“PULSAR”: SELO DA DEVIR DEDICADO À FICÇÃO CIENTÍFICA ALCANÇA A MARCA DE 10 TÍTULOS

quinta-feira | 27 | janeiro | 2011

Com a publicação do romance Angela entre dois Mundos, de Jorge Luiz Calife, em dezembro de 2010, o selo Pulsar da Devir chega à marca de dez livros publicados.

É um reforço substancial à publicação de ficção científica no Brasil, com títulos particularmente significativos, como os multipremiados romances de Orson Scott Card, O Jogo do Exterminador e Orador dos Mortos; o quarto livro de contos de André Carneiro, Confissões do Inexplicável, a mais volumosa coletânea de FC brasileira já editada; Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica, a primeira antologia retrospectiva da história do gênero no Brasil, e um sucesso de vendas; Tempo Fechado, do escritor cyberpunk Bruce Sterling, romance que antecipou as mudanças climáticas globais; Trilogia Padrões de Contato, de Jorge Luiz Calife, reunindo pela primeira vez três romances clássicos da FC brasileira em um único volume; Anjos, Mutantes e Dragões, o primeiro livro de contos do destacado autor brasileiro de FC e fantasia, Ivanir Calado; e o quarto romance de Calife, Angela entre dois Mundos.

Os Dez Títulos da Pulsar:

1. O Jogo do Exterminador (Ender’s Game), Orson Scott Card

2. Confissões do Inexplicável, André Carneiro

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3. Orador dos Mortos (Speaker for the Dead), Orson Scott Card

4. Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica, Roberto de Sousa Causo, ed.

5. Tempo Fechado (Heavy Weather), Bruce Sterling

6. Trilogia Padrões de Contato, Jorge Luiz Calife

7. Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica: Fronteiras, Roberto de Sousa Causo, ed.

8. Xenocídio (Xenocide), Orson Scott Card

9. Anjos, Mutantes e Dragões, Ivanir Calado

10. Angela entre dois Mundos, Jorge Luiz Calife

Os títulos da Pulsar contam com traduções de especialistas em ficção científica como Carlos Angelo e Sylvio Monteiro Deutsch, e artes de capa de artistas talentosos como Vagner Vargas e Felipe Campos. Para o futuro imediato, a Pulsar promete manter o alto nível e a ousadia editorial que a tem caracterizado até aqui.

Alguns dos Próximos Lançamentos do selo Pulsar:

O Último Teorema (The Last Theorem), de Arthur C. Clarke & Frederik Pohl. Um complexo romance de primeiro contato com inteligências alienígenas e de política internacional, é o último livro escrito por Clarke, o grande mestre da ficção científica, morto em 2008.

Os Filhos da Mente (Children of the Mind), de Orson Scott Card. Romance que fecha o primeiro ciclo de aventuras de Ender Wiggin, iniciado com o multipremiado (Prêmios Hugo e Nebula) O Jogo do Exterminador (Ender’s Game), um best-seller com mais de dois milhões de exemplares vendidos no mundo.

The Windup Girl (ainda sem título em português), de Paolo Bacigalupi. O romance ganhador dos Prêmios Hugo, Nebula e Locus de 2009, é um dos mais premiados livros de estréia de um autor de ficção científica, comparável apenas a Neuromancer (1984), de William Gibson.

A Cidade e as Estrelas (The City and the Stars), de Arthur C. Clarke, marcará o retorno às livrarias brasileiras deste que é o principal romance da melhor fase do mestre inglês da ficção científica, um dos grandes nomes do gênero no século 20 e autor de 2001: Uma Odisséia no Espaço.

Assembléia Estelar: Histórias de Ficção Científica Política, organizada pelo jornalista e cientista político Marcello Simão Branco, é a primeira antologia internacional com esse tema montada no Brasil. Com histórias de André Carneiro, Ataíde Tartari, Bruce Sterling (EUA), Carlos Orsi, Daniel Fresnot, Fernando Bonassi, Flávio Medeiros, Henrique Flory, Luís Filipe Silva (Portugal), Miguel Carqueija, Orson Scott Card (EUA), Roberto de Sousa Causo, Roberval Barcellos e Ursula K. Le Guin (EUA).

As Melhores Novelas Brasileiras de Ficção Científica, antologia organizada por Roberto de Sousa Causo, com novelas e noveletas clássicas da ficção científica nacional: “Zanzalá” (1928), de Afonso Schmidt; “A Escuridão” (1963), de André Carneiro; “O 31.º Peregrino” (1993), de Rubens Teixeira Scavone; e “A nós o Vosso Reino” (1998), de Finisia Fideli.

Trilhas do Tempo, de Jorge Luiz Calife. O segundo livro de contos de Calife, autor da Trilogia Padrões de Contato, o grande clássico da ficção científica hard brasileira.

Conheça os autores que, nos dez títulos do selo Pulsar, alargam os limites de como enxergamos a ficção científica nacional e internacional:

Afonso Schmidt
André Carneiro
Berilo Neves
Braulio Tavares
Bruce Sterling
Cid Fernandez
Domingos Carvalho da Silva
Finisia Fideli
Gastão Cruls
Ivan Carlos Regina
Ivanir Calado
Jorge Luiz Calife
Jerônymo Monteiro
Leonardo Nahoum
Levy Menezes
Lima Barreto
Lygia Fagundes Telles
Machado de Assis
Marien Calixte
Orson Scott Card
Ricardo Teixeira
Roberto de Sousa Causo
Rubens Teixeira Scavone

Devir Livraria: “Líder em ficção científica”
Rua Teodureto Souto, 624 – Cambuci – São Paulo-SP, CEP 01539-000
Fone: (11) 2127-8787 – horário comercial
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“STAR TREK”: BRANNON BRAGA E A TEMÁTICA GAY NA SÉRIE

quarta-feira | 26 | janeiro | 2011

O tema que uma vez ou outra rola pela internet refere-se a pouca visibilidade de personagens gays em séries e filmes. Uma das franquias que tem recebido críticas desses grupos é justamente Jornada nas Estrelas, uma série humanista que, segundo essas pessoas, deveria mostrar um futuro com liberdade sexual. O site AfterElton.com, que defende a causa homossexual, conversou com o co-produtor e roteirista Brannon Braga sobre o assunto.

