da tripulação da nave Phaeton em sua jornada pelo espaço.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


’9′: NOVA ANIMAÇÃO DE TIM BURTON GANHA SITE

segunda-feira | 22 | junho | 2009

9_posterA
Um novo site viral da animação 9 acaba de ser lançado. Clique aqui para conferir.

O site te leva para dentro do laboratório do cientista, que pode ser explorado, apresentando alguns pedaços da história do filme.

Além do site, um perfil para o cientista foi criado no facebook e pode ser visto aqui.

9, produzida pela Focus Features, é uma animação épica que nos apresenta nove bonecos de pano com vida, a última dádiva de um cientista para um mundo pós-apocalíptico dominado pelas máquinas. Juntos, os 9 são a última esperança de um mundo já destruído. Produzido por Tim Burton, Timur Bekmambetov e Jim Lemley, o filme tem direção de Shane Acker. No elenco de vozes estão Elijah Wood, Jennifer Connelly, Christopher Plummer, Martin Landau, Crispin Glover e John C. Reilly. A estreia nos EUA está marcada para 9 de setembro, ainda sem previsão no Brasil.
>> HQ MANIACS – por Willian Matos

Assista ao trailer:


‘VIDA BOA’, DE FABIO ZIMBRES E ‘ONINBO E OS VERMES DO INFERNO’, DE HIDESHI HINO: NOVIDADES DA ZARABATANA BOOKS

segunda-feira | 22 | junho | 2009

A Zarabatana Books lança no começo de julho dois novos álbuns: Vida Boa, uma coletânea das tiras de Fabio Zimbres, e o segundo volume de Oninbo e os Vermes do Inferno.

Vida Boa acompanha o personagem Hugo, fracassado, desempregado e solitário, que passa seu tempo entre bares, entrevistas de emprego, seu minúsculo apartamento e batendo pernas pelas ruas em busca da refeição diária. Com seus companheiros de perambulação – camelôs, frequentadores de botecos e até um copo falante – ele discute a vida, as relações pessoais, o emprego e o dinheiro (ou a falta deles).

O álbum traz 50 tiras inéditas, que concluem a narrativa dos jornais, e conta com introdução do cartunista Laerte.
A tira foi selecionada para publicação na Folha de S. Paulo através de um concurso de quadrinhos e ilustração realizado em 1999. Laerte e a ilustradora Maria Eugênia eram integrantes do júri.

Vida Boa tem 168 páginas no formato 21 x 21 cm e custa R$ 39,00.

Oninbo e os Vermes do Inferno – vol. 2 é a continuação da obra de Hideshi Hino, que tem outros três mangás de terror publicados aqui: A Serpente Vermelha e Garoto Verme, ambos pela Zarabatana, e Panorama do Inferno, pela Conrad.

O volume traz a conclusão das aventuras macabras de Oninbo, um pequeno demônio que vive à caça dos Vermes do Inferno, estranhas criaturas que habitam a alma das pessoas, alimentando-se dos traumas e das experiências ruins pelas quais passaram. Monstros assassinos, fantasmas rancorosos, vermes repugnantes, bebês diabólicos, serial killers. Esses são os alvos de Oninbo e de seus companheiros, os pequenos demônios Mamushinbo e Himenbo, que agora se unem para enfrentar as artimanhas de Sasorinbo, que quer acabar com a festa do trio e ficar com os Vermes do Inferno só para ele.

Oninbo e os Vermes do Inferno – vol. 2 tem 208 páginas em preto e branco no formato 14 x 21 cm e custa R$ 29,90.

A Zarabatana Books é uma editora de Campinas que iniciou as atividades em 2006, publicando o álbum O Prolongado Sonho do Sr. T. Sua proposta é publicar obras de artistas mundiais que se destaquem pela qualidade e originalidade.
>> HQ MANIACS – por Andréa Pereira


“MACANUDO”: LINIERS ESTRÉIA NOS QUADRINHOS DA ILUSTRADA, DA FOLHA DE SÃO PAULO

segunda-feira | 22 | junho | 2009

Liniers1_Folha SPLiniers

Tirinha do cartunista argentino Liniers
será publicada entre segunda e sexta

Entre os personagens estão o Misterioso Homem de Negro, a menina Enriqueta e o gato Fellini, pinguins e duendes voadores

O ano era 2002. A Argentina atravessava uma aguda crise política e econômica. Para piorar, lá fora, o panorama não se apresentava menos sombrio. Havia poucos meses, as Torres Gêmeas tinham sido derrubadas no ataque terrorista à Nova York que espalhou uma onda de tensão mundial.

Não parecia ser o melhor momento para fazer piadas. Mas foi justamente para quebrar esse clima de pessimismo que o cartunista argentino Ricardo Liniers, 35, resolveu lançar uma série de tirinhas humorísticas, e a elas deu o nome de “Macanudo” (gíria que significa “bacana” ou “supimpa”).

A Ilustrada passa a publicar, de segunda a sexta, o trabalho que Liniers começou a fazer na época. “Os jornais argentinos estavam pessimistas. Pensei que, no meio de manchetes deprimentes como “caem as Bolsas”, ou “EUA vão invadir o Afeganistão”, o leitor poderia receber uma pequena carícia”, disse em entrevista à Folha.

Por indicação da colega Maitena, as tiras de Liniers passaram a sair no “La Nacion”.
O mundo de “Macanudo” é povoado por personagens melancólicos, reflexivos e algo trágicos. A menina Enriqueta e seu gato Fellini, o Misterioso Homem de Negro, duendes e pinguins são os principais.

Sobre o sentimentalismo presente nas piadas que, paradoxalmente, às vezes dão vontade de chorar, Liniers diz: “Meus quadrinhos têm uma alma meio tangueira, uma coisa argentina de alimentar frustrações. Queremos ser pentacampeões, e isso nunca acontece. Queremos ter políticos honestos, e eles não aparecem”.

