“CONTOS OBSCUROS DE EDGAR ALLAN POE”: LIVRO ORGANIZADO POR BRAULIO TAVARES TERÁ LANÇAMENTO NO FANTASTICON 2010

sábado | 31 | julho | 2010

O escritor Bráulio Tavares organizou “Contos Obscuros de Edgar Allan Poe”, uma antologia de contos pouco conhecidos de Poe.Com narrativas científicas, misteriosas, permeadas de terror, horror, suspense e policialescas.

Edgar Allan Poe (1809-1849) foi adotado, encampado ou dissecado pelo surrealismo, pela psicanálise, pelo estruturalismo, pela semiótica e outros movimentos. Inventou o conto analítico detetivesco e foi um dos precursores da ficção científica, sem esquecer que figura também como um dos mais importantes nomes da literatura de terror. Inspirou notáveis compositores, de Debussy a Beatles e Bob Dylan, e foi admirado por escritores como Fernando Pessoa, Machado de Assis, Julio Córtazar. Mas Poe é, sobretudo, o grande mestre do conto. Um lugar inconteste na história da literatura mundial.

Ao longo de quase dois séculos, seus contos foram consagrados e largamente traduzidos e editados. Porém, há ainda alguns pouco conhecidos, exatamente por não figurarem nas correntes antologias do escritor. E é para trazê-los a público que a editora Casa da Palavra lança Contos obscuros de Edgar Allan Poe, organizado pelo escritor Braulio Tavares, especialista em ficção científica e literatura fantástica, autor de celebradas antologias do gênero.

Ao optar pelos contos menos conhecidos do escritor norte-americano, cujo bicentenário foi celebrado em 2009, Braulio buscou se distanciar dos textos célebres e comumente encontrados em edições em todo o mundo. “A maioria das coletâneas de contos de Poe concentra-se em dez ou 15 textos que fizeram sua fama como autor. Esta antologia pretende deixar de lado esses contos mais famosos e oferecer ao leitor outras histórias que também têm qualidades notáveis, mas que foram pouco traduzidas no Brasil”, explica Braulio.

Os 16 contos selecionados oferecem um painel ampliado da expressão literária de Poe, apresentando os contos “Metzengerstein”, “Manuscrito encontrado em uma garrafa”, “Morella”, “O rei Peste”, “Sombra – Uma parábola”, “Silêncio – Uma fábula”, “Como escrever um artigo à moda Blackwood”, “Uma trapalhada”, “Descida no Maelström”, “Três domingos numa semana”, “A balela do balão”, “Um conto das montanhas Fragosas”, “O Anjo do Bizarro”, “Tu és o homem”, “A milésima segunda história de Sherazade” e “A esfinge”.

Em um alentado posfácio, Braulio oferece uma apresentação sobre a vida e a obra do escritor, fazendo ainda uma análise minuciosa dos 16 contos escolhidos. Ao fim dessa jornada é possível entender por que Edgar Allan Poe continua sendo, 160 anos após sua morte, um dos mais contemporâneos escritores da literatura ocidental.

Ilustrado pelo artista plástico paraibano Romero Cavalcanti, Contos obscuros de Edgar Allan Poe, acaba por atender a busca permanente do próprio Poe: a diversidade. É ele quem diz: “Se todos os meus contos estivessem agora à minha frente e eu tivesse a incumbência de compor uma nova seleção, o critério que primeiro ocuparia minha atenção seria o de diversidade e variedade”.

O autor
Braulio Tavares nasceu em 1950, na cidade de Campina Grande, Paraíba. Escritor e compositor, ganhou a premiação portuguesa Caminho da Ficção Científica pelo livro de contos A espinha dorsal da memória (1989). É autor dos livros A máquina voadora (1994), Mundo fantasmo (2002) e ABC de Ariano Suassuna (2007). Publicou as antologias Páginas de sombra: contos fantásticos brasileiros (2003), Contos fantásticos no labirinto de Borges (2005) e Freud e O Estranho – contos fantásticos do inconsciente (2007), todos pela Casa da Palavra e com ilustrações de Romero Cavalcanti.

Lançamento no dia 28 de agosto, Sábado, às 18 horas
FANTASTICON 2010 – IV Simpósio de Literatura Fantástica
Biblioteca Viriato Corrêa
Rua Sena Madureira, 298 – Vila Mariana – São Paulo, SP
Tel.: 11 5573-4017 e 11 5574-0389


CONN IGGULDEN NO BRASIL PARA PALESTRA DE LITERATURA FANTÁSTICA NA 21ª BIENAL DO LIVRO

quinta-feira | 29 | julho | 2010

Ossos das Colinas, Os: O Conquistador - vol. 03

Conn Iggulden, autor da badalada coleção “O Imperador” e co-autor (com seu irmão Hal Iggulden), do best-seller “O Livro Perigoso Para Garotos”, todos publicados, no Brasil, pela Record, estará na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

No dia 13/08 ele estará presente em palestra sobre Literatura Fantástica, às 17h

No dia 16/08 em palestra sobre o livro “O Livro Perigoso Para Garotos”, às 16h, durante esses dois dias ele se encontrará com os fãs dos seus livros para autografá-los.

Conn Iggulden tornou-se mundialmente conhecido com a série “O Imperador”, na qual recria a vida do grande líder Júlio César, com mais de 55 mil exemplares vendidos no Brasil. A série é composta pelos livros “Os Portões de Roma”, A Morte dos Reis” “e “Campo de Espadas”.

O autor´vem ao Brasil para a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo para lançar “Os Ossos da Colina”, terceiro volume da série “O Conquistador”, que reconstrói a saga do imperador mongol Gêngis Khan e de seus descendentes, e tem alcançado o mesmo sucesso da série anterior. Os dois outros livros da série são: “O Lobo das Planícies” e “Os Senhores do Arco”.

Conheça mais sobre os livros de Conn Iggulden publicados pela Editora Record

21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo | 12-22 Agosto 2010 - Anhembi - São Paulo, SP - das 10 as 22hs


21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo:
Av. Olavo Fontoura, 1209 (Santana)
* Transporte gratuito sai do Tietê todos os dias do evento, funcionando das 9h00 até as 23h00, na saída da Estação-Shopping

Horário: das 10h00 às 22h00

Ingressos: Público geral R$ 10,00 / Estudante R$ 5,00 (mediante comprovação) / Idosos 60 a 64 anos R$ 5,00 (mediante comprovação)

Mais informações: http://www.bienaldolivrosp.com.br/


“BATTLESTAR GALACTICA”: SÉRIE RETORNA NA INTERNET

quinta-feira | 29 | julho | 2010

A série Battlestar Galactica, que teve sua última temporada exibida em 2009, voltará com uma série na web com o subtítulo Blood & Chrome.

O jornal Chicago Tribune revelou que essa série será focada no personagem  William Adama durante a primeira Guerra Cylon.

Michael Taylor, produtor executivo de Galactica e da série derivada Caprica, escreverá o roteiro de Blood & Chrome, que ele descreveu como: “a iniciação de um garoto na guerra, percebendo como essa é lutada na realidade e como é representada na mídia“.

Serão 10 episódios de 10 minutos cada, com conteúdo explícito em termos de cenas de batalha, sexo e ideologias. “Estou pensando tanto nas guerras do Afeganistão e Iraque quanto no passado de Battlestar Galactica“, disse Taylor.

O sucesso dessa empreitada pode significar o começo de vários projetos similares ou mesmo a possibilidade de uma nova série da franquia na TV.

Lançada originalmente em 1978, a série Battlestar Galactica (cuja versão original foi rebatizada no Brasil como Galactica: Astronave de Combate) conta a história dos últimos sobreviventes das doze colônias, liderados pela nave militar Galactica. As colônias foram dizimadas pelos Cylons, uma raça de androides criados pelos humanos das colônias, mas que se tornaram sapientes, revoltando-se contra seus criadores. Todos buscam a lendária décima terceira colônia, a Terra.

Um remake da série teve início em 2003 e terminou em 2009. Tanto a série original quanto a atual têm HQs publicadas pela Dynamite Entertainment. A nova versão da série tem um prelúdio no ar, chamado Caprica.
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno


“MUMIN”: HIPOPÓTAMO, TROLL OU QUALQUER COISA FOFA

quinta-feira | 29 | julho | 2010

Parece um hipopótamo, mas, na verdade, é um troll. Criado pela finlandesa Tove Jansson (1914-2001) nos anos 40, o personagem Mumin é um sucesso na Escandinávia, no resto da Europa e no Japão. Pouco conhecida no Brasil, a simpática, fofa e inocente criatura de olhos redondos, sem boca, traço simples e cor branca acaba de ganhar um álbum de capa dura chamado simplesmente de “Mumin” (Conrad, PB, 96 pgs., R$ 37.90).

O livro, o primeiro de cinco volumes, traz quatro histórias em quadrinhos no formato de tiras, em que o troll, hipopótamo, ou seja lá o que ele seja, vive aventuras pueris ao lado de amigos como Faro-Fino, Snufkin, Senhorita Snork e outros. A série demorou bastante para chegar por aqui e seu sucesso talvez esteja no fato de que suas histórias sirvam para qualquer idade.
>> GIBIZADA – por Télio Navega


REDE CBS LAMENTA A AUSÊNCIA DE PERSONAGENS GAYS EM SUAS SÉRIES

quinta-feira | 29 | julho | 2010

Um estudo, realizado pela Gay & Lesbian Alliance Against Defamation – GLAAD, apontou que a rede CBS é o canal americano com o menor número de personagens gays em suas séries. Para piorar, a GLAAD aponta a CBS como o canal com o maior número de séries policiais em que personagens gays ou bissexuais e travestis costumam ser vítimas de criminosos patológicos.

A pesquisa apontou a rede MTV como canal que permitiu o maior número de personagens gays em sua programação entre 1º de junho de 2009 e 31 de maio de 2010. Pela TV aberta, o CW ficou em primeiro lugar. Ao todo foram pesquisados 15 canais.

Este é o quarto ano consecutivo que a organização realiza essa pesquisa, que analisou cerca de 4.785.5 horas de programação do horário nobre da TV aberta e cerca de 1,227.75 do horário nobre da TV a cabo. Fazem parte da pesquisa a produção de séries, reality shows e programas diversos. No mês de setembro, a GLAAD divulgará um relatório anual avaliando a inclusão de gays, bissexuais e travestis, restrito à programação de séries.

A pesquisa tem o objetivo de vigiar as emissoras em relação a forma como os gays são representados na TV. Nos anos 60, o mesmo foi feito pela National Association for the Advancement of Colored People – NAACP, organização que atendia os direitos dos afro-americanos em relação à representação de sua cultura na programação televisiva. Foi graças a essa vigilância que atores negros conseguiram conquistar maior espaço nas séries, chegando aos dias de hoje como parte natural na escalação de elenco.

A grande diferença entre os dois segmentos é o fato de que os produtores não estão restritos a contratar atores gays para interpretá-los na TV; esses personagens podem ser vividos por heterossexuais, como já ocorreu em “Will & Grace”, sitcom que colaborou com a presença de gays nas séries de TV.

Segundo a pesquisa divulgada pelo GLAAD a MTV apresentou 207.5 horas de programas originais, dos quais 42% incluíam referências a personagens ou às vidas de gays, bissexuais e travestis. Os canais recebem da instituição uma espécie de ’selo de qualidade’, que varia entre excelente, ótimo, bom, adequado e ‘perdedor’. A MTV foi o primeiro canal, nesses quatro anos, a ganhar o ’selo de excelência’.

Entre os canais a cabo a ABC Family ficou em segundo lugar, com 37%; a TNT em terceiro, com 34%; o Showtime em quarto, com 32%; o Lifetime em quinto, com 31% e a HBO em sexto com 26%. Todos receberam o selo com a classificação de ‘bom’. Entre os canais adequados estão FX, com 27%;  Entre os canais a cabo que foram considerados perdedores estão o USA Network,  com 4%, o A&E, com 3% e o canal TBS, com 2%. Estão ausentes da pesquisa os canais AMC e Starz.

Entre os canais abertos, o CW ficou em primeiro lugar com 35%; a Fox em segundo, com 30%; seguido pela ABC, com 26% e pela NBC, com 13%.  Todos receberam o selo de ‘bom’, com exceção da NBC, que ficou com a marca de ‘adequado’. Já a CBS, que registrou cerca de 7% da presença gay em sua programação, recebeu o ’selo’ de ‘perdedora’.

Este é o segundo ano consecutivo que a CBS é classificada como perdedora pela organização. Em resposta, Nina Tessler, presidente da CBS, declarou aos jornalistas que a emissora não está feliz consigo mesma. A declaração foi feita aos jornalistas que hoje compareceram à coletiva de imprensa organizada pelo Television Critic Association – TCA, para apresentar a nova programação dos canais americanos.

Em razão desse resultado, Tessler declarou que os produtores de algumas séries receberam a incumbência de incluírem personagens gays em suas produções. Por esse motivo, o público conhecerá em breve o irmão gay de Alicia, na segunda temporada da série “The Good Wife“. Além disso, os roteiristas deverão revelar, aos poucos, algumas questões que cercam a sexualidade da personagem Kalinda interpretada por Archie Panjabi.

Em “Rules of Engagement“, Jeff e Audrey conhecerão sua mãe biológica, uma lésbica que fará parte da equipe de softball de Jeff. A série ainda inédita, “$#*! My Dad Says“, estrelada por William Shatner e com base em uma conta de Twitter, terá um gay no elenco de personagens semiregulares. Ele será interpretado por Tim Bagley, que já interpretou um gay em “Will & Grace”.

Ao longo das novas temporadas, outras séries da CBS deverão fazer surgir personagens gays em seu elenco fixo, semiregular ou convidado.

A GLAAD é uma instituição não governamental que surgiu em 1985, durante a epidemia da AIDS. Ela foi formada para dar força aos protestos da comunidade gay contra a forma como o jornal The New York Post publicava matérias sobre a AIDS. Acusada de sensacionalista e homofóbica, a empresa jornalística sofreu uma forte pressão para mudar sua postura.

Ao longo dos anos, a instituição cresceu, conseguindo transformar a mentalidade da mídia acerca da comunidade gay americana. Atualmente, a GLAAD é uma das mais poderosas instituições não governamentais americanas, sendo capaz de forçar mudanças de comportamentos e decisões criativas de emissoras como a rede CBS.
>> VEJA – por Fernanda Furquim


“CIRA E O VELHO”: LIVRO DE FANTASIA TRABALHA COM FOLCLORE BRASILEIRO

terça-feira | 20 | julho | 2010

As lendas e personagens históricos de um Brasil ainda em formação servem como fundo de cena para a narrativa “Cira e o Velho” (232 pp., R$ 29,90), que o ilustrador e publicitário Walter Tierno lança em São Paulo, no próximo dia 22 de julho, na Livraria Martins Fontes. Lobisomens, bandeirantes, reis animais e o Quilombo dos Palmares em seus últimos dias compõem o cenário da história.

Publicado pela Giz Editorial, “Cira e o Velho” é uma história de fantasia. Ou uma fantasia histórica, como prefere o autor. Inspirado por fatos históricos ocorridos no Brasil do final do século XVII e personagens do folclore nacional, o autor mistura fatos e lendas para dar vida a Cira, personagem principal do enredo.

Capa do livro Cira e o VelhoGuerreira e bruxa, amaldiçoada pela morte, parente distante das sereias e filha do cobra Norato, ela busca vingança contra o sertanista Domingos Jorge Velho. Contratado pela irmã de Norato, ele matou a mãe de Cira, a feiticeira Guaracy, e a deixou para morrer, com a garganta cortada.

Valendo-se do seu último suspiro, Guaracy evoca um último encanto para salvar a vida da filha, ainda que isso lhe custe a liberdade. Anos mais tarde, Cira ressurge forte, poderosa e amaldiçoada pela própria Morte, que promete nunca vir para levá-la. Em suas andanças, Cira é acompanhada pela menina Nhá e enfrenta a princesa devoradora de mulheres, o guardião dos pés virados, m’boitatás e lobisomens.

A busca de Cira a leva até Palmares, onde aguarda a chegada do Velho, para o acerto final de contas. Lá, ela lutará ao lado dos palmaristas e verá o grande quilombo ser derrotado pelas forças do Velho. Em um misto de realidade e fantasia, a narrativa tem agilidade e construção consistente, cativando o leitor do começo ao fim.

O livro será lançado em noite de autógrafos na Livraria Martins Fontes Paulista, do dia 22 de julho de 2010, das 18h30min às 21h30min. O livro estará à venda no site da editora, na livraria Martins Fontes, na Bienal do Livro de São Paulo e no Fantasticon. Outros locais serão confirmados em breve.

Uma história de fantasia ou uma fantasia histórica, inspirada no Brasil do final do século XVII. Fatos e lendas se misturam e dão vida a Cira, guerreira e bruxa, amaldiçoada pela morte, parente distante das sereias e filha do cobra Norato. Ela busca vingança contra o sertanista Domingos Jorge Velho, que matou sua mãe e a deixou para morrer. Em seu caminho, reis animais, caraíbas, a princesa devoradora de mulheres, o guardião dos pés virados, mboitatás e a irmã de seu pai, Maria Caninana. Cira e Domingos se encontrarão em Palmares, onde lutarão na guerra que derrubará o grande quilombo.