Segundo o autor do artigo, apesar de Gene Roddenberry ter dito em 1991 ao The Advocate que a quinta temporada de A Nova Geração mostraria tripulantes gays como parte da vida na nave, isso nunca ocorreu na série e nem nas seguintes.

Em 2008, o fanfilm Star Trek Phase II produziu uma versão online de um episódio com temática gay, inicialmente prevista para A Nova Geração e escrito por David Gerrold.

Durante a  Television Critics Association Press Tour, em Los Angeles, em que Brannon Braga esteve presente, o AfterElton fez uma breve entrevista para extrair a opinião do produtor sobre o assunto, e se sua nova série, Terra Nova, poderia ser mais flexivel quanto ao tema.

Terra Nova possui personagens gays ou qualquer conteúdo gay?
“Agora? Não, a partir de agora não havia nada no piloto. Assumindo que não há nada para impedir isso. Estamos tentando construir uma sociedade, você sabe, construir uma utopia na verdade. Eu acho que nós gostaríamos de retratar um futuro iluminado. Mesmo se fosse um futuro arruinado que viemos, em termos do ambiente e da tecnologia de modo que já é alguma coisa. Estou feliz que você tenha trazido (o tema) até porque é algo que deve estar presente.”

Eu sou muito fã de Jornada, mas infelizmente nenhuma das séries incluiu um personagem gay. Você estava envolvido com os roteiros de dois filmes e produtor ou produtor executivo de A Nova Geração, Voyager e Enterprise. Você pode dizer porque isso nunca aconteceu?
“Foi uma vergonha para muitos de nós … Eu estou falando sobre A Nova Geração, Deep Space Nine e houve um movimento de ida e volta constante sobre o que fazer para retratar o espectro da sexualidade. Havia pessoas que sentiram muito fortemente que deveríamos mostrar casualmente, apenas dois caras juntos no fundo do salão de recreação. Na época, a decisão foi tomada para não fazer isso e acho que essas mesmas pessoas tomariam uma decisão diferente agora, porque eu acho que foi em 1989, bem, sim por volta de 1989, 90, 91. Não tenho dúvidas de que esses mesmos caras criativos não se sentiriam tão hesitantes em serem sensíveis em relação a uma decisão como essa.”

Por que você acha que a ficção científica, uma vez que ela é muito progressista, tenha feito muito pobremente quando se trata de ser incluído (o tema gay) na televisão americana?
“Você sabe o que é engraçado é que foi tratado de forma mais metafórica. A Nova Geração fez alguns episódios que você poderia dizer … Eu trabalhei em um de Deep Space Nine com Dax (“Rejoined”). Eu não sei se posso falar por todo o gênero de ficção científica, certamente da franquia de Jornada, tal como existia na época.”

Você acha que há 20 anos atrás, houve uma certa relutância em fazê-lo porque a ficção científica, de forma errada ou com razão, é percebida como sendo para os jovens do sexo masculino? Vocês ficaram preocupados com isso?
“Eu acho que foi isso, não tanto da discussão sobre o jovem, ela era uma série para família do Syndication, mostrado a seis horas (da tarde), em Salt Lake City, assim você teve que lidar com cada filial separadamente, e não uma rede. E coisas assim.”
Não foi uma decisão pensando a frente. Conhecendo os atores envolvidos, conhecendo os tomadores de decisão, sabendo que eles se sentiam relutantes sobre o assunto, nós não estamos nem dizendo “sim”, e nem dizendo “não”, não estávamos apenas não tocando nisso agora.”

O senhor acha que a próxima iteração da série ou filme não vai ter isso, os fãs gays têm o direito de estarem chateados neste momento? Depois de tudo isso, se isso ainda não vai estar em 2011 0r 2012 …
“Bem, quero dizer, o filme é como um pássaro diferente. Se houvesse uma série de TV, eu concordaria com você. Mas para um filme, eu pessoalmente não faria. Com uma série de TV, você está criando um mundo inteiro, você está criando um todo. Como você estava dizendo, se isto durar cinco anos, e se você não ver isso lá, aí sim você teria algumas questões. Já um filme de duas horas, você está sentado lá e está comendo sua pipoca, se não encaixar … se não é parte da história, não é parte da história. Há muitas coisas que não fazem parte da história, sabe? Essa é minha opinião pessoal.”
>> TREK BRASILIS – por Ralph Pinheiro – TrekToday


“VAMPIRO AMERICANO” CHEGA AO BRASIL E DEVOLVE O MITO DO VAMPIRO ÀS NARRATIVAS DE HORROR

quarta-feira | 26 | janeiro | 2011

ENFIM, UM MONSTRO
Vampiros sempre estiveram na pauta da cultura pop, mas poucos se arriscaram a remodelar suas características românticas e repetidamente utilizadas. É por isso que Vampiro Americano, de Scott Snyder e desenhada pelo brasileiro Rafael Albuquerque (revista mensal Vertigo, 100 págs, R$ 10) é uma das obras mais interessantes das várias que apareceram nos últimos tempos tendo sanguessugas como mote.

» Leia um preview de Vampiro Americano

Publicada nos EUA pela Vertigo e pela revista de mesmo nome aqui no Brasil, a série consegue dosar uma narrativa bem construída de referências históricas e trama complexa com cenas cheias de violência e impacto. Skinner Sweet é o primeiro vampiro a ser criado nos EUA e a HQ mostra a sua trajetória e todo o sangue derramado por onde passou.

Escrita em parte pelo celebrado Stephen King, a série nem precisou da fama do escritor para se firmar como uma das melhores HQs lançadas pelo mercado norte-americano este ano. Quem se destacou mesmo foi Rafael. Ele chamou atenção no mercado internacional e mostrou ecletismo no seu estilo.

