HQ ENFRENTA FANTASMAS DE MÁQUINAS INTELIGENTES

segunda-feira | 7 | janeiro | 2013

Graphic novel ‘V.I.S.H.N.U.’ (Quadrinhos na Cia.)
rediscute terceirização da consciência humana

VISHNU

Ficção científica em quadrinhos brasileira é uma parceria entre Ronaldo Bressane, Eric Acher e Fabio Cobiaco

No futuro, cientistas, guerrilheiros, governantes e religiosos tentam tomar as rédeas de uma misteriosa inteligência artificial em um mundo dominado pela tecnologia, em que até cidadãos comuns podem ter seus robôs pessoais. Até que tudo, de repente, entra em colapso.

Essa distopia pós-moderna desencadeia uma mudança na ordem mundial, mas não sem antes provocar grandes tragédias pelo planeta.

Tempos depois, uma nova consciência eletrônica, denominada V.I.S.H.N.U, surge de forma espontânea.

Primeira experiência de fôlego dos quadrinhos nacionais no campo da ficção científica, “V.I.S.H.N.U.” conta com roteiro do escritor e jornalista Ronaldo Bressane, autor de “Céu de Lúcifer” (Azougue Editorial), e se baseia em um argumento de Eric Acher. A arte é de Fabio Cobiaco.

A aventura tecnológica, primeira de uma trilogia, dialoga com traços do quadrinista francês Jean “Moebius” Giraud (1938-2012) e com os conceitos estéticos do artista plástico suíço H. R. Giger, famoso por compor os monstros e cenários do primeiro filme da saga “Alien” (1979).

“O livro é um resultado das inquietações em relação ao livre-arbítrio do homem e ao que ele quer para o futuro. Toca em temas como a transferência de consciência e a imortalidade”, diz Bressane.

Segundo o escritor, a ideia era discutir os dilemas de ciência e tecnologia por uma perspectiva pop, imaginando da interação sexual entre homem e máquina a uma questão filosófica central: até que ponto um objeto high-tech pode ser dotado de alma?

Vishnu, na mitologia hindu, é o deus responsável pela manutenção do universo. O romance transforma a entidade em um impulso eletrônico messiânico, gerado dentro de um supercomputador, mas a sociedade corre novo risco de se deixar governar.

Ao compor o argumento, em 2007, Eric Acher revisitou a obra do filósofo indiano
Jiddu Krishnamurti (1895-1986) como inspiração para “V.I.S.H.N.U”, questionando o que enxerga como a “terceirização” da inteligência humana para os computadores.

“Hoje usamos dispositivos externos como smartphones para nos conectar. Em alguns anos, poderemos ter computadores com realidade aumentada e, quem sabe, virão os implantes neurais. Difícil prever o que acontecerá em seguida”, reflete Acher.
>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Douglas Gravas


O MERCADO DE QUADRINHOS NO BRASIL

sexta-feira | 20 | janeiro | 2012

Gabriel Bá comenta lançamentos de 2012 e a influência da internet nos quadrinhos

Para os aficionados por quadrinhos, o ano de 2011 foi um prato cheio. Com vários lançamentos no mercado editorial brasileiro, também foi um período de prêmios internacionais — os gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon, com  a obra “Daytripper”, faturaram o prêmio Eisner Award, um dos mais importantes do mundo dos quadrinhos.

Em entrevista exclusiva, o quadrinista Gabriel Bá fala sobre o mercado de quadrinhos no Brasil e conta sobre as facilidades que a internet trouxe para quadrinistas que, segundo ele, trabalham cada vez mais de forma independente.

Gabriel Bá: “Talvez a internet seja o melhor veículo para propagação dos quadrinhos.” Foto: J.R. Duran

O ano de 2011 parece ter sido especial para os quadrinhos brasileiros — vocês, por exemplo, ganharam os prêmios Eisner Award e Harvey Award. O que os aficionados por quadrinhos podem esperar de 2012? E com relação ao trabalho de vocês?
Gabriel Bá: Creio que há dois projetos legais que devem ser lançados neste ano. O primeiro deles é oGraphic MSP, do Maurício de Sousa, que traz uma releitura das histórias da Turma da Mônica feitas por quadrinistas como Gustavo Duarte, Danilo Beyruth, Shiko, Vitor e Lu Cafaggi. O outro lançamento vem da parceria entre escritores e quadrinistas. Trata-se de uma série de graphic novels idealizada pelo produtor de cinema Rodrigo Teixeira, em parceria com o escritor Joca Terron. O primeiro volume, “Cachalote”, já foi lançado em 2010. Dos nossos trabalhos, devemos lançar “Casanova” em formato gibi. Também temos outra publicação que não é de quadrinhos — chama-se “Cidades Ilustradas”. Trata-se de um projeto que revela cidades brasileiras pelo traço de vários artistas. Eles levam os autores a cidades que eles não conhecem e, em seguida, os autores fazem um livro com suas impressões. A cidade que estamos trabalhando é São Luís, no Maranhão.

As mudanças que ocorrem no mundo real — linguagem da internet, comunicação rápida e instantânea — afetaram a forma de fazer quadrinhos? 
Na forma de se produzir quadrinhos, não houve mudanças. Talvez a internet tenha ajudado na divulgação desse trabalho, sob diferentes aspectos. Com as tiras, funciona muito bem, que são curtas e rápidas. Só não é melhor que o jornal, porque de certa forma ele já está estabelecido, todo mundo sabe que nesse tipo de publicação já há aquele espaço reservado para tirinhas que todos conhecem. Mas a internet permite que todos tenham acesso aos trabalhos e até mesmo aos autores. Aqueles que gostam de quadrinhos podem seguir, comentar e obter respostas dos quadrinistas, além de poder ver truques e dicas sobre como produzir quadrinhos.

Essa interatividade com os leitores já influenciou algum trabalho de vocês?
Sempre pensamos sobre aquilo que os leitores falam e levamos em consideração as respostas e comentários. Mas como nós trabalhamos sempre juntos, temos que entrar em um acordo. De toda forma, não fazemos disso uma novela, que só quer ganhar mais ibope. Nossos projetos são sempre muito bem pensados, trabalhamos sempre em dupla e discutimos muito sobre eles. Levamos em média dois anos para realizá-los e, quando terminamos, é difícil ter algo que não tenha sido pensado. E nos envolvemos apenas em projetos nos quais acreditamos.

A partir do Daytripper, vocês ganharam notoriedade como contadores de histórias, e não só como desenhistas. Como foi isso?
Com o “Daytripper”, ganhamos destaque maior como contadores de histórias. Antes éramos só desenhistas. Nosso trabalho não é o mais comercial, e com o “Daytripper” mostramos que temos um estilo, uma história para contar. Acredito que o público e o mercado vão nos ver com outros olhos. De toda a forma, continuamos equilibrando esses dois tipos de trabalho.

Em 2011, ganhou corpo um projeto de lei que obriga editoras de quadrinhos a reservar no mínimo 20% para trabalhos nacionais. O que você acha dessa proposta?
Não sei se vai ajudar muito. Essa proposta fala em utilizar mais quadrinhos na escola e ensinar as técnicas para fazê-los. Acho que isso é interessante, pois ajuda a criar público, que também é muito importante. Esse projeto de lei que obriga a ter uma reserva de 20% de títulos nacionais talvez funcione para editoras grandes. As pequenas talvez não tenham como publicar mais títulos. Há também as editoras de mangás, que trabalham com obras estrangeiras e não conseguiriam trabalhar dessa maneira. Não acho que vá beneficiar os autores, uma vez que eles não irão receber mais dinheiro por isso. Não dá para ficar esperando as coisas caírem do céu. E, pelo que tenho visto, a maioria dos autores na área de quadrinhos também não. Muitos estão procurando mostrar seu trabalho de forma independente. Acredito que o mais importante é criar e formar um público de quadrinhos, utilizando a escola, por exemplo.
>> CONTAFIO – da Redação


UNIVERSIDADE ESCOCESA INAUGURA MESTRADO SOBRE QUADRINHOS

segunda-feira | 13 | junho | 2011

“É, melhor começar a me preparar para as provas…”

Em setembro deste ano, a Universidade Dundee (sim, existe uma faculdade com esse nome), na Escócia, vai começar um curso de pós-graduação, digamos, único – um mestrado sobre quadrinhos. Entre os temas abordados na grade, haverá aulas sobre história das HQs, quadrinhos internacionais, prática criativa (em que o estudante cria sua própria história) e uma dissertação sobre o tema. De acordo com o site da BBC News, o programa de pesquisa da universidade foi criado por Chris Murray, uma das maiores autoridades britânicas sobre HQs.

Interessou? Então clique aqui para se inscrever e saber mais sobre a pós. O curso pode ser feito em um ou dois anos, dependendo da carga horária – o aluno tem a opção de estudar em meio período ou integral – e exige um certificado de proeficiência em inglês. Para estudantes internacionais, o custo total fica 9.500 libras (cerca de R$24.600, de acordo com o câmbio atual), sem hospedagem inclusa. É, meio caro. Você faria um curso como esse?
>> SUPER – por Cláudia Fusco


MARVEL E DC: QUADRINHOS NO SÉCULO ELETRÔNICO

segunda-feira | 13 | junho | 2011


A encruzilhada digital é implacável. Indústrias estabelecidas no século 20 graças à cultura de massas penam, no novo século, para se adaptar a uma realidade que celebra a cultura do nicho. Mais que isso, numa cultura digital, em que tudo pode ser copiado e reproduzido sem que o autor tenha controle da distribuição, fica cada vez mais complicado gerir um negócio que lide com a produção de conteúdo feita para milhões de pessoas. A indústria do disco sentiu isso na pele ao servir de boi de piranha digital quando assumiu o papel de primeiro antagonista da web e processou quem baixava MP3 sem pagar.

Hollywood sente dolorosamente essa mudança, quando o download de filmes via torrent a obrigou a apostar em superproduções e em novas tecnologias, como as salas Imax e 3D. Emissoras de TV do mundo inteiro veem suas programações escoarem para fora da grade rumo ao YouTube. Música, cinema e TV estão sempre nas notícias quando se fala nesse assunto, mas uma indústria que é a cara do século 20 e está quase sempre à margem dessa discussão vem penando para retomar sua importância na era digital: os quadrinhos.

E quando se fala em indústria dos quadrinhos, dois nomes se destacam: Marvel e DC, editoras que criaram o conceito de super-herói moderno. A primeira tem se mexido drasticamente para continuar relevante nos dias de hoje, principalmente longe das revistas. Seu principal feito foi se transformar em estúdio de cinema para levar seus personagens para um público que não lê páginas em papel. A Marvel também pulou no iPad na primeira hora, criando um dos aplicativos mais festejados logo que o tablet apareceu. Mas a conta ainda não fechou – e a Marvel continua em busca de alternativas para fazer suas histórias em quadrinhos sobreviverem no século 21.

Sua principal rival, a DC, começou a se mexer de verdade na semana passada, quando anunciou que iria zerar sua linha de super-heróis e recomeçar a contagem de suas revistas, todas com um novo número 1. Não é a primeira vez que a editora que inventou o Super-Homem e o Batman tenta isso. Nos anos 80, conseguiu reiniciar seu universo com a saga Crise nas Infinitas Terras, em que permitiu que seus heróis pudessem fazer sentido no fim do século passado. O novo reinício mira no digital.

Além dos novos números 1, a editora deverá publicar, digitalmente, as mesmas histórias exatamente no dia em que elas chegam às bancas. O preço deverá ser mais barato que o das versões impressas, pois a editora quer que seu novo público volte para o papel uma vez que sentir o gosto dos novos títulos online. Mas isso pode dar bem errado, já que, assim, eles podem matar um de seus principais redutos, que são as lojas de quadrinho – como a música online fez com as tradicionais lojas de disco. A estratégia trará novos leitores se der certo. Mas se der errado, pode afugentar até os velhos. Ninguém disse que seria fácil.
>> O ESTADO DE SÃO PAULO – por Alexandre Matias


REBOOT NO UNIVERSO DC – UMA TRAIÇÃO PARA OS VELHOS LEITORES

segunda-feira | 13 | junho | 2011

A DC Comics decidiu reiniciar toda a sua
linha de quadrinhos, começando em agosto.
Quais as razões para isso e qual a perspectiva
para os velhos DCnautas?

Não é raro que me perguntem por onde começar a ler HQs e a resposta sempre se torna complicada justamente por conta de questões envolvendo continuidade e cronologia, que são os maiores diferenciais dos quadrinhos das grandes editoras americanas. As histórias, via de regra, tem efeito permanente na vida daqueles personagens e devem ser levadas em conta pelos roteiristas que vierem a trabalhar com esse ou aquele título.