Os primeiros personagens a surgir foram os pinguins. “São simpáticos, do sul e do frio como nós”, explica. Já Enriqueta é às vezes comparada à Mafalda, do veterano Quino. Liniers discorda: “Não dá para fazer outra Mafalda, é como tentar repetir o gol do Maradona contra os ingleses”.

Por isso, fez de sua Enriqueta uma menina ensimesmada, cheia de questões existenciais que divide apenas com o gato Fellini e o urso Madariaga.

O sucesso do Misterioso Homem de Negro surpreende o autor. “Fiz num dia em que estava me sentindo esquisito, pus nele capa e chapéu, para ficar elegante, mas não achava que iam gostar, porque suas histórias não se fecham. Pelo visto, há algo atraente em sua figura.”
>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Sylvia Colombo


FANTASTICON 2009 – III SIMPÓSIO DE LITERATURA FANTÁSTICA

sábado | 20 | junho | 2009

Fantasticon_arte

Este ano, o Fantasticon 2009 – III Simpósio de Literatura Fantástica, será nos dias 25 e 26 de julho, na Biblioteca Viriato Corrêa, Vila Mariana, na capital de São Paulo.

A idéia do Fantasticon 2009 é reunir pessoas interessadas em Literatura Fantástica (ficção científica, fantasia e horror) para que elas possam se encontrar, trocar idéias, informações e se divertir.

A proposta é incentivar e enriquecer o estudo e o debate sobre o Fantástico no Brasil. Para isso, contaremos com palestras, mesas-redondas, oficinas, mostra de filmes, exposições, lançamentos, sessões de autógrafos e muita confraternização!

O Fantasticon 2009 é organizado por Silvio Alexandre, em uma realização da Biblioteca Temática Literatura Fantástica Viriato Corrêa, do Sistema Municipal de Bibliotecas e da Secretaria Municipal de Cultura. Com o apoio do GELF (Grupo de Estudos de Literatura Fantástica), da Fly Cow Produções Culturais, da Cálamo Editorial, do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica), da OPELF (Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica) e da TV Cronópios.

logo_Fantasticon_corA

 

Programação

SÁBADO – dia 25 de julho

11 às 13 horas

Palestra: “PERSONAGENS DE FANTASIA: ARQUÉTIPOS,HERÓIS E ANTI-HERÓIS”
GELF_logoAEncontro do GELF (Grupo de Estudos de Literatura Fantástica), coordenado pela escritora Rosana Rios, que se dedica a discutir, apreciar e divulgar obras literárias de literatura fantástica (ficção científica, fantasia e horror) suas interações e obras precursoras, além de comentar transposições para cinema, teatro, televisão e quadrinhos. 

 

11 às 13 horas

Oficina: “ENTRANDO NO MERCADO EDITORIAL – O QUE FAZER PARA PUBLICAR SEU LIVRO”
Para quem tem um projeto literário pronto e está buscando entrar no mercado; para quem está colocando seu projeto no papel; ou ainda para quem está com uma boa idéia e quer iniciar sua obra. O objetivo desta oficina é, através das experiências do editor e escritor Gianpaolo Celli, e da autora Cristina Lasaitis, não só mostrar um pouco do mercado, mas também dar dicas de como fazer para entrar nele, passando por aspectos que abrangem desde a criação da idéia, personagens, trama; até como apresentar o projeto terminado para editora, e o que fazer após a publicação, quando o livro já estiver nas prateleiras. 

  • Cristina LasaitisCristina Lasaitis é escritora e biomédica pela Unifesp, onde atua como pesquisadora na área de Neurociências. É co-autora das coletâneas “Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos” (Tarja), revista “Scarium” (Scarium Info), “FC do B” (Book House Boys), e “Paradigmas, volume 1″ (Tarja); e autora do livro “Fábulas do Tempo e da Eternidade” (Tarja).
  • GianpaoloGianpaolo Celli é escritor e editor, além de administrador de empresas. Tem se dedicado ao estudo de ocultismo, esoterismo e mitologia. É colunista do site de neopaganismo “Tribos de Gaia”; co-autor da coleção Necrópole: “Histórias de Vampiros” (2005), “Histórias de Fantasmas” (2007) e “Histórias de Bruxaria” (2008); das coletâneas “Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos” (2006) e “Paradigmas, volume 3″ (2009), e co-editor e co-autor dos livros “Histórias do Tarô” (2008) e “Steampunk” (2009).

 

13 às 13h30

Mostra de filmes: “OS PREMIADOS DO FESTIVAL CURTA FANTÁSTICO”
Festival Curta FantasticoAO Festival Curta Fantástico é um evento que exibe curtas-metragens nacionais, desde 2006, com a temática fantástica, ou seja, filmes de horror, ficção científica ou fantasia, a Fly Cow, produtora que realiza o festival, fez uma seleção com os melhores curtas fantásticos nacionais que foram apresentados na última edição, no ano passado em São Paulo. Teremos uma sessão no Sábado e outra no Domingo.
 

13h30 às 14 horas

Mostra de vídeos: “MOSTRA DE BOOK TRAILERS”
Com a popularização da internet, a literatura fantástica brasileira entrou na era digital. Driblando a falta de interesse e de divulgação na grande mídia, os escritores vêm utilizando novas formas de promover seu trabalho. A criação de vídeos vem se tornando cada vez mais popular e alcançando o objetivo principal, que é tornar conhecido o livro que anuncia. O CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) e a OPELF (Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica) reuniram alguns desses vídeos numa pequena mostra.
 

