“ÁREA Q”: FICÇÃO CIENTÍFICA FILMADA NO BRASIL

quinta-feira | 22 | abril | 2010

Área Q é o nome do longa-metragem de ficção científica filmado no Brasil, mais precisamente no Ceará, na cidade de Quixeramobim (mundialmente conhecida por suas aparições de ovinis) e promoverá a inédita parceria com a Panavision, que associou-se ao projeto cedendo temporariamente um dos mais avançados equipamentos de câmeras de alta definição do mundo, Gênesis, que foi utilizado em filmes como: Superman – O Retorno, Déjà Vu e Apocalypto. Estrelado por: Isaiah Washington, Murilo Rosa, Tânia Khalill e Ricardo Conti.

O filme é uma co-produção EUA e Brasil ( Reef Pictures Inc., ATC Entretenimentos e Estação Luz Filmes) e tem roteiro e produção de Halder Gomes , com direção de Gerson Sanginitto. Gomes e Sanginitto dirigiram juntos o terror Cadáveres 2 , numa produção norte-americana.

Assista ao trailer:


“PROMESSAS DE AMOR A DESCONHECIDOS ENQUANTO ESPERO O FIM DO MUNDO”: MISTURA DE PALAVRAS E GÊNEROS

terça-feira | 20 | abril | 2010

“Promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo” é mais do que um título enorme para uma história em quadrinhos produzida por um jovem autor de Florianópolis, de 27 anos. Disponível online, a HQ é uma mistura de gêneros, em que elementos de fantasia e ficção científica se misturam a um jovem rebelde chamado Jolly Roger que, de máscara de caveira no rosto, prega a anarquia através dos meios de comunicação.

A HQ é sobre a maneira como reagimos a situações que nos são impostas ou que de alguma forma nos impomos, sobre o medo de escolher algo quando você parece estar numa situação de impasse – explica, por email ao Gibizada, o autor, Pedro Franz. – Acho que o medo é o principal sentimento que leva à efetividade do terror, assim como de certas atitudes políticas.

Impresso com o apoio da Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte de Santa Catarina, o primeiro volume da HQ acaba de ser lançado e reúne os quatro primeiros capítulos da série, que terá um total de 12. A ideia, segundo Franz, é publicar três álbuns, que formarão uma trilogia: Limbo, Underground e Céu.

A publicação é independente no sentido de que não tem editora, e faço tudo sozinho, mas é um projeto contemplado em um edital de Artes Visuais – conta o autor, que estudou Artes Plásticas, se formou em Design e atua como diretor de arte e ilustrador freelancer.

Acho que, nos quadrinhos, criou-se um costume de aceitar certas partes de um trabalho como formato, escolha do papel, distribuição e número de páginas. Escolhas que cabem a um editor e não a um autor. E, por ter o controle de todas as partes do processo, me interessa neste projeto pensar como cada uma delas pode contribuir com um elemento narrativo. Ou seja, perguntar-se, por exemplo, o que significa (para o autor e para o leitor) uma história em quadrinhos publicada em série?
>> O GLOBO – por Telio Navega


CAPITÃO 7 – O PRIMEIRO HERÓI BRAZUCA DA TV

terça-feira | 20 | abril | 2010

Capitão 7

O herói capitão 7 foi criado para um programa de séries da TV Record em 1954. O personagem foi imaginado por Rubem Biáfora e protagonizado pelo ator Ayres Campos. A série foi veiculada até o ano de 1966. A estréia da série aconteceu em 24 de setembro de 1954, ao vivo.

 Nos primeiros anos, em virtude da raridade do uso do videotape, os primeiros capítulos eram feitos e transmitidos ao vivo.

 Na ficção, o Capitão 7 é vivido por Carlos, seqüestrado por extraterrestres ao Sétimo Planeta, onde adquiriu poder corporal e mental. Quando retorna à Terra, mantém o mesmo novo civil e torna-se num talentoso químico. Os seus poderes funcionam enquanto vestido com o seu uniforme de ação.

Na trama, Carlos casa-se com Silvana, a ponto de revelar o seu segredo a ela e levá-la como visitante ao Sétimo Planeta, após esta viagem, Silvana torna-se numa heroína. O seu maior inimigo é  “O Caveira” . Utilizava uma espaçonave para vigiar a Terra, e quando tudo estava tranqüilo, vivia a sua vida comum de químico e namorado de Silvana.

Os quadrinhos do Capitão 7 começaram a ser publicada em 1959, pela editora Continental. A obra contava com os desenhos de Jayme Cortez, Júlio Shimamoto, Getúlio Delphin e Juarez Odilon. Os textos eram de Helena Fonseca, Hélio Porto e Gedeone Malagola. Foram 54 edições publicadas até o ano de 1964, nos quadrinhos, as ações poderosas do personagem eram plenas, em comparação com a produção limitante da TV.

Em épocas de limitações tecnológicas, o personagem era mais atuante com os seu poderes nos quadrinhos do que na TV. O ator Ayres Campos faleceu em 6 de julho de 2003. Recentemente o projeto do Capitão 7 veio à tona através do desenhista Danyael Lopes para homenagear o falecido ator
>> MEU HERÓI – por Fernando Rebouças


ZUMBIS, ROBÔS, MONSTROS E MACHADOS

sexta-feira | 16 | abril | 2010

Há uns três anos uma divertida coletânea de textos resgatando a melhor tradição da ficção de gênero popular nas revistas de contos da primeira metade do século nos Estados Unidos chegava as livrarias e começava uma bem-sucedida série de coletâneas. Editada pelo escritor e designer gráfico Samir Machado de Machado, a coleção Ficção de Polpa tornou-se um projeto editorial bem sucedido e hoje está no terceiro volume (de acordo com Samir há um quarto já em preparação). Quem quiser tomar contato com a coleção pode ler no blog do escritor Tibor Moricz resenhas conto a conto dos três volumes (Volume 1, Volume 2, Volume 3). A primeira coletânea, por sua vez, já está na terceira edição.

Para marcar a data com a reedição dos três volumes da coleção, a Não Editora, hoje responsável pelo projeto (só indo atrás da primeira edição do primeiro volume foi que me dei conta de que o nome da editora do Ficção de Polpa original era Fósforo) marcou para amanhã, 19h, na livraria Palavraria (Vasco da Gama, 165), um debate sobre a O Público e a Crítica da Ficção de Gênero. Participam o organizador dos três Ficções de Polpa, Samir Machado de Machado, falando sobre literatura fantástica e de horror, e eu próprio, dando palpite sobre literatura policial (tema de minha dissertação de mestrado em literatura na UFRGS). A mediação é do Antônio Xerxenesky, autor de Areia nos Dentes. Depois do papo, haverá autógrafos com os autores da coleção (nem todos, provavelmente, mas acho que ainda assim um bom número). Se puder, compareçam.
>> MUNDO LIVRO – por Carlos André Moreira


“CAPITÃO AMÉRICA”: NOVO TÍTULO, NOVA ATRIZ

quinta-feira | 15 | abril | 2010

O filme do Capitão América teve seu título alterado, ou melhor dizendo, invertido. Antes chamado The First Avenger: Captain America, agora se chama Captain America: The First Avenger (Capitão América: O Primeiro Vingador).

E essa não é a única novidade. A atriz inglesa Hayley Atwell, do recente remake de O Prisioneiro, foi escalada para viver Peggy Carter, o interesse romântico do Capitão.

Peggy foi criada por Stan Lee e Jack Kirby, sendo o interesse amoroso do herói durante a 2ª Guerra Mundial, quando ela lutava junto à resistência francesa. Nos tempos atuais foi mostrada primeiramente como a irmã mais velha de Sharon Carter, outra namorada do Capitão. Ambas foram agentes da S.H.I.E.LD. Mais tarde, para não demonstrar a passagem do tempo nas revistas, Peggy se tornou a tia de Sharon. Peggy chegou a ser uma oficial de comunicações da equipe de apoio dos Vingadores por algum tempo.

Captain America: The First Avenger, com direção de Joe Johnston, mostrará as origens do Capitão América (vivido por Chris Evans) ao lado de seu parceiro Bucky (Sebastian Stan) na 2ª Guerra Mundial, incluindo participações da equipe Invasores e do vilão Caveira Vermelha. Produzido pela própria Marvel, o filme tem estreia marcada para 22 de julho de 2011.

O Capitão América foi criado em 1941 por Joe Simon e Jack Kirby. No início da 2ª Guerra Mundial, o soldado Steve Rogers foi voluntário em um experimento com o soro do super-soldado, desenvolvido pelo Dr. Abraham Erskine. Dessa maneira, ele se transformou de um rapaz franzino no combatente perfeito. Armado somente com seu escudo, e tendo ao lado seu parceiro Bucky, o Capitão América enfrentou os nazistas durante a guerra. Acabou sendo congelado perto do final do conflito e voltou à ativa depois de ser encontrado pelos Vingadores, anos depois.
>> HQ MANIACS – por Leonardo Vicente Di Sessa


O FUTURO VISTO DO BRASIL

quinta-feira | 15 | abril | 2010

Até pouco tempo atrás poucos gêneros no mercado editorial brasileiro tinham mais pinta de “primo pobre” do que a ficção científica, tratada como uma curiosidade para aficionados e pouco contemplada pela crítica especializada – ao contrário do romance policial, que costuma ser esnobado pela crítica mas pelo menos é sucesso de público. Pois essa é uma das principais surpresas que a coletânea Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica: Fronteiras reserva ao assim chamado “grande público”: a noção de que no Brasil não só se produz ficção científica como o gênero conta até com uma rala, ainda que sólida, tradição.

O volume, que reúne histórias de 14 autores, vem dar continuidade à coletânea Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica, publicada em 2007 pela mesma editora Devir e organizada pelo mesmo Roberto de Sousa Causo que assina a seleção deste volume. O subtítulo Fronteiras, embora aparentemente vago em excesso, fica claro no ensaio com o qual Causo justifica a escolha dos textos compilados na coletânea: a maioria pertence a um híbrido “fronteiriço” entre a ficção científica mais estrita e outros gêneros, tanto da literatura de massa quanto da assim considerada “literatura artística”. Algo que se reflete no grupo de autores selecionados.

Dois nomes da literatura canônica nacional comparecem com histórias que cruzam a ficção científica com a fábula moral. Lima Barreto com A Nova Califórnia, na qual o elemento de ficção científica fica por conta mais da chegada de um alquimista a uma pequena cidade brasileira do que particularmente por algum elemento científico incluído no enredo. O mesmo se dá com o clássico conto Seminário dos Ratos, de Lygia Fagundes Telles, um relato mais próximo da alegoria do que da ficção científica, no qual a autora aproveita a trama de um núcleo de burocratas preocupado com um plano de extermínio de ratos para tratar, com a devida chave de leitura, da ditadura militar vigente quando a história foi publicada pela primeira vez (em 1977).

Nos dois casos, o que se tem são autores que aproveitaram-se em maior ou menor medida de alguns tons de fantasia mas que transcenderam os limites do gênero – um expediente bastante comum na literatura, é só olhar a produção de Ignácio de Loyola Brandão ou Rubem Fonseca, no Brasil, ou as maravilhas que Borges produzia com a estrutura de histórias de espionagem ou de fábulas orientais.

O livro, contudo, também apresenta nomes seminais da ficção científica em língua portuguesa, cultores do gênero hoje lembrados apenas por um restrito número de apreciadores, ainda que suas obras com motivos fantásticos ou científicos sejam contos de fina qualidade. É o caso de Jerônymo Monteiro (1908 – 1970), pioneiro da literatura de gênero no país; Monteiro está no livro com Um Braço na Quarta Dimensão, uma história que casa perfeitamente o tom fantástico característico de um conto de ficção científica com a chamada “cor local” da realidade brasileira (menos presente do que seria de se esperar na coletânea). Na cidade litorânea de Monguagá, o narrador conhece um pescador rude que detém, por circunstâncias inexplicáveis, o dom – ou a maldição – de se teletransportar em momentos de extremo perigo, embora não controle a habilidade.

A leitura do livro permite também perceber a evolução dos temas que inquietam autores de gênero ao longo do tempo – e poucos gêneros são tão umbilicalmente ligados ao tempo em que foram produzidos. Outro dos grandes da literatura fantástica nacional, André Carneiro está no livro com O Homem que Hipnotizava, um conto de 1963 que, com o pretexto do hipnotismo, aborda na verdade a crescente angústia existencial que levaria à apatia e ao escapismo contemporâneo: um homem aprende a hipnotizar a si próprio e passa a enxergar o mundo em tons ideais. Logo torna-se um dependente da sugestão hipnótica para poder enfrentar a feia realidade que o cerca. Já Domingos Carvalho da Silva (1915 – 2003) investe no recorrente tema do futuro distópico e autoritário com A Sociedade Secreta, no qual um grupo de velhos, vivendo em uma comunidade impessoal, rigidamente controlada e com padrões doentios de moral e assepsia, são os únicos a lembrar dos sujos e livres dias anteriores à tirania científica.

São dois contos nos quais a ficção científica estrita está a serviço de um comentário abrangente que extrapola os limites de gênero e ganha a grande literatura. Talvez o melhor exemplo dessa operação reunido na coletânea esteja na pérola de narrativa curta Mestres-de-Armas, uma crítica ferina ao militarismo que narra a formação de uma unidade de soldados responsáveis por sustentar a contínua expansão da humanidade no futuro. O autor, Bráulio Tavares, é um dos grandes nomes da ficção científica em atividade no Brasil.

Sim. O Brasil tem grandes nomes de ficção científica em atividade. O que talvez eles precisem seja de leitores.
>> ZERO HORA – por Carlos André


“CONTRALUZ”: O REGRESSO DE FERNANDO FRAGATA COM UM FILME DE FICÇÃO CIENTÍFICA

sábado | 3 | abril | 2010

As primeiras imagens e o cartaz do novo filme de Fernando Fragata, totalmente rodado nos Estados Unidos, estão a gerar muita expectativa. “Contraluz” é anunciado como a primeira obra de ficção científica realizada por um português.  

Joaquim de Almeida encabeça o elenco internacional de que fazem também parte Evelina Pereira, Ana Cristina Oliveira, Scott Bailey e a actriz Skyler Day.

A música é de Nuno Maló, compositor português radicado nos Estados Unidos e que já tinha assinado a banda sonora de “Amália”, o filme de Carlos Coelho da Silva.  

O primeiro trailer inclui um depoimento do actor António Feio que fala sobre a mensagem de “Contraluz”. 

O filme de Fernando Fragata ainda não tem data definida para estrear em Portugal.
>> RTP CINEMAX – por Diamantino José


MONSTROS, AS VEDETES DO NOSSO TEMPO

sábado | 3 | abril | 2010

Bang’, a única revista portuguesa dedicada ao género literário
do fantástico, chega ao formato de papel.

Monstros, as vedetas do nosso tempo

O universo fantástico povoado de criaturas sombrias – como os vampiros, os monstros ou os mortos-vivos – que, no final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX, foi explorado por escritores como Edgar Alan Poe, Bram Stoker ou H. P Lovecraft, ressurge em força cem anos depois. Os nossos dias voltaram a ser povoados de seres irreais.

Em Portugal, a revista Bang , publicada online desde 2006, chega agora ao formato de papel “para divulgar o fantástico, encontrar novos escritores e pensadores sobre este género que, em Portugal, nunca teve grande tradição”, explica Luís Corte-Real, director da revista e da editora Saída de Emergência.

O milénio iniciou-se com o fenómeno Harry Potter, prosseguiu com O Senhor dos Anéis e a primeira década termina com a saga vampiresca de Stephenie Mayer.

Porque é que estamos de novo enfeitiçados pela literatura fantástica? David Soares, autor de romances e bandas desenhadas de terror e fantástico, considera que este fenómeno “está ligado à época de incerteza em que vivemos, onde o futuro perfeito proclamado pela ciência já não é credível e as pessoas refugiam-se no universo de sonho presente nestas histórias”.

A revista Bang, lançada oficialmente esta semana, tem uma taxa de downloads na ordem dos 30 mil, conta Corte-Real. “Foi isso que nos deu a percepção de que há muita gente que procura este género que tem sido mal tratado em Portugal e merece que lhe seja dada mais visibilidade.”

Já João Manuel Barreiros, também ele autor de livros de fantástico e ficção-científica, chama a atenção para ” a má literatura” que está a ser publicada como pertencendo ao fantástico e que “está a desvirtualizar o género”.

Tanto o editor da revista como David Soares concordam com esta ideia. “Os monstros são criaturas transgressoras e, nesta literatura comercial, pensada para adolescentes, passam a ser conservadoras, sexualmente reprimidas”, declara Barreiros.

Apesar de procurar divulgar “boa literatura fantástica”, o editor da Bang reconhece que “tem que alargar o espectro da revista a ficções que cativem também o público jovem que está a crescer com o Harry Potter e o Crepúsculo”. O objectivo da revista é também “transportar leitores dos livros mais comerciais para as obras primas do género”, assume ainda Corte-real.

No mundo editorial, o género, lido especialmente por mulheres, continua imparável. O editor da Gailivro, Pedro Reizinho, assume que “o género é o que mais alimenta o mercado” e a editora tem um conjunto de romances prestes sair, bem como uma série de quatro livros sobre zombies, entre outras obras.
>> DIÁRIO DE NOTÍCIAS – por Joana Emídio Marques


Os pioneiros do género fantástico

Há um século escreveram-se aquelas que são geralmente consideradas as obras-primas do terror e e do fantástico.

No século XIX, quando a tecnologia acelerava, com a chegada da fotografia, do cinema, com o crescimento das cidades, a literatura fantástica conheceu o seu primeiro boom. Desde pequenas publicações de cordel com histórias de fantasmas e crimes, inspiradas em mitos urbanos, como o Sweeny Todd (adaptado ao cinema por Tim Burton) até romances e poesia que explorava um universo habitado por figuras monstruosas.

O americano Edgar Alan Poe (1809-1849) foi um dos autores que mais contribuiram para a definição deste universo, em obras como O Corvo, ou Annabel Lee, em contos O Poço e o Pêndulo eO mistério de Marie Roger.

H.P.Lovecraft, menos conhecido mas um verdadeiro autor de culto para os amantes do género. A sua obra não é vasta, mas entre ela contam-se clássicos como Nas Montanhas da Loucura ou O Estranho Caso de Charles Dexter Ward .

Mas é ao irlandês Bram Stoker que pertence o vampiro mais famoso da história da literatura e do cinema, Drácula, o conde que aterrorizou a floresta da Transilvânia.

João Manuel Barreiros chama a atenção para autores mais recentes como Stephen King, Peter Straub ou Dan Simmons, cujas obras ” são para adultos e não para adolescentes ou adultos que pensam como adolescentes”.

No nosso tempo, os monstros voltam a ser vedetas “porque a eles tudo lhes é permitido”, diz o escritor David Soares.

REVISTA BANG! nº7

  • Alfred Tennyson
  • António de Macedo
  • David Soares
  • Gerson Lodi-Ribeiro
  • João Barreiros
  • Octávio dos Santos
  • Renato Carreira
  • Richard Matheson
  • Vasco Curado
  •  
     

    A revista portuguesa de literatura e fantástico
    está de volta

    A Revista Bang! está de volta ao formato papel. Com uma tiragem limitada a 150 exemplares, é a oportunidade dos verdadeiros fãs de fantástico conhecerem o melhor que se escreve no género e sobre o género em Portugal. Caprichámos no design e no papel. Esperamos que gostem!

     [ficção]
    Na Guerra com Bruxas – Richard Matheson
    Horda Primitiva – Vasco Curado
    A Melhor Diversão da Cidade - Gerson Lodi-Ribeiro
    A Preocupação Fundamental – Valéria Rizzi
    O Kraken – Alfred Tenyson
    O Indiscritível Sr. Salcedo – Renato Carreira

    [não ficção]
    O Druída de Somersby – Octávio dos Santos
    A Companhia dos Cegos - David Soares
    H. P. Lovecraft, Um Ícone da Cultura Ocidental Contemporânea - José Carlos Gil
    Livros Míticos ou a Biblioteca (Quase) Invisível – António de Macedo
    Luzes, Câmara… Bang! – Nuno Fonseca
    De A a BD – Ricardo Venâncio
    Os Livros das Minhas Vidas – João Barreiros


    “BLADE RUNNER”: FÉ CEGA, FACA AMOLADA

    sábado | 3 | abril | 2010

    Octavio

    Revendo o clássico Blade Runner, fui assolado por alguns questionamentos antigos. Afinal, por que o caçador de andróides Rick Deckard, vivido por Harrison Ford, tinha a alcunha de “Blade Runner”? Que lâmina seria essa sobre a qual ele correria? Ocorreu-me pela primeira vez que o título do filme não fazia referência ao fato do herói ser um destemido sempre ameaçado por perigos diversos (essa descrição cai bem para outro herói vivido por Ford, o arqueólogo Indiana Jones), mas às decisões espinhosas que ele, caçador, teria de tomar a cada passo da história. Ao contrário de outros heróis cheios de certezas, Rick Deckard só tem dúvidas. Não sabe se aceita o caso, se seduz Rachel, se confia nos colegas do departamento de polícia, se invade o camarim da andróide stripper e, finalmente, se mata Roy. Sua única certeza, nas últimas cenas, é que deve ser fiel ao que acredita ser o certo. No final, o que importa para Deckard são os princípios, e isso me fez recordar alguns eventos.

    Uma vez, quando era sócio de um escritório de design no Rio, recusei participar de um projeto para certa fábrica de cigarros. Minha sócia respondeu que “se não fizéssemos, alguém faria”, afirmando que o distanciamento de tais questões moralistas era indispensável para o profissional de design. Eu não tinha resposta para isso na época. Era verdade, alguém aceitaria o trabalho, mas tratava-se de uma questão pessoal, não gosto de cigarros e não via (e ainda não vejo) motivo para trabalhar em função de algo que me provoca enjôo. Eu “sentia” que aquilo não estava certo, mas arquivei o assunto.

