A INVENÇÃO DE MOREL = MORUS + WELLS (+ GOETHE)?

domingo | 30 | agosto | 2009

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Todos conhecem a relação entre Morel e Moreau (personagem de H.G.Wells), está no próprio prólogo de Jorge Luís Borges, utilizado no livro publicado pela Cosac Naify (tradução de Samuel Titan Jr.) este ano. A UnB publicou no ano passado um livro de Ana Claudia Aymoré Martins, chamado Morus, Moreau, Morel: A ilha como espaço da utopia, que acrescenta um terceiro ingrediente interessante ao duo. Minha intenção aqui é somar outro tempero ao caldo: Goethe. Mas antes faço um exame rápido do modo como o romance se estrutura.

Num espaço em que convivem dois planos (um projetado e outro dado como real pelo senso comum), num espaço dividido, o narrador não sabe em qual dos dois vive, ou melhor, na maior parte do tempo acha que vive nos dois; melhor ainda: acha que só há um. O que entra pelos sentidos do narrador-personagem é estranho e apresentado ao leitor sem nenhuma decodificação. Portanto, este fica à mercê das informações colhidas por aquele, participa de seu esforço para interpretar uma realidade hermética. Durante boa parte da narrativa, o leitor não sabe se essa realidade se insere naquilo que se conhece por literatura fantástica ou se há só impressão de fantástico. Se o narrador estiver sendo vítima de uma ilusão, não haverá fantástico, mas impressão de fantástico, e a ilusão deverá ser desfeita em algum momento por uma interferência racional. Isso não acontece. Há, de fato, uma realidade ficcional fantástica que se revela em certa altura da narrativa, e o racional não se apresenta para desfazer ilusões, mas para explicar mecanismos.

O tempo, como o espaço, divide-se em dois, mais precisamente em dois tipos de presente: uma série de agoras do narrador (ele escreve um diário) e uma série de agoraoutroras repetitivos, para-sempre-presentes, presentes do passado, congelados em imagens que se projetam a intervalos. Desses dois presentes, um vai se desenrolando (o presente do diário), e o outro não se desenrola: espouca repetitivo, irrompe de um outro presente que já se foi. O agoraoutrora é feito de retalhos, momentos que, gravados no passado, são periodicamente projetados por um mecanismo que só aos poucos vai sendo desvendado. O entrecho criado em torno desse processo de desvendamento desemboca na descoberta da realidade ficcional fantástica de que falei acima. A partir daí tem início aquilo que ouso chamar de segunda parte do romance: o da reação do narrador à sua descoberta. Parece-me que essas duas partes constituiriam uma divisão estrutural mais grosseira: o antes e o depois da descoberta. Há mesmo uma mudança no andamento da narrativa depois dessa cesura, mas não é possível tratar disso agora.

Na escolha de um tipo de enfoque por qualquer autor, entra em jogo o casamento do que há para ser narrado com os efeitos que a narrativa deve produzir. Casares escolheu a forma diário. Uma das vantagens desse enfoque é a possibilidade de escapar à narração retrospectiva e ir marcando o registro das experiências à medida que elas vão sendo vivenciadas, para que os passos do narrador ou personagem coincidam com os do leitor no caminhar do desvendamento, sem dicas, deixas ou pistas; a outra é dar ser a um narrador que já não existe, o que é feito por meio de um registro textual de autoria dele enquanto existia: dessa forma, o diário é um tipo de testamento que lega à posteridade uma história que de outro modo não lhe chegaria. O livro que o leitor tem em mãos é esse diário. Mas, no caso da Invenção de Morel, para que o diário se transforme em livro, entra em cena outro ator: um editor ficcional que não é transparente, que não se quer invisível, uma quase-personagem que de vez em quando se imiscui em rodapés, expressando suas dúvidas acerca de algumas afirmações do narrador, frequentemente as que dizem respeito ao mundo objetivo, a coisas compulsáveis em mapas e enciclopédias. Essa interferência traduz um modus operandi verificável, afiançável, dissonância afi(n)ada ao tom do que se lê no suposto diário. Um contratempo irônico, um sorriso maroto.

Com isso acredito ter traçado em linhas gerais a estrutura do romance, dando uma pálida ideia da boa tecedura de Casares. Desse modo fica mais fácil perceber como se criam “mundos irreais mas possíveis porque sem contradições internas”, como comenta Carpeaux no posfácio da mesma edição.

Conforme eu disse acima, há de fato fantástico. Mas trata-se de um fantástico surpreendente, com feição de ficção científica. Por que ficção científica? Porque a narrativa tem como base concreta indispensável para a sua montagem um artefato que não existe no plano da realidade extraficcional (na época da escrita e ainda hoje): uma máquina capaz de produzir e projetar imagens dotadas de todas as propriedades das imagens da vida “real”. As imagens são tridimensionais, móveis e atuantes, não precisam de nenhum suporte, nenhuma tela, por exemplo, de tal modo que qualquer observador acredita estar diante de seres vivos. Enfim, algo muito parecido com o que hoje se conhece por holograma, mas um holograma sem suporte, o que ainda não se inventou. Quando Casares escreveu seu livro, essa palavra não existia. Consta que foi criada por Denis Gabor em 1947; depois, portanto, da publicação da Invenção de Morel (1940). Mas é possível que as notícias das primeiras teorizações no assunto tenham chegado ao conhecimento de Casares. Ou teria ele feito uma antecipação genial? Nenhuma das duas hipóteses me soa descartável e talvez as duas se harmonizem.

Parece (ou deveria ser) consenso que, na maioria dos casos, o importante não é esmiuçar o que há da experiência prática na obra de ficção, e sim o modo como esta é manipulada pelo ficcionista e quais são os resultados dessa manipulação. Fazendo uma analogia banal, direi que, se num sonho uma torneira aberta se transforma em cascata, rio, torrente…etc., a pergunta é por que se transformou em uma dessas coisas em vez de outra qualquer, pouco importando as características mecânicas da torneira.

Em Casares, como teria ocorrido a metamorfose, se é que ocorreu? Ou no que sua antecipação genial transcende qualquer teorização científica? A serviço de que finalidade?

Em primeiro lugar, a precisão das imagens carreia um lance afetivo. Nada mais lógico: se essas imagens se dão ao espaço como se lhe dão os nossos corpos, produzindo no espectador as mesmas sensações que estes, é coerente a hipótese de o narrador ter reações afetivas em relação a elas. No caso, ele se apaixona por uma das imagens, por uma mulher, antes de conhecer sua oximórica verdade de simulacro. Este fato sem dúvida determina em parte a reação que ele tem após a descoberta do modo de funcionamento do artefato, e digo “em parte” porque o próprio texto mostra que o passado político do narrador também a determina. Mas não vou analisar aqui tudo o que está implicado na tal reação, pois sei que outros já o fizeram e também porque não quero que este texto se torne tão grande que canse os olhos de quem se esforça por percorrer um artigo árduo numa tela de computador. O que importa é que, sem esse dado (o da paixão), o leque de possíveis desfechos se abriria; com ele, o leque tende ao fechamento.

Mas a manipulação ficcional de Casares não se limita a isso. Expande-se do seguinte modo: o processo de gravação das imagens implica a morte do sujeito gravado, do holografado, direi consciente de cometer o pecado do anacronismo. Implica a absorção paulatina de sua alma, portanto a morte do corpo. Em outras palavras: a imagem ganha vida, o corpo morre. Que tipo de vida tem a imagem enquanto tal não ficamos sabendo, afinal somos leitores de um diário deixado por alguém que passou para o lado da imagem e assim perdeu o poder da escrita, o corpo de atuar do lado de cá. Ele nos deixa sós, com uma pergunta na ponta da língua.

Há, portanto, uma grande metáfora (uma alegoria?), razão de ser da obra. Carpeaux finaliza seu artigo dizendo: “A invenção de Morel é uma sátira. Mas o objeto da sátira não é a técnica e, sim, a condição humana. Pois assim como o fugitivo de Bioy Casares temos todos nós a escolha, apenas, entre a morte pela peste e a prisão na vida – até a morte”. Ora, em Casares, quem ingressa na imagem troca a precariedade da existência real pela perenidade da existência virtual. Perenidade precária (outro oxímoro), pois a imagem durará enquanto durar a máquina projetora, que por sua vez depende dos caprichos das marés, e aí está mais um dado satírico: a perenidade que nosso tempo pode oferecer é essa, é a perenidade laica, tecnológica, é um simulacro de perenidade. No que se inclui a perenidade da arte. Arte como criadora de simulacros: será casual a semelhança entre a projeção de Morel e o cinema? Como não pensar na literatura como arte criadora de imagens intelectuais perenes, como um meio de expressão em que o autor se despe de si e se engolfa nas imagens criadas, confundindo-se com as criaturas pelas quais se apaixona? Uma via de fuga (no sentido da perspectiva ou não), de pro-jeção (no sentido Heideggeriano ou não), de transformação ontológica afinal?

No fundo, algo que só contingencialmente se distingue daquela outra perenidade, plena e utópica, que se chama eternidade, aquela pela qual Fausto negociou a própria alma, dizendo a Mefistófeles:

Se me chegar momento
a que eu diga: ‘Demora-te! És formoso’
então aos teus grilhões entrego os pulsos.

depois de ter declarado:

O que preciso e quero, é atordoar-me.
Quero a embriaguez de incomportáveis dores,
a volúpia do ódio, o arroubamento
das sumas aflições. Estou curado
das sedes do saber; de ora em diante
às dores todas escancaro est’alma.

Para fugir a uma vida que já não lhe parece tragável, Fausto opta pela dor. Fausto pactua. Faustos pactuam. Ali, o desencanto com a ciência; aqui, o encanto com ela. O tormento da perseguição aqui troca de sinal e se iguala à ânsia de atordoar-se ali. Nos dois casos, a paixão por uma miragem. Motivo mais que suficiente. Todos farão o mesmo: cada um a seu modo, ao modo de seu tempo, sempre com a ajuda daquela “parte da força, que, empenhada no mal, o bem promove”.

Não por acaso, a imagem irresistível da Invenção de Morel se chama Faustine.
>> CRONÓPIOS – por Ivone C. Benedetti


‘CIRQUE DU FREAK’: VEJA TRECHO DO FILME

domingo | 30 | agosto | 2009

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Um trecho do mais novo filme sobre sugadores de sangue, Cirque du Freak: O Assistente de Vampiro, foi liberado.

Nele, podemos ver os (ex) melhores amigos Darren (Chris Massoglia) e Steve (Josh Hutcherson) brigando dentro de um circo. Uma luta um tanto frenética e que tem um final inesperado. Clique aqui para conferir.

O filme é centrado em Darren, que é mordido pelo vampiro Larten Crepsley (John C. Reilly), se tornando também um vampiro, assim ingressando no Cirque du Freak, um circo de aberrações que incluem um garoto-serpente, um lobisomem e uma mulher barbada interpretada por Salma Hayek.

Se adaptando a seus novos poderes e ao novo mundo sombrio que o rodeia, Darren se torna assistente do vampiro que o mordeu e peão na luta entre vampiros e seus rivais Vampaneses.

O filme adapta a série de livros Circo dos Horrores, criada por Darren Shan. No elenco estão também Willem Dafoe, Ken Watanabe, Ray Stevenson, Orlando Jones e outros. A direção é de Paul Weitz.

Nos EUA o filme estreia em 23 de outubro de 2009, mas aqui no Brasil ficou para 12 de fevereiro de 2010.
>> HQ MANIACS – por Fernando Tecchio


‘LUA NOVA’: VEJA NOVAS IMAGENS DA CONTINUAÇÃO DE CREPÚSCULO

domingo | 30 | agosto | 2009

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Depois das fotos posadas, agora os Volturi aparecem em cenas de Lua Nova

Lua Nova, a continuação de Crepúsculo, ganhou novas imagens, depois dos cartazes com o clã Volturi.

Chris Weitz (A Bússola de Ouro) assina o segundo filme, que sai no Brasil pela Paris Filmes simultaneamente ao lançamento nos EUA, em 20 de novembro deste ano.

Assista ao Teaser e Trailer.
>> OMELETE – por Marcelo Hessel

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ANCESTRAIS DO BIG BROTHER

sábado | 29 | agosto | 2009

Cerca de vinte anos atrás, li um livro de ficção científica de John Brunner cujo título em português agora me escapa, mas que em inglês se chama The Productions of Time. Um sujeito recebe um convite, para passar algumas semanas numa casa de campo. Lá, ele se depara com um grupo de dez ou quinze outros convidados, pessoas que não se conhecem entre si. A permanência na casa está condicionada a certas regras meio restritivas, que eles não obstante aceitam, porque o ambiente é confortável. O que ocorre a seguir eu não me lembro, porque é totalmente irrelevante; sei apenas que os hóspedes se envolvem em longas discussões, brigas e paqueras. Nos últimos capítulos, o protagonista começa a desconfiar de alguns equipamentos estranhos que vê em lugares estratégicos da casa, embaixo da cama, etc. E vem a revelação final: tudo aquilo era um imenso cenário, com câmaras e equipamento de gravação. A vida dos hóspedes estava sendo gravada e retransmitida por indivíduos que (ao que parece) vinham do futuro e queriam estudar a espécie humana em seu habitat natural, no século 20.

O livro é de 1966, e para mim é mais uma das numerosas antevisões feitas pela FC deste curioso espetáculo que no Brasil ganhou o nome de “Big Brother”. A noção básica é que um dos passatempos principais, num mundo dominado pela TV, é espionar a vida alheia. Brunner foi um dos grandes da FC britânica, um escritor culto e versátil cujas obras misturavam FC com xadrez (The Squares of the City, 1965), com telepatia curativa (The Whole Man, 1964), com teatro (The Dramaturges of Yan, 1972). Espero não morrer um dia sem ter perlustrado as 573 páginas de Stand on Zanzibar, um épico em larga escala sobre o mundo de hoje, mas publicado em 1968.

A FC sempre explorou esse lado mórbido dos seres humanos. “Vintage Season” (1946), escrito por C. L. Moore e Henry Kuttner sob o pseudônimo Laurence O’Donnell, mostra viajantes endinheirados do Futuro desembarcando na Terra a tempo de contemplar grandes catástrofes ou belos crepúsculos mencionados em obras históricas ou literárias. The Heaven Makers (1968), de Frank Herbert, mostra a vida de pessoas de carne e osso servindo de videogame para criaturas super-poderosas.

Brunner tinha um interesse imaginativo pela interferência dos meios de comunicação em nossa vida diária. Outro livro seu, que não conheço (Players at the Game of People, de 1980) foi comparado ao filme O Show de Truman, por descrever um sujeito cuja vida é acompanhada por pessoas ricas como se se tratasse de uma telenovela ou um jogo. Brunner conhecia bem o impulso “voyeurístico” que viria a alimentar os “reality shows” de nossa era. Se alguém descreveu com ironia, desencanto e visão profética alguns dos excessos do mundo de hoje, em que as telecomunicações criam jogos para explorar o sado-masoquismo manipulatório das massas, foi gente como Brunner, Kurt Vonnegut e Robert Sheckley.
>> MUNDO FANTASMO – por Baulio Tavares


QUANDO HARRY POTTER ENCONTRA DEUS

sexta-feira | 28 | agosto | 2009

A princípio, o mundo da religião não ficou particularmente entusiasmado com a chegada do menino Potter. Por vários anos, a série Harry Potter, de J. K. Rowling, esteve no topo das listas da Associação Americana de Bibliotecas de livros mais desafiadores (razões citadas em 2001: “antifamília, ocultismo/satanismo, ponto de vista religioso e violência”). Protestantes evangélicos questionavam: a representação positiva da bruxaria desencaminharia crianças? E alguns católicos também estavam preocupados. Do cardeal Joseph Ratzinger (hoje Papa Bento XVI), que alertou que “seduções sutis” no texto poderiam “corromper a fé cristã”, ao reverendo Ronald A. Barker, sacerdote de Wakefield que arrancou os livros da biblioteca escolar de sua paróquia.Mas, nos últimos anos, escritores e pensadores religiosos passaram a se entusiasmar por Harry – tanto a Christianity Today, uma revista evangélica, quanto L’Osservatore Romano, o jornal do Vaticano, elogiaram o último filme. O Christian Broadcasting Network, canal de Pat Robertson, apresenta em seu website uma seção especial sobre A Controvérsia de Harry Potter, que reconhece que “importantes pensadores cristãos têm opiniões muito diferentes sobre os produtos Harry Potter e como os cristãos devem responder a eles”.

Ético, positivo e tolerante
Ao mesmo tempo, estudiosos da religião começaram a desenvolver uma abordagem com maiores nuances sobre o fenômeno Potter, com alguns argumentando que a extremamente popular série de livros e filmes contém mensagens éticas positivas e um arco narrativo que vale a pena ser examinado academicamente e até teologicamente.

Os acadêmicos estão interessados sobretudo no que os livros têm a dizer sobre os dois grandes temas de preocupação das pessoas de fé – moralidade e mortalidade -, mas alguns também investigam o que a série diz sobre tolerância (Harry e seus amigos são notavelmente abertos a pessoas e criaturas diferentes), intimidação, a natureza e presença do mal na sociedade e a existência do sobrenatural.

O interesse acadêmico nos livros de Harry Potter começou bem antes do fim da série e não dá sinais de diminuir. Pipocaram livros acadêmicos com títulos tão diversos quanto The Ivory Tower and Harry Potter: Perspectives on a Literary Phenomenon (A Torre de Marfim e Harry Potter: Perspectivas Sobre um Fenômeno Literário) e Harry Potter’s World: Multidisciplinary Critical Perspectives (O Mundo de Harry Potter: Perspectivas Críticas Multidisciplinares).

No último outono, a Academia Americana de Religião teve em sua convenção anual uma mesa chamada A Forma Potteriana de Morte: A Concepção de Mortalidade de J. K. Rowling. E há uma grande quantidade de artigos em periódicos religiosos com títulos como Procurando Deus em Harry Potter e Envolvendo-se na Espiritualidade de Harry Potter ou mesmo mais complexos como Harry Potter e o Batismo da Imaginação, Harry Potter e o Problema do Mal e Harry Potter e Bibliotecas Teológicas.

Religião & Cultura Pop
“Existe todo um campo explosivo de religião e cultura popular buscando não apenas paralelos exatos, seja concordando ou contestando crenças religiosas, mas também considerando essas histórias um reflexo das sensibilidades espirituais ou religiosas da cultura”, afirma Russell W. Dalton, professor-assistente de educação cristã na Escola Brite Divinity, no Texas e autor de Faith Journey through Fantasy Lands: A Christian Dialogue with Harry Potter, Star Wars, and The Lord of the Rings (Jornada da Fé Através de Terras da Fantasia: um Diálogo Cristão com Harry Potter, Guerra nas Estrelas e O Senhor dos Anéis).

“Quando histórias se tornam tão populares quanto as de Harry Potter, elas deixam de refletir apenas as opiniões religiosas do autor, mas se tornam artefatos da cultura, dizendo algo sobre a cultura que as abraçou”, diz Dalton. “E esse é certamente o caso de Harry Potter.”

O interesse acadêmico no menino que sobreviveu ao mal faz parte de uma busca maior de escritores e estudiosos da religião por sinais da fé, e em particular por repercussões da narrativa cristã, na cultura. A busca não é nova, embora esteja historicamente concentrada na grande arte – como pintura e literatura. Mais recentemente, jornalistas de religião se voltaram para a cultura popular, escrevendo livros como O Evangelho Segundo os Simpsons, de Mark Pinsky, e The Gospel According to the Coen Brothers (O Evangelho segundo os irmãos Coen), de Cathleen Falsani, enquanto pesquisadores examinam o papel da religião em clipes da Madonna e em séries de TV como Jornada nas Estrelas e Lost.

“Precisamos nos envolver no diálogo que ocorre entre as pessoas”, defende Jeffrey H. Mahan, professor de ministério, mídia e cultura da Escola Iliff de Teologia, no Colorado, e um pioneiro no estudo da relação entre religião e cultura popular.

Também existe um longo histórico do uso da literatura infantil como forma de pedagogia religiosa. Amy Boesky, professora-associada de inglês do Boston College, afirma que o uso da literatura infantil para o ensino de valores morais remete a, pelo menos, Erasmo, que escreveu durante a Renascença, e inclui clássicos que vão de O Peregrino, de 1678, a Uma Dobra no Tempo, de 1962. O exemplo mais conhecido são os sete volumes de As Crônicas de Nárnia, escritos no início da década de 1950 pelo apologista cristão C. S. Lewis, que, além de servirem como divertida literatura fantástica, são frequentemente lidos como uma alegoria cristã, sendo o heróico leão Aslan obviamente uma metáfora de Cristo.