14 às 15 horas

Mesa-redonda: “MITOS E DRAMAS DO VAMPIRO CONTEMPORÂNEO”
Imortalidade, sedução, mistério, sexualidade, terror, suspense, sobrenatural, fazem dos vampiros, personagens fascinantes. Desde sua origem, a figura do vampiro passou por uma transformação completa e complexa. Vamos discutir como, no dias de hoje, este morto-vivo tomador de sangue é visto no seio da nossa atual cultura globalizada? Giulia Moon

  • Giulia Moon é escritora e publicitária. Publicou três coletâneas de contos: “Luar de Vampiros” (Scortecci), “Vampiros no Espelho & Outros Seres Obscuros” (Landy) e “A Dama-Morcega” (Landy). Participou da coletânea  “Amor Vampiro” (Giz Editorial). Edita o fanzine FicZine e é co-editora da revista “Scarium Megazine”. Está lançando o romance “Kaori – Perfume de Vampira” (Giz Editorial).judy 2a
  • Judith Tonioli Arantes é tradutora e professora. Faz mestrado em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, onde desenvolve sua dissertação pesquisando sobre o mito do vampiro contemporâneo, principalmente os personagens dos livros de Anne Rice e Stephenie Meyer. Foi uma das autoras do livro “Senhora dos Anéis” (Devir).
    NatashaA
  • Natasha dos Reis é fundadora e organizadora dos fãs clubes Twilight Universe (fã clube oficial brasileiro da saga “Crepúsculo”) e Slyfriends (fã clube brasileiro da saga “Harry Potter”). Produtora de eventos e pesquisadora de Literatura Fantástica, principalmente quando vampiros são o tema principal.
  • ElidiaAElídia “Lica” Zotelli é membro fundadora e líder do fã clube Twilight Universe (fã clube oficial brasileiro da saga “Crepúsculo”).  Uma zootécnica que tem se dedicado ativamente ao estudo,  pesquisa e divulgação da literatura de vampiros.

 

15 às 16h30 horas

Bate-papo: “O MERCADO EDITORIAL DE LITERATURA FANTÁSTICA NO BRASIL”
Saiba tudo por quem decide.Importante participação dos editores do gênero fantástico com novidades, informações e curiosidades do mundo editorial de hoje.

  

17 às 18h30

Bate-papo: “PRÁTICA DE ESCRITA DE LITERATURA FANTÁSTICA”
Autores veteranos da nova geração se encontram para a troca de experiências e conhecimentos sobre o mercado editorial e a prática da criação literária. Internet, cinema, teatro, poesia, conto, crônica e outros gêneros textuais, eles discutem Literatura Fantástica, num bate-papo cheio de idéias e dúvidas, começos e fins. 

  • Nelson de OliveiraANelson de Oliveira é escritor. Doutor em Letras pela USP, publicou mais de vinte livros, entre eles os romances “Subsolo Infinito” (Cia. das Letras) e “A Maldição do Macho” (Record – publicado também em Portugal); a coletânea de contos “O Filho do Crucificado (Ateliê – também lançado no México), e de ensaios “A Oficina do Escritor” (Ateliê). Organizou as antologias “Geração 90: Manuscritos de Computador” (Boitempo) e “Geração 90: Os Transgressores” (Boitempo), com os melhores prosadores brasileiros surgidos no final do século 20. Dos prêmios que recebeu destacam-se o Casa de las Américas (1995), o da Fundação Cultural da Bahia (1996), duas vezes o da APCA (2001 e 2003) e o da Fundação Biblioteca Nacional (2007). Atualmente coordena, em várias instituições, oficinas de criação literária para escritores com obra ainda em formação.
  • Kizzy YsatisKizzy Ysatis é escritor. Estudioso da vida gótica e da cultura underground, é grande amante e conhecedor dos mitos de vampiro. Publicou o romance “Clube dos Imortais: a Nova Quimera dos Vampiros (Novo Século), além de vários contos. Cursou Produção Editorial até o penúltimo ano. Em 2005, o “Clube dos Imortais” foi agraciado com o prêmio Rachel de Queiroz, da Academia Brasileira de Letras, e outorgado pela União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro.
  • Ronaldo BressaneARonaldo Bressane é escritor, jornalista e editor. Publicou a trilogia de contos “A Outra Comédia”, formada por “Os Infernos Possíveis (Com-Arte/USP), “10 Presídios de Bolso” (Altana) e “Céu de Lúcifer” (Azougue); e o volume de poemas “O Impostor” (Ciência do Acidente). Ao lado de Joca Reiners Terron, Marcelino Freire e Nelson de Oliveira, co-editou a coleção “Risco: Ruído” (DBA). Além de colaborações em sites, revistas e suplementos literários, participou da revista “PS: SP” (Ateliê) e das antologias “Geração 90: Os Transgressores” (Boitempo), “Paixão por São Paulo” (Terceiro Nome), “Fábulas da Mercearia: Uma Antologia Bêbada” (Ciência do Acidente), “Sex’n’Bossa” (Mondadori) e “Lusofonia” (Nuova Frontiera).
  • Santiago NazarianSantiago Nazarian é escritor, tradutor e roteirista. Autor de cinco romances, entre eles “O Prédio, o Tédio e o Menino Cego” (Record), “Feriado de Mim Mesmo” (Planeta) e Mastigando Humanos (Nova Fronteira). Em 2003, recebeu o Prêmio Fundação Conrado Wessel de literatura por seu romance de estréia, “Olívio” (Talento). Em 2007, foi um dos autores convidados para as comemorações do Hai Festival em Bogotá, Capital Mundial do Livro. Suas obras foram traduzidas para o espanhol e o italiano, em diversos países da Europa e da América Latina.

 

 

DOMINGO – dia 26 de julho

11 às 13 horas

Oficina: “COMO CRIAR PERSONAGENS”
André Vianco, o mais consagrado escritor da atualidade do gênero fantástico abre o jogo, dá dicas e informações sobre como construir e utilizar os personagens nas histórias. Uma oportunidade rara! 

