“O MESTRE E MARGARIDA”, DE MIKHAIL BULGÁKOV

sábado | 27 | fevereiro | 2010

No início dos anos 1980, os moradores de um edifício da rua Sadôvaia, em Moscou, começaram a notar estranhas intervenções na decoração. De uma noite para a outra, os corredores ganharam grafites que, pouco a pouco, se espalharam pelas paredes. Entre as inscrições, destacavam-se os muitos desenhos de um enorme gato preto, em poses variadas: bebendo vodca de uma tacinha, jogando xadrez, incendiando uma casa. O tal gato é um dos personagens de “O mestre e Margarida”, (Alfaguara, 456 pgs. R$ 49,90), e os grafites são obra de leitores do livro de Mikhail Bulgákov (1891-1940) que faziam peregrinação ao prédio onde o escritor viveu (e também um dos cenários do romance).

As manifestações dos leitores fizeram com que o antigo apartamento de Bulgákov fosse transformado num museu dedicado ao escritor. Mais do que isso, os grafites — uma mistura de citações do texto, elogios a Bulgákov e discussões apaixonadas sobre todo tipo de assunto relacionado ao livro — demonstram o carinho do público pelo romance e pelo autor.

Livro só foi publicado duas décadas após a morte do autor
Dramaturgo de sucesso na Moscou dos anos 1920, Bulgákov começou a trabalhar no romance em 1928, mas, doze anos depois, morreu sem ver a obra publicada. Tanto tempo se deve, por um lado, à complexidade da trama de “O mestre e Margarida”, que narra a chegada do diabo e sua comitiva à Moscou stalinista. Lá, os visitantes se envolvem com o mestre, um escritor perseguido pelo governo e pelos intelectuais por ter publicado um romance sobre os últimos dias da vida de Jesus. A caracterização da comitiva satânica e a riqueza das descrições da Jerusalém onde se passa a obra do mestre indicam a profundidade da pesquisa feita pelo autor.

Mas a demora foi provocada também pelo temor da reação que a obra poderia causar em tempos de repressão. Censurado muitas vezes nos palcos por conta de suas sátiras políticas, o autor sabia do potencial perturbador de um romance sobre figuras religiosas numa sociedade onde o ateísmo era imposto por lei (um impasse satirizado já na primeira cena do livro, na qual o diabo tenta provar a dois literatos ateus que Deus existe). Bulgákov escrevia praticamente em segredo e, ao morrer, apenas sua mulher e um pequeno círculo de amigos sabiam da existência do livro. A obra só foi publicada, enfim, em 1966, encartada em fascículos numa revista literária, e logo encontrou lugar entre os grandes romances do século XX.

Há muitas formas de ler “O mestre e Margarida”. Antes de tudo, é uma comédia arrebatadora que condensa todo o talento do Bulgákov dramaturgo: ler o livro é como assistir a uma produção delirante, com cenários detalhistas (o prédio da rua Sadôvaia, a sede da associação de literatos de Moscou, o subsolo onde vive o mestre), música incidental abundante (como os trechos de óperas e as várias versões de “Aleluia” que irrompem nos pontos mais caóticos da trama) e diálogos afiados.

dramaturgo também se nota na construção cuidadosa dos personagens, muitos dos quais entraram para a galeria da cultura popular russa. O diabo apresenta-se como Woland, historiador e especialista em magia negra, um distinto senhor com um olho verde e outro negro, que jamais levanta a voz mas deixa uma impressão aterrorizante em todos que cruzam com ele (“Numa palavra, era estrangeiro”). Woland é escoltado por Behemoth, o gato preto que anda sobre duas patas, adora vodca, e tem inclinações piromaníacas; Korôviev, o ardiloso negociador do grupo; Azazello, um ruivo atarracado de ombros largos e feiúra indescritível; e Hella, “uma jovem totalmente nua, ruiva e com ardentes olhos fosforescentes”.

As peripécias do grupo em Moscou são o centro da primeira metade do livro. Em poucas horas, eles pro$a decapitação de um distinto poeta amigo do regime, ocupam o apartamento dele e agendam uma série de apresentações no Teatro de Variedades de Moscou (anunciadas como “Sessões de Magia Negra e sua Revelação Total”). Nessas cenas, brilha a inteligência satírica de Bulgákov: ironicamente, o diabo e sua comitiva surgem como uma força “moralizadora” em Moscou, expondo as contradições e injustiças do regime stalinista e da sociedade soviética. O ponto alto da primeira parte é a apresentação no Teatro de Variedades, que começa com outra decapitação e termina com uma chuva de dinheiro sobre a plateia e farta distribuição de roupas e joias para as mulheres. Tudo ilusão, como o diabo gosta — a “revelação total” prometida expõe não os segredos da magia negra, mas a hipocrisia e a ganância do público.

A segunda metade de “O mestre e Margarida” se concentra nos personagens-título, mencionados discretamente na primeira parte. O mestre é um escritor de meia-idade, autor de um romance protagonizado por Pôncio Pilatos, o procurador romano que, nos evangelhos, nada faz para impedir a crucificação de Jesus. Margarida, sua amante, o encoraja a publicar um trecho da obra, que desperta reações furiosas de intelectuais alinhados ao regime, por mostrar figuras religiosas como personagens históricos.

Abatido com a perseguição dos críticos, o mestre queima o manuscrito do romance e acaba num manicômio, desiludido com a literatura. Enquanto isso, Margarida tenta resgatá-lo, e para isso alia-se a Woland, numa sequência de cenas que contém algumas das passagens mais memoráveis do livro (como aquela em que Margarida sobrevoa Moscou de vassoura, à noite, completamente nua, e o baile de gala no qual ela serve de acompanhante para o diabo).

Romance dentro do romance faz reflexão sobre a bondade
O texto do romance do mestre surge em vários pontos de “O mestre e Margarida”, criando um contraponto curioso: enquanto a Moscou do século XX é descrita como um cenário mitológico por onde circulam bruxas e demônios, a Jerusalém dos tempos de Jesus é retratada com extremo rigor histórico (reforçado pela decisão do autor de usar a grafia original dos nomes — Yerushalaim, Yeshua ha-Notzri). Essa estratégia permite que Bulgákov desloque suas críticas ao regime: além da comparação implícita entre Stalin e César (cujos nomes nunca são mencionados), é em Jerusalém que aparecem as torturas, condenações sumárias e complôs políticos que eram rotina entre os soviéticos. Já na Moscou “mitológica” onde se situa a maior parte da trama, as prisões de inocentes passam por desaparecimentos misteriosos, atos de bruxaria.

É também no romance do mestre que Bulgákov introduz um dos temas centrais do livro, sugerido nas conversas entre Pilatos e Jesus sobre a natureza da bondade. Essa reflexão é elaborada ao longo de toda a obra, em especial num discurso de Woland no desfecho da trama, quando Bulgákov, num último ato de ironia, faz Jesus e o diabo expressarem, em momentos distintos, uma mesma visão: não há Bem ou Mal absoluto, e a covardia é a pior das fraquezas humanas.
>> O GLOBO – por Guilherme Freitas

Leia o primeiro capítulo de “O mestre e Margarida” clicando aqui.


FICÇÃO CIENTÍFICA CLÁSSICA E A INTERNET

sábado | 27 | fevereiro | 2010

A ficção científica clássica, sobretudo nos anos 60 e 70, caracterizou-se principalmente na tentativa de antecipações tecnológicas, normalmente baseadas na projeção da ciência contemporânea. Dessa forma, devido à guerra fria russo-americana, a literatura de ambos os lados da cortina de ferro se baseou grandemente na corrida especial. Os computadores também aparecem como enormes máquinas, mesmo em Jornada nas Estrelas, na série clássica. Computadores pequenos e portáteis só apareceram quando já existiam pelo menos os micros Apple II.

Há algumas exceções.

Um conto interessante de Isaac Asimov, escrito em 1959, prevê em seu pano de fundo os microcomputadores (chamados de Microvac, uma variação do nome Univac, o primeiro computador, que surgiu em 1948). O conto chama-se “A Ultima Pergunta” e está presente na coletânea Nove Amanhãs. A temática básica é a entropia versus evolução tanto do homem quanto da máquina (que se torna cada vez menor e cada vez mais onipresente). Graças a este conto, Isaac Asimov, cerca de quinze anos depois, ganhou de presente da Apple um computador. Ele disse em um artigo de então que não via diferença entre escrever à máquina e corrigir a mão e usar o computador. Quem viu a diferença e adorou foi seu editor, que não tinha mais que decifrar longos trechos de garranchos e rabiscos.

1984, de George Orwell, de 1948, pode ser visto como um contraponto ao otimismo de Asimov. As tele-telas podem ser vistas como as atuais web-cans e a perda de privacidade num mundo cada vez mais voyer. Uma antecipação da Internet? Talvez. Porém fica ausente o caráter libertário que a rede propiciou ao mundo, já que a tele-tela era um objeto que não permitia nenhuma interação a não ser do Estado sobre o indivíduo.

Simulacron 3, de Daniel F. Galouye. Escrito em 1963, e que inspirou o filme O 13º Andar. O livro lembra Matrix (que provavelmente bebeu nesta fonte) no que diz respeito a uma sociedade baseada em simulações onde o uso de avatares (ele não usa este termo) em vários níveis é uma constante.

When Harlie Was One, de David Gerrold, de 1972 (com o infeliz título em português O Diabólico Cérebro Eletrônico). Neste livro, um computador de grande porte com inteligência artificial decide construir seu sucessor. O importante neste livro é que aparece o conceito de vírus e de vacina em computadores conectados em rede. 

Nos anos 80 surge o movimento cyberpunk, onde a tecnologia digital é o grande pano de fundo.

O Jogo do Exterminador, de Orson Scott Gard, 1982. Neste livro o tema está muito ligado aos games de ação interativos, onde o real e virtual se misturam. Há também referências um pouco mais explícitas à Internet (que é chamada na péssima tradução brasileira de “as redes”), mas sem muitos arroubos imaginativos do autor. A Internet se resume a grupos de discussão com mensagens de texto.

Neuromancer, de Willian Gibson., coincidentemente de 1984, deu origem aos termos cyberpunk e cyberspaço, que extrapolaram o universo literário. O cyberspaço, como descrito no romance, é um local num espaço virtual onde está toda a informação do planeta, acessível por quem ultrapassar as barreiras de segurança. Qualquer semelhança entre o cyberspaço e a Internet não é mera coincidência.

Islands in the net, de Bruce Stedrling, de 1988 (no Brasil com o péssimo título de Piratas de Dados).Embora Sterling seja um dos ideólogos do movimento cyberpunk, muitos críticos de FC consideram este romance como pós-cyberpunk, pois aponta justamente para as contradições de um mundo supostamente globalizado e interligado em sua totalidade (por isso as ilhas da rede).

Por que tivemos que esperar até os anos oitenta pra alguém ousar especular obre computadores em uma rede mundial?

Creio que basicamente é muito mais fácil imaginar evoluções de astronaves e robôs do que imaginar de que forma um computador evolui (normalmente só colocamos mais velocidade e inteligência). E que aventura há em ficar digitando num teclado? Melhor colocar a inteligência num robô, que pelo menos caminha com as próprias pernas.

E o espaço (a fronteira final…) é basicamente infinito. Se o homem já chegou à Lua, ir a Marte ou Vênus continua sendo um desafio. E ainda há as estrelas… E por que vou colocar avatares se posso colocar Luck Skywalker lutando ao vivo com Darth Vader?
>> PAI NERD – por Alvaro A. L. Domingues


“CONAN”: NOVIDADES DO NOVO FLME

sábado | 27 | fevereiro | 2010

Sean Hood foi contratado para reescrever o roteiro do remake de Conan, nova adaptação do bárbaro para as telonas. O primeiro roteiro dessa produção foi ito por Thomas Dean Donnelly e Joshua Oppenheimer e reescrito por Marcus Nispel, que será o diretor da película.

Apesar da notícia da contratação de Hood só ter sido divulgada agora, ainda não se sabe quanto tempo ele já vem trabalhando no texto. Como as filmagens estão marcadas para começar em algumas semanas, é de se esperar que os trabalhos no script já estejam no final.

Em relação ao elenco, duas novidades foram reveladas. A primeira é que Mickey Rourke está em negociações finais e aparentemente fará mesmo o papel de pai de Conan. Já o lutador de vale-tudo Bob Sapp será Ukafa, líder da tribo Kushite e braço direito de Khalar Singh, o vilão do filme.

Conan tem direção de Marcus Nispel. Jason Momoa vive Conan, enquanto Leo Howard interpreta a versão jovem do personagem. A aventura recontará a origem de Conan e chegará aos cinemas em 2011.

Conan foi criado por Robert E. Howard em 1932. Inicialmente, o personagem aparecia em contos publicados na revista Weird Tales. No começo dos anos 70, a Marvel Comics começou a publicar a versão em quadrinhos do personagem, em séries mensais e minisséries que duraram até 2004, quando os direitos foram adquiridos pela Dark Horse, que segue com o herói até hoje.

O personagem também ganhou duas adaptações para o cinema, estreladas por Arnold Schwarzenegger; além de uma série para TV com atores e outra animada. Atualmente suas histórias são publicadas no Brasil pela Mythos Editora.

Conan nasceu na Ciméria, em um período de tempo conhecido como Era Hiboriana, uma época pré-glacial anterior ao registro da história conhecida. O bárbaro foi escravo, saqueador, pirata, mercenário, tendo enfrentado todo tipo de criaturas, feiticeiros, vampiros, demônios, lobisomens e até mesmo seres de outras dimensões. Por fim, Conan se torna o rei da Aquilônia, uma das mais altivas e poderosas nações hiborianas, posto que, já em idade avançada, deixa para seu filho, voltando a se aventurar mundo afora.
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno


UM ENCONTRO DA SÉTIMA ARTE COM A NONA

sexta-feira | 26 | fevereiro | 2010
null

Dez anos depois, documentário sobre Will Eisner continua inédito em DVD no Brasil. Filmes sobre Henfil, Ziraldo e Jerry Robinson também. Achei melhor colocar aqui a matéria mais completa, não a editada que saiu no Caderno B de segunda-feira. Aproveitem por que a Marisa (abaixo, filmando na Cartoonist and Writers Sindicate, no ano 2000) tem muito a dizer.

Marisa no sindicato EUA 2000

ERA UMA VEZ UMA FÃ DE QUADRINHOS
Quando era mais nova, a diretora Marisa Furtado colecionava quadrinhos, gostava de Will Eisner, do Demolidor do Frank Miller. E sua maior colaboração para os fãs na nona arte são sete episódios independentes sobre quatro super-heróis da vida real. Mas como começou essa história?

—- Como eu tinha fluência em línguas estrangeiras, eu fui convidada para montar o receptivo internacional da 1ª Bienal Internacional dos Quadrinhos no Rio, em 1991. Como o Will Eisner ficaria poucos dias aqui e tinha várias atividades programadas, fiquei de cicerone dele. Dei uma atenção exclusiva e tanto ele quanto a esposa Ann se apaixonaram por mim. Começou ali uma amizade que durou até a sua morte, em 2005.

Numa viagem aos Estados Unidos, Marisa foi à casa de Eisner e conheceu Dennis Kitchen, seu editor e agente. Já naquela ocasião, o Eisner Award era considerado o Oscar dos quadrinhos americanos. Na festa de despedida, quando retornaria ao Brasil, o editor da Kitchen Sink Press lhe presenteou com uma caixa repleta de quadrinhos.

—— Na época da segunda bienal, o contato com os artistas foi ainda maior. O francês Jano, por exemplo, ficou uma semana na minha casa. Tanto é que eu presenciei aqueles desenhos do livro sobre o Rio de Janeiro, da série Cidades Ilustradas, que depois virou o documentário O Rio de Jano. Ele desenhou o meu fusca, deitou na minha rede e foi comigo ao Maracanã. Também foi em 92 que eu recepcionei o Jerry Robinson e o Art Spiegelman.

desenho de Will Eisner para Marisa no Rio 1991

WILL EISNER EM BELO HORIZONTE
A iniciação de Marisa como documentarista de quadrinhos aconteceu quase por acaso. Um jornalista paulista estava desenvolvendo um programa sobre HQs e precisava de alguém para apresentar. Foi quando ela recebeu o convite para o aniversário de 80 anos de Will Eisner em Boca Raton, na Flórida, que renderia a primeira reportagem.

