NEIL GAIMAN ABRE NOVO PROCESSO CONTRA TODD MAcFARLANE POR DIREITOS AUTORAIS

segunda-feira | 31 | maio | 2010

Personagens de Spawn despertam velha briga entre os criadores

Miracleman

O escritor Neil Gaiman entrou novamente na justiça contra o quadrinista Todd McFarlane por questões de direito autoral. Gaiman, em 2004, ganhou os créditos de cocriador e coproprietário dos personagens Angela,Spawn Medieval Conge Cogliostro, que criou na única edição de Spawn que escreveu, em 1993.

A nova ação é para requerer os direitos sobre personagens que McFarlane teria criado como substitutos dos três acima: as “anjas letais” Tiffany e Domina, e a versão Dark Ages de Spawn. As duas primeiras seriam cópias de Angela, e o terceiro, do Spawn Medieval.

Wisconsin State Journal - da cidade onde Gaiman entrou com a ação – divulgou um trecho da declaração escrita pela juíza do caso, Barbara Crabb, que beira o absurdo. Segundo ela, Angela, Tiffany e Domina seriam“anjos guerreiros com físicos voluptuosos, cabelos longos e maquiagens em estilo máscara. Seus ‘uniformes’ consistem em biquínis, jarreteiras, cinturões para armas largas, luvas até o cotovelo e sutiãs de metal mal ajustados”.

Vale lembrar que Gaiman e McFarlane já brigaram na justiça pelos direitos sobre Miracleman, que o segundo alegava ter comprado com todo o espólio da editora Eclipse. O caso se resolveu fora dos tribunais.
>> OMELETE – por Érico Assis


“TERRA NOVA”: DIRETOR E MAIS DETALHES DA SÉRIE

segunda-feira | 31 | maio | 2010

Terra Nova, a nova série de Steven Spielberg,
já tem diretor para seu episódio piloto.

Alex Graves (de Fringe) dirigirá o drama da família do futuro que volta no tempo à era pré-histórica e que terá ao menos 13 episódios produzidos pela Fox. As gravações do piloto começam na Austrália no final do verão americano.

Segue abaixo mais detalhes da trama e dos personagens:

A história começa em 2149. Na primeira cena, um grande grupo de colonos está se preparando para deixar o mundo apocalíptico em que vivem, usando uma máquina do tempo, para voltar milhões de anos no passado. Seu objetivo é ver as florestas, desfrutar de um céu azul, comer comida de verdade, basicamente, começar de novo neste novo Éden. Mas o que eles encontram é diferente de tudo que estavam esperando.

O grupo de colonos é a família Shannon, que já é o décimo grupo a se juntar à Terra Nova, a primeira colônia de seres humanos nesta segunda chance para a civilização. Jim Shannon, um pai dedicado, expert em xadrez, guia sua família através desta nova terra de beleza sem limites, mistério e terror.

A esposa de Jim, Elisabeth Shannon, é uma cirurgiã escolhida através de uma loteria mundial como uma nova aquisição à equipe médica de Terra Nova. Josh Shannon é seu filho, que lamenta pela garota que deixou para trás, dividido entre seus dois modelos, o pai e o carismático comandante Frank Taylor, o líder da colônia e primeiro ser humano a passar pelo portal do tempo. Maddy Shannon, a filha adolescente do casal, é tão independente e aventureira como seus pais, mas seu descaso pela autoridade logo irá levá-la a um caminho perigoso.

Apesar das oportunidades e novos começos que Terra Nova oferece, os Shannons trouxeram um segredo familiar que pode ameaçar sua própria estada nessa nova utopia. Além disso, esses aventureiros logo descobrem que este saudável e vibrante mundo não é tão utópico e paradisíaco como parecia inicialmente.

Terra Nova está cercada de dinossauros perigosos e outras ameaças pré-históricas, e existem também forças externas que podem ter a intenção de destruir este novo mundo antes que ele comece, além de forças internas que mostram que nem todos enxergam a colônia como a melhor forma de salvar a humanidade.
>> HQ MANIACS – por Will Costa


“GUERRA JUSTA”: O CYBERPUNK NA LITERATURA BRASILEIRA

segunda-feira | 31 | maio | 2010

A Editora Draco e a Livraria Martins Fontes convidam para tarde de autógrafos e bate-papo com Carlos Orsi, autor do romance Guerra Justa e Fábio Fernandes, escritor de ficção científica, sob a mediação de Erick Santos, editor da Draco.

O autor Carlos Orsi receberá os convidados e autografará o seu novo lançamento, o romance Guerra Justa. (152 p, R$30,90). Participará de um bate-papo informal com o escritor Fábio Fernandes falando sobre literatura cyberpunk, gênero de ficção que imagina a sociedade do futuro com alta tecnologia e suas consequências na vida da população, e a religião como instrumento de organização e controle social.

Data e Local: 05/06/2010 – das 15h30 às 18h30h
Livraria Martins Fontes – Av. Paulista, 509, loja 17
Telefone: (11) 2167-9900

CARLOS ORSI
natural de Jundiaí (SP) é jornalista especializado em cobertura de temas científicos e escritor. Já publicou os volumes de contos Medo, Mistério e Morte (1996) e Tempos de Fúria (2005). Seus trabalhos de ficção aparecem em antologias, revistas e fanzines no Brasil e no exterior.


DRÁCULA: NOVA REVISTA MENSAL

sexta-feira | 28 | maio | 2010

Boom! Studios começará em agosto a publicação de Dracula: The Company of Monsters, nova revista mensal estrelada pelo mais famoso dos vampiros.

Nessa história, uma grande corporação acredita ter comprado Drácula, mas é claro que ninguém pode possuí-lo. Para piorar, existe outro monstro nas sombras que pretende ganhar sua liberdade com sangue. Serão chupadores de sangue contra chupadores de sangue nessa nova interpretação do personagem.

O roteiro é de Kurt Busiek e Daryl Gregory e a arte de Scott Godlewski.

O Boom! Studios foi inaugurado em 2005, com a proposta de viabilizar projetos autorais de grandes nomes dos quadrinhos. A editora possui uma série de títulos em vários gêneros diferentes, entre os quais se destacam Hero Squared, Zombie TalesCthulhu Tales e títulos com personagens da Pixar e DisneyMark Waid é seu atual editor.
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno


“TARZAN – A ORIGEM DO HOMEM-MACACO E OUTRAS HISTÓRIAS”: ÁLBUM RESGATA PERSONAGEM NO BRASIL

sexta-feira | 28 | maio | 2010

Tarzan - A Origem do Homem-Macaco e Outras Histórias. Crédito: reprodução
Capa de “Tarzan – A Origem do Homem-Macaco e Outras Histórias”, álbum que relança histórias do personagem publicadas em 1972

Tarzan foi um dos personagens mais longevos a ocupar as bancas brasileiras. Andava sumido. É resgatado agora num álbum, que relança oito de suas aventuras. “Tarzan – A Origem do Homem-Macaco e Outras Histórias” (Devir, 208 págs., R$ 49) cumpre à risca o que o subtítulo vende: mostra como tudo começou e mais quatro tramas.

As histórias são de um momento de transição. O personagem saía da editora norte-americana Gold Key e migrava para a DC Comics, a mesma de Batman e Super-Homem. A estreia em abril de 1972. A nova casa procurou dar um ar de continuidade, mantendo a numeração da revista mensal. Os rumos criativos, no entanto, foram revistos.

Quem assumiu as histórias do Homem-Macaco foi Joe Kubert, que já trabalhava nos quadrinhos da DC. O quadrinista procurou recriar o clima das primeiras aventuras. “Minha intenção ao fazer Tarzan era injetar a emoção e a proximidade que senti quando li suas histórias pela primeira vez”, diz o quadrinista, na apresentação do álbum.

A missão incluiu reler a literatura sobre o personagem, lapidada por Edgar Rice Burroughs (1875-1950). O escritor publicou a primeira história de Tarzan em 1912. Do contato com os livros, surgiu a recriação da origem do herói das selvas, algo propício para um momento de reinício da revista editorial da revista nos Estados Unidos.

Kubert relembra o leitor os fatos que tornaram Tarzan o rei dos macacos. Ainda bebê, ficou órfão em plena floresta africana. Foi criado a partir de então por uma macaca, Kala. O menino se desenvolveu na selva até encontrar caminhos para reconstruir seu passado e o contato com outros humanos. As demais histórias trazem tramas após tais fatos.

A reedição do álbum, na prática, funciona como um resgate do personagem no Brasil, como bem relembra um texto, no final da obra, assinado pelo editor Leandro Luigi Del Manto. Tarzan estreou por aqui em 1934, no extinto “Suplemento Juvenil”. A carreira como personagem-título de revista em quadrinhos teve início em 1951. Foi publicado até 1989.

Desde então, o Homem-Macaco tem feito aparições em edições especiais ao lado de super-heróis ou numa luta contra o Predador dos cinemas. Nada à altura de sua trajetória. A estreia do personagem ocorreu em 1929, época em que as tiras de jornais eram quase todas de cunho cômico.

Tarzan não. O foco era na aventura, desenhada por Hal Foster (1892-1982), que depois ficou ainda mais famoso com a série “Príncipe Valente”. O ingresso da ação agregou um novo gênero às tiras e estimulou uma lista de outros personagens afins: Jim das Selvas, Flash Gordon, Buck Rogers, Fantasma.

Este álbum é de outro momento do personagem. Mas procura dialogar com o passado dele, inclusive com a participação de Burne Hogarth (1911-1996) na arte de uma das histórias. Hogarth foi quem substitui Hal Foster nos desenhos do Homem-Macaco, em 1937. É tido como uma das principais referências visuais do personagem nos quadrinhos.

O trabalho de Joe Kubert procura recriar esse clima das décadas de 1930 e 40. E consegue, em particular nos quatro primeiros capítulos, que narram a origem do herói. O álbum da Devir resgata a importância de Tarzan para os quadrinhos e dá um primeiro passo para o retorno de outras aventuras dele. É algo histórico, que precisa ser recuperado.
>> BLOG DOS QUADRINHOS – por Paulo Ramos


MARJANE SATRAPI: “FALAR DOS OUTROS É VENTILAR O CORAÇÃO

sexta-feira | 28 | maio | 2010
Marjane Satrapi

No Irã, bordado significa, além da costura feita em pano, cirurgia de reconstituição do hímen, para que a mulher “vire uma virgem” novamente. A palavra batiza o mais recente livro, enfim lançado no Brasil, da iraniana Marjane Satrapi (acima) – autora de clássicos como Frango com ameixa e Persépolis, cuja animação foi indicada ao Oscar em 2008 – e traz a público mais um episódio marcante de sua vida.

A autora, que desde 1994 mora na França, relata um encontro de senhoras durante o samovar, o tradicional bule de chá iraniano – momento de descontração e fofocas. Como dizia a avó de Marjane, personagem principal de Bordados (HQ na Cia / Companhia das Letras), “falar dos outros pelas costas é ventilar o coração”.

A autora faz questão de dizer que a avó tinha um grande senso de moralidade: – Ela sempre me disse: “Marjane, se você vai a uma festa e você não falar com ninguém, eles vão dizer: ‘Quem ela pensa que é?’, mas se você vai a uma festa e começam a rir com todos eles vão dizer: ‘Oh, olhe para esta cadela’. Portanto, não importa o que você faça: as pessoas vão falar de você. Faça o que quiser. Se você não sente vontade de falar, não fale. Se você sentir vontade de rir, ria”.

bordados de marjane satrapi FUC FUC

Durante o chá da tarde relatado no livro, o assunto gira em torno de histórias sobre amor e sexo. A cada relato, novas surpresas. Há desde a mulher que nunca viu um pênis porque sempre fazia amor no escuro até as que casaram cedo – e intocadas – com homens muito mais velhos, inclusive golpistas, galinhas e até homossexuais enrustidos.

O traço, simples e em preto e branco da autora, vira mero detalhe diante de diálogos fluidos, diretos e bem-humorados. Mademoiselle Sartrapi não tem papa na língua. Numa das cenas, uma senhora pergunta a outra se a pelezinha pendurada não dá nojo. A que a outra responde: “O prepúcio? Acho que em geral nenhum pau é lá muito fotogênico”.

bordados de marjane satrapi prepucio

E mesmo num país onde as mulheres se submetem aos homens, sobra espaço para defender os amantes, que estão sempre bem apresentados durante os encontros secretos.

No Irã, a virgindade tem alto valor, e as mulheres mais velhas apelavam para todo tipo de mandingas. Uma delas consistia em colocar uma chave dentro da vagina logo depois de fazer amor, inseri-la numa xícara de chá e dar para o marido beber em no máximo 77 segundos (!).

bordados de marjane satrapi chazinho

Como já virou marca registrada, em determinados momentos, a autora faz críticas à indústria cultural, através de seus personagens. Como é o caso da MTV, que, segundo a avó, é um “canal de idiotas cantando seminus”. E a matriarca é quem dá o toque final com mais uma de suas tiradas, lembrando que na vida “às vezes você está montada no cavalo, às vezes é o cavalo que monta em você”.
>> JORNAL DO BRASIL- por Pedro de Luna


SERES FANTÁSTICOS NA LITERATURA: DRAGÕES

quinta-feira | 27 | maio | 2010

“Há muito tempo, desde o começo da humanidade,
o dragão,

com seu corpo de serpente e seus poderes mágicos,
esteve presente entre nós,

sugerindo-nos que existe um ser imortal presente
no interior de todas as coisas.”

Francis Huxley[1]

O Dragão é provavelmente a criatura fantástica mais conhecida e discutida do mundo. Existe em todas as tradições, sob uma forma ou outra. É ligado aos quatro elementos, ou seja, também é um ser elemental – segundo a teoria filosófica pré-socrática de que o mundo seria composto por quatro elementos básicos: ar, água, terra e fogo. Dizia o filósofo Empédocles (século IV a.C) que essas quatro raízes compunham tudo o que existe, sendo animadas por duas forças contrárias, que foram chamadas de “amor” e “ódio”: ou seja, a força de atração e a força de repulsão. Muitos seres fantásticos da mitologia e da literatura têm essa ligação com algum dos quatro elementos. No caso do Dragão, ele seria um ser do fogo e/ou da água, e seu caráter se altera dependendo da mitologia em questão.

A palavra vem do grego drákon e também do latim draco. Parece derivar do verbo grego derkomai, “ver”; ou deskesthai, “lançar olhares”. Estaria, então, associado à idéia de ver, olhar e, portanto, conhecer. Não é de se admirar, então, que as lendas digam que é perigoso olhar nos olhos de um dragão.

 

 “Muitas tradições falam de um abismo cheio de água revolvida por um espírito ardente

que pode ver graças à sua própria luz. Assim, como nos contam os Upanishads hindus,

o espírito olha faminto ao seu redor; esta ação é que dá ao dragão o seu nome (…)”. [2]

A palavra para designá-los em algumas línguas (Drache, Drake) também designa as serpentes. Outra palavra antiga para dragão é Verme, que vem de Worm ou Wyrm.

O dragão mais antigo das histórias pode ser Tiamat, uma divindade babilônica que personificava o Caos: o universo antes de ser organizado. Diz o Enuma Elish, Mito de Criação Babilônico, que Tiamat era a água salgada, em oposição a Apsu, a água doce. Da mistura de suas águas surgiu o universo, e deu-se à luz os primeiros deuses. Mais tarde os deuses mataram Apsu; Tiamat, com personalidade feminina, voltou-se contra eles e começou a gerar monstros, inclusive os primeiros dragões. Ela seria morta pelo deus-herói Marduk, e de seu corpo ele teria criado o céu, a terra, os astros, os rios, os seres vivos.

Para os chineses, eles são criaturas benignas e de vários tipos: o Dragão Divino, o Dragão Terrestre, o Subterrâneo. Dragões seriam antepassados dos imperadores da China; o primeiro governante a assumir a forma dracônica foi o lendário Fu Hsi. Ainda segundo tradições chinesas, existiam quatro Dragões da Água que governavam os quatro oceanos do mundo: Ao Kuang, Ao Jun, Ao Shun e Ao Chi. Todos eram servos do Imperador de Jade e moravam no fundo das águas.

Vem também da China a crença de que eles teriam atributos de nove “animais”: chifres de cervo, cabeça de camelo, olhos de demônio, pescoço de serpente, barriga de molusco, escamas de peixe, garras de águia, pés de tigre e orelhas de boi.

Seria, então, o dragão um animal que viveu em eras passadas, como os antigos sáurios? Ou será que, quando os antigos encontravam enormes ossadas fósseis, julgavam que aqueles eram ossos de animais desconhecidos, fantásticos? Talvez venham daí as primeiras histórias sobre dragões na cultura humana…

“Os chineses dizem que o fogo do dragão e o fogo humano são coisas opostas. Se o fogo do dragão entrar em contato com algo úmido, lança chamas; e se entrar em contato com a água, incendeia-se.

Se alguém se enfrenta a ele com fogo, conseguirá fazê-lo parar de arder e as chamas se extinguirão.