Isso acaba por funcionar como uma faca de dois gumes. Por um lado, temos um universo gigantesco de histórias, onde o leitor mais antigo se vê recompensado ao acompanhar por tanto tempo a vida desse ou daquele herói, sentindo que realmente faz parte do cotidiano dele. Por outro, acaba por engessar um pouco os criadores e dificulta a entrada de novos leitores para determinados títulos. 

Ou seja, não foi a troco de nada que a DC anunciou nesta semana que irá realizar em setembro um relançamento em seu universo de heróis, reiniciando todos os títulos publicados desde o número um, aproveitando o gancho da saga “Flashpoint”, publicada atualmente nos EUA. Há alguns anos, a Marvel Comics criou uma linha separada para versões atualizadas de seu panteão, mas manteve também a continuidade clássica. Ou seja, trata-se de a DC adotou um procedimento bem mais radical.

Personagens clássicos serão modificados e atualizados, tanto em seus uniformes quanto em suas histórias. 52 edições serão lançadas ao longo daquele mês, reapresentando os heróis ao público, com um universo redesenhado por novas equipes criativas, chefiadas por Geoff Johns (“Lanterna Verde”) e Jim Lee (“Batman – Silêncio”).

Não é a primeira vez que a editora faz isso. Em 1986, no auge de uma verdadeira balbúrdia que era o Universo (aliás, Multiverso) DC, foi lançada a maxissérie “Crise nas Infinitas Terras”, que enxugou os excessos de versões múltiplas de personagens e deu novas origens a alguns heróis e vilões. O resultado foi que a última história do Superman, “O Que Aconteceu ao Homem de Aço?”, escrita por Alan Moore foi seguida pela minissérie “Superman – O Homem de Aço”, versão de John Byrne para o nascimento do último kryptoniano e que foi a linha-base para os escritores até recentemente. Por sua vez, o Batman teve seu “Ano Um” narrado magistralmente por Frank Miller e David Mazzucchelli.

A questão aqui é que não foram as dobras cronológicas que levaram a DC a realizar esta manobra tão arriscada novamente, mas sim uma necessidade mercadológica. O público que vai sair dos cinemas após uma sessão de “Lanterna Verde” e for atrás de histórias do personagem, provavelmente se assustaria ao ver que teria de ir atrás de mais de 60 edições, mais infindáveis especiais e tie-ins para se inteirar das tramas. O gamer que acabou de zerar “Batman – Arkham Asylum” e que está na pilha para descobrir mais sobre o homem-morcego vai querer abrir uma HQ na qual Bruce Wayne é o Batman.

Interessante notar que a própria DC começou a lançar, em 2010, uma nova  linha de graphic novels chamada “Earth One”, cujo objetivo era justamente lançar versões contemporâneas dos seus principais heróis. Com o reboot na principal, o destino dessa alternativa editorial é incerto, mesmo com o roteirista J. Michael Straczynski (que escreveu o script do filme “A Troca“) tendo afirmado recentemente no Twitter que já estava terminando o roteiro do segundo livro da série “Superman – Earth One“.

Lembremos ainda que a DC agora é “DC Entertainment”, não estando focada apenas nos quadrinhos, mas em um mercado bem mais abrangente. Não é por acaso que, a partir desta mudança, as HQs da editora sairão simultaneamente em papel e em formato digital, oferecendo ao público, além das HQs de modo tradicional, a opção de compra das edições em combos digital + física, ou mesmo apenas as edições virtuais. Essa será uma mudança significativa para o modo de vendagem dos gibis, principalmente em tempos de iPhones e iPads.

Além disso, há outro fator a ser considerado: o processo movido pelos herdeiros de Jerry Siegel e Joe Shuster, os criadores do Superman, com esse litígio ameaçando quebrar o personagem em dois, tendo em vista que a DC se torna dona de tudo o que veio APÓS a publicação da primeira “Action Comics”, mas os conceitos que tinham naquela publicação, como a capacidade de saltar grandes distâncias e a famigerada “cueca por cima das calças” ainda estão sob disputa. O celebrado autor Grant Morrison, responsável pela fantástica minissérie “Grandes Astros – Superman”será o responsável por revitalizar Kal-El.

No entanto, os fãs do casal Lois e Clark estão em pânico com uma provável dissolução de um dos casamentos mais duradouros dos quadrinhos e com uma possível aproximação entre o Homem de Aço e a Mulher-Maravilha (o primeiro a fazer piada sobre aquela música ridícula ganha uma viagem só de ida para a Zona Fantasma). Para quem já viu o Superman agüentando séculos “na seca” junto à bela Diana por pura devoção à sua amada esposa, será um golpe duríssimo (sem trocadilhos). Bom, pelo menos o Azulão não vendeu o casamento dele para o capeta, como um certo herói aracnídeo da Marvel…

Falando na Princesa Amazona, que teve seu uniforme redesenhado há alguns meses, as mudanças de figurino devem atingir as demais heroínas na DC. A ordem é que maiôs e meias-arrastão fiquem de fora dos guarda-roupas das vigilantes a partir de agora. Chora o nosso conterrâneo, o ótimo desenhista cearense Ed Benes, famoso por mostrar bem certos “detalhes anatômicos” das belas guerreiras em seus trabalhos para a editora.

Os leitores mais velhos – eu incluso – com certeza se sentirão traídos pelo investimento emocional jogado quase que no lixo, após de continuidade desconsiderados com este novo recomeço no Universo DC, sem contar a perda histórica para a já citada clássica Action Comics, que recentemente atingiu sua edição de número 900 e deverá voltar ao um.

Como vimos, há mais em jogo nessa decisão do que o coração de nós, fãs devotados. O que está na balança o próprio futuro financeiro e a rentabilidade dos heróis DC. O que resta para os fãs é rezar que as novas equipes criativas tragam boas histórias com nossos amados personagens, agora repaginados para um novo público.
>> CINEMA COM RAPADURA – por Thiago Siqueira


“GARRA CINZENTA”: A PRIMEIRA HISTÓRIA EM QUADRINHOS DE TERROR DO BRASIL ESTÁ DE VOLTA

sexta-feira | 3 | junho | 2011

Garra cinzenta Ampliada

Se parar para pensar que em 1937 heróis comoBatman e Super-Homem ainda não existiam e que a Marvel nem havia sido fundada, o surgimento deGarra Cinzenta neste ano é nada menos que revolucionário.  Publicada pela primeira vez no jornal paulista A Gazeta, a obra é tida por muitos como a primeira HQ de terror do Brasil, já que traz no personagem-título um vilão insano e maquiavélico com face sinistra semelhante a uma caveira. Considerada uma das obras mais cultuadas, discutidas e pouco conhecidas da história dos quadrinhos no país, de acordo com vários estudiosos Garra Cinzenta  teria influenciado diversas HQs italianas e até a própria Marvel Comics, criada dois anos depois, através de sua exportação para países como México, França e Bélgica, onde fez grande sucesso.

Além do interesse despertado por seu conteúdo – roteiros baseados em filmes norte-americanos e desenhos inspirados no gênero noir -, a lendária história em quadrinhos têm diversos outros pontos intrigantes. Um deles é a identidade de seu autor, que até 2008 se acreditava ser de um jornalista chamado Francisco Armond, mas que na verdade se tratava do pseudônimo de Helena Ferraz de Abreu, diretora da Livraria Civilização e dos jornais Gazeta de São Paulo e Correio Universal. Livro com valor de documento histórico não apenas para os quadrinhos mas para a reconstrução do passado brasileiro, Garra Cinzenta ganha merecida edicação de luxo pela Conrad, já disponível no site da editora por R$ 39,90.
>> OS ARMÊNIOS – por Fone Bone


CRIAÇÃO E EVOLUÇÃO DAS HISTÓRIAS EM QUADRIHOS

sexta-feira | 3 | junho | 2011

Hogan’s Alley foi pioneira na produção de histórias em quadrinhos, seu personagem principal Mickey Dugan, mais conhecido como The Yellow Kid, foi quem estreou o artifício de usar balões para mostrar a fala dos personagens, apesar de o garoto se comunicar mais através das mensagens escritas em sua roupa. The Yellow Kid, uma criança dentuça que estava sempre sorrindo e vestindo um pijama amarelo, foi uma das primeiras HQs a ser impressa em cores. Sua primeira tira, criada pelo artista Richard Felton Outcault, apareceu em 1894, com publicações esporádicas na revista Truth. Um tempo depois, o garoto passou a ser desenhado por George Luks e foi extinto em 1898, com um período de vida curto mas muito marcante e inovador.

Hoje, a história em quadrinhos já reivindica para si o título de 8ª arte do século, colecionando admiradores dos mais diversos personagens no mundo todo. Em 1969, Rogério Sganzerla e Álvaro de Moya produziram um pequeno documentário que sintetiza a criação e a evolução das histórias em quadrinhos, desde Yellow Kid até Spirit. Assista abaixo:
>> EDITORA EVORA – da Redação


“NATIMORTO”: ENTRE O ÚTERO E A FORCA

quarta-feira | 1 | junho | 2011

“Quadrinista trabalha demais e não tem retorno nenhum”, afirmou Lourenço Mutarelli ao comentar seu afastamento das HQs. Aqueles que amaldiçoaram o tratamento que o país dispensa aos seus autores, porém, já não têm do que reclamar: a verve maldita de Mutarelli continua gerando iguarias.

 

Respeitadíssimo nounderground pela virulência de suas HQs, o artista se consolidou como romancista e vem progressivamente conquistando espaço no cinema. Primeiro, tivemos as animações deNina (2004) e a adaptação de seu romance O cheiro do ralo (2006). Agora, o circuito comercial recebe Natimorto(2009), filme de estreia do diretor Paulo Machline, que adapta seu romance O natimorto: um musical silencioso.

No longa, um caça-talentos (o próprio Mutarelli) recebe uma cantora (Simone Spoladore) em São Paulo, com a promessa de apresentá-la a um maestro. A chegada dela, porém, põe seu casamento em cheque, e o agente propõe à cantora algo inusitado: embora mal se conhecessem, eles dividiriam um quarto de hotel do qual ele decide não sair mais, deixando para trás uma profissão, uma esposa (Betty Gofman) e todo o asco que o mundo lhe inspirava.

Surpreendida, a cantora busca um “meio termo”: ela poderia deixar o quarto quando bem entendesse e não teria nenhuma obrigação conjugal com o agente que se considera assexuado. Dessa forma, no quarto esfumaçado pelos cigarros acesos quase ininterruptamente, firma-se o pacto que fundamenta um dos filmes nacionais mais instigantes já produzidos.

“Eu vou cantar para você dormir”

Natimorto é praticamente um filme “em primeira pessoa”, ancorado no ponto de vista do agente. Permanecemos com ele quando a cantora sai, visualizamos apenas as lembraças dele e ­– consequentemente – compartilhamos com ele o peso cada vez mais maior do seu retiro. Da cantora, por sua vez, temos apenas o que é expressamente manifesto: suas palavras, seus gestos e sua presença. Tanto sua ausência quanto sua intimidade são preservadas (nada sabemos do que ela cala).

Nada mais acertado, portanto, que o recurso utilizado para apresentar sua “voz da pureza” (para usar palavras do agente): se temos contato com a arte dela por meio do filtro impressionista do protagonista, que pureza seria mais convicente que o próprio silêncio? Cada vez que ela canta, o que fica evidente não é o canto em si, mas a calmaria que ele lhe proporciona.

Calmaria, aliás, é algo raro no longa. A tensão reina do início ao fim e amadurece conforme o arranjo das personagens é posto à prova pelos altos e baixos de sua rotina. Garantir que esse amadurecimento transpareça nas atuações é, a propósito, um dos grandes desafios do filme.

Como sua personagem exige, Mutarelli começa desajeitado e artificial, como alguém que “fala como se escrevesse”, mascarando um temperamento rancoroso que só se despe do autopoliciamento nas agressões contra ela. Por sua vez, Spoladore administra uma doçura que desaparece conforme o mundo externo lhe apresenta possibilidades mais promissoras que o “regime semiaberto” ao qual se submeteu. Quanto menos ela “depende” do agente, mais ela faz valer sua privacidade no trato com ele.

“Eu só me vejo invertido”

Não há nada, porém, que chacoalhe mais a rotina de ambos do que aquilo que podemos considerar a coluna dorsal do filme: a crença do agente, logo compartilhada pela cantora, de que as fotos de advertência dos maços de cigarro de alguma forma se relacionam com as cartas do tarô. Como cada um fuma exatamente um maço por dia, as tentativas de ler a sorte nas mensagens de advertência norteiam-nos dia após dia, fornecendo as precauções e os temores que impedem que sua convivência reclusa se limite ao tédio e ao ócio.

Advém daí, também, a principal motivação e o principal temor do protagonista. Seu grande anseio é livrar-se da decadência mundana, tendo como ideal a pureza dos natimortos. Para isso, providencia um útero (um quarto de hotel, depois uma banheira) e uma mãe (a cantora com quem o sexo se configura um tabu). Seu medo é personificar o enforcado. A cama vazia assume o papel da forca e, conforme a ausência da cantora se torna mais frequente, cada despertar traz um novo calafrio na contemplação dos maços.

