O ROCK: POR UMA PRINCESA, UM CAVALEIRO E UM DRAGÃO

sexta-feira | 29 | abril | 2011

Para entender as diferentes vertentes do Metal e do Rock, vamos imaginar uma situação e seus respectivos desfechos na abordagem de cada estilo.

“No alto do castelo, há uma linda princesa – muito carente – que foi ali trancada, e é guardada por um grande e terrível dragão”…
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HEAVY METAL:
O protagonista chega no castelo numa Harley Davidson, mata o dragão, enche a cara de cerveja com a princesa e depois transa com ela. Posteriormente se separam quando ela descobre que ele transou com uma groupie.

METAL MELÓDICO:
O protagonista chega no castelo num cavalo alado branco, escapa do dragão, salva a princesa, fogem para longe e fazem amor.

THRASH METAL:
O protagonista chega no castelo, duela com o dragão, salva a princesa e transa com ela.

POWER METAL:
O protagonista chega brandindo sua espada e trava uma batalha gloriosa contra o dragão. O dragão sucumbe enquanto ele permanece em pé, banhado pelo sangue de seu inimigo, sinal de seu triunfo. Resgata a princesa. Esgota a paciência dela com auto-elogios e transa com ela.

FOLK METAL:
O protagonista chega acompanhado de vários amigos e duendes tocando acordeon, alaúde, viola e outros instrumentos estranhos. Fazem o dragão dormir depois de tanto dançar, e vão embora, sem a princesa, pois a floresta está cheia de ninfas, elfas e fadas.

VIKING METAL:
O protagonista chega em um navio, mata o dragão com um machado, assa e come. Estupra a princesa, pilha o castelo e toca fogo em tudo antes de ir embora.

BLACK METAL:
Chega de madrugada, dentro da neblina. Mata o dragão e empala em frente ao castelo. Sodomiza a princesa, a corta com uma faca e bebe o seu sangue em um ritual até matá-la. Depois descobre que ela não era mais virgem e a empala junto com o dragão.

DEATH METAL:
O protagonista chega, mata o dragão, transa com a princesa, mata a princesa e vai embora.

GORE:
Chega, mata o dragão. Sobe no castelo, transa com a princesa e a mata. Depois transa com ela de novo. Queima o corpo da princesa e transa com ele de novo.

SPLATTER:

Chega, mata o dragão, abre-o com um bisturi. Sodomiza a princesa com as tripas do dragão. Abre buracos nela com o bisturi e estupra cada um dos buracos. Tira os globos oculares da princesa e estupra as órbitas. Depois mata a princesa, faz uma autópsia, tira fotos, e lança um album cuja capa é uma das fotos.

DOOM METAL:

Chega no castelo, olha o tamanho do dragão, fica deprimido e se mata. O dragão come o cadáver do protagonista e depois come a princesa.

WHITE METAL:

Chega no castelo, exorciza o dragão, converte a princesa e usa o castelo para sediar mais uma “Igreja Universal do Reino de Deus”.

NEW METAL:

Chega no castelo se achando o bonzão e dizendo o quanto é bom de briga. Quer provar para todos que também é foda e é capaz de salvar a princesa. Acha que é capaz de vencer o dragão; perde feio e leva o maior cacete. O protagonista New Metal toma um prozak e vai gravar um disco “The Best Of”.

GRUNGE:
Chega drogado, escapa do dragão e encontra a princesa. Conta para ela sobre a sua infância triste. A princesa dá um soco na cara dele e vai procurar o protagonista Heavy Metal. O protagonista grunge sofre uma overdose de heroína.

ROCK N’ROLL CLÁSSICO:
Chega de moto fumando um baseado e oferece para o dragão, que logo fica seu amigo. Depois acampa com a princesa numa parte mais afastada do jardim e depois de muito sexo, drogas e rock n roll, tem uma overdose de LSD e morre sufocado no próprio vômito.

PUNK ROCK:
Cospe no dragão, joga uma pedra nele e depois foge. Pixa o muro do castelo com um “A” de anarquia. Faz um moicano na princesa e depois abre uma barraquinha de fanzines no saguão do castelo.

EMOCORE:
Chega ao castelo e conta ao dragão o quanto gosta da princesa. O dragão fica com pena e o deixa passar. Após entrar no castelo ele descobre que a princesa fugiu com o protagonista Heavy Metal. Escreve uma música de letra emotiva contando como foi abandonado pela sua amada e como o mundo é injusto.

PROGRESSIVO:
Chega, toca um solo virtuoso de guitarra de 26 minutos. O dragão se mata de tanto tédio. Chega até a princesa e toca outro solo que explora todas as técnicas de atonalismo em compassos ternários compostos aprendidas no último ano de conservatório. A princesa foge e vai procurar o protagonista Heavy Metal.

HARD ROCK:
Chega em um conversível vermelho, com duas loiras peitudas e tomando Jack Daniel’s. Mata o dragão com uma faca e faz uma orgia com a princesa e as loiras.
ou
HARD ROCK (2):
Sobe no castelo e mata o dragão jogando uma TV lá de cima pela janela.

HARDCORE
Chega de skate, organiza um protesto em frente ao castelo contra a ditadura dos dragões. Sobe na torre, transa com a princesa e grava um álbum com 25 faixas de 2 minutos cada descendo o pau no governo.
ou
HARDCORE (2)
O protagonista Hardcore chega bangueando, coloca o dragão na roda, o enche de chutes e o derruba no fosso. Sobe todo o castelo, e dá um mosh da torre mais alta.

GLAM ROCK:
Chega no castelo. O dragão rí tanto quando o vê que o deixa passar. Ele entra no castelo, rouba o hair dresser e o batom da princesa. Depois a convence a pintar o castelo de rosa e a fazer luzes nos cabelos.

INDIE ROCK:
Entra pelos fundos do castelo. O dragão fica com pena de bater em um nerd franzino de óculos e deixa ele passar. A princesa não aguenta ouvir ele falando de moda e cinema, e foge com o protagonista Heavy Metal.

NEW WAVE

Ao chegar no castelo mata o dragão e doa toda a sua carne às familias pobres da África.

GOTHIC METAL
Chega no castelo e monta uma banda com a princesa e o dragão fazendo vocais líricos e guturais respectivamente.

>> CAPINAREMOS – por Zanfa


“MENINA MORTA-VIVA”, DE ELIZABETH SCOTT

sexta-feira | 29 | abril | 2011

‘Sei o que dizem os contos de fadas, mas estão mentindo.
Contos são exatamente isso, sabe. Mentiras. ’
Pág. 57

Era uma vez uma garotinha, Alice. Todas eram Alice. As Alice’s queridinhas do Ray. Era uma vez uma garotinha, ela não estava morta, nem estava viva. Sua voz não era ouvida, todos a olhavam, mas ninguém realmente a via. Ela não queria ser queridinha, ela queria ser livre. E apenas deixar de ser uma menina morta-viva.

‘Alice’ tinha quase 10 anos quando foi seqüestrada pelo Ray. Ela era uma garotinha forte, nunca chorava, até conhecê-lo. E ela a transformar numa quase mulher, num quase ninguém. Cinco anos sendo abusada, física e psicologicamente.

Comece a se desculpar agora, ele diz, e empurra minha cabeça em seu colo. Enfia os dedos com força em meu ombro.
Odeio o Ray. O pensamento surge como a dor e fica latejando, gritando. Odeio, odeio, odeio.
Tinha me esquecido de quanto doem os sentimentos.

Pág. 143

Ela era sua garotinha, não podia crescer. Quando começou a crescer e seu corpo mudar, foi obrigada a  uma rígida dieta, para não crescer, não ganhar peso. Passava fome, usava roupas e sapatos apertados. Era obrigada a tomar pílulas para não menstruar, nunca. Tinha que ir religiosamente à depiladora. Ela não poderia parecer uma mulher, tinha que ser eternamente a garotinha do Ray, senão…

Senão os moradores da Daisy Lane, n° 623, iriam conhecer a ira dele. Ela não poderia deixá-los morrer. E sabe o que é mais engraçado? ‘Sempre acham que a culpa é minha’, pensa Alice. ‘Como se fosse fácil fugir e denunciá-lo’. Ela sabia o que acontecera com a Alice anterior e seus pais. E ela não podia deixar o mesmo acontecer com sua família.

Ela precisava encontrar uma nova Alice, uma garotinha linda, forte, como ela  fora um dia. Ensiná-la a fazer como Ray gostava e assim, finalmente, ser livre.

O que mais a incomodava era: Ray não a matava e também não a deixava livre. Ela vivia num mundo de nada, vegetando, uma marionete nas mãos de um doente. Às vezes sonhava com a faca da cozinha, dilacerando-a, acabando com seu tormento. Era um sonho feliz.

Menina Morta-Viva, de Elizabeth Scott (Underworld, 169 páginas, R$ 39,90), me deixou perplexa, angustiada, deprimida. Ela tem o dom de descrever certas barbaridades de um jeito único. Você sente na pele o horror imposto à Alice. Ficamos chocadas, sufocadas. E o pior de tudo, choramos porque sabemos que como a Alice do livro, há milhões de outras Alice’s que sofrem o mesmo abuso. Alice’s reprimidas, mudas de medo. Denunciar é fácil para quem está de fora. A vítima do medo nunca irá denunciar.

Scott é de uma rara sensibilidade, a leitura é dura, mas escrita de maneira genial. O livro mexeu comigo e vai mexer com todos que lerem. É simplesmente impossível ficar apático diante de tanta maldade. Ray é o verdadeiro lobo em pele de cordeiro.

>> MENINA DA BAHIA


“MUITAS PELES”, DE LUIS BRÁS

sexta-feira | 29 | abril | 2011

“Muitas Peles” (Terracota, 128 páginas) é uma coletânea de artigos e crônicas de Luiz Bras publicado no jornal virtual de literatura O Rascunho, centradas no ato de escrever, sobretudo Ficção Científica e gêneros afins.

Os textos de Luiz Bras tem a principal função provocar o ato de pensar, que deveria ser comum em quem escreve ou simplesmente lê, por necessidade ou por prazer.

A matéria prima está ali, desde o primeiro texto, “O infinito: um delírio”, onde o conceito de infinito e de eternidade são buscados a partir de um acontecimento simples: um fila de banco. E termina com a citação do filme O Feitiço do Tempo e do conto de Borges, Tlön. Meu lado de fã lamenta que ele não incluiu o excelente Matadouro 5de Kurt Vonnegut Jr.

O texto seguinte, “Fim do papel, fim da poesia”, discute as mudanças provocadas pela introdução das tecnologias digitais que pretendem substituir o livro em papel. Será mesmo que o fim do papel significará o fim da poesia?

“Escolha um futuro”, é exatamente o exercício que todo autor de FC deve fazer. Porém, o que este pensar no futuro realmente retrata?

“Convite ao mainstream”, foi uma provocação que Luiz lançou aos autores do mainstream, tentando fazê-los enxergar primeiro a estagnação da ficção literária no Brasil e, depois, fazê-los ver que a salvação poderá vir dos rejeitados “bárbaros”, os autores de Ficção Científica. Este artigo teve uma repercussão grande no meio da FC, a partir da intervenção, de Roberto Causo, no seu espaço no Terra Magazine.

O artigo seguinte, “Um bárbaro que se preze não vem para o chá das cinco”, é assinado Roberto Causo, e retrata a posição pessoal deste autor em relação ao artigo anterior. Causo se diz um iconoclasta, pelas suas posições dentro e fora do fandom de FC.

E o que acontece quando um autor de mainstream, atendendo ao convite, resolve optar por escrever FC? Em “Cinco erros” alguns escritores de FC convidados apontam quais os erros mais graves que estes autores cometem.

E a crítica, como se comporta? Em “Duas elites”, Bras convida escritores, críticos e editores para comparar o comportamento crítica acadêmica e da crítica da literatura de gênero e destaca os princípios norteadores de cada uma delas.

Em “Três leis”, Luiz Bras usa as três leis da robótica de Azimov para indicar, por similaridade, os princípios básicos que norteiam sua escrita.

Em “Sabedoria Secreta”, Bras questiona sobre os contos de fadas de tradição oral que foram terrivelmente mutilados pelos seus compiladores, para adequá-los à sua época ou expurgar trechos mais picantes ou violentos para poderem ser entendidos por crianças.

Em “Olha mamãe, uma cor voando”, comenta a forma de escrever do poeta Leo da Cunha, que segundo ele, é capaz de “captar inocências”, como a da frase que dá título ao artigo.

Em “Encontro com o autor personagem”, o escritor Índigo é o analisado, do ponto de vista de ser ele muito parecido com suas personagens.

“O autor e seu editor”, nos trás o eterno conflito entre estas duas figuras importantes que dão vida a um livro. Termina com uma bem humorada coleção de modelos de cartas de recusa, de acordo com as diversas posturas e personalidades de editores. Hilariante, independentemente do lado em que você está da missiva (remetente ou destinatário).

“Elogio do acaso” aponta a importância do fator sorte em relação ao sucesso de um livro e do poder da insistência na sua busca. Afinal, é acaso ou perseverança (teimosia)?

Será que a nossa infância é algo que pode ser resgatado? Foi mesmo um paraíso ou isto é um mito? É o que é discutido em “Paraíso perdido: a infância”.

O artigo “Morte e imortalidade” discute nosso destino final e o nosso desejo de que ele nunca chegue.

Fechando o livro, a crítica mais uma vez é abordada no artigo ”Crítica é cara ou coroa”. Nele, Bras aponta que a crítica aceita ou rejeita um texto de acordo com um modelo de civilização que o autor da crítica aceita como válido.

Podemos afirmar que todos os textos cumprem o seu papel de nos fazer pensar e, ainda que discordemos dele, alguma vezes sequer teríamos pensado na questão se ele não tivesse levantado a bola.
>> PAI NERD – por Álvaro Domingues


ULTRAMAN 45 ANOS – DESAFIOS E EXPECTATIVAS

sexta-feira | 29 | abril | 2011

Este é o ano em que a franquia Ultra, a mais antiga marca de super-heróis japoneses, completa 45 anos. As comemorações se iniciaram já em 2010, com o lançamento deUltraman Zero The Movie, mas o filme não emplacou nos cinemas, amargando apenas o décimo lugar no lançamento, caindo mais ainda nos dias que se seguiram. Para se ter uma ideia de comparação, o filme Let´s Go Kamen Riders, lançado em primeiro de abril deste ano para comemorar os 40 anos da igualmente famosa franquia dos Kamen Riders, ficou duas semanas em primeiro lugar nas bilheterias japonesas. Obviamente isso não quer dizer que o filme de Ultraman Zero, lançado no último dia 22 de abril em DVD e Blu-ray no Japão, seja ruim ou de baixa qualidade. Ao contrário, todos os trailers mostraram imagens de impacto em uma produção de alto nível, bem à frente da concorrência. Mas teriam os Ultras ficado para trás e a marca está desaparecendo lentamente conforme seus astros do passado envelhecem? É o que veremos analisando as atividades anunciadas para este ano.
 
Zero Ultimate Force – Fraco nas bilheterias

EVENTOS E ESPECULAÇÕES

Susumu Kurobe, o Hayata (forma humana do primeiro Ultraman), já anunciou várias vezes sua aposentadoria. Em 2007 ele achava que tinha interpretado Hayata pela última vez, em dois episódios de Ultraman Möebius. Voltou atrás e em 2008 atuou em Superior Ultra 8 Brothers, o maior sucesso da Tsuburaya nos cinemas até hoje e anunciou que aquela seria sua despedida oficial, pois já estava com quase 70 anos na época. Diga-se de passagem, estava (e está) mais inteiro do que Koji Moritsugu, o Dan Moroboshi(Ultraseven), que é cinco anos mais jovem.Em 2009, voltou à ação no mais bem produzido filme da franquia, que apresentou pela primeira vez Ultraman Zero, o filho de Ultraseven. No filme de Zero de 2010, Kurobe apenas fez a voz do herói transformado, assim como todos os outros veteranos. Talvez tenha sido esse o grande erro, apostar o filme em personagens e atores desconhecidos do grande público. Três heróis clássicos da Tsuburaya – FiremanJanborg Ace e Mirrorman – foram repaginados como GlenfireJanbot Mirror Knight e dividiram a cena com Zero. Os Ultras originais ficaram relegados a segundo plano na aventura. Depois do fiasco da ideia nos cinemas, fica difícil imaginar que o estúdio não faça uma oferta para que alguns veteranos voltem à ação, não apenas fazendo a voz do herói transformado, mas também suas identidades humanas.

 
Ultraman Premium: Veteranos de volta à ação ao vivo

A prova de que eles não estão “velhos” demais é que entre primeiro e cinco de maio, em Nagoya, será apresentado o evento Ultraman Premium 2011. Consiste em uma aventura teatral com Susumu Kurobe, Koji Moritsugu e Ryu Manatsu interpretando novamente Hayata, Dan Moroboshi e Gen Ootori (Ultraman Leo), ao lado deShota Minami (Reimon, da sérieUltra Galaxy). Se estivessem mesmo incapazes para rodar um filme, devido à idade, como estão bem para uma peça de teatro, onde tudo é ao vivo, em tempo real? A peça ainda tem Shigeki Kagemaru(o Shinjo da série Ultraman Tiga – na foto, ele está com uma gravata vermelha), com história de Keiichi Hasegawa (Ultraman Dyna, Nexus, Ultraseven X, Kamen Rider W), e a direção é de Hirochika Muraishi, veterano diretor de Ultraman Tiga, Dyna e do clássico Cybercop.

Além da peça, o evento irá apresentar o grupo Voyager, criação da Tsuburaya Pro. para executar os temas de seus personagens. Formado por um rapaz e três garotas, o Voyager atua desde 2009 e tem um ótimo trabalho de harmonias vocais e repertório pop-rock. É absurdamente superior às Kamen Rider Girls, banda formada pela Toei e a gravadora Avex Trax para a trilha do recente Let´s Go Kamen Riders. A performance vocal delas (audivelmente trabalhada em estúdio pra arrumar a desafinação) e o arranjo medonho de rap destruíram a famosa canção tema do primeiro Kamen Rider, regravada para o novo filme.
 