Em 1997, durante as comemorações pelo centenário de Belo Horizonte, Will Eisner anunciou que viria ao Brasil novamente. Era a melhor oportunidade para Marisa fazer seu documentário, o que só foi possível com o apoio de uma produtora local de padres salesianos. Quando ela foi gravar a entrevista, aconteceu algo muito engraçado:

—- Como a gente costuma usar fundo azul, o chroma key, eu pedi ao Will que não usasse terno azul, e sim marrom ou bege. Na hora, ele me apareceu justamente de azul e a esposa dele disse que ele só tinha terno dessa cor! – relembra a bem humorada diretora. – Tínhamos tanta intimidade que ele me contou quem, numa madrugada, estava tão distraído que bebeu tinta nanquim pensando que era café.

Depois de preparar o programa piloto, Marisa rodou por todas as emissoras de São Paulo para negociar a exibição. Encontrou as portas abertas na TV SENAC. Batizou o documentário de Profissão Cartunista por que não existe a palavra quadrinista em inglês, apenas cartoonist. O lançamento aconteceu em 1999 no Rio e São Paulo com a presença de Will Eisner. Na capital paulista houve também uma exposição.

A VOZ DE HENFIL EM FILME PÓSTUMO
O segundo documentário foi sobre o cartunista Jerry Robinson, criador do Robin, da Mulher Gato e do Coringa. O filme ganhou o Prêmio HQ Mix em 2001. Com equipe pronta, Marisa começou a pensar nos próximos biografados. Foi quando encontrou Ivan Cosenza, filho de Henfil, vendendo camisetas numa feira de moda que acontecia no bairro do Jardim Botânico.

—- Ele guardava o acervo do pai no quarto da empregada. Tudo estava se deteriorando e não havia nada digitalizado. Então nós o contratamos como digitalizador das obras, o que depois acabou gerando a venda das tiras para um jornal. Interessante que, por ser hemofílico, o Henfil já tinha uma preocupação em catalogar os originais e só mandava cópias de seus desenhos para os clientes.

Desta vez, Marisa conseguiu no antigo prédio do Jornal do Brasil, na área portuária, uma relíquia que valorizou ainda mais o trabalho:

— Descobri uma fita k7 de uma entrevista para a rádio JB aonde o próprio Henfil ia contando a sua trajetória profissional. Usei a voz dele como guia do filme, que também ganhou o HQ Mix em 2002.

doc Henfil por Marisa Furtado

Por ser amiga do Ziraldo, a diretora decidiu que ele seria o próximo da fila. Mas foi um parto complicado, que exigiu sacrifícios.

— Me dediquei um ano ao projeto. Roteirizei, editei, dirigi e perdi meu bebê nesse mesmo período. Como na experiência anterior, pedi ao Ziraldo que ele mesmo fosse o narrador.

Mais uma bola dentro. O filme foi selecionado no Festival do Rio 2004, com boa repercussão. Tempos depois, em janeiro de 2005, o amigo Will Eisner faleceu em detrimento de erros médicos durante uma cirurgia do coração.

— Quando ele morreu, decidi tirar meu dinheiro da poupança e banquei a versão em inglês do documentário, que foi lançado em DVD nos EUA e Canadá. Está vendendo muito bem, inclusive em streaming media.

doc ziraldo de marisa furtado

 

pre-estreia do doc do ziraldo de marisa furtado cine sesc sp

 

capa doc will eisner de marisa furtado

SUCESSO NO EXTERIOR, DESCASO NO BRASIL
O maior absurdo é que, passados vários anos, nenhum dos documentários produzidos pela diretora está à venda no Brasil. Não por falta de vontade.

— Já fui a todas as distribuidoras. Eu levei a série inteira para a Rio Filmes e foi devolvida. Eles disseram que precisa vender um mínimo e que acham inviável para estes produtos.

Por hora, o espectador tem a oportunidade de assistir a última biografia da série nesta quarta, às 20h, na TV Brasil. O próximo é sobre a vida e a obra de Jerry Robinson, um dos expoentes da Era de Ouro dos quadrinhos nos Estados Unidos. No filme, entrevistados como Stan Lee, Jules Pfifer, Joe Kubert, Carmine Infantino, Chico Caruso, Ique, entre outros, falam sobre o seu trabalho. Curiosamente, será uma quarta-feira de cinzas.

— A emissora licenciou para duas exibições por ano, então o que as pessoas podem fazer é ligar pra lá e pedir que passe mais vezes ou que façam os DVDs. Enquanto isso, estou me dedicando a uma série sobre amamentação, área com grande desinformação no Brasil, onde também haverá participação de um ou dois cartunistas.
>> JORNAL DO BRASIL – por Pedro de Luna

doc jerry robinson por marisa furtado


METRÓPOLIS 2010: 25 MINUTOS DE CENAS ADICIONAIS

quinta-feira | 25 | fevereiro | 2010

Oitenta e dois anos após sua estreia, em 1927, no Ufa Palast em Berlim, Metropolis, de Fritz Lang, re-estreia no Friedrichstadtpalast, na mesma cidade, em 12 de fevereiro de 2010, às 20h45, com cópia restaurada pela Fundação Friedrich Wilhelm Murnau. Por ocasião da Berlinale 2010, a sessão contou com música original interpretada pela Orquestra Sinfônica da Rádio de Berlim e foi difundida em streaming pelo link http://digi.to/9nUW7. Vinte e cinco minutos de cenas adicionais – como a viagem de Georgy pela cidade, a visita de Freder e do “Magro” (Slim) a Josaphat, imagens hedonistas dos jardins e do Yoshiwara e o episódio em que explode o ciúme entre Joh Fredersen e Rothwang (http://www.arte.tv/fr/semaine/244,broadcastingNum=1080709,day=7,week=6, year=2010.html).  – ajudam a compreender melhor a intriga desse filme-ícone da modernidade, o primeiro inscrito no registro da memória do mundo da Unesco.

Em seguida à avant-première mondiale de Metropolis, também foi exibido em streaming, às 23h15 do dia 12, Voyage à Metropolis, documentário inédito sobre a superprodução da UFA e a aventura de sua última restauração. O documentário será re-exibido pelo canal ARTE francês no dia 22 de fevereiro, 1h45 (horário de Paris)  (http://www.fantasy.fr/articles/view/12394 e http://www.arte.tv/fr/programmes/242,day=3,dayPeriod=night,week=8,year=2010.html).

Quem governa Metropolis é o capitalista Joh Fredersen (Alfred Abel). Seu filho Freder (Gustav Fröhlich) passa boa parte do tempo praticando esportes ou divertindo-se no Jardim dos Prazeres com outros de sua classe. Numa ocasião em que Maria (Brigitte Helm), líder dos operários, clandestinamente leva crianças ao Jardim, Freder a conhece e apaixona-se por ela. A partir desse momento, resolve descer aos subterrâneos em busca de Maria. Indignado ao ver como vive a classe operária, Freder entra em choque com seu pai, exigindo dele uma nova postura em relação aos “homens que ergueram Metropolis”.

Ciente dos planos de revolta operária, descontente com a atitude do filho e com a escalada de Maria como líder dos trabalhadores, Joh Fredersen procura o cientista Rothwang (Rudolf Klein-Rogge) para encomendar um plano que desmantelasse a organização dos operários em torno de sua líder. O cientista propõe a utilização de sua mais recente criação, um robô, o operário perfeito1, o qual poderia tornar-se réplica perfeita de Maria.

Finalmente, os trabalhadores percebem que estavam sendo manipulados por uma falsa Maria e liquidam o robô numa fogueira. Uma vez mais Rothwang rapta Maria. Freder o persegue e o enfrenta no telhado da catedral, de onde o cientista cai e acaba morto. Por intermédio de Freder e Maria, Joh Fredersen aperta a mão do contramestre operário, no que viria a ser um acerto de paz entre as classes dirigente e trabalhadora. Acerto esse somente possível pela entrada do “coração” como o mediador entre “a mente que planeja” e “as mãos que trabalham”.

620.000 metros de negativos, 1.300.000 metros de filme positivo; 3.500 pares de sapatos; 200.000 marcos em costumes; 400.000 marcos em cenários e energia elétrica; 1.600.000 marcos em cachês para 36.000 figurantes; 1.100 homens carecas; 100 negros; 25 chineses; 750 crianças; 750 atores para pequenos papéis; 8 atores principais. 310 dias e 60 noites de filmagem, de 22 de maio de 1925 até 30 de outubro de 1926. Esses são os números de Metropolis, a superprodução alemã dirigida por Fritz Lang e produzida pela UFA (Universum Film Aktiengeselschaft).

Um adjetivo que pode definir sinteticamente o épico futurista é “monumental”. Em Metropolis, o cineasta/arquiteto Fritz Lang realiza impressionantes experimentações estéticas, em especial ao nível das composições de massas, explorando intensamente os artifícios do ornamento numa constante busca do monumental. Apesar de ter sido um grande sucesso de público,Metropolis trouxe sérios problemas financeiros à UFA. A superprodução alemã exigiu grandes investimentos, os quais não foram totalmente revertidos. De qualquer forma, o filme mostrou-se um alarmante sinal de vitalidade da Alemanha – algo que os franceses resumiram como uma mistura de Wagner e Krupp2.


Com o passar do tempo e a conseqüente evolução histórica, Metropolis foi sendo objeto de estudos mais aprofundados. Alguns aspectos importantes que chamaram a atenção de teóricos do cinema, e que ainda hoje são foco de discussão, dizem respeito às prováveis mensagens implícitas do filme, bem como à interpretação de seu desfecho. Sigfried Kracauer, em seu De Caligari a Hitler – Uma história psicológica do cinema alemão (1988), elege Metropolis como um dos filmes representativos do “período de estabilidade”, no qual a “paralisada mente coletiva parecia falar durante o sono com uma clareza pouco comum”3. Ainda segundo Kracauer, em Metropolis “o que é importante não é tanto o enredo, mas a preponderância de aspectos superficiais em seu desenvolvimento”. Dessa forma, a provável (e definitiva) mensagem do filme estaria diluída ao longo de seu desenvolvimento, e não exclusivamente em seu desfecho, demasiado ambíguo. O autor também chama a atenção para o detalhamento técnico presente no filme, característico do “período de estabilidade”: “aventuras emocionantes e fantasias técnicas sintomáticas do então vigente culto à máquina”4, além de uma intensa preocupação com a composição de padrões decorativos das massas, o que torna Metropolis uma genuína amostra de triunfo do ornamento:

(…) tudo ilustra a inclinação de Lang por ornamentação pomposa. Em Os Nibelungos, seu estilo decorativo foi rico em significado; em Metropolis, a decoração não apenas aparece como um fim em si mesmo, mas até desfigura alguns pontos colocados pelo enredo5.

Kracauer segue observando também que “Metropolis foi rico em conteúdo subterrâneo que, como o contrabando, havia cruzado as fronteiras da consciência sem ser questionado”6.Com relação à cena final, em que, por intermédio de Maria, o industrial Joh Fredersen aperta a mão do contramestre selando o acordo de paz entre o labor e o capital, o autor alemão chama a atenção para o sentido desse desfecho conciliatório, o qual, de forma alguma, resulta numa conquista da classe trabalhadora, mas sim na consolidação de um poder totalitário do industrial: “Na realidade, o pedido de Maria para que o coração medeie entre as mãos e o cérebro poderia muito bem ter sido formulado por Goebbels. Ele também apelou para o coração – no interesse da propaganda totalitária”7.

Para a crítica alemã Lotte H. Eisner, Metropolis oscilava entre o patético e o monumental. Eisner associava as passagens ingênuas de Metropolis – especialmente o desfecho da história – a uma forte interferência da UFA e da mulher de Lang, Thea von Harbou, roteirista do filme e responsável pelo suposto “sentimentalismo barato” presente na narrativa. Segundo Lotte Eisner, o discurso principal de Metropolis não se concentra em seu desfecho, mas no decorrer da ação, a qual baseia-se no conflito entre o mundo mágico ou oculto (Rothwang – Rudolf Klein-Rogge) e o mundo moderno ou da tecnologia (J.Fredersen – Alfred Abel).

Metropolis criou uma estética própria e marcou para sempre a cinematografia de ficção científica, influenciando inúmeras realizações posteriores. Segundo Graeme Turner, em Cinema e Prática Social (1997), “a direção de arte e o cenário de Metropolis ainda impressionam. Sessenta anos depois, Blade Runner, de Ridley Scott, deve muito ao filme de Fritz Lang”8.

Até então, o original de Metropolis, com aproximadamente 170 min. de duração e 4189m, era dado como perdido. As versões mais conhecidas eram a destinada aos EUA, abreviada em 3170m e 120 min., as versões alemãs de 1927 e 1928, a alemã oriental adaptada para TV e, mais recentemente, as versões da Eureka Video (1992, 139 min.), Kino (1989, 90 min.), e Moroder (1984, 83 min.), elaborada por Giorgio Moroder em 1984, colorizada e com trilha sonora da banda inglesa Queen. A versão norte-americana ignora as seqüências envolvendo a personagem Hel, mãe de Freder e figura que daria origem ao robô de Rothwang. A versão mais conhecida no Brasil, com cerca de 90 min., da distribuidora Continental, também não contém as passagens do estádio ou da personagem Hel. Mais recentemente, em 1994, a Cinemateca de Munique havia concluído a restauração de uma das versões mais completas de Metropolis, com 3580m e 143 min, num projeto capitaneado por Enno Patalas9. Essa versão reúne algumas partes de filme cedidas pelo National Film Archive, de Londres, e por um colecionador australiano. Também apresenta adaptação de trechos da trilha sonora original. Em 2010, Metropolis finalmente ganha cópia restaurada ainda mais próxima do original dirigido por Fritz Lang, graças ao achado de partes do filme em Buenos Aires. Certamente, cinéfilos e pesquisadores do mundo inteiro aguardam ansiosos o lançamento comercial em DVD dessa última versão de Metropolis, talvez a definitiva.

Referências:
CASAS, Quim. Fritz Lang. Madrid: Cátedra, 1998.
EISNER, Lotte H. A Tela Demoníaca – As Influências de Max Reinhardt e do Expressionismo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.
KRACAUER, Sigfried. De Caligari a Hitler: Uma história psicológica do cinema alemão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1988.
TURNER, Graeme. Cinema como Prática Social. São Paulo: Summus, 1997.

1 Nas versões de circulação comercial no Brasil, as passagens relativas à personagem Hel, mãe de Freder, esposa de J. Fredersen e amada de Rothwang, foram suprimidas (trata-se da versão originariamente destinada aos EUA), o que enfraquece a conotação do robô com uma recriação da falecida Hel, objeto de fascínio do cientista obcecado. 

2 KRACAUER, Sigfried. De Caligari a Hitler, p. 176. 
3 Op.cit., p. 190. 
4 Op. cit., p. 175. 
5 Op. cit., p. 175. 
6 Op. cit., p. 190. 
7 Op.cit.., p. 191. 
8 TURNER, Graeme. Cinema como Prática Social, p. 147. 
9 Cf. CASAS, Quim, Fritz Lang, p. 108-9. 
>> CRONÓPIOS – por Alfredo Suppia

“LUNAR” É SOPRO DE AR FRESCO NA FICÇÃO CIENTÍFICA

quinta-feira | 25 | fevereiro | 2010

O filme de estreia do diretor Duncan Jones, Lunar, tem chamado atenção dos cinéfilos em todos os lugares em que foi exibido e colecionado indicações e prêmios importantes como o BAFTA de Melhor Revelação.

Baseado e uma história do próprio Duncan, o filme mostra em um futuro próximo, um homem chamado Sam Bell (Sam Rockwell), às vésperas de completar uma temporada de três anos em uma base na Lua, trabalhando para uma empresa, onde opera grandes máquinas que extraem um tipo de gás da amosfera lunar, que por sua vez é levado até a Terra, onde é utilizado como fonte de energia.

A comunicação com a Terra é mínima e por isso, a única companhia de Sam é a voz humana do computador que controla a base chamado Gerty (Kevin Spacey) e Sam já conta as horas para reunir-se com sua família na Terra quando um acidente com uma das máquinas de captação do combustível o deixa desacordado.

O computador o salva, mas dali em diante, o astronauta passa a achar que está sofrendo alucinações quando encontra com uma cópia exata dele mesmo trabalhando com ele na base.

Com uma boa dose de mistério e estranheza, a verdade vai sendo revelada aos poucos ao público que acompanha com aflição suas descobertas.

No Brasil, Lunar saiu direto em DVD, sem passar pelos cinemas, o que é uma pena, já que para os espectadores esta prática costuma ser um indício de que se trata de uma obra menor, sem importância e desta forma, o filme acaba ignorado pelo grande público.