Há quem possa afirmar que essa premissa da convivência de um casal entre quatro paredes tem fortes paralelos com longas do Arnaldo Jabor. Cuidado: Natimorto está paraEu sei que vou te amar como um delírio de Antonin Artaud está para uma vinheta de Hans Donner. A visceralidade que Mutarelli cultivava no underground continua plenamente reconhecível. Nessa travessia, sem fazer concessões, sua autenticidade resiste incólume. Permanece pura, como os natimortos.
>> CONTRAFORMA – por Cid Vale Ferreira


ULTRAMAN 45 ANOS – DESAFIOS E EXPECTATIVAS

sexta-feira | 29 | abril | 2011

Este é o ano em que a franquia Ultra, a mais antiga marca de super-heróis japoneses, completa 45 anos. As comemorações se iniciaram já em 2010, com o lançamento deUltraman Zero The Movie, mas o filme não emplacou nos cinemas, amargando apenas o décimo lugar no lançamento, caindo mais ainda nos dias que se seguiram. Para se ter uma ideia de comparação, o filme Let´s Go Kamen Riders, lançado em primeiro de abril deste ano para comemorar os 40 anos da igualmente famosa franquia dos Kamen Riders, ficou duas semanas em primeiro lugar nas bilheterias japonesas. Obviamente isso não quer dizer que o filme de Ultraman Zero, lançado no último dia 22 de abril em DVD e Blu-ray no Japão, seja ruim ou de baixa qualidade. Ao contrário, todos os trailers mostraram imagens de impacto em uma produção de alto nível, bem à frente da concorrência. Mas teriam os Ultras ficado para trás e a marca está desaparecendo lentamente conforme seus astros do passado envelhecem? É o que veremos analisando as atividades anunciadas para este ano.
 
Zero Ultimate Force – Fraco nas bilheterias

EVENTOS E ESPECULAÇÕES

Susumu Kurobe, o Hayata (forma humana do primeiro Ultraman), já anunciou várias vezes sua aposentadoria. Em 2007 ele achava que tinha interpretado Hayata pela última vez, em dois episódios de Ultraman Möebius. Voltou atrás e em 2008 atuou em Superior Ultra 8 Brothers, o maior sucesso da Tsuburaya nos cinemas até hoje e anunciou que aquela seria sua despedida oficial, pois já estava com quase 70 anos na época. Diga-se de passagem, estava (e está) mais inteiro do que Koji Moritsugu, o Dan Moroboshi(Ultraseven), que é cinco anos mais jovem.Em 2009, voltou à ação no mais bem produzido filme da franquia, que apresentou pela primeira vez Ultraman Zero, o filho de Ultraseven. No filme de Zero de 2010, Kurobe apenas fez a voz do herói transformado, assim como todos os outros veteranos. Talvez tenha sido esse o grande erro, apostar o filme em personagens e atores desconhecidos do grande público. Três heróis clássicos da Tsuburaya – FiremanJanborg Ace e Mirrorman – foram repaginados como GlenfireJanbot Mirror Knight e dividiram a cena com Zero. Os Ultras originais ficaram relegados a segundo plano na aventura. Depois do fiasco da ideia nos cinemas, fica difícil imaginar que o estúdio não faça uma oferta para que alguns veteranos voltem à ação, não apenas fazendo a voz do herói transformado, mas também suas identidades humanas.

 
Ultraman Premium: Veteranos de volta à ação ao vivo

A prova de que eles não estão “velhos” demais é que entre primeiro e cinco de maio, em Nagoya, será apresentado o evento Ultraman Premium 2011. Consiste em uma aventura teatral com Susumu Kurobe, Koji Moritsugu e Ryu Manatsu interpretando novamente Hayata, Dan Moroboshi e Gen Ootori (Ultraman Leo), ao lado deShota Minami (Reimon, da sérieUltra Galaxy). Se estivessem mesmo incapazes para rodar um filme, devido à idade, como estão bem para uma peça de teatro, onde tudo é ao vivo, em tempo real? A peça ainda tem Shigeki Kagemaru(o Shinjo da série Ultraman Tiga – na foto, ele está com uma gravata vermelha), com história de Keiichi Hasegawa (Ultraman Dyna, Nexus, Ultraseven X, Kamen Rider W), e a direção é de Hirochika Muraishi, veterano diretor de Ultraman Tiga, Dyna e do clássico Cybercop.

Além da peça, o evento irá apresentar o grupo Voyager, criação da Tsuburaya Pro. para executar os temas de seus personagens. Formado por um rapaz e três garotas, o Voyager atua desde 2009 e tem um ótimo trabalho de harmonias vocais e repertório pop-rock. É absurdamente superior às Kamen Rider Girls, banda formada pela Toei e a gravadora Avex Trax para a trilha do recente Let´s Go Kamen Riders. A performance vocal delas (audivelmente trabalhada em estúdio pra arrumar a desafinação) e o arranjo medonho de rap destruíram a famosa canção tema do primeiro Kamen Rider, regravada para o novo filme.
 
Voyager: Músicas de qualidade

Falando em filmes, para o final do ano um novo longa será lançado, encerrando a trilogia de batalhas entre Ultraman Zero e o maligno Ultraman Belial. Resta saber se os Ultras irão marcar presença forte no filme ou se novamente serão coadjuvantes. Como o filme anterior lançou um supergrupo, o Zero Ultimate Force, formado por Zero, Janbot, Glenfire e Mirror Knight e deixou a história em aberto para uma conclusão, pode-se dizer que o estúdio terá que conciliar muito bem personagens e interesses comerciais.

E ainda o público japonês verá o tradicional Ultraman Festival, que neste ano acontecerá de 22 de julho a 28 de agosto, em Tokyo, com exposição, performances, vendas de produtos e diversas atrações.

ULTRAMAN RETSUDEN – A NOVA SÉRIE
Como preparação para o novo filme, que deverá ser repleto de Ultras, a Tsuburaya irá lançar uma nova série, na verdade uma coletânea de cenas das séries e filmes, explicando características de heróis e monstros da franquia. O “apresentador” será Ultraman Zero, que irá aprender sobre todos os heróis que o antecederam, reunindo todas os Ultras de diferentes dimensões e linhas cronológicas, uma tendência que tem se fortalecido nos últimos anos.
Zero tem a voz do famoso dublador Mamoru Miyano (Light Yagami emDeath Note), sendo que seu hospedeiro humano, Ran, é vivido por Yu Koyanagi. A presença de nenhum dos dois foi confirmada, mas Miyano deve reprisar seu papel, pois tem gravado a voz de Zero para especiais em DVD e até para a já citada apresentação teatral. Por outro lado, a Tsuburaya já confirmou a presença de alguns convidados ilustres, a saber: Hiroshi Nagano(Daigo, o Ultraman Tiga), Takeshi Tsuruno (Asuka, o Ultraman Dyna),Takeshi Yoshioka (Gamu, o Ultraman Gaia) e Taiyou Sugiura (Musashi, oUltraman Cosmos), que deverão apresentar segmentos do programa. Vários outros convidados irão aparecer, nessa série comemorativa do aniversário da franquia. Indicado para iniciantes no Universo Ultra ou para os colecionadores hardcore, Ultraman Retsuden (Ultraman – Biografias) será exibido toda quarta às 18h00 na TV Tokyo, com início em 6 de maio. Voltando ao campo das especulações, não será surpresa nenhuma se os Tiga, Dyna, Gaia e Cosmos retornarem para “salvar” o próximo filme do risco de novo fiasco. Se isso acontecer, será outro problema de excesso de personagens para o roteirista resolver.
A franquia Ultra tem se renovado, atualizado valores de produção e distanciou-se de padrões que, de tanto serem insistidos, viraram estigmas. Mas uma parcela enorme do público, e mesmo fãs de tokusatsu, sequer tem vontade de assistir, pois esperam já que verão algo batido. Ultra Galaxy, o longa de 2009, apresentou cenários em CG, trilha exuberante de Mike Verta, compositor deHollywood e distribuição da Warner Bros. atestando a qualidade internacional da película. Respeitando o passado e atualizando histórias e efeitos, a Tsuburaya tem produzido um bom material para fãs e para novos públicos, mas enfrenta agora o peso de seus 45 anos de aventuras.
A renovação técnica e estrutural do Universo Ultra aconteceu, mas de tão tardia, pouca gente tem se interessado. Eis o grande desafio do estúdio: fazer da marca Ultraman continuar relevante para os próximos anos e atrair novos fãs sem perder os antigos.
Finalizando, um divertido vídeo lançado em abril pela empresa ABC Housing, que cria casas visando conforto e praticidade, mostra os Ultras relaxando como pessoas normais.

A FUNDAÇÃO ULTRAMAN

A Tsuburaya lançou a Ultraman Foundation, especialmente para ajudar as crianças nas áreas atingidas pelo grande terremoto e tsunami de 11 de março.

Em seu site oficial, a entidade divulga mensagens e presta contas de suas atividades para arrecadação. Mais uma das muitas ações criadas pela mídia japonesa para apoiar seus cidadãos nesse momento difícil.
>> SUSHI POP – por Alexandre Nagado


PRÊMIO HQMIX REALIZA CADASTRAMENTO PARA VOTAR NO TROFÉU!

segunda-feira | 25 | abril | 2011

Troféu HQ Mix

A Comissão Organizadora do Troféu HQMIX está realizando uma campanha para recadastrar todas as pessoas que votam no prêmio, considerado o principal do mercado de quadrinhos. A ideia é ter informações mais detalhadas sobre cada eleitor.

Esse processo servirá também para a inscrição de novos votantes. Assim que o e-mail chegar à Comissão, o eleitor receberá uma resposta da Comissão do HQMIX.

O votante inscrito terá, futuramente, serviços exclusivos, como descontos em livrarias, jornal da Associação dos Cartunistas do Brasil, informações sobre promoções e sorteios de originais de desenhistas e materiais de desenho. Mas o cadastramento é só para profissionais da área.

Para se cadastrar ou recadastrar, é simples. Basta que você preencha as informações a seguir e envie para o e-mail hqmix@yahoo.com.braté o dia 30 de maio de 2011. A ficha é a seguinte:

Nome:
Endereço:
RG:
Telefone de contato, com DDD:
Área de trabalho (anotar uma ou mais em que se enquadra)
( ) roteirista
( ) desenhista
( ) colorista de HQ
( ) editor
( ) jornalista especializado
( ) editor de blog/site de HQ e humor gráfico
( ) pesquisador ou professor da área de quadrinhos e humor gráfico
( ) outros
Blog ou site pessoal:
E-mail para votação (importante: use um endereço que não contenha antispam):
Resumo curricular (de três a dez linhas):

As fichas irão para a Comissão Organizadora e o eleitor (ou candidato a eleitor) receberá uma resposta.

Em paralelo, a Comissão já está divulgado em seu blog alguns do pré-indicados ao prêmio de 2011. Para conferir, click aqui.


FINALMENTE GROO ENFRENTARÁ CONAN

sábado | 23 | abril | 2011

O cartunista Sergio Aragonés confirmou que as duas primeiras edições de Sergio Aragonés´ Groo vs. Conan estão prontas e que a minissérie, que terá quatro números, será lançada, provavelmente, na convenção de San Diego deste ano.

A história, que vem sendo trabalhada desde 2007, mostra o próprio Aragonés levando uma pancada na cabeça enquanto tenta defender uma comic shop que está prestes a ser demolida. Atordoado, ele começa a pensar que é o verdadeiro Conan, mas, já no mundo da fantasia, se depara com o bárbaro verdadeiro e descobre que ele está sendo contratado pelas pessoas do mundo de Groo para defendê-las contra o Errante.

Os desenhos foram divididos entre Aragonés e Thomas Yates, que faz a arte referente a Conan. As páginas apresentam um resultado interessante da arte cartunesca de Aragonés, que fez o layout de toda a história, com os desenhos mais realistas de Yeates.

Groo é um personagem criado por Sergio Aragonés, em colaboração com Mark Evanier, no começo dos anos 80. O personagem é uma paródia a Conan, o Bárbaro, e juntamente com sua galeria de personagens, conquistou grande sucesso, que dura até hoje.

Através dos anos, foi publicado em várias editoras nos EUA, atualmente pela Dark Horse. Aqui no Brasil, Groo surgiu em 1989, em uma Graphic Novel pela Editora Abril. No ano seguinte, ganhou um título mensal, que perdurou até 1992. Depois foi publicado e reeditado em edições especiais, minisséries e compilações, pela Abril, Pandora BooksOpera Graphica Mythos.

Conan foi criado por Robert E. Howard em 1932. Inicialmente, o personagem aparecia em contos publicados na revista Weird Tales. No começo dos anos 70, a Marvel Comics começou a publicar a versão em quadrinhos do personagem, em séries mensais e minisséries que duraram até 2004, quando os direitos foram adquiridos pela Dark Horse, que segue com o herói até hoje.

