“SHOGUN WARRIORS” RUMO AOS CINEMAS

quarta-feira | 31 | março | 2010

A linha de brinquedos japonesa Shogun Warriors ganhará um longa-metragem norte-americano.

A franquia foi licenciada no ocidente pela Mattel, nas décadas de 1970 e 1980, quando chegou a gerar uma HQ pela Marvel Comics, além de na mesma época ter virado anime pelas mãos da Toei Animation. Os personagens são robôs gigantes “pilotados” por seres humanos.

Jules Urbach, fundador da Lightstage, produzirá o filme, com direção do veterano dos efeitos especiais Matthew Gratzner. Os créditos de Gratzner incluem filmes como Homem de Ferro, Superman – O Retorno e Hancock.

O filme tem apoio da Toei Studios. Paralelamente ao anúncio do filme, o quadrinista Alex Ross anunciou que está produzindo capas para uma nova HQ da franquia que será publicada pela Dynamite Entertainment. Mais detalhes sobre o filme serão revelados na San Diego Comic Con, que acontece apenas em julho
>> HQ MANIACS – por Émerson Vasconcelos


“DRAGONLANCE”

quarta-feira | 31 | março | 2010

Uma das velhas histórias de fantasia que mereciam
ser lembradas pela indústria do entretenimento

Em tempos em que a Literatura de Fantasia prece ter se convencido de que as séries são as melhores amigas das vendas, e numa época em que a animação gráfica vem atingindo patamares dignos de um passe de mágica, permitindo a visualização de criaturas que antes só habitavam a imaginação humana, é de se espantar que alguns títulos continuem relegados ao esquecimento. Afinal, depois das trilogias “O Senhor dos Anéis” e “As Crônicas de Nárnia” era de se esperar que outras velhas obras fossem resgatadas das brumas do Limbo e ganhassem nova roupagem.
Os amantes da Fantasia com certeza ganhariam com uma produção caprichada para o sombrio “Stormbringer”, de Michael Moorcock. Obra de primeira grandeza, o livro merece, sem dúvida alguma, um espaço nas livrarias atuais.

Outra obra, sem tanta qualidade, mas que também merece sua versão cinematográfica e uma nova edição, é a trilogia “Drangonlance”. Editada no Brasil pela Devir e dividida em três volumes principais – “Dragões do anoitecer de outono”, “Dragões da noite de inverno” e “Dragões da alvorada da primavera” – a obra assinada por Margaret Weis e Tracy Hickman tem tudo para agradar as novas gerações de leitores de Fantasia. Drama, humor, romance e personagens fascinantes somam-se à possibilidades de cenários fantásticos e situações que balançam qualquer amante de criaturas mágicas.
A história é bem simples em seu fio condutor: um poder inesperado levanta-se sobre a terra de Krynh, carregado nas asas dos dragões, que num primeiro momento representam o mal. Um grupo de amigos vê-se inesperadamente envolvido com os vilões, ao dar proteção a um casal de viajantes que porta um medalhão com poderes místicos. A partir daí a história vai de peripécia em peripécia, na luta entre o bem e o mal.

É verdade que nem tudo são flores nesta extensa trilogia da qual derivaram outra trilogia – “O tempo dos gêmeos” – e mais um grande volume intitulado “Dragões da labareda de verão”. Tendo sua origem profundamente arraigada em partidas de RPG, o texto às vezes revela demasiado o recorte dos jogos, mantendo a dinâmica dos mesmos e as opções que movimentam o clássicos “D&D”. Não faltam situações em que um personagem tem de escolher entre duas portas, duas ou três direções ou mesmo, tomar a decisão de falar com outro personagem ou atravessá-lo com uma espada, e às vezes sobram labirintos subterrâneos povoados de medonhas criaturas. De vez em quando, um personagem toma uma atitude ingênua demais, simplesmente para provocar a crise que dará o ensejo dramático àquela parte da narrativa, forçando o texto a se dobrar à vontade de seus criadores e não sendo devidamente conduzido por eles. Isso irrita o leitor mais exigente e aborrece um tanto. Contudo, nada é perfeito.

Para esta leitora, porém, a soma das qualidades da trilogia é maior do que seus defeitos e a maior qualidade de “Dragonlance” são os seus personagens e a coragem com que os autores abordam a história dos mesmos. O grupo central é formado por nove personagens, inicialmente estereótipos que lembram formalmente a Confraria do Anel, de Tolkien – outra coisa que aborrece, pelo menos no começo. Com certeza não é uma coincidência: a presença de Tolkien é forte em quase toda obra. Há vários personagens “agregados” que aparecem e desaparecem com o andamento da narrativa que, inicialmente, tem o mesmo moto de ação de centenas de obras de Fantasia anteriores: a luta do bem contra o mal invasor, que procura dominar o mundo através da força, representado por tudo de ruim que há: ambição desmedida, mediocridade política, incapacidade de compreender as diferenças como um multiplicador, corrupção, crueldade, e outros muitos mais “etc”.

Este desafio de deparar-se com um grupo tão grande de personagens fixos e inúmeros outros, flutuantes, sacode quem andava lendo diálogos enxutos entre apenas dois protagonistas ou conversas entre grupos pouco variáveis. O prisma caleidoscópico não nos deixa enraizar em apenas um personagem, mas nos leva a viajar pela história diferentes vidas. Talvez por ter tido em sua origem seres humanos reais – os jogadores do RPG que deu origem aos livros – é que os personagens de “Dragonlance” revelam-se tão complexos. Com esta quantidade de personalidades, várias linhas narrativas são traçadas, levando o leitor por diferentes paragens e dramas, sem manter o foco inalterado em um único personagem, como os atuais bestsellers do gênero, “Harry Potter” e “Twilight”. Indo mais além da trama narrativa de Tolkien, que divide-a em duas e posteriormente em três partes, “Dragonlance” entremeia-se a vontade, chegando ao cúmulo de flertar com a metalinguagem à certa altura do texto.

Três personagens dominam a narrativa: Tanis Meio-Elfo, Lauralanthalasa, e Raistlin. Mas isso não significa que os demais não sejam costumeiramente protagonistas – Tasslehoff Burfoot, o kender, por exemplo, é um autêntico ladrão de cenas. Contudo o mais fascinante para esta leitora, foi a capacidade dos autores e levarem até as últimas consequências seus personagens, sobretudo Sturm, Flint e Raistlin, o mago. Este último, tem papel preponderante na narrativa, manipulando seus amigos como um autêntico mestre-do-jogo, sem, no entanto, sê-lo de verdade, ou, talvez, roubando das mãos do narrador original, essa função.

Uma boa versão cinematográfica de “Dragonlance”, seria, com certeza, sucesso de bilheteria. Eu disse “boa versão”. Versões regulares não servem, porque cairão fatalmente na mediocridade e no ruim. O Youtube está repleto de vídeos sobre o assunto, desde o teaser do desenho animado de longa metragem já produzido (e cuja qualidade fica bastante abaixo do que a série merece, diga-se de passagem) até “castings” alternativos e vídeos caseiros, a maioria deles amparado por composições de hard-rock orquestral, estilo que, aliás, parece ter sido feito sob medida para a trilogia. De passo isso seria uma boa desculpa para novas edições – com tradução e diagramação melhoradas, espera-se – e inclusive para uma tradução do terceiro volume de “O tempo dos gêmeos”, ainda inédito em português. Até lá, sem compreender o mais mínimo os caminhos das produções cinematográficas, teremos de nos contentar em imaginar as aventuras de personagens tão interessantes – coisa, aliás, que sempre foi a base do bom RPG e que deu a estas criaturas de papel, a profundidade que elas têm.
>> PORTEIRA DA FANTASIA – por Simone Saueressig


1º ENCONTRO DE ESCRITORES

quarta-feira | 31 | março | 2010


ENTREVISTA COM CHINA MIÉVILLE

terça-feira | 30 | março | 2010

Seu primeiro romance, KING RAT, era uma aterrorizante história de fadas. Em PERDIDO STREET STATION, Miéville criou ‘New Crobuzon’, uma metrópole corrupta habitada por insetos humanóides, cactos andantes, grotescos ‘Renascidos’ pela bioengenharia, e máquinas conscientes e ‘vivas’, assim como um monte de tipos comuns, assediadas por criaturas que sugam espíritos, saídas de um experimento fracassado. A fantasia de Miéville é permeada por um realismo que rejeita finais felizes. 
Parabéns pelo Prêmio Arthur C.Clarke por ‘Perdido Street Station’. Não parece irônico ou incongruente que um romance de fantasia baseado em um cenário ‘steampunk’ tenha recebido um prêmio tão importante, que recebe o nome de um escritor de Ficção Científica Hard, de satélites e naves espaciais, em que a sensibilidade para a prosa não é, digamos, sublime.

Obrigado – ainda estou um pouco estupefato. Existe uma ironia sim, mas não é tão incomum este prêmio ir para alguém que faz uma FC tão pouco ‘Clarkeniana’. O próprio Clarke é um sujeito muito generoso a respeito do que se trata o prêmio, e a quem deve ser dado.

Além de estar pessoalmente extasiado, me sinto contente, porque eu sempre senti que era impossível separar a Ficção Científica da Fantasia – certamente eu devo ter conscientemente estado em um e em outro, e eu esperava que o prêmio indo para um romance não tão de FC, deveria encorajar uma abertura conceitual da tradição. Sempre gostei de dizer que escrevo uma ‘ficção esquisita’, porque me sinto na interseção da Ficção Científica, Fantasia e até do horror, o que claramente, torna as fronteiras nebulosas. Quer dizer, é fácil dizer que Larry Niven é FC e Tolkien é fantasia, mas e David Lindsay? Lovecraft? Clark Ashton Smith?

A ‘ciência’ que aparece em seus romances, dependem de mecanismos da era-vitoriana. A teoria da grande crise soa igual à especulação quântica e a inteligência artificial sempre foi uma obsessão da FC. Tem sempre um cientista maluco e que é responsável por forças desastrosas, resultado direto de sua arrogância e da irracional manipulação cientifica, sem ligar para as conseqüências. O que da FC de antigamente se tornou um fato hoje, como a biotecnologia e as máquinas pensantes que aparecem em seu trabalho?
Em geral não penso que se possa ver a FC como profecia cientifica, sociológica ou outra coisa desse tipo. Não acho que FC trate disso. É obvio que muitos cientistas se inspiraram em historias de FC que leram quando jovens e não posso dizer que não seja uma influência.

Sou totalmente pró-ciência. Acho muito interessante. Tento evitar a tradicional tropa de escritores ‘metidos a cientistas’. Não é a atividade cientifica por si só que nos causa problemas, como o doutor Frankenstein. Mary Shelley, refutava em ter a responsabilidade dos frutos de sua pesquisa – em meus livros, é algo mais como uma má sorte danada!

O problema não é a ciência, mas onde ela nos leva. Biotecnologia é um bom exemplo. Não tenho nenhum problema, em termos abstratos com a modificação genética dos alimentos. Porém, acho problemático quando ela caminha para beneficiar os exploradores.

Além disso, muita coisa é lançada no mercado sem os devidos testes – sem termos uma ideia real dos efeitos a longo prazo. Além disso, algumas pesquisas são socialmente inadequadas e inúteis, como fazer plantas que só respondam a um único tipo de fertilizante.

Muita coisa vai surgir nos próximos anos e isso é excitante. Particularmente estas coisas mais grotescas são as que mais falam à minha natureza macabra. Ratos com genes de águas-vivas e que brilham verdes, é demais!

Eu fico tentado em traçar um paralelo do seu nome ‘Miéville’ com ‘Melville’. O protagonista de ‘Perdido’ se chama Isaac, que na bíblia é filho de Abraão e irmão de Ismael, o herói em ‘Moby Dick’, de Melville. Ambos os livros falam sobre um maníaco se vingando de uma besta diabólica, e durante isto, surgem detalhes horrorosos sobre o ser humano cheio de dúvidas sobre a intenção divina. Você, como um inglês, tirou alguma inspiração do grande clássico americano? E qual a significância que você deu ao nome Isaac Dan der Grimnebulin?
Certamente que ‘Moby Dick’ é uma inspiração. Deve fazer parte da maioria do que escrevi, de uma maneira ou de outra, desde que eu li este livro dez anos atrás. É um livro absurdo! Eu não pretendi construir nenhum paralelo com ele, conscientemente, mas não quer dizer que não esteja lá! Não acho que devemos nos ater na intenção do autor sendo a única fonte de temas em um livro. Muitos escritores aprendem muito sobre seus trabalhos a partir de resenhas inteligentes.

Eu escolhi o nome Isaac por que eu queria que soasse familiar, mais sonoro do que a maioria dos personagens de um monte de épicos de fantasia. Mas eu queria algo sugestivo, quase como uma paródia de alguns nomes nos livros de Dickens ou em Mervyn Peake.

Tomas Disch em seu “The dreams our stuff is made of”’, declara que Edgar Allan Poe foi o avô do gênero cientifico em parte por seu estilo pouco refinado para a época. Ele não pretende provocar risos, nem mesmo um sorriso. Ele busca aquela sensação de ‘Isto não pode estar acontecendo’! Existe um pouco disso nos seus trabalhos, de forma planejada. Em um artista menor, o uso deste estilo seria meramente um truque barato. O que você pretende?
Particularmente acho que existe uma reação contrária ao popular, a fantasia pós-Tolkien. Sei que é uma generalização, mas a coisa me parece muito dirigida para um tipo ‘limpinho’ de vida feudal, sem sujeira, sem sangue, fezes ou urina. A literatura de fantasia não devia tentar expulsar aquilo que é real, mesmo sendo sujo ou feio.

P: Os críticos sempre lamentam que a maior parte da literatura de Fantasia está ligada aos milhares de épicos sem fim, de personagens medievais mágicos batalhando contra as forças do mal. Em ‘Perdido’ não se encontra nenhum elfo, bruxo ou uma espada mágica. Foi consciente a sua intenção de construir um mundo distinto dos clichês do gênero ou você apenas seguiu sua própria inspiração?
Ambos. Meu gosto para ficção sempre pende para o macabro, o surreal, onírico, e nunca eu me senti bem dentro do universo de Tolkien, ou da maioria dos escritores após Tolkien. E sim, foi uma coisa deliberada minha tentar subverter algumas das características assumidas pelo gênero de fantasia, precisamente por que eu amo este tipo de trabalho subversivo.

Eu não uso de estereótipos, que na fantasia definem os personagens por sua raça; anões são brigões e pouco inteligentes, elfos são espertos. trolls são malvados. tentei brincar com as idéias desta essência racial em ‘Perdido’ – no meu mundo, os personagens são retratados como as pessoas são no mundo real, mas não de um modo muito apurado. Isto é racismo. Quanta fantasia escrita hoje não abusa destes estereótipos raciais em mundos imaginários?

Outra coisa que eu quis fazer foi um livro de fantasia que não era baseado em uma terra-do-nunca feudal, mas com relações sociais comuns a indústria e ao capitalismo. E isso é uma resposta aos clichês habituais do gênero.

Um dos problemas do gênero mais tradicional, é que se tornou por demais confortável. É preciso retirar o leitor de certas convenções.

Tolkien falava sobre ‘ficção consoladora’, uma ideia que eu realmente detesto! Acho que a estética do fantástico é boa para subverter expectativas, levando o mundo para o caminho errado, problematizando, alienando o leitor. Olhe para o surrealismo, certamente o que existe de mais fantástico nas artes. Praticar este tipo de fantasia ‘consoladora’ é trair isso – não é nem de perto fantasia de verdade.

Gabriel Chouinard descreveu seu trabalho como sendo a Next Wave (Próxima Onda) da Fantasia – brincando com a New Wave (Nova Onda) da Ficção Científica nos anos 60, que se distinguia do formato literário da FC anterior – trazendo autores como você, M. John Harrison, Matthew Stover, Jeff VanderMeer, Mary Gentle entre outros, e é lógico, Michael Moorcock, que tem os pés plantados nos dois movimentos. Mas será justo dizer que existe algum tipo de movimento de verdade? Vocês trocam correspondência, desenvolvendo algum manifesto anti-Tolkien? Ou será que é apenas outro rótulo inventado que colocaram em você, e no qual você nunca pensou a respeito?
É, alguns de nós certamente trocam correios, discutindo ideias e falando sobre a fantasia tradicional. mas não existe um movimento formal. Quantos movimentos literários formais existem? Com algumas exceções (surrealismo e talvez outros) a maioria destes movimentos são rótulos apenas. Isto não significa que seja uma perda de tempo se falar sobre movimentos.Eles existem apesar de não serem especificamente um projeto em comum. O ponto não é onde nós todos concordamos com algo, mas que exista um grupo de escritores cujo trabalho se nutre de certos aspectos estéticos interessantes (mesmo que na prática o resultado final os diferencie).

Eu nunca alteraria algo que eu escrevi depois de pensar no meu lugar como membro de um grupo, e eu imagino que ninguém o faça também, mas o ponto principal é que a temática que nos conecta seja traçada entre autores que estão escrevendo aquilo que desejam.Sem ter uma ligação formal.

Por exemplo, eu li ‘Iron Dragon’ de Michael Swanwick depois de ter escrito ‘Perdido Street Station’ e é um livro fabuloso, e em alguns de seus temas, há uma conexão com o que eu escrevo.Seria totalmente razoável, depois de ler os dois, que alguém imaginasse que fui influenciado pelo livro de Michael. Não é bastante que eu diga que não o havia lido antes de escrever ‘Perdido’ e que portanto não há nenhuma ligação. O legal é que tem muita coisa acontecendo no mundo, e no mundo da literatura fantástica, e que faz dois autores escreverem de modo similares.

