AS TREVAS E OUTROS POEMAS DE LORDE BYRON

TREVAS_ByronSe já é, em si, louvável a iniciativa de se apresentar ao público brasileiro um importante autor esquecido por nossas editoras, merece ainda mais elogios a publicação, na coleção Clássicos Saraiva, de uma impecável antologia de um dos mais importantes autores da poesia universal. As trevas e outros poemas, organizado por Cid Vale Ferreira, reúne mais de duas dezenas de poesias de Lorde Byron, em traduções assinadas por alguns dos maiores autores da literatura brasileira, como Álvares de Azevedo, Castro Alves e Fagundes Varela. Além disso, o volume traz também traduções nunca antes reeditadas de Frederico Correia e J. Luz – essa última, “O monge negro”, de qualidade particularmente notável.

O valor de As trevas e outros poemas reside, sobretudo, no fato de que é impossível compreender aspectos fundamentais do Romantismo brasileiro sem se levar em consideração o influxo do estro byroniano sobre os nossos poetas. No Brasil, como em inúmeros outros países europeus e americanos, o byronismo penetrou como uma torrente, deixando em seu rastro um sem-número de poetas assombrados pela imagem do “herói byroniano” – o altivo e torturado nobre cujo inabalável porte fascina as mulheres e atemoriza os varões. Seria na obra de Byron, aliás, que assomaria a figura, hoje arquetípica, de Don Juan.

Como os outros volumes da coleção Clássicos Saraiva, o volume traz, como leitura de apoio, diversas seções que contextualizam a obra e trazem mais informações sobre o autor em questão. Merecem destaque, aliás, os diversos documentos, de inestimável valor histórico, resgatados e aqui publicados pelo organizador do volume: há trechos de artigos de periódicos como a Revista da Academia e o Forum Litterario, de meados do século 19, época em que as sombras do byronismo ainda eram vivamente sentidas nas letras brasileiras.

A escassez de traduções de Byron publicadas no Brasil e a necessidade de se compreender uma das principais fontes do Romantismo brasileiro fazem de As trevas e outros poemas uma leitura obrigatória, não apenas para o público escolar, mas para todos os verdadeiros leitores da boa poesia. Resta esperar que essa obra seja a primeira de outras dedicadas a resgatar, para o público brasileiro, autores injustamente esquecidos, cuja influência é, entre nós, ainda mais presente do que somos capazes de perceber.
>> SPECULUM – por Henrique Marques-Samyn

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