HEROÍNAS DA LITERATURA FANTÁSTICA

As heroínas são personagens que, envolvidas em confusões e mesmo que precisem de uma ajudinha de amigos ou mesmo de um herói, conseguem agir sozinhas. Porém a característica mais marcante de uma heroína, que a difere das mocinhas de histórias, é que elas não são conformistas. Enquanto as mocinhas, geralmente indefesas, sempre esperando pelos “príncipes encantados” para salvá-las, as heroínas vão brigar pelo direito de pensar por elas mesmas, certas ou erradas, com unhas e dentes.

Kara dos livros Alma e Sangue Imagem: Websérie Alma e Sangue

Na literatura fantástica é onde mais se encontra heroínas. Porque na literatura mundial, infelizmente, o número de mocinhas ainda é muito grande, o que mostra o quanto a sociedade literária ainda é machista. Porque as mocinhas são o verdadeiro exemplo da figura feminina idealizada por uma cultura patriarcal, onde o homem é o forte e corajoso, enquanto a mulher é a bela “donzela”, cobiçada por todos, que precisa ser salva pelo melhor entre todos os homens.

Já uma heroína é uma personagem feminina de temperamento forte, com defeitos e qualidades que a coloca em igualdade com um herói. Algumas chegam a condição de anti-heroínas de tão do contra que são. Porém as heroínas da literatura são mais realistas e diferem muito da maioria vista nos quadrinhos, por exemplo, as quais geralmente usam roupas sexy (e muitas vezes ridículas) só para agradar o público masculino, que ainda é maioria em publicações do tipo.

Conheci em minhas leituras, desde que iniciei o Projeto Literatura Nas Ondas Do Rádio, algumas heroínas e anti-heroínas bem legais. Tanto na literatura estrangeira como na nacional.

A tendência mundial atual são as Heroínas Adolescentes, entre as quais se destacaram, e/ou caíram no gosto do público em geral, a Hermione de Harry Potter, a Bella da saga Crepúsculo e Claire de Os Vampiros de Morganville. Curiosamente no Brasil, a tendência entre os autores brasileiros são Heroínas Adultas, mas encontrei algumas adolescentes bem interessantes como a Kaori, criação de Giulia Moon(Kaori – Perfume de vampira e Kaori 2 – Coração de Vampira), e Kôra, criação de Ana Flávia Abreu (Kôra – O Pressentimento do Dragão e Kôra e a Masmorra de Atro).

Na literatura fantástica mundial, poucas foram as Heroínas Adultas que achei até agora. Há muitas interessantes dentro do mundo dos quadrinhos, mas pouquíssimas são as que encontrei na literatura, as quais fossem cativantes como a detetive particular Vicki Nelson da série literária Blood Book de Tanya Huff, que, infelizmente, ainda não foi traduzido para o português (pelo que eu saiba). Porém alguns fãs de séries de TV fantásticas e/ou vampirescas, provavelmente, a conhecem, pois o livro foi inspiração para a série Blood Ties.

No entanto, os autores brasileiros conseguiram suprir a falta de tais personagens brilhantemente. Porque se falta heroínas lá fora, ou é apenas o mercado editorial por aqui, que ignora o fato dos brasileiros adultos curtirem LitFan (até mais que o público infanto-juvenil), o fato é que no meio nacional há várias e cada uma mais interessante que a outra.

Entre as personagens femininas com características de heroína ou anti-heroína da literatura nacional fantástica, eu tive o prazer de conhecer algumas que hoje estão na lista das minhas favoritas, como é o caso da Clara de Martha Argel (Relações de Sangue e Amores Perigosos), Kara de Nazarethe Fonseca (Alma e Sangue) e Jessi de Vivianne Fair (A Caçadora). As três personagens fazem parte de histórias de vampiros, mas há outras bem interessantes, que pertencem a outros universos fantásticos, como é o caso da Mestra Anna do livro O Castelo das Águias de Ana Lúcia Merege.

Também encontrei várias heroínas, entre adultas e adolescentes, em contos nacionais, como as personagens:
– Maya dos contos de Giulia Moon (Coletâneas Vampiros no EspelhoA Dama-Morcega e Luar de Vampiros).
– Sophie de Gabriel Arruda Burani, Barbara da Celly Borges, Berta da Nazarethe Fonseca e Luísa de Louise Duarte (Antologia Sociedade das Sombras da Editora Estronho).
– Anelisa da Cristina Rodriguez, Carolina da Adriana Araújo, Lili da Nazarethe Fonseca e Nix da Giulia Moon (Livro 1 da coleção Amores Proibidos da Editora Draco, Meu Amor é um Vampiro).

Essas personagens são apenas alguns exemplos, entre aquelas que eu mais gostei, ou que me chamaram atenção por alguma característica marcante, ao ponto de desejar continuações de suas histórias. Há várias outras personagens interessantes na LitFanBR, sem contar os livros que ainda estão na minha lista de leitura (que atualmente é enorme).Então se gosta de uma boa histórias com heroínas, tem para todos os gostos. E para quem não aquenta mais os inúmeros reality show e programas sensacionalistas das TVs brasileiras, que se repetem irritantemente a cada ano, eu recomendo a leitura de livros fantásticos. Vai gastar melhor seu tempo e pode se divertir muito mais… Assim, quem sabe, com um audiência baixa, as redes de TVs no Brasil comecem a investir em programação de qualidade e boas histórias para seus roteiros.
>> CONTOS SOBRENATURAIS – por Anny Lucard
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