Embora alguns acadêmicos agora enxerguem Cristo em Harry Potter, os paralelos são mais sutis e, sem dúvida, amplamente ofuscados por uma torrente estonteante de feitiços mágicos, criaturas estranhas e jogos de quadribol. Harry em si é um complexo herói adolescente, assombrado pelo assassinato de seus pais, por vezes em conflito com seu papel no mundo e confuso, como qualquer um estaria, por sua estranha conexão mental com seu antagonista Voldemort.

“Os livros de Potter não são explicitamente religiosos como as narrativas de Nárnia, mas há a forte presença do mal, e temas do bem e do mal não são apenas filosóficos, mas também questões teológicas¿, observa Gareth B. Matthews, professor de filosofia na UMass Amherst.

Versões de Cristo e Deus
Alguns pesquisadores levam a busca por temas do Evangelho na série Harry Potter bem longe. Oona Eisenstadt, professora-assistente de estudos religiosos do Pomona College, faz uma análise extremamente elaborada, sustentando que Rowling explora a natureza complexa de personagens bíblicos apresentando duas versões de cada nos livros de Potter. os bruxos Severo Snape e Draco Malfoy, argumenta, representam interpretações concorrentes de Judas – ambos buscando a morte de Dumbledore, mas um porque está servindo o mal e o outro porque essa é uma exigência do destino. Eisenstadt enxerga Dumbledore e Harry, cada um à sua maneira, como figuras de Cristo – talvez Harry representando Jesus humano e Dumbledore o divino. E ela acredita que a descrição de elementos da comunidade judaica segundo o Novo Testamento ocorre através dos duendes (banqueiros repulsivos) e do Ministério da Magia (legalista e bitolado).

“Ao invés de oferecer uma alegoria direta, que obriga leitores juvenis a engolir a teologia, Rowling oferece representações dúbias, que são um convite à reflexão para jovens e todos nós”, escreve Eisenstadt.

Crítica ao fundamentalismo
Alguns estudiosos de religião parecem mais interessados na série Potter como um comentário social – em particular, eles focam na recusa de Harry em participar da discriminação aos trouxas demonstrada por alguns bruxos e feiticeiros de sangue puro, assim como na hostilidade a gigantes e fantasmas, entre outras criaturas mágicas ameaçadoras, que alguns personagens manifestam. “Um dos temas gerais da série Harry Potter tem a ver com perseguição com base na raça”, afirma Lana A. Whited, professora de inglês do Ferrum College, na Virgínia, e autora de The Ivory Tower And Harry Potter. Já Dalton, da Escola Brite Divinity, leva o argumento mais além, sugerindo que a associação de tolerância a personagens heróicos é uma crítica ao fundamentalismo.

“Para Dumbledore e Harry e seus amigos não importa se você nasceu trouxa ou gigante”, diz Dalton, “enquanto está claro que os Comensais da Morte, os malvados, são intolerantes às pessoas diferentes deles”.

Vozes divergentes
Nem todos os acadêmicos são tão entusiásticos. Elizabeth Heilmant, professora-associada de pedagogia da Universidade Estadual de Michigan e editora do livro Critical Perspectives on Harry Potter aponta que, diferente de Hermione, que abraça a causa dos elfos domésticos, “você nunca vê Harry Potter dedicando-se a uma causa em favor dos oprimidos. Ele é na verdade um herói relutante e não estou convencida de que a narrativa o faz efetivamente ir além de seus motivos pessoais”.

O interesse dos estudiosos de religião na série Potter se intensificou com o muito esperado lançamento do sétimo e último livro, Harry Potter e As Relíquias da Morte, publicado em 2007. A questão sobre a possível morte de Harry foi muito debatida antes do lançamento do livro, e não é preciso ter um diploma em divindade para ver temas de sacrifício e ressurreição na resolução dessa questão.

“Lembro-me da espera pelo livro sete e das conversas com meus filhos sobre se Harry Potter iria morrer e muitas dessas conversas envolviam até que ponto Rowling faria dele um livro cristão: será que Harry vai morrer e salvar o mundo?”, diz Stephen Prothero, professor de religião da Universidade de Boston.

O desfecho da história (alerta de spoiler!) é o ponto de partida para muitos estudiosos de religião, porque nas cenas finais, Harry compreende “que sua função era caminhar calmamente em direção aos braços acolhedores da Morte”, escreve Rowling. Harry permite que ele seja morto – ou pelo menos atingido por uma maldição fatal – para salvar o mundo da feitiçaria, mas depois retorna à vida, encorajado por uma visão de Dumbledore que lhe diz: “retornando, você pode garantir que menos almas sejam mutiladas, menos famílias sejam destruídas”. Harry então vence Voldemort e, segundo a descrição do livro, é visto pela multidão que testemunha a batalha final como “seu líder e símbolo, seu salvador e seu guia”.

“No final do último livro, temos um Potter agonizante que ressurge – ele precisa ser morto para livrar o mundo do mal personificado por Voldermort”, diz Paul V. M. Flesher, diretor do programa de estudos religiosos da Universidade de Wyoming e autor do artigo sobre Harry Potter para o Journal of Religion and Film. “Existe um padrão cristão nesta história. Não é apenas o bem contra o mal. Rowling não está sendo evangélica – isso não é C. S. Lewis -, mas ela conhece tais histórias e está claro que ela junta as peças de uma maneira que faz sentido e que ela sabe que os leitores vão acompanhar.”

Escritora confirma analogia religiosa
A própria Rowling, após a publicação do livro final, disse acreditar que os temas religiosos haviam “sempre estado óbvios”, e os acadêmicos observam pelo menos duas citações não nomeadas do Novo Testamento na série, uma no túmulo da mãe e irmã de Dumbledore (“Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”, Mateus), e uma no túmulo dos pais de Harry (“Ora, o último inimigo a ser destruído é a morte”, 1 Coríntios).

A última batalha de Harry com a morte consolidou o romance entre acadêmicos de religião e a série de Potter, com as controvérsias iniciais a respeito de varinhas e bruxaria sendo ofuscadas pela discussão do caráter de Harry e suas escolhas de vida.

“Ao invés de condenar certos elementos da série como malignos – algo que muitos cristãos fizeram -, devemos convidar nossas comunidades a apreciar mais profundamente tanto as similaridades quanto os contrastes entre as histórias e nossa fé cristã”, Mary Hess, do Luther Seminary de Minnesota, escreve no periódico Word & World.

De fato, Leonie Caldecott, escrevendo no Christian Century alguns meses após a publicação do sétimo livro, opina: “Como é revelado em Relíquias da Morte, longe de enganar a morte, Harry deliberadamente abraça a morte quando finalmente entende que isso é necessário para salvar os outros, e não apenas aqueles que ele particularmente ama.”

Dumbledore, no início da série, deixa claro suas próprias visões sobre o tema, dizendo: “Para uma mente bem organizada, a morte é apenas a próxima aventura.”

Na conferência da Academia Americana de Religião, os participantes exploraram a cena final, bem como outras ilustrações da morte na série de Potter, buscando por significados. Paul Corey, professor de estudos religiosos da Universidade McMaster, do Canadá, retoricamente perguntou: “Qual é a diferença entre um cristão e um Comensal da Morte?”. Este foi o ponto de partida para refletir sobre como a busca de Voldemort para vencer a morte poderia diferir de, ou se assemelhar, ao desejo cristão pela vida eterna no paraíso. E Lois Shepherd, especialista em bioética da Universidade da Vírginia, disse que encontrou na série um argumento contra o prolongamento da vida física a todo custo – uma rejeição ao que ela chamou de “busca para evitar a morte” que, segundo ela, foi representada pelo debate sobre Terri Schiavo no mundo real.

“A morte, na filosofia da série, não deve ser temida”, Shepherd diz. “Na verdade, são aqueles que mais temem a morte – Voldemort sendo o exemplo supremo disso – que se envolvem em atos inomináveis de maldade.”
>> TERRA – THE NEW YORK TIMES – por Michael Paulson/2008


NOVOS TEMPOS PARA A RAGU

sexta-feira | 28 | agosto | 2009

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As 240 páginas da edição 7 da Ragu são vistosas, pesadas. É um contraste gritante com o gibizinho fino e preto e branco de sua primeira edição, quase dez anos atrás. Se antes, a antologia de autores alternativos era bastante representativa para seu tempo, este retorno da obra às livrarias assume nova importância: introduz seus autores e editores num panorama mundial de quadrinhistas, apresentando novos e velhos nomes do Brasil e da América Latina.

A Ragu surgiu numa época em que a palavra “quadrinhos alternativos brasileiros” não fazia sentido. Excetuando bem-sucedidas séries infantis, todo quadrinhista nacional tinha seu nível de marginalidade. As primeiras edições da Ragu também eram muito próximas das referências da cidade do Recife, onde foi fundada. Ainda estavam vivos os resquícios do mangue-beat, quando a cidade viveu um surto de auto-estima em diversas formas de arte. O fôlego foi diminuindo – sobretudo pela falta de incentivo financeiro – e quase uma década depois a Ragu surge num contexto mais favorável. Hoje, quase todas as editoras dedicam atenção especial às HQ’s. E quadrinhos como a Ragu, vendida como artigo de luxo e bom acabamento geralmente atrai olhares além daqueles acostumados à arte sequencial.

Esta edição 7 tem capa de Guazzelli. Já começa por aí os acertos da curadoria e edição da obra. Mostrando-se antenados, João Lin e Mascaro foram felizes em chamar um dos mais promissores autores dos quadrinhos nacionais hoje. Eloar Guazzelli, autor da adaptação de O Pagador de Promessas (Desiderata) consegue mesclar experimentalismos com uma narrativa que prende a atenção do leitor.

Outros destaques entre os convidados desta edição são Allan Sieber e Chiquinha. Sieber vem produzindo ótimos pequenos contos baseados em uma suposta autobiografia. Ele fez parecido com uma pequena história publicada na revista piauí meses atrás. Aqui, ele se transforma em gato para falar de sua relação conturbada com uma mulher e suas diversas divergências sócio-culturais. Chiquinha, colaboradora da Folha de S. Paulo, não fez nada de muito diferente de seus últimos trabalhos, falando das peculiaridades do jovem contemporâneo, usando linguagem nerd e referência pop.

Marcelo D’Salete, que lançou recentemente NoiteLuz (Via Lettera) e se destacou colaborando para a coletânea Front também traz uma boa história com seu estilo bem característico de desenhar. Fábio Zimbres, que retorna às livrarias este mês com a antologia Vida Boa (Zarabatana) completa a nata de autores nacionais presentes na Ragu.

Os convidados estrangeiros não fazem feio, ainda que não tenha nenhum nome de peso. O cubano Frank Arbello, atualmente vivendo na Bolívia talvez o que mais vale a pena destacar. Ele é autor da importante revista Crash!, mas ainda não tem muita força fora do continente. Avril Filomeno, do Peru é uma das vozes femininas dos quadrinhos na América Latina e tem tido repercussão lá fora pelas articulações que tem feito com outras mulheres autoras de HQ’s. A escolha de colocar a tradução dos balões em formato de rodapé foi arriscado, mas deu certo por mostrar a preocupação em manter a versão original das histórias.

Completam a obra, uma série de ilustrações e a obra do designer e ilustrador Daniel Bueno sobre o artista plástico Saul Steinberg no Brasil. Chama atenção pela raridade do registro que só agora vem à tona. Bueno encontrou os trabalhos durante seu mestrado e foi devidamente autorizado para publicação pela fundação Steinberg.

Numa edição tão bem cuidada, o leitor sente falta de uma melhor apresentação dos autores. Já que, uma das razões de existir de uma coletânea é revelar novos nomes e lançar luz sobre seus outros trabalhos. Realizada com recursos do Funcultura, resta torçer para que a Ragu 8 não demore tanto a aparecer e que outras formas de viabilizar uma edição tão importante apareçam até lá.
>> O GRITO – por Paulo Floro


MAFALDA ETERNA

sexta-feira | 28 | agosto | 2009

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Será inaugurada neste domingo em Buenos Aires uma estátua da menina Mafalda, provavelmente a mais famosa personagem de quadrinhos da Argentina. Medindo 80 centímetros, em fibra de vidro e resina, a escultura saiu das mãos do artista Pablo Irrgang.

Criada pelo cartunista Quino, hoje com 77 anos e morando em Milão desde 1976, a personagem será imortalizada bem perto de onde morou o seu criador, na rua Chile, no bairro de San Telmo.
>> JORNAL DO BRASIL – por Pedro de Luna

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‘A LENDA DE KAMUI’ ESTÁ DE VOLTA – E SAMPEI SHIRATO TAMBÉM

sexta-feira | 28 | agosto | 2009

Kamui Gaiden

É um lugar-comum horroroso dizer que quem é vivo sempre aparece, mas de modo geral os lugares comuns costumam expressar grandes verdades. A seminal revista Big Comic da editora Shogakukan publicará, na edição de 25 de Setembro, três novas histórias que dão sequência a Kamui Gaiden, a continuação do Lenda de Kamui original (Kamui Den) que jamais foi publicado no Brasil; o que conhecemos foi justamente a continuação em si.

Serão três histórias curtas, produzidas pelo próprio Shirato através de seu estúdio, e aparentemente elas formarão o primeiro volume de um novo tríptico ambientado no cruel cenário da obra produzida há mais de quatro décadas atrás, e que recebeu nova atenção graças ao recente filme homônimo. A Lenda de Kamui originalmente foi produzida para a revista Garo, que surgiu como uma revista de quadrinhos autorais, mas acabou – com a conclusão da saga e a saída de Shirato – migrando para pantonosos terrenos udigrudis ao longo das décadas seguintes.

O Kamui Gaiden que conhecemos saiu nas páginas da Big Comic, que se tornou um terreno mais sólido para o quadrinho adulto que gente como Shirato ajudou a criar e difundir – e que recebe uma verdadeira instituição dos quadrinhos japoneses de volta, de braços abertos.

Aliás, há uns dois anos foi lançada, no aniversário de 60 anos de Shirato, uma série com as obras completas do autor. Como o aniversário deste blog está chegando, a quem interessar possa…
>> MAXIMUM COSMO – por Lancaster


VAPORPUNK – O PASSADO VESTIDO DE FUTURO

sexta-feira | 28 | agosto | 2009

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Dada a afluência de autores potenciais e efectivos enquanto leitores deste Correio, venho deixar uma chamada de atenção para a existência de uma antologia luso-brasileira de contos inéditos steampunk.

(Desconhecem o steampunk? A convocatória oferece algumas explicações.)

O prazo de submissão é 18 de Outubro de 2009.

Ao contrário do Pulp Fiction, esta não se trata de uma antologia suportada até ao momento por nenhuma editora (portuguesa, pelo menos). Trata-se de uma iniciativa independente, de dois antigos estarolas da FC, portanto as garantias, como costuma acompanhar o manual dos produtos informáticos, são dadas AS IS.

No mínimo, terão experimentado, debatido, criticado, investigado e divertido-se a construir um nosso passado possivelmente mais desenvolvido do que o presente consegue ser.

Espero que aceitem este desafio.

Antologia VAPORPUNK – Guidelines

A antologia Vaporpunk pretende reunir noveletas de história alternativa do subgênero steampunk escritas por autores brasileiros e portugueses, com fins de publicação em mercados de ambos os lados do Atlântico, em meios de comunicação convencionais e/ou e-book.

Por considerarmos que a dimensão ideal precípua para expressar um enredo de história alternativa é a noveleta e não o conto, como no caso da ficção científica, gostaríamos de fixar os limites dos trabalhos que aceitaremos entre 8.000 e 18.000 palavras. Isto não quer dizer, em absoluto, que trabalhos fora deste padrão serão sumariamente rejeitados. Se vossos escritos forem realmente bons, a qualidade decerto pesará, ainda que eles sejam menores ou maiores do que o limite proposto. No entanto, convém deixar claro que olharemos com mais simpatia trabalhos dentro do intervalo citado.

Analogamente, gostaríamos de receber trabalhos steampunks cujos enredos dissessem respeito, direta ou indiretamente, às culturas brasileira e/ou portuguesa, mostrando o impacto social do avanço tecnológico precoce na história dessa(s) cultura(s).

Vaporpunks, por assim dizer.

Não se trata de uma exigência estrita. Trabalhos steampunks que nada tenham a ver com o Brasil ou com Portugal serão apreciados com a atenção devida e também poderão ser eventualmente aceitos. Porém é honesto frisar aqui nossa predileção por vaporpunks que sejam lusófonos não só de corpo (ou seja, escritos por autores portugueses e brasileiros), como também em espírito (enredo, personagens, ambientação lusófonos).

O prazo proposto é 18 de Outubro de 2009, para autores de nacionalidade portuguesa.

O mais importante é que não nos prendemos à definição castiça de steampunk / vaporpunk.

Isto quer dizer que a ação de vossas noveletas não precisa necessariamente transcorrer na Londres Vitoriana da segunda metade do século XIX. Afinal, As Loucas Aventuras de James West é considerado steampunk e se passa no Velho Oeste, certo?

Da mesma forma, consideramos vaporpunk o romance de Paul McAuley, Pasquale’s Angel (publicado em português sob o título de A Invenção de Leonardo, Saída de Emergência, 2005), onde os inventos de Da Vinci são concretizados e a Revolução Industrial começa com três séculos de antecedência.

Não se faz necessário que o vapor seja a única tecnologia precoce presente em vossos enredos.

Em resumo, estamos interessados em enredos que mostrem o impacto social do emprego amplo e precoce de avanços tecnológicos nas culturas portuguesa e/ou brasileira. Tais enredos podem se constituir em passados alternativos ou em presentes alternativos.

Nos passados alternativos, a ação transcorre numa época bastante anterior ao presente, como por exemplo, na noveleta «Custer’s Last Jump», de Steven Utley & Howard Waldrop, em que o advento da aviação em meados do século XIX modifica a história da Guerra de Secessão e das Guerras Índias que se seguiram.

Nos presentes alternativos, a ação se passa mais ou menos em nossa época, só que numa linha histórica alternativa, modificada pelo advento precoce de uma tecnologia.

Quando principiamos a cogitar essas guidelines, pensamos em conceituar steampunk aqui.

Contudo, descobrimos uma definição castiça adequada na Wikipedia. Os conceitos ali expressos são mais restritivos do que aqueles que lhes estamos propondo, mas já dá para ter uma idéia geral. Portanto, usem e abusem: http://en.wikipedia.org/wiki/Steampunk

Se possível, dêem preferência ao verbete da Wikipedia em inglês, visto que sua tradução na Wikipedia em português encontra-se incompleta e, em alguns trechos, errada.

Se quiserem, sintam-se à vontade para consultar o ensaio «Steampunks!» constante na coletânea em e-book Ensaios de História Alternativa, cujo download é gratuito no site: http://www.scarium.com.br/e-books/sebook3_06_03.html

No que se pese que se trata de um texto escrito em 1998, é mais atualizado do que o verbete da Encyclopedia of Science Fiction, escrito pelo Peter Nicholls.

Contamos com a submissão da sua noveleta.

A submissão deve ser mandada somente em versão eletrônica, formato universal de texto (.txt) ou rich text file (.rtf), para os emails glodir@centroin.com.br e antologia@tecnofantasia.com (enviem para ambos de forma a que não se perca nenhuma submissão. Por favor, solicitem confirmação de recepção). Indicando na folha de rosto o nome de nascimento do autor, o nome literário (se diferir deste), o título da obra, a dimensão (número de palavras) e um meio de contacto (endereço, email). Se tiver de enviar mapas ou gráficos, por favor envie em ficheiro separado e faça a devida nota no corpo do texto.

Mãos à obra!
Gerson Lodi-Ribeiro & Luís Filipe Silva


STEAMPUNK: VIRTUAL STEAMCON 2009

quinta-feira | 27 | agosto | 2009

steampunk virtual steamcon 2009 artigo topo Virtual SteamCon 2009

SteamCons são Convenções destinadas ao público SteamPunk e já acontecem fora do país há algum tempo. Particularmente no ano de 2009 o aumento da procura pelo gênero SteamPunk foi considerável e grupos estão sendo formados em toda parte do mundo para celebrar o movimento.

O Conselho SteamPunk acaba de criar mais uma iniciativa para atender o público do gênero no país, investindo esforços no sentido de popularizar o SteamPunk no país, contando com a esperança de que o público perceba que sua participação é essencial para que iniciativas e eventos como este sejam bem sucedidos.

No Brasil, o movimento SteamPunk ainda está pouco organizado e difuso mas há muita gente interessada na literatura, quadrinhos, filmes e SteamPlay que tem o interesse de se filiar a iniciativas como as que vêm sendo promovidas pelo Conselho SteamPunk.

Bruno Accioly, co-fundador do Conselho SteamPunk, explica: “O Conselho SteamPunk age em nível nacional, dando infra-estrutura de comunicação Internet e orientação para que entusiastas de todo país dêem início aos seus grupos de entusiastas do movimento, grupos estes ao qual damos nomes de ‘Lojas’. Hoje o Conselho tem Lojas no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Rio Grande do Sul e acaba de ajudar na fundação da Loja Minas Gerais – e mais duas estão para ser criadas”.