    Hoje os motivos que me levaram a tomar aquela atitude estão mais claros. Acredito que cada produção nossa, por menor que seja, tem certo efeito no mundo. Há algum tempo, acompanhei uma reportagem investigativa que denunciava o processo de contrabando de armas no Brasil. O jornalista comprou uma minimetralhadora israelense e, depois de quinze dias, recebeu uma maleta belíssima, com a marca impressa em alto relêvo. Não era um saco plástico anônimo ou um caixote qualquer, o artefato bélico vinha embalado com requinte. Ora, alguém criou aquele logotipo. Alguém projetou a maleta. E qual o nome do profissional especializado em trabalhos desse tipo? Designer.

    Em Blade Runner, o projetista de olhos é o principal fornecedor do faustiano dr. Tyrrell, que ousou criar andróides mais perfeitos que o homem. São esses olhos poderosos, muito mais acurados que os humanos, os responsáveis pelo modo como os replicantes vêem o universo, e por isso mudam suas percepções a respeito de si mesmos, dando-lhes consciência e, como efeito colateral, um enorme desdém pela fragilidade dos homens. Uma metáfora perfeita para o poder transformador do design e sobre a responsabilidade do designer.

    Mas por que alguém aceitaria desenvolver um projeto que, quando pronto, mataria pessoas? Talvez porque se hipnotiza ao som do mantra “se eu não fizer, outro fará”. Projetar logotipos e embalagens para armas não é uma prática ilegal, mas não isso não significa que deva ser realizado. Afinal, uma das funções das identidades visuais é tornar o produto agradável ao público-alvo e conquistar consumidores. Se o artefato em questão é uma geladeira, um televisor ou um automóvel, não vejo problema algum, mas por que uma metralhadora precisaria de logotipo? E o que dizer das “cluster bombs”, minas terrestres de fragmentação parecidas com brinquedos e que mataram e feriram crianças no Oriente Médio? Jamais o binômio forma-função, lema dos desenhistas industriais, foi tão subvertido.

    Não se desenha impunemente. Qualquer um que empunhe o lápis transforma o ambiente e, apesar de clichê, é verdade que aquele com quem você se associa fala a respeito de seu caráter e de suas crenças. Pensando bem, é quase uma questão de fé, tanto para o franco atirador cético que pega qualquer trabalho, quanto para aquele que escolhe seus projetos baseado em questões éticas. muitas vezes particulares, e se reserva o direito de dizer não. O primeiro opta por não julgar por onde corre o grafite porque acredita que, como os replicantes de Blade Runner, é imune às ameaças externas e não se infecta ao passear por papéis de origens questionáveis. Já o segundo, desconfiado como o personagem de Harrison Ford no início do filme, receia compartilhar qualquer coisa com pessoa física ou jurídica sem se assegurar da saúde moral do parceiro, pois não deseja ser absorvido ou conspurcado por uma eventual inumanidade do outro. Qualquer das posturas incorre potencialmente em perigos ou injustiças, é como correr sobre o fio de uma faca.
    >> ACHEI USA – por Octavio Aragão


    “TRON”: SEQUÊNCIA GANHA TRAILER OFICIAL

    sexta-feira | 2 | abril | 2010

    ‘Tron legacy’ revive ficção científica cult dos anos 80.
    Novo filme tem Jeff Bridges no mesmo papel após 25 anos.

     

    “Tron legay”, a sequência 3D do clássico da ficção científica dos anos 80, já tem trailer disponível na internet. Para ver a prévia do filme, que estreia em dezembro deste ano nos EUA, o fã tinha que participar de uma campanha on-line, iniciada no final de fevereiro. Após as primeiras visualizações, o trailer foi disponibilizado para o público: veja abaixo.

    A história de “Tron legacy” gira em torno de Sam Flynn (Garrett Hedlund), um viciado em tecnologia que investiga o desaparecimento do pai Kevin (Jeff Bridges). Ele acaba descobrindo e entrando no mesmo mundo virtual em que o pai está preso há 25 anos, e a dupla vai ter que passar por uma série de desafios para conseguir escapar dessa armadilha. 

    Dirigido pelo estreante Joseph Kosinski, o longa ainda tem Olivia Wilde (“House”) no elenco e conta com trilha sonora exclusiva composta pela dupla francesa de música eletrônica Daft Punk. 

    Lançado em 1982, “Tron – uma odisséia eletrônica” é considerado um clássico da ficção científica, pois foi o primeiro filme a usar recursos de computação gráfica. Na trama dirigida por Steven Lisberger, Jeff Brigdes interpreta um executivo que invade o computador do chefe para provar que foi trapaceado. Ele acaba sendo “absorvido” pelo cyberespaço onde enfrenta uma guerra virtual.
    >> G1, de São Paulo


    5° CINEFANTASY – FESTIVAL CURTA FANTÁSTICO ABRE INSCRIÇÕES

    sexta-feira | 2 | abril | 2010

    Evento internacional, o Festival é destinado ao
    cinema fantástico: ficção científica, horror e fantasia.

    Estão abertas as inscrições para a quinta edição do Cinefantasy – Festival Curta Fantástico. O evento acontece anualmente na capital paulista e traz em sua programação mostras competitivas internacionais para curtas e longas-metragens, além de mostra paralela onde são exibidas retrospectivas, sessões temáticas, tributos, premières, encontros entre fãs, bate-papos com convidados brasileiros e estrangeiros, palestras, workshops e oficinas. As inscrições podem ser feitas no site www.cinefantasy.com.br.

    Em 2009. o Cinefantasy exibiu mais de 160 filmes em três espaços da cidade, Cine Olido, CCBB e Biblioteca Viriato Corrêa. Entre os títulos do programa estavam Shadow, do diretor e músico italiano Federico Zampaglione, o horror tailandês The Forbidden Door, ganhador de melhor filme no festival Puchon, e a premiada ficção científica francesa 8th Wonderland. Como convidados o festival trouxe nomes de peso como o mestre do terror brasileiro, Ivan Cardoso, e o diretor britânico Marc Price, responsável pelo filme Colin, que custou 74 dólares e fez burburinho em Cannes e Fantasporto.

    A mostra competitiva, até então apenas para curtas-metragens, cresceu ainda mais em 2009. Foram quase 200 inscrições que vieram de todo o mundo e as oito sessões de uma hora cada, previstas para a programação, tiveram que ser aumentadas para dez sessões com 1h30 cada. Com isso, foi possível acomodar os 80 filmes que lutaram para conquistar os 12 troféus “Corpo Seco de Ouro”.

    A quarta edição do Cinefantasy também teve sessões temáticas e curiosas que fizeram o público lotar as salas como o caso da Dark Little Tales, sessão com uma seleção de curtas-metragens com temática gótica, ou a programação de um dia todo no Cine Olido dedicada ao mais extremo do horror, o Day Gore e a primeira edição do Desafio Mestre dos Gritos, sessão onde o público elegeu, através de gritos, o minicurta mais assustador da sessão.

    Com cinco edições, O Cinefantasy já conquistou seu espaço como um dos eventos mais importantes do calendário do universo fantástico da América Latina, abrigando fãs e produtores do gênero, além de possuir reconhecimento internacional.

    O Cinefantasy é membro do Fantafestivales – Aliança Latino-Americana dos Festivais Fantásticos – e  parceiro da Federação Européia Meliés.

    Em 2010, o Festival acontece de 31 de agosto a 12 de setembro no Centro Cultural São Paulo, Biblioteca Viriato Corrêa e outros espaços que ainda estão em negociação. A quinta edição contará com a mostra paralela, atividades de formação,as mostras competitivas de curtas e a de longas-metragens, esta última a novidade desse ano.

    As competitivas oferecem as seguintes premiações:

    Curta-metragem
    a) Melhor curta de Horror
    b) Melhor curta de Ficção-científica
    c) Melhor curta de Fantasia
    d) Melhor curta de Animação
    e) Melhor curta pelo Júri Popular
    f) Prêmio Estímulo Amador
    g) Prêmio Estímulo Estudante
    h) Melhor Criatura
    i) Melhor Vítima
    j) Melhor Vilão
    k) Melhor Maquiagem
    l) Melhor Efeito
    m) Melhor Roteiro
    n) Melhor Direção
    o) Melhor Trilha Sonora

    Longa-metragem
    a) Melhor longa de Horror
    b) Melhor longa de Ficção-científica
    c) Melhor longa de Fantasia
    d) Melhor longa pelo Júri Popular
    e) Melhor Criatura
    f) Melhor Vítima
    g) Melhor Vilão
    h) Melhor Maquiagem
    i) Melhor Efeito
    j) Melhor Roteiro
    k) Melhor Direção
    l) Melhor Trilha Sonora

    Inscrições para as competitivas (curtas e longas)
    e Desafio Mestre dos Gritos: 29 de março a 11 de junho

    Período do 5° Cinefantasy: 31 de agosto a 12 de setembro

    Para maiores informações, ficha de inscrição e regulamento acesse o site www.cinefantasy.com.br

    O cartaz desta edição é criação do artista plástico, blogueiro e cinéfilo Leopoldo Tauffenbach, assim, o Festival veio afirmar seu orgulho de carregar o sangue e a cultura brasileira, mesmo sendo um evento internacional.


    “AURA DE ASÍRIS – A BATALHA DE KAYABASHI”, DE RAFAEL LIMA

    sexta-feira | 2 | abril | 2010

    O livro Aura de Asíris – A Batalha Kayabashi, um épico tecnofantasy escrito pelo publicitário carioca Rafael Lima e com referências como Star Wars, Final Fantasy e Dragon Ball Z, já está disponível nas melhores lojas físicas e virtuais do país.

    Duas raças. Um só mundo e destino. A aventura começa.

    Há séculos, banshees e furous guerreiam ao norte de Asíris, mundo governado por uma avançada tecnologia e permeado por uma energia chamada Aura. Apesar dos banshees terem vencido a maior parte das batalhas, algo está para mudar.

    Uma antiga lenda, que prevê o nivelamento de forças entre as duas raças e, consequentemente, o fim desta que é conhecida como a Grande Guerra, aparenta ser verdadeira quando os furous inexplicavelmente se tornam mais poderosos e capazes de derrotar seus inimigos pela primeira vez na história.

    A partir daí, uma batalha sem precedentes eclode em uma região conhecida como Deserto de Kayabashi. Neste cenário de tensão e expectativa surge Yin Ashvick, um menino de doze anos que pode ser a única esperança de todos. Ele terá que enfrentar uma longa e perigosa jornada, a qual colocará a prova sua coragem, altruísmo e determinação.

    Para isso, terá a ajuda de seu mestre, Hanai Ashvick, o general do exército banshee, Irwind Heatbolth e outros personagens bastante carismáticos. Cada um terá que encarar seus piores temores para descobrir a verdade por trás da onda de terror que assola sua terra e pôr fim na grande ameaça que se aproxima.

    Para comprar Aura de Asíris – A Batalha de Kayabashi acesse
    www.auradeasiris.com/comprar.html
    Todas as informações sobre a obra também no site.


    “SHOGUN WARRIORS” RUMO AOS CINEMAS

    quarta-feira | 31 | março | 2010

    A linha de brinquedos japonesa Shogun Warriors ganhará um longa-metragem norte-americano.

    A franquia foi licenciada no ocidente pela Mattel, nas décadas de 1970 e 1980, quando chegou a gerar uma HQ pela Marvel Comics, além de na mesma época ter virado anime pelas mãos da Toei Animation. Os personagens são robôs gigantes “pilotados” por seres humanos.

    Jules Urbach, fundador da Lightstage, produzirá o filme, com direção do veterano dos efeitos especiais Matthew Gratzner. Os créditos de Gratzner incluem filmes como Homem de Ferro, Superman – O Retorno e Hancock.

    O filme tem apoio da Toei Studios. Paralelamente ao anúncio do filme, o quadrinista Alex Ross anunciou que está produzindo capas para uma nova HQ da franquia que será publicada pela Dynamite Entertainment. Mais detalhes sobre o filme serão revelados na San Diego Comic Con, que acontece apenas em julho
    >> HQ MANIACS – por Émerson Vasconcelos


    1º ENCONTRO DE ESCRITORES

    quarta-feira | 31 | março | 2010


    ENTREVISTA COM CHINA MIÉVILLE

    terça-feira | 30 | março | 2010

    Seu primeiro romance, KING RAT, era uma aterrorizante história de fadas. Em PERDIDO STREET STATION, Miéville criou ‘New Crobuzon’, uma metrópole corrupta habitada por insetos humanóides, cactos andantes, grotescos ‘Renascidos’ pela bioengenharia, e máquinas conscientes e ‘vivas’, assim como um monte de tipos comuns, assediadas por criaturas que sugam espíritos, saídas de um experimento fracassado. A fantasia de Miéville é permeada por um realismo que rejeita finais felizes. 
    Parabéns pelo Prêmio Arthur C.Clarke por ‘Perdido Street Station’. Não parece irônico ou incongruente que um romance de fantasia baseado em um cenário ‘steampunk’ tenha recebido um prêmio tão importante, que recebe o nome de um escritor de Ficção Científica Hard, de satélites e naves espaciais, em que a sensibilidade para a prosa não é, digamos, sublime.

    Obrigado – ainda estou um pouco estupefato. Existe uma ironia sim, mas não é tão incomum este prêmio ir para alguém que faz uma FC tão pouco ‘Clarkeniana’. O próprio Clarke é um sujeito muito generoso a respeito do que se trata o prêmio, e a quem deve ser dado.

    Além de estar pessoalmente extasiado, me sinto contente, porque eu sempre senti que era impossível separar a Ficção Científica da Fantasia – certamente eu devo ter conscientemente estado em um e em outro, e eu esperava que o prêmio indo para um romance não tão de FC, deveria encorajar uma abertura conceitual da tradição. Sempre gostei de dizer que escrevo uma ‘ficção esquisita’, porque me sinto na interseção da Ficção Científica, Fantasia e até do horror, o que claramente, torna as fronteiras nebulosas. Quer dizer, é fácil dizer que Larry Niven é FC e Tolkien é fantasia, mas e David Lindsay? Lovecraft? Clark Ashton Smith?

    A ‘ciência’ que aparece em seus romances, dependem de mecanismos da era-vitoriana. A teoria da grande crise soa igual à especulação quântica e a inteligência artificial sempre foi uma obsessão da FC. Tem sempre um cientista maluco e que é responsável por forças desastrosas, resultado direto de sua arrogância e da irracional manipulação cientifica, sem ligar para as conseqüências. O que da FC de antigamente se tornou um fato hoje, como a biotecnologia e as máquinas pensantes que aparecem em seu trabalho?
    Em geral não penso que se possa ver a FC como profecia cientifica, sociológica ou outra coisa desse tipo. Não acho que FC trate disso. É obvio que muitos cientistas se inspiraram em historias de FC que leram quando jovens e não posso dizer que não seja uma influência.

    Sou totalmente pró-ciência. Acho muito interessante. Tento evitar a tradicional tropa de escritores ‘metidos a cientistas’. Não é a atividade cientifica por si só que nos causa problemas, como o doutor Frankenstein. Mary Shelley, refutava em ter a responsabilidade dos frutos de sua pesquisa – em meus livros, é algo mais como uma má sorte danada!

    O problema não é a ciência, mas onde ela nos leva. Biotecnologia é um bom exemplo. Não tenho nenhum problema, em termos abstratos com a modificação genética dos alimentos. Porém, acho problemático quando ela caminha para beneficiar os exploradores.

    Além disso, muita coisa é lançada no mercado sem os devidos testes – sem termos uma ideia real dos efeitos a longo prazo. Além disso, algumas pesquisas são socialmente inadequadas e inúteis, como fazer plantas que só respondam a um único tipo de fertilizante.

    Muita coisa vai surgir nos próximos anos e isso é excitante. Particularmente estas coisas mais grotescas são as que mais falam à minha natureza macabra. Ratos com genes de águas-vivas e que brilham verdes, é demais!

    Eu fico tentado em traçar um paralelo do seu nome ‘Miéville’ com ‘Melville’. O protagonista de ‘Perdido’ se chama Isaac, que na bíblia é filho de Abraão e irmão de Ismael, o herói em ‘Moby Dick’, de Melville. Ambos os livros falam sobre um maníaco se vingando de uma besta diabólica, e durante isto, surgem detalhes horrorosos sobre o ser humano cheio de dúvidas sobre a intenção divina. Você, como um inglês, tirou alguma inspiração do grande clássico americano? E qual a significância que você deu ao nome Isaac Dan der Grimnebulin?
    Certamente que ‘Moby Dick’ é uma inspiração. Deve fazer parte da maioria do que escrevi, de uma maneira ou de outra, desde que eu li este livro dez anos atrás. É um livro absurdo! Eu não pretendi construir nenhum paralelo com ele, conscientemente, mas não quer dizer que não esteja lá! Não acho que devemos nos ater na intenção do autor sendo a única fonte de temas em um livro. Muitos escritores aprendem muito sobre seus trabalhos a partir de resenhas inteligentes.

    Eu escolhi o nome Isaac por que eu queria que soasse familiar, mais sonoro do que a maioria dos personagens de um monte de épicos de fantasia. Mas eu queria algo sugestivo, quase como uma paródia de alguns nomes nos livros de Dickens ou em Mervyn Peake.

    Tomas Disch em seu “The dreams our stuff is made of”’, declara que Edgar Allan Poe foi o avô do gênero cientifico em parte por seu estilo pouco refinado para a época. Ele não pretende provocar risos, nem mesmo um sorriso. Ele busca aquela sensação de ‘Isto não pode estar acontecendo’! Existe um pouco disso nos seus trabalhos, de forma planejada. Em um artista menor, o uso deste estilo seria meramente um truque barato. O que você pretende?
    Particularmente acho que existe uma reação contrária ao popular, a fantasia pós-Tolkien. Sei que é uma generalização, mas a coisa me parece muito dirigida para um tipo ‘limpinho’ de vida feudal, sem sujeira, sem sangue, fezes ou urina. A literatura de fantasia não devia tentar expulsar aquilo que é real, mesmo sendo sujo ou feio.

    P: Os críticos sempre lamentam que a maior parte da literatura de Fantasia está ligada aos milhares de épicos sem fim, de personagens medievais mágicos batalhando contra as forças do mal. Em ‘Perdido’ não se encontra nenhum elfo, bruxo ou uma espada mágica. Foi consciente a sua intenção de construir um mundo distinto dos clichês do gênero ou você apenas seguiu sua própria inspiração?
    Ambos. Meu gosto para ficção sempre pende para o macabro, o surreal, onírico, e nunca eu me senti bem dentro do universo de Tolkien, ou da maioria dos escritores após Tolkien. E sim, foi uma coisa deliberada minha tentar subverter algumas das características assumidas pelo gênero de fantasia, precisamente por que eu amo este tipo de trabalho subversivo.

    Eu não uso de estereótipos, que na fantasia definem os personagens por sua raça; anões são brigões e pouco inteligentes, elfos são espertos. trolls são malvados. tentei brincar com as idéias desta essência racial em ‘Perdido’ – no meu mundo, os personagens são retratados como as pessoas são no mundo real, mas não de um modo muito apurado. Isto é racismo. Quanta fantasia escrita hoje não abusa destes estereótipos raciais em mundos imaginários?

    Outra coisa que eu quis fazer foi um livro de fantasia que não era baseado em uma terra-do-nunca feudal, mas com relações sociais comuns a indústria e ao capitalismo. E isso é uma resposta aos clichês habituais do gênero.

    Um dos problemas do gênero mais tradicional, é que se tornou por demais confortável. É preciso retirar o leitor de certas convenções.

    Tolkien falava sobre ‘ficção consoladora’, uma ideia que eu realmente detesto! Acho que a estética do fantástico é boa para subverter expectativas, levando o mundo para o caminho errado, problematizando, alienando o leitor. Olhe para o surrealismo, certamente o que existe de mais fantástico nas artes. Praticar este tipo de fantasia ‘consoladora’ é trair isso – não é nem de perto fantasia de verdade.

    Gabriel Chouinard descreveu seu trabalho como sendo a Next Wave (Próxima Onda) da Fantasia – brincando com a New Wave (Nova Onda) da Ficção Científica nos anos 60, que se distinguia do formato literário da FC anterior – trazendo autores como você, M. John Harrison, Matthew Stover, Jeff VanderMeer, Mary Gentle entre outros, e é lógico, Michael Moorcock, que tem os pés plantados nos dois movimentos. Mas será justo dizer que existe algum tipo de movimento de verdade? Vocês trocam correspondência, desenvolvendo algum manifesto anti-Tolkien? Ou será que é apenas outro rótulo inventado que colocaram em você, e no qual você nunca pensou a respeito?
    É, alguns de nós certamente trocam correios, discutindo ideias e falando sobre a fantasia tradicional. mas não existe um movimento formal. Quantos movimentos literários formais existem? Com algumas exceções (surrealismo e talvez outros) a maioria destes movimentos são rótulos apenas. Isto não significa que seja uma perda de tempo se falar sobre movimentos.Eles existem apesar de não serem especificamente um projeto em comum. O ponto não é onde nós todos concordamos com algo, mas que exista um grupo de escritores cujo trabalho se nutre de certos aspectos estéticos interessantes (mesmo que na prática o resultado final os diferencie).

    Eu nunca alteraria algo que eu escrevi depois de pensar no meu lugar como membro de um grupo, e eu imagino que ninguém o faça também, mas o ponto principal é que a temática que nos conecta seja traçada entre autores que estão escrevendo aquilo que desejam.Sem ter uma ligação formal.

    Por exemplo, eu li ‘Iron Dragon’ de Michael Swanwick depois de ter escrito ‘Perdido Street Station’ e é um livro fabuloso, e em alguns de seus temas, há uma conexão com o que eu escrevo.Seria totalmente razoável, depois de ler os dois, que alguém imaginasse que fui influenciado pelo livro de Michael. Não é bastante que eu diga que não o havia lido antes de escrever ‘Perdido’ e que portanto não há nenhuma ligação. O legal é que tem muita coisa acontecendo no mundo, e no mundo da literatura fantástica, e que faz dois autores escreverem de modo similares.