  • Andre ViancoAndré Vianco é autor dos best sellers “Os Sete” e “Sétimo”, que explora o universo sobrenatural (vampiros, lobisomens, anjos e batalhas entre o bem e o mal) elaborando um cenário surrealista, mas com elementos da realidade do dia-a-dia e histórias passadas no Brasil. É hoje o escritor brasileiro que mais conquista leitores de fantasia & horror e seus livros estão entre os mais vendidos na literatura fantástica brasileira.

11 às 12 horas

Bate-papo: “STEAMPUNK E OS NOVOS RUMOS DA FICÇÃO CIENTÍFICA”
Criativos, retrofuturistas no estilo e no comportamento. Esses são alguns dos conceitos do Steampunk, um gênero de ficção que explora um “mundo alternativo” movido a vapor (“steam”). Assim, temos uma fusão de “era vitoriana” com “futuro pós-apocaliptico” ou “punk” no sentido de transgredir o hoje e o passado. Algo com muitas engrenagens, com grandes zepelins voando pelos céus e seus respectivos piratas, um misto de roupas vitorianas com tecnologias que parecem do nosso tempo. Mais do que nunca, surgem novos e talentosos autores na atual Ficção Científica que expandem as barreiras do gênero. E os editores fazem a sua parte: buscam rótulos para categorizá-los. No meio de tantos rótulos e inovações, o que exatamente eles representam?

  • FabioFabio Fernandes é jornalista, tradutor e dramaturgo. Seus contos foram publicados no Brasil, Portugal, Romênia e Estados Unidos. Publicou a coletânea de contos “Interface com o Vampiro” (Writers) e “A Construção do Imaginário Cyber” (Anhembi Morumbi). É Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e professor pela mesma instituição. Foi curador do “Invisibilidades II” (2008), do Instituto Itaú Cultural, evento voltado para a Ficção Científica, e fará a curadoria da terceira edição, ainda em 2009.
  • Gian 3aGianpaolo Celli, além administrador de empresas, é escritor e editor. Estudioso de ocultismo, esoterismo e mitologia. Tem matérias e aventuras-solo de fantasia na revista Dragão Brasil; é colunista do site de neopaganismo “Tribos de Gaia”; co-autor da coleção Necrópole: “Histórias de Vampiros” (2005), “Histórias de Fantasmas” (2007) e “Histórias de Bruxaria” (2008); das coletâneas “Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos” (2006) e “Paradigmas, volume 3″ (2009), e co-editor e co-autor dos livros “Histórias do Tarô” (2008) e “Steampunk” (2009).
  • Bruno AcciolyBruno Accioly é empresário da área de tecnologia, editor da revista de internet OutraCoisa.com.br, co-fundador do Conselho SteamPunk e responsável pela loja Rio de Janeiro. Crítico da forma como o homem se relaciona com a tecnologia, é estudioso de Filosofia e seu rebento mais bem sucedido, a Ciência. Especialista em Usabilidade – disciplina que lida com a interação homem/máquina – atua na área há mais de dez anos enquanto divide seu tempo como redator e ficcionista.

 

12 às 12h30

Mostra de filmes: “OS PREMIADOS DO FESTIVAL CURTA FANTÁSTICO”
Festival Curta FantasticoAO Festival Curta Fantástico é um evento que exibe curtas-metragens nacionais, desde 2006, com a temática fantástica, ou seja, filmes de horror, ficção científica ou fantasia, a Fly Cow, produtora que realiza o festival, fez uma seleção com os melhores curtas fantásticos nacionais que foram apresentados na última edição, no ano passado em São Paulo. Teremos uma sessão no Sábado e outra no Domingo.

 
12h30 às 13 horas

Mostra de vídeos: “MOSTRA DE BOOK TRAILERS”
Com a popularização da internet, a literatura fantástica brasileira entrou na era digital. Driblando a falta de interesse e de divulgação na grande mídia, os escritores vêm utilizando novas formas de promover seu trabalho. A criação de vídeos vem se tornando cada vez mais popular e alcançando o objetivo principal, que é tornar conhecido o livro que anuncia. O CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) e a OPELF (Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica) reuniram alguns desses vídeos numa pequena mostra.

 
13 às 14h30

Mesa-redonda: “O FANTÁSTICO NA EDUCAÇÃO”
Uma discussão sobre a utilização da Literatura Fantástica como instrumento pedagógíco e sua utilização em sala de aula. Como promover a formação de novos leitores e utilizar a literatura e os elementos do universo fantástico como um recurso dentro da escola para melhorar o desempenho dos estudantes. 

  • Flavia MunizFlávia Muniz é escritora e pedagoga. Com vários prêmios e diversos livros adotados por escolas e instituições, têm mais de 3 milhões de livros vendidos. Entre eles “Os Noturnos”, “Viajantes do Infinito” (Editora Moderna), “Brincadeira de Saci” (Editora Scipione), “O Tubo de Cola” (Editora Moderna) e “A Gatocleta do Miafino” (FTD).Trabalhou também na criação de produtos para crianças e jovens, como revistas de atividades, quadrinhos, enciclopédias, sites e jogos. Participou, ainda, de teatro infantil e escreveu para a TV Cultura.  
  • MarthaAMartha Argel é bióloga, com doutorado em Ecologia, e escritora de livros de literatura fantástica, crônicas e divulgação científica. Como escritora de literatura fantástica, publicou entre outros, o romance “Relações de Sangue” (Novo Século) e a coletânea “O Livro dos Contos Enfeitiçados” (Landy Editora). Participou de antologias, como “Amor Vampiro” (Giz Editorial) e “O Livro Vermelho dos Vampiros” (Devir). Seus lançamentos mais recente são “O Vampiro Antes de Drácula” (Aleph) e “O Vampiro da Mata Atlântica” (Idea Editora). 
  • Rosana RiosRosana Rios é bacharel em Arte-Educação pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo. Foi roteirista de programas infantis para a TV Cultura de São Paulo e outras emissoras. É autora de Literatura Infantil e Juvenil desde 1988, e já publicou mais de 100 livros em 15 editoras. Recebeu vários prêmios literários, entre eles o Bienal Nestlé de Literatura, em 1990, o Cidade de Belo Horizonte,  em 1991, além de selos “Altamente Recomendável”, da FNLIJ (Fundação afiliada ao IBBY) em 1995 e 2005; e foi finalista do prêmio Jabuti 2008 na categoria Literatura Juvenil.
  • Janaina AzevedoAJanaina Azevedo tem formação acadêmica em Lingüística e Teoria Literária pela Universidade de São Paulo e em Ciências da Religião pela Faculdade Mosteiro de São Bento. É presidente da OPELF – Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica, e já comandou várias entidades de produção cultural. Pela Editora Vortex (antiga Tudoteca), trabalha como agente literária e publica obras de pesquisa histórica e literatura fantástica. É pioneira no uso da Literatura Fantástica em sala de aula.

