O leão Aslam é o grande protagonista de As Crónicas de Nárnia
Em entrevista ao The Christian Post, o produtor Michael Flaherty disse que o novo filme da série “As Crónicas de Nárnia” será “O Sobrinho do Mago“, o penúltimo livro da série a ser lançado. A obra, escrita por C.S. Lewis, conta a origem de Nárnia e do guarda-roupa que aparece no livro que deu origem ao primeiro filme da série.
Na história, os amigos Digory Kirke e Polly Plummer por acidente vão parar em outro mundo, com o auxílio de dois anéis mágicos. Lá, eles acidentalmente libertam a Feiticeira Branca e vão para Nárnia, onde veem a criação daquele mundo.
Ainda não há maiores informações sobre possível elenco, diretor ou data de lançamento para o filme. >> NA TELINHA – da Redação
O cineasta Stuart Beattie foi contratado para escrever e dirigir a adaptação de I, Frankenstein, HQ criada e escrita pelo ator Kevin Grevioux e publicada pela Darkstorm Comics.
Esta não é a primeira vez que I, Frankesntein tem a possibilidade de ganhar uma versão para o cinema. Em 2009, vários trabalhos para uma adaptação foram desenvolvidos, incluindo um primeiro tratamento do roteiro escrito pelo próprio Grevioux e algumas artes conceituais, que você pode conferir clicando aqui.
Ainda não se sabe se Beattie usará algo do roteiro já existente ou se começará um novo trabalho do zero. De qualquer maneira, a produtora Lakeshore Entertainment espera começar a produção ao final deste ano.
A trama de I, Frankenstein leva monstros clássicos como Frankenstein, o Homem Invisível, Drácula e o Corcunda de Notre-Dameaos dias de hoje, em um cenário noir ambientado na cidade de Darkhaven. Frankenstein aprendeu a controlar seus demônios internos e atua como detetive particular, sendo o único protetor da cidade. É ele quem tenta sozinho impedir que outras criaturas ressurjam e tragam o caos para a humanidade. Drácula é um chefão do crime e o Homem Invisível é seu agente secreto. >> HQMANIACS – por Leandro Damasceno
É surpreendente a desenvoltura e a facilidade com que o escritor, ex-entregador de pizzas, ex-editor de seus próprios livros e ex-vendedor de mão em mão André Vianco revela neste romance “O Caso Laura” (272 páginas, R$ 32,50), o primeiro de sua autoria lançado pela Editora Rocco, com chegada às livrarias em todo o País prevista já para o próximo dia 2. A tiragem inicial prevista é de 30 mil exemplares (normalmente os romances brasileiros são lançados em 2 mil ou 3 mil exemplares, ou até menos).
Misto de romance psicológico, policial e sobrenatural, este trabalho de Vianco – que, com doze livros publicados, já vendeu perto de 500 mil exemplares – mostra que o autor, de origem modesta, é um artista de grandes recursos literários, que domina como poucos grandes autores a técnica de escrever bem, com ritmo que, na forma e conteúdo, envolve imediatamente o leitor e a leitora. Na forma porque, visivelmente com muito esforço e muito trabalho de carpintaria literária, escreve textos ao mesmo tempo atrevidamente novos, com frases que nunca foram escritas antes, e, ao mesmo tempo, imediatamente assimiladas pelo leitor e leitora como coisas bem conhecidas e com as quais se sente logo de início uma confortadora familiaridade. No conteúdo, porque sabe criar uma trama intricada.
Dirigido sempre ao grande público, e, por isso, passível de ser chamado de “popularesco” pelos críticos universitários, Vianco, na verdade, é um autor que sabe construir o caráter de cada personagem, e apresentar esse caráter pelas falas e pelas ações dos mesmos, sem ter de apelar para o recurso artisticamente inferior de descrever ou analisar a personalidade de cada um. Ele prefere aqui o caminho mais difícil. Sabe como burilar uma frase, tornando-a agradável aos ouvidos; sabe como concatenar uma trama, sabe como manter ininterruptamente o suspense sempre renovado em curtos intervalos da narrativa, e como alternar as situações e os personagens.
Neste “O Caso Laura”, um detetive particular é contratado por um idoso desconhecido para investigar os encontros de uma mulher chamada Laura, restauradora de imagens sacras, num banco de jardim, com um homem misterioso. Há outros tipos envolvidos em outras situações, como o policial que é investigado por uma agente da Corregedoria por ser suspeito de homicídios que teria praticado como justiceiro. Tudo, porém, entrelaça-se e os diferentes mistérios vão se adensando progressivamente, até o surpreendente desenlace esclarecedor.
Em suma, Vianco é um narrador hábil e com desenvoltura. Como poucos escritores, mesmo entre os mais famosos, todas as técnicas da arte literária e do artesanato de bem escrever ele conhece. Apenas pôs a sua pena a serviço, não da chamada grande arte tal como a concebiam os críticos universitários tradicionais, nem de uma “conscientização” de seus leitores e suas leitoras tal como a imaginavam os escritores ditos engajados. Ele visa simplesmente entreter agradavelmente seu público. Com isso, presta serviços a um leitor que, nas selvas urbanas de hoje, carece de emoções. Um trabalho tão digno quanto qualquer outro, que lhe garante a situação de ser um dos poucos escritores, no Brasil, a sobreviver apenas de seu ofício. Em tempo: o livro já é um roteiro de filme. >> DIÁRIO DE SÃO PAULO – por Renato Pompeu
William Moulton Marston, um conhecido psicólogo americano, era um ávido leitor de HQ, mas também um de seus maiores críticos. Marston, professor de psicologia da Columbia University, autor de livros, colaborador da revista Reader’s Digest e palestrante, foi o inventor de um teste de pressão sanguínea que se tornaria um dos componentes para o polígrafo (detector de mentiras).
Ellie Wood Walker
Marston também era defensor do feminismo. Através de seus textos publicados, ele dava conselhos a mulheres e apresentava seu ponto de vista a respeito do casamento, da obediência ao homem e da posição da mulher na sociedade. Para ele, uma mulher deveria ocupar o cargo de Presidente da República. Como psicólogo, Marston atacou o universo dos super-heróis dos quadrinhos, acusando-o de machista por não dar às mulheres personagens com os quais poderiam identificar-se. Em sua opinião, as meninas não desejavam ser meninas porque não existiam personagens femininas fortes e carismáticas, apenas mulheres que apareciam para atrapalhar o herói ou criar situações nas quais eles poderiam mostrar sua superioridade.
As críticas de Marston chamaram a atenção da DC Comics, que o convidou a assessorar seus roteiristas, oferecendo-lhes o ponto de vista psicológico dos personagens e como deveriam ser passados para o público adolescente.
Nesta sua função, ele recebia os textos e fazia observações a respeito de mudanças que deveriam ser feitas nos personagens ou mesmo nas histórias. Com o tempo, ele foi convidado a criar um super-herói que refletisse suas teorias.
Assim surgiu a Mulher-Maravilha, que Marston criou utilizando o nome de Charles Moulton. Fisicamente bonita, feminina, extremamente inteligente e com a força de muitos homens, a personagem, que surgiu em um universo masculino, utilizava roupas provocantes (para a época).
Vivendo situações que atraíam o interesse masculino, entre elas, a de ser presa e amarrada, ficando à mercê de seus opressores, a Mulher-Maravilha sempre dava a volta por cima. Para as mulheres, as situações representavam a idéia de que era possível libertar-se de suas ‘amarras da sociedade masculina’.
Estudioso da cultura grego-romana, Marston criou um universo para sua personagem que remonta esta cultura. Batizada de Diana, a personagem era uma amazona que vivia na Ilha Paraíso (também conhecida com Themyscira ou Temiscira), localizada no Triângulo das Bermudas.
Cathy Lee Crosby
A Mulher-Maravilha fez sua estréia nos quadrinhos no dia 8 de dezembro de 1941, ganhando uma edição própria em 1942. Nessa época, os EUA estavam entrando na 2ª Guerra Mundial, o que levou os meios de comunicações americanos, sem exceção, a serem convocados para atuarem em favor dos aliados e contra o nazismo. Assim, as histórias da heroína foram situadas no mesmo período.
Na Ilha Paraíso, as amazonas são seres imortais, nascidas de moldes de barro, vivendo por conta própria, sem a necessidade da presença do homem. Um dia, um acidente aéreo leva o piloto do avião, Major Steve Trevor, a ser socorrido por elas. Diana, filha da Rainha Hipólita, é a escolhida para levá-lo de volta aos EUA, onde deverá permanecer para ajuda-los a derrotar o nazismo.
Utilizando a bandeira americana encontrada no avião, as amazonas fabricam o uniforme da Mulher-Maravilha. Entre os acessórios, o laço da verdade (em referência ao detector de mentiras criado por Marston); braceletes feito de um material existente apenas na Ilha, capazes de repelir balas ou qualquer outro tipo de munição; e uma tiara, através da qual poderia se comunicar com a Ilha (a tiara também servia de bumerangue). Seu meio de transporte era um avião invisível, controlado pela mente.
Richard Eastham como o General Phil Blankenship
Além dos nazistas, algumas vezes representados pela Baronesa Paula Von Guther, a Mulher-Maravilha também enfrentava super-vilões, como Cheeta, Mulher-Leopardo, Giganta e, é claro, Marte, o Deus da Guerra, que desejava destruir as amazonas, amantes da paz, para continuar a instigar os homens à guerra.
Após a morte de Marston em 1947, a personagem nos quadrinhos continuou vivendo suas aventuras, chegando à década de 1960, quando surgiu a Garota-Maravilha, Donna Troy, uma órfã salva pela heroína. Através de um raio, Diana lhe dá super-poderes, tornando-a sua auxiliar no combate ao mau. Nesse período também surgiu I-Ching, um chinês mestre das artes marciais que se torna amigo de Diana.
Na década de 1970, a personagem foi atacada por outro psicólogo, Frederic Wertham, que a acusava de ser lésbica. Para ele, qualquer mulher que defendesse o feminismo só poderia ser homossexual. Assim, a personagem reduziu seu discurso feminista e passou a idolatrar o Major Steve Trevor.
O próximo passo da personagem foi adentrar o mundo da televisão. A primeira tentativa ocorreu na década de 1960, quando um piloto de cinco minutos chegou a ser produzido pelos mesmos responsáveis por “Batman”. Seguindo a mesma linha cômica, o primeiro roteiro foi escrito por Stan Hart e Larry Siegel, da revista Mad, o qual foi reescrito por Stanley Ralph Ross, da série “Batman”.
Na história, Diana vivia nos EUA em um pequeno apartamento, junto com sua mãe, Hipólita, que estava decepcionada com a filha por ela ainda ser solteira e ficar perdendo tempo em salvar o mundo. Diana, por sua vez, era uma jovem sem graça, como um patinho feio, que se transformava na Mulher-Maravilha. Quando se olhava no espelho, se via linda e maravilhosa. A personagem era interpretada por Ellie Wood Wallas e seu reflexo no espelho era Linda Harrison. Confiram o vídeo abaixo.
O enredo foi considerado medíocre a série não chegou a ser produzida, levando a personagem a ter uma nova chance na década de 1970. Depois de fazer sua estréia nas séries animadas “Superman-Aquaman Hour Adventure”, de 1967, e em “Os Superamigos”, de 1973, a Mulher-Maravilha foi comprada pela Warner Brothers, que deu início ao desenvolvimento de um telefilme.
Lynda Carter como Diana Prince
A idéia de Douglas S. Cramer, responsável pelo projeto, era trazer a personagem para o tempo presente, no qual ela seria uma aliada da CIA. O telefilme estreou em 1974, com Cathy Lee Crosby no papel título.
Sendo loira, vestindo um uniforme diferente daquele popularizado pelos quadrinhos e sem superpoderes, a personagem não retratava o universo popularizado pelos quadrinhos. A produção foi atacada pela crítica e pelos fãs, levando os responsáveis a reformularem o projeto, tornando-o mais fiel ao original dos quadrinhos.
Assim surgiu outro telefilme, com Lynda Carter no papel título. Inexperiente, a atriz, que tinha sido testada para o telefilme anterior, precisou enfrentar a resistência da rede ABC que queria Joanna Cassidy (240-Robert e A Sete Palmos) no papel principal.
Por curiosidade, entre as atrizes que fizeram testes para o projeto estão Suzanne Sommers (Step By Step), Rachel Welch, Lindsay Wagner (A Mulher Biônica), e aquelas que ficariam conhecidas como as panterinhas do Charlie: Kate Jackson, Farrah Fawcett, Cheryl Ladd e Jaclyn Smith.
No papel do Major Steve Trevor, o produtor Douglas S. Cramer contratou Lyle Waggoner, que já tinha feito testes para estrelar a série “Batman”.