Mas vale conferir esta perturbadora obra que faz referência visual a clássicos do gênero como “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, “Solaris” e “Alien” e estilosamente se recusa a entregar nas mãos do espectador qualquer solução óbvia.

Uma curiosidade interessante é que o diretor Duncan Jones é filho de David Bowie um artista que já encarnou nas telas e em seus shows diversos alienígenas.
>> PLANETA CINEMA – por Drika


“MISFITS”: O CAMINHO BRITÂNICO DAS SÉRIES

quarta-feira | 24 | fevereiro | 2010

A formula de super-heróis e super poderes é muito batida hoje em dia, tanto nos quadrinhos como na TV e nos filmes. Surpreendetemente, de vez em quando alguém faz alguma coisa diferente, seja com filmes baseados em HQs como Kick-Ass, ou em uma visão menos tradicional dos mutantes da Marvel, com X-Statix. Estes dois exemplos podem ajudar a entender o conceito da série britanica: Misfits.
 
Um grupo de jovens – não tão rebeldes, são na verdade um retrato da juventude transviada da classe média mundial – que estão sendo obrigados a participar do serviço comuntário, dada pequenas infrações que cometeram, se veem carregados com algum tipo de ”super poder” [spoiler](que nada mais é do que uma de suas características mais marcantes significativamente ampliada)[/spoiler] depois de uma estranha tempestade que passou pela cidade.

BOOM!

Afirmo, já de antemão, que não estamos de frente com mais um Heroes – ou Mutantes (ou Caminhos do Coração).
Misfits é muito mais profundo e mais pesado, mostra uma racionalidade em seus personagens, que justifica suas ações humanas e seus poderes, e ainda é excelentíssimamente bem editada e dirigida, trazendo um quê quase surreal, adicione então a isso o típico sarcasmo britânico mais seu humor negro tanto no visual quanto no roteiro e está fechado o porquê você deve assistir.
 
Resumindo, o grande diferencial da série é sua origem. Apesar de – como a maior parte das séries inglesas – ter apenas seis episódios em sua temporada, é isso que lhe garantiu uma qualidade tão boa. Pesquisei para saber porque os ingleses fazem tão poucos episódios de suas séries (Paradox e IT Crowd sofrem do mesmo “mal”), a razão é simples e lógica, e nos faz pensar o que seriam das sitcoms americanas se seguissem o mesmo principio: as redes de televisão e produtoras britânicas tem menos dinheiro para investir em seus programa, porém sabem como investir melhor. Normalmente, cada emissora tem apenas um redator e quando ele está escrevendo um programa, se dedica inteira e exclusivamente a este – e o mesmo acontece com o diretor contratado para cada série. A série é gravada então, apenas quando seu arco de história está fechado (com seis episódios) e tem um tempo maior para sua finalização e edição. O que temos então é algo com muito mais sinergia, muito mais autoral, do que séries que começam com um escritor e no meio temos mudanças sem sentido, decorrentes de cortes de funcionários, orçamento ou greves. E, claramente, nada impede que outras temporadas sejam feitas logo na sequência – dependendo do sucesso e da audiência.
 

Misfits retrata muito bem essa qualidade. A intensidade do roteiro, da edição e da direção. A profundidade dos personagens – e de seus atores -, e a empatia que sentimos é tão grande quanto a imersão na série. Cada episódio é muito bem escrito e tem começo, meio e fim – e ainda assim deixam sempre com mais vontade do que virá a seguir.
 
Aliás, a segunda temporada já foi confirmada, e quando você assistir a primeira, vai comemorar isso – e se já começou a esperar, dê uma lida na HQ que tem no site da emissora E4, enquanto isso.
>> GEEX – por Felipe Muñoz


“TRUE BLOOD”: NOVO ATOR FARÁ PERSONAGEM GAY

quarta-feira | 24 | fevereiro | 2010

Parecia que todas as novidades no elenco de True Blood haviam sido anunciadas, mas de acordo com o site da Entertainment Weekly, Kevin Alejandro (Ugly Betty) é o mais novo nome na terceira temporada da série.

Alejandro será Jesus, um zelador que trabalha para a mãe de Lafayette (Alfre Woodard), e que será também o novo interesse amoroso do próprio Lafayette. Ainda não se sabe se Jesus além de gay também será um vampiro, lobisomem ou alguma outra criatura sobrenatural. A nova temporada estreia nos EUA em junho.

A série True Blood, escrita por Alan Ball, o criador de A Sete Palmos, é baseada no romance Morto Até o Anoitecer, de Charlaine Harris, e conta a história da garçonete Sookie Stackhouse (interpretada por Anna Paquin), que tem a habilidade de ouvir os pensamentos de outras pessoas.

A vida dela muda quando conhece Bill Compton (Stephen Moyer), um galante vampiro com 173 anos de idade que mora em uma estrada local, tudo isso num mundo onde a existência de vampiros é de conhecimento público. No Brasil o programa é exibido pelo canal a cabo HBO, que produz e exibe o seriado nos EUA.
>> HQ MANIACS – por Will Costa


“IMORTAL – HISTÓRIAS DE AMOR ETERNO”: CRAVADO NO PEITO

quarta-feira | 24 | fevereiro | 2010

Coletânea reúne histórias inéditas de vampiro

Chega ao Brasil a coletânea Imortal – histórias de amor eterno (Planeta, 256 pp., R$ 29,90). Organizado por P.C. Cast, consagrada entre o público jovem por sua série House of Night, este livro reúne alguns dos principais autores do mundo das criaturas sobrenaturais, como Nancy Holder, de Wicked, e Kristin Cast, que em seu texto cria um novo tipo de vampiro (com raízes na mitologia grega). São oito textos fascinantes nos quais vampiros e outros seres apaixonantes e assustadores se relacionam com os humanos em histórias de amor.

 
Rachel Caine revisita sua série Morganville Vampires, na qual os vampiros estão no comando e o amor é um negócio arriscado, mesmo quando se trata de sua própria família. A autora de Tantalize, Cynthia Leitich Smith, apresenta um triângulo amoroso entre um vampiro, um fantasma e uma garota, no qual nenhum deles é o que parece ser.
 
Claudia Gray nos leva ao mundo de sua série Noite Eterna (Evernight), em que uma futura cortesã do século XVII é assediada por um homem perigosamente atencioso.  Já a autora de Vampire Academy, Richelle Mead, traz o conto de um jovem vampiro que foge de seus semelhantes até encontrar um rapaz que lhe oferece carona e um bom motivo para continuar fugindo.
 

A escritora da série Wicked, Nancy Holder, entra em uma Nova York pós-apocalíptica na qual dois grandes amigos são forçados a tomar uma decisão que pode levá-los à morte. Rachel Vincent explora um novo aspecto do universo de seu Soul Screamers com a história de uma fada capaz de inspirar o músico a quem ama a alcançar novos pontos de criatividade – ou sugar dele seu talento.

A mestre em fantasia Tanith Lee nos mostra o que acontece quando uma moça bonita e dotada de uma sabedoria sobrenatural encontra um jovem e atraente vampiro. E Kristin Cast, coautora da série House of Night, cria um novo tipo de vampiro: aquele com raízes na mitologia grega, com o poder de alterar o espaço e o tempo para salvar a menina a quem ama.
>> PUBLISHNEWS – por Redação


“BENTO”, DE ANDRÉ VIANCO

terça-feira | 23 | fevereiro | 2010

Neste livro, André Vianco se posiciona concretamente como o maior autor brasileiro de fantasia na atualidade. Saindo da linha de ‘Os Sete’, o paulista cria um novo mundo, pós-Noite Maldita. Começando uma segunda vertente tão interessante quanto a primeira de Os Sete/Sétimo, BENTO já tem mais duas seqüências: O Vampiro Rei 1 e O Vampiro Rei 2.Uma trilogia recheada de fantasia e imaginação começa nesse volume.

Imagine uma noite infestada de magia, quando metade do mundo adormece e a população que ainda está desperta se vê mergulhada em acontecimentos inexplicáveis, como o surgimento de vampiros, o desaparecimento das doenças e mais um amontoado de acontecimentos que acaba fazendo com que as pessoas fujam das grandes cidades e passem a formar fortificações afastadas dos centros abandonados.

Ainda não descobri o que mais dá vivacidade na história, passando-a do papel para o imaginário, nos dando a sensação de estarmos lá num canto presenciando tudo, se é o fato da riqueza nos detalhes ou o cenário se passar em várias cidades conhecidas do nosso país.

“… Teve uma jornada cansativa naquele fatídico dia. Ao final do trabalho, ou pegou o metrô lotado para casa, ficando espremido como sardinha, ou ficou mofando no banco do carro, preso num congestionamento recorde e ouvindo o tamborilar da chuva no capô. E quando chegou em casa o que fez? Tomou um banho quente. Ficou encurvando o pescoço para aliviar a tensão do dia, relaxar a musculatura do pescoço. Aí veio o sono. Tomou água. Escovou os dentes. Foi pra cama e dormiu. Dormiu como nunca havia dormido antes. “

Talvez seja isso, a riqueza dos detalhes, o cenário conhecido, a descrição das personagens, que faz a leitura ser tão interessante.

Nos primeiros capítulos encontramos a história dos soldados de Nova Luz, são os heróis da vez, sua missão: ligar as cidades, manter a comunicação e mais do que tudo fazer o grade plano dar certo. Quando tudo parece perdido surge a profecia dos 30 guerreiros bentos. Quando eles se unirem, quatro milagres se desencadearão para salvar a humanidade. Contamos também com o despertar do trigésimo Bento, que encontra-se perdido ao acordar no meio de um mundo bem diferente do qual lembrava antes de dormir….a trinta anos atrás, o homem que viria para salvar a sociedade dos dentes daqueles que tinham sido transformados.

O livro demonstra também que com essa volta do mundo para os campos, longe da urbanização, o mundo começa a melhorar, acabando com os efeitos do aquecimento global dentre outros problemas ambientais e sociais. Com uma narrativa forte e rápida, Vianco também conta sobre os outros heróis Bentos e descreve várias histórias secundárias tão interessantes e gratificantes quanto a principal.
>> UNIVERSO INSONIA – por Camila Amanda


“VIRKRAM”: VAMPIRO À INDIANA

terça-feira | 23 | fevereiro | 2010

Cínico, o texto de época traz a ironia e o conhecimento de um dos mais importantes – e controversos – exploradores ingleses do século XIX

[digitalizar0007.jpg] Figura carimbada nas viagens de exploração da África e do Oriente, aventureiro dos de verdade e um dos responsáveis pela descoberta européia do Lago Tanganyica, o excelentíssimo cavaleiro da Rainha, Sir Richard Francis Burton (1821-1890) deixou para a posteridade muitas histórias para contar. E contou para a posteridade, também, muitas outras, como em ”Vikram e o Vampiro”, editado pelo Círculo do Livro com tradução de Sérgio Augusto Teixeira.

O texto reúne onze narrativas das vinte e cinco que compõe o orignal Baital-Pachisi, ou “Vinte e cinco contos de um baital“, selecionadas e traduzidas para o idioma de Shakespeare pelo explorador. Como leitura de entretenimento talvez se faça muito pesada: as narrativas, afinal de contas, são parte da bagagem cultural que dá origem aos contos as “Mil e Uma Noites”, imortais, sem dúvida, mas às vezes cansativos. No caso presente, os textos às vezes se tornam ainda mais pesados, pela quantidade de filosofia indiana em suas linhas, mas pelo menos o autor/tradutor oferece notas que ajudam à sua compreensão. O que salva a leitura é a força de Burton, que transpassa o tempo e as traduções, e o próprio baital, personagem absolutamente maligno e cínico que é o narrador da maioria dos contos.

O fio condutor do livro é o Rajá Vikram que, para livrar-se de uma maldição, concorda em levar até o mago que deseja matá-lo, um baital, isto é, um vampiro. Ao ser capturado, a entidade maligna propõe a Vikram um autêntico jogo de vaidade: ele contará histórias para seu captor, propondo indagações ao final de cada uma, e se o humano responder a alguma delas, o vampiro voltará imediatamente à árvore onde o rajá o encontrou. O jogo é de vaidades porque Vikram, enquanto rajá, acredita-se sábio e poderoso, e porque uma de suas atribuições, enquanto governante, é julgar as querelas do reino. Vikram não se furta aos desafios contínuos e por isso o baital, ao final de cada narrativa, retorna ao seu poleiro predileto, de onde é derrubado continuamente pelo governante. Somente à última história, que é claramente uma contribuição de Burton, não obtém resposta, levando, assim, ao final do livro.

Como eu dizia, enquanto leitura de entretenimento, “Vikram e o Vampiro” pode se fazer um tanto pesado. Mas deveria de ser uma das leituras moralmente obrigatórias para quem escreve Literatura Fantástica. Primeiro porque várias linhas narrativas oferecidas pelos textos podem resultar em roteiros para a produção de novas histórias, com temáticas dramáticas realmente interessantes. E depois porque há pelo menos duas passagens que impressionam pela tensão e pela riqueza de bichos feios tradicionais da Índia, além da construção literária dos mesmos: são os dois momentos em que o rajá entra no espaço aterrorizante do cemitério para entrevistar-se com o mago que, aliás, deseja nada mais, nada menos, do que sua cabeça como oferenda à Kali.

Realmente é de se perguntar porque certos textos, ou pelo menos trechos deles, são tão pouco conhecidos entre nós e quais são suas influências na literatura de sua época. Por exemplo, é interessante observar que “Drácula” de Bram Stoker foi editado sete anos depois da primeira edição de “Vikram e o Vampiro”. Terão alguma relação, os dois livros? Stoker terá lido Burton e encontrado no livro a inspiração para seu próprio vampiro, que se rivaliza em cinismo, crítica e orgulho, tanto ao baital quanto ao mago?

Pois o baital, é exatamente isso: inspiração pura. Cínico, irônico, crítico dos costumes, inteligente e culto, o baital é uma entidade, uma espécie de espírito maligno que se apossa dos corpos dos mortos para continuar sua medonha existência. Posicionado em sua “árvore predileta” pendurado de cabeça para baixo pelos pés como um morcego, ele oferece uma visão no mínimo perturbadora que merece ser lida e saboreada. Uma assombração digna das mais arrepiantes histórias de terror.
>> PORTEIRA DA FANTASIA – por Simone Saueressig


“FEIOS”: SÉRIE É MISTURA DE “1984″ COM “DIÁRIO DA PRINCESA”

terça-feira | 23 | fevereiro | 2010

Capa americana da obra que traz futuro perfeito só nas aparênciasCapa americana da obra que traz futuro perfeito só nas aparências

O recém-nascido selo Galera, que é voltado para jovens adultos e nasceu do infantojuvenil Galera Record, irá trazer este ano ao Brasil a trilogia de ficção científica “Feios”, de Scott Westerfeld. A série figurou na lista de mais vendidos no “NY Times” quando o primeiro livro foi lançado em 2005, assim como quando os volumes seguintes chegaram às livrarias internacionais.

“Feios”, que será lançado em março, trata de um futuro não muito distante no qual todos os adolescentes esperam ansiosos o aniversário de 16 anos, pois então serão submetidos a uma inacreditável cirurgia plástica, que corrigirá todas as suas imperfeições físicas, transformando-os em perfeitos.

Em segundo volume, Tally descobre que a perfeição tem seu preçoQuando a vez da protagonista Tally se aproxima, no entanto, ela descobre que isso tem o seu preço e que a perfeição da sociedade onde ela vive é tão superficial quanto a beleza de seus cidadãos. Espere um casamento entre “1984″, de George Orwell, e “Diário da Princesa”, de Meg Cabot. Tudo isso misturado com diversas cenas de ação e até perseguições em skates voadores.

Em agosto, será lançado o segundo volume, “Perfeitos”. Agora, Tally finalmente é perfeita, seus traços são perfeitos, suas roupas são maravilhosas, seu namorado é um gato e ela é muito popular. É tudo que ela sempre quis. Mas por trás de tanta diversão – festas que nunca terminam, luxo e tecnologia, e muita liberdade – há uma incômoda sensação de que algo está errado. Algo importante. Então uma mensagem, vinda do passado de Tally como feia, chega. Ao lê-la, Tally se lembra o que há de errado na sua vida perfeita, e a diversão chega ao fim. Ela terá de escolher entre lutar para esquecer o que sabe e lutar por sua vida, pois as autoridades não pretendem deixar que ninguém ciente desse tipo de informação sobreviva.
>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Livraria da Folha


FILÓSOFO VAI DE ARISTÓTELES A DESCARTES PARA ANALISAR PERSONAGENS DE SÉRIES

terça-feira | 23 | fevereiro | 2010

Professor de filosofia do que seria, na França, o ensino médio, Thibaut de Saint Maurice percebeu, numa tarde cinzenta de inverno, que as explicações sobre o “raciocínio experimental” eram incapazes de alterar, minimamente que fosse, o olhar de seus alunos. Estavam todos alheios ao que dizia. Foi então que, tal e qual reviravolta num roteiro, ele lembrou-se do doutor House, o médico que dá nome a uma das séries mais vistas no mundo.