Voyager: Músicas de qualidade

Falando em filmes, para o final do ano um novo longa será lançado, encerrando a trilogia de batalhas entre Ultraman Zero e o maligno Ultraman Belial. Resta saber se os Ultras irão marcar presença forte no filme ou se novamente serão coadjuvantes. Como o filme anterior lançou um supergrupo, o Zero Ultimate Force, formado por Zero, Janbot, Glenfire e Mirror Knight e deixou a história em aberto para uma conclusão, pode-se dizer que o estúdio terá que conciliar muito bem personagens e interesses comerciais.

E ainda o público japonês verá o tradicional Ultraman Festival, que neste ano acontecerá de 22 de julho a 28 de agosto, em Tokyo, com exposição, performances, vendas de produtos e diversas atrações.

ULTRAMAN RETSUDEN – A NOVA SÉRIE
Como preparação para o novo filme, que deverá ser repleto de Ultras, a Tsuburaya irá lançar uma nova série, na verdade uma coletânea de cenas das séries e filmes, explicando características de heróis e monstros da franquia. O “apresentador” será Ultraman Zero, que irá aprender sobre todos os heróis que o antecederam, reunindo todas os Ultras de diferentes dimensões e linhas cronológicas, uma tendência que tem se fortalecido nos últimos anos.
Zero tem a voz do famoso dublador Mamoru Miyano (Light Yagami emDeath Note), sendo que seu hospedeiro humano, Ran, é vivido por Yu Koyanagi. A presença de nenhum dos dois foi confirmada, mas Miyano deve reprisar seu papel, pois tem gravado a voz de Zero para especiais em DVD e até para a já citada apresentação teatral. Por outro lado, a Tsuburaya já confirmou a presença de alguns convidados ilustres, a saber: Hiroshi Nagano(Daigo, o Ultraman Tiga), Takeshi Tsuruno (Asuka, o Ultraman Dyna),Takeshi Yoshioka (Gamu, o Ultraman Gaia) e Taiyou Sugiura (Musashi, oUltraman Cosmos), que deverão apresentar segmentos do programa. Vários outros convidados irão aparecer, nessa série comemorativa do aniversário da franquia. Indicado para iniciantes no Universo Ultra ou para os colecionadores hardcore, Ultraman Retsuden (Ultraman – Biografias) será exibido toda quarta às 18h00 na TV Tokyo, com início em 6 de maio. Voltando ao campo das especulações, não será surpresa nenhuma se os Tiga, Dyna, Gaia e Cosmos retornarem para “salvar” o próximo filme do risco de novo fiasco. Se isso acontecer, será outro problema de excesso de personagens para o roteirista resolver.
A franquia Ultra tem se renovado, atualizado valores de produção e distanciou-se de padrões que, de tanto serem insistidos, viraram estigmas. Mas uma parcela enorme do público, e mesmo fãs de tokusatsu, sequer tem vontade de assistir, pois esperam já que verão algo batido. Ultra Galaxy, o longa de 2009, apresentou cenários em CG, trilha exuberante de Mike Verta, compositor deHollywood e distribuição da Warner Bros. atestando a qualidade internacional da película. Respeitando o passado e atualizando histórias e efeitos, a Tsuburaya tem produzido um bom material para fãs e para novos públicos, mas enfrenta agora o peso de seus 45 anos de aventuras.
A renovação técnica e estrutural do Universo Ultra aconteceu, mas de tão tardia, pouca gente tem se interessado. Eis o grande desafio do estúdio: fazer da marca Ultraman continuar relevante para os próximos anos e atrair novos fãs sem perder os antigos.
Finalizando, um divertido vídeo lançado em abril pela empresa ABC Housing, que cria casas visando conforto e praticidade, mostra os Ultras relaxando como pessoas normais.

A FUNDAÇÃO ULTRAMAN

A Tsuburaya lançou a Ultraman Foundation, especialmente para ajudar as crianças nas áreas atingidas pelo grande terremoto e tsunami de 11 de março.

Em seu site oficial, a entidade divulga mensagens e presta contas de suas atividades para arrecadação. Mais uma das muitas ações criadas pela mídia japonesa para apoiar seus cidadãos nesse momento difícil.
>> SUSHI POP – por Alexandre Nagado


“A GUERRA DOS TRONOS”: GEORGE R. R. MARTIN, O NOVO MESTRE DA FANTASIA

segunda-feira | 25 | abril | 2011

O autor se consagra como sucessor de J. R. R. Tolkien
– e chega às telas

Nick Briggs

George R.R. Martin no set de A guerra dos tronos. Com a adaptação do livro pela HBO, o autor se tornou uma celebridade.

FAMA TARDIA
Em 1994, aos 46 anos, o roteirista de televisão George R.R. Martin decidiu mudar de profissão. Cansado das restrições orçamentárias da série em que trabalhava (A bela e a fera), que podavam sua imaginação, Martin decidiu retomar seu passado pouco glorioso de escritor de fantasia e ficção científica. Seu objetivo era quase uma desforra contra os produtores de televisão: criar um ambicioso épico de fantasia, com batalhas grandiosas, que ninguém ousaria levar às telas.

Dezessete anos depois, a televisão se curvou a Martin. A série A guerra dos tronos, baseada no primeiro volume de sua saga de fantasia As crônicas de gelo e fogo, estreará neste domingo nos Estados Unidos com um orçamento estimado em US$ 60 milhões – e a expectativa de se tornar um dos maiores sucessos da temporada.

Nos 15 minutos da série revelados pelo canal americano HBO antes da estreia, é possível perceber que ela tem pouco em comum com outras sagas de fantasia. Para quem se acostumou com o mundo de O senhor dos anéis, de J.R.R. Tolkien, em que as diferenças entre o bem e o mal são claras e o final feliz é quase inevitável, A guerra dos tronosparece pertencer a outro gênero. O mundo de Westeros, criado por George R.R. Martin, é repleto de sombras e sangue. Personagens recém-apresentados ao espectador podem morrer poucas cenas depois, sem aviso e de forma violenta, e a disputa entre heróis e vilões dá lugar a uma trama cheia de intrigas e traições, na qual diferentes clãs da nobreza disputam o poder sobre o reino.

Parte das mudanças no gênero pode ser atribuída ao meio escolhido para a adaptação: a televisão, e não o cinema. A audiência da HBO está acostumada a tramas mais adultas: o drama A família Soprano e o faroeste Deadwood são algumas de suas séries mais bem-sucedidas nos Estados Unidos. Para ser aceita por esse público, uma série de fantasia precisaria manter o tom adulto. A classificação indicativa, que impede cenas muito fortes nas grandes produções de cinema sob o risco de diminuir seu público (e seus lucros), não é uma preocupação tão grande para os canais de televisão. Isso permite exibir sem pudores imagens de personagens mutilados ou decapitados. Outra vantagem das séries sobre os filmes está na duração. Enquanto os três livros de O senhor dos anéis foram transformados em pouco mais de nove horas de filme, a primeira temporada de A guerra dos tronos terá dez episódios de uma hora para contar a história de apenas um romance. A maior duração dá espaço a uma trama mais lenta e elaborada, em que as intenções dos personagens se revelam gradualmente.

Assista ao trailer de “A guerra dos tronos”.

   Divulgação

AMBIÇÃO
Acima, Sean Bean, de O senhor dos anéis, na pele do nobre Eddard Stark. No alto, cavaleiros em uma montanha de Westeros. A série recria o mundo descrito pelo autor em mais de 3.800 páginas

Mas o tom sombrio que parece caracterizar a série tem origem nos próprios livros. Em um universo literário dominado pela influência de J.R.R. Tolkien, Martin se recusou a ser um imitador. No mundo de Westeros, criado por ele, há pouca magia e muita humanidade. Seus personagens não são movidos pelo desejo de salvar o mundo, mas por motivos menos nobres: sexo, dinheiro e poder. Para escapar da influência de O senhor dos anéis, buscou inspiração no tom sóbrio adotado por escritores de romances históricos e acrescentou à fórmula técnicas que aprendeu como roteirista de televisão. Ao contrário de Tolkien, que se detém muitas vezes em descrições exageradamente detalhadas, Martin mantém a trama sempre em movimento e prende a atenção do leitor com “ganchos” ao final de cada capítulo. A fórmula deu certo: com os quatro romances de As crônicas de gelo e fogo, Martin tornou-se o escritor mais influente do gênero na atualidade – e o principal representante de uma geração de bem-sucedidos autores de fantasia (leia o quadro abaixo).

   Reprodução   Reprodução

Apesar do sucesso, a relação de Martin com os fãs nem sempre é amistosa. Sua demora de quase seis anos para lançar o quinto volume da série (A dance with dragons, previsto para julho) motivou a criação de sites de protesto. Alguns acusam o autor de ter perdido o interesse pela saga, que só será concluída no sétimo volume, e não dedicar tempo suficiente à escrita.

Para eles, A guerra dos tronos é uma má notícia: a série, na qual Martin ocupa o cargo de produtor executivo, seria mais um motivo para afastar o autor do “dever” de terminar logo os três livros restantes. Os fãs menos impacientes de Martin – e de boas séries de televisão – vão gostar de ver o mundo de Westeros recriado nas telas, de uma maneira que Martin imaginava impossível em 1994.
>> REVISTA ÉPOCA – por Danilo Venticinque


PHILIP K. DICK, O FILÓSOFO FICCIONAL QUE INVADIU OS CINEMAS

segunda-feira | 25 | abril | 2011

Ele foi o responsável por reeinventar o gênero da ficção cientifica.

Matrix“, “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças“, “O Show de Truman“, “Clube da Luta”, “Donnie Darko“, “A Origem“. Filmes famosos que levaram milhões de curiosos às salas de cinema. Mas além da óbvia popularidade, o que esses filmes têm em comum? Todos, segundo seus autores, foram inspirados no trabalho de Philip K. Dick, autor de ficção científica que reinventou o gênero ainda na década de 50 e cujas obras abordavam questionamentos sobre a realidade e o ser humano. Você não sabe de quem eu estou falando? Então se ajeita nessa cadeira e espia só que eu vou te contar quem foi esse gênio da ficção científica.

Nascido em 1928, em Chicago, o autor teve uma vida conturbada digna de suas obras. A começar pela perda da irmã gêmea, seis semanas após o nascimento de ambos, fato que afetaria profundamente sua escrita, relacionamentos e todos os outros aspectos de sua vida, estando presente em vários de seus livros por meio do tema recorrente do “gêmeo fantasma”.  Ainda por causa disso, ele desenvolveu um relacionamento difícil com os pais que se agravou com a separação dos mesmos quando ele tinha cinco anos de idade. Mudou-se com a mãe para a Califórnia onde moraria para o resto da vida.

Ao concluir o ensino médio em 1949, Dick ingressou na Universidade da California, mas devido a problemas de ansiedade logo abandonou os estudos. Somente então, após conseguir um emprego em uma loja de discos, teve mais tempo para se dedicar à literatura.

Em 1951, o autor finalmente publicou seu primeiro conto de forma independente. A partir de 1955, buscou seu lugar no mercado literário americano ao publicar seu primeiro livro, “Solar Lottery”, o ponto inicial para as várias histórias de ficção cientifica que escreveu entre as décadas de 50 e 60. Porém, o que poucas pessoas sabem é que Dick alimentava o sonho de estar entre os mais populares escritores americanos, naquela época composto por grandes romancistas, o que nunca chegou a acontecer uma vez que não houve interesse na publicação de seus romances fora do gênero da ficção científica.

No início da década de 60, veio o primeiro reconhecimento de suas obras na forma do Prêmio Hugo, por “O Homem no Castelo Alto”. A conquista, no entanto, não prestigiou seu estilo junto aos grandes nomes do mercado e o autor continuaria obrigado a publicar seus livros por  pequenas editoras.

Entre fevereiro e março de 1974, Dick afirmou ter visões e experiências extra-sensoriais e acreditou firmemente viver entre dois mundos paralelos, o que serviu de inspiração para a criação da trilogia VALIS: “Valis” (1981), “The Divine Invasion” (1981) e “The Own in Daylight” (1982), livros da última fase de sua carreira.

As visões, no entanto, são atribuídas ao uso de anfetaminas, LSD e psicotrópicos, os quais o autor experimentou por quase toda a vida, além de seu conhecido histórico de doença mental. Em 1982, ele morreu vítima de um AVC (Acidente Vascular Cerebral), deixando cinco ex-esposas e três filhos, além de um legado que incluem 44 livros e 121 contos, entre eles “O Homem do Castelo Alto“, “Minority Report“, “Os Três Estigmas de Palmer Eldritch“, a trilogia “Valis“, “Vozes da Rua” e “O Pagamento“. Suas cinzas foram levadas para o Colorado e depositadas no túmulo de sua irmã.

Foi somente após sua morte, naquele mesmo ano, que seus livros ganharam notoriedade junto ao grande público, tendo seguidas adaptações de suas tramas para o cinema, começando pelo clássico “Blade Runner – O Caçador de Andróides”(1982), seguido por “O Vingador do Futuro” (1990), “Confissões de Um Louco” (1992), “Screamers – Assassinos Cibernéticos” (1995), “O Impostor” (2001), “Minority Report – A Nova Lei” (2002), “O Pagamento” (2003), “O Homem Duplo” (2006) e “O Vidente” (2007), responsáveis por tal feito.

Em 2011, o autor volta às telas com “Os Agentes do Destino“, filme baseado em seu conto “Adjusment Team“. O longa conta a história de David Norris (Matt Damon, de “O Vencedor”), um carismático congressista que parece destinado ao estrelato político nacional. Ele conhece Elise Sellas (Emily Blunt, de “O Diabo Veste Prada”), uma linda bailarina, mas começa a perceber circunstâncias estranhas e esforços ocultos atrapalhando o romance.

Mas quem ficou com vontade de ver mais, a Walt Disney promete para 2012 a adaptação em animação de “King of The Elvis”; além dessa, duas outras adaptações estão a caminho: “Radio Free Albemuth“, baseado no livro homônimo, finalizada e esperando distribuição; e “Ubik“, roteiro criado em 1974 pelo própio Dick, que ainda está em negociação. Quanta novidade aguarda os fãs de Philip K. Dick, não? Agora é só curtir esse novo filme e esperar.
>> CINEMA COM RAPADURA – por Leilane Soares


6º CINEFANTASY – HORROR, FICÇÃO CIENTÍFICA E FANTASIA

segunda-feira | 25 | abril | 2011


PRÊMIO HQMIX REALIZA CADASTRAMENTO PARA VOTAR NO TROFÉU!

segunda-feira | 25 | abril | 2011

Troféu HQ Mix

A Comissão Organizadora do Troféu HQMIX está realizando uma campanha para recadastrar todas as pessoas que votam no prêmio, considerado o principal do mercado de quadrinhos. A ideia é ter informações mais detalhadas sobre cada eleitor.

Esse processo servirá também para a inscrição de novos votantes. Assim que o e-mail chegar à Comissão, o eleitor receberá uma resposta da Comissão do HQMIX.

O votante inscrito terá, futuramente, serviços exclusivos, como descontos em livrarias, jornal da Associação dos Cartunistas do Brasil, informações sobre promoções e sorteios de originais de desenhistas e materiais de desenho. Mas o cadastramento é só para profissionais da área.

Para se cadastrar ou recadastrar, é simples. Basta que você preencha as informações a seguir e envie para o e-mail hqmix@yahoo.com.braté o dia 30 de maio de 2011. A ficha é a seguinte:

Nome:
Endereço:
RG:
Telefone de contato, com DDD:
Área de trabalho (anotar uma ou mais em que se enquadra)
( ) roteirista
( ) desenhista
( ) colorista de HQ
( ) editor
( ) jornalista especializado
( ) editor de blog/site de HQ e humor gráfico
( ) pesquisador ou professor da área de quadrinhos e humor gráfico
( ) outros
Blog ou site pessoal:
E-mail para votação (importante: use um endereço que não contenha antispam):
Resumo curricular (de três a dez linhas):

As fichas irão para a Comissão Organizadora e o eleitor (ou candidato a eleitor) receberá uma resposta.

Em paralelo, a Comissão já está divulgado em seu blog alguns do pré-indicados ao prêmio de 2011. Para conferir, click aqui.


“STALKER”, DE ANDREI TARKOVSKI: GARIMPANDO O IMPONDERÁVEL – ENERGIA LIMPA E SOCIEDADE SUJA

sábado | 23 | abril | 2011

Porvir imediato e pretérito automático
Estamos preparados para um mundo limpo? “Os filme do mestre russo Andrei Tarkovski são mais ambientações que entretenimento”, diz o crítico Roger Ebert (EBERT, 465). Podemos acrescentar que eles se usam de uma narrativa demorada, como no caso de Stalker, para representar o que seria uma “velocidade da vida”, jogando a audiência numa zona crepuscular, onírica, propícia à meditação. Essa “vida lenta” incomoda os espíritos mais fugazes, que buscam no cinema apenas o escapismo e a diversão, pois a lentidão produz a ansiedade do porvir, da cena seguinte, o que obriga nossa consciência a ir além do “agora”, mirando um futuro que nunca se materializa em presente, pois logo é passado. É esse vício no porvir imediato e no pretérito automático que compromete a aposta num mundo limpo, sem o consumo que é o combustível para a felicidade idealizada ocidental, tema que aparece nas entrelinhas (ou deveríamos dizer, “entrefotogramas”) deStalker, com seus peregrinos cercados por artefatos degradados, em busca de um local idealizado, a Zona, onde todos os desejos se materializariam.