O movimento SteamPunk no país se fortalece e só tem a ganhar com a forma pela qual o Conselho SteamPunk promove o gênero, sem uma atitude intervencionista e cedendo infra-estrutura de hospedagem e comunicação sem custo para os interessados.

A realidade do gênero, no país, não é das mais simples contudo, tendo o Brasil um território tão grande e relativamente poucos cadastrados em comunidades do Orkut e no Registro SteamPunk, o investimento de uma ou outra Loja em eventos de grande porte como Convenções é, no mínimo, temerário.

“É por isso”, menciona Bruno Accioly, “que é importante que tenhamos um esquema organizado, uma plataforma que dê suporte às Lojas e ao próprio Conselho no que se refere a eventos”. A respeito dos eventos, o co-fundador da organização continua: “O Conselho SteamPunk está investindo em uma nova iniciativa, o SteamCon, que vai centralizar e divulgar os vários tipos de eventos SteamPunk cujos formatos vão estar disponíveis para todas as Lojas regionais, estabelecendo enventos de SteamPlay, SteamCamps, SteamParties e convenções mais elaboradas, como as SteamCons.”

Segundo Bruno Accioly, o Conselho não tem como objetivo ser responsável por todos estes eventos, mas divulgar e fornecer insumos para que haja condições para que cada Loja faça seus eventos.

Este novo site conta com uma estrutura própria e, além de ser a base de lançamento e divulgação de eventos relacionados ao gênero SteamPunk, vai dar lugar a primeira Convenção Virtual de SteamPunk do país, a “Virtual SteamCon 2009″, marcada para o sábado, dia 29 de Agosto de 2009, com início às 21 horas, e acessível pelo endereço SteamCon.com.br/Virtual-2009/.

A periodicidade das Virtual SteamCons ainda não está definida, mas seu funcionamento depende exclusivamente de comunicação Internet e garante a transferência de texto, imagens, áudio e vídeo, comandada pelos responsáveis pelo evento e garantindo a participação e interatividade com o público.
>> STEAMCON


‘ZOMBIELAND’: NOVO TRAILER

quinta-feira | 27 | agosto | 2009

Já podemos assistir um novo trailer de Zombieland, comédia de terror dirigida por Ruben Fleischer, com Woody Harrelson no papel principal. Clique aqui para conferir.

Na história, um grupo de sobreviventes se une para lutar contra os mortos-vivos em um mundo pós-apocalíptico, após uma praga de zumbis ter assolado a América.

Woody Harrelson é um combatente de zumbis, enquanto Jesse Eisenberg interpreta um medroso que, graças à sua covardia, tornou-se um especialista em sobreviver aos zumbis, mas que é forçado a sair de seu esconderijo, após juntar-se ao bando de sobreviventes liderado por Harrelson.

O roteiro é de Rhett Reese e Paul Wernick. O elenco traz ainda, entre outros, Emma Stone, Abigail Breslin, Chick Bernhart e uma participação especial do comediante Bill Murray como um zumbi. O filme estreia dia 9 de outubro nos EUA e 4 de dezembro no Brasil.
>> HQ MANIACS – por Carlos Costa


VAMPIROS URBANOS SEDUZEM BLOGUEIRO

quinta-feira | 27 | agosto | 2009
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Nunca gostei da palavra crítico, a priori indica uma pessoa crítica, predispota a apontar mais defeitos que acertos. Mas digamos que sou exigente. Não é qualquer quadrinho que me enche os olhos. Mas esse aqui não só encheu os olhos como mordeu a minha jugular. Apesar do atraso de cinco a seis anos, a série “Predadores”, lançada no Brasil pela editora Devir, já figura em lugar privilegiado na minha disputada estante.

Predadores irmãos vampiro

A história escrita por Jean Dufaux, vá lá, é legal. Sobre uma sociedade secreta milenar, formada por vampiros que moram na cidade grande, cujo ponto fraco é um quisto atrás da orelha. E em meio a dezenas de mortes, o detetive Benito Spiaggi e a tenente Vicky Lenore tentam resolver o caso, onde nunca se sabe quem é humano e quem não é. Em paralelo, um casal de irmãos, a sensual Camilla e o impiedoso Drago, fazem justiça com as próprias mãos e dentes. E que dentes. Pra complicar ainda mais, surge na trama um indiano chamado Aznar Akeba, que assim como os dois vampiros, também deseja vingar a morte de um parente.

Mas o que seduz nos quatro volumes de “Predadores” é o belíssimo desenho de Enrico Marini. Esse sim é S-I-N-I-S-T-R-O!!! Tanto pelos enquadramentos criativos quanto pelas cores, as formas dos personagens (principalmente em cenas mais quentes, de beijos e sexo) e as cenas de luta. Uma verdadeira obra-prima, que acaba por retardar a leitura. É impossível não parar diante de alguns quadrinhos e analisar tim tim por tim tim. Não à toa, a série foi muito elogiada como uma das melhores da Europa. Toda em papel couché a cores, é uma HQ que vale cada centavo investido. Confira nas melhores lojas do ramo.
>> JORNAL DO BRASIL – por Pedro de Luna

Predadores  1
Predadores 2
Predadores 3

“A PRIMEIRA VEZ”: ANIMAÇÃO BRASILEIRA DE VAMPIROS

quinta-feira | 27 | agosto | 2009

Uma fábula de humor-negro sobre adolescentes apaixonadas,
adolescentes nervosas… e vampiros!

A Primeira Vez” é uma animação escrita e dirigida por Eder Walter, com dublagem de um grupo do forum Dublanet.

Elenco: Aline Pina, Teyuki Yukiame, Lipe Zulato, Jivago Bicho, J. Pedro e Lain Iwakura. Assista abaixo:


2ª FANTÁSTICA JORNADA NOITE ADENTRO

terça-feira | 25 | agosto | 2009

Jornada Poe_bannerB

Encontro, que atravessa a madrugada apresentando esquetes de teatro, bate-papo, exibição de filmes noir e RPG live-action, celebra os 200 anos de nascimento do escritor Edgar Allan Poe.

O evento começa na sexta-feira, dia 28 de agosto, às 22h, e termina com um café da manhã às 6h da manhã do sábado, dia 29.

PROGRAMAÇÃO

Teatro: Sepultamento Prematuro (dia 28, a partir das 22h)
Narração de episódios de ficção nos quais pessoas que pareciam mortas voltaram à vida. Cia. Em Cena Ser. Adaptação e interpretação: Cristiana Gimenes. Dir.: Andreza Domingues.

Teatro: Poe, Edgar (dia 28, às 22h15)
O espetáculo traz a encenação dos contos “Assassinatos na Rua Morgue” e “O gato preto”. Cia. O Grito. Dir. Eduardo Parisi, Roberto Morettho e Lilih Curi. Com Abel Xavier, Alessandro Hernandez, Leia Raposo e Perla Frenda.

Encontro: 200 Anos de Edgar Allan Poe (dia 28, às 23h)
Bate-papo com o pesquisador e tradutor Humberto Moura Neto e com a escritora Martha Argel. A mediação é de Silvio Alexandre, organizador do Fantasticon (Simpósio de Literatura Fantástica).

Exibição de filme-surpresa (dia 28, à meia-noite)

Filme: O homem que não estava lá (dia 29, às 2h)
Após descobrir que sua esposa o está traindo, barbeiro arma um plano para dar-lhe uma lição. As coisas saem do controle e trazem terríveis consequências. (Estados Unidos, 2001, 116 min, DVD). Dir.: Joel Coen e Ethan Coen. Com Billy Bob Thornton, Frances McDormand, Michael Badalucco e outros. 14 anos.

Filme: Old boy (dia 29, às 4h)
Após ficar confinado em um quarto por 15 anos sem saber a razão, homem ganha a liberdade e parte em busca de vingança. (Coréia do Sul, 2003, 120 min, DVD). Dir.: Park Chan Wook. Com Choi Min-sik, Yoo Ji-tae, Gang Hye-jung e outros. 16 anos.

RPG live-action: Histórias Extraordinárias – Edgar Allan Poe (dia 29, da meia-noite às 6h)
Durante a madrugada, ocorre jogo de interpretação com o tema serial killers, inspirado no universo de Poe. Coord.: Confraria das Idéias.
ÚLTIMAS VAGAS! – para se inscrever, escreva para contato@confrariadasideias.com.br.

Encerramento (dia 29, às 6h)
Os participantes da Jornada se servem de um café-da-manhã.

Serviço
O Que: Fantástica jornada noite adentro
Classificação: 16 anos.
Quando: Sexta, 28/08, com início às 22h
Quanto: gratuito
Onde: Biblioteca Pública Viriato Corrêa (temática em Literatura Fantástica)
Endereço: R. Sena Madureira, 298. Vila Mariana, zona sul.
Telefone: (11) 5573-4017.
Obs.:
.É necessário retirar ingresso, sujeito à lotação da sala (101 lugares), no dia 28, a partir das 21h.

.Durante os intervalos das projeções, ocorrem esquetes teatrais.

.Após a meia-noite, você pode assistir aos filmes no auditório ou acompanhar o jogo de RPG / LIVE-ACTION no andar térro. Para participar do jogo é preciso se inscrever antecipadamente.

www.bibliotecas.sp.gov.br


VERSÕES PARA O CINEMA

terça-feira | 25 | agosto | 2009

 
Em 16 de maio de 2006 publicamos uma lista de séries que estavam com versões cinematográficas sendo planejadas. Vamos rever esta lista para descobrir em que pé andam as produções.


Cameron Diaz e Jay Chou

O Besouro Verde (The Green Hornet) – Estreia prevista para 9 de julho de 2010. Jay Chou, ator e cantor de Taiuã será Kato ao lado de Seth Rogen como Britt Reid/Besouro Verde. A presença de Cameron Diaz já está confirmada para interpretar Leonore Case, secretária de Britt Reid. A adaptação da história e dos personagens deverão diferenciar em relação ao original. Ao contrário da série, Lenore terá maior participação nas aventuras, incluindo cenas de luta de kung fu. Também no elenco estará Edward James Olmos, conforme divulgado pelo próprio ator durante a convenção Wizard World, embora ainda não tenha sido divulgado para qual personagem; e Nicolas Cage, que negocia seu contrato para interpretar o vilão da trama.

Os Três Patetas (The Three Stooges) – Estreia em 2010. Com a saída de Jim Carey, recomeça a busca por Curly. Continuam prometidos Benicio Del Toro e Paul Giamatti, nos papéis de Moe e Larry, respectivamente.

Geoff Johns

The Flash – estreia prevista para 2011. Geoff Johns, escritor da DC Comics, está trabalhando no roteiro para o filme da Warner Bros. Johns também será o produtor.

Shazam! – sem data de estreia. O ator/escritor Bill Birch foi contratado pela Warner Bros. para escrever o roteiro em parceria com Geoff Johns. Peter Segal (Get Smart) continua no projeto como diretor.


Big Valley (The Big Valley) – sem data de estreia. A produção da Panther Entertainment mantém os nomes de Daniel Adams (direção/roteiro) e Kate Edelman Johnson. O elenco ainda não foi selecionado, mas a pré-produção deve começar em janeiro de 2010, e as gravações estão programadas para abril nos estados de Michigan e Novo México.

Woody Harrelson e The Game

Esquadrão A (The A Team) – estreia prevista para 11 de junho de 2010. Lian Neeson e Bradley Cooper estão confirmados como Hannibal Smith e Templeton Peck (Cara-de-pau). A produção começa em Vancouver. Ainda não foram escolhidos os atores para os papéis de B.A. Baracus e Murdoch, mas há rumores de que Woody Harrelson está sendo cogitado para interpretar Murdoch, e o cantor rap The Game, como B.A. The Game declarou à revista Hip-Hop Weekly ter feito teste para o personagem.


O Prisioneiro (The Prisoner) – sem data de estreia. O diretor Christopher Nolan deixou o projeto. O produtor Barry Mendel acredita que a produção só terá andamento após a reação do público à minissérie com Ian McKellen e Jim Caviezel, cuja estreia está prevista para novembro nos EUA. O roteiro já está sendo escrito por David e Janet Peoples e deve ser diferente do remake televisivo.

Aquaman – sem data de estreia. Em julho o jornal The Hollywood Reporter divulgou que a Appian Way Shingle, empresa de Leonardo DiCaprio, irá produzir o filme para a Warner Bros.

Carro Comando (T.J. Hooker) – sem data de estreia. A Newsifact divulgou em julho que Chris Pine talvez interprete o papel título, que era de William Shatner, e que Zachari Quinto poderia fazer o vilão da estória, Paul McGuire, que foi interpretado por Leonard Nimoy no episódio Vengeance is Mine. Mas por enquanto são apenas boatos. Também há rumores de que William Shatner poderia interpretar o pai de Hooker.

Zen Gesner na série “As Aventuras de Sinbad”

Esta não estava na listagem que tínhamos publicado, decobrimos agora a informação e estamos passando a vocês.

 As Aventuras de Sinbad (The Adventures of Sinbad) – A Planet Origo divulgou dia 14 de agosto que a série de aventuras produzida entre 1996 e 1998, também pode ganhar versão para o cinema. De acordo com o diretor Adam Shankman, o roteiro já está sendo escrito por Marianne e Cormac Wibberley. Ele promete um filme de ação com muita computação gráfica. Não há nenhuma previsão para o início da produção.

Na série, protagonizada por Zen Gesner, o jovem Sinbad acorda de um naufrágio com um misterioso braçalete. Ele embarca em diversas jornadas e aventuras acompanhado de uma tripulação composta por seu irmão mais velho Dubar (George Buza), a aprendiz de feiticiera Maeve (Jacqueline Collen), o cientista Firouz (Tim Progosh), a enigmática Bryn (Mariah Sherley) e o guerreiro silencioso Rongar (Oris Erhuero). O grupo é constantemente assombrado pela bela feiticeira má, Rumina (Julianne Morris).
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim

Maeve

Dubar

Rumina


‘STOLEN SUNS’: QUADRINHOS DE VAMPIROS É LANÇADO ONLINE

terça-feira | 25 | agosto | 2009

STOLEN SUNS

Stolen Suns é o nome da nova história em quadrinhos escrita e desenhada por J.M. Ringuet, que conta a história de uma famosa banda de rock onde todos os membros podem ou não ser vampiros.

“Essa banda é uma das maiores do mundo, mas são sempre perseguidos por rumores de que são vampiros na vida real. O que pode ser uma jogada de marketing ou um mistério sombrio”, disse Ringuet. “Mais importante, temas como vampirismo e a vida de rock star são usados na história como metáforas de isolamento, de ser temido e adorado, de ser diferente”.

Para conseguir tocar nesses assuntos, Ringuet usa vários personagens da banda Stolen Suns, bem como as pessoas que a cercam. A história é focada em Rey e Elton, vocalista e baixista da banda respectivamente, mas também vai mostrar as relações públicas da banda, um blogueiro de música, os membros restantes, entre outros.

 

Para o autor, a questão da fama está no centro de sua história. O que significa ser famoso e o quanto isso é resultado da música e o quanto é resultado da imagem que a banda representa? “Se você pegar Britney Spears, para citar o óbvio, alguém pode dizer o que a faz famosa hoje em dia? Nós estamos vivendo em uma sociedade onde a imagem projetada é o mais importante. Os fãs acreditam que o objeto de sua adoração incorpora aquilo que eles querem ser”, opinou Ringuet. “Então os Stolen Suns são vítimas disso. Algumas pessoas adoram suas músicas, outras adoram sua imagem, outras adoram pensar que eles são vampiros de verdade”.

Stolen Suns #1 está atualmente disponível de graça via iTunes, para iPhone e iTouch, e os cinco números restantes do primeiro arco de histórias serão lançados mensalmente ao preço de US$ 0.99. Uma versão que poderá ser lida por aparelhos que usam o sistema operacional Android estará disponível em breve, assim como uma versão para Sony PSP.
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno


CALVIN E HAROLDO: VEJA O TRAILER DO DOCUMENTÁRIO ‘DEAR MR. WATTERSON’

terça-feira | 25 | agosto | 2009

Livro sobre criador das tirinhas sai este ano

Calvin e HaroldoNa nossa imaginação, a gente pode visualizar Bill Watterson lendo estas notícias e dando um sorriso. Só na imaginação, porque o criador de Calvin & Hobbes segue na reclusão dos últimos 20 anos – mesmo que ninguém pare de falar sobre suas criações.

O documentário Dear Mr. Watterson – feito por um fã de Calvin conversando com outros fãs de Calvin sobre a magia das tiras – teve seu primeiro trailer divulgado.

Segundo o site oficial, o filme deve sair somente em 2011. Antes disso, outro dedicado calvinmaníaco vai lançar um livro. Looking for Calvin & Hobbes: The Unconventional Story of Bill Watterson and his Revolutionary Comic Strip (editora Continuum), por Nevin Martell, sai nos EUA em outubro juntando o que foi possível descobrir da biografia de Watterson e também conversando com alguns fãs famosos do cartunista: Harvey Pekar, Brad Bird, Jonathan Lethem e outros.

Interessados podem ler o primeiro capítulo do livro – onde ele conta como tentou entrevistar Watterson – entrando diretamente em contato com o autor no e-mail lookingforcalvinandhobbes@gmail.com.

Como Martell fala no capítulo, Watterson deu sua última entrevista em 1989 e fez sua última aparição pública em 1990. Depois disso, nunca mais falou com jornalistas ou fãs (apesar de escrever raros textos, como este). Seu livro, infelizmente, não mudou a história.

Enquanto isso, no Brasil, o sexto volume (de 14) de tiras de Calvin & Haroldo foi lançado este mês pela Conrad, intitulado A Hora da Vingança.
>> OMELETE – por Erico Assis

Assista:


TROFÉU HQMIX: MINISTRO DA EDUCAÇÃO, FERNANDO HADDAD COMPARECE AO EVENTO

segunda-feira | 24 | agosto | 2009
Censura a quadrinhos dá tom político a entrega do HQMix
 

 Ministro da Educação, Fernando Haddad (dir.),
com o apresentador Serginho Groisman

Houve dois temas recorrentes nos discursos de agradecimento dos premiados do 21º Troféu HQMix, entregue na noite de sexta-feira, no teatro do Sesc Pompeia, em São Paulo.

O primeiro foram os dotes físicos de Mirza, personagem de Eugênio Colonnese que serviu de molde para a estátua dada aos vencedores. Foi assunto da maioria das falas.

O outro tópico teve um verniz político, motivado pela presença do ministro da Educação, Fernando Haddad. É a primeira vez que uma autoridade federal participa da festa. Haddad compareceu para receber o troféu de contribuição à área, por incluir desde 2006 obras em quadrinhos na lista do PNBE, Programa Nacional Biblioteca da Escola.

A escolha do programa federal foi feita pela comissão organizadora do prêmio e teve duas funções na prática: uma de reconhecimento; outra de resposta a atos de censura.

A primeira explicita qualidades do programa, que leva obras a bibliotecas escolares de todo o país e que tem ajudado a oficializar a presença de quadrinhos no ensino.

A segunda função, não tão evidente quanto a anterior, serviu justamente para marcar posição sobre a necessidade de uso de histórias em quadrinhos nas escolas.

Foi uma espécie de resposta aos atos de censura a obras de Will Eisner realizados em junho por autoridades educacionais dos estados de Santa Catarina e Paraná. O caso pautou o discurso de Maria do Pilar Lacerda Almeida e Silva, secretária de Educação Básica do MEC e responsável pela área que cuida das listas do PNBE.

Maria do Pilar_secretaria de educacao basica MECa

Maria do Pilar, secretária de Educação Básica do MEC,
responsável pelo Programa Nacional de Biblioteca na Escola (PNBE),
recebeu o prêmio no início da cerimônia

“Não podemos ceder à pressão de falsos moralismos, de politicamente corretos”, disse, no palco, sob aplausos, no início da cerimônia. Antes da festa, foi ainda mais contundente, em entrevista ao blog: “Foi uma posição hipócrita e moralista.”  No entender dela, houve despreparo de quem abordou a obra.

O principal foco da polêmica foi o livro “Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço”, de Eisner. O álbum foi reeditado pela Devir em 2008 e  incluído na lista do PNBE. Segundo a secretária, uma biblioteca escolar não é uma estante de livraria. Caberia ao bibliotecário restringir o acesso do título aos alunos mais maduros, diz.

Ela também teme que as recentes polêmicas possam interferir no processo de seleção das demais obras do programa, feitas por meio de uma comissão. “Eu temo por um excesso de politicamente correto”, disse ao blog, antes da festa.

O tema voltou ao palco no meio da cerimônia, quando o ministro chegou ao teatro. Ele teve uma fala mais morna. Vê nos quadrinhos uma forma de “chacoalhar” o ensino.

O excesso do politicamente correto foi tema também da fala de Rogério de Campos, diretor da editora Conrad e premiado como melhor articulista de 2008.