“Ao escrever no quadro-negro, para ninguém, lembrei do House tentando explicar aos colegas, no hospital, a pertinência de suas hipóteses”, diz. “Perguntei aos alunos se conheciam o House. Até os que olhavam pela janela se voltaram para mim. Começamos a falar sobre a descoberta dos diagnósticos pelo personagem e, então, toda aquela história de ‘diálogo entre razão e experimento’ ganhou sentido.”

Nascia assim “Philosophie en Séries” (“Filosofia em Séries”), publicado na França, sem tradução no Brasil. Se são muitos os subprodutos que as séries procriam, poucos são os que se mostram tão inventivos e, digamos, filosóficos.

“A riqueza das séries é inexplorada”, diz o autor, em entrevista à Folha. “Todas juntas, são um formidável espelho da vida contemporânea e constituem um grande reservatório de experiências e de situações com as quais muita gente se identifica.” Por isso, sentado em frente à TV, Maurice resolveu filosofar e, de posse de um livro de Kant, acabou por pensar em Jack Bauer, “antikantiano” por excelência.

O autor está convicto de que séries como “Nip/Tuck”, “A Sete Palmos” e “Dexter”, diversão à parte, giram em torno de questionamentos sobre os valores sociais e a maneira de se ver o mundo. A obsessão estética, a morte e o senso de justiça numa sociedade que se sente refém da violência são, na visão de Maurice, o estofo desses programas.

Jack Bauer, por sua vez, seria o típico herói pós-moderno. “Seu heroísmo não repousa sobre uma virtude essencial, uma fé religiosa ou sobre valores universais. Seu heroísmo é o da eficácia. Sua moral é a utilitarista. A violência que ele pratica é vista como um preço a ser pago em nome da eficácia.”

Já House encarnaria a figura moderna de um Sócrates obcecado pela busca pela verdade. “O sucesso da figura de House é extremamente revelador de uma sociedade que não se importa mais com a verdade”, diz, dialético.

  arte Folha de S.Paulo  

Conciliação cultural

O que empurrou Maurice para o projeto foi o desejo de reconciliar cultura de massa e cultura acadêmica. Ele, que tem 30 anos e cresceu assistindo a “Buffy”, “Arquivo-X” e “Oz”, está convicto de que, por meio da cultura de massa, também é possível valorizar o que os grandes pensadores um dia disseram. “Quando se fala em cultura geral, se pensa na cultura clássica: a cultura do passado é transmitida pela escola enquanto a cultura de massa é tratada como mero entretenimento. Mas isso, simplesmente, não corresponde à maneira como as pessoas vivenciam sua prática cultural. Ver TV não exclui a leitura de livros.”

Maurice defende, ao contrário, que pelo fato de estarem no dia a dia de espectadores do mundo todo, as séries podem, se esmiuçadas, mostrar o quanto a filosofia clássica tem a dizer sobre a contemporaneidade. E por que as séries e não o cinema? “Se eu tivesse sido professor nos anos 50, certamente o cinema é que teria chamado a minha atenção, ou mesmo o rock’n'roll. Mas, hoje, o vigor criativo está nas séries.”

Maurice confessa, na entrevista, que dentre os 11 programas que analisa, os prediletos são “24 Horas” e “A Sete Palmos”. O primeiro, porque tem uma ação vigorosa e toca, de maneira explícita, nas questões da filosofia moral. O segundo, pela capacidade de falar sobre o lugar que a morte ocupa na vida de cada um.

O filósofo irrita-se, porém, com “CSI”, que, a seu ver, coloca os procedimentos científicos a serviço do fantasma da segurança e da resolução de crimes. “Me parece um tratamento complicado, pouco cuidadoso, da ciência, um dos bens mais preciosos da humanidade.”

E, no seu caso, é possível falar de séries sem desrespeitar a complexidade de certas teorias? “Você faria a mesma pergunta se eu usasse a filosofia para falar sobre pintura?”, pergunta, num momento-House. Ou seria Sócrates?
>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Ana Paula Sousa


PODE HAVER UMA FICÇÃO CIENTÍFICA HUMANISTA E CATÓLICA?

segunda-feira | 22 | fevereiro | 2010

Entrevista com o professor Antonio Scacco,
fundador da revista “Future Shock”

Desde suas origens, uma das características do gênero literário e cinematográfico da ficção científica foram as posições anti-humanistas e cientificistas.

Tais concepções mistificadas do futuro da ciência e da tecnologia retratam um mundo no qual a humanidade se vê a mercê do niilismo e dos caprichos de poderes ditatoriais.

Por outro lado, existe também uma corrente de ficção científica que define a si própria como “humanista”, e que nutre aspirações educativas.

Sobre o assunto, o livro do professor Antonio Scacco, “Fantascienza umanistica” (“Ficção científica humanista”, editora Boopen), é muito elucidador.

Neste livro, o autor, que é fundador e editor da revista “Future Shock” (www.futureshock-online.info/index.html), propõe que a ficção científica pode desempenhar um papel educativo ao conscientizar os leitores dos grandes dilemas da ciência.

Para compreender melhor essa concepção de uma ficção científica humanista, ZENIT entrevistou Antonio Scacco.

–A seu ver, qual é o objetivo primordial da ficção científica?
Scacco: Para compreendermos melhor a natureza e o propósito da ficção científica, ou como se diz em inglês, “Sci-fi” (science-fiction), precisamos voltar às suas raízes, que remontam ao nascimento da própria ciência moderna. O advento da ciência provocou, como se sabe, um choque cultural de proporções jamais antes experimentadas pela humanidade, dividindo-a em dois grupos antagônicos: o dos defensores e o dos opositores. É fácil perceber, assim, que o propósito primordial de uma obra de ficção científica é o de discutir os impactos da ciência em nossa sociedade. Não por acaso, a ficção científica tem sido definida como uma literatura de idéias. Nela são tratadas questões muito importantes: o sonho de um mundo melhor, a abertura ao horizonte utópico, e nos melhores exemplos, a indicação de um destino transcendente, que o homem moderno tenta remover da própria consciência.

–O que significa falar em uma obra de ficção científica humanista? O que a distingue das demais? Poderia indicar um autor?
Como já disse anteriormente, nem sempre o homem tem uma atitude positiva com relação à ciência. Esta é também a opinião de alguns autores de ficção científica, entres os quais citaria Edward M.Foster, por seu romance “The Machine Stops”, de 1909, na qual acusa a ciência de anular a capacidade de iniciativa dos homens.

Felizmente, para além destas duas posições – uma que exalta as “magníficas realizações do progresso científico”, e outra que levanta a bandeira do “vade retro” tecnológico, há uma terceira: a de uma ciência vista como fator de humanização, conforme defendida por Enrico Cantore em seu ensaio “O homem científico. O significado humanístico da ciência” (“Scientific Man: The Humanistic Significance of Science”, 1977).

Um exemplo de ficção científica de cunho humanístico é a de Isaac Asimov e seu romance “Lucky Starr e os oceanos de Vênus” (“Lucky Starr and the Oceans of Venus”, 1954), no qual o protagonista David Lucky Starr, uma espécie de cientista-filósofo, rico em coragem, espírito de aventura, retidão moral, humanidade e amor pela razão, representa o influxo humanizante da ciência, a ponto de sugerir uma recuperação do vilão Lyman Turner, um cientista criminoso, ao invés de eliminá-lo da sociedade.

–Qual é a relação entre ciência, ficção científica e religião?
A ciência, hoje, parece seduzir o homem com o sonho de um poder ilimitado. É uma espécie de embriaguez, que turva a visão de outros horizontes. Aí reside a origem da crise religiosa que atinge, em nível global, o Homo tecnologicus.

A ficção científica, por sua íntima ligação com a ciência e por sua proposta de explorar todas as possibilidades reservadas ao futuro humano, não poderia se eximir de tratar dos problemas de natureza ética, espiritual e religiosa suscitados pelo desenvolvimento científico. Um tema frequentemente abordado pela ficção científica é o da presença do mal no mundo, como por exemplo nos romances “Guerra ao Nada” (A Case of Conscience, 1963), de James Blish e Os Endemoniados (A Plague of Pythons, 1965), de Frederick Pohl.

Em um dos capítulos de seu livro, o senhor aborda a presença da Igreja Católica nas obras de ficção científica. Como é apresentada a Igreja?
A Igreja está presente nas narrativas de ficção científica por dois motivos. O primeiro é que esta, desde a Idade Média, não apenas promoveu o estudo da filosofia natural de Aristóteles, da qual derivam os trabalhos de Santo Alberto Magno e São Tomás de Aquino, como também estimulou e sustentou o nascimento e crescimento das primeiras universidades. Sem estes passos fundamentais, conforme demonstrou Edward Grant em seu livro brilhante “As origens medievais da ciência moderna”, não teria ocorrido a revolução científica galileiana, não teria nascido o que hoje chamamos de ciência nem nossa moderna civilização ocidental. O segundo motivo é que a Igreja Católica tem sido uma referência de humanismo, especialmente neste momento histórico em que uma escalada desumanizante parece submeter o gênero humano.

–Em outro capítulo, o senhor sustenta que a ficção científico serviu a um projeto de “descatolicização”. Poderia explicar como isso ocorreu?
O comportamento irreverente do homem diante de Deus, da criatura diante do criador, é tão antigo quanto o próprio mundo. Lembremos de um personagem da mitologia grega, Capaneu, um dos sete reis que participaram do cerco a Tebas, o qual, ao transpor os muros da cidade, desafiou a Zeus com injúrias, e este então o fulminou imediatamente com um raio. Nos dias de hoje, esta postura de soberba se desenvolveu excessivamente, graças ao desenvolvimento científico e tecnológico que conferiram ao homem um poder sobre a natureza e sobre seus semelhantes nunca antes imaginado.

Daí para a negação da transcendência é apenas um passo. O homem fez de si mesmo um deus, substituindo a esperança de um reino bíblico pela esperança de um reino do homem. Nesse contexto, a religião em geral, e em particular a Igreja Católica, são vistas como um obstáculo à plena felicidade do homem, que apenas a ciência e a tecnologia modernas podem proporcionar.

Muitos autores de ficção científica têm uma formação de caráter positivista, tornando-se, assim, promotores de uma ideologia antirreligiosa e anticristã, como é o caso por exemplo do romance de Norman Spinrad, “Deus X” (1992), no qual a Igreja do futuro é retratada como uma organização guiada por interesses puramente humanos, sob o comando da Papisa Maria I, “uma velha sagaz, que ascendeu numa das pirâmides mais falocráticas do mundo servindo-se de todos os meios disponíveis, lícitos ou ilícitos”.

–Quais são os méritos de uma ficção científica humanista e de que forma esta pode ser vinculada a um projeto cultural católico?
Apesar do sucesso de tantos filmes, como Star TrekBlade RunnerIndependence Day e o recente Avatar, a literatura de ficção científica está em crise. Qual seria a causa? A meu ver, isso se deve justamente ao fato de ter sido marcada como a literatura da transgressão, da dessacralização e do niilismo. As obras de caráter anti-utopista, catastrofistas e pessimistas são interessantes ao gênero do “sci-fi” apenas até certo ponto. Por vezes, podem suscitar nos leitores um sentimento de impotência e frustração, que acaba por afastá-los da ficção científica. Com a ideia de uma ficção científica “humanista”, quis deixar a mensagem de que os autores do gênero devem procurar valorizar a função mais genuína da “sci-fi”: a de recosturar as culturas humanista e científica. Uma ficção científica comprometida com esse objetivo me parece atender a todos as exigências para fazer parte de um projeto cultural católico.
>> ZENIT – por
Por Antonio Gaspari


OS MELHORES CONTOS BRASILEIROS DE FICÇÃO CIENTÍFICA: FRONTEIRAS

segunda-feira | 22 | fevereiro | 2010


Com o lançamento de “Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica: Fronteiras”, (Devir, 187 pp. R$ 21,95), organzado por Roberto de Sousa Causo.a Devir dá continuidade ao seu programa de resgate e discussão de obras significativas da história da ficção científica brasileira.

Em 2008, o volume anterior, Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica, foi um dos livros do gênero mais tratados pela imprensa cultural, e um sucesso de vendas. Essa foi a primeira antologia retrospectiva de obras importantes do passado do gênero, no Brasil. Os 11 contos de Machado de Assis, Gastão Cruls, Domingos Carvalho da Silva, André Carneiro, Rubens Teixeira Scavone, Jorge Luiz Calife e outros chamaram a atenção da crítica e do público. “Uma referência e um marco do padrão de qualidade que pode e deve ser exigido do aspirante a autor de ficção científica”, escreveu um crítico.

Trazendo agora 14 contos, este segundo volume acentua os encontros — dentro do conceito do “fronteiriço” — da ficção científica com outras formas de literatura de gênero (como o horror ou a fantasia), e com a alta literatura. Entre os autores agora selecionados, Lima Barreto, Lygia Fagundes Telles e Braulio Tavares, compreendendo cem anos de ficção científica brasileira. Variada, a antologia oferece contos muito diversificados em tom, tema e estilo, de narrativas apocalípticas a ficção religiosa, histórias de revolta da natureza, de opressão totalitária, guerras e mistérios espaciais, e visitas alienígenas à Terra.

Da Introdução:

“Assim como o Brasil dos muitos biomas é detentor da maior biodiversidade do planeta, nossa literatura deveria refletir a mesma diversidade — a diversidade cultural e social do Brasil urbano e do rural, do Brasil que fabrica satélites artificiais e daquele que constrói casas de barro e sapé, do Brasil do Primeiro Mundo e do Paleolítico internado na selva.

“Este Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica: Fronteiras se dedica a fornecer um vislumbre dessa diversidade necessária. Histórias que exploram diferentes locações, seja no Brasil do Rio de Janeiro, do Espírito Santo ou de São Paulo, a praia, a serra, a megalópole anônima ou a cidade do interior, e pontos distantes no tempo e no espaço. Contos que transitam na linha fronteiriça entre a loucura e o vislumbre de uma outra realidade. Contos que abordam diferentes estratégias literárias, da objetividade narrativa ao experimentalismo formal, do tom confessional ao lírico. Histórias que contém uma herança pulp ou traços formalistas de autoconsciência literária.”


“FUNDAÇÃO”: DIRETOR DE “2012″ QUER FILMAR SÉRIE DE ASIMOV EM 3D E COM TÉCNICAS DE “AVATAR”

domingo | 21 | fevereiro | 2010

Livro mostra esforços para guardar o conhecimento da humanidade

Livro mostra esforços para guardar o conhecimento da humanidade

A “Trilogia Fundação”, de Isaac Asimov, é um dos principais pilares da ficção científica e Roland Emmerich, diretor de “O Dia Depois de Amanhã” e “2012″ planeja utilizar tecnologia 3D e técnicas utilizadas em Avatar para a adaptar a obra ao cinema, informou a MTV norte-americana.

Quando Isaac Asimov começou a escrever a série aos 21 anos, ele não imaginava que estava criando uma das obras que mais influenciou a ficção científica no século 20. Não é exagero, pois legiões de escritores atribuem a Asimov o início do seu interesse no gênero.

A saga se passa ao longo de milhares de anos. Em um futuro distante, a humanidade está espalhada por toda a galáxia em um gigantesco império e sequer lembra qual o seu planeta de origem.

Segundo volume acompanha a invasão de um poderoso exército

Segundo volume acompanha a invasão de um poderoso exército

No primeiro volume, “Fundação”, o matemático Hari Seldon desenvolve uma ciência chamada psicohistória. Essa ciência parte do pressuposto de que as ações de um indivíduo são imprevisíveis, assim como a localização de um átomo não pode ser determinada pela física. As ações de grandes concentrações de pessoas, no entanto, podem ser previstas com precisão de profecia. Hari Seldon descobre que o Império irá ruir e que se seguirá um período de 30 mil anos de barbárie e destruição.