Você está estudando para seu PHD pela London School of Economics. Primeiro, como um estudante de graduação arranja tempo para escrever romances? E uma vez que receba o titulo, você pretende trabalhar na área econômica? Ou será que isso é apenas um capricho intelectual?
Meu PHD não é em economia, a LSE é uma universidade de ciências sociais. Eu lido com filosofia das leis internacionais. Mas o tempo é um problema. Tudo que posso dizer é que procuro dividir meu tempo rigidamente. Escrevo bastante nas horas de folga, consigo ser muito auto-disciplinado. Devo concluir meu estudo em Setembro, e espero que depois fique mais confortável.

Espero poder escrever FC em tempo integral, como uma forma de vida. mas vou continuar trabalhando na academia onde trabalho no corpo editorial do jornal da academia, espero assim continuar publicando ensaios não-ficção e livros, conforme eu encontre tempo.

Você parece gostar das cidades, lugares perigosos repletos de segregação racial, etc. Tem algo nelas que te atraem?
Vivo em Londres e ela é uma grande influência no que eu escrevo. Amo arranha-céus, por que sou cínico o bastante para reconhecer o poder da dinâmica que rola nas cidades, mas não significa que eu não as ame. Londres, Nova Iorque, Cairo, são fontes de inspiração e são fascinantes. Tudo nelas é intenso, a pressão nas relações sociais, a criatividade, a arquitetura, tudo é mais excitante nas cidades, da política as artes, no ambiente físico. Sou um escritor urbano, na tradição de escritores urbanos londrinos como Thomas de Quincey, Neil Gaiman, Michael Moorcock, Iain Sinclair e outros.
>> CAPACITOR FANTÁSTICO – por Trechos de entrevista concedida a David Soyka


“SELVA BRASIL”, DE ROBERTO DE SOUSA CAUSO

terça-feira | 30 | março | 2010


“Selva Brasil” (Draco, 112 págs., R$ 26,90) é uma história alternativa que imagina como seria o Brasil vinte anos depois da invasão militar brasileira das Guianas, na Fronteira Norte, segundo os planos megalomaníacos do Presidente Jânio Quadros. Simultaneamente, a Argentina invadiu as Ilhas Malvinas, no Atlântico Sul.

Contudo, uma coalizão formada pelos países atingidos pela ação militar brasileira – Inglaterra, França e Holanda – e os Estados Unidos contra‑atacaram e empurraram os soldados brasileiros de volta, ficando com um bom pedaço da Amazônia Brasileira.

Desde então instalou-se um conflito permanente na região, com o Brasil e aliados latino-americanos lutando para retomar o território perdido e manter sob controle uma guerrilha patrocinada por aqueles países do Primeiro Mundo. É um Brasil completamente diferente do nosso, contido política e economicamente por esse conflito perpétuo, e com gerações de jovens brasileiros comprometidas com o conflito.

Amparada por uma pesquisa cuidadosa, Selva Brasil acompanha um grupo de soldados que – ao seguir para um ponto anônimo do Amapá, na fronteira com a Guiana Francesa, onde devem substituir uma outra unidade do Exército Brasileiro – se depara com desertores e com um plano secreto para romper as regras de engajamento que limitam o conflito na região.

Ao mesmo tempo, esses homens são confrontados com um estranho experimento militar que, indo além dos parâmetros do seu projeto, pode ter aberto um portal entre essa realidade paralela e a nossa.

Roberto de Sousa Causo
formado em Letras pela USP, é autor dos livros de contos A Dança das Sombras (1999) e A Sombra dos Homens (2004), dos romances A Corrida do Rinoceronte (2006) e Anjo de Dor (2009) e do estudo Ficção Científica, Fantasia e Horror no Brasil (2003). Seus contos apareceram em revistas e livros de dez países. Foi um dos classificados do Prêmio Jerônimo Monteiro e no III Festival Universitário de Literatura (com Terra Verde 2001); e ganhador do Projeto Nascente 11 de Melhor Texto, com O Par: Uma Novela Amazônica (2008).


“LOVE – A HISTÓRIA DE LISEY”, DE STEPHEN KING: NO LAGO DO MITO

terça-feira | 30 | março | 2010

Love: A História de Lisey (Lisey's Story), Stephen King. Editora Objetiva, 543 págs.

Em 16 de setembro de 2003, um editorial do New York Times afirmou que, “quando anunciarem as grandes figuras da moderna literatura americana – Bellow, Miller, Morrison, Updike, Roth – eles poderão agora somar um nome: Stephen King”.

Não é um editorial que vai colocar King no cânone norte-americano, mas tal opinião reflete uma mudança consistente, ao longo da última década, no status desse autor que chegou a se referir a si mesmo como “o equivalente literário de um Big Mac com fritas”.

No Brasil, embora ele continue sendo um dos nomes mais vendidos da Editora Objetiva – basta conferir o número de obras dele republicadas na coleção de bolso da Objetiva -, não parece haver esforço dos seus editores, nem dos críticos, em reconsiderá-lo como escritor. Mesmo para os seus fãs brasileiros, poucos se arriscam a vê-lo como um dos melhores escritores americanos vivos. Para eles, Stephen King é mais um escritor de horror, gênero em constante mutação – atualmente assumindo a forma da assim chamada “fantasia urbana”, dominada por Stephenie Meier, Charlaine Harris e L. J. Smith. Um dos problemas do público da ficção de gênero é que ele às vezes deixa de enxergar distinções. Tudo parece fácil, um jogo de temas e ambientações intercambiáveis (você precisa apenas ser “original” ou “novo”), e o talento necessário para realizá-lo na sua forma mais expressiva passa despercebido.

Mas King é “o Pelé do Horror”, e sou fã dele o bastante para chamar este Love: A História de Lisey de o melhor romance de ficção especulativa lançado no Brasil em 2008. Está dentro da tendência metaficcional desse autor, tratando da escrita e do ambiente editorial, e que já rendeu obras como Angústia (Misery), A Metade Negra (The Dark Half), Rose Madder, e Saco de Ossos (Bag of Bones). No plano da estrutura e da sua textura narrativa, talvez ele lembre mais Angústia e Jogo Perigoso (Gerald’s Game), dois romances sem muito enredo, centrado em um número limitado de situações e configurado por meio de flashbacks e mergulhos na consciência da protagonista – neste caso, Lisey Landon, a viúva de um famoso autor de realismo mágico.

Realismo mágico é a literatura fantástica que tem status literário, e não de ficção de gênero ou literatura comercial, como acontece com o horror. Nisso, talvez A História de Lisey espelhe a recente mudança na posição literária de King, mas na matéria do romance, o horror como gênero está muito bem expresso. Pode-se afirmar que de maneira um tanto desequilibrada em relação à caracterização das personagens e situações, mas ainda assim.

Aturdida com a súbita morte do marido, Scott Landon, Lisey tenta decidir o que fazer com os papéis do autor. Nos Estados Unidos, manuscritos, correspondência e apontamentos de grandes escritores são disputados por universidades e bibliotecas. A University of Pittsburgh, onde Scott estudou, está atrás dos seus papéis. Ou o Prof. Joseph Woodbody, da UofP está. Diante da indecisão de Lisey, Woodbody se associa a um sujeito muito obcecado, para dizer o mínimo, chamado John Doolin. Ao longo do romance, Doolin, terá um prazer sádico em intimidar e aterrorizar Lisey.

A viúva não está sozinha, porém – seus aliados são a irmã louca Amanda, e o fantasma de Scott, que vem assombrá-la com uma espécie de caça ao tesouro, guiando Lisey pela selva das lembranças e da infância traumática do marido, até um lugar mágico, também selvático, situado em uma dimensão da imaginação e do mito. Lisey estivera lá antes mas havia apagado a experiência da memória, para preservar sua sanidade.

Scott Landon tinha uma espécie de vocabulário familiar para uma série de coisas, de palavrões ao nome desse lugar mágico: Boo’ya Moon. A jornada de Lisey passa também por essa linguagem em parte herdada da grotesca família de Scott, em parte fruto da sua convivência conjugal. Como li a edição americana, não dá para dizer o que o tradutor Fabiano Morais fez com esse desafio.

Boo’ya Moon é uma espécie de variante do mundo por trás do quadro, em Rose Madder, um lugar que realiza magicamente a visão que Stephen King tem da literatura: um espaço em que nos afastamos do cotidiano e tomamos contato com o poder reparador do mito. Isso é dramatizado pelo fato de que a família de Scott possuía algum tipo de face monstruosa, que precisava ser controlada com a tortura exercida pelo pai, sobre Scott e seu irmão Paul. A marcas físicas da tortura eram curadas às margens de um lago que existe em Boo’ya Moon. Lisey terá de ir até lá – e como Rose Daniels no outro romance – para curar-se e para emboscar o homem que a persegue, ele mesmo encarnação de uma masculinidade violenta e fora de controle.

Boo’ya Moon tem diversas propriedades, porém. É lá que Scott se refugia, mas é de lá também que ele retira a força da sua literatura. O espaço do mito é porém o possível espaço da loucura, quando a necessária fuga da realidade torna-se o indesejável exílio da realidade. É o lugar do sonho e do pesadelo, da mais profunda humanidade e da mais completa desumanidade. Como Rose, Lisey também mergulha no mítico para salvar-se, mas é forçada a vislumbrar uma dimensão insana de si mesma.

Há muito mais no romance: suspense, é claro, e a reflexão sobre o mundo da literatura nos Estados Unidos; também uma exploração da culpa familiar, e do pacto de segredo e cumplicidade embutido no casamento; e a rica dinâmica entre Lisey e suas irmãs, indo da sua situação de mulheres de meia-idade à infância das três, em flashbacks. E finalmente, um certo humor quase-histérico, uma das marcas de Stephen King.

A História de Lisey é uma engenhosa e perturbadora reflexão sobre o que há de mais profundo do fazer literário, distante do formal e do estilístico ao mesmo tempo que entranhado na psique e no mítico, justamente o que independe da construção literária. Daí a figuração das virtudes da ficção de gênero, que espera ser lida como experiência, e não apenas como fruição estética; como vivência alternativa, e não somente como decodificação de símbolos, estruturas e diálogos intertextuais. O leitor deve entrar em Boo’ya Moon com o mesmo despojamento de Lisey, e deixar uma parte da sua sanidade na entrada. Facilita muito o fato de Lisey ser uma personagem encantadora, como costumam ser as mulheres de Stephen King. Quando ela é ferida, eu tive de fechar o livro…

Mas, qual é a real natureza da monstruosidade da família Landon, fenômeno que forçou pai e filhos a viverem isolados em uma fazenda? Por que o fantasma de Scott precisa se comunicar com Lisey por meio de uma caça ao tesouro, e como ele consegue prever o que irá acontecer com ela e Amanda, a ponto de preparar antecipadamente recursos e saídas? O que são realmente Boo’ya Moon e o terrível monstro que ronda as suas matas à noite? Algumas respostas são passíveis de se intuir, outras não. King sabe que, com textura suficiente aplicada à narrativa, o leitor simplesmente aceita como um dado o que lhe é fornecido.

King também sabe que não faz sentido racionalizar o mítico.
>> TERRA MAGAZINE – por Roberto Causo


“CARTER BEATS THE DEVIL”: HISTÓRIA DO MÁGICO CHARLES CARTER VAI VIRAR FILME

terça-feira | 30 | março | 2010

WARNER COMPROU OS DIREITOS PARA ADAPTAR O LIVRO

Segundo o Film School Rejects, a Warner Bros. Pictures. vai adaptar ao cinema o livro Carter Beats the Devil, um thriller histórico de mistério escrito por Glen David.

A história é uma biografia ficcionalizada do renomado ilusionista Charles Carter e se passa nos Estados Unidos dos anos 1920, época de ouro dos espetáculos de magia.

No livro, o mágico encontra vários personagens históricos, inclusive o presidente Warren G. Harding. Durante seu show, Carter convida o presidente ao palco, onde ele é cortado em vários pedaços e reconstituído depois, na frente da plateia. O espetáculo se encerra como um sucesso mas, duas horas depois, o presidente morre e Carter se torna um suspeito na investigação.

O estúdio ainda não definiu um cronograma para o filme.
>> OMELETE – por Carina Toledo


“APRENDIZ DE FEITICEIRO”: NOVO TRAILER

terça-feira | 30 | março | 2010

A Walt Disney Studios revelou o segundo trailer de Aprendiz de Feiticeiro, novo filme de Nicolas Cage.

Veja abaixo o vídeo, que mostra mais da história, do treinamento do aprendiz e dos vilões da trama.

Em Aprendiz de Feiticeiro, Balthazar Blake (Nicolas Cage) é um mestre da magia que vive na Manhattan contemporânea e tenta defender a cidade de seu arquiinimigo, Maxim Horvath (Alfred Molina). Mas Balthazar não consegue cumprir essa missão sozinho, o que o leva a recrutar Dave Stutler (Jay Baruchel) como seu aprendiz. Stutler é um adolescente aparentemente comum, que tem um grande potencial escondido, mas que se reluta a desenvolvê-lo. Agora essa dupla improvável de mago e aprendiz vai ter que se unir para deter as forças do mal.

Teresa Palmer, Monica Bellucci e Toby Kebbell também estão no elenco. A direção é de Jon Turteltaub, com produção de Jerry Bruckheimer. A estreia será em 16 de julho nos EUA, sem previsão no Brasil.

O Aprendiz de Feiticeiro é, originalmente, um poema de Goethe escrito em 1791 que já foi adaptado para diversas mídias. Talvez a mais famosa adaptação seja o seguimento de mesmo nome, estrelado por Mickey Mouse, no desenho animado Fantasia, de 1940.

>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno


PTEROSSAUROS E ESPAÇONAVES

segunda-feira | 29 | março | 2010

Está fazendo 35 anos que o primeiro exemplar de uma revista de histórias em quadrinhos que iria revolucionar a maneira de se fazer e ler HQs chegava às mãos dos franceses. Era a revista Métal Hurlant, que em seu número inaugural apresentava apenas quatro autores: os franceses Moebius, Philippe Druillet e Jean-Claude Gal e o norte-americano Richard Corben.

Dentre os autores, um deles se destacava com várias histórias: Moebius, o alter ego delirante do comportado Jean Giraud, então conhecido como o desenhista da série de western Blueberry. E dentre as histórias de Moebius uma atraia mais atenção: Arzach.

Esse personagem mudo que frequentou apenas os cinco primeiros números da Métal Hurlant, foi o principal responsável por abrir para as portas do fantástico, da ficção-científica e do impossível para gerações de desenhistas e leitores.

Com um humor negro incomparável, onde o sexo e a violência se infiltravam, e com um desenho cuidadosamente elaborado, com cores surpreendentes, as poucas páginas de cada uma das HQs hipnotizavam o leitor e apresentavam um mundo impiedoso e maravilhoso ao mesmo tempo.

Trinta e cinco anos depois uma nova aventura de Arzak acaba de nascer: Destination Tassili (Destino: Tassili). Mantendo a tradição das antigas histórias, o nome do personagem muda a cada nova HQ: Harzack, Arzach, Harzac, Arzak, Harzak, Arrzak e outras variações.

A edição oficial e colorida de Arzak Destination Tassili ainda não está disponível, apenas uma edição para colecionadores – da Moebius Production, a editora do autor -, em preto e branco, e com uma solução curiosa para apresentar os textos e diálogos: na página ímpar, só as páginas da HQ, sem balões e quadros de texto, e na página par, texto e diálogos, em formato de roteiro.

Arzak é um caçador, policial, agrimensor (como é chamado neste livro), mago, que percorre estranhos e selvagens mundos, montado em um pterodelfo: uma espécie de pterossauro com aparência de concreto, metade orgânico e metade máquina. A capacidade do personagem se meter em problemas é ilimitada, o que não o impede de manter sua impassibilidade.

Como este é apenas o volume 1 da história, apenas vemos aqui a introdução da aventura, com perseguições entre naves espaciais, combates no deserto, princesas desmaterializadas, e cidades perdidas que lembram um pouco o cenário das HQs de Blueberry no oeste e sudoeste dos Estados Unidos e que sem dúvida é fonte de inspiração para os planetas surreais de Moebius.

Mestre na construção do roteiro, Moebius termina este primeiro livro da série (que pode ter mais um ou meia dúzia de volumes) deixando um clima de suspense em vários pontos não esclarecidos. Porém, diferente de um seriado onde podemos acompanhar o desenrolar da história na semana seguinte, esta HQ de 62 páginas de desenho só terá sua continuação publicada daqui um ano. E isso se tivermos sorte de Moebius não se dedicar a outro projeto no meio do caminho.

O autor, que vai completar 72 anos em um mês, demonstra uma vitalidade rara até em autores mais jovens, mantendo acesa como poucos sua visão inovadora, onde a qualidade e o inesperado estão sempre à espera de quem se dispuser a abrir as páginas dos livros e mergulhar nos mundos de Moebius e Arzak.
>> TERRA MAGAZINE – por Claudio Martini


GAMEWORLD 2010

segunda-feira | 29 | março | 2010

Tambor promove Feira e Troféu Gameworld,
os maiores eventos de Videogames do Brasil

 6º TROFÉU GAMEWORLD

31/3 – 20 horas
Apresentação: Flávia Gasi

O Troféu Gameworld é o mais importante evento de negócios ligado à indústria de jogos eletrônicos no país.
Desde 2005, o Troféu Gameworld premia os melhores jogos em todas as plataformas de videogames.

A premiação acontece sempre em uma cerimônia fechada, para empresas, desenvolvedores, varejistas, publicitários, jornalistas e acadêmicos ligados aos jogos eletrônicos.
Em 2009, a entrega aconteceu no Teatro Imprensa, com a presença de nove executivos internacionais de empresas como Hudson, Konami e Microsoft.