    Você está estudando para seu PHD pela London School of Economics. Primeiro, como um estudante de graduação arranja tempo para escrever romances? E uma vez que receba o titulo, você pretende trabalhar na área econômica? Ou será que isso é apenas um capricho intelectual?
    Meu PHD não é em economia, a LSE é uma universidade de ciências sociais. Eu lido com filosofia das leis internacionais. Mas o tempo é um problema. Tudo que posso dizer é que procuro dividir meu tempo rigidamente. Escrevo bastante nas horas de folga, consigo ser muito auto-disciplinado. Devo concluir meu estudo em Setembro, e espero que depois fique mais confortável.

    Espero poder escrever FC em tempo integral, como uma forma de vida. mas vou continuar trabalhando na academia onde trabalho no corpo editorial do jornal da academia, espero assim continuar publicando ensaios não-ficção e livros, conforme eu encontre tempo.

    Você parece gostar das cidades, lugares perigosos repletos de segregação racial, etc. Tem algo nelas que te atraem?
    Vivo em Londres e ela é uma grande influência no que eu escrevo. Amo arranha-céus, por que sou cínico o bastante para reconhecer o poder da dinâmica que rola nas cidades, mas não significa que eu não as ame. Londres, Nova Iorque, Cairo, são fontes de inspiração e são fascinantes. Tudo nelas é intenso, a pressão nas relações sociais, a criatividade, a arquitetura, tudo é mais excitante nas cidades, da política as artes, no ambiente físico. Sou um escritor urbano, na tradição de escritores urbanos londrinos como Thomas de Quincey, Neil Gaiman, Michael Moorcock, Iain Sinclair e outros.
    >> CAPACITOR FANTÁSTICO – por Trechos de entrevista concedida a David Soyka


    “SELVA BRASIL”, DE ROBERTO DE SOUSA CAUSO

    terça-feira | 30 | março | 2010


    “Selva Brasil” (Draco, 112 págs., R$ 26,90) é uma história alternativa que imagina como seria o Brasil vinte anos depois da invasão militar brasileira das Guianas, na Fronteira Norte, segundo os planos megalomaníacos do Presidente Jânio Quadros. Simultaneamente, a Argentina invadiu as Ilhas Malvinas, no Atlântico Sul.

    Contudo, uma coalizão formada pelos países atingidos pela ação militar brasileira – Inglaterra, França e Holanda – e os Estados Unidos contra‑atacaram e empurraram os soldados brasileiros de volta, ficando com um bom pedaço da Amazônia Brasileira.

    Desde então instalou-se um conflito permanente na região, com o Brasil e aliados latino-americanos lutando para retomar o território perdido e manter sob controle uma guerrilha patrocinada por aqueles países do Primeiro Mundo. É um Brasil completamente diferente do nosso, contido política e economicamente por esse conflito perpétuo, e com gerações de jovens brasileiros comprometidas com o conflito.

    Amparada por uma pesquisa cuidadosa, Selva Brasil acompanha um grupo de soldados que – ao seguir para um ponto anônimo do Amapá, na fronteira com a Guiana Francesa, onde devem substituir uma outra unidade do Exército Brasileiro – se depara com desertores e com um plano secreto para romper as regras de engajamento que limitam o conflito na região.

    Ao mesmo tempo, esses homens são confrontados com um estranho experimento militar que, indo além dos parâmetros do seu projeto, pode ter aberto um portal entre essa realidade paralela e a nossa.

    Roberto de Sousa Causo
    formado em Letras pela USP, é autor dos livros de contos A Dança das Sombras (1999) e A Sombra dos Homens (2004), dos romances A Corrida do Rinoceronte (2006) e Anjo de Dor (2009) e do estudo Ficção Científica, Fantasia e Horror no Brasil (2003). Seus contos apareceram em revistas e livros de dez países. Foi um dos classificados do Prêmio Jerônimo Monteiro e no III Festival Universitário de Literatura (com Terra Verde 2001); e ganhador do Projeto Nascente 11 de Melhor Texto, com O Par: Uma Novela Amazônica (2008).


    PTEROSSAUROS E ESPAÇONAVES

    segunda-feira | 29 | março | 2010

    Está fazendo 35 anos que o primeiro exemplar de uma revista de histórias em quadrinhos que iria revolucionar a maneira de se fazer e ler HQs chegava às mãos dos franceses. Era a revista Métal Hurlant, que em seu número inaugural apresentava apenas quatro autores: os franceses Moebius, Philippe Druillet e Jean-Claude Gal e o norte-americano Richard Corben.

    Dentre os autores, um deles se destacava com várias histórias: Moebius, o alter ego delirante do comportado Jean Giraud, então conhecido como o desenhista da série de western Blueberry. E dentre as histórias de Moebius uma atraia mais atenção: Arzach.

    Esse personagem mudo que frequentou apenas os cinco primeiros números da Métal Hurlant, foi o principal responsável por abrir para as portas do fantástico, da ficção-científica e do impossível para gerações de desenhistas e leitores.

    Com um humor negro incomparável, onde o sexo e a violência se infiltravam, e com um desenho cuidadosamente elaborado, com cores surpreendentes, as poucas páginas de cada uma das HQs hipnotizavam o leitor e apresentavam um mundo impiedoso e maravilhoso ao mesmo tempo.

    Trinta e cinco anos depois uma nova aventura de Arzak acaba de nascer: Destination Tassili (Destino: Tassili). Mantendo a tradição das antigas histórias, o nome do personagem muda a cada nova HQ: Harzack, Arzach, Harzac, Arzak, Harzak, Arrzak e outras variações.

    A edição oficial e colorida de Arzak Destination Tassili ainda não está disponível, apenas uma edição para colecionadores – da Moebius Production, a editora do autor -, em preto e branco, e com uma solução curiosa para apresentar os textos e diálogos: na página ímpar, só as páginas da HQ, sem balões e quadros de texto, e na página par, texto e diálogos, em formato de roteiro.

    Arzak é um caçador, policial, agrimensor (como é chamado neste livro), mago, que percorre estranhos e selvagens mundos, montado em um pterodelfo: uma espécie de pterossauro com aparência de concreto, metade orgânico e metade máquina. A capacidade do personagem se meter em problemas é ilimitada, o que não o impede de manter sua impassibilidade.

    Como este é apenas o volume 1 da história, apenas vemos aqui a introdução da aventura, com perseguições entre naves espaciais, combates no deserto, princesas desmaterializadas, e cidades perdidas que lembram um pouco o cenário das HQs de Blueberry no oeste e sudoeste dos Estados Unidos e que sem dúvida é fonte de inspiração para os planetas surreais de Moebius.

    Mestre na construção do roteiro, Moebius termina este primeiro livro da série (que pode ter mais um ou meia dúzia de volumes) deixando um clima de suspense em vários pontos não esclarecidos. Porém, diferente de um seriado onde podemos acompanhar o desenrolar da história na semana seguinte, esta HQ de 62 páginas de desenho só terá sua continuação publicada daqui um ano. E isso se tivermos sorte de Moebius não se dedicar a outro projeto no meio do caminho.

    O autor, que vai completar 72 anos em um mês, demonstra uma vitalidade rara até em autores mais jovens, mantendo acesa como poucos sua visão inovadora, onde a qualidade e o inesperado estão sempre à espera de quem se dispuser a abrir as páginas dos livros e mergulhar nos mundos de Moebius e Arzak.
    >> TERRA MAGAZINE – por Claudio Martini


    GAMEWORLD 2010

    segunda-feira | 29 | março | 2010

    Tambor promove Feira e Troféu Gameworld,
    os maiores eventos de Videogames do Brasil

     6º TROFÉU GAMEWORLD

    31/3 – 20 horas
    Apresentação: Flávia Gasi

    O Troféu Gameworld é o mais importante evento de negócios ligado à indústria de jogos eletrônicos no país.
    Desde 2005, o Troféu Gameworld premia os melhores jogos em todas as plataformas de videogames.

    A premiação acontece sempre em uma cerimônia fechada, para empresas, desenvolvedores, varejistas, publicitários, jornalistas e acadêmicos ligados aos jogos eletrônicos.
    Em 2009, a entrega aconteceu no Teatro Imprensa, com a presença de nove executivos internacionais de empresas como Hudson, Konami e Microsoft.

    A votação para o 6º Troféu Gameworld aconteceu entre 1º de janeiro e 28 de fevereiro de 2010. A votação é aberta ao público na maior parte das categorias. Em 2010, mais de 50 mil internautas votaram.
    A entrega do 6º Troféu Gameworld acontecerá no dia 31 de março, às 20 horas, no Auditório do Shopping Frei Caneca.
    As categorias que serão premiadas são:

    JÚRI POPULAR
    Melhor Jogo de PC
    Melhor Jogo de PS3
    Melhor Jogo de Wii
    Melhor Jogo de PS2
    Melhor Jogo de DS
    Melhor Jogo de PSP
    Melhor Jogo de XBOX
    Melhor Distribuidora MMO Nacional
    Melhor Operadora de Telefonia
    Melhor Experiência de Compra
    Melhor Jogo do Ano
    Melhor Desenvolvedora e Produtora

    JÚRI ESPECIALIZADO
    Melhor Celular para Jogo
    Fabricante de Chip Gráfico
    Fabricante de Fonte de Alimentação
    Case Publisher Mobile
    Melhor Distribuidora de Jogos
    Melhor Vitrine Videogames
    Melhor Site E-commerce de Games
    Melhor Campanha Publicitária de Games

    Mais informações: www.gameworld.com.br

    GAMEWORLD 2010
    Dias 30 e 31/3, das 12h às 19h30

    A feira Gameworld 2010 é um evento dedicado ao consumidor de jogos eletrônicos.

    São esperados sete mil visitantes nos dois dias da feira, que tem entrada franca.

    A feira trará atrações para os fãs de videogames de todas as idades, com participação de vinte grande empresas do setor.

    A feira Gameworld 2010 acontece em São Paulo, no Centro de Convenções do Shopping Frei Caneca, na rua Frei Caneca, nº 569.
    É um desdobramento do Troféu Gameworld, premiação e evento de negócios que acontece desde 2005.

    Alguns destaques do evento:

    • A entrada é totalmente gratuita.

    • Pela primeira vez vem ao Brasil uma das maiores celebridades do mundo dos games, o dublador Charles Martinet, responsável pela voz do maior ícone dos games, Mario. Ele estará encontrando os fãs e autografando pôsteres exclusivos no stand da Nintendo.

    • Pela primeira vez, as três gigantes dos videogames participam de um evento brasileiro: Microsoft, Nintendo e Sony.
    As três vêm com seus principais lançamentos, incluindo jogos que ainda não chegaram ao mercado.

    • Durante toda a feira acontecerão sorteio de consoles, portáteis, jogos; e também a realização de campeonatos com prêmios e a distribuição gratuita de brindes.

    • Entre títulos muito esperados estão God of War III, Heavy Rain, Pokémon HeartGold & SoulSilver

    • Nintendo também exibirá em primeira mão seu novo console, o portátil Nintendo DSi XL

    • Warner apresentará o game oficial da Copa do Mundo, 2010 FIFA World Cup South Africa, e mais o jogo de corrida F1-2009, com direito à degustação exclusiva com simulador instalado dentro de um cockpit construído aos moldes dos veículos da competição oficial.

    • NVidia apresentará sua nova placa aceleradora para computadores dedicados a games

    • Diverbrás apresenta um Cockpit para pilotar o game do Senninha, exclusivo para Arcades

    • Fox Home Video comparece com a divulgação de seu mais recente Blockbuster, o filme Avatar, além de diversos brindes.

    • Zap Games mostrará lançamentos recentes e contará com a presença de duas Panicats em seu estande

    • Synergex terá um jogo que usa tecnologia 3D para os visitantes experimentarem: Assassin’s Creed 2, da Ubisoft

    • Rock Laser promove um campeonato de Rock Band (Playstation 3)

    • CoolerMaster revelará sua nova linha de três modelos de supercomputadores para games, a PC Gamer, e acessórios especializados

    • Yamato promoverá  campeonatos de New Super Mario (Wii), Tekken 6 (Xbox 360) e Guitar Hero 5  (Playstation 3), além de organizar os dois eventos de Cosplay da feira, uma etapa da Yamato Cosplay Cup e a Nintendo Character Cosplay

    • Gameloft, líder em games para celulares, realizará torneios dos jogos Guitar Rock Tour e DJ Mix Tour, com premiação de iPod

    • Hudson mostra os populares jogos de esportes Deca Sports e Deca Sports 2, e mais os esperados Calling e Rooms: The Main Reality

    • Saga, escola especializada em videogames, mostrará ao vivo como realizar modelagem 3D

    • Microsoft mostrará novíssimos lançamentos de Xbox 360

    • OnGame, especializada em MMOs, vai promover campeonatos

    • AMD mostra sua arquitetura EyeFinity em um computador superpoderoso, equipado com placas de vídeo ATI e rodando os jogos DiRT 2, GRID e Call of Duty: Modern Warfare 2

    Todas as empresas citadas são parceiras do Gameworld 2010, assim como a NC Games, o Centro de Convenções Frei Caneca, a Editora JBC, Neo e UOL.

    SOBRE A TAMBOR
    Com uma audiência total de mais de 3,4 milhões de fãs de entretenimento e tecnologia, a Tambor é a maior autoridade em games do Brasil.
    Promotora da Feira e Troféu Gameworld, a Tambor publica duas revistas líderes no segmento de videogames.
    A revista Entertainment & Gameworld (www.egw.com.br) é a principal revista multiplataforma do país desde seu lançamento em 2002.
    A Nintendo World (nintendoworld.uol.com.br) é a revista oficial da Nintendo no Brasil desde 1998.
    O site Heroi.uol.com.br, dedicado a games e entretenimento, é um dos maiores do segmento desde 2000.
    O site PCMag.uol.com.br, dedicado a tecnologia e informática, é um dos mais respeitados do país desde 2005.
    A Tambor também provê conteúdo de games para o site MSN Jogos e de tecnologia para o site MSN Tecnologia.
    Outros negócios na área de conteúdo da Tambor incluem a revista e site Movie (movie.uol.com.br), dedicada a cinema e home entertainment; o sites SMK! (smk2.uol.com.br, para meninas adolescentes);  o blog Bis (mtv.uol.com.br/bis/blog, sobre música);  e a produção de conteúdo de entretenimento para o portal R7 (www.r7.com).
    A Tambor também atua na área de serviços, da criação de mídia interativa e desenvolvimento de internet até a representação comercial. Entre os cases mais recentes está o desenvolvimento da nova versão do Basilico, o mais respeitado site de gastronomia do país, que é representado comercialmente pela Tambor.
    A Tambor é sediada em São Paulo e tem como Diretor Geral seu fundador, André Martins.


    “WATCHMEN”: COM QUANTOS QUADROS SE FAZ UMA OBRA-PRIMA?

    domingo | 28 | março | 2010

    Em meio a uma tempestade de informações, discussões, expectativas e opiniões geradas pela estréia do filme de Zack Snyder nos cinemas, é natural que venha à tona um questionamento primordial: Mas Watchmen é isso tudo mesmo?

    A resposta a essa pergunta pode variar de acordo com o gosto de cada um, mas independente de variadas e calorosas interpretações, a publicação tem um único, inegável e intransferível valor para o universo dos quadrinhos.

    Entre 1986 e 87, as 12 edições de Watchmen cairiam como um assombroso e impressionante cometa, destruindo paradigmas e conceitos muito bem estabelecidos em mais de 40 anos de cultura de heróis fantasiados.

    A inédita perspectiva de Alan Moore, aliada à arte de Dave Gibbons e cores de John Higgins não só se tornou um sucesso instantâneo de crítica dentro e fora do mundo dos quadrinhos, mas como também um fenômeno de vendas que colocou a DC Comics, mesmo que temporariamente, à frente da campeã Marvel Comics.

    Para entender melhor o que esse fenômeno representa, é necessário nos alinharmos com a genial mente de Alan Moore. Antes dele, ninguém nunca havia feito uma análise crítica e realista ao gênero dos super-heróis. Aliás, talvez nem houvesse razão, visto imensa suspensão de descrença necessária para se assimilar aquelas figuras coloridas de cuecas por cima das calças.

    Tal tarefa era naturalmente o ofício de crianças e adolescentes, que não precisavam (nem deveriam) questionar o âmago de suas fantasias e aventuras. No entanto, Moore conseguiu captar e traduzir uma idéia que acompanhou uma geração inteira de fãs, que mesmo depois da vida adulta, ainda tinham olhos para seus heróis mascarados.

    Segundo Moore, o objetivo era analisar a relação do ser humano com o poder. Neste âmbito, o pano de fundo escolhido foi o medo da guerra nuclear representado pelo conflito soviético no Afeganistão, algo real e contemporâneo à publicação da Graphic Novel.

    Não obstante, as similaridades com o nosso mundo cessariam por aí, pois o aspecto mais importante por traz do complexo cenário de Watchmen seria, em essência, a alma da história.

    O MANIFESTO SUPER-HOMEM

    Se abrirmos uma revista mensal do Super-Homem, o veremos lutando contra as artimanhas de Lex Luthor, monstros mágicos e invasores alienígenas. Metrópolis enfrentará hecatombes de proporções bíblicas, mas no fim do dia, tudo voltará ao normal.

    Não só isso, o mundo à sua volta e eventos históricos permanecem imaculados como conhecemos. Se subtraíssemos os super-seres e as super-ameaças, teríamos como resultado essencialmente um reflexo de nossa realidade.

    A proposta de Alan Moore era outra. Se o Super-Homem realmente existisse, não teria sua simples presença moldado inevitavelmente nossa sociedade em algo profundamente distinto do que conhecemos?

    Watchmen deu, pela primeira vez, uma interpretação política para os heróis.

    Em uma homenagem à Era de Ouro dos quadrinhos, os Minutemen surgem na mesma época, entre os anos 1930 e 40, como a primeira expressão do vigilantismo mascarado. No entanto, a análise em questão ainda não está no comportamento de super-seres, já que não existe nenhum no primeiro grupo de heróis, e sim no de pessoas comuns, que escolheram se fantasiar e combater o crime.

    Mas até mesmo a idéia de usar uma fantasia para bater em bandidos é analisada e ridicularizada na sociedade de Watchmen, como seria na nossa. Um dos membros do grupo, o Coruja, relata que quase morreu quando um bandido deslocou sua máscara, tapando sua visão. Quem não teve tanta sorte foi Dollar Bill, que teve sua capa presa em uma porta e morreu sob tiros de assaltantes de banco.

    Detalhes bizarros muito bem construídos por Alan Moore, que se refere a tudo isso como uma piada cínica sobre super-heróis.

    Que motivações reais poderiam levar alguém a este ponto? E de que forma eles se relacionariam entre si e com a sociedade? De que forma seriam diferentes de políticos, policiais, milícias ou qualquer grupo de autoridade que conhecemos? A resposta é: Não seriam.

    Como é que a Psylocke, desfilando na Mansão Xavier de maiô cravado na bunda, nunca ouviu um comentário maldoso do Wolverine? Em Watchmen, a questão sexual dos mascarados não é só debatida, como levada até as últimas consequências.

    Essa discussão se aprofunda muito mais com o surgimento do Dr. Manhattan em plena guerra fria, o único super-ser de fato, que é o cerne do argumento, muito bem estabelecido na trama pela referência: “Deus existe e ele é americano.”

    Neste ponto começam as verdadeiras mudanças sociais e históricas em Watchmen, afinal como poderiam os EUA serem humilhados no Vietnã quando aliados a um deus?

    REALIDADE ALTERNATIVA, HERÓIS DISTORCIDOS

    Estabelecido o parâmetro díspar, o resultado dessa equação é um 1985 muito distante do que conhecemos. Tanto pelo progresso científico proporcionado pela mente e habilidades do Dr. Manhattan quanto pelas implicações políticas dos novos heróis.

    No entanto, este admirável novo mundo se inclina mais para uma distopia que o contrário, quando o romantismo dos vigilantes mascarados se desfaz em consequências sociais que levam a uma greve da polícia, em protesto contra as insustentáveis e questionáveis atividades mascaradas. O resultado é a Lei Keene, colocando o vigilantismo na ilegalidade.

    Qualquer autoridade responde a uma superior. A polícia responde ao governo, o governo responde ao povo. E os mascarados? A quem respondem? O que acontece é um resgate natural e do pensamento do poeta romano Juvenal “Quis custodiet ipsos custodes?” ou “Quem guarará os guardas?” ou “Quem vigia os vigilantes?”.

    Como constantemente pichado nos muros da cidade: “Who watches the watchmen?”.

    Aliás, essa é a única menção do nome Watchmen na história. Na verdade, nunca houve um grupo oficial de heróis depois dos Minutemen, apenas uma tentativa de formar o que seria chamado de “Combatentes do Crime” em 1966, com a segunda geração de heróis.

    Estes trabalharam sozinhos ou em parcerias temporárias, mas nunca funcionaram como uma equipe.

    O mais interessante são os mergulhos feitos nas origens de cada um desses personagens durante a trama, que revelam-se em cabais desconstruções da figura do herói, e em alguns casos levantam a questão de se o mundo não estaria melhor sem eles.

    DR. MANHATTAN (Jon Osterman)

    O único super-ser. Antes um cientista que teve acidentalmente seu corpo desintegrado em um experiência com campos intrínsecos, acabou se reconfigurando em uma figura semi-divina.

    Pode ser considerado um benefício ou um perigo para a humanidade. Em tese, sua presença era uma mensagem clara aos comunistas de que a América detinha um poder supremo e indestrutível. Por outro lado esse poderia ser mais um motivo para a aceleração da corrida armamentista e a precipitação de uma guerra nuclear.

    Mesmo com seus poderes quase ilimitados e sua onipresença temporal, o Dr. Manhattan vive em uma balança entre suas emoções humanas e sua indiferença divina. É sem dúvida o personagem mais complexo e enigmático de Watchmen. Talvez o salto mais extenso de Alan Moore na contemplação do imaginário, da filosofia e da ficção-científica.