Isso, por sua vez, pode ser comparado com a correspondência alquímica do dragão com a Matéria Prima e com a regra segundo a qual, para limpar uma substância, não se deve usar água, mas fogo. [3]

Por muito tempo acreditou-se que as salamandras seriam pequenos dragões. Há referências a elas em bestiários medievais e em obras de não-ficção. O próprio Santo Agostinho as cita como animais que vivem no fogo, querendo provar que os corpos humanos poderiam viver no fogo do inferno sem ser consumidos!

E tanto Aristóteles quanto Leonardo da Vinci atestaram a existência real desses animais como capazes de viver nas chamas. Marco Polo diz ter visto em suas viagens tecidos de pele de salamandra, que não queimavam no fogo – embora, na verdade, desconfie-se que esses tecidos eram feitos de amianto.

Como vimos, além do fogo, os dragões são associados fortemente ao elemento água. Ou estão nas nuvens, e são senhores da chuva, ou nos mares e rios; para os chineses, a chuva fina é celestial, mas a tempestade violenta é a “chuva do dragão”… E encontramos em variados folclores a ideia de que, se uma mulher banhar-se em rio ou mar, pode engravidar pela ação de um ser mítico: cobra grande, boto, serpente, sempre uma criatura com características dracônicas. Isso liga os dragões aos m’bois, as cobras gigantes do folclore brasileiro. O m’boi é o arquétipo do dragão na América Latina.

Se no Oriente os dragões estão ligados à chuva, sua capacidade de exalar ou projetar fogo aparece mais nas lendas do Ocidente. Longe da tradição que os considera como benignos ou neutros, em histórias ocidentais ele simboliza forças demoníacas. É esse o sentido da história de São Jorge: o Cruzado (que é o Cristianismo) mata o dragão (vence o demônio) e converte o mundo. Faz sentido um ser infernal ter domínio do elemento fogo, e eis aí porque as pessoas acreditaram em tais criaturas com hálito ardente.

Há na verdade duas histórias de São Jorge. Uma, que pertence à história cristã, conta sobre um cavaleiro da Capadócia que lutou nas Cruzadas. Outra conta sobre um cavaleiro que salvou uma princesa de ser devorada por um dragão. As duas convergiram em uma só, que aparece em variadas versões.

Jorge foi um mártir cristão nascido na Capadócia, na Ásia Menor. Consta que foi morto na Palestina no ano 303, conforme inscrições encontradas numa igreja da Síria e atestadas por um Cânon do Papa Gelasius I, de 494.

Diz uma lenda que em certa cidade pagã da Líbia um dragão aterrorizava o povo, que tentava aplacá-lo com ofertas de ovelhas e de seres humanos em sacrifício. Quando, escolhida por sorteio, a próxima vítima devia ser a filha do rei, o povo a levou até o monstro para ser morta. Nesse momento, um cavaleiro que voltava das Cruzadas chegou lá, matou o dragão, libertou a princesa e todos os habitantes locais se converteram ao Cristianismo como agradecimento ao herói. [4]

Outra versão da história diz que a cidade era Silene, também na Líbia, e que o dragão se abrigava num pântano. Todas as moças já haviam sido sacrificadas a ele: a última viva era a filha do rei. Jorge, o cavaleiro, chegou ao pântano e libertou a princesa. Ela, então, tomou seu cinto e prendeu o dragão pelo pescoço com ele, conduzindo-o para a cidade; lá, em vista de todos, Jorge o matou. Mas não quis aceitar a mão da moça em casamento, mantendo sua castidade de missionário cristão. [5]

Embora São Jorge hoje não seja mais um santo “oficial”, em 1222 o Concílio de Oxford instituiu a Festa de São Jorge no dia 23 de abril, e no século XIV ele se tornou o Santo Padroeiro da Inglaterra. Não é de se admirar, já que o herói mítico mais popular do Reino Unido, Arthur, é um Pendragon, e sua linhagem ostentava o dragão como símbolo. A própria bandeira do País de Gales mostra um dragão vermelho sobre um campo verde e branco. Podemos supor que o branco simboliza o mundo espiritual e o verde o mundo terreno; o dragão colocado sobre ambos demonstra seu domínio sobre céu e terra, espírito e matéria.

A mitologia grega também está repleta de dragões. Um dragão atacou os homens de Cadmo, que buscava sua irmã Europa, raptada por Zeus; o herói o matou e a deusa Atena sugeriu que ele semeasse os dentes do bicho. Dos dentes brotaram da terra guerreiros armados que lutaram até destruir-se; os que sobraram fundar com Cadmo a cidade de Tebas. Heróis como Héracles também enfrentaram dragões; um dos mais famosos foi Ládon, que guardava os pomos de ouro do jardim das Hespérides, filhas de Atlas.

Já na mitologia Nórdica temos Fafner, do Anel dos Nibelungos, o gigante e inimigo dos deuses que, transformado em dragão, dormia sobre o Ouro do Reno. E na mitologia Anglo-Saxã encontramos Grendel, o dragão que atacou a Dinamarca e que seria morto por Beowulf. Em tais relatos, de inspiração europeia, é comum haver uma ligação entre os dragões e tesouros preciosos. Um autor especulou que ouro e pedras preciosas seriam matérias desejáveis aos dragões, pois o ouro, metal incorruptível, formaria um leito não-corrosivo para o verme – algumas histórias falam em dragões que soltam ácido – e as gemas, quase  indestrutíveis, protegeriam seu ventre das armas humanas como uma couraça preciosa. [6]

Na ficção, cada autor utiliza os dragões da forma que deseja. Em ficção científica os mais famosos talvez sejam os Dragões de Pern, descritos pela autora Anne McCaffrey. Na fantasia, temos os dragões descritos por J. R. R. Tolkien, como Glaurung, criado por Morgoth para atacar elfos e humanos. E muitos outros, como os que habitam o mundo de Harry Potter; esses estão divididos em espécies oriundas de vários pontos do mundo. São descritos com características biológicas detalhadas; e sim, cospem fogo.

Nas “Crônicas de Spiderwick”, o personagem Arthur Spiderwick diz que eles pertencem à família Draconidae, em duas espécies: o Wyrm, terrestre (Draco antiquissimus) e o Wyvern, alado (Draco Alatus).

Na Trilogia da Herança, de Christopher Paolini, os dragões estão quase extintos e são ligados a seus cavaleiros desde antes do nascimento – o que os aproxima dos dragões de Pern, que saem do ovo para pessoas específicas, ficando ligados a elas por toda a vida. O mesmo ocorre com dragões nas histórias de Téméraire, da autora americana Naomi Novik. Nessa história alternativa das guerras napoleônicas, os humanos treinam dragões para a guerra numa força aérea, e também existe a ligação profunda, desde que o dragão sai do ovo, entre ele e seu cavaleiro, ou melhor, dragaleiro, já que dragões não são cavalos.

Não é difícil concluir que, muito mais que o unicórnio, a fênix ou os centauros, o dragão é o ser fantástico mais presente em mitos, lendas e ficção. O fascínio que sua figura exerce sobre nós é extraordinário. Do ponto de vista simbólico, podemos até dizer que o dragão representa nosso próprio fogo interior, que algumas tradições esotéricas chamam de Kundalini, o fogo serpentino que se acredita ser a fonte da criatividade e da sexualidade no ser humano.

Não existem limites para a aparição dos dragões na literatura. Animais ou seres racionais superiores, senhores da chuva ou lançadores de fogo, suas histórias ainda vão nos encantar por muitos séculos.


“Aqui é o lugar onde os dragões foram parar. Eles repousam… nem mortos, nem adormecidos.

Nem à espera, porque esperar implica ter alguma expectativa.

É possível que a palavra seja… entorpecidos.

E, embora o espaço que ocupem não seja como o espaço normal,

ainda assim estão amontoados e apertados uns contra os outros.

Não há um centímetro cúbico que não contenha uma pata, garra, escama ou a ponta de uma cauda. O efeito disso é comparável àqueles desenhos de ilusão de ótica,

e nossos olhos acabam percebendo que o espaço entre cada dragão é, na verdade, outro dragão.

É possível imaginar uma lata de sardinhas,

isso se você achar que as sardinhas são enormes, cheias de escamas, orgulhosas e arrogantes.

E que, supostamente, em algum lugar, há um dispositivo de abertura.”

Terry Pratchett[7]

Leituras sugeridas:

O Silmarillion – J. R. R. Tolkien – Ed. Martins Fontes
Crônicas do Mundo Emerso (3 volumes) – Licia Troisi – Ed. Rocco
His Majesty’s Dragon – Naomi Novik – Ballantine Books
The Fire Within – Chris d’Lacey – Scholastic Books
Crônicas de Dragonlance (3 volumes) – Margareth Weis e Tracy Hickman – Ed. Devir
Como criar e cuidar de um dragão – John Topsell – Ed. Marco Zero
Dragonflight – Anne McCaffrey – Ballantine Books


[1] Huxley, Francis. Mitos, Deuses, Mistérios: o Dragão. Espanha: Ed. Del Prado, 1997. Pp. 05-07.
[2] Idem.
[3] Huxley, Francis, op. Cit., p. 9.
[4] Fonte: Microsoft Encarta Enciclopédia, 2000.
[5] Fonte: Francis Huxley, op. Cit., p. 15.
[6] Dickinson, Peter. Flight of Dragons, The. 1979.
[7] Pratchett, Terry. Guardas! Guardas! São Paulo: Conrad do Brasil, 2005. P. 11.

>> VALINOR – por Rosana Rios


WELLS E WELLES

terça-feira | 25 | maio | 2010

Os nomes de H. G. Wells e Orson Welles estão ligados para sempre, em nossa memória cultural, pela adaptação radiofônica feita por Orson em 1938, com base no romance “The War of the Worlds”, publicado por H. G. em 1898.  Como se sabe, a transmissão da invasão dos marcianos, em forma de noticiário, levou o pânico aos Estados Unidos e tornou Orson famoso da noite para o dia.  As pessoas ligavam o rádio e ouviam alguns números musicais que eram bruscamente interrompidos para que locutores nervosos anunciassem o desembarque de naves alienígenas, a mortandade causada pelos seus “raios de calor” e as multidões em pânico pelo país afora.  Somente esta última parte era verdadeira: houve pânico, acidentes, tentativas de suicídio, e a CBS, dona da emissora, teve que cortar um dobrado nos meses seguintes para enfrentar as dezenas de processos judiciais que sofreu. Orson ficou famoso e foi contratado por Hollywood, onde realizou “Cidadão Kane”.

Em 1940, os dois autores dessa transmissão memorável se encontraram pessoalmente, durante uma turnê de conferências que H. G. Wells realizou na América do Norte.  Em San Antonio (Texas), ele falou para a United States Brewers Association; por coincidência Orson estava na cidade para uma palestra, os dois foram apresentados, e no dia seguinte foram para a rádio local.  No YouTube (em: http://www.youtube.com/watch?v=nUdghSMTXsU) pode-se escutar um áudio de 7 minutos e meio do único encontro entre os dois.  A voz grave e profunda de Orson, então com 25 anos, contrasta com a voz mais débil, fatigada (mas sempre bem-humorada) de H. G., então aos 74 anos.  Os dois trocam amabilidades, fazem brincadeiras com o fato de terem quase o mesmo sobrenome, comentam a política mundial (estava-se em pleno começo da II Guerra, é inevitável que se refiram a Hitler), e discutem o pânico causado pela transmissão do programa.

Orson parece referir-se a um discurso de Hitler segundo o qual o pânico provocado por “A Guerra dos Mundos” mostrava a condições corruptas e o estado decadente das democracias ocidentais.  Wells comenta que isso só pode ser dito por quem desconhece a tradição do Halloween na América, quando todo mundo faz de conta estar vendo fantasmas (a transmissão ocorreu, propositalmente, numa véspera de Halloween).  Orson refere-se às profecias do inglês, cita seu livro “The shape of things to come” (1933) e diz que “hoje estamos vivendo num futuro de H. G. Wells, num daqueles mundos sobre os quais ele falava”. 

No fim da conversa, Wells pede que Orson fale sobre o filme que está dirigindo, e pergunta se o nome é “Citizen Cain” (“Cidadão Caim”).  Orson ri e diz que não, é “Kane”, mas que é muito gentil da parte de Wells dizer isto abertamente. E explica: “É um novo tipo de filme, como um novo método de apresentação, e alguns novos tipos de experiências técnicas e novas maneiras de narrar um filme”.  Em matéria de eufemismo, de “understatement”, é de botar qualquer britânico no chinelo.
>> MUNDO FANTASMO- por Braulio Tavares


A VOLTA DO GARRA CINZENTA E OUTRAS DE EMIR RIBEIRO

terça-feira | 25 | maio | 2010

Velta & Raio Negro

A série Velta & Raio Negro, escrita e desenhada pelo quadrinhista paraibano Emir Ribeiro e lançada pela editora Júpiter II, chega à segunda edição resgatando mais uma criação clássica dos quadrinhos brasileiros: o Garra Cinzenta, criado em 1937 por Francisco Armond e Renato Silva e considerado o personagem precursor das HQs de terror no País.

“Há muito tempo eu queria trazer o Garra Cinzenta de volta. A oportunidade se apresentou agora, em Velta & Raio Negro. Penso em, a cada edição, trazer uma terceira atração, ou seja, outro personagem para contracenar com a dupla”, disse Emir Ribeiro aoUniverso HQ.

Na trama desta aventura policial e de mistério, o vilão retorna à vida, nos tempos atuais, e se vê obrigado a combater os dois heróis para prosseguir com seus planos de terror.

O primeiro combate ficou em aberto, com pontas soltas para uma possível continuação. “Haverá um segundo encontro do Garra com Velta e Raio Negro, mas ainda não há previsão da data; tampouco o roteiro foi escrito. De imediato, está apenas fixado que o vilão irá se vingar da dupla”, revelou o autor.

A edição é completada com uma extensa matéria sobre o Garra Cinzenta, na qual há a informação de que um dos criadores do personagem era na verdade uma mulher, na época se valendo de um pseudônimo para escapar do preconceito contra quadrinhistas do sexo feminino.

Outra novidade anunciada por Emir Ribeiro é o crossover entre Velta e a vampira Mirza, criação deEugênio Colonnese, que já está em produção.

Velta & Raio Negro # 2 tem 24 páginas em preto e branco, custa R$ 3,00 e pode ser adquirida naComix Book Shop, em São Paulo/SP, ou diretamente na editora Júpiter II, pelo e-mailsmeditora@yahoo.com.br.

http://www.universohq.com/quadrinhos/2010/n21052010_02.cfm

Marcus Ramone


“ORIGEM” (“INCEPTION”): NOVO VÍDEO DIVULGADO

terça-feira | 25 | maio | 2010


Warner Brothers UK revelou um novo spot de TV de A OrigemClique aqui para conferir.

O vídeo de 60 segundos mostra pouco da ideia inicial do filme, mas deixa claro seu visual com algumas cenas impressionantes.

A Origem é descrito como “uma aventura de ficção-científica que viaja ao redor do globo e para dentro do íntimo e infinito mundo dos sonhos“. Na história, Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) é um ladrão especializado na perigosa arte da extração, roubando valiosos segredos do subconsciente durante o estado de sonho, quando a mente está mais vulnerável.

A habilidade rara de Cobb faz dele uma peça desejável no jogo da espionagem corporativa, mas isso também o fez um fugitivo e destruiu tudo o que ele já amou. Agora Cobb recebe uma chance de redenção, um último trabalho que pode lhe devolver a vida. Cobb e sua equipe têm de realizar o impossível: implantar uma ideia ao invés de extrair uma. Se eles forem bem sucedidos, terão realizado o crime perfeito. Mas nada pode preparar o time para o perigoso inimigo que parece prever cada passo dado por eles, um inimigo cuja chegada apenas Cobb poderia antever.

Além de DiCaprio, estão no elenco Michael CaineCillian MurphyKen WatanabeEllen PageMarion CotillardJoseph Gordon-Levitt Tom Hardy. O filme tem direção de Christopher Nolan (Batman: O Cavaleiro das Trevas). A estreia nos EUA é em 16 de julho nos Estados Unidos e 6 de agosto no Brasil.
>> HQ MANIACS – por Livia Ferreira


OS PARADOXOS DO HORROR

domingo | 23 | maio | 2010

O menino assustado não desgruda os olhos da TV. A mãe sabe que ele terá pesadelos e o chama para ir deitar, mas ele se recusa. Quer ver até o final.
Esta cena parece comum. Lembramos que nós mesmos poderíamos ser aquele menino e mesmo hoje ainda nos assustamos com um ataque do Alien, ou sentimos calafrios a ver A Hora do Pesadelo ou sentimos a sensação de suspense ao ver um episódio de Além da Imaginação, ainda que tenha efeitos especiais extremamente toscos.

Diante desta constatação, surgem duas perguntas básicas:

Por que sentimos medo, suspense ou angustia diante de uma história que sabemos ser falsa?

Por que procuramos este tipo de literatura ou cinema, se sabemos que ela nos causará algum tipo de desprazer?

O fato de se existir histórias de terror desde quando um homem de Cromagnon assustou seus companheiros de caverna aumentando um pouco o tamanho do tigre de dentes de sabre que o perseguiu, nos mostra a solidez deste gênero de histórias.