A votação para o 6º Troféu Gameworld aconteceu entre 1º de janeiro e 28 de fevereiro de 2010. A votação é aberta ao público na maior parte das categorias. Em 2010, mais de 50 mil internautas votaram.
A entrega do 6º Troféu Gameworld acontecerá no dia 31 de março, às 20 horas, no Auditório do Shopping Frei Caneca.
As categorias que serão premiadas são:

JÚRI POPULAR
Melhor Jogo de PC
Melhor Jogo de PS3
Melhor Jogo de Wii
Melhor Jogo de PS2
Melhor Jogo de DS
Melhor Jogo de PSP
Melhor Jogo de XBOX
Melhor Distribuidora MMO Nacional
Melhor Operadora de Telefonia
Melhor Experiência de Compra
Melhor Jogo do Ano
Melhor Desenvolvedora e Produtora

JÚRI ESPECIALIZADO
Melhor Celular para Jogo
Fabricante de Chip Gráfico
Fabricante de Fonte de Alimentação
Case Publisher Mobile
Melhor Distribuidora de Jogos
Melhor Vitrine Videogames
Melhor Site E-commerce de Games
Melhor Campanha Publicitária de Games

Mais informações: www.gameworld.com.br

GAMEWORLD 2010
Dias 30 e 31/3, das 12h às 19h30

A feira Gameworld 2010 é um evento dedicado ao consumidor de jogos eletrônicos.

São esperados sete mil visitantes nos dois dias da feira, que tem entrada franca.

A feira trará atrações para os fãs de videogames de todas as idades, com participação de vinte grande empresas do setor.

A feira Gameworld 2010 acontece em São Paulo, no Centro de Convenções do Shopping Frei Caneca, na rua Frei Caneca, nº 569.
É um desdobramento do Troféu Gameworld, premiação e evento de negócios que acontece desde 2005.

Alguns destaques do evento:

• A entrada é totalmente gratuita.

• Pela primeira vez vem ao Brasil uma das maiores celebridades do mundo dos games, o dublador Charles Martinet, responsável pela voz do maior ícone dos games, Mario. Ele estará encontrando os fãs e autografando pôsteres exclusivos no stand da Nintendo.

• Pela primeira vez, as três gigantes dos videogames participam de um evento brasileiro: Microsoft, Nintendo e Sony.
As três vêm com seus principais lançamentos, incluindo jogos que ainda não chegaram ao mercado.

• Durante toda a feira acontecerão sorteio de consoles, portáteis, jogos; e também a realização de campeonatos com prêmios e a distribuição gratuita de brindes.

• Entre títulos muito esperados estão God of War III, Heavy Rain, Pokémon HeartGold & SoulSilver

• Nintendo também exibirá em primeira mão seu novo console, o portátil Nintendo DSi XL

• Warner apresentará o game oficial da Copa do Mundo, 2010 FIFA World Cup South Africa, e mais o jogo de corrida F1-2009, com direito à degustação exclusiva com simulador instalado dentro de um cockpit construído aos moldes dos veículos da competição oficial.

• NVidia apresentará sua nova placa aceleradora para computadores dedicados a games

• Diverbrás apresenta um Cockpit para pilotar o game do Senninha, exclusivo para Arcades

• Fox Home Video comparece com a divulgação de seu mais recente Blockbuster, o filme Avatar, além de diversos brindes.

• Zap Games mostrará lançamentos recentes e contará com a presença de duas Panicats em seu estande

• Synergex terá um jogo que usa tecnologia 3D para os visitantes experimentarem: Assassin’s Creed 2, da Ubisoft

• Rock Laser promove um campeonato de Rock Band (Playstation 3)

• CoolerMaster revelará sua nova linha de três modelos de supercomputadores para games, a PC Gamer, e acessórios especializados

• Yamato promoverá  campeonatos de New Super Mario (Wii), Tekken 6 (Xbox 360) e Guitar Hero 5  (Playstation 3), além de organizar os dois eventos de Cosplay da feira, uma etapa da Yamato Cosplay Cup e a Nintendo Character Cosplay

• Gameloft, líder em games para celulares, realizará torneios dos jogos Guitar Rock Tour e DJ Mix Tour, com premiação de iPod

• Hudson mostra os populares jogos de esportes Deca Sports e Deca Sports 2, e mais os esperados Calling e Rooms: The Main Reality

• Saga, escola especializada em videogames, mostrará ao vivo como realizar modelagem 3D

• Microsoft mostrará novíssimos lançamentos de Xbox 360

• OnGame, especializada em MMOs, vai promover campeonatos

• AMD mostra sua arquitetura EyeFinity em um computador superpoderoso, equipado com placas de vídeo ATI e rodando os jogos DiRT 2, GRID e Call of Duty: Modern Warfare 2

Todas as empresas citadas são parceiras do Gameworld 2010, assim como a NC Games, o Centro de Convenções Frei Caneca, a Editora JBC, Neo e UOL.

SOBRE A TAMBOR
Com uma audiência total de mais de 3,4 milhões de fãs de entretenimento e tecnologia, a Tambor é a maior autoridade em games do Brasil.
Promotora da Feira e Troféu Gameworld, a Tambor publica duas revistas líderes no segmento de videogames.
A revista Entertainment & Gameworld (www.egw.com.br) é a principal revista multiplataforma do país desde seu lançamento em 2002.
A Nintendo World (nintendoworld.uol.com.br) é a revista oficial da Nintendo no Brasil desde 1998.
O site Heroi.uol.com.br, dedicado a games e entretenimento, é um dos maiores do segmento desde 2000.
O site PCMag.uol.com.br, dedicado a tecnologia e informática, é um dos mais respeitados do país desde 2005.
A Tambor também provê conteúdo de games para o site MSN Jogos e de tecnologia para o site MSN Tecnologia.
Outros negócios na área de conteúdo da Tambor incluem a revista e site Movie (movie.uol.com.br), dedicada a cinema e home entertainment; o sites SMK! (smk2.uol.com.br, para meninas adolescentes);  o blog Bis (mtv.uol.com.br/bis/blog, sobre música);  e a produção de conteúdo de entretenimento para o portal R7 (www.r7.com).
A Tambor também atua na área de serviços, da criação de mídia interativa e desenvolvimento de internet até a representação comercial. Entre os cases mais recentes está o desenvolvimento da nova versão do Basilico, o mais respeitado site de gastronomia do país, que é representado comercialmente pela Tambor.
A Tambor é sediada em São Paulo e tem como Diretor Geral seu fundador, André Martins.


“BIENVENIDO” LIVRO SOBRE OS QUADRINHOS ARGENTINOS, TERÁ CAPA DE LINIERS

segunda-feira | 29 | março | 2010

Bienvenido - Um passeio pelos quadrinhos argentinos

Bienvenido – Um passeio pelos quadrinhos argentinos, de Paulo Ramos, sairá com uma capa em HQ criada por Liniers. A ideia partiu do editor do livro, Claudio Martini, da Zarabatana Books, que também publica a série Macanudo. Foi ele quem cuidou do contato com o artista, dando liberdade criativa total.

A obra é mais que um passeio superficial ou uma introdução aos quadrinhos argentinos. O livro passa por todos os principais títulos, autores e personagens, desde a origem até os nomes mais atuais.

Quino, Oesterheld, Quinterno, Liniers, Fontanarrosa, Gaturro, O Eternauta, o papel da imprensa, as coleções do Clarín, a revista Fierro, até dicas para brasileiros em viagem – Bienvenido é um panorama completo.

É fruto de muita pesquisa e de uma série de viagens do jornalista e pesquisador Paulo Ramos, autor do Blog dos Quadrinhos – em que o autor já publicou uma série dedicada às HQs daquele país.

O lançamento de Bienvenido está previsto para o final de abril.
>> UNIVERSO HQ – por Eduardo Nasi


O FUTURO DAS TIRAS DOS JORNAIS, NO BRASIL E NOS ESTADOS UNIDOS

segunda-feira | 29 | março | 2010

Um oásis de bom humor num mundo confuso

tira Yellow Kid
No dia 17 de fevereiro de 1895 foi publicada a primeira tira em jornal, do personagem Yellow Kid (acima). Cento e quinze anos depois, as pequenas histórias em quadrinhos encontram uma realidade bem diferente aqui e no resto do mundo. Cansado da competição e da pressão comercial, Bill Watterson, o criador de Calvin & Haroldo, largou a prancheta e foi viver recluso. Porém em seu livro comemorativo pelos 10 anos do garoto loiro e seu tigre de pelúcia, o artista resolveu desabafar através de um longo texto, reproduzido pelos fãs através da internet.

Afinal, as tiras correm o risco de extinção? Em entrevista ao Caderno B, o próprio Mauricio de Sousa declarou que o que ele mais gosta de fazer é justamente desenhar tiras, pois os assuntos das manchetes podem entrar rapidamente no diálogo com o leitor. E que pretende voltar a fazê-las ele mesmo, logo que puder encontrar tempo para isso.

APERTADO E EM PRETO E BRANCO
A primeira crítica de Bill Watterson se referia ao pouco espaço para escrever ou desenhar. Em sua opinião, as tiras do passado não eram só desenhadas de forma divertida, elas eram lindas de se ver.

—- Popeye usava até vinte quadros no domingo. Tiras contínuas quase desapareceram incapazes de manterem seus enredos atraentes com a redução de diálogo necessária em quadros pequenos. Agora nós temos tiras de piadas com desenhos simples em abundância, e nada mais.

Ele frisa que os jornais aperfeiçoaram seu impacto visual através de nova diagramação, mapas, gráficos e fotografias coloridas, mas relegaram as tiras a pequenas caixas preto e branco organizadas numa grade tediosa.

Pode ser, mas não é um problema dos Estados Unidos apenas. É o que diz Ricky Goodwin, diretor da agência Pacatatu, que distribui tiras em quadrinhos desde 1985 e representa quadrinistas como Ziraldo, Angeli, Laerte, Nani, Fernando Gonsales, Jean, Benett e André Dahmer.

—- Os jornais vêm diminuindo de tamanho, tanto no número de páginas quanto no formato. O que os editores não atinaram – ainda! – é que, pelas suas particulariedades, as tiras brasileiras vão além de um aspecto de “passa-tempo”, de narrar piadas, e tendem mais a tecerem comentários sobre o cotidiano da sociedade ou mesmo sobre os fatos relatados nas dermais páginas do jornal. Elas constituem também um elemento informativo-jornalístico opinativo além de serem humorísticas.

tira calvin fala das tiras de jornal

RENOVAÇÃO DE AUTORES
Apesar do estrondoso sucesso de Calvin & Haroldo, seu criador diz que há pouca renovação. No caso norte-americano, ele lembra que a personagem Belinda está nos jornais há setenta e cinco anos, enquanto Recruta Zero, Pimentinha e Peanuts estão todos na casa dos quarenta.

—- Há muito pouco giro no topo deste ramo. As tiras mais populares se tornam instituições e podem assegurar seus espaços no jornal por gerações. É difícil para uma nova tira chegar aos jornais, e poucas tiras sobrevivem por muito tempo.

Neste aspecto, Ricky Goodwin discorda, lembrando que, no Brasil, há muitos jornais ainda publicando poucas ou nenhuma tira.

—- O mercado não está sedimentado o suficiente para haver esses feudos. O espaço a ser desbravado é tamanho que tem lugar tanto pros famosos quanto pros desconhecidos. Outra diferença: os títulos americanos mais conhecidos são aqueles publicados há décadas e recriando situações dentro da mesma fórmula. No Brasil, nas tiras que duraram mais, os títulos podem ser os mesmos, mas dentro deles houve muita renovação, mudando-se os temas, o estilo e até os personagens principais.

E denuncia que o problema brasileiro é de ordem econômica.

— Há títulos americanos sendo publicados há anos nos jornais apenas por serem muito mais baratos – são oferecidos em pacotes absurdos, quase um dumping – e entre estes títulos predominam os mesmos de sempre. O público brasileiro desconhece o que foi criado de tiras internacionais não-ancestrais.

Quem faz coro é o professor do Observatório de HQs da USP, Waldomiro Vergueiro.

— A área de publicação de tiras de quadrinhos é muito competitiva. Aqueles que estão no topo tendem a permanecer lá, pois são conhecidos do público, representam uma produção sólida e com grande divulgação em outras mídias também.

bill watterson desenhado por ele mesmo

PERÍODO DE GRANDE TRANSIÇÃO
A verdade é que em meio ao centésimo aniversário, os quadrinhos estão num período de grande transição. Principalmente na Europa e Estados Unidos, são freqüentes as brigas sobre questões de controle criativo. Na opinião de Bill Watterson (na auto-ilustração acima), os quadrinhos estão iniciando uma das suas raras mudanças de geração.

—- Quando uma tira popular pode durar facilmente quarenta ou cinqüenta anos, os principais cartunistas definem a profissão por esse período. Recentemente, novos talentos conseguiram chegar até as fileiras do topo, trazendo junto algumas idéias diferentes sobre os quadrinhos devam ser.

A seu ver, a segunda grande transição é de interpretação artística. Afinal, nos dias de hoje, os quadrinhos são vendidos em galerias, ocupam museus, ganham prêmios e inspiram trabalhos acadêmicos. E, acima de tudo, continuam a ser uma forma de expressão pessoal.

—- Pode-se debater se a maioria dos quadrinhos é ou não uma Grande Arte, mas não se pode negar que os cartunistas e o público levam os quadrinhos mais a sério do que costumavam fazer.

E há ainda um ponto importante. Os quadrinhos foram inventados no final do século XIX, como um produto comercial para aumentar o público dos jornais. Daí que, naquela época, os cartunistas se consideravam jornalistas, não artistas. E mais, eram contratados exclusivamente para um periódico, enquanto hoje eles vendem seus trabalhos para o mundo todo através de sindicatos.

— A sindicalização encorajou a produção calculada de tiras para espelhar tendências e capitalizar nos interesses específicos de grupos demográficos desejáveis.

Ricky concorda que, em nosso país, não existam seções robustas de quadrinhos que justifiquem essa produção exclusiva. E completa:

— No Brasil o quadrinista ganha muito mal. Acaba tendo que publicar sua tira em outros veículos além daquele para o qual foi originalmente contratado, ou do jornal onde faz parte da redação. E olha que nos outros veículos sua remuneração também é tão pouco valorizada que é preciso realmente publicar em vários lugares para valer a pena financeiramente.

Já para o professor Waldomiro, essa questão é válida mais para o mercado
norte-americano do que para o brasileiro.

— Existem vários autores que publicam em apenas um jornal durante anos, mantendo um público cativo e servindo como uma espécie de espaço de desenvolvimento para jovens autores, antes que eles possam se aventurar em outras publicações.

O IMPACTO DA TV
Em sua reflexão, Watterson fala também sobre o a concorrência da TV e de outros meios audiovisuais e como isso afetou o mercado de trabalho.

— Um tira de jornal poderia uma vez ter atraído leitores de um jornal para outro, mas os quadrinhos não atraem pessoas da televisão. Os quadrinhos ajudam menos os jornais do que costumavam. Então os jornais olham para a página de quadrinhos como mais um lugar para cortar custos. Eles espremem mais tiras em menos espaços. Com menos palavras e desenhos mais grosseiros, os quadrinhos se tornam menos imaginativos e menos divertidos.

De fato, aos poucos o aparecimento da televisão retirou dos jornais o papel de entretenimento que tinham na sociedade. Vergueiro lembra que os leitores seguiam as aventuras de seus heróis preferidos com a atenção e interesse com que hoje muitos seguem as telenovelas.

— A partir da década de 1950 essas produções foram diminuindo e passou a prevalecer no meio a tira cômica, no modelo a-gag-a-day (uma piada por dia). Esse modelo permite que os leitores leiam as tiras esporadicamente, sem prejuizo do entendimento. Nesses quadrinhos, o desenho caricatural, simples, é o predominante.

SIMPLICIDADE OU MÁ QUALIDADE?
Fazendo uma comparação, o pai do Calvin diz que enquanto os desenhos animados e as revistas em quadrinhos se sofisticaram e se popularizaram, as tiras de jornais se enfraqueceram. E considera um erro subestimar o apetite dos leitores pela qualidade.

— Os quadrinhos podem ser muito mais do que são atualmente. Tiras melhores poderiam atrair públicos maiores, e isso ajudaria os jornais.

No caso das tiras brasileiras, historicamente já tinham essa característica do pouco-traço. É o que afirma Goodwin.

— Os tiristas brasileiros da atualidade vêm do cartum, onde a gag já é visual, com pouco texto para explicar. É uma forma que tem o ápice no Henfil, no Nani ou no Glauco. Independente da dieta dos espaços encolhidos, as tiras nacionais são mais minimalistas, sem balões imensos ou cenários elaborados. O que lamento é que no Brasil não tenha subsistido a tradição dos suplementos dominicais, ou de seções maiores nos fins de semana, permitindo quadrinhos que não sejam apenas de uma tira horizontal, com maiores elaborações narrativos ou visuais.

O fato é que, ao lado do horóscopo e dos passatempos, as tiras de jornal foram importantes para gerações de leitores. Fazendo parte de um pequeno ritual reconfortante, onde os personagens amigos estão lá sete dias por semana, ano após ano. Ou como resumiu Watterson, “o mundo de uma tira de quadrinhos é simples e duradouro, um minúsculo oásis de estabilidade num mundo confuso e sempre em mutação. Ou, pelo menos, costumavam ser”.
>> JORNAL DO BRASIL – por Pedro de Luna


“WATCHMEN”: COM QUANTOS QUADROS SE FAZ UMA OBRA-PRIMA?

domingo | 28 | março | 2010

Em meio a uma tempestade de informações, discussões, expectativas e opiniões geradas pela estréia do filme de Zack Snyder nos cinemas, é natural que venha à tona um questionamento primordial: Mas Watchmen é isso tudo mesmo?

A resposta a essa pergunta pode variar de acordo com o gosto de cada um, mas independente de variadas e calorosas interpretações, a publicação tem um único, inegável e intransferível valor para o universo dos quadrinhos.

Entre 1986 e 87, as 12 edições de Watchmen cairiam como um assombroso e impressionante cometa, destruindo paradigmas e conceitos muito bem estabelecidos em mais de 40 anos de cultura de heróis fantasiados.