Clique aqui para fazer o download de trechos do livro “CIRA E O VELHO”.

AGENDA
Lançamento do livro “Cira e o Velho”, de Walter Tierno
Dia 22 de julho de 2010
Livraria Martins Fontes Paulista -
Avenida Paulista, 509 – a partir das 18h30.
Mais informações no site do livro: www.ciraeovelho.com.br


“SPARTACUS”: MINISSÉRIE JÁ TEM ELENCO E ROTEIRO

terça-feira | 20 | julho | 2010

A produção de uma minissérie de seis episódios com base na série  “Spartacus: Blood and Sand” já tem seu elenco principal. Com o título de “Gods of the Arena”, o prelúdio irá mostrar os dias de glória da Casa de Batiatus, antes de Spartacus chegar.

A história irá contar a ascensão do gladiador Gannicus (Dustin Clare, de “Satisfaction”), que se torna o campeão da Casa de Batiatus. No elenco também estão Jaime Murray (de “Hustle” e vista em “Dexter”), interpretando Gaia, uma amiga de Lucrécia e alpinista social em Cápua; e Marisa Ramirez (Mental), como sua escrava. Entre os atores vistos na primeira temporada de “Spartacus: Blood and Sand”, que retornarão para a minissérie estão  Lucy Lawless (Lucrécia), John Hannah (Batiatus), Peter Mensah (Oenomaus) e Manu Bennett (Crixus).Andy Whitfield (Spartacus) deverá aparecer em, pelo menos, uma cena.

A produção da minissérie foi encomendada quando Andy Whitfield foi diagnosticado com câncer, em um exame de rotina. Por esse motivo, a produção da segunda temporada da série precisou ser adiada. Para não perder o interesse do público, o canal Starz encomendou um prelúdio da história apresentada na primeira temporada.

As filmagens da minissérie terão início em agosto com previsão de estreia na TV americana para janeiro de 2011.

No final dessa semana, terá início em San Diego a Comic Con, convenção que reúne elenco e produtores de séries e filmes para um bate papo com o público. O painel de “Spartacus”, que ocorre no dia 23 de julho, tem a presença confirmada dos atores Andy Whitifield, Lucy Lawless, John Hannah e Viva Bianca, bem como a do produtor e roteirista Steven S. DeKnight.
>> VEJA – por Fernanda Furquim


THOR: LOKI E ODIN REVELADOS EM NOVA IMAGEM

sexta-feira | 16 | julho | 2010

Foi revelada uma nova imagem do filme do Deus do Trovão Thor. Embora ela seja a primeira a mostrar Thor empunhando seu martelo Mjolnir, o destaque fica por conta de Odin Loki, mostrados pela primeira vez.

O visual de Odin impressiona, enquanto o de Loki pode decepcionar um pouco os fãs pela falta de seus famosos chifres. Mas, sendo realistas, todos devem convir que retratar tais chifres no cinema é um grande desafio, correndo o sério risco de criar um visual ridículo. Bem, vale lembrar que essa é apenas uma imagem, o personagem pode usar mais de um traje na produção. Lembremos também que mesmo nos quadrinhos, nem sempre Loki usa capacetes com chifres.

Além disso, a Marvel revelou que tanto o filme de Thor quanto o do Capitão América serão lançados em 3D, como já vinha sendo especulado há tempos. Infelizmente, os dois filmes serão convertidos depois das filmagens, algo que vem se provando ineficaz nos últimos lançamentos no formato.

A aventura épica Thor expande o Universo Marvel dos dias atuais na Terra até o reino de Asgard. No centro da história está Thor (Chris Hemsworth), um poderoso, porém arrogante guerreiro cujas ações descuidadas reacendem uma antiga guerra.

Thor é exilado na Terra por seu pai, Odin (Anthony Hopkins), sendo forçado a viver entre os humanos. Uma linda e jovem cientista,Jane Foster (Natalie Portman), tem um profundo efeito em Thor, ao mesmo tempo em que se torna seu primeiro amor. É na Terra que Thor aprende o que é preciso para ser um verdadeiro herói quando o mais perigoso vilão de seu mundo envia as mais sombrias forças de Asgard para invadir a Terra. O roteirista é Mark Protosevich e a direção é do conhecido ator/diretor shakespeariano Kenneth Branagh.

No elenco também estão Tom Hiddleston como Loki, Rene Russo como FriggaJaimie Alexander como SifJosh Dallas como o galante Fandral, o astro japonês Tadanobu Asano como o severo HogunRay Stevenson como o volumoso VolstaggIdris Elbacomo Heimdall, entre outros. A estreia da aventura do Deus do Trovão está marcada para 6 de maio de 2011.
>> HQ MANIACS – por Leonardo Vicente Di Sessa


“A ORIGEM” GANHA UMA PREQUÊNCIA EM QUADRINHOS

sexta-feira | 16 | julho | 2010

Na próxima sexta-feira ‘A Origem’ estréia lá fora e, segundo as críticas, vem para ser o maior lançamento do verão americano e, talvez, do ano. Estão todos encatados com filme e com o brilhantismo de Christopher Nolan, diretor que já provou seu talento nos últimos filmes do Batman e também nos fenomenais ‘O Grande Truque’ e ‘Amnésia’.

Nós teremos que esperar um pouco mais para poder conferir ‘A Origem’, já que a estréia aqui só acontece no dia 6 de agosto. Ainda assim você pode conferir um pouco mais da história aqui. Se trata de uma história em quadrinhos chamada de ‘The Cobol Job’, que acontece antes do início do filme. Pra quem tem um inglês legal e tá curioso para saber mais sobre o filme, fica a dica ai.
>> UOL – da Redação


“CAPRICA” E CARETAS

sexta-feira | 16 | julho | 2010

Caprica é derivada da bem-sucedida série Battlestar Galáctica, por sua vez remake expandido da nostálgica série de TV com mesmo nome, lançada nos anos 1980 e ainda em exibição em canais como o TCM. Trata-se de um prequel: Caprica inicia 58 anos antes dos eventos de Battlestar Galáctica, e procura explicar o porquê do famigerado confronto entre humanos e cylons nos confins do espaço sideral.

No universo ficcional da série, a humanidade habita planetas espalhados pelo espaço. Um deles, de nome Caprica, parece uma parábola dos EUA contemporâneo. Nesse planeta, jovens de uma sociedade super high tech, altamente consumista e plena de bens materiais, entregam-se a orgias e ultraviolência em ambientes de realidade virtual. Intrigas políticas pontuam o cenário de “prosperidade decadente” do planeta Caprica, onde a religião é politeísta, inspirada na mitologia grega. O tema do racismo vem embutido na figura dos Tauron, povo de outro planeta que vive à margem da sociedade capricana. Tal referência aos chicanos nos EUA começa no casting: o tauron mais importante nesse longa-metragem piloto, Joseph Adama, é representado pelo ator Esai Morales. Sua contraparte é o supercientista W.A.S.P. Daniel Graystone (Eric Stoltz), mistura de Craig Venture e Steve Jobs, responsável pela sofisticada tecnologia cibernética apresentada no filme. A propósito, vale observar que o design da tecnologia de Caprica, embora absorva uma determinada iconografia contemporânea, cita notadamente o design de produção da série Battlestar Galáctica original dos anos 1980, como é de se esperar em produtos dessa natureza.

O Dr. Daniel Graystone é o pai de Zoe, talvez a estrela principal do núcleo de protagonistas da série – e certamente a pivô de tudo o que vem pela frente. Gênio da computação e típica adolescente em crise, Zoe desenvolveu uma réplica virtual de si mesma, aparentemente perfeita, que vive no universo do V-club – a boate virtual na qual os jovens de Caprica praticam sexo desregrado, extravasam a agressividade e emulam sacrifícios humanos. Nesse panorama, uma dissidência vem ganhando força entre os jovens desapontados com o hedonismo extremado e o culto politeísta da sociedade capricana. Zoe, sua amiga e seu namorado começam a se envolver com essa “nova onda”. Após um desentendimento com sua mãe, Zoe e o namorado resolvem deixar Caprica. No trem a caminho de Geminon, o namorado de Zoe se revela um homem-bomba. Em nome de “um só Deus” e numa ridícula (porque óbvia demais) citação dos atentados da Al Qaeda em Londres, o garoto explode o trem sacrificando Zoe e mais um monte de gente, entre eles a mulher e filha do tauron Joseph Adama. O evento aproxima Adama do Dr. Greystone, que por sua vez se lança a um projeto obcecado de reaver sua filha por meio do “backup” de Zoe que habita o V-club. Finalmente, o Dr. Greystone consegue transferir a mente duplicada de Zoe para um corpo artificial denominado cylon, desenvolvido como protótipo encomendado pelas forças armadas de Caprica. Quando Zoe acorda no corpo do cylon, a fábula de Battlestar Galáctica parece se esclarecer: a guerra entre humanos e cylons tem origem num conflito familiar envolvendo uma garotinha “rebelde”.O piloto de Caprica me fez lembrar ainda outro trabalho apresentado na SFRA 2010, “The Jetsons as Anti–Science Fiction”, de Darren Harris-Fain (Shawnee State University). Harris-Fain propõe que a animação Os Jetsons deve ser considerada “anti-ficção científica” pois, apesar de toda a sua fábula ser ambientada num futuro povoado por espaçonaves, robôs e tecnologia “avançada”, estruturas sociais consideradas ultrapassadas, típicas dos anos 1950, continuam celebradas pelo desenho, como o patriarcalismo, relações de trabalho enviesadas e demais aspectos de uma agenda superada ou pelo menos frontalmente questionável. Nessa perspectiva, Os Jetsons não apresentaria novum algum, pelo menos não no sentido pretendido pelo crítico Darko Suvin[1]. Portanto, não cumpriria uma função fundamental da ficção científica: propor alternativas genuínas de futuro ou revisões acuradas de nosso presente. Particularmente, eu não seria tão severo em relação ao pobre desenho animado, até porque se trata, em larga medida, de um texto paródico. A meu ver, o trabalho de Harris-Fain sugere um certo risco interpretativo, algo um tanto quanto equivalente a condenar Os Simpsons como uma animação politicamente incorreta. Por outro lado, no caso de Caprica, uma série para TV que pouco ou nada tem de efetivamente paródico – a não ser que consideremos paródia uma narrativa dispersa, ou o produto de uma matriz ramificada de mídia -, de fato a idéia de “anti-ficção científica” parece fazer mais sentido. Caprica parece servir de novo exemplo inspirador a uma determinada crítica ideológica do cinema de gênero que já associou o cinema de ficção científica a discursos de ratificação do status quo. Valeria a pena assistir a série à luz de autores como Judith Hess Wright (“Genre Films and the Status Quo”, em Barry Keith Grant, ed., Film Genre Reader II, Austin, Univ. of Texas Press, 1995, pp. 41-9), ou ainda Michael Stern (“Making Culture into Nature”, em Annette Kuhn, ed., Alien Zone: Cultural Theory and Contemporary Science Fiction Cinema, London: Verso, 1990, pp. 66-72). Segundo Judith Hess Wright, gêneros cinematográficos objetivam exclusivamente “produzir satisfação ao invés de reação”, e filmes de ficção científica em especial “sugerem que a ciência é boa na medida em que serve à manutenção da estrutura de classe existente.” (Wright apud J. P. Telotte, Science Fiction Film, Cambridge: Cambridge Univ. Press, 2001, p. 43). Minha primeira impressão é a de que séries ou filmes como Caprica servem de munição a esse tipo de crítica da ficção científica, eclipsando todo uma variedade de filmes do gênero que coloca em xeque estruturas sociais conservadoras, na melhor tradição que remonta a Swift ou Voltaire

Surpreendi-me com o conservadorismo do episódio piloto de Caprica, nem tanto em termos de estilo (o classicismo narrativo tem sobrevivido de maneira interessante nas séries de TV americanas atuais), mas sobretudo no que se refere ao design de seu universo diegético – algo que sobressalta na caracterização dos personagens e seus diálogos. Zoe é uma meninha moralista, que censura a mãe e condena a vida “vazia” de sua geração. O sexo livre, por exemplo, é moralmente condenado por Zoe e seus companheiros. Os tauron são descritos como um povo “estóico”, determinado e pleno de valores morais, mas agem como a máfia russa e se vestem como versão estereotipada da máfia italiana, talvez mais próximos do visual dos cantores de tango. Faz sentido um povo tão “estóico”, original de um planeta árido e inóspito, se comportar com tal garbo? Algumas das maiores bobagens de Caprica são nominalmente verbalizadas. Uma delas, talvez a mais bizarra e absurda, vem da personagem da “orientadora espiritual” do colégio: ela explica à amiguinha de Zoe que o rapaz que se explodiu matando dezenas no trem o fez com a melhor das intenções, pois havia encontrado nessa atitude uma maneira dedicada de combater o mal. Ora bolas, mas que mal? Transar com todo mundo é necessariamente mau? A personagem da orientadora religiosa vai se revelar ela mesma uma dissidente: prega o politeísmo institucionalizado, mas cultua o monoteísmo clandestinamente, encarado como “salvação” para o vazio existencial e “amoralismo” da sociedade capricana. Enfim, os jovens protagonistas de Caprica não pedem muita coisa do mundo: querem apenas ser ouvidos pelos pais, praticar sexo seguro com parceiro fixo e amar a um só Deus. Caso não consigam essas benesses tão morais e corretas, vestem uma cinta de bombas e explodem o metrô. Simples assim. E a alma da mocinha que morre ainda sobrevive no paraíso digital, encarna num robozão mal-encarado e deflagra uma revolta das máquinas contra a humanidade moral e religiosamente corrupta. Sinceramente, esperava mais do piloto de Caprica, mistura de Chispitas com o velho e saudoso (porque reaganista no seu devido tempo e lugar) Battlestar Galáctica.Este texto é uma anotação preliminar. Pretendo acompanhar, na medida do possível, a evolução dessa série, e talvez voltar-me a uma análise mais detida do filme-piloto, a meu ver repositório de aspectos interessantes para uma crítica do conservadorismo na ficção científica audiovisual contemporânea, bem como para a investigação de um provável “efeito anti-FC” em produtos do gênero.

__________________________

[1] Segundo Darko Suvin, “Um novum ou inovação cognitiva é um fenômeno ou relacionamento totalizador que se desvia da norma de realidade do autor e leitor implícitos.” (Metamorphoses of Science Fiction, Westford: Yale Univ. Press/New Heaven and London, 1980, p. 64). “Quantitativamente, a inovação postulada (novum) pode ser de diferentes graus de magnitude, variando do mínimo de uma discreta ‘invenção’ (gadget, técnica, fenômeno, relacionamento) ao máximo de um cenário (lócus espaço-temporal), agente (protagonista ou personagens) e/ou relações basicamente novas e desconhecidas no ambiente do autor.” (Metamorphoses of Science Fiction, p. 64). Suvin observa ainda que “(…) deve julgar-se a ficção científica pela densidade e riqueza dos objetos e agentes descritos no microcosmo do texto, parecendo-se nisso com a maioria da narrativa naturalista ou ‘realista’ e diferenciando-se totalmente da fantasia de terror. Outro modo de interpretar a distinção feita por Philmus em 1.2 consiste em criar outra tríade hegeliana, na qual a narração naturalista – que exerce um efeito de realidade empiricamente validado – seria a tese, os gêneros sobrenaturais – que carecem de tal efeito –, a antítese, e a ficção científica – onde o efeito de realidade acaba validado por uma inovação cognoscitiva – a síntese. Por sua vez, o novum essencial de qualquer relato de ficção científica deve ser julgado pelos novos insights que permita e possa permitir nas relações imaginárias, porém coerentes e deste mundo – ou seja, históricas – que apresenta.” (Metamorphoses of Science Fiction, 81).
>> CRONÓPIOS – por Alfredo Suppia


OS MELHORES CONTOS BRASILEIROS DE FICÇÃO CIENTÍFICA – VOLUME 2

quinta-feira | 15 | julho | 2010

Se formos bem fundo nas raízes da construção ficcional, a imaginação  está longe de ser um atributo da razão. E se pensarmos na construção da literatura fantástica ou nas figuras que perfazem a literatura de ficção científica, as histórias são repletas de mundos fora de cogitação que surpreende a crença e evita qualquer tipo de realismo. Os personagens, aqui, não tem vida corriqueira, são assombrados por obsessões, delírios e estão sempre à mercê de forças incontroláveis, assediados pelo desconhecido e de encontro marcado com o inovador.

