OS FINADOS E AS BRUXAS

finados

Pois é, caro leitor: aproxima-se o Dia de Finado. E chegou também o tal Halloween, ou Dia das Bruxas: uma data que não faz parte do nosso calendário de festividades tradicionais – no Brasil, a comemoração só tem sentido para quem faz curso de inglês e precisa conhecer melhor a cultura Anglo-Americana. E como o Assomblog também é cultura, publico aqui um artigo produzido pelo pesquisador Sérgio Nilsen Barza que vai dirimir muitas das dúvidas sobre Finados, Halloween e também sobre o Dia de Todos os Santos.

O Dia de Todos os Santos foi instituído pelo Papa Bonifácio IV (608-615) no dia 13 de maio: uma data para honrar santos e mártires. E o Papa Gregório IV (827-843) mudou-a para 1 de novembro. Crê-se que essa resolução tenha sido tomada numa tentativa de substituir uma festa pagã, vinda da cultura Celta, por uma celebração cristã.

A festa também era chamada All-hallows ou  All-hallowmas (do inglês antigo,  Alholowmesse, que  significava All Saints’ Day, Dia de Todos os Santos),  e a noite da véspera (31/10) – ou a noite de Samhain do antigos Celtas -  começou a ser chamada All-hallows Eve (véspera)  e, eventualmente, Halloween.

O Dia de Finados foi instituído mais tarde, por volta do ano 1000. Enquanto a festa de Todos os Santos é um dia para celebrar as glórias do Céu e daqueles que já estão lá, o dia de Finados lembra-nos a nossa obrigação de viver sem pecado: a alma, para entrar no Paraíso, deverá passar por uma purificação, aqui ou no Purgatório.  A tradição de Finados começou independente do dia de Todos os Santos. Teve início graças a monges do século VII que resolveram oferecer uma missa no dia após Pentecostes para os membros da comunidade já falecidos. 

Em fins do século X, os monges do mosteiro beneditino em Cluny, na França, decidiram transferir a missa pelos seus mortos para o dois de novembro, após a festa de Todos os Santos.  O costume se espalhou e, no século XIII, Roma tornou-o uma festa oficial da Igreja Católica. Católicos tradicionalistas aproveitam a data para rezar por suas almas e por almas que estão no Purgatório. Nos tempos de hoje, os cemitérios brasileiros ficam lotados no dia dois de novembro. É uma tradição antiga entre as famílias de nosso país nessa data prestar homenagem e rezar pelos parentes mortos.

O Dia das Bruxas – ou Hallowen – vem das tradições do antigo povo Celta, que, até 180  d.C., ocupava vários territórios da Europa onde hoje existem países como a Inglaterra, a Escócia, a França e a Espanha. No calendário dos Celtas, o dia 31 de outubro era o último do ano.  Nessa data acontecia um festival chamado  “Samhain, All Hallowtide”, que assinalava o fim da colheita e o início da estação de inverno. Essa festa tinha um grande significado para os Celtas. O término do verão era para eles, um povo essencialmente de pastores, a época do ano em que suas vidas mudavam radicalmente: o gado era recolhido dos seus pastos de verão nas colinas, e as pessoas se reuniam nas casas para longas noites frias, contando histórias e fazendo artesanato.

Mas o que isso tinha a ver com uma festa para os mortos? Os Celtas acreditavam que, quando as pessoas morriam, iam para uma terra de eterna alegria e juventude, chamada “Tir nan Og”.  Eles não tinham os conceitos de Céu e Inferno,  que seriam  posteriormente levados pela Igreja Católica. O Samhain era o Ano Novo para os Celtas: uma ocasião mágica, quando o véu que os separava do “Mundo do Além” se tornava mais tênue, e os vivos podiam conversar com seus entes queridos em  Tir nan Og. Os celtas acreditavam que, quando o sol desaparecia no horizonte em 31 de outubro, reinava o caos: a noite não pertencia nem ao ano que acabava nem ao que iniciava. Aquele momento também servia como passagem final para os bons espíritos antes da escuridão do inverno iniciar.

Por volta do ano 43 d.C., os romanos conquistaram o território celta e, nos quatro séculos de domínio, dois festivais romanos combinaram-se ao Samhain. O primeiro deles foi Feralia, um dia no fim do mês de outubro que era consagrado à memória dos mortos. O segundo era uma festa em homenagem a Pomona, deusa romana dos frutos e das árvores. Como seu símbolo era a maçã, alguns estudiosos dizem que a tradicional brincadeira de apanhar a maçã com os dentes numa tina d’água, que se pratica no Halloween moderno, teve origem numa homenagem à deusa.

Quando as Ilhas Britânicas se cristianizaram, várias das tradições celtas foram associadas com o mal. Os celtas, contudo, não tinham demônios e diabos nas suas crenças – embora as fadas fossem freqüentemente consideradas perigosas e hostis, pois se ressentiam de ter suas terras invadidas pelos humanos. Na noite de Halloweeen, elas pregavam peças nas pessoas, fazendo com que se perdessem em colinas mágicas, onde poderiam ser aprisionadas por toda a eternidade.

Após a chegada do cristianismo, algumas pessoas começaram a ver as fadas como anjos que não se alinhara nem com Deus nem com Lúcifer e, por isso, foram condenados a vagar até o dia do Juízo. Na escuridão do dia 31 de outubro, muitos imitavam as fadas, vagando na noite, a bater de porta em porta pedindo comida e bebidas. Se não fossem atendidas, invocavam duendes e fadas que se vingariam do dono da residência com uma travessura.  As pessoas saiam vestidas de fadas, espíritos, fantasmas, e acreditavam que, se encontrassem os verdadeiros espíritos, não seriam  reconhecidos por eles como humanos.
>> ASSOMBLOG – por Roberto Beltrão

Os comentários estão fechados.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.