FANTASTICON LONDRINA: LITERATURA FANTÁSTICA EM FOCO

segunda-feira | 5 | março | 2012
Silvio Alexandre: organizador do maior evento de literatura fantástica do País. Foto Olga Leiria

Silvio Alexandre: organizador do maior evento de literatura fantástica do País. Foto Olga Leiria

A literatura fantástica desembarca hoje no ”Londrina Comic Con”, cuja programação tem movimentado os aficionados em histórias em quadrinhos desde o início da semana com lançamentos, exposições, workshops, palestras, mesas-redondas, feira de revistas e exibição de filmes.

O simpósio ”Fantasticon Londrina”, integrado ao Comic Con, debate o gênero no bate-papo ”Um Panorama da Literatura Fantástica no Brasil”, que acontece às 16h na Sala de Espetáculos do Sesc com participação de Silvio Alexandre e Francisco Medina.

O primeiro é o idealizador e organizador do ”Fantasticon”, maior evento nacional do gênero, realizado anualmente desde 2007 em São Paulo. Já Medina é autor do livro ”A Fada e o Bruxo”. O segmento, um sucesso nercadológico no País, abrange narrativas de ficção científica, fantasia e horror.

A seguir, leia trechos da entrevista feita com Silvio Alexandre, que fala sobre o sucesso dessa vertente literária no Brasil, as novas tendências e a criação de um núcleo londrinense da ”Fantasticon”.

Quais são as características da literatura fantástica? O que a diferencia dos outros gêneros literários?
De acordo com os estudos literários, trata-se de um gênero narrativo que lida com a realidade supra-humana, sobrenatural e inexplicável remontando a textos primordiais sobre magia e seres mitológicos, a formas primitivas do medo, a epopeias gregas. Remete também ao gótico do século 18 com seus cenários de labirintos, catapultas, catedrais, ambientes sombrios e noturnos, arcanjos e forças do bem e do mal.

O rótulo engloba sub-gêneros distintos, não?
É difícil definir e delimitar a literatura fantástica. Podemos dizer que ela abrange a ficção científica com suas viagens no espaço e no tempo; a fantasia com sua magia, elfos e dragões; e o horror com seus vampiros, zumbis e lobisomens. Mas hoje em dia existe uma tendência de misturar tudo incorporando outros gêneros de entretenimento como, por exemplo, o policial. O leque ficou mais amplo. Na verdade, rótulo é uma preocupação de mercado. Nossa preocupação é a boa literatura, o texto que faz o leitor viajar por aquela aventura e viver outros tempos e outros mundos.

Quem lê literatura fantástica no Brasil? É possível quantificar esse segmento do público?
É um público grande e cativo de leitores, não só do Brasil como do mundo todo. Basta ver a lista de livros mais vendidos dos últimos anos. Tivemos sucessivos fenômenos de vendas com “Senhor dos Anéis”, “Harry Potter”, “Crepúsculo” e agora “Guerra dos Tronos”, da série “As Crônicas de Gelo e Fogo”, de George R.R. Martin. Aliás, os três primeiros volumes dessa série estão entre os 10 títulos mais vendidos no País.

O curioso é que uma numerosa fatia desse público leitor é formada por jovens, contrariando a idéia de que jovem não lê.
Sim. E são livros grossos lidos por garotos que não se intimidam diante de 500 ou 600 páginas.

Mas os autores nacionais do gênero estão encontrando público para seus livros?
Há alguns fenômenos também nesse segmento, como André Vianco, autor de cerca de 15 títulos sobre vampiros. Seus livros têm grande tiragem e vendem bem correndo por fora do mercado mainstream. Outro é Eduardo Spohr, autor de “Batalha do Apocalipse”, que começou publicando por pequenas editoras e atualmente lança pelo selo Verus, da Record. Há ainda uma série de editoras pequenas e médias investindo em autores nacionais do gênero, como a Tarja, a Draco e a Estronho. O nicho tem crescido acompanhando o aumento da produção. Além das obras individuais, têm sido publicadas antologias, que apesar de não serem homogêneas, revelam material de qualidade de novos escritores.

O “Fantasticon” que você organiza há cinco anos em São Paulo, tem repercutido essas novidades do mercado editorial?
Tivemos, por exemplo, 140 autores dando autógrafos na edição de 2011 para um público de mais de 1.200 pessoas durante três dias de programação. Veja lá no site (www.fantasticon.com.br). As pessoas reclamam que o espaço (uma biblioteca pública na Vila Mariana) já ficou pequeno para abrigar o evento. As próprias editoras já programam seus lançamentos no gênero pensando no “Fantasticon”.

Você pretende criar um núcleo do “Fantasticon” em Londrina?
Com a continuidade do “Londrina Comic Com”, a proposta é manter atividades ao longo do ano na cidade aglutinando pessoas para troca de idéias, informações e divulgação do gênero. Minha presença esta semana é a primeira etapa desse projeto.

>> FOLHA DE LONDRINA – por Nelson Sato


LITERATURA FANTÁSTICA: A NOVA CARA DA LITERATURA BRASILEIRA

sexta-feira | 24 | fevereiro | 2012

Com o sucesso internacional na literatura e cinema,
autores brasileiros comentam o sucesso do gênero
e como vem atraindo novos leitores

Martha Argel autora de "Amores Perigosos", "O Vampiro antes de Dráscula", entre outros e Giulia Moon, conhecida pelos livros “Kaori – Perfume de Vampira” e a continuação “Kaori – Coração de Vampira”- Foto Louise Duarte

Vampiros, bruxos, deuses, elfos, lobisomens e até anjos… Se você gosta de algumas das criaturas mitológicas citadas acima então você está com sorte. A chamada literatura fantástica nacional tem revelado nos últimos anos escritores talentosos antes escondidos pela obscuridade graças a preconceitos contra o gênero literário. Muitos deles não eram conhecidos porque o público achava estranho um vampiro ou lobisomem por exemplo, vivendo suas aventuras no Brasil. Mas se até Joss Whedon, criador das séries Buffy e Angel trouxe os vampiros Spike e Drusilla para o Brasil, por que não ter vampiros e outras criaturas em solo brasileiro? Afinal, nosso país tem uma vasta cultura mitológica que vai desde o Saci Pererê, passando pelo boto cor-de-rosa entre outros.

Levou um tempo para leitores se acostumarem com o gênero. Mesmo para os que já conheciam os clássicos como Drácula de Bram Stocker ou mesmo os livros da escritora Anne Rice, ainda existia um certo preconceito residual. Pior ainda para quem escrevia.  Giulia Moon, escritora conhecida pelos livros “Kaori – Perfume de Vampira” e a continuação “Kaori – Coração de Vampira” lembra da Bienal do Livro de 2011 quando tentou mostrar suas obras para um homem que reagiu de maneira agressiva em relação a temática de vampiros:“eu odeio esses livros de vampiros. Estou tentando tirar a minha filha dessa”, retrucou ele. Giulia explica: “fiquei espantada, pois ele se referia aos livros de vampiros como se fossem algum tipo de droga, de cuja má influência precisava salvar a filha. E ele, antes de ir embora, emendou: ‘e a senhora deveria fazer alguma coisa de útil em vez de escrever essas coisas!’,”ela lembra ainda perplexa com a atitude do homem.

A nova força da literatura nacional
Ainda falando dos vampiros, o personagem Lestat e Drácula são quase uma unanimidade entre os autores. Nazareth Fonseca, autora da saga “Alma e Sangue”  acredita que a literatura nacional vem ganhando força nos últimos anos quando o público finalmente começou a enxergar seus autores e acreditar em seu potencial formando novos leitores: “sim, a literatura fantástica tem o dom de pegar o leitor logo nas primeiras páginas.

A fantasia é inerente ao ser humano, ela está presente desde a infância quando somos bombardeados por contos de fadas, Papai Noel, o Bicho Papão. Crescemos e descobrimos que não existe príncipe encantado, que Papai Noel é seu pai, e que Peter Pan é um adulto que não quer crescer. O jeito é apelar para a fantasia. Nela ainda encontramos nossos monstros queridos, os heróis e as mocinhas. A maior prova disso é que no cinema as luzes são apagadas, assim podemos entrar na história e nos ocultar do julgamento de quem esta do lado, mas o certo é que pagamos para a fantasia continuar” , explica ela.

Nana B Poetisa, autora de Relíquias e Fragmentos

Muito além de Crepúsculo
Apesar de muitas pessoas acharem que a figura do vampiro tenha ficado mais romântica por causa da saga Crepúsculo, a escritora e romancista Nana B Poetisa, autora de Relíquias e de Fragmentos, além de ter participado de outras antologias, discorda: “muito antes de Stephanie Meyer criar seu romance Crepúsculo com vampiros que brilham, a autora Anne Rice já vinha arrebatando corações adolescentes, com suas Crônicas Vampirescas desde meados dos anos 70. Ela criou vampiros adoravelmente sofridos como, Louis de Ponte du Lac, ou poderosos e cheios de charme como o adorado e temido Lestat de Lioncourt. Isso tudo entre tantos outros que arrebatavam e ainda arrebatam os corações adolescentes. Essa autora sim, criou uma legião imensa e fiel de fãs, não apenas de adolescentes, mas de todas as idades, até hoje”, contesta ela.

Viviane Fair, autora da saga A Caçadora revela quais são os tipos de personagem que ela mais gosta de escrever: “os personagens que me atraem são os mais divertidos e sarcásticos; os personagens que surpreendem. Talvez porque me identifico mais neles e também porque são aqueles que causam no autor um desejo maior de continuar a história e sofrer reações”, ressalta.

Adriano Siqueira, autor de livros como Adorável Noite além de ter participado da antologia Amor Vampiro da qual também fazem parte Giulia Moon e Martha Argel, lembra de quando realmente começou o grande “ boom” literário no Brasil: “em 2007 começou esta grande onda fantástica da literatura nacional.Muito por causa das criaturas fantásticas que começaram a aparecer com maior intensidade nos livros estrangeiros e nos cinemas. Com as pesquisas que fiz indo em lançamentos nacionais houve um crescimento impressionante.Em 2008 tínhamos 10 lançamentos no ano, em 2009 chegou a 20 lançamentos só de livros de vampiros (nacionais e estrangeiros) e em 2010 chegou a passar dos 40 lançados.Já em 2011 cheguei a ir em mais de 50 eventos relacionados a lançamentos da literatura fantástica em geral e sem incluir a bienal do Rio que bateu recorde em lançamento da literatura fantástica. Neste ano ainda vai subir muito mais, pois novas editoras estão aparecendo tanto no campo de livros em papel como também em arquivos digitais. As editoras já estão mais seguras em acreditar no sucesso dos escritores nacionais e já se tornou sólido por isso ainda vamos ver muitos lançamentos”, explica Viviane.

Martha Argel autora de livros como Relações de Sangue, Amores Perigosos, O Vampiro da Mata Atlântica entre outros, lembra que após os lançamentos cinematográficos das sagas de Harry Potter, O Senhor dos Anéis e Crepúsculo foi que o mercado editorial começou a ver que o público gostava do gênero fantástico e também começaram a investir nesse gênero :“da forma como vejo, ao caírem no gosto popular, sobretudo dos adolescentes, esses blockbusters nascidos da literatura fizeram crescer o olho do mercado editorial, inclusive no Brasil. Toda editora e todo autor estreante agora quere ter o próximo mega-produto da indústria de entretenimento. Muita coisa de qualidade questionável acaba sendo publicada, mas o resultado final sem dúvida é positivo – o hábito da leitura parece estar em franca expansão, ao menos em nosso país,explica Martha.

Público brasileiro mergulha na fantasia literária nacional
E falando em antologias, Anny Lucard, organizadora da antologia Sociedade das Sombras – Contos Sobrenaturais lembra que apesar de ter sido árdua organizar uma antologia também foi prazerosa e menciona o preconceito em relação ao gênero tanto por parte das editoras como por parte do próprio público: “creio que no Brasil o preconceito é grande. Além da supervalorização dos autores internacionais, há aqueles que acham que literatura nacional se limita aos clássicos e não vê a literatura fantástica produzida aqui com bons olhos.

Infelizmente é comum críticos que são especializados em clássicos, falar mal dos novos autores nacionais, muitas vezes baseados em gosto pessoal ou em poucas referências, pois em geral as críticas não se sustentam. Umas fazem comparações absurdas entre autores que não possuem qualquer semelhança em seus trabalhos para tal”, critica. Simone Mateus, editora da Giz Editorial acredita que a barreira entre o público e a literatura fantástica de hoje vem se abrindo cada vez mais depois que o público descobre os livros e suas histórias fantásticas: “não sei se é resultado de uma barreira, mas, quando o leitor tem contato com a literatura de fantasia é comum ele se surpreender. Geralmente escutamos a seguinte frase: ‘nossa, não esperava que fosse tão bom. E ainda é de escritor nacional’, esclarece. Simone completa:”acredito que a maior barreira é o pouco contato do leitor com a nossa literatura fantástica, que é muito competente e não fica a dever para ninguém”.

Para Celly Borges e M.D Amado editores da Estronho, eles ainda encontram uma certa dificuldade em publicar livros do gênero fantástico já que nem todo mundo aceita:“como a divulgação ainda é feita a maior parte através de internet, é preciso trabalhar bastante para que chegue até aquelas pessoas que gostam da boa literatura, mas não conhecem muitos autores brasileiros.O fato é que hoje em dia tudo mudou para a literatura fantástica. Já é possível ver pessoas lendo livros fantásticos no ônibus ou metrô e a literatura fantástica nacional vem ganhando cada vez mais espaço com novos autores e editoras querendo divulgá-los.

Nos dias atuais as pessoas não te olham mais com cara feia se você admitir que tem predileção pela literatura fantástica”,concluem os editores..Isso só vem provar que a literatura fantástica nacional chegou para ficar e que está quebrando todas os preconceitos passados, fazendo com que mais leitores mergulhem nas páginas de nossos autores, viajando com eles em seus universos fantásticos.
>> O ESTADO RJ – por Louise Duarte


ANDREA DEL FUEGO: REALIDADE FANTÁSTICA QUE VIROU LITERATURA REALISTA

segunda-feira | 23 | janeiro | 2012

Vencedora do prestigiado prêmio José Saramago com o livro Os Malaquias, Andréa Del Fuego é hoje um dos nomes mais importantes da nova literatura brasileira.

Ela conta que quando escreveu o conto “Como ganhar um Jabuti”, uma crítica sobre a neurose que envolve as vida dos escritores diante de um prêmio literário, Andréa nem sonhava que viria a ganhar um prêmio e muito menos o prêmio fundado pelo autor que ganhou o Nobel de literatura.

Acostumada com textos curtos, contos e livros infantis, Os Malaquias foi a obra que marcou a sua transição para o romance.

Apesar de trabalhar fortemente com prosa poética a escritora afirma: “Eu gosto de escritores que me dão a realidade, sem metáforas”. Mas ao analisar a história que originou Os Malaquias, aquilo que parecia fantástico passa a ser uma realidade impressionante. Andréa escreveu o livro se baseando na história de seus bisavós que foram vítimas de um raio em um vale no interior de Minas Gerais. Os dois faleceram mas seu filhos tiveram apenas machucados leves.

As crianças que ficaram órfãs acabaram sendo separados: a tia-avó foi adotada por uma família árabe em São Paulo, para ser empregada e não filha e o avô de Andréa foi trabalhar em uma fazenda em um esquema similar ao de trabalho escravo. Já o tio-avô Antônio que é anão, na mente de Andréa por muito tempo havia virado anão por conta do raio.

Com esses personagens na vida da autora não foi difícil transpor a história para as páginas, processo que começou quando a avó de Andréa faleceu. Até então Andréa escrevia apenas contos eróticos. Com a morte, que é inclusive um elemento muito presente no livro, ela percebeu que a sua capacidade de escrever ia muito além.

Outro episódio da realidade fantástica que é a família de Andréa pode ser contado na sua própria versão: “O tio Antônio já era bem velhinho, andava descalço com o chapéu de palha e se enfiava no meio do milharal e todos procuravam por ele. Quando ficou mais idoso ele ficou gordinho e tinha uma lordose bem profunda. Ele se sentava na cozinha perto do fogo e ficava lá por muito tempo, até que o gato subia na lordose dele e dormia. Não é para ser escritora?”.
>> TV CULTURA – por Bárbara Dantine
 


O MERCADO DE QUADRINHOS NO BRASIL

sexta-feira | 20 | janeiro | 2012

Gabriel Bá comenta lançamentos de 2012 e a influência da internet nos quadrinhos

Para os aficionados por quadrinhos, o ano de 2011 foi um prato cheio. Com vários lançamentos no mercado editorial brasileiro, também foi um período de prêmios internacionais — os gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon, com  a obra “Daytripper”, faturaram o prêmio Eisner Award, um dos mais importantes do mundo dos quadrinhos.

Em entrevista exclusiva, o quadrinista Gabriel Bá fala sobre o mercado de quadrinhos no Brasil e conta sobre as facilidades que a internet trouxe para quadrinistas que, segundo ele, trabalham cada vez mais de forma independente.

Gabriel Bá: “Talvez a internet seja o melhor veículo para propagação dos quadrinhos.” Foto: J.R. Duran

O ano de 2011 parece ter sido especial para os quadrinhos brasileiros — vocês, por exemplo, ganharam os prêmios Eisner Award e Harvey Award. O que os aficionados por quadrinhos podem esperar de 2012? E com relação ao trabalho de vocês?
Gabriel Bá: Creio que há dois projetos legais que devem ser lançados neste ano. O primeiro deles é oGraphic MSP, do Maurício de Sousa, que traz uma releitura das histórias da Turma da Mônica feitas por quadrinistas como Gustavo Duarte, Danilo Beyruth, Shiko, Vitor e Lu Cafaggi. O outro lançamento vem da parceria entre escritores e quadrinistas. Trata-se de uma série de graphic novels idealizada pelo produtor de cinema Rodrigo Teixeira, em parceria com o escritor Joca Terron. O primeiro volume, “Cachalote”, já foi lançado em 2010. Dos nossos trabalhos, devemos lançar “Casanova” em formato gibi. Também temos outra publicação que não é de quadrinhos — chama-se “Cidades Ilustradas”. Trata-se de um projeto que revela cidades brasileiras pelo traço de vários artistas. Eles levam os autores a cidades que eles não conhecem e, em seguida, os autores fazem um livro com suas impressões. A cidade que estamos trabalhando é São Luís, no Maranhão.

As mudanças que ocorrem no mundo real — linguagem da internet, comunicação rápida e instantânea — afetaram a forma de fazer quadrinhos? 
Na forma de se produzir quadrinhos, não houve mudanças. Talvez a internet tenha ajudado na divulgação desse trabalho, sob diferentes aspectos. Com as tiras, funciona muito bem, que são curtas e rápidas. Só não é melhor que o jornal, porque de certa forma ele já está estabelecido, todo mundo sabe que nesse tipo de publicação já há aquele espaço reservado para tirinhas que todos conhecem. Mas a internet permite que todos tenham acesso aos trabalhos e até mesmo aos autores. Aqueles que gostam de quadrinhos podem seguir, comentar e obter respostas dos quadrinistas, além de poder ver truques e dicas sobre como produzir quadrinhos.

Essa interatividade com os leitores já influenciou algum trabalho de vocês?
Sempre pensamos sobre aquilo que os leitores falam e levamos em consideração as respostas e comentários. Mas como nós trabalhamos sempre juntos, temos que entrar em um acordo. De toda forma, não fazemos disso uma novela, que só quer ganhar mais ibope. Nossos projetos são sempre muito bem pensados, trabalhamos sempre em dupla e discutimos muito sobre eles. Levamos em média dois anos para realizá-los e, quando terminamos, é difícil ter algo que não tenha sido pensado. E nos envolvemos apenas em projetos nos quais acreditamos.

A partir do Daytripper, vocês ganharam notoriedade como contadores de histórias, e não só como desenhistas. Como foi isso?
Com o “Daytripper”, ganhamos destaque maior como contadores de histórias. Antes éramos só desenhistas. Nosso trabalho não é o mais comercial, e com o “Daytripper” mostramos que temos um estilo, uma história para contar. Acredito que o público e o mercado vão nos ver com outros olhos. De toda a forma, continuamos equilibrando esses dois tipos de trabalho.

Em 2011, ganhou corpo um projeto de lei que obriga editoras de quadrinhos a reservar no mínimo 20% para trabalhos nacionais. O que você acha dessa proposta?
Não sei se vai ajudar muito. Essa proposta fala em utilizar mais quadrinhos na escola e ensinar as técnicas para fazê-los. Acho que isso é interessante, pois ajuda a criar público, que também é muito importante. Esse projeto de lei que obriga a ter uma reserva de 20% de títulos nacionais talvez funcione para editoras grandes. As pequenas talvez não tenham como publicar mais títulos. Há também as editoras de mangás, que trabalham com obras estrangeiras e não conseguiriam trabalhar dessa maneira. Não acho que vá beneficiar os autores, uma vez que eles não irão receber mais dinheiro por isso. Não dá para ficar esperando as coisas caírem do céu. E, pelo que tenho visto, a maioria dos autores na área de quadrinhos também não. Muitos estão procurando mostrar seu trabalho de forma independente. Acredito que o mais importante é criar e formar um público de quadrinhos, utilizando a escola, por exemplo.
>> CONTAFIO – da Redação


PROGRAMA DE FICÇÃO CIENTÍFICA NO MARANHÃO FECHOU O COMÉRCIO E LEVOU EXÉRCITO ÀS RUAS

sexta-feira | 13 | janeiro | 2012

Livro e CD "Outubro de 71: Memórias Fantásticas da Guerra dos Mundos".