Na virada do último século para nossa era assistimos o crescimento do monstro e a proximidade dos múndos possíveis. Como se as narrativas fantásticas saíssem dos livros e das telas de cinema, materializando em nossos laboratórios o preconizado pela imaginação. Como os ratos com orelhas humanas, o computador enxadrista Deep Blue, o cyberman e porque não dizer o ciberespaço e a realidade virtual. Esses seres e mundos híbridos, frutos das tecnologias de informação e da comunicação mediada por computador, indicam a perda de nitidez nas fronteiras modernas entre orgânico/maquínico, natural/artificial, físico/não-físico, corpo/mente, factual/ficcional produzindo eixos de problematização entre as relações humanas e os conceitos técnicos.

O humano, no contemporâneo passa a ser entendido como um ser em continuidade com  os animais e as máquinas. O ciborgue,  figura hibridizada entre o homem e a máquina, habitante de dois mundos se configura enquanto o ponto de intersecção entre realidade e ficção. Justamente sobre esse entremeio que trata Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica (Devir, 187 pp., R$ 22), editados, reunidos e comentados por Roberto de Souza Causo. Na seleta, que inclui nomes consagrados da literatura brasileira como Lima Barreto, Lygia Fagundes Telles, Berilo Neves, Machado de Assis, entre outros.

Na seleta estão mais de cem anos de ficção científica feita por brasileiros. O que demonstra a forte presença do gênero na construção do imaginário brasileiro e na história literária nacional.  As histórias são variadas e possuem uma atmosfera que dá conta da diversidade temática que o próprio gênero pode chegar.

Apesar da diversidade que marca a antologia, o medo da guerra atômica e do pós-holocausto são o principal eixo temático dos textos, em sua maioria, escritos na década de 60, no período que foi o auge da Guerra Fria. A ficção científica espacial também está presente, assim como histórias de contatos com alienígenas. Os dois volumes, lançados com dois anos de hiato refletem que nossa literatura é, antes de tudo, um mix de referências que precisa, a todo instante ser revisitado para ser amplamente reconhecido.

Entre os maiores acertos estão: “A Vingança de Mendelejeff” (Berilo Neves), com uma história simples, mas competente de um típico cientista louco; a excelente “O Homem que Hipnotizava” (André Carneiro), criativa história sob os efeitos da auto-hipnose; “Seminário dos Ratos” (Lygia Fagundes Telles), ótima metáfora sobre a ditadura militar e suas idiossincrassias e “O Controlador” (Leonardo Nahoum), que nos explica as dificuldades que um semideus pode viver e encerra muito bem a coletânea.
>> REVISTA O GRITO! – por Fernando de Albuquerque


“SEJA LEGAL COM OS NERDS”: A VEZ DO ARO GROSSO

terça-feira | 13 | julho | 2010

Os nerds dominam a internet, o cima, os seriados, a economia,
as novas tecnologias e até a moda
.

A frase do autor de livros sobre educação Charles J. Sykes, atribuída erroneamente a Bill Gates em vários sites, foi um alerta: “Seja legal com os nerds. Você poderá acabar trabalhando para um deles”. A hipótese ameaçadora transformou-se em verdadeiro desejo para alguns. O estilo Steve Jobs de gerenciar vem se tornando referência em livros sobre liderança. Sugestivos títulos como A cabeça de Steve Jobs, O fascinante império de Steve Jobs e Faça como Steve Jobs sinalizam a mudança de paradigmas e a força do modelo de gestão a ser seguido. “No passado, os maiores exemplos de sucesso estavam ligados a executivos de grandes empresas ou a astros de Hollywood. Eles detinham o poder de intervir no mundo. Na nossa sociedade, quem entender melhor sobre a tecnologia terá essa capacidade”, diz o psicólogo Marcio Berber Diz Amadeu, do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática, da Pontifícia Universidade Católica (PUC). Se no mundo dos negócios osnerds já demarcaram sua posição (o topo), entre os jovens, ambiente tradicionalmente problemático para esse grupo, eles também vêm ganhando respeito e pelos mesmos motivos que os consagraram no âmbito financeiro – a habilidade diante da tecnologia. “Eles detêm as melhores ferramentas para lidar com o mundo de hoje, compreendem computadores, objetos eletrônicos e, especialmente, a internet, com seu papel fundamental em nossa cultura”, explica Marcio Amadeu. 

Para Marshall McLuhan, visionário teórico da comunicação que anteviu as consequências dos avanços tecnológicos, “cada produto que molda uma sociedade acaba por transpirar em todos e por todos os seus sentidos” (citação de Os meios de comunicação como extensões do homem). Não à toa, a internet vem operando mudanças culturais profundas, dentre as quais a capacidade de transformar um grupo, até há pouco tempo conhecido por seu visual deslocado, em ícone fashion – a inversão de papéis tornou-se, literalmente, moda. A editora de projetos especiais da revista Vogue e professora do Istituto Europeo di Design, Silvana Holzmeister, aponta que esse grupo de pessoas é responsável pelo surgimento recente do estilo geek chic. “Vejo os geeks como uma versão atualizada dos nerds e o geek chic como o estilo que tomou conta da moda jovem”, diz. Autora do livro O estranho está na moda – A imagem dos anos 90, que será lançado em agosto, Silvana acredita que a influência deriva da profusão de tribos dessa década e diz que ocorre, atualmente, com a ascensão do visual desse grupo na moda, um movimento semelhante do punk, que surgiu das ruas e invadiu as passarelas. “O geek chic reúne elementos típicos do visual nerd, como óculos pesados e corte de cabelo mais certinho, jaqueta, blazer e meias no estilo old school”, classifica. O estudante de informática Felipe Cordeiro Alves da Silva, de 19 anos, prefere ser chamado de geek. Ele não vê essa difusão de maneira positiva e defende que o uso do estereótipo causou uma banalização da imagem do grupo. “A cultura nerd e todas as suas subcategorias estão em ascensão, isso é visível nas ruas. No entanto, nem tudo é legítimo desse universo. Ser desse grupo é mais do que uma representação pela aparência, muitos se enganam nesse mundo de imagens. Vejo pessoas usando óculos imensos querendo se passar por nerds ou geeks, outras comprando gadgets que mal sabem ligar. Do que adianta alguém ter um smartphone se só irá fazer e receber ligações?”, questiona. 

DIA DA TOALHA 
Leonard, Sheldon, Howard ou Rajesh, de The Big Bang Theory; Rusty, de Greek; Artie, de Glee; os rapazes do reality show As gostosas e os geeks. Há um número considerável de personagens nos programas americanos, exibidos no Brasil em canais por assinatura, caracterizados como nerds ou geeks. “O tema ganhou projeção no mainstream justamente pelos casos de sucesso ligados à informática e à internet. De repente, um bando de garotos dessa tribo estava ficando bilionário e mudando a forma como o mundo se comunicava. Seria incomum se o tema não ficasse em evidência”, argumenta Alexandre Ottoni, editor geral do blog Jovem Nerd, nascido em 2002 para “fazer piada” sobre esse universo, mas que hoje se tornou um negócio e mudou a vida de seus criadores. A representação das personagens nas produções audiovisuais recentes não esbarra necessariamente na atitude comum de escárnio, como o faziam as antigas representações, promovendo a identificação da tribo. “Acho bons os seriados, pois ajudam as pessoas a compreender mais esse grupo e é uma forma de divulgá-lo”, conta Luis Ricardo Manrique, 26 anos. Especialista em Linux e assumidamente nerd, ele diz já ter sofrido preconceito no trabalho e na escola por sua postura, mas acredita que a situação está diferente. “Hoje em dia, é muito mais fácil a aceitação, porque o ponto de vista das pessoas mudou. Antes era pejorativo e agora é quase um elogio”, diz.

A satisfação de ser dessa tribo tem até ocasião marcada para ser expressa. Desde 2006, é comemorado em 25 de maio o Dia do Orgulho Nerdou Geek. A data escolhida é a da estreia do primeiro filme da saga Star Wars e também a da morte de Douglas Adams, autor do Guia do mochileiro das galáxias. Em alusão à passagem do livro sobre a importância da toalha para os mochileiros das galáxias, a data também é conhecida como Dia da Toalha e, na ocasião, é comum encontrar nerds portando o objeto como bandeira.

Em 25 de maio último, os estudantes de jornalismo da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO-UFRJ) decidiram registrar a data de maneira diferente: lançaram um blog sobre o assunto, o Jornal dos Nerds. Batizado de Nerdlândia, é o jornal-laboratório da turma, que elegeu o tema e a versão virtual no lugar da impressa por ampla maioria em votação. “É incrível como os alunos são cada vez mais nerds, eles já nascem sabendo tudo de tecnologia. O que era um subgrupo e, como qualquer minoria, discriminado, está se tornando dominante. Eles cresceram, se tornaram bem-sucedidos, celebridades”, diz a professora e jornalista Cristiane Costa, coordenadora do projeto. A equipe de cerca de 20 estudantes também organizou um evento para marcar o lançamento do blog, com mesas de discussão e ampla divulgação na mídia. Segundo a coordenadora, “o blog é direcionado a um público enorme, com sua própria linguagem, interesses e definição de gêneros artísticos, mas que, na grande imprensa, não encontra muita informação que o interesse. A gente descobriu que é um filão”, conta.

O MUNDO É UM JOGO DE RPG 
role playing game (RPG) surgiu em 1974, de uma variação dos wargames (jogos de batalhas de miniaturas). O inventor foi Gary Gygax, que criou um sistema relativamente simples se comparado com os jogos de interpretação atuais. O que o criador de Dungeons & Dragons, o primeiro jogo, não poderia prever é que o RPG teria tanta capacidade de evoluir e influenciar. O arquiteto, escritor e designer de jogos Marcelo Del Debbio explica que, atualmente, existem três modalidades: de mesa; o tradicional, em que o jogo se desenrola na imaginação das pessoas; olive action, que é uma modalidade de teatro de improviso; e os RPGs eletrônicos, como World of WarcraftTibia e Ragnarok. Além dos jogos propriamente ditos, o repertório do RPG também influenciou os games e o cinema. “Desde sua origem, o RPG esteve totalmente imerso na cultura nerd e influenciou livros como Senhor dos anéis e Entrevista com o vampiro”, conta. Marcelo, que é autor de mais de 40 livros de RPG e inventor de métodos de jogo, também aponta outras vantagens: “Estimula a leitura, a imaginação, a oratória, a construção de histórias, a estratégia e o planejamento, além de servir como dinâmica de grupo”. Por esses motivos, os jogos também podem ser aplicados para fins didáticos. “O RPGQuest, por exemplo, é usado em escolas para treinar contas de somar, subtrair, dividir e multiplicar com crianças em fase pré-escolar. O aluno fica entretido e não percebe que, ao longo de uma tarde de jogo, fará de 300 a 400 contas de cabeça”, explica. E não é apenas em educação ou entretenimento que o recurso está presente. Já existe uma espécie de gincana envolvendo aspectos lúdicos e de atividade social, semelhante ao RPG, aplicada em empresas. “Desenvolvi um sistema que foi usado algumas vezes para treinamento de grupos”, diz Marcelo. 

HERÓI MARGINAL 
AvatarSenhor dos anéisMatrixLost… Alguns sucessos do cinema e da TV são adorados por nerds e geeks e tornaram-se novos emblemas dessa tribo urbana, compartilhando o posto com clássicos, como Guerra nas estrelas e Star Trek. Para o professor de cinema da Universidade Anhembi Morumbi, Vinícius Del Fiol, a realidade paralela dessas produções é responsável pela adesão desse público específico. “É uma possibilidade de fuga, pois o mundo tão estranho e singular apresentado na ficção é capaz de acolher todas as tribos, inclusive a dos nerds”, diz. Del Fiol acredita que a figura de “herói torto”, hostilizado pela maioria, presente nesses filmes, contribui como fator de identificação. “Apesar de todo esse recolhimento, os personagens são capazes de atitudes notáveis e libertadoras. Dessa forma, eles servem como projeção para esses jovens”, conta.

Outra questão importante, segundo o professor, é que a tecnologia está presente em grande parte dessas produções. “Muitas das relações humanas nesses mundos são mediadas pelo computador, tal como na vida desses jovens. Nesse ambiente tecnológico, as pessoas têm possibilidade de experimentar um mundo fantasioso e vivências que a realidade não permite”, explica
>> REVISTA CULTURA – por Douglas Galan

DERIVAÇÃO OBSCURA
Os dicionários de língua inglesa registram os verbetes “nerd” e “geek” com significados depreciativos, como “pessoa chata” e “fora de moda”. Para o professor Bento Carlos Dias da Silva, da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Araraquara (SP), as palavras são sinônimas dentro de certo contexto. “Conforme atesta o Random House Webster’s Unabridged Dictionary, o termo inglês “geek”, datado de 1915-20 e considerado uma variante provável do termo dialetal escocês “geck” (tolo), provém do termo “gek” (louco, maluco), do holandês, que, por sua vez, provém do termo “geck” (gritos), do baixo alemão. Já o termo “nerd”, datado de 1960-65, está sinalizado nessa obra como americanismo e ‘formação expressiva de derivação obscura’”, explica. Alexandre Ottoni, do blog Jovem Nerd, concorda com a semelhança das expressões: “Nós defendemos que é tudo farinha do mesmo saco, apesar de dizerem por aí que os geeks são nerds com habilidades sociais. Talvez a diferença maior entre os dois termos seja um interesse maior dos geeks por tecnologia, gadgets, enquanto os nerds curtem mais a cultura pop de Star Wars, Senhor dos anéis, quadrinhos e literatura fantástica”, diz. Na internet, entre os diversos sites e blogs que abordam o assunto, a origem imprecisa ganha outras explicações, como o nascimento da palavra “nerd” na década de 1970 no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, ou para designar os frequentadores do laboratório Northern Electric Research and Development (daí viria a sigla), atual Nortel, no Canadá. Outra possível explicação vem da tradição oral, oriunda da palavra “knurd”, uma inversão da palavra “drunk” (bêbado em inglês, escrito ao contrário), para designar que o grupo era oposto àqueles que usavam álcool. Seja qual for a explicação, duas palavras já não bastam para classificar o heterogêneo grupo dos nerds. No site Geek Code são apresentados mais de 20 estilos de geek. “Nos dias atuais, há diversos subgrupos nesse universo, como o nerd que gosta de computadores, o que gosta de gadgets, o que gosta de estudar, o que gosta de videogames, o que gosta de RPG e assim por diante”, explica o psicólogo Márcio Amadeu, que vê “na informação especializada a um clique do mouse de distância” o motivo para o crescimento de aficionados em praticamente tudo e razão para o surgimento de mais e mais nerds. Quem resistirá ao lado geek da força? .


ERA DO BRONZE DOS QUADRINHOS: UM DOS MOMENTOS MAIS CONTROVERSOS DA NONA ARTE

terça-feira | 13 | julho | 2010

Diferente dos movimentos anteriores, A Era dos Heróis da Aventura, A Era de Ouro e A Era de Prata, todos eles com marcação bem definidas de começo e término, simplesmente não existe o menor consenso acerca do que seria exatamente a essência do que constitui a chamada Bronze Age of Comics, nem da existência exata de um marco que a defina. Isso por que fãs de quadrinhos do mundo todo defendem diferentes momentos para o início dessa fase, cuja característica principal acabou sendo a de uma profunda mudança na abordagem e temática das histórias.

Pode ser dito que os personagens, até então eternizados no papel durante tanto tempo, começaram a crescer e evoluir dentro de um tempo real, acompanhando de certa forma as mudanças que o mundo vinha sofrendo e imprimindo sobre eles, algo que teria sido impensável até então. Claro, há uma grande diferença entre, por exemplo, o Batman do início, o que atravessou a Segunda Guerra Mundial, o que enfrentou o código de censura nos anos 50 e a figura caricata dos anos 60 – mas não se trata disso que estamos falando. As mudanças que a Era de Bronze imprimiram na indústria quadrinhística estavam além desses fatores.

Mas retornemos ao começo de tudo. Aparentemente, já que não há uma concordância nem em relação à existência do marco zero, convencionou-se que uma série de eventos em consonância marcaria o surgimento da Era de Bronze, que coincide com o término da Guerra do Vietnã e a mudança na mentalidade do povo norte-americano (mais uma vez).

Nos quadrinhos, em 1969, Robin abandonava Batman para ingressar na faculdade e essa ação parece ter sido o estopim inicial para toda uma série de outras alterações significativas, tanto na Marvel quanto na DC. Cronologicamente, temos o bombástico início da publicação das aventuras de Conan em outubro de 1970, pela Marvel Comics, o que simplesmente elevou a um novo patamar o sentido de erotismo e violência nos quadrinhos. Conan foi um tapa na cara da segurança e da comodidade; uma revista realmente diferente de tudo o que já havia sido produzido até então e, com uma incontestável qualidade, o gibi alardeava uma verdade: a Marvel não se importava de caminhar em um terreno pantanoso e estava disposta a provar isso. No ano anterior, a editora já havia apresentado um personagem afro-americano, o Falcão, e em 1971, o efetivaria como parceiro oficial do Capitão América. Apostas arriscadas, mas não tanto quanto Luke Cage se tornar o primeiro herói negro a ter um título próprio e a série A Tumba de Drácula marcar a volta definitiva do terror aos quadrinhos. Em 1973, a editora permitiu o brutal assassinato de Gwen Stacy, fato que sepultava de vez a temática inocente que caracterizava a Era de Prata. A Guerra do Vietnã havia destruído muita coisa e no ano seguinte, Wolverine, que viria a se tornar o mutante mais famoso da editora, faria sua estréia em Incredible Hulk 181.