Tenho lido ou visto ao longo de minha vida vários livros e filmes que de uma forma ou outra se enquadram nestes gêneros. Também tive contato com várias teorias que tentam explicar este tipo de fenômeno, desde obras de filosofia e psicologia a prefácios de livros deste gênero de literatura. O que não me torna uma autoridade no assunto, mas pelo menos um leitor bem informado. E nesta categoria é que pretendo discorrer.

Uma das respostas possíveis à primeira pergunta é “a suspensão temporária da realidade”, que ocorre em qualquer obra de ficção. Se assim não fosse, não poderíamos lidar com nenhum tipo de ficção, pois sequer riríamos de uma boa piada…

Esta suspensão não é plena, pois sabemos que se fecharmos o livro ou mudarmos de canal o monstro não estará mais ali (do contrário, seríamos sérios candidatos a uma consulta ao psiquiatra).

Como parte ou complemento desta suspensão, temos a identificação com os personagens (o herói, a vítima, o narrador ou até o monstro). Muitas vezes nos surpreendemos nos dizendo “isso poderia estar acontecendo comigo”.

Apesar desta identificação, o nosso sentir muitas vezes não é o que o personagem pode estar sentindo. O detetive, no encalço de um assassino, passa por várias emoções, mas nunca o suspense (esta é uma emoção típica de um espectador, que às vezes sabe mais que o personagem). Mas outras, como o medo, a repulsa, alguns tipos de susto e o desejo sexual podem estar ligados diretamente ao personagem ao qual nos identificamos.

Isso parece ter respondido à primeira questão.

Entretanto, a literatura que explora o suspense, o terror ou o horror lida com emoções profundamente negativas. Será que nós, leitores de Drácula, somos todos masoquistas?

Claro que não!

Podemos elencar alguns motivos pelos quais nos aproximamos de uma obra deste estilo.

Fuga da vida moderna. Nosso corpo e nossas emoções estão preparadas para uma vida nas selvas, onde podemos ser vítimas ou predadores durante nossa busca pelo alimento. Porém estes problemas foram resolvidos e em vez de correr atrás do antílope ou fugir do leão, vamos ao mercado e compramos um bife e o único leão que enfrentamos é o do imposto de renda. Todavia sentimos falta desta vida pela qual fomos preparados ao longo de milhões de anos e buscamos isso nos livros e filmes de suspense e terror.

Experiência de transcendência. Esta é a tese de Lovecraft. Um bom enredo de terror nos coloca frente a frente com nosso medos primais, a ponto de termos a mesma experiência de um homem primitivo diante dos fenômenos da natureza. O racionalismo nos tira o medo do trovão que um homem das cavernas teria, mas ao empregarmos “a suspensão temporária da realidade”, podemos atingir este mesmo estágio e termos o medo primal diante de Cthulhu ou outro monstro similar.

Rito de passagem. Uma boa parte dos filmes de terror e horror é voltada para o público adolescente, que quer provar para o seu grupo que tem coragem e demonstra isso comentando detalhes mais sanguinolentos de Sexta Feira Treze. Há um episódio de Doug onde isso é mostrado. Ele se sente inferiorizado frente a seus amigos por ter fechado os olhos no momento em que o monstro aparece na tela. Um outro bom exemplo são os “testes” do Zé do Caixão, onde ele fazia os candidatos a ator passar por experiências do tipo “comer minhoca” e só “os mais fortes” eram aprovados…

Catarse de emoções reprimidas. Nossa sociedade, além de resolver nossos problemas de sobrevivência, em contrapartida nos coloca uma série de restrições de ordem moral, a maioria das vezes arbitrária. Então, alegoricamente, nos recorremos a uma boa história de terror pra por pra fora esta repressão. Dentre estas restrições, a mais evidente é o sexo. O ato de penetração passa a ser os dentes do vampiro no pescoço da mocinha. Ou então a violência. Em vez de dar uma surra no meu vizinho inconveniente, torço pro herói matar o monstro na tela do cinema.

Trama complexa de mistério e descoberta. A maior parte dos enredos deste tipo (mesmo Sexta Feira Treze) envolve um problema que precisa ser resolvido, atingindo não mais nosso troglodita, mas o homem civilizado, que se encanta em resolver um bom mistério. Um bom exemplo é O Médico e o Monstro, onde só sabemos que o Médico e o Monstro são o mesmo ser nos últimos parágrafos da trama.

O suspense em si mesmo. Gostamos de torcer pelos personagens que estão passando por apuros e que não estão vendo que o assassino com a faca na mão está atrás da cortina. Isso está ligado á nossa capacidade de empatia, que nos permite ser solidário diante da dor do outro.

Identificação com o herói. A maioria de nós tem uma série de limitações de ordem física (somos fracos, feios ou carecas) ou externas (moro num “apertamento” minúsculo) que o herói não tem. É lógico que ele tem um monstro por dia pra matar, mas, e daí? Ele vai ficar com a mocinha no final… Então, por umas duas horas posso ser ele.

Identificação negativa. Às vezes nos identificamos não com o herói, mas com a vítima (que sofre alegoricamente o mesmo que sofremos no dia a dia) ou com o monstro, que após alguns maus bocados percebemos que ele é uma vítima da sociedade repressora como nós somos. É caso de King Kong (vítima da ganância) e do monstro de Frankstein (rejeitado pelo seu criador).

Efeito montanha russa. A montanha russa nos leva a uma situação de perigo aparente e depois de concluída, dá a sensação de alívio. Ao vermos um filme ou lermos um livro de terror ficamos aliviados ao saber que aquilo era apenas uma história. É o mesmo que calçar um sapato apertado pra depois ter o prazer de tirá-lo.

Alegoria sociológica ou política. Podemos usar o ambiente de um filme de terror para criticar ou exaltar a sociedade em que vivemos (o já citado King Kong, Jurassic Park, algumas histórias de zumbis, como Fido).

Estes foram os motivos que eu elenquei. Com certeza não são todos, mas são bem representativos. E quais são os seus motivos? Mas não racionalize muito, do contrário talvez o próximo livro ou filme de terror que você for ler ou ver não pareça tão interessante…
>> BLOG DO PAI NERD – por Álvaro Domingues


ESTILIZANDO O VAMPIRO, OU O ERRO FATAL DE STEPHENIE MEYER

quarta-feira | 19 | maio | 2010

Eu ia simplesmente chamar vocês para darem uma lida no beta do Conservatório, mas achei melhor fazer uma ligeiríssima nota sobre vampiros em geral, inspirada na pergunta com que vêm me enchendo o saco há um tempo: “por que o Diego toma sol e não acontece nada? Mimimi…”

Zente, desculpem se eu digo isso, mas vampiros se desfazendo em cinzas com inocentes raios de sol é uma invenção hollywoodianesca tão tosca quanto os vampiros brilhantes de Crepúsculo (é, Edward, Diego não perdoou você). O fato é que filmes são muito mais curtos que livros, então, há certas liberdades poéticas que foram tomadas com os vampiros ao longo dos anos que não existiam originalmente no mito.

Vocês devem estar se perguntando agora, então: por que os vampiros-fogueira foram aceitos enquanto os brilhantes são toscos, se nenhuma das duas pirotecnias tem qualquer base?

Antes de mais nada, vamos sair da esfera literária e aprender uma ou duas coisinhas bacanas sobre desenho. Existe uma técnica chamada “estilização”. Estilizar significa reduzir uma figura às formas mais simples possíveis, sem que ela perca sua identidade. Pablo Picasso estilizou um touro em uma série de desenhos muito famosa:

Percebem? Entre o primeiro touro, o mais realista, e o último, apenas um punhado de traços, houve vários intermediários. Mas todas as figuras têm em comum o fato de que são, inegavelmente touros. A identidade do animal não se perdeu.

O que isso tem a ver com o assunto anterior?

Simples. Quando vamos nos apropriar de uma figura mitológica já conhecida, não somos obrigados a fazê-lo de forma absolutamente realística, como o primeiro touro, mas, ao estilizá-la, precisamos ter certeza de que estamos suprimindo traços realmente supérfluos. O touro estilizado de Picasso não pareceria um touro se o pintor tivesse se esquecido os chifres, por exemplo. Ou, se lhe tivesse dado o contorno de um cavalo, o faria parecer mais um cervo que um touro.

É aí que entra a diferença entre o vampiro-tocha e o vampiro-purpurina. Stephenie Meyer cometeu erros sérios de estilização ao criar seu vampiro. Ela manteve três atributos importantes do vampiro: ele é morto, ele é sedutor e ele bebe sangue. Fim de papo. Alguém percebeu que falta algo muito importante aqui? O @cericn e a @anacarolinars perceberam. Não?

Eles não são noturnos! Desde a aurora da humanidade, os vampiros são um mal. E, como dizia Conan Doyle, é à noite que os poderes do mal são exaltados. Parece bobagem, mas ao fazer com que eles andassem pra lá e pra cá impunemente à luz do Sol e quase não tivesse cenas à noite na série Crepúsculo, Meyer tirou os chifres do touro. Não é porque os vampiros brilham. É só que nosso subconsciente nos diz, instintivamente, que eles não se enquadram exatamente naquilo que nos acostumamos a chamar de vampiros.

Não tenho a pretensão de ser capaz de estilizar perfeitamente os vampiros. Até porque, acredito que possam haver formas diferentes de estilização, mas que tragam a mesma ideia. Para ilustrar o que digo, vou listar algumas características que acredito serem básicas de um vampiro, sejam visuais, sejam literárias (isso na minha cabeça, claro):

1 – Eles bebem sangue
2 – Eles se levantam de túmulos
3 – Eles são noturnos
4 - Eles são pálidos
5 - Eles têm caninos
6 – Eles encantam suas vítimas
7 – Eles são fortes
8 – Eles não morrem de morte natural

Acho que dá para começar com isso. Um vampiro com todas essas características é inegavelmente um vampiro para qualquer um. Mas eu o compararia ao penúltimo dos touros de Picasso. Acredito que um vampiro estilizado poderia conter tanto as características 1, 3, 7 e 8 quanto as características, digamos, 3, 6, 7 e 8. Sim, ele poderia se alimentar de algo que não sangue. Quanto casos há dos tais vampiros de energia? O caso dos caninos, admito, coloquei mais por questões estéticas que lógicas ou históricas. Mas é que, se você apresentar um smiley, ele logo será identificado como um ser humano. Se apresentá-lo com presas, será identificado como vampiro, tal a força dos caninos longos no imaginário popular.

Se você pegar 2, 7 e 8, terá um zumbi. A estilização estaria incompleta. Percebem? Há várias formas de se fazer a estilização, muitas que funcionam, mas um bocado que dá ideias erradas. Escolher as características certas nem sempre é fácil.

A moral da história não é, exatamente, a de que é dever de honra de um escritor ser convencional no momento de usar uma figura mitológica, nem esse blá-blá-blá intelectual chato. Gostem os ranzinzas ou não, Stephenie Meyer FEZ sucesso com seus vampiros incompletos, mas até muitos de seus fãs reconhecem que os vampiros dela são muito diferentes do tradicional. Receio que, se ela não tivesse atingido as leitoras em cheio com sua trama açucarada, ela seria um motivo ainda maior de piadas. Minha mensagem é que, se alguém quer se aproveitar de qualquer criatura mitológica, e pretende fazer isso sem criar uma criatura diferente e usar o nome antigo (o que pode dar certo se você é um gênio ou tem sorte, mas terrivelmente errado se não é ou não tem - e menos de 1% dos escritores são gênios, menos ainda têm sorte), tem que tomar cuidado na estilização.

É verdade que a imagem dos vampiros (por exemplo) mudou muito desde as primeiras histórias de cadáveres sugadores de sangue até hoje. Mas isso não foi de uma história para outra. Foi gradativo e, até onde pude notar correndo os olhos em histórias de vampiros do século XIX, eles acrescentaram muitas coisas ao mito original, mas tiraram bem poucas. Ainda usando comparações desenhísticas, creio que eles pegaram um rascunho (geralmente, criaturas mitológicas em seu estado bruto não são muito mais que isso, vide descrições de lendas brasileiras) e o arte-finalizaram, mas permitido que ainda fossem reconhecíveis os traços principais. Pegar esse desenho e distorcê-lo até só sobrar o branco dos olhos é como revisitar a Monalisa desenhando uma loura de biquíni. Pode ser um desenho sensacional, mas se a tal loura não tiver nem o sorriso misterioso da Gioconda, como um desavisado poderia dizer que se trata de uma revisitação de DaVinci?

Sejam responsáveis, pessoal. Ser original é criar coisas novas, mas ser original também é usar coisas antigas de um jeito diferente. Ficou muito na moda dizer “meus vampiros”, “seus vampiros”, “meu lobisomem”, “seu lobisomem”, mas isso é errado. “Vampiro” e “lobisomem” são ideias. Embora cada pessoa os veja de um jeito, existe aquilo que está no inconsciente coletivo. Não subestime o que as outras pessoas pensam a respeito do tema que você está tratando. São essas pessoas que vão te ler.

Introdução à Antropofagia

“Só a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.”

Assim começa o Manifesto Antropofágico, de Oswald de Andrade. A maioria das pessoas talvez tenha uma vaga lembrança do chamado Movimento Antropofágico, das aulas de Literatura da escola. Foi um movimento criado por artistas modernistas (Arte Moderna, você conhece, né? NÉ?). Talvez uma lâmpadazinha se acenda em sua cabeça ao ver uma das pinturas mais icônicas desse movimento:

Esse quadro da Tarsila do Amaral se chama Abaporu, ou seja, “homem que come homem”. Antropófago, em uma palavra. Mas o que isso tem a ver com a estilização de que eu falei no post anterior? Primeiro, entendamos o que era o Movimento Antropofágico. Em resumo resumidíssimo, ele pregava que nós devíamos “deglutir” a cultura de todos os povos que nos cercavam – europeus, africanos, índios, etc, etc – e usar seus elementos para construir nossa própria. A metáfora é fácil de ser entendida: quando comemos uma planta, um bicho (ou uma pessoa, claro), nós mastigamos, digerimos e absorvemos seus nutrientes. Eles são incorporados a nós e passam a ser parte de nós. Não somos couve porque comemos couve. A couve é desmontada, transformada e se torna parte do nosso corpo. O mesmo se daria com o contato com a cultura de outros povos: deveríamos mastigá-la, digeri-la, absorvê-la e usá-la para fortalecer nossa própria cultura, ao invés de simplesmente imitar os gringos.

Pois bem. Falei isso tudo porque é a metáfora que vou usar para falar sobre um tema que frequentemente causa polêmica entre os escritores: pesquisa para montar os personagens.

No post anterior, comentei sobre a importância de conhecermos o que vai na cabeça do leitor sobre uma criatura qualquer ao escrever sobre ela. A ferramenta para isso é a boa e velha pesquisa. Mas como fazer essa pesquisa? Quão fundo ir? Vamos atacar o assunto jackestripadoramente. Para efeitos didáticos, vamos dividir a pesquisa em duas: pesquisa acadêmica e pesquisa pop. (Isso não existe em lugar nenhum, eu é que obsessivamente categorizo qualquer coisa que ocupe meu pensamento por mais de cinco minutos. :P) 
  
Pesquisa acadêmica seria a pesquisa que é feita sobre o tema nos meios acadêmicos. Se seu tema é vampiros, é saber de onde veio a lenda, como ela se desenvolveu, quais podem ter sido suas bases reais, o que os estudiosos dizem sobre ele e sobre seu simbolismo, etc, etc. Existe um time de escritores (geralmente os mais novos) que torce o nariz para esse tipo de pesquisa, achando um gasto de tempo inútil. 
  
Pesquisa pop, por outro lado, seria a pesquisa sobre como o tema é tratado pela mídia. É saber o que já foi feito com aquele tema e o que caiu em gosto popular. O que os fãs acham do tema, o que é que está no topo das paradas de sucesso… Tem escritores (geralmente os mais velhos) que acha que ela se restringe a livros e é uma parte quase dispensável, se você fez bem sua pesquisa acadêmica.

Gente, nem tanto o céu, nem tanto a Terra. A imagem das duas asas encaixa muito bem nessa situação. Você não voa se uma dessas duas asas da pesquisa estiver atrofiada.

A pesquisa acadêmica é essencial para você saber a respeito do que está falando. Lembram-se de Jesus Cristo? “A verdade vos libertará.” Conhecimento liberta. Quanto mais facetas você conhece do tema que está lidando (sejam vampiros, seja Idade Média), mais inspirado e seguro você se sente ao lidar com ele. Muitos problemas de trama que nos fazem ficar dias pensando podem ser resolvidos ao se descobrir o histórico de um ser mitológico. Num exemplo prático, digamos que você queira escrever uma história com elfos e orcs, porque acabou de leu Tolkien e quer criar uma história daquele jeito. Ao buscar conhecer “o elfo antes de Tolkien”, ou a simbologia que os elfos e orcs têm no trabalho de Tolkien, de repente, pode ser que você descubra elementos novos para sua história, para criar algo original. Ler artigos, livros acadêmicos e manuais de mitologia pode ser chato no início, mas te juro: assim que você fizer a primeira descoberta bacana, que vai resolver aquele furo na trama que tava te assombrando, você toma gosto pela coisa.