Nada pode impedir esse acontecimento, mas Hari Seldon desenvolve um pano para diminuir o período de trevas de 30 para mil anos. Ele pretende construir em dois extremos da galáxia duas fundações científicas que reunirão todo o conhecimento acumulado da humanidade, para que ele sobreviva a essa Idade Média espacial e reconstrua o Império Galáctico.

A busca continua pelo último bastião da sabedoria humana

A busca continua pelo último bastião da sabedoria humana

Com a queda do Império, a frágil Fundação se vê acuada por diversos reinos que desejam conquistá-la, em particular por ainda possuir tecnologia nuclear, que desaparece com o poder centralizado. Incapaz de se defender militarmente, a Fundação começa a vender tecnologia para os diversos reinos à sua volta, sempre tentando manter um equilíbrio de poder entre eles. Se um se tornar poderoso o bastante para dominar os outros, a Fundação estaria acabada. O autor baseou a sua história na queda do Império Romano.

O segundo volume, chamado de “Fundação e Império”, foi espelhado nas invasões bárbaras. Ele traz uma criatura mutante chamada Mulo que tem a capacidade de controlar mentalmente as pessoas, se tornando um ditador que devasta o Império Galáctico em poucas décadas. O livro final da série é “Segunda Fundação”, mostrando a busca do obcecado ditador por uma segundo enclave de conhecimento humano, cuja localização é secreta.

Assim como a série, o diretor Roland Emmerich planeja contra a saga em três longas metragens, e o primeiro, cujo roteiro está sendo finalizado, tem previsão de lançamento em 2011.
>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Livraria da Folha


RIDDICK: SURGEM DETALHES SOBRE A HISTÓRIA DO TERCEIRO FILME

domingo | 21 | fevereiro | 2010

A grande novidade é o trisão!

O binômio ação ininterrupta e ficção científica épica é ouro para os cinemas da Rússia. Por isso os direitos para exibir o terceiro filme da série Riddick entraram em leilão por lá, chegando a se valorizar na noite em que o próprio Vin Diesel esteve presente no European Film Market, dentro do Festival de Berlim, no último sábado, para falar um pouco sobre o projeto.

O Hollywood Reporter conta que na noite da apresentação surgiram mais detalhes da trama – uma volta ao básico prometida desde que o projeto surgiu. No longa, Riddick (Diesel), o homem mais procurado da galáxia, começa abandonado em um planeta infértil, lidando com “trisões” (bisões de três pernas) e “demônios da lama”.

Depois disso, ele precisa se defender de dois grupos de caçadores de recompensas, um deles montado em um jato chamado jetciclo. O diretor David Twohy, que assinou tanto o primeiro filme da série, Eclipse Mortal, quanto o segundo, A Batalha de Riddick, volta para assumir o terceiro. O roteiro é de sua autoria.

Ainda não há datas definidas para a produção.
>> OMELETE – por Marcelo Forlani


“TEKKEN”: ASSISTA A UM MAKING-OF DO FILME DO GAME

domingo | 21 | fevereiro | 2010

Vídeo enfoca coreografias de luta e o trabalho dos dublês

Depois da leva recente de fotos, Tekken, adaptação ao cinema do game de luta da Namco, ganhou três vídeos. São três partes de um making-of que mostra o trabalho de coreografia de luta e dos dublês. Assista:

O foco do filme é em Heihachi Mishima, o líder da organização corrupta Tekken que está sendo investigado por assassinato. Em 2039, ele inicia um torneio de artes marciais para eleger o “Rei do Punho de Ferro”, lutador que ganhará a chance de se tornar seu guarda-costas pessoal. Porém, conforme alguns lutadores se reúnem, percebem que estão ligados por algo mais que seu desejo em parar com o reinado de Mishima. 

Jon Foo (Jin Kazama), Marian Zapico (Anna Williams), Gary Daniels (Bryan Fury), Ian Anthony Dale (Kazuya) e Mircea Monroe (Kara) estão no elenco. Dwight H. Little dirige. 

A produção é da Crystal Sky Pictures. Por enquanto não há data de estreia nos EUA. No Japão o filme sai em março. A distribuição no Brasil é da Califórnia Filmes.
>> OMELETE – por Marcelo Hessel


HISTÓRIAS DE ASSOMBRAÇÃO EM QUADRINHOS

domingo | 21 | fevereiro | 2010

Causos de assombramento em quadrinhos

A editora Jujuba lançou o livro Causos de assombramento em quadrinhos, do ilustrador e escritor paulista Mauricio Pereira.

Reunindo contos de terror com cenário e sotaque brasileiros, o autor narra histórias como O Lobisomem, O Homem da Mala e Corpo-Seco, que em sua infância eram contadas por seu pai ou pelos amigos em frente a um fogão à lenha ou em pescarias.

Pereira tem em seu currículo a autoria de outros dois livros: Asa Branca e Contos de Assombração, ambos pela editora DCL – Difusão Cultural do Livro.

Causos de assombramento em quadrinhos tem 40 páginas e custa R$ 29,90.
>> UNIVERSO HQ – por Marcos Ramone


“I, ZOMBIE”: NOVA SÉRIE DE MIKE ALLRED

domingo | 21 | fevereiro | 2010

Capa de I, Zombie, de Mike AllredGwendolyn “Gwen” Dylan é uma zumbi coveira de vinte e poucos anos de idade que trabalha em um cemitério preocupado com o meio ambiente. Uma vez por mês ela tem que comer um cérebro humano para não perder a memória, mas, ao fazer isso, ela fica possuída pelos pensamentos e personalidade da pessoa que era dona do cérebro comido e esse estado dura até que o próximo cérebro seja consumido.

Como Gwen é uma zumbi legal, ela decide realizar o último desejo das pessoas cujos cérebros ela consome, seja resolver um crime ou consertar uma atitude errada.

Ao lado dela estão Eleanor, sua melhor amiga e uma fantasma dos anos 60, um exército de vampiros que joga paintball, um cachorromem (um lobisomem, mas cachorro ao invés de lobo) apaixonado e uma múmia sexy e maluca.

Essa mistura de terror com humor negro com histórias policiais e lendas urbanas é o que constitui I, Zombie, nova série do selo adulto Vertigo, da DC Comics, criada por Chris Roberson e Mike Allred. Ao lado você pode conferir duas capas da primeira edição, uma do próprio Allred e outra de Darwin Cooke. A editora não revelou quando será o lançamento da publicação.

 

O selo Vertigo é responsável pelos títulos adultos da DC Comics (casa de Batman e Superman), que são desligados do universo regular de super-heróis da editora. Foi criado em 1993, tendo publicado títulos antológicos como Monstro do Pântano, Sandman, Os Invisíveis e Preacher. Atualmente, fazem parte da linha gibis como Fábulas e Escalpo.
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno


‘BASTARDOS INGLÓRIOS”: A FICÇÃO CIENTÍFICA DE QUENTIN TARANTINO

sábado | 20 | fevereiro | 2010

O novo filme de Tarantino é, segundo descrição dele mesmo, um bang-bang italiano ambientado na Europa ocupada pelos nazistas.  Modéstia de QT, que mistura meia dúzia de gêneros (como sempre) num coquetel que tem dois dedos disso, uma pitada daquilo, uma colher não-sei-do-quê.  Em grande parte, principalmente, na segunda metade, o filme pertence àquele sub-gênero que linka guerra e espionagem: agentes infiltrados nas linhas inimigas tentando fazer-se passar pelos próprios inimigos.  Quem não já viu 50 filmes assim, principalmente envolvendo nazistas?  A cena do porão da taverna é um suspense exemplar, não o suspense intelectual e distanciado de Hitchcock, mas o suspense “tudo-agora-mesmo-pode-estar-por-um-segundo” de Sergio Leone ou de Peckinpah, onde as mortes são reais.  Por outro lado, a cena da recepção antes da exibição do filme nazista, no final, com os Bastardos disfarçados de italianos, é uma mistura de Mel Brooks com Brian de Palma – tudo vai ficando ligeiramente over, distanciado, delirante, metalinguístico.

Tarantino é violento porque a gente sente que uma cena brutal, para ele, é como um gol.  Se não tiver de vez em quando o filme acaba 0×0.  Mas violência gráfica, explícita mesmo, acima do padrão, tem apenas na cena da ponte (os escalpos, a execução do nazista com bastão de beisebol), na cena de Brad Pitt interrogando a alemã ferida na maca, e na derradeira cena de todas (a marca de Caim).  O resto são mortes a tiros, rajadas de metralhadoras, etc., o feijão-com-arroz de qualquer filme de guerra dos últimos 40 anos.  Brad Pitt, que começa o filme alardeando um sadismo de arrepiar, durante o filme inteiro não dá um único tiro, um único murro.  Afora sua habilidade com a faca, a única coisa que seu personagem mutila é o idioma de Walt Whitman.

No coquetel de gêneros que é o filme, não posso deixar de lembrar a todos que se trata, acima de tudo (embora isto só fique claro no final), de um filme de ficção científica, certamente o primeiro de Tarantino.  Como sabem os aficionados, um dos sub-gêneros mais importantes da FC é a “História Alternativa”, em que a linha do Tempo que conhecemos é rompida e a História vira a esquina numa direção diferente.  Grandes clássicos da FC são baseados em premissas desse tipo: e se o Sul tivesse ganho a Guerra da Secessão?  Ver “Bring the Jubilee”, de Ward Moore.  E se a Peste Negra, no século 14, tivesse exterminado 99% da humanidade? Ver “The Years of Rice and Salt”, de Kim Stanley Robinson.  E se Hitler, derrotado na política, tivesse migrado para os EUA e virado ilustrador de pulp fiction?  Ver “O Sonho de Ferro” de Norman Spinrad.  E se os holandeses não tivessem sido expulsos de Pernambuco, e o Quilombo de Palmares tivesse se tornado uma nação independente?  Ver “O Vampiro de Nova Holanda”, de Gerson Lodi-Ribeiro.  O final apocalíptico e orgástico do filme de Tarantino cria um novo futuro, e o arremessa para essa galeria de clássicos.
>> MUNDO FANTASMO – por Braulio Tavares


ADAPTAÇÃO DE “DUNA” GANHA NOVO ROTEIRISTA E ALGUMAS NOVIDADES

sábado | 20 | fevereiro | 2010

Escritor novato é chamado para inserir as ideias do diretor no script.

Mais novidades sobre a nova versão de “Duna“.

A nova versão cinematográfica desse clássico literário da ficção científica ganhou um novo roteirista. O desconhecido Chase Palmer, que trabalhará pela primeira vez na função em um longa-metragem, foi escalado para o filme.

Segundo o site The Hollywood Reporter, o trabalho de Palmer será inserir as ideias do cineasta Pierre Morel (“Busca Implacável”), diretor recém-contratado para o projeto, dentro do rascunho do roteiro já escrito por Josh Zetumer.

Esta será a segunda vez que a mais conhecida obra de Frank Herbert será levada à telona. Em 1984, uma versão de “Duna” escrita e dirigida por David Lynch (“Cidade dos Sonhos”) chegou aos cinemas, contando com o cantor Sting no elenco.

No entanto, os resultados não foram promissores, seguido inclusive de uma “versão do produtor”, na qual cenas excluídas foram incluídas de maneira desordenada ao corte de cinema. Uma nova versão estava sendo planejada há algum tempo, mas apenas com o sucesso recente de “Avatar” que o projeto começou a sair do papel.

A trama de “Duna” se passa em um futuro distante, mostrando um império intergaláctico feudalista, onde as disputas giram em torno de poder, influência e da especiaria melange, que só pode ser encontrada no planeta Arrakis. No centro disso tudo está o jovem Paul, membro da casa de Atreides, que se vê no epicentro de um conflito que mudará tudo.

O filme será lançado pela Paramount, que espera transformá-lo em uma franquia cinematográfica. “Duna” ainda não possui previsão de estreia.
>> CINEMA COM RAPADURA – por Thiago Siqueira


“DOCTOR WHO”: A ESTRÉIA DE MATT SMITH

sábado | 20 | fevereiro | 2010

A tão aguardada estréia da quinta temporada da série inglesa “Doctor Who” (versão atual) ainda não tem uma data oficial. O canal BBC informa que será na primavera, a qual ocorre entre março e maio na Inglaterra. Alguns jornais informam que a estréia deverá ocorrer em abril; já o site IMDB divulga a data de 13 de março, com a exibição de  “The Eleventh Doctor”. Este será o título do episódio que trará a primeira aventura estrelada por Matt Smith e a nova companheira de viagem do doutor, Kaern Gillan, que interpretará Amy Pond. 

A mudança também ocorre por detrás das câmeras, com Russell T. Davies sendo substituído por Steven Moffat. Davies irá se dedicar à nova fase de “Torchwood”, que tem previsão de ganhar uma versão americana. Julie Gardner também será substituída por Piers Wenger na produção executiva.

Foram mais de 750 episódios produzidos para a série, que estreou em 1963, sofrendo uma parada nos anos 90, e retornando com nova roupagem em 2005 sob a batuta de Russell T. Davies. No universo da série, Matt Smith representa o 11º ator a interpretar o famoso personagem; pela contagem da nova fase, ele é o terceiro, tendo sido introduzido no final do especial de natal “The End of Time”, quando David Tennant interpretou o personagem pela última vez na série. 

Com 27 anos, Smith é o ator mais jovem a interpretar o personagem, que agora ganha uma nova expressão: “Gerônimo!” (referência ao chefe indígena americano, bom, supostamente). Quando Tennant interpretou o personagem, ele costumava dizer “Allons-y”. Trata-se de uma expressão francesa que significa “vamos lá”. Em função disso, seu sonho era conhecer alguém chamado Alonso, para poder dizer “Allons-y Alonso”.
>> TV SÉRIES – por feranda Furquim


“AVATAR”: CAMERON DEVE PUBLICAR LIVRO QUE CONTA HISTÓRIA ANTERIOR DO FILME

sábado | 20 | fevereiro | 2010
James Cameron escreve livro sobre mundo 'Avatar'

Jon Landau, um dos produtores de Avatar, um dos filmes mais bem-sucedidos dos últimos tempos.

O cineasta James Cameron deve publicar, até o final de 2010, um livro com uma nova aventura dos personagens de “Avatar”, que se passa antes do filme, a princípio sem planos de levar a história aos cinemas.

A notícia foi dada pelo produtor de “Avatar”, Jon Landau, em uma entrevista ao canal MTV. Landau explicou que Cameron quer contar os antecedentes do filme através de um romance.

O filme “Avatar” se passa no ano de 2154, no planeta Pandora, um lugar onde existe um mineral capaz de acabar com a escassez energética terrestre e onde seres chamados Na’vi e os humanos se enfrentam por um mesmo território.

“A obra servirá como fundação desse mundo. Não teremos tempo para contar essas histórias em um filme ou nas sequências”, explicou Landau, que indicou que o livro deve se aprofundar em aspectos que ficaram em segundo plano no roteiro de “Avatar”.

Segundo Landau, seria o primeiro romance escrito por James Cameron. O livro iria fazer de “Avatar” uma saga com o percurso inverso ao habitual nos filmes de ficção científica, que normalmente são baseados em romances adaptados para a grande tela.
>> GLOBO – por EFE


“CORAÇÃO DE PEDRA”: GÁRGULAS, ESTIGMAS E CUSPIDOS

sábado | 20 | fevereiro | 2010

Uma Londres ao avesso, em um mundo paralelo onde todas as estátuas, cuspidos e estigmas estão vivos e em guerra, uma fuga alucinante e uma difícil missão que deverá ser cumprida custe o que custar é o que você encontrará no primeiro livro da trilogia Coração de Pedra (Geração Editorial), do inglês Charlie Fletcher.

George Chapman é um menino de 12 anos que passa por uma difícil fase na escola, infeliz e solitário não tem muitos amigos, tem uma mãe pouco presente e ninguém para conversar. A vida de George muda radicalmente quando em uma excursão ao Museu de História Natural de Londres, em um acesso de raiva ele ataca e quebra a cabeça de um dragão de pedra.

Após este acidente ele provoca a ira dos estigmas (estátuas de gárgulas e bestas mitológicas) em um mundo paralelo que só ele pode ver, perseguido por um pterodáctilo pelos corredores do museu, George recebe a ajuda inesperada de um cuspido (estátua de seres humanos) iniciando uma guerra entre as estátuas.