Os vampiros daqui não conservam a humanidade que alguns outros produtos recentes mostram, vide True Blood e Crepúsculo. Se aproximam mais das lendas europeias que os mostram como monstros. Sweet é feroz e tem os poderes derivados do sol. Além dele, a HQ foca atenção na vida de Pearl Jones, uma jovem atriz figurante na Hollywood dos anos 1920.

Até a sexta edição, Stephen King assina uma história curta que funciona mais como um painel para ambientar o leitor no horror da história de vampiros na primeira metade do século passado. American Vampire fez muito sucesso nos EUA na época do seu lançamento e críticos a tomam como o melhor da linha Vertigo. A Panini vem dando destaque para o título em sua revista mensal com histórias do selo adulto da DC Comics.
>> REVISTA O GRITO! – por Paulo Floro


“CRIPTA”: CLÁSSICOS DO TERROR EM QUADRINHOS

quarta-feira | 26 | janeiro | 2011

Cripta - Volume 1 (Mythos Editora)Eerie Creepy — provavelmente as revistas de horror mais clássicas de todos os tempos — circularam no Brasil originalmente entre 1976 e 1981, pela revista Kripta. Uma briga, que durou vários anos pelos direitos autorais impediu novas reedições e republicações das HQs.

Passados tantos anos, finalmente os fãs de quadrinhos de terror terão a oportunidade de lerem e relerem as histórias em uma versão digna dos colecionadores mas exigentes.

Mythos Editora finalmente anunciou para esse mês o lançamento de Cripta Volume 1. A edição irá reunir histórias de horror, suspense e ficção científica  em um encadernado de luxo, com 5 edições completas da Eerie, incluindo as capas originais coloridas.

A revista trará figuras como Gray Morrow (Homem-Aranha no final dos anos 60), Frank Frazetta (Conan), Alex Toth, Neal Adams, Steve Ditkoe vários outros.

Cripta – Volume 1 tem 244 páginas e custa em torno de R$ 48,90. Ainda não existe previsão para os próximos volumes.
>> OS ARMÊNIOS


NÃO CONTEM COM O FIM DO LIVRO

segunda-feira | 24 | janeiro | 2011

O primeiro livro interessante de 2011 está sendo esta coletânea de diálogos (Ed. Record, 2010) travados entre Umberto Eco e Jean-Claude Carrière, com intermediação do escritor Jean-Philippe de Tonnac. Gosto de livros de diálogos assim, porque muitas vezes (como no presente caso) temos a sensação de estar na mesma sala, sem direito a voz, mas com direito a testemunhar a troca de idéias e de informações entre dois sujeitos que têm grande quantidade delas. Umberto Eco, autor de O Nome da Rosa é mais conhecido do que Carrière, que os cinéfilos conhecem como roteirista de dezenas de bons filmes, entre os quais alguns dos melhores de Luís Buñuel. O tema das conversas é o Livro, na era das tecnologias eletrônicas, das novas formas de edição e comercialização; e este tema tem um interesse adicional porque os dois, além de escritores, são bibliófilos e colecionadores de obras raras, com grande conhecimento da literatura e do mercado editorial dos últimos séculos.

Eco e Carrière conversam como quem joga frescobol, procurando devolver a bola ao outro da melhor maneira possível para que este abra uma nova vereda no diálogo. Mesmo quando discordam, o fazem com leveza e bom-humor. O fato de um ser italiano e o outro francês os leva a fazer comparações constantes (sem ufanismo, sem bairrismo) entre as artes dos respectivos países. A certa altura, Eco se pergunta por que motivo não havia uma grande pintura inglesa no tempo de Shakespeare, enquanto que no tempo de Dante havia Giotto, e na época de Ariosto havia Rafael. É como se em dado momentos as energias criativas de um país inteiro convergissem para uma única forma de arte, enquanto que em outros, por motivos obscuros, elas florescessem simultaneamente em muitas direções. Carrière cita uma frase meio cruel de François Truffaut, que dizia: “Não existe cinema inglês, não existe teatro francês”.

Com relação ao desaparecimento do livro, os dois observam com razão que as tecnologias digitais ficam obsoletas muito mais rapidamente que o livro impresso. Carrière vai buscar em sua biblioteca um pequeno incunábulo em latim, impresso em Paris em 1498; com exceção de umas poucas palavras obscuras, é perfeitamente legível como linguagem e como tecnologia, cinco séculos depois. E ele cita o caso de um cineasta belga, seu amigo, que tem no porão de casa 18 computadores diferentes, para poder consultar trabalhos antigos, criados em programas de PC que não são mais usados hoje.

Os dois comentam que a possibilidade atual de armazenar quantidades imensas de dados não significa que tudo isto continuará armazenado (e acessível) indefinidamente, e observam que mesmo uma biblioteca gigantesca não passa de uma mera seleção, um filtro de escolha, de prioridades, aplicado a uma cultura. “O que devemos preservar?” – eis a questão, porque é impossível preservar tudo, tanto quanto é impossível consultar tudo quanto foi preservado (e que é necessariamente uma pequena parte desse todo).
>> MUNDO FANTASMO – por Bráulio Tavares


CHAPEUZINHO VERMELHO ENCONTRA O LOBISOMEM MAU EM NOVO TRAILER

segunda-feira | 24 | janeiro | 2011

Quem se importa com a tradição? As distribuidoras de cinema brasileiro é que não. Chapeuzinho Vermelho virou “A Garota da Capa Vermelha” na tradução brasileira. E ganhou um novo trailer.

O vídeo revela muitas cenas inéditas da produção dirigida por Catherine Hardwicke (“Crepúsculo”) e destaca o personagem Padre Solomon (Gary Oldman), um caçador de bruxas, encarregado de matar o lobisomem que aterroriza a vila medieval da trama. O lobo mau aparece rapidamente e o vídeo termina com a jovem heroína (Amanda Seyfried) dizendo a célebre frase “Que Olhos Grandes Você tem”.