Uma adaptação radiofônica da obra de ficção científica “A guerra dos mundos” (publicada em 1898 por H. G. Wells) pôs o Exército em alerta, fechou boa parte do comércio e provocou pânico generalizado entre a população.

Não se trata da célebre encenação levada ao ar em 1938 por Orson Welles nos EUA, mas de uma versão que, em 1971, comemorou o aniversário da rádio Difusora, de São Luís (Maranhão), transformando a rotina da cidade – como ocorrera 33 anos antes durante a emissão americana.

“O programa foi interpretado pelos ouvintes não como uma invasão alienígena, conforme seu roteiro, mas como se fosse o próprio fim do mundo”, explica o professor Francisco Gonçalves da Conceição, organizador do livro “Outubro de 71 – Memórias fantásticas da guerra dos mundos”, que reconstitui a histórica transmissão.

Fruto de três anos de trabalho de uma turma de graduação em Jornalismo da Universidade Federal do Maranhão, a obra transformou o então pacato sábado 30 de outubro de 1971 naquele que, para muitos de seus ouvintes, seria seu último dia sobre a Terra.

Reação nas ruas
Os relatos sobre as consequências da transmissão são conflitantes, mas sabe-se com certeza que o comércio do centro histórico de São Luís fechou as portas – as pessoas queriam ir o quanto antes para suas casas a fim de “morrer” ao lado dos familiares. Naquele dia, os motoristas de táxi tiveram trabalho de sobra.

“Não tínhamos o que fazer, era uma brincadeira. Mas não sabíamos o alcance e o poder do veículo que tínhamos nas mãos”, afirma Manoel José Pereira dos Santos, o Pereirinha, 61 anos, responsável pelos efeitos sonoros do programa – fundamentais para ampliar a sensação de pavor dos ouvintes.

Na memória coletiva da cidade há lembranças de pessoas acendendo velas, pregadores reunindo grupos para a leitura do Evangelho, e personagens proeminentes (como políticos) confessando traições amorosas e pedindo perdão de joelhos às mulheres. Enfim, um pandemônio.

Além disso, uma unidade do Corpo de Bombeiros chegou a ser acionada durante o programa, e um oficial do Exército que participava de um churrasco em Pinheiro, a cerca de 90 km de São Luís, fretou um voo (depois pago pela rádio Difusora) para levá-lo à capital, onde constatou que o relato da Difusora não correspondia à realidade.

Por causa disso, e depois de encerrada a transmissão, uma patrulha do Exército invadiu a rádio e exigiu sua lacração – a emissora ficou fechada por três dias.

As consequências para os radialistas (ninguém foi preso ou processado) só não foram maiores porque eles conseguiram enxertar, em dois momentos da gravação que foi analisada à época pela Polícia Federal, o aviso de que o programa era uma obra de ficção, que não foram ao ar na emissão original.

“Quando a ficha caiu, eu acho que as pessoas ficaram com muita vergonha de terem sido enganadas. Isso ajudou também a esfriar o assunto, deixar que ele praticamente ficasse esquecido por quatro décadas”, analisa Pereirinha.

Da ideia à realização
Sérgio Britto, pseudônimo de José de Jesus Brito, hoje aos 72 anos, conta que teve a ideia do programa ao ler, numa edição da revista masculina “Ele&Ela” (publicada na década de 70 pela Bloch Editores), a sinopse da radionovela com a qual Orson Welles eletrizou – e apavorou – audiências em 1938 pela rádio CBS.

O primeiro passo foi a adaptação do roteiro para o Maranhão – na versão de Welles, os fatos se passam apenas nos Estados Unidos. “Acrescentei uma série de coisas que não constam nem no livro de Wells nem no programa de Welles”, conta Britto.

Como a visita de um cientista ao Maranhão e o pouso de um “estranho objeto” no Campo de Perizes, até hoje a única saída terrestre da ilha de São Luís. “Eu tinha medo de uma fuga em massa acontecer, então coloquei uma nave espacial ali”, relembra.

Apesar de o roteiro ter sido aprovado pelo departamento de censura da Polícia Federal, Brito diz que estava debruçado sobre ele horas depois da liberação da PF. “Aprovaram um negócio qualquer lá, sem ter muita noção do que se tratava”, conta. Dissociado dos efeitos sonoros, o programa também perdia muito de seu impacto.

Na época, a rádio Difusora já possuía uma emissora de TV, mas nos primórdios ela ficava no ar apenas algumas horas por dia (sempre entre a tarde e à noite, normalmente a partir das 14h). “É por isso que decidimos que a Guerra dos Mundos precisava ir ao ar pela manhã de qualquer jeito”, diz Brito.

A Guerra dos Mundos maranhense foi ao ar sem nenhum tipo de ensaio: os participantes (entre eles o locutor Rayol Filho, que comandava o “São Luís Hit Parade”, programa musical bastante popular na época) foram recebendo os textos praticamente no momento em que deveriam ser lidos.

Ao mesmo tempo, efeitos sonoros que simulavam interferências e transmissões em ondas curtas – a Difusora chegou a “entrar em cadeia” coma fictícia rádio Repórter, do Rio, que dava informações mais atualizadas dos estranhos fenômenos espaciais que antecederam a invasão marciana relatada na ficção – garantiam o ar dramático à representação.

Diferentemente da versão de Welles, o programa maranhense foi ar transmitido em flashes durante dois programas musicais de bastante sucesso no rádio de São Luís, entre 7h30 e 12h30.

A gravação agora recuperada, porém, começa uma hora e meia depois porque o sonoplasta se atrasou naquele dia (toda a programação das emissoras de rádio e TV do país tinha de ser gravada obrigatoriamente por determinação da Censura Federal – eram os tempos da ditadura militar).

“O que fica desse episódio, antes de mais nada, é a saudade dos meus 21 anos”, brinca Pereirinha. Assim como ele, outros personagens da histórica transmissão acham que um novo mal-entendido por causa da obra de H. G. Wells não seria possível na era da internet. “Hoje, daqui da minha casa, aperto uma tecla no meu computador e consigo checar uma informação. Em 1971, isso era praticamente impossível”, diz Brito.
>> VNEWS – da redação

Primeira parte do programa A Guerra dos Mundos que foi ao ar na Rádio Difusora em 30 de outubro de 1971. São Luís – Maranhão.

Segunda parte do programa A Guerra dos Mundos que foi ao ar na Rádio Difusora em 30 de outubro de 1971. São Luís – Maranhão.

Confira abaixo entrevista com Francisco Gonçalves sobre os detalhes da pesquisa que resultou no livro:

O grupo é formado po Francisco Gonçalves, Aline Cristina Ribeiro, Andréia Lima, Elen Mateus, Kamila Mesquita, Karla Miranda, Mariela Carvalho, Romulo Gomes, Sarita Bastos.

Quando iniciou a pesquisa e quantas pessoas participaram do levantamento?
Francisco Gonçalves – A pesquisa tinha como objetivo reunir depoimento dos produtores do programa, reconstituir o roteiro e localizar possíveis registros sonoros. Entre 2005 e 2006, a equipe de pesquisa entrevistou José de Jesus Brito (Sérgio Brito), Manoel José Pereira dos santos (Pereirinha), José de Ribamar Elvas Ribeiro (Parafuso), José Faustinho dos Santos Alves (J. Alves) e José Marinho Raiol Filho (Rayol Filho). Na época, embora tivéssemos tentando, não conseguimos localizar Fernando Melo e Fernando Costa. José Branco não aceitou conceder entrevista sobre o assunto. Além disso, reconstituímos o roteiro a partir de uma gravação do programa cedida por Parafuso. Dessas atividades de pesquisa, participaram, além de mim, Aline Cristina Ribeiro Alves, Andréia de Lima Silva, Elen Barbosa Mateus, Kamila de Mesquita Campos, Karla Maria Silva de Miranda, Mariela Costa Carvalho, Romulo Fernando Lemos Gomes e Sarita Bastos Costa, todos (na época) alunos do Curso de Comunicação Social da UFMA.

Como foi organizado o trabalho? Em quais áreas a pesquisa incidiu?
Focamos em duas áreas: a versão dos produtores e interpretes e a reconstituição do roteiro do programa, já que tratava-se de organizar fontes de pesquisa sobre o programa veiculado pela Rádio Difusora em 1971 e, deste momento, inserir esse acontecimento nos estudos de comunicação no Brasil e no exterior. Embora a Guerra dos Mundos seja um tema recorrente nos estudos de rádio e jornalismo, apenas recentemente o episódio de São Luís começou a ser objeto de discussão nos fóruns científicos do país. Por exemplo, apenas em 2003 foi apresentado um artigo científico sobre o tema, no caso, trabalho do Prof. Ed Wilson no 1º Encontro Nacional da Rede Alfredo de Carvalho, intitulado A Guerra dos Mundos em São Luís do Maranhão. Esse foi o primeiro artigo científico apresentado sobre o tema em um fórum de discussão da área de comunicação.

Entre os profissionais que participaram da produção, quais foram entrevistados e que funções cada um exerceu na montagem?
Todos os entrevistados participaram da produção do programa e/ou interpretação dos personagens, embora existam divergências sobre o papel desempenhado por cada um e o personagem que cada um chegou a interpretar. Sérgio Brito, Pereirinha e Parafuso, junto com Fernando Melo, participaram da produção do programa. Especificamente, Sérgio Brito, no roteiro; Pereirinha, nos efeitos especiais, na direção técnica; e Parafuso, na sonoplastia. Sérgio Brito interpretou o locutor da Rádio Repórter do Rio Janeiro (uma emissora fictícia), Pereirinha o controlador de vôo. Sobre o piloto de avião seguido por objeto desconhecido, o relato de Pereirinha diverge do de Sérgio Brito. Sérgio Brito afirma que interpretou esse personagem e Pereirinha atribui a interpretação a Fernando Melo. Sobre os demais entrevistados, J. Alves e Rayol Filho interpretaram a si mesmos. Outros personagens aparecem na história, como dono da Fazenda Santa Marta, interpretado de acordo com Pereirinha por Fernando Melo; o professor Leonardo Galvão e o cientista Mário Corteline, ambos interpretados por Reynaldo Faray. Não obstante as divergências sobre o papel de cada um, o programa A Guerra dos Mundos, como todo produto de mídia, é uma obra coletiva, resultado do esforço de todos.

Quais os cenários de São Luís no início da década de 1970?
Na passagem dos anos 60 para os anos 70, São Luís estava passando por mudanças políticas, urbanísticas, demográficas e midiáticas. De 1960 a 1970, de acordo com o IBGE, a cidade cresceu em mais de cem mil habitantes, passando para 265.486 moradores. Novas vias de acesso foram abertas, com as pontes sobre o Rio Anil, no Caratatiua e São Francisco. No começo da década de 70, a população maranhense ainda vivia o impacto da derrota de Renato Archer (PTB-PSD e vitória de José Sarney (PSP-UDN-PR). No campo das mídias, a televisão ganhava envergadura, por conta das mudanças técnicas, a expansão do consumo de produtos televisuais e aumento do número de telespectadores. Naquela década, a televisão deslocaria, na capital, o lugar social, econômico e político do rádio. Foi exatamente nos anos 70 que o Brasil veio a se constituir em uma sociedade midiática, sobretudo por conta do papel que a televisão viria a ocupar no sistema de comunicação, a partir da organização das redes nacionais. Mas, São Luís também era uma cidade povoada de assombrações, como a Carruagem de Ana Jansen, a serpente do Ribeirão e o Touro Encantado da Ilha dos Lençóis.

Em que aspectos o programa de São Luís mais se aproxima do original de Orson Welles?
De acordo com Sérgio Brito, o roteiro do programa da Difusora levou em consideração do livro de H.G. Wells, A Guerra dos Mundos, e uma sinopse do programa de Orson Welles, veiculado em 1938 pela CBS nos EUA, publicado em uma edição da revista Ele&Ela. Os dois roteiros possuem estrutura narrativa semelhante. Ambos utilizam os recursos do radiojornalismo para contar a famosa história de H.G. Wells. Mais também existem algumas diferenças importantes. Nos Estados Unidos, o programa foi veiculado em uma noite de domingo, em um horário destinado ao radioteatro. Em São Luís, o programa foi veiculado em uma manhã de sábado, ao longo da programação normal da emissora, sem nenhum aviso prévio que se tratava de obra de ficção. Nos Estados Unidos o programa foi interpretado por atores; em São Luís por respeitados e reconhecidos profissionais de rádio e jornalismo. Nos Estados Unidos o foco da invasão foi o território americano; em São Luís, a invasão se espalha pelo mundo e chega ao campo de Perizes, sendo este um momento chave na dramática narrativa da Difusora, para o qual foram fundamentais a música e os efeitos de som.

O que os produtores do programa pretendiam com a veiculação?
Sobre os objetivos dos produtores também existem visões diferentes. Para Sérgio Brito, por exemplo, o objetivo era demonstrar o valor do rádio em um momento que o panorama de comunicação passava por mudanças com o crescimento da audiência de televisão. Para Pereirinha, era uma brincadeira, feita para comemorar o aniversário da emissora. Eu diria que, de certo modo, os dois têm razão. Foi uma brincadeira no aniversário da emissora, mas uma brincadeira que se prestava a expor a importância do rádio, em um momento em que a televisão, institucionalmente falando, provocava uma reestruturação do papel social, econômico, político e cultural do rádio.

No começo da década de 70 como estavam posicionados o rádio e a televisão no cenário midiático de São Luís?
No começo da década de 70, cinco emissoras de rádio disputavam a atenção dos ouvintes na capital do Estado, no caso, Difusora, Timbira, Gurupi (hoje, Rádio São Luís), Educadora e Ribamar (hoje, Rádio Capital). Com a chegada do vídeo-tape em 1966, a televisão superou a sua primeira fase, caracterizada por uma produção local, feita, sobretudo, por profissionais oriundos do rádio e teatro. Essa produção local foi gradativamente substituída por uma programação do sul país. Como observa Aldo Leite, em seu livro sobre o teatro, a criatividade e a improvisação cederam lugar à tecnologia.

Quais os aspectos relevantes na estética do programa que levaram à construção de um efeito de realidade?
Eu diria que o realismo foi fundamental para conferir valor de verdade à narrativa – o programa foi apresentado e interpretado por cronistas, locutores e repórteres respeitados e reconhecidos pelo público; a história de H. G. Wells foi recontextualizada, ou seja, São Luís passou a ser um dos palcos da fictícia invasão; o uso da vinheta de notícias extraordinárias da Rádio Difusora marcou o ritmo do programa; e a trilha sonora, que articulou as músicas mais pedidas da semana, com música clássica (utilizada quando morria alguém importante) e músicas da trilha sonora da novela O homem que deve morrer e do filme 2001: uma odisséia no espaço.

Houve pânico em São Luís durante a veiculação do programa?
Os depoimentos dos produtores e interpretes do programa revelam um aspecto bastante interessante do programa: as pessoas acreditaram mesmo que a Terra estava sendo invadida por naves extraterrestres e que os marcianos estavam chegando em São Luís. Muitos ouvintes interpretaram essa invasão como o próprio anúncio do fim do mundo. Tendo chegado o fim do mundo, a preocupação das pessoas era ir para casa morrer com os seus. Nos últimos dias, temos ouvido muitos relatos que confirmam essa versão. Ao divulgar o lançamento do livro, várias pessoas nos procuram com histórias semelhantes àquelas narradas por Sérgio Brito, Pereirinha, Parafuso, J. Alves e Rayol Filho.

Como foi a repressão à Rádio Difusora após a exibição do programa?
Tropa do exército invadiu e ocupou as dependências da emissora. E em um ato completamente arbitrário, o comandante determinou o fechamento da emissora e da televisão, que deveria entrar no ar a partir das 17h. Nos anos seguintes, a Difusora responderia processo no DENTEL. A situação só não foi pior porque Sérgio Brito, Pereirinha e Parafuso introduziram em dois espaços da gravação uma pequena nota dizendo que se tratava de programa de ficção.

Qual a descoberta mais relevante da pesquisa?
O aspecto mais relevante da pesquisa é que, pela primeira vez, se conseguiu reunir importantes fontes de pesquisa sobre esse programa, agora publicadas em livro. Ou seja, reunimos os depoimentos dos produtores e interpretes do programa, reconstituímos o roteiro e localizamos cópia da gravação com Parafuso e Pereirinha. O livro Outubro de 71: memórias fantásticas da Guerra dos Mundos apresenta esses depoimentos e o roteiro e o áudio do programa. Cada participante do programa apresenta a sua própria versão daquele acontecimento. As convergências e divergências nas narrativas fazem parte da própria dinâmica metodológica adotada na pesquisa, no caso a história oral. Nós estamos convencidos que ao lançar o livro outras histórias e outras lembranças virão a público, do mesmo modo, que as diferentes versões provocarão bons debates sobre o papel dos produtores e interpretes e sobre o próprio programa. Deste modo, teremos condições de ampliar as informações sobre esse importante evento.
>> BEQUIMÃO AGORA


MUNDO POVOADO POR SERES FANTÁSTICOS DÃO FÔLEGO A JOVENS ESCRITORES

quinta-feira | 12 | janeiro | 2012

O paulistano André Vianco publicou 14 obras, com 700 mil cópias vendidas e faz projeto piloto para série de tevê.

A popularização da literatura de fantasia levou alguns escritores brasileiros a trilharem os caminhos desse gênero. O mundo habitado por guerreiros, vampiros, lobisomens, demônios e anjos está ganhando cada vez mais espaço entre as publicações nacionais e diminuindo a dependência da criatividade estrangeira para satisfazer leitores adeptos ao estilo.

A fantasia nacional soma algumas dezenas de títulos, como as séries vampirescas de André Vianco; A batalha do Apocalipse, de Eduardo Spohr; e a trilogia Dragões de éter, de Raphael Draccon. O fenômeno editorial ocorreu no momento em que o mundo vislumbrava a magia de Harry Potter e o cinema resgatava a saga de O senhor dos anéis. Mas as inspirações dos escritores daqui foram várias, passando por J. R. R. Tolkien, J. K. Rowling, C. S. Lewis e chegando a nomes do passado, como o criador do Conde Drácula, Bram Stoker.

Um dos precursores e disseminadores dessa tendência no país foi o paulistano André Vianco, 35 anos. Em 2000, ele lançou Os sete, livro que conta a história de sete vampiros que desembarcam no litoral brasileiro, e ainda hoje figura entre os mais vendidos. “A internet inverteu o fluxo de como as editoras decidiam o que publicar. A indústria do entretenimento passou a ver que os leitores liam também na internet. Então, começaram a entrar os autores nacionais de fantasia e terror. Perceberam que havia bons escritores aqui e começaram a ver que os leitores queriam ler esses autores, sim. Porque, mesmo sem existir na loja, o escritor tem o seu blog, o seu público, as editoras vão atrás deles também. Hoje, com as redes sociais, existe uma fidelização do público leitor, o que está fortalecendo esse nicho que até então era ignorado”, analisa.

Dono de um recorde de 700 mil cópias vendidas, com 14 livros publicados e um em produção, André Vianco ensaia os primeiros passos como diretor de uma série de tevê baseada na trilogia O turno da noite. A produção é independente, e conta apenas com o episódio piloto até o momento. “São passos tímidos ainda, mas os leitores adoram. É aquela coisa bem brasileira, bem autoral. Eu escrevi o roteiro, dirigi e abri minha produtora”, acentua.

Receita para o sucesso não existe, mas Vianco sempre dá dicas nas palestras que faz pelo Brasil a jovens que pretendem tornar-se escritores: “É gostar de escrever e sobretudo gostar de ler. Ser perseverante, porque o mercado não é fácil”.

Medieval e tecnológico
O estilo do carioca Raphael Draccon, 30 anos, é diferente, sem seres sanguinários. Autor da saga Dragões de éter, com mais de 50 mil exemplares vendidos, Draccon lançou-se no projeto de escrever um livro para ser como Bruce Lee. De tanto assistir a Operação Dragão na infância, ele prometeu para si que também seria escritor e faixa-preta, e trabalharia com cinema. “Precisei de 20 anos para cumprir toda a promessa”, brinca.

A trilogia Dragões de éter é uma releitura de vários contos de fada compartilhando a mesma trama, com uma linguagem para adolescentes, e não para crianças. Contém ação e magia na mesma medida, em um cenário medieval e tecnológico. Ninguém escapa. Chapeuzinho Vermelho, João e Maria, a Branca de Neve e os sete anões, estão todos lá, com uma dose farta de cultura pop, vinda principalmente do rock.

A trilogia ganhou forma em meio a uma rotina agitada. Raphael estudava cinema de manhã, dormia à tarde, dava aulas à noite e escrevia de madrugada. O esforço rendeu, à época, um original de 400 páginas, entregues nas mãos do editor. A edição publicada tem cerca de 1.400. “Eu havia produzido uma capa simbólica, os personagens impressos em papel especial. A ideia era resgatar o que a minha geração sentia ao assistir a A caverna do dragão. Uma obra envolvendo um cenário sombrio, suavizado por uma visão juvenil”, explica Draccon.