George com a ajuda do cuspido O artilheiro do Memorial de Guerra, começa uma corrida contra o tempo, tentando descobrir o que precisa fazer para consertar o que foi quebrado. Durante a busca ele conhece Edie, uma garota que consegue ver tudo o que acontece neste universo paralelo. Edie é forte, destemida e tem uma estranha capacidade que irá ajudar George em sua busca. Agora ele precisa correr contra o tempo, reparar o que foi danificado e enfrentar seres malignos que tentam impedir o seu sucesso.

O livro é muito bem ambientado, no final o autor explica que as estátuas citadas realmente podem ser visitadas nos mesmos lugares em Londres o que achei muito interessante. Os personagens são cativantes e bem interessantes, com alguns mistérios que só iremos descobrir durante a leitura. Vemos também claramente a evolução destes personagens e a mudança de atitude dos protagonistas.

Gostei muito do enredo, mas esperava mais do livro, não sei se pela capa ou se pela sinopse, pelos comentários atribuídos a trilogia como sendo “a sucessora de Harry Potter” (não passa nem perto disso) mas o livro me decepcionou um pouco. No começo faltou ação, faltou a aventura eletrizante que foi prometida e ficou um pouco cansativo, mas o livro melhora do meio para o final e se o segundo da trilogia mantiver o ritmo a série melhorará muito; até porque o primeiro livro sempre tem mesmo uma característica introdutória, então dou um desconto para o autor.

Sem dúvida tem tudo para ser mais um ótima série de literatura fantástica para o público juvenil, agora é aguardar para ler a continuação mas evite comparações, em minha opinião J.K. Rowling não se supera assim com tanta facilidade, quem chegou mais perto disso foi Rick Riordan em O ladrão de raios.

“Seu remédio jaz no Coração de Pedra, e a Pedra do Coração vai ser seu alívio. Para pôr um fim ao que começou, você deve primeiro encontrar o Coração de Pedra e depois fazer o sacrificio e as reparações para consertar o que foi quebrado ao colocar na Pedra do Coração de Londres aquilo que é necessário para o seu reparo”.

Pesquisando descobri também que a série foi lançada por duas editoras, não sei se é a mesma tradução nem o porque do ocorrido mas segue abaixo os títulos pelas duas editoras.

Trilogia Stoneheart pela Geração Editorial
  • Coração de Pedra
  • Iron Hand – Mão de Ferro (Os demais ainda não lançados no Brasil)
  • Silver Tongue – Língua de Prata.
Trilogia Stone Heart pela Editora Presença
  • O enigma da esfinge (2007)
  • O espelho negro (2009)
  • Silver Tongue (Ainda não lançado no Brasil).

>> VIAGEM LITERARIA – por Nanda


ANNE RICE: AUTORA DE “ENTREVISTA COM O VAMPIRO” LANÇA LIVRO EM FORMATO MULTIMÍDIA

quinta-feira | 18 | fevereiro | 2010


Anne Rice, autora de clássicos vampirescos como Entrevista com o Vampiro e Rainha dos Condenados, anunciou que irá transformar o livro O Senhor de Rampling Gate em um videobook, ou simplesmente vook – uma espécie de livro eletrônico que combina vídeos e a interatividade da internet. 

“O vook representa uma excitante combinação de novos elementos tecnológicos”, afirmou Rice em comunicado. “Estou muito animada em saber que O Senhor de Rampling Gate vai ganhar uma nova vida nesse formato, e não posso esperar para ver o produto finalizado. Não sei se minha mente pode conceber todos as possibilidades desse novo formato. Estou aprendendo. E me sinto bem”, acrescentou a autora.

A empresa por trás do projeto de Rice é a Vook, que transforma para o novo formato textos de diversas editoras e também obras de domínio público. “A Vook veio até nós há cerca de dois meses e nos mostrou alguns de seus produtos. Eu achei a ideia muito interessante e acredito que o mundo editorial precisa começar a olhar para novas maneiras de conquistar os leitores”, afirmou Lynn Nesbit da Janklow & Nesbit Associates, editora de Anne Rice.

Longe de ser unanimidade, a novidade dos vooks ainda gera controvérsia no mundo editorial. Alguns acreditam que se trata apenas de uma engenhoca sem sentido, enquanto outros afirmam que é uma necessidade trazida com a era da internet. O vook de O Senhor de Rampling Gate, que incluirá uma entrevista com a autora, será lançado no dia 1º de março e poderá ser comprado por meio do iPhone, iPod touch e outros aparelhos digitais por 6,99 dólares.

>> VEJA – por Jack Starman – 3/04/2008


“VAMPS”: ALICIA SILVERSTONE SERÁ VAMPIRA EM COMÉDIA ROMÂNTICA

quinta-feira | 18 | fevereiro | 2010

Imagem: Divulgação

Depois do grande sucesso nos final dos anos 1990, em “As Patricinhas de Beverly Hills”, Alicia Silverstone topou fazer uma personagem bastante diferente do habitual. Ao lado da diretora Amy Heckerling, que dirigiu o filme de mesmo nome da série, a bela atriz encarnará uma criatura bebedora de sangue em uma comédia romântica.

Alicia e a atriz Krysten Ritter (“Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”) viverão duas vampiras que curtem a vida (ou a morte?) em baladas de Nova York, mas tornam-se rivais quando se apaixonam pelo mesmo mortal. Sob o título provisório “Vamps”, as gravações do filme estão previstas para abril deste ano.

Além de Alicia Silverstone, outros famosos já viraram vampiros na TV e no cinema. As extintas séries de televisão “Buffy, a Caça-Vampiros” e “Angel” foram protagonizadas, respectivamente, pelos atores Sarah Michelle Gellar e David Boreanaz. Atualmente, Robert Pattinson também encarnou uma criatura noturna nos filmes da saga “Crepúsculo”. Parece que Amy Heckerling acertou ao optar por um tema tão bem aceito entre os jovens.

Depois do grande sucesso nos final dos anos 1990, em “As Patricinhas de Beverly Hills”, Alicia Silverstone topou fazer uma personagem bastante diferente do habitual. Ao lado da diretora Amy Heckerling, que dirigiu o filme de mesmo nome da série, a bela atriz encarnará uma criatura bebedora de sangue em uma comédia romântica.

Alicia e a atriz Krysten Ritter (“Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”) viverão duas vampiras que curtem a vida (ou a morte?) em baladas de Nova York, mas tornam-se rivais quando se apaixonam pelo mesmo mortal. Sob o título provisório “Vamps”, as gravações do filme estão previstas para abril deste ano.

Além de Alicia Silverstone, outros famosos já viraram vampiros na TV e no cinema. As extintas séries de televisão “Buffy, a Caça-Vampiros” e “Angel” foram protagonizadas, respectivamente, pelos atores Sarah Michelle Gellar e David Boreanaz. Atualmente, Robert Pattinson também encarnou uma criatura noturna nos filmes da saga “Crepúsculo”. Parece que Amy Heckerling acertou ao optar por um tema tão bem aceito entre os jovens.
>> MSN – por Famosidades


STEPHENIE MEYER VENCE PROCESSO DE PLÁGIO

quinta-feira | 18 | fevereiro | 2010

Stephenie Meyer foi processada por plágio pelo escritor Jordan Scott, autor de "The Nocturnal"O processo movido por Jordan Scott contra Stephenie Meyer há alguns meses foi encerrado, com a corte da Califórinia tornando pública sua decisão.

O juiz Otis D. Wright 2º, após ler as duas obras, considerou que “Amanhecer”, quarto e último livro da saga “Crepúsculo”, não possuiu grandes pontos em comum com “The Nocturnal”, de Scott. Ele considerou que os personagens não possuem similaridades e que a linguagem de cada obra é bastante diferente.

A sentença encerra criticando Jordan Scott sua atitude e por manipular aspectos das obras para poder alegar as similaridades. A escritora alegava que a história de Meyer possuía trama e personagens parecidos com os de seu livro, que descreve um romance entre um bruxo e uma adolescente no século 15. Os pontos em comum tratavam-se da cerimônia de casamento entre os protagonistas, uma cena de amor na praia e a transformação de um humano em vampiro sob o seu ponto de vista.

O grupo Hachette Book, parte da editora Little Brown que publicada a série “Crepúsculo”, afirmou em nota que o julgamento confirmou o que eles sabiam há muito tempo, que “Amanhecer” é um romance original de Stephenie Meyer e que este processo foi uma tentativa de trazer publicidade às aspirações editoriais da parte acusadora.
>> FOLHA DE SÃO PAULO


“UZUMAKI – A ESPIRAL DO HORROR”, DE JUNJI ITO

quinta-feira | 18 | fevereiro | 2010

Nascido em 1963, Junji Ito começou a desenhar inspirado pelos trabalhos da irmã mais velha e pelo Mangá Kazuo Omezu. Tomou gosto pela temática de horror e, quando mais velho, foi o vencedor do prêmio Kazuo, que prestigiava mangás daquele gênero. A partir daí, não parou mais. As perturbadoras tramas de Ito exploram acontecimentos sobrenaturais que gradualmente vão enlouquecendo as pessoas comuns, forças tão intensas e poderosas que é praticamente impossível escapar. O autor é conhecido por explorar seus temas ao máximo, espremendo até a última gota de cada conceito que inventa, mas nunca se tornando cansativo. Em Tomie, uma série em quadrinhos sobre uma garota que podia se regenerar (estou simplificando muito aqui), somos apresentados às mais grotescas formas que uma criatura poderia renascer, sempre levando à ruína aqueles que estão muito próximos. E se as tramas são ótimas, seus maravilhosos e detalhados desenhos completam o pacote, resultando em verdadeiras obras de arte.

Falemos então de Uzumaki, uma das obras máximas de Ito, que foi lançada no Brasil pela Conrad em 2006 em três edições (Cicatriz, Faron Negro e Caos). A história é narrada pela “fofíssima-que-dá-vontade-de-apertar” Kirie Goshima, moradora da cidade costeira de Kurozu-cho. A bela adolescente começa a contar sobre os estranhos eventos que se abateram sobre sua terra, que foi dominada por uma força sobrenatural e enlouquecedora. “Mas que bendita força é essa”, pensa você; será um ataque de vampiros purpurinados? Um espectro vingativo e cabeludo, que escapa pelo ralo das pias? Um monstro genérico estilo godzilla, que sairá das profundezas do oceano? Nada disso, meus amiguinhos. A tal ameaça de outro mundo é simplesmente uma… forma geométrica! Mais precisamente, a espiral, conforme o subtítulo da H.Q entrega.

E por falar em entregar, permitam-me uma mudança no meu modus-operandi, pois vou trazer alguns spoilers (somente sobre o primeiro e segundo cápitulos do primeiro volume) nos parágrafos em verde. Isso é necessário para que você entenda a insanidade que é Uzumaki, e se interesse (ou não) pela obra. Caso não queira saber nada com antecedência, apenas pule as passagens esverdeadas, ok?

Na primeira história, nossa heroína está indo encontrar o namorado, o “insosso-com-cara-de-Harry-Potter” Shuichi Saito. No caminho, ela encontra alguém debruçado em uma viela, olhando fixamente para algo na parede. Pensando se tratar do pai do Shuichi, Kirie se aproxima e descobre que o homem parece hipnotizado pela concha de um caracol. Ela conta isso para ao namorado, que revela que seu pai parece ter adquirido uma estranha obsessão por espirais. De fato, o sujeito agora só fala sobre isso, além de ter abandonado o emprego para coletar objetos em forma de espiral. Em determinado momento, a mãe de Shuichi joga fora todas as traquitanas, porém seu marido não se dá por vencido. De alguma forma bizarra, ele descobre que consegue reproduzir sua amada forma geométrica com partes do seu próprio corpo! Após algumas grotescas exibições da nova habilidade, ele encomenda uma grande tina, que coloca no meio de seu escritório. E quando mãe e filho chegam em casa e abrem a tampa, se deparam com… Bem, se deparam com isto:

Em decorrência do acontecimendo fora do comum, a esposa do maluco adquire verdadeiro horror à espirais e, quando descobre que suas impressões digitais trazem o temido desenho, acaba resolvendo o problema de maneira pouco ortodoxa:
Sentiu o drama? E isso é apenas o ponto de partida, pois a partir daí, algo que será conhecido como “A Maldição da Espiral” passará aos poucos a tomar conta da cidade. A fumaça que sai do crematório preenche os céus em uma nuvem em forma de espiral (que por alguma razão desconhecida, desce até o lago que fica no centro da cidade); outras pessoas começam a ficar obcecadas por espirais, algumas sentindo pavor, outras experimentando adoração. Algumas morrem em decorrência de sua fixação, outras matam. A espiral funciona como uma metáfora para algo do qual não podemos fugir, pois sempre acabaremos chegando ao mesmo lugar. Assim, acompanhamos assassinatos, auto-mutilação, suicídios, paixões impossíveis, tornados, furacões e cidades destruídas, tudo isso entrelaçado com a sinistra maldição. Escapar de Kurozu é impossível, já que o próprio espaço-tempo se espiralou, impossibilitando qualquer tentativa de fuga… Ou será que os protagonistas encontrarão um meio de escapar?

Uzumaki é um festival de situações inusitadas e criativas, que abordam a loucura humana em meio às mais horrendas transformações corporais que alguém poderia imaginar. Embora muitos acontecimentos pareçam aleatórios a princípio, há diversas informações amarrando a trama, como os casebres misteriosos, o farol negro, a sirene que toca de tempos em tempos, etc. Detalhes que farão algum sentido no final lovecraftiano (tenho certeza que o autor dos Mitos de Cthulhu teria adorado ler Uzumaki). Aliás, o último volume da série é o meu preferido, pois é a partir daqui que as coisas se tornam literalmente grandiosas.

Há diversas passagens inesquecíveis na H.Q., cuja história é de uma criatividade e execução grandiosas (você não irá esquecer daquilo que existe dentro dos misteriosos casebres da cidade, após o furacão). O clima é de desesperança, que aos poucos se transforma em desespero. Claro, é preciso estar preparado as doideiras de Junji Ito, que trás situações que beiram às raias do absurdo. Além disso, seus personagens não são exatamente marcantes, já que seus roteiros privilegiam muito mais a insanidade que toma conta do ser-humano em meio ao Caos. Para completar, o desfecho apoteótico poderá não agradar a todos, já que não trás todas as respostas. Mas pessoalmente, acho que o grande barato do terror oriental é esse mesmo, de nunca entregar histórias “mastigadinhas” para o leitor, que precisa montar o quebra-cabeças e compreender à trama à sua maneira. Conforme disse muito bem o bloguista BruNêra (no blog Nerds somos Nozes): “Nessas arestas que sobram cabem direitinho nossos medos e paranóias, deixando a revista muito mais pessoal e única para cada um que lê.”

Os desenhos de Junji Ito são um espetáculo à parte, trazendo soluções visuais que seriam um desafio intransponível para a maioria dos desenhistas. Aliás, a maior crítica que posso fazer às edições da Conrad é o tamanho das H.Q.s, em “formatinho”, diminuto demais para que apreciemos todos os detalhes minuciosos das ilustrações. No entanto, acho que estou reclamando à toa e injustamente, por dois motivos: primeiro, porque não sei em que formato os mangás foram publicados originalmente; segundo, porque para fazer jus aos maravilhosos painéis do artista, seria preciso publicar em formato americano, de preferência encadernado. Contudo, creio que essa alternativa seria inviável comercialmente. Uma pena, mas o tamanho da revista não compromete a força do pesadelo delicioso e perturbador que é Uzumaki.

Para fechar, a informação triste é que o trabalho de Junji Ito parece não ter feito muito sucesso entre os brasileiros, que por algum motivo, preferem os mangás de horror de Hideshi Hino (autor de Panorama do Inferno, Serpente Vermelha e O Garoto Verme). Este também é um bom autor, porém seus desenhos não chegam aos pés do mestre Ito, suas tramas não alcançam um décimo da criatividade, e suas sequências chocantes parecem estar lá apenas pelo choque em si, enquanto os horrores e bizarrices de Junji Ito estão lá para servir à história, e não o contrário. É gore com conteúdo!

Enfim, caso você encontre Uzumaki em algum sebo, não perca a chance de adquirir essa obra prima (lembrando que foi publicada em três volumes). É um início perfeito para quem nunca leu um gibi de horror, e para quem está acostumado, é simplesmente indispensável.
>> BIBLIOTECA MALASSOMBRADA – por Mario Carneiro Jr.

“Escuta, tem alguma coisa no meu olho?”