Em 1979, a DC publicou The World of Krypton, a primeira minissérie em quadrinhos da história. O formato viria a mudar profundamente o cenário dos quadrinhos e logo a seguir, viriam as bens sucedidas reformulações de X-Men e Turma Titã, que se transformou nos Novos Titãs. O período marcou o aparecimento de artistas excelentes como John Byrne, George Pérez, Barry Smith e as lendas Alan Moore e Frank Miller, considerados dois dos maiores criadores de quadrinhos de todos os tempos, ambos alçados hoje ao status de celebridades. Personagens evoluindo, o Homem-Aranha crescendo, um forte apelo político em diversos quadrinhos, a jornada excepcional de Hal Jordan e Oliver Queen pelos EUA e a descoberta do vício de Ricardito, essas não foram mudanças sutis. Era algo mais!

Assim como não há consenso sobre o início da Era de Bronze, também não se sabe dizer quando ela terminou (se é que terminou). Comumente, atribui-se o período que oscila entre 1985 e 1986 como seu término, já que importantes mudanças estruturais ocorreram nessa época, que incluem o surgimento das Graphic Novels, a publicação do divisor de águas O Cavaleiro das Trevas pela DC e da série Guerras Secretas, pela Marvel. Alguns leitores dizem que a publicação dessas HQs nos catapultaram direto para A Era Moderna, outros (mais puristas), são incapazes de aceitar essa idéia. Seja como for, A Era de Bronze corresponde a um dos períodos mais ricos da publicação de quadrinhos da história.
>> REVISTA O GRITO! – por Alexandre Callari


“YESHUAH – ASSIM EM CIMA ASSIM EMBAIXO”: A ÚLTIMA TENTAÇÃO

terça-feira | 13 | julho | 2010

HQ que fala em gravidez de Maria, na gestação de Jesus e em sua subida aos céus levanta controvérsia em torno da leitura humanizada do mito

A gravidez secreta de Maria, o parto de Jesus, o batismo pelas mãos de João Batista, o massacre dos recém-nascidos por Herodes, as tentações: com uma ousada versão da vida de Cristo, o cartunista paulista Laudo Ferreira está “papando” os principais prêmios dos quadrinhos nacionais. Depois do Prêmio Ângelo Agostini, ele acaba de ser indicado nas categorias melhor desenhista, melhor roteirista e edição especial no prêmio HQ Mix, o mais importante da América do Sul.  

   

Yeshuah – Assim em Cima Assim Embaixo (Devir Livraria, 156 pág., R$ 23) é um projeto de 450 páginas que já consumiu 10 anos de estudos e tem três volumes (o segundo volume, O Círculo Interno, o Círculo Externo, sai em agosto). A primeira edição, com 2 mil exemplares, vende como água no deserto. Não sem polêmica: religiosos questionam o autor, que se baseou nos Evangelhos, textos apócrifos e na versão do cineasta italiano Pier Paolo Pasolini.

Por que resolveu contar a história de Jesus em quadrinhos?
Sou muito interessado em questões espirituais e também na relação do ser humano com as religiões. A história canônica de Jesus me é interessante, toda sua mitologia, digamos assim, e aí pensei em fazer algo sem reverências, sem ajoelhar e rezar, e, por outro lado, sem querer chutar o pau da barraca, sem satirizar, pois isso já foi feito à exaustão. Particularmente não acho que se criem mais polêmicas com Jesus, pois acredito que toda forma possível já foi explorada. Recentemente fizeram algo na Playboy com Jesus e umas coelhinhas, algo assim. (leia na página D4). Parti da ideia de contar uma grande aventura espiritual, a grande aventura do ser humano e o desenvolvimento de seu Deus interior, como lida com isso, como as pessoas à sua volta lidam com isso. Tirar o Jesus “sofrido” do altar e trazê-lo mais próximo, sem se preocupar se ele é isso ou aquilo.

Você trata da dúvida da traição na concepção de Jesus por Maria. Não teme os extremistas?
Quando escrevi o roteiro, optei em contar a versão canônica da concepção, ou seja, Maria concebe Jesus “virgem”. Algumas pessoas próximas, como minha própria esposa, por exemplo, questionou isso. Não era minha intenção criar outra interpretação e sim recontá-la. Como uma menina de seus 13, 14 anos lida com tudo isso? Um homem misterioso surge do nada e lhe conta coisas. Por outro lado, como sua família e seu noivo, um homem maduro, vão lidar com isso? É uma questão de, até mesmo, testar as crenças.

Ouvi que religiosos têm protestado. É verdade?
Olha, alguns evangélicos que conversaram comigo durante esse tempo aprovaram essa primeira parte e isso para mim foi de certa forma uma surpresa e uma satisfação. Não que estivesse preocupado com retaliações. Por outro lado, cheguei a ver alguns sites e blogs religiosos que desceram a lenha simplesmente por lerem alguns outros depoimentos meus. “Ele não acredita num Jesus salvador”, diziam. Não mesmo. A coisa depende da gente, ou seremos eternamente dependentes de um “papai do céu” e assim ninguém “desmama”. O próprio Jesus, tanto em textos canônicos como nos apócrifos, prega isso. Na questão da Maria, ou Miriam, houve algumas pessoas que chegaram a procurar meus endereços virtuais na net para encaminharem e-mails, dizendo-se ultrajadas pela visão que eu dei da Maria. Há uma mensagem em especial, que cheguei a responder, explicando que Maria era a heroína desse primeiro volume, e que, pelo contrário, eu não desrespeitava sua história canônica e sim reiterava, ao mostrar todo o processo, o caminho do herói pelo qual ela passa para entender tudo o que estava acontecendo consigo. Bem, não tive resposta…

A opção pelo Jesus “carnal”, segundo você, tem origem também no filme de Pasolini (O Evangelho Segundo Matheus). Por que Pasolini, logo um dos maiores críticos da leitura católica tradicional?
Sou tremendo fã desse cineasta. A forma como ele mostra as pessoas em seus filmes e em particular no Evangelho Segundo São Matheus me ajudou muito a conceber a cara desse quadrinho. Pesquisei, e muito, também a origem desse rosto que temos até hoje de Jesus e é algo que está enraizado em nós, mesmo nos que não acreditam. Queria, de alguma forma, fazer algo um pouco distante, menos “santo”, menos bonito, aí me lembrei desse filme do Pasolini que havia visto há anos. Embora não tenha criado o rosto do meu Jesus totalmente em cima do filme, a ideia veio de lá.

Qual é sua visão da religiosidade cristã?
Entendo, e acredito, em toda essa comoção que a religião causa nas pessoas, principalmente nas mais necessitadas. Porém, acredito que é fundamental se libertar de dogmas, de imposições, de “Deus disse isso”, “Jesus quer isso”. Vivemos eternamente na obrigação do dever, e não acredito nesse tipo de leitura de qualquer religião. O tal religare não é isso. Ao contrário do que possa parecer, quanto mais estudei nesses anos todos, inclusive me aprofundando em coisas como xamanismo e budismo, mais passei a compreender como tudo vem de dentro de você, do seu Deus interior, se você não mudar sua percepção das coisas não adianta só rezar para Ele nos ajudar. Tornei-me mais espiritualizado e mais ateu em relação às coisas que estão por aí.

Sua história mostra grandes cenas de epifania, visões quase lisérgicas, como nos batismos de João Batista. Essa é uma vertente que você escolheu deliberadamente? Por quê?
Sim. A concepção é muito mais interna e menos teatral, então foi a forma que achei que melhor transmitiria isso. Não carece de uma pomba descer dos céus e uma voz anunciar “Esse é meu filho amado e tal…”. É um “religar” que Jesus tem naquele momento, e que é tremendamente profundo e é seu.

É um quadrinho de grande fôlego. Qual era o projeto original?
Quando eu comecei a trabalhar nessa HQ, em 2000, a ideia era uma única parte, algo por volta de 400 a 450 páginas, pois pensei em contar a história linearmente, sequenciada, com personagens mais estudados e com perfis. Na ocasião era inviável editorialmente falar ou pensar num livro em quadrinhos com tanta página assim. Bem diferente do que vemos atualmente em trabalhos como Retalhos e Cachalote. Mas, enfim, acho que ficou mais interessante contar toda essa história em três volumes. O pesado das pesquisas basicamente foi de 2000 até 2005. Há algumas coisas pendentes ainda para ler que reservei para a terceira parte, que estou produzindo atualmente, e que não tem relação com a parte final.
>> O ESTADO DE SÃO PAULO – por Jotabê Medeiros


LÚCIFER É UMA ENTIDADE REAL OU ALGO INVENTADO PELA RELIGIÃO?

domingo | 11 | julho | 2010

Portador da Luz ou perpetuador das trevas?
Príncipe da mentira ou responsável por trazer
o conhecimento à humanidade?
Alguns o entendem como uma simples representação
de nossos demônios internos.
Outros o vêem como a personificação do Mal.
Contudo, quem é na realidade essa força chamada Lúcifer?

Segundo alguns, o mundo em que vivemos não é exatamente aquele que imaginamos. Nós não estamos salvos, como as religiões cristãs dão a entender, mas nos encontramos sob o domínio do Mal. Jesus não nos salvou com seu suplício, como a Igreja afirma, mas falhou na tentativa de penetrar em um mundo dominado por seu inimigo, ainda que tenha deixado ensinamentos compreendidos apenas por uma elite.

Tais afirmações podem parecer estranhas à maioria das pessoas, acostumadas com a noção de que o ser humano é regido basicamente pelo Bem. Na verdade, dizer o contrário pode parecer uma ficção alucinada – o que não deixa de ser verdade, uma vez que alguns escritores de ficção científica dedicaram incontáveis livros sobre a predominância do Mal no universo. Essa ideia, contudo, tem um embasamento histórico e muitos estudos já foram dedicados a ela ao longo dos tempos.
Para os adeptos dessa teoria, nós não conseguimos perceber que o mundo é controlado pelo Mal justamente porque o Mal representa o “não conhecimento”. Ele nos enreda em sua teia de ilusões e nos cega para a verdadeira natureza do planeta em que vivemos, da vida que levamos e de nós mesmos. É uma noção que, guardadas as devidas proporções, pode ser comparada à do véu de maya, presente na filosofia hindu, que nos ilude e impede de ver a realidade em todos os seus aspectos.

O conceito de ilusão, ou sobre a sedução do Mal, tem norteado uma série de atividades em nosso planeta, e talvez já fosse tempo de perceber a verdadeira natureza e o tamanho da encrenca em que nos encontramos. O século 20, por exemplo, foi fortemente marcado pela atuação política, assim como o 21 também está sendo. Para muita gente, isso é a marca indelével do Mal: ódio, guerras, mortes, massacres, violências inimagináveis, preconceito, dissimulação, escravidão, roubos descarados, pobreza, fome, a superficialidade nos relacionamentos com nós mesmos e os demais – enfim, a mentira sendo elevada à categoria de arte.

Seguindo a história, podemos citar o Gnosticismo como uma das fontes desse modo de pensar. Segundo alguns, desenvolvida na Alexandria durante os primeiros três séculos da era cristã – segundo outros, um conhecimento bem mais antigo, pré-cristão –, a filosofia se dividiu em dezenas de seitas e sofreu influência de praticamente todas as religiões existentes na época. Essas seitas entendiam, por exemplo, que o mundo material não tinha sido criado por um Deus supremo, mas pelo Demiurgo, também conhecido por Iadalbaoth, que para alguns historiadores é simplesmente Lúcifer. Tendo criado o mundo visível a partir da matéria, ele só poderia ser imperfeito. A seita gnóstica dos ofitas entendia que Iadalbaoth era orgulhoso, ignorante e vingativo.

Estava insatisfeito com sua criação e quis destruí-la por meio de Eva. Sophia, a Sabedoria, resolveu então enviar a serpente para fazer com que o homem comesse o fruto da árvore da sabedoria, sobre a qual o demônio havia fixado um tabu, desejando que o homem se mantivesse no estado de ignorância. Ao adquirir sabedoria, o homem tornou-se capaz de combater Iadalbaoth.

O Velho Testamento é visto pelo Gnosticismo como a representação dessa luta, que se estende à vinda de Cristo e sua morte, por instigação de ninguém menos que Iadalbaoth. Jesus não morreu, segundo esse ponto de vista, para nos salvar, mas para nos dar o conhecimento, a gnosis. Por outro lado, esse conhecimento limitou-se aos iniciados, que muitas vezes formaram grupos fechados, buscando preservar o conhecimento sobre a verdadeira natureza da vida no planeta.

A Queda
Segundo certos historiadores, o Gnosticismo não conseguiu se sustentar e foi massacrado sob os intermináveis debates entre as diferentes seitas, mas a discussão acerca da natureza do mundo e do Mal que nele reside continuou. O historiador Kurt Seligmann diz que essa noção de Luz e Trevas, divididas e antagônicas, travando uma luta eterna, não fazia parte das religiões da Antiguidade, nas quais o Mal participava do divino, com ambos os princípios se interpenetrando.

É assim que, na religião egípcia, o destruidor Seth surge como irmão do bondoso Osíris, e na Pérsia a entidade do Mal, Ahriman, tem como origem um pensamento duvidoso de Ormuzd, o deus da Luz. Da mesma forma, os textos apócrifos do Velho Testamento também não apresentam essa noção tão clara, embora os dogmas oficiais da Igreja tenham evoluído de forma tão radical que qualquer explicação diferente da oferecida pela Igreja Católica tornou-se passível de punição, muitas vezes violenta.

O melhor exemplo sobre a atuação do Mal segundo a visão cristã, mais especificamente a católica, é a famosa passagem bíblica sobre a queda dos anjos. Segundo a tradição, Lúcifer era a mais bela das criaturas angelicais e se rebelou contra Deus, caindo em desgraça junto com seus seguidores celestes. É apenas no Novo Testamento que Lúcifer passa a ser visto como um ser maligno, muitas vezes chamado de Satanás e uma série de outros nomes. No Antigo Testamento, ele é tido como “o portador da Luz, a estrela da manhã”, associado ao planeta Vênus.

A noção de portador da Luz significa, segundo algumas interpretações, que Lúcifer foi o responsável por trazer o conhecimento à humanidade. Só que, ao fazer isso, ele também trouxe as Trevas, uma vez que só o conhecimento pode promover a distinção entre Bem e Mal.

Estamos diante de duas propostas ligeiramente diferentes, ainda que parecidas. Se Lúcifer trouxe o conhecimento, como ele pode manter a humanidade ignorante sobre a verdadeira natureza da vida? Se o mundo é marcado pelo “não conhecimento”, pelas mentiras, ilusões e seduções criadas pelo anjo caído, ele não pode ser a bondosa entidade à qual alguns estudiosos se referem. Ou então, Lúcifer não tem poder sobre o planeta e a humanidade, mas tenta constantemente fazer com que saibamos a verdade sobre o que nos cerca.

Segundo o historiador Doucet, a presença de Lúcifer no mundo material causou vários problemas ao pensamento cristão: se Deus é onisciente e onipotente, por que permite a existência do Mal? Muitos pesquisadores entendem que essa questão é impossível de ser resolvida, e que a figura do diabo tradicionalizada pela religião não está de acordo com a realidade dos conhecimentos contidos nos antigos textos. Muitos movimentos e seitas provenientes do Cristianismo, como os cátaros, albigenses e, segundo Doucet, também a Ordem dos Templários, fundada em 1118, propunham leituras diferentes do Velho e do Novo Testamento, vendo Lúcifer como o portador da Luz, banido do Céu injustamente.

Sedução
Tudo isso posto, fica uma pergunta: de onde viria a atração pelas Trevas, que parece dominar a raça humana desde tempos imemoriais? Houve época em que inúmeros filósofos procuravam definir como seria o primeiro homem, intocado pelo Mal. Chegaram a imaginar que, em algum lugar do planeta, essa pessoa teria existido em uma espécie de paraíso terrestre.

Séculos mais tarde, os pensadores davam a impressão de ter abandonado a ideia do homem puro e decretado a morte de Deus, desiludidos com as ações humanas. Alguns chegaram a afirmar ter visto a face do demônio esculpida a fogo no cogumelo formado por uma explosão atômica, como se Lúcifer estivesse mostrando ao mundo, de uma vez por todas, quem mandava no pedaço.

Os psicólogos, por sua vez, passaram a explicar que Bem e Mal se encontram dentro de nós, e que todas as histórias sobre a queda do homem são uma representação inconsciente de nossa própria incapacidade para lidar com o meio ambiente, para domar nossos demônios interiores. Ainda seguindo essa ideia, Lúcifer e Deus seríamos nós mesmos, e jogar numa entidade suprema a culpa do que é ruim não passaria de uma desculpa para justificar nossos erros, que vêm se repetindo há milênios.

