‘A RODA DO TEMPO': ROBERT JORDAN NO BRASIL

jordan

Ano passado, no saudoso EIRPG, os amantes da high fantasy tiveram todos os motivos para comemorar: uma editora anunciou que ‘iria lançar a série Wheel of time no Brasil’.

Uma pausa para quem não acompanha o mercado internacional e não faz a menor ideia sobre o que estou falando. Wheel of time é uma das mais importantes séries de fantasia jamais publicadas, tendo fãs histéricos, um cenário imenso, tramas complexas e… onze volumes já lançados. O décimo-segundo, deixado incompleto pelo autor, era para ser o último, mas a editora já anunciou que vai seguir até pelo menos o décimo-quarto.

Em quantidade de páginas, deixa Harry Potter, Senhor dos Anéis e Crônicas de Nárnia quilômetros para trás. Quase que literalmente…

A trama principal não tem lá muitas novidades: é basicamente a velha guerra do Bem contra o Mal, encarnados em avatares mundanos – sendo que o do Bem só vai descobrir a sua própria identidade/herança depois de uma jornada campbelliana que dura o primeiro livro. Nada que você já não tenha visto antes, algumas vezes. No mundo criado por Roberto Jordan (falecido em 2007), esse embate é cíclico, estendendo-se por incontáveis eras regidas pela Roda do Tempo (daí o nome da série). Claro, os direitos para o cinema já foram negociados – até mais de uma vez.

A série tem – muitos – seguidores leais e ardorosos, espalhados pelo mundo. Eles estudam a geografia, a história e os costumes desses povos como se eles fossem reais. Consomem livros, CDs com trilha sonora, camisetas, calendários e RPGs. Aliás, a saga – para mim, que estou terminando o primeiro livro, Eye of the World – parece o que seria Senhor dos Anéis se tivesse sido escritor Gary Gigax, o criador do Dungeons and Dragons. (Tolkien, aliás, era uma das influências confessas do autor, assim como… Robert Howard, o pai de Conan)

O que não é necessariamente ruim – nem bom. É uma linha dentro da fantasia até bem comum lá fora. No Brasil, temos alguns poucos bons exemplos, tímidos ainda em se firmar nessa associação, até pelo preconceito que grassa contra o RPG na nossa camada pseudointelectual.

Aí, entra a parte mais interessante dessa noticia. Quem vai trazer a série para o Brasil não é a Rocco. Nem a Companhia das Letras. Tampouco a Ediouro ou a Aleph. Nada disso. A editora responsável é a … Caladwin.

Ok. Outra pausa.

A pequena editora tem – pelo menos segundo o seu site – um catálogo de três livros: dois de aventuras e um para o cenário de RPG criado por Marcelo Telles, o responsável pelo REDERPG, um dos principais sites de RPG do Brasil. (Não, não adianta procurar no site da editora maiores informações sobre WoT)

E isso é interessante.

Sempre achei que a série tinha a cara de material para ser publicado pela Devir quando se cansasse dos Dragões do fim da manhã do meio da primavera ou das aventuras de Forgotten Realms. Ou então, uma Rocco ousando um pouco além do novo Harry Potter. Parece que aparentemente as nossas editoras pequenas estão ousando mais. A Intrínseca tinha pouco destaque até abocanhar dona Meyer e seus vampiros brilhantes.

A Caladwin é voltada para jogadores de RPG, o público-alvo base da série. Porém, ela ainda está começando, tem pouca presença nos meios de comunicação – apesar da importância que WoT tem, apenas um punhado de blogs voltados ao RPG noticiaram o lançamento – e uma distribuição limitada. Também não faz um bom marketing viral, nem no site ligado ao Marcelo Telles.

Claro, não se precisa chegar aos extremos que alguns autores brasileiros chegam, de anunciar lançamentos de obras sequer terminadas e colocar cada detalhezinho em blogs. Porém, seria uma boa idéia divulgar de tempos em tempos novidades sobre o processo de publicação da obra – se a capa será igual a original, quem está traduzindo, etc. Duas notas falam sobre a aquisição da obra (em julho de 2008) e de seu provável lançamento ‘em meados deste ano’ (em abril de 2009)

O lançamento – quando acontecer – será uma boa prova de fogo para o surpreendentemente bom estado das coisas para a literatura fantástica no Brasil. Se conseguir um bom resultado, vai impulsionar a sua editora e atrair a atenção das demais, trazendo – quem sabe – outros lançamentos na mesma linha. Incluam aí autores como Gene Wolfe e George R.R. Martin.

Porém, esse bom resultado é uma incógnita. Afinal, o livro pode ser taxado como “coisa de RPG”, por puro preconceito por estar vindo de uma editora desse nicho, e vender menos por causa disso.

Eu, apesar de ter achado a obra muito inferior a Chronicles of the Black Company ou Songs of ice and fire, torço para que dê certo e garanto que foi comprar meu exemplar. Afinal, meu filho Miguel adorou a capa do meu pocket, vai que se interesse em ler a tradução.
>> FICÇÃO CIENTÍFICA E AFINS – por Ana Cristina Rodrigues

WoT01_TheEyeOfTheWorld

Alguns links:

Página de Robert Jordan na MacMillan, sua editora

Dragonmount, comunidade online de fãs da série

As duas notas sobre o lançamento na REDERPG

O site da Caladwin

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