A inédita perspectiva de Alan Moore, aliada à arte de Dave Gibbons e cores de John Higgins não só se tornou um sucesso instantâneo de crítica dentro e fora do mundo dos quadrinhos, mas como também um fenômeno de vendas que colocou a DC Comics, mesmo que temporariamente, à frente da campeã Marvel Comics.

Para entender melhor o que esse fenômeno representa, é necessário nos alinharmos com a genial mente de Alan Moore. Antes dele, ninguém nunca havia feito uma análise crítica e realista ao gênero dos super-heróis. Aliás, talvez nem houvesse razão, visto imensa suspensão de descrença necessária para se assimilar aquelas figuras coloridas de cuecas por cima das calças.

Tal tarefa era naturalmente o ofício de crianças e adolescentes, que não precisavam (nem deveriam) questionar o âmago de suas fantasias e aventuras. No entanto, Moore conseguiu captar e traduzir uma idéia que acompanhou uma geração inteira de fãs, que mesmo depois da vida adulta, ainda tinham olhos para seus heróis mascarados.

Segundo Moore, o objetivo era analisar a relação do ser humano com o poder. Neste âmbito, o pano de fundo escolhido foi o medo da guerra nuclear representado pelo conflito soviético no Afeganistão, algo real e contemporâneo à publicação da Graphic Novel.

Não obstante, as similaridades com o nosso mundo cessariam por aí, pois o aspecto mais importante por traz do complexo cenário de Watchmen seria, em essência, a alma da história.

O MANIFESTO SUPER-HOMEM

Se abrirmos uma revista mensal do Super-Homem, o veremos lutando contra as artimanhas de Lex Luthor, monstros mágicos e invasores alienígenas. Metrópolis enfrentará hecatombes de proporções bíblicas, mas no fim do dia, tudo voltará ao normal.

Não só isso, o mundo à sua volta e eventos históricos permanecem imaculados como conhecemos. Se subtraíssemos os super-seres e as super-ameaças, teríamos como resultado essencialmente um reflexo de nossa realidade.

A proposta de Alan Moore era outra. Se o Super-Homem realmente existisse, não teria sua simples presença moldado inevitavelmente nossa sociedade em algo profundamente distinto do que conhecemos?

Watchmen deu, pela primeira vez, uma interpretação política para os heróis.

Em uma homenagem à Era de Ouro dos quadrinhos, os Minutemen surgem na mesma época, entre os anos 1930 e 40, como a primeira expressão do vigilantismo mascarado. No entanto, a análise em questão ainda não está no comportamento de super-seres, já que não existe nenhum no primeiro grupo de heróis, e sim no de pessoas comuns, que escolheram se fantasiar e combater o crime.

Mas até mesmo a idéia de usar uma fantasia para bater em bandidos é analisada e ridicularizada na sociedade de Watchmen, como seria na nossa. Um dos membros do grupo, o Coruja, relata que quase morreu quando um bandido deslocou sua máscara, tapando sua visão. Quem não teve tanta sorte foi Dollar Bill, que teve sua capa presa em uma porta e morreu sob tiros de assaltantes de banco.

Detalhes bizarros muito bem construídos por Alan Moore, que se refere a tudo isso como uma piada cínica sobre super-heróis.

Que motivações reais poderiam levar alguém a este ponto? E de que forma eles se relacionariam entre si e com a sociedade? De que forma seriam diferentes de políticos, policiais, milícias ou qualquer grupo de autoridade que conhecemos? A resposta é: Não seriam.

Como é que a Psylocke, desfilando na Mansão Xavier de maiô cravado na bunda, nunca ouviu um comentário maldoso do Wolverine? Em Watchmen, a questão sexual dos mascarados não é só debatida, como levada até as últimas consequências.

Essa discussão se aprofunda muito mais com o surgimento do Dr. Manhattan em plena guerra fria, o único super-ser de fato, que é o cerne do argumento, muito bem estabelecido na trama pela referência: “Deus existe e ele é americano.”

Neste ponto começam as verdadeiras mudanças sociais e históricas em Watchmen, afinal como poderiam os EUA serem humilhados no Vietnã quando aliados a um deus?

REALIDADE ALTERNATIVA, HERÓIS DISTORCIDOS

Estabelecido o parâmetro díspar, o resultado dessa equação é um 1985 muito distante do que conhecemos. Tanto pelo progresso científico proporcionado pela mente e habilidades do Dr. Manhattan quanto pelas implicações políticas dos novos heróis.

No entanto, este admirável novo mundo se inclina mais para uma distopia que o contrário, quando o romantismo dos vigilantes mascarados se desfaz em consequências sociais que levam a uma greve da polícia, em protesto contra as insustentáveis e questionáveis atividades mascaradas. O resultado é a Lei Keene, colocando o vigilantismo na ilegalidade.

Qualquer autoridade responde a uma superior. A polícia responde ao governo, o governo responde ao povo. E os mascarados? A quem respondem? O que acontece é um resgate natural e do pensamento do poeta romano Juvenal “Quis custodiet ipsos custodes?” ou “Quem guarará os guardas?” ou “Quem vigia os vigilantes?”.

Como constantemente pichado nos muros da cidade: “Who watches the watchmen?”.

Aliás, essa é a única menção do nome Watchmen na história. Na verdade, nunca houve um grupo oficial de heróis depois dos Minutemen, apenas uma tentativa de formar o que seria chamado de “Combatentes do Crime” em 1966, com a segunda geração de heróis.

Estes trabalharam sozinhos ou em parcerias temporárias, mas nunca funcionaram como uma equipe.

O mais interessante são os mergulhos feitos nas origens de cada um desses personagens durante a trama, que revelam-se em cabais desconstruções da figura do herói, e em alguns casos levantam a questão de se o mundo não estaria melhor sem eles.

DR. MANHATTAN (Jon Osterman)

O único super-ser. Antes um cientista que teve acidentalmente seu corpo desintegrado em um experiência com campos intrínsecos, acabou se reconfigurando em uma figura semi-divina.

Pode ser considerado um benefício ou um perigo para a humanidade. Em tese, sua presença era uma mensagem clara aos comunistas de que a América detinha um poder supremo e indestrutível. Por outro lado esse poderia ser mais um motivo para a aceleração da corrida armamentista e a precipitação de uma guerra nuclear.

Mesmo com seus poderes quase ilimitados e sua onipresença temporal, o Dr. Manhattan vive em uma balança entre suas emoções humanas e sua indiferença divina. É sem dúvida o personagem mais complexo e enigmático de Watchmen. Talvez o salto mais extenso de Alan Moore na contemplação do imaginário, da filosofia e da ficção-científica.

RORSCHACH (Walter Kovacs)

Seu codinome é atribuído ao fato de sua máscara (ou face, como ele mesmo diz) mimicar os testes psicológicos de Hermann Rorschach, feitos através de pranchas com manchas de tinta simétricas.

Assim como o Dr. Manhattan representa o poder do Super-Homem, Rorschach é um retrato mais realista de Batman neste universo. Segundo Moore, um investigador com traumas de infância e consequências muito mais densas, que resultam em um homem de valores distorcidos, obsecado por uma vingança impalpável e em constante agonia psicológica.

A história de Rorschach é a mais assustadoramente real de todas e acontece todos os dias com milhares de pessoas. O tamanho da psicose em sua mente é um efeito irrefutável de sua aterradora vivência. A única diferença e que ela foi direcionada à punição do mal. Ou assim ele pensa.

COMEDIANTE (Edward Blake)

Podemos ver uma versão niilista do Capitão América encarnada no Comediante, aliás, talvez uma das faces mais verdadeiras da America. Cruel, cínico, egoísta, o Comediante é muito parecido com o Coringa de Batman – O Cavaleiro das Trevas (filme), ignorando convenções sociais e em sua crença de abraçar o caos para realmente entender como o mundo funciona.

ESPECTRAL II (Laurie Juspeczyk)

É uma bagunça emocional. Influenciada pela mãe (Espectral dos Minutemen nos anos 40), assume seu legado sem realmente entender as consequências disso. Era um caminho fácil e estava à sua frente, parecia lógico e justo, mas como em muitos casos reais, foi uma escolha que a acabou levando a uma vida vazia.

OZYMANDIAS (Adrian Veidt)

Inspirado em Alexandre, o Grande, Veidt foi um herói idealista, mas incompreendido. Mas título de ”homem mais inteligente do mundo” pode ser encarado, a princípio, como uma grande ironia da doutrina americana do consumismo, já que foi o único que se transformou em uma marca. Quase como um político, usou sua popularidade em prol de si mesmo, criando um império de produtos, merchandising e auto-ajuda.

No entanto, do alto do trono de seu império, Veidt se apresenta em sua intimidade sempre com uma expressão de tristeza e melancolia, como se soubesse que há algo terrivelmente errado com toda essa situação.

CORUJA II (Dan Dreiberg)

Talvez o mais sensato da nova geração de vigilantes, também faz alusão a Batman fantasiando-se como um animal noturno e com uma garagem cheia de gadgets. Mas em contraponto, suas motivações são românticas, baseadas em seu gosto por histórias de heróis e admiração por Hollis Mason (Coruja dos Minutemen).

No entanto, depois da Lei Keene, que tornou os heróis ilegais, se aposenta e vive uma vida sem propósito, à beira da depressão.

VILÃO INVISÍVEL

Apesar de existirem adversários tão loucos e fantasiados quanto os próprios vigilantes, em Watchmen, a falta do super-vilão desequilibra a equação debatida anteriormente. Sem super-desafios, restam aos heróis combaterem a intangível tragédia social que os cerca.

Mais uma vez cabe o questionamento: Qual é a eficácia de um herói sem vilão?

Seria a mesma de querer curar uma doença com analgésicos. Por mais que os vigilantes espanquem, prendam ou matem líderes do submundo, assim como acontece com polícia e bandidos na vida real, a verdadeira solução nunca é alcançada. Não há dedos suficientes para tapar todos os buracos de uma represa prestes a romper.

O ponto mais importante levantado por Alan Moore na série, é justamente como salvar a humanidade de si mesma. E qual é a relação desses malucos fantasiados com esta verdade? De que forma eles realmente poderiam fazer a diferença? E até onde eles mesmos foram responsáveis pelo caos que os cerca?

A RIQUEZA DE UM UNIVERSO

Watchmen conta uma intensa história de conspiração e mistério que se mantém até a última edição. Mas não é só no thriller que está a riqueza da Graphic Novel.

Alan Moore e Dave Gibbons criaram um universo inteiro, cheio de detalhes, signos e tantos níveis de compreensão, que é comum ainda ser surpreendido na 3ª ou 4ª releitura.

Apesar do relógio do apocalipse se aproximando da meia-noite ser um forte símbolo, a série acabou sendo representada pela imagem do smiley face, a carinha feliz manchada de sangue, que é um ícone perfeito para o motivo da série, a desconstrução do inocente universo dos super-heróis em uma fria e cruel realidade.

O smiley pode ser visto por toda a série como um tema recorrente, desde em faíscas de cabeça para baixo nos hidrantes elétricos, até na cratera de Galle em Marte (que realmente existe).

O espirro de sangue também se repete, às vezes como água, tinta ou mancha. Sempre presente em elementos significativos da trama, como um aviso, como uma exclamação.

Moore e Gibbons também mergulharam em uma viagem metalinguística inesquecível em Contos do Cargueiro Negro.

Através de um jornaleiro de uma banca de jornal de esquina, o leitor é apresentado ao cotidiano das pessoas comuns, indo e vindo, discutindo manchetes de jornais, seus medos e angústias. Em meio a tudo isso, um rapaz lê uma revista em quadrinhos.

A história dentro da história funciona como um artifício de sincronia entre fantasia e realidade, descrevendo paralelos entre o marinheiro perdido e as motivações e psiquês dos vigilantes de Watchmen. Também é uma brincadeira com o próprio universo.

Idéia de Dave Gibbons, em um mundo em que heróis mascarados existem de verdade, a fantasia dos quadrinhos fugiria deste tema, já saturado pela imprensa e medos populares, desviando-se para outros mitos, como por exemplo, histórias de piratas.

Watchmen sempre foi considerado por muitos como uma obra infilmável. O próprio Alan Moore defende isso até hoje. Aliás, essa foi, em espírito, sua intenção declarada ao escrever uma história repleta pequenos e minuciosos detalhes, easter eggs, múltiplos níveis de narração e compreensão.

O fenômeno justifica-se não só pelos seus méritos técnicos, mas como por influência que pode ser vista até hoje nas HQs Os Supremos, Alias (a detetive ex-Vingadora), Poder Supremo e outros selos adultos Marvel. E também fora delas, como por exemplo em Lost (influência declarada pelos produtores), Heroes, Os Incríveis e na narrativa realista dos novos filmes de Batman, de Christopher Nolan.

Este é o valor de Watchmen, embora possa parecer estranho para quem não se interessa por super-heróis, certamente transcende os círculos de seu meio, como demonstração do pináculo do talento artístico na criação de uma verdadeira obra-prima literária. Mesmo que esteja disfarçada com roupas coloridas e cuecas por cima das calças.
>> JOVEM NERD – por Alottoni


‘NOITE ETERNA’: SÉRIE DE CLAUDIA GRAY É LANÇADO NO BRASIL PELA PLANETA

sexta-feira | 26 | março | 2010


Chega às livrarias o primeiro volume da série Noite Eterna (Planeta, 304 pp., R$ 29,90) que encantou os jovens americanos

Sucesso nos Estados Unidos, Noite eterna acompanha a história de Bianca Olivier, uma menina que vai viver sua história de amor em uma escola nada comum. Uma das pioneiras na tendência de romances misteriosos, Claudia Gray traz uma narrativa de tirar o fôlego.

Bianca acaba de deixar a cidade pequena onde vivera sua vida inteira. Ela é aluna nova em Noite Eterna, uma escola misteriosa, onde seus colegas parecem perfeitos demais para ser verdade: inteligentes, sagazes e quase predatórios.

Bianca sente-se como se não pertencesse àquele lugar, até que conhece Lucas, que parece determinado a não se tornar mais um dos tipos esquisitos. A química entre os dois é inegável e Bianca se vê disposta a arriscar tudo para viver este amor. Mas alguns segredos obscuros vão ficar no caminho e farão a jovem questionar tudo em que até hoje acreditou.

A trama é marcada por uma reviravolta que vai surpreender os leitores. Noite eterna é o primeiro de quatro volumes da série que a Editora Planeta traz ao Brasil.

Sobre a autora
Claudia Gray vive em Chicago, nos Estados Unidos. Trabalhou como DJ, advogada, jornalista e garçonete, mas hoje se dedica à literatura em tempo integral.


“AMANHECER”: SURGE MAIS UM CANDIDATO DE RENOME PARA DIRIGIR O QUARTO “CREPÚSCULO”

sexta-feira | 26 | março | 2010

Summit agora procura Stephen Daldry

A Summit Entertainment continua mirando alto com o quarto filme da Saga Crepúsculo, Amanhecer (Breaking Dawn). Depois de sondar Sofia Coppola (Encontros e Desencontros), Gus Van Sant (Milk) e Bill Condon (Kinsey, Dreamgirls), agora a produtora quer saber se Stephen Daldry não estaria interessado também.

Oriundo do teatro inglês, Daldry é conhecido por seus dramas, como O Leitor, As Horas e Billy Elliot, sua estreia como diretor de cinema. Segundo o Los Angeles Times, Daldry não é necessariamente o favorito, mas apenas mais um nome procurado pela Summit.

Nenhuma decisão será tomada até que a roteirista Melissa Rosenberg termine o roteiro para entregar aos diretores – o que deve acontecer nos próximos dias. Como comentamos em novembro, Amanhecer pode ser dividido em dois longas.

Por enquanto, fica a espera pelo lançamento de Eclipse, dirigido por David Slade (MeninaMá.com, 30 Dias de Noite), programado para 20 de junho.
>> OMELETE – por Marcelo Hessel


PATTINSON TEME QUE A SAGA “CREPÚSCULO” O IMPEÇA DE FAZER CINEMA “SÉRIO”

sexta-feira | 26 | março | 2010

“A histeria dos fãs de ‘Crepúsculo’ se tornou incontrolável. Além disso, tenho medo de que, por isso, não voltem a me oferecer papéis sérios”, declarou o ator ao mais recente número da edição alemã da revista “InTouch”, que chega às bancas hoje.

A fama e o sucesso também têm um lado obscuro, segundo Pattinson, que afirmou que tanta atenção do público o tornou “mais inseguro” e um “pouco paranoico”.

“Não só tenho um medo irracional de fracassar, como também tenho medo de que tudo saia bem. Não importa como as coisas fluem, é difícil”, afirmou o intérprete.

O ator britânico Robert Pattinson, que tem 23 anos e virou ídolo de adolescentes do mundo todo desde que aceitou interpretar o sexy e melancólico vampiro da saga “Crepúsculo”, teme que o sucesso da série o impeça de ter acesse a “papéis sérios” de agora em adiante.

Na entrevista, ele contou ainda que, quando anda na rua, “constantemente” olha para trás e para os lados, para ter certeza de não estão sendo seguido por “uma horda” de fãs da saga.

O ator, que voltará a interpretar o vampiro Edward Cullen em “Eclipse”, ficou conhecido depois de participar de dois filmes baseados em outra popular história saída dos livros: “Harry Potter e o Cálice de Fogo” e “Harry Potter e a Ordem da Fênix”.

Sobre o assédio feminino, Pattinson, que namora com Kristen Stewart, também protagonista da saga “Crepúsculo”, disse que não costuma fazer muito sucesso com as mulheres. “Não, realmente, não. Às vezes, sim. Depende de quem é a menina”, comentou.
>> YAHOO – por EFE


“BUCK ROGERS”: NOVO FILME TEM DIRETOR

sexta-feira | 26 | março | 2010

Paul W.S. Anderson (Resident Evil) assinou contrato para dirigir o novo filme de Buck Rogers, que será lançado em 3D. Dois dos roteiristas responsáveis por Homem de Ferro, Art Marcum e Matt Holloway, se encarregarão da história.