Muitos pesquisadores propuseram uma outra alternativa, imaginando que os deuses de antigamente eram, na verdade, de carne e osso, ou quase isso: seres vindos de outros planetas, com elevado conhecimento científico e tecnológico, que lutavam para dominar a Terra pelos mais variados motivos. Os aspectos gerais dessa luta teriam sido gravados em nossa memória ancestral, e o tempo se encarregou de fornecer explicações místicas ou religiosas para algo que não conseguíamos compreender.

As linhas que estudam a possível presença de OVNIs e seres extraterrestres em nosso planeta entendem que essa situação continua existindo até hoje. São inúmeros os relatos de conflitos entre diferentes raças extraterrestres – algumas compondo governos paralelos do planeta, conspirando com seres humanos para o controle total da humanidade, enquanto outras tentam impedir que tal situação se concretize.

A ficção científica encampou essas idéias e as apresentou em livros muito interessantes. O escritor cristão C.S. Lewis, por exemplo, imaginou que cada planeta tinha o seu próprio deus, e que o deus da Terra havia se tornado maléfico. Para conter suas ações, as demais divindades o isolaram, bem como o planeta, de certa forma confinando o Mal. Philip K. Dick, autor de Blade Runner, baseou-se no Gnosticismo para imaginar o Bem e o Mal como forças reais, brigando pelo poder no universo. Segundo ele, o Mal realmente domina a Terra, impedindo que o Bem entre, a não ser por meio de uns poucos enviados e algumas mensagens, como a de Jesus Cristo – que, no entanto, não impediram que o planeta continuasse fechado às ações mais efetivas do Bem. O escritor chegou a imaginar que os emissários do Bem teriam colocado uma espécie de satélite em órbita terrestre, enviando mensagens às pessoas que as conseguissem captar, e em determinada época de sua vida afirmou ter recebido uma dessas mensagens. Estamos falando de uma civilização tecnológica extremamente avançada, cujos conhecimentos científicos nos pareceriam, mesmo nos dias atuais, pura magia. Carl Sagan referiu-se a essa possibilidade em seus estudos sobre vida em outros planetas, imaginando uma civilização tão adiantada que não nós teríamos base para sequer começar a entender sua ciência.

E a sensacional escritora Doris Lessing, uma das maiores escritoras vivas, elaborou uma série de livros que se inicia com Shikasta, nos quais a Terra é vista como foco dos interesses de duas forças opostas. A do Bem é representada por Canopus, e a do Mal por Shammat. Devido a um desalinhamento cósmico, as energias passam a fluir de forma negativa no planeta, e Shammat aproveita para fomentar situações de conflito, uma vez que se alimenta dessas forças.

Conflito
Estudiosos dizem que a atração pelo Mal, e mais especificamente, a atração pela figura de Lúcifer, representa uma possibilidade de transgressão numa sociedade excessivamente ordenada, repleta de dogmas e proibições. Em seu livro As Seitas Luciferinas de Hoje, Jean-Paul Bourre vai mais além e diz que o luciferismo foi uma ciência autêntica, que buscava a reconquista dos poderes perdidos, um saber que permitiria ao homem transgredir as leis do tempo e tornar-se igual aos deuses. O ser humano tem natureza divina, mas com a queda se esqueceu de seu passado, que pode ser relembrado e desperto por meio de ensinamentos específicos.

Os que defendem a presença de extraterrestres no passado longínquo de nosso planeta vêem nesse ponto de vista um exemplo claro de suas ideias. Ao longo da história das culturas, em praticamente todos os pontos do mundo, sempre existiu um ser superior que trouxe conhecimentos fantásticos e possibilitou o desenvolvimento das civilizações. Tem sido assim desde a Suméria, com o deus Oannes, que veio do mar para ensinar a escrita, a matemática, a agricultura, a arquitetura, a astronomia e muito mais. Outros seres, que vinham de outros espaços, entendiam que a humanidade deveria permanecer intocada, desenvolver-se por conta própria, e a divergência resultou num conflito que se estendeu a praticamente todo o planeta. E que ainda não chegou ao seu fim.

Não é por acaso que muitos pesquisadores falam da destruição nuclear de Sodoma e Gomorra, entre outras cidades da Antiguidade; ou que Charles Fort (1874–1932), autor do Livro dos Danados, afirmava que uma guerra estava sendo travada no espaço próximo à Terra, e que as sobras desse confronto estavam caindo no planeta; ou que o psiquiatra Wilhelm Reich (1897–1957) afirmava categoricamente que dois tipos diferentes de extraterrestres estavam se digladiando nas imediações do mundo em busca do orgônio. Claro que nem todo mundo concorda com essas ideias, mas é quase uma unanimidade o fato de que o conflito entre duas forças antagônicas – ainda que não necessariamente de naturezas opostas – esteja em curso. O problema é que nós estamos no meio e, talvez, sejamos o prêmio.

Mas, afinal, será possível determinar a real situação do mundo em que vivemos? Que entidade ou deus domina nosso planeta, se é que isso realmente acontece? Se Lúcifer, que teria sacrificado a eternidade pelo mais nobre dos ideais – trazer a Verdade e a Luz aos homens como parte de sua rebelião contra o poder opressivo de seu criador –, foi realmente transformado em Satanás, uma criatura de puro ódio, podemos dizer que ele está fazendo um trabalho muito bom. Sua ação tem sido tão efetiva que nunca na história conhecida da humanidade houve um período sem guerras e destruições – muitas delas levadas a cabo por aqueles que se diziam os representantes do Bem na Terra. E a situação chegou a tal ponto que vários cientistas acreditam ser impossível reverter o processo de envenenamento e destruição do planeta.

Com frequência temos ouvido que a Nova Era está trazendo novas formas de pensamento à humanidade. Por outro lado, o que podemos constatar é que a sedução e os argumentos do Mal nunca estiveram tão fortes e divulgados, a ponto de ser difícil perceber, dentro dos próprios movimentos tidos como “do Bem”, a verdadeira natureza das coisas. Por outro lado, esse período tão conturbado e de tantos conflitos também parece trazer consigo oportunidades únicas de crescimento. Conhecimentos que, até pouco tempo, só eram acessados por alguns poucos, estão sendo oferecidos abertamente. Hoje não é mais necessário passar por árduos períodos de treinamento, ou viajar até as gélidas imensidões do Himalaia para receber uma iniciação espiritual. Em muitos casos, ela pode ser obtida na casa ao lado da sua.

Em outras palavras, enquanto a atração das sombras parece estar no apogeu, as portas da Luz se escancaram. E por mais irônico que pareça, segundo o pensamento de muitos, a única coisa capaz de permitir ao homem escolher entre esses dois caminhos é justamente aquilo que Lúcifer, o chamado perpetuador das Trevas, trouxe para o mundo depois de sua queda: o conhecimento entre o Bem e o Mal.

Erro de Interpretação
Para certos estudiosos é preciso separar luciferismo de satanismo. O primeiro se define como uma busca por conhecimentos ocultos; o segundo seria uma forma deturpada de magia, que já foi origem de muitos atos de violência e assassinatos. Jean-Paul Bourre levanta essa questão ao analisar os desvios tipicamente humanos que motivam, por razões unicamente pessoais, alguns indivíduos a interpretar os rituais à sua própria maneira, transformando-se em monstros cruéis na realização de rituais de sangue sem qualquer sentido prático.

O puro e simples desejo de poder, supostamente conferido pela suprema autoridade do Mal, nada tem a ver com a recuperação de conhecimentos ancestrais. Segundo Bourre, portanto, a verdadeira razão para a queda de Lúcifer foi despertar o homem para sua própria divindade.

Muitos historiadores confirmam que os cultos a Satã desenvolveram-se, em grande parte, devido à própria ação da igreja – além de tornar o diabo atrativo, ela impôs uma série de dogmas que, entre outras coisas, proibiam a utilização de conhecimentos antiquíssimos. Esses cultos tornaram-se, então, uma espécie de anticlericalismo. As formas horrendas atribuídas ao demônio e aos seus auxiliares surgiram justamente nessa época.

Seligmann diz que o século 13 foi o período de maior prosperidade para o diabo, quando ele passou a ser apresentado, definitivamente, como a antítese do Bem.
>> VIMANA – por Gilberto Schoereder


SARAMAGO E O FANTÁSTICO

domingo | 11 | julho | 2010

Não sei se alguém estará celebrando José Saramago como o grande escritor de literatura fantástica que foi.  Seu livro mais conhecido, o “Memorial do Convento” (1982), é uma história gótico-alucinatória que envolve visões paranormais e uma máquina voadora, a Passarola de que ouvimos falar nos livros de História.  É um romance “mainstream” que flerta com a fantasia e com a proto-ficção científica, e uma referência obrigatória para qualquer estudo sobre Fantasia Ibérica.

“História do Cerco de Lisboa” (1989) é uma experiência de História Alternativa: o que seria o mundo se determinado acontecimento histórico tivesse ocorrido de modo diferente do que de fato se deu?  No livro de Saramago, isso acontece de maneira ainda mais fantástica, pois basta um revisor de provas tipográficas inserir a palavra “não” num texto, fazendo com que os Cruzados não ajudem os cristãos portugueses a retomar Lisboa, invadida pelos muçulmanos.  Saramago reconta em tom de crônica história o que teria ocorrido nesse universo paralelo ao nosso.

Em “A Jangada de Pedra” (1986) a Península Ibérica desprega-se do continente europeu e sai à deriva pelo Oceano Atlântico, carregando seus milhões de habitantes, suas culturas e civilizações.  É uma alegoria política (o viés político é um dos mais fortes na obra de Saramago) mas são notáveis a ousadia imaginativa e o modo rigoroso como ele extrapola as consequências da idéia inicial.  Isso para não falar no “Ensaio Sobre a Cegueira” (1995), uma fábula apocalíptica em que toda (quase toda) a humanidade perde a visão, fazendo desmoronar a civilização.  Uma idéia que a ficção científica já explorou de variadas formas, desde “O Dia das Trífides” (1951) de John Wyndham até “A Escuridão” (1963) de André Carneiro.

A alegoria também está presente em “As Intermitências da Morte” (2005), que tem um ponto de partida semelhante ao de “A Desintegração da Morte” do brasileiro Orígenes Lessa (1948): o que aconteceria ao mundo se de repente ninguém mais morresse?  A narrativa de Saramago se inicia no dia 1o. de janeiro, o que nos lembra a descrição da Morte feita por outro brasileiro, Augusto dos Anjos: “Faminta e atra mulher que, a 1 de janeiro / sai para assassinar o mundo inteiro / e o mundo inteiro não lhe mata a fome!”.

Não duvido que na vasta obra de Saramago existam vários outros textos que poderiam ser considerados de natureza fantástica.  Mas acho que estes exemplos bastam para mostrar que o recurso à mecânica do fantástico era algo natural no modo de pensar do escritor. Não era tentativa de imitar alguém, exorcizar uma influência, seguir uma moda.  Mas duvido que algum crítico literário, indagado sobre os grandes nomes da literatura fantástica em língua portuguesa, lembrasse espontaneamente do seu nome.  É uma dessas obras em que há uma face iluminada (o Realismo) e uma face oculta (o Fantástico).  Algo que está ali mas ninguém vê, porque não foi ensinado a ver especificamente aquilo.
>> MUNDO FANTASMO – por Braulio Tavares


“A MULHER DO VIAJANTE DO TEMPO”, DE AUDREY NIFFENEGGER

domingo | 11 | julho | 2010

Quando assisti ao filme “O Efeito Borboleta” (o primeiro, apenas o primeiro) achei um filme muito criativo, adorei a história e por algumas vezes quis ter o poder de Evan de voltar ao tempo e tentar consertar algumas coisas. Mas essa é uma das grandes lições do filme, mexeu aqui, há uma conseqüência ali.

O livro “A Mulher do Viajante no Tempo”, primeiro romance da autora americana Audrey Niffenegger, me lembrou o filme em alguns momentos. Apenas pelo fato de a personagem central da história, Henry DeTamble, ter sofrido um forte trauma quando criança e isso acionou uma rara condição genética que ele possui que torna possível ele se deslocar no tempo.

E essa foi apenas a primeira de uma série de vezes que Henry se deslocará no tempo a cada vez que sentir fortes emoções. Sem qualquer prévio aviso e sem roupas também, lá está ele, indo para o passado ou para o futuro. E em uma dessas idas e vindas ele conhecerá Clare Abshire, a mulher por quem ele se apaixonará e viverá uma linda história de amor.

É muito lindo e engraçado momentos como Henry com 40 anos voltar no tempo e encontrar uma Clare com 6 anos toda lindinha brincando de boneca no quintal da casa e perguntando a ele porque ele conversa com ela e se esconde atrás de uma moita. Ele tenta explicar e ela corre em busca de roupas para ele. Em diversos momentos e diferentes épocas eles se encontram, ele sabe quem é ela, mas ela sequer imagina quem ele seja e ele sempre tenta se aproximar dela, manter contato, estar próximo, ser amigo. Mas às vezes o inverso também acontece e Clare não entende porque ele não sabe quem é ela, pois ela ainda não conhece o seu problema genético. Mas quando descobre fica ao seu lado, mostrando como uma verdadeira companheira deve agir.

Mas as viagens de Henry, assim como as de Evan, têm conseqüências funestas. No entanto, as de Henry são apenas para ele e para a sua saúde. O que preocupa Clare e a deixa arrasada.

É um livro que trata o amor com muita sensibilidade, um livro divertido e engraçado em alguns momentos, que arranca sorrisos e suspiros, mas muito triste em outros que também faz cair algumas lágrimas. Uma linda história sobre o amor que ultrapassa a barreira do tempo e que além de tudo entretém muito o leitor.

O livro foi um sucesso nos Estados Unidos. Ganhou uma versão para o cinema (para variar não gostei do título em português – “Te Amarei Para Sempre”) e por isso foi traduzido para o português. Na semana de lançamento do livro no Brasil foi a mesma semana de lançamento do filme no país. Então quando comprei o livro, ganhei o ingresso para ver o filme. Acabei lendo o livro e não vendo o filme. Lógico que não iria ver o filme antes de ler o livro, não é? E de qualquer forma, sou muito mais fã da literatura do que da sétima arte.
>> UNIVERSO LITERÁRIO – por Melissa Rocha


“AVATAR” VOLTARÁ AO CINEMA COM 8 MINUTOS DE CENAS INÉDITAS

domingo | 11 | julho | 2010

A 20th Century Fox anunciou que o filme “Avatar”, de James Cameron, será relançado em 3D e IMAX, com mais de oito minutos de cenas inéditas.

“Desde o lançamento de ‘Avatar’, em dezembro, o número de filmes em 3D aumentaram e aqueles que perderam a experiência de assistir ao filme em 3D, bem como os fãs que querem retornar ao mundo de Pandora, agora terão esta oportunidade“, diz o comunicado divulgado no site oficial do estúdio.

O filme, que ganhou dois Oscars e se tornou a maior bilheteria de todso os tempos, será relançado nos EUA no dia 27 de agosto. Por enquanto, o Brasil não está na lista de países em que o relançamento acontecerá, mas dificilmente o país vai ficar de fora.
>> PIPOCA MODERNA – por Caio Arroyo


“VAMPIRE SUCK”: PRIMEIRO TRAILER DA SÁTIRA DE “CREPÚSCULO”

sexta-feira | 9 | julho | 2010

Até que demorou um pouco, se levarmos em conta que Hollywood produz paródias de seus filmes mais famosos tão rápido quanto possível, mas Vampires Suck, filme que tira sarro da saga Crepúsculo, está prestes a estrear nos EUA.

A 20th Century Fox lançará o filme no dia 18 de agosto e o primeiro vídeo acaba de ser revelado.

Seguindo a tradição do gênero, não só Crepúsculo vira alvo, mas outros famosos filmes e ícones pop recentes também são vítimas, infelizmente sem o mesmo brilho das paródias do anos 80.

Vampires Suck tem direção de Jason Friedberg & Aaron Seltzer e traz no elenco Ken Jeong, Matt Lanter, Anneliese van der Pol, Charlie Weber, entre outros.
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno


“CLUBE DE VAMPIROS”: CHEGA AO BRASIL O TERCEIRO LIVRO QUE INSPIROU A SÉRIE “TRUE BLOOD”

sexta-feira | 9 | julho | 2010

Eventos de “Clube dos Vampiros” coincidem
com trama da terceira temporada

Clube dos VampirosO selo Benvirá, da editora Saraiva, está publicando no Brasil Clube dos Vampiros (Club Dead), a continuação deVampiros em Dallas e terceiro volume da série As Crônicas de Sookie, que deu origem à série de TV True Blood.

O volume três das histórias escritas por Charlaine Harriscoincide com os eventos narrados na terceira temporada da telessérie, atualmente sendo exibida na HBO dos EUA e do Brasil. Não por acaso, a capa do livro usa um pôster do ano três nas telinhas.