O personagem também ganhou duas adaptações para o cinema, estreladas por Arnold Schwarzenegger; além de uma série para TV com atores e outra animada. Atualmente suas histórias são publicadas no Brasil pela Mythos Editora.

Conan nasceu na Ciméria, em um período de tempo conhecido como Era Hiboriana, uma época pré-glacial anterior ao registro da história conhecida. O bárbaro foi escravo, saqueador, pirata, mercenário, tendo enfrentado todo tipo de criaturas, feiticeiros, vampiros, demônios, lobisomens e até mesmo seres de outras dimensões. Por fim, Conan se torna o rei da Aquilônia, uma das mais altivas e poderosas nações hiborianas, posto que, já em idade avançada, deixa para seu filho, voltando a se aventurar mundo afora.
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno


“AS AVENTURAS DE TINTIM”: PETER JACKSON FILMARÁ “O TEMPLO DO SOL”

segunda-feira | 18 | abril | 2011

TintimO roteirista Anthony Horowitz anunciou numa entrevista à rádio BBC, que Peter Jackson (da trilogia O Senhor dos Anéis) filmará As Aventuras de Tintim - O Templo do Sol.

Horowitz está adaptando para o cinema os álbunsAs Aventuras de Tintim – As Sete Bolas de Cristal e As Aventuras de Tintim – O Templo do Sol, de Hergé. O filme será produzido por Jackson e Steven Spielberg.

A HQ As Sete Bolas de Cristal (Les 7 boules de cristal) foi originalmente publicada no jornal Le Soir, entre 16 de dezembro de 1943 e 3 de setembro de 1944, durante a ocupação da Bélgica na Segunda Guerra Mundial. O material foi interrompido e teve continuidade em O Templo do Sol (Le Temple du Soleil). O primeiro álbum de As Sete Bolas de Cristalfoi lançado em 1948.

O Templo do Sol foi publicado na revista Journal de Tintin, entre 26 de setembro de 1946 e 22 de abril de 1948. A Casterman lançou o álbum dessa história em 1949.

Essa aventura já foi adaptada para um longa-metragem de animação, na década de 1970, num filme do estúdio Belvision.

primeiro filme da nova sérieAs Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne, dirigido por Spielberg, será lançado nos cinemas em outubro de 2011.
>> UNIVERSO HQ – por Sérgio Codespoti


“CAPITÃO AMÉRICA”: FILME PORNÔ EM PRODUÇÃO

domingo | 10 | abril | 2011

Seguindo o caminho de todos os outros super-heróis dos quadrinhos, o Capitão América também terá sua versão “adulta” comCaptain America: An Extreme Comixxx Parody, filme pornô que está sendo produzido pela Extreme Comixxx.

O lançamento está prevista para julho, mesmo mês em que a produção da Marvel Studios chegará aos cinemas.

O Capitão América foi criado em 1941 por Joe SimonJack Kirby. No início da 2ª Guerra Mundial, o soldado Steve Rogers foi voluntário em um experimento com o soro do super-soldado, desenvolvido pelo Dr. Abraham Erskine. Dessa maneira, ele se transformou de um rapaz franzino no combatente perfeito. Armado somente com seu escudo, e tendo ao lado seu parceiro Bucky, o Capitão América enfrentou os nazistas durante a guerra. Acabou sendo congelado perto do final do conflito e voltou à ativa depois de ser encontrado pelos Vingadores, anos depois.

Morto após os eventos da saga Guerra Civil, foi logo substituído por seu antigo parceiro Bucky, que atua como Capitão América usando um uniforme levemente modificado, mesmo após o retorno de Rogers.
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno


“I, FRANKENSTEIN” TEM DIRETOR E ROTEIRISTA

quarta-feira | 30 | março | 2011

O cineasta Stuart Beattie foi contratado para escrever e dirigir a adaptação de I, Frankenstein, HQ criada e escrita pelo ator Kevin Grevioux e publicada pela Darkstorm Comics.

Esta não é a primeira vez que I, Frankesntein tem a possibilidade de ganhar uma versão para o cinema. Em 2009, vários trabalhos para uma adaptação foram desenvolvidos, incluindo um primeiro tratamento do roteiro escrito pelo próprio Grevioux e algumas artes conceituais, que você pode conferir clicando aqui.

Ainda não se sabe se Beattie usará algo do roteiro já existente ou se começará um novo trabalho do zero. De qualquer maneira, a produtora Lakeshore Entertainment espera começar a produção ao final deste ano.

A trama de I, Frankenstein leva monstros clássicos como Frankenstein, o Homem InvisívelDrácula e o Corcunda de Notre-Dameaos dias de hoje, em um cenário noir ambientado na cidade de Darkhaven. Frankenstein aprendeu a controlar seus demônios internos e atua como detetive particular, sendo o único protetor da cidade. É ele quem  tenta sozinho impedir que outras criaturas ressurjam e tragam o caos para a humanidade. Drácula é um chefão do crime e o Homem Invisível é seu agente secreto.
>> HQMANIACS – por Leandro Damasceno



“MULHER MARAVILHA”: CONHEÇAM O NOVO UNIFORME

terça-feira | 22 | março | 2011

A revista EW divulgou a 1ª foto da atriz Adrianne Palicki vestindo o que seria o novo uniforme da Mulher-Maravilha. Cliquem na imagem para ampliar.

Adrianne estrela a nova adaptação para a TV da heroína que surgiu nos quadrinhos, substituindo Lynda Carter, atriz que estrelou a única série  (com atores) já produzida para a televisão.

O projeto da NBC está nas mãos de David E. Kelley, famoso por suas séries de tribunais, incluindo “Ally McBeal”. Se transformada em série, a história, segundo a revista EW, deverá ter uma abordagem mais séria do que aquela vista na década de 1970.

De acordo com a descrição oficial do projeto, a nova versão trará a heroína lutando contra o crime na cidade de Los Angeles, enquanto sua identidade secreta, Diana Prince, mantém uma vida agitada sendo uma executiva bem sucedida de uma grande corporação.

No elenco também estão Elizabeth Hurley, como a vilã da história, e Cary Elwes, como um dos colegas de Diana.

Esta é a segunda tentativa de se produzir uma nova série com a personagem. Na década de 1990, o sucesso de “Lois & Clark: As Novas Aventuras do Superman” levou a Warner a encomendar um roteiro escrito por Deborah Joy LeVine, responsável pela produção estrelada por Clark Kent.

David E. Kelley e Bill D’Elia, que já trabalharam juntos em “Justiça Sem Limites” e “O Desafio”, serão os produtores executivos da nova versão. O piloto, escrito por Kelley, será dirigido por Jeffrey Reiner, de “The Event”. A produção é da David E. Kelley Productions em parceria com a Warner Bros. Television.
>> VEJA – por Fernanda Furquim


JORNALISMO EM QUADRINHOS: OS FILHOS DE JOE SACCO

domingo | 13 | março | 2011

Mais de 15 anos depois do surgimento
do Jornalismo em Quadrinhos,
uma nova safra internacional de HQ-repórteres
mostra que o gênero chegou para ficar.

Eis a breve história do Jornalismo em Quadrinhos. Em 1992, quando Art Spiegelman recebeu o prêmio Pulitzer (até então concedido apenas a trabalhos jornalísticos) por sua obra Maus, o livro ficou conhecido como uma das primeiras experiências de reportagem em quadrinhos. Trata-se de um relato autobiográfico sobre como os pais do autor sobreviveram ao Holocausto.

No entanto, foi um jornalista maltês o responsável por dar nome ao que estava surgindo: em meados da década de 1990, com a publicação de Palestina, Joe Sacco criou a expressão “Jornalismo em Quadrinhos” (JQ). Desde então, Sacco continuou desenvolvendo seu trabalho pioneiro, publicando livros-reportagens sobre conflitos na Bósnia e na Faixa de Gaza.

“Joe Sacco é, desde o princípio e até hoje, o ‘super-herói’ da reportagem em quadrinhos”, diz Jens Harder, quadrinista alemão. Segundo ele, Sacco reina solitário como o principal HQ-repórter em atividade, “porque trabalha com muita seriedade e ambição e porque pega pontos centrais da vida social e política e põe sob uma lupa”.

Sacco, porém, não é o único, tampouco o primeiro. Como relata o brasileiro Aristides Dutra, pesquisador do tema: “Em 1988, a editora e roteirista de quadrinhos Joyce Brabner produziu um livro–reportagem em quadrinhos chamado Brought to Light. Como não havia ainda um nome para esse conceito, o livro foi apresentado como um graphic docudrama”. Antes disso, em 1986, O fotógrafo francês Didier Lefèvre passou dois meses no Afeganistão, acompanhando uma expedição da organização Médicos Sem Fronteiras. As fotos feitas por ele originaram mais tarde a obra Ofotógrafo, uma reportagem em quadrinhos publicada no Brasil em três volumes.

Essas são, até hoje, as principais referências. Agora, uma nova geração vem dar continuidade a essa história.

OS NOVOS HQS-REPÓRTERES
“Sempre tive a ideia de fazer quadrinhos de não ficção ou algo mais literário, mas foi só no ano 2000, quando li Palestina, é que me dei por conta do que era possível fazer com os quadrinhos.” O relato é do HQ-repórter Dan Archer. Ele mora na costa oeste dos Estados Unidos, de onde atualiza o site www.archcomix.com. Ali, publica suas reportagens sobre questões políticas e sociais dos Estados Unidos e da América Central.
Outro norte-americano, Matt Bors, começou a trabalhar efetivamente com JQ só em 2010, após uma viagem ao Afeganistão. Foi, porém, amor à primeira vista: “Algumas pessoas trabalham com prosa ou vídeo; minha mídia é o quadrinho. Esse é o modo como penso e como quero criar”, conta. Tudo aconteceu rapidamente para Bors, que hoje é editor do site Cartoon Movement (www.cartoonmovement.com). Junto com outros dois profissionais radicados em Amsterdã, Bors publica na internet trabalhos de HQ-repórteres de diversos países.

Na Alemanha, em 1999, seis estudantes da Faculdade de Artes fundaram o grupo Monogatari. Eles queriam unir forças para desenhar, discutir interesses em comum e também publicar suas obras. Dessa união surgiram dois projetos de JQ. Em 2001, o primeiro: Alltagsspionage, com reportagens sobre Berlim. O livro gerou repercussão e, em 2004, o grupo foi convidado a fazer reportagens na Basileia, na Suíça, dando origem à coletânea Operation Läckerli.

O tempo passou e os integrantes do Monogatari seguiram seus próprios rumos. Um deles, porém, continuou trabalhando com JQ. Em 2005, o Goethe-Institut de Tel Aviv, em Israel, convidou Jens Harder para coordenar um projeto de intercâmbio entre quadrinistas israelenses e alemães. Surgiu daí o livro de reportagens em quadrinhos Cargo.

Em diversas partes do mundo, outros projetos vêm à tona, indicando uma provável tendência. Em 2008, um inusitado intercâmbio entre quadrinistas da Suíça e da Índia resultou na obra Kulbhushan trifft Stöckli. Já na França, em 2007, a editora Futuropolis publicou um livro em comemoração aos 20 anos da Radio France. Le jour où… reconta em quadrinhos 20 acontecimentos importantes da história da humanidade. Participaram do álbum nomes consagrados do quadrinho mundial. Entre eles, claro, Joe Sacco.

ONDE PUBLICAR?
Os quadrinhos sempre estiveram presentes nos jornais, seja com a publicação de charges e tiras, seja no uso da linguagem em infográficos ou reconstituição de crimes. Só muito recentemente, porém, alguns veículos começaram a abrir outras portas.

Em 2007, o jornal baiano A Tarde publicou uma reportagem em quadrinhos de 30 páginas sobre a história do movimento estudantil na Bahia. Nesse mesmo ano, uma edição da Folha de S. Paulo apresentava uma reportagem de Joe Sacco feita no Iraque. Em 2009, o jornal Correio Braziliense veiculou uma reportagem em quadrinhos sobre o tráfico e o consumo de crack em uma favela de Porto Alegre. Um ano depois, aFolha de S. Paulo enviou um jornalista para cobrir o festival de quadrinhos de Angoulême, na França, e o relato foi feito em quadrinhos. Também em 2010, a revista Caros Amigos publicou uma reportagem em quadrinhos sobre a Bolívia.

A maioria das reportagens feitas até hoje é sobre situações políticas ou conflitos bélicos. São poucas as exceções, como a já citada cobertura do festival de Angoulême. Em 2010, porém, o gênero prestou serviço duas vezes à editoria de esportes. Em outubro, o portal Globo.com publicou uma reportagem em quadrinhos sobre a conquista do tricampeonato mundial de vôlei pela Seleção Brasileira masculina, na Itália. Poucos meses antes, a Continuum, revista de cultura e arte do Itaú Cultural, fez uma edição sobre futebol que continha, entre outras matérias, uma reportagem em quadrinhos sobre o Esporte Clube Juventude, de Caxias do Sul, RS.