De acordo com o Deadline New York, a adaptação para o cinema será uma nova versão do conto clássico sobre um piloto de caça que vai parar no futuro e usa suas habilidades para defender o planeta Terra contra invasores.

Os direitos do personagem são atualmente controlados pela Paradox, a mesma empresa responsável pelo novo filme de Conan.

Os produtores são a própria Paradox, além de Jeremy Bolt, Fredrik Malmberg, Larry Abramson e George Furla.

Vale a pena lembrar que, antes do fracasso do filme de Spirit, Frank Miller chegou a ser considerado para a direção de Buck Rogers.

Buck Rogers, criado por Phillip Francis Nowlan em 1928, é um piloto militar que entra em coma após ser exposto a um gás e acorda no século 25. Nas tiras em quadrinhos, o personagem enfrentava vilões cósmicos como Killer Kane e Ardala.

Nos anos 40, ganhou uma série de 12 filmes e, nos anos 50, um seriado televisivo de curta duração, onde foi interpretado por três atores, Earl Hammond, Kem Dibbs e Robert Pastene. No seriado da década de 80, o personagem foi transformado em um astronauta. Também protagonizou jogos de computador, romances, e diversos outros tipos de mídia. Atualmente tem quadrinhos pela Dynamite Entertainment.
>> HQ MANIACS – por Will Costa


“SCOTT PILGRIM Vs. THE WORLD”: VEJA O TRAILER DO FILME MAIS ÉPICO DE 2010

sexta-feira | 26 | março | 2010

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Pare TUDO o que você está fazendo. Fãs de quadrinhos, super-heróis, jogos de luta, porrada, música, Michael Cera, mulheres… pare tudo e prepare-se para o melhor trailer do ano.

Scott Pilgrim Vs. The World coloca Michael Cera apaixonado por uma bela moça. Tudo vai bem, até quando descobre que precisa derrotar os superpoderosos 7 ex-namorados de sua amada.
>> JOVEM NERD – por Stephan Martins

Confira:


CURSO “INTRODUÇÃO À ESCRITA DA FANTASIA E DA FICÇÃO CIENTÍFICA, NO RIO DE JANEIRO

sexta-feira | 26 | março | 2010

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“TRUE BLOOD” INICIA CAMPANHA DE DIVULGAÇÃO DA 3ª TEMPORADA

quinta-feira | 25 | março | 2010

Com a intenção de estimular o interesse dos fãs para o retorno de “True Blood”, a HBO preparou uma campanha publicitária que irá disponibilizar uma imagem por semana com referências à série. Serão ao todo 12 semanas até o dia 13 de junho, quando estreia a terceira temporada. O cartaz acima é a primeira chamada.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


“RIVERWORLD”: SYFY ANUNCIA ESTREIA

quinta-feira | 25 | março | 2010

Especial será exibido num único dia para testar se compensa virar série

O canal Syfy oficializou a estreia de Riverworld. Oficialmente descrita como uma minissérie de quatro horas de duração, o programa será exibido em uma só noite nos Estados Unidos, no dia 18 de abril.
Assista ao trailer:

Riverworld é baseada na série de livros de Philip Jose Farmer, que já teve uma adaptação em longa-metragem em 2003. O elenco tem Tahmoh Penikett (Battlestar Galactica) no papel do repórter Matt Ellman e Laura Vandervoort (Smallville), como sua noiva Jessie.

Matt realiza coberturas em zonas de conflito até o dia em que ele e Jessie morrem vítimas de uma mulher-bomba. A dupla acorda num mundo estranho, onde todos que já viveram na Terra aparentemente renascem nas margens de um rio infinito. Separado de Jessie e determinado a encontrá-la, Matt se junta a Tomoe (Jeananne Goossen), uma samurai do século XIII, e ao escritor Mark Twain (Mark Deklin) para seguir em busca da nascente do rio e descobrir como todos foram parar nesse lugar.

O elenco inclui, ainda, Alan Cumming como convidado especial. A ideia da exibição em bloco único é analisar os números para decidir se Riverworld tem potencial para ser transformada numa série.
>> OMELETE – por Ederli Fortunato


DOCTOR WHO”: DINHEIRO É O QUE MENOS PREOCUPA…

quinta-feira | 25 | março | 2010

O novo chefe, Steven Moffat, já alertou que o corte nos gastos sofrido pelo programa ajuda a equipe a se tornar mais criativa. “Nenhum dinheiro será o suficiente para Doctor Who.” disse  ele.

“Poderíamos ter a verba de Avatar e ainda precisaríamos de mais, pois o que temos em mãos é um programa que se passa em todos os pontos da história e em cada lugar do universo.”

A série, que retorna dia 3 de abril (11 dias!), contará com uma nova equipe de escritores e roteiristas, comandada por Steven Moffat, e terá um novo Doutor, papel do ator  Matt Smith.

Foi o próprio Moffat quem avisou a BBC para que ela não se preocupasse com os cortes que estava fazendo.

“O que nós imaginamos é o que nós temos que alcançar, e nós iremos alcançar, seja lá qual for a situação financeira. Muitos dos ícones de Doctor Who são conseqüências diretas de uma verba curta.

Ele ressaltou que a idéia do Tardis – a nave espacial do Doutor – foi o resultado obtido pela equipe de produção original, em 1960, em fazer o melhor com o que tinham em mãos.

“Eles viram que tinham uma cabine policial da (série) Dixon of Dock Green e pensaram ‘vamos fazer com que seja maior por dentro!’, e assim nasceu uma das melhores idéias de toda ficção.”

Steven ainda brincou: “Cortes no orçamento são chatos, mas é uma excelente maneira de fazer com que sejamos criativos. Vocês já viram o trailer, por acaso parece que estamos com a verba curta?”

Uma nova temporada:

A primeira aventura de Matt Smith – The Eleventh Hour – e um novo trailer para a 5ª temporada foram exibidos em uma sessão fechada para jornalistas e equipe do programa no último dia 18.

A história nos apresentará o novo Doutor, recém-regenerado, após cair com o Tardis na Terra, onde conhecerá sua nova companheira, Amy Pond, interpretada por Karen Gillan.

O episódio também mostrará o novo interior da nave, que terá duas vezes oi tamanho da que foi utilizado por David Tennant.

“Mudamos tantas coisas que seria injusto se não mudássemos o Tardis também.” Disse Moffat.

De acordo com a BBC, Doctor Who foi vendido para mais de 50 países, sendo um dos 5 programas mais vendidos do mundo em 2009.

Até o momento já foram vendidos mais de 3.3 milhões de DVDs da série, juntamente com mais de 7 milhões de Action Figures do seriado. A editora BBC Children’s Books, responsável por livros infantis, vendeu mais de 300.000 edições no ano passado.
>> UNIVERSO WHO – por Breno Costa


“O LIVRO PERDIDO DAS BRUXAS DE SALEM”, DE KATHERINE HOWE

quinta-feira | 25 | março | 2010
[O_LIVRO_PERDIDO_DAS_BRUXAS_DE_SALEM_1268855614P.jpg] ”Uma leitura diabolicamente saborosa” – San Francisco Chronicle

Uma história de bruxas que vai encantar você” – USA Today

Connie Goodwin queria que 1991 fosse um ano exclusivamente dedicado aos estudos para sua dissertação de mestrado em Harvard. No entanto, por insistência de sua mãe, acaba indo para o interior do condado de Essex cuidar da reforma da casa da avó. Assim que se estabelece no antigo casarão, começa um mergulho inevitável no passado daquele lugar e fica especialmente interessada pela figura de Deliverance Dane, uma mulher reconhecida em sua época por curar doentes, receitando remédios e poções.

É no condado de Essex que fica a famosa cidade Salem, palco dos históricos julgamentos de 1692, quando mais de 150 pessoas foram presas e acusadas de bruxaria e mais de vinte condenadas à forca. O episódio, considerado um dos mais infames da história dos Estados Unidos, ficou marcado como um triste exemplo de histeria coletiva, disseminada por uma comunidade em busca de vingança.

A pesquisa acadêmica sobre esse período e a busca pessoal de Connie por detalhes da vida de Deliverance Dane se cruzam ao longo de O Livro Perdido das Bruxas de Salem (Suma de Letras, 357 págs.). Em certo momento, Connie tem certeza da existência de um “livro perdido” que guardaria os segredos da misteriosa personagem. Seriam remédios? Feitiços? A solução desse enigma é o grande impulso da história do livro, que investiga até onde pode ir o preconceito de uma sociedade contra alguns dos seus membros. “No período anterior à Revolução Científica, a conexão entre fé, saúde e ciência era bem escorregadia”, acrescenta Katherine.

Embora seja descendente de Elizabeth Howe, enforcada como bruxa em 1692, e de Elizabeth Proctor, que escapou da execução por estar grávida na época e é personagem da peça “As Bruxas de Salem”, de Arthur Miller, a autora conta que a ideia do livro só surgiu em 2005, quando ela se mudou para Marblehead, cidade vizinha a Salem: “Para muitas pessoas, descobrir uma conexão familiar é um modo de personalizar um período da historia que, de outro modo, seria muito remoto e difícil de acessar. No meu caso, sempre fui naturalmente interessada em aprender como era o dia a dia nos Estados Unidos daquela época. Como as pessoas se sentiam vivendo naquele mundo? Como era pensar sendo um puritano? Acho que o episódio de Salem pertence a todos os cidadãos americanos, e cada um de nós tem muito a aprender com ele.”
>> MUNDO DE FANTAS – por Celly Borges {Gisele}

Assista ao book trailer:


“A FOME DE IBUS: LIVRO DO DENTES -DE-SABRE”, DE ALBARUS ANDREOS

quinta-feira | 25 | março | 2010

“Dentre os povos da tundra, das placas brandas do Norte, onde o vento dobra e volta, onde o dia é igual a noite, se levantará aquele que montará o cavalo de duas cabeças e portará a espada que porá fim à Fome de Íbus…”

Um valoroso guerreiro retorna à sua terra após um longo período de guerra e provação. Uma profecia deverá ser cumprida. Uma longa caminhada se inicia e um grupo estranho é então formado. Um feiticeiro, um anão, um elfo e um jovem batedor se unirão ao guerreiro nesta difícil empreitada. Isso é só o início da saga medieval A Fome de Íbus: Livro do Dentes-de-Sabre (Giz Editorial, 336 págs.) do brasileiro Albarus Andreos.

Karizem é um bárbaro, um guerreiro que partiu de sua amada terra Ith para lutar em guerras que não eram suas. Lutou por um senhor tirano, conheceu de perto a dor e a luta pela própria vida, viu feiticeiros e lutou contra criaturas oriundas da magia negra. Sozinho e cansado esta é a história de sua volta para casa. De volta a Ith, reencontra seus amigos e sua família, e também seu mentor, o feiticeiro Tellor.

Com a ajuda do mago, Karizem descobre que seu coração foi roubado por um dragão e que deverá partir em busca do coração perdido, enfrentar o dragão e só assim encontrar o seu lugar no mundo. É ai que se inicia uma grande aventura. Karizem parte em companhia de Tellor e do jovem guerreiro Haskor. Durante sua busca estranhos aliados farão parte do grupo, como Dorfhull o anão, Gelfor o elfo e um misterioso andarilho cego. Juntos passarão por muitos perigos e farão uma grande descoberta que colocará em risco a vida de todos. A missão será árdua, e o Escolhido deverá enfrentar bruxos poderosos para cumprir a profecia e por fim à Fome de Íbus.

Conseguiu se sentir dentro do maravilhoso mundo criado pelo autor? Não vou entrar em mais detalhes do que acontece na história para não estragar a surpresa. Mas o que posso dizer é que é uma saga emocionante e muito bem construída. A história é complexa, o leitor irá conhecer um mundo novo, repleto de seres fantásticos e de muita magia. O estilo me lembrou um pouco os livros de Tolkien que eu amo, e terminei o primeiro volume ansiosa pela continuação, intitulada “O livro da escuridão”.

O primeiro livro da saga é bastante introdutório, os personagens e os lugares são descritos minuciosamente, por isso achei o começo um pouco cansativo. Depois a história se desenvolve e eu devorei o restante do livro, que me surpreendeu bastante. Pelo que pude perceber a continuação terá muito mais ação e aventura.

Sem dúvida é um ótimo livro para quem, como eu, adora literatura fantástica. Se você procura uma boa história de elfos, bruxos e dragões não irá se decepcionar. “Teu fim está próximo dragão. Breve o bárbaro cairá em minha lábia e terei o teu carrasco sob meu poder. Breve terás a Espada de Kusher cravada em teu imundo coração vermelho. Breve terei o Olho de Dephir, que me permitirá conjurar as criaturas de poder dos reinos das sombras e da escuridão.”
>> VIAGEM LITERÁRIA – por Nanda


SPECTRUM UM SELO PARA NOVOS AUTORES VOLTADOS PARA O SOBRENATURAL

quinta-feira | 25 | março | 2010

Hoje, apresento a vocês um selo editorial razoavelmente novo, ligado também à editora Multifoco, voltado para histórias que envolvam o sobrenatural (com alguma preferência ao estilo suspense/terror, provavelmente algo que agradará aos fãs de autores como o Stephen King, ao menos foi o que se passou em minha cabeça). Além disso, na postagem falarei também de dois concursos literários excelentes promovidos pela editora Monica Sicuro, que cedeu a entrevista ao Na Ponta dos Lápis.

Sobre o Spectrum. Como eu já disse, a entrevista com a Monica irá revelar mais aspectos sobre o selo, o que posso adiantar é que me parece ser uma proposta interessante, uma vez que o interesse por livros que tratem da questão do sobrenatural é cada vez maior. Além disso, as editoras daqui ainda dão muito pouco espaços aos autores brasileiros do gênero. O que pode interessar ao pessoal que já tem um livro neste estilo pronto é a incrivelmente rápida análise dos originais (ver na entrevista), já que o selo ainda não é muito conhecido. Vale lembrar também que o autor, caso publique com o Spectrum, não precisará gastar dinheiro algum, pois este é o objetivo da Multifoco, lançar autores novos sem cobrar nada deles (você pode ver uma entrevista com um representante da editora aqui).

Sobre os concursos. A editora Monica Sicuro também está realizando dois concursos literários. Um deles já foi mencionado no blog, trata-se de um concurso de contos medievais (Cruzada). O outro segue o exato mesmo estilo, mas abrange a temática da bruxaria, o nome da antologia será O Caldeirão da Bruxa. Os autores selecionados receberão 15 livros para vender por consignação e, caso não consigam vender todos, basta devolvê-los a editora; não haverá qualquer tipo de cobrança ou exigência em termos de venda.

Cruzada, prazo: 30/04 – confira aqui o blog do concurso.
O Caldeirão da Bruxa, prazo: 31/05 – confira aqui o blog do concurso.

Entrevista com Monica Sicuro (editora do selo Spectrum)

Quanto tempo tem o selo?
R: O Spectrum é um selo da Multifoco desde que ela está no mercado editorial, mas eu estou no comando dele desde de Janeiro de 2010

Quais os gêneros literários o selo Spectrum pretende abrangir?R: Procuramos Romances de terror, suspense, mistério… O Spectrum é o selo da Editora que se volta para a produção do sobrenatural.

Me fale um pouco das idéias por trás do selo Spectrum. Quais são seus objetivos e ideais?
R: O terror está em ascensão no Brasil. Antes tínhamos uma grande produção vinda lá de fora, mas a idéia do Spectrum é dar aos autores que escrevem terror, e que são daqui, visibilidade e oportunidade de mostrar seu trabalho. Tem alguns autores que trabalham com mitos brasileiros e isso é muito bom. Nossa cultura é rica demais para ficarmos importando. Estamos com um projeto para a Bienal de São Paulo, onde alguns autores participarão do mini stand da Spectrum (que será todo voltado ao sobrenatural). E assim vamos divulgar ainda mais esse gênero literário.

Assim como o restante da Multifoco, o Spectrum também será voltado mais especificamente para novos autores?R: Sim, está. Os novos autores bebem de diversas fontes e por isso a escrita deles está ficando cada vez mais rica.

Como funciona o processo de seleção de originais? Quanto tempo leva em média?
R: Em primeiro lugar, os autores me enviam o original deles em arquivo de Word (norma da Editora). Então vou analisar. Eu faço a leitura do original completo, saio com diversas anotações, às vezes elogios ou criticas. Tem momentos que vou sugerir uma mudança aqui ou ali… Enfim, tudo para melhorar o original.
A Seleção leva, em média, de 10 a 15 dias (dependendo de quantos eu estiver na fila de leitura). Depois que ele é selecionado, existe todo outro processo para que ele possa ser publicado. (envio de originais para o e-mail: spectrum@editoramultifoco.com.br)

Vocês estão de olho nos autores que se destacam pela internet também ou se dedicam mais à análise dos originais que lhes são enviados? R: Infelizmente não temos tempo de ficar em busca de talentos na internet. Quando apenas organizava coletâneas eu o fazia, buscava os melhores. Mas agora tenho um trabalho mais minucioso a fazer, e ainda estou envolvida em alguns concursos. Então, temos que nos dedicar aos originais que chegam até nós. Aqui eu os coloco numa fila por ordem de chegada. Trato todos com a mesma atenção. E existem também os “indicados”. Fulano se destacou na internet e algum conhecido meu o viu. Então essa pessoa geralmente me manda um email perguntando se pode indicar Fulano. Ai Fulano envia seu original e como todo mundo vai para a fila por ordem de chegada.
>> NA PONTA DO LÁPIS – por Leonardo Schabbach


UMA NOVA LITERATURA

quarta-feira | 24 | março | 2010
‘Todo o processo é gratuito e o lucro das vendas é repassado inteiramente para os autores’
 
O escritor: ‘Todo o processo é gratuito e o lucro das vendas é repassado inteiramente para os autores’

O gosto por escrita, literatura, games e RPG transformou o menino Tiago da Silva Cabral, de Barra Mansa, em escritor. Com um livro publicado ano passado (“Ancorner”), sua obra mais recente, “Sarlak”, foi lançada na internet em fevereiro, pela Editora Clube de Autores.