Clube dos Vampiros tem 256 páginas e preço sugerido de R$39,90. O livro foi publicado nos EUA em 2003. Ao todo, até agora, a série literária tem 11 volumes.
>> OMELETE – por Marcelo Hessel


“SALOMÃO VENTURA, CAÇADOR DE LENDAS: A MALDIÇÃO DO SACI”

sexta-feira | 9 | julho | 2010

 

Esqueça a versão infantilizada do personagem saltitante, de uma perna só, de cachimbo na boca e gorro vermelho na cabeça

Em “Salomão Ventura, Caçador de lendas: A maldição do saci!” (PB, 24 páginas, R$ 3), HQ independente de Giorgio Galli, o moleque é uma figura assustadora e apenas o primeiro de uma série do autor inspirada em “Geografia dos mitos brasileiros”, do folclorista Luís da Câmara Cascudo.

Mas o saci não é o personagem principal da HQ de terror (premiada em concurso do gênero promovido pela empresa de telefonia Oi), e sim Salomão Ventura, o caçador de lendas do título, que parece ser um John Constantine tupiniquim. O curupira será a aterrorizante estrela do próximo número.
>> GIBIZADA – por Télio Navega


WILL EISNER: JORNALISTA DESCOBRE DOCUMENTOS POLÊMICOS

sexta-feira | 9 | julho | 2010

O jornalista e historiador de quadrinhos Ken Quattro descobriu documentos polêmicos referentes ao depoimento de Will Eisner no processo da DC Comics contra a Fox Comics, em abril de 1939.

Quattro é um grande admirador de Eisner e escreveu diversos artigos sobre a carreira do artista e a chamada Era de Ouro, as duas primeiras décadas dos super-heróis.

Um dos episódios mais interessantes do início da carreira de Eisner é a participação do artista como testemunha de defesa no processo envolvendo a Detective Comics, Inc.(hoje DC Comics) contra as empresas de Victor S. Fox, aBruns Publications, Inc. (da qual a Fox Comics fazia parte),Kable News Company e Interborough News Co.

Durante anos, Quattro tentou localizar a transcrição do processo para saber exatamente o que ocorreu naquele episódio. Ele buscou colegas em Nova York e incomodou advogados até esgotar seus recursos, sem sucesso.

Recentemente, um leitor de seu artigo Rare Eisner: Making of a Genius escreveu a ele um e-mail dizendo que possuía uma cópia da transcrição e podia lhe oferecer o arquivo em PDF. Essa pessoa preferiu ficar anônima. Quattro não discute a veracidade dos documentos disponibilizados, que parecem ser legítimos.

Os documentos relatam uma história bastante diferente da versão que foi popularizada por Will Eisner.

Antes de examinar a transcrição do processo, é preciso explicar a versão conhecida dos fatos e alguns dos personagens envolvidos.

Em 1939, a Detective Comics, Inc., de Jack S. Liebowitz e Harry Donenfeld, processou a editora de Victor S. Fox (algumas vezes referido pelos historiadores como Victor A. Fox), Bruns Publications (as revistas eram publicadas como sendo da Fox Comics), com a acusação de que haviam plagiado o Super-Homem.

Homem de Aço foi publicado pela primeira vez em abril de 1938 (de acordo com a data de todos os processos envolvendo o personagem, e não em junho de 1938, como afirmam muitas fontes), na revista Action Comics #1, da editora Detective Comics.

Por volta de fevereiro de 1939, a Fox publicou o personagem Wonderman, na revista Wonder Comics #1 (que traz a data de capa de junho de 1939).

As similaridades entre os personagens eram enormes, tanto no desenho quanto no enredo e até mesmo nos diálogos e recordatórios.

O estúdio de Jerry Iger e Will Eisner (Eisner-Iger Studio) foi contratado pela Fox para desenvolver o conteúdo da revista. Por essa razão, Eisner estava entre as testemunhas de defesa que participaram do processo.

A biografia de Victor Fox é uma grande lacuna. Muito do que se sabe sobre ele não pode ser verificado em documentos, e se baseia em relatos de seus contemporâneos. Quase todos eles possuem péssimas lembranças do editor.

Fox era um pilantra. Em 27 de novembro de 1929, antes de começar a trabalhar com quadrinhos, ele foi indiciado em Nova York, num esquema de fraude do correio envolvendo a venda de ações. Posteriormente, Fox foi preso e libertado sob fiança de 7.300 dólares.

Apesar do passado criminoso, Fox conseguiu um emprego de contador na Detective Comics e, ao verificar o sucesso dos quadrinhos e o volume de dinheiro envolvido, resolveu montar sua própria editora. Alugou um escritório no mesmo edifício e contratou freelancers e estúdios (como o de Will Eisner) para escrever e desenhar suas revistas.

DC Comics venceu o processo de plágio e Wonderman entrou para a história apenas devido a esse fato.

Até a revelação de Quattro, que será descrita mais abaixo, a única versão conhecida dos fatos era a história popularizada por Will Eisner.

Segundo Eisner, durante o processo ele foi instruído por seu sócio Jerry Iger e por Victor Fox, o maior cliente do estúdio, para mentir sobre a criação de Wonderman. Para não cometer perjúrio, Eisner revelou durante o processo que fora instruído por Iger, a pedido de Fox, para copiar Superman e dar outro nome ao personagem.

Com isso, a defesa de Fox foi destruída e sua companhia perdeu o processo. Em retaliação, Fox teria se negado a pagar mais de três mil dólares que devia ao estúdio de Eisner. Esta versão dos fatos foi contada e repetida diversas vezes ao longo das últimas décadas, por historiadores e jornalistas, sem ser contestada.

Eisner narrou essa versão a John Benson numa entrevista publicada em 1979 no fanzine Panels. Ele afirmou que se manteve firme a seus princípios e contou a verdade sobre o plágio para o juiz.

Anos depois, Eisner repetiu a história, dessa vez com mais detalhes, para Bob Andelman, que relatou tudo na biografia Will Eisner: A Spirited Life, lançada após a morte do artista, no dia 3 de janeiro de 2005.

Nessa versão, Iger teria pedido a Eisner que ele mentisse, dizendo que criou o personagem sem se basear no Super-Homem. Eisner negou-se afirmando que Fox tinha enviado uma carta descrevendo em detalhes o que ele queria no personagem e que era uma cópia óbvia do herói da Detective Comics. Durante seu testemunho, Eisner conta a verdade.

Esses fatos estão narrados nas páginas 44 e 45 da biografia Will Eisner: A Spirited Life.

Eisner também relatou essa versão, embora de maneira levemente disfarçada, em The Dreamer. Nela, Eisner é Eyron, Fox é Reynard (é um trocadilho, pois a palavra inglesa para raposa é fox e em francês é renard) e Heroman é o herói Wonderman.

A transcrição obtida por Quattro traz uma versão bastante diferente desses fatos. O caso foi apresentado ao juiz distrital de Nova York, John M. Woolsey, entre 6 e 7 de abril de 1939.

Quattro disponibilizou em seu site 27 páginas do processo e prometeu que continuará a postar as páginas e outros detalhes em breve.

Outras testemunhas do processo, além de Eisner, incluem Jerry Siegel, Max Gaines, Sheldon Mayer, Jerry Iger, Harry Donenfeld, Jack Liebowitz e Victor Fox. Ken Quattro ainda não disponibilizou as páginas com esses depoimentos.

Nas páginas divulgadas, William Eisner é a testemunha de defesa, interpelado tanto pelo advogado Asher Blum, representando Victor Fox e a Bruns Publications, quanto por Horace Manges, advogado da Detective Comics.

Nas páginas apresentadas da transcrição, Will Eisner afirma diversas vezes, de maneira inequívoca, que criou o personagem sem ter sido influenciado pelo Super-Homem, meses antes do lançamento de Action Comics #1. Eisner afirma que não leu a revista Action Comics #1na época de sua publicação, em 1938, mas que o fez muitos meses depois, e que criou o visual de Wonderman em 1938.

Interpelado se Fox o havia instruído na criação de Wonderman, Eisner responde: “Não, fui eu mesmo que o imaginei”.

O Eisner presente nas páginas transcritas não é o garoto idealista da versão conhecida desse episódio.

Quattro menciona um outro aspecto interessante sobre o episódio. Embora tenha negado seu conhecimento do personagem na transcrição, Will Eisner foi um dos editores para os quais Jerry Siegel e Joe Shuster enviaram a proposta do Super-Homem, antes de o personagem ser aceito pela Detective Comics. O próprio Eisner afirmou isso algumas vezes e o fato está registrado em sua biografia (Will Eisner – A Spirited Life).

Alguns outros fatos são dignos de nota. O advogado de defesa, Asher Blum, tenta sugerir que o Fantasma, personagem de Lee Falk, teria sido uma das inspirações de Wonderman.

Já Horace Manges tenta desacreditar o testemunho de Eisner. Num momento mais dramático, Manges aponta uma lacuna no depoimento escrito do artista, referente à ausência da data na qual ele teria criado Wonderman, tentando forçar Eisner a cair em contradição.

Durante o testemunho, Eisner afirma que criou Wonderman em 1938. Manges pede para que Eisner leia seu depoimento escrito, datado de março de 1939, e aponte o trecho no qual ele afirma isso. Depois de olhar o documento, Eisner explica que o fato não consta do depoimento. O advogado contra-argumenta que a ausência não é uma omissão de Eisner, mas de quem o interpelou durante seu depoimento escrito.

O juiz também é uma figura curiosa. Woolsey aparenta estar tentando abreviar o processo. Em determinados momentos, ele parece estar decidido de que se trata de plágio, que o alongamento do processo é uma perda de tempo e diversas vezes ele freia a argumentação de ambos os advogados.

Woolsey chega até mesmo a dizer a Blum que, independentemente do testemunho de Eisner, o advogado não conseguirá refutar a acusação de plágio, pois uma publicação, no caso Action Comics #1, foi lançada quase um ano antes da outra (Wonder Comics #1).

Sem dúvida, esse é um documento que joga uma luz sobre um momento obscuro da Era de Ouro. A polêmica sobre a participação de Eisner nesse episódio ainda será muito debatida por leitores e historiadores.

As 27 páginas (em inglês) podem ser vistas aqui, no site de Quattro.
>> UNIVERSO HQ – por Sérgio Codespoti


“TURMA DA MÔNICA JOVEM” GANHA SITE

sexta-feira | 9 | julho | 2010

Um dos maiores sucessos do mercado de quadrinhos brasileiro vai ganhar um espaço na internet só para ele. Nesta sexta, entra no ar o site da Turma da Mônica Jovem, gibi que já passou, há muito, da marca de um milhão de exemplares vendidos e completa, em agosto, dois anos de existência. O novo site trará conteúdo exclusivo como wallpapers, previews de futuras publicações, vídeos, mural de recados e outras surpresas para os leitores.


“THE PILLARS OF THE EARTH”: MINISSÉRIE BASEADA EM KEN FOLLET

quinta-feira | 8 | julho | 2010

A minissérie do canal americano Starz está programada para estrearsimultaneamente nos Estados Unidos e Canadá (pelo The Movie Network) no dia 23 de julho. A produção independente da Tandem Communications (Alemanha) e da Muse Entertainment (Canadá), em associação à Scott Free Films, dos irmãos Ridley e Tony Scott, é uma minissérie de oito episódios adaptada por John Pielmeier e dirigida por Sergio Mimica-Gezzan, de “Battlestar Galactica”.

A história de “The Pillars of the Earth” tem como base o livro de Ken Follet,  que traz uma trama ficcional situada no Século XII, girando em torno das crises políticas e religiosas que surgiram durante a construção da primeira igreja gótica do Reino Unido. O sucesso do primeiro livro levou o autor a publicar uma sequência, “World Without a End“, que servirá de base para a segunda minissérie, já encomendada pelo Starz.  Na segunda obra, o autor narra a história de alguns dos descendentes dos personagens introduzidos no primeiro livro.

Orçada em 40 milhões de dólares, a primeira minissérie foi filmada na Áustria e em Budapeste.  Estrelada por Ian McShane (Waleran), Donald Sutherland (Bartolomeu), Gordon Pinsent (Arcebispo), Allison Pill (Madu), Sarah Parish (Regan), Rufus Sewelll (Tom), Hayley Atwell (Aliena), David Oakes (Lord William), Matthew MacFadyen (Philip), Eddie Redmayne (Jack), Natalia Wörner (Ellen), entre outros.
>> VEJA – por Fernanda Furquim

Confira abaixo o trailer divulgado pelo canal.


“DRAGÕES DE ÉTER – CORAÇÕES DE NEVE”: SÉRIE FAZ RELEITURA DOS CONTOS DE FADA

quarta-feira | 7 | julho | 2010

Coisas estranhas acontecem em um mundo protegido por avatares

A maioria dos contos de fadas começa com “era uma vez” e termina com a clássica frase ” e viveram felizes para sempre”. Não exatamente contrariando os clássicos contos de fadas, mas mostrando que até chegar ao final feliz os personagens percorrem uma longa caminhada, o escritor Raphael Dracon cria uma série na qual reúne alguns dos clássicos personagens de histórias infantis que todos conhecem, em uma releitura tanto de suas estórias, quanto de seu destino.

Longe de ser uma série escrita para crianças, Dracon se utiliza dos personagens infantis, mas modifica algumas coisas em suas histórias, o que pode causar certa estranheza inicial. Mas a ideia é manter a mente aberta se deixar pelo roteiro muito bem amarrado que o autor faz com as histórias de todos, relacionando-os em enredos que se cruzam.

“O livro nunca foi infantil, mas juvenil, até pela linguagem, trama, referências e metáforas. E esse dilema não existe exatamente porque os contos são abordados de um ponto de vista muito mais próximo dos violentos contos de fadas em suas versões originais, do que nas versões leves em que ficaram conhecidos”, revela Dracon.

Segundo ele, a graça é mesmo o susto que os leitores levam quando vêem a história normalmente contada com teor infantil, de uma visão violenta ou melancólica. “Sem contar que eu sempre quis saber o que acontecia “depois” que o lobo era morto ou a princesa acordava; a série mexe com isso”, conta Dracon.

O mundo onde todos eles vivem é Nova Ether, uma terra onde além dos conflitos sociais e humanos, os personagens ainda precisam combater a magia negra e onde as bruxas andam à solta.

O primeiro livro, “Dragões de Éter: Caçadores de Bruxas”, foi lançado pela editora Planeta e teve sua edição esgotada. Nele Dracon reconta as história de Chapeuzinho Vermelho, João e Maria e apresenta a Família Real Branford.

A sequência, “Dragões de Éter: Corações de Neve”, foi editada pela Leya e mostra justamente o que aconteceu com estes personagens enquanto eles crescem. Chapeuzinho Vermelho, cujo nome aqui é Ariane Narin engata um namoro com João (cujo sobrenome é Hanson). Já Maria Hanson, mesmo sem sangue nobre arrebata o coração do príncipe Axel Branford.

Mas isso é só o início da história. Tem ainda um grande torneio de luta, que não deixa nada a desejar os campeonatos de vale tudo da UFC, no qual o príncipe Axel é grande favorito e ainda uma batalha pela liberdade de Sherwood, travada por um Robin de Locksley quase cinquentão.

Em todos os livros Dracon utiliza arquétipos como metáfora. “A saga na verdade é sobre sete jovens, em diferentes estágios da passagem da adolescência para a vida adulta, e sobre como acontecimentos externos incontroláveis e intensos podem acelerar essa transição”, diz ele.

Ele explica que os contos de fadas lhe deram estes arquétipos, os quais ele aprofundou de acordo com as mensagens e reflexões que a história pedia.

“É sempre tão desafiador pegar um personagem conhecido e apresentá-lo de uma maneira que faça referência ao imaginário popular, mas ao mesmo tempo o apresente de uma maneira nova e seja um personagem origina”, diz ele.

E em todos os livros existem espalhadas centenas de referências pops que moldaram o universo pessoal do autor e dos leitores. Ninguém estranhe, portanto reconhecer frases de Shakespeare, do Limp Bizkit; Nirvana; Che Guevara e vários outros ao longo da série.

“São centenas de coisas do tipo e a maioria passa despercebida porque tudo se fecha. E esse desafio que me fascina. Com certeza, é o mesmo fascínio que sentiu Neil Gaiman ao lhe darem o Sandman e a carta branca na DC Comics, ou Tarantino ao se sentar para escrever qualquer script de seu universo próprio”, explica Dracon.

A caminhada dos personagens ainda prossegue em pelo menos mais um livro: Dragões de Éter – Círculos de Chuva, que deve ser lançado em agosto, também pela Leya.

Segundo o autor, haverá um lançamento durante a Bienal de SP, com algumas surpresas que andam sendo preparados para o evento. É aguardar para ver.
>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Livraria da Folha


“VISÃO ALIENÍGENA: ENSAIOS SOBRE FICÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA” DE M. ELIZABETH GINWAY

quarta-feira | 7 | julho | 2010

A brasilianista M. Elizabeth Ginway,da University of Florida em Gainesville, nos Estados Unidos, é a maior autoridade mundial na ficção científica e fantasia do Brasil.