Apesar de essa quantidade de publicações indicar uma efervescência do JQ, esses ainda são casos isolados. Muitos jovens candidatos a HQ-repórter só conseguem publicar em veículos experimentais. É o caso da revista Fraude e do Projeto Vanguarda, ambos da Bahia. Em Natal, Rio Grande do Norte, a revista Catorze abre espaço em seu site (www.revistacatorze.com.br) para reportagens desse tipo.

Há quem acredite que a viabilidade do JQ está na criação de veículos segmentados, como o já citado site Cartoon Movement. Outro exemplo é a revista Mamma (www.mamma.am), publicação de um grupo de HQ-repórteres na Itália. Tem também a francesa XXI, que toda edição traz uma reportagem nesse formato.

Mas há quem esteja ousando mais. Em 2009, a empresa japonesa KaBa Net anunciou ser o primeiro site a fazer mangás jornalísticos diários (no www.newsmanga.com, em japonês). E tem também o jornal argentino La Nación, que semanalmente envia o quadrinista Liniers para fazer entrevistas em quadrinhos com personalidades do país.

UM FENÔMENO QUE SE ALASTRA
Se o JQ começa a ser mais praticado e publicado, isso se deve, principalmente, à divulgação. No Brasil e no mundo, surgem eventos para discutir essa nova forma de fazer jornalismo. Em Paris, ocorreu entre dezembro de 2006 e abril de 2007 a exposição BD Reporters (BD é a sigla para a expressão francesa bandes dessinées, ou seja, histórias em quadrinhos). Foram expostos trabalhos de 25 quadrinistas.

Em 2010, na Itália, ocorreu a 6ª edição do Komikazen, festival de quadrinhos baseados na realidade. No mesmo ano, Porto Alegre sediou o I Encontro Internacional de Jornalismo em Quadrinhos, uma parceria do Goethe-Institut com a Feira do Livro da capital gaúcha.

E vem mais por aí. Carlo Gubitosa, membro da revista Mamma, diz: “Estamos, atualmente, organizando um painel sobre JQ dentro de um evento internacional sobre jornalismo, que ocorrerá na cidade de Perugia, na Itália, em abril”.

Essa inserção ocorre também nas universidades. A cada semestre, em todo o Brasil, a maioria das faculdades de Jornalismo conta com pelo menos um estudante de graduação pesquisando sobre o tema em seu trabalho de conclusão de curso. Em maio de 2011, a Pontifícia Universidade Católica (PUC-RS), em Porto Alegre, oferecerá um curso de extensão sobre como fazer reportagens em quadrinhos. E já existe, na internet, um grupo online de discussão sobre o tema, que tem 70 membros espalhados por todo o país.

Aristides Dutra foi o primeiro a estudar o JQ em nível de Mestrado. Em sua dissertação, defendida em 2003, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Dutra estudou as origens do gênero. No início do século 19, o pintor espanhol Goya já retratava visualmente uma história real com a série de seis quadros intitulada Fray Pedro de Zaldivia y El bandido Maragato. Há também o caso do pintor Constantin Guys, provavelmente o primeiro HQ-repórter, como conta Dutra: “Ele trabalhava para o jornal inglês Illustrated London News como ilustrador e foi enviado como correspondente para cobrir a Guerra da Crimeia (1853-56). Ele produzia desenhos nos próprios locais, durante ou após os eventos importantes, e os enviava a Londres, onde eram então transformados em xilogravuras e impressos no jornal”.

O FUTURO DO JORNALISMO
Engana-se quem pensa que, para trabalhar com JQ, tem de saber desenhar. Basta que o jornalista conheça as vantagens e desvantagens da linguagem, de forma a orientar o trabalho do quadrinista.

Dan Archer diz que uma das virtudes do gênero é “a habilidade de condensar notícias áridas em uma forma visualmente atraente e fácil de compreender”. Ele lista outras vantagens: “Colocar o leitor dentro do personagem, ver os acontecimentos sob sua perspectiva; colocar visualmente lado a lado fatos sobre um mesmo evento, ou mesmo sobre dois períodos distintos; e incorporar elementos como diagramas e gráficos no contexto da narrativa”.

Carlo Gubitosa diz que “uma entrevista misturando texto, imagens e quadrinhos pode levar você mais perto do entrevistado; uma reportagem sobre lugares em que nenhuma câmera consegue ir (como zonas de guerra) pode ganhar uma ‘vida gráfica’ só com a ajuda dos quadrinhos”. Nas palavras de Jens Harder: “Nos desenhos, pode-se combinar informações de fundo extremamente abstratas com alta densidade emocional”.

Trata-se, em verdade, de uma linguagem cuja aplicação no jornalismo ainda está sendo testada, explorada. Como diz Gubitosa: “Nós não temos como imaginar no que o JQ vai se transformar nos próximos cinco anos, e isso é parte de nosso entusiasmo: nós nos sentimos como pioneiros em uma nova fronteira, olhando para o horizonte”.

Será esse então o futuro do jornalismo? Em primeiro lugar, há que entender que fazer quadrinhos é um processo lento, o que torna difícil levar o JQ para as redações de jornal. Archer, no entanto, acredita que “os quadrinhos estão abrindo os olhos das redações para quem quer revigorar as suas formas de oferecer notícias, atraindo, assim, uma audiência mais jovem, e apresentando histórias jornalísticas de um novo ângulo”. Mas como pagar por isso? Citando o caso do Cartoon Movement, Matt Bors sugere que essa pode ser uma conta com resultado positivo: “Neste exato momento, nós somos financiados por alguns investidores e por incentivos públicos, tendo o objetivo de tornar o negócio lucrativo.” E finaliza: “Não diria que é o futuro do jornalismo, mas, sim, uma parte dele, uma parte que está crescendo”.
>> REVISTA CULTURA – EDIÇÃO 44 – MARÇO 2011 – por Augusto Paim


ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS SOBRE QUADRINHOS EM RECIFE

domingo | 13 | março | 2011

As histórias em quadrinhos no Brasil estão deixando de ser vistas apenas como forma de entretenimento e diversão infantil. Cada vez mais estudos acadêmicos abordam o fenômeno das HQ´s sobre várias perspectivas com importância social, cultural e econômica. Monografias, dissertações e teses vêm sendo desenvolvidas nas mais diversas áreas da Comunicação, das Ciências Sociais, da Literatura e Lingüística, Educação, entre outras. Políticas públicas que valorizam e estimulam a aplicação e uso das histórias em quadrinhos na sala de aula são implementadas. O número de Quadrinhos Nacionais ganha mais espaço nas bancas e livrarias. Surgem colunas especializadas nos jornais e revistas, programas de TV, adaptações para o Cinema, a TV e até para o Teatro. Os quadrinhos estão se consolidando como a linguagem deste novo século. Esta importância social tem fornecido muitos objetos de pesquisa que muitas vezes precisam ser adaptados pelos pesquisadores com o intuito de divulgá-los nos congressos, simpósio e colóquios das suas respectivas áreas.

O objetivo do evento é reunir os pesquisadores que se dedicam a estudar o fenômeno das Histórias em Quadrinhos nas mais diversas modalidades e áreas e os temas paralelos como Desenhos Animados, Ilustração, Role Playing Games (RPG), e ainda, os movimentos urbanos como os Cosplays, as práticas de Dublagem, a produção de Fanfics e Fanzines, e as adaptações destas produções para outras linguagens como a TV, Teatro e o Cinema. Com isto em vista e com a carência de espaços de discussão na Região Nordeste, propomos a realização do I Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos e Cultura Pop.

O evento estará se realizando no mês de julho dentro do “Super-Con”, a Super Convenção, a maior convenção de Cultura Pop do Estado de Pernambuco e adjacências (também é realizado na Paraíba). O evento reúne os fãs de Animes, Mangás, Quadrinhos de Super-Heróis, Dublagem e outras atividades, no centro de convenções da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. A idéia é permitir aos participantes não só o espaço acadêmico de reflexão e apresentação das pesquisas, mas vivenciar o próprio ambiente de análise.

Todos os interessados em participar, podem  propor atividades como Mesas-redondas, Grupos de Trabalho (GT´s) e Comunicações Livres deverão enviar (por email para: encontrohq@gmail.com) a ficha de inscrição e um resumo de sua proposta, conforme os critérios de regulamentação até 14/04/2011, para a avaliação por parte da Comissão Científica e posterior publicação nos Anais do Evento.

Solicitamos gentilmente a todos a divulgação do evento.

Comissão Organizadora


“CRIPTA”: MYTHOS LANÇA O PRIMEIRO VOLUME COM AS MELHORES HISTÓRIAS DAS REVISTAS EERIE E CREEPY

domingo | 13 | março | 2011

Cripta - Volume 1

Em abril do ano passado, a Mythos anunciou que lançaria, no segundo semestre de 2010, uma coleção baseada na série Eerie Archives, publicada nos Estados Unidos pela Dark Horse e que figurou na lista dos mais vendidos do jornal New York Times.

Depois do atraso, a editora anuncia, para os próximos dias, a chegada ao mercado, com venda em distribuição setorizada, do álbum Cripta – Volume 1 (formato 20,5 x 27,5 cm, 240 páginas, capa cartonada, R$ 48,90), que deve fazer a alegria dos fãs dos clássicos quadrinhos de horror, pois as histórias ficaram muito tempo à espera de republicação.

A edição de estreia, com capa de Frank Frazetta, traz grandes nomes. Nos roteiros, destaque para Archie Goodwin, Ron Parker, Carl Wesser, E. Nelson Bridwell, Eando Binder e Larry Ivie; e na arte, Eugene Colan, Jack Davis, Reed Crandall, Steve Ditko, Frank Frazetta, Rocco Mastroserio, Gray Morrow, Joe Orlando, John Severin, Jay Taycee, Angelo Torres, Alex Toth, Al Williamsom, Wallace Wood, Donald Norman e Dan Adkins.

Cada álbum reúne cinco edições de Eerie (incluindo as capas originais em cores), com todas as aventuras completas e na ordem de publicação original.
Essas aventuras saíram no Brasil de 1976 a 1981, na revista Kripta, que utilizava material dos títulos EerieCreepy, lançados nos Estados Unidos uma década antes pela editora Warren Publishing.

Confira abaixo um preview (clique nas imagens para ampliá-las) de Cripta – Volume 1, que foi traduzida e editada por Fernando Bertacchini.

>> UNIVERSO HQ – por Sidney Gusman

Cripta - Volume 1Cripta - Volume 1Cripta - Volume 1Cripta - Volume 1Cripta - Volume 1Cripta - Volume 1Cripta - Volume 1Cripta - Volume 1Cripta - Volume 1Cripta - Volume 1Cripta - Volume 1

PRÊMIO ABRIL DE PERSONAGENS 2010: LISTA DOS FINALISTAS

sexta-feira | 11 | março | 2011

Prêmio Abril de Personagens 2010 foi um sucesso. Foram 603 inscritos de todas as partes do país, com projetos de alto nível de qualidade. A comissão julgadora escolheu quatro finalistas, que vão ter seus trabalhos publicados e abertos à votação na internet, além de destacar seis personagens para receber menção honrosa.

A partir de 4 de abril, os internautas poderão ler no site do Prêmio ABRIL de Personagens uma história de cada finalista por semana e dar sua nota aos quadrinhos. Ao final, o vencedor terá sua HQ publicada pela Editora ABRIL.

Confira a lista de finalistas e menções honrosas:

FINALISTAS

Gafanhoto

Garoto Vivo
Os alienados
Uma família bem pirata

MENÇÕES HONROSAS

Marvin Xerife EspacialTaroUgo TerraqueoTrio CalafrioRemitcheinsMATE


“ALINE”: GLOBO CANCELA SÉRIE, QUE SE DESPEDE ESTA NOITE

quinta-feira | 3 | março | 2011

A Rede Globo apresenta esta noite “O Musical”, último episódio de “Aline” a ser exibido pelo canal. A série sai da programação da Globo por baixa audiência em alguns estados.

A produção é uma versão romantizada das histórias criadas por Adão Iturrusgarai para as tiras em quadrinhos, sobre uma jovem ninfomaníaca e seus dois namorados.

Estrelada por Maria Flor (Som & Fúria), Pedro Neschling e Bernardo Marinho, a série iniciou com a exibição de um especial de natal em 2008. A primeira temporada com sete episódios estreou em outubro de 2009; a segunda, com oito episódios, estreou em fevereiro de 2011.

No entanto, a baixa audiência teria determinado o cancelamento da série, que sai do ar com apenas cinco episódios da segunda temporada exibidos.