A Garota da Capa Vermelha” estreia em 11 de março nos EUA. No Brasil, em 21 de abril.
>> PIPOCA MODERNA – por Caio Arroyo


MULHER MARAVILHA: APROVADA A NOVA SÉRIE

segunda-feira | 24 | janeiro | 2011

Por anos o projeto de um filme da Mulher-Maravilha (Wonder Woman) que seria tocado por Joss Whedon ficou engavetado, e mais recentemente o produtor David E. Kelley (Chicago HopeThe PracticeAlly McBeal) anunciou que pretendia levar a super-heroína de volta à TV, onde ela teve uma série nos anos 1970.

Aparentemente o projeto ia ter o mesmo destino do filme, já que foi recusado pela NBC, porém hoje a emissora voltou atrás e anunciou ter comprado a série, que será o primeiro programa de Kelley baseado nos quadrinhos.

A ideia do produtor, já aprovada pela Warner e a D. C. Comics, é atualizar e tornar mais realista a personagem, que com seus braceletes, laço mágico e o avião invisível, combaterá o crime na noite de Los Angeles, enquanto de dia será uma executiva. Ainda não foram divulgados nomes de equipe ou elenco.

>> SCI-FI DO BRASIL


X-MEN – FIRST CLASS: MATTHEW VAUGHN EXPLICA SUAS IDÉIAS PARA O FILME

segunda-feira | 24 | janeiro | 2011


Depois de parte do elenco comentar X-Men: First Class, o novo filme dos X-Men, chegou a vez do diretor Matthew Vaughn falar sobre a quinta adaptação da franquia mutante dos quadrinhos para as telas. E o que já parecia esquisito aos olhos dos fãs, acaba de ficar ainda mais estranho. “James Bond”? “CIA”?

Confira trechos da entrevista à EW.

Como você descreveria X-Men: First Class aos novatos?

A melhor maneira de descrever é como uma mistura de X-Men com James Bond [...] É ambientado na década de 1960 e eu moldei o jovem Magneto como um jovem Sean Connery. Ele é o espião definitivo. Imagine Bond, mas com superpoderes.

Se Magneto é James Bond, como fica Charles Xavier?

Veremos como Xavier se tornou um professor. Pra mim, Magneto é o bonzinho do filme, mas ele é meio que o mocinho malvado. Ele literalmente começa o filme e Xavier segue correndo atrás, pra tentar entender o que diabos está acontecendo e tentar persuadir Erik [Lensherr, o Magneto] a não matar ninguém.

O que mais você pode dizer sobre o roteiro?

No começo do filme ninguém sabe que mutantes existem. Nem os mutantes sabem que existem outros como eles. Estão todos se escondendo. Kevin Bacon vive um mutante megalomaníaco [Sebastian Shaw] que decide dominar o mundo e que os mutantes são o futuro. Erik e Charles se encontram e, ao lado da CIA, tentam salvar o mundo dessa ameaça e da Terceira Guerra Mundial. Nós descobriremos tudo o que deu errado entre eles.

Veremos flashbacks dos dois como crianças?

Não são flashbacks. O filme começa em 1942 e depois avança 20 anos.

Você está preocupado com as reações dos fãs?

Sim, mas eu posso dizer que eles estão errados. Cada roteirista que assumiu os títulos dos X-Men reinventou aquele universo como quis. Eu fiz minha pesquisa e nada ali faz sentido. Cada escritor mudou tudo para fazer sua ideia funcionar. Então posso afirmar que é parte da franquia X-Men essa reinvenção a favor da trama.

O filme tem relação com as HQs de First Class?

Não. Temos várias referências ao mundo dos quadrinhos e aos filmes dos X-Men anteriores, mas este definitivamente é algo à parte.

A trama mistura o pano de fundo dos anos 1960 com a história do primeiro encontro de Charles Xavier (James McAvoy) com Erik Lehnsherr (Michael Fassbender), o futuro Magneto, e terá o Clube do Inferno, liderado por Sebastian Shaw (Kevin Bacon), entre os vilões. January Jones(Emma Frost), Lucas Till (Destrutor), Nicholas Hoult (Fera), Caleb Landry Jones (Banshee),Edi Gathegi (Darwin), Oliver Platt (“Homem de Preto”), Rose Byrne (Moira MacTaggert),Jason Flemyng (Azazel), Jennifer Lawrence (Mística), Morgan Lily (Mística criança), Zoe Kravitz (Angel), Álex González (Maré Selvagem) e Bill Milner (jovem Magneto) também estão no elenco.

O lançamento acontece em 3 de junho.
>> OMELETE – por Érico Borgo


ESPAÇO MULTIVERSO HQ REALIZA A 7ª FEIRA DE QUADRINHOS E ARTE

segunda-feira | 24 | janeiro | 2011

Espaço Multiverso HQ

Espaço Multiverso HQ (Rua Cardeal Arcoverde, 422, Pinheiros, São Paulo/SP) realizará, nos dias 29 e 30 de janeiro, a 7ª Feira de Quadrinho e Arte, evento comemorativo ao Dia do Quadrinho Nacional.

A partir das 9h de 29 de janeiro, até as 18h do dia 30, o público visitante poderá assistir a bate-papos com artistas, editores e pesquisadores de quadrinhos, como Mario Cau (Pieces), Flávio Luiz (O Cabra), Jota Silvestre (Papo de Quadrinho), Guilherme Kroll (Balão Editorial) Rodrigo Febrônio (Banca de Quadrinhos), Nochu Chinen e outros.

Nos dois dias acontecerá a nova edição do Contos da Madrugada, atividade em que os quadrinhistas se reúnem para criar HQs ao vivo, durante toda a feira.

Do início da madrugada de 29 de janeiro até as 6h do mesmo dia, o Espaço Multiverso HQ oferecerá desconto de 70% na compra de várias revistas em quadrinhos.