Já a pesquisa pop pode parecer um pouco “tola”, ainda mais se você não quer ser um autor de best-sellers (há quem não queira, OK?). Mas ela é fundamental! Saber o que as massas pensam, no mínimo, nos dá uma pista do que há no tema que você escolheu e que mexe com as emoções das pessoas. Além disso, a prática de se fazer pequenas homenagens a obras famosas do tema que você está escrevendo cria uma espécie de laço de afeto entre o leitor e seu livro. Não homenagens demais, que dêem a sensação que o leitor está jogando “onde está Wally?”, mas algumas. E o mais importante: quando eu disse “obras”, não falei só de livros. Falei de filmes, games, animações, mangás e HQs, e tudo o mais.

Já ouvi muitas pessoas dizerem “eu não gosto de ler livros com tema parecido com o meu porque, depois, eu copio o estilo sem querer”. Gente, isso é natural e não é desculpa. Voltando à metáfora da antropofagia, quando você come alguma coisa e entra numa montanha russa logo depois, o resultado é óbvio: você vai vomitar um caldo semidigerido, onde pedaços do alimento original ainda são reconhecíveis. É preciso dar um tempo para o organismo digerir o alimento e absorver. Eu sou uma que não leio enquanto escrevo e vice-versa. Não consigo. Deixe essa pressa pra escrever pra trás, que não leva a nada. Seja um antropófago cultural: pegue a referência e dê tempo para que ela se torne parte de você, ao invés de ficar vomitando pedaços de cultura estrangeira. Só assim você cria identidade.

Um argumento oposto e igualmente preguiçoso é o de que “eu não fico lendo coisas com o mesmo tema que o meu pra ser original e não copiar ninguém”. Gente, não se faz tijolos sem barro. E acreditem em mim, o leitor não liga A MÌNIMA se você leu ou não fulano. Se você fizer algo igual ao que ele fez, vão cair em cima do mesmo jeito. Afinal, COMO você não sabia que fulano fez algo igual? Nessas horas, a gente tem que ser humilde e pensar que nós não somos a pessoa mais criativa do universo. Uma simples referência àquele que teve uma ideia igualzinha à nossa já costuma bastar para transformar o que seria um “defeito” em um elo de ligação com o leitor. O que era um erro devido à desinformação se torna um atrativo.

Antes de encerrar o post, vou apresentar a quem não conhece o mapa da mina para quem quer ser um escritor sério e bem informado. Como nem sempre é possível ler/ver/jogar tudo o que sai sobre um tema, a gente geralmente tem que recorrer a resenhas, resumos e bate-papo com amigos. Mas o melhor lugar para você saber se é mesmo um escritor original ou não é http://tvtropes.org/. Esse site é uma wiki que cataloga vários “truques” comuns no desenvolvimento de uma trama (os tais tropos – eita palavra feia!), e dão uma lista impressionante das obras de todos os tipos onde eles aparecem e onde são subvertidos. Alguns tropos têm até exemplos na vida real. Usem o site sem moderação, mas cuidado. E não se deprima se perceber que tem mais de 300 obras que usaram o mesmo truque de narrativa que você. Só espero que se convença de que originalidade absoluta e total faz companhia a superfícies sem atrito e gases ideais.

Agora que estão armados até os dentes, boa sorte com a escrita e a estilização de personagens. o/
>> O CONSERVATÓRIO – por Adriana Rodrigues


DARIO ARGENTO VAI FILMAR “DRÁCULA” EM 3-D

quarta-feira | 19 | maio | 2010

Projeto do cultuado diretor italiano é anunciado em Cannes

drácula A nova tecnologia 3-D é um dos assuntos mais discutidos nesta edição do Festival de Cannes, e no mercado estão sendo anunciados diversos projetos no formato. Um deles promete: Drácula em 3-D, sob direção do cultuado italiano Dario Argento (Suspiria, Giallo – Reféns do Medo).

Por enquanto, sabe-se que será uma história de época, “uma tradução fiel do romance de Bram Stoker”, diz o comunicado oficial. As filmagens começam na Itália, em janeiro de 2011.

Um teaser poster foi mostrado em Cannes. Veja ao lado.
>> OMELETE – por Marcelo Hessel


“AS CRÔNICAS DE NÁRNIA: A VIAGEM DO PEREGINO DA ALVORADA” GANHOU SEU PRIMEIRO CARTAZ

quarta-feira | 19 | maio | 2010

Em ‘A Viagem do Peregrino da Alvorada‘ Edmundo e Lúcia ajudam a localizar sete lordes banidos de Nárnia, junto com o primo chato Eustáquio Scrubb.

A Walden Media escolheu o aclamado cineasta Michael Apted para conduzir o filme. Mais conhecido por ‘O Destino Mudou sua Vida‘ e ‘007 – O Mundo não é o Bastante‘ , o diretor inglês vai gritar “ação!’’ no set de filmagem.

Tanto ‘O Príncipe Caspian‘ quanto ‘O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa‘ são assinados pelo diretor Andrew Adamson. Lançada em 2005 pela BVI, a primeira adaptação cinematográfica do clássico de C.S. Lewis arrecadou mundialmente cerca de US$ 750 milhões.

A produção é uma parceria entre a Twentieth Century Fox e a Walden Media. A aventura chega aos cinemas norte-americanos em 10 de dezembro de 2010.
>> CINE 7 – Cinema


TIM BURTON VAI ADAPTAR MANGÁ “MAI, A GAROTA PSÍQUICA”

quarta-feira | 19 | maio | 2010

Site diz que cineasta está retomando projeto de mangá oitentista
 

mai No final dos anos 80, Tim Burton tinha entre seus projetos a adaptação ao cinema do mangá Mai, a garota psíquica (Mai, the Psychic Girl). O filme já tinha até trilha sonora gravada pela banda Sparks, mas nunca saiu do papel.

Segundo o Latino Review, o projeto está sendo revisitado. Os direitos de adaptação estavam com a Sony e foram revertidos para Burton, que agora supervisiona uma nova versão do roteiro.

Escrito por Kazuya Kudo e desenhado por Ryoichi Ikegami, o mangá foi originalmente publicado no Japão entre 1985 e 1986, em três volumes. Mai Kuju, a tal garota psíquica, de 14 anos, é perseguida por uma organização que tenta controlar os jovens com poderes mentais semelhantes aos de Mai. O mangá chegou a ser lançado no Brasil.

Por enquanto não há nada oficial em relação ao filme. Vamos aguardar.
>> OMELETE – por Marcelo Hessel


“O PAVÃO MISTERIOSO – CORDEL EM QUADRINHOS”

quarta-feira | 19 | maio | 2010

A edição luxuosa de O Pavão Misterioso em quadrinhosNão são apenas as grandes obras da literatura brasileira e mundial que merecem ser adaptadas para os quadrinhos. E isso acontece há tempos, como prova o álbum O pavão misterioso – Cordel em quadrinhos (formato 21 x 28 cm, 48 páginas, R$ 25,00, mais as despesas de correio), publicado em parceria pelas editoras Luzeiro, de São Paulo, e Tupynanquim, de Fortaleza.

Trata-se de uma republicação de uma edição lançada originalmente na década de 1960, na qual o desenhista Sérgio Lima levou para os quadrinhos o texto escrito no início dos anos 1920 por José Camelo, autor deste que talvez seja o maior clássico do cordel brasileiro.

Esse resgate aconteceu porque a Luzeiro herdou o acervo da extinta Editora Prelúdio, que, nos anos 1960, publicou uma coleção de cordéis adaptados para os quadrinhos. Quem descobriu a obra foi o pesquisador Marcus Haurélio Fernandes Farias.

O responsável pela nova paginação e pela adequação dos balões foi o editor e quadrinhista cearense Klévisson Viana, autor dos excelentes Lampião… Era o cavalo do tempo atrás da besta da vida e A moça que namorou com o bode.

Na história, o traço de Sérgio Lima dá vida ao intrépido Evangelista e sua amada Creusa, protagonistas da narrativa.

O pavão misterioso já foi adaptado para a televisão, a música e o teatro e, desde sua primeira publicação, o “folheto do Pavão” já vendeu aproximadamente 20 milhões de exemplares.
>> UNIVERSO HQ – por Sidney Gusman


CROSSOVER “ARQUIVO X” & “30 DIAS DE NOITE”

segunda-feira | 17 | maio | 2010

A verdade e os vampiros estão lá fora! A inusitada parceria entre o guitarrista Adam Jones da banda Tool e o autor de 30 Dias de Noite, Steve Niles, trará para os quadrinhos o amálgama entre o mundo dos sanguinários demônios da noite e dos famosos agentes do FBI responsáveis por casos de natureza sobrenaturais. Além dos autores citados, a arte ficará por conta de Tom Mandrake. O lançamento da minissérie em seis partes está marcado para julho desse ano pela IDW e Wildstorm Comics.

A minissérie X-Files: 30 Days of Night [Arquivo X: 30 Dias de Noite] traz os agentes Fox Mulder e Dana Scully, interpretados respectivamente por David Duchovny e Gillian Anderson da famosa série dos anos 90 para o mundo escuro, gelado e povoado por vampiros sedentos por sangue inicialmente apresentados na minissérie 30 Dias de Noite de 2002 de Steve Niles e Ben Templesmith.

Segundo Niles, em entrevista para CBR, o conceito de vampiros não romantizados utilizado em 30 Dias de Noite e como pessoas contaminadas com algo que as transformam em criaturas fisiologicamente dependentes de consumo de sangue, sem qualquer relação com crendices sobrenaturais tais como fraquezas perante cruzes e alho, se enquadra perfeitamente na idéia “realista” de monstros da série Arquivo X. Em Arquivo X, Mulder costuma acreditar no impossível ou pelo menos improvável e encontra fenômenos que sua parceira Scully procura racionalizar e explicar com pensamento científico.

Niles se diz fã da série de televisão e por isso aceitou o desafio. Ele aceitou realizar o crossover para aproveitar a chance de colocar as mãos em personagens que ele sempre acompanhou, sendo ao mesmo tempo uma tarefa empolgante e uma grande responsabilidade. Ele diz saber que a caracterização dos agentes do FBI deve corresponder fielmente à série para agradar a grande legião de dedicados fãs.

A trama mostra os dois agentes investigando a longa história de desaparecimentos no Círculo Ártico, desde as primeiras expedições em busca de novas rotas comerciais através dessa região. Tripulações e, às vezes, embarcações inteiras desaparecendo sem explicação. Casos atuais de desaparecimento despertariam o interesse de Mulder que assumiria o caso. Niles conta que por causa do avanço da linha cronológica no mundo de “30 Dias…” os vampiros Eben e Stella não aparecerão e que comentar os novos vampiros envolvidos seria “entregar demais”.

A parceria entre ele e Adam Jones se fez à base da admiração mútua. A primeira vez que tiveram contato foi em uma convenção, onde Jones aproximou-se para pedir o autógrafo de Niles, se dizendo fã dele. Niles ficou admirado, pois não podia entender como alguém de quem ele era fã poderia ser fã dele. A partir de então mantiveram contatos, desenvolvendo idéias e esperando o momento certo para trabalharem juntos em uma história. Quando Niles recebeu a proposta do crossover comunicou-a a Jones que apresentou a idéia da reviravolta principal para a história. Segundo Niles, a reviravolta criada por ele era tão convincente que a partir de então ele começou a acreditar no projeto desde que Jones também participasse.

A afinidade deles parece estar tanto na criatividade como na estética e background cultural. Ambos cresceram assistindo a série policial Kolchak, lendo quadrinhos da Marvel dos anos 70 e são fãs de terror. Para completar, Tom Mandrake faz a arte, com traços finos e clássicos. Sua grande contribuição é a extensa experiência e conhecimento com quadrinhos de horror, como aponta Niles.

Como fã confesso de 30 Dias de Noite e todos os seus spin offs, assim como Arquivo X e de Tool, acredito que em breve teremos um dos melhores crossovers de ficção e horror já realizados nos quadrinhos. É importante lembrar-se das temáticas sempre surreais e macabras tanto do som quanto de clips da banda Tool que se forem aproveitadas nos já opressores mundos de “30 Dias…” e Arquivo X podem nos trazer algo único – no sentido mais macabro possível. A arte mostrada nos previews parece ser bem competente apesar de mais clássica e conservadora do que a quase impressionista, escura e marcante arte de Ben Templesmith.  Gostaria muito que tivesse sido feita por este último artista, mas acredito que não será nada que comprometerá essa minissérie que estará um dia na minha coleção.
>> REVISTA O GRITO – por Mestre Polybius


“S.H.I.E.L.D.”: SAMUEL L. JACKSON CONFIRMA FILME

segunda-feira | 17 | maio | 2010

O site RadioBigBoy recentemente conversou com Samuel L. Jackson, que disse que o filme da S.H.I.E.L.D. será filmado logo após o longa-metragem dos Vingadores, tendo como protagonista principal Nick Fury, interpretado pelo próprio ator.

Segundo ele, o filme dos Vingadores deve começar a ser filmado no ano que vem, e logo em seguida o filme da S.H.I.E.L.D. Ainda não há diretor e roteirista confirmados.

A S.H.I.E.L.D. (Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão) foi criada por Stan Lee Jack Kirbyem 1966. Fundada pela ONU e financiada pelas potências da OTAN, tem a função de proteger todo o planeta de ameaças de grande porte, desde terrorismo internacional até invasões alienígenas. Nick Fury dirigiu a organização por muito tempo, mas Dum-Dum DuganG.W. BridgeSharon CarterMaria Hill e o Homem de Ferro também foram diretores por períodos breves. A S.H.I.E.L.D. foi desmantelada depois da saga Invasão Secreta, sendo substituída por uma nova organização: a M.A.R.T.E.L.O.
>> HQ MANIACS – por Will Costa


FANTASMA DO SÉCULO XXI

segunda-feira | 17 | maio | 2010

O Fantasma não é mais aquele. Criado pelo americano Lee Falk em 1936, o personagem vai ganhar um novo visual a partir de agosto, quando sai o primeiro número de sua nova revista, pela editora Dynamite, a mesma que publica outros clássicos dos quadrinhos, como Darkman, Vampirella, Sonja e Besouro Verde. Na nova fase, o Fantasma cuida de uma fundação de caridade em seu país, Bengala, e apoia outros do continente africano.

O responsável pelo redesign do herói, conhecido como o espírito que anda, é o ilustrador Alex Ross, o mesmo de “Marvels”. Pelas imagens já divulgadas, que você confere neste post, o Fantasma aparece sem o tradicional uniforme e mais violento. Ross cuidará do desenvolvimento do personagem enquanto que Scott Beatty será o roteirista. A arte das histórias em quadrinhos ficará por conta de um brasileiro: Eduardo Ferigato. Ele conversou rapidamente com o Gibizada a respeito do trabalho.

Como você entrou no projeto?
EDUARDO FERIGATO: Através de testes que produzi para a agência Art & Comics. O Joe Prado entrou em contato comigo falando sobre o interesse da Dynamite em meu trabalho para a série.

Por quanto tempo você ficará responsável pela arte do novo Fantasma? 
Meu contrato é para seis edições, mas é possível que eu continue na série depois disso.

Como será esta nova versão do clássico personagem? 
Quanto a isso não posso dar muitos detalhes. Tudo que posso dizer é que  o personagem está sendo adaptado ao século XXI. Mas, em minha opinião, a mitologia do personagem está muito presente na história.
>> GIBIZADA – por Télio Navega


“PARAÍSO LÍQUIDO”: O PRIMEIRO LIVRO PARA O PÚBLICO ADULTO DE LUIZ BRAS

segunda-feira | 17 | maio | 2010


O VIÉS TEÓRICO

sábado | 15 | maio | 2010


Marie Bonaparte

Um dos fascínios da obra de Guimarães Rosa é a criação de palavras novas, por derivação, fonetização, tradução, deformação, prefixação e sufixação inesperadas… Não nego que existe aí um vasto campo para estudo, mas o problema é que os estudos disso são todos parecidos. Gosto quando um crítico descobre um viés diferente. Ana Maria Machado, por exemplo, estudou a formação dos nomes próprios dos personagens de Rosa. Suzi Frankl Sperber analisou a presença, na obra dele, das idéias místicas (esoterismo paulista, os Upanishad, Platão, Plotino, Sertillanges, Ciência Cristã, etc.). Valentin Paz-Andrade demonstrou a presença da cultura da Galícia (palavras, formações verbais, costumes, provérbios, etc.) nos livros de JGR. Cada viés novo traz uma nova janela de informações.

Um livro muito citado nos estudos sobre Edgar Allan Poe é o da princesa Marie Bonaparte, de 1949, em que ela analisa Poe à luz da psicanálise, vendo em seus contos sintomas ligados a necrofilia, complexo de Édipo, impotência, regresso ao útero, e por aí vai. Não li o livro. Como é muito citado, sempre vejo exemplos aqui e ali. Uns me parecem na mosca, outros me parecem bola na trave. Sempre acho que um dos equívocos dos psicanalistas é achar que a psicanálise explica tudo. Mas o livro da aluna de Freud foi sem dúvida, no momento em que surgiu, uma visão nova e iluminadora da obra de Poe.