É possível que, se a temporada for lançada em DVD, os três últimos episódios sejam incluídos.
>> VEJA – por Fernanda Furquim


Começam inscrições para congresso internacional de quadrinhos

quinta-feira | 3 | março | 2011

I Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos

Começaram nesta semana as inscrições para as I Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, congresso que será realizado entre 23 e 26 de agosto na USP, em São Paulo.

Há duas formas de participação. Na primeira, a pessoa inscreve um trabalho para ser apresentado. Nesse caso, a submissão dos resumos vai até o dia 31 deste mês.

A segunda maneira de participar é como ouvinte. Mesmo assim, a pessoa precisa se inscrever. Mas, nesse caso, o prazo é um pouco mais folgado, vai até 31 de julho.

As inscrições podem ser feitas por meio do site do congresso:
http://www.jornadasinternacionais.com.br/

A página virtual traz também outras informações sobre o evento científico.


MUTARELLI: SAGA DE DIOMEDES SERÁ REEDITADA EM VOLUME ÚNICO

domingo | 27 | fevereiro | 2011

A Companhia das Letras planeja reeditar no segundo semestre as histórias do detetive Diomedes, criadas na virada do século pelo escritor e quadrinista Lourenço Mutarelli.

A proposta da editora é reunir num volume único os quatro álbuns, “O Dobro de Cinco” (1999), “O Rei do Ponto” (2000) e as duas partes de “A Soma de Tudo” (2001-2002).

O acordo foi acertado no meio da semana passada e é noticiado em primeira mão pelo blog.

O contrato ainda não foi assinado. Mas tanto autor quanto editora confirmam a publicação.

***

“Está combinado. O Mutarelli ligou pra cá e ofereceu o livro. E a gente vai publicar”, disse hoje Thyago Nogueira, editor da Companhia das Letras responsável pelos livros do autor.

O novo título ainda não foi definido. Os originais devem passar por um novo tratamento gráfico. O conteúdo será o mesmo do lido nos álbuns da Devir, primeira a publicar a obra.

Havia nos últimos anos uma disputa entre Mutarelli e Devir sobre os direitos da série. Segundo o autor, o problema já foi resolvido com a antiga editora.

“Está tudo certo. Foi mais um mal-entendido de minha parte do que qualquer outra coisa”, disse Mutarelli, por telefone, agora há pouco.

***

O acordo foi intermediado pela RT Features, comandada por Rodrigo Teixeira. A empresa oferece o álbum em quadrinhos e fica com os direitos de adaptação para outras mídias.

Mutarelli acha muito estranha, nas palavras dele, a situação que a reedição irá criar. No entender dele, seus leitores de quadrinhos não leem seus romances. E vice-versa.

“Tem um modismo no momento [sobre quadrinhos]. Eu acho que é algo passageiro. Eu acho que uma hora eles [os editores] vão ver que não vende tanto.”

Foi o que ele chama de modismo que o trouxe de volta aos quadrinhos, arte que ele havia abandonado na metade da década passada para se dedicar à literatura e ao cinema.

***

“Eu não voltei porque quis”, diz Mutarelli, numa resposta surpreendente. “Eu voltei porque foi a melhor opção de trabalho que eu tive neste ano.”

Além da reedição das histórias do detetive Diomedes, ele prepara um álbum inédito, também pela RT Features, para ser publicado pela Companhia das Letras.

Mutarelli tem até maio para terminar “Quando Meu Pai Encontrou com o ET Fazia um Dia Quente”, a história de um pai que se vê mentalmente confuso após a morte da esposa.

Ele já desenhou 50 paginas. Falta a outra metade. Se o prazo for cumprido à risca, a editora planeja publicar a obra ainda este ano, no segundo semestre.
>> BLOG DOS QUADRINHOS – por Paulo Ramos


I JORNADAS INTERNACIONAIS DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS: 1ª CHAMADA DE TRABALHOS

terça-feira | 22 | fevereiro | 2011

Quando: 23 a 26 de agosto de 2011

Onde: Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP)

Endereço: Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443, Butantã, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil.

Proposta: divulgação de avanços científicos relacionados às histórias em quadrinhos nas diversas áreas do conhecimento, de modo a promover o intercâmbio de novos saberes e experiências.

Público-alvo: pesquisadores de histórias em quadrinhos, estudantes (doutorandos, mestrandos, graduandos), profissionais da área e interessados em geral.

Formato: conferências, mesas redondas, apresentação de trabalhos orais.

Formas de participação: comunicação oral, ouvinte

Inscrição: no site do evento, a partir de 1º de março

Quanto:

  • Até 31.03 – Graduandos (R$ 50), pós-graduandos (R$ 100), pesquisadores e interessados (R$ 150)
  • Até 31.05 – Graduandos (R$ 75), pós-graduandos (R$ 125), pesquisadores e interessados (R$ 175)
  • Até 31.07 – Graduandos (R$ 100), pós-graduandos (R$ 150), pesquisadores e interessados (R$ 200)
  • Obs.: comprovante de depósito deverá ser escaneado e enviado ao e-mail jornadasinternacionais@gmail.com

Realização: Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA/USP

Apoio: Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo

Departamento de Letras da Universidade Federal de São Paulo

Submissão de trabalhos

  1. Todo o processo de encaminhamento de resumos e trabalhos será feito via site do congresso. O endereço será informado no blog do evento (http://jornadasinternacionais.wordpress.com), via Twitter (http://twitter.com/jornadashq) e no blog do Observatório de Histórias em Quadrinhos da USP (http://observatoriodehistoriasemquadrinhos.blogspot.com/).
  2. Envio dos resumos: até 31 de março
  3. Aceite dos resumos: até 30 de abril
  4. Envio dos artigos (só para quem teve o resumo aceito): até 31 de maio
  5. Aceite dos artigos: até 30 de junho

Obs.:

  • só poderá submeter artigo quem já tiver efetuado o pagamento da taxa de inscrição
  • a avaliação dos resumos e artigos será feita pelo Conselho Científico do congresso
  • os prazos de submissão não serão prorrogados

Eixos temáticos

1)      Quadrinhos e literatura
2)      Quadrinhos e cinema
3)      Quadrinhos e identidade
4)      Quadrinhos e história
5)      Quadrinhos e humor
6)      Quadrinhos e jornalismo
7)      Quadrinhos e linguagem
8)      Quadrinhos e mercado
9)      Quadrinhos e novas tecnologias
10)    Quadrinhos e educação
11)    Quadrinhos e cidadania
12)    Quadrinhos e arte
13)   Quadrinhos e cultura
14)   Quadrinhos e sociedade
15)   Quadrinhos e gêneros textuais/do discurso

Informações para apresentação de trabalhos orais

Só serão apresentados trabalhos orais cujos resumos tenham sido aprovados pela Comissão Científica e cujos trabalhos tenham sido submetidos aos Anais do evento. As apresentações devem ter a duração máxima de 15 minutos. O apresentador poderá utilizar power point. O arquivo deverá ser entregue com antecedência ao responsável pela sala.

Normas para submissão dos resumos

Cada resumo deverá conter, obrigatoriamente:

  • Indicação do Eixo Temático
  • Objetivo
  • Fundamentação teórica
  • Metodologia
  • Resultados parciais/conclusões preliminares
  • Referências bibliográficas

O resumo deverá ter entre 400 e 500 palavras. O prazo final para envio é 31 de março. A data não será prorrogada.

Normas para Submissão de Trabalhos Científicos para os Anais

  1. Os trabalhos científicos deverão ser enviados exclusivamente por meio da área restrita do participante, disponível no site do evento. Não serão recebidos trabalhos enviados por e-mail ou correio.
  2. O(s) autor(es) deverá(ao) obrigatoriamente se inscrever no evento antes do envio do trabalho. Somente os trabalhos aprovados e com o(s) autor(es) inscritos no evento e com pagamento efetivado serão inseridos na programação e publicação dos anais.
  3. Cada autor poderá submeter no máximo 2 trabalhos, desde que em eixos temáticos diferentes.
  4. Cada trabalho poderá ter um autor e até dez coautores.
  5. A avaliação do trabalho será feita pela Comissão Científica após a aprovação do resumo; o trabalho deverá ter no máximo 12 páginas, incluindo as referências, conforme modelo definido pela Coordenação, a ser divulgado.
  6. Mensagens relacionadas ao status de avaliação/aceitação ou não do trabalho serão enviadas por meio de e-mail informado na ficha de inscrição do(s) autor(es).
  7. Os trabalhos que não estiverem de acordo com as normas de submissão serão automaticamente desconsiderados para os anais.
  8. As normas de padronização dos artigos serão informadas no site do congresso.
  9. Para outras informações, enviar e-mail para jornadasinternacionais@gmail.com.
  10. Quaisquer dúvidas serão dirimidas pela Comissão Organizadora.

Comissão organizadora

  • Waldomiro Vergueiro (ECA/USP)
  • Paulo Ramos (Unifesp)
  • Nobuyoshi Chinen (Faculdades Oswaldo Cruz)

Conselho Científico
Ana Merino (University of Iowa/Estados Unidos)
Andréa Nogueira (SESC/São Paulo)
Antonio Vicente Pietroforte (USP/São Paulo)
Edgar Franco (UFG/Goiás)
Eduardo Calil (UFAL/Alagoas)
Elydio dos Santos Neto (UMSB/São Paulo)
Gazy Andraus (UNIFIG/São Paulo)
Geisa Fernandes (Observatório de Histórias em Quadrinhos/Rio de Janeiro)
Héctor D. Fernandez L´Hoeste (Georgia State University/Estados Unidos)
Henrique Magalhães (UFPB/Paraíba)
Laura Vazquez (UBA/CONICET/Argentina)
Márcia Mendonça (Unifesp/São Paulo)
Maria da Penha Lins (UFES/Espírito Santo)
Marilda Queluz (UFTRP/Paraná)
Octávio Aragão (UFRJ/Rio de Janeiro)
Patrícia Borges (Observatório de Histórias em Quadrinhos/São Paulo)
Paulo Ramos (Unifesp/São Paulo)
Roberto Elísio dos Santos (UMSC/São Paulo)
Selma Meireles (USP/São Paulo)
Sonia Luyten (São Paulo)
Valéria Bari (UFS/Sergipe)


PETRALHAS!: ENTENDA A POLÊMICA SOBRE O TERMO QUE APARECEU NO “BATMAN”

domingo | 13 | fevereiro | 2011

Nojentos, horríveis, asquerosos, odiosos, sórdidos,
malcriados, repelentes, vis, desagradáveis,
indecentes, torpes, trapaceiros, vigaristas…
Ou seja: PETRALHAS!

batman

A história que vou contar poderia ser divertida não fosse expressão de um fascismo ainda suave que vai se insinuando na sociedade brasileira, especialmente no ambiente da cultura. Em nome do bem ou da liberdade, grupos de pressão tentam impor a sua agenda e calar seus adversários. É a turma que queria e ainda quer o “controle social da mídia”… Patrulham tudo: blogs, revistas, jornais, sites noticiosos, a ombudsman da Folha, programas de televisão, livros e, acreditem!, até gibis do Batman! Leitores me enviaram links de alguns blogs verdadeiramente espantosos. Não sei se é o autoritarismo que alimenta a burrice ou a burrice que alimenta o autoritarismo. É provável que seja uma coisa e outra, num ciclo realmente perverso.

No alto, vocês vêem a capa de uma revista (é assim que a gente chama? Não entendo nada desse assunto!) do Batman, publicada no Brasil pela Editora Panini. O bandidão dessa história, de Grant Morrison (roteiro) e Cameron Stewart (desenhos), é o “Rei Perolado”. Pois bem, num dado momento, uma das personagens se refere ao facinoroso como “petralha”. No original, em inglês, emprega-se “nasty”. A felicíssima tradução é de Caio Lopes. Quando uma pessoa é “nasty”, ela pode ser nojenta, horrível, asquerosa, odiosa, sórdida, malcriada, repelente, vil, desagradável, indecente, torpe e coisas desse paradigma… Em suma, é uma “petralha”. Caio marcou um golaço! Uma tradução busca na outra língua não o sinônimo frio, mas o termo que tem, além do significado semelhante, a mesma carga cultural. Não conheço a história, mas suponho que o “Rei Perolado” também deva ser trapaceiro, vigarista, essas coisas. Ou seja: UM PETRALHA!!!

Vocês acreditam que os petralhas resolveram reagir? “Como ousam usar uma palavra criada pelo Reinaldo Azevedo?” Há blogs protestando contra o que seria a “ideologização” da tradução! De fato, o neologismo é meu: trata-se, originalmente, da fusão de “petista” com “metralha”, dos Irmãos Metralha, os ladrões. Generoso, já disse até na TV que nem todo petista é petralha, mas todo petralha é petista. O que isso quer dizer: nem todo petista rouba, mas sempre que alguém roubar e tentar dizer que é para o bem do Brasil, não duvide: é um petista! Os ladrões dos outros partidos têm ao menos a honestidade dos bandidos: pegos em flagrante, jamais dizem que fazem safadeza em nome da causa. Adiante!