Quando publicou os livros pela primeira vez, cinco anos atrás, a realidade era outra. “Hoje, o mercado é um pouco mais aberto a novos autores. Há alguns anos, aí podemos utilizar autores como Vianco e Spohr como exemplo, escritores nacionais de fantasia não eram best-sellers ,e nem editoras nem leitores confiavam tanto neles como atualmente”, resume.

Fada Mel
Mesmo dentro do gênero fantasia, o público é bastante diversificado. Distante das batalhas épicas e confrontos violentos, o livro A fada, de Carolina Munhoz, paulista de 22 anos, vencedora na categoria literatura do Prêmio Jovem Brasileiro 2011, é uma história de esperança diante de dificuldades.

A inspiração que Harry Potter deu a Carolina foi tanta que até a cidade onde a trama se desenrola é a mesma onde o bruxo morava: Londres. “Eu sempre fui apaixonada pelo local, pela história do Rei Arthur. Harry Potter intensificou e resolvi usar Londres como cenário. Antes de relançar o livro por uma outra editora, passei um mês lá e usei essa experiência para colocar mais detalhes na obra”, comenta Carolina.

As aventuras da personagem principal, a fada Mel, surgiram na imaginação dela aos 16 anos. Quatro anos depois, a história foi publicada e reeditada. “Eu nunca tive uma conexão muito grande com fadas, mas esse livro veio para mim em um sonho e no outro dia eu comecei a escrever.”

Já Bruna Torres não é escritora, mas é fã da obra de André Vianco. Aos 6 anos, leu Chapeuzinho Vermelho e, alguns anos depois, As aventuras de Robson Crusoé. Conheceu a obra de Vianco por meio de um parente. “Meu primo tinha uns 12 anos e lia a série que começou com Os sete. Ele me falava tanto dela que me interessei e acabei até presenteando amigos com livros do André. Até o meu namorado, que não lia nada, tomou gosto pela leitura. Hoje, conheço o André Vianco pessoalmente e sempre o encontro quando ele vem a Brasília”, completa.

Leitora dedicada, a brasiliense de 25 anos põe Vianco no patamar dos melhores escritores brasileiros. “São livros de excelente qualidade, que merecem leitura. Indico para todas as idades. São cheios de detalhes, personagens e histórias fascinantes”, descreve.
>> CORREIO BRAZILIENSE – da Redação


O MITO DO ALIENÍGENA MAL INTENCIONADO

domingo | 1 | janeiro | 2012

Por que Stephen Hawking está errado sobre o perigo da inteligência de extraterrestres?

Com o Arranjo de Telescópios Allen mantido pelo Instituto de Busca por Inteligência Extraterrestre (Seti, na sigla em inglês), no norte da Califórnia, chegará a hora em que encontraremos uma inteligência artificial (Eti). O contato provavelmente chegará mais cedo que se espera por causa da lei de Moore ─ proposta pelo cofundador da Intel, Gordon E. Moore, que propõe a duplicação da capacidade dos computadores a cada um ou dois anos. Acontece que essa curva de crescimento exponencial se aplica à maioria das tecnologias, incluindo a busca por Etis: de acordo como o astrônomo e fundador do Seti, Frank Drake, nossas pesquisas hoje são 100 trilhões de vezes mais poderosas que há 50 anos, sem previsão para o fim dessas melhorias. Se houver um ET lá fora, faremos contato. O que acontecerá quando o fizermos? Como será a resposta deles?

Questões como essas, mesmo no âmbito da ficção científica, estão sendo seriamente consideradas pelo mais antigo e um dos mais prestigiados periódicos científicos do mundo ─ Philosophical Transactions of the Royal Society A ─ que dedica 17 artigos da edição de fevereiro à “Detecção de Vida Extraterrestre e suas Consequências para a Ciência e Sociedade”. Por exemplo, várias respostas apregoam o mito de que a sociedade colapsará pelo medo ou se despedaçará pelo balburdia provocada ─ ou que os cientistas e políticos se unirão numa conspiração para ocultar a verdade. Dois desses exemplos foram testemunhados: um em dezembro de 2010, quando a Nasa anunciou, numa palestra aberta à imprensa, uma possível nova forma de vida baseada no arsênico, e outro em 1966, quando cientistas publicaram que uma rocha marciana continha evidências fósseis de vida primitiva no Planeta Vermelho e o presidente Bill Clinton se pronunciou a respeito. Agências espaciais que disputam acirradamente os recursos disponíveis como a Nasa e organizações privadas que dependem do levantamento de fundos como o Instituto Seti divulgarão em alto e bom som qualquer sinal extraterrestre que encontrarem, de micro-organismos a marcianos. Mas podemos voltar aos alienígenas?

De acordo com Stephen Hawking, devemos nos calar. “Só precisamos olhar para nós mesmos para ver como a vida inteligente pode se desenvolver e resultar em alguma coisa que não gostaríamos de encontrar”, ele explicou na série de documentários do Discovery Chanel em 2010. “Eu os imaginava viajando em naves robustas, depois de terem esgotado todos os recursos naturais de seus planetas de origem. Alienígenas tão avançados talvez pudessem ter se tornado nômades, tentando conquistar e colonizar qualquer planeta que encontrassem”. Considerando a história de confrontos entre civilizações terrestres nas quais os mais avançados escravizavam ou destruíam os menos desenvolvidos, Hawking conclui: “Se alienígenas nos visitarem um dia, eu acredito que o resultado seria muito parecido com o que aconteceu quando Cristovão Colombo pisou em terras da América, o que não foi muito agradável para os nativos americanos”.

Sou cético. Embora só possamos fazer uma tentativa em n elementos e apesar de nossa espécie ter um registro não invejável dos primeiros contatos entre civilizações, a tendência dos dados para a metade do milênio passado é encorajadora: o colonialismo está morto, a escravidão está morrendo, a porcentagem de pessoas que perece em guerras diminuiu, o crime e a violência estão em queda, liberdades civis são sendo preservadas e como testemunhamos no Egito e em outros países árabes, o desejo de ter democracias representativas está se espalhando, juntamente com a educação, ciência e tecnologia. Essas tendências tornaram nossa civilização mais inclusiva e menos exploradora. Se extrapolarmos essa tendência dos últimos 500 anos para os próximos cinco mil ou 500 mil anos, teremos uma noção de qual seria a aparência de um Eti.

Na verdade, qualquer civilização capaz de empreender longas viagens espaciais terá avançado muito além do colonialismo explorador e de fontes de energia não sustentáveis. Escravizar nativos e apoderar-se de seus recursos pode ser lucrativo a curto prazo para as civilizações terrestres, mas essa estratégia poderá não persistir nas dezenas de milhares de anos necessários para as viagens espaciais interestelares.

Nesse contexto podemos entender que as civilizações extraterrestres nos pressionam a considerar a natureza e o progresso da civilização terrestre e nos dão a esperança de que quando fizermos contato, pelo menos uma inteligência terá conseguido atingir um nível no qual a incorporação de novas tecnologias substituiu o controle das pessoas e a exploração do espaço superou a conquista de terras. Ad astra!

>> SCIENTIFIC AMERICAN – por Michael Shermer


CRESCE NÚMERO DE ESCRITORES BRASILEIROS QUE TRABALHAM O MEDO EM SEUS LIVROS

domingo | 1 | janeiro | 2012

 (Arquivo Pessoal)

O escritor André Vianco é um dos autores de Literatura Fantástica mais vendidos do Brasil

O medo é o objetivo. E o limite entre o terror e a tranquilidade faz a diferença na hora de atrair leitores jovens. A literatura de terror produzida por autores contemporâneos brasileiros não tem contornos definidos e muito menos a pretensão de criar qualquer tradição de gênero, mas cresce, revela nomes e envereda por caminhos ainda muito ancorados nas referências de língua inglesa. O terror brasileiro herdou as criaturas e fantasmas geradas no Hemisfério Norte. Em alguns casos, incorporou pimenta própria com cores locais. Há seres saídos das lendas brasileiras diretamente para a tramas protagonizadas por vampiros e almas penadas. Ou então cenários favoráveis com especificidades urbanas que atendem os requisitos para se equiparar às metrópoles melancólicas típicas de certas histórias. Mas tradição, não há.

Na análise do paulistano André Vianco, 36 anos, o cenário mudou muito desde o ano 2000. “Há 10 anos, as editoras eram bastante reticentes quanto a receber fantasia e terror por parte dos autores nacionais, mas eu sabia que tinha esse público, gente que queria ler uma literatura de terror que não fosse infantil e escrita por brasileiros.” Vampiros foram os primeiros parceiros do escritor na empreitada que rendeu mais de 13 livros, a maioria publicada pela Novo Século. No mais recente, O caso Laura, lançado pela Rocco, as criaturas ficaram de fora e o terror se voltou para um suspense mais humano.

Vianco também gosta de inserir, nas narrativas, algumas referências brasileiras, como o Curupira e outras criaturas lendárias. Alimentado pelo cinema, ele prefere se concentrar no conteúdo e deixar a forma de lado. “Cresci assistindo muita coisa na tevê, lendo quadrinhos, jogando videogame e os autores contemporâneos vão se apropriando disso tudo. É claro que há aqueles que gostam mais da literatura clássica de terror. No meu caso, dou mais valor à história e não a como ela vai ser apresentada. A gente vive disputando atenção do leitor com playstation, internet, seriado na tevê e isso também traduz nossa linguagem.”

O leitor jovem é maioria nas apresentações e eventos dos quais Vianco participa, mas ele garante também conversar com vovós, mães e pais que acompanham a prole na leitura. É o mesmo público visado por Douglas MCT e Ademir Pascale, nomes do topo da lista de livros de terror da Draco, editora especializada em fantasia e ficção científica. Roteirista de games, Douglas publicou o primeiro romance no ano passado. Necrópolis — A fronteira das almas traz a saga da alma perdida de um garotinho que precisa ser resgatada pelo irmão mais velho. É o primeiro de uma série de três e o segundo está previsto para 2012. Nascido no interior de São Paulo, Douglas, 28 anos, confessa ter explorado temores pessoais para escrever a história.

Fã de Stephen King e Guillermo del Toro, ele levou para o livro a mescla de bizarro, horror épico e terror psicológico comum nas narrativas desses autores. “O público são jovens pós-Restart e adultos, ainda que adolescentes mais novos tenham se interessado também, como apontam as estatísticas da rede social livreira Skoob. Mas gosto de dizer que o público é aquele que busca um frescor em tramas de fantasia e terror. Daqueles que gostam de sentir medo por meio de uma mídia”, garante. Ademir Pascale, autor de O desejo de Lilith, acrescenta à fórmula algumas mensagens de superação. Para o paulistano de 35 anos, o medo contido na trama de terror só é justificável se conduzir a uma espécie de “lição”.

Fórmula do medo

 “Numa história de Terror
não pode faltar a imersão: levar
quem lê para a profundeza, na
qual ele possa sentir na pele
a possibilidade daquilo, temer
junto do personagem e morrer
junto dele, se possível”, 


Douglas MCT, autor de Necrópolis —
A fronteira das almas 


“Tem que ter aproximação com o leitor, colocar o leitor juntinho com as personagens que estão encenando a história e essa proximidade vai dar toda a atmosfera. Por mais fantasiosa que seja a premissa do romance, (o autor tem que) fazer o leitor acreditar naquilo “, 

André Vianco,
autor de O caso Laura 

“Gosto do terror abstrato.
É o terror que tá dentro da pessoa.
É uma pessoa que acorda de
noite com síndrome do
pânico e começa a ver coisas onde não
existe, esse é o terror realmente bom,
que me dá medo”, 


Heloísa Seixas, autora de O pente de Vênus — Histórias do amor assombrado

>> CORREIO BRAZILIENSE – por Nahima Maciel


INDICAÇÕES FANTÁSTICAS: “CYBER BRASILIANA”, DE RICHARD DIEGUES, ESTREIA NOVO PROGRAMA

segunda-feira | 23 | maio | 2011

A escritora Carol Chiovatto colocou no ar na Revista Fantástica sua nova coluna: INDICAÇÕES FANTÁSTICAS.

Trata-se de um projeto que pretende indicar livros em forma de resenha/entrevista em vídeo com os autores dos livros.

Os vídeos terão periodicidade quinzenal, alternando com textos.

Indicações Fantásticas 01


“KILL BILL VOL. 3″: DARRYL HANNAH CONFIRMA FILMAGEM

domingo | 10 | abril | 2011
Daryl Hannah em "Kill Bill" (Foto: Divulgação)

Daryl Hannah em "Kill Bill"

A atriz americana Daryl Hannah confirmou a filmagem da terceira sequência da saga “Kill Bill”, do diretor Quentin Tarantino, e contou que o roteiro contará com duelos entre a filha da protagonista, a Noiva, e da filha de sua inimiga, Cabeça de Cobre.

Hannah foi a estrela internacional convidada para inauguração desta quinta da Mostra de Valência, que nesta edição, a segunda dedicada ao cinema de ação e aventura, homenageou a atriz.

Uma de suas atuações mais conhecidas é a de Ellen Driver de “Kill Bill”, no qual interpreta uma assassina sanguinária que deve voltar às telas de cinema em 2014, ano previsto para a estreia da terceira sequência da saga de ação que apontou Uma Thurman como heroína justiceira.

Em entrevista coletiva, Hannah não revelou detalhes sobre o próximo filme, porque o próprio Tarantino não sabe ainda se o projeto incorporará recursos de animação ou outra tecnologia.

A atriz explicou que Tarantino adiou a continuação de “Kill Bill”, cujos dois volumes estrearam em 2003 e 2004, porque esperou que “a filha da Noiva”, interpretada por Uma Thurman, e a filha de Cabeça de Cobre” – pertencente ao Esquadrão Assassino de Víboras Mortais que tenta matar a Noiva – “fossem suficientemente mais velhas para poderem serem inimigas”.

Segundo Hannah, a filha da inimiga, Nikki Green (Ambrosia Kelley), vai querer enfrentar a filha da Noiva porque presenciou a morte de sua mãe pelas mãos da personagem de Uma Thurman no primeiro filme “Kill Bill”, quando tinha apenas 10 anos.

A atriz homenageada na Mostra confessou que fazer cinema foi para ela “um sonho que se tornou realidade” e que o melhor que a profissão lhe deu foi a possibilidade de “se perder em um mundo imaginário, viajar para muitos lugares e viver diferentes vidas”.

“Filmar com Quentin [Tarantino] é a melhor experiência que um ator pode ter porque é como ir a uma escola de cinema. Ele sabe tudo de qualquer filme que se tenha feito”. Além disso, acrescenta, “sua felicidade é contagiante”.

A atriz, que se formou como produtora, prepara um documentário e vai dirigir “uma pequena série de comédia”, apesar de reconhecer que a direção de cinema é “difícil e tira muito tempo”.
>> G1 – por EFE


DE ONDE VÊM AS BOAS IDÉIAS

sexta-feira | 18 | março | 2011

Steven Johnson já foi citado como um dos mais influentes pensadores do ciberespaço pelos periódicos Newsweek, New York Magazine e Websight. É editor-chefe e cofundador da Feed, premiada revista cultural on-line. Graduou-se em semiótica pela Brown University e em literatura inglesa pela Columbia University. A Zahar já publicou cinco de seus livros e em 2011 publicará mais um, aquele que o próprio autor, em conversa com Mariana Zahar na Campus Party de 2008 em São Paulo, disse para ela que “estou escrevendo o livro de minha vida”: De Onde Vêm as Boas Ideias.

A seguir a reprodução de uma entrevista dele para O Globopublicada em 14/11/2010 sobre esse novo livro. Os negritos são meus.

“O escritor americano Steven Johnson, especialista em destrinchar temas tecnológicos para o leitor comum, volta a chamar a atenção dos aficionados de ciência e tecnologia com seu livro “Where good ideas come from” (“De onde vêm as boas ideias”), lançado em outubro nos EUA e a ser lançado no Brasil pela Zahar em 2011. Ele desmistifica teses sobre a inovação, como a suposição de que grandes gênios têm ideias do nada depois de grandes momentos de silêncio e contemplação. Besteira. Inovação nasce do caos, diz o autor, um iconoclasta que defende as cidades como polos de produção de novas ideias e garante que nem sempre o dinheiro é o fator motivador de uma descoberta genial. O escritor é fã do jeitinho brasileiro de superar limitações e diz que nem sempre a pobreza restringe a inovação. E para quem não se considera um Einstein, Johnson dá seus conselhos. Primeiro, que as famílias estimulem seus filhos a cultivarem hobbies e atividades paralelas ao estudo. E que as pessoas sempre anotem suas ideias em uma espécie de diário. “Uma ideia que você teve há um tempo pode nem fazer muito sentido, mas quatro anos depois, diante de uma nova realidade, ela pode ser uma ótima ideia”.

O GLOBO: Muitas pessoas acham que inovação só é estimulada pela possibilidade de que ela renda dinheiro, uma tese da qual você discorda. Qual a motivação para inovação?

STEVEN JOHNSON: Há motivações múltiplas. Dinheiro é certamente uma delas, mas superestimamos o desejo por dinheiro ou até que ponto o marketing orienta a inovação. O problema com a inovação baseada em marketing é esse desejo de proteger sua ideia porque você quer fazer dinheiro com ela. O grande argumento contra isso é que as melhores ideias frequentemente vêm de processos colaborativos, de redes de ideias ou de criar em cima de processos e ideias já inventados por outras pessoas, de pegar emprestada uma ideia de outra pessoa e desenvolvê-la em outro campo, fazer algo completamente novo. E é essa propriedade de conectividade da inovação que você compromete quando tenta esconder e proteger ou isolar sua ideia. E é por isso que existe esta longa história de defesa de sistemas abertos, seja em universidades, seja em ciência experimental, seja na internet.

O GLOBO: Então a figura do gênio trabalhando isoladamente não existe.

JOHNSON: Há pessoas excepcionalmente inteligentes, mas elas raramente trabalham totalmente sozinhas. Os trabalhos são colaborativos. Em geral, quanto mais conectado você é, mais propenso a ter boas ideias, mas você terá mais chances de ter ideias verdadeiramente originais se estiver cercado de gente diferente de você, se tiver uma rede de influências supreendente. O ponto interessante do livro é justamente a importância da diversidade, não apenas a diversidade multicultural, mas a diversidade de interesses, como você ser um publicitário cercado de arquitetos, cientistas. As coisas que este amigo arquiteto diz podem acender uma centelha de ideia original para sua campanha publicitária. É melhor ser um gênio e, se você for um gênio, que bom para você, mas é melhor que você se coloque num ambiente de diversidade. Outra coisa: nós não perdemos muito tempo pensando no livro como uma ferramenta revolucionária do ponto vista da inovação, mas é um poderoso instrumento de mudança social ao guardar ideias e transmiti-las a outras ações, os antecessores do conhecimento transmitido em rede.
” Historicamente, as cidades são os grandes berços da inovação “

O GLOBO: E há ambiente ideal para que as ideias fluam?

JOHNSON: O problema com as empresas é que elas dedicam somente uma semana durante o ano em que todo mundo sai em retiro e tenta ser criativo e se reúne em sessões de brainstorming. Não há nada mais equivocado do que esta ideia de que um dia todo mundo vai ser mais criativo e, depois, volta todo mundo à rotina do trabalho. Se você quer realmente criar um processo de inovação permanente que percorra toda a empresa, um dos grandes modelos é o Google, onde os empregados dedicam 20% do seu tempo a inovação. É um tempo em que eles podem trabalhar em projetos paralelos vagamente relacionados às metas da empresa, e só o que é pedido é que eles se reportem uma vez por mês a seus superiores fazendo uma atualização do trabalho. O fato é que 25% das inovações geradas na empresa vêm destes 20% de tempo criativo. É um mecanismo poderoso dentro da organização.

O GLOBO: E em casa, nas famílias?

JOHNSON: Depende da estrutura familiar que você tem. Uma das coisas mais interessantes que eu descobri ao fazer os perfis das pessoas que estão neste livro é que quase todos possuem muitos hobbies. Uma das coisas que os pais podem fazer de bom para os filhos é dar o conselho: “Seja apaixonado por alguma coisa ou coisas. Envolva-se“. O processo mental de mergulhar realmente em algo, aquela sensação de que você precisa ter muitas informações sobre aquilo e conhecer profundamente, eu acho que isso é algo que os pais devem encorajar nos filhos.

O GLOBO: Em seu livro, você diz que as cidades são bons locais para a inovação. Por quê?

JOHNSON: Se ter boas ideias fosse apenas uma questão de achar um local quieto para pensar, meditar e ter grandes sacadas, a história da inovação estaria restrita a áreas rurais, onde estaria longe de todo o caos e das pessoas. Historicamente, as cidades são os grandes berços da inovação, não apenas pela quantidade, mas pela quantidade de ideias per capita. Apesar disso, as cidades são consideradas perturbadoras e difíceis para a concentração. Mas elas abrigam todo o conceito de caos criativo ao permitir as conexões de que já falamos, a interatividade com o diferente. Há algo nas cidades que te faz esbarrar em gente toda a hora, a ter conversas, tomar café e trocar ideias. As cidades também são excelentes na tarefa de criar subculturas, e as subculturas são importante motor de pensamentos criativos porque as pessoas estão ali trabalhando nos limites da sociedade ou fora dos limites. Acabam gerando novas ideias e novas abordagens de velhas ideias.