Ele assume sua preferência por ficção e diz que dentro desse universo há gêneros diferentes de escrita, como fantasia e romance. Na fantasia, ele se inspira em J.R.R. Tolkien, famoso pela trilogia “O Senhor dos Anéis”. Da ficção científica, ele cita o escritor Philip K. Dick. Nos quadrinhos adultos (uma das preferências de Tiago), Neil Gaiman e Alan Moore são os favoritos.

- Fazendo uma comparação, “Ancorner” segue a linha de K. Dick, que é meio psicodélico, menos descritivo e mais objetivo na história. Ele tem um ritmo cinematográfico e um leitor despreparado pode até ficar perdido. Já “Sarlack” tem mais a ver com Tolkien. É um livro com mais descrição, mais pausado. Ele é mais vendável, mas o estilo também agrada – defende.

O primeiro livro é o que o autor define como uma novela ou romance contemporâneo. Na trama, diferentes personagens são unidos por um sonho em comum.

- Quando dormem, eles sonham com a mesma coisa. O objetivo do livro é falar das emoções humanas, as relações entre as pessoas e delas com o mundo – resume.

Completamente diferente, a obra seguinte foi baseada numa aventura de RPG, aquele jogo de heróis e imaginação cuja sigla em inglês significa “Jogo de Interpretação de Papéis” -  também é uma das grandes diversões do autor.

- Apesar de ser ficção, “Sarlack” é uma história que realmente aconteceu. Eu me inspirei num jogo em que fazia o papel do mestre (aquele que cria as situações e dita as regras do jogo) e os outros jogadores eram personagens. No jogo, a aventura vai acontecendo conforme orientação do mestre. É como se fosse uma encenação em que fosse o roteirista e os outros jogadores os atores. É uma história muito interessante porque surge do nada e toma rumos que às vezes nem imaginamos, de acordo com a reação de cada personagem – adianta Tiago.

Além dos livros, o escritor trabalha na produção de jogos de computador. No momento, o forte dessa produção são os jogos de propaganda, usados não só para divertir, mas para divulgar uma marca ou transmitir uma mensagem.    

- Estamos desenvolvendo um novo jogo on-line que deverá ser lançado até o fim deste ano ou início do próximo. Mantemos um blog de jogos, onde há notícias sobre games, podcast e jogos para baixar – conta. 

Tiago revela ainda que tem outros textos para serem finalizados e publicados, mas avisa que isso vai ter que esperar um pouco. É que ele acaba de se formar em psicologia e tem outros projetos.

- Você deve estar se perguntando: “O que tem a ver literatura, games e psicologia?”, mas para mim isso tudo está muito ligado. Fiz estágio numa ONG que trabalha com vários projetos e usei o RPG para incentivar as pessoas a falar sobre temas difíceis, como drogas – lembra o escritor.

Alternativa editorial

Tiago já tinha vários textos antes de lançar os livros. Em seu antigo blog, ele escrevia, entre outros, contos no estilo funfic – ficção criada por fãs. São histórias escritas a partir de personagens já existentes. Como esse tipo de literatura depende de pagamentos de direitos autorais para serem publicados, ele lançou há três anos uma coletânea em formato e-book. No ano seguinte publicou, com o mesmo formato, um livro sobre a prática de RPG que é muito baixado até hoje. Para Tiago Cabral, a internet tem sido uma grande parceira, enquanto lançar um livro da maneira tradicional está cada vez mais difícil.

- Conheci diversas editoras comuns e vi que é um espaço muito fechado. Só consegue quem conhece alguém ou tem a tradução de um best-seller, por exemplo. Em uma das editoras tinha o aviso: “Não aceitamos títulos originais”. Preferem investir em um livro consagrado a apostar numa história nova. Assim, é complicado para os novos autores – defende Tiago.

Depois de bater em muitas portas, um amigo o apresentou ao Clube dos Autores, uma editora on-line bem diferente das outras. Nessa editora, o autor faz um cadastro e disponibiliza sua obra para compra no próprio site. O diferencial é que ela publica somente sob demanda, ou seja, um livro só é impresso depois de vendido.   

- O que é bom nessa editora é a liberdade que temos. Tudo é feito pelo autor, desde a revisão até a escolha da capa e do valor de venda do livro. Todo o processo é gratuito e o lucro das vendas é repassado inteiramente para nós – explica, dizendo que é um processo moderno para uma nova linhagem de autores.

Tiago apoia a iniciativa da editora e diz que pretende disponibilizar suas obras também no formato pocket book, com custos de impressão e preço mais baixos. Esse pequeno livro, que também é feito pelo Clube dos Autores, vem se tornando cada vez mais popular.

- Parece que é uma tendência editorial mundial a popularização desse tipo de impressão. Acho que tudo deve ser feito para baratear os livros, como tirar impostos e simplificar a impressão. Pagar uma média de R$ 50 num livro tornou-se um luxo. A leitura deve ser incentivada e o pocket book é uma boa maneira de aumentar o acesso a ela.

Serviço
* Sarlak e Ancorner – Os livros podem ser comprados no site http://www.clubedeautores.com.br. No site http://www.kbgames.com.br/kblog/livros/ é possível ler os primeiros capítulos. No antigo blog, Tiago da Silva Cabral não publica mais, mas nele se encontram arquivados todos os textos do autor. O endereço é paradigmavirtual.zip.net No blog http://www.kblog.kbgames.com.br o internauta encontra notícias sobre games e o novo jogo que ainda será lançado.
>> DIÁRIO DO VALE – por Clarissa Coli


TOCHA HUMANA É O CAPITÃO AMÉRICA

quarta-feira | 24 | março | 2010

Depois de muitos candidatos como John Krasinski (“The office”), Michael Cassidy (“Smallville”), Wilson Bethel (“Generation Kill”), Mike Vogel (“Cloverfield”), Garrett Hedlund (“Tron: Legacy”), Scott Porter (“Friday night lights”) e Channing Tatum (“GI Joe: A origem de Cobra”), o Capitão América do cinema será… o Tocha Humana. É, isso mesmo. Steve Rogers e Johnny Storm devem ser a mesma pessoa.

Segundo o Heat Vision, o ator Chris Evans, que interpretou o irmão mais novo de Sue Storm (Jessica Alba) nos filmes do Quarteto Fantástico, será o patriótico herói dos quadrinhos no filme “The first avenger: Captain America”. O blog do The Hollywood Reporter diz que, a princípio, Evans havia recusado o convite da Marvel, mas acabou topando no fim de semana.

Previsto para 2011, o longa será dirigido pelo mediano Joe Johnston, do recente “O lobisomem”, e de outros como “Jumanji” e “The Rocketeer”. O vilão, claro, será o Caveira Vermelha. E a escolha do ator Hugo Weaving para fazê-lo parece perfeita. As filmagens começam em junho.

Os Vingadores do cinema, por enquanto, estão assim: Robert Downey Jr. como Homem de Ferro, Chris Hemsworth como Thor, Scarlett Johansson como Viúva Negra e Chris Evans como Capitão América. Resta saber se Edward Norton retorna como Hulk e possível vilão do filme do supergrupo da Marvel. Mas ainda faltam Vespa e seu marido, Hank, conhecido como Gigante e outras identidades.
>> GIBIZADA – por Télio Navega


VELÓRIO DE BATMAN POR NEIL GAIMAN

quarta-feira | 24 | março | 2010

 
Batman está morto. E você está convidado para o velório. Escrita por Neil Gaiman (“Sandman”) e ilustrada por Andy Kubert, a HQ “O que aconteceu ao cavaleiro das trevas?” imagina como seria se o homem-morcego morresse e figuras de sua vida combatendo o crime aparecessem para o velório. Figuras como Duas-Caras, Alfred, Pinguim, Mulher-Gato, Robin e Charada são alguns dos presentes na cerimônia. Cada um dos convidados do velório tem a sua própria versão da morte do herói. Uma mais curiosa do que a outra. A do mordomo de Bruce Wayne, por exemplo, é impressionante e, por si só, vale a leitura.

A primeira de duas partes de “O que aconteceu ao cavaleiro das trevas?” aparece no gibi de número 88 de “Batman” (Panini, 108 pgs., cor, R$ 8,90), já nas bancas. Conterrâneo de Gaiman, Alan Moore já havia feito algo parecido com o Super-Homem na elogiadíssima “O que aconteceu ao homem de aço?”, considerada uma das melhores histórias do herói kryptoniano.
>> GIBIZADA – por Télio Navega


MACANUDISMO: A ESTRANHA ARTE DE LINIERS

quarta-feira | 24 | março | 2010

Dia 25 de fevereiro, final de tarde no belo bairro Recoleta, em Buenos Aires. Em frente a uma praça e ao lado do cemitério de mesmo nome, fica o Centro Cultural Recoleta, um enorme solar do Século XVII, que já foi mosteiro, asilo e escola de desenho. Nessa tarde, uma multidão, na maioria jovens, entrava silenciosamente no edifício e se acotovelava no longo corredor, aguardando pacientemente a abertura das portas de uma exposição, marcada para as 19 horas.

Por trás das portas de vidro, podemos perceber quadros e desenhos com estranhas criaturas – animais e humanos -, que atraem a atenção dos visitantes. A exposição que vai ser aberta tem também um estranho nome: Macanudismo. Mas bastante familiar para quem acompanha a tira diária do autor: Macanudo

 

Por trás desses quadros e desenhos, existe a figura de seu autor, Liniers, uma criatura rara nos dias de hoje, criativa, carismática e generosa, responsável por essas visões absurdas e bem-humoradas; e que naquele momento estava dando uma entrevista para a MTV argentina e se preparava, junto com seu amigo, o cantor e compositor Kevin Johansen, para fazer uma performance musical e gráfica no pátio que fica no centro das três grandes salas ocupadas pela exposição. 

Passa um pouco das 19 horas quando as portas se abrem e 2.500 pessoas, conforme informação do próprio centro cultural, invadem salas e pátio. Nas salas, há uma profusão de imagens: centenas de tiras originais de Macanudo, páginas de seu livro Bonjour e de sua HQ Poster, cartazes, capas e ilustrações de livros, revistas e CDs. Há também enormes painéis e quadros, onde Liniers pode se expressar mais livremente, sem a obrigação de passar uma mensagem, contar uma história, ou obedecer os parâmetros estabelecidos de uma HQ. 

Não que ele se apegue às convenções e parâmetros ditados pelos suportes e formas de expressão que utiliza. Há vários destaques que demonstram isso na excelente exposição: a enorme e bizarra face pintada em um portal entre as salas ou o painel onde o artista utilizou 72 exemplares do exemplar número 6 de Macanudo (cuja primeira edição argentina teve as capas de 5.000 exemplares desenhados a mão por Liniers) para fazer um enorme mosaico. 

O que nos surpreende é a enorme produção do artista, e a qualidade e originalidade que ele consegue atingir em todos os suportes e meios utilizados. Esta produtividade podemos perceber também em uma visita às livrarias de Buenos Aires. Não é raro encontrarmos um novo livro de Liniers, ou ilustrado por ele, que nem sabíamos que existia ou tinha sido editado. 

 

No pátio central, o show de Johansen e Liniers começou um pouco depois, no palco armado ali armado. Sob a supervisão de uma enorme lua cheia, um poço de vários séculos e algumas palmeiras, a multidão de adolescentes acompanhou a performance dos artistas: os desenhos que Liniers fazia eram projetados em um telão em sintonia com as canções interpretadas por Kevin. O espetáculo terminou com o desenhista dando uma canja, tocando violão, gaita e acompanhando Johansen, em uma música de George Harrison: Give Me Love (Give me Peace on Earth)

Após a música de encerramento, uma pequena multidão de fãs já o esperava, munidos de livros do autor, aguardando pacientemente Liniers dar autógrafos, em pé, num canto do pátio: um artista generoso com sua arte e seu público. 

Macanudismo é uma rara oportunidade para se ter uma visão abrangente do trabalho do autor. Para quem está de viagem marcada para Buenos Aires, a imperdível exposição fica até o dia 28 de março de 2010, no Centro Cultural Recoleta, Junín 1930. Entrada franca. 

http://centroculturalrecoleta.org/ccr-sp/ 

PS: vale também uma visita à recém inaugurada estátua de Mafalda, personagem do desenhista Quino, que está placidamente sentada em um banco, no cruzamento das ruas Defensa e Chile, no bairro de San Telmo.
>> TERRA MAGAZINE – por Claudio Martini


“GASPARZINHO”: ÁLBUM AJUDA A ENTENDER TRAJETÓRIA EDITORIAL DO FANTASMINHA CAMARADA

quarta-feira | 24 | março | 2010
Gasparzinho, o Fantasminha Camarada. Crédito: divulgação

Capa de "Gasparzinho - O Fantasminha camarada", obra que começou a ser vendida nesta virada de semana

Há uma curiosa contradição sobre Gasparzinho. O fantasma bonachão é uma figura mundialmente popular, conhecida por mais de uma geração. Mas, ao mesmo tempo, pouco se sabe sobre sua gênese ou seus criadores. “Gasparzinho – O Fantasminha Camarada” corrige tais lacunas de informação e (re)apresenta as primeiras histórias em quadrinhos dele, criadas há mais de 60 anos.

O álbum começou a ser vendido em lojas de quadrinhos nesta virada de semana (Devir, 192 págs., R$ 26,90) e traz 40 aventuras, produzidas pouco depois da estreia dele nos cinemas. O primeiro desenho de Gasparzinho foi exibido pela primeira vez em 1945.

“The Frindly Ghost”, título do desenho de estreia, dava forma a uma idéia dos animadores Seymour Reit e Joe Oriolo. Os dois imaginaram o personagem pouco antes de irem para a Segunda Guerra Mundial. Quando voltaram aos Estados Unidos, venderam o projeto à Paramount.

A animação foi feita pelo Famous Studios, da Paramount Pictures. O estúdio era o mesmo que produzia desenhos com músicas. Foi outra animação que marcou a geração que hoje tem 30, 40 anos. Uma bolinha acompanhava as palavras da canção, mostradas numa legenda, na parte de baixo da tela.

Gasparzinho ganhou outros dois filmes animados, um em 1948 e o outro um ano depois. A exibição da terceira animação coincidiu com o lançamento do fantasminha nos quadrinhos.As histórias foram criadas pela editora St. John e repetia no papel os enredos da tela. O protagonista procurava fazer amigos, mas sempre assustava involuntariamente as pessoas.

A primeira aventura, de 1949, é a que abre o álbum – a primeira página é mostrada abaixo. Cansado de afugentar todos com quem conversa, o personagem tenta se suicidar, pulando de um penhasco – sim, o público-alvo eram crianças.Como é um fantasma, não morre. Mas isso o ajuda a encontrar um príncipe, de quem, enfim, fica amigo e passa a ajudar.

A fase mais marcante do fantasminha nos quadrinhos teve início em 1952, com o lançamento de “Casper, the Friendly Ghost”.A revista foi publicada por outra editora, a Harvey, que iria comprar em definitivo da Paramount, poucos anos depois, os direitos do personagem.

O álbum traz a primeira aventura pela Harvey. A coletânea, que vai até 1954, marca também o início de uma transição nos temas abordados – Gasparzinho não se limitava mais aos sustos involuntários que causava.

 As duas histórias inaugurais – a estreia na St. John e na Harvey – são as únicas da reeditadas em cores. Segundo Leslie Cabara, responsável pela reunião de histórias, a opção pelo preto-e-branco nas demais é para manter a qualidade do traço dos desenhos originais.

Os quadrinhos da Harvey tinham o diferencial de serem produzidos por animadores do Famous Studios. Isso dava às aventuras um toque de desenho animado. Todos esses detalhes são explicados numa longa introdução, assinada por Jerry Beck, que a edição nacional acerta em reproduzir e que pauta as informações desta resenha.

O senão do álbum é justamente esse, o de ficar extremamente ancorado na versão norte-americana, lançada pela editora Dark Horse. Faltou à obra um texto que recuperasse a trajetória brasileira de Gasparzinho, o que aproximaria ainda mais o personagem às memórias dos leitores daqui.

O fantasminha teve revista própria, publicada pela extinta editora da revista “O Cruzeiro”. Na década de 1970, migrou para a Vecchi e, depois, para a Globo – a partir de 1987. Os antagonistas de suas histórias, como a bruxinha Luísa e o sarnento Lelo, também encabeçaram revistas em quadrinhos direcionadas ao leitor infantil.

Este novo álbum, ao contrário, alarga o público-alvo. Crianças podem até ler as aventuras ingênuas do fantasminha, mas o foco são mesmo os adultos, mesmo perfil de quem comprou os recentes livros de Luluzinha. A Devir lançou a primeira coletânea da menina travessa em 2006, com boa repercussão entre os adultos. O fantasminha é um personagem com trajetória muito parecida à dela. A obra tem os quesitos para atingir o mesmo público.
>> BLOG DOS QUADRINHOS – por Paulo Ramos


“ECLIPSE”: DOIS NOVOS VÍDEOS

terça-feira | 23 | março | 2010

Foram divulgados dois novos vídeos de Eclipse, o terceiro filme da saga Crepúsculo. O primeiro, que você confere clicando aqui, é um especial que mostra os bastidores das gravações e comentários dos atores que interpretarão os lobisomens.

O segundo, que você abaixo, é a primeira cena completa do filme, que mostra um diálogo entre Bella Swan (Kristen Stewart) e Edward Cullen (Robert Pattinson).