No romance Piknik na Obotchine (algo como “Piquenique à beira da estrada”), de Arkadi e Boris Strugatski, no qual o filme foi baseado, as Zonas de Visita (na verdade, existiriam seis delas, em torno do planeta) são resultado de uma ação extraterrestre nunca descrita em detalhes (STRUGASTSKI, 7) e os stalkers do título são uma mescla de guias, exploradores, garimpeiros e contrabandistas que exploram essas Zonas em busca de artefatos estranhos que possam ser vendidos a colecionadores ou universidades. Um desses objetos é um anel que, uma vez colocado em movimento, jamais cessa de girar, ou seja, um moto-contínuo que produz a energia da qual se alimenta. Mas, como se a Zona fosse um tipo de Serra Pelada alienígena, os objetos recuperados jamais alcançam um valor de mercado muito alto por conta da incapacidade humana de decifrá-los, o que faz deles meros artigos “colecionáveis”, curiosidades sem uso prático, “objetos-paixão”, nas palavras de Jean Baudrillard:

Todo objeto tem dessa forma duas funções: uma que é ser utilizado, a outra a de ser possuído. (…) O objeto estritamente prático toma um estatuto social: é a máquina.Ao contrário, o objeto puro, privado de função ou abstraído de seu uso, toma um estatuto estritamente subjetivo: torna-se objeto de coleção(BAUDRILLARD, pg 94)

Um objeto esférico, porém, subverte essa regra, pois há quem diga que se trata de uma “lâmpada de Aladim”, capaz de realizar as vontades do usuário. Assim, romance e filme têm finais contraditórios quando os personagens reagem de maneiras diferentes aos objetos de desejo. Enquanto Tarkovski faz com que o receio impeça a trinca de protagonistas (eles não têm nomes no filme, são chamados por suas ocupações: um é o Stalker, o segundo é o Físico e o último é o Escritor) de entrar no quarto dos sonhos, na novela dos Strugatski, Redrick Stuart, um stalker veterano, não tem pruridos em aferrar-se à bola e fazer um voto em prol de toda a humanidade (STRUGATSKI, 185)

    Felicidade para todos. Gratuitamente. E que ninguém saia prejudicado.
Como interpretar esse clamor sobre a felicidade irrestrita numa história que, entre outras coisas, pode ser encarada como uma alegoria crítica ao desejo, ao consumo, ao tráfico, à posse? Néstor Canclini afirma que o consumo poderia ser uma ferramenta para a melhoria da sociedade se conseguíssemos democratizar a oferta a um nível mundial compatível com a realidade salarial das diversas populações (CANCLINI, 89). Tal utopia econômica, porém, necessitaria de uma publicidade menos afeita a exageros e distorções e de uma distribuição de renda equânime, o que implicaria em mais e mais produção para um consumo cada vez maior, com artefatos e produtos sendo substituídos por modelos mais novos duas ou três vezes por ano. Ou seja, apesar de gerar mais empregos e girar o fluxo de caixa, distribuindo riquezas a um número maior de pessoas, o sonho socioeconômico necessariamente colocaria em risco o meio ambiente, pois enraizaria suas soluções numa hipotética natureza auto-renovável, capaz de prover matéria prima eternamente. Felicidade para todos, como se encarada dentro de uma ótica individualista/capitalista, implicaria no fim irrevogável do planeta, imerso em lixo não degradável.

Thorstein Veblen explicita que o consumo exacerbado é uma prática (ou desejo consolidado) recente na sociedade, já que antes da Revolução Industrial, acreditava-se que apenas uma pequena classe ociosa e aristocrática teria o “direito” (leia-se “dinheiro”) de/para cultivar hábitos como o colecionismo, o consumo pelo consumo, não necessariamente relacionado às necessidades imediatas de subsistência. Porém, com o incentivo advindo da publicidade, um tipo de “necessidade de consumo”, aliada ao inconformismo resultado do desejo de posse de artigos e artefatos como representativos de staus quo, estabelece-se como mola mestra de uma produção constante e avassaladora. Conceitos como “obsolescência programada” tornaram-se indispensáveis para a saúde de empresas que mesclam moda, design e tecnologia como elementos sedutores do público, apostando na constante descartabilidade. Stalker é um filme sobre a integridade perene, sobre os valores do indivíduo e a fé imutável que resistem ao ambiente em constante mutação. Seus personagens garimpam o cenário em busca de respostas, mas no máximo resgatam outras perguntas, artefatos imponderáveis e sedutores que não apresentam um fim, mas podem ser apenas lixo largado à beira da estrada por visitantes que não se importam com os anfitriões.

Humberto Pererira da Silva afirma que “Tarkovski é um artista cuja obra incomoda porque exige que o espectador pense tanto na função da arte sobre sua própria vida e o mundo quanto no papel do cinema para exibir os sentimentos mais sublimes” (SILVA, 120).  Deleuze, por sua vez, evoca a imagem do “cristal de tempo” (DELEUZE, 95) para definir o cinema de Tarkovski, que ao girar em torno de si próprio interroga aqueles que nele se refletem, seja a Rússia natal, sejam os personagens ou cada um de seus espectadores, mas ressalta que, em Stalker, há um teor de opacidade encarnado na porta fechada que impede o trio de adentrar no quarto milagroso. Ali não há há reflexo, apenas a certeza da intransponibilidade e da impossibilidade de solucionar os mistérios por meio da realização dos desejos.
>> OCTÁVIO ARAGÃO


FINALMENTE GROO ENFRENTARÁ CONAN

sábado | 23 | abril | 2011

O cartunista Sergio Aragonés confirmou que as duas primeiras edições de Sergio Aragonés´ Groo vs. Conan estão prontas e que a minissérie, que terá quatro números, será lançada, provavelmente, na convenção de San Diego deste ano.

A história, que vem sendo trabalhada desde 2007, mostra o próprio Aragonés levando uma pancada na cabeça enquanto tenta defender uma comic shop que está prestes a ser demolida. Atordoado, ele começa a pensar que é o verdadeiro Conan, mas, já no mundo da fantasia, se depara com o bárbaro verdadeiro e descobre que ele está sendo contratado pelas pessoas do mundo de Groo para defendê-las contra o Errante.

Os desenhos foram divididos entre Aragonés e Thomas Yates, que faz a arte referente a Conan. As páginas apresentam um resultado interessante da arte cartunesca de Aragonés, que fez o layout de toda a história, com os desenhos mais realistas de Yeates.

Groo é um personagem criado por Sergio Aragonés, em colaboração com Mark Evanier, no começo dos anos 80. O personagem é uma paródia a Conan, o Bárbaro, e juntamente com sua galeria de personagens, conquistou grande sucesso, que dura até hoje.

Através dos anos, foi publicado em várias editoras nos EUA, atualmente pela Dark Horse. Aqui no Brasil, Groo surgiu em 1989, em uma Graphic Novel pela Editora Abril. No ano seguinte, ganhou um título mensal, que perdurou até 1992. Depois foi publicado e reeditado em edições especiais, minisséries e compilações, pela Abril, Pandora BooksOpera Graphica Mythos.

Conan foi criado por Robert E. Howard em 1932. Inicialmente, o personagem aparecia em contos publicados na revista Weird Tales. No começo dos anos 70, a Marvel Comics começou a publicar a versão em quadrinhos do personagem, em séries mensais e minisséries que duraram até 2004, quando os direitos foram adquiridos pela Dark Horse, que segue com o herói até hoje.

O personagem também ganhou duas adaptações para o cinema, estreladas por Arnold Schwarzenegger; além de uma série para TV com atores e outra animada. Atualmente suas histórias são publicadas no Brasil pela Mythos Editora.

Conan nasceu na Ciméria, em um período de tempo conhecido como Era Hiboriana, uma época pré-glacial anterior ao registro da história conhecida. O bárbaro foi escravo, saqueador, pirata, mercenário, tendo enfrentado todo tipo de criaturas, feiticeiros, vampiros, demônios, lobisomens e até mesmo seres de outras dimensões. Por fim, Conan se torna o rei da Aquilônia, uma das mais altivas e poderosas nações hiborianas, posto que, já em idade avançada, deixa para seu filho, voltando a se aventurar mundo afora.
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno


NO MUNDO DOS CONTOS DE FADA

sábado | 23 | abril | 2011

No mundo dos contos de fadas

Era uma vez uma mocinha indefesa, que vai parar num mundo encantado cheio de criaturas mágicas, onde enfrenta um ser malévolo e muitos outros obstáculos, e que, no final, consegue o seu final feliz. É essa a premissa básica do conto de fadas, manifestado na literatura a partir do século VII. Com o surgimento do cinema, em 1896, não demorou muito para os contos de fadas fazerem história também na sétima arte.

O primeiro conto visto em película foi Cinderela (1898), sobre a gata borralheira que sofre nas mãos da madrasta. Mas os contos de fadas ganharam mesmo popularidade foi pelas mãos da Disney. Cinderela, aliás, também foi adaptado numa animação clássica do estúdio, em 1950.

Branca de Neve

O primeiro conto de fadas da Disney foi Branca de Neve e os Sete Anões (Snow White and the Seven Dwarfs, 1937). Outros títulos populares são: Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, 1951), A Bela Adormecida (Sleeping Beauty, 1959), A Pequena Sereia (The Little Mermaid, 1989) e Aladin (Alladin, 1992).

A quadrilogia Shrek (2001, 2004, 2007, 2010) ficou responsável por subverter clássicos personagens dos contos de fadas, como o Lobo Mau, Os Três Porquinhos, Cinderela e Bela Adormecida, apresentando-os de forma satírica e irônica. Deu a Louca na Chapeuzinho (Hoodwinked!, 2005) mostra uma versão bem humorada do conto de fadas que rendeu até continuação: Deu a Louca na Chapeuzinho 2 (Hoodwinked Too! Hood vs. Evil), com estreia marcada para 02 de setembro.

Versões live-action

A história de Chapeuzinho Vermelho também está no filme A Garota da Capa Vermelha, que estreia nesta quinta-feira (21/04). Nele, um vilarejo recebe o alerta de que o lobo está à espreita e o povoado precisa tomar cuidado. Valerie (Amanda Seyfried) está apaixonada por Peter (Shiloh Fernandez). No entanto, ela está prometida a Henry (Max Irons). Valerie e Peter decidem fugir, mas o perigo os acompanha com o lobo à solta.

O cinema soviético teve diversas adaptações de contos de fadas em live-action, como A Lâmpada Mágica de Aladdin (Volshebnaya Lampa Aladdina, 1966), A Princesa e a Ervilha (Printsessa na Goroshine, 1976) e A Pequena Sereia (Rusolochka, 1976).

Sombrios ganham cor Na tradição literata dos contos de fadas, havia uma carga sombria nas histórias. Com o passar do tempo, foram feitas adaptações para os contos se adequarem ao público infantil, alvo para as animações da Disney. Agora, o cinema volta às origens soturnas dos contos de fadas da literatura para versões em live-action.

A Garota da Capa Vermelha é apenas o começo de uma série de adaptações em live-action de contos de fadas. No ano passado, já havia estreado Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland), dirigido por Tim Burton. Ainda este ano, estreia A Fera (Beastly), versão moderna de A Bela e a Fera, em 03 de junho, e o terror Curse of the Smoke O’ Lantern.

Mais por vir

Em 2012, a Branca de Neve aparecerá em dois filmes. O primeiro, The Brothers Grimm: Snow White terá Lily Collins como a heroína do título e Julia Roberts como Rainha Má. Já Snow White and the Huntsman contará com Kristen Stewart como Branca de Neve.

Hansel and Gretel: Witch Hunters traz de volta os irmãos João e Maria, que, na literatura, encontram uma casa feita de doces, que tem como dona uma bruxa. O filme mostra os irmãos crescidos e agora caçadores de bruxas. Jeremy Renner (Atração Perigosa – The Town, 2010) e Gemma Arterton (Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo – Prince of Persia: The Sands of Time, 2010) são Hansel e Gretel, e atualmente estão na cidade de Braunschweig, naAlemanha, para as filmagens. João e Maria também vão aparecer no filme Hansel e Gretel in 3D.

O pacote de contos de fadas em carne e osso ainda terá Cinderela, cuja protagonista  ainda é um mistério, e A Bela Adormecida, esse com Emily Browning (Sucker Punch – Mundo Surreal) na pele da personagem-título.

Assim como em muitas das páginas da literatura, os contos de fadas têm tudo para conquistar um final feliz também no cinema.
>> YAHOO – BR Press – por Vanessa Wonhrath


“OS SETE SELOS”, DE LUIZA SALAZAR

segunda-feira | 18 | abril | 2011
Sinopse: Lara Carver é uma jovem de 21 anos que trabalha para a Agência, um local especializado em estudar, localizar e conter fenômenos paranormais. Um evento inesperado tira Lara do conforto da Agência em Londres e a leva para Paris, onde ela descobre que uma força muito além de qualquer coisa que a Agência já enfrentou assolou a cidade à procura de um artefato milenar. Lara precisa se unir a um velho amigo e ex-agente, Jason e a um demônio, Lucius, inimigo declarado de Lara desde sua infância, para descobrir quem está atrás do artefato e porque ele é tão importante. No entanto, a jornada de Lara vai lhe mostrar coisas que ela jamais esperava sobre perigo, amor, amizade e acima de tudo, sobre os estranhos e poderosos segredos do seu próprio passado.

Ontem terminei de ler o livro Os Sete Selos, o que podeia dizer deste livro?Surpreendente.

O livro conta a história de Lara Carver, ela trabalha para a “Agência” uma instituição especializada em fenômenos paranormais.

Lara é chamada para resolver um caso de ataque a um Bispo que trabalhava para a Agência, chegando na Igreja em que o Bispo foi morto Lara fica sabendo que quem matou o Bispo foi o Anjo Gabriel, o maior de todos os Anjos.

Gabriel e Lúcifer como todos sabem queriam acabar com a humanidade, porém Gabriel acabou desistindo do plano e “traindo” Lúcifer.

Lara é designada a resolver este caso porém terá que “aguentar” a presença de Lucius, o demônio que anos antes assassinou o pai de Lara e agora vai ajudar na investigação.

Com a condição de levar Jason, um antigo amigo e agente, Lara concorda em trabalhar com Lucius. A partir desde momento a história começa a ganhar vida.

Achei que a história fosse ser de uma menina que se apaixonaria pelo Anjo e pelo Demônio, que ficaria mais focado no romance ou em Lara. Ai que me enganei, o livro conta a história de uma Guerra travada desde os confins da Terra, pelo poder, a ganância de dois Anjos que são tão parecidos e se dizem tão diferentes um do outro.

Os Sete Selos conta com Gárgulas, espectros, armas de última geração, romance, traição e os principais valores da humanidade, Amor e Amizade.

O livro tem vários cenários, isso é que é o mais legal. Lara viaja por vários países, e várias dimensões. Indo do mundo dos mortos até o paraíso.

No meio da história acaba entrando para o grupo Roseanne, uma amiga de Jason que vai ajudar a desvendar os mistérios da busca pelo Objeto que Gabriel tanto deseja para exterminar a humanidade.

Os Sete Selos é um livro sobre anjos e demônios, a luta do bem e do mal em seus mais variados pontos de vista. Nem sempre os Anjos são Anjos como deveriam ser.

Para quem quer ler este livro, prepare-se pois você vai encontrar aventura do começo ao fim do livro.

O livro superou as minhas expectativas, pois a história acabou sendo totalmente diferente do que eu achava que fosse ser.

super recomendo e espero que o livro tenha continuação, pois Luiza autora do livro deixa abertura para novas histórias e aventuras, talvez com a Lara, mais de outros personagens.

Espero que tenham gostado da resenha, tentei falar um pouco do livro sem contar muito a história. Eu Adorei Os Sete Selos. Adorei os personagens e consegui montar na minha cabeça todas as passagens do livro. Sempre gostei de mitologia Grega e Religião, então pra mim Os Setes Selos foi um “prato cheio”.
>> MEU LIVRO ROSA PINK – por A Leitora


STARGATE: FRANQUIA ACABOU!

segunda-feira | 18 | abril | 2011

Pelo menos é o que afirma Brad Wright, co-criador da franquia que se originou do filme de 1994. Durante a Convenção oficial de Stargate, realizada em Vancouver no último final de semana, Wright surpreendeu o público presente declarando que a MGM cancelou todos os novos projetos relacionados a “Stargate” tanto para a TV quanto para o cinema ou DVD. A mesma informação foi postada pelo roteirista e produtor Joseph Mallozzi em seu blog.

Em seu Twitter, Martin Gero, que também trabalhou com a franquia, disse que ‘depois de 354 episódios e dois filmes direto em DVD, os cenários de “Stargate” estão sendo desmontados’. Mesmo com o cancelamento, os cenários das três séries ainda estavam erguidos nas dependências do Bridge Studio, em Vancouver, Canadá, na espera da autorização da MGM para dar início à produção de mais um filme ou temporada (no caso de “Stargate Universe”).

Elenco da série original

Stargate SG-1” estreou em 1997 como uma continuação ao filme exibido nos cinemas. Com 10 temporadas, ela se transformou na série de ficção científica mais longa da história da TV americana (na Inglaterra, a honra cabe à “Doctor Who”). Seu sucesso gerou duas spinoffs: “Stargate Atlantis” e “Stargate Universe“.

A primeira foi cancelada após cinco temporadas para dar lugar à segunda que, por sua vez, foi cancelada por baixa audiência, em sua segunda temporada. A série termina com um cliffhanger (final em aberto), sendo que seus últimos episódios ainda estão sendo exibidos nos EUA.

Quando “Stargate Atlantis” foi cancelada, os produtores prometeram um filme que daria um final à trama. Esse filme não vai mais ser produzido. Os fãs de “Stargate Universe” também não devem esperar por um filme que finalize a trama da série. Até mesmo os dois filmes de “Stargate SG-1″, que seriam lançados em DVD com os títulos de “Stargate: Revolution” e “Stargate: Extinction”, não serão mais produzidos, mesmo tendo os roteiros prontos.

Segundo Wright, a situação econômica do país e da MGM, que detém os direitos de produção, teriam determinado o fim da franquia, ao menos, em um futuro próximo. Nada impede que um dia, quem sabe, quando os ‘cofres estiverem cheios novamente’, o estúdio decida ressuscitar a franquia. Vamos torcer para que não seja com remakes, mas com uma continuação.
>> VEJA – por Fernanda Furquim


“DOCTOR WHO”: VEJA UM NOVO TRAILER

segunda-feira | 18 | abril | 2011

Sexta temporada começa a ser exibida na Páscoa

Enfim vai começar a sexta temporada de Doctor Who.

E a BBC não está economizando em comerciais, trailers e fotos. Assista abaixo a um novo trailer. O primeiro episódio, vai ao ar na Páscoa.

A série, produzida e exibida pela BBC, acompanha um personagem conhecido apenas como “The Doctor”, que viaja a bordo de sua máquina do tempo, a Tardis.

Doctor Who foi exibida entre 1963 e 1989, o que lhe garantiu um lugar no livro dos recordes como “a mais longa série de ficção científica do mundo”. Depois de um hiato (e alguns especiais), voltou a ser produzida em 2005 e retomou seu sucesso.
>> OMELETE – por Marcelo Forlani


“DEUSES AMERICANOS”: HBO FARÁ MINISSÉRIE DO LIVRO DE NEIL GAIMAN

segunda-feira | 18 | abril | 2011

deuses-americanos

Segundo o site The Hollywood Reporter, a HBO está desenvolvendo uma minissérie baseada no livro Deuses Americanos (American Gods), de Neil Gaiman.