O GLOBO: Você acredita que haja alguma relação entre pobreza e inovação?

JOHNSON: Uma das coisas que são fundamentais para a inovação é tempo livre. Quando você está totalmente concentrado em completar seu trabalho, ganhar o contracheque, geralmente não tem tempo de se questionar sobre coisas. Aquela pergunta na linha: “Se eu fizesse isso, o que será que aconteceria?”. Em ambientes de muita pobreza é difícil encontrar situações onde haja tempo livre para questionamento. Por outro lado, recursos limitados em determinadas sociedades acabam forçando as pessoas a serem mais criativas. Mesmo nas favelas no Rio e em São Paulo, há coisas incríveis acontecendo em termos de inovação local, incluindo a falta de infraestrutura tradicional nestes locais e as maneiras muitas vezes ilegais em que tentam ter acesso a luz, água ou internet. Há forte elo de empreendedorismo nestes lugares, eles só não estão criando novo Google porque há pouca estrutura básica ainda.

O GLOBO: Existem políticas públicas que possam estimular a inovação?

JOHNSON: Certamente. Financiar pesquisa universitária é parte do que os governos podem fazer e é muito importante. Eu falo no livro sobre a abertura de informações de governo, de modo que as pessoas que não trabalham no governo possam criar produtos e serviços a partir destas informações. Também defendo os ambientes de trabalho compartilhados, como escritórios subsidiados pelo governo em que diferentes profissionais, de diferentes áreas, possam trabalhar juntos. São ambientes realmente inovadores.

O GLOBO: Há países emergentes exemplares em inovação? Fala-se muito em Coreia do Sul.

JOHNSON: Eu gosto muito do Brasil. Fico muito impressionado com o ambiente e a criatividade das pessoas, a maneira como elas adotam a internet, redes sociais, tecnologia da informação. Compraria papéis do Brasil agora, se pudesse. Muitos falam que alguns países não produzem de fato inovação, mas aproveitam ideias de outros países e aplicam em suas realidades, mas isso é muito bom e muito inovador.
” Uma das coisas que são fundamentais para a inovação é tempo livre “

O GLOBO: E você defende no livro que videogames são um tipo de exercício que estimula a inovação. Isso é polêmico.

JOHNSON: Eu defendo a maioria. Os melhores são os que estimulam a formulação de estratégias, não necessariamente os mais violentos. Os games são hoje muito mais complexos de se jogar do que os de quando eu era garoto e mesmo do que atuais programas estúpidos de TV. Como uma espécie de exercício mental, eles têm o seu lado bom.

O GLOBO: A China é muito boa na inovação em ciências exatas, mas fraquíssima em inovação em ciências humanas. Isso tem a ver com o regime autoritário?

JOHNSON: Não sei responder a essa pergunta. Nos EUA, onde temos uma cultura forte de empreendedorismo, gente com 25 anos está abrindo suas próprias empresas. Ao mesmo tempo, temos uma sociedade de consumo sempre disposta a testar novas coisas e novidades, como Twitter ou iPads. Então penso que você tenha que ter as duas coisas para ser bem sucedido como país: um ambiente em que as pessoas tenham espaço para inovar e criar e gente com coragem de consumir essas novidades. Se você tem um, mas não tem o outro, então você tem um problema e acho que parte do problema da China vem daí. Mas eles fizeram tanto progresso em tão pouco tempo que a cópia é uma forma de queimar etapas, neste sentido, quando se moderniza nessa velocidade. Não ficaria surpreso em ver a China como realmente criativa no curto prazo, como aconteceu com o Japão.

O GLOBO: Muita gente no Brasil acha que a internet é um desserviço em termos de estímulo à inovação porque ela afastaria as pessoas do que realmente interessa, fazendo-as perder tempo com bobagem ou sobrecarregando-as de informações. O que você pensa disso?

JOHNSON: A internet certamente nos faz mais sobrecarregados de atividades. Mas se você é do tipo que consegue manter o foco, então os benefícios são enormes, como o leque de conversações agora possíveis e a troca de informações advindas daí. Se alguém inventasse uma internet com toda a conexão, sem a distração, seria ótimo, mas isso não existe. O fato é que as pessoas precisam organizar o seu espaço mental para manterem o foco no que interessa. Muita gente critica os tablets dizendo que são piores que os aparelhos de leitura eletrônica, tipo e-readers, porque permitem que as pessoas façam várias atividades ao mesmo tempo, como ler e navegar na rede e, portanto, diminuiriam o prazer da leitura pura. Não concordo. Ainda assim, a distração é compensada pelos enormes benefícios. É claro que há uma sobrecarga de informações, mas eu, de um modo geral, me sinto mais capaz de captar e administrar muito mais informações do que há dez anos, e isso é um benefício. Seguir essas vozes diferentes em redes sociais ou por email ou mensagem instantânea, tudo isso me faz mais criativo no fim das contas. Até achar um livro, comprá-lo e lê-lo é hoje muito mais fácil e rápido, e isso é bom.

O GLOBO: Quais as dicas para se tornar mais inovador no seu dia a dia?

JOHNSON: Uma boa dica é anotar suas ideias num bloquinho e guardar aquilo, relendo-as de quando em quando. Uma ideia que você teve há um tempo pode nem fazer muito sentido, mas quatro anos depois, diante de uma nova realidade, ela pode ser uma ótima ideia.

Enquanto De Onde Vêm as Boas Ideais não chega, segue um breve resumo (retirados do site da editora) de seus outros livros cinco livros já publicados pela Zahar:

Cultura da Interface: como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar
“Neste livro Johnson supera a tradicional divisão entre cultura e tecnologia ao retomar o cruzamento histórico desta com a arte. Além disso, mostra como a interface do ciberespaço influencia a vida moderna e reflete suas principais características. Inovando, Johnson compara o papel do design tecnológico ao dos romances do século XIX: tornar as mudanças da sociedade compreensíveis para quem as vive. A nova linguagem visual é apenas uma maneira de tornar mais acessível a complexa rede de informações ao nosso alcance.”

Emergência: a dinâmica de rede em formigas, cérebros, cidades e softwares
Este é um livro fantástico, cuja leitura recomendo com ênfase. Foi melhor Livro do Ano da Esquire e Livro Notável do New York Times. “O que têm um comum um formigueiro, o cérebro humano, as cidades e os modernos softwares? Todos são exemplos de sistemas auto-organizados que privilegiam as sequências, em detrimento da lógica, e nos quais se dispensa a presença de um controle centralizado para haver ação. Surgem de um nível de elementos relativamente simples em direção a formas de comportamento mais sofisticados e por isso são chamados sistemas emergentes. Por meio de uma breve história de tais sistemas, Steven Johnson analisa pioneiros e pensadores que contribuíram para a construção dessa teoria, seja no terreno da biologia, da biofísica, do urbanismo ou do design de softwares. Além disso, esboça a gênese do comportamento emergente, que compreende desde crianças habilitadas para o controle mediado dos novos softwares até grupos de protesto que dispensam lideranças, a exemplo dos movimentos antiglobalização. Apoiado na analogia entre mundo biológico e cultural, o autor antecipa o que seria uma revolução interativa, na qual o controle da tecnologia mudaria das mãos dos engenheiros de softwares para os usuários dos sistemas.”

O Mapa Fantasma: como a luta de dois homens contra o cólera mudou o destino de nossas metrópoles
“Londres, 28 de agosto de 1854. Este irresistívelthriller científico conta a história de uma epidemia de cólera que se espalhou pelos arredores da cidade, matando mais de 500 pessoas em apenas dez dias. Dois homens iniciariam uma jornada em busca do mal causador da praga. Contra a mentalidade científica da época e a opinião geral, apontaram a água como o principal veículo transmissor. A partir de então, dejetos humanos e água potável passaram a seguir caminhos distintos. A descoberta mudou a história e possibilitou o desenvolvimento das grandes cidades.”

De Cabeça Aberta: conhecendo o cérebro para entender a personalidade humana
“Numa mistura de reportagem, relato pessoal e pesquisa, Steven Johnson descreve como o cérebro humano funciona – suas substâncias químicas, estruturas e atividades de rotina – e como isso se relaciona com a nossa vida cotidiana. O autor acredita que aprender a respeito da mecânica cerebral pode aumentar nossa percepção sobre nós mesmos. Em De cabeça aberta, Johnson experimenta os conhecimentos em si próprio. Ele participa de uma bateria de testes de atenção, aprende a controlar um videogame alterando suas ondas cerebrais e submete seu cérebro a um exame de ressonância magnética funcional. Tudo em busca de uma resposta para uma das questões mais antigas da humanidade: quem sou eu? O autor ainda explica qual a química cerebral por trás do amor e do sexo e revela como interpretamos atos e sentimentos das pessoas com as quais convivemos.”

A Invenção do Ar: uma saga de ciência, fé, revolução e o nascimento dos Estados Unidos
“Com prosa elegante e raciocínio arguto, o autor faz o link entre inovações do passado e revoluções do presente. Essa é uma saga que vai do interior da Inglaterra aos recém-criados Estados Unidos; de experimentos feitos na pia da cozinha a multidões enlouquecidas destruindo laboratórios; da celebração de um homem como cientista à sua execração como teólogo. Seguindo o modelo de seu best-seller O Mapa Fantasma, Johnson integra aqui a vida e os feitos do pensador britânico Joseph Priestley em uma extensa história. Gramático, divulgador científico, químico, físico, inventor, teólogo, teórico político, grande amigo de Benjamin Franklin e referência espiritual de Thomas Jefferson, Priestley – segundo o autor – é “a coisa mais próxima de um herói”. Ao descobrir que as plantas consomem gás carbônico e produzem oxigênio, esse “herói” do século XVIII não apenas ajudou a “inventar” o ar, como mudou a nossa forma de viver e pensar.”
>> LIVROS, LIVRARIAS E LIVREIROS – por Jaime Mendes


“BLADE RUNNER”: WARNER QUER SEQUÊNCIA E O DIRETOR DE “BATMAN”, CHRIS NOLAN, PODE DIRIGIR

quarta-feira | 16 | março | 2011

A Warner Bros., juntamente com a Alcon Entertainment, pretende produzir sequências e pré-sequências para o clássico de ficção científica “Blade Runner – O Caçador de Andróides”, de 1982. Recentemente, a Alcon, que pertence à Warner, adquiriu os direitos do filme.

Os representantes da Alcon, Andrew Kosove  e Broderick Johnson, responderam de maneira bem vaga sobre o que pretendem fazer com as possíveis sequências do filme.

- Realmente não sabemos ainda. Nós passaremos por um processo no qual vamos ouvir diferentes ideias de roteiristas e de potenciais diretores antes de definir algo – disse Kosove.

Sobre possíveis diretores, Kosove cita Chistopher Nolan, famoso por “Batman – O Cavaleiro das Trevas”.

- [Queremos] Nosso amigo Chris Nolan com quem fizemos “Insônia”. A metodologia que Chris trouxe para “Batman” é precisamente o que nós queremos de um cineasta – explicou.

Fala-se ainda em pré-sequências, que contariam a história acontecida antes daquela que se passa no primeiro filme.  “Blade Runner” se passa no ano de 2019 e traz Harrison Ford como o protagonista, cuja missão é caçar replicantes, robôs que tentam se passar por humanos.
>> O REPORTER – por Felipe Rocha


THOMAS DISCH: ENTREVISTA

segunda-feira | 14 | março | 2011

Esta semana, em Strange Horizons, apresentamos mais um autor, como o fazemos periodicamente, esta edição traz o romancista, poeta e crítico Thomas M. Disch. Em sua carreira de quase 40 anos, Disch distinguiu-se como um dos escritores mais originais e versáteis surgidos do movimento New Wave da ficção especulativa, que transformou o gênero na década de 60. Ele é mais conhecido no mundo da FC por dois romances, Campo de Concentração e 334, assim como outros, muitas vezes de contos satíricos. Ele também escreveu poesia, horror e críticas teatrais.

Meu primeiro encontro com o trabalho de Disch foi na coleção de Samuel R. Delany, Jewel-Ringed Jaw; e a admiração de Delany por Disch levou-me às suas histórias e romances. Wings of Songs é provavelmente o meu romance favorito de Disch, embora também seja muito afeiçoado a The Genocides. Fiquei encantado pela oportunidade de falar com ele ao telefone em sua residência em Nova York, sobre sua vida e carreira.

David Horwich: Vamos começar pelo seu início. Quando começou a escrever?
Thomas M. Disch: Há sempre um começo? Lembro-me no jardim de infância em Minneapolis, com Dennis White, meu melhor amigo naquela idade, contando-lhe histórias sobre Ronald Rabitt. Era uma série de aventuras. Essas são as primeiras histórias que eu lembro de ter contado, mas quem sabe que histórias eu contei aos meus pais? Contar histórias era absolutamente natural para mim. É minha maneira de me relacionar com as pessoas, eu acho.

Então, você sempre foi de contar histórias. Quando você começou a escrevê-las?
Eu suponho que eles me pediram para fazer esse tipo de coisa na escola, eu não me lembro das histórias que escrevi. Tinha blocos cheios, mas não de histórias, de enredos imitando Asimov, inspirados em The Caves of Steel . Eu descobri a ficção científica, e pensei, oh sim! Civilizações galácticas em conflito umas com as outras! Então enchi ca


“STAR TREK”: BRANNON BRAGA E A TEMÁTICA GAY NA SÉRIE

quarta-feira | 26 | janeiro | 2011

O tema que uma vez ou outra rola pela internet refere-se a pouca visibilidade de personagens gays em séries e filmes. Uma das franquias que tem recebido críticas desses grupos é justamente Jornada nas Estrelas, uma série humanista que, segundo essas pessoas, deveria mostrar um futuro com liberdade sexual. O site AfterElton.com, que defende a causa homossexual, conversou com o co-produtor e roteirista Brannon Braga sobre o assunto.

Segundo o autor do artigo, apesar de Gene Roddenberry ter dito em 1991 ao The Advocate que a quinta temporada de A Nova Geração mostraria tripulantes gays como parte da vida na nave, isso nunca ocorreu na série e nem nas seguintes.

Em 2008, o fanfilm Star Trek Phase II produziu uma versão online de um episódio com temática gay, inicialmente prevista para A Nova Geração e escrito por David Gerrold.

Durante a  Television Critics Association Press Tour, em Los Angeles, em que Brannon Braga esteve presente, o AfterElton fez uma breve entrevista para extrair a opinião do produtor sobre o assunto, e se sua nova série, Terra Nova, poderia ser mais flexivel quanto ao tema.

Terra Nova possui personagens gays ou qualquer conteúdo gay?
“Agora? Não, a partir de agora não havia nada no piloto. Assumindo que não há nada para impedir isso. Estamos tentando construir uma sociedade, você sabe, construir uma utopia na verdade. Eu acho que nós gostaríamos de retratar um futuro iluminado. Mesmo se fosse um futuro arruinado que viemos, em termos do ambiente e da tecnologia de modo que já é alguma coisa. Estou feliz que você tenha trazido (o tema) até porque é algo que deve estar presente.”

Eu sou muito fã de Jornada, mas infelizmente nenhuma das séries incluiu um personagem gay. Você estava envolvido com os roteiros de dois filmes e produtor ou produtor executivo de A Nova Geração, Voyager e Enterprise. Você pode dizer porque isso nunca aconteceu?
“Foi uma vergonha para muitos de nós … Eu estou falando sobre A Nova Geração, Deep Space Nine e houve um movimento de ida e volta constante sobre o que fazer para retratar o espectro da sexualidade. Havia pessoas que sentiram muito fortemente que deveríamos mostrar casualmente, apenas dois caras juntos no fundo do salão de recreação. Na época, a decisão foi tomada para não fazer isso e acho que essas mesmas pessoas tomariam uma decisão diferente agora, porque eu acho que foi em 1989, bem, sim por volta de 1989, 90, 91. Não tenho dúvidas de que esses mesmos caras criativos não se sentiriam tão hesitantes em serem sensíveis em relação a uma decisão como essa.”

Por que você acha que a ficção científica, uma vez que ela é muito progressista, tenha feito muito pobremente quando se trata de ser incluído (o tema gay) na televisão americana?
“Você sabe o que é engraçado é que foi tratado de forma mais metafórica. A Nova Geração fez alguns episódios que você poderia dizer … Eu trabalhei em um de Deep Space Nine com Dax (“Rejoined”). Eu não sei se posso falar por todo o gênero de ficção científica, certamente da franquia de Jornada, tal como existia na época.”

Você acha que há 20 anos atrás, houve uma certa relutância em fazê-lo porque a ficção científica, de forma errada ou com razão, é percebida como sendo para os jovens do sexo masculino? Vocês ficaram preocupados com isso?
“Eu acho que foi isso, não tanto da discussão sobre o jovem, ela era uma série para família do Syndication, mostrado a seis horas (da tarde), em Salt Lake City, assim você teve que lidar com cada filial separadamente, e não uma rede. E coisas assim.”
Não foi uma decisão pensando a frente. Conhecendo os atores envolvidos, conhecendo os tomadores de decisão, sabendo que eles se sentiam relutantes sobre o assunto, nós não estamos nem dizendo “sim”, e nem dizendo “não”, não estávamos apenas não tocando nisso agora.”

O senhor acha que a próxima iteração da série ou filme não vai ter isso, os fãs gays têm o direito de estarem chateados neste momento? Depois de tudo isso, se isso ainda não vai estar em 2011 0r 2012 …
“Bem, quero dizer, o filme é como um pássaro diferente. Se houvesse uma série de TV, eu concordaria com você. Mas para um filme, eu pessoalmente não faria. Com uma série de TV, você está criando um mundo inteiro, você está criando um todo. Como você estava dizendo, se isto durar cinco anos, e se você não ver isso lá, aí sim você teria algumas questões. Já um filme de duas horas, você está sentado lá e está comendo sua pipoca, se não encaixar … se não é parte da história, não é parte da história. Há muitas coisas que não fazem parte da história, sabe? Essa é minha opinião pessoal.”
>> TREK BRASILIS – por Ralph Pinheiro – TrekToday


X-MEN – FIRST CLASS: MATTHEW VAUGHN EXPLICA SUAS IDÉIAS PARA O FILME

segunda-feira | 24 | janeiro | 2011


Depois de parte do elenco comentar X-Men: First Class, o novo filme dos X-Men, chegou a vez do diretor Matthew Vaughn falar sobre a quinta adaptação da franquia mutante dos quadrinhos para as telas. E o que já parecia esquisito aos olhos dos fãs, acaba de ficar ainda mais estranho. “James Bond”? “CIA”?

Confira trechos da entrevista à EW.

Como você descreveria X-Men: First Class aos novatos?

A melhor maneira de descrever é como uma mistura de X-Men com James Bond [...] É ambientado na década de 1960 e eu moldei o jovem Magneto como um jovem Sean Connery. Ele é o espião definitivo. Imagine Bond, mas com superpoderes.

Se Magneto é James Bond, como fica Charles Xavier?

Veremos como Xavier se tornou um professor. Pra mim, Magneto é o bonzinho do filme, mas ele é meio que o mocinho malvado. Ele literalmente começa o filme e Xavier segue correndo atrás, pra tentar entender o que diabos está acontecendo e tentar persuadir Erik [Lensherr, o Magneto] a não matar ninguém.

O que mais você pode dizer sobre o roteiro?

No começo do filme ninguém sabe que mutantes existem. Nem os mutantes sabem que existem outros como eles. Estão todos se escondendo. Kevin Bacon vive um mutante megalomaníaco [Sebastian Shaw] que decide dominar o mundo e que os mutantes são o futuro. Erik e Charles se encontram e, ao lado da CIA, tentam salvar o mundo dessa ameaça e da Terceira Guerra Mundial. Nós descobriremos tudo o que deu errado entre eles.

Veremos flashbacks dos dois como crianças?

Não são flashbacks. O filme começa em 1942 e depois avança 20 anos.

Você está preocupado com as reações dos fãs?

Sim, mas eu posso dizer que eles estão errados. Cada roteirista que assumiu os títulos dos X-Men reinventou aquele universo como quis. Eu fiz minha pesquisa e nada ali faz sentido. Cada escritor mudou tudo para fazer sua ideia funcionar. Então posso afirmar que é parte da franquia X-Men essa reinvenção a favor da trama.

O filme tem relação com as HQs de First Class?

Não. Temos várias referências ao mundo dos quadrinhos e aos filmes dos X-Men anteriores, mas este definitivamente é algo à parte.

A trama mistura o pano de fundo dos anos 1960 com a história do primeiro encontro de Charles Xavier (James McAvoy) com Erik Lehnsherr (Michael Fassbender), o futuro Magneto, e terá o Clube do Inferno, liderado por Sebastian Shaw (Kevin Bacon), entre os vilões. January Jones(Emma Frost), Lucas Till (Destrutor), Nicholas Hoult (Fera), Caleb Landry Jones (Banshee),Edi Gathegi (Darwin), Oliver Platt (“Homem de Preto”), Rose Byrne (Moira MacTaggert),Jason Flemyng (Azazel), Jennifer Lawrence (Mística), Morgan Lily (Mística criança), Zoe Kravitz (Angel), Álex González (Maré Selvagem) e Bill Milner (jovem Magneto) também estão no elenco.