Lyle Waggoner como Steve Trevor
Na história, a personagem passou por algumas mudanças, em função de orçamento e desenvolvimento criativo. Para se transformar na Mulher-Maravilha, Diana dá uma espécie de pirueta, fazendo surgir um clarão. Nos quadrinhos, a mudança é feita em alta-velocidade.
A personagem também adquiriu os poderes de mudar de voz e se comunicar com os animais. Para aprisioná-la, ao invés de unir seus braceletes, os bandidos teriam que retirá-los.
O telefilme foi um sucesso levando a ABC a produzir um outro, que mais tarde seria dividido em duas partes, apresentados como os dois primeiros episódios da série produzida entre 1975 e 1979 (já lançada em DVD no Brasil).
Lynda Carter como a Mulher-Maravilha
A série somente foi aprovada pela ABC quando as redes CBS e NBC demonstraram interesse em produzi-la. Após a primeira temporada, que retratou o universo criado nos quadrinhos, a série foi cancelada. Resgatada pela CBS, a segunda temporada foi produzida levando a personagem para o tempo presente.
Com o título de “As Novas Aventuras da Mulher-Maravilha”, a personagem foi transformada em uma espécie de “As Panteras”.Entre as mudanças, Steve Trevor teve uma participação reduzida, a Ilha Paraíso e o avião invisível foram dispensados, e a personagem abandona completamente a imagem tradicional de Diana Prince, identidade secreta da Mulher-Maravilha, que tinha o objetivo de passar despercebida das pessoas que a cercavam.
Na versão da CBS, ela é uma mulher exuberante, que vive na moda, que sequer utiliza óculos (à la Clark Kent) para disfarçar. Assim, ficou ainda mais difícil aceitar o fato que ninguém percebia que Diana era a Mulher-Maravilha.
Adrianne Palicki como a Mulher-Maravilha no piloto de David E. Kelley
Para justificar a presença da heroína no tempo presente, a história apresenta um novo piloto, no qual, Diana está de volta à Ilha (uma das poucas, senão a única, referência na nova fase), onde salva a vida de Steve Trevor Jr, interpretado pelo mesmo ator. Assim, ela decide retornar aos EUA para ajudá-lo na caça a comunistas, terroristas e traidores.
Cancelada em sua terceira temporada, a série não conseguiu explorar o universo e o potencial criado em torno da heroína. Agora, com um novo projeto está se desenvolvendo, as primeiras informações divulgadas levam a crer que a personagem continuará a ser desperdiçada pela televisão. Teremos que esperar para conferir.
Estrelada por Adrianne Palicki (Friday Night Lights), a série ainda está restrita à produção de um episódio piloto. No entanto, o produtor David E. Kelley declarou em entrevistas estar confiante que a primeira temporada será encomendada, chegando ao ponto de afirmar que a série deverá estrear até 2012.
Sua confiança pode estar relacionada ao seu contrato. Alguns produtores de renome conseguem estabelecer em contrato a obrigação do canal de encomendar os primeiros episódios de projetos com potencial de atrair o interesse de um grande público. Ainda não há informações de que seja este o caso.
Esta é a segunda tentativa de dar à heroína uma nova série de TV. Entre 1997 e 1998, existiu um projeto da Warner Bothers para se produzir uma série criada por Deborah Joy Levine, responsável por “As Novas Aventuras do Superman”, com Dean Cain e Teri Hatcher.
Em 2000, surgiram informações sobre um filme para o cinema. Na época, John Cohen tinha sido contratado para escrever o roteiro, que seria produzido por Joel Silver. Posteriormente, Joss Whedon (Buffy a Caça-Vampiros) teve seu nome ligado à produção, que parece ter sido jogada para 2015.
Van Johnson em "The Pied Piper of Hamelin", de 1957
No Brasil, a produção de telefilmes é algo raro. Quando produzidos, são chamados de “Especiais”, mas são tão poucos que nem dá para dizer que a produção desse formato existe de fato.
Nossa teledramaturgia é (praticamente) dedicada às novelas. Já vi muitas quando criança e apesar de não gostar mais de acompanhar esse tipo de programa, não sou contra sua produção. Existe público para isso. No entanto, a partir do momento que (praticamente) só se produz isso…então sou contra.
A produção televisiva deveria ser diversificada. Ao menos, nos canais de rede aberta. Isto não ocorre no Brasil e, atualmente, também não ocorre nos EUA. Repararam que eles pararam de produzir telefilmes? Tal qual as minisséries, os telefilmes estão relegados à produção da TV a cabo, onde também são oferecidas séries, desenhos animados, reality shows, documentários, talk shows e game shows. Só falta a novela…mas não sejamos exigentes (existe um canal a cabo chamado SoapNet dedicado às novelas, mas sua produção própria é mínima, quase inexistente, dedicando-se mais às reprises, como o Viva faz no Brasil).
Os telefilmes, tal qual as minisséries, contribuíram com a evolução das séries de TV americanas. Levou um bom tempo para que a produção de telefilmes tivesse início. Entre as décadas de 1940 e 1950, a TV americana contentou-se em exibir filmes produzidos para o cinema. Até a década de 1960, somente filmes produzidos antes de 1948 poderiam ser exibidos na TV, dentro de sessões de cinema criadas especialmente para isso. Estas sessões eram programadas tarde da noite, após o horário nobre. Isto porque os canais temiam que a qualidade técnica dos filmes, mesmo os antigos, ferisse a receptividade de suas séries e programas, muito embora os canais regionais intercalassem seu horário nobre com séries e filmes de cinema.
No final da década de 1950, os estúdios de cinema pressionaram os canais a negociar a exibição de filmes mais recentes em horário nobre. O fato causou problemas para as redes, visto que o valor que os estúdios queriam cobrar por seus filmes era muito maior que aquele que elas estavam dispostas a pagar. Além disso, o Sindicato dos Roteiristas se posicionou contra a decisão. Primeiro, porque a exibição em horário nobre de filmes produzidos para o cinema reduziria o espaço para uma produção própria, prejudicando a oportunidade de trabalho dos roteiristas; segundo, os roteiristas dos filmes não recebiam nenhum valor pela exibição de seu trabalho em outro veículo.
Em função disso, surgiu uma greve geral de roteiristas que teve início em 16 de janeiro de 1960. Esta paralisação é comparada com a que ocorreu em 2007, quando os roteiristas fizeram greve para receber pagamento quando seus trabalhos fossem disponibilizados em streaming na Internet.
A greve de 1960 durou seis meses, finalizando com um acordo entre as partes. Assim teve início a exibição na TV de filmes mais recentes produzidos para o cinema, o que fez surgir um público específico. O fato levou os canais a perceber o potencial da produção própria de filmes.
A primeira a investir nesse formato foi a NBC. Apesar de algumas experiências anteriores, como “The Pied Piper of Hamelin”, de 1957, filmado em Technicolor, para a DuMont Network, “See How They Run”, de 1964, é considerada a primeira produção de telefilme para a TV americana. Trata-se de uma adaptação de uma peça de teatro, estrelada por John Forsythe e Jane Wyatt, com direção de David Lowell Rich. Em função da baixa audiência, o canal levou dois anos para voltar a produzir nessa área.
Em 1966, a NBC criou o “Saturday Night at the Movies”, sessão de telefilmes produzidos quase que exclusivamente pela Universal. O primeiro teria sido “Os Audaciosos/The Name of the Game”, estrelado por Tony Franciosa, que interpretou um jornalista investigativo. A boa receptividade do telefilme fez com que o canal o transformasse em série, a qual fazia um rodízio das histórias estreladas por três atores: Robert Stack, Gene Barry e Franciosa.
A produção de telefilmes se estabeleceu quando foi exibido “The Doomsday Flight”, de Rod Serling, sobre a histeria gerada por passageiros e tripulantes de um vôo entre Los Angeles e Nova Iorque, que descobrem a presença de uma bomba no avião. A história, que mesclava melodrama, mistério e tensão, dentro de um formato antológico e com orçamento de cinema, determinou a continuidade desse tipo de produção a partir de 1967.
Os telefilmes substituíram os teleteatros, trazendo diversas histórias, sem personagens fixos, explorando situações polêmicas com uma estética cinematográfica. Competindo com os telefilmes e com os filmes de cinema, as séries adotaram, ao longo dos anos de 1960, uma narrativa e uma estética mais realista para sua produção dramática.
(E-D) Robert Stack, Gene Barry e Tony Franciosa em "Os Audaciosos"
Mas os telefilmes não eram vistos apenas como concorrentes das séries. A exemplo do que ocorreu com “Os Audaciosos”, muitos telefilmes foram produzidos com a intenção de testar público para o potencial de uma nova série.
Assim sendo, pilotos com 90 minutos de duração eram exibidos na TV em sessões de telefilmes. Se a audiência fosse boa, a série era encomendada, a exemplo de “Smith & Jones”, “Havaí 5-0”, “Kolchak”, “McCloud”, “O Casal McMillan” e “Columbo” (estes três últimos tiveram seus episódios exibidos alternadamente dentro da sessão “The NBC Mystery Movie”).
Com o passar dos anos, os telefilmes também começaram a ser utilizados como alternativa para finalizar a trama de uma série cancelada, bem como uma forma de reunir atores/personagens de um seriado de sucesso, mostrando ao público o que aconteceu com eles (são os telefilmes conhecidos como ‘reunions’).
A presença de filmes e de telefilmes em horário nobre também fez surgir séries com episódios de duração entre 75 e 90 minutos. A exemplo de “O Homem de Virgínia”, “Columbo”, “Banacek”, “Os Audaciosos”, entre outros. Em função dos telefilmes, mais profissionais do cinema migraram para a televisão. Esse formato também influenciara o surgimento das minisséries.
Como visto aqui, o estopim foi a importação de produções estrangeiras; mas a popularidade crescente dos telefilmes e a necessidade dos roteiristas de ter mais tempo para desenvolver suas histórias também serviram como influência para a produção própria de minisséries, as quais provocariam mudanças na narrativa seriada. >> VEJA – por Fernanda Furquim
Um dos filmes mais aguardados do ano, ficção científica “Super 8“, ganhou o seu primeiro trailer completo. O longa, dirigido por J.J. Abrams (“Star Trek“), tem Steven Spielberg como produtor:
O filme também teve sua sinopse oficial liberada:
No verão de 1979, um grupo de amigos em uma pequena cidade de Ohio testemunha um acidente de trem catastrófico ao fazer um filme e logo suspeitam que não foi um acidente. Pouco depois, desaparecimentos incomuns e acontecimentos inexplicáveis começam a acontecer na cidade, e o delegado local tenta descobrir a verdade – que é algo mais aterrorizante do que qualquer um deles poderia ter imaginado.
O elenco é composto por Kyle Chandler (“King Kong”), Amanda Michalka (“Um Olhar do Paraíso”), Elle Fanning (“Um Lugar Qualquer”), Ron Eldard (“A Cor de um Crime”), Noah Emmerich (“Jogo de Poder”), Joel Courtney, Riley Griffiths, Ryan Lee (“A Pedra Mágica”), Zach Mills (“A Troca”) e Gabriel Basso (da série “The Big C”).
O diretor Peter Jackson começou nesta segunda-feira na Nova Zelândia a filmagem de “O Hobbit”, prelúdio da trilogia “O Senhor dos Anéis”, após superar meses de contínuos atrasos, informou o cineasta em comunicado.
O diretor neozelandês, de 50 anos, afirmou que o elenco – liderado por Martin Freeman como o hobbit Bilbo Bolseiro e Ian McKellen no personagem do mago Gandalf – ficou assim fechado para os preparativos do filme.
Elijah Wood, Christopher Lee, Cate Blanchett e Orlando Bloom repetirão os mesmos papéis que encarnaram em “O Senhor dos Anéis”, ganhador de um total de 13 Oscar.
Problemas de financiamento, um esforço de greve de atores e uma úlcera de Jackson puseram em xeque a produção, que constará de duas partes, com um orçamento de US$ 500 milhões.
Devido aos atrasos, o diretor mexicano Guillermo del Toro se retirou em maio de 2010 da co-produção da New Line Cinema e Metro Goldwyn Meyer, embora tenha continuado com sua colaboração na elaboração dos roteiros.
Em outubro de 2010, as produtoras estiveram a ponto de levar a filmagem para outro país, após os problemas salariais com os sindicatos de atores locais, mas o Governo neozelandês intermediou e aceitou modificar a lei trabalhista para salvar o projeto.
A história de “O Hobbit” transcorre na Terra Média descrita em “O Senhor dos Anéis”, o mundo de ficção criado por J.R.R. Tolkien, e está previsto que a primeira parte chegue aos cinemas em 2012. >> YAHOO – por EFE
A revista EW divulgou a 1ª foto da atriz Adrianne Palicki vestindo o que seria o novo uniforme da Mulher-Maravilha. Cliquem na imagem para ampliar.
Adrianne estrela a nova adaptação para a TV da heroína que surgiu nos quadrinhos, substituindo Lynda Carter, atriz que estrelou a única série (com atores) já produzida para a televisão.