Publicado nos Estados Unidos em 2001, Deuses americanosganhou os prêmio HugoNebulaLocus, Bram Stoker, World Fantasy e Geffen. O livro foi lançado no Brasil pela Conrad Editora, em 2002, e ganhará uma nova edição neste ano.

Playtone, empresa de Tom Hanks e Gary Goetzman, que desenvolveu séries como Band of Brothers e The Pacific está envolvida com o projeto.

Outros romances de Neil Gaiman adaptados para o cinema sãoStardust e CoralineO Livro do Cemitério (The Graveyard Book) também será transformado num filme, por Neil Jordan (diretor deCompanhia dos LobosMona LisaTraídos pelo Desejo e Valente). Gaiman também escreveu o roteiro de Beowulf.
>> UNIVERSO HQ – por Sérgio Codespoti


“AS AVENTURAS DE TINTIM”: PETER JACKSON FILMARÁ “O TEMPLO DO SOL”

segunda-feira | 18 | abril | 2011

TintimO roteirista Anthony Horowitz anunciou numa entrevista à rádio BBC, que Peter Jackson (da trilogia O Senhor dos Anéis) filmará As Aventuras de Tintim - O Templo do Sol.

Horowitz está adaptando para o cinema os álbunsAs Aventuras de Tintim – As Sete Bolas de Cristal e As Aventuras de Tintim – O Templo do Sol, de Hergé. O filme será produzido por Jackson e Steven Spielberg.

A HQ As Sete Bolas de Cristal (Les 7 boules de cristal) foi originalmente publicada no jornal Le Soir, entre 16 de dezembro de 1943 e 3 de setembro de 1944, durante a ocupação da Bélgica na Segunda Guerra Mundial. O material foi interrompido e teve continuidade em O Templo do Sol (Le Temple du Soleil). O primeiro álbum de As Sete Bolas de Cristalfoi lançado em 1948.

O Templo do Sol foi publicado na revista Journal de Tintin, entre 26 de setembro de 1946 e 22 de abril de 1948. A Casterman lançou o álbum dessa história em 1949.

Essa aventura já foi adaptada para um longa-metragem de animação, na década de 1970, num filme do estúdio Belvision.

primeiro filme da nova sérieAs Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne, dirigido por Spielberg, será lançado nos cinemas em outubro de 2011.
>> UNIVERSO HQ – por Sérgio Codespoti


A ESTÉTICA DO COMO PUDE ACREDITAR?

domingo | 17 | abril | 2011

Por que motivo os personagens dos folhetins e telenovelas são tão crédulos? Uma resposta cínica nos diz que se não o fossem não haveria história a ser contada, porque histórias dessa natureza requerem que certas mentiras sejam acreditadas durante cem capítulos, para serem desmascaradas no derradeiro. A credulidade, no entanto, nem sempre é sinônimo de ingenuidade. Nem todo personagem acredita por ser ingênuo, embora qualquer folhetim que se preze necessite de um bom contingente de pessoas ingênuas, pessoas de coração puro e mente passiva, daquelas que adoram cair numa conversa bonita.

Acontece que um vilão de folhetim não é apenas um sujeito mau e sem escrúpulos. Vilão bom é aquele em quem pressentimos uma inteligência superior. Um vilão meramente truculento e maldoso é uma peça desconfortável do enredo, é um caroço indigesto que precisa ser extirpado pelo herói. Muitos vilões da pulp fiction são assim. Mas gostamos quando percebemos que o vilão, além de canalha e sem escrúpulos, é também inteligente, perceptivo, tem conhecimento sutil das fraquezas humanas, tem jogo de cintura, tem senso de humor. São qualidades que de certo modo temos esperança de possuir; e o vilão deixa de ser apenas um obstáculo para ser também, provocantemente, um modelo. Ao invés de incômodo, é sedutor.

Se nós, leitores, somos vulneráveis aos encantos e aos argumentos de um tal vilão, qual não será a sorte de um pobre personagem? Acreditam, sim, deixam-se embair pelo papo-de-derrubar-avião do nosso Fantomas ou Fu-Man-Chu. Às vezes esses personagens intermediários chegam de arma em punho ao reduto do Senhor do Crime, prontos a livrar a humanidade daquela presença pestilencial; mas basta que o Anjo da Treva erga a mão e peça dois minutos de atenção para que tudo esteja perdido. O vingador acreditará, e isto é mais pungente ainda quando nós, leitores, percorremos aqueles parágrafos e pensamos cá conosco: “Ih, rapaz… pois não é que, de certa forma, sob um certo ponto de vista, ele tem mesmo razão?!”

Os personagens acreditam, e num piscar de olhos estão desarmados, manietados e jogados num calabouço. Ou, melhor ainda, estão livres e de volta ao mundo, só que com o ponto-de-vista reformatado. Olham o Herói com uma desconfiança sombria, porque agora estão sabendo das suas intenções turvas, dos seus propósitos inconfessáveis. Tudo que pensavam antes foi modificado por aquela meia hora de conversa. De agora em diante, perseguirão o Herói, sabotarão suas iniciativas, trabalharão dia e noite para derrotá-lo ou pelo menos para estorvar seus passos. Cheios de intenções nobres, farão o possível para ajustar sua conduta àquelas poucas mas terríveis verdades que o vilão, com ar compungido e falando quase que a contragosto, lhes revelou. Até que, no desfecho, quando o Herói derrotar o vilão e, enfim, toda a terrível verdade for mesmo revelada, exclamarão, com um sobressalto de horror: “Como pude acreditar?!”.
>> MUNDO FANTASMO – por Bráulio Tavares


“AS BRUXAS DE WESTFIELD”: GABI DIEHL, A MAIS JOVEM ESCRITORA DA LITERATURA FANTÁSTICA

domingo | 17 | abril | 2011

Gabi Diehl se inspira em grandes nomes da literatura, como Agatha Christie, J. K. Rowling, entre outros.

Com apenas 17 anos, Gabi Diehl é a mais nova escritora brasileira. Lançou sua primeira obra na Bienal do Livro, As Bruxas de Westfield, o primeiro livro da trilogia. A escritora oferece, através da literatura fantástica, uma história baseada em elementos da fantasia juvenil, fictícios e repletos de mágica e mistério.

O ano de 2010 foi repleto de contemplações para a jovem escritora, que além de receber oPrêmio Jovem Brasileiro, na categoria cultural, foi convidada a fazer parte da Academia Metropolitana de Letras, Artes e Ciências, sendo a mais nova acadêmica do País. O segundo livro da trilogia, “As Bruxas de Westfield e o Reino Desconhecido”, será lançado próximo a primavera e o terceiro está previsto para 2012.

Sua história: Com apenas oito anos de idade, Gabi Diehl começou a adquirir gosto pela leitura durante o período em que viveu nos Estados Unidos. Nesta época, ganhou um concurso na escola Chapel Trail Elementary School, em Pembroke Pines, na Flórida, com o conto “A Princesa e o Dragão”. A partir daí, não parou de escrever e pesquisar sobre elementos sobrenaturais. Ao completar 13 anos de idade, iniciou sua primeira trilogia, ‘As Bruxas de Westfiel’, lançado no ano passado.

Sobre o livro: Mortes sem explicações começam a alterar o cotidiano da pacata cidade de Westfield. Um grupo de adolescentes decifra uma lógica por trás das mortes e defronta pela primeira vez em suas vidas com a magia. Quando estão definitivamente envolvidos com toda essa trama, descobrem que já é tarde demais para se arrepender e voltar atrás. Só resta uma alternativa: colocar suas vidas em risco diante do desconhecido. Nesta áurea de magia e aventura, talvez nem todos daquele grupo irão sobreviver.

GABI DIEHL
A mais nova escritora brasileira, Gabi Diehl, com apenas 16 anos, lançou sua primeira obra, ‘ As Bruxas de Westfield’, na Bienal do Livro, em 2009. O segundo livro da trilogia, ‘As Bruxas de Westfield e o Reino Desconhecido’ já esta finalizado, e em pouco tempo será lançado. Suas obras são baseadas na literatura fantástica, e envolvem elementos sobrenaturais e fictícios, trazendo aos leitores muito mistério e magia.
>> REVISTA ZAP! – por Elizabeth Misciasci


ARQUEIRO: EDITORA SEXTANTE CRIA MARCA EXCLUSIVA PARA PUBLICAÇÕES DE FICÇÃO CIENTÍFICA

quarta-feira | 13 | abril | 2011

Objetivo é conquistar e fidelizar os leitores
adeptos do estilo literário

A editora Sextante anunciou que os livros pertencentes ao gênero ficção científica passarão a ser publicados sob a marca Arqueiro.

A proposta de uma marca exclusiva para o gênero visa conquistar e fidelizar os leitores adeptos do estilo literário.

A estréia da Arqueiro será com a reimpressão do livro “Água para Elefantes”, que vendeu 20 mil exemplares em 15 dias na primeira tiragem. Até o final do ano, 15 títulos deverão ser publicados pela marca.

Este ano a editora também irá imprimir e distribuir os livros Lago dos Sonhos (Kim Edwards), A Traição (Christopher Reich) e Heresia (S. J. Parris).
>> ADMINISTRADORES – da Redação


TECNOLOGIA QUE VEIO DA FICÇÃO CIENTÍFICA

quarta-feira | 13 | abril | 2011

Esqueça os “videntes”. Pelo menos no mundo da tecnologia, a melhor forma de prever o futuro é através das obras de ficção

“A vida imita a arte”, diz o ditado, e o prolífico campo da ficção científica não é exceção. Os gadgets e conceitos imaginados pelos autores para povoar seus mundos maravilhosos influenciam gerações e não raro acabam definindo, décadas depois, o rumo de segmentos inteiros da ciência e tecnologia. Veja alguns exemplos de coisas que pularam das páginas para as prateleiras.

Watson (2001: uma odisséia no espaço)
Talvez o mais infame exemplo de inteligência artifical seja HAL 9000, o computador antagonista de “2001: uma odisséia no espaço”, de Arthur C. Clarke. Podemos não ter um HAL de verdade (ainda) mas temos o Watson, o computador da IBM que recentemente destroçou os melhores competidores humanos no show de perguntas e respostas “Jeopardy!”, na TV norte-americana. E ele até soa como o HAL! Aposto US$ 1.000 em “dominação do mundo”.

iPad (Star Trek)
Personal Acess Display Device, ou PADD, é um gadget frequentemente encontrado nas histórias do universo de Star Trek desde a série original na década de 60. É um “tablet” usado pelos personagens para acessar e exibir informações variadas, desde diagramas de um reator de dobra às notícias do dia. De acordo com o “Star Trek: The Next Generation Technical Manual”, os PADDs são feitos de “epoxy com filamentos de boronita” que permite que sobrevivam a quedas de até 10 metros sem sofrer danos. Infelizmente, nosso iPad não conseguiu o mesmo.

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PADD, de Star Trek: precursor do iPad

Wikipedia (Fundação)
Na série “Fundação”, de Isaac Asimov, um matemático chamado Hari Seldon funda um campo de estudo acadêmico chamado “Psico-história” que lhe permite prever o futuro de uma sociedade baseado em probabilidades. Quando ele prevê a queda do Império Galáctico, cria uma organização devotada a acumular todo o conhecimento humano em um volume chamado de “Enciclopédia Galáctica”. Ao contrário da Wikipedia, os itens da Encyclopedia Galactica só podem ser editados pelas mentes mais brilhantes. Mas considerando a dificuldade de manter uma edição na Wikipedia, até que elas não são tão diferentes assim.

World of Warcraft (The Matrix)
Em “The Matrix” a humanidade é escravizada por máquinas e suas consciências são mantidas em um mundo virtual que só existe para manter as pessoas ocupadas demais para se rebelar. A Blizzard foi além e conseguiu fazer com que as pessoas paguem US$ 15 dólares por mês pelo privilégio. É por isso que o Keanu está triste.

Second Life (Snow Crash)
Boa parte da novela cyberpunk Snow Crash, de Neal Stephenson, se passa na internet, em um mundo virtual completamente imersivo chamado “Metaverso” que é uma extensão do mundo real. A Linden Labs construiu seu próprio Metaverso e o chamou de Second Life, onde as pessoas vendem terrenos virtuais por dinheiro real e fazem sexo virtual.

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Snow Crash mistura os mundos virtual e real

iRobot Roomba (Os Jetsons)
Ainda não temos uma empregada robótica como a Rosie, mas temos o Roomba, da iRobot. Ele é capaz de deixar seu chão limpinho sem que você precise fazer esforço, e o melhor: não fica resmungando sobre o quanto detesta limpar sua bagunça.

Serviços de teste genético (Gattaca)
No mundo de Gattaca, seu valor perante a sociedade é determinado pelos seus genes, que seriam capazes de indicar as conquistas em potencial durante sua vida. Nossa sociedade ainda não chegou a esse ponto, mas serviços de testes genéticos como o 23andme.com dizem ser capazes de indicar sua predisposição genética a doenças, reações adversas a medicamentos e até mais informações sobre seus ancestrais. Felizmente, tais testes não são um item requerido numa ficha de emprego. Ainda.

Controles com gestos (Minority Report)
Esqueça a precognição ou Tom Cruise. O que realmente deixou os nerds interessados em Minority Report foi a impressionante interface de computador operada por gestos. Embora displays holográficos não sejam comuns, o projeto DepthJS do MIT combina o Microsoft Kinect (acessório do Xbox 360) com código em JavaScript para permitir a navegação na web com gestos.

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Já é possivel navegar na web fazendo gestos no ar, como Tom Cruise
>> PC WORLD – por Patrick Miller, da PC World EUA


“PLANETA DOS MACACOS”: PRIMEIRO VÍDEO DO NOVO FILME “RISE OF THE PLANET OF THE APES”

quarta-feira | 13 | abril | 2011

Rise of the Planet of the ApesFoi revelado o primeiro vídeo do filme Rise of the Planet of the Apes. Curtíssimo, o vídeo foi divulgado pela WETA Digital para mostrar como ficou o visual de Caesar (Andy Serkis) o principal macaco da trama. Assista abaixo.

Além disso, foi divulgado também o logo oficial da produção, que você vê ao lado.

Rise of the Planet of the Apes é uma história de origem que começa nos dias atuais. Desenvolvido como uma mistura de ficção científica e alerta cinematográfico, mostra cientistas realizando experimentos cuja consequência é a criação de macacos inteligentes e o começo de uma guerra por supremacia.

A direção é de Rupert Wyatt, com roteiro de Amanda Silver Rick Jaffa. Os dois roteiristas atuam também como produtores, ao lado de Peter Chernin Dylan Clark. A WETA Digital (responsável pelos efeitos especiais de O Senhor dos Anéis Avatar) faz os macacos, empregando computação digital fotorrealista e não atores vestidos de macacos, pela primeira vez na história da franquiaPlaneta dos Macacos.

James Franco é o ator principal, acompanhado de Andy Serkis, John LithgowFreida PintoBrian Cox Tom Felton, entre outros. A estreia será em 5 de agosto nos EUA e em 2 de dezembro no Brasil.

O Planeta dos Macacos foi primeiramente apresentado na forma de um livro escrito por Pierre Boulle em 1963. Através de uma inteligente trama de ficção que envolve explorações espaciais e viagem no tempo, com os detalhes variando em cada versão criada posteriormente, a história se tornou um grande sucesso, um dos melhores exemplos de crítica social na ficção.

Em 1968 ganhou sua primeira versão para os cinemas, estrelada por Charlton Heston. O filme gerou quatro continuações, dois seriados para a TV (um animado e outro com atores) e diversos quadrinhos. Em 2001 o filme ganhou um remake dirigido por Tim Burton, que por sua vez também originou algumas HQs.
>> HQ MANIACS – por Leonardo Vicente Di Sessa


VOO DE GAGARIN FAZ 50 ANOS

terça-feira | 12 | abril | 2011
Voo de Gagarin faz 50 anos

"A Terra é azul", disse o soviético Yuri Gagarin em 12 de abril de 1961, em órbita a 300 km da superfície do planeta, inaugurando a história da exploração humana ao espaço

Há 50 anos, no dia 12 de abril de 1961, o soviético Yuri Alekseyevich Gagarin (1934-1968) viu algo que nenhuma outra pessoa na história havia observado: a própria Terra. Nos 108 minutos entre lançamento e retorno à superfície, a Vostok 1 pôs o cosmonauta no espaço e imediatamente na história.

“A Terra é azul”, disse Gagarin de uma altitude de 300 quilômetros ao controle da missão. Quatro anos antes a então União Soviética havia lançado o primeiro satélite, o Sputnik. Depois, o primeiro animal, a cadela Laika. Com o primeiro homem, a corrida espacial parecia ganha logo após ter começado, restando aos Estados Unidos ambicionar chegar primeiro à Lua, o que conseguiram em 1969.

Mas em abril de 1961 a notícia era Gagarin, uma celebridade internacional instantânea, que passou boa parte dos sete anos seguintes – até sua morte em acidente com um caça Mig – em viagens pelo mundo como representante maior do programa espacial soviético.

No Brasil, esteve no mesmo ano, no fim de julho e início de agosto, quando foi recebido por multidões em Brasília, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Na época, não havia relações diplomáticas entre o Brasil e a União Soviética, o que não impediu de ser saudado como herói. O filho de fazendeiros recebeu do então presidente Jânio Quadros a Ordem do Cruzeiro do Sul, concedido a personalidades estrangeiras.

Poucos se lembram de Alan Shepard ou Scott Glenn, que subiram ao espaço em seguida, mas Gagarin foi tão popular a ponto de o nome Yuri ser preferido para batizar legiões de meninos pelo mundo nos anos seguintes, inclusive no Brasil. A imagem do sorridente cosmonauta virou propaganda máxima de um país e um regime que lutava para vencer a pobreza ao mesmo tempo em que disputava a liderança política mundial com os Estados Unidos.

Para celebrar os 50 anos do voo de Gagarin, o escritor e cineasta inglês Christopher Riley, pesquisador visitante na Universidade de Lincoln, no Reino Unido, produziu First Orbit, que pode ser assistido pela internet, pelo endereçowww.firstorbit.org.

O filme usa imagens feitas pelas tripulações da Estação Espacial Internacional e contou com ajuda da Agência Espacial Europeia para recriar a viagem histórica da Vostok 1 e mostrar o planeta de forma como Gagarin pode tê-lo admirado em 1961.