Para mais informações, ligue para 0XX-11- 2361-2201 ou 0XX-11-3682-4989.
>> UNIVERSO HQ – por Marcus Ramone


O MERCADO EDITORIAL DÁ POUCAS OPORTUNIDADES OU OS BONS ESCRITORES SÃO POUCOS?

sábado | 22 | janeiro | 2011

Estamos pensando a literatura e o mercado em pulos.  Se olharmos bem de perto, literatura não combina com mercado, e discuti-los assim em paralelo parece ser insensato. Realmente é. Mas nos preocupamos. Queremos ver os escritores nacionais mais publicados, com mais oportunidades, e tendo a escrita como carreira real e não hobbie. Então, como não discutir literatura e mercado?
Vamos pensar em pulos. Literatura. Mercado. Como é o cenário atual e o que nos falta, a nós, brasileiros, para termos um mercado que também dê oportunidade aos novos talentos.

Novos talentos? Quem são, onde estão? Quem os encontra? E que mercado é esse?

Novos talentos
A Copa de Literatura é um projeto – discutível — para a avaliação de romances em um determinado ano. É lúdico e sem pretensões que não a de gerar uma boa discussão literária. Foi exatamente isso o que encontramos no ano passado.

No site
http://www.copadeliteratura.com.br/
, em avaliação feita em janeiro de 2010, Paulo Polzonoff (@paulopolzonoff) faz considerações sobre os dois romances finalistas. Sua crítica é direta e polêmica: ele questiona o que é a literatura brasileira. Nas palavras dele, “este fenômeno que não é só comercial. Na verdade, tudo é muito simples: literatura brasileira, em geral, não é livro que se queira ler. É livro que se pretende estudar, analisar, discutir. Aquilo que parece um romance é, na verdade, um objeto de estudo — um livro praticamente didático”. Ele diz que os romances que então analisou têm linguagem artificial, parecem construídos para serem estrutura de um real belo mas insosso. “O que me obriga a repetir: falta à literatura brasileira o teste da oralidade”.

Falta à literatura brasileira oralidade. E o que mais?

Editor
Beatriz Bracher fala sobre a “culpa do editor” ( Jornal Rascunho), por meio de um acontecimento na Editora 34. Ela conta que, àquela época, ao fazer a avaliação de uma obra, ela apontou ao escritor onde o texto poderia ser melhorado. Ela diz que o autor reenviou a obra seguindo as recomendações dela, mas que, mesmo assim, o livro não foi aceito. Ela diz que se sentiu muito culpada e que, depois disso, só envia aos escritores a mesma cartinha de recusa, padronizada e sem detalhes. “Isto é o duro de ser editor: está na sua mão. Esse cara poderia ter uma carreira de escritor, poderia ter outros livros, e por causa do que aconteceu, pode ter se desviado, desistido, desanimado. Então, eu ouço muito os editores, é bom trabalhar com eles, mas quando você tem certeza de que a palavra final vai ser sua”.

O Editor envia a mesma cartinha de recusa não porque não tem mais nada a falar ao escritor, mas porque a obra não está finalizada. Há ainda arestas. Há pontos a melhorar. Mas isso não é o editor quem poderá dizer. Afinal, o editor está aí para publicar a obra. Se a obra não está pronta, não há como publicá-la. Enviar recomendações ao escritor muitas vezes é útil e é feito quando os reparos são mínimos. Mas, quando a reestruturação é grande, o que dizer ao escritor? E, mesmo que o editor o faça, como Beatriz, não é certeza de que a obra será realmente publicada. Casas editoriais mudam o seu “pessoal” com alguma regularidade. Ou seja, quem avaliou a obra daquele escritor pode não ser a mesma pessoa que irá avaliá-la quando reescrita. Casas editoriais podem mudar de estratégia de negócios, deixando um tema ou linha de lado em alguns meses. O que digo aqui é que a editora não é uma escola. Nela não há o objetivo de se instruir como escrever bem. Há somente prescrições que são seguidas por quem estiver no escritório, prescrições muitas vezes decididas não por intelectuais da literatura mas por empresários e comerciantes. O editor que conversa com o escritor muitas vezes não é o dono da editora e, assim, não pode realmente dar a ele certeza de uma publicação. Por isso a confusão. Por isso a reclamação, e justificada, dos escritores: “pô, o cara diz que a obra é boa, pede uns ajustes, eu faço e me recusam ou nem respondem?”.

O escritor deve saber ver: a tarefa do editor que seleciona obras também não é fácil e é razoavelmente cômodo culpá-lo pela recusa de uma obra. Se as editoras estivessem em um mundo ideal, elas seriam centros também de discussão literária, de avaliação franca e aberta. Mas o mercado pede pressa e as editoras cumprem, avaliando com pressa ou buscando o que é lucro certo. O mercado pede competitividade e as editoras cumprem, diminuindo o pessoal contratado e apostando na terceirização. As editoras brasileiras, aliás, conseguiram crescer e aparecer no mundo editorial pois adotaram práticas mais eficientes e agressivas de negócios. O mercado brasileiro se fortaleceu e chamou a atenção de grupos estrangeiros. Editoras brasileiras foram negociadas por grandes grupos. O fortalecimento de nossas editoras nacionais também é importante e segue um caminho que se repete em todas as áreas de negócios. Inevitável.

O que o escritor deve, então, fazer?

Seus pares
Se o escritor quer discutir literatura e ter sua obra aperfeiçoada, por que os eventos literários estão tão vazios? Basta ir a um evento em uma livraria, um lançamento de livro, um sarau, e, até mesmo, aos debates que ocorreram antes do Prêmio São Paulo de Literatura (que não é um evento pequeno) para constatar o óbvio: poucos se interessam em prestigiar a discussão literária, a escutar os escritores publicados. E, se você frequentar algum grupo em sua cidade, irá ver que além de poucos são sempre as mesmas pessoas que estão lá.

Vamos ver. Como poucos se reúnem para discutir literatura e criação literária mas as editoras alegam estar abarrotadas de originais de escritores? Não é uma contradição? Os escritores não deveriam estar tão – ou mais – interessados em discutir literatura e a criação quanto finalizar seus textos e enviá-los para publicação?