Seu primeiro livro, Ficção Científica Brasileira: Mitos Culturais e Nacionalidade no País do Futuro, foi incluído na Lista de Leitura Recomendada da revista Locus — The Magazine of the Science Fiction & Fantasy Field, e recebeu o selo de “Altamente Recomendado” da revista Choice, voltada para as bibliotecas universitárias norte-americanas. Foi publicado pela Devir em 2005.

Visão Alienígena (Devir, 232 pp. $ 35,00) é o segundo livro de Ginway. Reúne 14 ensaios publicados originalmente em livros e revistas acadêmicas dos Estados Unidos e Brasil. Discute os ícones do gênero — como a nave espacial, o robô, o alienígena e o ciborgue — e o que eles revelam sobre os mitos culturais brasileiros. Seus textos empregam teorias que vão do pós-modernismo ao ecofeminismo, para tratar de ficção científica cyberpunk, FC hard, fantasia e ficção científica feminista, robôs e pós-humanos na FC brasileira, a literatura sobre vampiros e o fantástico brasileiro de José J. Veiga e Murilo Rubião.

Ginway traz um olhar inovador sobre autores brasileiros como André Carneiro, Braulio Tavares, Carlos Orsi, Daniel Fresnot, Dinah Silveira de Queiroz, Fábio Fernandes, Fausto Fawcett, Gerson Lodi-Ribeiro, Guilherme Kujawski, Helena Gomes, Ivanir Calado, Jorge Luiz Calife, Júlio Emílio Braz, Martha Argel, Michelle Klautau e dezenas de outros, nos principais períodos da história do gênero.

Em conjunto com Ficção Científica Brasileira, esta coletânea de ensaios forma a maior contribuição de um único acadêmico, para a fortuna crítica da ficção científica e fantasia desenvolvidas por brasileiros.

Novo selo de não-ficção:
O lançamento de Visão Alienígena inaugura o selo editorial “Enciclopédia Galáctica”, da Devir, dedicado a livros de não-ficção voltados para a discussão, análise e registro dos gêneros ficção científica, fantasia e horror na literatura, quadrinhos, jogos, cinema e televisão. O selo busca fomentar a produção crítica a respeito desses gêneros e formas de expressão, em um momento em que cresce muito o interesse pela literatura de ficção científica, fantasia e horror no ambiente acadêmico e literário nacional.

O próximo título da Enciclopédia Galáctica, programado para 2010, será o Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2009, de Cesar Silva & Marcello Simão Branco, que fornecem uma análise profunda de mercado, tendências e destaques, e um resgate do passado desses gêneros no Brasil.

Sobre A Ficção Científica Brasileirade M. Elizabeth GinwayCartaCapital
“Tenho visto poucos livros da imprensa universitária sobre FC, dos que vi, Ficção Científica Brasileira, de… Ginway, provavelmente é o que mais soma ao nosso entendimento da FC como um fenômeno multicultural.”
—Gary K. Wolfe, Locus

“Esse olhar estrangeiro diz algo sobre como nossos receios e esperanças se comparam aos de outros povos e sobre como esses outros nos vêem.”

“Uma síntese muito acessível e completa da ficção científica brasileira no período de quarenta anos de 1960 a 2001, um período de crescente sofisticação e desenvolvimento da sua voz singularmente brasileira.” 
—Jim Rambo, Science Fiction Studies

“Como uma pesquisadora estrangeira séria, especializada na cultura brasileira e que fala português com perfeição… — e alguém que provavelmente já leu mais livros de ficção científica escritos por brasileiros do que a grande maioria dos especialistas brasileiros no gênero — Ginway está numa posição excelente para apresentar as nuances da ficção científica brasileira…”
—Gerson Lodi-Ribeiro, Extrapolation

Sobre a autora:

M. Elizabeth Ginway graduou-se pelo Smith College e recebeu a Bolsa Fulbright para pesquisa no Brasil, em 1982 a 1983. Possui doutorado pela Vanderbilt University, ensinou na University of Georgia e na Emory University, e atualmente é Professora de Português e Literatura Brasileira no Departamento de Estudos de Espanhol e Português da Universidade da Flórida, em Gainesville.

Já publicou nas principais revistas acadêmicas voltadas à ficção científica — como Science Fiction Studies, Foundation e Femspec — e faz parte do conselho editorial de uma delas, Extrapolation. Seu primeiro livro, Ficção Científica Brasileira: Mitos Culturais e Nacionalidade no País do Futuro (Brazilian Science Fiction: Cultural Myths and Nationhood in the Land of the Future) foi publicado nos Estados Unidos em 2004, e no Brasil em 2005.

A edição americana foi incluída na Lista de Leitura Recomendada da revista Locus — The Magazine of the Science Fiction & Fantasy Field, e recebeu o selo de “Altamente Recomendado” da revista Choice, voltada para as bibliotecas universitárias norte-americanas. Sua editora nos Estados Unidos, a Bucknell University Press, indicou-o para o “MLA Katherine Singer Kovacs Prize” (no campo das Literaturas e Culturas Latino Americanas e Espanhola). Ginway é casada com o acadêmico norte-americano David Phaeris, e visita o Brasil com frequência, mantendo-se atualizada com as últimas tendências da FC e fantasia brasileiras.


COMO SER UM GUERREIRO MEDIEVAL

sábado | 3 | julho | 2010

Vittorio Gassman, como Brancaleone da Norcia

A popularidade recente de livros e filmes como O Senhor dos Anéis faz parte de um renascimento da literatura de fantasia heróica no mundo inteiro, a partir dos países de língua inglesa. Aqui mesmo no Brasil pipocam a todo instante romances de autores jovens querendo reconstituir aqueles tempos épicos de grandes guerreiros e grandes batalhas. Um crítico referiu certa vez que ao contar as aventuras dos seus hobbitts Tolkien nos transmite de modo impressionante a sensação do que significa viajar a pé. A cada capítulo seus heróis se aproximam somente um pouco mais do lugar para onde vão. Tolkien era um escritor meticuloso, que calculava exatamente quantos quilômetros um caminhante poderia percorrer por dia, naquele terreno e naquelas condições. É muito diferente desses escritores que escrevem: “Tomada a resolução, o grupo de guerreiros pôs-se em marcha e alguns dias depois detinha-se diante do Castelo de Tremolidor. – Alto! Quem vem lá?! – bradou o sentinela”. Dribles retóricos desse tipo dão aos livros de fantasia um quê de ficção científica e do seu uso liberal da teleportagem.

Foi talvez pensando nisto que o escritor australiano Sean McMullen, ao iniciar a pesquisa para um desses romances de fantasia heróica (ele tem um Ph.D. em literatura medieval) decidiu fazer a experiência de caminhar como um cavaleiro medieval, experiência que ele descreve em detalhe na revista inglesa Foundation (n. 96, Spring 2006). McMullen vestiu uma roupa equivalente à de um guerreiro do século 12: botas, calças, provisões, etc. E pôs-se a caminho, com uma mochila de 30 kg às costas. Conseguiu cobrir 30 milhas em nove horas, o que dá cerca de 48km, ou pouco mais de 5km por hora – carregando um escudo, um machado e um elmo de 8kg na cabeça. Ao fim da caminhada, ele teria que simular uma batalha, e resolveu este detalhe programando uma competição de karatê na Universidade de Melbourne, seu ponto de chegada. Eis algumas das conclusões a que ele chegou:

“Pessoas que dependem dos pés como meios de transporte são extremamente defensivas e cuidadosas a seu respeito. Caminhando, a gente tende a se concentrar no que está imediatamente à frente, em vez de vigiar possíveis emboscadas, ficando assim vulnerável a elas. Paradas para urinar são insignificantes: parei apenas três vezes em nove horas, mesmo tomando três litros de água. Fome é algo importante. Sem nada para pensar enquanto se caminha, a gente se lembra o tempo todo da comida que está carregando. É possível lutar no dia seguinte após uma marcha forçada, mas não na mesma noite. Pilhagem: se se trata de algo mais pesado do que algumas moedas de ouro, melhor esquecer. Sexo: se a vítima for capaz de correr, provavelmente escapará. Vandalismo: somente para coisas facilmente quebráveis. Incêndios: uma perspectiva muito atraente depois de nove horas de marcha. Basta jogar algumas tochas, sentar-se com os pés para cima, e apreciar o espetáculo”.
>> MUNDO FANTASMO – por Braulio Tavares


“OS TRÊS ESTIGMAS DE PALMER ELDRITCH”, DE PHILIP K. DICK

sábado | 3 | julho | 2010

A Editora Aleph continua a publicar os livros de Philip K. Dick (1928-1982), um dos melhores e mais intrigantes escritores de ficção científica de todos os tempos.

No geral, um livro de PKD já é garantia de diversão. No caso de Os Três Estigmas de Palmer Eldritch, a diversão é ainda maior, uma vez que se trata de um dos melhores livros do autor, lidando com seus temas preferidos: as múltiplas realidades e a percepção que temos delas, a possibilidade da perda da identidade, e a religião. Para não falar das drogas como indutores de estados de consciência alterados, e que são parte central do enredo.

A história situa-se num futuro indeterminado no qual a Terra está sofrendo com o calor e a constante diminuição das calotas polares. Muitos viajam para as colônias extraterrestres, nas quais as condições de vida são péssimas. Para amenizar a situação, os colonos recebem uma droga, ilegal, chamada Can-D (provavelmente para lembrar a palavra candy, doce), com a qual supostamente são capazes de entrar em contato espiritual uns com os outros; acredita-se que os espíritos daqueles que usam a droga em conjunto se fundem, transformando-se em uma nova unidade. Também recebem as miniaturas Perky Pat, reproduções do mundo e da vida na Terra. Tanto a droga quanto as miniaturas são distribuidas pelo industrial Leo Bulero.

Palmer Eldritch e um industrial interplanetário que, no momento em que a história se inicia, tinha passado 10 anos distante, a convite de alienígenas, e que acaba de voltar ao sistema solar. E Eldritch vai revolucionar os eventos entre os humanos ao trazer uma nova droga para os colonos, a Chew-Z – e aqui o nome certamente é para lembrar choose, escolha, uma vez que mais à frente na história existe uma referência à passagem bíblica da maçã, que igualmente representa uma escolha, uma opção.

A Chew-Z é muito mais poderosa e tem efeitos estranhíssimos: por exemplo, diz-se que é possível tomar a droga e passar 50 anos no mundo que ela cria para o usuário, e retornar ao “mundo real” sem que se tenha passado sequer um segundo. E nesse outro mundo, o usuário pode criar o ambiente que bem desejar.

A droga é fundamental para introduzir na história a noção característica das obras de PKD, que é a dificuldade em se estabelecer o que é real e o que é irreal. Para o autor, o mundo é composto por camadas superpostas de realidades, e todas elas podem ser tão “reais” quanto aquela em que estamos vivendo, desde que saibamos como acessá-las.

Os elementos religiosos surgem na forma de uma raça alienígena desejando perpetuar-se na forma de um deus, oferecendo-se aos humanos.

E tudo isso em cenários fantásticos, com detalhes impressionantes e criativos do dia a dia das pessoas. Como em Ubik, um de seus livros mais conhecidos, existem “consultores precognitivos”, que oferecem informações sobre o possível futuro; existe uma espécie de psiquiatra portátil, que um dos personagens sempre carrega consigo na forma de uma pasta, o dr. Smile, uma vez que precisa ser reprovado num exame mental para não ter de prestar serviço militar. Esse psiquiatra tem a função de tornar seu paciente neurótico, e não de curá-lo.

O enredo forma um gigantesco enigma em que realidade e irrealidade, vigília e sonho, se misturam de tal forma que se torna quase impossível aos personagens saberem ao certo o que está acontecendo com eles. Como ocorreria com maior complexidade em seus livros A Invasão Divina e Valis, é preciso entrar de cabeça no labirinto de opções apresentadas, e se deixar levar, até um final que, mais do que resolver os enigmas elaborados até então, propõe uma série de novas escolhas, aos personagens e aos leitores.

Um livro maravilhoso e indispensável para quem gosta do que a ficção científica tem a oferecer de melhor e mais elaborado.
>> VIMANA – por Gilberto Schoereder


“ESCRITORES DE LIVROS DE VAMPIROS SÃO BEM NORMAIS NO FUNDO”, DIZ ANDRÉ VIANCO

sábado | 3 | julho | 2010

Escritor André Vianco vendeu mais de 500 mil livros no Brasil; publicou 14 pela Novo Século e agora é autor da Rocco também.

Arrastar uma sequência frenética de acontecimentos para deixar o leitor apaixonado pela história. É desta forma que o escritor André Vianco prende o leitor não só pelo pescoço, com suas tramas vampirescas, mas pela curiosidade.

Vianco já vendeu mais de 500 mil livros no Brasil. É um dos autores mais conhecidos pelo público, que tem apreço pelos seres da noite.

Especialista em narrativas de suspense, o autor agora também publicará seus livros pela editora Rocco, além da Novo Século. O escritor faz questão de honrar os fãs e agradecê-los pela repercussão de seus exemplares.

Seu primeiro livro, “Os Sete”, caiu nas leituras do público graças à sua persistência. Desempregado, chegou a vendê-lo de porta em porta até que conseguiu uma editora. Hoje, tem 14 títulos publicados, dois a caminho e uma trilogia prevista para 2011, além de um piloto para adaptar os volumes de “O Turno da Noite” para a televisão.

Em entrevista à Livraria da Folha, Vianco fala sobre a literatura de horror no Brasil, os vampiros adolescentes que ocupam as prateleiras e a atração que essas criaturas exercem sobre as mulheres.

*

Livraria da Folha: Por que você decidiu escrever sobre vampiros?
André Vianco: Eu desde pequeno assistia e lia muitas histórias de terror. O vampiro dividia um espaço ali no panteão das criaturas noturnas, lado a lado com lobisomens, almas penadas e congêneres. Quando cheguei à adolescência, comecei a escrever minhas histórias e aos 23 anos de idade eu escrevi meu primeiro romance pra valer, carregado por anjos e demônios em guerra ["O Senhor da Chuva" ] e, quando terminei esse primeiro livro, pensei, agora quero escrever uma história de vampiros, foi aí que surgiu “Os Sete” em minha cabeça.

Como foi o processo de criação dos seus primeiros livros? Qual foi o primeiro livro de vampiros que você leu? Gostou, se identificou?
O processo de criação dos primeiros livros foi bem espontâneo, aquela coisa de experimentação, de não saber muito bem como é que se faz a coisa, mas tendo dentro de mim uma vontade danada de contar uma história. A primeira coisa que li sobre vampiros nem romance era, foram HQ’s da “Cripta do Terror”, adorava aquilo.

O que você acha da retomada da produção literária de romances com temática de vampiros?
Nem enxergo muito isso como uma retomada, quem gosta de literatura de terror e fantasia nunca passou vontade quando o assunto era vampiro, sempre tem um livro ou outro saindo por aí que aborde os sanguessugas. Meu primeiro livro de vampiros saiu em 2000, “Os Sete”, de lá para cá já bateu os 100 mil livros vendidos.

Você já leu “Crepúsculo”? O que você acha da escrita da Stephenie Meyer?
Li um trecho do primeiro romance. Dá pra ver que ela é uma boa contadora de histórias e acertou em cheio com a saga Crepúsculo.

Como você explica o sucesso desses romances com o público feminino?
No meu entender, creio que isso vem acontecendo desde que o cinema aplicou suas fórmulas comerciais nos filmes com vampiros, aos poucos eles foram deixando de ser os monstros terríveis que eram para passar a disputar a mocinha com mocinho e bem, agora, com os livros da Meyer, encarnaram o próprio mocinho. Toda mulher sonha em ter na vida um parceiro maravilhoso. Edward não é adorado só porque tem super poderes vampíricos, é adorado porque é super parceiro, super romântico e etc.

Concorda com aqueles que acusam esses novos autores de deturparem o mito do vampiro?
Não, não concordo. O mito do vampiro é mutante por natureza e acho que em literatura e cinema vale muito extrapolar, subverter o mito, buscar um jeito diferente de contar a mesma história.

O que você acha da produção de literatura de terror/horror no Brasil?
Acho que está crescendo em volume e qualidade, mas essa produção ainda se ressente de um pouco mais de ousadia. Falta ousar escrever histórias mais piradas. A maioria dos escritores fica olhando demais o que andam fazendo lá fora e tentando emular aqui no Brasil.

Você tem planos de escrever livros que não sejam de temas sobrenaturais?
Sim, tenho. Uma coisa que não me falta é ideia para uma boa história. Da última vez que contei, tinha mais de 70 argumentos para desenvolver uma narrativa. E no meio disso tenho comédias, roteiros de cinema, peças de teatro, séries para TV, romance sertanejo, tem de tudo um pouco.