O projeto da NBC está nas mãos de David E. Kelley, famoso por suas séries de tribunais, incluindo “Ally McBeal”. Se transformada em série, a história, segundo a revista EW, deverá ter uma abordagem mais séria do que aquela vista na década de 1970.
De acordo com a descrição oficial do projeto, a nova versão trará a heroína lutando contra o crime na cidade de Los Angeles, enquanto sua identidade secreta, Diana Prince, mantém uma vida agitada sendo uma executiva bem sucedida de uma grande corporação.
No elenco também estão Elizabeth Hurley, como a vilã da história, e Cary Elwes, como um dos colegas de Diana.
Esta é a segunda tentativa de se produzir uma nova série com a personagem. Na década de 1990, o sucesso de “Lois & Clark: As Novas Aventuras do Superman” levou a Warner a encomendar um roteiro escrito por Deborah Joy LeVine, responsável pela produção estrelada por Clark Kent.
David E. Kelley e Bill D’Elia, que já trabalharam juntos em “Justiça Sem Limites” e “O Desafio”, serão os produtores executivos da nova versão. O piloto, escrito por Kelley, será dirigido por Jeffrey Reiner, de “The Event”. A produção é da David E. Kelley Productions em parceria com a Warner Bros. Television. >> VEJA – por Fernanda Furquim
Steven Johnson já foi citado como um dos mais influentes pensadores do ciberespaço pelos periódicos Newsweek, New York Magazine e Websight. É editor-chefe e cofundador da Feed, premiada revista cultural on-line. Graduou-se em semiótica pela Brown University e em literatura inglesa pela Columbia University. A Zahar já publicou cinco de seus livros e em 2011 publicará mais um, aquele que o próprio autor, em conversa com Mariana Zahar na Campus Party de 2008 em São Paulo, disse para ela que “estou escrevendo o livro de minha vida”: De Onde Vêm as Boas Ideias.
A seguir a reprodução de uma entrevista dele para O Globopublicada em 14/11/2010 sobre esse novo livro. Os negritos são meus.
“O escritor americano Steven Johnson, especialista em destrinchar temas tecnológicos para o leitor comum, volta a chamar a atenção dos aficionados de ciência e tecnologia com seu livro “Where good ideas come from” (“De onde vêm as boas ideias”), lançado em outubro nos EUA e a ser lançado no Brasil pela Zahar em 2011. Ele desmistifica teses sobre a inovação, como a suposição de que grandes gênios têm ideias do nada depois de grandes momentos de silêncio e contemplação. Besteira. Inovação nasce do caos, diz o autor, um iconoclasta que defende as cidades como polos de produção de novas ideias e garante que nem sempre o dinheiro é o fator motivador de uma descoberta genial. O escritor é fã do jeitinho brasileiro de superar limitações e diz que nem sempre a pobreza restringe a inovação. E para quem não se considera um Einstein, Johnson dá seus conselhos. Primeiro, que as famílias estimulem seus filhos a cultivarem hobbies e atividades paralelas ao estudo. E que as pessoas sempre anotem suas ideias em uma espécie de diário. “Uma ideia que você teve há um tempo pode nem fazer muito sentido, mas quatro anos depois, diante de uma nova realidade, ela pode ser uma ótima ideia”.
O GLOBO: Muitas pessoas acham que inovação só é estimulada pela possibilidade de que ela renda dinheiro, uma tese da qual você discorda. Qual a motivação para inovação?
STEVEN JOHNSON: Há motivações múltiplas. Dinheiro é certamente uma delas, mas superestimamos o desejo por dinheiro ou até que ponto o marketing orienta a inovação. O problema com a inovação baseada em marketing é esse desejo de proteger sua ideia porque você quer fazer dinheiro com ela. O grande argumento contra isso é que as melhores ideias frequentemente vêm de processos colaborativos, de redes de ideias ou de criar em cima de processos e ideias já inventados por outras pessoas, de pegar emprestada uma ideia de outra pessoa e desenvolvê-la em outro campo, fazer algo completamente novo. E é essa propriedade de conectividade da inovação que você compromete quando tenta esconder e proteger ou isolar sua ideia. E é por isso que existe esta longa história de defesa de sistemas abertos, seja em universidades, seja em ciência experimental, seja na internet.
O GLOBO: Então a figura do gênio trabalhando isoladamente não existe.
JOHNSON: Há pessoas excepcionalmente inteligentes, mas elas raramente trabalham totalmente sozinhas. Os trabalhos são colaborativos. Em geral, quanto mais conectado você é, mais propenso a ter boas ideias, mas você terá mais chances de ter ideias verdadeiramente originais se estiver cercado de gente diferente de você, se tiver uma rede de influências supreendente. O ponto interessante do livro é justamente a importância da diversidade, não apenas a diversidade multicultural, mas a diversidade de interesses, como você ser um publicitário cercado de arquitetos, cientistas. As coisas que este amigo arquiteto diz podem acender uma centelha de ideia original para sua campanha publicitária. É melhor ser um gênio e, se você for um gênio, que bom para você, mas é melhor que você se coloque num ambiente de diversidade. Outra coisa: nós não perdemos muito tempo pensando no livro como uma ferramenta revolucionária do ponto vista da inovação, mas é um poderoso instrumento de mudança social ao guardar ideias e transmiti-las a outras ações, os antecessores do conhecimento transmitido em rede. ” Historicamente, as cidades são os grandes berços da inovação “
O GLOBO: E há ambiente ideal para que as ideias fluam?
JOHNSON: O problema com as empresas é que elas dedicam somente uma semana durante o ano em que todo mundo sai em retiro e tenta ser criativo e se reúne em sessões de brainstorming. Não há nada mais equivocado do que esta ideia de que um dia todo mundo vai ser mais criativo e, depois, volta todo mundo à rotina do trabalho. Se você quer realmente criar um processo de inovação permanente que percorra toda a empresa, um dos grandes modelos é o Google, onde os empregados dedicam 20% do seu tempo a inovação. É um tempo em que eles podem trabalhar em projetos paralelos vagamente relacionados às metas da empresa, e só o que é pedido é que eles se reportem uma vez por mês a seus superiores fazendo uma atualização do trabalho. O fato é que 25% das inovações geradas na empresa vêm destes 20% de tempo criativo. É um mecanismo poderoso dentro da organização.
O GLOBO: E em casa, nas famílias?
JOHNSON: Depende da estrutura familiar que você tem. Uma das coisas mais interessantes que eu descobri ao fazer os perfis das pessoas que estão neste livro é que quase todos possuem muitos hobbies. Uma das coisas que os pais podem fazer de bom para os filhos é dar o conselho: “Seja apaixonado por alguma coisa ou coisas. Envolva-se“. O processo mental de mergulhar realmente em algo, aquela sensação de que você precisa ter muitas informações sobre aquilo e conhecer profundamente, eu acho que isso é algo que os pais devem encorajar nos filhos.
O GLOBO: Em seu livro, você diz que as cidades são bons locais para a inovação. Por quê?
JOHNSON: Se ter boas ideias fosse apenas uma questão de achar um local quieto para pensar, meditar e ter grandes sacadas, a história da inovação estaria restrita a áreas rurais, onde estaria longe de todo o caos e das pessoas. Historicamente, as cidades são os grandes berços da inovação, não apenas pela quantidade, mas pela quantidade de ideias per capita. Apesar disso, as cidades são consideradas perturbadoras e difíceis para a concentração. Mas elas abrigam todo o conceito de caos criativo ao permitir as conexões de que já falamos, a interatividade com o diferente. Há algo nas cidades que te faz esbarrar em gente toda a hora, a ter conversas, tomar café e trocar ideias. As cidades também são excelentes na tarefa de criar subculturas, e as subculturas são importante motor de pensamentos criativos porque as pessoas estão ali trabalhando nos limites da sociedade ou fora dos limites. Acabam gerando novas ideias e novas abordagens de velhas ideias.
O GLOBO: Você acredita que haja alguma relação entre pobreza e inovação?
JOHNSON: Uma das coisas que são fundamentais para a inovação é tempo livre. Quando você está totalmente concentrado em completar seu trabalho, ganhar o contracheque, geralmente não tem tempo de se questionar sobre coisas. Aquela pergunta na linha: “Se eu fizesse isso, o que será que aconteceria?”. Em ambientes de muita pobreza é difícil encontrar situações onde haja tempo livre para questionamento. Por outro lado, recursos limitados em determinadas sociedades acabam forçando as pessoas a serem mais criativas. Mesmo nas favelas no Rio e em São Paulo, há coisas incríveis acontecendo em termos de inovação local, incluindo a falta de infraestrutura tradicional nestes locais e as maneiras muitas vezes ilegais em que tentam ter acesso a luz, água ou internet. Há forte elo de empreendedorismo nestes lugares, eles só não estão criando novo Google porque há pouca estrutura básica ainda.
O GLOBO: Existem políticas públicas que possam estimular a inovação?
JOHNSON: Certamente. Financiar pesquisa universitária é parte do que os governos podem fazer e é muito importante. Eu falo no livro sobre a abertura de informações de governo, de modo que as pessoas que não trabalham no governo possam criar produtos e serviços a partir destas informações. Também defendo os ambientes de trabalho compartilhados, como escritórios subsidiados pelo governo em que diferentes profissionais, de diferentes áreas, possam trabalhar juntos. São ambientes realmente inovadores.
O GLOBO: Há países emergentes exemplares em inovação? Fala-se muito em Coreia do Sul.
JOHNSON: Eu gosto muito do Brasil. Fico muito impressionado com o ambiente e a criatividade das pessoas, a maneira como elas adotam a internet, redes sociais, tecnologia da informação. Compraria papéis do Brasil agora, se pudesse. Muitos falam que alguns países não produzem de fato inovação, mas aproveitam ideias de outros países e aplicam em suas realidades, mas isso é muito bom e muito inovador. ” Uma das coisas que são fundamentais para a inovação é tempo livre “
O GLOBO: E você defende no livro que videogames são um tipo de exercício que estimula a inovação. Isso é polêmico.
JOHNSON: Eu defendo a maioria. Os melhores são os que estimulam a formulação de estratégias, não necessariamente os mais violentos. Os games são hoje muito mais complexos de se jogar do que os de quando eu era garoto e mesmo do que atuais programas estúpidos de TV. Como uma espécie de exercício mental, eles têm o seu lado bom.
O GLOBO: A China é muito boa na inovação em ciências exatas, mas fraquíssima em inovação em ciências humanas. Isso tem a ver com o regime autoritário?
JOHNSON: Não sei responder a essa pergunta. Nos EUA, onde temos uma cultura forte de empreendedorismo, gente com 25 anos está abrindo suas próprias empresas. Ao mesmo tempo, temos uma sociedade de consumo sempre disposta a testar novas coisas e novidades, como Twitter ou iPads. Então penso que você tenha que ter as duas coisas para ser bem sucedido como país: um ambiente em que as pessoas tenham espaço para inovar e criar e gente com coragem de consumir essas novidades. Se você tem um, mas não tem o outro, então você tem um problema e acho que parte do problema da China vem daí. Mas eles fizeram tanto progresso em tão pouco tempo que a cópia é uma forma de queimar etapas, neste sentido, quando se moderniza nessa velocidade. Não ficaria surpreso em ver a China como realmente criativa no curto prazo, como aconteceu com o Japão.
O GLOBO: Muita gente no Brasil acha que a internet é um desserviço em termos de estímulo à inovação porque ela afastaria as pessoas do que realmente interessa, fazendo-as perder tempo com bobagem ou sobrecarregando-as de informações. O que você pensa disso?
JOHNSON: A internet certamente nos faz mais sobrecarregados de atividades. Mas se você é do tipo que consegue manter o foco, então os benefícios são enormes, como o leque de conversações agora possíveis e a troca de informações advindas daí. Se alguém inventasse uma internet com toda a conexão, sem a distração, seria ótimo, mas isso não existe. O fato é que as pessoas precisam organizar o seu espaço mental para manterem o foco no que interessa. Muita gente critica os tablets dizendo que são piores que os aparelhos de leitura eletrônica, tipo e-readers, porque permitem que as pessoas façam várias atividades ao mesmo tempo, como ler e navegar na rede e, portanto, diminuiriam o prazer da leitura pura. Não concordo. Ainda assim, a distração é compensada pelos enormes benefícios. É claro que há uma sobrecarga de informações, mas eu, de um modo geral, me sinto mais capaz de captar e administrar muito mais informações do que há dez anos, e isso é um benefício. Seguir essas vozes diferentes em redes sociais ou por email ou mensagem instantânea, tudo isso me faz mais criativo no fim das contas. Até achar um livro, comprá-lo e lê-lo é hoje muito mais fácil e rápido, e isso é bom.
O GLOBO: Quais as dicas para se tornar mais inovador no seu dia a dia?