    RORSCHACH (Walter Kovacs)

    Seu codinome é atribuído ao fato de sua máscara (ou face, como ele mesmo diz) mimicar os testes psicológicos de Hermann Rorschach, feitos através de pranchas com manchas de tinta simétricas.

    Assim como o Dr. Manhattan representa o poder do Super-Homem, Rorschach é um retrato mais realista de Batman neste universo. Segundo Moore, um investigador com traumas de infância e consequências muito mais densas, que resultam em um homem de valores distorcidos, obsecado por uma vingança impalpável e em constante agonia psicológica.

    A história de Rorschach é a mais assustadoramente real de todas e acontece todos os dias com milhares de pessoas. O tamanho da psicose em sua mente é um efeito irrefutável de sua aterradora vivência. A única diferença e que ela foi direcionada à punição do mal. Ou assim ele pensa.

    COMEDIANTE (Edward Blake)

    Podemos ver uma versão niilista do Capitão América encarnada no Comediante, aliás, talvez uma das faces mais verdadeiras da America. Cruel, cínico, egoísta, o Comediante é muito parecido com o Coringa de Batman – O Cavaleiro das Trevas (filme), ignorando convenções sociais e em sua crença de abraçar o caos para realmente entender como o mundo funciona.

    ESPECTRAL II (Laurie Juspeczyk)

    É uma bagunça emocional. Influenciada pela mãe (Espectral dos Minutemen nos anos 40), assume seu legado sem realmente entender as consequências disso. Era um caminho fácil e estava à sua frente, parecia lógico e justo, mas como em muitos casos reais, foi uma escolha que a acabou levando a uma vida vazia.

    OZYMANDIAS (Adrian Veidt)

    Inspirado em Alexandre, o Grande, Veidt foi um herói idealista, mas incompreendido. Mas título de ”homem mais inteligente do mundo” pode ser encarado, a princípio, como uma grande ironia da doutrina americana do consumismo, já que foi o único que se transformou em uma marca. Quase como um político, usou sua popularidade em prol de si mesmo, criando um império de produtos, merchandising e auto-ajuda.

    No entanto, do alto do trono de seu império, Veidt se apresenta em sua intimidade sempre com uma expressão de tristeza e melancolia, como se soubesse que há algo terrivelmente errado com toda essa situação.

    CORUJA II (Dan Dreiberg)

    Talvez o mais sensato da nova geração de vigilantes, também faz alusão a Batman fantasiando-se como um animal noturno e com uma garagem cheia de gadgets. Mas em contraponto, suas motivações são românticas, baseadas em seu gosto por histórias de heróis e admiração por Hollis Mason (Coruja dos Minutemen).

    No entanto, depois da Lei Keene, que tornou os heróis ilegais, se aposenta e vive uma vida sem propósito, à beira da depressão.

    VILÃO INVISÍVEL

    Apesar de existirem adversários tão loucos e fantasiados quanto os próprios vigilantes, em Watchmen, a falta do super-vilão desequilibra a equação debatida anteriormente. Sem super-desafios, restam aos heróis combaterem a intangível tragédia social que os cerca.

    Mais uma vez cabe o questionamento: Qual é a eficácia de um herói sem vilão?

    Seria a mesma de querer curar uma doença com analgésicos. Por mais que os vigilantes espanquem, prendam ou matem líderes do submundo, assim como acontece com polícia e bandidos na vida real, a verdadeira solução nunca é alcançada. Não há dedos suficientes para tapar todos os buracos de uma represa prestes a romper.

    O ponto mais importante levantado por Alan Moore na série, é justamente como salvar a humanidade de si mesma. E qual é a relação desses malucos fantasiados com esta verdade? De que forma eles realmente poderiam fazer a diferença? E até onde eles mesmos foram responsáveis pelo caos que os cerca?

    A RIQUEZA DE UM UNIVERSO

    Watchmen conta uma intensa história de conspiração e mistério que se mantém até a última edição. Mas não é só no thriller que está a riqueza da Graphic Novel.

    Alan Moore e Dave Gibbons criaram um universo inteiro, cheio de detalhes, signos e tantos níveis de compreensão, que é comum ainda ser surpreendido na 3ª ou 4ª releitura.

    Apesar do relógio do apocalipse se aproximando da meia-noite ser um forte símbolo, a série acabou sendo representada pela imagem do smiley face, a carinha feliz manchada de sangue, que é um ícone perfeito para o motivo da série, a desconstrução do inocente universo dos super-heróis em uma fria e cruel realidade.

    O smiley pode ser visto por toda a série como um tema recorrente, desde em faíscas de cabeça para baixo nos hidrantes elétricos, até na cratera de Galle em Marte (que realmente existe).

    O espirro de sangue também se repete, às vezes como água, tinta ou mancha. Sempre presente em elementos significativos da trama, como um aviso, como uma exclamação.

    Moore e Gibbons também mergulharam em uma viagem metalinguística inesquecível em Contos do Cargueiro Negro.

    Através de um jornaleiro de uma banca de jornal de esquina, o leitor é apresentado ao cotidiano das pessoas comuns, indo e vindo, discutindo manchetes de jornais, seus medos e angústias. Em meio a tudo isso, um rapaz lê uma revista em quadrinhos.

    A história dentro da história funciona como um artifício de sincronia entre fantasia e realidade, descrevendo paralelos entre o marinheiro perdido e as motivações e psiquês dos vigilantes de Watchmen. Também é uma brincadeira com o próprio universo.

    Idéia de Dave Gibbons, em um mundo em que heróis mascarados existem de verdade, a fantasia dos quadrinhos fugiria deste tema, já saturado pela imprensa e medos populares, desviando-se para outros mitos, como por exemplo, histórias de piratas.

    Watchmen sempre foi considerado por muitos como uma obra infilmável. O próprio Alan Moore defende isso até hoje. Aliás, essa foi, em espírito, sua intenção declarada ao escrever uma história repleta pequenos e minuciosos detalhes, easter eggs, múltiplos níveis de narração e compreensão.

    O fenômeno justifica-se não só pelos seus méritos técnicos, mas como por influência que pode ser vista até hoje nas HQs Os Supremos, Alias (a detetive ex-Vingadora), Poder Supremo e outros selos adultos Marvel. E também fora delas, como por exemplo em Lost (influência declarada pelos produtores), Heroes, Os Incríveis e na narrativa realista dos novos filmes de Batman, de Christopher Nolan.

    Este é o valor de Watchmen, embora possa parecer estranho para quem não se interessa por super-heróis, certamente transcende os círculos de seu meio, como demonstração do pináculo do talento artístico na criação de uma verdadeira obra-prima literária. Mesmo que esteja disfarçada com roupas coloridas e cuecas por cima das calças.
    >> JOVEM NERD – por Alottoni


    “BUCK ROGERS”: NOVO FILME TEM DIRETOR

    sexta-feira | 26 | março | 2010

    Paul W.S. Anderson (Resident Evil) assinou contrato para dirigir o novo filme de Buck Rogers, que será lançado em 3D. Dois dos roteiristas responsáveis por Homem de Ferro, Art Marcum e Matt Holloway, se encarregarão da história.

    De acordo com o Deadline New York, a adaptação para o cinema será uma nova versão do conto clássico sobre um piloto de caça que vai parar no futuro e usa suas habilidades para defender o planeta Terra contra invasores.

    Os direitos do personagem são atualmente controlados pela Paradox, a mesma empresa responsável pelo novo filme de Conan.

    Os produtores são a própria Paradox, além de Jeremy Bolt, Fredrik Malmberg, Larry Abramson e George Furla.

    Vale a pena lembrar que, antes do fracasso do filme de Spirit, Frank Miller chegou a ser considerado para a direção de Buck Rogers.

    Buck Rogers, criado por Phillip Francis Nowlan em 1928, é um piloto militar que entra em coma após ser exposto a um gás e acorda no século 25. Nas tiras em quadrinhos, o personagem enfrentava vilões cósmicos como Killer Kane e Ardala.

    Nos anos 40, ganhou uma série de 12 filmes e, nos anos 50, um seriado televisivo de curta duração, onde foi interpretado por três atores, Earl Hammond, Kem Dibbs e Robert Pastene. No seriado da década de 80, o personagem foi transformado em um astronauta. Também protagonizou jogos de computador, romances, e diversos outros tipos de mídia. Atualmente tem quadrinhos pela Dynamite Entertainment.
    >> HQ MANIACS – por Will Costa


    CURSO “INTRODUÇÃO À ESCRITA DA FANTASIA E DA FICÇÃO CIENTÍFICA, NO RIO DE JANEIRO

    sexta-feira | 26 | março | 2010

    [untitled.bmp]


    “RIVERWORLD”: SYFY ANUNCIA ESTREIA

    quinta-feira | 25 | março | 2010

    Especial será exibido num único dia para testar se compensa virar série

    O canal Syfy oficializou a estreia de Riverworld. Oficialmente descrita como uma minissérie de quatro horas de duração, o programa será exibido em uma só noite nos Estados Unidos, no dia 18 de abril.
    Assista ao trailer:

    Riverworld é baseada na série de livros de Philip Jose Farmer, que já teve uma adaptação em longa-metragem em 2003. O elenco tem Tahmoh Penikett (Battlestar Galactica) no papel do repórter Matt Ellman e Laura Vandervoort (Smallville), como sua noiva Jessie.

    Matt realiza coberturas em zonas de conflito até o dia em que ele e Jessie morrem vítimas de uma mulher-bomba. A dupla acorda num mundo estranho, onde todos que já viveram na Terra aparentemente renascem nas margens de um rio infinito. Separado de Jessie e determinado a encontrá-la, Matt se junta a Tomoe (Jeananne Goossen), uma samurai do século XIII, e ao escritor Mark Twain (Mark Deklin) para seguir em busca da nascente do rio e descobrir como todos foram parar nesse lugar.

    O elenco inclui, ainda, Alan Cumming como convidado especial. A ideia da exibição em bloco único é analisar os números para decidir se Riverworld tem potencial para ser transformada numa série.
    >> OMELETE – por Ederli Fortunato


    DOCTOR WHO”: DINHEIRO É O QUE MENOS PREOCUPA…

    quinta-feira | 25 | março | 2010

    O novo chefe, Steven Moffat, já alertou que o corte nos gastos sofrido pelo programa ajuda a equipe a se tornar mais criativa. “Nenhum dinheiro será o suficiente para Doctor Who.” disse  ele.

    “Poderíamos ter a verba de Avatar e ainda precisaríamos de mais, pois o que temos em mãos é um programa que se passa em todos os pontos da história e em cada lugar do universo.”

    A série, que retorna dia 3 de abril (11 dias!), contará com uma nova equipe de escritores e roteiristas, comandada por Steven Moffat, e terá um novo Doutor, papel do ator  Matt Smith.

    Foi o próprio Moffat quem avisou a BBC para que ela não se preocupasse com os cortes que estava fazendo.

    “O que nós imaginamos é o que nós temos que alcançar, e nós iremos alcançar, seja lá qual for a situação financeira. Muitos dos ícones de Doctor Who são conseqüências diretas de uma verba curta.

    Ele ressaltou que a idéia do Tardis – a nave espacial do Doutor – foi o resultado obtido pela equipe de produção original, em 1960, em fazer o melhor com o que tinham em mãos.

    “Eles viram que tinham uma cabine policial da (série) Dixon of Dock Green e pensaram ‘vamos fazer com que seja maior por dentro!’, e assim nasceu uma das melhores idéias de toda ficção.”

    Steven ainda brincou: “Cortes no orçamento são chatos, mas é uma excelente maneira de fazer com que sejamos criativos. Vocês já viram o trailer, por acaso parece que estamos com a verba curta?”

    Uma nova temporada:

    A primeira aventura de Matt Smith – The Eleventh Hour – e um novo trailer para a 5ª temporada foram exibidos em uma sessão fechada para jornalistas e equipe do programa no último dia 18.

    A história nos apresentará o novo Doutor, recém-regenerado, após cair com o Tardis na Terra, onde conhecerá sua nova companheira, Amy Pond, interpretada por Karen Gillan.

    O episódio também mostrará o novo interior da nave, que terá duas vezes oi tamanho da que foi utilizado por David Tennant.

    “Mudamos tantas coisas que seria injusto se não mudássemos o Tardis também.” Disse Moffat.

    De acordo com a BBC, Doctor Who foi vendido para mais de 50 países, sendo um dos 5 programas mais vendidos do mundo em 2009.

    Até o momento já foram vendidos mais de 3.3 milhões de DVDs da série, juntamente com mais de 7 milhões de Action Figures do seriado. A editora BBC Children’s Books, responsável por livros infantis, vendeu mais de 300.000 edições no ano passado.
    >> UNIVERSO WHO – por Breno Costa


    SPECTRUM UM SELO PARA NOVOS AUTORES VOLTADOS PARA O SOBRENATURAL

    quinta-feira | 25 | março | 2010

    Hoje, apresento a vocês um selo editorial razoavelmente novo, ligado também à editora Multifoco, voltado para histórias que envolvam o sobrenatural (com alguma preferência ao estilo suspense/terror, provavelmente algo que agradará aos fãs de autores como o Stephen King, ao menos foi o que se passou em minha cabeça). Além disso, na postagem falarei também de dois concursos literários excelentes promovidos pela editora Monica Sicuro, que cedeu a entrevista ao Na Ponta dos Lápis.

    Sobre o Spectrum. Como eu já disse, a entrevista com a Monica irá revelar mais aspectos sobre o selo, o que posso adiantar é que me parece ser uma proposta interessante, uma vez que o interesse por livros que tratem da questão do sobrenatural é cada vez maior. Além disso, as editoras daqui ainda dão muito pouco espaços aos autores brasileiros do gênero. O que pode interessar ao pessoal que já tem um livro neste estilo pronto é a incrivelmente rápida análise dos originais (ver na entrevista), já que o selo ainda não é muito conhecido. Vale lembrar também que o autor, caso publique com o Spectrum, não precisará gastar dinheiro algum, pois este é o objetivo da Multifoco, lançar autores novos sem cobrar nada deles (você pode ver uma entrevista com um representante da editora aqui).

    Sobre os concursos. A editora Monica Sicuro também está realizando dois concursos literários. Um deles já foi mencionado no blog, trata-se de um concurso de contos medievais (Cruzada). O outro segue o exato mesmo estilo, mas abrange a temática da bruxaria, o nome da antologia será O Caldeirão da Bruxa. Os autores selecionados receberão 15 livros para vender por consignação e, caso não consigam vender todos, basta devolvê-los a editora; não haverá qualquer tipo de cobrança ou exigência em termos de venda.

    Cruzada, prazo: 30/04 – confira aqui o blog do concurso.
    O Caldeirão da Bruxa, prazo: 31/05 – confira aqui o blog do concurso.

    Entrevista com Monica Sicuro (editora do selo Spectrum)

    Quanto tempo tem o selo?
    R: O Spectrum é um selo da Multifoco desde que ela está no mercado editorial, mas eu estou no comando dele desde de Janeiro de 2010

    Quais os gêneros literários o selo Spectrum pretende abrangir?R: Procuramos Romances de terror, suspense, mistério… O Spectrum é o selo da Editora que se volta para a produção do sobrenatural.

    Me fale um pouco das idéias por trás do selo Spectrum. Quais são seus objetivos e ideais?
    R: O terror está em ascensão no Brasil. Antes tínhamos uma grande produção vinda lá de fora, mas a idéia do Spectrum é dar aos autores que escrevem terror, e que são daqui, visibilidade e oportunidade de mostrar seu trabalho. Tem alguns autores que trabalham com mitos brasileiros e isso é muito bom. Nossa cultura é rica demais para ficarmos importando. Estamos com um projeto para a Bienal de São Paulo, onde alguns autores participarão do mini stand da Spectrum (que será todo voltado ao sobrenatural). E assim vamos divulgar ainda mais esse gênero literário.

    Assim como o restante da Multifoco, o Spectrum também será voltado mais especificamente para novos autores?R: Sim, está. Os novos autores bebem de diversas fontes e por isso a escrita deles está ficando cada vez mais rica.

    Como funciona o processo de seleção de originais? Quanto tempo leva em média?
    R: Em primeiro lugar, os autores me enviam o original deles em arquivo de Word (norma da Editora). Então vou analisar. Eu faço a leitura do original completo, saio com diversas anotações, às vezes elogios ou criticas. Tem momentos que vou sugerir uma mudança aqui ou ali… Enfim, tudo para melhorar o original.
    A Seleção leva, em média, de 10 a 15 dias (dependendo de quantos eu estiver na fila de leitura). Depois que ele é selecionado, existe todo outro processo para que ele possa ser publicado. (envio de originais para o e-mail: spectrum@editoramultifoco.com.br)

    Vocês estão de olho nos autores que se destacam pela internet também ou se dedicam mais à análise dos originais que lhes são enviados? R: Infelizmente não temos tempo de ficar em busca de talentos na internet. Quando apenas organizava coletâneas eu o fazia, buscava os melhores. Mas agora tenho um trabalho mais minucioso a fazer, e ainda estou envolvida em alguns concursos. Então, temos que nos dedicar aos originais que chegam até nós. Aqui eu os coloco numa fila por ordem de chegada. Trato todos com a mesma atenção. E existem também os “indicados”. Fulano se destacou na internet e algum conhecido meu o viu. Então essa pessoa geralmente me manda um email perguntando se pode indicar Fulano. Ai Fulano envia seu original e como todo mundo vai para a fila por ordem de chegada.
    >> NA PONTA DO LÁPIS – por Leonardo Schabbach


    UMA NOVA LITERATURA

    quarta-feira | 24 | março | 2010
    ‘Todo o processo é gratuito e o lucro das vendas é repassado inteiramente para os autores’
     
    O escritor: ‘Todo o processo é gratuito e o lucro das vendas é repassado inteiramente para os autores’

    O gosto por escrita, literatura, games e RPG transformou o menino Tiago da Silva Cabral, de Barra Mansa, em escritor. Com um livro publicado ano passado (“Ancorner”), sua obra mais recente, “Sarlak”, foi lançada na internet em fevereiro, pela Editora Clube de Autores.

    Ele assume sua preferência por ficção e diz que dentro desse universo há gêneros diferentes de escrita, como fantasia e romance. Na fantasia, ele se inspira em J.R.R. Tolkien, famoso pela trilogia “O Senhor dos Anéis”. Da ficção científica, ele cita o escritor Philip K. Dick. Nos quadrinhos adultos (uma das preferências de Tiago), Neil Gaiman e Alan Moore são os favoritos.

    - Fazendo uma comparação, “Ancorner” segue a linha de K. Dick, que é meio psicodélico, menos descritivo e mais objetivo na história. Ele tem um ritmo cinematográfico e um leitor despreparado pode até ficar perdido. Já “Sarlack” tem mais a ver com Tolkien. É um livro com mais descrição, mais pausado. Ele é mais vendável, mas o estilo também agrada – defende.

    O primeiro livro é o que o autor define como uma novela ou romance contemporâneo. Na trama, diferentes personagens são unidos por um sonho em comum.

    - Quando dormem, eles sonham com a mesma coisa. O objetivo do livro é falar das emoções humanas, as relações entre as pessoas e delas com o mundo – resume.

    Completamente diferente, a obra seguinte foi baseada numa aventura de RPG, aquele jogo de heróis e imaginação cuja sigla em inglês significa “Jogo de Interpretação de Papéis” -  também é uma das grandes diversões do autor.

    - Apesar de ser ficção, “Sarlack” é uma história que realmente aconteceu. Eu me inspirei num jogo em que fazia o papel do mestre (aquele que cria as situações e dita as regras do jogo) e os outros jogadores eram personagens. No jogo, a aventura vai acontecendo conforme orientação do mestre. É como se fosse uma encenação em que fosse o roteirista e os outros jogadores os atores. É uma história muito interessante porque surge do nada e toma rumos que às vezes nem imaginamos, de acordo com a reação de cada personagem – adianta Tiago.

    Além dos livros, o escritor trabalha na produção de jogos de computador. No momento, o forte dessa produção são os jogos de propaganda, usados não só para divertir, mas para divulgar uma marca ou transmitir uma mensagem.    

    - Estamos desenvolvendo um novo jogo on-line que deverá ser lançado até o fim deste ano ou início do próximo. Mantemos um blog de jogos, onde há notícias sobre games, podcast e jogos para baixar – conta. 

    Tiago revela ainda que tem outros textos para serem finalizados e publicados, mas avisa que isso vai ter que esperar um pouco. É que ele acaba de se formar em psicologia e tem outros projetos.

    - Você deve estar se perguntando: “O que tem a ver literatura, games e psicologia?”, mas para mim isso tudo está muito ligado. Fiz estágio numa ONG que trabalha com vários projetos e usei o RPG para incentivar as pessoas a falar sobre temas difíceis, como drogas – lembra o escritor.

    Alternativa editorial

    Tiago já tinha vários textos antes de lançar os livros. Em seu antigo blog, ele escrevia, entre outros, contos no estilo funfic – ficção criada por fãs. São histórias escritas a partir de personagens já existentes. Como esse tipo de literatura depende de pagamentos de direitos autorais para serem publicados, ele lançou há três anos uma coletânea em formato e-book. No ano seguinte publicou, com o mesmo formato, um livro sobre a prática de RPG que é muito baixado até hoje. Para Tiago Cabral, a internet tem sido uma grande parceira, enquanto lançar um livro da maneira tradicional está cada vez mais difícil.

    - Conheci diversas editoras comuns e vi que é um espaço muito fechado. Só consegue quem conhece alguém ou tem a tradução de um best-seller, por exemplo. Em uma das editoras tinha o aviso: “Não aceitamos títulos originais”. Preferem investir em um livro consagrado a apostar numa história nova. Assim, é complicado para os novos autores – defende Tiago.