MAURÍCIO DE SOUSA 2010: DESENHOS, REEDIÇÕES E CHICO BENTO JOVEM

quinta-feira | 18 | fevereiro | 2010

* Animações são estratégia para internacionalização dos personagens de Mauricio
* Empresário estuda animação da Turma da Mônica Jovem com tecnologia de “Avatar”
* Turma do Penadinho em 3D estreia até o fim do ano em “emissora forte”
* Revistal mensal com Chico Bento aos 15 anos sai no segundo semestre
* Coleção de luxo vai reeditar histórias de Horácio
* Panini vai relançar Pelezinho; L&PM publicará pockets com Os Sousa e Nicodemo 

Turma do Penadinho em 3D. Crédito: divulgação 

Mauricio de Sousa viu nesta semana como ficou o primeiro episódio da animação em 3D da “Turma do Penadinho”. “Ficou lindo!”. A imagem acima dá uma ideia de como ficou. A série terá 22 episódios, de 11 minutos cada um. A estreia está programada para o segundo semestre. Inicialmente, seria exibida pela TV Cultura. Mas houve uma mudança. 

O desenhista e empresário quer uma rede forte, como ele diz, algo como Globo ou Record. Nada definido ainda, segundo ele. A animação é parte de um projeto de internacionalização das criações dele. O projeto busca inserir os desenhos em emissoras de TV, vistas como uma estratégica porta de entrada. 

“Hoje, a televisão é mais interessante para nós, porque gera revistas, produtos etc.”, diz Mauricio. Ainda há poucas animações. A proposta é aumentar a produção. ”Eu acho que daqui a um ano, um ano e meio, vamos poder atacar de forma maciça.” Nos quadrinhos, o ataque dos personagens dele, hoje, já chega a 50 países. 

As séries terão como vizinhos os filmes. Um deles, também em 3D, está em processo de planejamento. Vai dar movimento a Horácio, personagem que Mauricio ainda desenha. ”O Horácio é um personagem especial porque o pessoal do estúdio não estava pegando o jeito de como fazer. Eu estou meio escravo dele. De vez em quando, alguém pega [o personagem], chuta e acerta. Mas tem sido raro.” 

Horácio. Crédito: divulgação 

O dinossauro verde está nos planos impressos também. As histórias do personagem serão relançadas em uma coleção de livros, produzidos com capa dura. A lida acima mostra a estreia dele. A coleção deverá ter 18 livros. O primeiro sai neste ano. Os editores sugeriram que saísse um volume a cada seis meses. “Se eles me dizem que é semestral, vai ser trimestral.” 

Mauricio demonstra ter pressa na concretização dos projetos. A cobrança por agilidade foi demonstrada mais de uma vez nos 24 minutos da conversa telefônica feita com ele. Pergunto por quê. “A vida é curta. Você não sabe o dia de amanhã. Eu quero tudo hoje.” 

A menção à velocidade apareceu também na explicação de um outro projeto, que envolve a produção de histórias de seus personagens por desenhistas conhecidos. ”Vamos fazer a coisa mais ágil, mais jornalística. Quero fazer as pessoas trabalharem mais rápido.” 

Segundo Mauricio, o grupo editorial ainda está pensando o jeito como isso será feito. Por ora, sabe apenas que quer que as narrativas sejam criadas em prazos menores. A ideia parece ter se espelhado no álbum “MSP 50 – Mauricio de Sousa por 50 Artistas”, lançado em 2009 em comemoração aos 50 anos de carreira. Há uma sequência, “MSP + 50″, programada para este ano. 

Turma da Mônica Jovem 18. Crédito: reprodução  
Capa da edição de janeiro de “Turma da Mônica Jovem”, revista que vende quase o dobro de “Mônica”  

Nascido em Santa Isabel, no interior paulista, em 1935, Mauricio de Sousa é o epicentro de um afinado maquinário empresarial, que envolve os quadrinhos e os mais variados produtos derivados dos personagens. Ele demostra ser uma mescla de empresário – lado dele pouco lembrado - e criador. Tem domínio de todos os projetos. Durante a entrevista, consultou seu staff apenas para detalhes.  

Detalhou sem necessidade dos assessores como irá ficar o caipira Chico Bento na versão adolescente, ideia ancorada na revista “Turma da Mônica Jovem”. Segundo Mauricio, será uma revista mensal, programada para outubro. “Mas não tem mangá. Vai ser um pouquinho mais clássica, com uma forte mensagem ecológica”. 

Chico Bento terá 15 anos. Estará na roça, como sua versão infantil, que continuará sendo produzida. As preocupações, no entanto, serão outras, como emprego. O projeto surge em meio a números convidativos. A revista “Turma da Mônica Jovem” vende, hoje, mais do que um exemplar dos títulos tradicionais. 

Segundo Mauricio, os personagens adolescentes vendem de 300 a 400 mil exemplares por mês. Uma revista como “Mônica” ou “Cebolinha”, 200 mil cada uma. O primeiro número da trupe jovem está na sétima reimpressão. Já está em pauta lançar, pela Panini, uma caixa com as edições iniciais. O número mais recente é o 18, de janeiro. 

O grupo empresarial de Mauricio de Sousa já iniciou a franquia de produtos com os personagens adolescentes, mesmo caminho percorrido pelas versões infantis. A Turma da Mônica jovem também está nos planos de ser levada para a TV. A dúvida é sobre o formato, ainda uma “grande incógnita”, segundo Mauricio. 

De início, seria uma animação para o canal pago Cartoon Network. Depois, a Digital 21, coprodutora da animação da Turma do Penadinho e do longa de Horácio, se interessou. A Digital 21 trabalharia com a tecnologia usada no fime “Avatar”, que mescla animação com movimentos reais. Há também a possibilidade de uma versão com atores. Para qual das três pende mais, pergunto. “Eu acho que vamos para o ‘Avatar’.” 

Pelezinho. Crédito: reprodução  

A parceria com a multinacional Panini acentuou os projetos especiais. Mauricio de Sousa começou a publicar na nova casa editorial em janeiro de 2007. ”O saldo é altamente positivo. A Panini, por ser uma editora de quadrinhos, sem desmerecer as outras, permite manter uma estratégia muito mais ágil e ambiciosa.” 

Novamente a menção à agilidade. Para o empresário, é possível ter um retorno mais rápido sobre o andamento dos produtos, sem que estes dividam espaço com as revistas. Na Abril, onde ficou de 1970 a 1986, e na Globo, de 1987 a 2006, a Turma da Mônica tinham de dividir espaço com as demais revistas jornalísticas e de entretenimento. 

Parte da estratégia “ambiciosa” de que Mauricio fala é centrada em relançamentos, alguns para o leitor adulto, que cresceu lendo as histórias da Turma da Mônica. Publicou pela Panini coletâneas das tiras, das primeiras revistas e planeja, agora, o retorno de Pelezinho, personagem inspirado no jogador Pelé. 

Será uma reedição das histórias, publicadas em revista própria entre agosto de 1977 e maio de 1982. O título teve 58 números. As novas revistas serão almanaques. Mauricio diz que falta apenas acertar um detalhe com o grupo de Pelé. Quer que chegue às bancas antes da Copa do Mundo da África do Sul, que terá início em junho. 

 

A única experiência que não funcionou, pelo menos na Panini, foram os livros de bolso com reedições de tiras. A editora publicou cinco, sem que tivessem sequência. Esse filão é dominado pela L&PM. E foi para lá que Mauricio passou a hospedar suas séries. Os dois primeiros pockets, um com tiras de Mônica e outro de Cebolinha, saíram em 2009. 

Foram 5 mil exemplares. Esgotaram, segundo Mauricio. Para este ano, a editora gaúcha vai publicar volumes com outros personagens: Bidu, Nicodemo, Os Sousa. Os dois últimos são séries que fogem ao estilo das demais. Nicodemo traz um humor 
>> BLOG DOS QUADRINHOS – por Paulo Ramos


“A CASA DAS BRUXAS”, de H.P. LOVECRAFT

quinta-feira | 11 | fevereiro | 2010

Outro autor famoso que ainda não tinha aparecido por aqui. Falar sobre a vida de H.P. Lovecraft é repetir tudo que já foi dito, milhares e milhares de vezes, portanto, se tiver curiosidade de saber mais sobre o excêntrico escritor, clique aqui. Tudo que vou dizer é que o sujeito criou uma mitologia própria e muito pessoal, investindo no que chamava de “Horror Cósmico”, um terror que fazia o ser humano sentir-se insignificante frente à grandeza dos “Antigos”, criaturas malévolas que observam nossa realidade, esperando pelo momento de voltar. É claro que ele também utilizou lendas antigas (e já presentes em contos anteriores) em suas tramas, mas isso não tira de forma alguma sua originalidade, que ainda fundiu o terror com elementos de ficção científica. Ele criou seus mitos com tal capricho, que existe gente até hoje acreditando que um elemento de suas histórias, o Necronomicon (o livro maldito escrito pelo fictício e onipresente Abdul Alhazred) é real.

Mas enfim, hora de falar do livro (real) que é tema do presente post: A Casa das Bruxas, publicada pela Francisco Alves em sua maravilhosa coleção “Mestres do Horror e da Fantasia”. A obra trás quatro contos, que serão comentados a seguir:

Nas Montanhas da Loucura – Esta é uma das histórias mais famosas do autor, fazendo parte dos chamados “Mitos de Cthulhu“. O ponto de partida mostra o massacre dos membros de uma expedição à Antártida por alguma(s) criatura(s) misteriosa(s), e a posterior viagem realizada por dois homens para descobrir o que aconteceu. Através da típica narrativa em primeira pessoa, um dos personagens vai narrando (com um didatismo quase obsessivo) tudo que encontram no acampamento: os rastros da coisa gigantesca que matou todas aquelas pessoas, os fósseis bizarros que os cientistas haviam descoberto, anteriores ao tempo dos dinossauros, etc. O cenário lúgubre é rodeado de montanhas colossais, que trazem uma sensação de inquietude constante. Logo, os dois aventureiros descobrem que há uma cidade perdida lá dentro das cordilheiras; uma metrópole habitada por criaturas que, certamente, não eram humanas.
É um conto longo (quase um pequeno romance), repleto da profusão de adjetivos comum em Lovecraft. Muita gente adora, mas confesso que me irrito um pouco ao ler algo como “o horror indizível” pela terceira ou quarta vez no mesmo conto. O autor possuía um estilo pesado, que não é para todos os paladares literários. Inclusive, muita gente critica o estilo do gajo, afirmando que ele era um escritor limitado. Eu não poderia discordar mais, mas cada um é cada um. Porém, mesmo que não gosta sabe respeitar a importância do autor.
O final da história faz uma citação direta à história “A Narrativa de Arthur Gordon Pym”, de Edgar Allan Poe. Não é segredo para ninguém que Lovecraft era fãzaço de Poe, e o conto em questão serve, de certa forma, para explicar tudo que Edgar Allan Poe preferiu deixar no mistério. Enfim, o desfecho da história de Lovecraft só é compreensível para quem leu “A Narrativa de Arthur Gordon Pym”, o que me leva a crer que Nas Montanhas da Loucura é uma das mais famosas fanfics da literatura.
Apesar da narrativa densa, consegui ler sem esforço. Acho a trama fascinante e, sem sombra de dúvida, é uma das minhas favoritos do autor.

A Casa Abandonada – Conto mais “leve”, aborda uma estranha propriedade onde, segundo dizem, ocorreram inúmeras mortes misteriosas. O narrador inicia com lembranças da infância, quando ele e os amigos invadiam a casa para suas brincadeiras e aventuras imaginárias (é interessante notar detalhes tão prosaicos em um conto de Lovecraft, já que o autor dava muito mais ênfase nos aspectos incomuns); apesar da atitude temerária dos garotos, estes não deixavam de sentir um medo inexplicável dentro dos corredores escuros, impregnados de um fedor indescritível e fungos estranhos, de aparência esquisita. Já adulto, o personagem faz descobertas alarmantes a respeito do lugar.
Não é dos contos mais memoráveis, mas nem por isso é desprezível. De certa forma, diria que é um bom começo para os não iniciados em Lovecraft.

Os Sonhos na Casa das Bruxas – Esse é bastante interessante por trazer altas doses de ficção científica. Walter Gilman faz estudos científicos no sótão de uma velha casa, na cidade de Arkhan (de onde você acha que surgiu o nome do hospício das histórias do Batman, hein?). Fascinado pelos intrincados ângulos da arquitetura do recinto, o sujeito faz cálculos e mais cálculos envolvendo física quântica e equações não euclidianas, tentando achar uma explicação para algo que o incomoda naquilo. De noite, é vítima de intensos pesadelos, que o mergulham ainda mais em sua obsessão sinistra, que pode trazer resultados… Argh, quem eu quero enganar? Que EFETIVAMENTE TRAZEM resultados apavorantes! História das boas, também é das mais conhecidas. Curiosidade: o conto foi adaptado para a minissérie Mestres do Terror, e pode ser encontrado nas locadoras. Mas francamente, recomendo a leitura do conto, pois a adaptação não ficou lá das melhores.

O Depoimento de Randolph Carter – Randolph Carter é um personagem recorrente no universo criado por Lovecraft, além de ser seu alterego óbvio. Na trama em questão, Randolph acompanha (via cabo telefônico, uma novidade científica na época) a jornada de Harley Warrem para dentro de uma estranha necrópole subterrânea. A trama se resume a Randolph escutando a narração do amigo, que vai descrevendo os horrores que encontra pelo caminho. Embora o desfecho não seja dos mais originais hoje em dia, certamente o foi na época; mas não importa, pois ainda assim, é um clímax capaz de causar calafrios. É outra das minhas histórias favoritas do autor.

É importante ressaltar que os contos presentes nesse livro podem ser encontrados em outras coletâneas. Mesmo assim, a obra se destaca por trazer três das melhores histórias do lendário escritor. Recomendadíssimo!
>> BIBLIOTECA MALASSOMBRADA – por Mario Carneiro Jr.


“OS DIAS DA PESTE”: FÁBIO FERNANDES, OS CIBORGUES E A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

quinta-feira | 11 | fevereiro | 2010

DivulgaçãoConversando com o jornalista, escritor, tradutor e professor Fábio Fernandes, sobre a Campus Party, afirmei:  “acho que o seu protagonista estava, de certa forma, lá”. Isso porque Os dias da peste (Tarja editorial), último livro de Fernandes, narra a vida de Artur, uma espécie de médico de computadores e afins, que tem uma relação simbiótica com as máquinas.

Leia um trecho do livro aqui.

A obra se passa num Brasil futurista – em vários períodos, no curto, médio e longo prazo –, em que as pessoas desenvolvem uma dependência dos seus computadores até que um dia… eles despertam. Tomam consciência, começam a decidir, se reúnem e propõem criar um país virtual. As relações de interdependência começam a pender para um dos lados (imagine qual) até que um dia… Bem, é melhor parar de contar o livro.

O bom de Os dias da peste é que ele ecoa na cabeça depois de fecharmos o livro. Ficamos com dúvidas, perguntas, questões, e vários “e se…”. Por isso, aproveitei para perguntar ao próprio autor, que já traduziu obras como Neuromancer e Laranja mecânica, o que ele achava das propostas levantadas em seu texto.

“Pode parecer paradoxal, mas eu não acredito na possibilidade das máquinas criarem consciência. Até gostaria que isso acontecesse, mas realmente não acredito”, contou por email:  “Acho que máquinas são fundamentalmente diferentes de humanos, e ainda que elas venham a se tornar tão desenvolvidas que em algum ponto nos ultrapassem (…) elas poderiam no máximo imitar humanos, mas não efetivamente pensar.”

Fernandes, entretanto, cita casos – no livro e fora dele – do que ele chama de “pseudo-entidades aplicadas”, em que as máquinas imitam o comportamento humano, a ponto de gente não saber se está, por exemplo, conversando com uma pessoa ou com um computador. Ele lembra dos “chattersbots que há anos pipocam na Web”:

“Eu cito no livro o exemplo (real, como quase todos os exemplos que uso dentro do livro) da Eliza, do Joseph Weizenbaum. Em 2001, uma equipe composta por profissionais de diversas áreas do conhecimento, liderada pelo Alceu Baptistão foi contratada pela Close-Up para criar uma espécie de ‘pseudo-entidade’ dessas, a Sete Zoom. Era uma personagem meio cartoon criada para o público adolescente. O barato era que você podia bater papo com ela via site ou ICQ, e o repositório de conteúdo dela era muito grande.” E adiciona: “Mas um chatterbot não é uma inteligência artificial nem de longe: é apenas um conjunto de sub-rotinas envolvendo um leque razoavelmente grande de respostas para uma quantidade determinada de perguntas.”