Eclipse está programado para chegar aos cinemas no dia 30 de junho de 2010. A direção é de David Slade, com roteiro de Melissa Rosenberg. A trama é focada na decisão que Bella (Kristen Stewart) terá de tomar entre o vampiro Edward (Robert Pattinson) e o lobisomem Jacob (Taylor Lautner).

A saga Crepúsculo é originária dos livros escritos por Stephenie Meyer, seguindo o romance adolescente entre os dois jovens protagonistas, uma mortal e um vampiro.
>> HQMANIACS – por Marília Bissigo


“FRINGE” EM EPISÓDIO MUSICAL

terça-feira | 23 | março | 2010

A premissa da série “Fringe” é lidar com o inesperado. O que poderia ser mais inesperado que um episódio musical? O recurso de dezenas de outras séries para elevar sua audiência ou, no mínimo, ganhar espaço na mídia, é produzir episódios que fogem ao padrão perpetuado por suas histórias. “Fringe”, que foi renovada para uma terceira temporada apesar da baixa audiência, fará uso desse recurso.

Depois de ter apelado para ações de marketing que não resultaram positivamente, resta entrar na onda de “Glee” e apresentar os personagens da série cantando e dançando. A situação será introduzida na trama através das alucinações de Walter (John Noble), dentro do episódio que foi apropriadamente batizado de “Overture”, termo francês que refere-se à introdução instrumental de um espetáculo. O episódio deverá ir ao ar nos EUA no dia 29 de abril.

Na história, Walter Bishop sofrerá alucinações que o levarão a acreditar estar vivendo na década de 40, apesar das pessoas ainda utilizarem celulares e computadores. Mas, o uso desses equipamentos não é nada em comparação ao fato de que os personagens, assim, meio que de repente, cantam e dançam. Lembram dos musicais de Fred Astaire e Gene Kelly, desse mesmo período, que saíam cantando e dançando só para responder uma pergunta ou expressar um pesamento? É por aí!

Alguns dos atores da série têm experiência em musicais da Broadway, como é o caso de Lance Reddick, o Broyles, formado em música, que irá tocar piano e cantar; ou Blair Brown, a Nina, vencedora do Tony (o Oscar da Broadway) que interpretará uma canção para Olivia (Anna Torv), bem como Jasika Nicole (Astrid), que interpretará uma canção do musical “A Chorus Line”.

Alguns sites acreditam que Anna Torv e Joshua Jackson entrarão na dança…e no gogó, embora nenhum dos dois pareçam ter experiência profissional na área; se bem que Joshua é neto de cantores de ópera, …quem sabe? Por enquanto o que se sabe é que Olivia será vista por Walter como uma sexy detetive particular, como aquelas mulheres fatais dos filmes noir.

Fica faltando o Leonard Nimoy tirar a poeira da garganta e soltar sua voz  como ele fez na década de 60, chegando a gravar discos e video clips (embora seu dom vocal fosse questionável). Confiram aqui Nimoy interpretando a música Ballad of Bilbo Baggins, sobre o personagem do livro The Hobbits, transformado no filme “O Senhor dos Anéis”.

Várias foram as séries que exploraram essa narrativa em pelo menos um episódio. O mais consagrado até o momento é “Buffy, a Caça Vampiros” (7º episódio da 6ª temporada). Mas também tem “Scrubs”, “Xena, a Princesa Guerreira”, “That 70′s Show”, “Malcolm in the Middle”, “Lexx”, “It’s Always Sunny in Philadelphia”, “Ugly Betty”, “Chicago Hope”, “The 7th Heaven”, “Ally McBeal” (que também mantinha uma cantora no elenco de personagens), e até a pesadíssima “Oz”, além de desenhos como “Os Simpsons” e “South Park” por exemplo.

Também existem centenas de séries que apresentaram  o(s) protagonista(s), ou atores convidados, cantando uma ou outra música. Sem mencionar as séries cuja estrutura seguem essa linha como é o caso de “Glee”, “Eli Stone”, “Cop Rock”, “Viva Laughlin”, “Fama”, “A Família Dó-Ré-Mi” ou “Os Monkees”, entre outras.

Mas o episódio musical não é a única novidade de “Fringe”, a série terá uma nova história em quadrinhos dividida em seis edições, que será lançada no dia 23 de junho nos EUA. “Tales from the Fringe”, terá como base as histórias apresentadas até a segunda temporada, e servirão para preparar o público para a terceira. O lançamento é da editora Wildstorm, ao custo de 3.99 dólares cada edição.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


“O HOBBIT”: FILMAGENS COMEÇAM EM JUNHO NA NOVA ZELÂNDIA

terça-feira | 23 | março | 2010

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Está confirmado. As filmagens de “O Hobbit” começam em junho. O ator Ian McKellen, intérprete de Gandalf, postou em seu site oficial a novidade.

McKellen escreveu que as filmagens vão durar um ano e meio e começam em junho na Nova Zelândia. Mas o elenco ainda está sendo selecionado, nas cidades de Los Angeles, Nova York e Londres.

Ele revelou que já leu a primeira versão do roteiro, que é cheio de aventuras e traz “velhos e novos amigos novamente numa jornada pela Terra Média”.

Essa frase já virou alvo de muito suposições sobre quem seriam esses velhos amigos, já que, por enquanto Mckellen, é o único ator da trilogia “Senhor dos Anéis” confirmado no elenco de “O Hobbit”.

A história de “O Hobbit”, escrita por J.R.R. Tolkien, mostra Bilbo Bolseiro ainda jovem, partindo em busca de um tesouro roubado pelo dragão Smaug. Durante essa aventura, que terá aranhas, elfos e trolls, Bilbo acaba encontrando o famoso Anel.

“O Hobbit” será divido em dois filmes, produzidos por Peter Jackson e dirigidos por Guillermo Del Toro. O primeiro deve estrear em dezembro de 2012 e o segundo no final de 2013.
>> PIPOCA MODERNA – por Caio Arroyo


“HEAVY METAL”: JAMES CAMERON (“AVATAR”), ZACK SNYDER (“300″) E DAVID FICHER (“CLUBE DA LUTA”) FARÃO FILME ANIMADO

terça-feira | 23 | março | 2010

O diretor David Fincher (“Clube da Luta”) está tentando há dois anos fazer um novo longa animado inspirado na revista em quadrinhos de ficção científica e fantasia “Heavy Metal”. Mas nenhum estúdio de Hollywood estava interessado. O problema era o espírito dos quadrinhos originais, cheios de erotismo e violência.

A receptividade à idéia finalmente mudou. Tudo porque Fincher resolveu trazer a bordo dois outros cineastas fãs de quadrinhos e ficção científica.

Ele conseguiu o apoio dos diretores James Cameron (“Avatar”) e Zack Snyder (“300”). Cada um dos três irá dirigir um segmento, que servirá como uma história completa e individual. E a animação será totalmente feita em 3D!

Para quem não lembra, já houve dois longas-metragens inspirados na revista “Heavy Metal”, em 1981 e 2000.

“Heavy Metal”, por sua vez, é uma versão americana da cultuada revista em quadrinhos “Métal Hurlant”, criada na França em 1974 pelos mestres Moëbius e Philippe Druillet. Suas páginas trouxeram a arte de verdadeiros gênios dos quadrinhos, como Richard Corben, Alejandro Jodorowsky, Enki Bilal, Caza, Serge Clerc, Alain Voss, Berni Wrightson, Milo Manara e outros.
>> PIPOCA MODERNA – por Caio Arroyo


“POEIRA- DEMÔNIOS E MALDIÇÕES”: NELSON DE OLIVEIRA LANÇA NOVO ROMANCE

terça-feira | 23 | março | 2010

Das bibliotecas públicas aos banheiros particulares, um mundo abarrotado de livros – tantos que os governos tiveram de proibir o lançamento de novas obras. Ainda assim, edições clandestinas continuam brotando misteriosamente por toda parte. No recém-lançado Poeira: demônios e maldições (Língua Geral, 399 páginas, R$ 45) – obra escrita originalmente em forma de folhetim e publicada pela revista Rascunho entre novembro de 2006 e março de 2008 – Nelson de Oliveira explora a fantasia distópica para fugir dos temas tradicionais. Escritor de vasto currículo, Nelson, nesta entrevista, fala de suas admirações e dos escritores da Geração Zero Zero.

Por que a decisão de escrever um romance em forma de folhetim?
- Ter publicado Poeira: demônios e maldições em capítulos, ao longo de um ano e meio, num jornal mensal como o Rascunho, foi uma ótima forma de testar o romance antes de lançá-lo em livro. Eu me beneficiei bastante dos comentários dos leitores que acompanharam o folhetim. A partir desses comentários eu pude fazer as revisões e os ajustes necessários na narrativa, deixando-a mais redonda para a edição em livro.

O folhetim era um veículo de informação que disseminava a cultura de massa. Como é escrever um folhetim hoje?
- A ascensão do romance coincidiu com a ascensão da imprensa. Os romancistas pioneiros do início do século 18 – Defoe, Richardson, Alexandre Dumas e Fielding – pensavam primeiro no jornal, quando escreviam. Boa parte dos romances de José de Alencar e Machado de Assis circulou primeiro em forma de folhetim. Não havia o rádio nem a tevê pra veicular narrativas em capítulos de tempos em tempos. Escrever um folhetim hoje, na era eletrônica, é apenas uma maneira de homenagear os velhos mestres.

Que relação você pode fazer entre Poeira: demônios e maldições e a tradição da fantasia distópica, na linha de Karel Capek, Huxley, Orwell, Philip K. Dick, Vonnegut?
- Bem, trata-se de uma tradição rica de possibilidades narrativas, mas estranhamente pouco exercitada no Brasil. Eu queria muito fugir dos temas mais convencionais da literatura brasileira contemporânea: periferia, favela, sertão, dramas domésticos, crises conjugais, adolescentes pirados etc. Nossa literatura contemporânea está muito ligada à vida comum. Então decidi ir atrás da vida incomum.

Entre os autores citados, de quem você se sente mais próximo?
- Philip K. Dick é um autor que nunca me canso de reler.

Paisagem e ambientação lembram filmes de ficção científica (Metrópolis, Blade Runner). Você tinha o cinema na cabeça ao escrever o romance?
- Conscientemente, não. Mas eu sou da geração do cinema e da tevê, pós-rádio. Na infância, antes de ler meu primeiro livro, eu já assistia aos deliciosos seriados da década de 70: Jornada nas estrelas, Viagem ao fundo do mar, Terra de gigantes, Túnel do tempo, Perdidos no espaço etc. Passei os anos 70 e os 80 nas salas de cinema. Vi e revi muitas vezes Blade runner, Guerra nas estrelas, Tron, Contatos imediatos do terceiro grau, Alien, todas as distopias e utopias lançadas pela indústria cinematográfica. Então, querendo ou não, creio que tudo isso acaba aparecendo de um jeito ou de outro em minha literatura.

A situação narrada no romance é o inverso de Fahrenheit 451, o filme de Truffaut baseado no romance homônimo de Ray Bradbury, em que os livros estão proibidos?
- Exatamente. No meu romance o mundo está abarrotado de livros. Salas, quartos, banheiros, corredores, ruas, prédios lotados de livros. Um mundo tão cheio de livros, que todos os governos tiveram que proibir o lançamento de novas obras. Mesmo assim, edições clandestinas, ilegais, continuam aparecendo misteriosamente em toda parte.

A orelha do livro fala em realismo fantástico. Você concorda?
- Concordo. A trama do romance se passa numa realidade alternativa, estranha, porém realista. Ou seja, numa realidade semelhante à nossa, coexistindo com a nossa, mas diferente em alguns pontos. Mais fantástica e estranha do que a nossa.

Há livros demais?
- Fiquei muito atento à afirmação do poeta mexicano Gabriel Zaid em seu livro que se chama justamente Livro demais!: “A leitura de livros está crescendo aritmeticamente, a escrita de livros, exponencialmente. Se nossa paixão por escrever não for controlada, no futuro próximo haverá mais pessoas escrevendo livros do que lendo”.

Sua produção literária é grande, como foi a de Anthony Burgess, outro escritor chegado a uma distopia. Há quem diga que escrever muito não é bom. Como você lida com isso?
- Ah, se o mundo fosse tão simples… Teríamos aí a fórmula da qualidade: bastaria escrever pouco para escrever bem. Mas não considero minha produção grande. Meus livros em geral não são muito extensos; eles normalmente têm 100, 150 páginas. José Saramago e Lobo Antunes, por exemplo, são muito mais prolíferos do que eu. E são grandes autores. Além disso, conheço dezenas de escritores que escrevem e publicam pouco, e mesmo assim não são bons.

Você organizou duas antologias sobre a Geração 90. O que se passa com a Geração 00? Você poderia definir uma tendência e citar nomes representativos?
- A Geração Zero Zero (prefiro grafar assim, zero zero, pra evitar que um desavisado acabe lendo ó ó) está produzindo intensamente. Tempos atrás eu publiquei no Rascunho um artigo sobre sua principal característica: o bizarro [alguns dos citados são Flávio Viegas Amoreira, Paulo Bullar, Paulo Sandrini, Rogério Ivano, Daniel Pellizzari, Veronica Stigger]. No final deste ano sairá pela editora Boitempo, a mesma que publicou as duas antologias da Geração 90, a antologia desse novíssimo time de prosadores.

Quem é Luiz Bras?
- É meu alter ego. Luiz Bras nasceu em 1968 numa cidade fictícia chamada Cobra Norato, cenário da maioria de seus livros. Publicou várias obras para crianças e jovens, entre elas A última guerra (editora Biruta), e em breve lançará sua primeira coletânea de contos para o público adulto, intitulada Paraíso líquido, também pela editora Biruta. Mais informações sobre ele podem ser encontradas em .

>> JORNAL DO BRASIL – por Luisa Bustamante


O MEDO, O HOMEM E A LITERATURA

sexta-feira | 19 | março | 2010

“A emoção mais forte e mais antiga do homem é o medo, e a espécie mais forte e mais antiga de medo é o medo do desconhecido.”
( H. P. Lovecraft )

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A literatura é uma arte de constante provocação, de pura inquietação. Provoca a beleza, provoca o espanto, encanta, surpreende, recria e cria. Leva de leve pelas mãos e inesperadamente joga o leitor entre sombras de dor ou lago de risos. Com ela, sentimentos como o amor, a raiva, o ciúme, a esperança, a tristeza, a alegria, o desejo, a inveja, a amizade e tantos outros, recontam a historia do homem. Seres comuns, divinos, fracos, homens, bichos e deuses, meros objetos, nada nem ninguém passa impune, ou imune, pela obra literária.

O poeta, o escritor, o romancista, aquele que tem em mãos o papel, o lápis, o computador, e nos pensamentos uma inquietação uma eterna procura, é ele o demiurgo, o criador e a criatura das palavras. Escuta os sussurros das épocas, dos homens, da vida e desenha com seus vocábulos um universo, o texto.

Entre os sentimentos que caminham junto ao homem, é o medo, ao lado do amor, um dos sentimentos mais constantes. E do medo a literatura fantástica suga cada suspiro, transformando em verso ou prosa cada bater de um coração assustadiço. Quando fala-se em literatura sombria, fantástica ou mórbida, uma questão que incomoda, e por isso importante, por parecer ainda enigmática e sem solução, é a aparente dicotomia entre terror e horror. Ambas arrepiantes, ambas controversas.

Há, de fato, a necessidade de se optar por uma delas quando a pretensão é escrever sobre o gênero? Após algumas pesquisas e leituras sobre o assunto, a questão ainda é um entrave, que parece ainda maior entre escritores e críticos da literatura de terror/horror. A princípio, o horror parece ser uma reação física ante o medo, ao sobrenatural, ao desconhecido, a ameaça e crueldade da realidade. Nos dicionários, a definição das mesmas parece convergir, vejamos algumas delas:

Terror sm. 1. Estado de grande pavor. 2. Grande medo ou susto. Terror sm. 1. Estado de grande pavor ou apreensão. 2. Pessoa ou coisa que espanta, aterroriza. Horror sm. 1. Sensação arrepiante de medo, de pavor. 2. Receio, temor. 3. Repulsa, aversão. 4. Aquilo que inspira horror.
Horror sm. 1. Atrocidade, barbaridade. 2. Que causa pavor. 3. Grande medo, pavor. 4. Repulsa; aversão.

Alberto Manguel (2005, p.10) em sua coletânea Contos de horror do século XIX, retoma o pensamento de Ann Radcliffe, na tentativa de definir essa conturbada relação entre terror e horror “O terror e o horror possuem características tão claramente opostas que um dilata a alma e suscita uma atividade intensa de todas as nossas faculdades, enquanto o outro as contrai, congela-as, e de alguma forma as aniquila”. Edgar Alan Poe e Lovecraft, mestres da literatura sombria, inspiram algumas dessas dicotômicas definições. O terror de Poe seria mais explicito, em Lovecraft, sugerido, inominável, de fato, oculto. Entende-se explicita não a falta de suspense ou mistério, e sim a capacidade de mostrar ao leitor o cadáver, podridão, a tortura, a loucura. Medos reais e concretos, ainda que misteriosos. Lovecraft, ao descrever o terror, ou apenas ao sugerir cenas tão terríveis que não poderiam ser descritas, oculta aos olhos do leitor esse pavor absoluto, para o autor, a “atmosfera, não ação, é o grande desiderato da ficção fantástica. Com efeito, uma história de espanto jamais será senão uma pintura viva de certos tipos de estados de espírito humanos”, assim, o terror pode ser sanguinolento, chocante. O horror, indizível assustador.

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No entanto, Poe jamais poderia ser lido senão como um mestre do suspense, estando novamente assim as contradições das definições. O horror mostraria ao homem um universo que se esconde, que a imaginação, em momentos inesperados, consegue conceber, e temer. O terror é a incerteza, a angústia de esperar pelo que vem depois do corredor escuro, é o que rege a condução lenta e inexorável ao mundo sombrio. Mas, o terror gera o horror? Ou o horror gera terror? Não são ambos assustadores? Mais que respostas, neste trecho fica a indagação, a pergunta no ar, e a construção do conhecimento debatendo-se entre uma e outra definição. Para esta autora, ainda inconclusa esta dicotomia, sendo, pois, ambos os sentidos interligados de forma intima.