O lançamento acontece em 3 de junho.
>> OMELETE – por Érico Borgo


CONN IGGULDEN NO BRASIL PARA PALESTRA DE LITERATURA FANTÁSTICA NA 21ª BIENAL DO LIVRO

quinta-feira | 29 | julho | 2010

Ossos das Colinas, Os: O Conquistador - vol. 03

Conn Iggulden, autor da badalada coleção “O Imperador” e co-autor (com seu irmão Hal Iggulden), do best-seller “O Livro Perigoso Para Garotos”, todos publicados, no Brasil, pela Record, estará na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

No dia 13/08 ele estará presente em palestra sobre Literatura Fantástica, às 17h

No dia 16/08 em palestra sobre o livro “O Livro Perigoso Para Garotos”, às 16h, durante esses dois dias ele se encontrará com os fãs dos seus livros para autografá-los.

Conn Iggulden tornou-se mundialmente conhecido com a série “O Imperador”, na qual recria a vida do grande líder Júlio César, com mais de 55 mil exemplares vendidos no Brasil. A série é composta pelos livros “Os Portões de Roma”, A Morte dos Reis” “e “Campo de Espadas”.

O autor´vem ao Brasil para a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo para lançar “Os Ossos da Colina”, terceiro volume da série “O Conquistador”, que reconstrói a saga do imperador mongol Gêngis Khan e de seus descendentes, e tem alcançado o mesmo sucesso da série anterior. Os dois outros livros da série são: “O Lobo das Planícies” e “Os Senhores do Arco”.

Conheça mais sobre os livros de Conn Iggulden publicados pela Editora Record

21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo | 12-22 Agosto 2010 - Anhembi - São Paulo, SP - das 10 as 22hs


21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo:
Av. Olavo Fontoura, 1209 (Santana)
* Transporte gratuito sai do Tietê todos os dias do evento, funcionando das 9h00 até as 23h00, na saída da Estação-Shopping

Horário: das 10h00 às 22h00

Ingressos: Público geral R$ 10,00 / Estudante R$ 5,00 (mediante comprovação) / Idosos 60 a 64 anos R$ 5,00 (mediante comprovação)

Mais informações: http://www.bienaldolivrosp.com.br/


“BATTLESTAR GALACTICA”: SÉRIE RETORNA NA INTERNET

quinta-feira | 29 | julho | 2010

A série Battlestar Galactica, que teve sua última temporada exibida em 2009, voltará com uma série na web com o subtítulo Blood & Chrome.

O jornal Chicago Tribune revelou que essa série será focada no personagem  William Adama durante a primeira Guerra Cylon.

Michael Taylor, produtor executivo de Galactica e da série derivada Caprica, escreverá o roteiro de Blood & Chrome, que ele descreveu como: “a iniciação de um garoto na guerra, percebendo como essa é lutada na realidade e como é representada na mídia“.

Serão 10 episódios de 10 minutos cada, com conteúdo explícito em termos de cenas de batalha, sexo e ideologias. “Estou pensando tanto nas guerras do Afeganistão e Iraque quanto no passado de Battlestar Galactica“, disse Taylor.

O sucesso dessa empreitada pode significar o começo de vários projetos similares ou mesmo a possibilidade de uma nova série da franquia na TV.

Lançada originalmente em 1978, a série Battlestar Galactica (cuja versão original foi rebatizada no Brasil como Galactica: Astronave de Combate) conta a história dos últimos sobreviventes das doze colônias, liderados pela nave militar Galactica. As colônias foram dizimadas pelos Cylons, uma raça de androides criados pelos humanos das colônias, mas que se tornaram sapientes, revoltando-se contra seus criadores. Todos buscam a lendária décima terceira colônia, a Terra.

Um remake da série teve início em 2003 e terminou em 2009. Tanto a série original quanto a atual têm HQs publicadas pela Dynamite Entertainment. A nova versão da série tem um prelúdio no ar, chamado Caprica.
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno


“YESHUAH – ASSIM EM CIMA ASSIM EMBAIXO”: A ÚLTIMA TENTAÇÃO

terça-feira | 13 | julho | 2010

HQ que fala em gravidez de Maria, na gestação de Jesus e em sua subida aos céus levanta controvérsia em torno da leitura humanizada do mito

A gravidez secreta de Maria, o parto de Jesus, o batismo pelas mãos de João Batista, o massacre dos recém-nascidos por Herodes, as tentações: com uma ousada versão da vida de Cristo, o cartunista paulista Laudo Ferreira está “papando” os principais prêmios dos quadrinhos nacionais. Depois do Prêmio Ângelo Agostini, ele acaba de ser indicado nas categorias melhor desenhista, melhor roteirista e edição especial no prêmio HQ Mix, o mais importante da América do Sul.  

   

Yeshuah – Assim em Cima Assim Embaixo (Devir Livraria, 156 pág., R$ 23) é um projeto de 450 páginas que já consumiu 10 anos de estudos e tem três volumes (o segundo volume, O Círculo Interno, o Círculo Externo, sai em agosto). A primeira edição, com 2 mil exemplares, vende como água no deserto. Não sem polêmica: religiosos questionam o autor, que se baseou nos Evangelhos, textos apócrifos e na versão do cineasta italiano Pier Paolo Pasolini.

Por que resolveu contar a história de Jesus em quadrinhos?
Sou muito interessado em questões espirituais e também na relação do ser humano com as religiões. A história canônica de Jesus me é interessante, toda sua mitologia, digamos assim, e aí pensei em fazer algo sem reverências, sem ajoelhar e rezar, e, por outro lado, sem querer chutar o pau da barraca, sem satirizar, pois isso já foi feito à exaustão. Particularmente não acho que se criem mais polêmicas com Jesus, pois acredito que toda forma possível já foi explorada. Recentemente fizeram algo na Playboy com Jesus e umas coelhinhas, algo assim. (leia na página D4). Parti da ideia de contar uma grande aventura espiritual, a grande aventura do ser humano e o desenvolvimento de seu Deus interior, como lida com isso, como as pessoas à sua volta lidam com isso. Tirar o Jesus “sofrido” do altar e trazê-lo mais próximo, sem se preocupar se ele é isso ou aquilo.

Você trata da dúvida da traição na concepção de Jesus por Maria. Não teme os extremistas?
Quando escrevi o roteiro, optei em contar a versão canônica da concepção, ou seja, Maria concebe Jesus “virgem”. Algumas pessoas próximas, como minha própria esposa, por exemplo, questionou isso. Não era minha intenção criar outra interpretação e sim recontá-la. Como uma menina de seus 13, 14 anos lida com tudo isso? Um homem misterioso surge do nada e lhe conta coisas. Por outro lado, como sua família e seu noivo, um homem maduro, vão lidar com isso? É uma questão de, até mesmo, testar as crenças.

Ouvi que religiosos têm protestado. É verdade?
Olha, alguns evangélicos que conversaram comigo durante esse tempo aprovaram essa primeira parte e isso para mim foi de certa forma uma surpresa e uma satisfação. Não que estivesse preocupado com retaliações. Por outro lado, cheguei a ver alguns sites e blogs religiosos que desceram a lenha simplesmente por lerem alguns outros depoimentos meus. “Ele não acredita num Jesus salvador”, diziam. Não mesmo. A coisa depende da gente, ou seremos eternamente dependentes de um “papai do céu” e assim ninguém “desmama”. O próprio Jesus, tanto em textos canônicos como nos apócrifos, prega isso. Na questão da Maria, ou Miriam, houve algumas pessoas que chegaram a procurar meus endereços virtuais na net para encaminharem e-mails, dizendo-se ultrajadas pela visão que eu dei da Maria. Há uma mensagem em especial, que cheguei a responder, explicando que Maria era a heroína desse primeiro volume, e que, pelo contrário, eu não desrespeitava sua história canônica e sim reiterava, ao mostrar todo o processo, o caminho do herói pelo qual ela passa para entender tudo o que estava acontecendo consigo. Bem, não tive resposta…

A opção pelo Jesus “carnal”, segundo você, tem origem também no filme de Pasolini (O Evangelho Segundo Matheus). Por que Pasolini, logo um dos maiores críticos da leitura católica tradicional?
Sou tremendo fã desse cineasta. A forma como ele mostra as pessoas em seus filmes e em particular no Evangelho Segundo São Matheus me ajudou muito a conceber a cara desse quadrinho. Pesquisei, e muito, também a origem desse rosto que temos até hoje de Jesus e é algo que está enraizado em nós, mesmo nos que não acreditam. Queria, de alguma forma, fazer algo um pouco distante, menos “santo”, menos bonito, aí me lembrei desse filme do Pasolini que havia visto há anos. Embora não tenha criado o rosto do meu Jesus totalmente em cima do filme, a ideia veio de lá.

Qual é sua visão da religiosidade cristã?
Entendo, e acredito, em toda essa comoção que a religião causa nas pessoas, principalmente nas mais necessitadas. Porém, acredito que é fundamental se libertar de dogmas, de imposições, de “Deus disse isso”, “Jesus quer isso”. Vivemos eternamente na obrigação do dever, e não acredito nesse tipo de leitura de qualquer religião. O tal religare não é isso. Ao contrário do que possa parecer, quanto mais estudei nesses anos todos, inclusive me aprofundando em coisas como xamanismo e budismo, mais passei a compreender como tudo vem de dentro de você, do seu Deus interior, se você não mudar sua percepção das coisas não adianta só rezar para Ele nos ajudar. Tornei-me mais espiritualizado e mais ateu em relação às coisas que estão por aí.

Sua história mostra grandes cenas de epifania, visões quase lisérgicas, como nos batismos de João Batista. Essa é uma vertente que você escolheu deliberadamente? Por quê?
Sim. A concepção é muito mais interna e menos teatral, então foi a forma que achei que melhor transmitiria isso. Não carece de uma pomba descer dos céus e uma voz anunciar “Esse é meu filho amado e tal…”. É um “religar” que Jesus tem naquele momento, e que é tremendamente profundo e é seu.

É um quadrinho de grande fôlego. Qual era o projeto original?
Quando eu comecei a trabalhar nessa HQ, em 2000, a ideia era uma única parte, algo por volta de 400 a 450 páginas, pois pensei em contar a história linearmente, sequenciada, com personagens mais estudados e com perfis. Na ocasião era inviável editorialmente falar ou pensar num livro em quadrinhos com tanta página assim. Bem diferente do que vemos atualmente em trabalhos como Retalhos e Cachalote. Mas, enfim, acho que ficou mais interessante contar toda essa história em três volumes. O pesado das pesquisas basicamente foi de 2000 até 2005. Há algumas coisas pendentes ainda para ler que reservei para a terceira parte, que estou produzindo atualmente, e que não tem relação com a parte final.
>> O ESTADO DE SÃO PAULO – por Jotabê Medeiros


“ESCRITORES DE LIVROS DE VAMPIROS SÃO BEM NORMAIS NO FUNDO”, DIZ ANDRÉ VIANCO

sábado | 3 | julho | 2010

Escritor André Vianco vendeu mais de 500 mil livros no Brasil; publicou 14 pela Novo Século e agora é autor da Rocco também.

Arrastar uma sequência frenética de acontecimentos para deixar o leitor apaixonado pela história. É desta forma que o escritor André Vianco prende o leitor não só pelo pescoço, com suas tramas vampirescas, mas pela curiosidade.

Vianco já vendeu mais de 500 mil livros no Brasil. É um dos autores mais conhecidos pelo público, que tem apreço pelos seres da noite.

Especialista em narrativas de suspense, o autor agora também publicará seus livros pela editora Rocco, além da Novo Século. O escritor faz questão de honrar os fãs e agradecê-los pela repercussão de seus exemplares.

Seu primeiro livro, “Os Sete”, caiu nas leituras do público graças à sua persistência. Desempregado, chegou a vendê-lo de porta em porta até que conseguiu uma editora. Hoje, tem 14 títulos publicados, dois a caminho e uma trilogia prevista para 2011, além de um piloto para adaptar os volumes de “O Turno da Noite” para a televisão.

Em entrevista à Livraria da Folha, Vianco fala sobre a literatura de horror no Brasil, os vampiros adolescentes que ocupam as prateleiras e a atração que essas criaturas exercem sobre as mulheres.

*

Livraria da Folha: Por que você decidiu escrever sobre vampiros?
André Vianco: Eu desde pequeno assistia e lia muitas histórias de terror. O vampiro dividia um espaço ali no panteão das criaturas noturnas, lado a lado com lobisomens, almas penadas e congêneres. Quando cheguei à adolescência, comecei a escrever minhas histórias e aos 23 anos de idade eu escrevi meu primeiro romance pra valer, carregado por anjos e demônios em guerra ["O Senhor da Chuva" ] e, quando terminei esse primeiro livro, pensei, agora quero escrever uma história de vampiros, foi aí que surgiu “Os Sete” em minha cabeça.

Como foi o processo de criação dos seus primeiros livros? Qual foi o primeiro livro de vampiros que você leu? Gostou, se identificou?
O processo de criação dos primeiros livros foi bem espontâneo, aquela coisa de experimentação, de não saber muito bem como é que se faz a coisa, mas tendo dentro de mim uma vontade danada de contar uma história. A primeira coisa que li sobre vampiros nem romance era, foram HQ’s da “Cripta do Terror”, adorava aquilo.

O que você acha da retomada da produção literária de romances com temática de vampiros?
Nem enxergo muito isso como uma retomada, quem gosta de literatura de terror e fantasia nunca passou vontade quando o assunto era vampiro, sempre tem um livro ou outro saindo por aí que aborde os sanguessugas. Meu primeiro livro de vampiros saiu em 2000, “Os Sete”, de lá para cá já bateu os 100 mil livros vendidos.

Você já leu “Crepúsculo”? O que você acha da escrita da Stephenie Meyer?
Li um trecho do primeiro romance. Dá pra ver que ela é uma boa contadora de histórias e acertou em cheio com a saga Crepúsculo.

Como você explica o sucesso desses romances com o público feminino?
No meu entender, creio que isso vem acontecendo desde que o cinema aplicou suas fórmulas comerciais nos filmes com vampiros, aos poucos eles foram deixando de ser os monstros terríveis que eram para passar a disputar a mocinha com mocinho e bem, agora, com os livros da Meyer, encarnaram o próprio mocinho. Toda mulher sonha em ter na vida um parceiro maravilhoso. Edward não é adorado só porque tem super poderes vampíricos, é adorado porque é super parceiro, super romântico e etc.

Concorda com aqueles que acusam esses novos autores de deturparem o mito do vampiro?
Não, não concordo. O mito do vampiro é mutante por natureza e acho que em literatura e cinema vale muito extrapolar, subverter o mito, buscar um jeito diferente de contar a mesma história.

O que você acha da produção de literatura de terror/horror no Brasil?
Acho que está crescendo em volume e qualidade, mas essa produção ainda se ressente de um pouco mais de ousadia. Falta ousar escrever histórias mais piradas. A maioria dos escritores fica olhando demais o que andam fazendo lá fora e tentando emular aqui no Brasil.

Você tem planos de escrever livros que não sejam de temas sobrenaturais?
Sim, tenho. Uma coisa que não me falta é ideia para uma boa história. Da última vez que contei, tinha mais de 70 argumentos para desenvolver uma narrativa. E no meio disso tenho comédias, roteiros de cinema, peças de teatro, séries para TV, romance sertanejo, tem de tudo um pouco.

Você tem contato com outros escritores brasileiros que tratam de vampiros? Se sim, conte-nos como é.
Tenho contato com colegas que escrevem um bocado e escrevem bem, como Kizzy Ysatis, Giulia Moon, Martha Argel, Nelson Magrini e muitos outros. Frequentamos eventos ligados ao terror e fantasia e, vira e mexe, acabamos numa mesa de bar, batendo papo. Escritores de livros de vampiros são bem normais no fundo, no fundo.

Por que decidiu mudar da Novo Século para a Rocco? Perguntamos, porque durante sua palestra na Bienal do Livro do RJ 2009 você declarou que havia recebido várias propostas, mas permaneceria na Novo Século.
Permaneceria e permaneci. Não mudei da Novo Século, primeiro porque tenho uma relação que transcende o mero contato profissional. A Novo Século acolheu meus textos, me orientou no início da carreira e continua fazendo isso até hoje, é uma editora e tanto. A Rocco chegou para ampliar meus horizontes e não tenho a menor dúvida de que será uma parceira de tanto valor quanto a da Novo Século.

Você continuará publicando também pela Novo Século. Gostaríamos de saber se haverá alguma diferença entre os tipos de narrativas publicadas pela Novo Século e pela Rocco?
A Rocco irá trabalhar com meus textos novos de fantasia, romance romântico e contos. Temos um projeto muito interessante que será trabalhado ao longo dos próximos anos, é um projeto grande e desafiador. A Novo Século continuará publicando minhas histórias de terror. Para o leitor, resta a certeza de que tem muita história boa vindo por aí e tratada por boas mãos.

Você está produzindo um episódio piloto de uma série televisiva baseada nos três volumes de “O Turno da Noite”. Será exibido em qual canal? Você teve que realizar muitas mudanças para adaptar a narrativa ao roteiro que lhe foi exigido?
Existem alguns canais interessados, mas a série ainda não foi vendida. Como ainda é um projeto independente, pude trabalhar mudando pouquíssima coisa, mais ajustando para a linguagem e aos meios de produção.

“O Caso Laura” será lançado quando pela Rocco? É um livro policial, certo? Fale um pouco sobre a história.
Exato. “O Caso Laura” é um policial dark, bem misterioso. A história gira justamente ao redor de Laura, que toda tarde, na hora de seu almoço, se encontra com um homem. Quando o investigador particular contratado para flagrar Laura passa a prestar a atenção nesse estranho homem é que a coisa pega fogo. Não posso falar muito mais do que isso, do contrário o mistério perde a graça.

Já “A Noite Maldita”, seu décimo título sobre vampiros para a Novo Século, sai quando?
Passei da metade de “A Noite Maldita”, mas ainda não tenho uma previsão para o lançamento, o que sei é que sai neste ano ainda.
>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Paula Dume


“STAR TREK 2″: ROTEIRISTAS FALAM SOBRE O FILME

quinta-feira | 1 | julho | 2010

Roberto Orci e Alex Kurtzman comentaram o andamento da continuação
 
Entrevistados brevemente pelos nossos parceiros doCollider no tapete vermelho do Saturn Awards, Roberto Orci e Alex Kurtzman comentaram o andamento da continuação de Star Trek.

A dupla disse que o diretor J.J. Abrams está atualmente em férias, mas que assim que ele retornar, o que acontecerá na próxima semana, eles conversarão sobre o roteiro da nova aventura de Jornada nas Estrelas nas telonas. “Atualmente estamos na metade do desenvolvimento da história. Construímos um belo castelo de cartas, agora temos que nos reunir e começar a puxar algumas para ver se ele continua em pé. Se ele ficar, saberemos que estamos no caminho certo”, concluiu Orci.

O cronograma, portanto, segue de acordo com o programado pelo produtor Damon Lindelof. Em fevereiro passado ele nos disse que os roteiristas começariam a trabalhar efetivamente no filme em abril, depois do término de Lost.

Star Trek 2 estreia em 29 de junho de 2012 nos Estados Unidos e em 20 de julho de 2012 no Brasil.
>> OMELETE – por Érico Borgo


“ELYSIUM” SERÁ O NOME DO NOVO FILME DO DIRETOR DE “DISTRITO 9″

domingo | 27 | junho | 2010

Longa será ficção científica diferente do filme
que tornou diretor conhecido.
Agentes do cineasta negam direção de ‘O Hobbit’,
abandonado por Del Toro

.Cena de ‘Distrito 9′: ficção científica sobre aliens presos
na África foi hit de 2009.

O cineasta Neill Blomkamp, indicado ao prêmio Bafta pela ficção científica “Distrito 9″, fará um novo filme do gênero. O nome, segundo o site /Film, será “Elysium”.

De acordo com a reportagem, Blomkamp descreve o novo filme como “único e muito coerente” com seu trabalho. “Será totalmente diferente de ‘Distrito 9′, mas terá a mesma mistura de gêneros e tom que o marcou”, disse ele.

O site também esclarece que agentes ligados ao cineasta negaram veementemente a ida dele para o set de “O Hobbit”.

“Distrito 9″ foi um dos filmes que mais deram o que falar em 2009. Seu enredo aborda uma nave alienígena que enguiça em Joanesburgo, na África do Sul, e tem seus tripulantes presos pelo governo em uma área especial.
que foi abandonado pelo diretor Guillermo Del Toro após atrasos em sua produção.
>> G1, de São Paulo


“O HOBBIT”: PETER JACKSON NEGOCIA DIRIGIR AS DUAS PARTES DO FILME

domingo | 27 | junho | 2010

Depois que o mexicano Guillermo del Toro desistiu da ideia de dirigir as duas partes de “O Hobbit”, Peter Jackson negocia a vaga atualmente, informou a imprensa americana. Jackson, diretor das três partes da saga “O Senhor dos Anéis”, já tinha avisado que não descartava tomar as rédeas também deste projeto.

“Se é o que tenho que fazer para proteger os investimentos da Warner Bros, então obviamente é um ângulo que explorarei”, disse ao jornal neozelandês “Dominion Post”, ao qual declarou que, por enquanto, estão intactas as datas de estreia dos dois filmes, em dezembro de 2012 e no mesmo mês em 2013.