Você tem contato com outros escritores brasileiros que tratam de vampiros? Se sim, conte-nos como é.
Tenho contato com colegas que escrevem um bocado e escrevem bem, como Kizzy Ysatis, Giulia Moon, Martha Argel, Nelson Magrini e muitos outros. Frequentamos eventos ligados ao terror e fantasia e, vira e mexe, acabamos numa mesa de bar, batendo papo. Escritores de livros de vampiros são bem normais no fundo, no fundo.

Por que decidiu mudar da Novo Século para a Rocco? Perguntamos, porque durante sua palestra na Bienal do Livro do RJ 2009 você declarou que havia recebido várias propostas, mas permaneceria na Novo Século.
Permaneceria e permaneci. Não mudei da Novo Século, primeiro porque tenho uma relação que transcende o mero contato profissional. A Novo Século acolheu meus textos, me orientou no início da carreira e continua fazendo isso até hoje, é uma editora e tanto. A Rocco chegou para ampliar meus horizontes e não tenho a menor dúvida de que será uma parceira de tanto valor quanto a da Novo Século.

Você continuará publicando também pela Novo Século. Gostaríamos de saber se haverá alguma diferença entre os tipos de narrativas publicadas pela Novo Século e pela Rocco?
A Rocco irá trabalhar com meus textos novos de fantasia, romance romântico e contos. Temos um projeto muito interessante que será trabalhado ao longo dos próximos anos, é um projeto grande e desafiador. A Novo Século continuará publicando minhas histórias de terror. Para o leitor, resta a certeza de que tem muita história boa vindo por aí e tratada por boas mãos.

Você está produzindo um episódio piloto de uma série televisiva baseada nos três volumes de “O Turno da Noite”. Será exibido em qual canal? Você teve que realizar muitas mudanças para adaptar a narrativa ao roteiro que lhe foi exigido?
Existem alguns canais interessados, mas a série ainda não foi vendida. Como ainda é um projeto independente, pude trabalhar mudando pouquíssima coisa, mais ajustando para a linguagem e aos meios de produção.

“O Caso Laura” será lançado quando pela Rocco? É um livro policial, certo? Fale um pouco sobre a história.
Exato. “O Caso Laura” é um policial dark, bem misterioso. A história gira justamente ao redor de Laura, que toda tarde, na hora de seu almoço, se encontra com um homem. Quando o investigador particular contratado para flagrar Laura passa a prestar a atenção nesse estranho homem é que a coisa pega fogo. Não posso falar muito mais do que isso, do contrário o mistério perde a graça.

Já “A Noite Maldita”, seu décimo título sobre vampiros para a Novo Século, sai quando?
Passei da metade de “A Noite Maldita”, mas ainda não tenho uma previsão para o lançamento, o que sei é que sai neste ano ainda.
>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Paula Dume


“NECRÓPOLIS – A FRONTEIRA DAS ALMAS”: VEM AÍ A DARK FANTASY DE DOUGLAS MCT

sábado | 3 | julho | 2010

Dia 31 de Outubro, dia de Halloween, a Editora Draco lançará o primeiro romance da saga dark-fantasy Necrópolis de Douglas MCT.

NECRÓPOLIS terá Prefácio da escritora Helena Gomes, capa ilustrada de Victor Negreiro, orelha de um autor surpresa,  um novo booktrailer – além da Trilha Sonora oficial, feita por Isis Fernandes.

Antecipando esse lançamento, leia abaixo a sinopse e uma pequena biografia  do autor.

Sinopse da Obra:

No que você acredita?

Verne Vipero em nada fora do normal. Um rapaz cético que confronta sua descrença ao descobrir que pode salvar a alma do irmão morto da inexistência, que segue em direção ao Abismo em outro mundo.

Abalado pela perda e descobrindo uma possibilidade, ele parte para o Reino dos Mortos com um objetivo, quase uma obsessão: trazer Victor, o caçula, de volta a vida.

Necrópolis é uma das regiões de Moabite, o Sétimo de oito Círculos do Universo. Um lugar habitado por criaturas fantásticas e sobrenaturais, onde há planos e subplanos que levam a mundos Etéreos, de Pesadelos e Magia.

Há duas forças opostas: o Ouroboros, o ciclo que permite a renovação da vida; e o Niyanvoyo, onde as almas dão seus passos rumo ao fim.

Aliado a um Monge renegado, um ladrão velocista, uma Mercenária deslumbrante e um assassino que veio dos céus, Verne Vipero parte em uma jornada tenebrosa, do deserto mórbido, uma cidade de pedra, até os confins do mundo, em busca da alma do irmão. Custe o que custar.

Em Necrópolis nada nem ninguém é o que parece ser e a Fronteira das Almas é o fim da travessia.

Douglas MCT nasceu em Socorro, interior de SP, em 1983 e atualmente reside na capital. Cursou Criação e Produção Audiovisual, trabalhou por uma década como Designer Gráfico e no momento atua como Roteirista de games, quadrinhos, animações, filmes e seriados.
Escreveu para os quadrinhos da Turma da Mônica e teve contos publicados nas coletâneas Anno Domini (2008), Território V (2009) e Imaginários 3 (2010). Suas primeiras histórias foram premiadas com o Mapa Cultural Paulista em 2001 e 2003. É criador e roteirista do mangá Hansel&Gretel.
Troca o dia pela noite e se alimenta de ectoplasma e sangue.

Blog do livrohttp://necropolissaga.wordpress.com/
Link de Necrópolis no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/112127


“FALLING SKIES”, A NOVA SÉRIE DE FICÇÃO CIENTIFICA DE STEVEN SPIELBERG

sábado | 3 | julho | 2010

O projeto de “Falling Skies” foi divulgado em janeiro quando a TNT anunciou a encomenda dessa nova produção de Steven Spielberg. A série deverá estrear na TV americana por volta de julho de 2011, mas os organizadores da Comic Con já divulgaram que a produção terá presença na convenção que ocorre entre 22 e 25 de julho.

A série traz roteiro de Robert Rodat, do filme “O Resgate do Soldado Ryan”, com base em uma ideia de Spielberg. A direção do episódio piloto é de Carl Franklin, conhecido por seu trabalho como ator na série dos anos 70 “Viagem Fantástica”. Atualmente Carl vem realizando vários trabalhos como diretor, entre eles episódios de “Roma”, “The Riches” e “The Pacific”.

Estrelada por Noah Wyle, de “Plantão Médico/ER”, a série da DreamWorks em parceria com a TNT apresenta um universo muito parecido com o que temos no remake de “V”.

Na série, os alienígenas invadiram a Terra e a maior parte da população humana foi dizimada. O destino do que restou da humanidade está nas mãos de grupos da resistência. Noah interpreta um ex-professor que agora é líder de um grupo formado por soldados e civis, em luta contra a ocupação.

No elenco também estão Moon Bloodgood (Journeyman), interpretando Anne, uma terapeuta que cuida das crianças traumatizadas com a situação; e ainda Drew Hoy (Hal), Maxim Knight (Matt), Seychelle Gabriel (Lourdes) e Will Patton, como um dos líderes da resistência.

A produção terá um painel na Comic Con no dia 23 de julho o qual contará com as presenças dos atores Noah Wyle e Moon Bloodgood, além do roteirista e produtor executivo Mark Verheiden (“Heroes” e “Battlestar Galactica”).  Espera-se que um clip promocional seja exibido durante o painel. Confira a programação parcial do evento aqui.

Além de “Falling Skies”, Spielberg também está preparando as séries e minisséries “Under the Dome“, “Nine Lives“, “Future Earth”,  “The Talisman“, “Terra Nova” e um projeto sobre os bastidores de uma montagem musical para o Showtime. Sendo que “United States of Tara” também é sua. O diretor que ficou famoso com filmes de aventura no cinema, iniciou carreira dirigindo episódios de “Galeria do Terror” e “Marcus Welby”.
>> VEJA – por Fernanda Furquim


“STAR TREK 2″: ROTEIRISTAS FALAM SOBRE O FILME

quinta-feira | 1 | julho | 2010

Roberto Orci e Alex Kurtzman comentaram o andamento da continuação
 
Entrevistados brevemente pelos nossos parceiros doCollider no tapete vermelho do Saturn Awards, Roberto Orci e Alex Kurtzman comentaram o andamento da continuação de Star Trek.

A dupla disse que o diretor J.J. Abrams está atualmente em férias, mas que assim que ele retornar, o que acontecerá na próxima semana, eles conversarão sobre o roteiro da nova aventura de Jornada nas Estrelas nas telonas. “Atualmente estamos na metade do desenvolvimento da história. Construímos um belo castelo de cartas, agora temos que nos reunir e começar a puxar algumas para ver se ele continua em pé. Se ele ficar, saberemos que estamos no caminho certo”, concluiu Orci.

O cronograma, portanto, segue de acordo com o programado pelo produtor Damon Lindelof. Em fevereiro passado ele nos disse que os roteiristas começariam a trabalhar efetivamente no filme em abril, depois do término de Lost.

Star Trek 2 estreia em 29 de junho de 2012 nos Estados Unidos e em 20 de julho de 2012 no Brasil.
>> OMELETE – por Érico Borgo


“ULTRAMAN”: FRANQUIA GANHA MAIS UM FILME

quinta-feira | 1 | julho | 2010

A série que surgiu no Japão em 1966 ganha uma nova incursão no cinema, desta vez protagonizado por Ultraman Zero. A produção, que será lançada em 2011, comemorará os 45 anos da franquia.

Ultraman Zero: The Movie” será estrelado por Yu Koyanagi, interpretando Ran, o jovem que se transforma no filho do Ultraseven. O personagem surgiu em 2009 com o filme “Mega Monster Battle: Ultra Galaxy Legend The Movie”. Esta nova produção será uma continuação da anterior, na qual Ultraman Belial escapa da prisão e rouba o Plasma Sparks, sol artificial que produz todos os guerreiros Ultras. Derrotado, ele agora retorna para se vingar.

O filme tem roteiro e direção de Yuichi Abe; no elenco também estão Tatsuomi Hamada, como Nao, irmão de Ran; e Tao Tsuchiya, como a Princesa Esmerana do Planeta Esmeralda. A estreia está prevista para o dia 23 de dezembro de 2010, no Japão.

Criada por Eiji Tsuburaya, a série original do “Ultraman” foi produzida pela Tokyo Broadcasting System, que a exibia, em parceria com a Tsuburaya Productions. A produção teve um total de 39 episódios. Com a morte de Tsuburaya em 1970, seus herdeiros assinaram um contrato em 1976, com uma produtora tailandesa concedendo-lhe os direitos internacionais dos personagens da família Ultra produzidos em 1966. Desde então, a Tokyo Broadcasting System, vem lutando na justiça para anular esse contrato.
>> VEJA – por Fernanda Furquim

Abaixo, o trailer do filme:


“A TRÍADE”: ESPADA TEMPLÁRIA É PRÊMIO DE GINCANA FANTÁSTICA NO RPGCON 2010

quinta-feira | 1 | julho | 2010

A busca pela espada d’A Tríade

Quer ganhar a réplica de uma espada templária?

Você pode conseguir participando da jornada em busca dos segredos de A Tríade no RPGCON 2010.

A corrida pelos prêmios vai acontecer durante o evento. O campeão será presenteado com a verdadeira espada de André de La Rochelle, o último templário, e receberá o romance A Tríade em casa, antes de todo mundo. E os nove que chegarem depois dele, não se arrependerão.

No entanto, a pesquisa pelos mistérios já começa agora.

Esteja preparado.

Qual é o meu domínio?

Para te ajudar, espalharam-se pistas por todos os cantos da ciberrealidade.

Além de serem aperitivos especialmente preparados pelos autores, cada uma delas também é um enigma.

Procure os textos e responda:

  • Qual o nome do anjo injustiçado?
  • Qual é a cor do manto do mercenário francês que serve aos Templários?
  • Qual o nome do Rei?
  • Que relíquia foi encontrada pelos nove?
  • Quem é o portador de pragas?

Então, envie a resposta de cada enigma para o email enigma@atriade.com.br

Para cada resposta certa você receberá um pedaço do pergaminho onde está escrita a resposta para o enigma principal: qual é o meu domínio?

Quem tiver a resposta desse primeiro segredo estará muito mais perto da conquista final durante o evento.

Entretanto é bom que saiba que, independente de qualquer resultado, sua jornada só está começando.

“Não tema nada, a morte é o destino do homem”

[abaixo os cinco links para hiperlinkar com as palavras sublinhadas da frase: “Para te ajudar, espalharam-se pistas por todos os cantos da ciberrealidade]

http://www.paragons.com.br/busque-a-triade-na-rpgcon/#comments

http://www.ogoblin.com.br/2010/06/a-triade-dica-exclusiva/

http://rpgdm.erickpatrick.com/sede-de-vinganca/

http://www.roleplayer.com.br/site/2010/06/a-triade/

http://d3system.com.br/um-anjo-um-templario-e-um-vampiro/


“BEING HUMAN”: REMAKE DA SÉRIE BRITÂNICA GANHA ELENCO AMERICANO

quinta-feira | 1 | julho | 2010

A série sobrenatural britânica “Being Human” vai ganhar versão americana. Trata-se de mais uma produção com vampiros na TV. O que a diferencia é a situação: um vampiro, um lobisomem e uma fantasminha camarada dividem a mesma casa e tentam levar uma vida normal entre humanos. Veja a foto com o elenco original ao lado.

O canal pago Syfy, que está produzindo o remake, divulgou quem estrelará a versão americana. O ator Sam Witwer (Apocalypse em “Smallville”) interpretará o vampiro, Sam Huntington (Jimmy Olsen em “Superman – O Retorno”) viverá o lobisomem e Meaghan Rath (da sitcom canadense “The Assistants”) será a fantasma.

A série original da BBC vai entrar na sua 3ª temporada. Com o título de “Ser Humano”, é exibida no Brasil no canal pago Multishow. A versão americana teve 13 episódios encomendados, com estreia prevista para o 2º semestre.
>> PIPOCA MODERNA – por Caio Arroyo


VAMPIROS, ZUMBIS E LITERATURA CIENTÍFICA

quinta-feira | 1 | julho | 2010
Robert Pattinson e Kristen Stewart? Não, Christopher Lee e Barbara Shelley!

Robert Pattinson e Kristen Stewart? Não, Christopher Lee e Barbara Shelley!

 Confesso que não sinto lá muito apreço pela “Saga Crepúsculo”. Isso provavelmente tem uma causa geracional: tendo assistido, no fim da adolescência, à transformação dos vampiros, de monstros vorazes, em emos incompreendidos — sim, meninos, eu estava lá no auge da Era Anne Rice — vejo que acabo sentindo falta dos primeiros e com muito pouca paciência para os segundos. Ainda mais porque o papel de monstro-voraz-e-contagioso acabou sobrando para os zumbis, no geral estúpidos demais para render bons vilões.

(Repare que na esmagadora maioria dos filmes de zumbi, o verdadeiro vilão é um ser humano ou uma característica humana — orgulho, vaidade, cobiça, covardia…)

Mas, enfim: a estreia do novo blockbuster vampirístico me fez lembrar de dois artigos científicos que andaram chamando atenção na imprensa em anos recentes, porque usam monstros cinematográficos como parte essencial do argumento

O mais antigo, de 2007, chama-se Cinema Fiction vs Physics Reality: Ghosts, Vampires and Zombies (”Ficção cinematográfica versus realidade: Fantasmas, Vampiros e Zumbis”), e chegou a ser uma espécie de “hit” de Halloween, quando foi apresentado como recurso educacional para o ensino de ciências.

A parte a respeito de vampiros, por exemplo, rende uma boa aula (ou questão de prova!) sobre progressão geométrica. Os autores supõem que, no início do ano 1600,  havia apenas um vampiro no mundo, que a população humana mundial em 1600 era de cerca de 580 milhões e que cada vampiro transforma um ser humano normal em outro vampiro a cada mês.

Isso leva à extinção da raça humana em junho de 1602.

O segundo artigo, mais recente — de 2009 — rendeu até matéria na Wired. Com o título When zombies attack!: Mathematical modelling of an outbreak of zombie infection (”Quando zumbis atacam!: Modelo Matemático de uma epidemia de infecção de zumbi”), ele usa a zumbificação para criar um modelo abstrato que, segundo os autores, poderia se aplicar a situações como o caso de doenças que demoram a se manifestar ou “aliança a partidos políticos”.

(Pois é: matematicamente, decidir apoiar um partido político pode ser indistinguível de ter seu cérebro devorado por um morto-vivo. Por que isso não me surpreende?)

Uma última nota: além de significar um morto ressuscitado,  o termo “zumbi” é usado, em filosofia da mente e da consciência, para se referir a uma entidade hipotética que seria idêntica, em suas ações e reações observáveis, a um ser humano, mas totalmente desprovida de subjetividade — uma espécie de androide capaz de rir, chorar, conta piadas, fazer sexo mas incapaz de realmente vivenciar alegria, tristeza, saborear humor ou sentir atração. O debate em torno  da possibilidade (ou impossibilidade) prática e conceitual desse tipo de criatura é muito interessante, mas não cabe neste blog.
>> O ESTADO DE SÃO PAULO – por Carlos Orsi


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 59 outros seguidores