JOHNSON: Uma boa dica é anotar suas ideias num bloquinho e guardar aquilo, relendo-as de quando em quando. Uma ideia que você teve há um tempo pode nem fazer muito sentido, mas quatro anos depois, diante de uma nova realidade, ela pode ser uma ótima ideia.
Enquanto De Onde Vêm as Boas Ideais não chega, segue um breve resumo (retirados do site da editora) de seus outros livros cinco livros já publicados pela Zahar:
Cultura da Interface: como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar “Neste livro Johnson supera a tradicional divisão entre cultura e tecnologia ao retomar o cruzamento histórico desta com a arte. Além disso, mostra como a interface do ciberespaço influencia a vida moderna e reflete suas principais características. Inovando, Johnson compara o papel do design tecnológico ao dos romances do século XIX: tornar as mudanças da sociedade compreensíveis para quem as vive. A nova linguagem visual é apenas uma maneira de tornar mais acessível a complexa rede de informações ao nosso alcance.”
Emergência: a dinâmica de rede em formigas, cérebros, cidades e softwares Este é um livro fantástico, cuja leitura recomendo com ênfase. Foi melhor Livro do Ano da Esquire e Livro Notável do New York Times. “O que têm um comum um formigueiro, o cérebro humano, as cidades e os modernos softwares? Todos são exemplos de sistemas auto-organizados que privilegiam as sequências, em detrimento da lógica, e nos quais se dispensa a presença de um controle centralizado para haver ação. Surgem de um nível de elementos relativamente simples em direção a formas de comportamento mais sofisticados e por isso são chamados sistemas emergentes. Por meio de uma breve história de tais sistemas, Steven Johnson analisa pioneiros e pensadores que contribuíram para a construção dessa teoria, seja no terreno da biologia, da biofísica, do urbanismo ou do design de softwares. Além disso, esboça a gênese do comportamento emergente, que compreende desde crianças habilitadas para o controle mediado dos novos softwares até grupos de protesto que dispensam lideranças, a exemplo dos movimentos antiglobalização. Apoiado na analogia entre mundo biológico e cultural, o autor antecipa o que seria uma revolução interativa, na qual o controle da tecnologia mudaria das mãos dos engenheiros de softwares para os usuários dos sistemas.”
O Mapa Fantasma: como a luta de dois homens contra o cólera mudou o destino de nossas metrópoles “Londres, 28 de agosto de 1854. Este irresistívelthriller científico conta a história de uma epidemia de cólera que se espalhou pelos arredores da cidade, matando mais de 500 pessoas em apenas dez dias. Dois homens iniciariam uma jornada em busca do mal causador da praga. Contra a mentalidade científica da época e a opinião geral, apontaram a água como o principal veículo transmissor. A partir de então, dejetos humanos e água potável passaram a seguir caminhos distintos. A descoberta mudou a história e possibilitou o desenvolvimento das grandes cidades.”
De Cabeça Aberta: conhecendo o cérebro para entender a personalidade humana “Numa mistura de reportagem, relato pessoal e pesquisa, Steven Johnson descreve como o cérebro humano funciona – suas substâncias químicas, estruturas e atividades de rotina – e como isso se relaciona com a nossa vida cotidiana. O autor acredita que aprender a respeito da mecânica cerebral pode aumentar nossa percepção sobre nós mesmos. Em De cabeça aberta, Johnson experimenta os conhecimentos em si próprio. Ele participa de uma bateria de testes de atenção, aprende a controlar um videogame alterando suas ondas cerebrais e submete seu cérebro a um exame de ressonância magnética funcional. Tudo em busca de uma resposta para uma das questões mais antigas da humanidade: quem sou eu? O autor ainda explica qual a química cerebral por trás do amor e do sexo e revela como interpretamos atos e sentimentos das pessoas com as quais convivemos.”
A Invenção do Ar: uma saga de ciência, fé, revolução e o nascimento dos Estados Unidos “Com prosa elegante e raciocínio arguto, o autor faz o link entre inovações do passado e revoluções do presente. Essa é uma saga que vai do interior da Inglaterra aos recém-criados Estados Unidos; de experimentos feitos na pia da cozinha a multidões enlouquecidas destruindo laboratórios; da celebração de um homem como cientista à sua execração como teólogo. Seguindo o modelo de seu best-seller O Mapa Fantasma, Johnson integra aqui a vida e os feitos do pensador britânico Joseph Priestley em uma extensa história. Gramático, divulgador científico, químico, físico, inventor, teólogo, teórico político, grande amigo de Benjamin Franklin e referência espiritual de Thomas Jefferson, Priestley – segundo o autor – é “a coisa mais próxima de um herói”. Ao descobrir que as plantas consomem gás carbônico e produzem oxigênio, esse “herói” do século XVIII não apenas ajudou a “inventar” o ar, como mudou a nossa forma de viver e pensar.” >> LIVROS, LIVRARIAS E LIVREIROS – por Jaime Mendes
“Laranja Mecânica” (“A Clockwork Orange”, 1971), de Stanley Kubrick, completa 40 anos em 2011. O filme, que retrata uma sociedade futura onde a violência se generalizou, é uma das obras máximas do diretor americano e ganhará uma edição comemorativa em blu-ray, que chega ao mercado (nos EUA) no final de maio.
O pacote traz dois discos com material inédito sobre a produção, o documentário “Turning Like Clockwork” (25 min.), um longo depoimento do ator Malcom McDowell, protagonista do filme no papel do perturbado Alex DeLarge, o documentário “Still Tickin’: The Return of Clockwork Orange” e um making of.
Baseado em novela homônima de Anthony Burgess, “Laranja Mecânica” traz uma linguagem inventada, o “nadsat”, espécie de gíria que mistura inglês e russo e é utilizada pelas gangues de adolescentes na trama. O livro apresenta ainda o termo “ultraviolence” (“ultraviolência” na tradução brasileira), uma forma extrema de violência gratuita praticada pelo protagonista, sua única fonte de prazer.
O título “A Clockwork Orange” encerra um trocadilho encriptado e intraduzível. A palavra “orange” faz alusão a “órang”, “homem” em malaio (mesma raiz da palavra “orangotango). Segundo o próprio autor explicou em um ensaio, o título evoca “uma entidade orgânica, cheia de caldo e doçura e perfume, que é transformada em um autômato”.
Tanto o livro quanto o filme são uma fonte inesgotável de inspiração para o pop. Artistas tão diversos como David Bowie, Kylie Minogue, Lady Gaga e Cavalera Conspiracy já fizeram menção a personagens ou passagens da obra, em suas músicas e clipes.
E se você é fã de “Laranja Mecânica, não deixe de assitir também ao filme “If….” (assim mesmo, com quatro pontinhos), também estrelado por McDowell e considerado uma referência para Kubrick em sua adaptação cinematográfica.
“A Clockwork Orange 40th Anniversary Edition” chega às lojas dos EUA no dia 31 de maio, por US$ 34,99. >> UOL – por Antonio Farinaci
A Warner Bros., juntamente com a Alcon Entertainment, pretende produzir sequências e pré-sequências para o clássico de ficção científica “Blade Runner – O Caçador de Andróides”, de 1982. Recentemente, a Alcon, que pertence à Warner, adquiriu os direitos do filme.
Os representantes da Alcon, Andrew Kosove e Broderick Johnson, responderam de maneira bem vaga sobre o que pretendem fazer com as possíveis sequências do filme.
- Realmente não sabemos ainda. Nós passaremos por um processo no qual vamos ouvir diferentes ideias de roteiristas e de potenciais diretores antes de definir algo – disse Kosove.
Sobre possíveis diretores, Kosove cita Chistopher Nolan, famoso por “Batman – O Cavaleiro das Trevas”.
- [Queremos] Nosso amigo Chris Nolan com quem fizemos “Insônia”. A metodologia que Chris trouxe para “Batman” é precisamente o que nós queremos de um cineasta – explicou.
Fala-se ainda em pré-sequências, que contariam a história acontecida antes daquela que se passa no primeiro filme. “Blade Runner” se passa no ano de 2019 e traz Harrison Ford como o protagonista, cuja missão é caçar replicantes, robôs que tentam se passar por humanos. >> O REPORTER – por Felipe Rocha
O canal BBC3 anunciou a renovação da série criada por Toby Whithouse, “Doctor Who” e “Torchwood”.
A quarta temporada de “Being Human” terá oito episódios, com previsão de estreia para 2012, na Inglaterra. A história dará continuidade à trama do ponto em que ela parou, introduzindo novos personagens.
Produzida pela Touchpaper Wales, “Being Human” vem se tornando uma produção cultuada entre seu público alvo, que compreende a faixa etária entre 16 e 34 anos.
A terceira temporada registrou a maior audiência da série até o momento, com cerca de 1.8 milhões de telespectadores (somada a exibição ao vivo, reprises e disponibilização de episódios em novas mídias).
Em função disso, o canal decidiu exibir no dia 20 de março a webserie “Becoming Human“, que já foi disponibilizada na Internet, registrando cerca de 1.5 milhões de telespectadores até o momento.
Se a psico-história, campo científico inventado pelo escritor Isaac Asimov na série Fundação, existisse, ela forneceria cenários positivos sobre a atual produção brasileira de ficção científica (ou FC, como abreviam os fãs). Os autores, muitos deles jovens, caminham em terreno inconsistente: publicam por editoras que não pertencem ao mainstream (como Devir, Draco e Tarja Editorial), priorizam ficções breves (contos e antologias colaborativas) e carecem de leitores realmente interessados em títulos nacionais.
Mas a quantidade de material é grande. “Se não é por demanda do público, a literatura pode crescer por oferta. E há uma oferta de autores e livros que leva a um esforço para conquistar espaço nas livrarias e chamar a atenção de leitores potenciais”, justifica Roberto de Sousa Causo, escritor e crítico que milita pela FC desde 1983, quando participava de fanzines.
Por enquanto, William Gibson, Philip K. Dick, Arthur C. Clarke — traduzidos pelos selos Aleph e Rocco — e outros nomes clássicos são presença esmagadora nas estantes. Segundo explica Causo, temas caros a escritores internacionais (de hegemonia anglófona) são geralmente preteridos pelos brasileiros. “Os autores não se sentiam na obrigação de seguir exatamente técnicas e visões de mundo cientificistas que a ficção internacional apresentava. No momento atual, persiste uma falta de intimidade do brasileiro com o tema científico. É comum que elementos de horror ou fantasia sejam introduzidos numa história com tema de ficção científica”, analisa o especialista, editor de antologias de contos e novelas brasileiros pela Devir e de uma coluna dedicada ao assunto no portal Terra Magazine.
Mesmo minúscula se comparada ao cânone de língua inglesa, a FC brasileira é peculiar e consegue acompanhar tendências estrangeiras, como os subgêneros new weird (aliança com fantasia e horror) e steampunk (retrofuturismo ambientado na época da tecnologia a vapor). O momento é de renovação: reedições de escritos fundamentais — como Duna (Aleph), de Frank Herbert — e novidades nacionais. Títulos contemporâneos que têm feito sucesso lá fora pouco a pouco chegam aqui, como obras do norte-americano Jeff VanderMeer (A situação, em pré-venda pela Tarja) e do inglês China Miéville, em breve pela mesma editora. “O que acontece agora é um recomeço. A dificuldade é essa: como promover no Brasil um gênero que ainda está se encontrando, quando o mercado não se manteve atualizado com as transformações internacionais”, completa Causo.
O diplomata Hélio Franchini Neto escolheu a capital futurista para viver em 2004 e lançou seu livro de estreia, Distopia
- Distopia, de Hélio Franchini Neto
“Se foi! Tiros e explosões! O que o Sr. ouviu foi uma daquelas idiotices comuns aos libertaristas, mais uma tentativa isolada de algum exagerado, que acreditou poder resolver esse impasse antigo com apenas um fuzil e meia dúzia de granadas. Morreu ninguém além do atacante. Dois feridos, um deles perdeu a perna com aquela segunda granada. É meio horripilante mesmo ver aquele sangue todo jorrando. Coisas da guerra. A gente se acostuma com tudo, juro. Antigamente, eu não conseguiria nem olhar um cortinho qualquer. E o cheiro dos medicamentos e ataduras, misturado ao ferroso do sangue, credo! Hoje, nem sinto mais.
Não sei como os sensores não indicaram a aproximação do defunto. Dizem que eles captam tudo, mas sempre tem um que consegue enganá-los. Toda criação humana, como qualquer uma dessas máquinas, leva consigo o risco de se ver ultrapassada por outro raciocício inventivo. Nenhuma tecnologia é páreo para uma ou umas cabeças intransigentes. Isso já haviam pontificado desde tempos muito antigos, por um tal Hobbes.”
– Assembleia estelar: histórias de ficção científica política, editado por Marcello Simão Branco
“O fato é que o gênero guarda uma relação de afinidade com a política por três motivos. Primeiro, porque temas de caráter político se fazem presentes, ainda que de forma indireta, nos enredos e na caracterização das sociedades em uma história. Em segundo, porque a política é uma das atividades mais presentes, seja em seu contexto próprio (ideologias, instituições, processos de decisão), seja nas pequenas decisões políticas, que realizamos em nosso relacionamento pessoal, social e profissional.