Para comemorar a data, estão previstos outros 444 eventos em 70 países, de acordo com o Yuri’s Night, projeto mantido por um grupo internacional para celebrar o 12 de abril de 1961.

Planetário da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, o Clube de Astronomia Louis Cruls, em Campos dos Goytacazes (RJ), e o Clube de Astronomia de Fortaleza são alguns dos grupos brasileiros que comemorarão a data.

Mais informações: www.yurisnight.net

>> AGÊNCIA FAPESP


MOACYR SCLIAR (1937-2011)

terça-feira | 12 | abril | 2011

Moacyr Scliar escreveu mais de 70 livros em sua carreira

Moacyr Scliar escreveu mais de 70 livros em sua carreira

O premiado escritor mainstream Moacyr Scliar faleceu aos 73 anos no dia 27 de fevereiro último, após quarenta dias em terapia intensiva, depois de um acidente vascular cerebral sofrido durante procedimentos cirúrgicos menores.

Nascido em 23 de março de 1937, em uma família de judeus russos estabelecida em Porto Alegre, RS, Scliar formou-se em medicina e fez estudos de pós-graduação em Israel. Como escritor, publicou o seu primeiro livro, Histórias de Médico em Formação, em 1962. Ele viria a receber o Prêmio Jabuti, o principal prêmio literário brasileiro, três vezes, além do prêmio cubano Casa de las Americas, em 1989, e foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2003. Escreveu mais de 70 livros em sua carreira, vários dos quais dirigidos ao leitor jovem.

Scliar frequentemente escreveu formas de fantasia literária alegórica, em romances como O Centauro no Jardim (1980, publicado em inglês como The Centaur in the Garden), que trata uma família de emigrantes judeus, vindos da Rússia para o Brazil fugindo dos pogroms, na qual um de seus filhos nasce com o corpo de um centauro – numa alegoria dos sentimentos judeus de inadequação social, em um país novo. Esse livro foi inserido em uma lista dos 100 melhores livros relacionados à história dos judeus, montado pelo National Yiddish Book Center, dos Estados Unidos. Um sucesso mais recente com uma inclinação para o fantástico foi A Mulher que Escreveu a Bíblia (1999), sobre uma mulher feia, mas alfabetizada na antiguidade, que vivia em Jerusalém durante o reinado de Solomão.

Scliar esteve recentemente no centro de uma polêmica literária envolvendo o romance ganhador do Man Booker Prize, o principal prêmio literário da Inglaterra,Life of Pi (2001), de Yan Martel, cuja premissa é muito similar à da novela de Scliar, publicada em 1981, Max e os Felinos: no romance de Scliar, um garoto está à deriva no mar, num pequeno bote no Atlântico, com uma onça pintada como companheira de viagem, enquanto no livro de Martel, é um tigre no Oceano Pacífico. A inclinação de Scliar para o fantástico deve algo a Franz Kafka (1883-1924), influência reconhecida por ele em sua novela de 2000, Os Leopardos de Kafka, que presta homenagem ao escritor checo. Muitas histórias de Scliar tinham tendência similar.

Em 1993 e em 1997, Scliar foi professor visitante na Brown University e na University of Texas-Austin. Em 2010, ele deu a palestra de abertura da 4.ª Fantasticon, o maior evento de fãs de ficção científica e fantasia do Brasil, organizado em São Paulo por Silvio Alexandre. Seus livros foram publicados em vinte países, incluindo Rússia, República Checa, Eslovênia, Suécia, Noruega, França, Alemanha, Estados Unidos e Espanha. Deixou a esposa Judith, e o filho Roberto, um fotógrafo.
>> TERRA MAGAZINE – por Roberto de Sousa Causo


A QUEM PERTENCE UMA SÉRIE?

domingo | 10 | abril | 2011

Nós brasileiros estamos acostumados a pensar que um canal de TV é dono de seu programa porque ele é quem produz. Por isso, fica difícil compreender que em outros países o procedimento é outro. Os canais são vitrines que exibem conteúdo.

Os proprietários dos programas são os produtores, que oferecem projetos aos canais. Estes pagam pela produção do projeto e pelo direito exclusivo de exibição.  Dependendo do sucesso, o valor para continuar a exibir o programa em sua grade se eleva. Se o programa sofre para manter sua audiência, o valor cai.

Basicamente, o lucro dos canais está na venda de espaços publicitários, ou seja, os famosos intervalos comerciais dentro do horário de exibição do programa (ou dentro da narrativa). Para que o canal possa ter um lucro bom, é necessário que o programa tenha uma boa audiência, ao menos entre o público alvo dos anunciantes, que geralmente compreende a faixa etária entre 18 e 49 anos. Já o lucro dos produtores está no bônus que recebem dos canais pelo sucesso dos programas e na venda do produto para reprises e outras mídias.

Atualmente, os grandes canais americanos pertencem a corporações (ou são associados a elas). Estas são proprietárias de redes de TV, de produtoras e de distribuidoras (entre empresas de outras áreas). Por exemplo: a CBS Corporation produz através da CBS Studios, exibe pelo canal CBS e vende programas para canais regionais, internacionais e outras mídias através da CBS Television Distribution.

Mas isto não significa que todas as produções da CBS Studios precisam ser exibidas pelo canal CBS. A lei de mercado determina que as produtoras ofereçam seus produtos a todo e qualquer canal operante no país. Caberá ao canal desejar comprar aquele determinado produto ou não. A partir do momento que ele compra o produto, um contrato de exclusividade é estabelecido para que as temporadas da série sejam exibidas por ele. O contrato tem validade e, por isso, precisa ser renovado. Caso contrário, a produtora terá liberdade de oferecer o produto a outro canal. O mesmo ocorre quando uma série é cancelada pelo canal.

Os programas também podem ser produzidos por empresas independentes, geralmente formadas por um grupo de produtores. Em geral, essas empresas têm três linhas de trabalho: elas podem desenvolver projetos por conta própria e oferecê-los a canais em geral; podem oferecer projetos para canais que pagarão pelo desenvolvimento dos mesmos; ou podem assinar um contrato com um canal específico para desenvolver um número ‘x’ de projetos durante um período ‘y’. Geralmente, empresas de médio porte trabalham com as três linhas ao mesmo tempo.

Por questões financeiras, é normal que essas empresas se associem a outras produtoras para conseguir desenvolver um produto, bem como a distribuidoras, que oferecerão os produtos a nível internacional.

Já as empresas pequenas, muitas vezes formadas por um ou dois produtores associados, trabalham a terceira opção: assinam contratos para oferecer um número ‘x’ de projetos para um determinado canal durante um período ‘y’. Neste caso, é comum que a empresa exista apenas no papel, não tendo um espaço físico próprio. Assim sendo, ocupam uma área cedida pelo canal.

Esta postagem traz uma visão geral de como funciona a produção nos EUA. Como todas as regras, existem as exceções, que estabelecem comportamentos diferenciados, os quais devem ser considerados caso a caso.

Confiram também a postagem “O Processo de Produção de Novos Projetos“. Quem estiver interessado em outros textos como este, acompanhem a seção Televisão deste blog.
>> VEJA – por Fernanda Furquim


“GAME OF THRONES”: HBO DIVULGA VÍDEO DE BASTIDORES COM 25 MINUTOS

domingo | 10 | abril | 2011

Série começa a ser exibida em 17 de abril nos Estados Unidos

A HBO lançou na última semana em seu canal oficial no YouTube um vídeo de 25 minutos que explora praticamente tudo sobre a nova série épica Game of Trones.

Assista abaixo ao elenco e equipe falando sobre os personagens, a trama e tudo mais relacionado ao seriado:

O vídeo é mais uma prova do empenho do canal na divulgação de Game of Thrones. No domingo passado foi exibida nos EUA uma prévia de 14 minutos do primeiro episódio.

A série se passa em Westeros, uma terra reminiscente da Europa Medieval, onde as estações duram por anos ou até mesmo décadas. A história gira em torno de uma batalha entre os Sete Reinos, em que duas famílias dominantes estão lutando pelo controle do Trono de Ferro, cuja posse assegura a sobrevivência durante o inverno de 40 anos que está por vir.

Game of Thrones é encabeçada por Lena HeadeySean BeanMark Addy.

Nikolaj Coster-WaldauKit HarringtonJack GleesonPeter DinklageHarry Lloydcompletam o elenco principal. David Benioff D.B. Weiss produzem e Thomas McCarthy (O Agente da Estação) dirige o piloto. Cada temporada cobrirá o enredo de um livro da série.

Game of Thrones estreia nos EUA em 17 de abril.

E o quinto volume, A Dance with Dragons, já teve sua data de lançamento anunciada.

Assista a um teaser e a um making-of

Leia mais sobre Game of Thrones
>> OMELETE – por Aline Diniz


“AS AVENTURAS DE OSCAR PILL”: PRODUTOR DE “HARRY POTTER” VAI ADAPTAR A SÉRIE LITERÁRIA

domingo | 10 | abril | 2011

Com o fim da série “Harry Potter” este ano, a Warner e o produtor da franquia, David Heyman, não perderam tempo e compraram os direitos de uma outra série literária de fantasia que eles planejam levar para os cinemas em breve. Segundo o The Wrap, Heyman vai produzir junto com Jeff Clifford (“Sexo Sem Compromisso“) a trilogia literária francesa de Eli Anderson “As Aventuras de Oscar Pill“.

A série já faz um grande sucesso na Europa e já foi inclusive transformada em mangá. Aqui no Brasil, apenas o primeiro volume foi publicado pela editora Agir/Ediouro. A primeira parte é “A Revelação dos Médicus”, seguido por “Os Dois Tronos” e “O Segredo da Eternidade”.

Oscar Pill  é um adolescente muito comum até o dia em que descobre que tem o poder de entrar dentro do corpo humano e que pertence à Ordem de Médicus. Sua missão é combater seus inimigos, os Pathologus. Ele vai viajar por cinco mundos fabulosos do corpo humano para encontrar um troféu em cada um e poder seguir para o próximo mundo. Ele também vai tentar encontrar as causas misteriosas da morte de seu pai, um grande Médicus. No primeiro livro da série, Oscar descobre que ele é um Medicus e segue para Cumides Circle para continuar com seu treino, dominar seu poder e se transformar em um dos maiores Médicus de todos os tempos.

O filme ainda não possui cronograma.
>> CINEMA COM RAPADURA – por Camila Fernandes


“KILL BILL VOL. 3″: DARRYL HANNAH CONFIRMA FILMAGEM

domingo | 10 | abril | 2011
Daryl Hannah em "Kill Bill" (Foto: Divulgação)

Daryl Hannah em "Kill Bill"

A atriz americana Daryl Hannah confirmou a filmagem da terceira sequência da saga “Kill Bill”, do diretor Quentin Tarantino, e contou que o roteiro contará com duelos entre a filha da protagonista, a Noiva, e da filha de sua inimiga, Cabeça de Cobre.

Hannah foi a estrela internacional convidada para inauguração desta quinta da Mostra de Valência, que nesta edição, a segunda dedicada ao cinema de ação e aventura, homenageou a atriz.

Uma de suas atuações mais conhecidas é a de Ellen Driver de “Kill Bill”, no qual interpreta uma assassina sanguinária que deve voltar às telas de cinema em 2014, ano previsto para a estreia da terceira sequência da saga de ação que apontou Uma Thurman como heroína justiceira.

Em entrevista coletiva, Hannah não revelou detalhes sobre o próximo filme, porque o próprio Tarantino não sabe ainda se o projeto incorporará recursos de animação ou outra tecnologia.

A atriz explicou que Tarantino adiou a continuação de “Kill Bill”, cujos dois volumes estrearam em 2003 e 2004, porque esperou que “a filha da Noiva”, interpretada por Uma Thurman, e a filha de Cabeça de Cobre” – pertencente ao Esquadrão Assassino de Víboras Mortais que tenta matar a Noiva – “fossem suficientemente mais velhas para poderem serem inimigas”.

Segundo Hannah, a filha da inimiga, Nikki Green (Ambrosia Kelley), vai querer enfrentar a filha da Noiva porque presenciou a morte de sua mãe pelas mãos da personagem de Uma Thurman no primeiro filme “Kill Bill”, quando tinha apenas 10 anos.

A atriz homenageada na Mostra confessou que fazer cinema foi para ela “um sonho que se tornou realidade” e que o melhor que a profissão lhe deu foi a possibilidade de “se perder em um mundo imaginário, viajar para muitos lugares e viver diferentes vidas”.

“Filmar com Quentin [Tarantino] é a melhor experiência que um ator pode ter porque é como ir a uma escola de cinema. Ele sabe tudo de qualquer filme que se tenha feito”. Além disso, acrescenta, “sua felicidade é contagiante”.

A atriz, que se formou como produtora, prepara um documentário e vai dirigir “uma pequena série de comédia”, apesar de reconhecer que a direção de cinema é “difícil e tira muito tempo”.
>> G1 – por EFE


“CAPITÃO AMÉRICA”: FILME PORNÔ EM PRODUÇÃO

domingo | 10 | abril | 2011

Seguindo o caminho de todos os outros super-heróis dos quadrinhos, o Capitão América também terá sua versão “adulta” comCaptain America: An Extreme Comixxx Parody, filme pornô que está sendo produzido pela Extreme Comixxx.

O lançamento está prevista para julho, mesmo mês em que a produção da Marvel Studios chegará aos cinemas.

O Capitão América foi criado em 1941 por Joe SimonJack Kirby. No início da 2ª Guerra Mundial, o soldado Steve Rogers foi voluntário em um experimento com o soro do super-soldado, desenvolvido pelo Dr. Abraham Erskine. Dessa maneira, ele se transformou de um rapaz franzino no combatente perfeito. Armado somente com seu escudo, e tendo ao lado seu parceiro Bucky, o Capitão América enfrentou os nazistas durante a guerra. Acabou sendo congelado perto do final do conflito e voltou à ativa depois de ser encontrado pelos Vingadores, anos depois.

Morto após os eventos da saga Guerra Civil, foi logo substituído por seu antigo parceiro Bucky, que atua como Capitão América usando um uniforme levemente modificado, mesmo após o retorno de Rogers.
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno


“GAME OF THRONES”: HBO EXIBE PRÉVIA DE 12 MINUTOS

quarta-feira | 6 | abril | 2011

A HBO está apostando alto em “Game of thrones” e segue divulgando a série de fantasia medieval com o maior alarde possível. Neste domingo foi ao ar uma prévia de 12 minutos do primeiro episódio, aumentando ainda mais a expectativa entre o fãs do livro de George R.R. Martin. A série estreia dia 17 de abril nos EUA. Com orçamento de US$ 60 milhões, a primeira temporada será dividida em 10 espisódios.

A prévia mostra o prólogo do primeiro livro e apresenta os personagens da família Stark. A cena da execução de um desertor da Patrulha da Noite, presente em quase todos os trailers lançados até agora, é mostrada na íntegra. Clique aqui para ver os 12 primeiros minutos.

A série é inspirada nas “Crônicas de Gelo e Fogo”, saga de sete livros escritos por Martin. Quatro livros já foram publicados nos EUA e o quinto chega às lojas em junho. No Brasil, apenas os dois primeiros livros – “A Guerra dos Tronos” e “A Fúria dos Reis” – já foram publicados.

A história gira em torno de sete famílias que disputam o trono do reino de Westeros, enquanto enfrentam a ameaça de uma invasão de bárbaros vindos do norte além de criaturas ainda mais assustadoras. Martin é aclamado como o “Tolkien americano” pela qualidade do seu texto e o apelo da história e dos personagens mesmo entre o público menos ligado em histórias de fantasia.

Além dos trailers tradicionais, a HBO criou diversas formas de manter os fãs ligados na série mesmo antes da estreia. No site oficial há jogos que revelam novas cenas, fotosenquetessobre a casa e personagem preferido de cada um.
>> O GLOBO – da Redação


“ASSEMBLEIA ESTELAR”: FICÇÃO CIENTÍFICA E POLÍTICA, TUDO A VER

segunda-feira | 4 | abril | 2011


Inovadora, ao menos para o Brasil, é a iniciativa da Devir Livraria de editar, em seu selo de ficção científica Pulsar, a antologia “Assembleia Estelar: histórias de ficção científica política” (408 páginas, R$ 39,90) O organizador e editor, escritor de ficção científica e cientista político Marcello Simão Branco, teve uma ótima ideia e conseguiu uma interessante seleção de textos, que inclui algumas obras-primas e cobre um amplo espectro de estilos, posturas e preocupações.

Pena que a introdução do organizador, “Afinidades Eletivas entre Ficção Científica e Política”, seja surpreendentemente parcial e superficial na discussão das temáticas e tendências das tantas obras que cita. É desconcertante que se afirme sem justificar que “‘Fundação’ realiza no fundo uma defesa da democracia em meio à ascensão dos regimes totalitários da época”. A trilogia de Isaac Asimov é a epopeia de uma organização secreta que manipula toda a Galáxia de acordo com supostas leis psico-históricas sem consultar as massas e sem deixá-las conhecer seus objetivos. Não se poderia pedir melhor exemplo do “governo de técnicos” que o próprio autor associa a Platão e Hegel e, com popperiano maniqueísmo, define no primeiro parágrafo da introdução como elitista, centralizadora e o oposto da “democracia” para ele representada por Aristóteles e James Madison (um dos “pais fundadores” da Constituição dos EUA e seu quarto presidente). Ora, nada mais parecido com um Hegel interestelar que Hari Seldon, o criador imaginário da “Fundação”!
Ler que “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley “vislumbra os regimes totalitários de então” é também insólito. Essa sociedade consumista conta os anos “depois de Ford”, promove o uso recreacional de sexo e drogas e tem como lema “Mais vale dar fim que consertar. Quanto mais se remenda, menos se aproveita”. Será mesmo que estava falando só de Mussolini ou Stálin?