Campos fez alusão ao medo que algumas editoras estariam tendo após as recentes polêmicas envolvendo obras em quadrinhos. Segundo ele, o clima é de censura. “As editoras não querem estar coladas com a imagem de obras que tragam, por exemplo, cenas de pedofilia.” Pedofilia foi uma das acusações à obra de Eisner. “Com todo o respeito ao ministro, é preciso abandonar os programas de governo e estimular o fazer quadrinhos. Nós estamos nos sentindo oprimidos.”

Minha fala, ao receber o prêmio, também fez referência ao tema. Mas dividi o foco com outra polêmica, a vista em São Paulo com ”Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol”. O álbum, adulto, foi comprado pelo governo estadual para ser dado a crianças de nove anos.

Na minha leitura, o equívoco esteve na seleção feita pelo governo e na visão estreita e antiga de enxergar nos quadrinhos um veículo direcionado apenas ao leitor infantil. Defendi, no palco, que a mídia independente de quadrinhos contribuiu para mostrar um outro lado, que conseguiu mudar um pouco o discurso visto e lido na imprensa tradicional.
>> BLOG DOS QUADRINHOS – por Paulo Ramos

Comissao HQMIX 2009

Comissão Organizadora do Troféu HQMIX no fim da cerimônia


“DISTRITO 9″ LEVA ALIENÍGENAS PARA PERIFERIA AFRICANA

segunda-feira | 24 | agosto | 2009

 Distrito 9

Na última cena de “Distrito 9″, bem antes dos créditos finais, um alienígena aparece na tela. Ele movimenta os braços, mexe em alguma coisa e olha para a câmera. Dura apenas 14 segundos, mas teve “um dedo” de um cearense.

“Eu me filmei na garagem aqui da empresa, fiz a atuação que o diretor queria, só para usar de referência”, disse à Folha por telefone, de Vancouver, o animador Daniel Sampaio Lima, 29. “Foi um pouco constrangedor, peguei a câmera e fui lá sozinho.”

     
Em "District 9", o ator Sharlto Copley interpreta Wikus Van De Merwe; filme lidera bilheterias, segundo previsão
Cena de “Distrito 9″, que chega ao país em novembro; brasileiros trabalharam nos efeitos especiais do filme

Daniel é um dos três brasileiros que trabalham na Image Engine, empresa de Vancouver que criou mais da metade das 600 cenas de efeitos especiais para o filme de ficção científica, sobre alienígenas perdidos que vieram parar em Joanesburgo e ali vivem em guetos há 20 anos, sendo discriminados pela população local.

“Distrito 9″, com produção de Peter Jackson (diretor da trilogia “O Senhor dos Anéis”), é a estreia em longa-metragem de Neill Blomkamp, sul-africano que mora na cidade canadense. Ele criou “Distrito 9″ com um elenco de desconhecidos, baseado num curta seu, “Alive in Joburg”, disponível no YouTube.

Aliado a uma campanha publicitária gigante, o filme de baixo orçamento –para os padrões Peter Jackson– se pagou logo nos três primeiros dias de bilheteria na América do Norte –arrecadou US$ 37 milhões na semana passada. No Brasil, deve chegar só no final de novembro, com publicidade similiar.

A Image Engine, que tem profissionais de 14 países, foi responsável por fazer os ETs digitais, assim como a nave-mãe que paira sobre a cidade. O brasiliense Gustavo Yamin, 35, artista digital sênior há dois anos e meio na empresa, ajudou a cuidar dos objetos de cena e das roupas dos aliens.

“Eles [ETs] vestem uma série de trapos, coisas feitas com material que encontram no lixo. Então construímos tudo isso em 3D”, explica Gustavo, cujo trabalho final foi fazer uma jaqueta vermelha para Christopher, o alienígena-protagonista que quer voltar para casa e buscar ajuda para os 1,8 milhão de ETs que vivem na Terra, isolados no distrito nove.

O terceiro brasileiro é o gaúcho Lucio Moser, 31, primeiro programador da Image Engine, onde trabalha há três anos e meio. Sua contribuição ao projeto foi a criação de um software chamado Batata, com ferramentas que facilitam a linha de montagem da animação. “Faço todo mundo aqui falar português, nada de potato [batata em inglês]“, disse Lucio.

Aliens expressivos
O filme é rodado em estilo documentário, com moradores locais sendo entrevistados, dando mais realidade aos ETs.

As características dos aliens, que se assemelham a insetos ou camarões, foram dadas pelo próprio diretor, mas incrementadas pelo estúdio. Gustavo lembra que Blomkamp queria que o público tivesse uma reação inicial de repulsa contra os ETs e que isso se transformasse em empatia no desenrolar do filme. É o que acontece com o protagonista-humano, o agente Wikus (Sharlto Copley), que tem a missão de transportar os monstros para outro distrito.

“A maneira como o rosto dos alienígenas tinha sido construído não era expressiva o suficiente”, disse Gustavo. “Então, no meio do caminho, colocamos tudo de lado para reconstruir a face, especialmente ao redor dos olhos, para ter sobrancelhas ou algo para dar mais expressividade.”

“Distrito 9″ será lançado no Brasil com anúncio caça-aliens

Grandes cartazes contra alienígenas tomaram as ruas de cidades dos Estados Unidos no último mês, em ônibus, outdoors e bancos públicos. Para os desavisados, ficava difícil saber que se tratava de publicidade do filme “Distrito 9″, que, na verdade, se passa na África.

“Bancos apenas para humanos” ou “Cuidado! Secreções de não-humanos corroem metal!”, diziam os anúncios.

A estratégia de marketing incluía até um número de telefone nos cartazes, para o qual se podia ligar e delatar supostos ETs. As milhares de gravações foram parar no site do longa, www.d-9.com, que traz também um mapa do Distrito 9, gueto dos aliens.

 
Cena de "Distrito 9"
“Distrito 9″ vai ser lançado no Brasil como “filme evento”, com estratégia de marketing similar a usada nos Estados Unidos

No Brasil, o filme tem estreia em 27 de novembro, e a Sony Pictures promete tratamento de “filme evento”. “A estratégia de marketing para os EUA também será trazida ao Brasil, adaptada às caraterísticas do nosso mercado”, disse a empresa por meio de assessoria.

Andrea Dourado, gerente de marketing da Sony Pictures no Brasil, prometeu uma versão em português do site, embora não tenha dado detalhes. Será que o blog do alienígena Christopher (mnuspreadslies.com) será traduzido? Também fica a dúvida de quanto a se Sony e os ETs vencerão o projeto Kassab Cidade Limpa de São Paulo.
>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Fernanda Ezabella


‘O LOBISOMEM’: NOVAS IMAGENS

segunda-feira | 24 | agosto | 2009

Lobisomem_foto1

A Universal Pictures divulgou novas fotos de O Lobisomem, refilmagem do clássico de 1941, com direção de Jon Johnston e Benicio Del Toro no papel principal.

Benicio Del Toro interpreta Lawrence Talbot, um nobre que retorna à mansão de sua família após o desaparecimento de seu irmão. Lá, ele reencontra seu pai, vivido por Anthony Hopkins. Talbot aceita o pedido da noiva de seu irmão, Gwen Conliffe (Emily Blunt), para que procure o noivo desaparecido. No processo, ele descobre que aldeões vêm sendo mortos por algo feroz e sanguinário.

Um inspetor da Scotland Yard, chamado Aberline (Hugo Weaving), chega à cidade para investigar os crimes. Conforme as peças do quebra-cabeças vão se encaixando, Lawrence descobre uma antiga maldição que transforma suas vítimas em lobisomens, nas noites de lua cheia. E para proteger a mulher por quem se apaixonou, Talbot deve destruir a criatura que se oculta no bosque de Blackmoor.

A estreia do filme foi remarcada para 12 de fevereiro de 2010.
>> HQ MANIACS – por Carlos Costa

Lobisomem_foto2

Assista ao trailer:


“NOTURNO” MOSTRA VAMPIROS LONGE DE CLICHÊS

segunda-feira | 24 | agosto | 2009

 Noturno_capa
Escritor Chuck Hogan, que assina trilogia com o cineasta Guillermo del Toro, diz que não quis “fazer parte de uma moda”

Romance, idealizado antes da febre de sanguessugas, foge do glamour do gênero ao “devolver os seres ao seu lugar de quem é sujo”.

“Pense num homem de capa preta. Com caninos grandes. E um sotaque engraçado”, diz, numa cela de Nova York, em 2010, um velho que durante a Segunda Guerra teve a mão esmigalhada por um vampiro. “Agora esqueça a capa, os caninos e o sotaque engraçado. Esqueça tudo o que é engraçado.”

Dadas as variações de tramas vampirescas que têm rondado telas e livrarias, a sugestão soa promissora. Ela é feita por um personagem de “Noturno”, primeiro romance em parceria do cineasta Guillermo del Toro e do autor de thrillers Chuck Hogan, e dá pista de que não haverá ali nada do que livros do gênero costumam mostrar.

Primeira parte de uma trilogia imaginada em 2005 por Del Toro, “Noturno” saiu há dois meses nos EUA, onde frequentou listas de mais vendidos, e chega agora ao Brasil em meio a uma “epidemia” indesejada.

“Posso dizer que não seria a minha escolha fazer parte de uma moda”, desdenha Hogan, 42, falando por telefone à Folha, de Nova York, sobre “True Blood” e “Crepúsculo” -que a mulher dele, aliás, adora. O autor, best-seller nos EUA e premiado por “Prince of Thieves” (que será levado ao cinema por Ben Affleck), iniciou conversas com Del Toro em 2006, quando essa febre não era tão evidente.

“Nosso livro fica longe desses outros, como você notou, como qualquer um nota, e me sinto ótimo com isso”, ele diz. “Devolvemos os seres ao seu lugar de quem dorme na poeira, é sujo e muito, muito perigoso”.
Em texto para o “New York Times”, Del Toro e Hogan explicam sua versão da história. Contam que, quando John William Polidori juntou “folclore, ressentimento e ansiedades eróticas” em “O Vampiro”, no século 19, criou a base de todas as tramas do gênero. Mas o mito no qual ele se baseou, escrevem, era “tão velho quanto a Babilônia”. E “tratava de bestas primitivas que se alimentavam do sangue dos vivos”.

A trilogia introduz as criaturas como uma espécie de vírus que infecta os ocupantes de um Boeing 777 assim que ele aterrissa, para, em seguida, alastrar-se por Nova York. São como parasitas que, aos poucos, tomam o corpo dos humanos.

A trama segue vários personagens e envolve descrições minuciosas de astronomia, biologia, anatomia. A certa altura, explica-se por que vampiros devem ser quentes, e não gelados. E como se desenvolvem, na garganta, as glândulas que serão misto de aparelho circulatório e digestivo nesses seres.

O preciosismo resultou num processo de criação -com textos enviados e reescritos por e-mail- muito extenso. O que, além de levar os vampiros de Del Toro e Hogan a chegarem com atraso em relação à mania mundial, os fez perder a vez para “Fringe”, série de TV, de J.J. Abrams, de início muito similar -com um avião que aterrissa “morto” em Nova York.

Questionado sobre a coincidência, Hogan diz que a intenção de Del Toro era fazer de “Noturno” uma série de TV, e que o cineasta chegou a sugeri-la a um canal, com a cena do avião. “Só que queriam algo meio humorístico, e não era a vontade dele”, diz o autor. “Não dá para dizer que foi dali que “Fringe” veio, mas … Ah, você sabe. Ideias. Elas estão por aí.”

A dupla agora finaliza a segunda parte da trilogia, a sair em 2010. “É uma nova experiência escrever sabendo que há tanta expectativa. Talvez isso faça eu me empenhar para não decepcionar ninguém”, diz, e em seguida se corrige: “Mas, ok, o segundo livro vai ainda mais fundo que o primeiro. Não tenho com que me preocupar”.
>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Raquel Cozer

Chris Buck/Corbis Outline/Latinstock
MONSTROS DE FILME B
Guillermo del Toro: o demoníaco não é uma lenda – é o que os homens fazem uns aos outros

 

Trama violenta funcionaria melhor na tela

Vampiro não é coisa de mulherzinha. Devolver às criaturas da noite sua carga escabrosa parece ser a premissa de “Noturno”, escrito numa parceria de fôlego entre Guillermo del Toro (cineasta de filmografia irregular, com filmes como “Labirinto do Fauno”, “Hellboy” e “A Espinha do Diabo”) e Chuck Hogan (autor de best-sellers de suspense pouco conhecidos no Brasil).

Começa de forma brilhante.
Um avião pousa em Nova York e permanece em silêncio, com as luzes apagadas, sem que nenhum passageiro ou tripulante saia. Logo chegam equipes de segurança para checar o que se passa: sequestro, epidemia, pegadinha do Mallandro? (OK, a última opção não é cogitada). A narrativa é lenta, fermentando o suspense e as expectativas pela revelação do que, já sabemos, será uma história de vampiros. Ao aparecerem, os sanguessugas continuam surpreendendo. Passam longe da elegância gótica do gênero, estando mais próximos de um misto de invasores de corpos alienígenas e zumbis. Não é uma releitura inédita -é próxima, por exemplo, dos vampiros de “Cem Dias de Noite” (a HQ e o filme)-, mas é interessante como o romance explica e disseca, literalmente, os dentuços, trazendo descrições anatômicas e analisando o processo de contágio.

O texto retrata a invasão em diversos lares, numa estrutura fragmentada, que pode ter facilitado a escrita a quatro mãos. Ainda assim, os autores mesclam de forma homogênea contos de fadas, catástrofe aérea, thriller epidemiológico, ficção científica, mitologia lovecraftiana e, claro, histórias clássicas de vampiros. (Impossível não ver a chegada do avião como uma versão atualizada da viagem de navio de Drácula, no romance de Bram Stoker.)

Mas a falta de personagens tangíveis tira boa parte do carisma do texto (note que, aqui, não foi necessário dar o nome de um único personagem). Não há ninguém para torcer, nem mesmo a personificação do mal num vilão instigante -o mestre dos vampiros surge no terço final, sem personalidade definida. E, após a revelação da epidemia dos vampiros, o romance descamba para descrições de violência que podem funcionar na tela, mas que têm poder de assombro reduzido em texto.

Primeiro de uma trilogia, o livro ainda tem o desfecho brutalmente postergado, o que é frustrante após percorrer mais de 460 páginas e ter só uma vaga ideia de quem é o vilão e quais são seus planos. “Noturno” se mostra um belo projeto.
Pode gerar ótimo filme ou série, mas despreza as armas mais fortes da literatura: identificação e aprofundamento.
>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Santiago Nazarian


NOTURNO
Autores: Guillermo del Toro e Chuck Hogan
Tradução: Sérgio Moraes Rego e Paulo Reis
Editora: Rocco
Quanto: R$ 46,50 (464 págs.)

Assista ao book-trailer de “Noturno”, primeiro volume da Trilogia da Escuridão, escrita pelo cineasta Guillermo del Toro e o escritor Chuck Hogan:


‘LIÇÃO DE KAFKA”, DE MODESTO CARONE

segunda-feira | 24 | agosto | 2009
Modesto Carone não se coloca entre o leitor e Kafka, avalia Vinicius Jatobá

Kafka_capa

Poucos escritores provocaram uma reação crítica tão inteligente quanto Kafka: Pietro Citati e Roberto Calasso, Jorge Luis Borges e Ricardo Piglia, Milan Kundera e Danilo Kis, Elias Canetti e Günther Anders, Hanns Zischler e WG Sebald (entre tantos). É espantosa a qualidade dos comentários que a obra de Kafka tem recebido ao longo das décadas. Kafka é um afortunado. Tem encontrado interlocutores sofisticados que não apenas mantêm sua obra viva no imaginário intelectual, como impulsionam o público geral a buscar suas narrativas. Em alguns casos, como em Kafka vai ao cinema (Zischler) e O Outro Processo (Canetti), os livros críticos são tão impressionantes que eles mesmos geram genuíno prazer estético.

Modesto Carone não tem motivo algum para modéstia. Não apenas recolocou um Kafka absolutamente cristalino em circulação nessa última década com suas traduções, como se tornou a maior autoridade do autor no país mostrando erudição e elegância tanto nos posfácios que acompanham suas traduções como em artigos acadêmicos e resenhas em jornais e em revistas. O Kafka dessa geração é o Kafka reimaginado em português por Carone. No entanto, e apesar de toda essa notoriedade, o que mais chama atenção ao final da leitura de Lição de Kafka, coletânea de ensaios que publica agora, é sua profunda humildade e gratidão diante do autor tcheco. Após décadas se debruçando sobre seu legado, Carone se expressa num tom menor, de câmara. Lendo seus ensaios, mesmo quando fala de sua própria experiência de tradutor, Carone não se coloca entre o leitor e Kafka.

Há três vertentes no livro, três questões, que se interpenetram. A primeira delas, a tentativa de compreensão da prosa de Kafka, de como ele avançou estilisticamente até encontrar sua característica prosa protocolar. Para o Carone tradutor essa questão é essencial. Há alguns momentos em que ele descreve diretamente essa sua experiência e demonstra que o mais importante nesse processo é o estudo do contexto que provocou aquela escrita e estilo. Traduzir, de certa forma, é recontextualizar; a palavra exata, que capta a essência do original, é mais conseqüência de um processo de estudo cultural: quanto mais se entende o ponto de partida do escritor mais legível se torna o texto traduzido.

A segunda questão é editorial. Algumas vezes Carone tem que interromper a escrita para se debruçar sobre a caótica história editorial de Kafka uma vez que a maior parte de sua obra só foi publicada postumamente. O que fascina Carone é o fragmento, a interrupção; e, conseqüentemente, os abandonos dos manuscritos gigantescos de O Processo e O Castelo. É aqui que entra o Carone ficcionista porque nesse ponto o trabalho de interpretação age sobre um espaço vazio preenchido imaginariamente por trechos de cartas, diários e aforismos e por suposições biográficas. Não por acaso Kafka tem atraído tantos críticos-escritores; há uma essência lacunar em Kafka que se revela muito rica para o exercício especulativo porque Kafka, pela sua história editorial, se tornou um escritor sem corpo: uma voz interrompida pairando sobre o imaginário intelectual. Carone faz um esforço criativo de conjurá-lo a partir de textos indiretos, e seu Kafka revela-se um personagem rico em contradições.

Chega-se, então, à terceira questão: a história das leituras de Kafka. Carone é muito sensível a como Kafka foi lido ao longo das décadas, tanto no Brasil quanto no exterior, e a forma com que foi apropriado diz muito daquilo que cada cultura esperava naquele determinado momento. Como se Kafka fosse, em última instância, uma espécie de chapa de radiografia a partir do qual se podem entender as ansiedades culturais. Não há escola de pensamento que não se apropriou de Kafka; e Carone levanta os pontos nevrálgicos que incomodavam a intelectualidade nessas apropriações e como a leitura de Kafka mudava de acordo com essas diversas posições.

Lição de Kafka é um passeio, dessa forma, ao longo das ansiedades e dos desejos do século XX. E o leitor sai dessa conversa com Carone – há uma qualidade vernacular na prosa do grande acadêmico – com o desejo de revisitar também a geografia que estabeleceu com suas leituras de Kafka, assim como de dar nova oportunidade aos livros abandonados ou jamais devidamente enfrentados. É a reação que se espera de um livro de crítica; e é o que Modesto Carone provoca com zelo de mestre.
>> TERRA MAGAZINE – por Vinicius Jatobá


STEAMPUNK: ENGRENAGENS APARENTES

domingo | 23 | agosto | 2009

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Uma espécie de nova Revolução Industrial chega ao Brasil e atrai interesse internacional. Chamada ao gosto do freguês de modismo, tendência, hype, cultura, manifesto, tribo urbana, estilo entre outras classificações a verdade é que o steampunk conquista adeptos, ganha forças na Internet, em eventos públicos e até na literatura e nos quadrinhos, como uma vertente da ficção científica. Pelo nome e pelo parentesco com a FC mesmo quem nunca ouviu falar – ou que não tenha ligado o termo à realidade prática – deve imaginar que exista semelhança estética ou filosófica com o cyberpunk, tão popular que praticamente é sinônimo do gênero como um todo para muita gente que consumiu livros, filmes, HQs e jogos de RPG nos últimos vinte anos. De fato, a semelhança é real, se o foco de uma é especular sobre a cibernética em um futuro próximo, a da outra é imaginar tecnologias possíveis, geralmente movidas a vapor (steam, em inglês), com direito a molas, engrenagens e alavancas, no século retrasado, uma espécie de retrofuturismo. Mas vamos por partes.