Por falar em Poe, vejam o caso de Augusto dos Anjos. Sempre descrito como o Poeta da Morte, teve inúmeros livros escritos a seu respeito. Eram “comentários de conteúdo”, sobre sua morbidez e a sua obsessão com a tuberculose, a ponto de muitas vezes se dizer que ele morreu tuberculoso (morreu de pneumonia, resultante de uma chuva). Pois em 1977 Ferreira Gullar fez um ensaio-prefácio para os poemas de Augusto em que pela primeira vez (para mim, pelo menos) sua poética foi analisada a sério, inclusive mostrando todos os seus aspectos de modernidade (uso de linguagem corriqueira, não-poética, por exemplo). Minha visão de Augusto mudou para sempre, porque o novo viés adotado por Gullar pareceu dar um novo colorido a cada verso daqueles poemas.

Leio tudo que encontro de interessante sobre romance policial, um dos meus gêneros preferidos. Uma das obras que mais me revelaram sobre o gênero foi Delícias do Crime – História Social do Romance Policial de Ernest Mandel (Ed. Busca Vida, São Paulo, 1988). Para quem não conhece, Mandel é um pensador marxista, autor de diversos livros sobre economia e política, dos quais eu já folheara A Formação do Pensamento Econômico de Karl Marx (Ed. Zahar) nos tempos de Faculdade. A análise de Mandel sobre as forças sociais por trás do romance de crime e mistério é cheia de pequenas e brilhantes revelações. O único problema é que o marxismo, como a psicanálise, acha que explica tudo. Seria interessante um debate ao vivo em que a psicanálise fosse analisada à luz do marxismo, e vice-versa.
>> MUNDO FANTASMO – por Braulio Tavares


METAGÊNEROS: A LITERATURA POP DE IRVINE WELSH DESCREVENDO A FICÇÃO CIENTÍFICA

sábado | 15 | maio | 2010


Li  na semana passada “Se você gostou da escola, vai adorar trabalhar”mais recente lançamento em português – a obra foi originalmente lançada em 2007 – do escritor escocês Irvine Welsh (que publicou Trainspotting em 1993). O livro é composto por quatro contos, que eu chamaria de short stories, mas enfim, e de uma novela. Respectivamente são eles: “Cascavéis“, “Se você gostou da escola, vai adorar trabalhar“, “Cães de Lincoln Park“, “Miss Arizona” e “Reino de Fife“.

Assim como Hornby, Welsh também poderia ser “enquadrado” como autor de literatura pop ou “literatura de entretenimento”. Esses rótulos são bastante questionáveis e em alguns momentos pejorativos, talvez os colocando em um ponto distinto do que é considerado “literatura mainstream ou canônica”, embora pop e entretenimento sejam apenas a superfície. Se a obsessão de Hornby são os kidults obcecados pela cultura pop, Welsh retira seu material dos junkies, bêbados e nada-especiais. Em comum, ambos autores se interessam por aquilo que a sociedade define como “loosers”.

Gostei bastante da diversidade dos temas e contos, desde o grupo junkie em Cascavéis às patricinhas anoréxicas e vazias de Lincoln Park, passando pelo horror psicológico de Miss Arizona aos beberrões escoceses de Fife. O tom sarcástico das descrições e o vazio do diálogonos dá noção exata dos sofrimentos em silêncio de cada personagem. Bem, mas meu objetivo não é exatamente resenhar o livro, apenas destacar um trecho em que o personagem principal do conto que dá título ao livro fala sobre ficção científica ao ver sua filha adolescente lendo PKD. Achei esse trecho -uma boa referência tanto para a compreensão da obra de Welsh que, de certa forma, também poderia ser comparada à FC no sentido de que não é canônica.

Além disso, há também uma possível explicação (ou referência) sobre o fascínio e espécie de desencanto com a literatura de FC por parte de alguns – que traz á tona uma velha questão de gênero (homens x mulheres – imaginação X hormônios). É ainda mais irônico que seja Emily – a filha do protagonista – que esteja lendo FC.

Ela fala isso olhando para Em, que agora está lendo seu livro, um livro de Philip K. Dick. Engraçado, eu sempre gostei de ficção científica quando tinha a idade dela. Arthir C. Clarke, Brian Aldiss: “The failed man”. Esses eram uns caras magricelas que passavam anos enterrados  nos campos. Tipos inteligentes, semelhantes a lagartos com cabeças grandes, mas que simplesmente haviam desistido. Não queriam mais ser sacaneados. Então se enterravam na terra aos milhões e hibernavam, até que aparecia um puto e passava o arado ali. Mas eles continuavam enterrados no solo, sem dar a mínima. Aquilo me assustou pra caralho quando criança. Porque é preciso ter disposição. Sim, havia um bando deles, feito Harry Harrisson, que escrevia sobre Marte, e Isaac Asimov, o sujeito dos robôs. E aquele cara que escreveu sobre as plantas que dominavam o mundo. É, ficção científica: eu era louco pelo troço. Depois parei. Nem sei porquê. Bom, acho que foram as mulheres; numa competição entre a imaginação e os hormônios, só podia haver um vencedor.” (Welsh, 2010. p.80)

>> AS PALAVRAS E AS COISAS – por Adriana Amaral


“SELVA BRASIL”, DE ROBERTO DE SOUZA CAUSO

sexta-feira | 14 | maio | 2010

O lançamento de livro de História Alternativa,
será dia 23/5, das 16 às 19 horas, na Livraria da Vila (SP)

Selva Brasil, de Roberto de Sousa Causo Esta é uma história alternativa que imagina como seria o Brasil vinte anos depois da invasão militar brasileira das Guianas, na Fronteira Norte, segundo os planos megalomaníacos do Presidente Jânio Quadros. Simultaneamente, a Argentina invadiu as Ilhas Malvinas, no Atlântico Sul.

Contudo, uma coalizão formada pelos países atingidos pela ação militar brasileira – Inglaterra, França e Holanda – e os Estados Unidos contra�atacaram e empurraram os soldados brasileiros de volta, ficando com um bom pedaço da Amazônia Brasileira.

Desde então instalou-se um conflito permanente na região, com o Brasil e aliados latino-americanos lutando para retomar o território perdido e manter sob controle uma guerrilha patrocinada por aqueles países do Primeiro Mundo. É um Brasil completamente diferente do nosso, contido política e economicamente por esse conflito perpétuo, e com gerações de jovens brasileiros comprometidas com o conflito.

Amparada por uma pesquisa cuidadosa, Selva Brasil acompanha um grupo de soldados que – ao seguir para um ponto anônimo do Amapá, na fronteira com a Guiana Francesa, onde devem substituir uma outra unidade do Exército Brasileiro – se depara com desertores e com um plano secreto para romper as regras de engajamento que limitam o conflito na região.

Ao mesmo tempo, esses homens são confrontados com um estranho experimento militar que, indo além dos parâmetros do seu projeto, pode ter aberto um portal entre essa realidade paralela e a nossa.

ROBERTO DE SOUSA CAUSO é formado em Letras pela USP, é autor dos livros de contos A Dança das Sombras (1999) e A Sombra dos Homens (2004), dos romances A Corrida do Rinoceronte (2006) e Anjo de Dor (2009) e do estudo Ficção Científica, Fantasia e Horror no Brasil (2003). Seus contos apareceram em revistas e livros de dez países. Foi um dos classificados do Prêmio Jeronymo Monteiro e no III Festival Universitário de Literatura (com Terra Verde 2001); e ganhador do Projeto Nascente 11 de Melhor Texto, com O Par: Uma Novela Amazônica (2008).

BATE-PAPO – às 18h
Roberto de Sousa Causo, autor do romance Selva Brasil e Nelson de Oliveira, escritor de ficção científica, sob a mediação de Erick Santos, editor da Draco falarão sobre o gênero da História Alternativa, um tipo de ficção que parte da premissa do que poderia ter acontecido caso fatos históricos tivessem um desenrolar diferente, discutindo a produção nacional e internacional e como essa modalidade pode nos ajudar a entender os processos históricos.

LIVRARIA DA VILA
Alameda Lorena, 1731 – São Paulo – SP
F: (11) 3062-1063


“A TOTALIDADE PELO HORROR: O MITO NA OBRA DE HOWARD PHILLIPS LOVECRAFT

sexta-feira | 14 | maio | 2010

O lançamento de livro sobre H. P.Lovecraft,
o criador dos mitos de Cthulhu e dos Great Old Ones,
será dia 25/5, às 18h30, na livraria Martins Fontes (SP)

A totalidade pelo horror é um livro munido da teoria crítica da Escola de Frankfurt, os estudos sobre o mito de Joseph Campbell, Mircea Eliade e Jean Pierre Vernant, as reflexões de Fredric Jameson sobre a utopia, entre outros – sobre Howard Phillips Lovecraft, um dos artífices da literatura fantástica moderna.

A despeito de sua cada vez maior popularidade e penetração entre os leitores e estudiosos brasileiros desse gênero tão malcompreendido, e de ser publicado no país pelo menos desde os anos 40, estudos feitos em língua portuguesa sobre sua obra, que se afastassem da exaltação juvenil do fã bem como da crítica preconceituosa de parte da academia, eram, até há bem poucos anos, praticamente inexistentes.

Este livro é uma contribuição brasileira, feita por um pesquisador devotado ao autor e ao gênero, mas bastante atento e crítico, a uma maior compreensão do ciclo de Cthulhu e de seu significado como representação exótica e alucinada das contradições e horrores que o monstro urbano-industrial gerou e gera.

LIVRARIA MARTINS FONTES
Av. Paulista, nº. 509 – São Paulo – SP
(próximo à Estação Brigadeiro do Metrô)
(estacionamentos conveniados à rua Manoel da Nóbrega, nº 88)
F: (11) 2167.9900


“HISTÓRIAS DE CARONTE”: UMA ADAPTAÇÃO DO LIVRO “MOEDAS PARA O BARQUEIRO – CONTOS FANTÁSTICOS SOBRE A MORTE”

quinta-feira | 13 | maio | 2010

A Biblioteca Viriato Corrêa (SP) receberá nos dias 15 e 16 de maio,
a peça ‘Histórias de Caronte’.

Montada pela Cia. Em Cena Ser, a peça Histórias de Caronte é uma adaptação de Cristiana Gimenes, do livro Moedas para o barqueiro – Contos fantásticos sobre a morte.

Na obra, diferentes escritores expõem seu olhar sobre a travessia para o mundo dos mortos, quando as almas são conduzidas por Caronte, o barqueiro. Cristiana é responsável também pela direção do espetáculo. A trilha sonora é de Guilherme Telles.

Histórias de Caronte
Data: 15 e 16 de maio
Horário: 15/5, às 16h e 18h; 16/5, às 18h
Local: Biblioteca Pública Viriato Corrêa
Endereço: Rua Sena Madureira, 298, Vila Mariana – SP
Telefone: (11) 5573-4017
Grátis (retirar senha meia hora antes)


BATMAN E ROBIN PORNÔ

quarta-feira | 12 | maio | 2010

Quem nunca ouviu a frase “este é um filme pornô diferente, com história…”? Bem, “Batman XXX: A porn parody”, que tem previsão de lançamento em DVD, nos EUA, em maio, faz uma picante homenagem ao clássico seriado dos anos 1960 de Batman e Robin. Este, por sua vez, inspirado levemente em uma série de histórias em quadrinhos criada pelo americano Bob Kane, todo mundo sabe. Depois do seriado com música-tema contagiante, Batman nunca mais foi visto da mesma maneira e Adam West se tornou uma estrela. O Robin de Burt Ward e suas frases de efeito também deixariam saudade.

O filme pornô, cujo trailer você pode conferir logo abaixo, sem medo de ser surpreendido por qualquer estranho instrumento do cinto de utilidades do homem-morcego, tem direção de Axel Braun e figurinhas fáceis do ramo como Randy Spears (Coringa), Tori Black (Mulher Gato) e Evan Stone (Charada) no elenco. A dupla dinâmica é vivida por Dale Dabone (Batman) e James Deen (Robin). E é preciso admitir que a produção da Vivid parece ter se preocupado em ser o mais fiel possível ao divertido seriado sessentista.
>> GIBIZADA – por Telio Navega


“LOUCAS DE AMOR”: HISTÓRIAS DE PAIXÃO POR ASSASSINOS VIRAM QUADRINHOS

terça-feira | 11 | maio | 2010

Qual seria o motivo da atração de uma mulher por um serial killer? Quem são essas mulheres? Como vivem e como pensam?

Foi buscando responder essas perguntas que o roteirista Gilmar Rodrigues escreveu e publicou Loucas de Amor – Mulheres que Amam Serial Killers e Criminosos Sexuais (editora Ideias a Granel), primeiro como uma edição onde os textos dividiam as páginas com HQs do desenhista paulistano Fido Nesti. Depois, com um apoio do Proac (Programa de Ação Cultural do Estado de SP), em um álbum exclusivamente de histórias em quadrinhos, sempre com o traço luxuoso de Fido Nesti.

Em uma das últimas histórias que compõem o livro, Gilmar conta: “Depois de quatro anos de pesquisa, seis meses escrevendo, cem entrevistas, inúmeros ofícios enviados, estudos em cartas, jornais e revistas, chego ao fim da aventura com o sabor de ter vivido experiências únicas”.

O autor frequentou delegacias, penitenciárias, filas de visitas aos detentos, cidadezinhas do interior e bairros de periferia atrás de respostas para suas perguntas. Nem sempre conseguiu o que queria e muitas vezes acabou num beco sem saída, ou não conseguiu extrair um relato mais sincero do entrevistado ou entrevistada. O assunto é difícil de ser abordado, as pessoas envolvidas são desconfiadas e relutam em dar “depoimentos”.

Por isso, algumas HQs apresentam histórias como que sugeridas, mas que tem uma grande força, pelo roteiro bem trabalhado e pelos excelentes desenhos de Fido, em preto e branco e tons de cinza.

Longe de uma produção de Hollywood ou de uma HQ comercial, onde os fatos ganhariam uma roupagem mais atraente, os autores nos mostram um pouco desta realidade brasileira invisível, mostrando o contraste, por exemplo, da visita aos presos em uma delegacia do bairro de Pinheiros, em São Paulo seguida de um almoço em um restaurante no vizinho e chique bairro dos Jardins, na HQ Os Jacks, realidades próximas mas incomunicáveis.
>> TERRA MAGAZINE – por Claudio Martini


“LOST”: FINAL DO SERIADO SERÁ MAIS LONGO

terça-feira | 11 | maio | 2010

 

Ao que tudo indica, os fãs de Lost passarão mais tempo na ilha antes do seriado terminar. De acordo com o Live Feed, a rede americana ABC concordou em adicionar cenas extras aos dois episódios finais.

Eles irão ao ar às 21h do dia 23 de maio, com a duração total de duas horas e meia. Após o grande final, o elenco e os criadores aparecerão como convidados do programa de entrevistas de Jimmy Kimmel.

Lost conta a história de sobreviventes de uma queda de avião, com seus passados mais interligados do que podem imaginar, que estão em uma ilha repleta de mistérios e perigos. No Brasil, o seriado é exibido pelos canais a cabo AXN Animax e, na TV aberta, pela Rede Globo.
>> HQ MANIACS – por Paula Nogueira


“CONAN”: PRIMEIRAS FOTOS DO FILME

terça-feira | 11 | maio | 2010

Photo #1

O MovieWeb mostrou nesta segunda-feira as primeiras imagens do set do remake de Conan, que está atualmente em produção. Elas mostram Jason Momoa como o Bárbaro da Ciméria, entre outras cenas de bastidores. Confira clicando aqui.

O filme tem direção de Marcus Nispel. Jason Momoa vive Conan, enquanto Leo Howard interpreta a versão jovem do personagem. Rachel Nichols vive Tamara, uma guerreira aliada de Conan. Stephen Lang será o vilão Khalar Singh, enquanto o lutador de vale-tudo Bob Sapp será Ukafa, líder da tribo Kushite e braço direito de Singh. Ron Perlman é o pai do bárbaro, enquanto Said Taghmaoui vive um ladrão aliado de Conan e Rose McGowan é uma feiticeira. A aventura recontará a origem de Conan e chegará aos cinemas em 2011.

Conan foi criado por Robert E. Howard em 1932. Inicialmente, o personagem aparecia em contos publicados na revista Weird Tales. No começo dos anos 70, a Marvel Comics começou a publicar a versão em quadrinhos do personagem, em séries mensais e minisséries que duraram até 2004, quando os direitos foram adquiridos pela Dark Horse, que segue com o herói até hoje.

O personagem também ganhou duas adaptações para o cinema, estreladas por Arnold Schwarzenegger; além de uma série para TV com atores e outra animada. Atualmente suas histórias são publicadas no Brasil pela Mythos Editora. Conan nasceu na Ciméria, em um período de tempo conhecido como Era Hiboriana, uma época pré-glacial anterior ao registro da história conhecida.