É empobrecedor reduzir Duna de Frank Herbert a um romance sobre ecologia – como se não tratasse, de forma ainda mais patente, de imperialismo, fanatismo religioso e mesmo da dependência do Ocidente do petróleo árabe e iraniano. E mais ainda dizer que O Sonho de Ferro de Norman Spinrad é sobre um Hitler que, em vez de se tornar o Führer, emigrou para os EUA e se tornou autor de ficção científica, evitando “a nova guerra mundial e seus horrores”. Isso é apenas a irônica orelha do livro. O núcleo é uma “jornada do herói” intitulada “O Senhor da Suástica”, de autoria do Hitler ficcional, que é uma paródia feroz dos subtextos racistas e fascistas de uma tradição de literatura de fantasia e ficção científica heroica que inclui Edgar Rice Burroughs, J. R. R. Tolkien, Robert Howard, Philip Nowlan e Alex Raymond, entre outros. Segue-se uma resenha da obra de Hitler por um crítico imaginário, na qual se deixa entrever que sua desistência da política possibilitou o domínio soviético da maior parte do mundo alternativo e um genocídio ainda maior.

Ainda assim, a introdução vale pelo amplo levantamento da história da ficção científica política do Brasil e do mundo, que talvez surpreenda quem vê o gênero como mero entretenimento inconsequente – ideia comum não só entre os que o desprezam, como também entre muitos fãs. Faltou, talvez, mencionar o papel da política em obras que não a tematizam explicitamente, mas nem por isso deixam de ser fortemente carregadas de ideologia – o que inclui desde a complexa caracterização do iluminismo, do “bom selvagem” e das ideias da Revolução Francesa no “Frankenstein” de Mary Shelley até os subtextos políticos, sutis ou nem tanto, da maior parte da ficção científica de “aventura”, do ufanismo conservador do “Independence Day” de Roland Emmerich ao ecologismo sentimental do “Avatar” de James Cameron.

O primeiro conto, “A Queda de Roma, Antes da Telenovela”, é do escritor português Luís Filipe Silva. O tema é um futuro sistema de governo por meio de debates públicos e plebiscitos eletrônicos. Os eleitores escolhem entre propostas elaboradas por especialistas e acompanhadas de estudos sobre viabilidade econômica, impacto social e ecológico e assim por diante.

A ideia de democracia informática direta é comum na ficção científica e em fóruns de internet e geralmente vista com otimismo, quando não como uma via expressa para a utopia. Mas neste conto, essa perspectiva leva apenas à mediocridade “tecnocrática” (e ao mesmo tempo, “democrática”), por esvaziar a política de emoção e de objetivos grandiosos. O protagonista é um político da velha guarda que em outros tempos teria sido um grande líder, mas nessa realidade é um velho decadente cujos discursos inspirados fracassam em motivar os cidadãos em torno de sua proposta de busca de vida extraterrestre.

Nesta curiosa ficção parece se fazer sentir o desencanto de muitos europeus com a tecnocracia de Bruxelas e a frieza distante do sistema político da União Europeia, que se supõe democrático, mas é tão mediado por representantes e burocracias e restringido por normas legais, técnicas e financeiras que faz o cidadão sentir-se irrelevante e impotente. O estranho é se associar o mal-estar não ao amplamente reconhecido “déficit democrático” de uma democracia excessivamente indireta, mas a uma forma de democracia direta jamais testada. Por outro lado, é uma das poucas tentativas nesta coletânea de realmente especular sobre o futuro da política, em vez de ambientar conflitos políticos do passado ou do presente em um cenário especulativo.

Como é o caso de “Anauê”, do advogado carioca Roberval Barcellos. A ideia de um Brasil alternativo no qual o integralismo chegou ao poder e aliou-se à Alemanha nazista poderia render uma história instigante, mas a má execução faz deste o conto menos interessante da coletânea.

É basicamente uma adaptação para o Brasil do romance “Pátria Amada” do britânico Richard Harris, adaptado como filme para a tevê por Christopher Menaul como “A Nação do Medo” (“Fatherland”, no original). Em 1980, um certo Ubiratan Silva, “relações públicas” do Partido Integralista, se desencanta do regime que começa a perseguir judeus sob pressão do Führer Rudolf Hess. Perde a confiança do governo, é repudiado pela esposa e enviado para perto da fronteira da Colômbia, controlada pelo inimigo, os EUA.

Não é bom entretenimento, devido à construção desajeitada, interrompida a toda hora por explicações com jeito de nota de rodapé no lugar errado. Também não é boa especulação, devido ao excesso de incongruências e soluções forçadas. Sua versão do integralismo repudiou por décadas o racismo e o antissemitismo de Gustavo Barroso para afastar a “ameaça de intervenção americana”, mas da noite para o dia passa a exterminar judeus para agradar o Führer prestes a visitar o Brasil. A esposa do “relações públicas” exige o divórcio em um regime supostamente católico e tradicionalista. Brasil e Colômbia estão em guerra não declarada, mas uma linha de trem expresso cruza a fronteira.

O povo, submisso e manipulado há décadas pelo regime, fica indiferente quando judeus são subitamente presos nas ruas e escolas e desaparecem, mas a simples divulgação de fotos dos campos de concentração e fornos crematórios armados na Amazônia provoca “uma grande revolta com o apoio americano e de brasileiros exilados”.

Do veterano escritor André Carneiro, o curto conto “Gabinete” gira em torno das lembranças e experiências subjetivas da protagonista, de seus afetos, medos e aflições enquanto seu grupo guerrilheiro planeja e leva a cabo um grande atentado. Como envolve um “prédio do governo” de duzentos andares e “aviões 878”, pode-se dizer que o ambiente é vagamente futurista, mas o clima, os hábitos e o que se percebe da vida e da sociedade remetem às organizações armadas da extrema-esquerda brasileira durante a ditadura militar. Embora literariamente atraente, é na realidade pouco político. Não se menciona a razão da luta, a natureza do regime ou a ideologia da guerrilha: soa antes como um conto sobre a falta de sentido de tudo isso.

A noveleta “Trunfo de Campanha”, do escritor Roberto Causo, retoma seu personagem Jonas Peregrino. Capitão da ELAE, “Esquadra Latinoamericana na Esfera”, esse caboclo matogrossense já protagonizara o conto “Descida no Maelström” da antologia “Futuro Presente” da Record, no qual conquistou uma grande vitória contra os misteriosos alienígenas tadai e frustrou uma tentativa de assassinato e sabotagem por parte dos aliados euro-russos, que tentaram impedir os latinoamericanos de colherem os frutos da vitória.

Nesta sequência, a saída de cena dos tadais alimenta a rivalidade interestelar entre facções humanas – citam-se latinoamericanos, euro-russos, transatlântico-pacíficos, asiáticos-centro-oceânicos e ecumênicos-islâmicos. Para não se envolver na guerra fratricida, Peregrino quer deixar a vida militar, mas o almirante Túlio, seu superior, retarda a dispensa e o envia a um hotel de luxo onde encontra uma agente, ruiva e voluptuosa, é claro, que tenta todas as formas de persuasão, suborno, adulação e sedução para convencê-lo a pôr seu prestígio de herói espacial a serviço de um político que pretende liderar os latinoamericanos no conflito “internacional” que se aproxima, inimigo do superior de Peregrino. Tendo já provado sua coragem física e habilidade tática, o herói testa agora sua integridade moral e astúcia política.

A noveleta tira parte do seu interesse do processo de construção de um idealizado herói militar, que a cada vez se mostra imaculado, íntegro e de vontade inquebrantável. Outra parte vem da trama política que atrai por sua complexidade e ambivalência, apesar de não trazer especulações instigantes.

A “Latinoamérica” é uma federação semipresidencialista de escala interestelar. Parte do jogo político depende da representação mais que proporcional de territórios pouco povoados na federação, uma questão bem familiar ao Brasil – só que em vez de pequenos estados do norte e nordeste trata-se aqui de sistemas solares inteiros. Somando-se o confronto direto pelo poder entre um comandante militar e um político civil, inadmissível num regime democrático, não sobram dúvidas de que se trata de uma projeção no espaço interestelar do futuro de conflitos do Brasil (ou da América Latina) do século passado. Mas a vasta escala de uma sociedade com complexas relações com alienígenas mostra certo descompasso com a transposição demasiado direta das provincianas rivalidades geopolíticas de um minúsculo planeta no início do século 21 para uma escala galáctica. Soaria irônico se não fosse o tom de cândido ufanismo, com direito a aparição especial do Saci-Pererê e orgulho pela colonização latinoamericana de uma estrela do Cruzeiro do Sul.

Sente-se falta de um melhor aproveitamento das possibilidades de um cenário de space opera. O conto anterior envolvia estratégia militar espacial, experiências biológicas avançadas e relações com muitas espécies alienígenas, mas neste tudo se passa como numa história de espionagem nos dias de hoje, com refeições, garçonetes, laptops, livros e bottons banais.

A linguagem da noveleta é rica e fluente, apesar de dois tropeços – “ponto passivo” por ponto pacífico, “destilado” por fermentado (vinho) – e ao menos uma frase que precisaria ser retraduzida: “tinha longos cabelos castanhos e era acompanhada por um gato obviamente elevado, com uma cibercoleira”. Popularizado pela série “Uplift” de David Brin (nunca editada no Brasil), uplifted é um jargão já convencional na ficção científica anglo-saxônica para um animal tornado inteligente, mas “elevado” precisaria ser explicado ao leitor brasileiro.

Daniel Fresnot, filho do cineasta Alain Fresnot (diretor de “Lua Cheia” e “Desmundo”, entre outros), contribui com “Diário do Cerco de Nova York”. Como o romance “O Presidente Negro” de Monteiro Lobato, esse conto parece presciente à primeira vista, mas a uma leitura mais atenta mostra que qualquer semelhança com a realidade é mesmo pura coincidência. Publicado originalmente em 1984 (no primeiro mandato de Reagan, portanto), narra uma revolta separatista liderada por um populista de direita contra o governo e os impostos federais. Apesar de ambientada no mundo dos anos 80, quando “só os Estados Unidos têm computadores antiquados à venda como ferro-velho”, faz pensar por um momento no fanatismo Tea Party de hoje. Obama ainda era um recém-formado, mas o protagonista escreve um livro sobre o amor mal-sucedido entre uma mulher branca estadunidense e um intelectual africano.

O problema é que se afasta tanto das realidades da política estadunidense que, mesmo assim, é inverossímil. Fosse a rebelião liderada pelo governador de um estado conservador, cheio de milícias bem armadas e rico em recursos naturais, como o Alasca ou o Arizona, pareceria mais plausível – mas se trata do prefeito de Nova York, uma cidade liberal e multicultural que depende do resto do país para energia, água, comunicações e combustíveis, para ter atividade econômica (visto ser um centro financeiro e de serviços para o país) e até para que seus moradores possam tomar o elevador para seus apartamentos e escritórios.

Apesar disso, os nova-iorquinos, incluindo o liberal New York Times, são seduzidos em massa pela retórica populista para lutar contra uma intervenção federal (descabida, porque isso seria atribuição do governo estadual, ignorado no conto) e com armas leves e barricadas resistem por três meses aos marines, cruzadores e caças do Pentágono. É uma transposição forçada da Comuna de Paris. Não leva em conta que a natureza política do movimento francês de 1870 era o exato oposto do que imagina para sua Nova York, nem que uma cidade do século XX é muito mais vulnerável que uma do século XIX. Não traz uma reflexão política interessante, pois a adesão das massas ao líder surge como irracional e incompreensível. Vale pelo relato pessoal e sentimental do protagonista, um escritor francês que observa os acontecimentos de uma perspectiva, digamos, obelixiana (“esses romanos são loucos!”), enquanto se envolve amorosamente com uma nova-iorquina e escreve seu livro.

“Saara Gardens”, do advogado e empresário Ataíde Tartari, é uma ficção política que, embora ambientado numa futura “União Global” com capital em Istambul, faz uma transposição tão direta de questões do Brasil recente que chega a soar como um roman à clef. A presidência desse governo mundial está sendo disputado entre a “preservacionista militante” Miranda Ribeiro, uma brasileira cronicamente anêmica (terá também nascido no Acre?) e um candidato colombiano chamado Alonzo Urano (hum…). Urano é apoiado por uma empreiteira chamada Camaro Korrea (!) que pretende a todo custo impedir a eleição da brasileira porque ela é contra o projeto de irrigação do Saara (leia-se Transposição do São Francisco) do qual participaria, e que daria enormes lucros a seu dono, que há anos comprava terras no deserto. Para impedir a eleição de Miranda, recorrem a uma manobra engenhosa que a torna inelegível. O conto se prestaria a uma especulação mais densa sobre as possibilidades e problemas de um governo global, mas o pouco que é dito sobre seus mecanismos e princípios serve apenas para tornar viáveis a trama e seu desenlace. Mais uma vez, é uma mera tradução do passado recente do Brasil no futuro do planeta, com a conclusão implícita de que nada pode mudar.

Do bancário carioca Miguel Carqueija, “Era de Aquário”, de fins dos anos 80, testemunha o cínico pessimismo que se apossou de grande parte do País nos anos seguintes ao fracasso do Plano Cruzado. Em um dia de um ano indeterminado do século 21, no qual helicarros e aerônibus são comuns, um guarda-costas ouve no noticiário da manhã que “somente três deputados e um governador haviam sido assassinados na véspera” e em seguida a transmissão é interrompida por uma bomba na estação de tevê. Juntamente com uma colega o guarda-costas trata de levar um senador de sua casa para uma palestra sobre o grandioso futuro do Brasil, e para isso precisa enfrentar uma violenta batalha aérea com assassinos dispostos a tudo. De político, o conto só tem propriamente a a presença do senador, pois não tenta nenhuma análise ou explicação das causas por trás dessa violência. Reflete antes a visão superficial e apolítica do espectador de noticiários policiais sensacionalistas, que tudo atribui à incompetência das autoridades e à maldade humana, conformando-se com uma realidade que não faz questão de entender.

“A Evolução dos Homens sem Pernas”, do roteirista e dramaturgo paulistano Fernando Bonassi, de 2009, fala não tanto de política quanto da estupidez da história humana, vista como uma acumulação sem sentido de inovações tecnológicas inúteis e nocivas, culminando numa evolução lamarckiana que leva os homens a perderem as pernas, por falta de uso e justificar sua deficiência com a ideologia que fez disso uma “evolução lógica” e pelos livrinhos de autoajuda garantindo que “menos é mais”. Vale pela habilidade irônica da prosa ágil e satírica do autor, mas uma ideia parecida é contada de maneira especulativamente bem mais instigante (e mais pungente) na animação Wall-E (2008). E o autor, talvez sem perceber, dá uma feia trombada nos direitos dos cadeirantes, ao zombar da quase revolução feita pelos “homens sem pernas” ao exigir melhores acessos a edifícios e repartições públicas até que “os anormais assumiram totalmente os controles reprodutivos sociais e os normais finalmente tornaram-se a minoria que sempre foram”.

De Henrique Flory, matemático e empresário, “A Pedra que Canta” é a ambientado no Brasil de 2018. Publicado originalmente numa coletânea do autor de 1991, o conto foi atualizado para esta antologia com alusões a Lula (impedido “pela guerra” de tomar posse em 2018, o que parece supor um golpe militar), Hugo Chávez e Evo Morales (depostos) e à China como grande potência emergente, mas seu horizonte político é o de meados do século passado, quando o risco de guerras de conquista entre países sul-americanos era (ao menos entre os militares) levado muito a sério e a Argentina, com forças armadas modernas e um desenvolvimento econômico qualitativamente superior, era vista como um grande perigo para o Brasil.

Em vez do “peronismo”, há no país vizinho um movimento liderado por um certo Perez, ou “perismo”. Com apoio da China, a Argentina alia-se em 2010 a um Paraguai transformado em “tigre asiático” por um certo presidente Kim Uan com o objetivo de dividir Brasil e Bolívia entre eles, nada menos. Como trama política, deixa muito a desejar, tanto por inverossimilhança quanto por não se dar ao trabalho de explicar o que é o tal “perismo” ou como empolgou a Argentina. Como história de guerra, consegue, porém, ser interessante.

Os argentinos estão ganhando a guerra e já ocuparam todo o sul do Brasil e o oeste de São Paulo até perto de Bauru. Para detê-los, os brasileiros decidem pôr em ação a teoria da conspiração favorita dos militares argentinos dos anos 70: abrir as comportas de Itaipu de modo que todas as cidades mais populosas da Argentina, inclusive Buenos Aires, sejam arrastadas pelas águas. Como a represa está em território ocupado pelo inimigo, é necessária uma difícil missão de infiltração e sabotagem, complicada pela necessidade de o tenente encarregado da missão levar consigo um adolescente portador de osteogênese imperfeita, popularmente conhecida como “ossos de vidro”: esqueleto extremamente frágil, sujeito a fraturas a qualquer esforço.

Por quê? A justificativa é forçada: inventou-se um chip que pode ser implantado no cérebro e ajuda o doente a pressentir o risco de fratura, visualizando-o como um “ponto vermelho” nos seus ossos. O governo brasileiro, com ajuda europeia, suborna a empresa japonesa para implantar uma versão “aperfeiçoada” do chip que permite visualizar os pontos fracos de qualquer objeto, inclusive uma grande represa. A pergunta é inevitável: supondo que esse chip existisse, por que não implantá-lo diretamente no militar, evitando as dificuldades morais e práticas de conduzir um despreparado deficiente físico através das linhas inimigas? Vale só como artifício para explorar a perplexidade, as dúvidas e os medos de um protagonista frágil e sensível, enquanto o tenente que o carrega nas costas assume plenamente o clichê do soldado de elite eficiente, invencível e impiedoso. Uma vez aceita a premissa improvável, o conto consegue interessar e até emocionar, ainda que não do ponto de vista político. A guerra pode até ser a continuação da política por outros meios, como dizia Von Clausewitz, mas não é a mesma coisa.

“O Dia Antes da Revolução”, conto de 1974 da escritora estadunidense de ficção científica Ursula K. LeGuin, é uma prequela a um de seus romances mais famosos, “Os Despossuídos”, mas não é indispensável tê-lo lido para entender o conto. No romance, os seguidores de uma líder anarquista chamada Laia Odo tinham migrado há gerações para o satélite habitável Anarres e criado uma nova sociedade, depois de uma revolução bem-sucedida no planeta Urrás e o tema é a ambiguidade da nova utopia, cujo maior cientista é forçado a retornar ao planeta de origem (onde é disputado por regimes capitalistas e socialista de tipo soviético) porque seus companheiros de comunidade lhe recusavam os recursos e privilégios de tempo livre necessários para aprofundar sua pesquisa.