Uma das máximas da FC é que ela é a literatura da mudança. Ela foge do chamado realismo — menos no sentido escapista e mais no sentido crítico –, na medida em que lida com as transformações científico-tecnológicas e seus impactos sociais, comportamentais e políticos. Ray Bradbury, um dos maiores autores norte-americanos do gênero, é incisivo ao defender que a FC tem por função precípua evitar futuros possíveis, ao indicar onde podemos estar errando nos caminhos que levarão ao futuro.”
– Os melhores contos brasileiros de ficção científica, editado por Roberto de Sousa Causo
“A ficção científica é a literatura esquecida do século XX no Brasil. Poucos se lembram que algumas das figuras mais importantes das letras nacionais a exercitaram. Uma das razões do esquecimento talvez esteja no fato de que muitas dessas aventuras no terreno da “literatura de mudança” se constituam em textos menores, dentro das obras grandes nomes. O presidente negro ou o choque das raças (1926), o único romance escrito por Monteiro Lobato (1882-1948), é um livro que os seus cultores e estudiosos preferem esquecer — claramente inspirado em H.G. Wells (1866-1946), é uma apreciação do futuro de 2228, momento da ascensão de um candidato negro à presidência dos Estados Unidos. O romance é uma espécie de libelo em favor da política racial norte-americana — então de claro apartheid –, que o autor percebia como tensão a impulsionar esse país rumo ao progresso e ao dinamismo social, que já o caracterizavam no início do século XX. Segundo Lobato, fenômeno exatamente contrário ao racismo mulato do Brasil, que atirava o país na indolência — indolência que se constata, aliás, no fato do único brasileiro no livro ser hóspede do cientista estrangeiro e de sua filha, os “Bensons”. No romance, o brasileiro apenas observa o futuro dos outros, através do “porviroscópio” criado pelos estrangeiros.”
Os pioneiros
Os primeiros textos nacionais datam do século 19, quando a ficção científica como vertente literária ainda engatinhava: narrativas com elementos místicos, folclóricos e espirituais, como O doutor Benignus (1875), do português naturalizado brasileiro Augusto Emílio Zaluar, seriam inconcebíveis em obras de Júlio Verne e H.G. Wells, por exemplo. É considerado o livro inaugural do gênero no país. Causo indica a utopia urbana Zanzalá (1928), de Afonso Schmidt. Outra dica, de inspiração tropical: A Amazônia misteriosa (1925), de Gastão Cruls, “um romance de um mundo perdido”. Ele também recomenda A filha do Inca (1930), de Menotti Del Picchia. A obra narra a jornada exploradora de militares na serra do Caiapó, no planalto central: os viajantes deparam com descobertas científicas incríveis.
Uma boa quantidade de clássicos pode ser lida em títulos da Pulsar, selo de FC da editora Devir. Causo editou os volumes Os melhores contos brasileiros de ficção científica — com uma história de Machado de Assis — e uma cotinuação, com o subtítulo Fronteiras — presença de Lima Barreto e Lygia Fagundes Telles. Ele prepara antologia de novelas e noveletas, com reedição de Zanzalá. Outro lançamento importante, não necessariamente de textos canônicos, é Assembleia estelar: histórias de ficção científica política, compêndio internacional organizado pelo cientista político e jornalista Marcello Simão Branco. >> CORREIO BRAZILIENSE – por Felipe Moraes
Esta semana, em Strange Horizons, apresentamos mais um autor, como o fazemos periodicamente, esta edição traz o romancista, poeta e crítico Thomas M. Disch. Em sua carreira de quase 40 anos, Disch distinguiu-se como um dos escritores mais originais e versáteis surgidos do movimento New Wave da ficção especulativa, que transformou o gênero na década de 60. Ele é mais conhecido no mundo da FC por dois romances, Campo de Concentração e 334, assim como outros, muitas vezes de contos satíricos. Ele também escreveu poesia, horror e críticas teatrais.
Meu primeiro encontro com o trabalho de Disch foi na coleção de Samuel R. Delany, Jewel-Ringed Jaw; e a admiração de Delany por Disch levou-me às suas histórias e romances. Wings of Songs é provavelmente o meu romance favorito de Disch, embora também seja muito afeiçoado a The Genocides. Fiquei encantado pela oportunidade de falar com ele ao telefone em sua residência em Nova York, sobre sua vida e carreira.
David Horwich: Vamos começar pelo seu início. Quando começou a escrever?
Thomas M. Disch: Há sempre um começo? Lembro-me no jardim de infância em Minneapolis, com Dennis White, meu melhor amigo naquela idade, contando-lhe histórias sobre Ronald Rabitt. Era uma série de aventuras. Essas são as primeiras histórias que eu lembro de ter contado, mas quem sabe que histórias eu contei aos meus pais? Contar histórias era absolutamente natural para mim. É minha maneira de me relacionar com as pessoas, eu acho.
Então, você sempre foi de contar histórias. Quando você começou a escrevê-las?
Eu suponho que eles me pediram para fazer esse tipo de coisa na escola, eu não me lembro das histórias que escrevi. Tinha blocos cheios, mas não de histórias, de enredos imitando Asimov, inspirados em The Caves of Steel . Eu descobri a ficção científica, e pensei, oh sim! Civilizações galácticas em conflito umas com as outras! Então enchi ca
A partir de agora estão iniciadas oficialmente as atividades do Grupo Polígrafos. Para quem não sabe, o grupo receberá inscrições de interessados em estudar e analisar a literatura policial nacional e internacional, bem como formar novos autores para atuarem com esse gênero.
O primeiro passo será levar para o público o workshop LITERATURA POLICIAL E DETETIVESCA – ESTUDO E DESENVOLVIMENTO DA ESCRITA PROFISSIONAL, com duração de seis sábados e começo confirmado para o dia 26 de março agora.
A oficina tem o objetivo de aproximar o interessado em conhecer mais sobre este que é um dos gêneros mais lidos e discutidos da literatura mundial com o sistema de produção de histórias.
Total de 12 horas, 25 vagas, a partir de 18 anos. Inscrições até 18 de março. Aulas aos sábados, das 14h às 16h, a partir de 26 de março, na Biblioteca Viriato Corrêa (Rua Sena Madureira, 298 – Vila Mariana – 04021-050 – São Paulo, SP / Tel.: 11 5573-4017 e 11 5574-0389).
Lá serão lançadas as inscrições para o grupo, que terá blog oficial, twitter, lista de discussão e encontro a cada seis meses para exibição de vídeos, seriados, mesas redondas e outras atrações.
Os dois melhores alunos serão convidados a publicar seus textos em antologias sem pagar nada por isso. Por isso é importante a frequência às aulas para garantir que consigam o intento.
O próximo volume de Jogos Criminais, da Andross, já será uma co-produção entre a editora e o Polígrafos.
O Polígrafos terá encontros constantes em bibliotecas, centros culturais e livrarias, além de contato com editores e autores e dará todas as orientações para que o inscrito consiga adentrar neste meio.
Assim provamos que não é apenas a literatura fantástica que conquista os leitores. Inclusive no workshop será discutido o chamado “policial fantástico” e os meios para trabalhar esta tendência.
Curioso? Comente aqui neste blog ou mande mensagem no twitter para @spereirac2. Outras surpresas estão para acontecer e serão divulgadas com o tempo. Fique ligado!
Mais de 15 anos depois do surgimento
do Jornalismo em Quadrinhos,
uma nova safra internacional de HQ-repórteres
mostra que o gênero chegou para ficar.
Eis a breve história do Jornalismo em Quadrinhos. Em 1992, quando Art Spiegelman recebeu o prêmio Pulitzer (até então concedido apenas a trabalhos jornalísticos) por sua obra Maus, o livro ficou conhecido como uma das primeiras experiências de reportagem em quadrinhos. Trata-se de um relato autobiográfico sobre como os pais do autor sobreviveram ao Holocausto.
No entanto, foi um jornalista maltês o responsável por dar nome ao que estava surgindo: em meados da década de 1990, com a publicação de Palestina, Joe Sacco criou a expressão “Jornalismo em Quadrinhos” (JQ). Desde então, Sacco continuou desenvolvendo seu trabalho pioneiro, publicando livros-reportagens sobre conflitos na Bósnia e na Faixa de Gaza.
“Joe Sacco é, desde o princípio e até hoje, o ‘super-herói’ da reportagem em quadrinhos”, diz Jens Harder, quadrinista alemão. Segundo ele, Sacco reina solitário como o principal HQ-repórter em atividade, “porque trabalha com muita seriedade e ambição e porque pega pontos centrais da vida social e política e põe sob uma lupa”.
Sacco, porém, não é o único, tampouco o primeiro. Como relata o brasileiro Aristides Dutra, pesquisador do tema: “Em 1988, a editora e roteirista de quadrinhos Joyce Brabner produziu um livro–reportagem em quadrinhos chamado Brought to Light. Como não havia ainda um nome para esse conceito, o livro foi apresentado como um graphic docudrama”. Antes disso, em 1986, O fotógrafo francês Didier Lefèvre passou dois meses no Afeganistão, acompanhando uma expedição da organização Médicos Sem Fronteiras. As fotos feitas por ele originaram mais tarde a obra Ofotógrafo, uma reportagem em quadrinhos publicada no Brasil em três volumes.
Essas são, até hoje, as principais referências. Agora, uma nova geração vem dar continuidade a essa história.
OS NOVOS HQS-REPÓRTERES
“Sempre tive a ideia de fazer quadrinhos de não ficção ou algo mais literário, mas foi só no ano 2000, quando li Palestina, é que me dei por conta do que era possível fazer com os quadrinhos.” O relato é do HQ-repórter Dan Archer. Ele mora na costa oeste dos Estados Unidos, de onde atualiza o site www.archcomix.com. Ali, publica suas reportagens sobre questões políticas e sociais dos Estados Unidos e da América Central.
Outro norte-americano, Matt Bors, começou a trabalhar efetivamente com JQ só em 2010, após uma viagem ao Afeganistão. Foi, porém, amor à primeira vista: “Algumas pessoas trabalham com prosa ou vídeo; minha mídia é o quadrinho. Esse é o modo como penso e como quero criar”, conta. Tudo aconteceu rapidamente para Bors, que hoje é editor do site Cartoon Movement (www.cartoonmovement.com). Junto com outros dois profissionais radicados em Amsterdã, Bors publica na internet trabalhos de HQ-repórteres de diversos países.
Na Alemanha, em 1999, seis estudantes da Faculdade de Artes fundaram o grupo Monogatari. Eles queriam unir forças para desenhar, discutir interesses em comum e também publicar suas obras. Dessa união surgiram dois projetos de JQ. Em 2001, o primeiro: Alltagsspionage, com reportagens sobre Berlim. O livro gerou repercussão e, em 2004, o grupo foi convidado a fazer reportagens na Basileia, na Suíça, dando origem à coletânea Operation Läckerli.
O tempo passou e os integrantes do Monogatari seguiram seus próprios rumos. Um deles, porém, continuou trabalhando com JQ. Em 2005, o Goethe-Institut de Tel Aviv, em Israel, convidou Jens Harder para coordenar um projeto de intercâmbio entre quadrinistas israelenses e alemães. Surgiu daí o livro de reportagens em quadrinhos Cargo.
Em diversas partes do mundo, outros projetos vêm à tona, indicando uma provável tendência. Em 2008, um inusitado intercâmbio entre quadrinistas da Suíça e da Índia resultou na obra Kulbhushan trifft Stöckli. Já na França, em 2007, a editora Futuropolis publicou um livro em comemoração aos 20 anos da Radio France. Le jour où… reconta em quadrinhos 20 acontecimentos importantes da história da humanidade. Participaram do álbum nomes consagrados do quadrinho mundial. Entre eles, claro, Joe Sacco.
ONDE PUBLICAR?
Os quadrinhos sempre estiveram presentes nos jornais, seja com a publicação de charges e tiras, seja no uso da linguagem em infográficos ou reconstituição de crimes. Só muito recentemente, porém, alguns veículos começaram a abrir outras portas.
Em 2007, o jornal baiano A Tarde publicou uma reportagem em quadrinhos de 30 páginas sobre a história do movimento estudantil na Bahia. Nesse mesmo ano, uma edição da Folha de S. Paulo apresentava uma reportagem de Joe Sacco feita no Iraque. Em 2009, o jornal Correio Braziliense veiculou uma reportagem em quadrinhos sobre o tráfico e o consumo de crack em uma favela de Porto Alegre. Um ano depois, aFolha de S. Paulo enviou um jornalista para cobrir o festival de quadrinhos de Angoulême, na França, e o relato foi feito em quadrinhos. Também em 2010, a revista Caros Amigos publicou uma reportagem em quadrinhos sobre a Bolívia.