O vocábulo fugiu ao meu controle e foi virando sinônimo de gente que não presta. Não é a primeira vez que isso acontece na língua.

Esses caras são tão dedicados na sua patrulha que um Zé Mané aí se orgulha de ter, acreditem!, entrado em contato com a editora para reclamar. Márcio Borges, diretor de marketing e da área comercial da editora, deu uma resposta excelente, que merece nosso aplauso:
“A Panini considera o termo ‘petralha’ uma gíria que vem se popularizando no Brasil e, independente da origem do termo, não é mais utilizado no linguajar popular apenas com conotação política, mas como sinônimo para ‘asqueroso’, ‘nojento’ etc. A empresa ressalta que não tem qualquer intenção de utilizar seus produtos editoriais de entretenimento para fins políticos.”

Parabéns, Borges! Não se deixe patrulhar por desocupados. O inconformado missivista não gostou da resposta da editora e observou que o termo ainda não está dicionarizado. Pois é! Junta a ignorância ao autoritarismo. Está, sim!

“Petralha” e variantes – “petralhada” – já figura no “Grande Dicionário Sacconi” da língua portuguesa, conforme se pode ver abaixo. A definição é deliciosa. Leiam:

sacconi
petralha1petralha-dois

Espantoso
O que há de espantoso na corrente contra o emprego da palavra na tradução de uma revista do Batman? Os que protestam alegam que o termo incentiva a “intolerância”. Outros dizem que se trata de um abuso da “liberdade de expressão”!!! Como eles são muito tolerantes, então defendem a censura, entenderam?

De resto, ainda que “petralha” não tivesse caído na boca do povo com esse sentido mais amplo, ainda que continuasse a ser apenas o que era na origem – “petista + metralha” -, pergunto: o que há de errado em combater petista ladrão?

Bem, queridos, não sei se a revista ainda está nas bancas, mas vou comprar a minha, hehe. E os convido a torrar alguns tostões fazendo o mesmo, até como ato de desagravo ao achado lingüístico do tradutor e à editora, que teve de agüentar a patrulha boçal.

Não adianta! Vão ter de conviver com este fato:  “petralha”, agora, faz parte da língua. E só foi parar no dicionário porque, afinal, existem os petralhas. A patrulha a um gibi e a uma editora prova que  existem e que têm de ser combatidos.

Freqüentemente, também eu alargo o sentido da minha criação e emprego “petralha” como sinônimo de “fascista”. Faz ou não faz sentido?
>> VEJA – por Reinaldo Azevedo


QUADRINHOS RUSSOS

terça-feira | 1 | fevereiro | 2011

“Ei, como são os quadrinhos na Rússia?”

“Bem… eles não eram… mas estão começando a ser.”

Eu sempre gostei de histórias em quadrinhos, sabe? Meu pai me deu as primeiras revistinhas antes mesmo de eu aprender a ler e elas estão entre minhas memórias mais antigas. Tipo, os quadrinhos são pra mim o que a música é na vida de muita gente.

E daí conheci essa mocinha russa, a Anna Voronkova, lá no congresso Viñetas Serias em Buenos Aires, ano passado. Fiquei impressionado com a ideia de um lugar em que as HQs simplesmente não existiam. Não havia cultura de leitura, as páginas de quadrinhos simplesmente não faziam sentido pro povo. E ela contou sobre esse lugar: a Rússia.

(Sei que falando assim parece que eu acredito que em todos os lugares do mundo existem histórias em quadrinhos e sei que isso está bem longe da verdade. Ouvir as histórias de Anna fez eu me dar conta de que algo que é tão bacana e tão cheio de significado pra mim simplesmente não faz parte da vida da maioria das pessoas. E é muito estranho se dar conta de algo assim).

A Rússia tem uma fortíssima tradição gráfica: tem excelentes cartazistas, designers e ilustradores. Muita coisa boa que serve de referência visual vem de lá. As histórias em quadrinhos até poderiam ter se tornado um gênero gráfico a ser trabalhado pelos russos, se não estivessem vinculadas com a cultura de consumo norte-americana. Os russos viam nos quadrinhos uma representação do capitalismo, pelo seu aspecto de produto da indústria cultural e pelas ideias do “american way” divulgadas pelos personagens das tiras e revistas da primeira metade do século XX.

Existiram manifestações prévias de arte sequencial no material gráfico russo, algumas surpreendentemente antigas. Lubok é o nome dado a um tipo de gravura produzida que se caracterizava pela utilização de imagens, textos e pequenas narrativas. Abaixo você pode ver um lubok chamado Os ratos enterrando o gato(The Mice are Burying the Cat), feita no século XVIII. Essa gravura era uma sátira do funeral do czar Pedro, o Grande, feita por seus oponentes políticos. Olhe e pense em uma página de quadrinhos…

Houve ao longo do século XX algumas poucas publicações na Rússia que empregavam a linguagem dos quadrinhos, no sentido de utilizar imagens em sequencias narrativas acompanhadas ou não de texto. Essas publicações tinham cunho educativo ou de propaganda política. Mas, essencialmente, não existiam os quadrinhos do modo como nós os conhecemos aqui no ocidente, com todas as suas variações de gênero (infantil, super-herói, terror, underground, etc).

Portanto, as histórias em quadrinhos simplesmente não faziam sentido pro povo Russo.

Veio a queda do comunismo e a world wide web e, de repente, o pessoal começou a ter acesso ao material de quadrinhos produzido pelo mundo.

Num primeiro momento, alguém com espírito empreendedor imaginou que lançar álbuns em quadrinhos na Rússia ia ser um excelente negócio, visto o sucesso que tinham as publicações nos países europeus como França e Inglaterra. Nosso inspirado empreendedor optou pela adaptação de clássicos da literatura para os quadrinhos e lançou uma versão de Anna Karenina de Tolstoi.

O resultado foi um fracasso absoluto.

Os russos não compreendiam a linguagem dos quadrinhos, não sabiam o sentido de leitura, não tinham a bagagem para poder fruir a publicação. Mais ainda, acharam ofensivo que um tesouro da literatura russa tivesse seu texto recortado, deturpado (a história é atualizada para os dias de hoje) e acompanhado por ilustrações completamente dispensáveis.


Entretanto, a tradição de ilustração na Russia é muito forte. Basta dar uma olhada no Deviantart pra encontrar uma série de excelentes (e jovens) ilustradores russos. Além de oferecer um canal pra mostrar sua cara para o mundo, a internet também mostrou pra esses artistas o que estava sendo feito fora de seu país. E eles inevitavelmente toparam com os quadrinhos.

Daí, alguns começaram a fazer suas próprias histórias, simplesmente pelo prazer de criar HQs. Como não existe um mercado na Rússia pra esse trabalho, o pessoal organizou festivais de quadrinhos que acontecem em Moscou e em São Petersburgo. E os aficcionados fazem suas histórias em quadrinhos e imprimem pequenas tiragens e vão para esses festivais trocar ideias e gibis com outros aficcionados. E se isso não for uma produção de quadrinho alternativo, não sei o que é…

Para saber mais, visite os sites dos festivais:

Lá você pode conferir vídeos, fotografias e amostras de páginas. E tem muita coisa boa lá. Ah, se você souber ler russo, ajuda. Eu não sei nadinha de russo, e fico imaginando a vontade desse pessoal em entender a linguagem e o funcionamento de uma coisa que eles nunca tinham visto e que simplesmente não fazia parte da vida deles antes. E ainda começar a produzir seu próprio material. Isso me faz pensar que quadrinhos realmente podem ser apaixonantes, independente da formação cultural.

Anna Voronkova conta sua experiência com os quadrinhos. Estudante de idiomas, ela queria aprender a falar finlandês e percebeu que muita gente andava com aquelas revistinhas cheias de desenhinhos embaixo do braço. Curiosa, ela quis saber mais. A moça não fazia ideia de como se lia uma página de HQ. Não sabia se ia para direita ou para baixo, não sabia a ordem de leitura dos balões dentro de um quadrinho. Mas aprendeu a ler quadrinhos e com eles aprendeu a ler finlandês. Aliás, ela diz que aprendeu finlandês lendo Maus. (Uau!)

Esse post foi escrito com base nas anotações que fiz durante a apresentação da Anna no festival Viñetas Sérias. Quero agradecer a ela pela troca de ideias e suporte.

Fecho com algumas capas e páginas do material apresentado nos festivais de Moscou e Leningrado que ela me enviou.
>> LIBER LAND – por Lber





“SUPERMAN”: HENRY CAVILL ESCOLHIDO PARA INTERPRETAR O HERÓI

terça-feira | 1 | fevereiro | 2011

Filme dirigido por Zack Snyder tem estreia marcada
para dezembro de 2012

Henry CavillNem Joe Manganiello, nem Jon Hamm. A Warner Bros. Pictures e a Legendary Pictures anunciaram que o novo ator que vai interpretar Superman é Henry Cavill.

O filme será dirigido por Zack Snyder, que fez uma declaração oficial: “No panteão dos super-heróis, Superman é o mais reconhecido e reverenciado personagem de todos os tempos, e estou muito honrado de fazer parte do seu retorno ao cinema. Eu também me junto à Warner Bros., Legendary e os produtores em anunciar o quão empolgado estou em escalar Henry. Ele é a escolha perfeita para vestir a capa e o S no peito.

[Atualização] O ator britânico nascido em 1983 participou de Tristão e IsoldaStardust – O Mistério da Estrela, mas pode ser mais facilmente lembrado por seu papel na série The Tudors. Recentemente ele acabou de filmar The Cold Light of Day e estrelará também Immortals, que estreia no fim do ano.

Essa não é a primeira vez que Cavill tenta vestir o manto de um super-herói. Ele já havia feito testes para o papel do Batman em Batman Begins, que acabou com Christian Bale; perdeu para Daniel Craig a chance de ser o novo James Bond por ser muito novo; e era um dos principais candidatos a Superman na época em que McG comandava a produção, mas foi substituído por Brandon Routh quando Bryan Singer entrou no projeto. [Fim da atualização]

O roteiro do novo Superman, também chamado de Man of Steel, está sendo escrito por David S. Goyer baseado em uma história criada por Goyer e Christopher NolanThomas Tull Lloyd Phillips são os produtores executivos. Charles RovenEmma Thomas, Christopher Nolan eDeborah Snyder são os produtores do filme.

Pelo suposto cronograma que vazou no início do mês, as filmagens começam em 22 de agosto.

O recomeço de Superman no cinema estreia em dezembro de 2012.
>> OMELETE – por Marcelo Forlani


“VAMPIRO AMERICANO” CHEGA AO BRASIL E DEVOLVE O MITO DO VAMPIRO ÀS NARRATIVAS DE HORROR

quarta-feira | 26 | janeiro | 2011

ENFIM, UM MONSTRO
Vampiros sempre estiveram na pauta da cultura pop, mas poucos se arriscaram a remodelar suas características românticas e repetidamente utilizadas. É por isso que Vampiro Americano, de Scott Snyder e desenhada pelo brasileiro Rafael Albuquerque (revista mensal Vertigo, 100 págs, R$ 10) é uma das obras mais interessantes das várias que apareceram nos últimos tempos tendo sanguessugas como mote.

» Leia um preview de Vampiro Americano

Publicada nos EUA pela Vertigo e pela revista de mesmo nome aqui no Brasil, a série consegue dosar uma narrativa bem construída de referências históricas e trama complexa com cenas cheias de violência e impacto. Skinner Sweet é o primeiro vampiro a ser criado nos EUA e a HQ mostra a sua trajetória e todo o sangue derramado por onde passou.

Escrita em parte pelo celebrado Stephen King, a série nem precisou da fama do escritor para se firmar como uma das melhores HQs lançadas pelo mercado norte-americano este ano. Quem se destacou mesmo foi Rafael. Ele chamou atenção no mercado internacional e mostrou ecletismo no seu estilo.

Os vampiros daqui não conservam a humanidade que alguns outros produtos recentes mostram, vide True Blood e Crepúsculo. Se aproximam mais das lendas europeias que os mostram como monstros. Sweet é feroz e tem os poderes derivados do sol. Além dele, a HQ foca atenção na vida de Pearl Jones, uma jovem atriz figurante na Hollywood dos anos 1920.

Até a sexta edição, Stephen King assina uma história curta que funciona mais como um painel para ambientar o leitor no horror da história de vampiros na primeira metade do século passado. American Vampire fez muito sucesso nos EUA na época do seu lançamento e críticos a tomam como o melhor da linha Vertigo. A Panini vem dando destaque para o título em sua revista mensal com histórias do selo adulto da DC Comics.
>> REVISTA O GRITO! – por Paulo Floro


“CRIPTA”: CLÁSSICOS DO TERROR EM QUADRINHOS

quarta-feira | 26 | janeiro | 2011

Cripta - Volume 1 (Mythos Editora)Eerie Creepy — provavelmente as revistas de horror mais clássicas de todos os tempos — circularam no Brasil originalmente entre 1976 e 1981, pela revista Kripta. Uma briga, que durou vários anos pelos direitos autorais impediu novas reedições e republicações das HQs.