No entanto a MGM e a New Line ainda não deram seu sinal verde para o início das filmagens. No dia 30 de maio, Del Toro anunciou a decisão dando como motivo os constantes atrasos na produção, provocados pelos problemas financeiros da MGM. Os estúdios enfrentam uma situação crítica, com uma dívida de US$ 3,7 bilhões.

As duas partes de “O Hobbit” serão inspiradas no livro homônimo de J. R. R. Tolkien, que precede a saga “O Senhor dos Anéis”, protagonizado por Bilbo Bolseiro, interpretado por Ian Holm nos três primeiro filmes.

Del Toro, que tinha se comprometido a dirigir “O Hobbit” em 2008 e que dedicou dois anos a escrever o roteiro e a preparar a filmagem, disse que os cenários, o figurino, a animação e as sequências de batalhas estão completamente preparados.
>> YAHOO – EFE


ANDRÉ VIANCO: O SENHOR DOS VAMPIROS COMEMORA MAIS DE 500 MIL LIVROS VENDIDOS

terça-feira | 22 | junho | 2010

André Vianco, assina com a Rocco. Impulsionado pela onda “Crepúsculo”, escritor opta por editora 10 anos depois de bancar sua primeira publicação

Nem todo sonho com vampiros assassinos e monstros sanguinários pode ser chamado de pesadelo. Eterno viciado em filmes de terror, o paulista André Vianco sonhava com essas criaturas o tempo todo, dormindo ou acordado, e cismou de levá-las para o papel. Correu atrás e, quando a febre pop de “Crepúsculo” estourou, em 2008, ele já tinha um portfólio de títulos publicados sobre os seres da noite. Hoje, Vianco é o maior escritor brasileiro de terror. Vendeu mais de 500 mil livros em dez anos e acaba de assinar contrato com a Rocco, uma das principais editoras do país.

- Quando comecei a publicar, Bella ainda estava no jardim de infância (risos). Não sou oportunista, mas o sucesso de “Crepúsculo” deu força ao gênero vampiresco e eu vendi muito ano passado. Depois que ficam órfãs de Stephenie (Meyer), as pessoas acabam correndo para os vampiros do titio André – diz o autor, que tem 12 títulos publicados e outros dois quase no prelo, em entrevista por telefone, de sua casa em Osasco, na Grande São Paulo. – Mas os meus personagens não brilham no sol nem são bonzinhos. Não gosto de vampiro light e politicamente correto.

O campeão de vendas de Vianco é justamente seu primeiro livro, “Os sete”, de 2000, cuja primeira edição, de mil $, foi totalmente bancada pelo autor, a duras penas. Mas a saga de Vianco, de 35 anos, começou com o garoto de Osasco atravessando as noites vendo filmes de terror na televisão. “A hora do pesadelo”, “A bolha assassina”, “Drácula”… Tudo o alimentava de referências, e as primeiras vítimas de sua imaginação assustadora foram os primos. Quando o resto da família passava feriados no interior paulista, ele gostava de botar medo na parentada contando histórias de terror.

- Lembro-me de um filme sobre um bandido que perde a mão e é morto. Depois, a mão volta para se vingar. Não me lembro do nome, mas rendeu vários pesadelos – conta ele. – Depois das histórias que eu contava, as tias reclamavam que ninguém mais dormia de luz apagada na casa.

O paulista começou a escrever com uns 15 anos, rabiscando poemas para as meninas da escola. O primeiro projeto de livro veio aos 18 (“Graças a Deus ninguém publicou”, brinca). Aos 20 e poucos, Vianco trabalhava numa firma de cartão de crédito, atendendo a telefonemas de madrugada. A rotina vampiresca, na calada da noite, foi o ambiente perfeito para a proliferação das histórias. Demitido após três anos, ele torrou seu fundo de garantia na publicação de “Os sete”, sobre vampiros com $que espalham terror pelo Brasil.

- Eu tinha um sonho de viver das minhas histórias. Escrevi um livro sobre vampiros porque sempre gostei e porque tem mais apelo comercial. Só que, mesmo assim, ninguém quis editar. Então, publiquei por conta própria. Investi tudo o que tinha – explica o autor. – Eu era um ser da madrugada.

Os mil exemplares de “Os sete” se foram rapidamente, e, em 2001, Vianco assinou com a editora Novo Século, pela qual publicou todos os seus livros seguintes (e as novas edições de “Os sete”). A cada título, o escritor ganhava mais público, e, quando o casal Bella e Edward Cullen chegou ao Brasil, ele já era conhecido como o “vampiro brasileiro”. Aí, foram as grandes editoras que começaram a correr atrás. O escritor analisou várias propostas antes de fechar com a carioca Rocco.

- A jogada se inverteu. A Rocco vai me levar para um público que não me conhece, mas vou continuar publicando livros pela Novo Século também – diz Vianco, que está produzindo o episódio piloto de uma série de TV baseada nos três volumes de seu livro “Turno da noite”.

Para a Rocco, o autor entrega, em breve, o livro “O caso Laura”, um policial de atmosfera dark. Já para sua antiga casa, ele está terminando “A noite maldita”, seu décimo título sobre vampiros.

- Não sou mais da noite. Tenho três filhas, durmo bem e frequento academia. Mas as pessoas acham que eu sou vampiro. Uma menina levou uma ampola de sangue para uma noite de autógrafos, e eu recusei dizendo “já almocei” – conta Vianco, rindo. – Sou um escritor underground porque faço parte de um gênero renegado no Brasil. Mas, ao mesmo tempo, estou despontando como um dos autores que mais vendem no Brasil. Isso tudo só com o apoio dos meus leitores. É um orgulho.

Mito vampiresco e cultura brasileira se misturam na obra de André Vianco

 Mergulhadores retiram uma grande caixa preta de uma caravela naufragada no litoral gaúcho, e dela saem sete vampiros que, com diferentes poderes sobrenaturais, levam pânico ao país. Num dos seus próximos livros, “A noite maldita”, uma índia da Ilha de Marajó lança uma maldição que transforma parte da população mundial em vampiros.

As histórias sobre essas criaturas sanguinárias sempre remeteram a lugares como Europa e, recentemente, graças a “Crepúsculo”, aos EUA. Mas, no trabalho de Vianco, a cultura vampiresca é transferida para o território brasileiro.

- As minhas histórias se relacionam com o Brasil, e meus leitores gostam disso. Os contextos são todos nacionais – diz o autor. – “A noite maldita” vai ser uma pré-história de “Bento” (publicado em 2003).

O escritor de Osasco também adora usar personagens do nosso folclore nas suas histórias. Em “Bento”, tem até um saci pererê, e um curupira aparece em “Turno da noite”, no qual o Exército brasileiro combate uma horda de vampiros.

- Nosso folclore é rico em criaturas interessantes. Por que não usar isso? – argumenta o autor
>> O GLOBO – por William Helal Filho


FÁBIO FERNANDES: “A CIBERCULTURA É A VERDADEIRA CULTURA CONTEMPORÂNEA”

terça-feira | 22 | junho | 2010

Fábio Fernandes, professor dos cursos de Tecnologia e Mídias Digitais e Jogos Digitais da PUC SP/ Foto: Pisco Del Gaiso

O universo fantástico da ficção científica povoa a cabeça do pesquisador de cibercultura Fábio Fernandes. Professor dos cursos de Tecnologia e Mídias Digitais e Jogos Digitais da PUC de São Paulo, em entrevista ao Nós da Comunicação o jornalista e tradutor nos explica como o cinema e a literatura do gênero moldaram nossa visão do futuro. “Os ciberpunks foram os primeiros a transmitir melhor esse conceito”, conta. ”A cibercultura realmente é a verdadeira cultura contemporânea”.

Nossa atual dependência da tecnologia é umas das questões levantadas em seu mais recente livro ‘Os dias da Peste’ (Tarja Editorial, 2009). Após assistir ao filme ‘Matrix’ e incomodado com histórias que apresentavam sempre o ser humano sucumbindo ao poderio das máquinas de inteligência artificial, Fábio lançou a discussão em uma história que explora a possibilidade de existir uma máquina real que pudesse adquirir consciência.

Nós da Comunicação – No livro ‘Futuros Imaginários’, o escritor Richard Barbrook citou William Gibson, autor de ‘Neuromancer’: “os projetistas foram populistas, vejam vocês; procuravam dar ao público o que este queria. E o que o público queria era o futuro”. Como a ficção científica na literatura e no cinema moldaram nossa visão do futuro? 
Fábio Fernandes –
 Essa é uma questão importantíssima. Sempre que falamos das visões de futuro relacionadas à ficção científica o imaginário popular remete ao cinema, porque, em comparação com a literatura, é uma mídia de massa. A literatura, pelo preço, não é tão convidativa, sem considerar que no cinema, na eventualidade de um problema de compreensão do idioma, há o aspecto visual. É possível transformar aquilo em uma linguagem de videoclipe ou de game. Isso não acontece com a literatura, que tem que passar pelo crivo da tradução.

Estamos lidando com dois códigos. O do cinema geralmente apresenta um futuro extremamente expandido visualmente. É exagerado, porque não se consegue atrair a atenção do espectador se não mostrar um carro voador como em ‘Blade Runner’ ou um veículo magnético, como em ‘Minority Report’, por exemplo. A literatura, por sua vez, pode ficar no âmbito do pequeno. O próprio Willian Gibson, em ‘Neuromancer’, mistura cenas que se passam a bordo de uma estação espacial e cenas que falam de implantes nanoscópicos.

A ficção científica, no cinema e na literatura, moldou nossa visão de futuro criando a cibercultura como conhecemos. De modo geral, a ficção científica nunca se propôs a ser profética. No máximo, um autor ou outro, como Arthur C.Clarke, de ‘2001 – Uma odisseia no espaço’, criador do conceito do satélite geoestacionário, que nos permite assistir em todo o mundo os jogos da Copa. Mas esse é um caso isolado.

E qual foi a contribuição dos ciberpunks?
Mais recentemente, William Gibson, Bruce Sterling e todo o pessoal do movimento ciberpunk, exploraram o universo das grandes corporações, do terceiro mundo se rebelando a sua maneira ao sucatear tecnologia, pegar informação sonegada e reaproveitar na ‘pirataria’. Os ciberpunks foram os primeiros a transmitir melhor esse conceito. Isso já existia na década de 70, mas era muito pouco disseminado sendo restrito a uma cultura geek. Os ciberpunks ajudaram a colocar isso na moda. Escrevi um livro – ‘A construção do imaginário Cyber’ (Ed. Anhembi Morumbi, 2006) – sobre a obra de Gibson, que expõe justamente essa questão, a de que graças a ele temos a cibercultura no formato que entendemos hoje. O conceito de uma matriz de dados, que já existia por alto, é mais integrado em seu livro ‘Neuromancer’. O compartilhamento de dados, a cultura hacker - menos como a de cowboys fora da lei, e mais como alguém que pode ser do bem ao se rebelar contra uma corporação - que só quer lucrar e não disponibiliza a informação que eu preciso, parte muito do Gibson e de seu grupo.

Por que nosso presente não é como imaginávamos o futuro no passado? Por que nossa vida não é tão animada e divertida com a da família Jetson e nem tão sombria quanto a Los Angeles de Blade Runner? 
O futuro no estilo Jetsons não veio e talvez não virá porque não foi feito para ser sério, mas criado como uma brincadeira que explora a possibilidade visual que atrai o olhar do espectador. Blade Runner, por exemplo, provocou um impacto tão grande, inclusive nos escritores de ficção científica, porque talvez tenha sido a primeira obra, em anos no cinema, que não apresenta ao espectador um futuro antisséptico, no qual tudo dá certo. No filme, há os replicantes, figuras interessantíssimas, iguais aos humanos, que fazem praticamente o trabalho escravo e que, de repente descobrimos que adquirem consciência, querem status de humanidade e se revoltam. É, de certa forma, uma sociedade fascista, um apartheid.

Um pouco como no filme ‘Distrito 9’?  
Gostei muito desse filme porque retrata isso nos dias de hoje. Cada vez mais são usadas situações semelhantes em que a questão é sempre o outro, não como uma força de coesão, mas com uma tendência sempre negativa: o alienígena que vai nos destruir. No caso de ‘Distrito 9’ é interessante porque os alienígenas retratados estão perdidos na Terra e viraram imigrantes ilegais. Nessa ironia do destino, nós os repelimos porque não são parecidos conosco, são insetos, feios, repulsivos. Vários artigos e ensaios sobre isso já compararam o tratamento dado aos escravizados na África e aos nativos americanos.

Por que, às vezes, temos a impressão de que o futuro na ficção científica é mais militarizado? Foi um cenário inspirado nas tensões da Guerra Fria? 
Há dois motivos básicos. Tem a ver com a Guerra Fria, um reflexo direto de George Orwell, que ao publicar ‘1984’ em 1949, já escreveu vendo o fim da Segunda Guerra Mundial e o totalitarismo stalinista. Outro aspecto que as pessoas falam pouco é uma certa cultura de RPG (role-playing game) que tende a dividir tudo em bloquinhos. Já tinha a bipolarização do mundo, mas que continuou muito existente no cinema. O escritor Nick Mamatas escreveu um artigo sobre o filme ‘Avatar’ dizendo que, em termos de narrativa, está 50 anos atrasado em relação à literatura de ficção científica nos Estados Unidos. Concordo com ele. Os filmes que passam hoje são adaptações de obras do Philip K. Dick, que já morreu há 30 anos.

Há exceções honrosas de filmes que pregam a premissa ciberpunk mais recente como o filme ‘Código 46’, que mostra a divisão entre muito pobres e muito ricos, o uso da tecnologia cibernética por meio de implantes ou vírus e manipulação genética. É um filme excelente, com roteiro original de Michael Winterbottom, mas poderia ter sido escrito por um autor ciberpunk da década de 80 para 90.

Por exemplo, o filme ‘Eu sou a lenda’ é baseado em um romance do Richard Matheson, um dos criadores da série ‘Além da imaginação’. A adaptação está péssima, a história original é bem melhor do que o filme do Will Smith. Nessas histórias de literatura existem mais a questão da polarização, a presença de exércitos. Ou você está de um lado ou de outro, você veste um uniforme ou o outro. Na literatura, as coisas são menos branco e preto, tudo está em tons de cinza. Nesse ponto, ela tem muito a nos ensinar e lamento que, no Brasil, a gente sofra de muito atraso nas traduções. Só nos Estados Unidos são publicados cerca de 300 títulos de ficção científica por ano.

O livro ‘Pós-Humanismo: as relações entre o humano e a técnica na época das redes’, organizado por Massimo Di Felice e Mario Pireddu, acaba de ser lançado. Como você vê a questão do pós-humano?
O pós-humano na ficção científica é uma questão que está sendo discutida há algum tempo. O livro, ‘A construção do imaginário ciborgue’, produto do meu doutorado, trata disso. O ciborgue é aquele ser misto homem-máquina; mas o pós-humano não é necessariamente isso. A gente já advoga que o pós-humano já está entre nós, em termos de geração. Quem hoje tem menos de 20 anos tem uma capacidade cognitiva muito maior. São pessoas que cresceram com internet e games e possuem um aparato cognitivo maior. A ficção científica estuda isso há mais tempo, mas na base da especulação. Estou trabalhando agora em um estudo que propõe o uso da ficção científica como um manual de instruções para o futuro. Nele, analiso a obra de John Scalzi, cuja trilogia tem como personagens principais humanos do século 22 que, em determinado momento da vida, sofrem um processo de rejuvenescimento e viram mais que humanos.

A cibercultura é a nossa verdadeira cultura contemporânea? Ou isso é apenas uma ideia supervalorizada de quem trabalha e vive mais intimamente com questões relacionadas ao ambiente digital?
Sim. A cibercultura realmente é a nossa verdadeira cultura contemporânea e quem postulou isso há mais de dez anos foi o filósofo Pierre Lévy. Em 1994 já era verdade e agora mais do que nunca. A palavra cibercultura, entretanto, serve a dois propósitos: o acadêmico e o mercadológico. Nesse momento, durante a Copa do Mundo, estamos acompanhando uma transmissão via satélite feita por uma mídia que produz material em alta definição, em alguns casos experimenta equipamento em 3D. No mundo todo, pessoas vão assistir aos jogos via web. Um colega seu, que não se sinta inserido na cibercultura, pois não tem Twitter e nem Facebook, por exemplo, tem acesso a um celular, que no mínimo, envia SMS, ou um blackberry, porque ele precisa receber e-mails a toda hora ou corre o risco de perder um caso importante. Ele está imerso na cultura digital quer queira quer não. Talvez ele não seja como eu, que não desligo o celular nem na hora de dormir, mas está inserido.

Mas você não chega ao ponto de estar numa festa, a música rolando, todo mundo dançando e você mandando mensagem pelo seu iPhone para o Twitter, não é? 
Não. Prefiro nem ir à festa (risos). Estou brincando, mas faço isso sim, é normal. Virou moda também você se exibir para seus amigos, assim como tuitar com um amigo mais famoso lhe confere certa reputação. Nesses casos, o pessoal retuita adoidado. Vivemos na cultura digital porque ela nos permeia com seus artefatos o tempo todo. No mundo inteiro vivemos várias culturas ao mesmo tempo. Se eu falo para você que a cultura do momento é a digital, não é apenas uma questão de moda. Vivemos em um planeta em que, de modo geral, nas grandes cidades, há redes de cobertura de celulares e internet. As lan houses nas periferias, por exemplo, são mais um pedaço da cultura digital. Essas pessoas estão totalmente imersas nessa cultura? Talvez não como eu e você, mas as iniciativas de inclusão digital já existem no Brasil há quase 15 anos e estão cada vez mais fortes. É uma rede ainda cheia de buracos, mas é grande.
>> NOS DA COMUNICAÇÃO – por Christina Lima


“FIERRO”: REVISTA ARGENTINA SERÁ PUBLICADA NO BRASIL

quarta-feira | 9 | junho | 2010
Fierro Brasil. Crédito: editora Zarabatana

Ilustração de Liniers para a capa da "Fierro Brasil", que será produzida no país pela editora Zarabatana

 

A principal revista em quadrinhos da Argentina, a “Fierro”, será publicada no Brasil pela editora Zarabatana. O número de estreia está programado para o segundo semestre. A informação é noticiada em primeira mão pelo blog.

O contrato foi assinado na virada do mês. A negociação com os responsáveis pela publicação vinha ocorrendo desde o trimestre final de 2009. O acordo prevê o lançamento de uma edição a cada seis meses, com 160 páginas. 

A obra nacional será produzida em formato livro, num tamanho semelhante ao original, 21 cm por 28 cm. A maior parte do conteúdo será uma coletânea de histórias de autores argentinos publicadas na revista. O restante será com histórias de quadrinistas brasileiros

“Creio ser esta a primeira vez que teremos a publicação no Brasil de uma seleção do que há de melhor sendo produzido lá. E esta seleção passa obrigatoriamente pela revista ´Fierro´”, diz Claudio Martini, editor da Zarabatana. “Fierro é uma revista emblemática dos quadrinhos argentinos como, por exemplo, foi a revista ´Metal Hurlant´ para os quadrinhos franceses.”

Na Argentina, a revista é mensal e é vendida no segundo sábado de cada mês com o jornal “Página/12″. Tem tiragem em torno de 15 mil exemplares e, segundo os editores, dá lucro. Uma primeira versão foi publicada no país entre 1984 e 1992. Terminou na centésima edição. O retorno ocorreu em novembro de 2006, por meio da parceria com o jornal.

Com 64 páginas, a “Fierro” mescla histórias de diferentes autores argentinos. A única exceção é o brasileiro Adão Iturrusgarai, que integra o rol de quadrinistas por morar no país. Parte do conteúdo são narrativas curtas, com diferentes temáticas. A outra parte são histórias maiores, em capítulos, um por edição – chamadas de histórias de “continuará”.

Noturno. Crédito: editora Zarabatana

Capa da versão nacional de "Noturno", álbum que inaugura a "Coleção Fierro"

As narrativas em capítulos serão publicadas no Brasil em uma série à parte, batizada por enquanto de “Coleção Fierro”. O primeiro número será “Noturno”, de Salvador Sanz. A história foi lançada em capítulos na “Fierro” durante dois anos e dois meses. Foi compilada em livro no fim de 2009.

“Noturno” é uma trama de mistério permeada por surrealismo, desenhada num traço hiper-realista, característica do autor. Conta a história de enormes aves, que usam os homens como canal de entrada para nossa dimensão.

A Zarabatana planeja vender as obras da coleção e a “Fierro Brasil” de duas maneiras: os dois títulos juntos, possivelmente com desconto, ou separados. A editora já tem em catálogo outros trabalhos de autores argentinos, como as coletâneas de tiras de “Macanudo”, de Liniers.

“Creio que há  público para histórias em quadrinhos de qualidade, não importa o país de origem, mas, no caso da ´Fierro´, temos esta barreira que precisa ser rompida”, diz Martini. “Penso também que isto é um caminho de mão dupla, e os argentinos também se interessarão mais pela produção brasileira.”

Na próxima postagem da série especial “notícias argentinas”: um clássico de lá, finalmente publicado no Brasil.
>> BLOG DOS QUADRINHOS – por Paulo Ramos


REVISTA DIGITAL FANTÁSTICA

quarta-feira | 9 | junho | 2010


Saiu o primeiro número da Fantástica, a revista virtual sobre fantasia e ficção científica. Clique aqui para conhecer o trabalho dos editores Luiz Ehlers, Felipe Pierantoni e Dhyan Shanasa! 