Tá, mas não tem evento na região em que moro. Primeiro, certifique-se de que realmente não haja. Procure a prefeitura, faculdades, pesquise na internet. Na região em que moramos, por exemplo, há pouquíssimos eventos e a maioria deles em lugares de difícil acesso. Assim, nossa saída foi encontrar nossos pares na rede. Assim, encontramos com quem conversar. Conhecemos escritores da região e até vimos um grupo de escritores de nossa região criar um grupo e blog coletivo (
http://e-chaleira.blogspot.com/
).

Mas não tem nada em minha região… o que fazer? Bem, gente, a rede está aí para ajudá-los. Procure seus pares na rede. Se conseguir formar um grupo, pode até reivindicar algum evento cultural em sua cidade. É difícil, mas se não fizerem algo, dificilmente uma alma caridosa irá fazer por vocês. Cultura não é prioridade de verba nas prefeituras. Façam com que seja.

A primeira leitura de avaliação de sua obra nunca, nunca mesmo, deve ser a de uma editora. Confie em seus pares. Discuta com eles. Coloque seus textos para eles lerem. É muito importante a opinião de seus leitores, não? Não a tome como guia de sua criação, apenas como mais um fator para sua autoavaliação, ok? A palavra final deve ser a do escritor, mas ninguém aprende coisa alguma se não cruzar a linha de conforto. Coloque sua obra na roda, coloque sua visão em discussão.

Onde estão os novos escritores?
Sim, onde estão vocês? Na sua região tem algum grupo de discussão? Divulgue-o. Pode divulgá-lo aqui mesmo. O importante é encontrarem-se. A criação literária é solitária, mas uma das formas de você avaliar se está em seu caminho ideal é escutar o que seus leitores têm a dizer.

Não corra atrás de fórmulas, de regrinhas, de tendências e correntes. Seu estilo só será seu se for honesto. Sua criação só valerá a pena se for honesta com seu estilo. Não corra atrás do “sucesso” editorial, trabalhe para escrever bem. Trabalhe para construir sua história literária, seu universo próprio. Grandes escritores muitas vezes só foram descobertos depois de mortos (tá, só para constar. Não precisa se desesperar, ok?)

Infelizmente, você, como a maioria da população brasileira, terá de se sacrificar. Ser escritor hoje não é profissão nem para quem é escritor já publicado. Não desista.

Indicamos alguns caminhos: grupos de discussão em sua região; grupos de discussão na rede; procure seus escritores favoritos na rede e converse com eles (aliás, leia as obras deles); veja seus escritores preferidos http://www2.tvcultura.com.br/entrelinhas/videos.asp /
http://www.cronopios.com.br/tvcronopios/
); leia matérias de qualidade sobre literatura e novos escritores (indicamos o jornal Rascunho); escreva sempre; leia um poema ao acordar ou antes de dormir (poesia é inspiração); procure as editoras pequenas, as que estão surgindo, e converse com seus editores; se você for bom e tiver fôlego, abra uma pequena editora com seus pares e coloque a obra de vocês no mercado; procure leitura crítica do mercado (alguns agentes fazem —
http://blog.oficioeditorial.com.br/agente-literario/
–, e nós também); acredite nos bons concursos literários e envie sua produção (indicamos a seleção de Ana Cristina Melo —
http://ficcaodegaveta.blogspot.com/
); e, mais importante, leia de tudo, leia o que produziram os novos talentos, leia os clássicos, leia o que produziu aqueles que venceram concursos no ano passado. E vá em frente.

Acreditamos que novas oportunidades ocorram pelo aquecimento do mercado – quando se abrem mais editoras, pequenas e intelectuais; e quando editoras grandes apostam em novos talentos, como nos concursos que promovem –; pela interação entre escritores; pela chance de divulgação de sua obra – nas livrarias e em reuniões literárias –; mas nada supera a dedicação e o esforço individual.
>> OFICIO EDITORIAL – por Jack Starman – 3/04/2008


COMO APRENDER A ESCREVER?

sábado | 22 | janeiro | 2011

Manuais de escrita feitos por quem entende do riscado, oficinas literárias, jogar todas as ideias no papel. Afinal, onde e como começa o trabalho de um escritor?

Acrescente popularização da internet nos últimos anos trouxe à tona uma verdade da qual poucos desconfiavam, mas que agora é notória: o número de pessoas que gostam de escrever e querem ser lidas é muito maior do que se imaginava. Prova disso é a quantidade de blogs criados na rede mundial de computadores.

Segundo o site BlogPulse (www.blogpulse.com), existem mais de 143 milhões de blogs no mundo inteiro – até o fechamento desta matéria -, sendo que alguns desses endereços virtuais são mantidos não apenas por uma pessoa, mas por duas ou mais, as chamadas equipes de blogs coletivos. É possível encontrar desde espaços destinados a simples desabafos sobre o dia a dia até blogs que abrigam textos longos e reflexivos sobre temas variados.

Mas o que leva alguém a escrever e publicar na internet? É possível que o grande chamariz seja a possibilidade de ter seus textos lidos por conhecidos e desconhecidos do mundo inteiro, sem muito mais trabalho que o de escrever e clicar no botão de postagem. O ato de escrever repentinamente se tornou um hábito para pessoas que antes nem sequer mantinham um bom e velho querido diário. Com tanta gente escrevendo virtualmente, não demoraria muito para que os autores da internet começassem a sentir necessidade de transformar suas páginas virtuais em páginas impressas.

Também não demorou para que as editoras enxergassem esse filão literário e em pouco tempo vários blogs foram transformados em livros ou, ao menos, seus autores foram convidados a engrossar as fileiras dos que têm livros publicados pelo modo ortodoxo nas prateleiras das grandes livrarias. Entretanto, não é preciso passar as noites rezando para que um funcionário influente de uma grande editora vá parar no humilde endereço do seu blog. Há maneiras mais fáceis de publicar seu livro.