A maioria das reportagens feitas até hoje é sobre situações políticas ou conflitos bélicos. São poucas as exceções, como a já citada cobertura do festival de Angoulême. Em 2010, porém, o gênero prestou serviço duas vezes à editoria de esportes. Em outubro, o portal Globo.com publicou uma reportagem em quadrinhos sobre a conquista do tricampeonato mundial de vôlei pela Seleção Brasileira masculina, na Itália. Poucos meses antes, a Continuum, revista de cultura e arte do Itaú Cultural, fez uma edição sobre futebol que continha, entre outras matérias, uma reportagem em quadrinhos sobre o Esporte Clube Juventude, de Caxias do Sul, RS.
Apesar de essa quantidade de publicações indicar uma efervescência do JQ, esses ainda são casos isolados. Muitos jovens candidatos a HQ-repórter só conseguem publicar em veículos experimentais. É o caso da revista Fraude e do Projeto Vanguarda, ambos da Bahia. Em Natal, Rio Grande do Norte, a revista Catorze abre espaço em seu site (www.revistacatorze.com.br) para reportagens desse tipo.
Há quem acredite que a viabilidade do JQ está na criação de veículos segmentados, como o já citado site Cartoon Movement. Outro exemplo é a revista Mamma (www.mamma.am), publicação de um grupo de HQ-repórteres na Itália. Tem também a francesa XXI, que toda edição traz uma reportagem nesse formato.
Mas há quem esteja ousando mais. Em 2009, a empresa japonesa KaBa Net anunciou ser o primeiro site a fazer mangás jornalísticos diários (no www.newsmanga.com, em japonês). E tem também o jornal argentino La Nación, que semanalmente envia o quadrinista Liniers para fazer entrevistas em quadrinhos com personalidades do país.
UM FENÔMENO QUE SE ALASTRA
Se o JQ começa a ser mais praticado e publicado, isso se deve, principalmente, à divulgação. No Brasil e no mundo, surgem eventos para discutir essa nova forma de fazer jornalismo. Em Paris, ocorreu entre dezembro de 2006 e abril de 2007 a exposição BD Reporters (BD é a sigla para a expressão francesa bandes dessinées, ou seja, histórias em quadrinhos). Foram expostos trabalhos de 25 quadrinistas.
Em 2010, na Itália, ocorreu a 6ª edição do Komikazen, festival de quadrinhos baseados na realidade. No mesmo ano, Porto Alegre sediou o I Encontro Internacional de Jornalismo em Quadrinhos, uma parceria do Goethe-Institut com a Feira do Livro da capital gaúcha.
E vem mais por aí. Carlo Gubitosa, membro da revista Mamma, diz: “Estamos, atualmente, organizando um painel sobre JQ dentro de um evento internacional sobre jornalismo, que ocorrerá na cidade de Perugia, na Itália, em abril”.
Essa inserção ocorre também nas universidades. A cada semestre, em todo o Brasil, a maioria das faculdades de Jornalismo conta com pelo menos um estudante de graduação pesquisando sobre o tema em seu trabalho de conclusão de curso. Em maio de 2011, a Pontifícia Universidade Católica (PUC-RS), em Porto Alegre, oferecerá um curso de extensão sobre como fazer reportagens em quadrinhos. E já existe, na internet, um grupo online de discussão sobre o tema, que tem 70 membros espalhados por todo o país.
Aristides Dutra foi o primeiro a estudar o JQ em nível de Mestrado. Em sua dissertação, defendida em 2003, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Dutra estudou as origens do gênero. No início do século 19, o pintor espanhol Goya já retratava visualmente uma história real com a série de seis quadros intitulada Fray Pedro de Zaldivia y El bandido Maragato. Há também o caso do pintor Constantin Guys, provavelmente o primeiro HQ-repórter, como conta Dutra: “Ele trabalhava para o jornal inglês Illustrated London News como ilustrador e foi enviado como correspondente para cobrir a Guerra da Crimeia (1853-56). Ele produzia desenhos nos próprios locais, durante ou após os eventos importantes, e os enviava a Londres, onde eram então transformados em xilogravuras e impressos no jornal”.
O FUTURO DO JORNALISMO
Engana-se quem pensa que, para trabalhar com JQ, tem de saber desenhar. Basta que o jornalista conheça as vantagens e desvantagens da linguagem, de forma a orientar o trabalho do quadrinista.
Dan Archer diz que uma das virtudes do gênero é “a habilidade de condensar notícias áridas em uma forma visualmente atraente e fácil de compreender”. Ele lista outras vantagens: “Colocar o leitor dentro do personagem, ver os acontecimentos sob sua perspectiva; colocar visualmente lado a lado fatos sobre um mesmo evento, ou mesmo sobre dois períodos distintos; e incorporar elementos como diagramas e gráficos no contexto da narrativa”.
Carlo Gubitosa diz que “uma entrevista misturando texto, imagens e quadrinhos pode levar você mais perto do entrevistado; uma reportagem sobre lugares em que nenhuma câmera consegue ir (como zonas de guerra) pode ganhar uma ‘vida gráfica’ só com a ajuda dos quadrinhos”. Nas palavras de Jens Harder: “Nos desenhos, pode-se combinar informações de fundo extremamente abstratas com alta densidade emocional”.
Trata-se, em verdade, de uma linguagem cuja aplicação no jornalismo ainda está sendo testada, explorada. Como diz Gubitosa: “Nós não temos como imaginar no que o JQ vai se transformar nos próximos cinco anos, e isso é parte de nosso entusiasmo: nós nos sentimos como pioneiros em uma nova fronteira, olhando para o horizonte”.
Será esse então o futuro do jornalismo? Em primeiro lugar, há que entender que fazer quadrinhos é um processo lento, o que torna difícil levar o JQ para as redações de jornal. Archer, no entanto, acredita que “os quadrinhos estão abrindo os olhos das redações para quem quer revigorar as suas formas de oferecer notícias, atraindo, assim, uma audiência mais jovem, e apresentando histórias jornalísticas de um novo ângulo”. Mas como pagar por isso? Citando o caso do Cartoon Movement, Matt Bors sugere que essa pode ser uma conta com resultado positivo: “Neste exato momento, nós somos financiados por alguns investidores e por incentivos públicos, tendo o objetivo de tornar o negócio lucrativo.” E finaliza: “Não diria que é o futuro do jornalismo, mas, sim, uma parte dele, uma parte que está crescendo”. >> REVISTA CULTURA – EDIÇÃO 44 – MARÇO 2011 – por Augusto Paim
As histórias em quadrinhos no Brasil estão deixando de ser vistas apenas como forma de entretenimento e diversão infantil. Cada vez mais estudos acadêmicos abordam o fenômeno das HQ´s sobre várias perspectivas com importância social, cultural e econômica. Monografias, dissertações e teses vêm sendo desenvolvidas nas mais diversas áreas da Comunicação, das Ciências Sociais, da Literatura e Lingüística, Educação, entre outras. Políticas públicas que valorizam e estimulam a aplicação e uso das histórias em quadrinhos na sala de aula são implementadas. O número de Quadrinhos Nacionais ganha mais espaço nas bancas e livrarias. Surgem colunas especializadas nos jornais e revistas, programas de TV, adaptações para o Cinema, a TV e até para o Teatro. Os quadrinhos estão se consolidando como a linguagem deste novo século. Esta importância social tem fornecido muitos objetos de pesquisa que muitas vezes precisam ser adaptados pelos pesquisadores com o intuito de divulgá-los nos congressos, simpósio e colóquios das suas respectivas áreas.
O objetivo do evento é reunir os pesquisadores que se dedicam a estudar o fenômeno das Histórias em Quadrinhos nas mais diversas modalidades e áreas e os temas paralelos como Desenhos Animados, Ilustração, Role Playing Games (RPG), e ainda, os movimentos urbanos como os Cosplays, as práticas de Dublagem, a produção de Fanfics e Fanzines, e as adaptações destas produções para outras linguagens como a TV, Teatro e o Cinema. Com isto em vista e com a carência de espaços de discussão na Região Nordeste, propomos a realização do I Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos e Cultura Pop.
O evento estará se realizando no mês de julho dentro do “Super-Con”, a Super Convenção, a maior convenção de Cultura Pop do Estado de Pernambuco e adjacências (também é realizado na Paraíba). O evento reúne os fãs de Animes, Mangás, Quadrinhos de Super-Heróis, Dublagem e outras atividades, no centro de convenções da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. A idéia é permitir aos participantes não só o espaço acadêmico de reflexão e apresentação das pesquisas, mas vivenciar o próprio ambiente de análise.
Todos os interessados em participar, podem propor atividades como Mesas-redondas, Grupos de Trabalho (GT´s) e Comunicações Livres deverão enviar (por email para: encontrohq@gmail.com) a ficha de inscrição e um resumo de sua proposta, conforme os critérios de regulamentação até 14/04/2011, para a avaliação por parte da Comissão Científica e posterior publicação nos Anais do Evento.
Solicitamos gentilmente a todos a divulgação do evento.
Em abril do ano passado, a Mythos anunciou que lançaria, no segundo semestre de 2010, uma coleção baseada na série Eerie Archives, publicada nos Estados Unidos pela Dark Horse e que figurou na lista dos mais vendidos do jornal New York Times.
Depois do atraso, a editora anuncia, para os próximos dias, a chegada ao mercado, com venda em distribuição setorizada, do álbum Cripta – Volume 1 (formato 20,5 x 27,5 cm, 240 páginas, capa cartonada, R$ 48,90), que deve fazer a alegria dos fãs dos clássicos quadrinhos de horror, pois as histórias ficaram muito tempo à espera de republicação.
A edição de estreia, com capa de Frank Frazetta, traz grandes nomes. Nos roteiros, destaque para Archie Goodwin, Ron Parker, Carl Wesser, E. Nelson Bridwell, Eando Binder e Larry Ivie; e na arte, Eugene Colan, Jack Davis, Reed Crandall, Steve Ditko, Frank Frazetta, Rocco Mastroserio, Gray Morrow, Joe Orlando, John Severin, Jay Taycee, Angelo Torres, Alex Toth, Al Williamsom, Wallace Wood, Donald Norman e Dan Adkins.
Cada álbum reúne cinco edições de Eerie (incluindo as capas originais em cores), com todas as aventuras completas e na ordem de publicação original.
Essas aventuras saíram no Brasil de 1976 a 1981, na revista Kripta, que utilizava material dos títulos Eerie e Creepy, lançados nos Estados Unidos uma década antes pela editora Warren Publishing.
Confira abaixo um preview (clique nas imagens para ampliá-las) de Cripta – Volume 1, que foi traduzida e editada por Fernando Bertacchini.
National Kid ficou imortalizado como símbolo dos heróis japoneses no Brasil. Usando trajes pra nenhum Super-Homem botar defeito (com direito a anteninha de mola na cabeça balançando pra lá e pra cá), Kid lutava usando seus precários, porém charmosos, golpes de caratê contra os Incas Venusianos. O enlatado japonês, que poderia ter passado batido, resistiu ao tempo e foi lançado este ano em DVD.
Há quatro décadas, assistir aos episódios do herói oriental era a obrigação de toda criança antes de ir para a escola. Ainda hoje, essa geração não se cansa de falar e comparar lembranças do seriado (e de, com isso, confessar a idade…).
No Brasil, o seriado desembarcou em 1962, na TV Record. Por vários anos, seus 39 episódios, que se agrupavam em quatro temporadas, foram exibidos e reprisados. Quando chegou 1968, National Kid foi levado das telas da televisão junto com boa parte do acervo que a Record perdeu num incêndio.
Os fãs do super herói só voltariam a vê-lo em 1995, graças à Sato Company que relançou 90% do programa em vídeo em comemoração ao 85o aniversário da imigração japonesa.
No entanto, parte das lembranças foram assassinadas pela nova dublagem, que não foi condenada apenas por se tratar de uma nova dublagem, mas sim por ter sido muito mal conduzida. A maior blasfêmia envolveu clássica saudação dos Incas Venusianos, Awika (com som forte no i), que foi trocada por “Ávica”. O curioso é que a redublagem foi dirigida por Emerson Camargo, dono da voz original do super-herói. Ele tinha a obrigação de saber, pelo menos, essa palavra, a mais lembrada pelo público – a menos que Emerson tenha optado em deixar a adaptação mais próxima do original, em que “Awíka” é “Àvika” mesmo, apesar disso ser pouco provável.
Mas nada disso importa para quem via o professor Masao Hata e o quinteto de crianças há 40 anos. Alugar ou comprar National Kid em vídeo era o mesmo que ter em mãos uma máquina do tempo e poder usá-la a qualquer hora.
O relançamento da série foi um grande sucesso. Teve exposição de ilustrações no Sesc Pompéia, exibições em vários teatros e cinemas e até um bloco inteiro num Fantástico da época.