 
15 às 16h30

Palestra: “A LITERATURA FANTÁSTICA NA AMÉRICA LATINA”
O Realismo Mágico é uma característica própria da literatura latino-americana da segunda metade do século XX que funde a realidade narrativa com elementos fantásticos e fabulosos, não tanto para reconciliá-los como para exagerar sua aparente discordância. Floresceu nos anos sessenta e setenta, enraizado nas discrepâncias surgidas entre cultura da tecnologia e cultura da superstição, e em um momento em que o auge das ditaduras políticas converteu a palavra numa ferramenta infinitamente apreciada e manipulável.

  • Ana Cecilia OlmosAna Cecília Olmos é graduada em letras modernas pela Universidad Nacional de Córdoba, Argentina, é professora de literatura hispano-americana da USP, especialista em literatura e cultura hispano-americana do século XX. É autora, entre outros, de “Intelectuales, instituciones, tradiciones” (Javier Lasarte [org.]), “Territorios Intelectuales. Pensamiento y cultura en América Latina” (Caracas, La nave va) e de “Releituras de Borges. A revista Punto de Vista nos anos 80″ (Jorge Schwartz [org.]), “Borges no Brasil” ( Edunesp).
  • Horacio CorralAHorácio Corral é produtor cultural. Foi livreiro e organizador de eventos na Livraria Cultura. Atualmente é um dos produtores da OPELF – Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica. É responsável pela loja virtual Beco Imaginário e a produtora de jogos Tudoteca. Entre as suas áreas de atuação encontram-se jogos e literatura fantástica, tendo uma especial atenção sobre a obra de Jorge Luis Borges e Alejandro Dolina. É estudioso de literatura hispano-americana e trabalha com difusão de leitura e produção independente, além de tradução.

17 às 18h30

Palestra: “AS HISTÓRIAS DESCONHECIDAS DE EDGAR ALLAN POE”
Narrativas científicas, misteriosas, permeadas de terror, horror, suspense, policialescas, Edgar Allan Poe carrega nas costas o título de criador de vários gêneros literários. Poe foi responsável não somente por influenciar alguns dos escritores decisivos das décadas seguintes, bem como por estabelecer com propriedade caminhos novos e férteis para a literatura ocidental do então século XIX. Recordando os 200 anos do seu nascImento, o escritor Bráulio Tavares está preparando uma antologia com contos pouco conhecidos de Poe. Nesta palestra, ele falará sobre essas histórias e de como Poe elevou o conto como gênero.

  • Braulio TavaresBráulio Tavares é escritor, roteirista e compositor. Compilou a primeira bibliografia do gênero: o Fantastic, Fantasy and Science Fiction Literature Catalog (Fundação Biblioteca Nacional). Autor de “A Espinha Dorsal da Memória”, “A Máquina Voadora” e “Anjo Exterminador” (todos pela Rocco). Organizou as antologias “Freud e o Estranho”, “Contos Fantásticos no Labirinto de Borges” e “Páginas de Sombra”; (todos pela editora Casa da Palavra).

 

 EXPOSIÇÕES


SÁBADO e DOMINGO -  a partir das 11 horas

Painel comemorativo: “40 ANOS DO SYMPOSIUM DE FICÇÃO CIENTÍFICA
Sanz_AC Clarke2O “Simpósio de FC” foi o primeiro “international meeting” (encontros internacionais de escritores profissionais), da história do gênero. O “Simpósio de fc” foi um evento integrante do II Festival Internacional do Filme, no Rio de Janeiro, em março de 1969, entre os dias 24 e 30.

Dos Estados Unidos, vieram Forrest J. Ackerman, Karen e Poul Anderson, Alfred Bester, Robert Bloch, Leigh Chapman, Roger Corman, Carol e Ed Emshwiller, Harlan Ellison, Philip José Farmer, Harry Harrison, Robert A. Heinlein, Damon Knight e Kate Wilhelm, George Pal, Frederik Pohl, Robert Sheckley e A. E. van Vogt.

Da Espanha veio Luis Gasga e da França vieram Jacques Baratier, Robert Benayoun, Michel Cae e Jacques Sadoul. Da Inglaterra, Brian W. Aldiss, J. G. Ballard, John Brunner, Val Guest e Rolf Rilla. Do Uruguai veio Marcial Souto.

E do Brasil estiveram presentes André Carneiro, Clóvis Garcia, Ruy Jungman, Álvaro Malheiros, Walter Martins e Jerônymo Monteiro.

Um outro inglês, Arthur C. Clarke, cujo filme 2001: Uma Odisséia no Espaço , desenvolvido por ele em parceria com o cineasta Stanley Kubrick, fora lançado no ano anterior e alcançado reconhecimento estrondoso, também esteve presente para ser homenageado com o troféu “Monólito Negro”.