Esta prequela trata da própria Laia Odo. Idosa, fragilizada por um derrame e próxima do fim, recorda sua vida de rebeldia e agitação às vésperas da vitória do movimento revolucionário. Misto de Lucy Parsons, Emma Goldman e Simone Weil, mas com o prestígio de um Karl Marx, vive numa comunidade anarquista instalada no que outrora fora o prédio de grande banco e se orgulha e comove por ver tantos jovens seguirem a vida de tranquila liberdade que ela propôs. Mas a maior parte do seu pensamento vão para seu passado e suas perdas, principalmente a do marido – conceito obsoleto para seus cabeludos seguidores – morto há décadas pela repressão. Pouco se entusiasma pela vitória iminente e pelo papel que os odonistas ainda querem que represente.

É uma história que consegue ser ao mesmo tempo intensamente política e delicadamente pessoal. O ambiente cultural e tecnológico é o do século 20 e se percebe a tentativa de recuperar o potencial utópico de Woodstock, do movimento hippie na sua fase mais politizada. Mas esse frescor dos fins dos anos 60 não faz desta mais outra história sobre um passado disfarçado de futuro. Trata-se, neste caso, de verdadeira especulação sobre outro mundo possível (como se diz no Foro Social Mundial), descrito com sinceridade nos aspectos atraentes e nos desagradáveis, mesclada com reflexões sobre identidade e existência pessoal. Do ponto de vista da ficção política, se não também da realização literária, é o ponto culminante da antologia.

Mesmo assim, “O Grande Rio”, do médico mineiro Flávio Medeiros Jr., não faz má figura a seu lado. É assumidamente uma história sobre política do passado, mas muito bem contada no formato de um suspense policial sui generis. Em um mundo pós-apocalíptico do futuro, devastado pela radioatividade e por hordas armadas que disputam os últimos restos de civilização, um grupo de cientistas consegue construir uma máquina do tempo para voltar ao passado e assassinar o responsável por isso antes que deflagre a funesta guerra nuclear com a União Soviética. A saber, o ex-presidente John Kennedy.
O problema é que a história se mostra bem difícil de mudar. O pobre agente fracassa na primeira tentativa e obrigado a voltar e tentar outras vezes. A história é como um grande rio e seu curso é muito difícil de mudar. Mas não impossível, julga ele, se conseguir remontar às suas nascentes. A cada vez, volta mais “cedo” e passa mais anos infiltrando-se na CIA e nas organizações anticastristas, recrutando cúmplices, articulando o atentado e evitando o risco de encontrar-se com ele mesmo. Ao longo da história, envelhece e experimenta ao mesmo tempo tanto a versão oficial como várias das teorias de conspirações sobre o assassinato do presidente. O thriller é muito bem sucedido em prender a atenção e as tensões políticas da época e as motivações dos inimigos de Kennedy são desenvolvidas com realismo.

A história seguinte, “O Originista”, é do escritor Orson Scott Card, que foi missionário mórmon no Brasil e no espectro político da ficção científica estadunidense está na ponta oposta a Ursula K. LeGuin. Nos últimos anos, se fez notar por artigos exaltados contra o casamento homossexual e críticas ao darwinismo e às evidências do aquecimento global.
Esta novela, em particular, foi escrita em 1989 como parte de uma antologia de contos de vários autores ambientados no universo “Fundação”. Está situada no período em que Hari Seldon articula sua futura tecnocracia benevolente de reis-filósofos (ou, mais precisamente, reis-bibliotecários) sob as barbas do Império prestes a entrar em decadência. Nesse aspecto, é fiel à concepção do “bom doutor” Isaac Asimov, descrevendo com inteligência o maquiavelismo com que Seldon e seus seguidores usam a “psico-história” para manipular militares, políticos e intelectuais importantes para seus planos de longuíssimo prazo – mil anos serão necessários para a construção do novo império.

Enquanto isso, Card não resiste à oportunidade de tentar sua própria manipulação psico-histórica do leitor. O protagonista Leyel Forska é um historiador multimilionário, diletante mas competente, que vive em Trantor, o planeta capital do Império Galáctico, busca a esquecida origem da humanidade e é casado há décadas com Deet, uma antropóloga que estuda a equipe de Seldon, cujos filhos são perfeitos, mas já deixaram a casa e não os perturbam.
E assim, o poderoso cenário asimoviano se torna um veículo para a agenda de Card. De um lado, um meloso e repetitivo elogio do amor conjugal, da fidelidade absoluta e da família idealizada. De outro, longas reflexões sobre a importância dos mitos, dos rituais, das línguas e da literatura para criar as comunidades e a lealdade de seus membros e distinguir os homens verdadeiros de primatas brutos. Tradição, Família e Pátria, enfim.

Forska tenta entrar para a Fundação que será estabelecida no planeta Terminus, na periferia da Galáxia, para desenvolver a Enciclopédia Galáctica (imagine uma super-Wikipedia). Hari Seldon o recusa com o pretexto de não querer separá-lo de Deet, pois esta adora seu trabalho em Trantor. Mesmo assim, Forska não perde o respeito e admiração por Seldon e quando este morre, torna-se politicamente suspeito pelo elogio fúnebre ao homem que previa a decadência do Império. Perde sua imensa fortuna e afunda-se em frustração enquanto sua mulher se dedica à biblioteca criada por Seldon.

Descobrirá ele, porém, que, como toda a Galáxia, também teve a vida manipulada (inclusive na perda de suas riquezas) pela poderosa Segunda Fundação, da qual Deet é integrante e a biblioteca em Trantor é a inocente fachada. Claro que o amor tudo vence, o historiador compreende que assim tem de ser para o bem da Via Láctea e se integra na leal comunidade dos reis-bibliotecários, ultra-exclusiva e esclarecidamente despótica em relação ao resto do universo, mas internamente igualitária e comunista, exatamente como a “República” do mestre de Aristóteles. Além disso, descobre a utilidade para sua pesquisa do revolucionário sistema de indexação da Segunda Fundação que, a olhos de 2011, parece um Google mais inteligente – e quase morre, pois o brinquedo novo o faz navegar dias e noites seguidos sem comer ou dormir, numa notável prefiguração dos ciberdependentes de nosso tempo.

A trama política explícita da novela é sutil e convincente em sua combinação de Platão e Maquiavel, de política imperial romana e organizações acadêmicas modernas, mas pouco acrescenta a quem já leu Asimov. Para este, é mais interessante a meta-trama, também política, do escritor que usa uma concepção ideológica muito distinta da sua para afirmar suas próprias ideias.

O jornalista paulista Carlos Orsi traz “Questão de Sobrevivência”, conto publicado em 2001 na revista “Sci Fi News Contos” nº2 e também na ótima antologia autoral “Tempos de Fúria” (Novo Século, 2005). Nesta coletânea, este trabalho volta a destacar-se como um dos melhores contos nacionais, ao lado de “O Grande Rio”.

O cenário é uma São Paulo extremamente distópica dos anos 2030. Um enorme acampamento sem-teto chamado Campo Fidel ocupa o centro da cidade. Em algum lugar a caminho do porto de Santos, uma grande favela da periferia foi bombardeada há anos por armas químicas pelo governador, numa desastrosa ação de reintegração de posse e tornou-se um “Vale da Morte” inabitável. Poucas horas em meio a seus eflúvios cancerígenos bastam para condenar uma pessoa a uma morte lenta. Por ali, com destino ao porto, deve passar mais um valioso caminhão de leite materno para exportação, protegido por uma escolta fortemente armada. Mas o Campo Fidel precisa do leite para suas crianças, cujas mães foram contaminadas por um anticoncepcional holandês misturado à água que é muito prejudicial às suas crianças.

Assim, sua milícia de guerrilheiros heroicos – ou terroristas fanáticos, dependendo do ponto de vista –, prepara uma ação violenta para interceptar o comboio, sob a liderança do índio Pedro Minanhanga. É excelente como ação e suspense, sem prejuízo de reflexões políticas sérias e sem maniqueísmo. A história é contada do ponto de vista de feios e duros despossuídos e não se escamoteia sua brutalidade, nem sua necessidade de compactuar com duvidosos interesses estrangeiros para conseguir armas e continuar a luta. Faz pensar em organizações como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e seu papel nos conflitos sociais dos anos 90, mas os extrapola para criar uma especulação distópica consistente, que não é mera projeção para o futuro de um passado superado. É um futuro possível do qual o Brasil ainda não está definitivamente livre e, ao contrário de “Era de Aquário”, este conto faz uma séria tentativa de expor e analisar o que está por trás de toda a violência que descreve.
Fecha a coletânea o conto cyberpunk “Vemos as Coisas de Modo Diferente”, do escritor estadunidense Bruce Sterling, um dos criadores do subgênero. Publicado originalmente em 1989 nos EUA, também já tinha sido editado no Brasil, na coletânea “Futuro Proibido”, de 2003.

O conto passa-se em dias não especificados do século 21, mas aparentemente pouco distantes, nos quais os EUA estão em profunda decadência econômica e suas forças armadas estão paralisadas, devido à dívida pública acumulada pelo excesso de gastos militares. O dólar perdeu seu papel de moeda mundial, substituído por um acordo global entre europeus e japoneses, enquanto novas potências emergentes surgem do antigo Terceiro Mundo, das quais a mais poderosa e confiante é o grande Califado sunita que engoliu Israel e líderes árabes laicos como Saddam Hussein e avança sobre o que restou da União Soviética. Esta desapareceu como potência e está mergulhada no caos desde que um grupo guerrilheiro afegão destruiu Moscou com uma bomba termonuclear, aparentemente cedida pelos próprios EUA. Venezuela, Cuba e Irã são citadas como nações prósperas, cujos turistas dão boas gorjetas.

É curioso como este conto soa muito mais profético hoje do que quando foi escrito. Em 1989, a União Soviética ainda existia, a imprensa estadunidense chamava os talibãs de freedom fighters e os EUA estavam prestes a iniciar a década mais próspera e arrogante de sua história, como superpotência imperial única e senhor incontestado da economia global. A perspicácia do autor percebeu perigos latentes nas tendências de longo prazo, aos quais economistas, analistas políticos e jornalistas da época eram insensíveis. É verdade que o califado árabe ainda é um sonho fundamentalista, mas no tempo em que se escreveu, poucos sabiam no Ocidente que esse projeto existia, nem se esperava que os fundamentalistas viessem a ter um papel político tão importante no mundo islâmico – e graças à ajuda dos EUA, como Sterling apontou. O fenômeno mais importante que lhe escapou foi a ascensão dos BRIC e em especial da China, muito mais rápida que a dos árabes.

É nesse contexto que Tom Boston, um roqueiro negro formado em ciência política e casado com uma refugiada russa, brilha com shows que fazem descontos para portadores de cartões de desemprego e títulos eleitorais, clamam pelo renascimento do país e da democracia e denunciam a hegemonia dos ricos, dos advogados e das corporações que sugam a riqueza dos EUA para os bancos da Europa e Japão. Curioso como o cantor, um populista de esquerda, usa símbolos hoje associados ao Tea Party, como chapéus tricornes, bandeiras da revolução de 1776 e o lema “Não pise em mim”.

Ao chegar a Miami para o show, o protagonista se apresenta a Tom Boston e sua equipe como um jornalista do Cairo (coração do Califado) que admira o rock e tem todos os seus discos (pois é, o pai do cyberpunk não previu o MP3) e quer fazer uma reportagem para a juventude árabe. Mas o leitor, que acompanha seus pensamentos secretos, percebe a dissonância de suas palavras com seu desprezo pela cultura ocidental. Ele “vê as coisas de maneira diferente”. Acha Boston admirável à sua maneira, sim, mas da maneira que um agente dos EUA poderia pensar o mesmo de um Fidel Castro ou Khomeini. Para ele (talvez também para Sterling) o rock tem a força de uma religião.

As frequentes alusões do protagonista ao líder xiita, aliás, são um ponto fraco na verossimilhança do texto, pois dificilmente ocorreriam a um fiel sunita, mas é que, em 1989, ele era o único líder fundamentalista islâmico “do mal” familiar ao público estadunidense. O recém-fundado Hamas ainda não cometera nenhum atentado e tinha as simpatias de Israel (cuja prioridade era enfraquecer a Al Fatah), Osama bin Laden ajudava os EUA a treinar freedom fighters para combater o governo pró-soviético do Afeganistão e o mulá Omar era um deles, tendo acabado de perder heroicamente um olho em batalha.

Prever o futuro não é obrigação da ficção científica. Sua função, além de entreter, é alimentar uma especulação racional e inteligente sobre possibilidades e tendências do presente ou do passado e aonde elas poderiam conduzir (ou ter conduzido), seja apenas para nos maravilhar, seja para nos animar a tornar real a especulação ou, pelo contrário, lutar para que não se concretize. Neste caso, é provável que o próprio Sterling não desejasse que sua especulação chegasse tão perto da realidade. Engraçado como muitos de seus leitores não entenderam isso. Uma resenha de leitor (de 2006, no site da Amazon) ainda o repreende: “o conto postula um Oriente Médio que realmente não mudou. Mas as coisas mudaram um bocado”. É mesmo?
>> CARTA CAPITAL – por Antonio Luiz M. C. Costa


LITERATURA E GAMES: PARCERIA CADA VEZ MAIOR

sábado | 2 | abril | 2011

Para acadêmicos e críticos mais conservadores, trata-se, certamente, de uma parceria inesperada. De um lado, a literatura, expressão tida como difícil, associada em geral às esferas da alta cultura; do outro, o videogame, visto por muitos como um mero produto industrial baseado na diversão frívola e na violência gratuita. Pois não é que as duas linguagens, aparentemente tão distantes entre si, andaram criando laços fortes nos últimos anos?

Se no exterior jornais e revistas já dedicam longos e elaborados artigos que legitimam os jogos eletrônicos como arte, no Brasil partiram dos escritores as mais consistentes tentativas de diálogo entre os games e as demais formas de expressão. São, em sua maior parte, autores nascidos e criados na era do Atari, do Sega e dos computadores domésticos, e que hoje tentam, de alguma forma, absorver e projetar em seus escritos as experiências vividas em frente às telas. Nessas obras, o universo dos games pode aparecer em uma referência superficial ou explícita, como nos romances Mãos de cavalo (Companhia das Letras, 2006), de Daniel Galera, ou Nerdquest (7Letras, 2008), de Pedro Vieira. Mas a relação também pode ir além, fazendo com que a própria linguagem narrativa dos games(sim, afinal, eles contam uma história) influencie diretamente a obra literária.

É o caso da carioca Simone Campos. Celebrada aos 17 anos por seu primeiro romance – No shopping (7Letras,2000), a jovem autora está terminando de escrever Owned!, livro-jogo interativo em que se pode escolher a própria aventura, exatamente como em um videogame. O leitor, no caso, assume o controle de um personagem – André, um técnico de informática viciado em games que vai tentar conquistar pelo menos uma dentre sete garotas. Basta clicar em uma das opções no final de cada trecho de história, dando rumo à vida do herói. Dependendo das suas escolhas, é possível salvar o jogo e ler/jogar quantas vezes quiser.

“Quando veio a ideia, tive um pouco de medo de parecer invencionice barata, mas percebi que certas coisas só podiam ser ditas usando esse formato e comecei a trabalhar nele”, conta Simone. Exemplo típico de uma geração educada tanto pelos games quanto pela literatura, Simone foi estimulada desde cedo a entrelaçar os dois universos. Aos 7 anos, quando seu pai adquiriu o primeiro XT, aprendeu a processar texto e a jogar. Sua escola também tinha a mente aberta: sentava os alunos na frente de computadores com a vaga desculpa de aprender inglês ou ensaiar rudimentos de programação.

“Eu sabia que queria ser escritora desde criança”, conta ela. “Eu era séria, muito séria. E tinha padrões. Sempre li muito. De repente, no meio da adolescência, passei uns três anos quase sem ler, só jogando. Tem um limbo entre livros inteligentes de criança e livros inteligentes de adulto que eu só consegui preencher jogando videogames de todo tipo, todo dia, por horas e horas a fio. Diria que nessa época comecei a usar os videogames para suprir (ou gastar) aquela pulsão destruidora que, dizem, é o lado B da criação. No fim desse período, no 2º e no 3º ano do ensino médio, voltei a ler e a escrever, mas sem parar de jogar. Foi quando saiu No shopping, meu primeiro livro.”

Simone já fizera outras tabelinhas com o mundo dos games – tem conto, Campo minado, e romance, A feia noite (7Letras, 2006) repleto de referências a ele. Mas Owned! é um mergulho muito mais radical na experimentação, já que é o primeiro a colocar o formato de um jogo eletrônico no centro da própria narrativa. O conceito inovador está reservando grandes surpresas no processo de escrita.

“É um formato que oferece uma dimensão bem interessante de identidade: se você é moldado pelas suas escolhas ou tem um Destino com D maiúsculo”, explica Simone. “Tive, por exemplo, que produzir trechos-curinga, que se encaixassem em mais de uma situação. A negociação de informações novas ao leitor é difícil, tenho que medir muito bem o que vou dar a cada momento; e brinco com isso. Preparo ciladas; às vezes, falsas ciladas. Como há vários finais, escondo informações a respeito de um final no caminho para outro final. É uma forma de obrigar, ou de condicionar, o leitor a jogar mais de uma vez o jogo – se possível, a exaurir os caminhos oferecidos. Despertar uma sede de saber mais.”

Gamer inveterado, o gaúcho Antônio Xerxenesky também estabeleceu uma relação frutífera com os jogos. A premissa de seu primeiro romance, Areia nos dentes (Não Editora, 2008, 1. ed.; Rocco, 2010, 2. ed.), uma espécie de faroeste com zumbis, veio do survival horror Alone in the dark 3, terceiroopusde uma série de games que viraram mania nos anos 1990 – e ela própria inspirada em um conto do autor de ficção-científica britânico H. P. Lovecraft.

“Joguei o primeiro Alone in the dark aos 10 anos, e o jogo literalmente me tirou o sono”, recorda Xerxenesky. “Como sou um gamer nostálgico, lá pelos 20 e poucos anos revisitei a série. O terceiro jogo me chamou a atenção por ser uma mescla completamente absurda de elementos que eu adorava no cinema – o faroeste e o terror. Caubóis zumbis, rituais xamânicos, o jogo tem de tudo. É um verdadeiro caos. E essa redescoberta do jogo plantou um desafio na minha cabeça: como seria possível escrever, nos dias de hoje, no Brasil, um faroeste com zumbis? Como fazer desse livro algo além de uma bobagem trash? Como, a partir desse cenário fantástico, criar uma narrativa de impacto emocional?”