Comparado com o crescimento vertiginoso da internet e dos blogs, pode-se dizer que essa mudança de visão foi lenta, mas na última década os avanços tecnológicos fizeram com que o processo de publicação independente de um livro se tornasse relativamente fácil. O site Clube de Autores (www.clubedeautores.com.br), por exemplo, permite que o escritor edite seu livro sem sair de casa. Basicamente, basta enviar o arquivo do original a ser publicado, definir as preferências de tamanho, montar a capa, dar preço ao volume e pronto: qualquer pessoa pode adquirir a obra através do site. Como a impressão é feita sob demanda, ou seja, o livro só é impresso se alguém fizer o pedido e pagar por ele, não há risco de que o escritor ou a empresa saiam no prejuízo.

No entanto, por mais que tenha ficado cada vez mais fácil escrever e publicar um livro sem sair da frente do computador e ainda que alguns ditos escritores imaginem que para se produzir a obra capital da literatura mundial basta ser alfabetizado, pode-se dizer que o excesso de segurança não é o forte dessa nova geração de escritores. Dessa forma, a procura por oficinas literárias aumentou – e muito. Afinal, quem tem experiência na área sabe bem que escrever não é uma tarefa fácil. Assim, surgiram no Brasil cursos destinados à formação de escritores. O problema é que o custo dos tais cursos é relativamente alto. Para cursar a oficina de criação literária da Academia Internacional de Cinema de São Paulo, por exemplo, é preciso desembolsar R$ 1.800,00 por cinco meses de aulas.

Mas se oficinas e cursos estão fora da realidade financeira de muitos aspirantes a novo expoente da literatura brasileira, existem saídas bem mais cômodas e em conta. Há, por exemplo, livros, parte de um gênero que poderia ser chamado de “auto-ajuda para escritores”, obras que visam a motivar as pessoas a escrever e, mais que isso, ensinar-lhes a melhor maneira de fazê-lo.

A Conhecimento Prático Literatura inaugura aqui uma série de matérias especialmente voltadas para aspirantes a escritor. Resenharemos as principais obras que querem ensinar e auxiliar àqueles que pretendem se prestar à tão nobre tarefa de escrever e traremos conselhos de escritores que já estão experienciados na labuta do mercado editorial brasileiro. Aspirantes, divirtam-se.
>> REVISTA LITERATURA – por Rafael Rodrigues


“MAPA DO TEMPO”, DE FÉLIX J. PALMA

sábado | 22 | janeiro | 2011

Escritor espanhol reúne Júlio Verne, o Homem Elefante, Bram Stocker e outros em romance.
H.G. Wells, autor de “A máquina do tempo”, é o protagonista desta história que mistura pessoas reais e personagens da ficção

O sonho das viagens ao futuro foi popularizado no final do século XIX com o progresso científico. O autor de A máquina do tempo, H. G. Wells, é um dos protagonistas dessa obra do espanhol Félix J. Palma, que reuniu personagens como Jack, o Estripador; Júlio Verne; o Homem Elefante; o Homem Invisível; Bram Stoker e o romancista Henry James, em uma trama que mistura romance e aventura na Londres vitoriana.

Diante dessa atmosfera de culto ao progresso, o público britânico, ávido por novidades, queria viajar até o futuro. Para levá-los até o ano 2000, foi inaugurada a empresa Viagens Temporais Murray. Entretanto, as viagens no tempo não se limitavam a experimentar o amanhã. Andrew Harrington pretendia viajar para o passado, de 1896 para 1888, para salvar sua amada das garras de Jack, o Estripador.

Esse é o enredo de O mapa do tempo (Intrínseca, 472 pp., R$ 49,90 – Trad. Paulina Wacht e Ari Roitman), vencedor do Prêmio Ateneo de Sevilla, que chega às livrarias em 9 de setembro.

Biografia do autor:
FÉLIX J. PALMA, nascido em Sanlúcar de Barrameda, em 1968, é reconhecido pela crítica espanhola como um dos escritores mais originais. Vencedor de prêmios como o Gabriel Aresti, o Alberto Lista e o Miguel de Unamuno, é autor de cinco livros de contos: El vigilante de la salamandra (1998), Métodos de supervivencia (1999), Las interioridades (Prêmio Tiflos 2001), Los arácnidos (Prêmio Iberoamericano de Relatos Cortes de Cádiz 2003) e El menor espectáculo del mundo (2010). Publicou ainda Las corrientes oceánicas (Prêmio Luis Berenguer 2005) e o romance infantojuvenil La hormiga que quiso ser astronauta (2001). É colunista e crítico, coordena oficinas literárias e trabalha como consultor.
>> PUBLISHNEWS – por Redação


“NEON AZUL”: UM INFERNINHO DA COR DO CÉU

sábado | 22 | janeiro | 2011

Ainda no campo da literatura de fantasia, mas tão afastado dos lugares-comuns do gênero quanto possível, está nas livrarias o Neon Azul de Eric Novello (Editora Draco, R$ 31,90, 168 páginas), que se apresenta como romance fix-up. Antes de mais nada, o que é isso?

Fix-up significa, ao pé da letra, algo como “conserto”, “gambiarra”, “guaribada”. O termo surgiu da ficção científica dos EUA que, inicialmente publicada nesse país quase que só na forma de contos e seriados em revistas pulp, começou nos anos 50 a contar com um mercado para livros de maior fôlego. Muitos autores resolveram reunir contos já publicados, que aproveitavam o mesmo universo e alguns dos mesmos personagens, em histórias maiores, com as devidas adaptações. Entre os exemplos mais importantes, incluem-se Crônicas Marcianas, de Ray Bradbury, Duna, de Frank Herbert, Fundação e Eu, Robô, de Isaac Asimov, Um Cântico para Leibowitz, de Walter Miller e Missão Interplanetária de Van Vogt (Voyage of the Space Beagle, no original).