 
Exposição de esculturas: “VISÕES SECRETAS
Cavani Rosas_rosto2Caboclos coroados, golems feitos de algas, índios guerreiros com cocares vivos, criaturas híbridas de vegetal, animal e humano, parecem ter-se despregado da superfície bidimensional dos desenhos para invadir o mundo em três dimensões de onde os contemplamos.

O mundo de onde Cavani Rosas extrai seus personagens é um mundo fantasmagórico cujas leis parecem definidas em parte por essas escolas esotéricas, e em parte pela Física Quântica.

São criaturas que parecem personagens de William Blake invadindo-se de um desenho de Rugendas, ou seres lovecraftianos esvoaçando sobre uma paisagem de Frans Post.

Cavani Rosas sempre deu uma duplicidade perturbadora aos seres que engendra: o mágico ao lado do científico, o vislumbre onírico trazido à tona da mente com o rigor anatômico de quem já dissecou cadáveres por mero hobby. As criaturas podem ser inverossímeis, mas sua concretude física desafiaria as objeções de uma banca examinadora. O elemento fantástico emerge com todo vigor nas esculturas a que Cavani vem se dedicando nestes últimos anos.

  • Cavani Rosas é desenhista e escultor. Artista pernambucano, nascido no Recife, dedica-se basicamente à escultura e ao desenho em bico-de-pena.

 

 LANÇAMENTO & ENCONTROS COM OS AUTORES

 “Alma e Sangue”, de Nazarethe Fonseca (Editora Aleph)

 “O Arqueiro e a Feiticeira”, de Helena Gomes (Idea Editora)

“Os Guardiões do Tempo”, de Nelson Magrini (Giz Editorial)

 “Kaori – Perfume de Vampira”, de Giulia Moon (Giz Editorial)

 “O Livro Vermelho dos Vampiros”, de Luiz Roberto Guedes (org.) (Devir)

“O Prédio, o Tédio e o Menino Cego”, de Santiago Nazarian (Record)

 “O Povo da Névoa”, de H. R. Haggard (Edições GRD)

 “Steampunk”, de Gianpaolo Celli (org.) (Tarja Editorial)

 “Ubik”, de Philip K. Dick (Editora Aleph)

 
TV CRONÓPIOS: FANTASTICON 2009 AO VIVO

logo_tvcronopios1ANeste ano, teremos a cobertura jornalística da TV Cronópios, que transmitirá ao vivo toda a programação do Fantasticon 2009. A TV Cronópios é um canal online de literatura e arte que transmite entrevistas com escritores em eventos, coberturas de lançamentos literários e reportagens gravadas no local de trabalho ou na casa de escritores.

Criado em 2005, o portal Cronópios é um projeto com o intuito de mapear e fomentar a literatura contemporânea brasileira, em todas as regiões do país. Tem 40 colunistas fixos, que são escritores premiados de várias gerações literárias, e de diversas regiões do país, assim como de outros países: Espanha, México, Uruguai, Argentina e Angola. O site movimenta hoje cerca de 1 milhão e 300 mil de PageViews ao mês.

Mostra de filmes: ”OS PREMIADOS DO FESTIVAL CURTA FANTÁSTICO”

BICHO – (Melhor Filme de Fantasia)
Dir. Vitor Brandt – 13 min. Fantasia
Garoto de 9 anos, tímido e solitário, tem uma fascinação por animais. Sua mãe odeia bichos e sempre se livra deles. Ao encontrar um bicho diferente dessa vez, a história do garoto não irá terminar da mesma maneira.

O DIABO DA GUARITA (Menção Honrosa)
Dir. João Tenório – 18 min. Horror
Um homem dentro de uma guarita é assombrado. Baseado em fatos reais.

O ANDAR SUPERIOR (Menção Honrosa)
Dir. Leo Ribeiro – 06 min. Fantasia
Teotônio Flanela, um simples contador, vive situações inusitadas para conseguir embarcar para o descanso eterno.

 O POVO ATRÁS D MURO (Menção Honrosa)
Dir. Marconi Loures – 08 min. Fantasia
Um povo descobre não serem os únicos habitantes em um pequeno planeta.

 O GRITADOR (Prêmio Estímulo)
Dir. Ulisses Costa e Carlos Porto – 15 min. Horror
Três rapazes da cidade grande acampam nos cânions dos Campos de Cima da Serra (RS). Encontram dois misteriosos guias e ficam conhecendo a lenda de um homem cruel que foi condenado a vaguear pelo mundo como uma alma penada – o temível Gritador.

MEU CARRO, O MEU CARRO (Melhor Filme pelo Júri Popular)
Dir. Guilherme Nasraui – 08 min. Fantasia
Ao pegar se velho carro para um encontro profissional, homem encontra baú mágico e tem a oportunidade de pedir qualquer coisa. É hora de colocar à prova sua inteligência.

 VOLTAGE (Melhor Filme de Ficção Científica)
Dir. Willian Paiva e Filipe Lyra – 04 min. Ficção Científica
Um homem dentro de uma guarita é assombrado. Baseado em fatos reais.

Em Voltage, robôs meio-humanos e meio-sintetizadores movidos por doses cavalares de energia se conectam num transe elétrico e caótico.

VADATA (Melhor Filme de Horror)
Dir. Manuel Lebelt – 10 min. Horror
Dentro de um envelope com remetente desconhecido. uma única peça de um quebra-cabeça. Outros envelopes chegam com mais peças e algo se torna real além da soma das partes.

ROCK ROCKET DOIDÃO (Melhor Maquiagem)
Dir. Kapel Furman – 05 min. Horror
Um bar se tornará palco para uma seqüência sangrenta alucinante, apresentando o rock’n’roll da forma mais visceral possível.

A VOLTA DO CANDANGO  (Melhor Criatura)
Dir. Filipe Gontijo e Eric Aben-Atharo – 06 min. Fantasia
Os operários (candangos) que construiram Brasília trabalhavam mais de 16 horas por dia. Muitos morriam no canteiro de obras. Agora um desses operários volta dos mortos para ver como ficou a cidade que ajudou a construir. 