Mas se Fernandes – que dá aula nos cursos de Jogos digitais e tecnologia e Mídias digitais na PUC-SP – não acredita em uma inteligência artificial, tipo o Hal 9000, de 2001Odisseia no espaço, (livro de Arthur C. Clarke, filme de Stanley Kubrick) ele acha que haverá uma maior interdependência entre homens e máquinas, com os computadores se misturando ao nosso corpo, formando um tipo de organismo único.

“Acho que enveredamos por um caminho sem volta, do qual só sairemos como ciborgues do outro lado. E isso, reitero, é ótimo”. Para completar o raciocínio: “Acredito completamente nos conceitos de ciborgue, inteligência aumentada, trans-humanidade e pós-humanidade. Acho que já estamos dando o próximo passo, e ele tem a ver justamente com o silício que estamos implantando em nós – seja literal ou metaforicamente.”
>> O LIVREIRO – por Ronaldo Pelli


“EXTERMINADOR DO FUTURO”: FRANQUIA TEM NOVO DONO

quinta-feira | 11 | fevereiro | 2010


Nem Sony e nem Lionsgate. As favoritas no leilão para aquisição dos direitos da franquia O Exterminador do Futuro foram desbancadas pelo lance do fundo de investimentos Pacificor, que chegou a US$29,5 milhões. No passado, o fundo chegou a ser acusado de extorsão e fraude pela Halcyon Holding Corp., que detinha a marca até agora e que precisou recorrer ao Pacificor para comprar a franquia em 2007.

Não se sabe ainda o que um fundo de investimentos fará com os filmes da série, mas os fãs já podem temer por um reboot ou por uma continuação apressada. Afinal de contas, o Pacificor deverá buscar em breve, até apressadamente, retorno para o seu investimento.

A saga O Exterminador do Futuro apresenta um futuro pós-apocalíptico, onde os humanos são uma minoria, dizimados por uma inteligência artificial denominada Skynet. Os Exterminadores são andróides que caçam os humanos, muitas vezes se disfarçando como eles.

A trama dos filmes gira em torno de John Connor, futuro líder da resistência humana, que no presente tem de se defender dos Exterminadores vindos do futuro para eliminá-lo ainda jovem (e até antes dele nascer, quando o alvo foi sua mãe). A franquia se espalhou também por um seriado de TV, livros, quadrinhos e games.
>> HQ MANIACS – por Émerson Vasconcelos


“PERCY JACKSON E OS OLIMPIANOS – O LADRÃO DE RAIOS”

quinta-feira | 11 | fevereiro | 2010

Se uma adaptação sofre com os ataques dos críticos por possíveis furos do roteiro, logo uma legião de fãs do original se ergue em defesa do filme, alegando que “a história é assim” e, portanto, não merece tais comentários negativos. Entretanto, se é a própria história que já carrega os defeitos, então é ela que não tem tanto valor artístico assim. De um jeito ou de outro, o problema continua a existir. Bem se esquecem que, justamente por ser uma adaptação para outra linguagem dentro do campo da arte, a possibilidade de alterações é infindável, o que extermina qualquer lógica em manter num filme os mesmos erros de um livro. Percy Jackson e os Olimpianos – O Ladrão de Raios já não é passível deste tipo de reação dos fãs. Fazendo profundas alterações na trama do best-seller de Rick Riordan, o filme afunda nas suas próprias águas.

Há tempos que os estúdios tentam lançar o seu rival à altura comercial de Harry Potter e, mais uma vez, não funcionou. Percy Jackson leva às telas um livro que patina na previsibilidade a todo tempo, no qual os mistérios e suspenses só existem efetivamente para o personagem central, jamais para o leitor. No filme, a coisa desanda em proporções bem maiores. É uma verdade absoluta que todos (sem exageros) os livros recordes de vendas já transpostos para o cinema perderam algumas páginas no caminho até as telonas. Cortes absurdos já foram feitos não só na série Potter, mas em todas as adaptações recentes que pertencem à temática fantasiosa, que hoje consome o dinheiro e tempo dos jovens como uma torneira aberta. Crepúsculo, Nárnia e até o aclamado O Senhor dos Anéis; todos tiveram a sua vez na sala de mutilações. Mas Percy Jackson vai além: não só altera e corta como também retira certa identidade da narrativa e compromete a qualidade do filme. Realmente, o roteiro não tem tantas pontas soltas, mas a sensação é que isso é resultado de uma raspagem tão agressiva que só restou ao script o estritamente necessário, sem margens para dúvidas, algo que dificilmente pode ser confundido com coesão.

O maior tombo de O Ladrão de Raios é utilizar a reforma em sua estrutura na direção errada. Cheio de boas intenções em tornar a produção agradável, mais próximo da absorção infantil e, obviamente, comercial (falhou aqui mais uma tentativa de franquia de sucesso), o diretor e roteirista Chris Columbus aniquila qualquer chance do longa atingir um bom nível. Ao contrário de muitas das alterações em produções similares, as presentes em Percy Jackson jamais estiveram ali para tornar o filme mais equilibrado ou minimamente desenvolto, e sim para deixar o trabalho de condensação mais fácil. Reprovador de comparações, Columbus que possa perdoar, mas para um diretor que fora erroneamente aclamado por uma quantidade considerável de fãs por ter sido o “responsável” pela fidelidade de Harry Potter e a Pedra Filosofal e Câmara Secreta (os dois filmes mais fracos da série – em aspectos gerais), deixou muito a desejar – o que só prova o abismo que pode existir entre o trabalho de um diretor e roteirista. No caso, Columbus se provou banal nas duas especialidades.

Rude na escrita do roteiro, o diretor repetiu a dose no comando do projeto, esclarecendo que nesta posição se faz humildemente inferior ao bom produtor que é. Demos os méritos: Chris é um dos poucos produtores que tem um ótimo senso para seleção de elenco e equipe técnica, e manteve o bom gosto em O Ladrão de Raios pelo menos no elenco estelar. Mas não fez o mesmo com os responsáveis pela pós-produção. As cenas de ação são medianas por se valerem de uma computação gráfica que pouco impressiona para criar seres e criaturas fantásticas, apesar da boa sequência com a Hydra, uma besta de três cabeças; isso sem mencionar a raiz dos cabelos da Medusa, previamente denunciada pelos últimos pôsteres. Já as cenas de ação, como a do clímax, estragam qualquer possibilidade de empolgação. A luta final entre Percy e seu inimigo (mudanças extremas aplicadas aqui) é o ponto alto da falta de coordenação e do péssimo manuseio de elementos virtuais em cena para enquadrar a fonte de conflito, causando uma confusão visual que inspira a desistência de acompanhar o embate. Mas nada substitui o desconforto em uma coreografia descartável da música “Poker Face”.

Felizmente, o pouco que Columbus tem para bem lhe servir surtiu algum efeito. Pierce Brosnan (Chiron) tem uma excelente postura e expressão para um ator que sabe que futuramente terá as pernas substituídas pelo corpo de um cavalo e Logan Lerman é, sem dúvida, uma escolha anos-luz superior em talento do que opções para protagonistas de filmes anteriores do diretor. Uma pena que a total entrega dos astros aos seus papéis se resuma aos dois.

Percy Jackson e os Olimpianos – O Ladrão de Raios pode não ter, desde o seu livro, todos os elementos necessários para alcançar um sucesso colossal (ainda há quem nem saiba do que se trata, ou jamais tenha ouvido falar da série de livros – e não são poucos), mas tinha material para criar uma boa aventura que despertasse o interesse do público em geral. Soube dar um tiro no pé que sustentava os fãs e no outro que poderia dar o pontapé para agradar a um público ainda não-familiarizado. Agora que Columbus, o mais fiel dos diretores, descascou uma obra deste porte, qual é o fã que se atreverá a defender o filme alegando que “a história é [fraca] assim”?
>> PIPOCA COMBO – por Arthur Melo


“PUMZI”: PRIMERO FILME DE FICÇÃO CIENTÍFICA DO QUÊNIA

quinta-feira | 11 | fevereiro | 2010

Por enquanto é apenas um curta de 20 minutos, mas a diretora de Pumzi espera transformá-lo em longa metragem, como aconteceu com outro filme de ficção científica africano, Disctric 9.

A idéia do filme me lembra THX-1138 (inclusive pelas carecas dos personagens), Logan’s Run – Fuga do Século XXIII e até Wally-E.

A cineasta Wanuri Kahiu mostra uma sociedade distópica 30 após uma guerra pela água ter devastado o mundo. Sobreviventes do leste africano vivem trancafiados em comunidades subterrâneas. Uma jovem trabalhadora obtém uma semente que está germinando e deseja levá-la até a superfície, sendo perseguida pelo governo que a proibiu de sair da comunidade.

Eu vi o trailer abaixo e achei interessantee muito bem feito. Que venha a ficção científica do Quênia!

O filme irá ser exibido cinco vezes no famoso festival de cinema Sundance e sua produtora espera não só que ele tenha sucesso, mas que consiga ajudar o cinema queniano a se erguer. O país já tem profissionais bem qualificados, uma vez que costuma servir de locação para filmagens, mas sofre com a falta de verbas.
>> NEWSERRADO – por Antonio Carneiro


“O ENIGMA DO OUTRO MUNDO”: NOVIDADES NO ELENCO

quinta-feira | 11 | fevereiro | 2010

Mary Elizabeth Winstead

Joel Edgerton

Foi anunciado que a atriz Mary Elizabeth Winstead e o ator Joel Edgerton farão parte do elenco de O Enigma de Outro Mundo, remake do filme de John Carpenter, de 1982.

Winstead fará uma PhD que se associa a uma equipe de pesquisadores noruegueses na Antártica, depois que essa descobre uma nave alienígena no gelo. Um organismo vivo, até então preso, consegue escapar e inicia uma série de ataques. Winstead é obrigada a se associar a um piloto de helicóptero mercenário (Edgerton) para tentar conter a carnificina.

As filmagens estão programadas para começar no dia 15 de março em Toronto, no Canadá. Essa nova versão tem direção de Matthijs van Heijningen Jr. e roteiro de Eric Heisserer.

O Enigma de Outro Mundo conta a história de um pequeno vilarejo na Noruega que é invadido por ETs. O filme é baseado em um conto do escritor John W. Campbell Jr.. Antes de Carpenter filmá-lo em 1982, Howard Hawks havia feito uma produção também baseada no conto de Campbell Jr. em 1951. A versão de Carpenter tem Kurt Russell no papel principal, e chegou a se tornar um jogo de videogame para Playstation 2.
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno


SHELDON É GAY?: PRODUTOR DE “BIG BANG THEORY” RESPONDE

quinta-feira | 11 | fevereiro | 2010

Jim Parsons também fala da questão

Chuck Lorre, produtor-executivo de The Big Bang Theory, respondeu à Entertainment Weekly um dos grandes mistérios que cercam a série: afinal, Sheldon é gay? Segundo ele, num questionário sobre orientação sexual, melhor seria colocar na categoria “outros”.

“O foco dele é inteiramente o trabalho. Outro jeito de analisar seria com ‘realidade alternativa’. Personagens como Sheldon são atraídos por um mundo paralelo que pode ser mais confortável que este em que vivemos. E por que mudar isso? Por que o personagem não pode ser único assim?”, questiona Lorre.

Como cresce a pressão para arrumar uma namorada para Sheldon, o ator Jim Parsons também fala do caso. “Eu entendo o ponto de vista de Chuck; tudo o que Sheldon quer é um Nobel. Esse seria o abraço quente que ele tanto deseja. Se eu acho que ele pode pender para algum lado um dia? Não sei dizer. De qualquer modo, isso manteria aberto para ele um mundo de possibilidades.”

Lorre conclui: “Se tocar outros seres humanos é tão irrelevante para ele, por que rotular? Por que não pode haver um terceiro gênero? Macho, fêmea e Sheldon…”.

O seriado está na sua terceira temporada. The Big Bang Theory é exibido no Brasil às terças-feiras no Warner Channel.

Chuck Lorre, produtor-executivo de The Big Bang Theory, respondeu à Entertainment Weekly um dos grandes mistérios que cercam a série: afinal, Sheldon é gay? Segundo ele, num questionário sobre orientação sexual, melhor seria colocar na categoria “outros”.

“O foco dele é inteiramente o trabalho. Outro jeito de analisar seria com ‘realidade alternativa’. Personagens como Sheldon são atraídos por um mundo paralelo que pode ser mais confortável que este em que vivemos. E por que mudar isso? Por que o personagem não pode ser único assim?”, questiona Lorre.

Como cresce a pressão para arrumar uma namorada para Sheldon, o ator Jim Parsons também fala do caso. “Eu entendo o ponto de vista de Chuck; tudo o que Sheldon quer é um Nobel. Esse seria o abraço quente que ele tanto deseja. Se eu acho que ele pode pender para algum lado um dia? Não sei dizer. De qualquer modo, isso manteria aberto para ele um mundo de possibilidades.”

Lorre conclui: “Se tocar outros seres humanos é tão irrelevante para ele, por que rotular? Por que não pode haver um terceiro gênero? Macho, fêmea e Sheldon…”.

O seriado está na sua terceira temporada. The Big Bang Theory é exibido no Brasil às terças-feiras no Warner Channel.
>> OMELETE – por Marcelo Hessel


“COWBOYS & ALIENS”: CONFIRMADA A DATA DE LANÇAMENTO

segunda-feira | 8 | fevereiro | 2010

A Universal Pictures mudou a data de alguns de seus lançamentos e confirmou que Cowboys & Aliens, filme que será dirigido por Jon Favreau, estreará nos Estados Unidos no dia 29 de julho de 2011.

Cowboys & Aliens deriva de uma graphic novel escrita por Fred Van Lente e Andrew Foley, que começa com uma batalha entre os desbravadores do Velho Oeste e os índios Apaches. A batalha é interrompida quando uma nave espacial cai nos campos perto de Silver City, Arizona. No meio da confusão, está Zeke Jackson, atirador do exército da União, papel de Daniel Craig. Olivia Wilde também está no elenco.

A história traça um paralelo entre o imperialismo americano, que busca dominar os índios nativos com sua tecnologia mais avançada e a invasão alienígena, que ameaça todos os terráqueos com sua tecnologia mais avançada ainda. Como resultado, índios e colonos precisam se unir. A luta não é tão desigual, uma vez que eles têm a vantagem de conhecer o terreno.

O projeto vem sendo desenvolvido por vários estúdios ao longo dos 10 últimos anos, e já passou nas mãos de inúmeros roteiristas. Roberto Orci, Alex Kurtzman e Damon Lindelof são os atuais responsáveis.
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno


“ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS”: VEJA O COMERCIAL DA TV DO SUPERBOWL

segunda-feira | 8 | fevereiro | 2010

Alice começa o vídeo atrasada para o chá

Alice no País das Maravilhas é mais um dOs filmes que teve um comercial exibido durante o Superbowl de 2010. Veja no vídeo abaixo a protagonista (Mia Wasikowska) levando uma bronca do coelho por estar atrasada para o chá e muitas outras cenas do filme dirigido por Tim Burton (A Fantástica Fábrica de Chocolate, Sweeney Todd):

O filme, com exibição em 3-D, estreia em 5 de março e é um dos destaques do nosso Preview 2010. Johnny Depp, Mia Wasikowska, Anne Hathaway, Alan Rickman, Matt Lucas, Michael Sheen, Helena Bonham Carter, Crispin Glover, Christopher Lee e Eleanor Tomlinson formam o elenco.
>> UARÉVAA – por Jack Starman – 3/04/2008


“ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS”: TRAILER E PÔSTERS

segunda-feira | 8 | fevereiro | 2010


Foram revelados mais pôsteres e um novo spot de Alice no País das Maravilhas, versão para o cinema dirigida por Tim Burton.

Dessa vez, a atriz australiana Mia Wasikowska vive Alice, Johnny Depp é o Chapeleiro Louco, Matt Lucas interpreta Tweedle-Dee e Tweedle-Dum, Anne Hathaway é a Rainha Branca, Helena Bonham-Carter, a Rainha Vermelha e Crispin Glover o Valete de Copas. O roteiro da produção da Walt Disney Pictures é de Linda Woolverton. A estréia está marcada para 5 de março de 2010 nos EUA e 16 de abril no Brasil.

Alice no País das Maravilhas é o livro mais famoso de Lewis Caroll, considerado um dos clássicos da literatura inglesa. Carregada de nonsense, a história começa quando a menina Alice, perseguindo um coelho branco, cai em um buraco e se descobre em um lugar fantástico, povoado de criaturas peculiares.
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno

YOUTUBE


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 59 outros seguidores