Sete anos depois, o mesmo Nelson Sato, presidente da Sato Company, lançou, em parceria com a Cinemagia, os dois primeiros volumes de National Kid em DVD, que está disponível nas lojas.
Nessa reedição, que fixou a desgastada película em formato digital, foram incluídos os treze primeiros episódios da saga, que abrangem toda a temporada dos Incas Venusianos. O que ficou estranho é a falta de opções com relação as legendas e á dublagem. No primeiro disco, só está disponível a cópia dublada e no segundo, não dá para ver outra versão se não a legendada. Mas, enfim, os episódios estão alí, a salvo de todo o mofo.
O primeiro super-herói
Não pense que National Kid foi um fracasso no Japão. Pelo contrário. Lá, o mascarado também representa um marco para a história dos tokusatsu.
Pronunciando Nationaro Kido, os famosos estúdios da Toei Company produziram o seriado, que estreou em 1960 pela emissora NET (atual TV Asahi). Apesar de ser o primeiro herói a poder voar, a revolução de Kid estava nos bastidores. O orçamento usado para a filmagem de um episódio de trinta minutos era de, aproximadamente, um milhão e quinhentos mil ienes (hoje, cerca de doze mil dólares). Isso numa época em que a média era destinar dez mil ienes por minuto às produções para a TV (lembre-se que, nos anos de 1950 e 60, a Toei investia muito mais em filmes para cinema. A televisão ainda era posta numa categoria inferior).
Esse investimento todo veio por intermédio da National Matsushita Denki (atual Panasonic), a patrocinadora do seriado. A empresa apostou num programa infantil como um imenso outdoor para aumentar as vendas de suas pilhas e bugigangas eletrônicas. A jogada foi de mestre e o objetivo foi alcançado em pouco tempo. National Kid não só carregava, ele próprio, o nome da futura Panasonic, como vivia mostrando rádios e aparelhos sofisticados com a estampa da empresa. A pistola Eroruya, que o herói usava para disparar raios, começou a ser comercializada nas lojas e foi outro grande sucesso. Era a primeira vez que as crianças podiam brincar com um apetrecho oficial de um programa que via na TV (um alívio para as donas de casa, que não agüentavam mais ver suas toalhas e lençóis recortados em forma de capa). Com isso, o merchandising, que hoje dita as regras no ramo de entretenimento, estava criado.
Além do trabalho institucional, a própria série ganhou um clima moderno e futurístico, o que atraía a audiência. Lógico, cifras a mais destacaram a qualidade da produção. As cenas de vôo, por exemplo, eram feitas em cromakey (fundo azul ou verde), o que liberava os pobres funcionários do estúdio da constrangedora função de ficar correndo com um boneco tosco pendurado num fio. MENSAGEM ANTI-NUCLEAR
Os Incas Venusianos, liderados pela rainha Aura (devota ao deus Awika), chegam à Terra e alertam alguns cientistas para que parem as pesquisas de energia nuclear. Eles temem que os terríveis efeitos da radiação extrapolem o território terrestre e infectem outros planetas do universo. National Kid é enviado do planeta Andrômeda para defender os humanos. Aqui, ele se disfarça do cientista Masao Hata (originalmente chamado de Ryusaku Hata) e, ao chamado do rádio mágico surge onde quer que esteja o perigo. Além dos Incas Venusianos, Kid quebra o pau com os Seres Abissais, os Seres Subterrâneos e os Zarrocos.
Como a maioria dos heróis do pós-guerra, National Kid fazia um apelo para o fim dos testes nucleares. As feridas japonesas ainda não estavam totalmente cicatrizadas e, com o tokusatsu, era possível passar os ideais de paz e progresso através de metáforas bem estereotipadas (vide Godzilla, fruto de testes com radiação).
Mas essas mensagens subliminares não faziam diferença para o publico brasileiro, que estava mais interessado em saber se Kid iria ou não dar um fim em Aura e nos outros Incas Venusianos.
Curiosidade: O ator que interpretou o alter-ego humano de National Kid, Ichiro Kojima, foi trocado depois das duas primeiras histórias para estrelar filmes da própria Toei. No lugar entrou Shutaro Tatsume.
PHD em National Kid
Humberto Cardoso é o autor do site National Kid Brasil, lugar onde você encontra as mais completas informações sobre o herói. Confira porque até hoje ele não desgruda do Super-Homem nipônico (não, não é bem isso…) nessa mini-entrevista:
Awika – Quais são suas melhores lembraças do National Kid?
Humberto: National Kid tem uma marca registrada na minha vida. Eu morava no Cachambi, com os meus pais e meus irmãos. Toda a família vibrava com as cenas do seriado e nós, na época com idades entre 6 a 8 anos, brincávamos, pulávamos e cantávamos a marchinha clássica. Nossos amigos da escola e da rua não ficavam de fora. National Kid, certamente, encontra-se atrelado à melhor fase da minha vida, um verdadeiro marco.
Awika – Nos anos 60 eram exibidos vários outros programas com super heróis e aventuras, como Ri-tin-tin, Batman, Perdidos no Espaço e o próprio Super-Homem. O que o Kid tinha de especial?
Humberto: Independente das cenas de ação ou dos inimigos, havia algo que, indiscutivelmente, nos cativava muito: os protegidos do Professor Masao Hata. Nós nos identificávamos muito com aquelas crianças, que viviam se metendo em confusões e sendo resgatadas pelo National Kid. O menino mais novo era incrível!
Awika – Quando surgiu a idéia de montar um site sobre o National Kid? Onde conseguiu as informações?
Humberto: Em pesquisa na Internet, há cerca de 2 anos, encontrei apenas um site que, entre outros assuntos, trazia um pequeno texto e uma única imagem do National Kid. Como eu tenho todas as fitas da série, inclusive as duas últimas, não lançadas no Brasil, resolvi capturar algumas imagens e introduzir num site da Intermega (Globo, o primeiro, praticamente em fase de teste). Aqui no Rio há inúmeros fãs do herói e consegui obter várias matérias, publicas em jornais da época. Outras informações vieram por intermédio de amigos no Japão. Conheci um rapaz, de São Paulo, webmaster do site Retrotv (www.retrotv.com.br), que demonstrou interesse na elaboração do site pelo Hpg. Na época eu não tinha conhecimentos de programação html mas, diante da gentileza dele, resolvi seguir em frente.
Awika – Para finalizar, tire a dúvida que atormenta muitos fãs: National Kid era exibido na Globo ou na Record?
Humberto: A série foi exibida na Record e, em algumas ocasiões, na Globo. Por último da extinta Rede Manchete. Há algum tempo, a série estava sendo exibida na TecSat.
Heróis de grife
National Kid ficou famoso por ter o mesmo nome da empresa patrocinadora, no caso, a National. Entretanto, existem outros programas exibidos no Japão que escancaram o nome do injetor de recursos no título. Um deles é até anterior ao Kid e ficou conhecido como “Sony-gou Soratobu Bouken” (algo como “Número Sony: A Aventura que voa pelo Céu”).
Sony-gou Soratobu Bouken
O seriado é um cult americano produzido em 57. Como, obviamente, era a Sony que patrocinava o projeto, os japoneses decidiram (ou foram obrigados) a colocar o nome da hoje toda poderosa empresa como nome principal da série, que no original chama-se Whirlybirds. Sony-gou é o helicóptero que os heróis da história, vividos por Kenneth Tobey e Craig Hill, usam para salvar pessoas feridas, levar remédios e até perseguir bandidos a mando da sua empresa de serviços aéreos.
Há algumas décadas, diferente de hoje, cada produção costumava ser patrocinada por uma única empresa. Logo, era comum ver séries e animes com títulos “homenageando” quem está por trás, como Kaze no Fujimaru (Fujimaru do Vento, 1964), da farmacêutica Fujiwara Yakuhin ou Harisu Senpu (Harisu Redemoinho, 1966), custeado pela Harisugamu, de produtos manufaturados.
Kaze no Fujimaru
Um live action do final dos anos 50 mostrava um herói cômico chamado Tonma Tengu (Goblin Tolo) falando : “meu sobrenome é Oronain e meu nome é Nakou!”. Acontece que Oronain Nankou é o nome da pomada que a empresa farmacêutica Otsuka Seiyaku, patrocinadora da série, fabrica (até hoje é o seu principal produto). Em Alah no Shisha, de 60, apoiado pela Kabaya Shokuhin (alimentícia), o protagonista lutava para defender um nobre, descendente do reino de Kabayan. O nome do nobre era Kokonuts, referência ao delicioso Kokonuts Caramel, famosa guloseima feita pela empresa.
Se hoje isso parece bizarro ou até mesmo engraçado, na época era natural. Afinal, era preciso capitalizar!
O argentino Jorge Luis Borges já havia profetizado que depois da transformação do conto policial, de sua promoção de gênero menor à categoria central da literatura do século XX, chegaria o dia em que a ficção científica sofreria também a sua transmutação, exibindo todo o seu potencial através de uma futura geração de escritores. Não seria exagero dizer que esse futuro iniciou-se já nos anos 1960, talvez sem o conhecimento de Borges, quando Philip K. Dick, ele próprio um leitor voraz de Ficções, escreveu boa parte de suas grandes obras: O Homem no Castelo Alto, Dr. Bloodmoney,Ubik, Blade Runner (cujo título original – genial! – é Do Androids Dream with Eletric Sheeps?) e outros.
Nos últimos anos sua obra tem sido relançada aqui no Brasil, em boa parte graça à excelente iniciativa da Editora Aleph. Como forma de apoiar esse projeto, incentivando a publicação de vários títulos ainda inéditos em nosso país (Dr. Bloodmoney e A Transmigração de Timothy Archer são nossas sugestões!), a equipe do Meia Palavra resolveu percorrer seus contos e romances para apresentar alguns dos infinitos motivos para ler esse escritor, admirado por gente como Roberto Bolaño, Rodrigo Frésan e Ursula Le Guin.
Nascido em 1928, em Chicago, Philip K. Dick teve uma vida conturbada, temperada com uma personalidade paranóica, justificada pelos seus anos de ativismo no Partido Comunista norte-americano (a existência desse já parece tema de ficção científica para alguns…) que fez dele alvo de investigações do FBI e do Serviço Secreto das Forças Aéreas do EUA. Envolveu-se com filosofias gnósticas e orientais, aliando-as com experiências sensorialisticas regadas com drogas, elementos que aparecem em diversos textos, como VALIS e Três Estigmas de Palmer Eldricht. Em 1974, jurava ser contatando por inteligências alienígenas, em uma visão que misturava séries numéricas, figuras geométricas e ícones religiosos cristãos. Esse contato gerou uma torrente escritural de mais de 8.000 páginas, a maior parte delas inéditas.
Morreu em 1982, antes de ver o frisson de adaptações de suas obras ao cinema: Blade Runner (1982), por Ridley Scott; O Vingador do Futuro (1990) estrelado por Schwarzenegger ; Minority Report (2002) por Steven Spielberg, O Pagamento (2003) por John Woo e muitos outros. A partir deste ano, uma nova leva de filmes e séries já foram anunciados: Ridley Scott volta para fazer uma série baseada em O Homem do Castelo Alto, Matt Damon estrela Os Agentes do Destino, e a Warner Bros. já montou um grande planejamento para retomar a franquia Blade Runner, com novos filmes (prelúdios e continuações – notem o plural) e séries de TV.
Palazo: O Homem do Castelo Alto (1962): Em uma realidade alternativa, somos levados a um cenário perturbador. Os países do eixo, formado pela Alemanha nazista e o Japão imperial, venceram a segunda guerra mundial e são as duas maiores forças econônimcas e militares do mundo pós-guerra. Assim presenciamos a destruição da África, a exploração da América Latina, a escravidão dos negros, os judeus invisíveis, a corrida especial, os avanços tecnológicos, a conquista de Marte e Venus e o mundo dividido entre japoneses e alemães.
Philip K. Dick não constrói essa “nova” realidade com uma narrativa sequêncial, lógica e fácil para o leitor. A construção intercala personagens, e a narrativa passeia entre um narrador em terceira pessoa e o próprio protagonista de cada evento que deixa seus pensamentos soltos no meio da história. Assim é criada uma narrativa mágica, cheia de variações capazes de envolver o leitor nessa realidade alternativa e por vezes até questionar sua própria realidade.
Muitos dizem que esta é a obra prima do autor, vencedor do Prêmio Hugo em 1963, mas para mim é o primeiro de muitos livros que ainda vou ler de Philip K. Dick.