    Depois de bater em muitas portas, um amigo o apresentou ao Clube dos Autores, uma editora on-line bem diferente das outras. Nessa editora, o autor faz um cadastro e disponibiliza sua obra para compra no próprio site. O diferencial é que ela publica somente sob demanda, ou seja, um livro só é impresso depois de vendido.   

    - O que é bom nessa editora é a liberdade que temos. Tudo é feito pelo autor, desde a revisão até a escolha da capa e do valor de venda do livro. Todo o processo é gratuito e o lucro das vendas é repassado inteiramente para nós – explica, dizendo que é um processo moderno para uma nova linhagem de autores.

    Tiago apoia a iniciativa da editora e diz que pretende disponibilizar suas obras também no formato pocket book, com custos de impressão e preço mais baixos. Esse pequeno livro, que também é feito pelo Clube dos Autores, vem se tornando cada vez mais popular.

    - Parece que é uma tendência editorial mundial a popularização desse tipo de impressão. Acho que tudo deve ser feito para baratear os livros, como tirar impostos e simplificar a impressão. Pagar uma média de R$ 50 num livro tornou-se um luxo. A leitura deve ser incentivada e o pocket book é uma boa maneira de aumentar o acesso a ela.

    Serviço
    * Sarlak e Ancorner – Os livros podem ser comprados no site http://www.clubedeautores.com.br. No site http://www.kbgames.com.br/kblog/livros/ é possível ler os primeiros capítulos. No antigo blog, Tiago da Silva Cabral não publica mais, mas nele se encontram arquivados todos os textos do autor. O endereço é paradigmavirtual.zip.net No blog http://www.kblog.kbgames.com.br o internauta encontra notícias sobre games e o novo jogo que ainda será lançado.
    >> DIÁRIO DO VALE – por Clarissa Coli


    TOCHA HUMANA É O CAPITÃO AMÉRICA

    quarta-feira | 24 | março | 2010

    Depois de muitos candidatos como John Krasinski (“The office”), Michael Cassidy (“Smallville”), Wilson Bethel (“Generation Kill”), Mike Vogel (“Cloverfield”), Garrett Hedlund (“Tron: Legacy”), Scott Porter (“Friday night lights”) e Channing Tatum (“GI Joe: A origem de Cobra”), o Capitão América do cinema será… o Tocha Humana. É, isso mesmo. Steve Rogers e Johnny Storm devem ser a mesma pessoa.

    Segundo o Heat Vision, o ator Chris Evans, que interpretou o irmão mais novo de Sue Storm (Jessica Alba) nos filmes do Quarteto Fantástico, será o patriótico herói dos quadrinhos no filme “The first avenger: Captain America”. O blog do The Hollywood Reporter diz que, a princípio, Evans havia recusado o convite da Marvel, mas acabou topando no fim de semana.

    Previsto para 2011, o longa será dirigido pelo mediano Joe Johnston, do recente “O lobisomem”, e de outros como “Jumanji” e “The Rocketeer”. O vilão, claro, será o Caveira Vermelha. E a escolha do ator Hugo Weaving para fazê-lo parece perfeita. As filmagens começam em junho.

    Os Vingadores do cinema, por enquanto, estão assim: Robert Downey Jr. como Homem de Ferro, Chris Hemsworth como Thor, Scarlett Johansson como Viúva Negra e Chris Evans como Capitão América. Resta saber se Edward Norton retorna como Hulk e possível vilão do filme do supergrupo da Marvel. Mas ainda faltam Vespa e seu marido, Hank, conhecido como Gigante e outras identidades.
    >> GIBIZADA – por Télio Navega


    “FRINGE” EM EPISÓDIO MUSICAL

    terça-feira | 23 | março | 2010

    A premissa da série “Fringe” é lidar com o inesperado. O que poderia ser mais inesperado que um episódio musical? O recurso de dezenas de outras séries para elevar sua audiência ou, no mínimo, ganhar espaço na mídia, é produzir episódios que fogem ao padrão perpetuado por suas histórias. “Fringe”, que foi renovada para uma terceira temporada apesar da baixa audiência, fará uso desse recurso.

    Depois de ter apelado para ações de marketing que não resultaram positivamente, resta entrar na onda de “Glee” e apresentar os personagens da série cantando e dançando. A situação será introduzida na trama através das alucinações de Walter (John Noble), dentro do episódio que foi apropriadamente batizado de “Overture”, termo francês que refere-se à introdução instrumental de um espetáculo. O episódio deverá ir ao ar nos EUA no dia 29 de abril.

    Na história, Walter Bishop sofrerá alucinações que o levarão a acreditar estar vivendo na década de 40, apesar das pessoas ainda utilizarem celulares e computadores. Mas, o uso desses equipamentos não é nada em comparação ao fato de que os personagens, assim, meio que de repente, cantam e dançam. Lembram dos musicais de Fred Astaire e Gene Kelly, desse mesmo período, que saíam cantando e dançando só para responder uma pergunta ou expressar um pesamento? É por aí!

    Alguns dos atores da série têm experiência em musicais da Broadway, como é o caso de Lance Reddick, o Broyles, formado em música, que irá tocar piano e cantar; ou Blair Brown, a Nina, vencedora do Tony (o Oscar da Broadway) que interpretará uma canção para Olivia (Anna Torv), bem como Jasika Nicole (Astrid), que interpretará uma canção do musical “A Chorus Line”.

    Alguns sites acreditam que Anna Torv e Joshua Jackson entrarão na dança…e no gogó, embora nenhum dos dois pareçam ter experiência profissional na área; se bem que Joshua é neto de cantores de ópera, …quem sabe? Por enquanto o que se sabe é que Olivia será vista por Walter como uma sexy detetive particular, como aquelas mulheres fatais dos filmes noir.

    Fica faltando o Leonard Nimoy tirar a poeira da garganta e soltar sua voz  como ele fez na década de 60, chegando a gravar discos e video clips (embora seu dom vocal fosse questionável). Confiram aqui Nimoy interpretando a música Ballad of Bilbo Baggins, sobre o personagem do livro The Hobbits, transformado no filme “O Senhor dos Anéis”.

    Várias foram as séries que exploraram essa narrativa em pelo menos um episódio. O mais consagrado até o momento é “Buffy, a Caça Vampiros” (7º episódio da 6ª temporada). Mas também tem “Scrubs”, “Xena, a Princesa Guerreira”, “That 70′s Show”, “Malcolm in the Middle”, “Lexx”, “It’s Always Sunny in Philadelphia”, “Ugly Betty”, “Chicago Hope”, “The 7th Heaven”, “Ally McBeal” (que também mantinha uma cantora no elenco de personagens), e até a pesadíssima “Oz”, além de desenhos como “Os Simpsons” e “South Park” por exemplo.

    Também existem centenas de séries que apresentaram  o(s) protagonista(s), ou atores convidados, cantando uma ou outra música. Sem mencionar as séries cuja estrutura seguem essa linha como é o caso de “Glee”, “Eli Stone”, “Cop Rock”, “Viva Laughlin”, “Fama”, “A Família Dó-Ré-Mi” ou “Os Monkees”, entre outras.

    Mas o episódio musical não é a única novidade de “Fringe”, a série terá uma nova história em quadrinhos dividida em seis edições, que será lançada no dia 23 de junho nos EUA. “Tales from the Fringe”, terá como base as histórias apresentadas até a segunda temporada, e servirão para preparar o público para a terceira. O lançamento é da editora Wildstorm, ao custo de 3.99 dólares cada edição.
    >> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


    “HEAVY METAL”: JAMES CAMERON (“AVATAR”), ZACK SNYDER (“300″) E DAVID FICHER (“CLUBE DA LUTA”) FARÃO FILME ANIMADO

    terça-feira | 23 | março | 2010

    O diretor David Fincher (“Clube da Luta”) está tentando há dois anos fazer um novo longa animado inspirado na revista em quadrinhos de ficção científica e fantasia “Heavy Metal”. Mas nenhum estúdio de Hollywood estava interessado. O problema era o espírito dos quadrinhos originais, cheios de erotismo e violência.

    A receptividade à idéia finalmente mudou. Tudo porque Fincher resolveu trazer a bordo dois outros cineastas fãs de quadrinhos e ficção científica.

    Ele conseguiu o apoio dos diretores James Cameron (“Avatar”) e Zack Snyder (“300”). Cada um dos três irá dirigir um segmento, que servirá como uma história completa e individual. E a animação será totalmente feita em 3D!

    Para quem não lembra, já houve dois longas-metragens inspirados na revista “Heavy Metal”, em 1981 e 2000.

    “Heavy Metal”, por sua vez, é uma versão americana da cultuada revista em quadrinhos “Métal Hurlant”, criada na França em 1974 pelos mestres Moëbius e Philippe Druillet. Suas páginas trouxeram a arte de verdadeiros gênios dos quadrinhos, como Richard Corben, Alejandro Jodorowsky, Enki Bilal, Caza, Serge Clerc, Alain Voss, Berni Wrightson, Milo Manara e outros.
    >> PIPOCA MODERNA – por Caio Arroyo


    “POEIRA- DEMÔNIOS E MALDIÇÕES”: NELSON DE OLIVEIRA LANÇA NOVO ROMANCE

    terça-feira | 23 | março | 2010

    Das bibliotecas públicas aos banheiros particulares, um mundo abarrotado de livros – tantos que os governos tiveram de proibir o lançamento de novas obras. Ainda assim, edições clandestinas continuam brotando misteriosamente por toda parte. No recém-lançado Poeira: demônios e maldições (Língua Geral, 399 páginas, R$ 45) – obra escrita originalmente em forma de folhetim e publicada pela revista Rascunho entre novembro de 2006 e março de 2008 – Nelson de Oliveira explora a fantasia distópica para fugir dos temas tradicionais. Escritor de vasto currículo, Nelson, nesta entrevista, fala de suas admirações e dos escritores da Geração Zero Zero.

    Por que a decisão de escrever um romance em forma de folhetim?
    - Ter publicado Poeira: demônios e maldições em capítulos, ao longo de um ano e meio, num jornal mensal como o Rascunho, foi uma ótima forma de testar o romance antes de lançá-lo em livro. Eu me beneficiei bastante dos comentários dos leitores que acompanharam o folhetim. A partir desses comentários eu pude fazer as revisões e os ajustes necessários na narrativa, deixando-a mais redonda para a edição em livro.

    O folhetim era um veículo de informação que disseminava a cultura de massa. Como é escrever um folhetim hoje?
    - A ascensão do romance coincidiu com a ascensão da imprensa. Os romancistas pioneiros do início do século 18 – Defoe, Richardson, Alexandre Dumas e Fielding – pensavam primeiro no jornal, quando escreviam. Boa parte dos romances de José de Alencar e Machado de Assis circulou primeiro em forma de folhetim. Não havia o rádio nem a tevê pra veicular narrativas em capítulos de tempos em tempos. Escrever um folhetim hoje, na era eletrônica, é apenas uma maneira de homenagear os velhos mestres.

    Que relação você pode fazer entre Poeira: demônios e maldições e a tradição da fantasia distópica, na linha de Karel Capek, Huxley, Orwell, Philip K. Dick, Vonnegut?
    - Bem, trata-se de uma tradição rica de possibilidades narrativas, mas estranhamente pouco exercitada no Brasil. Eu queria muito fugir dos temas mais convencionais da literatura brasileira contemporânea: periferia, favela, sertão, dramas domésticos, crises conjugais, adolescentes pirados etc. Nossa literatura contemporânea está muito ligada à vida comum. Então decidi ir atrás da vida incomum.

    Entre os autores citados, de quem você se sente mais próximo?
    - Philip K. Dick é um autor que nunca me canso de reler.

    Paisagem e ambientação lembram filmes de ficção científica (Metrópolis, Blade Runner). Você tinha o cinema na cabeça ao escrever o romance?
    - Conscientemente, não. Mas eu sou da geração do cinema e da tevê, pós-rádio. Na infância, antes de ler meu primeiro livro, eu já assistia aos deliciosos seriados da década de 70: Jornada nas estrelas, Viagem ao fundo do mar, Terra de gigantes, Túnel do tempo, Perdidos no espaço etc. Passei os anos 70 e os 80 nas salas de cinema. Vi e revi muitas vezes Blade runner, Guerra nas estrelas, Tron, Contatos imediatos do terceiro grau, Alien, todas as distopias e utopias lançadas pela indústria cinematográfica. Então, querendo ou não, creio que tudo isso acaba aparecendo de um jeito ou de outro em minha literatura.

    A situação narrada no romance é o inverso de Fahrenheit 451, o filme de Truffaut baseado no romance homônimo de Ray Bradbury, em que os livros estão proibidos?
    - Exatamente. No meu romance o mundo está abarrotado de livros. Salas, quartos, banheiros, corredores, ruas, prédios lotados de livros. Um mundo tão cheio de livros, que todos os governos tiveram que proibir o lançamento de novas obras. Mesmo assim, edições clandestinas, ilegais, continuam aparecendo misteriosamente em toda parte.

    A orelha do livro fala em realismo fantástico. Você concorda?
    - Concordo. A trama do romance se passa numa realidade alternativa, estranha, porém realista. Ou seja, numa realidade semelhante à nossa, coexistindo com a nossa, mas diferente em alguns pontos. Mais fantástica e estranha do que a nossa.

    Há livros demais?
    - Fiquei muito atento à afirmação do poeta mexicano Gabriel Zaid em seu livro que se chama justamente Livro demais!: “A leitura de livros está crescendo aritmeticamente, a escrita de livros, exponencialmente. Se nossa paixão por escrever não for controlada, no futuro próximo haverá mais pessoas escrevendo livros do que lendo”.

    Sua produção literária é grande, como foi a de Anthony Burgess, outro escritor chegado a uma distopia. Há quem diga que escrever muito não é bom. Como você lida com isso?
    - Ah, se o mundo fosse tão simples… Teríamos aí a fórmula da qualidade: bastaria escrever pouco para escrever bem. Mas não considero minha produção grande. Meus livros em geral não são muito extensos; eles normalmente têm 100, 150 páginas. José Saramago e Lobo Antunes, por exemplo, são muito mais prolíferos do que eu. E são grandes autores. Além disso, conheço dezenas de escritores que escrevem e publicam pouco, e mesmo assim não são bons.

    Você organizou duas antologias sobre a Geração 90. O que se passa com a Geração 00? Você poderia definir uma tendência e citar nomes representativos?
    - A Geração Zero Zero (prefiro grafar assim, zero zero, pra evitar que um desavisado acabe lendo ó ó) está produzindo intensamente. Tempos atrás eu publiquei no Rascunho um artigo sobre sua principal característica: o bizarro [alguns dos citados são Flávio Viegas Amoreira, Paulo Bullar, Paulo Sandrini, Rogério Ivano, Daniel Pellizzari, Veronica Stigger]. No final deste ano sairá pela editora Boitempo, a mesma que publicou as duas antologias da Geração 90, a antologia desse novíssimo time de prosadores.

    Quem é Luiz Bras?
    - É meu alter ego. Luiz Bras nasceu em 1968 numa cidade fictícia chamada Cobra Norato, cenário da maioria de seus livros. Publicou várias obras para crianças e jovens, entre elas A última guerra (editora Biruta), e em breve lançará sua primeira coletânea de contos para o público adulto, intitulada Paraíso líquido, também pela editora Biruta. Mais informações sobre ele podem ser encontradas em .

    >> JORNAL DO BRASIL – por Luisa Bustamante


    O MEDO, O HOMEM E A LITERATURA

    sexta-feira | 19 | março | 2010

    “A emoção mais forte e mais antiga do homem é o medo, e a espécie mais forte e mais antiga de medo é o medo do desconhecido.”
    ( H. P. Lovecraft )

    cthulhu2

    A literatura é uma arte de constante provocação, de pura inquietação. Provoca a beleza, provoca o espanto, encanta, surpreende, recria e cria. Leva de leve pelas mãos e inesperadamente joga o leitor entre sombras de dor ou lago de risos. Com ela, sentimentos como o amor, a raiva, o ciúme, a esperança, a tristeza, a alegria, o desejo, a inveja, a amizade e tantos outros, recontam a historia do homem. Seres comuns, divinos, fracos, homens, bichos e deuses, meros objetos, nada nem ninguém passa impune, ou imune, pela obra literária.

    O poeta, o escritor, o romancista, aquele que tem em mãos o papel, o lápis, o computador, e nos pensamentos uma inquietação uma eterna procura, é ele o demiurgo, o criador e a criatura das palavras. Escuta os sussurros das épocas, dos homens, da vida e desenha com seus vocábulos um universo, o texto.

    Entre os sentimentos que caminham junto ao homem, é o medo, ao lado do amor, um dos sentimentos mais constantes. E do medo a literatura fantástica suga cada suspiro, transformando em verso ou prosa cada bater de um coração assustadiço. Quando fala-se em literatura sombria, fantástica ou mórbida, uma questão que incomoda, e por isso importante, por parecer ainda enigmática e sem solução, é a aparente dicotomia entre terror e horror. Ambas arrepiantes, ambas controversas.

    Há, de fato, a necessidade de se optar por uma delas quando a pretensão é escrever sobre o gênero? Após algumas pesquisas e leituras sobre o assunto, a questão ainda é um entrave, que parece ainda maior entre escritores e críticos da literatura de terror/horror. A princípio, o horror parece ser uma reação física ante o medo, ao sobrenatural, ao desconhecido, a ameaça e crueldade da realidade. Nos dicionários, a definição das mesmas parece convergir, vejamos algumas delas:

    Terror sm. 1. Estado de grande pavor. 2. Grande medo ou susto. Terror sm. 1. Estado de grande pavor ou apreensão. 2. Pessoa ou coisa que espanta, aterroriza. Horror sm. 1. Sensação arrepiante de medo, de pavor. 2. Receio, temor. 3. Repulsa, aversão. 4. Aquilo que inspira horror.
    Horror sm. 1. Atrocidade, barbaridade. 2. Que causa pavor. 3. Grande medo, pavor. 4. Repulsa; aversão.

    Alberto Manguel (2005, p.10) em sua coletânea Contos de horror do século XIX, retoma o pensamento de Ann Radcliffe, na tentativa de definir essa conturbada relação entre terror e horror “O terror e o horror possuem características tão claramente opostas que um dilata a alma e suscita uma atividade intensa de todas as nossas faculdades, enquanto o outro as contrai, congela-as, e de alguma forma as aniquila”. Edgar Alan Poe e Lovecraft, mestres da literatura sombria, inspiram algumas dessas dicotômicas definições. O terror de Poe seria mais explicito, em Lovecraft, sugerido, inominável, de fato, oculto. Entende-se explicita não a falta de suspense ou mistério, e sim a capacidade de mostrar ao leitor o cadáver, podridão, a tortura, a loucura. Medos reais e concretos, ainda que misteriosos. Lovecraft, ao descrever o terror, ou apenas ao sugerir cenas tão terríveis que não poderiam ser descritas, oculta aos olhos do leitor esse pavor absoluto, para o autor, a “atmosfera, não ação, é o grande desiderato da ficção fantástica. Com efeito, uma história de espanto jamais será senão uma pintura viva de certos tipos de estados de espírito humanos”, assim, o terror pode ser sanguinolento, chocante. O horror, indizível assustador.

    poe1

    No entanto, Poe jamais poderia ser lido senão como um mestre do suspense, estando novamente assim as contradições das definições. O horror mostraria ao homem um universo que se esconde, que a imaginação, em momentos inesperados, consegue conceber, e temer. O terror é a incerteza, a angústia de esperar pelo que vem depois do corredor escuro, é o que rege a condução lenta e inexorável ao mundo sombrio. Mas, o terror gera o horror? Ou o horror gera terror? Não são ambos assustadores? Mais que respostas, neste trecho fica a indagação, a pergunta no ar, e a construção do conhecimento debatendo-se entre uma e outra definição. Para esta autora, ainda inconclusa esta dicotomia, sendo, pois, ambos os sentidos interligados de forma intima.

    Em temas literários, falar em literatura de terror é sondar o medo, e os temores que rondam o homem. Teme-se ao conhecido, ao sangue que pinga dos jornais, às guerras, à loucura. Teme-se também ao desconhecido, ao exótico, aos mistérios e fenômenos sem explicações, estes, principalmente estes, sempre assustaram.

    Do que o homem tem medo? Alturas, escuro, adoecer, envelhecer, insetos, solidão, monstros reais ou imaginários, a insanidade, fantasmas, os vivos, os mortos, bandidos, morrer, viver, espíritos… teme-se aos seus próprios fantasmas, a sua imaginação. Tudo que apavora, que sussurra um fuja imediatamente, ou que paralisa na angústia do horror absoluto é o medo. Esse medo pode ser comum, raro, misterioso, ridículo (aos olhos de quem não o sente, é claro), insano ou cruel.

    O que o ser humano é capaz de fazer para enfrentar os seus medos, aliás, onde buscar coragem para enfrentá-los? O que fazer então para não torná-los parte da realidade, para não tomarem a essência de cada ser? A paralisia, a fuga, os sentidos e reações confusos e assustados esperam a resposta. E como nem sempre ela vem, a conseqüência dessa ausência pode ser inimaginável. Se a Literatura questiona, reflete ou revela o homem seus sentidos, amores e dores, também revela os seus medos. E a morte é um dos principais medos que a humanidade enfrenta, é no terror da morte que o gênero terror mais resplandece em suas sombras. Na historia do ser humano, a morte é a aproximação do inexorável, oprimindo os sentidos e sentimentos, pode ser temida, pode ser ignorada, pode ser desejada. Entretanto, mais que a morte, o que vem depois dela parece ser a grande perturbação do homem.

    Rlyeh

    Leva-me à região da paz horrenda*
    A morte e seus mistérios sempre causaram inquietação. E dessa inquietação, os causos, os sustos, as inesperadas aparições, tudo transforma-se em um instigante gênero, a literatura de terror, de suspense, fantástica, assustadora ou surpreendente.

    No conto A mão do macaco, de W. W. Jacobs, a morte e as tentativas de vencê-la acabam gerando um terror infindo, uma mão seca e mumificada, traz consigo o poder de realizar três desejos, mas o preço pode ser terrível.