O bárbaro foi escravo, saqueador, pirata, mercenário, tendo enfrentado todo tipo de criaturas, feiticeiros, vampiros, demônios, lobisomens e até mesmo seres de outras dimensões. Por fim, Conan se torna o rei da Aquilônia, uma das mais altivas e poderosas nações hiborianas, posto que, já em idade avançada, deixa para seu filho, voltando a se aventurar mundo afora.
>> HQ MANIACS – por Artur Tavares

Photo #2


“CREPÚSCULO”: NOVIDADES DE “ECLIPSE” E “AMANHECER”

terça-feira | 11 | maio | 2010

Foram divulgadas duas novas imagens de Eclipse, o terceiro filme da saga Crepúsculo. Clique aqui para conferi-las.

Além disso, a Summit Entertainment anunciou a data de lançamento de Amanhecer, o quarto capítulo da trama: 18 de novembro de 2011.

Eclipse está programado para chegar aos cinemas no dia 30 de junho. A direção é de David Slade, com roteiro de Melissa Rosenberg. A trama é focada na decisão que Bella (Kristen Stewart) terá de tomar entre o vampiro Edward (Robert Pattinson) e o lobisomem Jacob (Taylor Lautner).

Amanhecer tem direção de Bill Condon e roteiro de Melissa Rosenberg. Desta vez Bella e Edward enfim estarão realmente juntos, mas isso não significa o fim de todos os seus problemas, já que a união entre um vampiro e uma mortal ainda não é bem vista.

A saga Crepúsculo é originária dos livros escritos por Stephenie Meyer, seguindo o romance adolescente entre os dois jovens protagonistas, uma mortal e um vampiro
>> HQ MANIACS – por Ronivaldo “GilgaMesh” Silva


SERES FANTÁSTICOS NA LITERATURA: OS ELEMENTAIS

sábado | 8 | maio | 2010

Se a literatura de fantasia é herdeira direta das mitologias e dos contos folclóricos, não é de se estranhar que ela seja o hábitat natural de centenas de criaturas com que a imaginação humana povoou os mundos ficcionais e até o nosso.

Fadas, gnomos, sereias e outros tantos seres são comuns nas sagas fantásticas e percorreram um longo caminho desde as narrativas ancestrais até o surgimento dos adesivos que, no final do século XX, muita gente usou em seus carros (traziam os dizeres “Eu acredito em duendes”. Havia também os adesivos que diziam “Eu atropelo duendes”, mas isso não interessa a este artigo…).

O que desejamos é verificar a origem e a trajetória de alguns desses personagens míticos, pois mesmo que o interesse das pessoas pelos chamados seres elementais seja efêmero – uma moda que vem e vai – eles permanecem firmes e fortes na literatura.

O termo elemental vem, é claro, da palavra elemento – e da teoria da filosofia pré-socrática de que o mundo seria composto por quatro elementos básicos: ar, água, terra e fogo. O filósofo Empédocles, que viveu em meados do século IV antes de Cristo, pregou que esses quatro elementos ou raízes compunham todas as coisas, e eram animados por duas forças contrárias, o amor e o ódio (poderíamos chamá-las de força de atração e força de repulsão).

É provável que tenha sido devido a essa teoria, aceita por séculos, que surgiram nas histórias humanas os seres ligados às forças elementais. Muitos pesquisadores do passado encontravam narrativas supostamente verídicas sobre eles e às vezes provas físicas de sua existência – mas passamos a observar a sistematização dos quatro tipos dessas criaturas apenas em tempos mais modernos. Pensadores ligados às doutrinas de Paracelso, no Renascimento, e da Teosofia e Antroposofia, dos séculos XIX e XX, afirmaram a realidade da sua existência e os estudaram mais a fundo. Segundo suas crenças, que têm muito de poéticas, mas contam com testemunhos de pessoas que juram terem tido contato com tais espíritos da natureza, eles estariam divididos em:

Elementais da Terra – Os gnomos, que viveriam entre as rochas do subsolo. Podemos classificar também entre esses elementais os trolls, que se seriam feitos da matéria da terra.

Elementais do Fogo – as salamandras; a tradição diz que elas viveriam nas chamas. Talvez possamos incluir nesta categoria os dragões, que em algumas mitologias cospem fogo.

Elementais da água – seres que habitariam os rios e mares: ondinas, náiades, sereias, tritões e vários outros.

Elementais do ar – silfos e sílfides. Os gênios, elfos e fadas também podem pertencer a este elemento, pelo fato de serem alados ou terem poderes sobre o elemento aéreo.

São inúmeros os contos maravilhosos e mitos “estrelando” criaturas elementais: fadas, devas, djins, silfos, sátiros, faunos, elfos, leprechauns, anões, trolls, kobolds, brownies, nixies, pixies, gobelins, povo do musgo, gnomos, selkies, ondinas e tantos outros. A maioria deles aparece pela primeira vez em contos dos Celtas.  Na Mitologia Grega são descritas as ninfas dos rios e das fontes, além dos seres aquáticos que formavam o cortejo de Poseidon e de sua esposa Anfitrite. Vêm da Hélade também as narrativas sobre espíritos das montanhas ou das matas, as dríades e hamadríades e outros seres que interagiam com deuses e mortais. Em mitos Nórdicos e Germânicos os elfos, anões e seres encantados são constantes. E em histórias populares da época medieval vamos encontrar esses mesmos seres, às vezes com outros nomes, sendo alguns deles já demonizados – pois, após o advento do Cristianismo, a maioria dos seres mágicos em quem o povo acreditava foram chamados demônios e diabretes, ligados às forças infernais, com o objetivo claro de afastar as pessoas das tradições pagãs e assim obter mais fiéis – e, por consequência, mais poder.

Autores como William Shakespeare utilizaram a riqueza das tradições Celtas em suas peças, e, no Romantismo, corrente sob cuja influência deu-se o nascimento da novela gótica, temos sempre referências não apenas aos seres mitológicos, mas ainda a criaturas assustadoras e fantasmagóricas. Já na Literatura de Fantasia e Infantil/Juvenil moderna, mais desapegada da necessidade de ater-se apenas à realidade, os elementais voltaram a mover-se com liberdade. Nas prateleiras das livrarias, hoje em dia, encontraremos de tudo: desde os Nibelungos que forjavam metais em cavernas até nobres Elfos de inspiração Tolkieniana e, para nossa alegria, Sacis, Curupiras, Igpupiaras, M’bois e outros habitantes fantásticos das terras brasileiras, sem nos esquecermos dos devas de origem africana, conhecidos como Orixás, igualmente ligados às quatro forças naturais.

Veremos, então, que – como acontece com inúmeros elementos literários – os personagens encantados e encantadores oriundos desses reinos da Natureza podem variar na forma, porém habitam obras vindas de todos os cantos do planeta, sem preconceitos.

É interessante verificar em quantas culturas os elementais da terra são considerados trabalhadores dos metais e das gemas, ligados à ideia de riquezas vindas do solo. São seres telúricos, encarnam as forças da terra. O nome gnomo vem do grego gnosis, conhecimento, talvez pela suposição de que eles saberiam segredos sobre a localização de metais preciosos nas profundezas em que vivem. Foram descritos de muitas maneiras, sendo a descrição mais comum a européia: homenzinhos barbudos e rudes. Como os anões de Tolkien, os Nibelungos eram artífices de metais e preferiam habitar subterrâneos. Assim também são os anões de sagas como Eragon, mas bem mais espertos que os gnomos estúpidos e que vivem discutindo nas histórias de Artemis Fowl (veja abaixo, em Leituras sugeridas). Nos livros de Eoin Colfer, há distinção entre gnomos e anões; estes são descritos como seres da terra, que possuem o maxilar desencaixável para mastigar terra e pedras, capazes de metabolizar esse material ao abrir túneis, expelindo-o, após ser processado, pelas vias naturais… Já nas histórias de Harry Potter os gnomos têm caráter de praga doméstica nos jardins dos bruxos ingleses! Aí, são meros animais que empesteiam jardins. E, na tradição africana, consta que os Orixás relacionados ao elemento terra seriam Oxalá e Xangô.

A relação dos humanos com os elementais da água é bem curiosa. Já citamos os espíritos dos rios e fontes gregos, bem como os tritões que acompanhavam o cortejo de Poseidon. Também da água vêm monstros, demônios e as sereias encantadoras, cujo canto atraía os marinheiros, fazendo-os naufragar, presentes em narrativas antiqüíssimas como a Odisseia de Homero, e descritas de formas diversas, tendo corpos de pássaro ou de peixe. Note-se que na língua inglesa se distingue as sirens (sirenas ou sereias) das mermaids (donzelas do mar). Andersen povoa seu conto “A Pequena Sereia” com todo um povo que habitaria o fundo do mar. Nas “Crônicas de Spiderwick” (veja também em Leituras sugeridas) é dito que elas são seres perigosos pertencentes à família Sirenidae, muito ameaçados pela poluição dos mares. O autor ficcional os descreve em várias espécies, de acordo com o mar que habitam. Já para J. K. Rowling, o povo das águas se chama Merpeople, os Sereianos. Viveriam em todo o planeta, preferindo ser contados entre os animais do que entre os humanóides. Com eles foram assimilados os selkies da Escócia (às vezes chamados homens-foca) e os merrows da Irlanda. Por mais imaginárias que soem suas histórias, contudo, existem até narrativas reais de sereias que teriam vivido entre os humanos! E nas histórias africanas, os Orixás da água seriam Iemanjá (mar), Oxum (rios e cachoeiras) e Nanã (chuva).

Também a respeito dos mais conhecidos elementais do fogo, as salamandras, há referências em bestiários medievais e em obras de não-ficção. Alguns dizem que elas são pequenos dragões; Santo Agostinho cita animais que vivem no fogo, querendo provar que os corpos humanos poderiam viver no fogo do inferno sem serem consumidos… E tanto Aristóteles quanto Leonardo da Vinci atestam a existência real desses animais. Marco Polo até cita ter visto em suas viagens tecidos de pele de salamandra, que não se queimavam no fogo – embora, na verdade, desconfia-se que esses tecidos eram feitos de amianto.

Voltando à ficção, para os bruxos ingleses da saga de Harry Potter as salamandras são lagartos que moram no fogo e se alimentam de chamas, mas fora deles só sobrevivem se comerem pimenta. Considera-se que seu sangue tem propriedades curativas. Sua família, segundo Spiderwick, é a Flammieuntidae, e sua espécie é classificada como Salamander flammulaticus. Quanto aos Orixás, os que se ligam ao fogo são Ogun e Xangô.

Aos elementais do ar, porém, é mais difícil atribuir uma vida “real”. Silfos e elfos fariam parte desse reino, e habitariam montanhas, ventos ou nuvens. Naturalmente, essa classificação está mais ligada às tradições esotéricas e teosóficas do que à mitologia, que via os elfos como meros duendes, mais próprios ao elemento terra. A própria palavra “elfo” vem da mitologia germânica, que acreditava serem eles pequenos, sinistros e misteriosos, dados a pregar peças nos humanos (Sacis?… Embora o cachimbo desses seres sugira sua ligação com o elemento fogo…). Os elfos se misturaram às tradições Celtas provavelmente via cultura Saxã, mesclando-se às narrativas destes sobre povos feéricos. Consta que seu nome vem da palavra alemã alp, pesadelo; na Idade Média acreditava-se que os pesadelos eram culpa de elfos oprimindo o peito de quem dormia para causar-lhes sonhos maus – o equivalente europeu do Jurupari ou da Pisadeira, do folclore brasileiro.

Quando J.R.R.Tolkien, porém, fez uso de tal nome, os elfos se tornaram uma raça anterior à humana; mais nobre e ligada aos destinos da Terra. Eles teriam surgido por criação de Eru Ilúvatar, sendo seus Primogênitos; acordaram sob as estrelas de Elbereth antes de existir o Sol ou a Lua. Criaram a escrita, as artes e todas as coisas belas que antecederam as realizações humanas.

Na série Artemis Fowl, baseada em cultura irlandesa, mas com um toque de tecnologia, os elfos voltaram a ser pequenos e mágicos – muito sarcásticos… enquanto que, para Arthur Spiderwick, personagem das Crônicas, eles seriam pertencentes à família dos Circulifestidae, chamados Wood Elves (Elfos das Florestas), e classificados como Dryas nemorivagans, parentes das Dríades e Hamadríades da mitologia grega. Na mitologia africana, temos Iansã como o Orixá que rege os ventos e os ares.

Autores atuais como Neil Gaiman e Terry Pratchett utilizam esse universo feérico em suas obras. Mas se Pratchett tem uma abordagem satírica, transferindo para o Mundo do Disco tradições de nosso mundo, Gaiman nos presenteia com histórias em que elementais e fadas estão entre nós, em sua forma céltica, poética e às vezes tenebrosa. Bons exemplos são a história em quadrinhos “Sonho de uma noite de verão”, revisitando o clássico de Shakespeare, ou o livro “Stardust”, em que os Thorn atravessam o Muro que separa a cidade de Wall da terra em que Faerie acontece.

Quanto aos dragões… bem, esses seres maravilhosos merecem um artigo só para eles.

Nossa conclusão, após esta pequena viagem pelo mundo dos elementais, é que a contínua popularidade da literatura que os inclui é sinal de que esses seres continuarão por muito tempo a povoar – se não o nosso mundo – as nossas histórias e, consequentemente, os nossos sonhos!

Leituras sugeridas:

Animais Fantásticos e onde habitam – Newt Scamander (J.K. Rowling). SP: Rocco, 2001
As Crônicas de Spiderwick – Tony DiTerlizzi e Holly Black. Rio de Janeiro: Rocco (5 volumes, com títulos e datas de publicação variadas).
O Conto de Fadas – Nelly Novaes Coelho. São Paulo: DCL, 2003.
O Encontro com os Elementais – Cristina Magalhães. Rio de Janeiro: Ed. Objetiva, 1992.
O Livro dos seres imaginários – Jorge Luís Borges. SP: Companhia das Letras, 2008.
Artemis Fowl, o menino prodígio do crime – Eoin Colfer. Rio de Janeiro: Record, 2001.
E mais: Obras variadas de J. R. R. Tolkien, J.K. Rowling e Neil Gaiman
>> Valinor – por Rosanma Rios


KRISTEN STEWART: ATRIZ DE “CREPÚSCULO” DEVE ESTRELAR FILME DE WALTER SALLES

sábado | 8 | maio | 2010

Imagem: Arquivo Famosidades

Kristen Stewart, mais conhecida como a invejada Bella Swan da saga cinematográfica “Crepúsculo”, deve protagonizar o novo filme do cineasta brasileiro Walter Salles (“Central do Brasil”).

“Estou ligada a um filme que eu sempre quis fazer. Não que isso vá mudar alguma coisa, mas agora eu posso me vangloriar um pouco”, disse a atriz ao site do jornal “USA Today” sobre o longa dirigido por Salles.

De acordo com a atriz, ela deve interpretar o papel de Mary Lou, no filme “On The Road”, baseado no livro “Pé na Estrada” (1957), do escritor Jack Kerouac.

Empolgada para trabalhar no longa, Stewart afirmou: “É um grande acontecimento”.

Estarão também no elenco Garrett Hedlund (“Tron Legacy”) como Dean Moriarty e Sam Riley (o Ian Curtis, do Joy Division, no filme “Control”) será Sal Paradise.

“On the Road” conta a história de um aspirante a escritor que atravessa os Estados Unidos pedindo carona.

Segundo a publicação, as gravações devem começar no meio de 2010

Kristen Stewart, mais conhecida como a invejada Bella Swan da saga cinematográfica “Crepúsculo”, deve protagonizar o novo filme do cineasta brasileiro Walter Salles (“Central do Brasil”).

“Estou ligada a um filme que eu sempre quis fazer. Não que isso vá mudar alguma coisa, mas agora eu posso me vangloriar um pouco”, disse a atriz ao site do jornal “USA Today” sobre o longa dirigido por Salles.

De acordo com a atriz, ela deve interpretar o papel de Mary Lou, no filme “On The Road”, baseado no livro “Pé na Estrada” (1957), do escritor Jack Kerouac.

Empolgada para trabalhar no longa, Stewart afirmou: “É um grande acontecimento”.

Estarão também no elenco Garrett Hedlund (“Tron Legacy”) como Dean Moriarty e Sam Riley (o Ian Curtis, do Joy Division, no filme “Control”) será Sal Paradise.

“On the Road” conta a história de um aspirante a escritor que atravessa os Estados Unidos pedindo carona.

Segundo a publicação, as gravações devem começar no meio de 2010
>> MSN Entretenimento


“LA CASA MUDA”: FILME DE TERROR URUGUAIO RODADO EM 4 DIAS US$ 6 MIL VAI A CANNES

sábado | 8 | maio | 2010

Uma câmera fotográfica digital emprestada, US$ 6 mil e quatro dias de rodagem foram suficientes para o uruguaio Gustavo Hernández filmar “La Casa Muda”, um filme experimental de terror escolhido para participar do Festival de Cannes.

Enquanto rodava “La Casa Muda”, com uma equipe de não mais de 15 pessoas, Hernández se conformava em “fantasiar” com a estreia de seu filme em algum cinema do Uruguai.