Para um novo grupo de escritores, a força de um game pode causar tanto impacto no imaginário quanto o acorde de uma música, a cena de um filme ou o verso de um poema. Colega de Xerxenesky na Não Editora, Samir Machado de Machado escreveu um capítulo inteiro de sua novela O professor de botânica (Não Editora, 2008)  sob a forte influência de uma das fases de Metal gear solid 3.

“Indiretamente, o impacto que a enxurrada de referências pós-modernas indiretas de um jogo como Fallout 2 me provocou só teve paralelos comigo quando li Thomas Pynchon pela primeira vez”, compara Machado. “Em termos narrativos, uma coisa que costumo dizer é que jogos de mundo aberto como FalloutAssassins creed ou Red dead redemption me dão uma sensação de ser e estar num espaço físico ou contexto histórico que, para um escritor, são tão valiosas quanto uma pesquisa.”

Incorporados no cotidiano, os games já fazem parte da cultura. Por isso, o escritor que quiser retratar com fidelidade o período em que vive encontrará na relação dos jovens com os jogos digitais um contexto fascinante. Em uma cena de  Mãos de cavalobildungsroman (romance de formação) contemporâneo do escritor Daniel Galera, três amigos jogam Stunts, jogo emblemático que permite disputar corridas de carros em pistas delirantes, repletas de loops, ziguezagues e circuitos em forma de saca-rolhas. A citação não era gratuita: símbolo no imaginário de uma geração, a disputa eletrônica funcionava, na cena, como simulacro dos rumos que a amizade dos três amigos iria tomar. Elemento marcante na vida dos personagens, ogameé usado por Galera como uma tradução preciosa de seus estados de espírito.

Não por acaso, o autor é um dos principais embaixadores dos games. Galera diz que os jogos entraram em sua vida bem no início da infância, ao mesmo tempo em que a música, o cinema e os livros, e que nunca os viu como uma modalidade muito diferente das outras mídias e artes. Autor de ensaios sobre o tema, chegou a criar um blog para debatê-los.

“Não creio que os videogames tenham influenciado minha literatura no nível estético ou da linguagem”, avalia Galera. “O diálogo possível entre as duas linguagens não é algo que me interessa muito. Todavia, os videogames me interessam muito como tema, pois são um componente importante da formação cultural da minha geração. Em outras palavras, as pessoas jogam videogame, assim como leem livros, trepam, trabalham e se apaixonam. É parte da vida e tem significado pra minha geração e todas que a sucedem. Assim, muitos de meus personagens jogam videogames e têm suas vidas marcadas por eles.”

Não mais simples produtos de consumo, e sim autênticas obras de arte

Super Mario é o “Diderot dos games”? E Morrowind, “um animal monstruoso e dificilmente domesticado”? E que tal discutir o “saneamento de linguagem” de Shadow of the colossus ou a “reflexão pop artalucinada” de No more heroes 2? Para os franceses da revista multimídiaChronic’Art, falar sobre videogame é quase um compromisso filosófico. Nas bancas desde 2001, a publicação quinzenal foi pioneira em tratar os jogos eletrônicos não mais como simples produtos de consumo, e sim como autênticas obras de arte. A Chronic’Art trocou os limitados testes de jogabilidade dos veículos especializados por elaboradas análises sobre as possibilidades estéticas e narrativas dosgames. Tanto em sua versão eletrônica (www.chronicart.com) quanto na impressa, seus críticos comentam o último lançamento de empresas eletrônicas como Sega ou Konami com a mesma seriedade com que criticam os filmes do tailandês Apichatpong Weerasethakul, resenham um romance de Don de Lillo ou um álbum da banda indie El Perro Del Mar. O que no início poderia ser visto como uma excentricidade isolada acabou virando tendência na França. Hoje, alguns jornais como o Libération já possuem os seus especialistas, e até a tradicional revista de cinema Cahiers du Cinéma chegou a dedicar um número especial ao assunto.

Somos de uma geração que cresceu com os videogames, antes mesmo da chegada dainternet”, explica o editor Cyril De Graeve. “Como é parte integrante da nossa cultura, tratamos e teorizamos os games da mesma forma que os outros territórios já conhecidos, como cinema, literatura, música ou HQ.” A turma da Chronic’Art identifica na figura do programador um verdadeiro artista – um criador capaz de imprimir sua marca pessoal em cada um de seus jogos, com suas obsessões e visões de mundo. Como muitos cineastas de grandes estúdios, ou escritores sujeitos às revisões editoriais, penam para driblar as limitações criativas impostas pelas convenções do mercado. “Os videogames são realizados por autores que até hoje não foram colocados na dianteira da política dos editores, que sempre privilegiou a marca e não os seus criadores de fato”, analisa De Graeve. “Mas essa situação começa a mudar: alguns nomes já começam a ser destacados nessa indústria suculenta que é o videogame.”

Nos últimos anos, a revista tratou de revelar os métodos e o temperamento artístico dos grandes gênios da programação, como o criador da série Metal gear solid, Hideo Kojima – um personagem atípico, cujos jogos estão perfeitamente ligados à sua forte personalidade. A lista de entrevistados inclui outros nomes celebrados, como Shigeru Miyamoto (ZeldaMario Bros.), Peter Molyneux (PopulousBlack & White) ou Will Wright (The SimsSim City). Com seus textos repletos de termos sofisticados, aChronic’Art ajudou a quebrar a visão estereotipada sobre o consumidor padrão dos games. Sai o nerd que joga de modo automático, devorando fases sem espírito crítico, e entra o consumidor capaz de apreciar as experiências estéticas oferecidas pelos melhores jogos. “As possibilidades de imersão, implicação e identificação do espectador-jogador são únicas novideogame”, compara De Graeve. “Passamos 1h30 em um filme enquanto é possível ficar mais de 50 horas em um jogo. Claro que isso depende da qualidade do jogo, da exigência dos autores, mas podemos colocar em um jogo muito mais de nós mesmos do que num filme. Podemos ir muito mais longe no território da experimentação, sabendo que cada jogador pode, por definição, absorver de forma diferente a obra em questão de acordo com a sua maneira de jogar. É então, no absoluto, um território artístico muito mais aberto, complexo, promissor e interativo.”

Os escritores e seus games favoritos

Simone Campos
Prince of Persia | “O primeiro, de plataforma, do Jordan Mechner. Montanha-russa de emoções. Quando não me angustiava até a úlcera, me fazia perder por excesso de poesia. Tem vários jogos com esse ‘defeito’: SonicCastlevaniaQuackshot, até Myst. Depois me davam pesadelos bem bizarros e interativos.”

Antônio Xerxenesky
Elder Scrolls IV: Oblivion | “Talvez tenha sido o último grande jogo que ‘vivi’. Uso o termo ‘vivi’ nesse caso porque Oblivion foi uma experiência de imersão total. Desenvolvi grande carinho pelos personagens, sofri com as escolhas morais que tive que fazer. O dia em que fui obrigado a matar um orc deprimido me partiu o coração. Morei umas 40 horas nesse universo do Oblivion e não me arrependo de nada.”

Samir Machado de Machado
The Dig | “De todos os adventuresda LucasArts, este sempre foi meu favorito, talvez por ser o mais sério (o roteiro era de Orson Scott Card, se não me engano). E, fora a questão de deslumbre estético com os cenários e as geometrias alienígenas, foi o primeiro jogo que me prendeu simplesmente por ter uma história muito boa.”

Daniel Galera
“Impossível citar um só. The Secret of Monkey Island 2Beyond Good and EvilSuper Mario Bros. 3Shadow of the ColussusReturn Fire (do 3DO) e Secret of Mana são alguns que vêm à mente de imediato, mas a lista completa teria dezenas ou centenas de títulos.”

>> SARAIVA – por Bolívar Torres


REALISMO MÁGICO CAPIAU

sábado | 2 | abril | 2011

Como escola literária, o Realismo Mágico surgiu no início do século passado. Seus escritores mais expressivos são latino-americanos, como Bioy Casares, Jorge Luís Borges, Juan Rulfo, Arturo Uslar Pietri, Júlio Cortázar, José J. Veiga, dentre outros. O lusitano José Saramago bebeu avidamente nessa fonte.

Uma das características mais evidentes desse jeito de narrar é a presença de elementos mágicos ou situações fantásticas percebidas como normais no contexto da narrativa. Por exemplo:  em “A Invenção de Morel”, de Bioy casares, o protagonista se percebe, não como um ente autônomo, mas apenas como uma miragem, imaginada e sob controle de um terceiro;  em um conto de Borges, o Borges velho conversa calmamente como o Borges moço, numa tarde de verão numa praça em Buenos Aires;  em Pedro Páramo, de Juan Rulfo, o herói, em busca do pai, chega a Comala, uma cidade cujo clima é tão estuporado  que niguém tem certeza de que esteja  vivo ou morto, inclusive o herói;  em “A Máquina Extraviada”, de José J. Veiga, um maquinismo descomunal é colocado na praça de uma cidadezinha, sem nenhuma informação e sem qualquer finalidade conhecida, mudando o comportamento dos habitantes, inclusive com as velhinhas se benzendo diante dela, cerimoniosamente; em “Cem Anos de Solidão”, que é um rosário de cenas mágicas,  há uma em que a umidade do ar é tão elevada que os peixes entram nadando calmamente pela porta e saem pelas janelas. Tudo isso descrito de uma forma muito natural e fleumática.

Aliás, essa noção de realismo mágico nada mais é do que a apreensão estética, literária, intelectual  de um comportamento, de uma noção corriqueira das pessoas  habitantes do grotões da América Latina. Especialmente dos cafundós do Brasil.

A propósito do que escrevi como título, cito duas anedotas que eu ouvia contar pelo pessoal da roça, quando eu era criança. Um capiau conta ao outro: — Parceiro, sistempo eu tava com a tarefa de roçar o pasto meio atrasada. O sol assim assim pra entrar e a inda me faltava um eito enorme. Aí eu desci a foice com vontade, roçando feito um doido. Tinha lá uma moita de assa-peixe bem grande, onde a mula do patrão tava escondida. Sem perceber, rapaz, num golpe eu torei o pescoço da mula. E agora?

— pensei. Peguei a cabeça dela ainda piscando e com toda a minha força, juntei com o corpo desinquieto.  Rezei aquela mandraca que minha avó me ensinou. Ah! Foi batata! A cabeça pregou no corpo, na hora. Parece que ela nem ressentiu. Tá lá pra quem quiser ver. Ainda mais serelepe do que antes, porque na afobação da hora, preguei a cabeça dela com a cara voltada pra cima. Duvida?

Duvido nada! E eu não sei? — retruca o outro. Lá no sítio do meu avô, divisa donde você trabalhava, tinha uma bica d’água feita de aroeira tão antiga, mas tão antiga, que o dia em que ela apodreceu e caiu, a água já tão acostumada a passar por ela, continuou correndo do mesmo jeito, sem a bica. No ar.

— Ara, mas isso não pode ser, — retruca o primeiro.

— Pode sim, rapaz. Era lá que a mula de cabeça virada do seu patrão ia beber água?!

Outra anedota rural de cunho fantástico: dois capinadores carpiam as ruas de milho, lado a lado, enquanto proseavam. De repente um elefante adulto passa voando com estardalhaço, do vale em direção à serra. Os dois enxadeiros, silenciaram-se, apoiaram o sovaco no cabo da enxada e ficaram na espreita. De repente passa uma elefanta, em voo igualmente ruidoso, seguindo a mesma trajetória. Os capiaus mantêm a fleuma e o silêncio e continuam na espreita. Não demora até que passa um elefantinho num voo claudicante de aprendiz. Em seguida passa mais um, e logo um outro mais. Um braçal vira pro companheiro e comenta, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo:

— É… o ninho deles deve ser logo ali no mato.

— É bem lá mesmo que eu desconfiava.

E voltam a capinar naturalmente, retomando o assunto que haviam interrompido.
>> REVISTA BULA – por Edival Lourenço


“E. T.”: KATY PERRY EM HISTÓRIA DE AMOR EXTRATERRESTRE

sábado | 2 | abril | 2011

Você se lembra do enredo da animação “Wall-E”, dirigida por Andrew Stanton e vencedora do Oscar na categoria em 2009? A cantora norte-americana Katy Perry vive situação semelhante no videoclipe “E.T.”, lançado no Youtube, na quinta-feira (31/3), dirigido pela fotógrafa e cineasta canadense Floria Sigismondi e que conta com participação do rapper Kanye West e com um modelo de bunda de fora. A canção é o quarto single do álbum “Teenage Dream”, de 2010.

O videoclipe começa com travelling aéreo sobre planeta desabitado e cheio de lixo, idêntico ao início de “Wall-E” e ao som de clássico do jazz. Em seguida, a câmera penetra no coração de um robô abandonado como sucata e, no interior dele, aparece uma nave, dentro da qual está Kanye West flutuando como se estivesse em gravidade zero. Em seguida, um extraterrestre com alguns tecidos roxos flutua pelo espaço até se transformar na cantora. Após várias imagens da natureza em movimento, ela chega ao tal planeta, encontra o robô e consegue trazê-lo de volta à vida após um beijo.

Diante de um roteiro tão comum e previsível, o que mais chama atenção nessa história de amor interplanetária é o extremo cuidado com as cores das imagens, que variam do azul escuro e preto, com alguns detalhes brancos, ao rosa e roxo. Katy Perry também aparece muito mais discreta do que nos videoclipes anteriores. Com três diferentes figurinos, o que se destaca são os longos vestidos e tecidos flutuantes. Uma curiosidade do videoclipe é que ele marca o lançamento de óculos da marca Vogue Eyewear, que aparecem no rosto da artista.

O longo processo para se transformar em extraterrestre exigiu muito esforço de Katy Perry, como declarou à MTV norte-americana: “Foi muito difícil para mim. Esse clipe realmente foi uma coisa de paciência. Mas, sabe, é como quando você faz um filme. Às vezes tem que ficar muito velha, ou ser transformada em um animal ou monstro – esse processo foi mais ou menos assim”.

Floria Sigismondi é diretora do filme “The Runaways – Garotas do Rock”, de 2010, mas ficou mais conhecida em função de vários videoclipes premiados. Entre eles, estão “Beautiful People” (1997), do Marilyn Manson; “Little Wonder” (1998), do David Bowie; e “Fighter” (2004), da Christina Aguilera. Aliás, essa realizadora parece estar se especializando em produções em que imperam a maquiagem carregada.

“E.T.” não prima por grande criatividade narrativa. Muito pelo contrário. Floria Sigismondi não realizou nada mais do que algo envolvente, agradável e bem cuidado técnica e artisticamente. Porém, isso pode ser considerado algo extremamente positivo num momento em que parece dominar certa bizarrice intergaláctica, em meio a muitos efeitos especiais, tanto no videoclipe, como no cinema de longa-metragem.
>> YAHOO – por Guilherme Bryan


ANNE RICE: AUTORA DE “ENTREVISTA COM O VAMPIRO” PARTICIPARÁ DA BIENAL DO LIVRO NO RIO DE JANEIRO

sábado | 2 | abril | 2011

anne_rice

A precursora dos livros sobre vampiros românticos, Anne Rice, virá ao Rio de Janeiro em setembro, participar da próxima Bienal do Livro. A informação é da editora Rocco.

A escritora norte-americana, autora de “Entrevista com o Vampiro” e “A Rainha dos Condenados”, ambos adaptados para o cinema, já vendeu mais de 75 milhões de cópias de seus livros em três décadas de carreira.

Detentora dos direitos de publicação dos livros da escritora no Brasil, a Rocco – que desde 2009 vem reeditando a obra completa da autora com novo projeto gráfico – prepara para o segundo semestre o lançamento de “De Amor e Maldade”, continuação do recém-lançado “Tempo dos Anjos”.
>> PIPOCA MODERNA – da Redação


“CREPÚSCULO – AMANHECER”: VAZAM VÁRIAS FOTOS REVELADORAS

sábado | 2 | abril | 2011

Uma grande quantidade de imagens das duas partes de “A Saga Crepúsculo: Amanhecer” vazaram na internet. Por conterem muitos SPOILERS, você pode conferi-las (se quiser) mais abaixo. Entre as imagens, você pode ver pela primeira vez o visual de Bella como vampira. A primeira parte chega aos cinemas em 18 de novembro de 2011, enquanto a segunda estreia em 16 de novembro de 2012.

[SPOILERS] Grande parte das fotos, que foram publicadas pelo Perezhilton, mostram a lua-de-mel de Edward e Bella, mas também vemos uma imagem da gravidez da moça, sua transformação, seu visual de vampira, sua filha já crescida e a luta final contra os Volturi.
>> CINEMA COM RAPADURA – por Camila Fernandes

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VII FANTASPOA: HORROR Á ITALIANA

sexta-feira | 1 | abril | 2011

Daqui a três meses, no dia 1º de julho, terá início a VII edição do Fantaspoa – Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre. O festival irá ocorrer até o dia 17 de julho.

O Fantaspoa está com as suas inscrições abertas, para curtas e longas-metragens até o dia 22 de abril.  Os interessados em obter maiores informações podem acessar o site http://www.fantaspoa.com.

O convidado homenageado desta edição é o ilustre diretor italiano Lamberto Bava.  Lamberto é a terceira geração de cineastas da família Bava. Seu avô, Eugenio Bava, era câmera e especialista em efeitos ópticos nos primórdios do cinema mudo italiano. Seu pai, o renomado Mario Bava, trabalhou como diretor de fotografia, roteirista e diretor, tendo trabalhado em mais de 70 filmes ao longo da sua carreira e é lembrado como um dos grandes nomes da era de ouro do Cinema de Horror Italiano.
Após trabalhar 15 anos com seu pai, como assistente de direção e roteirista em diversos filmes, e tendo colaborado com Dario Argento e Ruggero Deodatto, partiu para a direção  de seu primeiro filme Macabro (Macabre), roteirizado por, entre outros, o grande cineasta Pupi Avati, em 1980. Lamberto dirigiu mais de 30 filmes em sua carreira, contando com títulos para o cinema e para a televisão, tendo realizado três novos filmes em 2010 e 2011.

A mostra que será apresentada no Fantaspoa conta com 16 títulos: 8 filmes dirigidos por Lamberto Bava e 8 filmes dirigidos por Mario Bava.
O diretor estará presente em Porto Alegre entre os dias 05 e 08 de julho, participando de debates com o público diariamente.


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