Para começar, um bom ponto para conhecer este mundo é o site do Conselho Steampunk, endereço que tem o objetivo manifesto de divulgar, explicar, inspirar, homenagear e produzir cultura dentro deste gênero na forma que for: nas artes, nas vestimentas, em joias, na tecnologia. “Para tanto os idealizadores lançaram mão de conceitos sofisticados que garantissem a possibilidade de qualquer um, em qualquer lugar, independente do poder aquisitivo, idade ou qualquer outro entrave costumeiro, se visse impossibilitado de fruir a cultura Steampunk do seu jeito e sem a necessidade de aderir a qualquer organização burocrática ou centralizadora”, garante o texto de apresentação do projeto criado pelo empresário Bruno Accioly. O conceito que tem apenas dois anos já se difundiu por três estados que também criaram suas representações regionais – São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul – denominadas no jargão do Conselho de Lojas, em uma citação explícita a certa Sociedade Secreta, algo que chamou a atenção de um visitante ilustre.

“Lojas. Como lojas maçônicas? Rapaz, isto é terrivelmente século XIX.” Quem fez o comentário foi um escritor fundamental para se entender tanto o punk cibernético quanto o a vapor: Bruce Sterling, autor do romance Piratas de dados e organizador da coletânea Mirrorshades, o homem que ao lado de Willian Gibson – de Neuromancer – criou os paradigmas do cyberpunk em meados dos anos 80. O comentário saiu no dia 20 de julho, no blog que o autor americano mantém no site da Wired, a revista mais respeitada em termos de cultura tecnológica. Foi, na verdade, o segundo post em que ele falou sobre a iniciativa brasileira. Dois dias antes ele havia descoberto a página do Conselho Steampunk e brincara com a ideia, batizando o conceito de “bossa steampunk”. Na outra oportunidade, Sterling divulgou uma mensagem enviada por Bruno Accioly, dando conta das atividades do grupo no Brasil, que não se restringem a discussões virtuais, pois a Loja São Paulo, por exemplo, já organizou dois encontros em que os participantes, vestidos como nossos antepassados do século retrasado, passearam em trens a vapor naquele estado. Esta postagem, o blogueiro encerrou com a frase: “O mundo é um lugar vasto e maravilhoso, damas e cavalheiros.”

Não é um apoio qualquer que as damas e os cavalheiros do Conselho Steampunk atraíram. Como já disse, Bruce Sterling é um dos criadores da parte literária do movimento cyberpunk, mas ele e seu parceiro Willian Gibson também têm muito a ver com o steampunk como subgênero da FC. Ambos, a quatro mãos, escreveram em 1990 a obra mais representativa do início desta nova vertente. É bem verdade que já existiam livros anteriores apontando para algumas das características que seriam aprofundadas mais tarde, escritos por autores como Tim Powers e K. W. Jeter – que, aliás, foi quem cunhou o termo, três anos antes, em uma troca de cartas – mas é praticamente um consenso por parte da crítica que The Difference Engine foi o marco inicial do estilo steamer. No romance, a hipótese de partida é que o cientista e matemático inglês Charles Babbage (1791-1871) teria construído uma máquina (que chegou mesmo a projetar): o primeiro computador do mundo, baseado apenas em peças mecânicas. A invenção dá um impulso muito maior ao Império Britânico, que vivia o auge do período Vitoriano, ou seja, o tempo em que a Rainha Vitória esteve no poder, de 1837 a 1901.

Muitas das convenções do gênero estavam ali, reunidas. O período histórico definido, a tecnologia capaz de mudar tudo o que conhecemos, e até mesmo a utilização de figuras reais e apropriações de criações literárias estão presentes naquele livro. Este último item é uma tentação e tanto a todos os que se aventuram a seguir os passos de Sterling e Gibson, pois as obras escritas naqueles tempos, como os romances e os personagens mais famosos dos pais da Ficção Científica, Jules Verne, H. G. Wells, por exemplo, estão em domínio público, disponíveis para quem desejar reinterpretá-los. O uso mais radical desta característica steampunk foi feito não na literatura, mas nos quadrinhos, com a série de álbuns de A Liga Extraordinária (iniciada em 1999), do inglês Alan Moore, uma combinação de praticamente tudo o que o século XIX tem a oferecer em termos de ficção fantástica ou aventureira. Boa parte do fascínio que o gênero evoca atualmente tem como origem tais HQs escritas por Moore e ilustradas por Kevin O’Neill, que podem ter dado origem a um filme desastroso, mas continuam sendo fonte inesgotável de ideias a cada novo lançamento no papel.

Porém, quando eu escrevi que o assunto tomou a Internet não me referia apenas ao diálogo entre o Conselho Steampunk e o blog de Bruce Sterling. O tema também ganhou outros espaços na rede recentemente. Um bom exemplo é o post que a escritora e historiadora Ana Cristina Rodrigues publicou em um de seus blogs no dia 16 de julho. “Ficção a vapor” é o que chamei de verdadeira aula sobre steampunk. Com muito mais propriedade que eu neste espaço e com uma riqueza de detalhes bem maior, ela analisou todo o contexto sobre o qual acabo de escrever e teceu algumas considerações sobre o cenário nacional nesta área. Cito trechos:

Agora, é de se admirar que um país que nos deu o Barão de Mauá, Augusto Zaluar, D. Pedro II, Santos Dummont… não tenha produzido obras a vapor suficientemente interessantes. Poxa, nosso imperador provavelmente foi o governante mais steampunk de sua época. Seu interesse por gadgets, ciências e novidades era/é notório.

Até esse ano, aconteceram algumas tateadas. Gerson Lodi-Ribeiro, Carlos Orsi Martinho e Octavio Aragão tangenciaram o gênero – os dois primeiros em contos, o último em seu romance, A mão que cria. Mas talvez a primeira obra consciente e declaradamente steampunk do Brasil sejam os quadrinhos de Expresso! de Alexandre Lancaster. O piloto da série foi publicado em um projeto online de curta duração, mas a saga continua, já que novas HQ’s estão previstas e um conto sobre o protagonista vai entrar na primeira coletânea nacional do gênero.

Outro escritor e crítico de Ficção Científica também tratou desta pauta foi Antonio Luiz M. C. Costa. Ele publicou um longo artigo na coluna que mantém no site da revista em que trabalha a CartaCapital. Datada do dia 11 de agosto, “Steampunk, saudade ou rebeldia?” é outra contribuição para o debate, que igualmente detalhou o histórico do gênero e ponderou sobre a situação em nosso país. Citando novamente:

É sempre bom fugir um pouco do famoso slogan de Margaret Thatcher e Francis Fukuyama, o TINA, There Is No Alternative – “Não há alternativa (ao status quo neoliberal dos anos 80 e 90)” e considerar como as coisas poderiam ser diferentes. O curioso é que, neste caso, trata-se geralmente de uma alternativa, em muitos aspectos, bem semelhante à realidade atual, com o Império Britânico e os financistas da City no papel dos EUA e de Wall Street.

Pode reforçar a ideia de que as roupas e maneiras podem mudar, mas a essência da sociedade foi e sempre será a mesma. Como também pode funcionar como alegoria ou caricatura de problemas atuais e mostrar o que têm de histórico e contingente, como dependem de desenvolvimentos específicos e podem vir a ser superados. É um campo no qual concepções opostas podem se expressar em um ambiente fantástico e de sabor nostálgico, mas ainda assim com uma relação bem clara com a realidade social, política e ambiental do século XXI.

O pleno desenvolvimento dessas possibilidades no Brasil depende, porém, de que o Steampunk não seja apenas consumido como moda ou como decoração de animês e aventuras hollywoodianas. Para ser criativo, precisa ser produzido e discutido como um subgênero literário e associado ao ponto de vista brasileiro ou à história (real e imaginada) de nosso país. Por enquanto, conta-se apenas com a recém-lançada antologia de contos Steampunk, da Tarja (R$ 39, 184 páginas), que inclui uma colaboração do autor desta coluna. Uma segunda antologia, a ser intitulada Vaporpunk, está sendo organizada pelo escritor Gerson Lodi-Ribeiro e é esperada para breve. Teremos então uma boa ideia de como se imagina, em terras tropicais, essa história paralela.

Os dois fizeram referência ao mesmo livro ao final de seus textos, uma coletânea que também foi destaque na seção de cultura da já citada revista CartaCapital, desta semana, chamada Steampunk – Histórias de um passado extraordinário. O livro foi lançado em São Paulo no último final de semana de julho e também participo dele com um dos nove textos. Curiosamente, apesar de não ter sido um pedido expresso da editora, a maioria dos contos longos publicados no livro tratam, sim, de aspectos históricos do Brasil e usam personagens locais entre os principais destaques de suas tramas, alguns deles citados por Ana Cristina. Neste blog, em um mesmo post podemos ler duas resenhas da obra que também ganhou destaque em um respeitado blog português dedicado ao autor Jules Verne, entre outros endereços da rede que repercutiram o lançamento. Alguns desses endereços foram reunidos por mim em um blog que criei para me ajudar a planejar a noveleta escrita para a coletânea.

E de fato ainda há mais por vir. Uma coletânea binacional, com escritores brasileiros e portugueses, está sendo organizada neste momento, com uma visão bem menos purista do gênero mas que pretende ser ainda mais focada na história destes dois países. Um romance também pode ser lançado em breve, chamado de Baronato de Shoah, de autoria de José Roberto Vieira. Fora do terreno da literatura, os quadrinhos também devem apresentar novidades com influência steampunk. O trabalho de Alexandre Lancaster com Expresso!, sua série inspirada nos mangás, pode ser acompanhado na página que o autor mantém no site DeviantART. Também inspirados nos quadrinhos japoneses, Douglas MCT e Ulisses Perez lançarão pela editora NewPop uma série com o nome Hansel&Gretel. Por último, mas não menos importante, no site dedicado a webcomics da DC, o Zuda Comics, é um brasileiro, Igor Noronha, quem desenha a HQ Sidewise que mostra as aventuras de um adolescente deslocado no tempo para um período vitoriano alternativo.

Como se vê, a agitação em torno da cultura steampunk no Brasil é grande, a ponto de chamar a atenção em outros países e dar ao leitor várias opções para participar ou ao menos experimentar esta nova versão da Revolução Industrial. O carvão queima e as engrenagens se movimentam. Boa viagem.
>> PONTO DE CONVERGÊNCIA – por Romeu Martins


STEAMPUNK: HISTÓRIAS DE UM PASSADO EXTRAORDINÁRIO

domingo | 23 | agosto | 2009

 Steampunk_historias de um passadoA

Primeiro livro reunindo contos apenas
de autores nacionais do gênero é lançado.

Steampunk é um termo tão amplo que torna-se injusto dizer que se trata apenas de um sub-gênero literário vindo da ficção científica. Sua influência está não apenas nos livros, mas também no cinema, nas artes visuais, até mesmo na moda.

Se por um lado o cyberpunk criado por William Gibson e seu Neuromancer previa o futuro olhando muito a frente de seu tempo, o steampunk dá uma volta para trás e fala de um futuro que nunca aconteceu, imaginando como a tecnologia moderna e a sociedade funcionariam caso já estivessem disponíveis numa época em que até mesmo a eletricidade era considerada como algo mágico. Você já imaginou como seria a rede global de computadores caso estes fossem feitos de madeira e bronze e praticamente movidos à vapor?

Steampunk_computador

O termo steampunk é creditado ao escritor KW Jeter que, no começo dos anos 80, junto com Tim Power e James Blaylock inventaram histórias baseadas num olhar mais obscuro e sinistro da Era Vitoriana, onde a tecnologia ocupava um lugar de destaque se apropriando dos materiais existentes na época. Mas é só em 1991 que W. Gibson e Bruce Sterling introduzem o termo ao grande público através do livro The Difference Engine. Outra obra que também merece destaque é Steampunk Trilogy (1995) de Paul Di Filippo, coleção de textos que trazem uma espécie de retro-ciência envolta num clima de aventura.

Steampunk – Histórias de Um Passado Extraordinário é o primeiro livro a ser publicado no Brasil contendo apenas histórias escritas por autores nacionais. Lançado pela Tarja Editorial, o livro reúne nove autores que apresentam contos que representam perfeitamente o universo steampunk. Participam do livro Alexandre Lancaster, Antonio Luiz M. C. Costa, Claudio Villa, Flávio Medeiros, Fábio Fernandes, Gianpaolo Celli, Jacques Barcia, Roberto de Sousa Causo e Romeu Martins.

“Pouco foi lançado no Brasil dentro desse gênero. Praticamente tudo o que se vê nas prateleiras das livrarias é material de autores estrangeiros. Essa obra é a primeira com conteúdo nacional a ser lançada implicitamente dentro do gênero”, afirma Gianpaolo Celli, autor e organizador do livro. Palmas para a Tarja Editorial, maior editora de ficção brasileira e que ainda este ano lançará outros seis títulos inéditos apostando nos novíssimos autores da literatura fantástica brasileira.

No livro, Gianpaolo usa como pano de fundo para seu conto sociedades secretas e a guerra Franco-Prussiana. Já Fábio Fernandes apresenta uma releitura do complexo de Frankenstein, num futuro onde sociedade e maquinidade dividem igualmente seu espaço. O pai da aviação Santos Dumont aparece sob um ângulo bastante peculiar na visão de Roberto Causo, enquanto Claudio Villar leva o leitor à alto mar em busca de um tesouro num conto bem ao estilo do terror de HP Lovecraft.
Steampunk_imagem

Segundo Fabio Fernandes, o interesse pelo steampunk só tem aumentado nos últimos anos: “Existe sim, e está dominando o Brasil de uma maneira que eu não desconfiava. Eu sempre militei no underground da FC brasileira, na cena dos zines do eixo Rio-São Paulo, mas do ano passado pra cá descobri que existe um grupo totalmente diverso deste, que é inteiramente dedicado à cultura steamer, não só à estética, como também à literatura, ao cinema, à arte, enfim, à discussão e à vivência da cena steampunk. E eles são super organizados e têm aberto “lojas” (à semelhança das antigas lojas maçônicas) para reunir interessados. Já existem lojas no Rio, em São Paulo, no Rio Grande do Sul, e acabo de saber que há uma loja se formando em Minas Gerais, e um pessoal em Santa Catarina já começando a pensar na possibilidade de montar uma.”

Outro aspecto interessante do steampunk é a produção real de indumentária, vestiário e até mesmo máquinas pelos seus entusiastas. Vários artistas ao redor do globo já se dedicam à produção de artefatos steampunk, alguns destes verdadeiras obras de arte retro-futurista. No Brasil, esse arte já vem sendo bem difundida.

“Ainda é uma coisa amadora, mas de ótima qualidade. E está crescendo a uma velocidade tão rápida que acredito que vai se espalhar e se profissionalizar em pouquíssimo tempo.”, confirma Fabio. Quem quiser conferir os trabalhos dos steampunkers nacionais é só dar uma conferida nas pequenas convenções que as lojas nacionais volta e meia promovem em locais bastante diferentes das cidades, como por exemplo antigas estações de trem.

Steampunk_star wars
Star Wars versão Steampunk

Pra quem se interessou pelo assunto, vale a pena começar dando um pulo nas bibliotecas (quer lugar mais steampunk que uma biblioteca?) e caçar uns livros de Júlio Verne, H.G. Wells, Mark Twain e Mary Shelley. Depois ir para autores mais atuais como K.W. Jeter, James P. Blaylock e Tim Powers. Pra quem prefere ver um filme, além dos óbvios da ficção científica “Viagem à Lua” (1902), “Frankenstein (1931)”, “20,000 Léguas Submarinas” (1954) e “Viagem ao Centro da Terra (1959)”, Fabio dá algumas indicações mais profundas:

“Eu indicaria mais de um, porque às vezes você vê um filme ambientado na época vitoriana mas que tem tão poucos elementos vitorianos que pode confundir o espectador, e o contrário também acontece: um filme cheio de máquinas retrô mas que não tem nenhum ponto de contato com uma ambientação mais antiga. Pensando bem mesmo, eu indicaria um filme que tem uma estética linda e que remete a Julio Verne, que é um dos santos padroeiros do steampunk: Ladrão de Sonhos (“La Cité des enfants perdus”) de Jeunet e Caro, um filme de 1995 que fez um grande sucesso aqui no Brasil. Para quem não lembra, um dos diretores, Jean-Pierre Jeunet, é o diretor do belíssimo Amélie Poulain, outro filme que prima pela estética sem descuidar da história. Taí, Ladrão de Sonhos é um filme steampunk muito bom.”
>> RRAURL – por Alisson Gøthz


STEAMPUNK: UTOPIA, DISTOPIA E REALIDADE

domingo | 23 | agosto | 2009
utopia-distopia-realidade

“Considerado um sub-gênero da Ficção Científica, o SteamPunk invoca a estética Vitoriana do Século XIX, que mistura o vestuário e a tecnologia da época – envolvendo o vapor e os primeiros passos no campo da eletricidade – com elementos fantásticos, como é possível encontrar em clássicos de Júlio Verne e H.G.Wells.

Se não é fácil definir os limites do que é Ficção Científica, é igualmente complexo ditar as fronteiras do seu sub-gênero: o SteamPunk. Rod Serling – que concebeu a série televisiva “Além da Imaginação” – mencionou, certa vez, que “A Fantasia é o impossível tornado provável. A Ficção Científica é o improvável tornado possível”, e é esta citação que tem maior chance de descrever o que está por trás do espírito sob o qual é produzida a cultura SteamPunk.

O papel da história, da cultura e da arte passa pela denúncia, conscientização e solução das questões humanas negligenciadas, mal resolvidas ou sequer identificadas.

Para além do fato de que o SteamPunk aglutina engrenagens, molas, pinos, correias, caldeiras, pilhas, bobinas, computadores mecânicos, engenhos anacrônicos sem paralelo no século XIX e personagens históricos brasileiros e estrangeiros, há diferentes formas de produzir ficção SteamPunk. As mais genéricas são classificadas como o SteamPunk Nostálgico e o SteamPunk Melancólico que, embora abordem uma mesma realidade de maneiras diametralmente opostas, sustentam um argumento importante para o nosso tempo.

O SteamPunk Nostálgico considera o universo Vitoriano como uma Utopia, um mundo ideal onde a tecnologia menos massificada, menos resolvida e menos padronizada, não se colocariam a frente das questões morais, das questões sociais e das questões humanas. Nesta narrativa, o SteamPunk refletiria a suposta inocência de uma Era e a boa intenção do Homem para com o próximo, para com o seu meio e para com a própria tecnologia. Um desdobramento da nossa realidade, através de uma releitura otimista e saudosista de um passado que nunca aconteceu, como que reescrevendo a história para que esta fosse mais agradável, razoável e justa.

O SteamPunk Melancólico, por outro lado, se concentra em uma Era Vitoriana mais realista, uma Distopia, um mundo no qual o Homem explora os recursos de seu meio indiscriminadamente para empreender projetos tecnológicos colossais sem medir consequências. A melancolia desta narrativa vem da pobreza, da desigualdade social, do imperialismo, da poluição e do consumismo. Uma evidente crítica a forma pela qual o homem vive nos dias de hoje, através da caricatura relativamente pessimista de uma época que não houve e que explora nossos defeitos através do exagero das questões para as quais não temos resposta.

Tanto numa quanto em outra narrativa, o SteamPunk remete a questão ambiental, seja através de indicar o caminho correto ou denunciar o trajeto indesejado na direção em que parecemos estar inevitavelmente nos encaminhando.

A produção de cultura SteamPunk, seja na forma de literatura, quadrinhos, animações, filmes, pinturas, esculturas, música, moda ou jóias é, em si um mecanismo de divulgação não só deste gênero, mas de sua mensagem tão atual e alinhada com os interesses do Cidadão, do Estado e – não há como negar – de toda a nossa Espécie.

Não tendo qualquer vínculo com franquias televisivas ou cinematográficas específicas ou com autores que tenham propriedade sobre a proposta estética do gênero, não há royalties a serem transferidos para qualquer corporação ou indivíduo, dando assim liberdade para o artífice promover o reaproveitamento de materiais beneficiados como matéria prima através do simples ato de exercer seu ofício e de produzir sua Arte.

O Artífice SteamPunk é, essencialmente, um ativista, um criador/criatura que não existe senão através de seu potencial de preservação, divulgação e reciclagem da cultura em suas diversas formas, um representante de uma contra-cultura que não aceita viver em um mundo sem memória e que torna interessante o passado através de uma releitura crítica presente de um futuro que desejamos e mesmo que sentimos a necessidade de evitar.

Lúdico o suficiente para atrair o grande público, sugestivo o suficiente para que o espectador com ele se identifique e engajado o suficiente para ter uma função social séria, pragmática e responsável, o SteamPunk cada vez mais conta com uma infra-estrutura de divulgação e produção cultural democrática e abrangente no país, fornecendo ao artífice, ao interessado e as instituições culturais, uma plataforma de pesquisa e aprofundamento no gênero enquanto confere aos envolvidos a capacidade de fazer mais pelo planeta em que todos habitamos.”
>> CONSELHO STEAMPUNK – por Bruno Accioly


BRAULIO TAVARES É INDICADO PARA O PRÊMIO JABUTI POR “A INVENÇÃO DO MUNDO PELO DEUS-CURUMIM”.

sexta-feira | 21 | agosto | 2009

Braulio_invenção do mundo
A Câmara Brasileira do Livro divulgou hoje lista com os dez primeiros colocados de cada uma das 20 categorias do 51º Prêmio Jabuti. A apuração da segunda fase, na qual são conhecidos os três vencedores de cada categoria, será em 29 de setembro. Os vencedores das categorias Livro do Ano Ficção e Livro do Ano Não-Ficção serão revelados durante a cerimônia de premiação, no dia 4 de novembro, na Sala São Paulo.