O HOMEM DA CABEÇA DE PAPELÃO (Melhor Efeito)
Dir. Carlos Canela – 15 min. Ficção Científica
Em uma sociedade no tempo, um homem muda de cabeça e descobre que só a verdade não o libertará.

O ASSASSINATO DA MULHER METAL (segundo mais votado pelo público)
Dir. Joel Caetano – 18 min. Ficção Científica
Antigos heróis se juntam para desvendar o assassinato de uma ex-companheira, durante a investigação descobrem algo maior acontecendo.

 

 Biblioteca Viriato Correa_logoA

Endereço: Rua Sena Madureira, 298
Vila Mariana – 04021-050 São Paulo, SP
Tel.: (11) 5573-4017 e (11) 5574-0389
ENTRADA FRANCA

1) Não é necessário se inscrever antecipadamente.
As senhas, para todas as atividades,
serão distribuídas com 1h de antecedência,
obedecendo à capacidade de lotação:
101 lugares na Sala Luiz Sérgio Person e
40 lugares no Espaço Temático de Literatura Fantástica.

2) As exposições estarão no andar térreo da biblioteca durante todo o evento.
 

Sistema municipal bibliotecas_logo

cultura_logo_horizontal


‘CAPITÃO AMÉRICA’: ELES SEMPRE VOLTAM, CLARO

quinta-feira | 18 | junho | 2009

Segundo o New York Daily News, Steve Rogers, o Capitão América original, retornará aos quadrinhos da Marvel na minissérie “Reborn”(capa acima, de John Cassaday), prevista para ter início oportunamente em julho, mês da independência americana. E você ainda tinha alguma dúvida de que isso aconteceria? De que Rogers voltaria dos mortos?

A arte de “Reborn” será de Bryan Hitch, e o roteiro, de Ed Brubaker, que vem escrevendo boas histórias com o Capitão América atual, vivido por Bucky Barnes, velho parceiro de Rogers na Segunda Guerra. Com a morte de Rogers, há dois anos, assassinado a tiros durante a série “Guerra Civil”, Barnes assumiu o uniforme em fase elogiada pelos fãs do super-herói. Mas, pelo visto, tudo deve voltar a ser como antes. Uma pena.

“Nós estivemos planejando pacientemente para este momento por dois anos e meio”, disse o editor-chefe da Marvel, Joe Quesada, ao New York Daily News. Como se isso fosse algum atenuante… Já Brubaker diz na mesma reportagem que matar o personagem foi algo louco, com leitores ligando, às 5h30m da manhã, para sua casa perguntando: “Ed, diga que não é verdade, diga que o Capitão América não está morto”. Até que ponto chega um fã…

Mas esta “brilhante” estratégia de trazer os mortos à vida (resta saber a explicação) não é exclusividade da Marvel. O Batman, ou melhor, Bruce Wayne, está desaparecido nos quadrinhos publicados nos EUA. Dado como morto, sobrou para seu antigo parceiro, Dick Grayson, o Robin original (atual Asa Noturna), assumir o uniforme do homem-morcego. Ao lado de Grayson, como novo menino-prodígio está Damian al Ghul, filho de Wayne com Talia al Ghul, filha de Ra’s Al Ghul, um dos inimigos de Batman.

Confuso? Então saiba que Jason Todd, morto pelo Coringa tempos atrás, voltará diferente (como vilão?), segundo o roteirista da série “Batman and Robin”: Grant Morrison. A arte da primeira edição, que saiu este mês, nos EUA, é do ótimo Frank Quitely. Mas será um ilustrador diferente a cada número de… “Reborn”. Santa criatividade.
>> GIBIZADA – por Telio Navega


‘HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE’: ASSISTA A DOIS COMERCIAIS DE TV

terça-feira | 16 | junho | 2009

Harry Potter e o Enigma do Príncipe_poster
Assista a dois comerciais de TV de Harry Potter e o Enigma do Príncipe
Vídeos evitam o tom sombrio do sexto filme da série

Harry Potter e o Enigma do Príncipe, sexto filme da série, ganhou mais dois comerciais de TV. O primeiro se concentra nos dramas de Harry, Ron e Hermione, enquanto o segundo tenta dar um ar mais leve – com piadas e algum quadribol – à sombria história. Confira:

Na trama, Lorde Voldemort (Ralph Fiennes) ameaça tanto o mundo dos trouxas quanto o mundo dos bruxos, e Hogwarts já não é o local seguro de outrora. Harry (Daniel Radcliffe) suspeita que o perigo esteja dentro do castelo, mas Dumbledore (Michael Gambon) está mais preocupado em preparar o bruxo para a batalha final que se aproxima rapidamente.

Enigma do Príncipe estreia em 17 de julho.
>> OMELETE – por Marcelo Hessel


HOBBIT: MAIS UM PERSONAGEM DE ‘O SENHOR DOS ANÉIS’ É CONFIRMADO

terça-feira | 16 | junho | 2009

Hobbit_Hugo WeavingA

Hugo Weaving voltará para interpretar o elfo Elrond

Guillermo Del Toro falou a um programa de rádio da BBC sobre o seu próximo filme, O Hobbit. O diretor falou da trama e confirmou a volta de um conhecido elfo de O Senhor dos Anéis: Elrond.

“Andy Serkis, Ian McKellen e Hugo Weaving voltarão aos seus papéis na trilogia”, adiantou Del Toro, em relação aos intérpretes de Sméagol, Gandalf e Elrond. Deles, apenas Weaving ainda não havia sido confirmado.

Del Toro falou um pouco sobre como criará novos eventos para realizar a divisão do livro em dois filmes. “Temos todo um novo ‘capítulo’, por assim dizer, que está entre as idas e vindas de Gandalf. Quem conhece a mitologia sabe que Gandalf se atrasou um pouco com uma crise, um encontro com um personagem sombrio chamado Necromancer que depois descobre-se ser Sauron”, diz Del Toro.