    “o rosto de sua mulher lhe pareceu mudado quando entrou no quarto. Estava pálida e sôfrega, e, para aumentar a sua inquietação, tinha um aspecto sobrenatural. Sentiu medo dela. ‘Ande, faça o pedido’, ela ordenou, com voz forte. Ele hesitou ‘é loucura, uma crueldade. ’ ‘Peça’, a mulher repetiu. Ele ergueu a mão do macaco. “Eu peço que o meu filho viva novamente”

    Desse ponto em diante, o que a mão do macaco trouxe à família, somente a leitura do conto pode dizer. No entanto, são clássicas na literatura as tentativas de dobrar a morte, Frankenstein de Mary Shelley, um dos mais complexos, amado, temido e sentido monstro da literatura de terror, revela esse desejo oculto e as conseqüências desse querer. O romance nos leva à saga do jovem cientista Victor Frankenstein, que constrói em seu laboratório uma criatura, um monstro feito com pedaços de corpos e metais, cadáveres e molas, tentando recriar o ser humano. Quando por fim a criatura vive, horrorizado com o seu feito, o cientista foge, abandonando a sua obra, ou ainda, o seu filho. Este romance inspirou uma imensidão de obras do gênero em terror e sempre pode ser considerado atual, pois a morte e as tentativas de vencê-la não se esgotaram na ciência, tampouco na literatura. E gera medo. O temor da ciência, do desconhecido, do poder sobre a mais invencível das muralhas, a Morte.

    Entre tantos conceitos que permeiam a literatura fantástica no gênero terror, é preciso considerar que, na medida em que o texto literário embriaga-se destes temores, não está, como julgam tantos, divulgando, promovendo, instigando ou influenciando a insanidade, a irracionalidade do ser humano. A ferida quando exposta, a chaga sangrando é o alerta, a denuncia, e principalmente, o alívio, o alívio da tensão, do dia, da noite insone, da noite solitária, do não, do sim, do cotidiano esmagador, do que não se explica, do que dói sem nem sempre saber o porquê. Este alívio das tensões é o desabafo, a catarse.

    É na literatura dita macabra, em cada página, letras e textos oriundos da mentes sensíveis ao sombrio que o homem pode reencontrar-se consigo mesmo, com os fantasmas que o perseguem, ainda que seus olhos levantem-se inquietos e, até mesmo o silêncio o assuste enquanto lê, a segurança do distanciamento promove o encontro, a busca, o desafio, até mesmo a indiferença de múltiplas emoções.

    O medo, quando explorado na literatura, reflete as sensações enfrentadas na vida dita real. A função catártica da literatura é a purificação, o sentimento de alivio, de expurgar a angústia das situações de tensão. O texto literário pode ajudar o indivíduo a conhecer-se e a conhecer a sociedade em que vive. O homem precisa, mais do que nunca, saber ao que teme, e toda a sua complexidade reflete-se nas letras.
    * Morte (Junqueira Freire)

    dante

    Catarse: da angústia ao alívio
    Questiona-se, no entanto, se essa exposição constante não o tornaria indiferente, insensível à dor que porventura verá. Será então que o aumento da violência traz insensibilidade? Estamos insensíveis ao horror? O ser humano tornou-se embrutecido ou essa brutalidade sempre esteve ali? O que leva uma pessoa a interessar-se por acidentes, brigas, ou outras cenas mórbidas? Programas e filmes que exploram a violência ganham em audiência, notícias macabras, atos mórbidos seduzem a curiosidade e atenção de toda uma nação, e nem por isso, saem repetindo os atos assustadores que presenciam. Assim, quem não gosta de histórias de terror, alimenta o seu medo em outros campos.

    Não há verdade absoluta, tampouco para as perguntas acima, o que nos sensibiliza passa pela historia de vida de qualquer pessoa, e em cada resposta, única e pessoal, pode estar presente o conceito da catarse, no alivio, no reconhecimento de estar a salvo, distante e vivo. Ainda que aterrorizado.

    A catarse está no repouso após a febre, e quando não explora o indizível, mas volta para o cruel, talvez ali esteja o desejo de sacudir, despertar o leitor, acordar o homem da indiferença que o toma, pois o medo sufoca, e uma das opções seria tentar afastar-se, separar o que nos causa repulsa é humano e histórico que o desconhecido agride, mas jamais pode-se fugir do medo.

    A própria sabedoria popular nunca deixou a o suspense se perder, não se deixa as historias de medos perderem-se, e cada ato ou momento de terror ou suspense, permanece lembrando ao homem a sua pequenez. O Futurismo, movimento de vanguarda, mesmo não tratando de literatura de terror, tem esse aspecto de dar a bofetada, de agredir, de sacudir para acordar, e nesse sentido, aproxima-se de algumas histórias cuja crueldade podem ser esse soco, essa bofetada, esse amor ao perigo.


    “Fico na frente da televisão para aumentar o meu ódio. [...] Quero muito pegar um camarada que faz anúncio de uísque. Ele está vestidinho, bonitinho, todo sanforizado, abraçado com uma loura reluzente, e joga pedrinhas de gelo num copo e sorri com todos os dentes, os dentes dele são certinhos e são verdadeiros, e eu quero pegar ele com a navalha e cortar os dois lados da bochecha até as orelhas, e aqueles dentes branquinhos vão todos ficar de fora num sorriso de caveira vermelha. Agora está ali, sorrindo, e logo beija a loura na boca. Não perde por esperar”. Este trecho de O cobrador, conto de Rubem Fonseca (1979), em uma escrita seca, ácida e urbana, convida a uma mente criminosa e doente de ódio. Nas cidades, a névoa, os becos, as sombras, a solidão, a insanidade, a violência, a dívida de sangue da sociedade, a indiferença e a crueldade são alguns dos elementos que propiciam o ambiente de terror. O horror descarado, angustiado, sangrento, cruel, espirrando sangue e angústia no leitor (…) Tirava o facão de dentro da perna quando ele disse, leva o dinheiro e o carro e deixa a gente aqui. Estávamos na frente do Hotel Nacional. Só rindo. Ele já estava sóbrio e queria tomar um último uisquinho enquanto dava a queixa à polícia pelo telefone. Ah, certas pessoas pensam que a vida é uma festa”(…) Ela está grávida, ele disse apontando a mulher, vai ser o nosso primeiro filho. Olhei a barriga da mulher esguia e decidi ser misericordioso e disse, puf, em cima de onde achava que era o umbigo dela, desencarnei logo o feto. A mulher caiu emborcada. Encostei o revólver na têmpora dela e fiz ali um buraco de mina.

    Neste mesmo conto de Rubem Fonseca (1979) é a crueldade o principal mover dos fatos, assim como a dor, a angústia da inadaptação, da insanidade, e por fim, de uma estranha missão, do humano animalizado, bestial, como podemos ver em cada ato do cobrador, “Ergui alto o alfanje e recitei: Salve o Cobrador! Dei um grito alto que não era nenhuma palavra, era um uivo comprido e forte, para que todos os bichos tremessem e saíssem da frente. Onde eu passo o asfalto derrete.” O conto não trata exatamente do terror convencional, mas sim do horror de uma sociedade inesperada, do ódio, da morte, dos jogos de poder entre razão, emoção e sociedade. A paz aparente de quem cruza a rua, vivendo os seus dias com a efervescente mornidão que o cotidiano impõe, pode, de repente, ver-se frente a um cobrador. Toda tranqüilidade rompida em sangue, dor e asfalto derretido. Assim, enquanto o terror explora o indizível, o que inquieta e oculta-se, o horror sangra, causa repugnância, nojo e pavor. O terror representa o rompimento com o que era dito normal, a aparente estabilidade interrompida. Em um momento de paz e tranqüilidade não há espaço para o medo, porém, quando essa tranqüilidade se vai, o espaço que antes era calmaria torna-se, em segundos, uma realidade que aperta e esmaga os sentidos. Assim, a um vulto vislumbrado, a um som que não se explica, o coração acelera, a pele arrepia-se, os instintos gritam silenciosos, eis o medo, eis o terror. Ainda que depois o vulto se descubra em moveis, os ruídos em normalidades de um cotidiano, o medo marcou a presença. Vive-se o medo, lê-se o medo. Nas historias de terror, o medo traduz-se em seres e lugares enigmáticos, seres malignos, fantásticos, espíritos, fantasmas, feiticeiros, bruxos, monstros cuja aparência pode ou não refletir a crueldade de seu intimo. E em cada local, insurgem-se os velhos castelos, casas abandonadas, catacumbas, florestas, ruínas, casebres, o mar, as montanhas, o inferno. Também os mistérios da ciência, as ousadias dos homens em busca do conhecimento, os seres misteriosos, magia, geralmente, são estes os aspectos básicos da literatura de terror.
    >> CASA DAS ALMAS – por Tânia Souza


    “DOCTOR WHO” GANHA 6ª TEMPORADA + ESPECIAL DE NATAL

    sexta-feira | 19 | março | 2010


    A quinta temporada ainda nem estreou e a BBC já renovou a série de ficção científica mais longa da história da TV. “Doctor Who” terá uma sexta temporada, a ser exibida em 2011, mais um especial natalino, com roteiro de Steven Moffat, que irá ao ar no final desse ano.

    As informações não foram divulgadas pela BBC, mas por um dos produtores da série, Piers Wenger, em entrevista à revista “Doctor Who”, do mês de março; bem como pelo roteirista Neil Gaiman em entrevista à revista SFX. A sexta temporada terá 13 episódios, com início de produção em julho na cidade de Cardiff. Ambas temporadas serão estreladas por Matt Smith, o 11º ator a dar vida ao Doutor.

    A série “Doctor Who” estreou em 1963, na Inglaterra. Ao longo dos anos, continuou sendo produzida mudando apenas de ator. A explicação da mudança física é feita na história através da regeneração molecular, pela qual o Doutor, um alienígena, pode passar sempre que está à beira da morte. Com isso, o personagem, e a série, podem ter vida eterna.

    “Doctor Who” é considerada a série de ficção científica mais longa da história da TV (inglesa e americana). Foram 26 temporadas seguidas, sofrendo uma interrupção nos anos 90, quando apenas um especial foi produzido. Retornou em 2005 com uma nova equipe de produtores, a qual trouxe uma roupagem mais moderna para as histórias e personagem. Em função dessas mudanças, essa fase ganhou uma nova contabilização de temporadas. No entanto, pela cronologia, a quinta temporada corresponde à 31ª. 

    A quinta temporada da série terá 13 episódios, os quais terminam de ser filmados no dia 20 de março. A estreia está prevista para o dia 3 de abril pela BBC1 no Reino Unido.
    >> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


    “BATTLESTAR GALACTICA” PODERÁ TER NOVO SPIN-OFF

    quinta-feira | 18 | março | 2010

    O site The Hollywood Reporter reportou que o canal SyFy quer produzir um novo projeto envolvendo o universo de Battlestar Galactica. No entanto, a rede ainda não se pronunciou com mais detalhes sobre esse novo spin-off da série.

    De acordo com Mark Stern, vice-presidente executivo da SyFy, a ideia não é ficar só em Caprica, o atual spin-off de Battlestar Galactica. “Este mundo é tão rico que merece outra série, não necessariamente tradicional”, diz Stern.

    Lançada originalmente em 1978, a série Battlestar Galactica (cuja versão original foi rebatizada no Brasil como Galactica: Astronave de Combate) conta a história dos últimos sobreviventes das doze colônias, liderados pela nave militar Galactica. As colônias foram dizimadas pelos Cylons, uma raça de andróides criados pelos humanos das colônias, mas que se tornaram sapientes, revoltando-se contra seus criadores. Todos buscam a lendária décima terceira colônia, a Terra.

    Em 2003, um remake da série teve início, chegando ao seu final em 2009. Tanto a série original quando a atual têm HQs publicadas pela Dynamite Entertainment. A nova versão atualmente tem um prelúdio no ar, chamado Caprica.
    >> HQ MANIACS – por Will Costa


    UM ROMANCE, UMA ANTOLOGIA E A LEI DE STURGEON

    quarta-feira | 17 | março | 2010

    Roberto Causo, escritor de fantasia e ficção científica, lançou um novo romance: Anjo de Dor (Devir, 212 págs. R$ 25), que poderia ser classificado como um “policial paranormal”, assim como A Corrida do Rinoceronte, obra de 2006 do mesmo autor (Devir, 160 págs., R$ 21), resenhado em CartaCapital por ocasião do lançamento. 

    Nos dois casos, a estrutura é semelhante: uma aparição sobrenatural induz o protagonista a lutar contra uma trama criminosa. O interesse do anterior estava na análise cuidadosa do cenário, que explorou com realismo e verossimilhança o cenário californiano e as relações entre racismo, tráfico de drogas, crime digital e histórias pessoais e familiares. Mas a entidade sobrenatural – um rinoceronte fantasma – foi uma ousadia que a narrativa não conseguiu tornar instigante ou convincente e sua intervenção fez do protagonista, um imigrante brasileiro, uma marionete cujas atitudes se tornaram pouco convincentes, prejudicando a empatia com o leitor e a plausibilidade da trama. 

    O novo romance se esforça menos por ser original ou por fazer análises sociais bem embasadas, mas investe em uma trama mais satisfatória. A entidade sobrenatural ainda surge de maneira um tanto arbitrária, mas é de natureza a se encaixar melhor nos medos, desejos, crenças e fantasias da raça humana em geral e da cultura brasileira em especial. Além de soar mais plausível, ou pelo menos mais emocionante, sua relação com o protagonista faz mais sentido e se integra melhor na história. O herói não é simplesmente teleguiado pela aparição, sente medo e desejo, tem iniciativa e vontade, age e reage de maneira carível. 

    A partir do momento que surge o elemento sobrenatural e a história mostra a que realmente veio, o livro se torna (ao menos para este leitor), o que se costuma chamar de pageturner, um livro difícil de largar. O suspense funciona bem e o final não decepciona. Diga-se de passagem que o conselho da esposa do autor sobre o final, que ele cita nos agradecimentos, foi acertado: seria muito difícil criar outra resolução que não soasse como um anticlímax. 

    A maior ressalva é que a história demora um pouco a engrenar. Os primeiros 30% do livro soam um tanto arrastados. Descrevem o cenário – Sumaré, uma cidade do interior de São Paulo –, sem chegar a criar o clima para a ação propriamente dita: parece pelo contrário ressaltar o que tem de trivial e semelhante a qualquer outra cidade do interior. Além disso, o início do romance apresenta e descreve o “herói” e a “mocinha”, que também não cativam à primeira vista. 

    Esta é um tanto estereotipada, com uma história não muito bem talhada (quais as chances de uma loira natural, de olhos claros, ter nascido numa favela carioca dos anos 50?). Aquele é excêntrico de uma forma original, mas sua solidão soa exagerada ou mal explicada – e o fato de ele, a certa altura (e sem ser artista profissional) pintar um quadro colorido de corpo inteiro que “parece foto” em poucas horas é mais difícil de acreditar que os eventos sobrenaturais. 

    De maneira mais geral, perdeu-se a oportunidade, nesse início de história, de tornar o cenário mais interessante e de aprofundar com mais originalidade e franqueza as idiossincrasias dos personagens, tornando-os menos esquemáticos e mais consistentes. O que o protagonista, vegetariano, realmente sente em relação a comer carne? Quais suas verdadeiras razões de não ter amigos íntimos? Do que tem medo? O que a heroína fantasia em relação aos homens? Como se sente em relação às suas peculiaridades sexuais? Para captar o leitor desde o início, faltou um mergulho mais profundo e ousado nas mentes dos personagens e na vida secreta de uma cidade do interior. Apesar do narrador ter acesso ao íntimo dos personagens, faz quase uma apresentação formal, de recepção em festa da firma… 

    Mas não se deve exagerar a importância desses problemas: o desenrolar da trama propriamente dita, da ação e do suspense, capta a atenção por si mesma, independentemente do que se deixa a desejar na construção dos personagens. 

    Deve-se ressalvar que um pormenor que permanece um pouco incômodo até o final é a grafia dos diálogos. Procurou-se reproduzir o sotaque interiorano paulista da maioria dos personagens e o carioca de alguns outros, mas de maneira um tanto inábil. O texto ficou sobrecarregado de apóstrofos sem conseguir transmitir pecularidades fonéticas e gramaticais com fidelidade e naturalidade. Ouvido e senso comum não bastaram: teria sido preciso um pouco mais de linguística para conseguir o efeito desejado. 

    Roberto Causo também é organizador de uma coletânea de ficção científica publicada pela Editora Terracota, Contos Imediatos (R$ 26, 160 págs.) que saiu menos satisfatória que o romance. Embora alguns contos sejam bons, outros estão abaixo do que se espera de uma antologia profissional. 

    Problemas no Paraíso, do veterano Jorge Luiz Calife, traz de novo sua personagem favorita, a demasiado idealizada heroína Angela Duncan. Tão bela e invencível quanto Barbarella, é empurrada por um acidente a uma aventura amorosa. Um conto de fadas em um futuro já um tanto datado – o universo da space opera dos anos 60 e 70 –, com um pouco de pimenta e muito açúcar. Bem contado, mas deixa a desejar para um leitor maduro. 

    Dejà-vu, de Luis Brás – pseudônimo do jornalista Luís Antonio Giron como autor de literatura juvenil e ficção científica – é interessante pelo uso do fluxo de consciência como técnica literária. Mas em termos de conteúdo conta uma história um tanto batida em termos de ficção científica, sem nada de particularmente criativo ou engenhoso: um assalto militar para a conquista de um portal do tempo de importância estratégica, defendido por monstros. 

    Netúnia e Libra Quatro, de Ataíde Tartari, é uma história sobre um adolescente com uma oportunidade única para mudar o rumo de sua vida, num mundo que só uma vez em duzentos anos se aproxima do Sistema Solar interior o suficiente para permitir o contato direto. O pretexto para a existência dessa colônia peculiar – trazer gelo do Sistema Solar exterior para fornecer água para outros mundos habitados – não é convincente: há uma abundância inesgotável de gelo em luas e asteroides muito mais próximos. E de maneira demasiado conveniente, a namorada virtual que por fim conhece em carne e osso é afilhada do homem que pode lhe abrir o caminho para a carreira que deseja. 

    Cibermetarrealidade, de Tibor Moricz, é um dos melhores contos do livro. Torna-se especialmente memorável ao combinar familiar e insólito em um mundo totalmente cibernético e mecânico que desde o primeiro parágrafo impressiona e parece consistente. Há um festival de neologismos, mas compreensíveis e com razão de ser. O senão é que a lógica interna do conto não se sustenta sozinha: o desenrolar (seguindo certo modelo já tradicional de distopia) e sua conclusão fazem pouco sentido nos próprios termos. Somos levados a reler a história como mera metáfora, e isso a enfraquece. 

    Rejeição, do roteirista de quadrinhos Chico Pascoal, é um dos contos mais fracos. Uma história mal contada em um cenário mal concebido e mal descrito. A exposição dos fatos e da realidade é completamente amadora e o autor não se dá ao trabalho de dar coerência à história, ao personagem ou ao universo. Não importa que, segundo ele mesmo, serviço de valetes seja incomum em sua realidade: um sujeito oferece-se ao protagonista para estacionar o carro e ele o entrega. Importa menos ainda que bares tenham sido proibidos por decreto: a história se passa em um canto a cidade onde são permitidos, para que os clichês usuais possam ser usados. Pura preguiça de inventar uma maneira mais interessante de avançar a história. Inventa-se nomes pseudo-futuristas para objetos que se comportam de maneira exatamente igual ao que conhecemos: o “monocelular” é apenas um celular e o “autocarro” um carro como qualquer outro. Para completar, o “vilão” faz uma inverossímil confissão pública em tribunal e a história desemboca em um final fácil e piegas. 

    O olho que tudo vê, é de Ademir Pascale, crítico de cinema e autor de contos de terror. Como também o é este texto, no qual a ficção científica é aplicada como uma tênue e descuidada demão de verniz. Um alienígena vindo do nada, feito de clichês ufológicos de Arquivo X, implanta no protagonista um olho de propriedades mágicas e o herói encontra explicação para suas agruras num “livro antigo” sobre um mito egípcio. Para forçar um pouco a inserção no gênero da coletânea faz-se do protagonista um fã de Robert Heinlein e seu Um Estranho em uma Terra Estranha, mas o transbordamento de adjetivos como “perverso” e “demoníaca” mostra o espírito do conto, diametralmente oposto ao objetivismo sarcástico do estadunidense. A história seria mais coerente se dispensasse os adereços pseudocientíficos, trocasse o extraterrestre por um mago ou demônio e se assumisse como terror kitsch. 

    (Nota de rodapé: o alienígena é descrito com pernas “longas e magras”, mas com um bem respeitável “diâmetro de vinte centímetros”.) 

    Camarões do espaço, de Miguel Carqueija, é uma história de aventura espacial razoavelmente interessante. Seria mais verossímil com a providência simples de localizá-la em outro sistema estelar, visto que no nosso Sistema Solar os fenômenos descritos no conto não poderiam existir sem terem sido detectados há muito tempo. Falta uma melhor noção de grandezas astronômicas: o conto descreve uma velocidade de 11 mil quilômetros por hora como grande para o foguete, quando o mínimo para se escapar do campo de gravidade terrestre é 40 mil e a velocidade da Terra em sua órbita de translação é 107 mil. Além disso, o conflito surge de maneira gratuita e forçada. Ainda assim, a ideia fundamental é suficientemente original e engenhosa para justificar a leitura. 

    (Nota de rodapé: os protagonistas se felicitam ao calcular a “porcentagem de segurança” da empreitada em 97,58%: “um helicarro no Rio de Janeiro não apresenta tamanha segurança”. Você entraria num veículo se o risco de morrer fosse 1 em 41 viagens? Embarcar duas vezes por dia resultaria em 50% de chances de morrer em duas semanas.) 