Conteúdo desta edição:
 - FALANDO NO ASSUNTO: escritores expõem suas opiniões sobre a falta de autores brasileiros na lista de livros de ficção mais vendidos. 

- RESENHANDO: Resenhas de Os Guardiões do Tempo, obrade Nelson Magrini, e Bento, livro de André Vianco. 

- TROCA-TROCA: Felipe Pierantoni, autor de O Diário Rubro, e Dhyan Shanasa, autor de O Livro de Tunes, resenham cada um a obra do outro. 

- MATÉRIA DE CAPA: Cobrimos tudo sobre O Senhor das Sombras, a aguardada sequência da saga Legado Goldshine, de Leandro Reis. 

- REPÓRTER MIRIM: Questionamos o jovem escritor e leitor Hugo Fox: Por que a saga Crepúsculo deu tão certo? 

- E SE FOSSE FILME?: Como seria se o livro Filhos de Galagah, de Leandro Reis, se tornasse uma mega-produção cinematográfica? 

- EM FOCO: Cobrimos o lançamento de No Mundo dos Cavaleiros e Dragões, o Concurso de Mini-contos Estronho, e falamos de vampiros. 

- LIDO & ENTREVISTADO: Entrevista com Victor Maduro, autor de Além da Terra do Gelo: A Jornada de Elohim 

- NOVIDADES: Conheça O Desejo de Lilith (Ademir Pascale), Ethernyt – Sob o Domínio das Sombras (Márson Alquati) e Aura de Asíris – A Batalha de Kayabashi (Rafael Lima) 

- TRÍADE DOS IMORTAIS: O trio Celly Borges, Nana B. Poetisa e Nelson Magrini disserta sobre os principais expoentes do terror nacional. 

- CONEXÃO SKOOB: O que há de mais interessante na melhor rede social para aficcionados por livros. 

- CONEXÃO CT: Criando Testrálios, um dos mais famosos blogs sobre fantasia, aborda as principais influências dos escritores brasileiros. 

- CONEXÃO PSYCHOBOOKS: Com um texto alegre e descontraído, a divertida equipe Psychobooks se apresenta e traz o melhor de suas promoções. 

- CORREIO FANTÁSTICA: Respondemos os e-mails e mensagens de nossos leitores 

- ÚLTIMA PÁGINA: O escritor Dhyan Shanasa, autor de O Livro de Tunes, discorre sobre sete dicas para se aprimorar a escrita.

[Para baixar a versão lite da Edição nº1 - abril/maio em PDF, clique aqui]


“HEROES”: OS PLANOS PARA A DESPEDIDA DA SÉRIE

sábado | 5 | junho | 2010

 

Quando foi anunciado o cancelamento do seriado Heroes, se levantou a hipótese de um especial entre duas e quatro horas que encerraria a trama, podendo ser exibido como um telefilme ou como uma minissérie.

Tim Kring, o criado do programa, agora afirma que terá uma reunião com a NBC para discutir esse encerramento, dizendo estar muito otimista sobre o assunto.

Tão otimista que acabou revelando alguns detalhes do que planeja. A nova história se passaria cerca de um ano depois do fim da série, quando Claire (Hayden Panettiere) revelou suas habilidades ao mundo. Com todos sabendo da existência de pessoas com poderes, o planeta passa por uma grande mudança social e cultura, como explicou o próprio Kring.

Claire continuará desesperadamente desejando por uma vida normal, porém aceitando, mesmo que relutantemente, o papel de porta-voz dos poderosos. Sylar (Zachary Quinto) mais uma vez terá de lidar com seu lado sombrio. Infelizmente, parece que o encerramento do programa sofrerá do maior problema da série: a repetição de situações.

Kring acredita que conseguirá reunir todo o elenco para este final, incluindo até Adrian Pasdar, mas num papel que não será o do falecido Nathan Petrelli.

Heroes é um seriado que conta a história de várias pessoas que descobrem que possuem poderes sobre-humanos, como atravessar paredes e ler pensamentos; e como seus poderes podem mudar o mundo. No Brasil, o programa é exibido pelos canais Universal ChannelSci Fi Brasil Record.

Subtramas do seriado são desenvolvidas em HQs online, que mais tarde ganham encadernados impressos pela Wildstorm, selo da DC Comics. No Brasil esses quadrinhos são publicados pela Panini Comics.
>> HQ MANIACS – por Leonardo Vicente Di Sessa


“O HOBBIT”: GUILLERMO DEL TORO DEIXA DIREÇÃO DO FILME

terça-feira | 1 | junho | 2010

O mexicano Guillermo del Toro deixou seu cargo como diretor de “O Hobbit” devido aos constantes atrasos na filmagem, provocados pelos problemas financeiros da produtora Metro Goldwyn Mayer (MGM).

Assim anunciou hoje o próprio cineasta através de um comunicado publicado no portal de internet “The One Ring”, especializado na popular saga de “O Senhor dos Anéis”, no qual admitiu que esta é “a decisão mais difícil” de sua vida.

“À luz dos constantes atrasos na data de início da filmagem de ‘O Hobbit’, devo enfrentar a decisão mais difícil da minha vida”, escreveu o diretor, de 45 anos, sobre este projeto que, a princípio, ia lançar dois filmes, que estreariam em dezembro de 2012 e dezembro de 2013.

“Após dois anos de viver, respirar e projetar um mundo tão rico como a Terra Média de Tolkien, devo, com grande pesar, abandonar a tarefa de dirigir estes maravilhosos filmes”, afirmou del Toro.

O cineasta especificou que continuará desenvolvendo os roteiros de ambas os filmes junto com Peter Jackson, Fran Walsh e Phillippa Boyens.

Dias atrás o mexicano tinha mostrado seu desagrado com a situação na qual se encontra “O Hobbit”, projeto pelo qual se mudou com sua família para a Nova Zelândia há mais de um ano.

A MGM está em uma situação crítica, com uma dívida de US$ 3,7 bilhões e submetida ao controle de uma série de fundos de capital de risco que querem manter o estúdio reduzindo custos.

“Como co-roteirista e diretor dos filmes, desejo para a produção a melhor sorte e serei o primeiro na fila para ver o produto finalizado”, concluiu del Toro.

Os dois filmes de “O Hobbit” se centram no romance homônimo de Tolkien, que precede “O Senhor dos Anéis” e cujo protagonismo recai em Bilbo Baggins, papel que na saga de Peter Jackson foi interpretado por Ian Holm.

Os três filmes da série “O Senhor dos Anéis” geraram US$ 3 bilhões em bilheteria entre 2001 e 2003. A terceira parte, além disso, ficou com os 11 prêmios Oscar aos quais concorria.
>> YAHOO – por EFE


MARJANE SATRAPI: “FALAR DOS OUTROS É VENTILAR O CORAÇÃO

sexta-feira | 28 | maio | 2010
Marjane Satrapi

No Irã, bordado significa, além da costura feita em pano, cirurgia de reconstituição do hímen, para que a mulher “vire uma virgem” novamente. A palavra batiza o mais recente livro, enfim lançado no Brasil, da iraniana Marjane Satrapi (acima) – autora de clássicos como Frango com ameixa e Persépolis, cuja animação foi indicada ao Oscar em 2008 – e traz a público mais um episódio marcante de sua vida.

A autora, que desde 1994 mora na França, relata um encontro de senhoras durante o samovar, o tradicional bule de chá iraniano – momento de descontração e fofocas. Como dizia a avó de Marjane, personagem principal de Bordados (HQ na Cia / Companhia das Letras), “falar dos outros pelas costas é ventilar o coração”.

A autora faz questão de dizer que a avó tinha um grande senso de moralidade: – Ela sempre me disse: “Marjane, se você vai a uma festa e você não falar com ninguém, eles vão dizer: ‘Quem ela pensa que é?’, mas se você vai a uma festa e começam a rir com todos eles vão dizer: ‘Oh, olhe para esta cadela’. Portanto, não importa o que você faça: as pessoas vão falar de você. Faça o que quiser. Se você não sente vontade de falar, não fale. Se você sentir vontade de rir, ria”.

bordados de marjane satrapi FUC FUC

Durante o chá da tarde relatado no livro, o assunto gira em torno de histórias sobre amor e sexo. A cada relato, novas surpresas. Há desde a mulher que nunca viu um pênis porque sempre fazia amor no escuro até as que casaram cedo – e intocadas – com homens muito mais velhos, inclusive golpistas, galinhas e até homossexuais enrustidos.

O traço, simples e em preto e branco da autora, vira mero detalhe diante de diálogos fluidos, diretos e bem-humorados. Mademoiselle Sartrapi não tem papa na língua. Numa das cenas, uma senhora pergunta a outra se a pelezinha pendurada não dá nojo. A que a outra responde: “O prepúcio? Acho que em geral nenhum pau é lá muito fotogênico”.

bordados de marjane satrapi prepucio

E mesmo num país onde as mulheres se submetem aos homens, sobra espaço para defender os amantes, que estão sempre bem apresentados durante os encontros secretos.

No Irã, a virgindade tem alto valor, e as mulheres mais velhas apelavam para todo tipo de mandingas. Uma delas consistia em colocar uma chave dentro da vagina logo depois de fazer amor, inseri-la numa xícara de chá e dar para o marido beber em no máximo 77 segundos (!).

bordados de marjane satrapi chazinho

Como já virou marca registrada, em determinados momentos, a autora faz críticas à indústria cultural, através de seus personagens. Como é o caso da MTV, que, segundo a avó, é um “canal de idiotas cantando seminus”. E a matriarca é quem dá o toque final com mais uma de suas tiradas, lembrando que na vida “às vezes você está montada no cavalo, às vezes é o cavalo que monta em você”.
>> JORNAL DO BRASIL- por Pedro de Luna


WELLS E WELLES

terça-feira | 25 | maio | 2010

Os nomes de H. G. Wells e Orson Welles estão ligados para sempre, em nossa memória cultural, pela adaptação radiofônica feita por Orson em 1938, com base no romance “The War of the Worlds”, publicado por H. G. em 1898.  Como se sabe, a transmissão da invasão dos marcianos, em forma de noticiário, levou o pânico aos Estados Unidos e tornou Orson famoso da noite para o dia.  As pessoas ligavam o rádio e ouviam alguns números musicais que eram bruscamente interrompidos para que locutores nervosos anunciassem o desembarque de naves alienígenas, a mortandade causada pelos seus “raios de calor” e as multidões em pânico pelo país afora.  Somente esta última parte era verdadeira: houve pânico, acidentes, tentativas de suicídio, e a CBS, dona da emissora, teve que cortar um dobrado nos meses seguintes para enfrentar as dezenas de processos judiciais que sofreu. Orson ficou famoso e foi contratado por Hollywood, onde realizou “Cidadão Kane”.

Em 1940, os dois autores dessa transmissão memorável se encontraram pessoalmente, durante uma turnê de conferências que H. G. Wells realizou na América do Norte.  Em San Antonio (Texas), ele falou para a United States Brewers Association; por coincidência Orson estava na cidade para uma palestra, os dois foram apresentados, e no dia seguinte foram para a rádio local.  No YouTube (em: http://www.youtube.com/watch?v=nUdghSMTXsU) pode-se escutar um áudio de 7 minutos e meio do único encontro entre os dois.  A voz grave e profunda de Orson, então com 25 anos, contrasta com a voz mais débil, fatigada (mas sempre bem-humorada) de H. G., então aos 74 anos.  Os dois trocam amabilidades, fazem brincadeiras com o fato de terem quase o mesmo sobrenome, comentam a política mundial (estava-se em pleno começo da II Guerra, é inevitável que se refiram a Hitler), e discutem o pânico causado pela transmissão do programa.

Orson parece referir-se a um discurso de Hitler segundo o qual o pânico provocado por “A Guerra dos Mundos” mostrava a condições corruptas e o estado decadente das democracias ocidentais.  Wells comenta que isso só pode ser dito por quem desconhece a tradição do Halloween na América, quando todo mundo faz de conta estar vendo fantasmas (a transmissão ocorreu, propositalmente, numa véspera de Halloween).  Orson refere-se às profecias do inglês, cita seu livro “The shape of things to come” (1933) e diz que “hoje estamos vivendo num futuro de H. G. Wells, num daqueles mundos sobre os quais ele falava”. 

No fim da conversa, Wells pede que Orson fale sobre o filme que está dirigindo, e pergunta se o nome é “Citizen Cain” (“Cidadão Caim”).  Orson ri e diz que não, é “Kane”, mas que é muito gentil da parte de Wells dizer isto abertamente. E explica: “É um novo tipo de filme, como um novo método de apresentação, e alguns novos tipos de experiências técnicas e novas maneiras de narrar um filme”.  Em matéria de eufemismo, de “understatement”, é de botar qualquer britânico no chinelo.
>> MUNDO FANTASMO- por Braulio Tavares


“S.H.I.E.L.D.”: SAMUEL L. JACKSON CONFIRMA FILME

segunda-feira | 17 | maio | 2010

O site RadioBigBoy recentemente conversou com Samuel L. Jackson, que disse que o filme da S.H.I.E.L.D. será filmado logo após o longa-metragem dos Vingadores, tendo como protagonista principal Nick Fury, interpretado pelo próprio ator.

Segundo ele, o filme dos Vingadores deve começar a ser filmado no ano que vem, e logo em seguida o filme da S.H.I.E.L.D. Ainda não há diretor e roteirista confirmados.

A S.H.I.E.L.D. (Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão) foi criada por Stan Lee Jack Kirbyem 1966. Fundada pela ONU e financiada pelas potências da OTAN, tem a função de proteger todo o planeta de ameaças de grande porte, desde terrorismo internacional até invasões alienígenas. Nick Fury dirigiu a organização por muito tempo, mas Dum-Dum DuganG.W. BridgeSharon CarterMaria Hill e o Homem de Ferro também foram diretores por períodos breves. A S.H.I.E.L.D. foi desmantelada depois da saga Invasão Secreta, sendo substituída por uma nova organização: a M.A.R.T.E.L.O.
>> HQ MANIACS – por Will Costa


FANTASMA DO SÉCULO XXI

segunda-feira | 17 | maio | 2010

O Fantasma não é mais aquele. Criado pelo americano Lee Falk em 1936, o personagem vai ganhar um novo visual a partir de agosto, quando sai o primeiro número de sua nova revista, pela editora Dynamite, a mesma que publica outros clássicos dos quadrinhos, como Darkman, Vampirella, Sonja e Besouro Verde. Na nova fase, o Fantasma cuida de uma fundação de caridade em seu país, Bengala, e apoia outros do continente africano.

O responsável pelo redesign do herói, conhecido como o espírito que anda, é o ilustrador Alex Ross, o mesmo de “Marvels”. Pelas imagens já divulgadas, que você confere neste post, o Fantasma aparece sem o tradicional uniforme e mais violento. Ross cuidará do desenvolvimento do personagem enquanto que Scott Beatty será o roteirista. A arte das histórias em quadrinhos ficará por conta de um brasileiro: Eduardo Ferigato. Ele conversou rapidamente com o Gibizada a respeito do trabalho.

Como você entrou no projeto?
EDUARDO FERIGATO: Através de testes que produzi para a agência Art & Comics. O Joe Prado entrou em contato comigo falando sobre o interesse da Dynamite em meu trabalho para a série.

Por quanto tempo você ficará responsável pela arte do novo Fantasma? 
Meu contrato é para seis edições, mas é possível que eu continue na série depois disso.

Como será esta nova versão do clássico personagem? 
Quanto a isso não posso dar muitos detalhes. Tudo que posso dizer é que  o personagem está sendo adaptado ao século XXI. Mas, em minha opinião, a mitologia do personagem está muito presente na história.
>> GIBIZADA – por Télio Navega


KRISTEN STEWART: ATRIZ DE “CREPÚSCULO” DEVE ESTRELAR FILME DE WALTER SALLES

sábado | 8 | maio | 2010

Imagem: Arquivo Famosidades

Kristen Stewart, mais conhecida como a invejada Bella Swan da saga cinematográfica “Crepúsculo”, deve protagonizar o novo filme do cineasta brasileiro Walter Salles (“Central do Brasil”).

“Estou ligada a um filme que eu sempre quis fazer. Não que isso vá mudar alguma coisa, mas agora eu posso me vangloriar um pouco”, disse a atriz ao site do jornal “USA Today” sobre o longa dirigido por Salles.

De acordo com a atriz, ela deve interpretar o papel de Mary Lou, no filme “On The Road”, baseado no livro “Pé na Estrada” (1957), do escritor Jack Kerouac.

Empolgada para trabalhar no longa, Stewart afirmou: “É um grande acontecimento”.

Estarão também no elenco Garrett Hedlund (“Tron Legacy”) como Dean Moriarty e Sam Riley (o Ian Curtis, do Joy Division, no filme “Control”) será Sal Paradise.

“On the Road” conta a história de um aspirante a escritor que atravessa os Estados Unidos pedindo carona.

Segundo a publicação, as gravações devem começar no meio de 2010

Kristen Stewart, mais conhecida como a invejada Bella Swan da saga cinematográfica “Crepúsculo”, deve protagonizar o novo filme do cineasta brasileiro Walter Salles (“Central do Brasil”).

“Estou ligada a um filme que eu sempre quis fazer. Não que isso vá mudar alguma coisa, mas agora eu posso me vangloriar um pouco”, disse a atriz ao site do jornal “USA Today” sobre o longa dirigido por Salles.

De acordo com a atriz, ela deve interpretar o papel de Mary Lou, no filme “On The Road”, baseado no livro “Pé na Estrada” (1957), do escritor Jack Kerouac.

Empolgada para trabalhar no longa, Stewart afirmou: “É um grande acontecimento”.

Estarão também no elenco Garrett Hedlund (“Tron Legacy”) como Dean Moriarty e Sam Riley (o Ian Curtis, do Joy Division, no filme “Control”) será Sal Paradise.

“On the Road” conta a história de um aspirante a escritor que atravessa os Estados Unidos pedindo carona.

Segundo a publicação, as gravações devem começar no meio de 2010
>> MSN Entretenimento


“LA CASA MUDA”: FILME DE TERROR URUGUAIO RODADO EM 4 DIAS US$ 6 MIL VAI A CANNES

sábado | 8 | maio | 2010

Uma câmera fotográfica digital emprestada, US$ 6 mil e quatro dias de rodagem foram suficientes para o uruguaio Gustavo Hernández filmar “La Casa Muda”, um filme experimental de terror escolhido para participar do Festival de Cannes.

Enquanto rodava “La Casa Muda”, com uma equipe de não mais de 15 pessoas, Hernández se conformava em “fantasiar” com a estreia de seu filme em algum cinema do Uruguai.

Agora, seis meses depois, o filme foi selecionado para participar da Quinzena de Produtores do Festival de Cannes, para onde o uruguaio partirá com sua equipe no dia 15 de maio.

“‘La Casa Muda’ foi produto de uma limitação orçamentária”, disse Hernández em entrevista à Agência Efe.

Os US$ 6 mil que um produtor lhe ofereceu para estrear como diretor o obrigaram a pensar em um longa-metragem que precisasse de “pouca gente, poucos recursos e que pudesse ser filmado em pouco tempo”, explicou Hernández, que até então tinha dirigido apenas videoclipes, anúncios para televisão e curtas-metragens.

O gênero de terror não era o que mais lhe atraía, mas após “várias conversas com amigos” uma ideia parecia solucionar seus problemas econômicos: oferecer “medo real em tempo real”.

“Se tratava de fazer, com uma equipe mínima, uma história mínima, e então pensamos em contar o que passa com todos quando sentimos medo, quando temos todos os sentidos em alerta e os segundos podem parecer horas”, relatou.

Inspirada em uma história real da década de 1940, quando dois corpos foram encontrados mutilados em uma casa de campo do norte do Uruguai, “A casa muda” foca nos últimos 74 minutos das vítimas do assassinato.

“Queríamos que o espectador vivesse as emoções sem enganá-lo com vários planos e contraplanos, e decidimos rodá-la em uma só tomada”, contou Hernández.

Usar uma câmara de fotos emprestada de um amigo porque o orçamento “não dava nem para alugar uma” lhe permitiu empregar “menos recursos e menos gente”.

A alta sensibilidade óptica do aparelho, utilizado na função vídeo, permitiu filmar todo o longa com a iluminação de apenas “duas lanternas e um ‘foquinho’ de luz em cada quarto”.

Ao mesmo tempo a câmara escolhida (uma Cannon 5D), especialmente leve e compacta, lhe dava maior mobilidade para gravar e chegar a lugares onde uma câmara de vídeo ou de cinema convencional não entra.

O resultado é um “filme experimental, mas contado em uma linguagem cinematográfica muito clássica”, explicou o diretor.

Mesmo assim, Hernández tem consciência que a maneira incomum na qual “La Casa Muda” foi rodada é em grande parte a razão pela qual o júri da Quinzena de Produtores, a seção mais experimental do Festival de Cannes, selecionou a fita.

“Até nisso tivemos uma sorte enorme, porque só chegamos a Cannes graças a um jurado do festival que viu nosso trailer pela internet e nos escreveu um e-mail sugerindo apresentá-lo”, lembrou.