A prática, naturalmente, é anterior à cunhagem do termo e mesmo à ficção científica. As Mil e uma noites, por exemplo, poderia ser considerada um fix-up do folclore árabe, com a história de Xerazade servindo para enquadrar o resto. As Reinações de Narizinho de Monteiro Lobato, é um fix-up de contos infantis originalmente independentes. Os Quatro Grandes, de Agatha Christie, é um fix-up de contos policiais inseridos em uma história mais ampla.

No caso desta obra de Novello, trata-se de uma articulação de contos mais fantásticos que propriamente de fantasia – a maior parte do tempo oscilam em um limbo entre realismo e fantasia, permitindo ambas as interpretações – que se passam em um mesmo cenário, a boate do título e são costurados entre si por citações cruzadas e por temas e personagens recorrentes, principalmente o misterioso Homem de terno branco da capa.
Nem todos são igualmente bons, a revisão (principalmente de pontuação) tropeça vez por outra e encontra-se aqui e ali alguma palavra mal empregada. Embora a música erudita e MPB pareçam (curiosamente) ser mais ouvidas nessa casa noturna, a imagem que vem à mente não é de uma peça clássica de perfeição irretocável, que esconde do ouvinte os rascunhos e ensaios, mas de umajam session, ou improvisação de jazz, com algumas hesitações e acordes desafinados que acabam por conduzir a momentos gloriosos. É o prazer de acompanhar uma experiência criativa original que, no fim das contas, é recompensadora. Pode-se torcer o nariz em algumas passagens, mas é difícil não se levantar para aplaudir ao final.

O primeiro conto ou capítulo, Invisibilidade, talvez seja o mais desajeitado. A história do mendigo que dorme e pede esmolas na porta do inferninho poderia ser uma boa ideia, mas a situação e o personagem não combinam. Que executivo próspero e bem-sucedido, sem dever nada à Justiça, se deixaria passivamente expulsar de casa e jogar numa sarjeta por uma esposa infiel e um filho assassino, seus dependentes?

Soa como um personagem de A Praça É Nossa perdido em um drama de Nélson Rodrigues. Neste caso, a intervenção do fantástico “Homem”, em vez de dar sentido a essa implausibilidade psicológica e social, serve como resolução desnecessariamente forçada para um conflito que, na vida real, se resolveria com recursos mais mundanos. As citações mitológicas equivocadas que abrem o conto também não ajudam (não foi Marte que lutou com o Minotauro e sim Teseu). Destoa do resto do livro, em brilho e em caráter.
O leitor pouco estimulado pelo começo pode ficar seguro, porém, de que o espetáculo melhora à medida que o artista se empolga. Nos contos seguintes, a qualidade e o interesse crescem.

O segundo conto-capítulo, Noites de insônia, propõe uma situação talvez mais estranha, a de um homem explorado e abusado por sua incapacidade de dormir, mas o conduz de maneira mais natural e lhe dá um final satisfatório, ainda que pouco espetacular.

O terceiro, O boneco na garrafa, segue na mesma direção, com a intervenção fantástica da estranha peça de decoração do escritório de um advogado – um “cramulhão na garrafa” – para, bem, acabar com as fantasias de uma certa situação, aparentemente agindo da maneira oposta à que se espera de um diabrete. A título de amostra do estilo elíptico e descuidadamente coloquial, mas expressivo, vai aqui um trecho desse capítulo:

“Catei dinheiro na carteira e pedi que Karina se vestisse, era hora de ir embora. Seu silêncio valia mais do que seu sexo. Por um breve instante, me perguntei se o boneco só tinha uma queda por canários ou se gostaria de experimentar outros sabores. Deixei escapar uma risada, dessas que não se controla. Só a língua, meu caro, só a língua e você já fará um favor para a humanidade”.

Os dois lados continua o movimento em crescendo ao seguir de maneira o ponto de vista de um frequentador do Neon Azul que acontece ser também um sociopata e assassino serial, sem deixar de transmitir o horror de seus atos. Uma façanha que a princípio parece mais difícil que a do primeiro conto-capítulo, mas é executada com maestria muitíssimo superior.

A quarta parede inicia um novo ciclo, no qual o tema é o próprio processo de criação. É contada com uma peça em três atos, em ordem invertida. Parece um erro tático, pois o ato mais surpreendente e interessante é o terceiro, o começo, representado como uma peça propriamente dita. Os que o precedem no tempo e o seguem no texto são comparativamente banais, até dispensáveis. Não deixam de ter uma função, porém: a de deixar explícito ao leitor ingênuo um jogo de quebras e inversões da sequência temporal que se repete ao longo dos contos-capítulos de Neon Azul e proporciona boas surpresas e desafios.

Em A última nota, a história do pianista contratado pelo cabaré parece a do autor, mais uma vez tateando e experimentando a inspiração. O resultado não é espetacular, mas é harmonioso e sincero. Invasão de privacidade retorna ao mesmo tema, desta vez na pele de um escritor que tenta escrever algo sobre o Neon Azul num papel que resiste a aceitá-lo: o tema se torna mais explícito.

Só tinha que ser com você, além de homenagear Tom Jobim, dá a impressão de mudar de rumo ao contar a história de uma devota evangélica, mas sua ligação com a casa noturna, com personagens e capítulos anteriores e com o final fazem desta uma das passagens mais cruciais do livro.

O ponteiro dos segundos
 é uma mera introdução ao personagem central de A dançarina e o sexo, um editor com papéis menores, mas recorrentes, em capítulos anteriores, que agora tem sua vez no primeiro plano. Além de editar o escritor de Invasão de privacidade, mostra talento também para editar vidas, como é o caso da garota de programa que começa frustrada – ser chamada de “puta” pelo cliente levou-a, como “o escritor” a “meditar sobre a verdadeira origem de seu trabalho e se a real importância deste não se perdeu no arrastar dos séculos” – e parece reencontrar a dignidade ao longo da noite com o personagem. Ficamos também sabendo que o editor recebeu a proposta de editar a própria vida e a recusou e por quê – e por fim o significado do misterioso “Homem”, antes apenas sugerido, se esclarece sem deixar dúvidas.
>> CARTA CAPITAL – por Antonio Luiz M. C. Costa


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