Agora, seis meses depois, o filme foi selecionado para participar da Quinzena de Produtores do Festival de Cannes, para onde o uruguaio partirá com sua equipe no dia 15 de maio.

“‘La Casa Muda’ foi produto de uma limitação orçamentária”, disse Hernández em entrevista à Agência Efe.

Os US$ 6 mil que um produtor lhe ofereceu para estrear como diretor o obrigaram a pensar em um longa-metragem que precisasse de “pouca gente, poucos recursos e que pudesse ser filmado em pouco tempo”, explicou Hernández, que até então tinha dirigido apenas videoclipes, anúncios para televisão e curtas-metragens.

O gênero de terror não era o que mais lhe atraía, mas após “várias conversas com amigos” uma ideia parecia solucionar seus problemas econômicos: oferecer “medo real em tempo real”.

“Se tratava de fazer, com uma equipe mínima, uma história mínima, e então pensamos em contar o que passa com todos quando sentimos medo, quando temos todos os sentidos em alerta e os segundos podem parecer horas”, relatou.

Inspirada em uma história real da década de 1940, quando dois corpos foram encontrados mutilados em uma casa de campo do norte do Uruguai, “A casa muda” foca nos últimos 74 minutos das vítimas do assassinato.

“Queríamos que o espectador vivesse as emoções sem enganá-lo com vários planos e contraplanos, e decidimos rodá-la em uma só tomada”, contou Hernández.

Usar uma câmara de fotos emprestada de um amigo porque o orçamento “não dava nem para alugar uma” lhe permitiu empregar “menos recursos e menos gente”.

A alta sensibilidade óptica do aparelho, utilizado na função vídeo, permitiu filmar todo o longa com a iluminação de apenas “duas lanternas e um ‘foquinho’ de luz em cada quarto”.

Ao mesmo tempo a câmara escolhida (uma Cannon 5D), especialmente leve e compacta, lhe dava maior mobilidade para gravar e chegar a lugares onde uma câmara de vídeo ou de cinema convencional não entra.

O resultado é um “filme experimental, mas contado em uma linguagem cinematográfica muito clássica”, explicou o diretor.

Mesmo assim, Hernández tem consciência que a maneira incomum na qual “La Casa Muda” foi rodada é em grande parte a razão pela qual o júri da Quinzena de Produtores, a seção mais experimental do Festival de Cannes, selecionou a fita.

“Até nisso tivemos uma sorte enorme, porque só chegamos a Cannes graças a um jurado do festival que viu nosso trailer pela internet e nos escreveu um e-mail sugerindo apresentá-lo”, lembrou.

É que os blogs e sites de cinema de terror, pelos quais o trailer circulou durante meses, foram “fundamentais” para o êxito do filme, que até algumas semanas atrás nem sequer estava acabado e que por enquanto só foi visto por “umas três ou quatro pessoas” alheias à produção.

“Os internautas começaram a se interessar por ‘A casa muda’ quando leram sobre como o filme estava sendo feito, de que tratava e toda a história que tinha por trás”, detalhou o diretor.

No entanto, Hernández tem certeza de que eles não vão se decepcionar, porque no final “tudo no filme terminou acontecendo para conseguir dois objetivos básicos: entreter e assustar”, afirma.
>> EFE – por Shaní Gerszenzon

Assista ao teaser trailer de “La Casa Muda”:


“PLANETA DOS MACACOS”: NOVA SEQUÊNCIA SERÁ LANÇADA EM JUNHO DE 2011

sábado | 8 | maio | 2010

O estúdio Twentieth Century Fox estreará em junho de 2011 um novo filme da clássica série “Planeta dos Macacos” intitulada “Rise of the Apes” (ainda sem título em português), informou nesta quinta-feira a revista “The Hollywood Reporter”.

O filme, que será dirigido por Rupert Wyatt (“The Escapist”, 2008), se passa antes da história já conhecida sobre o domínio dos símios na Terra, para contar como os macacos conseguiram tomar o controle do planeta.

“Rise of the Apes” estreará nos cinemas dos EUA no dia 24 de junho de 2011, 43 anos depois do lançamento do original “Planeta dos Macacos” protagonizado por Charlton Heston, no qual o ator interpretava um astronauta que aterrissava no que parecia um lugar estranho no universo.

No novo filme, os macacos serão criados por computador. Nos anteriores, eles eram interpretados por pessoas fantasiadas.

O roteiro explicará como os experimentos humanos com engenharia genética levaram os macacos a desenvolver uma inteligência que permite que eles se rebelem contra a supremacia do Homo sapiens.

“Rise of the Apes” será o sétimo filme da série, que começou em 1968, a chegar às telonas.

Na última produção, Tim Burton dirigiu um “remake” do filme original, que contou com Mark Wahlberg, Tim Roth e Helena Bonham Carter como protagonistas.

“Planeta dos Macacos” também foi tema de várias produções para a televisão, assim como de jogos de videogame.
>> YAHOO – EFE


“MAXIMUM LIFESPAN”: LONGEVIDADE MÁXIMA

sábado | 8 | maio | 2010

Maximum Lifespan (“Longevidade Máxima”) é uma graphic novel de Ficção Científica dividida em três volumes.

A história, a lá Philip Dick, gira em torno de um cientista de poucos escrúpulos, obcecado por sua pesquisa para prolongar a vida humana.

Duas coisas chamam a atenção imediata do leitor, a excelente qualidade dos desenhos, e a opção por uma narrativa cinematográfica, muito provavelmente escolhida para ‘facilitar’ (quem sabe?) uma eventual versão para o cinema.

Como estratégia de divulgação, a graphic novel foi disponibilizada para ser baixada (o primeiro volume) no formato PDF, ou pode também ser lida no formato flipbook no site da ISSUU (em português).
>> CAPACITOR FANTASTICO – por Jack Starman – 3/04/2008


ORGULHO E PRECONCEITO CONTRA ZUMBIS

quinta-feira | 6 | maio | 2010

 

Cá entre nós, se não é a coisa mais genial que EU já ouvi, está no top 100 com certeza.

O livro obviamente incomodou muitos acadêmicos. Mas como todos nós sabemos, o público em geral não dá muita bola para ranzinzices mofadas e adorou a ideia, fazendo do mashup do livro de Jane Austen um dos grande sucessos editoriais do ano passado. A Intrinseca, mostrando mais uma vez que é antenada com o que cheira a sucesso (é a editora das séries ‘Crepúsculo’ e ‘Percy Jackson’ no Brasil), lançou a versão brasileira do livro no começo de 2010.

Manteve-se fiel ao espírito da edição original: a capa é a mesma, o título é a tradução literal, as ilustrações – uma boa emulação dos originais da época de Austen – também estão lá. Inclusive a ‘ficha de leitura’, que tira um grande sarro das perguntas dos livros paradidáticos, aparece no final.

A trama principal é a que foi escrita por Jane Austen em 1813, uma crônica ácida e divertida dos costumes do inicio do século XIX vistos por uma mulher. As irmãs Bennet estão na idade de casar e essa se torna a principal preocupação de sua mãe, uma senhora praticamente insuportável. A vida das cinco moças gira em torno dessa obsessão por casamento, inclusive Elizabeth, a segunda mais velha e a mais ousada, que é a protagonista da história.

Eu disse que a vida delas gira em torno de casamentos? Bem, isso na versão original.

No livro da Quirk Classics, tem um probleminha distraindo as mentes das jovens desse objetivo. Uma estranha praga assola a Inglaterra, fazendo com que os mortos levantem dos túmulos atrás de carne humana. Como nos bons filmes e livros do gênero, uma mordida e o pobre infeliz também irá contrair a moléstia. E é por isso que o pai, o Sr. Bennet, tem outros pensamentos em relação ao futuro de suas filhas. As irmãs são treinadas exaustivamente em artes marciais para poderem se defender e ajudar na defesa de seu país contra as hordas de mortos-vivos.

Aí está a receita. O livro mantém o humor ácido e inteligente de Austen, inclusive com os diálogos marcantes entre Elizabeth Bennet e o arrogante Mr. Darcy, Lady Catherine continua sendo preconceituosa, a pobre Charlotte ainda tem o seu destino trágico… porém tudo fica mais divertido com zumbis. A cena do jantar, logo no começo do livro, perde seu ar de sarau e transforma-se em uma batalha campal em um dos muitos momentos divertidos da história.

O autor não perde muito tempo explicando o que aconteceu ou como os zumbis apareceram. Mal e mal nos deixa saber que estão procurando uma cura. Nos 15% do livro que lhe couberam – já que manteve 85% do texto original – ele se preocupa muito mais em inserir cenas de ação, como a disputa de Elizabeth com os ninjas de Lady Catherine, ela mesma uma eximia lutadora que teve tempos de glória no combate aos atingidos pela praga.

Porém, isso não faz muita diferença. O toque de mestre ali foi saber onde inserir na narrativa os momentos de quebra – como leitora dos dois livros, com e sem zumbis, deu para perceber que ele escolheu bem. Sempre que a trama de Jane Austen podia afastar jovens leitores, há zumbis, ninjas e lutas para trazê-los de volta.

Claro que aqueles que levam a literatura a sério demais bradam que é um sacrilégio, uma afronta, um desrespeito, antiético e até criminoso que o autor ganhe dinheiro dessa forma. Nunca vi, no entanto, esses mesmo críticos refletiram que as editoras ganham muito dinheiro reeditando clássicos em domínio público para servirem como paradidáticos. Qualquer pessoa que entenda o mínimo de legislação autoral sabe que a partir do momento em que a obra cai em domínio público, ela é de livre utilização, por qualquer pessoa, incluindo autores. E só seria antiético se o nome de Jane Austen fosse deixado de lado – o que não acontece, muito pelo contrário.

E é curioso que digam que é um desrespeito e uma afronta. Jane Austen enfrentou esse mesmo tipo de comentário por ser uma mulher que se atrevia a fazer literatura. Poucas na época ousavam, muito menos o sucesso e o reconhecimento da inglesa.

Pode ser que artisticamente, ‘Orgulho e Preconceito e Zumbis’ não revolucione a literatura. Porém, já trouxe uma pequena revolução no mercado. A Quirck Classics já lançou ‘Sense and sensibility and sea monsters’ e agendou o lançamento de ‘Android Karenina’ para outubro deste ano. Grahame-Smith é o autor de ‘Abraham Lincoln: vampire slayer’. Outros autores e editores começam a apostar no filão: Amanda Grange lançou ‘Mr. Darcy, Vampyre’ pela SourceBooks.

E claro que isso não ia parar nos livros.  ‘Pride and prejudice and Zombies‘ vai virar filme e graphic novel. Uma produtora cinematográfica inglesa já anunciou que pretende filmar uma invasão alienígena à cidade fictícia de Meryton, onde se passa o livro de Jane Austen, intitulada Pride and Predator’. Um jogo para Ipod e Iphone será lançado em breve.

E mesmo no Brasil, essa mania pode pegar. O assunto já apareceu na Veja e na Época, foi capa do suplemento Megazine de 20/04/2010, com brasileiros dando exemplos de obras nacionais ‘remixadas’, a Intrinseca já anunciou o lançamento de ‘Razão e Sensibilidade e Monstros Marinhos’ e ‘Abraham Lincoln: matador de vampiros’ para 2010…

E a Desiderata anuciou que no final desse ano irá lançar “Memórias Pós-túmulo de Brás Cubas’ no final do ano. O autor ainda não foi anunciado. Mas já prevejo que ele irá apanhar bastante. Da crítica. O público, porém, tem muita chance de gostar do que vai ler!
>> FICÇÃO CIENTÍFICA E AFINS – por Ana Cristina Rodrigues


TERRY PRATCHETT SOBRE NEIL GAIMAN

quinta-feira | 6 | maio | 2010

Eu estou lendo esse livro aí do lado, porque sou muito fã de Neil Gaiman, e tudo que eu posso ler escrito por ele, ou sobre ele, eu procuro ler. Eu tive uma surpresa muito agradável quando vi que o prefácio desse livro foi escrito por Terry Pratchett, um outro autor que eu adoro.

Ponho aqui uma tradução do prefácio, que mais do que uma apresentação de Neil Gaiman, é uma amostra da genialidade de Terry Pratchett:

Uma levemente usada mais ainda adorável apresentação
por Terry Pratchett

O que posso dizer sobre Neil Gaiman que já não tenha sido dito em The Morbid Imagination: Five Case Studies?
Bem, ele não é um gênio, é melhor do que isso.

Ele não é um mago, em outras palavras, mas um prestidigitador.
Magos não têm que trabalhar. Eles agitam suas mãos,e a mágica acontece. Mas prestidigitadores, bom… prestidigitadores trabalham muito pesado. Eles passam muito tempo da sua juventude observando, atentamente, os melhores prestidigitadores do seu dia. Eles procuram velhos livros de truques e, sendo prestidigitadores naturais, lêem todo o resto também, porque a própria história é um show de mágica. Eles observam como as pessoas pensam, e os muitos modos como não pensam. Eles aprendem o uso sutil de molas, e como abrir enormes e pesadas portas de templos com um toque, e como fazer as trombetas soarem.

E eles ficam no centro do palco e te maravilham com bandeiras de todas as nações e fumaça e espelhos, e você grita: “S-sensacional! Como ele consegue? O que aconteceu com o elefante? Cadê o coelho? Ele quebrou o meu relógio mesmo?”

E na fileira de trás nós, os outros prestidigitadores, sussurramos: “Muito bem! Aquela não é uma variação da Meia levitante de Praga? Aquele não era um dos Espelhos Espíritas de Pasqual, onde a moça na verdade não está lá? Mas de onde veio aquela espada flamejante?

E nós nos perguntamos se existe mágica, afinal das contas…
Eu conheci Neil em 1985, quando A Cor da Magia tinha acabado de ser lançado.Foi a minha primeira entrevista como um autor. Neil estava trabalhando como um jornalista freelance e tinha as feições pálidas de alguém que sentou nas exibições de muitos filmes ruins para poder se sustentar das cochinhas de frango frias que eram servidas na festa de depois (e para construir a sua lista de contatos, que agora é do tamanho da Bíblia e tem gente muito mais interessante). Ele estava fazendo jornalismo para comer, o que é uma boa maneira de aprender jornalismo. Provavelmente a única maneira, aliás.

Ele também tinha um chapéu muito feio. Era um chapéu de feltro cinza. Chapéu não combinava com ele. Não havia união natural entre chapéu e homem. Aquela foi a primeira e a última vez que eu vi o chapéu. Como se soubesse subconscientemente disso, ele vivia esquecendo-o e largando pra trás em restaurantes. Um dia, ele nunca mais voltou para buscá-lo. Eu coloquei isso aqui para o fã sério aí fora: se você procurar bem, com paciência, você pode encontrar um restaurante pequeno em Londres com um chapeú de feltro cinza empoeirado no fundo de uma prateleira. Quem sabe o que acontecerá se você o experimentar?

Bom, de qualquer jeito, nós nos demos muito bem. Difícil dizer porque, mas no fundo estava um prazer e maravilhamento com a pura estranheza do universo, em histórias, em detalhes obscuros, em estranhos velhos livros em livrarias desconsideradas. Nós permanecemos em contato.

páginas sendo arrancaedas de um calendário. Sabe, a gente não vê mais isso em filmes…
E uma coisa levou a outra e ele se tornou famoso com quadrinhos, eDiscworld virou um sucesso, e um dia ele me mandou umas seis páginas de um conto, dizendo que não sabia como continuar, e eu também não, e cerca de um ano depois eu o tirei da gaveta e vi o que acontecia depois, mesmo se ainda não conseguisse ver como tudo terminaria, e nós o escrevemos juntos e era Belas Maldições. Foi feito por dois caras que não tinham nada a perder ao se divertir. Nós não fizemos pelo dinheiro.

Mas, no fim das contas, ganhamos muito dinheiro.
…ei, deixa eu contar sobre as bizarrices, como quando ele ficou conosco para a publicação, e nós ouvimos alguma coisa e entramos no seu quarto e dois dos nossos pombos brancos tinham entrado e não conseguiam sair; eles estavam entrando em pânico ao redor do quarto e Neil estava acordando numa tempestade de penas brancas como a neve dizendo: “Wstfgl?” que é o seu vocábulário normal pra antes do meio dia. Ou a vez em que nós estávamos num bar e ele encontrou as Mulheres Aranhas. Ou a vez quando numa viagem nós ficamos num hotel onde de manhã fiquei sabendo que a TV dele tinha mostrado estranhos shows de bondagem bissexual, enquanto a minha só tinha mostrado reprises de Mr. Ed. e o momento, ao vivo , quando nós percebemos que um mal alimentado apresentador de rádio Nova Iorquino achava que Belas Maldições não era um trabalho de ficção…

(corte para um trem, seguindo em frente com bastante barulho. Essa é outra cena que eles não mostram em filmes hoje em dia…)
E lá estávamos nós, 10 anos depois, viajando pela Suécia e conversando sobre a trama de Deuses Americanos (ele) e O fabuloso Maurício (eu), Provavelmente falando ao mesmo tempo. Era como nos velhos tempos. Um de nós diz: “Eu não sei como lidar com essa parte da trama”; o outro escuta e diz:”A solução, Gafanhoto, está na maneira como você coloca o problema. Quer um café?”