A divisão em dois filmes incluirá cenas no Conselho Branco e as andanças de Gandalf a Dol Guldur. O Hobbit narra acontecimentos prévios à trilogia e é centrado no hobbit Bilbo. O primeiro filme está agendado para sair em 2011. O fim da saga, em 2012
>> OMELETE – por Marcelo Hessel


‘DEADWORLD’: HISTÓRIA EM QUADRINHOS A CAMINHO DO CINEMA

terça-feira | 16 | junho | 2009

Deadworld1_capaA

Filme de apocalipse zumbi seguirá um morto-vivo motociclista

Adaptações de histórias em quadrinhos ao cinema nunca são demais. Filmes de zumbi idem. Adaptações de HQs de morto-vivo então… sempre bem-vindas no Omelete!

Os sócios no Dark Hero Studios, David Hayter e Benedict Carver juntaram-se ao produtor Bill Mechanic (Se7en) para levar Deadworld aos cinemas.

Hayter (Watchmen) escreverá o roteiro, desenhará as criaturas e produzirá ao lado de Mechanic. O criador da HQ, Gary Reed, será um dos produtores executivos.

Diferente da maioria dos filmes de zumbi, Deadworld é contado do ponto-de-vista dos infectados. A trama começa quatro meses após o apocalipse zumbi e acompanha King Zombie, um defunto motociclista em busca de humanos sobreviventes.
>> OMELETE – por Érico Borgo – 3/04/2008


ZÉLIO: BRASILIANAS, CONDIMENTO E OUTRAS BAGUNÇAS

sábado | 13 | junho | 2009

Zélio fala com imensa alegria de sua carreira. 50 anos. Comemorada em livro, com lançamento previsto até o final do ano, e por uma exposição, marcada para o próximo dia 22 em São Paulo. A vida do jornalista, cartunista, pintor e escritor Zélio é tão intensa quanto a de seu irmão com “z” – o pai do menino maluquinho: Ziraldo.

Conhecido como um dos fundadores de O Pasquim, Zélio tem em seu currículo o fato de ter criado e incentivado o salão internacional de humor de Piracicaba. Para além de sua marca como cartunista, perfil comum ao irmão e à esposa Ciça (aquela criadora de O Pato), Zélio conta a Terra Magazine sua última novidade como pintor.

Aliás, atende o telefone de seu ateliê no bairro de Higienópolis pedindo tempo: “Garoto, pode me ligar daqui a pouco? Estou no meio de uma tela e se parar agora não vai dar certo”. Na segunda tentativa, já está afiado para conversar. Solto.
- Rapaz, é uma coincidência você ligar para falar da minha carreira, porque vou lançar agora em 2009 um livro sobre os 50 anos de meu trabalho. Vai se chamar: “Zélio – 50 anos de uma aventura visual. Do risco à cor”. Começa com um autoretrato, passa pelo cartum, artes gráficas e chega às telas.

Antes mesmo do livro, o restaurante Mestiço, em São Paulo, vai abrigar uma exposição com uma seleção de suas telas e litografias. Intitulada “As Brasilianas e outros Condimentos”. Alguns destaques são antecipados aqui em Terra Magazine neste feriado prolongado.
- A exposição começou com uma proposta quase frívola e se transformou em algo muito interessante.

Zélio foi provocado pela dona do restaurante Mestiço a mostrar parte das “raridades de seu ateliê”, uma grande babel de sua produção. “Guardo no meu ateliê muitas telas, sobras de antigas exposições. Muitas delas não faziam parte de um conjunto e eu não tinha concluído 100%. E agora terminei para essa exposição”, diz.

Destaque para duas séries. Em “Ameríndios”, traz a estética que classificou de “pré-cabralina” para se referir à cultura ancentral dos povos americanos.
- Tem como base uma observação que tenho há tempos sobre nossa herança visual pré-cabralina, que é extremamente interessante e absolutamente ignorada. Há os que acham que o que faz parte de nosso passado remoto precisa ser esquecido ou apagado.

A série circulou numa exposição sua no Museu Brasileiro da Escultura (MuBE). O pintor revela que esse sua paixão pelo ancestral tem origens “desde menino, nas conversas sobre cavernas”.
- Existe uma coisa fantástica no Brasil que é a Pedra do Ingá, um paredão arqueológico perdido no sertão da Paraíba. É nossa Pedra de Roseta. Um paredão fantástico. Um dia, se Deus quiser, quero fazer uma reprodução dela – em tamanho menor, claro – e colocar no Parque do Ibirapuera e outra no Aterro do Flamengo. Só assim para as pessoas conhecerem aquilo. E essa estética é muito rica.

Outra série que Zélio apresentará é “Brasilianas” – conjunto de obras com retratos de mulheres resultantes de nossas miscigenações, “nativas na forma e na vontade”. “São essas mulheres anônimas – nem feias e nem necessariamente perfeitas -, que o artista elegeu como modelo para seu trabalho”, registra um texto sobre a exposição.

Na conversa por telefone, Zélio avisa aos risos que não consegue mandar nenhuma reprodução das telas para publicação. “Não é que eu não tenha. É que computador não é meu forte”, brinca. Vai até a agenda e procura o telefone de um amigo que possui cópia do material. E finaliza:
- Eu sou um dos caras mais desorganizados que eu conheço (risos). Procurando o telefone, encontrei uma tesoura que havia perdido na bagunça. Enfim, sorte…
TERRA MAGAZINE – por Aloisio Milani

Serviço:
As Brasilianas e outros Condimentos
De Zélio Alves Pinto
Restaurante Mestiço
Rua Fernando de Albuquerque, 277 – Consolação
Telefone: (11) 3256-3165
De 23 de junho a 23 de Agosto de 2009


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 59 other followers