    Acesso Negado, da escritora e professora de letras Tatiana Alves, é uma distopia lamurienta sobre um regime autoritário que aboliu os comerciais de tevê, vende apenas uma marca de refrigerante e um tipo de carne (e só sem gordura, vejam que absurdo) e, ah sim, aboliu aulas de história e filosofia e controla mentes por meio de condicionamento com choques elétricos. O leitor acha que já se escreveram coisas parecidas em demasia? Tem razão. 

    Singularis Veritas, do empresário e químico Mustafá Ali Kanso, sobre um arqueólogo que propõe procurar um mítico continente desaparecido e uma cidade submersa e é ridicularizado e desancado pelo reitor. Aos poucos se percebe que a história não se passa no presente, mas nem por isso deixa de ser ingênua e preferir os lugares-comuns e as teorias conspiratórias a especular com inteligência a partir do que historiadores e arqueólogos realmente fazem e pensam ou de ideias atualizadas e relevantes. 

    Pindorama, do jornalista Sindomar de Castro, vem arejar esses bafos de mesmice com um sopro de engenho criativo. Lembra-se da canção “Um Índio”, de Caetano Veloso? “Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante / De uma estrela que virá numa velocidade estonteante… Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias” Pois o conto dá a essa cena surreal uma prequela que faz sentido e é verossímil pelos padrões da ficção científica, enquanto descreve a cultura e o ponto de vista do índio tupi de maneira respeitosa, sem deixar de ser antropologicamente convincente. Está entre os três ou quatro contos que justificam a existência da coletânea. 

    Noite, do cineasta e romancista João Batista Melo, é um conto melancólico sobre o fim do planeta Terra e um homem que vem de um planetoide distante para presenciá-lo. Um tema muito batido pela ficção científica desde os anos 1930, ao qual o autor não traz nada de novo. Pior, retoma especulações obsoletas há décadas sobre a possibilidade de o sol explodir como supernova. 

    Pensamento, do veteraníssimo André Carneiro, permite que a série de contos termine de forma menos deprimente. Mais uma vez, repete-se a fórmula usual do autor: relações eróticas complicadas pela interferência do paranormal – mas com o toque inusitado é que um dos elementos do quadrângulo amoroso é um cérebro humano clonado e criado num “aquário”, que se comunica por telepatia. O conto funciona e surpreende, apesar do seu sabor retrô. O tema do “cérebro numa cuba” foi comum na ficção dos anos 40 aos 60, para ser sucedido em tempos mais recentes pela ideia da mente “escaneada” e gravada em um circuitos eletrônicos, mas Carneiro a pôs em um contexto original. 

    Seria um final satisfatório, mas segue-se Um Gênero, Diferentes Olhares, ensaio de Ramiro Giroldo que não chega a dizer a que veio. As duas primeiras partes são um breve apanhado sobre teorias da ficção científica e um resumo da história da ficção científica brasileira que não dizem nada que já não tenha sido dito em outros lugares com mais minúcia e profundidade. A terceira é ainda mais supérflua: uma resenha nada crítica do próprio livro, que a essa altura o leitor já leu e sobre o qual já tem sua opinião. Difícil imaginar um final mais desnecessário. 

    Quando se reclama de má qualidade, fãs e escritores são rápidos em lembrar a chamada “lei de Sturgeon”, formulada pelo escritor de ficção cientifica Thomas Sturgeon, autor de obras como Vênus mais X e Além do Humano: “Noventa por cento de tudo é lixo”. É verdade, tanto nesse gênero quanto em relação a qualquer forma de arte ou literatura. Mas o objetivo de uma coletânea não deveria ser fornecer uma amostra aleatória e fiel dos altos e baixos da produção do momento. De uma edição profissional, o leitor tem o direito de esperar que procure filtrar apenas o que vale a pena ser lido.
    >> CARTA CAPITAL – por Antonio Luiz M. C. Costa


    “JORNADA NAS ESTRELAS – O FILME”: VEJA OS BASTIDORES

    domingo | 14 | março | 2010

    Vejam, a seguir, um pequeno documentário sobre os bastidores do filme que levou Jornada nas Estrelas ao cinema em 1979. As antigas imagens mostram a criação dos cenários, os ensaios e até o momento em que a atriz Persis Khambatta torna-se careca para seu papel, como Tenente Ilia.
    >> TV SÉRIES – por Martha Machado


    FANTASIA, HORROR, QUADRINHOS: DE OLHO NOS LEITORES QUASE ADULTOS

    sexta-feira | 12 | março | 2010

    Inaugurado há dois anos e meio, Galera Record dá frutos e o novo selo Galera terá livros para jovens (mais crescidinhos)  

    O Grupo Record Editorial está de olho nos leitores que não são nem adolescentes e nem adultos. Para acompanhar o crescimento de seu público juvenil, que já encontrava na Galera Record obras para a sua faixa etária, criou, agora, o selo Galera. Por ele, serão lançados títulos sobre o universo da fantasia, romances, graphic novels e muito mais. Em fevereiro, a editora mandou para as livrarias O dragão de sua majestade, de Naomi Novik (Temeraire, volume 1). A partir de março, alguns autores poderão estar nos dois selos, como é o caso da bem-sucedida Meg Cabot. O primeiro volume de sua série Cabeça de vento sairá pela Galera Record, enquanto Ela foi até o fim estará no catálogo do novo selo Galera. A lista de livros a serem lançados até o fim do ano é extensa e composta de muitos vampiros, zumbis, diários e até da biografia em graphic novel de Kiki de Montparnasse.

     
    —————-
    MARÇO
    A fúria, de L. J. Smith (Diários do Vampiro#3)
    Após os inacreditáveis acontecimentos em Fell’s Church, Elena está prestes a iniciar uma nova vida. Porém, seu antigo amor foi esquecido, e agora Damon e Stefan terão que lutar mais uma vez para conquistar sua amada.
     
    Ela foi até o fim, de Meg Cabot
    Lou Calabrese é uma roteirista de sucesso – já escreveu vários roteiros de ação que renderam milhões de bilheteria e até ganhou um Oscar! O problema é que seu namorado, o grande astro do filme, resolveu deixá-la pela estrela principal! E agora Lou terá que provar que conseguirá passar por tudo para esquecê-lo e, no caminho, talvez até encontre o verdadeiro amor.
     
    Feios#1, de Scott Westerfeld
    Em uma sociedade futurística, todos os adolescentes esperam ansiosos o aniversário de 16 anos, pois então serão submetidos a uma inacreditável cirurgia plástica, que corrigirá todas as suas imperfeições físicas, transformando-os em perfeitos. Tally, porém, acaba se envolvendo em uma conspiração e descobrirá que, por trás de tanta perfeição, se esconde um terrível segredo.
     
    Kiki de Montparnasse (Graphic Novel), de Catie & Bocquet
    Na Paris boêmia dos anos 1920, Alice Prin tornou-se Kiki de Montparnasse, uma das primeiras mulheres emancipadas daquele século. Companheira de Man Ray e musa de tantos outros como Kisling, Fujita, Picasso e Modigliani, foi eternizada em quadros, fotos e manifestos. A vida como modelo e cantora, as noites nos cabarés, o relacionamento com Man Ray, a amizade com Fujita, a biografia censurada (com prefácio de Ernest Hemingway)… Tudo ganha vida nesta graphic novel biográfica.
     
    ABRIL
    A águia da nona#1, de Rosemary Sutcliff
    Na luta pela sobrevivência no Império Romano, um ex-soldado dos exércitos de Roma descobre que a Águia da Nona, um símbolo de seu sacrifício pelo Imperador, está perdido com guerreiros inimigos. Com ajuda de seu fiel escravo, o soldado partirá em uma busca para recuperar seu orgulho e o símbolo das gloriosas vitórias do exército de Roma.
     
    O vampiro não está tão a fim de você, de Vlad Mezrich
    Você quer namorar um vampiro — e isso não é uma pergunta. Não tema: Vlad Mezrich, vampiro, descolado e cintilante, chegou para ajudar meninas desesperadas para encontrar o vampiro da sua pós-morte. E não se engane: agarrar um vampiro não é tão fácil quanto parece, e ainda pode colocar a sua vida em risco… Mas pelo menos eles não têm espinhas!
     
     
    MAIO
    Os diários de Carrie#1, de Candace Bushnell
    Para quem se apaixonou pelas aventuras de Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda, agora é a hora de saber como tudo começou. Abra o diário de Carrie e descubra os pensamentos da protagonista mais querida de Nova York antes de chegar à Grande Maçã.
     
    Louras zumbis, de Brian James
    Hannah tem 15 anos e já se mudou de cidade tantas vezes que nem se preocupa mais em contar. Mas uma coisa é certa: é sempre fácil descobrir quem são as garotas populares da escola… Louras, bonitas, atléticas: líderes de torcida. Mas, em Maplecrest, ela é surpreendida ao ser chamada para se tornar uma delas — mas talvez essa transformação seja mais profunda do que parece.
     
    Swoon, de Nina Malkin
    Na pequena cidade de Swoon, Connecticut, todos têm orgulho de suas raízes e traduções sulistas. Neste meio, a novaiorquina Candice se destaca terrivelmente. No equinócio de outono, porém, suas habilidades psíquicas secretas se tornam úteis quando a prima, a doce Penélope, é possuída pelo espírito de um jovem da era colonial, injustamente enforcado pela morte de sua noiva. Agora, Candice terá que ajudar sua prima e tentar solucionar o mistério que envolve o belo e atraente rapaz.
     
    JUNHO
    O príncipe da Persia – Graphic Novel
    Agora o sucesso dos videogames foi transposto para um graphic novel que encherá os olhos dos fãs. Capturando o clima exótico e misterioso do jogo, conheceremos as lutas e dificuldades de dois príncipes que, mesmo vivendo em séculos diferentes, seguem trajetórias parecidas na guerra e no amor. Um filme baseado na série de jogos estreia nos cinemas em junho, com produção de Jerry Bruckheimer e Jake Gyllenhaal no elenco.
     
    Diários do vampiro#4 – Reunião sombria, de L. J. Smith
    A primeira etapa da saga de Elena, Stefan e Damon chega ao fim.
     
    Gossip Girl – Carlyles#1, de Cecily von Ziegesar
    Peguem suas canetas Montblanc, suas bolsas Chloè e seus suéteres de cashmere: o ano está começando no Upper East Side e as famosas trigêmeas Carlyle estão tomando Nova York como um vendaval. Será mais um ano incrível e cheio de maldades, e eu estarei aqui para contar todos os segredos… Você sabe que me ama, Gossip Girl.
     
    JULHO
    Dezesseis luas, de Kami Garcia e Margareth Peterson
    Ethan é um garoto normal de uma pequena cidade do sul dos Estados Unidos, um pouco entediado com a escola, e totalmente atormentado por sonhos, ou melhor pesadelos, com uma garota que ele nunca conheceu. Até que ela aparece…  Lena Duchannes é uma adolescente que luta para esconder seus poderes e uma maldição que assombra sua família há gerações.
     
    90 livros clássicos para apressadinhos, de Henrik Lange
    Um livro sobre os melhores livros já escritos. Clássicos da literatura que você precisa conhecer. E, se você ainda não conhece, essa é sua chance de ler todos eles de uma vez. Mas, se já leu, pode lê-los de novo e testar sua memória. Em quatro quadrinhos ilustrados, você saberá toda a trama de cada título e poderá ler 90 livros em algumas horas. Ótimo para apressadinhos e para qualquer um que ame os livros.
     
    Trono de jade, de Naomi Novik (Temeraire #2)
    Os chineses descobriram que o valioso presente endereçado a Napoleão foi parar nas mãos erradas. Temeraire já faz parte da delegação de dragões inglesa, mas isso não impede que uma furiosa delegação da China reclame a posse da fera. O dragão tem apenas uma certeza: seu capitão, Laurence, ficará ao seu lado, desafiando o destino e as leis.
     
    Ritos da primavera, de Diana Peterfreund (Sociedade Secreta#3)
    Na primavera, os coveiros da Rosa & Túmulo devem estar preparados para sobreviver a um novo ritual da sociedade… na Flórida! Uma ilha particular e muito sol definitivamente fazem parte do que Amy entende por diversão. Mas com seu protetor solar e biquíni, Amy carrega uma pasta que pode significar encrenca. Para completar, entre a graduação e negócios inacabados com um ex-namorado, Amy terá que lidar com a súbita transformação de um misterioso patriarca da Rosa & Túmulo: de detestável e perverso para… atraente?
     
    AGOSTO
    Cidade dos ossos, de Cassandra Clare (Instrumentos mortais#1)
    Um mundo oculto está prestes a ser revelado… Quando a jovem Clary decide ir para Nova York se divertir numa discoteca, ela nuca poderia imaginar que testemunharia um assassinato – muito menos um assassinato cometido por três adolescentes cobertos por tatuagens enigmáticas e brandindo armas bizarras. Clary sabe que deve chamar a polícia, mas é difícil explicar um assassinato quando o corpo desaparece no ar e os assassinos são invisíveis para todos, menos para ela. Tão surpresa quanto assustada, Clary aceita ouvir o que os jovens têm a dizer… Uma tribo de guerreiros secreta dedicada a libertar a terra de demônios, os Caçadores das Sombras têm uma missão em nosso mundo, e Clary pode já estar mais envolvida na história do que gostaria.
     
    Submarino, de Joe Dunthorne
    Oliver Tate vive na pequena Swansea, uma cidade costeira no País de Gales. Ele se considera um cientista social, um espião no misterioso mundo dos adultos. Seus objetivos? Descobrir o que há por trás do instável casamento de seus pais, desvendar quem é sua misteriosa e também atraente colega de turma, Jordana Bevan, e entender onde ele se encaixa no universo.
     
    SETEMBRO
    O vampiro secreto, de L. J. Smith (Mundo de Sombras#1) 
    Uma sociedade secreta formada por vampiros, lobisomens, bruxas e outras criaturas sobrenaturais está entre nós. Seu professor pode ser um deles, seu namorado também. Mas o Mundo de Sombras tem regras, e elas dizem que não há problema em caçar humanos ou brincar com seus sentimentos – é permitido até mesmo matá-los. Apenas duas coisas são proibidas aqui: 1) Deixar que um humano tome conhecimento da sociedade. 2) Apaixonar-se por um deles. Estas histórias mostram o que acontece quando essas regras são quebradas…
     
    Liberte meu coração, de Meg Cabot
    Escrito pela princesa da Genóvia, Mia Themopolis, com a ajuda de Meg Cabot. Ele é um cavaleiro, alto e bonito, mas esconde um segredo. Ela tem uma beleza aventureira, e alguns segredos também. Finnula precisa de dinheiro para o dote de sua irmã, e rápido. Depois das Cruzadas, Hugo FitzStephen regressa a Inglaterra – ele tem joias, e muito dinheiro. Parece um bom plano raptá-lo e prendê-lo para pedir um resgate? Finnula só não imaginava que poderia se apaixonar, transformando-se em refém de seu próprio plano. 
     
    Perfeitos, de Scott Westerfeld (#2)
    Tally finalmente é perfeita. Agora seus traços são perfeitos, suas roupas são maravilhosas, seu namorado é um gato e ela é muito popular. É tudo que ela sempre quis. Mas por trás de tanta diversão – festas que nunca terminam, luxo e tecnologia, e muita liberdade – há uma incômoda sensação de que algo está errado. Algo importante. Então uma mensagem, vinda do passado de Tally como feia, chega. Ao lê-la, Tally se lembra o que há de errado na sua vida perfeita, e a diversão chega ao fim.  Ela terá de escolher entre lutar para esquecer o que sabe e lutar por sua vida, pois as autoridades não pretendem deixar que ninguém ciente desse tipo de informação sobreviva.
     
    OUTUBRO
    Fallen, de Lauren Kate
    Algo parece estranhamente familiar em relação a Daniel Grigori. Solitário e enigmático, ele chama a atenção de Lucinda logo no seu primeiro dia de aula no internato. A mudança de escola foi difícil para a jovem, mas encontrar Daniel parece aliviar o peso das sombras que atormentam seu passado: um incêndio misterioso levou Luce até ali. Irremediavelmente atraída por Daniel, ela quer descobrir qual é o segredo que ele precisa tanto esconder… mesmo que isso a aproxime da morte.
     
    Garota em tentação, de Cecily von Ziegesar (It Girl#6)
    Quando Jenny confessou um crime que não cometeu, ela pensou que sua vida na Waverly tinha chegado ao fim. Mas por ter escapado de ser expulsa no último segundo, acabou se tornando o assunto do colégio – de novo. O que ninguém sabe é quem a salvou, e para o baile de Halloween Jenny tem um plano que deve revelar seu admirador secreto. Callie já conhece seu Príncipe Encantado: Easy. Mas quando ele descobre que a namorada e Tinsley tentaram provocar a expulsão de Jenny, está tudo acabado. Callie já preparou sua fantasia de Cinderela para tentar reconquistar o coração do rapaz, mas poderá convencê-lo de que ela é sua princesa antes da meia noite?
     
    Desaparecidos, de Michael Grant
    Em um piscar de olhos, todos com mais de 14 anos desaparecem. Restam adolescentes. Pré-adolescentes. Crianças. Nenhum adulto. Nenhum professor, policial, médico ou responsável. Linhas de telefone, redes de televisão e a internet param de funcionar. Não há como pedir ajuda. A fome é intimidante e a violência começa. Os animais parecem estar se transformando, e uma criatura sinistra está à espreita. Os próprios adolescentes estão ficando diferentes, desenvolvendo novos talentos: poderes inimagináveis, perigosos e mortais, que crescem dia após dia. É um mundo novo e assustador. É preciso escolher um lado — e a guerra é inevitável.
     
    NOVEMBRO
    Só mais uma coisa, de Eoin Colfer (série O guia dos mochileiros das galáxias)
    Em uma parceria inédita, as editoras Record e Sextante irão publicar, em conjunto, o sexto volume da idolatrada série O guia do mochileiro das Galáxias, escrita por Douglas Adams, falecido em 2001, aos 49 anos. Adams deixou uma legião de fãs e em algumas entrevistas antes de sua morte expressou o desejo de escrever mais um volume da série.  Fã do Mochileiro desde a adolescência, Eoin Colfer — autor da série juvenil Artemis Fowl, best seller mundial, com mais de 150 mil exemplares vendidos no Brasil — foi escolhido pelos herdeiros para dar continuidade ao trabalho de Adams.
     
    A rainha da fofoca em Nova York, de Meg Cabot (#2)
    Cidade grande, grandes problemas. Lizzie Nichols está de volta, desfilando pelas calçadas de Nova York e procurando emprego, um apartamento para morar e seu lugar no universo (não necessariamente nesta ordem).
     
    DEZEMBRO
    Diários do Vampiro: O retorno, de L. J. Smith
    Elena está viva – mais uma vez. Quando se sacrificou para salvar os irmãos Salvatore, Elena foi entregue a um destino está além da morte. Até que uma poderosa força sobrenatural a traz de volta. Agora Elena não é apenas humana. Ela possui os poderes e habilidades conquistados em sua vida após a morte. Mais: o sangue que corre em suas veias é tão poderoso que a jovem se torna irresistível para todo e qualquer vampiro.
     
    Clube dos segredos III – de Segredos de amor, paixão e namoro, Luiz Antonio Aguiar

    Novo volume da série Clube dos Segredos com contos de Rosana Rios, Pedro Bandeira, Leo Cunha, Rogério Andrade Barbosa e Luiz Antonio Aguiar.

    >> PUBLISH NEWS – por Redação


    “INVASÃO DOS MORTOS” MOSTRA EPIDEMIA DO ALÉM NA TERRA

    sexta-feira | 12 | março | 2010

    Invasão dos Mortos. Crédito: divulgação  
    Álbum escrito por Phil Hester e desenhado por John McCrea e Will Volley começou a ser vendido neste mês

    Imagine que os falecidos encontrassem um jeito de voltar à Terra, ocupando o corpo dos vivos. É a premissa de “Invasão dos Mortos”, álbum que começou a ser vendido em lojas de quarinhos neste mês (Gal, 112 págs., R$ 29,90).

    Na história, a tal invasão tomou posse de tantos corpos que se tornou epidemia. As autoridades norte-americanas logo entram em ação, alertadas por dois comportamentos. O primeiro é o fato de os alvos serem pessoas jovens. O segundo comportamento é os mortos, agora vivos, se dirigirem à cidade de Winnipeg, no Canadá. Por quê? Está lançado o mistério, que conduzirá os quatro capítulos da série, compilados em forma de livro.

    O caso passa a ser capitaneado pela agente Melissa Nguyen e pelo cético Antoine Sharpe, consultor chamado em casos de difícil explicação, como este. A incredulidade de Sharpe e a dureza com que lida com a situação são elementos que ajudam a dar carisma ao personagem e, por consequência, à narrativa de Phil Hester.

    Para quem acompanha histórias de super-heróis, o nome de Hester talvez seja familiar. Foram dele os desenhos de muitas histórias do Arqueiro Verde, personagem da editora DC Comics, já  publicadas no Brasil pela editora Panini. A novidade é vê-lo no roteiro. Ele se sai bem. Constrói uma história bem amarrada, que consegue deixar o leitor curioso.

    Os desenhos do álbum foram divididos entre John McCrea – outro nome conhecido dos títulos de heróis – e Will Volley, que possui um estilo bem diferente do colega. “Invasão dos Mortos” é a primeira obra do ano lançada pela Gal, que tem somado bons títulos em seu catálogo.