Muita coisa aconteceu naqueles 10 anos. Ele tinha deixado o mundo dos quadrinhos abalado, e nunca será o mesmo. O efeito foi parecido com o de Tolkien no romance de fantasia – tudo depois é de algum modo influenciado. Eu lembro de uma vez durante a turnê de Belas Maldições nos Estados Unidos perambular numa loja de quadrinhos. Nós tínhamos autografado para muitos fãs de quadrinhos, alguns claramente confusos com o conceito d”‘essa história sem figuras”, e eu andei pelas prateleiras conferindo a oposição. Foi quando eu percebi que ele é bom. Há uma delicadeza de toque, um bisturi sutil que é a marca registrada do seu trabalho.

E quando eu ouvi a premissa de Deuses Americanos eu queria escrevê-lo tanto que até conseguia sentir o gosto…
Quando eu li Coraline, eu enxerguei uma animação lindamente desenhada; se eu fechar meus olhos eu consigo ver a casa, ou o piquenique especial das bonecas. Não é de admirar que ele escreva roteiros agora; breve, eu espero que alguém seja inteligente o suficiente para deixá-lo dirigir. Quando eu li o livro eu me lembrei que histórias infanits são aonde o verdadeiro terror reside. Meus pesadelos de infância teriam sido muito sem graça sem Walt Disney, e alguns detalhes sobre olhos de botões pretos naquele livro fazem uma pequena parte do cérebro adulto querer ir se esconder atrás do sofá. Mas o propósito do livro não é o terror, mas vencê-lo.

Pode ser uma surpresa pra muitos descobrir que Neil ou é um cara muito simpático, muito acessível ou então um ator incrível. Às vezes ele tira os óculos escuros. A jaqueta de couro não tenho certeza; acho que uma vez eu o vi num smoking, ou pode ter sido outra pessoa.
Ele adota a visão de que manhãs acontecem pras outras pessoas. Eu acho que uma vez o vi no café da manhã, mas possivelmente era so alguém um pouco parecido com ele que estava com o rosto enterrado num prato de feijões assados. Ele gosta de sushi, e gosta de pessoas também, só que não cruas; ele é gentil com fãs que não são chatos completos, e gosta de conversar com pessoas que sabem conversar. Não parece que ele tem 40 anos, talvez os 40 tenham acontecido com outra pessoa também. Ou talvez haja um retrato especial trancado no sótão.

Divirta-se. Você está nas mãos de um prestidigitador genial. Ou, possivelmente, um mago.

PS. Ele adora de verdade se você pedir pra ele assinar a sua acabada, estimada cópia de Belas Maldições que caiu na banheira pelo menos uma vez e só está inteira por causa de um durex muito velho e amarelado. Você sabe qual.
>> LENDO E APRENDENDO – por Fimbrethil


O DRAGÃO E SUA MAJESTADE

quinta-feira | 6 | maio | 2010

 
Nestes tempos de alta da literatura fantástica, com dezenas de títulos pulando das editoras para as prateleiras das livrarias todos os dias, é de se esperar uma repetição exaustiva de temas e histórias. Reinos distantes, paladinos, magos, elfos e companhia se multiplicam às pencas, em embalagens muito ou pouco chamativas que na maioria das vezes nada tem a ver com seu conteúdo. Não que a avalanche de títulos figure em si como uma coisa ruim. Antes, pelo contrário. Mas é que, seja pela pressa de ver o material impresso ou por não querer ficar fora da onda, muitos autores acabam publicando suas histórias de qualquer jeito, sem o menor cuidado técnico ou gráfico. E o que poderia render uma boa fábula, acaba virando apenas mais um número.

Deste modo, quando surge alguma novidade digna de nota no meio dessa avalanche mimética, temos que levantar as mãos para os céus e dar vivas. A série Temeraire, da norte-americana Naomi Novik, cujo primeiro volume, “O Dragão de Sua Majestade” [His Majesty’s Dragon, no original], foi lançado recentemente pelo selo Galera Record, se enquadra neste rol de gratas surpresas.

Saído da mente fértil desta ex-designer de games, o primeiro livro da série abre as cortinas de uma era alternativa e nos joga em plena época das guerras napoleônicas, num mundo em que dragões são tão comuns quanto naus de batalha.

Na história, Will Laurence, capitão do navio Reliant, da armada inglesa, captura um ovo de dragão de uma fragata francesa numa escaramuça em alto mar. No auge da comemoração pelo valioso botim, a notícia de que o ovo está prestes a chocar deixa a todos apreensivos. Isto por que, uma vez saído da casca, o jovem dragão precisa ser imediatamente adestrado por um aviador [espécie de “piloto de dragão”], que poderá fazer dele um poderoso aliado na guerra contra as forças de Napoleão Bonaparte. Caso contrário, a criaturinha recém nascida poderá ganhar os céus e se tornar uma fera selvagem. O problema é que no navio não há ninguém com o mínimo de conhecimento necessário para empreender tal tarefa, e o prêmio, antes tão comemorado, periga se tornar um problema sério. Laurence, então, se vê obrigado a nomear alguém para por os arreios no dragão e evitar que ele se torne incontrolável e ponha em perigo toda a tripulação. Entre seus homens de confiança é eleito por sorteio um “afortunado” que deverá arcar com a difícil tarefa de tornar-se um “cuidador de dragão”, um membro eterno da Força Aérea Inglesa. Porém, o jovem escolhido sequer é notado pela criaturinha quando da eclosão do ovo e Laurence não tem outra saída a não ser assumir para si a responsabilidade.

Interessante notar nesta primeira parte do livro o cuidado da autora com a pesquisa histórica referente à rotina de um navio de guerra do século XVIII. Laurence é o típico capitão inglês, metódico, distante e com uma polidez que beira as raias do exagero. Sua tripulação o tem na mais alta conta e a isso ele faz jus mantendo as rédeas do navio com pulso firme, porém justo. O navio é a sua jóia no oceano de incertezas da guerra e a vida no mar sua maior paixão, razão que torna ainda mais difícil aceitar a missão de cuidar do dragão.

Nascida à cria, eis que surge a necessidade do primeiro contato e da nomeação do futuro membro da Elite Aérea, como numa espécie de ritual de passagem, de aceitação, por parte do jovem dragão, de seu cuidador. Nesta altura da história, os puritanos hão de torcer um pouco o nariz, dada a condição extraordinária em que se encontra o pequeno réptil alado. Mal saído do ovo, ele já consegue se expressar no mais perfeito inglês britânico, como se vindo de um curso intensivo de línguas ministrado na própria Oxford. A explicação da autora para tal feito é a de que algumas raças de dragões têm a capacidade de aprendizado instantâneo de idiomas — e, além disso, podem apreendê-lo também de dentro da casca — outra justificativa fácil para o que se verá mais tarde, n’est-ce pas? Porém, convenhamos, tal explicação soa bastante oportuna e inverossímil.

Perdoadas as devidas idiossincrasias literárias da obra e batizado de Temeraire [que, por uma dessas coisas inexplicáveis da vida, no Brasil não foi traduzido para Temerário, mantendo-se o nome original], o dragão, pertencente a uma raça até então desconhecida, é incorporado à tripulação do Reliant e Laurence, agora seu cuidador, num contraponto interessante, abdica de seu posto de capitão e passa a cuidar em tempo integral do jovem, faminto e curioso réptil alado.

Aqui, começa a boa e velha jornada do herói — e, neste caso em especial, também de seu dragão. Temerário [para aportuguesarmos a coisa] e Laurence são apresentados à Forma Aérea Inglesa e, como manda o figurino, passam pelas etapas de aclimatação, de rejeição, de superação dos desafios, da prova de valor e coragem para, finalmente, chegarem à aceitação.

Aliás, é durante o treinamento de homem e dragão que ficamos conhecendo mais acerca do universo criado pela autora. E este ponto é, talvez, a parte mais interessante do livro.
Ao mesmo tempo em que apresenta fatos da história conhecida, como as famosas manobras táticas de Napoleão e os enfrentamentos entre as forças navais francesas e inglesas, como a Batalha de Trafalgar, que pôs em lados opostos os almirantes Villeneuve e Nelson (considerado por muitos como o maior estrategista naval que já existiu), a autora vai tecendo uma nova história, colocando um dragãozinho aqui, um ovinho pronto para eclodir ali, e explicando sobre as muitas raças de dragões e seus respectivos usos e atributos nas diferentes frentes de batalha, chegando, inclusive, a mencionar a existência de dragões no Brasil.
Um fato que achei especialmente curioso é a preparação de um dragão para uma batalha. São colocados dezenas de correias e cabos em volta do corpanzil da criatura e neles atados cordas e cinturões menores que tem por finalidade manter a tripulação presa ao dragão. Isso mesmo, tripulação. Plural!

Um dragão de grande porte, como os da raça francesa Grand Chevalier [ou mesmo os dragões celestiais, raça chinesa à qual pertence Temerário — sim, sim, ele é um produto made in China!], tem a capacidade de carregar até quinze pessoas, distribuídas em alojamentos móveis presos ao dorso, pescoço, laterais e barriga. Até aí, nada demais. O problema é quando se tenta explicar o funcionamento dessas “aeronaves de combate”. Há cenas em que a autora simplesmente não respeita a lei que especifica que dois corpos, realmente, não ocupam o mesmo lugar no espaço, quanto mais dois dragões — há um momento em que dois deles vão em socorro de um terceiro e, como forma de resgate, o sustentam sobre o dorso —, isso sem falar no espaço para manobra das asas ou na própria logística em si. Em alguns momentos, é difícil engolir uma penca de homens subindo e descendo pelas laterais de um dragão a 300 quilômetros por hora.

Apesar dessas incongruências, a leitura é leve e a história flui muito bem. Grande parte dessa fluidez se dá graças à interação entre dragão e cuidador: Laurence, o típico inglês, frio e polido, e Temerário, um poço infindável de questionamentos, formam uma dupla, no mínimo, inusitada e, por isso mesmo, certeira.

O livro segue num ritmo cadenciado até a batalha final, quando Napoleão finalmente leva a cabo a invasão através de uma artimanha que, se não fosse oportuna, soaria ingênua.
O gran finale, aliás, ficou muito aquém daquilo que o livro prometia até ali. Cenas muito rápidas, grande parte delas focadas exclusivamente em Laurence e Temerário — mesmo quando havia ao lado deles dezenas de outros dragões duelando — e um final de certa forma esperado e rápido. Ao menos, o desfecho para o dragão não foi assim tão previsível.
No saldo geral, o livro traz um fôlego novo e, apenas pela temática, já vale uma boa olhada. Os pontos falhos e incoerências existem, mas nada tão exagerado que estrague o prazer da leitura. Ah, e como toda boa ideia nunca se fecha em si mesma, o primeiro Temeraire deixa uma porta escancarada para continuação, tanto que dela já se originaram histórias para outros quatro livros.

Em tempo: a capa nacional do primeiro volume, com uma pegada mais infanto-juvenil, deixou muito a desejar em relação às capas internacionais. Talvez, apenas um erro de percurso na escolha da ilustração ou talvez apenas mais uma amostra de um mercado míope que age como se apenas crianças e adolescentes lessem literatura de fantasia.
>> OUTRA COISA – por Rober Pinheiro 4/2008


SPACEBLOOKS: CICLO DE BATE-PAPO SOBRE FICÇÃO CIENTÍFICA, NO RIO DE JANEIRO

quarta-feira | 5 | maio | 2010

Em meio a ciclos de debates, conferências e palestras, a Blooks Livraria apresenta SpaceBlooks: ciclo de bate-papo sobre ficção
científica. Autores e leitores reunidos diante da produção carioca de FC e seu espaço conquistado em meio a um mercado editorial que não pode mais ignorá-la. SpaceBlooks são encontros informais e, por isso mesmo, muito francos, onde colocaremos temas como viagens no tempo, colonização de outros mundos e criaturas pan-dimensionais na
frente da prateleira.

Spaceblooks acontecerá em maio na Blooks mesmo (Praia de Botafogo, 316, ali no Cinema Arteplex) e contará com a presença de gente que produz, escreve e gosta de conversar sobre o tema.

Confira a agenda e os convidados mais que especiais:

 * Dia 6 de maio, 19h | Cinema e Ficção Científica: o escritor e roteirista Bráulio Tavares, o animador César Coelho, o jornalista do Globo Rodrigo Fonseca e o jornalista Eduardo Souza Lima, o Zé José.

* Dia 13 de maio, 19h |Ficção científica na Internet: Os escritores Fábio Fernandes, Ana Cristina Rodrigues e Saint-Clair Stockler expõem
seus sucessos e vitórias nesse território de bravos.

* Dia 20 de maio, 19h |Steampunk: o escritor e editor Gérson Lodi-Ribeiro, o ilustrador Alexandre Lancaster e o multimidiático Fausto
Fawcett falam sobre suas visões de passado na última mesa da noite.

A curadoria do evento é do escritor Octávio Aragão e Toinho Castro. Então o convite está feito e contamos com a presença de leitores e
escritores de ficção científica, ou gêneros afins, além de pessoas interessadas em literatura em geral. Curiosos são bem-vindos, e também os clientes da Blooks Livraria que por acaso estejam ali na hora dos encontros.


“PAULISTA EM QUADRINHOS”: PALESTRAS, CURSOS E OFICINAS NA CASA DAS ROSAS, EM SÃO PAULO

terça-feira | 4 | maio | 2010

Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura (Avenida Paulista, 37, São Paulo/SP) tem sua programação de maio voltada para a arte das Histórias em Quadrinhos, com palestras e oficinas, demonstrando a relação estreita entre HQ, literatura e poesia.

São vários destaques, como o curso A Guerra dos Quadrinhos, no qual o jornalista Gonçalo Jr. dará ênfase à evolução histórica e censura nas HQs, discutindo desde as primeiras experiências no final do Século 19 até chegar às graphic novels e à invasão dos mangás, mostrando como os quadrinhos foram perseguidos, acusados de induzir jovens ao crime, à prostituição e ao homossexualismo.

Caco Galhardo é o responsável pela Oficina de Criação em HQ, falando sobre criação e desenvolverá um processo coletivo com tiras, cartuns e HQs, com a finalidade de produzir um fanzine.

Gualberto Costa fará a Oficina de Fanzines, na qual os alunos que já têm experiência com desenho terão a oportunidade de conhecer as várias formas de confecção de uma publicação independente de quadrinhos e de fazerem sua própria revista.

Mayumi Ito apresenta a Oficina de Mangá, com orientações para desenhar o personagem no estilo mangá, proporções, estilos, olhos, cabelos, roupas e movimento.

HQ e a Rebelião da Linguagem será ministrado por Reynaldo Damazio e abordará criadores de histórias em quadrinhos da segunda metade do século XX que realizaram variada experimentação com as linguagens literária e da ilustração.

O Papel Invisível do Desenhista – Ilustrando uma HQ, com Sam Hart, terá aulas que serão compostas pela elaboração de uma página de HQ por meio do estudo e exercícios de composição de página, narrativa, layout e comunicação voltada à linguagem da HQ.

Duas mesas-redondas serão apresentadas:

As Atuais Mudanças e Transformações dos Quadrinhos no Brasil, com Silvio Alexandre (mediador), André Conti (Companhia das Letras), Rogério de Campos (Conrad), Douglas Quinta Reis (Devir) e Rogério Saladino (Panini/Mythos); e Mangá é a nossa Língua: o Fenômeno Cultural dos Quadrinhos Japoneses no Brasil, com Marcelo del Greco e Arnaldo Oka, ambos da editora JBC.

Destaque para as palestras:

Toninho e a presença da Circo Editorial, com Toninho Mendes, falando sobre a trajetória das revistasChiclete com Banana, Circo, Geraldão, Piratas do Tietê, Striptiras, Big Bang Bang.

Quadrinhos como Poesia, com Fábio Moon e Gabriel Bá, mostrando que, tanto em quadrinhos quanto na poesia, se o artista sabe escolher bem as palavras, atinge a todos de uma maneira que a prosa ou a ilustração não conseguem. O que incluir e o que deixar de fora é a chave para contar uma boa história.

A Produção Editorial dos Estúdios Mauricio de Sousa, com Sidney Gusman. Há quatro décadas, as revistas em quadrinhos de Mauricio de Sousa reinam absolutas nas bancas brasileiras. São, pelo menos, três gerações de leitores que cresceram com as aventuras da Turma da Mônica.

Bienvenido aos Quadrinhos Argentinos, com Paulo Ramos. Quino, Maitena e Liniers são três dos poucos autores que tiveram trabalhos em quadrinhos traduzidos e publicados no Brasil. As editoras nacionais historicamente ignoram a produção argentina de historietas. Durante a palestra, haverá o lançamento do livro Bienvenido – um passeio pelos quadrinhos argentinos.

Além disso, o local apresentará uma homenagem ao cartunista Glauco, com Caco Galhardo.

Para participar, confira a programação completa, data e horários clicando aqui.


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