Em temas literários, falar em literatura de terror é sondar o medo, e os temores que rondam o homem. Teme-se ao conhecido, ao sangue que pinga dos jornais, às guerras, à loucura. Teme-se também ao desconhecido, ao exótico, aos mistérios e fenômenos sem explicações, estes, principalmente estes, sempre assustaram.

Do que o homem tem medo? Alturas, escuro, adoecer, envelhecer, insetos, solidão, monstros reais ou imaginários, a insanidade, fantasmas, os vivos, os mortos, bandidos, morrer, viver, espíritos… teme-se aos seus próprios fantasmas, a sua imaginação. Tudo que apavora, que sussurra um fuja imediatamente, ou que paralisa na angústia do horror absoluto é o medo. Esse medo pode ser comum, raro, misterioso, ridículo (aos olhos de quem não o sente, é claro), insano ou cruel.

O que o ser humano é capaz de fazer para enfrentar os seus medos, aliás, onde buscar coragem para enfrentá-los? O que fazer então para não torná-los parte da realidade, para não tomarem a essência de cada ser? A paralisia, a fuga, os sentidos e reações confusos e assustados esperam a resposta. E como nem sempre ela vem, a conseqüência dessa ausência pode ser inimaginável. Se a Literatura questiona, reflete ou revela o homem seus sentidos, amores e dores, também revela os seus medos. E a morte é um dos principais medos que a humanidade enfrenta, é no terror da morte que o gênero terror mais resplandece em suas sombras. Na historia do ser humano, a morte é a aproximação do inexorável, oprimindo os sentidos e sentimentos, pode ser temida, pode ser ignorada, pode ser desejada. Entretanto, mais que a morte, o que vem depois dela parece ser a grande perturbação do homem.

Rlyeh

Leva-me à região da paz horrenda*
A morte e seus mistérios sempre causaram inquietação. E dessa inquietação, os causos, os sustos, as inesperadas aparições, tudo transforma-se em um instigante gênero, a literatura de terror, de suspense, fantástica, assustadora ou surpreendente.

No conto A mão do macaco, de W. W. Jacobs, a morte e as tentativas de vencê-la acabam gerando um terror infindo, uma mão seca e mumificada, traz consigo o poder de realizar três desejos, mas o preço pode ser terrível.

“o rosto de sua mulher lhe pareceu mudado quando entrou no quarto. Estava pálida e sôfrega, e, para aumentar a sua inquietação, tinha um aspecto sobrenatural. Sentiu medo dela. ‘Ande, faça o pedido’, ela ordenou, com voz forte. Ele hesitou ‘é loucura, uma crueldade. ’ ‘Peça’, a mulher repetiu. Ele ergueu a mão do macaco. “Eu peço que o meu filho viva novamente”

Desse ponto em diante, o que a mão do macaco trouxe à família, somente a leitura do conto pode dizer. No entanto, são clássicas na literatura as tentativas de dobrar a morte, Frankenstein de Mary Shelley, um dos mais complexos, amado, temido e sentido monstro da literatura de terror, revela esse desejo oculto e as conseqüências desse querer. O romance nos leva à saga do jovem cientista Victor Frankenstein, que constrói em seu laboratório uma criatura, um monstro feito com pedaços de corpos e metais, cadáveres e molas, tentando recriar o ser humano. Quando por fim a criatura vive, horrorizado com o seu feito, o cientista foge, abandonando a sua obra, ou ainda, o seu filho. Este romance inspirou uma imensidão de obras do gênero em terror e sempre pode ser considerado atual, pois a morte e as tentativas de vencê-la não se esgotaram na ciência, tampouco na literatura. E gera medo. O temor da ciência, do desconhecido, do poder sobre a mais invencível das muralhas, a Morte.

Entre tantos conceitos que permeiam a literatura fantástica no gênero terror, é preciso considerar que, na medida em que o texto literário embriaga-se destes temores, não está, como julgam tantos, divulgando, promovendo, instigando ou influenciando a insanidade, a irracionalidade do ser humano. A ferida quando exposta, a chaga sangrando é o alerta, a denuncia, e principalmente, o alívio, o alívio da tensão, do dia, da noite insone, da noite solitária, do não, do sim, do cotidiano esmagador, do que não se explica, do que dói sem nem sempre saber o porquê. Este alívio das tensões é o desabafo, a catarse.

É na literatura dita macabra, em cada página, letras e textos oriundos da mentes sensíveis ao sombrio que o homem pode reencontrar-se consigo mesmo, com os fantasmas que o perseguem, ainda que seus olhos levantem-se inquietos e, até mesmo o silêncio o assuste enquanto lê, a segurança do distanciamento promove o encontro, a busca, o desafio, até mesmo a indiferença de múltiplas emoções.

O medo, quando explorado na literatura, reflete as sensações enfrentadas na vida dita real. A função catártica da literatura é a purificação, o sentimento de alivio, de expurgar a angústia das situações de tensão. O texto literário pode ajudar o indivíduo a conhecer-se e a conhecer a sociedade em que vive. O homem precisa, mais do que nunca, saber ao que teme, e toda a sua complexidade reflete-se nas letras.
* Morte (Junqueira Freire)

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Catarse: da angústia ao alívio
Questiona-se, no entanto, se essa exposição constante não o tornaria indiferente, insensível à dor que porventura verá. Será então que o aumento da violência traz insensibilidade? Estamos insensíveis ao horror? O ser humano tornou-se embrutecido ou essa brutalidade sempre esteve ali? O que leva uma pessoa a interessar-se por acidentes, brigas, ou outras cenas mórbidas? Programas e filmes que exploram a violência ganham em audiência, notícias macabras, atos mórbidos seduzem a curiosidade e atenção de toda uma nação, e nem por isso, saem repetindo os atos assustadores que presenciam. Assim, quem não gosta de histórias de terror, alimenta o seu medo em outros campos.

Não há verdade absoluta, tampouco para as perguntas acima, o que nos sensibiliza passa pela historia de vida de qualquer pessoa, e em cada resposta, única e pessoal, pode estar presente o conceito da catarse, no alivio, no reconhecimento de estar a salvo, distante e vivo. Ainda que aterrorizado.

A catarse está no repouso após a febre, e quando não explora o indizível, mas volta para o cruel, talvez ali esteja o desejo de sacudir, despertar o leitor, acordar o homem da indiferença que o toma, pois o medo sufoca, e uma das opções seria tentar afastar-se, separar o que nos causa repulsa é humano e histórico que o desconhecido agride, mas jamais pode-se fugir do medo.

A própria sabedoria popular nunca deixou a o suspense se perder, não se deixa as historias de medos perderem-se, e cada ato ou momento de terror ou suspense, permanece lembrando ao homem a sua pequenez. O Futurismo, movimento de vanguarda, mesmo não tratando de literatura de terror, tem esse aspecto de dar a bofetada, de agredir, de sacudir para acordar, e nesse sentido, aproxima-se de algumas histórias cuja crueldade podem ser esse soco, essa bofetada, esse amor ao perigo.


“Fico na frente da televisão para aumentar o meu ódio. [...] Quero muito pegar um camarada que faz anúncio de uísque. Ele está vestidinho, bonitinho, todo sanforizado, abraçado com uma loura reluzente, e joga pedrinhas de gelo num copo e sorri com todos os dentes, os dentes dele são certinhos e são verdadeiros, e eu quero pegar ele com a navalha e cortar os dois lados da bochecha até as orelhas, e aqueles dentes branquinhos vão todos ficar de fora num sorriso de caveira vermelha. Agora está ali, sorrindo, e logo beija a loura na boca. Não perde por esperar”. Este trecho de O cobrador, conto de Rubem Fonseca (1979), em uma escrita seca, ácida e urbana, convida a uma mente criminosa e doente de ódio. Nas cidades, a névoa, os becos, as sombras, a solidão, a insanidade, a violência, a dívida de sangue da sociedade, a indiferença e a crueldade são alguns dos elementos que propiciam o ambiente de terror. O horror descarado, angustiado, sangrento, cruel, espirrando sangue e angústia no leitor (…) Tirava o facão de dentro da perna quando ele disse, leva o dinheiro e o carro e deixa a gente aqui. Estávamos na frente do Hotel Nacional. Só rindo. Ele já estava sóbrio e queria tomar um último uisquinho enquanto dava a queixa à polícia pelo telefone. Ah, certas pessoas pensam que a vida é uma festa”(…) Ela está grávida, ele disse apontando a mulher, vai ser o nosso primeiro filho. Olhei a barriga da mulher esguia e decidi ser misericordioso e disse, puf, em cima de onde achava que era o umbigo dela, desencarnei logo o feto. A mulher caiu emborcada. Encostei o revólver na têmpora dela e fiz ali um buraco de mina.

Neste mesmo conto de Rubem Fonseca (1979) é a crueldade o principal mover dos fatos, assim como a dor, a angústia da inadaptação, da insanidade, e por fim, de uma estranha missão, do humano animalizado, bestial, como podemos ver em cada ato do cobrador, “Ergui alto o alfanje e recitei: Salve o Cobrador! Dei um grito alto que não era nenhuma palavra, era um uivo comprido e forte, para que todos os bichos tremessem e saíssem da frente. Onde eu passo o asfalto derrete.” O conto não trata exatamente do terror convencional, mas sim do horror de uma sociedade inesperada, do ódio, da morte, dos jogos de poder entre razão, emoção e sociedade. A paz aparente de quem cruza a rua, vivendo os seus dias com a efervescente mornidão que o cotidiano impõe, pode, de repente, ver-se frente a um cobrador. Toda tranqüilidade rompida em sangue, dor e asfalto derretido. Assim, enquanto o terror explora o indizível, o que inquieta e oculta-se, o horror sangra, causa repugnância, nojo e pavor. O terror representa o rompimento com o que era dito normal, a aparente estabilidade interrompida. Em um momento de paz e tranqüilidade não há espaço para o medo, porém, quando essa tranqüilidade se vai, o espaço que antes era calmaria torna-se, em segundos, uma realidade que aperta e esmaga os sentidos. Assim, a um vulto vislumbrado, a um som que não se explica, o coração acelera, a pele arrepia-se, os instintos gritam silenciosos, eis o medo, eis o terror. Ainda que depois o vulto se descubra em moveis, os ruídos em normalidades de um cotidiano, o medo marcou a presença. Vive-se o medo, lê-se o medo. Nas historias de terror, o medo traduz-se em seres e lugares enigmáticos, seres malignos, fantásticos, espíritos, fantasmas, feiticeiros, bruxos, monstros cuja aparência pode ou não refletir a crueldade de seu intimo. E em cada local, insurgem-se os velhos castelos, casas abandonadas, catacumbas, florestas, ruínas, casebres, o mar, as montanhas, o inferno. Também os mistérios da ciência, as ousadias dos homens em busca do conhecimento, os seres misteriosos, magia, geralmente, são estes os aspectos básicos da literatura de terror.
>> CASA DAS ALMAS – por Tânia Souza


“DOCTOR WHO” GANHA 6ª TEMPORADA + ESPECIAL DE NATAL

sexta-feira | 19 | março | 2010


A quinta temporada ainda nem estreou e a BBC já renovou a série de ficção científica mais longa da história da TV. “Doctor Who” terá uma sexta temporada, a ser exibida em 2011, mais um especial natalino, com roteiro de Steven Moffat, que irá ao ar no final desse ano.

As informações não foram divulgadas pela BBC, mas por um dos produtores da série, Piers Wenger, em entrevista à revista “Doctor Who”, do mês de março; bem como pelo roteirista Neil Gaiman em entrevista à revista SFX. A sexta temporada terá 13 episódios, com início de produção em julho na cidade de Cardiff. Ambas temporadas serão estreladas por Matt Smith, o 11º ator a dar vida ao Doutor.

A série “Doctor Who” estreou em 1963, na Inglaterra. Ao longo dos anos, continuou sendo produzida mudando apenas de ator. A explicação da mudança física é feita na história através da regeneração molecular, pela qual o Doutor, um alienígena, pode passar sempre que está à beira da morte. Com isso, o personagem, e a série, podem ter vida eterna.

“Doctor Who” é considerada a série de ficção científica mais longa da história da TV (inglesa e americana). Foram 26 temporadas seguidas, sofrendo uma interrupção nos anos 90, quando apenas um especial foi produzido. Retornou em 2005 com uma nova equipe de produtores, a qual trouxe uma roupagem mais moderna para as histórias e personagem. Em função dessas mudanças, essa fase ganhou uma nova contabilização de temporadas. No entanto, pela cronologia, a quinta temporada corresponde à 31ª. 

A quinta temporada da série terá 13 episódios, os quais terminam de ser filmados no dia 20 de março. A estreia está prevista para o dia 3 de abril pela BBC1 no Reino Unido.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


“VAMPS”: SIGOURNEY WEAVER SERÁ RAINHA VAMPIRA NO FILME

quinta-feira | 18 | março | 2010

Atriz se junta a Alicia Silverstone na comédia romântica sobrenatural

Sigourney Weaver, a Dra. Grace Augustine de Avatar, está entrando para o elenco da comédia romântica sobrenatural Vamps, que já conta com Alicia Silverstone e Krysten Ritter (Os Delírios de Consumo de Becky Bloom) como protagonistas.

O filme será dirigido e roteirizado por Amy Heckerling, que dirigiu Silverstone em As Patricinhas de Beverly Hills.

Vamps contará a história de duas vampiras curtindo a noite adoidado nas baladas de Nova York, até que o amor entra em cena e cada uma delas terá que fazer uma escolha que pode colocar sua imortalidade em jogo. Weaver será Ciccerus, a rainha vampira que transformou-as em criaturas das sombras.

As filmagens começam em abril.
>> OMELETE – por Carina Toledo


“BATTLESTAR GALACTICA” PODERÁ TER NOVO SPIN-OFF

quinta-feira | 18 | março | 2010

O site The Hollywood Reporter reportou que o canal SyFy quer produzir um novo projeto envolvendo o universo de Battlestar Galactica. No entanto, a rede ainda não se pronunciou com mais detalhes sobre esse novo spin-off da série.

De acordo com Mark Stern, vice-presidente executivo da SyFy, a ideia não é ficar só em Caprica, o atual spin-off de Battlestar Galactica. “Este mundo é tão rico que merece outra série, não necessariamente tradicional”, diz Stern.

Lançada originalmente em 1978, a série Battlestar Galactica (cuja versão original foi rebatizada no Brasil como Galactica: Astronave de Combate) conta a história dos últimos sobreviventes das doze colônias, liderados pela nave militar Galactica. As colônias foram dizimadas pelos Cylons, uma raça de andróides criados pelos humanos das colônias, mas que se tornaram sapientes, revoltando-se contra seus criadores. Todos buscam a lendária décima terceira colônia, a Terra.

Em 2003, um remake da série teve início, chegando ao seu final em 2009. Tanto a série original quando a atual têm HQs publicadas pela Dynamite Entertainment. A nova versão atualmente tem um prelúdio no ar, chamado Caprica.
>> HQ MANIACS – por Will Costa


THOR: REVELADAS NOVAS INFORMAÇÕES SOBRE O FILME

quinta-feira | 18 | março | 2010

Uma das coisas que mais tem despertado curiosidade dos fãs da Marvel – e dos filmes da Marvel – ultimamente é, sem sombra de dúvida, como diabos eles vão fazer para juntar franquias e universos tão diferentes, filmados por diretores tão distintos, em um único filme chamado Vingadores.

Homem de Ferro 2 está quase aí, e já aparecem e apareceram algumas pistas sobre o papel do personagem no futuro dos Vingadores. Hulk também já teve seu filme, e você se lembra que no fim da película Tony Stark fala com o General Ross sobre uma certa “equipe” sendo montada.

Restam então duas incógnitas nessa equação de resultado Vingadores: Thor e Capitão América. Desses, talvez o que desperte mais curiosidade é Thor. Primeiro porque o diretor convocado para dar vida ao Asgardiano, Kenneth Branagh, veio do teatro e é um especialista em adaptações de Shakespeare para o cinema. Segundo que, em se tratando de fantasia, o personagem é campeão: estamos falando de um deus nórdico, caramba!

Pois em uma conversa com uma fonte da Marvel, o site Latino Review descobriu algumas coisas interessantes sobre o filme de Thor: como ele se encaixa na cronologia dos Vingadores, e otras cositas mas:

Sobre a linha do tempo: Os eventos de Thor se passam depois de O Incrível Hulk. No filme, é feita menção aos raios gama e há um cientista que diz “Havia um cientista brilhante (Bruce Banner). Ele era um gênio com radiação Gamma, mas a S.H.I.E.L.D fez ele desaparecer”. Entendeu?

Sobre o papel de Thor nos Vingadores: Uma única frase de Thor para um dos agentes da S.H.I.E.L.D diz tudo: “Quando vocês precisarem de mim, e quiserem montar uma equipe, eu descerei”…certo?

Sobre Branagh como diretor: “Ele está mantendo o filme muito próximo do que acontece nos quadrinhos. O tom é sombrio (ai, ai), mas sombrio na medida certa. É como Homem de Ferro. Tem sua dose de leveza como nos eventos que se passam na Terra, e tem seu tom mais pesado que se passa lá em cima em Asgard e onde a batalha acontece. Branagh e a Marvel estão fazendo um grande trabalho”

Sobre o visual de Thor: “Desde os primeiros desenhos sabíamos que ia ser fantástico. E é. O visual é baseado nos quadrinhos mais recentes de Thor.Tudo parece muito real e eu acho que todos vão ficar muito felizes”.

Thor chega aos cinemas em 6 de maio de 2011.
>> HERÓI – por Leonardo Carvalho


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