Com o livro A Invenção do Mundo pelo Deus-Curumim” (Editora 34), o escritor, roteirista e compositor Braulio Tavares foi indicado como finalista para o maior prêmio da literatua nacional, na categoria Livro Infantil. As ilustrações do livro são de Fernando Vilela

Inspirado em mitos indígenas sobre a criação do mundo, Braulio reconta um mito indígena brasileiro que fala sobre a criação do mundo. Estrelas, folhas, grãos de areia, tudo surgiu dentro de um coco e a linguagem poética de Bráulio dá vida até às próprias letras que aparecem como personagens. Com suas ilustrações, o consagrado Fernando Vilela foi econômico nas cores e vigoroso nos traços – letras e flechas se misturam, formando um emaranhado de figuras dançarinas.

Braulio Tavares é autor de “A Espinha Dorsal da Memória”, “A Máquina Voadora” e “Anjo Exterminador” (todos pela Rocco). Organizou as antologias “Freud e o Estranho”, “Contos Fantásticos no Labirinto de Borges” e “Páginas de Sombra”; (todos pela editora Casa da Palavra). Publicou também vários folhetos de cordel e livros de poemas, entre eles A Pedra do Meio-Dia, ou Artur e Isadora (Editora 34, São Paulo, 1998), O homem artificial (Sette Letras, Rio de Janeiro, 1999) e Os martelos de Trupizupe (Engenho de Arte, Natal, 2004).

Fernando Vilela, além de designer e educador, é hoje um dos ilustradores brasileiros mais reconhecidos. Entre seus livros, destaca-se Lampião e Lancelote (2006), que ele mesmo escreveu e desenhou, premiado no Salão Internacional de Bolonha, em 2007.


‘AVATAR’: IMAGENS E O PRIMEIRO TRAILER

sexta-feira | 21 | agosto | 2009

Avatar_fotoA
A 20th Century Fox revelou o primeiro trailer do filme Avatar, que pode ser conferido abaixo. Cumprindo a promessa do diretor sobre um visual impressionante, o vídeo mostra cenas bem movimentadas, mas não dá detalhes da trama.
Avatar_foto2aEm adição, foram divulgadas também novas imagens da produção.

Em Avatar, a ação se passa no século XXII, em Pandora, uma lua parecida com a nossa, habitada pelos seres chamados Navi. Como seres humanos não podem respirar o ar de Pandora, há esperanças de que um híbrido entre os dois povos possa resolver o problema.
Avatar_foto3a

O filme conta a história de Jake Sully (Sam Worthington), ex-fuzileiro ferido em combate. Ele é enviado a Avatar, onde terá uma chance de provar seu valor. Como está paralítico, ele interage usando um avatar, uma versão de si mesmo, a fim de explorar a lua. Eventualmente, Jake terá que liderar os habitantes desse mundo em uma batalha pela sobrevivência.

Estão também no elenco Zoë Saldaña, Sigourney Weaver, Michelle Rodriguez e Giovanni Ribisi, entre outros. A estreia acontece dia 18 de dezembro. A direção é de James Cameron.
>> UARÉVAA – por Jack Starman – 3/04/2008


PAULO COELHO: CINEASTA INGLESA DIRIGE “VERONIKA DECIDE MORRER”

sexta-feira | 21 | agosto | 2009

Sarah Michelle Gellar in Veronika Decides to Die

A diretora inglesa Emily Young nunca havia lido um livro de Paulo Coelho quando os produtores da Das Films lhe ofereceram a direção de Veronika decide morrer, adaptação do romance homônimo do escritor brasileiro que estreia amanhã no circuito nacional. Ainda fresca da boa repercussão de Kiss of live (2003), seu modesto longa-metragem de estreia, selecionado para a mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes daquele ano, a cineasta não queria perder a oportunidade de ganhar um upgrade na carreira, no vácuo da trajetória de um dos autores mais vendidos do planeta.

– É claro que eu sabia um pouco sobre ele, da reputação da obra que ele vinha construindo, mas nunca lera nada dele antes, até porque não é o meu gênero de leitura – admite a diretora de 38 anos. – Só vim a ler Veronika depois que eu recebi uma das primeiras versões do roteiro do filme.

A falta de familiaridade com o universo de Paulo Coelho não a impediu de descobrir afinidades com os temas que o autor costuma explorar em seus trabalhos.

– Confesso que descobri no livro não apenas uma boa mensagem, que é a busca por uma nova possibilidade de encarar a vida, mas também uma bela história. Eu me identifiquei com o caráter de conto de fadas da trama – comenta Emily. – Não sou uma pessoa mística, como Paulo, mas acredito numa dose de magia, a possibilidade do amor, dos caminhos inesperados que a vida toma.

Livro e filme contam a história de uma jovem nova-iorquina aparentemente bem-sucedida na vida e na carreira que tenta o suicídio e acorda numa clínica psiquiatra particular. Os médicos a comunicam que a tentativa desesperada não foi exatamente um fracasso: o trauma afetou seriamente seu coração e agora ela tem poucas semanas de vida e que, provavelmente, morrerá enquanto estiver internada. Durante esse período, Veronika terá que lidar com as consequências de seu ato.

– A ideia de um novo começo após decidirmos terminar com a própria vida é muito diferente e interessante – filosofa a diretora.

A personagem é interpretada por Sarah Michelle Geller, que até pouco anos ganhava cachês matando monstrengos no popular seriado de TV Buffy – A caça-vampiros.

– A escolha de Sarah foi perfeita para o papel porque ela personifica a jovem moderna e, no filme, vemos uma mulher contemporânea que de repente se encontra em uma situação incomum, quase de outro mundo – afirma Emily.

A mais trabalhosa dessas fases foi chegar a um roteiro – assinado, oficialmente, por Larry Gross e Roberta Hanley – que agradasse a todas as partes envolvidas. A mudança mais marcante foi a transposição da história, que se passa na exótica Eslovênia, para a Nova York contemporânea.

– Ao trazermos o drama de Veronika para uma grande cidade americana, aumentamos o contraste com o quê de conto de fadas que existe no livro. Nova York é mais real, o que dá ao filme uma atmosfera mais verossímil – destaca a diretora. – É como trouxemos Veronika, uma típica garota dessa cidade, para esse mundo estranho.

Nem tudo parece ser o que é em Veronika decide morrer. Funcionários e pacientes da clínica, numa área erma e afastada de grandes centros à margem do Rio Hudson, agem como se relutassem a fazer contato com o mundo real. O mais misterioso é Dr. Blake (David Thewlis, o Remus Lupin da franquia Harry Potter), o diretor da instituição, que parece fazer dos internos cobaias de suas pesquisas. A revelação da doença fatal de Veronika revela-se um truque para uma de suas teses: a de que o temor da morte a fará encarar a vida de outra forma.

– A ideia era transmitir a impressão de que aquele hospital muito peculiar pudesse estar em qualquer lugar do planeta – avisa Emily.

Forçada a conviver com outros dramas na clínica, como a do jovem Edward (Jonathan Tucker), catatônico e mudo desde que causou a morte da namorada num acidente de carro, Veronika passa a recuperar o amor pela vida, alimentando o desejo de aproveitar os últimos dias que lhe restam. O elenco ainda tem Melissa Leo, indicada ao Oscar de Melhor Atriz pela performance no drama independente Rio congelado (2008), de Courtney Hunt.

– Para um segundo longa, é um time dos sonhos, não? – conclui a cineasta.
>> JORNAL DO BRASIL – por Carlos Helí de Almeida


‘O HOBBIT’: ADAPTAÇÃO PODE SER DIVIDIDA EM TRÊS FILMES

quarta-feira | 19 | agosto | 2009

Site diz que Peter Jackson pode assumir o terceiro longa para fazer a ponte com O Senhor dos Anéis

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Até o mês passado, quando Peter Jackson falou de O Hobbit na Comic-Con, a ideia era adaptar o livro de J.R.R. Tolkien em dois filmes. Mas, segundo o site MarketSaw, circulam rumores de que serão três longas-metragens, e em 3D.

A ideia seria manter os dois filmes dirigidos por Guillermo Del Toro, adaptação direta do material do livro, e depois fazer um terceiro para ligar diretamente com a Trilogia do Anel. Esse terceiro filme seria dirigido por Jackson.

O site é confiável em assuntos técnicos, sua especialidade. Eles avisam que a informação ainda é rumor, apesar de ter sido confirmada por uma de suas fontes confiáveis – que por sua vez a ouviu de “muitas pessoas” e teria visto materiais da pré-produção que confirmariam a informação.

Oficialmente, temos apenas as datas dos dois (primeiros) filmes. Um sai no final de 2011 e o segundo no final de 2012.
>> OMELETE – por Marcelo Hessel


‘LUA NOVA’: ASSISTA AO NOVO VÍDEO DA SAGA DE ‘CREPÚSCULO’

quarta-feira | 19 | agosto | 2009

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A Summit Entertainment revelou um novo vídeo de Lua Nova, segundo filme da saga Crepúsculo.

Além de novas cenas, o ator Taylor Lautner, que vive o licantropo Jacob Black, falando sobre seu personagem, sobre a sua raça e sobre como esse filme se diferencia do primeiro.

Em Lua Nova, Bella Swan (Kristen Stewart) está devastada com a partida repentina de seu amor, Edward Cullen (Robert Pattinson), após um incidente durante sua festa de aniversário. Mas seu espírito é reanimado pela crescente amizade com o irresistível Jacob Black (Taylor Lautner). De repente, ela se vê atraída pelo mundo dos lobisomens, inimigos ancestrais dos vampiros, e vê sua lealdade e sua verdadeira paixão sendo testadas. Dirigido por Chris Weitz o filme estreia no dia 20 de novembro
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno


QUANDO OS ZUMBIS ATACAM: MATEMÁTICOS CALCULAM POSSIBILIDADE DE HUMANIDADE SOBREVIVER

quarta-feira | 19 | agosto | 2009

ZUMBISa
Um grupo de cientistas das Universidades de Carleton e Ottawa, no Canadá, publicou um estudo que usa rigor matemático para responder a uma pergunta que faz sentido apenas na ficção: a Humanidade conseguiria sobreviver a um ataque de zumbis?

Intitulado “Quando zumbis atacam!: Criando um Modelo Matemático de um Surto de Infecção por Zumbis”, o estudo foi publicado no livro científico “Pesquisa sobre Modelos de Progressão de Doenças Infecciosas”.

O exercício matemático considera várias opções e cenários, incluindo quarentenas bem e mal sucedidas de infectados, assim como a possibilidade de alguns humanos sobreviverem, mas terem que co-existir com zumbis.
Tentativa de quebra de recorde de número de zumbis reunidos

Os autores afirmam que um ataque de zumbis poderia acabar com a civilização a não ser que a reação fosse “rápida e bastante agressiva”. Mas advertem:

“Se a escala do surto aumentasse, então, o resultado seria o do juízo final: um surto de zumbis resultaria no colapso da civilização, com todos os humanos infectados, ou mortos. Isso porque nascimentos humanos e mortes dariam aos zumbis um suprimento infinito de novos corpos para infectar, ressuscitar e converter”, afirmam os autores.

Para dar aos vivos uma chance de lutar, entretanto, os pesquisadores escolheram zumbis “clássicos”, que se locomovem lentamente, em vez de criaturas mais inteligentes e ágeis mostradas em alguns filmes recentes.

O professor Robert Smith? (o ponto de interrogação faz parte do nome dele, para diferenciá-lo do cantor homônimo da banda The Cure) e seus colegas explicaram como o estudo foi feito:

“Nós criamos um modelo de ataque de zumbis usando suposições biológicas baseadas em filmes de zumbis. Nós introduzimos um modelo básico para infecções de zumbi e ilustramos o resultado com soluções numéricas.”
>> BBC NEWS – por Pallab Ghosh


HIPPIES E OUTROS BARATOS. SACOU, BICHO?

quarta-feira | 19 | agosto | 2009


Os anos 60 viram o nascer de um movimento de contracultura caracterizado por comunidades próprias, música psicodélica, sexo livre e pela exploração das drogas para atingir formas alternativas de consciência. Conhecidos como hippies, os seguidores do movimento contestavam a sociedade tradicional, bem como o poder militar e econômico. Eles tinham como lema a frase “Paz e Amor”.
No auge da popularidade do movimento, um artigo da revista Time, intitulado The Hippies: The Philosophy of a Subculture (Os Hippies: a Filosofia de uma Subcultura) descreveu o código dessas tribos. “Faça o que lhe der na cabeça, onde quer que seja e sempre que tiver vontade. Caia fora. Abandone a sociedade. Abandone completamente. Dê um nó na cabeça de cada pessoa certinha que encontrar. Deixe-os ligados, se não às drogas, então com beleza, amor, honestidade, diversão.”

Um dos momentos considerado como o maior exemplo dessa contracultura foi o Festival de Woodstock, que hoje completa 40 anos e teve lugar na cidade rural de Bethel, Nova Iorque, de 15 a 18 de agosto de 1969. Aproximadamente 500 mil pessoas reuniram-se para assistir a músicos e bandas importantes, como Joan Baez, Janis Joplin, Santana, The Who, Joe Cocker, Jimi Hendrix e Blood, Sweat and Tears.
Com suas cores e idéias, seus termos e sons, o movimento hippie se refletiu na televisão em diversas séries. Uma das que melhor reproduziu as características dessa época é Mod Squad (The Mod Squad). Esse drama policial reúne três jovens delinquentes, cuja rebeldia os colocou do lado oposto da lei. Pete Cochrane (Michael Cole) fora abandonado por sua rica família de Beverly Hills após roubar um carro. Linc Hayes (Clarence Williams III) acabara preso por participar de manifestações no gueto onde morava. Fugindo de sua mãe prostituta, Julie Barnes (Peggy Lipton) fora pega vadiando. Enquanto em condicional, os três desgarrados recebem uma proposta do Capitão Adam Greer (Tige Andrews): formar um grupo de combate ao crime.


Embora atraente, a proposta só é aceita com a garantia de que não trabalhem para expor ou punir outros jovens com problemas como eles mesmos. Na realidade, a intenção de Greer é capturar apenas os mentores agindo por trás de tais jovens infratores, é levar à justiça quem está usando a juventude para cometer crimes. Por isso, não usarão nem armas, nem insígnias, nem uniformes. Com o grupo, Pete, Linc e Julie aos poucos formam sua própria família.


Mod Squad nasceu das experiências de Bud Ruskin como policial nos anos 50, quando comandou um esquadrão de jovens agindo sob disfarce. A trama foi para o papel em 1960, mas somente em 1968 chegou à TV, quando Aaron Spelling e Danny Thomas abraçaram a idéia e a produziram até 1973.

A série tornou-se muito popular não apenas entre os jovens, aos quais se destinava, mas também entre o público adulto. Seu elenco multirracial introduzia os personagens em tramas que abordavam temas da atualidade, como direitos civis, conflitos raciais, educação sexual na escola e a guerra do Vietnã, frequentemente retirando das manchetes a inspiração para os roteiros.

O sucesso logo transformou o visual moderno do grupo em moda e, a partir da segunda temporada, começou a atrair os famosos do momento para o elenco, tais como Sammy Davis Jr., Richard Dreyfuss, Vincent Price, Robert Duvall e Cesar Romero.

Sammy Davis Jr. nos bastidores

Logo vieram os produtos com a marca Mod Squad. A série recebeu inúmeras indicações para prêmios, incluindo Emmy e Golden Globe, e venceu vários.



quebra-cabeça

quadrinhos

Porém, com o enfraquecimento do movimento hippie no início dos anos 70, a série também saiu da “crista da onda”. A ABC a transferiu para um horário no qual competia com Os Waltons, em sua primeira temporada em 1972, e com The Flip Wilson Show, um programa de variedades comandado por um ator negro. Dessa forma, Clarence Williams III deixou de reinar sozinho. Além disso, as questões pessoais do elenco estavam se tornando um inconveniente à produção. A fama os tornara exigentes demais, e para piorar, Michael Cole era alcoólatra.

No dia 1º de março de 1973, “minas” e “coroas” deram adeus ao “barato” mais legal da época. A “patota” se reuniu novamente em 1979 para um filme, mas a realidade era outra, por isso o filme não teve o mesmo efeito.


Todo o colorido visual do movimento e o linguajar “prafrentex” que o caracterizava foi aplicado na série musical cômica Os Monkees. Mas, ao contrário dos hippies, Micky, Michael, Peter e Davy era bons moços que não fumavam e não praticavam o sexo livre. A banda que formavam era moderna, mas sem rebeldia, destinava-se apenas à diversão, e o efeito surreal era obtido através da imaginação, não das drogas. A série, estrelada por Micky Dolenz, Michael Nesmith, Peter Tork e Davy Jones ficou no ar de 1966 a 1968, e também gerou legiões de fãs e produtos.

Os Monkees

Embora, o Homem-morcego e Robin sempre colocassem os desajustados atrás das grades no final, os adeptos do movimento hippie tinham motivos de sobra para apreciar Batman. Nunca uma série havia dado um tratamento tão psicodélico a sua estrutura, além disso, a dupla fazia a lei e a ordem parecerem ridídulas.

É provável que o único proscrito que eles tenham gostado de ver na prisão seja Louie Lilás, interpretado por Milton Berle. No episódio Louie Lilás (Louie the Lilac/1967), o vilão criado especialmente para a versão da TV visita um grupo de hippies reunidos em um parque e domina sua líder hipnoticamente, pois acredita que um dia esses jovens não estarão mais à margem da sociedade, e quando forem poderosos, ele quer estar por trás de tal poder.

Cena de Batman com Louie Lilás

O aspecto psicodélico tomou conta da produção infantil A Flauta Encantada (H.R. Pufnstuf), criada por Sid e Marty Kroftt em 1969. Em suas aventuras coloridas, Jack Wilde, no papel de Jimmy, é acompanhado de uma flauta mágina chamada Freddie. Certo dia, Jimmy é raptado pela bruxa Witchiepoo (Billie Hayes), cujo objetivo é utilizar a flauta em seus encantos maléficos.


Dentro do espírito hippie das drogas, o título original foi acusado de ser uma referência à maconha. O público alegava que as iniciais H. R. significavam hand-rolled, traduzindo, enrolado à mão, como um cigarro. A letra da canção tema também foi alvo de alegações semelhantes, de acordo com as quais termos hippes eram códigos para o uso de drogas. Diziam inclusive que os jovens primeiro fumavam maconha e depois iam assisitir ao programa. A produção, no entanto, negou qualquer relação de seu programa com drogas.
O movimento também foi explorado em vários episódios das diversas produções em andamento naqueles tempos, como por exemplo O Show da Lucy, Jeannie é um Gênio, A Feiticeira, Agente 86, Perdidos no Espaço, Jornada nas Estrelas e A Noviça Voadora.

Episódio de O Show da Lucy
Viv Visits Lucy/1967: quando Lucy fica sabendo que o filho de uma amiga deixou o cabelo crescer e começou a tocar guitarra, ela e Vivian se disfarçam de hippies para se aproximar do rapaz e assim salvá-lo do submundo.

Episódios de Jeannie é Um Gênio
Um Conjunto Desconjuntado (Jeannie, the Hip Hippie/1967): Jeannie resolve montar um conjunto de rock para o bazar de caridade de Amanda Bellows.

A dupla Boyce & Hart

A Filha do General (Jeannie, My Guru/1968): Tony precisa esconder do General Schafer o fato de que sua adorada filha é na verdade uma hippie.

Larry Hagman em Jeannie é um Gênio

Episódios de A Feiticeira
Gente Pra Frente Atrasa a Vida (Hippie, Hippie, Hooray/1968): após tornar-se hippie, Serena aparece nos jornais. James precisa então provar aos Tates que aquela desvairada não é sua doce esposa Samantha.

Serena em A Feiticeira

Serena Acaba Com a Serenidade (Serena Stops the Show/1970): Serena remove a fama de uma moderníssima dupla de cantores para que assim eles possam cantar em seu próprio evento.

Episódios de Agente 86
O Guru Legal (The Groovy Guru/1968): um agente da KAOS, conhecido como Guru Legal, está usando o conjunto hippie Vacas Sagradas para controlar os jovens.


Essa Viagem é Necessária? (Is This Trip Necessary?/1969): Vincent Price interpreta um cientista da KAOS que ameaça a comunidade com um novo alucinógeno.