É que os blogs e sites de cinema de terror, pelos quais o trailer circulou durante meses, foram “fundamentais” para o êxito do filme, que até algumas semanas atrás nem sequer estava acabado e que por enquanto só foi visto por “umas três ou quatro pessoas” alheias à produção.

“Os internautas começaram a se interessar por ‘A casa muda’ quando leram sobre como o filme estava sendo feito, de que tratava e toda a história que tinha por trás”, detalhou o diretor.

No entanto, Hernández tem certeza de que eles não vão se decepcionar, porque no final “tudo no filme terminou acontecendo para conseguir dois objetivos básicos: entreter e assustar”, afirma.
>> EFE – por Shaní Gerszenzon

Assista ao teaser trailer de “La Casa Muda”:


TERRY PRATCHETT SOBRE NEIL GAIMAN

quinta-feira | 6 | maio | 2010

Eu estou lendo esse livro aí do lado, porque sou muito fã de Neil Gaiman, e tudo que eu posso ler escrito por ele, ou sobre ele, eu procuro ler. Eu tive uma surpresa muito agradável quando vi que o prefácio desse livro foi escrito por Terry Pratchett, um outro autor que eu adoro.

Ponho aqui uma tradução do prefácio, que mais do que uma apresentação de Neil Gaiman, é uma amostra da genialidade de Terry Pratchett:

Uma levemente usada mais ainda adorável apresentação
por Terry Pratchett

O que posso dizer sobre Neil Gaiman que já não tenha sido dito em The Morbid Imagination: Five Case Studies?
Bem, ele não é um gênio, é melhor do que isso.

Ele não é um mago, em outras palavras, mas um prestidigitador.
Magos não têm que trabalhar. Eles agitam suas mãos,e a mágica acontece. Mas prestidigitadores, bom… prestidigitadores trabalham muito pesado. Eles passam muito tempo da sua juventude observando, atentamente, os melhores prestidigitadores do seu dia. Eles procuram velhos livros de truques e, sendo prestidigitadores naturais, lêem todo o resto também, porque a própria história é um show de mágica. Eles observam como as pessoas pensam, e os muitos modos como não pensam. Eles aprendem o uso sutil de molas, e como abrir enormes e pesadas portas de templos com um toque, e como fazer as trombetas soarem.

E eles ficam no centro do palco e te maravilham com bandeiras de todas as nações e fumaça e espelhos, e você grita: “S-sensacional! Como ele consegue? O que aconteceu com o elefante? Cadê o coelho? Ele quebrou o meu relógio mesmo?”

E na fileira de trás nós, os outros prestidigitadores, sussurramos: “Muito bem! Aquela não é uma variação da Meia levitante de Praga? Aquele não era um dos Espelhos Espíritas de Pasqual, onde a moça na verdade não está lá? Mas de onde veio aquela espada flamejante?

E nós nos perguntamos se existe mágica, afinal das contas…
Eu conheci Neil em 1985, quando A Cor da Magia tinha acabado de ser lançado.Foi a minha primeira entrevista como um autor. Neil estava trabalhando como um jornalista freelance e tinha as feições pálidas de alguém que sentou nas exibições de muitos filmes ruins para poder se sustentar das cochinhas de frango frias que eram servidas na festa de depois (e para construir a sua lista de contatos, que agora é do tamanho da Bíblia e tem gente muito mais interessante). Ele estava fazendo jornalismo para comer, o que é uma boa maneira de aprender jornalismo. Provavelmente a única maneira, aliás.

Ele também tinha um chapéu muito feio. Era um chapéu de feltro cinza. Chapéu não combinava com ele. Não havia união natural entre chapéu e homem. Aquela foi a primeira e a última vez que eu vi o chapéu. Como se soubesse subconscientemente disso, ele vivia esquecendo-o e largando pra trás em restaurantes. Um dia, ele nunca mais voltou para buscá-lo. Eu coloquei isso aqui para o fã sério aí fora: se você procurar bem, com paciência, você pode encontrar um restaurante pequeno em Londres com um chapeú de feltro cinza empoeirado no fundo de uma prateleira. Quem sabe o que acontecerá se você o experimentar?

Bom, de qualquer jeito, nós nos demos muito bem. Difícil dizer porque, mas no fundo estava um prazer e maravilhamento com a pura estranheza do universo, em histórias, em detalhes obscuros, em estranhos velhos livros em livrarias desconsideradas. Nós permanecemos em contato.

páginas sendo arrancaedas de um calendário. Sabe, a gente não vê mais isso em filmes…
E uma coisa levou a outra e ele se tornou famoso com quadrinhos, eDiscworld virou um sucesso, e um dia ele me mandou umas seis páginas de um conto, dizendo que não sabia como continuar, e eu também não, e cerca de um ano depois eu o tirei da gaveta e vi o que acontecia depois, mesmo se ainda não conseguisse ver como tudo terminaria, e nós o escrevemos juntos e era Belas Maldições. Foi feito por dois caras que não tinham nada a perder ao se divertir. Nós não fizemos pelo dinheiro.

Mas, no fim das contas, ganhamos muito dinheiro.
…ei, deixa eu contar sobre as bizarrices, como quando ele ficou conosco para a publicação, e nós ouvimos alguma coisa e entramos no seu quarto e dois dos nossos pombos brancos tinham entrado e não conseguiam sair; eles estavam entrando em pânico ao redor do quarto e Neil estava acordando numa tempestade de penas brancas como a neve dizendo: “Wstfgl?” que é o seu vocábulário normal pra antes do meio dia. Ou a vez em que nós estávamos num bar e ele encontrou as Mulheres Aranhas. Ou a vez quando numa viagem nós ficamos num hotel onde de manhã fiquei sabendo que a TV dele tinha mostrado estranhos shows de bondagem bissexual, enquanto a minha só tinha mostrado reprises de Mr. Ed. e o momento, ao vivo , quando nós percebemos que um mal alimentado apresentador de rádio Nova Iorquino achava que Belas Maldições não era um trabalho de ficção…

(corte para um trem, seguindo em frente com bastante barulho. Essa é outra cena que eles não mostram em filmes hoje em dia…)
E lá estávamos nós, 10 anos depois, viajando pela Suécia e conversando sobre a trama de Deuses Americanos (ele) e O fabuloso Maurício (eu), Provavelmente falando ao mesmo tempo. Era como nos velhos tempos. Um de nós diz: “Eu não sei como lidar com essa parte da trama”; o outro escuta e diz:”A solução, Gafanhoto, está na maneira como você coloca o problema. Quer um café?”

Muita coisa aconteceu naqueles 10 anos. Ele tinha deixado o mundo dos quadrinhos abalado, e nunca será o mesmo. O efeito foi parecido com o de Tolkien no romance de fantasia – tudo depois é de algum modo influenciado. Eu lembro de uma vez durante a turnê de Belas Maldições nos Estados Unidos perambular numa loja de quadrinhos. Nós tínhamos autografado para muitos fãs de quadrinhos, alguns claramente confusos com o conceito d”‘essa história sem figuras”, e eu andei pelas prateleiras conferindo a oposição. Foi quando eu percebi que ele é bom. Há uma delicadeza de toque, um bisturi sutil que é a marca registrada do seu trabalho.

E quando eu ouvi a premissa de Deuses Americanos eu queria escrevê-lo tanto que até conseguia sentir o gosto…
Quando eu li Coraline, eu enxerguei uma animação lindamente desenhada; se eu fechar meus olhos eu consigo ver a casa, ou o piquenique especial das bonecas. Não é de admirar que ele escreva roteiros agora; breve, eu espero que alguém seja inteligente o suficiente para deixá-lo dirigir. Quando eu li o livro eu me lembrei que histórias infanits são aonde o verdadeiro terror reside. Meus pesadelos de infância teriam sido muito sem graça sem Walt Disney, e alguns detalhes sobre olhos de botões pretos naquele livro fazem uma pequena parte do cérebro adulto querer ir se esconder atrás do sofá. Mas o propósito do livro não é o terror, mas vencê-lo.

Pode ser uma surpresa pra muitos descobrir que Neil ou é um cara muito simpático, muito acessível ou então um ator incrível. Às vezes ele tira os óculos escuros. A jaqueta de couro não tenho certeza; acho que uma vez eu o vi num smoking, ou pode ter sido outra pessoa.
Ele adota a visão de que manhãs acontecem pras outras pessoas. Eu acho que uma vez o vi no café da manhã, mas possivelmente era so alguém um pouco parecido com ele que estava com o rosto enterrado num prato de feijões assados. Ele gosta de sushi, e gosta de pessoas também, só que não cruas; ele é gentil com fãs que não são chatos completos, e gosta de conversar com pessoas que sabem conversar. Não parece que ele tem 40 anos, talvez os 40 tenham acontecido com outra pessoa também. Ou talvez haja um retrato especial trancado no sótão.

Divirta-se. Você está nas mãos de um prestidigitador genial. Ou, possivelmente, um mago.

PS. Ele adora de verdade se você pedir pra ele assinar a sua acabada, estimada cópia de Belas Maldições que caiu na banheira pelo menos uma vez e só está inteira por causa de um durex muito velho e amarelado. Você sabe qual.
>> LENDO E APRENDENDO – por Fimbrethil


“PAULISTA EM QUADRINHOS”: PALESTRAS, CURSOS E OFICINAS NA CASA DAS ROSAS, EM SÃO PAULO

terça-feira | 4 | maio | 2010

Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura (Avenida Paulista, 37, São Paulo/SP) tem sua programação de maio voltada para a arte das Histórias em Quadrinhos, com palestras e oficinas, demonstrando a relação estreita entre HQ, literatura e poesia.

São vários destaques, como o curso A Guerra dos Quadrinhos, no qual o jornalista Gonçalo Jr. dará ênfase à evolução histórica e censura nas HQs, discutindo desde as primeiras experiências no final do Século 19 até chegar às graphic novels e à invasão dos mangás, mostrando como os quadrinhos foram perseguidos, acusados de induzir jovens ao crime, à prostituição e ao homossexualismo.

Caco Galhardo é o responsável pela Oficina de Criação em HQ, falando sobre criação e desenvolverá um processo coletivo com tiras, cartuns e HQs, com a finalidade de produzir um fanzine.

Gualberto Costa fará a Oficina de Fanzines, na qual os alunos que já têm experiência com desenho terão a oportunidade de conhecer as várias formas de confecção de uma publicação independente de quadrinhos e de fazerem sua própria revista.

Mayumi Ito apresenta a Oficina de Mangá, com orientações para desenhar o personagem no estilo mangá, proporções, estilos, olhos, cabelos, roupas e movimento.

HQ e a Rebelião da Linguagem será ministrado por Reynaldo Damazio e abordará criadores de histórias em quadrinhos da segunda metade do século XX que realizaram variada experimentação com as linguagens literária e da ilustração.

O Papel Invisível do Desenhista – Ilustrando uma HQ, com Sam Hart, terá aulas que serão compostas pela elaboração de uma página de HQ por meio do estudo e exercícios de composição de página, narrativa, layout e comunicação voltada à linguagem da HQ.

Duas mesas-redondas serão apresentadas:

As Atuais Mudanças e Transformações dos Quadrinhos no Brasil, com Silvio Alexandre (mediador), André Conti (Companhia das Letras), Rogério de Campos (Conrad), Douglas Quinta Reis (Devir) e Rogério Saladino (Panini/Mythos); e Mangá é a nossa Língua: o Fenômeno Cultural dos Quadrinhos Japoneses no Brasil, com Marcelo del Greco e Arnaldo Oka, ambos da editora JBC.

Destaque para as palestras:

Toninho e a presença da Circo Editorial, com Toninho Mendes, falando sobre a trajetória das revistasChiclete com Banana, Circo, Geraldão, Piratas do Tietê, Striptiras, Big Bang Bang.

Quadrinhos como Poesia, com Fábio Moon e Gabriel Bá, mostrando que, tanto em quadrinhos quanto na poesia, se o artista sabe escolher bem as palavras, atinge a todos de uma maneira que a prosa ou a ilustração não conseguem. O que incluir e o que deixar de fora é a chave para contar uma boa história.

A Produção Editorial dos Estúdios Mauricio de Sousa, com Sidney Gusman. Há quatro décadas, as revistas em quadrinhos de Mauricio de Sousa reinam absolutas nas bancas brasileiras. São, pelo menos, três gerações de leitores que cresceram com as aventuras da Turma da Mônica.

Bienvenido aos Quadrinhos Argentinos, com Paulo Ramos. Quino, Maitena e Liniers são três dos poucos autores que tiveram trabalhos em quadrinhos traduzidos e publicados no Brasil. As editoras nacionais historicamente ignoram a produção argentina de historietas. Durante a palestra, haverá o lançamento do livro Bienvenido – um passeio pelos quadrinhos argentinos.

Além disso, o local apresentará uma homenagem ao cartunista Glauco, com Caco Galhardo.

Para participar, confira a programação completa, data e horários clicando aqui.


“FANTASTICON 2010″: IV SIMPÓSIO DE LITERATURA FANTÁSTICA JÁ TEM POSTER OFICIAL

quinta-feira | 29 | abril | 2010


Surgem as primeiras informações sobre o Fantasticon 2010 – IV Simpósio de Literatura Fantástica. O evento, como nos anos anteriores, é organizado por Silvio Alexandre, em uma realização da Biblioteca Viriato Corrêa, do Sistema Municipal de Bibliotecas e da Secretaria de Cultura de São Paulo.

A primeira novidade deste ano é que o evento ganhou mais um dia. É isso mesmo, agora são 3 dias de muita literatura fantástica.

A idéia do Fantasticon é reunir pessoas interessadas em Literatura Fantástica (ficção científica, fantasia e horror) para que elas possam se encontrar, trocar idéias, informações e se divertir.

A proposta é incentivar e enriquecer o estudo e o debate sobre o Fantástico no Brasil. Para isso, contaremos com palestras, mesas-redondas, oficinas, mostra de filmes, exposições, lançamentos, sessões de autógrafos e muita confraternização!

Em breve novas informações!

Acompanhe todas as novidades do Fantasticon 2010 no twitter @fantasticon


KICK ASS QUEBRANDO TUDO

quarta-feira | 28 | abril | 2010

Baseado em HQ escrita por Mark Millar e ilustrada por John Romita Jr., o filme “Kick-ass – Quebrando tudo” estreou muito bem nos EUA, faturando o primeiro lugar na bilheteria, mas bastou uma semana em cartaz para cair quatro posições, perdendo a liderança para “Como treinar o seu dragão”. 

O longa só chega às telas brasileiras no dia 11 de junho, mesmo mês em que a Panini planeja lançar o gibi que serviu de inspiração para o filme de Matthew Vaughn onde um adolescente, fã do homem-aranha, decide se tornar um super-herói, mesmo sem ter poder algum. Apesar deste mero detalhe, ele se torna um fenônemo de popularidade.

A versão brasileira da história em quadrinhos, cuja capa você confere, em primeira mão, na abertura deste post, terá 212 páginas, papel couché, capa dura e distribuição exclusiva para livrarias. Enquanto o preço do livro não é definido, confira, acima, o divertido trailer do filme, que conta com Nicolas Cage como o personagem Big Daddy, homenagem ao Batman da TV.

Para promover o lançamento do fime “Kick-ass – Quebrando tudo” nos EUA, o apresentador de TV Jay Leno decidiu convidar Cage, que é um grande fã de quadrinhos, para um quiz sobre o homem-morcego. Seu adversário no questionário é ninguém menos do que Adam West, o Batman da TV.
>> GIBIZADA – por Telio Navega


“SHERLOCK HOLMES 2″ EXCLUSIVO: ROTEIRISTAS FALAM SOBRE CONTINUAÇÃO

quinta-feira | 15 | abril | 2010

Michele Mulroney e Kieran Mulroney revelam
suas histórias favoritas do detetive

 O Omelete, através de nossos parceiros do Collider, entrevistou os roteiristas Michele Mulroney e Kieran Mulroney sobre seu novo filme, Paper Man. Aproveitamos a ocasião para conversar sobre outro trabalho da dupla, a sequência de Sherlock Holmes, que também será dirigida por Guy Ritchie. Na conversa, os escritores contam como está sendo o desenvolvimento deste roteiro, a admiração pelo protagonista, suas tramas favoritas de sir Arthur Conan Doyle e suas impressões sobre a possibilidade de Brad Pitt interpretar Moriarty. Confira!

Vocês estão trabalhando na sequência de Sherlock Holmes?

Kieran – Estamos. Inclusive, nós estávamos fazendo exatamente isto pela manhã.
Michele – Estávamos trabalhando nisso pela manhã antes de vir pra cá. Estamos mergulhados nisso, está sendo bem empolgante, interessante e desafiante.
Kieran – Será um filme divertido.
Michele – Eu cresci lendo os livros de Conan Doyle. Então, para mim, estar envolvida neste roteiro é algo maravilhoso. Estes personagens sempre fizeram parte da minha infância. Os personagens de Watson e Holmes são ótimos. É claro que temos dois grandes atores que deram vida à eles , Robert Downey Jr. e Jude Law. É um processo muito interessante no qual estamos inseridos.

Vocês escrevem um roteiro com base em algum orçamento ou escrevem um roteiro e o modificam de acordo com o orçamento?

Kieran (risos) – Geralmente é o que acontece. Depois que escrevemos o primeiro rascunho, eles sempre nos pedem para tirar uns 30 a 50 milhões de dólares de lá.
Michele – Nós sempre escrevemos a mais.
Kieran – Nós temos a tendência de escrever grandes sequências de ação. Será um filme de grande repercussão. É um processo de colaboração muito intenso quando você está no estúdio trabalhando em um filme em que todos tem uma grande expectativa. Nós adoramos trabalhar com os diretores. Guy Ritchie tem muita presença e considero ele muito talentoso visualmente, além de ter feito um grande trabalho no primeiro filme.
Michele – Ele é muito bom.

Vocês começaram a escrever o segundo quando o primeiro estava em pós-produção?

Kieran – Nós começamos a escrever antes do lançamento, mas depois de terem finalizado a produção.
Michele – Acho que sempre há uma vontade, quando possível, de escrever mais sobre as histórias e os personagens, porque eles geram muito material. É engraçado quando você percebe que não há muita diferença em escrever Paper Man com 4 milhões de dólares ou Sherlock Holmes com bem mais dinheiro do que isso.
Kieran - É verdade.
Michele – É sempre exatamente o mesmo processo de desenvolvimento de história, personagens e diálogos.
Kieran – Só temos mais coisas explodindo.
Michele (risos) – Sim, e um pouco mais de pressão.
Kieran (risos) – Exatamente.

Vocês tem uma história favorita do Sherlock Holmes entre todas que Conan Doyle escreveu?

Kieran – Gosto de A Faixa Malhada.
Michele – A Faixa Malhada é ótima, bem ao estilo das histórias clássicas de Holmes.
Kieran – A Liga dos Cabeça-Vermelha é uma história profunda também. É uma gangue que está contratando ruivos. Eles selecionam pessoas enviando anúncios do tipo ” Se você tem cabelo ruivo, junte-se a nós”. E este clube é uma fachada para uma organização criminosa. É algo bizarro e antiquado. A propósito, nós não estamos fazendo uma versão de A Liga dos Cabeça-Vermelha. (risos)
Michele – As histórias podem ser antiquadas e estranhas, mas são muito criativas e convincentes. Os argumentos são muito sedutores.

O que vocês acham da possibilidade de Brad Pitt interpretar o Professor Moriarty?

Michele – Somos grandes fãs de Brad Pitt. Ele é um grande ator e particularmente brilhante no desenvolvimento de seus personagens. E o Professor Moriarty é um grande personagem que gera muito interesse. Espero que Brad goste dele. Vamos fazer o seguinte, vamos ser políticos e não dizer nada. Mas ele é maravilhoso. É impossível não ser um grande fã de Brad. Então, vamos ver o que acontece. Será um filme muito interessante de se ver. Não podemos dizer mais nada sobre isso.

Vocês podem contar alguma coisa da história?

Kieran – Não, é segredo.
Michele – Está tudo por baixo dos panos.

Confira no nosso Especial sobre o filme entrevistas com Robert Downey Jr. e Guy Ritchie, além da crítica, e galerias de imagens e vídeos. O longa original sai em 13 de maio em DVD e Blu-Ray no Brasil.
>> OMELETE – por Steve Weintraub


“TRUE BLOOD” VAI GANHAR MINISSÉRIE EM QUADRINHOS

quinta-feira | 8 | abril | 2010

Alan Ball fala em vídeo das vantagens da adaptação

Alan-Ball-TV-Guide-MagazineA editora IDW anunciou durante a WonderCon, convenção que aconteceu no último fim de semana em São Francisco, que vai publicar quadrinhos baseados no seriado de TV True Blood. A começar por uma minissérie em seis capítulos que começa em julho lá fora.

As HQs terão histórias escritas pelos criadores da série. Alan Ball, produtor de True Blood, e os roteiristas Elisabete Finch e Kate Barnow são os autores da trama, adaptada para o roteiro de HQ por David Tischman e Mariah Heuhner, com desenhos de David Messina. J. Scott Campbell fará as capas.

O próprio Ball apareceu em vídeo, exibido na WonderCon, explicando que está entusiasmado em ver True Blood em quadrinhos fazendo o que o seriado não pode devido a restrições orçamentárias.

A terceira temporada de True Blood estreia em junho na HBO nos EUA.
>> OMELETE – por Érico Assis

Confira a entrevista do Ball:


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