Tiago: “Podemos lembrá-lo para você por atacado”(1966) : Essa pequena obra-prima de Philip K. Dick, cujo título remete a um musical da Broadway, é um prenuncio de tudo o que escreveu, é uma pequena pílula cujos pretensos efeitos medicinais estão longe de ser a recuperação da capacidade mnemônica do paciente. Muito pelo contrário: o que vemos aqui é a desintegração de uma idéia banal de “memória”. A história foca no medíocre funcionário Douglas Quail que sonha viajar para Marte, desejo essa impossível de ser realizado, devido às restrições de sua posição social. Pede então que uma clínica, chamada Interplan Rekal, implante uma memória de uma viagem – tão real que seria mais vivida do que se ele realmente estivesse lá. Tudo se passaria como se ele fosse um agente trabalhando secretamente na Terra, em prol de Marte. O que acontece (ou não) é que de fato (ou bem o contrário disso) Quail era um agente implantado na Terra – tão secretamente que ele mesmo não sabia de sua condição. Esse looping do passado (e do futuro) não possui um fim: essa memória também será falsa, haverá uma outra, ainda mais verdadeira, mas que se revelará ainda mais falsa, etc etc etc. Esse é o centro nervoso de Philip K. Dick: de que há um desejo que precede toda a memória, que constrói toda a memória, mas que é um desejo voraz que não se contenta com nada, não tem modo de satisfação possível (basta lembra o que Ubik significa: o vazio voraz do desejo consumista que não dá lugar a nenhuma forma e a todas, ao mesmo tempo). E que o tempo… o tempo é só um efeito colateral de tudo isso…
Saiu traduzido no Brasil pela Magazine de Ficção Científica, em 1971, publicação que deveria ser lembrado mais, inclusive porque foi pioneira na divulgação de autores do calibre de Jorge Luis Borges, Ray Bradbury, Ursula Le Guin, além traduzir inéditos de Joseph Conrad, Appolinaire, entre outros.
Em tempo: Arnold Schwarzenegger estrelou um filme inspirado nessa narrativa chamado aqui de OVingador do Futuro, aproveitando a esteira do sucesso de um certo exterminador… O título original, muito mais interessante, chama-se Total Recall. O filme, ainda que tenha marcado muita gente, só aproveita um argumento mínimo do conto. Contudo, isso só parece indicar que Philip K. Dick marca uma fantasia dos anos 1980, algo que pode ser entrevisto no igualmente infiel Blade Runner… Uma fantasia irrealizável para um tempo que gostaria de outro tempo…
Kika: Os Três Estigmas de Palmer Eldritch (1964): Este foi o primeiro – espero que de muitos – livro lido de Philip K. Dick. Poderia dizer ainda, que foi um dos poucos livros de ficção científica na minha lista de livros lidos. E digo que foi eletrizante. A história, contada no futuro, parte do pressuposto que o leitor conhece as regras desta realidade inventada. As coisas são explicadas de maneira velada, cabendo ao leitor buscar as respostas no relato do autor. Aliás, nada fácil de absorver. Apesar de parecer complicado, Dick é um artista, pintando com palavras.É como se suas palavras invadissem diretamente nosso córtex visual com ambientes de Pat Insolente e viagens das drogas Can-D e Chew-Z. O que parece uma briga corporativa entre Leo Bulero e Palmer Eldritch, pela supremacia da venda de mini-ambientes terranos para colonizadores de outros planetas, se torna uma intrincada rede de intrigas, em que o real e o imaginário se confundem a ponto de não mais poderem ser separados. Aterrorizante. Fantástico!
Lucas: Blade Runner – O Caçador de Andróides (1968): Falar do livro pode parecer supérfluo depois da obra-prima de Ridley Scott, mas, como sempre acontece, o livro dá ainda mais lastro aos questionamentos propostos no filme. Oito andros (robôs-humanóides) fogem das colônias de Marte, onde trabalhavam para a parte da humanidade que teve recursos para emigrar para lá depois da Guerra Mundial Terminus, que condenou o bioma terrestre a emanações tóxicas e decadência genético-biológica progressiva. Esses robôs, cujo metabolismo não consegue dar-lhes a longevidade típica dos humanos, vem para a Terra, onde misturam-se à população para tentarem “viver” suas “vidas” de modo melhor que experimentavam em Marte. Porém, os caçadores de cabeças saem em seu encalço a soldo do governo para “aposentá-los”.
Rick Deckard é encarregado desses andros e começa a os perseguir, buscando aplicar o famoso teste Voigt-Kampff, que em tese comprova a (in)existência de empatia, a característica básica que separa os andros dos seres humanos. Usando da liberdade que a Ficção Científica proporciona e a eloquência da percepção de um mundo onde os seres humanos estão tornando-se obsoletos, onde ao colocarem-se como criadores, vivem os dilemas prometeicos de estarem no limiar de sua superação; K. Dick nos brinda com uma obra que revela a fragilidade da espécie humana e as deformações que o chamado “progresso científico-tecnológico” vem nos imputando a cada dia (e que cada vez mais nos aproxima a novas questões metafísicas e existenciais). Questionamentos como o que nos torna humanos; o que separa a vida da automatização e da existência e animação; a que ponto a sociedade científica-robótica-tecnológica pode levar a humanidade etc. são alguns dos pontos-chave que movem essa refinada, profunda e instigante obra de Philip K. Dick.
Anica: Ubik (1969): Em livros como Ubik, Philip K. Dick revela que sabe como ninguém lidar com o difícil tema da identidade. Indo além do enredo, passando também para as técnicas da narrativa, nada é o que parece ser, uma ideia pode mudar com uma simples virada de página. Com essa inconstância, o próprio leitor acaba questionando o que está lendo, num exercício constante de duvidar do narrador e do que ele nos conta.
É trabalhoso, mas uma tarefa recompensadora. Porque Ubik é uma obra única, que se destaca entre milhares da ficção científica e também daquelas que são apenas ficção. Usando elementos que já foram vistos em outras histórias, como os precogs de Minority Report, o livro começa com um grupo de inertials (que neutralizam poderes como os dos precogs) atendendo uma solicitação na Lua, e é depois de uma explosão que as história realmente começa. Depois disso, não há mais volta: você já foi completamente tragado pelo estilo de Philip K. Dick, pelo modo como ele consegue moldar a realidade da história como ninguém. Indicado não só para amantes do sci-fi, é para qualquer um que goste de boa literatura.
Pips: O Homem Duplo (1977): Num futuro não tão distante, a Substância D, uma droga altamente viciante, tomou conta das ruas. Bob Arctor é um viciado que vive numa casa com amigos que usam a substância em demasia, todavia, ele também é um agente infiltrado chamado Fred (sua identidade não é revelada devido um traje especial) que deve descobrir quem são os traficantes que fornecem a droga para Dona, sua namorada. Neste thriller de Philip K. Dick, escrito em “homenagem” aos seus amigos mortos ou viciados em drogas, vemos que uma pessoa perder a noção da realidade e não conseguir desempenhar seu papel, pois ao invés de fingir, ele realmente consome a substância e se torna dependente. Contudo o mais interessante são as revelações que pouco a pouco surgem. Quanto mais o personagem principal se infiltra menos ele sabe se é Bob ou Fred, não sabe em quem confiar e tenta usar a Substância D para esclarecer suas ideias. Esse livro também tem como grande êxito usar de maneira crível a linguagem de viciados e suas debilitações devido ao abuso. Ácido e enlouquecedor, O Homem Duplo é um exemplar diferencial na bibliografia de Philip K. Dick.
Luciano:VALIS (1981): Um de seus últimos livros, VALIS está para a obra de Philip K. Dick como Ecce Homo está para a de Nietszche. Os limites entre autor, narrador e personagem são incertos, pois ao mesmo tempo que o narrador afirma ser Horselover Fat ele aparece como sendo o próprio K. Dick – que conversa com Fat. Utilizando trechos de sua exegese- sua própria interpretação da bíblia, um texto com mais de oito mil páginas até hoje nunca publicado na íntegra- e trechos de uma ficção bastante excêntrica, o autor basicamente nos conta sobre como ver Deus mudou sua vida.
Não se deve esperar, no entanto, algo convencional. Talvez em toda a história ninguém tenha visto um Deus tão perturbado quanto o dele. VALIS é um livro extremamente complexo para se ler- mas isso só faz torná-lo ainda mais essencial. >> MEIA PALAVRA – por Tiago Pinheiro
O Prêmio Abril de Personagens 2010 foi um sucesso. Foram 603 inscritos de todas as partes do país, com projetos de alto nível de qualidade. A comissão julgadora escolheu quatro finalistas, que vão ter seus trabalhos publicados e abertos à votação na internet, além de destacar seis personagens para receber menção honrosa.
A partir de 4 de abril, os internautas poderão ler no site do Prêmio ABRIL de Personagens uma história de cada finalista por semana e dar sua nota aos quadrinhos. Ao final, o vencedor terá sua HQ publicada pela Editora ABRIL.
A Rede Globo apresenta esta noite “O Musical”, último episódio de “Aline” a ser exibido pelo canal. A série sai da programação da Globo por baixa audiência em alguns estados.
A produção é uma versão romantizada das histórias criadas por Adão Iturrusgarai para as tiras em quadrinhos, sobre uma jovem ninfomaníaca e seus dois namorados.
Estrelada por Maria Flor (Som & Fúria), Pedro Neschling e Bernardo Marinho, a série iniciou com a exibição de um especial de natal em 2008. A primeira temporada com sete episódios estreou em outubro de 2009; a segunda, com oito episódios, estreou em fevereiro de 2011.
No entanto, a baixa audiência teria determinado o cancelamento da série, que sai do ar com apenas cinco episódios da segunda temporada exibidos.
É possível que, se a temporada for lançada em DVD, os três últimos episódios sejam incluídos. >> VEJA – por Fernanda Furquim
Começaram nesta semana as inscrições para as I Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, congresso que será realizado entre 23 e 26 de agosto na USP, em São Paulo.
Há duas formas de participação. Na primeira, a pessoa inscreve um trabalho para ser apresentado. Nesse caso, a submissão dos resumos vai até o dia 31 deste mês.
A segunda maneira de participar é como ouvinte. Mesmo assim, a pessoa precisa se inscrever. Mas, nesse caso, o prazo é um pouco mais folgado, vai até 31 de julho.
Já comentei aqui (20 de janeiro) Não contem com o fim do livro, uma recolha de diálogos entre Umberto Eco e Jean-Claude Carrière, os quais discorrem sobre o incêndio de bibliotecas, a destruição de livros por ditadores e censores, a obsolescência dos meios de registro, o mero esquecimento. Carrière observa que a Biblioteca Nacional da França, criada por volta de 1820, tem pelo menos dois milhões de livros que jamais foram consultados. Com o livro eletrônico, esse sintoma pode se agravar. Como vai ser possível preservar cada vez mais, porque não teremos o problema de espaço (a Biblioteca Nacional da França caberia num HD do tamanho da minha mesa), serão cada vez mais preservados os livros inúteis, os livros redundantes, os livros desinteressantes, os livros que ninguém quereria ler mesmo que soubesse de sua existência. Tiro isto por mim, que leio compulsivamente: 90% dos livros que existem não me interessam.
Mais ameaçador do que o livro eletrônico, contudo, é o neo-liberalismo editorial, ou capitalistalinismo. Estou agora enfiado nas páginas de O Negócio dos Livros – Como as grandes corporações decidem o que você lê (Casa da Palavra, 2006). O autor é André Schiffrin, ex-editor da Pantheon Books, que já foi uma das grandes (em qualidade) editoras dos EUA antes de ser fagocitada pelos conglomerados econômicos que estão, mais depressa do que qualquer engenhoca feita de pixels, promovendo a destruição do livro. Não do livro como artefato de folhas de papel impressas, mas do livro como meio de transmitir idéias.
A bibliodiversidade (a pluralidade de idéias, de abordagens, de assuntos, de leituras e de leitores) é a própria natureza da cultura. O contrário de “cultura” é “monocultura”. Essas grandes corporações estão pegando a diversidade cultural, passando o trator por cima e transformando o mercado editorial num imenso campo de soja ou de cana-de-açúcar. É a lógica da maximização dos lucros através da uniformização dos produtos. Vender uma única coisa, produzida de uma única maneira, é mais rentável do que vender 400 coisas produzidas de 400 maneiras diferentes, mesmo que cada uma dessas 400 dê um pequeno lucro. Para a lógica de hoje, pequeno lucro é prejuízo. Já vi um neo-capitalista se queixando numa entrevista: “Se eu tinha um lucro anual de 200% e agora meu lucro caiu para 100%, é óbvio que tive na realidade um prejuízo de 50%”.
Hoje, cinco grandes conglomerados controlam 80% das vendas de livros nos EUA (Time-Warner, Disney, Viacom/CBS, Bertelsmann e News Corporation). Nenhum veio do meio editorial. São grupos de telecomunicações que estão comprando todas as editoras de livros, fechando as séries e coleções que dão pouco lucro, e transformando o livro num apêndice da telecomunicação. A ameaça não é o fim do livro de papel: é o fim do texto literário e crítico. Isso, sim, amigos, é de fazer perder o sono. O que é pior, um e-book com Shakespeare ou as memórias de Nancy Reagan num livro de papel? >> MUNDO FANTASMO – por Bráulio Tavares