Episódios de Perdidos no Espaço
Colisão de Planetas (Collision of Planets/1967): para se tornarem cidadãos úteis, quatro hippies espaciais devem explodir o planeta no qual os Robinsons estão vivendo.

O Planeta Prometido (The Promised Planet/1968): os Robinsons aterrisam em um planeta dominado por adolescentes hippies que tentam aliciar a tripulação jovem do Júpiter. Até mesmo o Dr. Smith acredita que a idéia seja uma “brasa mora”.


Episódio de Jornada nas Estrelas
Caminho Para o Éden
(The Way to Eden/1969): a Enterprise recebe a bordo um grupo de hippies que abandonaram posições de prestígio na sociedade para sair em busca do mítico planeta Éden.


Episódio de A Noviça Voadora
Quase um Desastre Completo (When Generations Gap/1970): um advogado que detesta hippies, decide defender a irmã Bertrille quando dois “tocadores de guitarra cabeludos” acidentalmente batem no carro dela.

Os “cabeludos” são interpretados pelos músicos Tommy Boyce e Bobby Hart, que também fazem parte do conjunto de Jeannie no episódio Um Conjunto Desconjuntado e da dupla contratada por Serena em Serena Acaba Com a Serenidade, de A Feiticeira. A dupla também compôs canções para Os Monkees.

Quase duas décadas mais tarde, uma série revisitaria aqueles tempos, fazendo um retrato de seus fatos marcantes através das lembranças de Kevin Arnold. Em Anos Incríveis (The Wonders Years) temos todos os sons que embalaram jovens e adultos do final dos anos 60 até o início dos anos 70. Começando com a famosa canção dos Beatles, With a Little Help From My Friends, cantada por Joe Cocker na abertura, passamos por Nat King Cole e Jimmy Hendrix, The Monkees e Bing Crosby, Joan Baez e The Platters, e muitos outros.

A série, criada por Carol Black e Neal Marlens para a rede ABC, foi produzida de 1988 a 1993. Em meio aos assuntos típicos do adolescente protagonista, o público revê os eventos históricos se desenrolarem. A questão hippie surge no episódio O Anjo (Angel), quando Karen, a irmã mais velha de Kevin, apresenta seu namorado à família. Assim como o rapaz, ela faz parte do movimento, e isso não é visto com bons olhos por seus pais tradicionais. Para eles, a música de Jimmy Hendrix, que Karen escuta em seu radinho, é apenas barulho.


O elenco desse sucesso era composto por Fred Savage no papel principal, Dan Lauria como seu pai Jack Arnold, Alley Mills, era sua mãe Norma, Jason Harvey, seu irmão mais velho Wayne, e Karen era interpretada por Olivia D’Abo. Entre seus amigos estavam Winnie Cooper, intepretada por Danica McKellar, e Paul Pffeifer, interpretado por Josh Saviano.

A herança hippie ainda foi graciosa e nostalgicamente apresentada na série cômica Caras e Caretas (Family Ties), de 1982, refletindo a passagem do liberalismo dos anos 60 para o conservadorismo dos anos 80. A mudança é expressa através da relação entre o jovem republicano Alex P. Keaton (Michael J. Fox) e seus pais Elyse e Steven, ex-hippies, interpretados por Meredith Baxter-Birney e Michael Gross.

Então, fiquem com esses vídeos que são jóia pra chuchu.
E paz e amor, bicho!
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


HARRY POTTER: ‘BRUXINHO’? ONDE?

terça-feira | 18 | agosto | 2009

É comum ver em jornais, revistas ou mesmo em veículos de comunicação em áudio, como televisão, rádio ou os modernos podcasts, a seguinte definição: “Em sua nova aventura, o menino bruxo…” ou “Mais uma vez o bruxinho que conquistou platéias do mundo inteiro…”. Aliás, nem precisou ser explicitado o assunto sobre o qual as frases acima falam; mais profundamente, apenas a primeira palavra do título deste texto já deixa a questão mais do que resolvida. Gostando ou não, já está mais do que cristalizado na cabeça de qualquer seguidor do mundo pop atual que tais rótulos só poderiam ser dado a um personagem: Harry Potter. Mas será que os diminutivos e expressões infantis usadas nos storylines da maioria dos jornais em 2001, quando estreava o primeiro filme da saga do bruxinho, Harry Potter e a Pedra Filosofal, se encaixariam agora, oito anos depois?

J.K. Rowling, autora do moderno clássico infanto-juvenil.

Os livros de J.K. Rowling sempre foram e sempre serão meramente infantis. Por mais que se tente negar isso, tendo em vista elementos mais obscuros e misteriosos em algumas das tramas, o final da saga assinado por ela, em 2007, comprovou o que já se sabia. Não que haja um julgamento de valor por trás da palavra “infantil”, pelo contrário, há apenas uma rotulação que, diga-se de passagem, já consagrou grandes escritores no passado. E isso Rowling é: uma grande escritora. Ao mesclar elementos fantasiosos de diversas mitologias e ainda propor debates sérios e maduros sobre temas nem sempre tão pueris (como o preconceito e o poder da política e do dinheiro na formação do caráter e opinião das pessoas), a escritora inglesa criou um dos mais maduros e sérios clássicos infantis dos últimos anos.

Harry Potter e a Pedra Filosofal – o início de tudo. Harry Potter e a Pedra Filosofal – o início de tudo.

Contudo, é difícil imaginar uma criança de 11 anos (idade de Harry durante o primeiro livro da septologia) discutindo abertamente e toda certa de si sobre política, por exemplo. E Rowling sabia disso. Logo, nem todos os elementos adultos da saga surgem desde seu início, embora sempre estejam ali, prontos para serem desvelados. Escritora habilidosa, Rowling deixa quase todos os maiores ‘problemas’ para serem enfrentados ou ruminados a partir dos terceiro e quarto livros (quando Harry, já adolescente, está com 13 e 14 anos, respectivamente). A partir daí, os piores medos e temores da vida do adolescente bruxo começam a germinar, como o aparecimento de criaturas cujo poder consiste em deixar as pessoas em um estado de depressão induzida e o presenciamento da morte de um colega de escola.

Portanto, não é complicado entender o porquê da Warner Bros. ter contratado o diretor Chris Columbus para adaptar os dois primeiros (e menos complexos) livros da série. Famoso por dirigir filmes para crianças ou filmes-família, como Esqueceram de Mim (os dois primeiros) e Nove Meses, Columbus se mostrava uma escolha acertada na época justamente por sua experiência na direção de filmes leves e de censura livre. De uma certa forma muito peculiar e que até hoje é causa de controversas discussões, o diretor teve um importante papel na história cinematográfica da série ao estabelecer todas as bases que seriam usadas dali para frente.

Assim sendo, o primeiro longa da série é também o mais infantil de todos. Mais uma vez, não há julgamento nenhum por trás da palavra ‘infantil’, apenas uma constatação. Dito por vários fãs como o “mais fiel” de todos os filmes em termos adaptativos (algo que se deve, principalmente, à extensão diminuta do primeiro livro em relação aos seguintes), Harry Potter e a Pedra Filosofal deu o passo inicial da série e é, até a presente data, o filme com maior bilheteria da saga com quase 1 bilhão de dólares em vendas de ingressos. Entretanto, a falta de apuro técnico, mesmo para aquela época, assim como a fraca atuação de grande parte do elenco de crianças do longa em contraste com grandes nomes do cinema britânico, como Alan Rickman, Richard Harris, Maggie Smith e Robbie Coltrane, foi alvo de críticas e serviu ainda mais para categorizar o filme como ‘infantil’ (agora sim com um julgamento de valor). Ainda, foi chamado para a composição da trilha sonora do filme o famoso compositor John Williams. Diferente de outros trabalhos invejáveis, Williams não realizou nada de magnânimo. Apesar disso, seu ‘Edwiges’ Theme’ seria padronizado como música-tema da saga em todas as futuras trilhas.

Harry e Gina, em A Câmara Secreta – o pseudo-thriller Harry e Gina, em A Câmara Secreta – o pseudo-thriller

Apesar da abordagem simplista, Columbus ficaria mais um ano à frente da saga e, em 2002, lançaria Harry Potter e a Câmara Secreta. Com uma temática um pouco mais misteriosa e uma história que remete a um pseudo-thriller, o livro é mais obscuro que seu antecessor, algo que não aparece muito na transposição para as telas. A não tão bem feita adaptação continuava por fazer a narrativa soar “infantil” e, ainda com efeitos fracos, a saga continuaria a ser vista como “filme de criança” sobre um “menino bruxo”. Porém, tudo mudaria em 2004.

Diante da clara guinada de complexidade narrativa entre o segundo e terceiro livros, tornava-se claro também que a presença de Columbus acabaria por deixar a imaturidade dos longas viva por mais tempo. Logo, frente ao crescimento moral e psicológico de Harry como pessoa e à evolução do personagem de criança a adolescente, seria mais do que inteligente a contratação de um diretor que possuísse a percepção necessária para acompanhar esse crescimento dos personagens principais e mantivesse o ritmo sombrio que a história pedia. Tendo sido premiado e aplaudido pelo mundo em 2001 pelo filme E Sua Mãe Também, o diretor mexicano Alfonso Cuarón foi contratado para dirigir o terceiro filme da série, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban.

Prisioneiro de Azkaban – a puberdade da série. Prisioneiro de Azkaban – a puberdade da série.

A mesma crítica especializada que outrora maldissera os primeiros filmes da franquia, em 2004, com Cuarón na direção, aplaudiu o terceiro capítulo da, até então, septologia cinematográfica. Por outro lado, assim como a opinião dos críticos foi para um lado diametralmente oposto em relação aos longas anteriores, também mudou a opinião dos fãs da série. Apesar do apuro técnico (tendo até mesmo sido indicado a um Oscar de Efeitos Especiais), das longas tomadas e do clima extremamente dark criado por Cuarón, os fãs não pouparam críticas à péssima adaptação que, pela primeira vez, decepcionara muitos deles. A conclusão sem explicações, o corte de partes preferidas de alguns leitores, o apagamento de grande parte das subtramas e, principalmente, a ignorância em relação ao fato de que nem sempre quem dirige um filme é a mesma pessoa que o escreve fizeram com que a grande parte dos pottermaníacos saíssem bufando das sessões, decepcionados com Cuarón. Nada disso, porém, pode diminuir o fato de que, enquanto Columbus criou a base de toda a franquia, Cuarón foi o responsável pelo amadurecimento da série em termos cinematográficos e pelos filmes como os conhecemos hoje.

O Cálice de Fogo – dark e cômico. O Cálice de Fogo – dark e cômico.

Um ano e meio depois, em novembro de 2005, estrearia o quarto longa da série, Harry Potter e o Cálice de Fogo, dessa vez sob a direção de Mike Newell, o primeiro britânico a dirigir um filme da série. Assim como o antecessor, o quarto filme da franquia foi um sucesso de crítica e é considerado, até a presente data ao lado do terceiro filme, o melhor filme da série. Ao contrário do anterior, que pecava pela falta de um final mais redondo, este pode ser considerado também o melhor trabalho do roteirista Steve Kloves na saga até agora, justamente por entender exatamente quais subtramas deveriam ser cortadas e quais passagens poderiam ser adaptadas para um fluxo mais natural da trama principal. Mesclando momentos de tensão e cenas cômicas, Newell conseguiu trazer toda a atmosfera misteriosa que circunda a história às telas sem, ao mesmo tempo, deixar passar parte do processo de amadurecimento dos personagens, como o crescente interessante de Harry, Rony e Hermione pelo sexo oposto.

Há quase dois anos, estreava, então, o quinto longa da saga, Harry Potter e a Ordem da Fênix. Dirigido pelo quarto diretor diferente na série, o britânico David Yates, o filme tinha uma missão à primeira vista difícil: adaptar mais de 700 páginas da trama altamente política e complexa do maior livro, em quilos de árvore destruídas, da septologia. Steve Kloves, roteirista dos quatro anteriores, sairia da franquia para se dedicar a outros projetos e daria espaço para Michael Goldenberg, que à época da pré-produção d’A Pedra Filosofal chegara a escrever poucas páginas do roteiro daquele filme. O resultado: um roteiro episódico, porém conciso e coeso dentro da proposta do original.

Ordem da Fênix – sucesso de público e crítica. Ordem da Fênix – sucesso de público e crítica.

O resultado, no geral, agradou a maior parte dos fãs (alguns considerando este o melhor de todos os longas até a presente data) e também agradou a crítica que elogiou principalmente a direção segura e madura do novo diretor e os recursos usados por Yates e Goldenberg para dar maior fluidez a uma estória por si só densa, como por exemplo as manchetes do jornal bruxo, o Profeta Diário. Há, ainda, pequenas dicas sobre os filmes seguintes, algo que, ao final da série, dará a ela um formato mais redondo. Todos esses aspectos, em conjunto com a trama política presente em boa parte do filme, ajudam a distanciar o adolescente Potter do menino bruxo de anos atrás.

Dando uma breve olhada nos trailers e imagens liberadas pela Warner, há de se notar mais um passo além da infantilidade e em direção à seriedade que a franquia deve tomar no prestes a ser lançado Harry Potter e o Enigma do Príncipe. A fotografia obscura de Bruno Delbonnel e a direção segura de David Yates (que continuará na direção da série até seu fim, em meados de 2011) provavelmente contribuirão para um maior amadurecimento da saga.

Enigma do Príncipe – o começo do fim. Enigma do Príncipe – o começo do fim.

Por mais que seja natural manter um rótulo consagrado mesmo que ele não se aplique mais a fim de se obter um rápido entendimento do interlocutor (algo brevemente testado no início deste texto), é bom ter entendimento de que o mesmo não mais faz jus ao que define. E não só críticos e fãs pensam assim, uma vez que a própria indústria cinematográfica como um todo credita à série valores menos inocentes, tendo em vista que a censura aos filmes só faz crescer. O amadurecimento da franquia, portanto, além de previsto pelo próprio crescimento do personagem e dos livros, vem se mostrando cada vez mais eficaz e independente do veículo em que se baseia, deixando que a linguagem do cinema fale por si só e conte, à sua às vezes torta maneira, a grande saga do menino que sobreviveu.
>> PIPOCA COMBO – por Breno Ribeiro


‘A MULHER DO VIAJANTE DO TEMPO’: ASSISTA AO TRAILER DO FILME DE FICÇÃO CIENTÍFICA ‘THE TIME TRAVELER’

terça-feira | 18 | agosto | 2009

Mulher do Viajante do TempoA

Adaptação de A Mulher do Viajante do Tempo chega às telas em agosto

The Time Traveler’s Wife, romance de ficção científica estrelada por Eric Bana (Hulk) e Rachel McAdams (Diário de uma Paixão, Vôo Noturno), acaba de ganhar seu primeiro trailer. Veja abaixo.

O filme se baseia no livro homônimo de Audrey Niffenegger, uma escritora de Chicago. O romance, por sua vez, é levemente inspirado na Odisséia. Na história, um bibliotecário com uma doença rara, disfunção genética que o faz involuntariamente viajar no tempo, visita momentos diversos na vida de seu grande amor.

Jeremy Leven (Diário de uma paixão) adaptou o roteiro que Bruce Joel Rubin (Ghost) retocou. A direção é de Robert Schwentke (Plano de Vôo). A New Line Cinema já detém os direitos desde 2003, quando o livro sequer havia sido publicado. Hoje, é um best-seller, lançado inclusive no Brasil, como A Mulher do Viajante do Tempo, pela editora Objetiva.

O filme estreia em 14 de agosto nos EUA. No Brasil ainda não há previsão.
>> OMELETE – por Rodrigo Borgo


‘GALACTICA’: BRYAN SINGER PODERÁ DIRIGIR FILME PARA CINEMA

terça-feira | 18 | agosto | 2009

Correm rumores de que a Universal está negociando com Bryan Singer a produção e direção de uma versão cinematográfica de “Battlestar Galactica”. Até aí tudo bem, mas a surpresa é que não se trata da versão criada por Ron Moore e, sim, de uma leitura própria da série original.
Esta versão já estava prestes a acontecer via SyFy com um orçamento de 14 milhões de dólares, com possibilidade de ser transformada em série, como já mencionado aqui. Mas foi quando os EUA sofreram os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Visto que a produção traria uma trama na qual a humanidade sofreu um ataque da raça cilônia, a Universal achou por bem não levar o projeto adiante mesmo faltando apenas três meses para o início da produção.
Agora parece que o estúdio está interessado em levar a público a visão de Singer e Tom DeSanto para a trama. É claro que no meio do caminho surgiu a versão de Ron Moore, mas ela veio apenas reafirmar junto ao estúdio o que Richard Hatch clamava há anos: a trama ainda dá “muito caldo”.
Se for verdade, ainda não se tornou público o quanto da trama original será preservada ou se alguma coisa da nova versão será utilizada. Acredita-se que, se o negócio for fechado, um novo roteiro será feito.
Bryan Singer
Em entrevistas da época de seu cancelamento, Tom DeSanto revelou algumas questões abordadas no roteiro.
Inicialmente, o Comandante Adama seria o personagem principal, o qual Singer gostaria que fosse interpretado por Ian McKellan, atualmente o número 2 na minissérie de “O Prisioneiro”, versão AMC. Em um segundo tratamento, o personagem é morto ao longo da trama e Boxey (personagem da série original), agora chamado de Orin, assume o comando com Starbuck (personagem masculino tal qual a série original), fica como seu segundo em comando.
A história gira em torno da nova geração da Galactica original, 20 anos após a astronave, juntamente com a Pegasus, ter realizado um ataque massivo contra os cilônios. Apollo e Sheba, à bordo da Pegasus, se perderam e a Galactica e as demais naves que a acompanham se estabeleceram em um planeta, que não a Terra, para continuar suas vidas. Mas a raça entrou em decadência, mal se lembram da jornada que os levou até aquele lugar.
Os cilônios reaparecem e uma guerra civil tem início. Mas ao invés de buscarem o extermínio da raça humana, eles querem que os humanos se unam à eles aceitando implantes cibernéticos. Desta forma, a situação se inverte. Se na primeira os cilônios eram integrados à sociedade humana, revoltando-se mais tarde; nesta versão ocorre o oposto. O roteiro de Singer que não chegou a ser filmado na época, ainda mostra um ataque à Nova Caprica, comandado pelo Cilônio Apollo, que foi absorvido cibernéticamente.
Em meio a tudo isso, ainda existe a versão de Glen Larson, que criou e produziu a série original. Em fevereiro ele divulgou à imprensa ter assinado um contrato com a Universal para desenvolver um filme de “Galactica” com sua própria visão do que a trama tem a oferecer nos dias de hoje. Uma espécie de reinício para sua própria série.
É duvidoso que a Universal produza dois filmes diferentes sobre o mesmo tema, é mais fácil acreditar que Larson e Singer estejam juntos no projeto.
Enquanto isso, os fãs no Brasil aguardam o lançamento do segundo volume da última temporada de “Battlstar Galactica”, a do Ron Moore, que ainda ganhará um box completo com todas as temporadas. E pelo visto a data é significativa para o universo da série: 11 de setembro.
Nos EUA, os fãs aguardam o lançamento em DVD de “The Plan”, filme que narra a trama da nova série sob o ponto de vista dos cilônios. O lançamento ocorre em outubro antes da estréia do filme no SyFy em novembro.

>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


‘MAHABHARATA’: ÉPICO INDIANO EM VERSÃO ANIMADA

terça-feira | 18 | agosto | 2009

O épico Mahabharata vai virar animação pelas mãos de um nome bastante conhecido dos quadrinhos: o escritor escocês Grant Morrison. Batizado de 18 Days, o projeto tem base no roteiro que Morrison começou para a adaptação para os quadrinhos do antigo texto indiano que sairia pela Virgin Comics. A editora, porém, fechou as portas no ano passado.

A Grande História dos Bharatas é o principal épico religioso da civilização indiana e também o maior poema de todos os tempos, com cerca de 200 mil versos. Mahabharata narra a guerra entre Pandavas e Karauvas, duas famílias com laços de parentesco muito próximos que lutam pela posse de um reino no norte da Índia.

Os confrontos acabavam rigorosamente ao pôr-do-sol, pois à noite havia confraternizações entre os soldados de ambos os lados. Apesar disso, a Batalha de Kurukshetra teria sido uma sangrenta carnificina da qual, após 18 dias de conflito, teriam restado apenas cinco sobreviventes para perpetuar a dinastia dos Pandava.

18 Days está previsto para ser lançado no primeiro semestre de 2010 – em formatos variados (na TV, DVD ou Internet). Confira mais informações no site oficial e assista ao trailer abaixo.
>> MUNDO ANIMADO – por Shirley Paradizo


A ESCURIDÃO EM MOVIMENTO

terça-feira | 18 | agosto | 2009


Narrativa de McGuire em uma casa isolada pela neve

No meio da enxurrada de filmes e animações ligados ao universo dos quadrinhos que invadiram os cinemas e DVDs nos últimos anos, é raro encontrarmos uma obra que realmente valha a pena ser assistida e que consiga ocupar um pequeno espaço em nossa memória, tão disputada nestes tempos de overdose de informações.