    Este trabalho é interessante, mas não excepcional, como apregoam as citações extraídas da imprensa, lidas no verso e até na capa da obra – recurso muito usado pela editora. É mais ou menos como “Guerra ao Terror”, vencedor do Oscar de melhor filme, no último domingo. É correto, bem feito e entretém. Mas você já viu produções melhores.
    >> BLOG DOS QUADRINHOS – por Paulo Ramos


    O “NEW WEIRD”

    segunda-feira | 8 | março | 2010

    O New Weird, movimento surgido nos anos mais recentes, principalmente em Londres, tem trazido uma interessante renovação para a ficção científica. “Weird” (“estranho, insólito, bizarro”) é um termo freqüente na literatura fantástica, principalmente através da revista Weird Tales, que revelou H. P. Lovecraft e outros autores. O New Weird reúne desde autores veteranos como M. John Harrison até autores que já estrearam neste século. O mais visível deles é China Miéville (nascido em Londres em 1972), com seus premiados e elogiados romances Perdido Street Station (2000), The Scar (2002) e Iron Council (2004). Uma antologia recente, The New Weird (Tachyon, 2008), organizada por Jeff e Ann Vandermeer, pode servir como uma boa porta de entrada para esse movimento.

    A certa altura, a introdução de Jeff Vandermeer descreve o movimento como “uma súbita explosão de textos relacionados”. Esta é uma boa descrição de como a crítica percebe o surgimento de um novo movimento (ou uma nova “atitude”, no jargão atual). Os textos são relacionados porque muitas vezes esses autores convivem, conhecem-se, ou pelo menos têm conhecimento do que os outros escrevem no mercado meio invisível de fanzines, revistas, Internet, antologias, etc. Quando o movimento amadurece, muitos deles decolam simultaneamente em carreiras profissionais, e é aí que se dá, aos olhos do público e da crítica não-especializada, essa “súbita explosão”.

    Vandermeer dá o crédito a um editor responsável por isto: Peter Lavery, da Pan Macmillan, que publicou livros de Miéville, K. J. Bishop, Hal Duncan e do próprio Vandermeer. Muitas vezes costuma-se creditar um movimento literário apenas aos autores, e esquece-se que em numerosos casos existe uma editora (empresa) e alguns editores (pessoas) que resolveram “comprar a briga” desses autores, investir neles, avalizar suas obras. O que seria de Julio Verne sem Hetzel? O que seria dos contistas de FC das décadas de 1940-40 sem Gernsback, Campbell, Gold? O que seria do “romance de 1930” sem José Olympio?

    O New Weird mistura os três gêneros principais do Fantástico em língua inglesa: ficção científica, horror e fantasia. O nome adotado pelo movimento revela sua ligação com o espírito da revista Weird Tales. Sendo uma das mais antigas desse mercado, ele remete a um tempo em que ficção científica, horror e fantasia apareciam lado a lado em suas páginas, antes que o mercado se expandisse ao ponto de exigir revistas específicas para cada um. O mercado se segmentou, e com isso fraturou a literatura, que se enclausura em três conjuntos estanques, não-comunicantes: FC (espaçonaves, alienígenas, viagens no tempo), fantasia (castelos, dragões, magia) e horror (vampiros, monstros, criaturas malignas em geral). O New Weird é um refluxo na direção de um campo unificado, para que a capacidade de criar combinações inesperadas possa contrabalançar a força dos clichês coletivos e dos modelos obrigatórios.
    >> MUNDO FANTASMO – por Braulio Tavares


    “FRINGE”: UM DOS BONS MOTIVOS PARA ASSISTIR AO SERIADO

    segunda-feira | 8 | março | 2010

    Algumas pessoas não gostam, outras acham um sub Arquivo X, mas sou fã do seriado Fringe. Realmente não há como não lembrar da famosa série protagonizada por Mulder e Scully. Mas isso pode ser dito de várias outras produções para a TV.

    Apesar da semelhança, Fringe consegue ser bastante original. E além disso, tem o cientista Walter Bishop, um dos melhores personagens a aparecer na telinha nos último anos. E a história de fundo, com a existência de um mundo parelelo ao nosso, é bem interessante. E sem falar que ainda tem a participação mais do que especial de Leonard Nimoy.

    Se nada disso te convenceu a acompanhar Fringe, dê uma olhada nas belas fotos que a a revista Squire fez de Anna Torv, a protagonista da série. Pena que no seriado ela não aparece tão à vontade.
    >> O GLOBO – por sergio Maggi


    WILLIAM SHATNER CRIA UMA REDE SOCIAL

    segunda-feira | 8 | março | 2010

    Ator, diretor, produtor, escritor e até mesmo “cantor”, William Shatner agora também é criador de uma nova rede social de relacionamento, batizada de MyOuterSpace.com. Que nome seria mais adequado para o eterno capitão estelar?

    A nova comunidade de ficção científica é destinada aos amantes das artes, especialmente aqueles que estão em busca de uma carreira nas áreas de ficção, terror e fantasia. A rede está dividida em 12 catergorias compostas de seis planetas e seis naves.

    Cada planeta representa uma subcategoria no mundo do entretenimento (desenhistas/animadores, escritores/diretores, músicos/compositores, técnicos em vídeo-game/criadores de jogos, produtores de TV/produtores de cinema, e atores/atrizes/comediantes).

    Cada nave representa um projeto, que será monitorado por Shatner. O dono do projeto recebe uma nave da qual será o capitão. Se algum membro da comunidade for selecionado para trabalhar em um projeto, ele se tornará “membro da tripulação”. A administração da comunidade forma o “conselho interplanetário”, e no momento, eles estão recrutando produtores para o posto de capitão estelar.

    Se vocês tiverem interesse em se juntar à comunidade ou quiserem mais detalhes sobre a rede, veja o próprio Shanter explicar a novidade nos vídeos postados em MyOuterspace.com.

    Mas as novidades no mundo Shatner não param por aí. Em junho, ele receberá um Life Achievement Award durante o Banff World Television Festival, um festival anual de TV, que terá lugar em Banff, Alberta (Canadá), entre os dias 13 e 16 daquele mês.
    >> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


    “GHOST IN THE SHELL” GANHA DVD DUPLO NO BRASIL

    sábado | 6 | março | 2010

    No distante ano de 2001, quando ter aparelho de DVD em casa ainda era coisa de rico, chegou ao mercado brasileiro o DVD de Ghost in the Shell, um dos animes mais cultuados de todos os tempos. Com o título tupiniquim de O Fantasma do Futuro, o lançamento na época embasbacou muita gente por dois detalhes: a quantidade de extras bacanas presentes e a imagem “esticada” fullscreen, que deformou o formato original wide.

    O filme hoje não é dos mais fáceis de ser encontrado no mercado e de olho na potencial mídia espontânea que o filme gera (sempre sendo citado por qualquer crítico como um cult), a FlashStar vai relançar o DVD por aqui, com direito a versão dupla que promete ser caprichada.

    Um dos discos deverá vir abarrotado de extras, já que todos os disponíveis na época não couberam no disco original. Estamos aguardando maiores detalhes da empresa acerca do lançamento. Aguarde novidades para breve!
    >> JBOX – por Larc

    Enquanto isso, se você não faz idéia do que seja Ghost in the Shell, confira a matéria abaixo.

    [image]De tempos em tempos, surge alguma produção que consegue chamar a atenção de toda a crítica especializada e passa a ser um ponto de referência para futuras produções, seja nos quadrinhos, cinema ou mesmo nos animes. Nesse último caso, podemos citar séries como Patrulha Estelar, Macross, Gundam e Evangelion, considerados os ‘4 ases’ da animação japonesa de ficção-científica pra tv, responsáveis por definir todas as características das produções do gênero realizadas posteriormente.

    Já no campo da animação japonesa pra cinema, excetuando-se as obras de Miyazaki, existem 2 ‘ases’: Akira e Ghost in The Shell. O primeiro, mesmo após quase 20 anos de sua realização ainda causa espanto em quem o assiste pela primeira vez, estando cada vez mais atual. O mesmo não se pode dizer de Ghost in the Shell, que fez o maior barulho e hoje em dia não é nada demais. Sei que essa matéria vai causar polêmica, portanto, vamos por partes.

    [image]Explicando…
    Se tem uma coisa chata no mundo cinematográfico são os críticos ‘profissionais’, que se dizem entendidos do assunto, mas em 99,9% dos casos adoram crucificar um blockbuster (filmes feitos para atrairem bilheteria em massa, trocando em miúdos) e elevar ao altar produções, digamos, ‘independentes’ ou esquisitas para os padrões normais. Se um filme tem 70% de efeitos especiais, logo o taxam de vazio e não se tocam que foi feito simplesmente pra divertir. Agora, se a produção é estranha, cheia de diálogos sem sentidos, e principalmente, mostrar as mazelas do ser humano, essa sim é uma obra de arte.

    O problema é que todo crítico de cinema tem medo de ir contra a maré. Se fulano que está na área a 20 anos diz que o filme “Bombom de Avelã dá Dor de Barriga” é um marco na história cinematográfica, um zé mané que escreve sobre o assunto a apenas 2 meses não vai contrariá-lo. No mundo dos animes é a mesma coisa. Fale ‘mal’ de Evangelion no meio de um grupo de fãs hardcore e verá o mesmo resultado: dirão que você não tem QI pra entender uma trama tão profunda, complexa e intelectual como a do anime (que aposto, nem eles entenderam XD). E Ghost in the Shell está nesse caso. Ninguém ‘fala mal’ porquê foi considerado cult, se tornou uma “vaca sagrada”.

    No caso do filme, a crítica se deixou levar pelo nome do diretor, o renomado Mamoru Oshii, e não perceberam uma coisa: é uma obra boa/regular, mas uma péssima adaptação da história que o originou. Mas, voltemos no tempo..

    O início
    Masamune Shirow é o pseudônimo de um mangaká, que, ao contrário de seus colegas como Rumiko Takahashi (que gosta de aparecer mais que seus próprios trabalhos), é um cara recluso que faz ‘tudo’ sozinho na produção de seus mangás. Shirow nasceu em Kobe em 1961 e foi formado na faculdade de Osaka. Por causa do trabalho quase que solitário (enquanto os autores “normais” contam com dezenas de assistentes), Shirow tem relativamente poucos trabalhos publicados, mas todos, de uma qualidade excepcional, tanto na arte como nos roteiros. E todos tem características comuns: os mechas, heroínas boas de tiros e pitadas de referências à politica e à tecnologia.

    O primeiro trabalho do autor foi Black Magic, que publicado na forma de doujinshi (fanzine) quando ele ainda estava na faculdade, abriu as portas da editora japonesa Sheishinsha para que o autor publicasse a obra que é considerada seu marco inicial: Appleseed, publicado a partir de 1985. Por causa da pouca produtividade, Shirow gastou 4 anos para lançar 4 volumes do mangá, até que em 1989, começou a sair nas páginas da revista Young Magazine sua obra máxima: Koukaku Kidotai, conhecido no ocidente como Ghost in the Shell.

    O mangá logo chamou a antenção por mostrar uma arte riquíssima, cheia de detalhes, uma história que misturava política, filosofia e tecnonologia futurística, aliados a um roteiro enxuto e cheio de humor e ação. Com todas essas qualidades, Koukaku Kidotai (que pode ser traduzido como ‘Divisão da Polícia Móvel Armada’ ou algo perto disso) logo se transformou em um sucesso, rendendo oito volumes e sendo publicada por 7 anos seguidos, encerrando-se em 1996.

    [image]O anime
    Com o sucesso, não era de se espantar que o mangá logo ganhasse uma versão animada. E todo mundo ficou na expectativa, já que o renomado diretor Mamoru Oshii, resposável por Urusei Yatsura Movie e Patlabor Movie entre outros, anunciou que estava produzindo um longa para o cinema, numa parceria entre a Bandai Visual e a Manga Entertainment dos EUA.

    O longa foi lançado em 1995 simultâneamente no Japão e EUA, e rapidinho caiu na graça da crítica, que o considerou tão marcante como Akira foi nos anos 80. Ghost in The Shell, como ficou mundialmente famoso, provou-se um filme mediano, mas muito longe do mangá que o originou. Quem conheceu a obra original, ao ver o filme deve ter pensado ‘Esse não é o GitS que conheço’. E essa é a verdade. O filme, é muito bonito (a animação sem dúvida foi o que mais chamou a atenção de todos, pois usava o que melhor havia disponível na época, com o auxílio de computadores para criar efeitos até então pouco explorados), e a trilha sonora bastante impactante. Mas é uma adaptação fraca e corrida de uma mangá que poderia render algo bem mais inteligente.

    Todo o humor presente nos quadrinhos foi jogado de lado, os personagens perderam suas identidades caracteríticas (Motoko Kusanagi, a personagem principal que o diga… Sem graça que ela só), bem como ganharam uma aura mais “adulta” e bem mais dark. Bateau não fala mais tanto palavrão como na hq e só aparece mesmo pra dar apoio (e pros fãs do mangá não chiarem). O roteiro é um emaranhado de questões filosóficas sobre existência, política e tecnologia, mas não consegue crescer e ser contado numa forma clara e linear. ‘É que você é burro, Tio Cloud, não sabe pensar’. Pode até ser, mas na verdade, nem consegui identificar uma história em si, só o que que sei é que existe um tal ‘hacker’ chamado Mestre dos Fantoches (na versão nacional) e que a polícia está atrás dele. E só. Os personagens não mostram pra que vieram, a história não se desenvolve e não há um clímax, um momento que você vá lembrar pro resto da vida. Ah tá, talvez a cena de Kusanagi pulando pelada de um prédio se torne uma referência. XD

    Como o roteiro do filme é bem fraquinho, Oshii e cia logo trataram de investir no que o anime mais chamava a atenção: a animação. E deu certo, pois, se não fosse por ela o filme teria passado em branco. Só que mesmo com toda a qualidade, hoje ela não chama mais a atenção como antes, e atualmente há até mesmo ovas com qualidade superior. O engraçado é que o filme foi lançado a 10 anos. Akira, que tem quase 20, ainda é super atual. Vai entender =P .

    E já que a animação é o forte, porquê não explorá-la? A equipe de produção levou isso ao pé da letra, tanto que há um momento do filme em que ficam quase 4 minutos apenas mostrando cenas de Hong Kong embalados por uma música que lembra aberturas de tokusatsu dos anos 60/70. Tudo muito bonito, com cenários deslumbrantes, diga-se de passagem. Mas em nada acrescentou à deficiência do filme em contar uma boa história. Pelo menos distraiu. Isso se você não pegou no sono até ali. Estão achando que tô pegando pesado? Ok.. Vamos mudar de assunto.

    [image]A historinha
    Ano de 2029 (ih… Tamus quase lá). O avanço da tecnologia possibilitou a existência de redes de comunicação inteligentes, e até coisas como seres humanos artificiais. A internet é a grande mãe que sustenta toda e qualquer informação, sendo que os crimes mais perigosos agora são os praticados por hackers. Para combater esses crimes, existem agentes especialmente desenvolvidos que conectam sua “alma” direto com a grande rede (através de conexões na nuca… Matrix veio depois, ok?)

    Pra variar, os japoneses conseguem criar algo fodássimo que poderia ser considerado a perfeição máxima dentro do universo dos programas de espionagem (os irritantes spy-wares que sua máquina deve ter aos montes, sem que você se dê conta). Seu nome é Projeto 2501, e foi desenvolvido à mando do Ministério de Relações Exteriores. Tudo seria perfeito (e conveniente pros políticos japas… Corrupção no Brasil é pinto perto do que eles criaram aqui :P), caso não tivessem atribuído ao programa-agente a capacidade de assimilar conhecimento. O resultado disso? Depois de passear por todos os 4 cantos da web, o programa passa a acreditar que é um ser vivo e quer deixar de trabalhar! Legal, né?

    Surge então um “hacker”, que a polícia entitula Mestre dos Fantoches, que começa a chantagear o governo japonês enquanto implanta memórias falsas em corpos cibernéticos. O governo precisa custe o que custar detê-lo e descobrir quais são suas verdadeiras intenções. O que eles não sabem é que o tal Mestre dos Fantoches é na verdade o programa criado anteriormente e quer algo mais que fazer bagunça (e não, não é dominar o mundo!).

    É para descobrir quem é o tal hacker que entra a nossa “heroína”, Major Motoko Kusanagi, na história. Acompanhada de seu “esquadrão” (que conta com o ciborgue Bateau e o policial Togusa – o humano “indispensável” no trio) pertencente à Seção 9 (uma divisão especial da polícia), Kusanagi se envolve com o Mestre dos Fantoches de uma forma que passa a questionar também sua existência.

    [image]O game
    Apesar do filme ameno, uma coisa não se pode negar: o game, lançado para Playstation na época do em que o longa chegou nos cinemas, é uma das coisas mais bacanas já feitas para o console até hoje. No jogo, você controla uma baratinha (hihihi.. Adoro dizer isso XD), que na verdade é um veículo armado até as patas (XD) e vai cumprindo missões, podendo andar em cima de tudo (prédios, paredes, vigas…). A câmera acompanha a barata (hehe) e tem horas que você fica de cabeça pra baixo, de lado… Um recurso muito bacana e pouco explorado até hoje. Só que era bem dificinho, e se não me falha a memória eu não passava da 3ª fase (eu era muleke na época ¬¬ nem sabia jogar direito), o que era uma pena, já que, sempre ao iniciar um novo estágio aparecia uma animação fodônica com a mesma qualidade das vistas no longa (mas exclusivas pro game!).

    Por falar em animações, a abertura do jogo é tão legal, mas tão legal, que entre ela e o longa, prefira a primeira. Você vai se divertir mais (e tem as baratinhas, que não apareceram no filme- aliás, aparece uma versão grandona delas no finzinho do longa, mas não tem tanta graça XD). Falando nisso, em uma entrevista, quando perguntado de onde tira a inspiração para criar os veículos de seus mangás, Shirow respondeu que é assistindo a documentarios na tv e lendo livros, principalmente. Ele também fala que tem um fascínio por entomologia (daí o lance das ‘baratas’-robôs, pois entomologia = estudo dos insetos).

    As continuações
    [image]Tudo bem, todo mundo (menos eu) adorou o filme e tal (ou pelo menos fingiu, o que é bem mais provável), mas mesmo assim ele não supriu a necessidade dos fãs de uma obra mais próxima da história original. E nem rendeu a quantidade de bugigangas possíveis, principalmente. Foi pensando nisso (na segunda opção…), que a série animada chegou à tv japonesa em 2002 e durou duas temporadas, originando mais três ovas do mesmo universo: Tachikoma na Hibi (estrelado pelas baratinhas!!), The Laughing Man e Individual Eleven.

    Em 2004, uma nova versão cinematográfica foi lançada: Ghost in the Shell 2: Innocence. O filme tem uma animação 10x melhor que o longa original e apesar disso, não ganhou o mundo como a versão anterior. Vai ver o povo se lembrou que o primeiro foi boçal e fingiram não saber da existência dessa sequência, também dirigida por Oshii. No embalo, em 2006 foi lançado um outro longa metragem, GiTs: Stand Alone Complex- Solid State Society, e como o próprio nome sugere, desta vez a trabalho foi focado no universo da série de tv.

    [image]No Brasil
    Ghost in The Shell chegou ao Brasil em 1997 (depois de passar por várias amostras de cinema mundo afora), pelas mãos da Flashstar (que adquiriu os direitos da Paris Filmes). A idéia da distribuidora era que o longa fosse lançado nos cinemas em agosto do mesmo ano, mas perceberam que o povo brasileiro ainda não era maduro o suficiente pra ir ao cinema ver um desenho animado, digamos, tão… Fraco? Ops! Adulto! Temendo o fracasso, a Flashstar optou em lançá-lo diretamente no mercado de vídeo, em 1998, onde teve uma recepção bem amena (quase gelada, pra ser mais sincero). E como o nome Ghost in The Shell, que, mesmo mais famoso, soava meio estranho para os nossos ouvidos, a distribuidora resolveu alterá-lo para um título bem tosco: O Fantasma do Futuro, que em nada lembra a trama do filme, lembrando que no original, o ‘ghost” se refere à alma, e o Shell são os corpos cibernéticos que recebem tais almas. Mas ninguém queria pesquisar os significados e resolveram colocar o primeiro nome que veio à cabeça. Mas podia ser pior. Imagina se traduzissem o título original ao pé da letra: O Fantasma na Casca XD.

    A dublagem brasileira ficou a cargo da Dubla Vídeo, que apesar de uma boa escalação teve uma pisadinha na bola: Noeli Santetisban (que fez a voz do Fly e Marine em Rayearth e hoje não dubla mais por morar no exterior), dubladora da Motoko Kusanagi, tem uma voz que combina com a personagem, porém a entonação ficou um tanto quando artificial, sem emoções. Ah é, a moça era uma robô… Vai ver foi isso XD. Pouco tempo depois do lançamento em vhs, GitS passou a ser exibido pela HBO e posteriormente pela Locomotion, ambas em versão legendada.

    A versão em dvd (um dos primeiros animes lançados no formato no país), veio em setembro de 2001 pela mesma Flashstar e autorada pelo estúdio Gabia, teve uma lançamento bem badalado, e segundo críticos da época (olha eles aí de novo), nossa versão ficou bem melhor que a dos gringos, se não fosse por um detalhe: nosso formato de tela foi o ‘full screeen’, o que fez com que os personagens ficassem esticadões, jogando todo o capricho (making of, trailler e outros extrazinhos legais) morro abaixo.

    [image]Finalizando
    Caso vá assistir ao filme esperando por altas cenas de ação, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Até existem umas cenas mais movimentadas, mas o questionamento filosófico sobre o que é (afinal de contas?) a vida, é o ponto em que os críticos especializados conseguem criar explicações das mais variadas que elevam Ghost in the Shell ao patamar de cult que é. Garanto que se desse pra entender, ou uma grande maioria chegasse à um mesma interpretação da coisa toda, o filme só seria mais uma “confusa obra japonesa com ecos em clássicos americanos…”. E será que não é mesmo?
    >> JBOX – por Tio Cloud

    O Fantasma do Futuro (Ghost in the Shell)
    Koukaku Kidoutai (Grupo Tático Móvel Armado)
    Produção: Bandai, Production IG, Manga Entertainment, 1995
    Criação: Masamune Shirow
    Exibição no Brasil: HBO – Cinemax – Locomotion
    Distribuição: Flashstar
    Disponível em: Vídeo e DVD
    Mangá: Young Magazine


    Seguir

    Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

    Junte-se a 75 outros seguidores