Muitas vezes, obras melhores e com uma proposta mais verdadeira ficam submersas por dezenas de outras que conseguem mais espaço na mídia.


O chiaroscuro de Mattotti


O chiaroscuro de Mattotti 2

O filme de animação Peur(s) du Noir (Fear(s) of the Dark – Medo(s) da Escuridão, 2007), que foi exibido no mês de julho no Anima Mundi 2009, é um deles. Um projeto original e excepcional do francês Etienne Robial, responsável pela direção artística da obra.

Robial é graphic designer e foi o idealizador da editora francesa Futuropolis, especializada em HQs, que durante 22 anos publicou centenas de autores em edições primorosas, e foi também responsável pelo resgate de autores clássicos de quadrinhos, franceses e norte-americanos, em coleções memoráveis. Foi o criador dos logotipos das revistas Metal Hurlant e À Suivre, da emissora Canal+ e do time Paris Saint-Germain; e também da identidade visual da recém inaugurada Cité Internationale de la Bande Dessinée et de l’Image, em Angoulême.


O desenho de Blutch

Neste filme, ele reuniu alguns dos melhores autores de quadrinhos e ilustradores do mundo para que pudessem desenvolver inquietantes histórias de terror: os franceses Blutch, Pierre di Sciullo e Marie Caillou, os norte-americanos Charles Burns e Richard McGuire, o italiano Lorenzo Mattotti. O filme ainda conta com os roteiristas Jerry Kramsky, Romain Slocombe e Michel Pirus, todos com experiência em quadrinhos.


O traço de Charles Burns


O traço de Charles Burns 2

Peur(s) du Noir intercala e mescla pequenos contos, onde fantasmas, seres exóticos, animais demoníacos criam um clima de terror que envolve os personagens das histórias e os espectadores. Indo além dos filmes convencionais com atores, o estilo gráfico de cada autor imprime uma visão única e marcante:

- O traço preciso de Charles Burns e sua kafkafiana história de amor de um jovem inexperiente no meio-oeste norte-americano.

- O desenho de Blutch na França do século XVIII, que lembra as litografias de Goya, e mostra um nobre sádico em seu passeio com seus violentos mastins.

- A narrativa em uma casa isolada pela neve habitada por lembranças aterrorizantes, com as imagens contrastadas de McGuire.

- O perverso conto japonês que envolve a estudante Sumako em um pesadelo com fantasmas vingativos, no traço limpo de Caillou.

- E o chiaroscuro de Mattotti em uma pequena vila italiana atormentada por um animal misterioso. Tudo entremeado por pensamentos e desenhos abstratos de Sciullo.


Traço de Caillou


Traço de Caillou 2

Opressão, terror e pesadelo embalado por desenhos excepcionais e que renovam a tradição dos contos do gênero. Um filme de animação surpreendente e que certamente não será esquecido por aqueles que tiverem a sorte de o assistirem.

Site do filme: www.primalinea.com/pdn
>> TERRA MAGAZINE – por Claudio Martini


A INVASÃO DO MUNDO FANTÁSTICO

domingo | 16 | agosto | 2009

Eragon_arte
É um género em clara ascensão e parece que a onda dos autores estrangeiros de maior sucesso trouxe com ela uma nova vaga de portugueses dedicados a este tipo de literatura. Aquilo que não tem explicação na realidade parece exercer grande fascínio em públicos de todas as idades.

Castelos, dragões ou vampiros soam às histórias que ouvíamos enquanto crianças. Mas hoje esse não é o caso. Pelo menos na literatura. O público de todas as idades já provou gostar e as editoras sabem que este género é uma aposta ganha. Prova disso são as dezenas de livros do fantástico publicados nos últimos tempos.

A moda talvez tenha sido lançada por Tolkein e seguida por muitos outros autores como o recente fenómeno da norte-americana Stephenie Meyer. Em Portugal, os artistas não se fizeram esperar e as editoras puseram mãos à obra para lançar alguns livros do fantástico. É o caso da Gailivro, especializada na publicação de literatura infanto-juvenil.

«Este boom não é de agora; em Portugal não é tão visível, mas no estrangeiro o fenómeno já dura há alguns anos e continua a ser um mercado em força», explica Pedro Reisinho, editor da Gailivro. É um tipo de livro transversal que pode abordar qualquer tipo de temática e englobar um leque de géneros. «O fantástico no fantástico é que dá para tudo.»

Nele podem ser incluídos os livros de ambiente medieval, com dragões e grandes batalhas de capa e espada, como vampiros que vivem no presente e se fundem na sociedade, ou até zombies que habitam num planeta mais futurista. A própria fantasia urbana é um estilo em franca expansão que caminha lado a lado com o género da ficção científica. «Isto permite-nos ter diversidades que agradam a várias faixas etárias e criam públicos mais alargados», salienta o editor. Até porque um dos objectivos das editoras é também a fidelização dos leitores. «Para além de aproveitar a vaga, queremos formar leitores e mantê-los connosco. Ter fãs a sério, criar um culto deste tipo de literatura em Portugal tal como ele existe nos países anglo-saxónicos.»

A mesma opinião é partilhada por Inês Mourão, responsável da comunicação da Editorial Presença. «Os livros do fantástico têm aumentado de forma considerável. Acho que talvez as pessoas queiram alhear-se da realidade e procurem alternativas em universos paralelos.» Viagem no tempo ou não, estes livros têm a capacidade de prender na leitura. «Há normalmente muitas ramificações familiares que continuam ao longo das sagas, com as mesmas personagens, o que também agarra o leitor», acrescenta.

Aliás, a designação de trilogias ou tetralogias foi abandonada e hoje apenas se fala em sagas e ciclos. A razão, diz Pedro Reisinho, «tem que ver com a venda de séries como trilogias que depois acabam por publicar mais um ou dois livros». Mais raros, mas que começam agora a surgir, são os chamados stand-alone, títulos de fantasia ou ficção científica lançados isoladamente.

É o caso do jornalista português Octávio dos Santos, que aos 44 anos publicou Espíritos das Luzes (Editora Gailivro). Uma história sobre diversas personalidades do século XVIII, em situações e relações imaginárias, «com uma dimensão espaço-temporal alternativa, onde Portugal é um planeta no qual posso fazer praticamente aquilo que quero», conta o autor da obra lançada em 2009, mas cuja linha narrativa o acompanhava há vinte anos.

Estreou-se na escrita do fantástico em 2003 com o livro Visões, uma compilação de contos que englobava fantasia e terror. Muitos remontavam à dácada de 1980, altura em que começou a interessar-se mais pelo género, não só na literatura, como no cinema e na música. «Sempre gostei mais da realidade alternativa e sombria, até porque muitas vezes o fantástico é uma excelente forma, embora sub-reptícia, de denunciar, alertar e prever determinadas situações que acontecem no mundo real.»

Não tem dúvidas de que seja um dos géneros dominantes da actualidade. «Falando em termos internacionais, os filmes e muitos livros de maior sucesso são claramente os de super-heróis, ficção científica, terror, e não só para um público infanto-juvenil, como cada vez mais para adultos.» Tal como os seus leitores, pois escreve para várias idades. Se o Espírito das Luzes é um livro virado para os mais velhos, tem também outras histórias na calha mais dirigidas aos mais jovens. «Tudo depende, cada livro tem o seu próprio universo e mecanismo.»

Da mesma editora, um jovem talento de 22 anos, Madalena Santos, uma estudante de Direiro que já tem publicados três livros da saga Terras de Corza (o último, As Tribos do Sul, de Maio deste ano). «São quatro histórias completamente diferentes e que apenas partilham o mesmo cenário», diz. Começou a escrever aos 12 anos, altura em que vivia embrenhada na leitura fantástica e decidiu fazer as próprias histórias. «Continua a ser um dos meus géneros favoritos porque permite uma maior evasão do dia-a-dia. Optei também por condimentar as minhas histórias com romance histórico.»

A caminho do quarto livro, que vai fechar esta saga, diz que a sua grande inspiração é a História mundial. A vertente fantástica, em que cria um mundo completo de regras e personagens, que foi buscar à leitura de Tolkein, e o lado mais real e romanceado a autores como Gabriel García Márquez e Umberto Eco. Não esqueçe também as leituras de infância «sobre civilizações celtas e vikings, e outros autores como Marion Zimmer Bradley ou Juliet Marillier».

Filipe Faria é outro dos autores portugueses do fantástico com grande sucesso em Portugal. Com 27 anos, acaba de publicar o sexto livro da saga Crónicas de Allaryia e soma dois prémios na área da literatura infanto-juvenil. É considerado um dos pioneiros da high fantasy em Portugal e um apaixonado pelo fantástico. «A minha imaginação foi espicaçada por uma enciclopédia que falava do mundo do Senhor dos Anéis e foi assim que comecei a gostar de ler.»

O esboço daquele que foi o primeiro livro (A Manopla de Karashtan, publicado em 2002) teve um início ortodoxo. «Era quase como um diário de viagem que eu fazia para mim aos poucos e povoava de personagens criadas na minha cabeça. Só quando me foi prometido que podia publicar é que dei início à saga em si.»

Hoje tem seis livros publicados (O Fado da Sombra foi lançado em Maio de 2009) e falta-lhe apenas um para concluir esta colecção.

O que mais gosta no fantástico é a total ausência de barreiras. «O céu é o limite, e mesmo assim pode ir-se mais além. Há uma liberdade em poder virar a realidade do avesso. Apesar de gostar de ter as coisas bem fundamentadas e para isso tenho sempre o mínimo de base de verdade.»

Estes três autores são apenas alguns dos portugueses que têm aproveitado a vaga do fantástico para tentar a sua sorte. Também na internet se multiplicam os contos do género e há editoras que apostam na criação de colecções exclusivas do fantástico. Para um público cada vez mais adulto, mas que ainda assim varia entre os 12 e os 80 anos.

OS GRANDES DA FANTASIA INTERNACIONAL
A influência de autores estrangeiros foi determinante para a explosão literária do fantástico em Portugal. Autores mais antigos como J.R.R. Tolkien, com o seu livro Hobbit escrito em 1937 e a famosa trilogia O Senhor dos Anéis, foram o ponto de inspiração de centenas de escritores que se aventuraram neste género surreal. Escritores como Marion Zimmer Bradley, com a tetralogia As Brumas de Avalon, e outros livros ligados a um universo místico, são também um marco no fantástico, em especial para o público feminino. Em 2002, Christopher Paolini tornou-se um sucesso de vendas com o primeiro livro do Ciclo da Herança, Eragon, uma história de magia entre um menino e um dragão.

Hoje tem mais de 15 milhões de livros vendidos do mundo e mais dois livros publicados, Eldest e Brisingr. Recentemente, a escritora Stephenie Meyer encheu os tops das livrarias, primeiro com o seu romance de estreia, Crepúsculo, sobre a paixão entre uma humana e um vampiro, seguindo-se os livros Lua Nova, Eclipse e a conclusão da saga com Amanhecer. Muitos destes títulos têm também vindo a ganhar destaque com as adaptações cinematográficas, que os levam mais perto de um público mais alargado.
>> DIÁRIO DE NOTÍCIAS – Lisboa, Portugal – por Mariana Correia de Barros


A INVENÇÃO DO MUNDO FANTÁSTICO…

domingo | 16 | agosto | 2009

Um dia gostaria de trabalhar num jornal diário e viver o dia-a-dia repleto de pressão de um jornalista para que possa assim encontrar uma justificação para os erros lamentáveis que vão recheando as páginas de jornais, revistas e suplementos nacionais e onde se nota por vezes uma gritante falta de profissionalismo, seja ela ditada por completa ignorância do jornalista que não sabe fazer o seu trabalho de casa, seja ela ditada por uma direcção de jornal que certamente tem os seus próprios interesses a defender.

Serve isto para expor o texto que saiu no NOTÍCIAS MAGAZINE de 15 de Agosto, suplemento do Diário de Notícias, intitulado A Invasão do Mundo Fantástico sobre a literatura fantástica em Portugal.

Comecemos pelo óbvio. O texto começa por falar sobre um género em clara ascensão e parece que a onda dos autores estrangeiros de maior sucesso trouxe com ela uma nova vaga de portugueses dedicados a este tipo de literatura. Espera-nos então um texto com uma abordagem completa sobre o panorama editorial do fantástico escrito por portugueses? É de esperar um texto conciso que refira quais as editoras que têm desenvolvido um trabalho de destaque na área? É melhor não terem as expectativas muito elevadas…

Antes de mais, o texto começa por sublinhar como o género que conta histórias de castelos, dragões ou vampiros provou ser apreciado por um público de todas as idades. Logo, as editoras, sabendo a aposta ganha que têm entre mãos, andam a publicar dezenas de livros de fantástico nos últimos tempos. É curioso que refira este número de “dezenas” quando o próprio texto da jornalista Mariana Correia de Barros só aborda livros que se contam pelos dedos de uma mão mutilada (esta tem direitos de autor…).

Diz ela “A moda talvez tenha sido lançada por Tolkien e seguida por muitos autores como o recente fenómeno da norte americana Stephenie Meyer.” Talvez? Então não tem a certeza? Então não sabe dizer porque começou o boom do fantástico? Essa afirmação pouco rigorosa ainda comete a proeza de destacar Tolkien saltando logo para Stephanie Meyer, um fenómeno em nada relacionado com a fantasia épica que Tolkien inspirou, omitindo toda uma série de autores, colecções, projectos, subgéneros que viveram e morreram neste país antes de chegarmos à Meyer. Tudo ignorado pela jornalista porque o que interessa realmente neste texto é destacar Meyer nem que se tenham que fazer ligações forçadas de parentesco entre a vaca e a baleia, ora pois.

Segue-se uma citação do editor da Gailivro, Pedro Reisinho, sobre a popularidade do género fantástico no estrangeiro ao que se parte logo para a definição do fantástico e a sua natureza abrangente.

Nele podem ser incluídos os livros de ambiente medieval, com dragões e grandes batalhas de capa e espada, como vampiros que vivem no presente e se fundem na sociedade, ou até zombies que habitam num planeta mais futurista. Alguém tem alguma dúvida sobre a que obra se refere “vampiros que se fundem na sociedade”? Só quem tiver andado a dormir nos últimos meses e não tiver visto a campanha de marketing agressiva em torno dos livros de Charlaine Harris a ser presentemente publicados com sucesso em Portugal pela editora Saída de Emergência. Engraçado como o trabalho dessa editora nem existe para esta jornalista. Mas continuemos a dissecar o texto.

A própria fantasia urbana é um estilo em franca expansão que caminha lado a lado com o género da ficção científica. Se quer fazer uma afirmação destas, então complemente-a com exemplos de obras que mostrem a validade desse argumento. Não digo que não seja verdade, mas afinal do que se trata a fantasia urbana? Não foi explicado, simplesmente acabamos de descobrir que anda lado a lado com a ficção científica. Como e porquê, não sei, mas parece que não interessa muito.

Depois das citações de Pedro Reisinho, passamos para as de Inês Mourão, responsável de comunicação da editora Presença, que partilha connosco a ideia da vertente escapista presente na literatura fantástica, sendo essa na sua opinião a chave de sucesso do género.

Aliás, a designação de trilogias ou tetralogias foi abandonada e hoje apenas se fala em sagas e ciclos. Pedro Reisinho diz que isso tem a ver com o facto de essas séries acabarem sempre por publicar um ou mais livros. Mas a melhor parte vem a seguir:

Mais raros, mas que começam agora a surgir, são os chamados stand-alone, títulos de fantasia ou ficção científica lançados isoladamente.

Hmm? Estou perdida. Mas afinal falamos ainda do panorama nacional ou essa é uma referência ao que se tem feito agora no estrangeiro? Se falamos do estrangeiro, stand-alones já existem há anos incontáveis ainda antes de eu sair da barriga da minha mãe há vinte e seis anos. Se estamos a falar do que se passa em Portugal, essa é uma frase que se refere apenas a um livro e um livro apenas que saiu nos últimos meses no mercado português publicado pela… Gailivro. Ai que os leitores já devem estar fartos de ver mencionados os autores da Gailivro neste texto e ainda nem chegámos à segunda página. Vai piorar, acreditem. Falo da obra do Octávio dos Santos Espíritos das Luzes. Claro que é o autor que é referido logo de seguida no texto e também entrevistado.

A seguir ao Octávio, é a vez de a Madalena Santos ser entrevistada, autora da saga Terras de Corza. Para que não restem dúvidas, conheço o Octávio e a Madalena, estive presente nos lançamentos dos seus últimos livros (embora o Octávio só tenha conseguido chegar no fim) e são duas pessoas que estimo bastante, e não coloco em questão as suas obras, mas este texto jornalístico por esta altura já começa a parecer um apanágio à Gailivro e de como o seu trabalho tem sido ÚNICO e FUNDAMENTAL neste país. O que é FALSO, porque estão longe de ser a única editora a apostar no campo da literatura fantástica. Mas quero continuar a dissecar o texto.

E saltemos para o último autor entrevistado e citado, que não poderia deixar de ser referido, claro. Referido até à exaustão em todos os textos jornalísticos sobre fantasia em Portugal, ele é considerado o pioneiro da fantasia épica portuguesa. Verdade seja dita, é o pioneiro da primeira fantasia épica portuguesa que VENDEU em Portugal. Falo do Filipe Faria, claro, com direito a foto e tudo (a barba fica-te melhor, Filipe, e ainda bem que já te desligaste do ar neuro-gótico).

E este malfadado texto termina com um parágrafo:

Estes três autores são apenas alguns dos autores que têm aproveitado agora a vaga do fantástico para tentar a sua sorte. Também na Internet se multiplicam os contos do género e há editoras que apostam na criação exclusiva de colecções exclusivas do fantástico.

Q-U-A-I-S? Um texto sobre “a invasão do mundo fantástico” em Portugal não pode lançar essa afirmação e ficar-se por aí impune. Quais colecções exclusivas de fantástico? Eu posso ajudar. Será a colecção Bang? Ou a colecção Teen? Ou a colecção Argonauta que vai ser revitalizada em breve? Provavelmente nem sabia dessa a jornalista.

Vergonhoso e deplorável, é o que chamo a este texto. E como se não fosse mau o suficiente o conteúdo completamente parcial e propagandista dos produtos com a marca Gailivro, ainda é inserida uma coluna lateral, cúmulo dos cúmulos, com o título OS GRANDES DA FANTASIA INTERNACIONAL. Esta é fulminante.

Começa por referir JRR Tolkien, inspiração de centenas de autores, para depois referir Marion Zimmer Bradley e o marco especial que constituiu para o público feminino com o seu quarteto As Brumas de Avalon, sendo os grandes nomes da fantasia internacional a seguir mencionados… Christopher Paolini e Stephenie Meyer… Como diria Sookie Stackhouse (personagem de Charlaine Harris) em verdadeiro calão white trash sulista, SHUT THE FUCK UP. Eu digo-vos um gigante da fantasia internacional que não mencionaram mas que deviam: George R. R. Martin, mas se calhar não era conveniente porque, por acaso, é um autor da Saída de Emergência que está a vender que nem pãezinhos quentes e não precisa de mais ajudinhas para vender.

É um insulto este texto. Insulto às editoras que são tão boas ou melhores que a Gailivro na promoção do fantástico em Portugal, insulto aos autores portugueses dessas editoras que mereciam também destaque, insulto à inteligência dos leitores por pensarem que se não referirem os outros elefantes no centro da sala ninguém vai reparar neles, e insulto ao próprio género da literatura fantástica por ter que sofrer com jornalistas que ou são forçados a escrever com limitações impostas pela direcção ou porque simplesmente o trabalho foi encomendado.

São as regras do mercado mas eu não tenho que aturar isto e engolir bullshit.
>> STRANGER IN A STRANGE LAND – por Saaf Dib


‘INHERENT VICE’: PENGUIN CONFIRMA QUE THOMAS PYNCHON NARROU TRAILER DO SEU NOVO LIVRO

domingo | 16 | agosto | 2009

PYNCHON_Inherent ViceA Penguin confirmou nesta semana um boato que vinha circulando pelos espaços literários da web há algumas semanas: o recluso autor americano Thomas Pynchon fez mesmo a narração do trailer de promoção do seu novo livro, “Inherent Vice“.

A editora confirmou a história depois de o “The Wall Street Journal” cravar que era sim de Pynchon o vozeirão. O jornal resolveu o mistério pedindo a um engenheiro de som que comparasse o áudio do trailer à participação de Pynchon num episódio dos Simpsons, em 2004. O texto do trailer não faz parte de “Inherent Vice“, mas diz a editora que é também criação de Pynchon.
>> PROSA ONLINE – por Miguel Conde


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