Passados tantos anos, finalmente os fãs de quadrinhos de terror terão a oportunidade de lerem e relerem as histórias em uma versão digna dos colecionadores mas exigentes.

Mythos Editora finalmente anunciou para esse mês o lançamento de Cripta Volume 1. A edição irá reunir histórias de horror, suspense e ficção científica  em um encadernado de luxo, com 5 edições completas da Eerie, incluindo as capas originais coloridas.

A revista trará figuras como Gray Morrow (Homem-Aranha no final dos anos 60), Frank Frazetta (Conan), Alex Toth, Neal Adams, Steve Ditkoe vários outros.

Cripta – Volume 1 tem 244 páginas e custa em torno de R$ 48,90. Ainda não existe previsão para os próximos volumes.
>> OS ARMÊNIOS


MULHER MARAVILHA: APROVADA A NOVA SÉRIE

segunda-feira | 24 | janeiro | 2011

Por anos o projeto de um filme da Mulher-Maravilha (Wonder Woman) que seria tocado por Joss Whedon ficou engavetado, e mais recentemente o produtor David E. Kelley (Chicago HopeThe PracticeAlly McBeal) anunciou que pretendia levar a super-heroína de volta à TV, onde ela teve uma série nos anos 1970.

Aparentemente o projeto ia ter o mesmo destino do filme, já que foi recusado pela NBC, porém hoje a emissora voltou atrás e anunciou ter comprado a série, que será o primeiro programa de Kelley baseado nos quadrinhos.

A ideia do produtor, já aprovada pela Warner e a D. C. Comics, é atualizar e tornar mais realista a personagem, que com seus braceletes, laço mágico e o avião invisível, combaterá o crime na noite de Los Angeles, enquanto de dia será uma executiva. Ainda não foram divulgados nomes de equipe ou elenco.

>> SCI-FI DO BRASIL


X-MEN – FIRST CLASS: MATTHEW VAUGHN EXPLICA SUAS IDÉIAS PARA O FILME

segunda-feira | 24 | janeiro | 2011


Depois de parte do elenco comentar X-Men: First Class, o novo filme dos X-Men, chegou a vez do diretor Matthew Vaughn falar sobre a quinta adaptação da franquia mutante dos quadrinhos para as telas. E o que já parecia esquisito aos olhos dos fãs, acaba de ficar ainda mais estranho. “James Bond”? “CIA”?

Confira trechos da entrevista à EW.

Como você descreveria X-Men: First Class aos novatos?

A melhor maneira de descrever é como uma mistura de X-Men com James Bond [...] É ambientado na década de 1960 e eu moldei o jovem Magneto como um jovem Sean Connery. Ele é o espião definitivo. Imagine Bond, mas com superpoderes.

Se Magneto é James Bond, como fica Charles Xavier?

Veremos como Xavier se tornou um professor. Pra mim, Magneto é o bonzinho do filme, mas ele é meio que o mocinho malvado. Ele literalmente começa o filme e Xavier segue correndo atrás, pra tentar entender o que diabos está acontecendo e tentar persuadir Erik [Lensherr, o Magneto] a não matar ninguém.

O que mais você pode dizer sobre o roteiro?

No começo do filme ninguém sabe que mutantes existem. Nem os mutantes sabem que existem outros como eles. Estão todos se escondendo. Kevin Bacon vive um mutante megalomaníaco [Sebastian Shaw] que decide dominar o mundo e que os mutantes são o futuro. Erik e Charles se encontram e, ao lado da CIA, tentam salvar o mundo dessa ameaça e da Terceira Guerra Mundial. Nós descobriremos tudo o que deu errado entre eles.

Veremos flashbacks dos dois como crianças?

Não são flashbacks. O filme começa em 1942 e depois avança 20 anos.

Você está preocupado com as reações dos fãs?

Sim, mas eu posso dizer que eles estão errados. Cada roteirista que assumiu os títulos dos X-Men reinventou aquele universo como quis. Eu fiz minha pesquisa e nada ali faz sentido. Cada escritor mudou tudo para fazer sua ideia funcionar. Então posso afirmar que é parte da franquia X-Men essa reinvenção a favor da trama.

O filme tem relação com as HQs de First Class?

Não. Temos várias referências ao mundo dos quadrinhos e aos filmes dos X-Men anteriores, mas este definitivamente é algo à parte.

A trama mistura o pano de fundo dos anos 1960 com a história do primeiro encontro de Charles Xavier (James McAvoy) com Erik Lehnsherr (Michael Fassbender), o futuro Magneto, e terá o Clube do Inferno, liderado por Sebastian Shaw (Kevin Bacon), entre os vilões. January Jones(Emma Frost), Lucas Till (Destrutor), Nicholas Hoult (Fera), Caleb Landry Jones (Banshee),Edi Gathegi (Darwin), Oliver Platt (“Homem de Preto”), Rose Byrne (Moira MacTaggert),Jason Flemyng (Azazel), Jennifer Lawrence (Mística), Morgan Lily (Mística criança), Zoe Kravitz (Angel), Álex González (Maré Selvagem) e Bill Milner (jovem Magneto) também estão no elenco.

O lançamento acontece em 3 de junho.
>> OMELETE – por Érico Borgo


ESPAÇO MULTIVERSO HQ REALIZA A 7ª FEIRA DE QUADRINHOS E ARTE

segunda-feira | 24 | janeiro | 2011

Espaço Multiverso HQ

Espaço Multiverso HQ (Rua Cardeal Arcoverde, 422, Pinheiros, São Paulo/SP) realizará, nos dias 29 e 30 de janeiro, a 7ª Feira de Quadrinho e Arte, evento comemorativo ao Dia do Quadrinho Nacional.

A partir das 9h de 29 de janeiro, até as 18h do dia 30, o público visitante poderá assistir a bate-papos com artistas, editores e pesquisadores de quadrinhos, como Mario Cau (Pieces), Flávio Luiz (O Cabra), Jota Silvestre (Papo de Quadrinho), Guilherme Kroll (Balão Editorial) Rodrigo Febrônio (Banca de Quadrinhos), Nochu Chinen e outros.

Nos dois dias acontecerá a nova edição do Contos da Madrugada, atividade em que os quadrinhistas se reúnem para criar HQs ao vivo, durante toda a feira.

Do início da madrugada de 29 de janeiro até as 6h do mesmo dia, o Espaço Multiverso HQ oferecerá desconto de 70% na compra de várias revistas em quadrinhos.

Para mais informações, ligue para 0XX-11- 2361-2201 ou 0XX-11-3682-4989.
>> UNIVERSO HQ – por Marcus Ramone


“SPACE OPERA”: FICÇÃO CIENTÍFICA E AVENTURA FANTÁSTICA

quinta-feira | 9 | setembro | 2010

Não é apenas uma sci-fi ou muito menos uma novela, mas uma soap opera, algo como uma ficção científica romântica, de aventura e de grandes personagens, como os já conhecidos Perry Rhodan, Flash Gordon e Adam Strange. Esta é a linha do gibi independente “Space Opera” (Editora Júpiter II, PB, 28 pgs., R$ 5), de Leonardo Santana.

No primeiro número da revista que pretende ser trimestral, há duas HQs: “Sonhos 2.0″ (escrita por Santana, ilustrada por Will e publicada anteriormente na revista “Front” 19) e a inédita “Andrômeda – A queda”, com texto de Santana e boa arte de Ricardo Anderson e Téo Pinheiro.

Segundo o editorial, serão sempre duas aventuras: uma inédita e uma republicação, para apresentar o material a um novo público. E, se quisermos saber um pouco mais sobre Andrômedra, a deliciosa comandante que misteriosamente cai com sua nave espacial em um planeta desconhecido, teremos que aguardar o próximo capítulo da novela espacial.
>> GIBIZADA – por Télio Navega


“SANDMAN”: WARNER QUER SERIADO DA HISTÓRIA DE NEIL GAIMAN

quinta-feira | 2 | setembro | 2010

Segundo o Hollywood Reporter, a Warner Bros. está planejando um seriado televisivo baseado no Sandman de Neil Gaiman.

O programa ainda está apenas no estágio das ideias, sem nenhum nome oficialmente envolvido. Contudo, a Warner já iniciou conversações com diversos produtores que poderiam comandar a adaptação. O principal candidato é Eric Kripke, criador de Supernatural.

É bom lembrar que por muitos anos Sandman tem sido alvo de tentativas de adaptações para o cinema ou a TV, a maioria delas com envolvimento do próprio Gaiman, que chegou até a cogitar dirigir um filme. Do mesmo modo, a Morte, a irmã do Sonho (ouSandman, se preferir), também tem um filme prometido há tempos, com envolvimento mais direto de Gaiman.

A série Sandman durou 75 edições, publicadas nos EUA entre 1988 e 1996, além de alguns especiais. Seu criador, Neil Gaiman, inseriu na trama elementos mitológicos, literários, do gênero dos super-heróis, dos antigos quadrinhos de terror e muito mais. A história narra a trajetória de Morpheus, uma entidade que é a personificação do conceito do Sonho. Ele possui seis irmãos, que personificam outros conceitos: Morte, DestinoDesejoDelírioDesespero Destruição.

No Brasil, Sandman já foi publicado pela Editora GloboMetal Pesado (e seus derivados), BrainstoreConradPixel Media e atualmente é lançado pela pela Panini Comics
>> HQ MANIACS – por Leonardo Vicente Di Sessa


“LIGA EXTRAORDINÁRIA”: ÁLBUM MARCA RETORNO TÍMIDO DE ALAN MOORE

quinta-feira | 2 | setembro | 2010

A Liga Extraordinária - Século 1910 - Crédito: editora Devir
É impreciso resenhar uma obra em quadrinhos apenas pelo primeiro volume. Mas é o que se tem à mão, até porque os dois próximos estão programados para 2011. Feita a ressalva, o que se pode registrar são apenas impressões sobre a terceira sequência de “A Liga Extraordinária”, álbum vendido desde o mês passado (Devir, 96 págs.).

Nesta primeira parte, o que se lê é uma narrativa tímida se comparada às edições anteriores. O grupo tem de enfrentar uma ameaça à Inglaterra no ano de 1910. A publicação chama mais atenção pelo nome que a série criou e pelo fato de ser escrita por Alan Moore – há também repetição do desenhista, Kevin O´Neill.

Os roteiros do escritor inglês costumam ser acima da média. Ter o nome dele em alguma obra é um apelo a mais ao leitor. Mas não é o caso deste álbum. A trama repete a fórmula base dos volumes anteriores, já publicados pela Devir. Os personagens centrais da liga são figuras conhecidas da literatura inglesa.

A cabeça da equipe continua sendo Mina Murray, extraída do “Drácula”, de Bram Stocker. Ao lado dela, um rejuvenescido Allan Quatermain, de “As Minas do Rei Salomão”. Outros nomes integram a trupe: a filha do Capitão Nemo, Thomas Carnacki, Arthur James Raffles e um enigmático, embora carismático, Orlando, pinçado da obra de Virginia Woolf.

Este número inicial procura apresentar os novos personagens, retomar características dos antigos e construir a tal ameaça à Inglaterra. Mas ainda não é possível dizer a que veio este terceiro capítulo da série. Uma avaliação mais justa e precisa terá de aguardar os volumes dois e três, no ano que vem.

Ao contrário do que ocorreu com as duas primeiras partes, produzidas como minisséries e lançadas em volumes únicos, esta sequência chegará ao leitor parte por parte. A Devir fez duas versões da obra, uma em capa dura e mais cara (R$ 46), outra em capa mole e mais em conta (R$ 35). A escolha fica por conta do leitor. O conteúdo é o mesmo.
>> BLOG DOS QUADRINHOS – por Paulo Ramos


“CLASSICS ILLUSTRATED” ESTÁ DE VOLTA AO BRASIL!

quinta-feira | 2 | setembro | 2010


Em 1990, a editora norte-americana First Comics, conhecida por apresentar ao ocidente o mangá Lobo Solitário, de Kazuo Koike e Goseki Kojima, além de outros materiais autorais como American Flagg!, de Howard Chaykin; Badger, de Mike Baron; Grimjack, de Timothy Truman; e John Sable Freelance, de Mike Grell; iniciou também a publicação da série Classics Illustrated, uma coleção que adaptou grandes obras da literatura mundial, adaptadas por alguns dos melhores artistas do mundo.

Kyle Baker, Bill Sienkiewicz, Gahan Wilson, Rick Geary, P. Craig Russell, Jill Thompson, Steven Grant, Dan Spiegle, Tom Mandrake, Michael Ploog, Charles Dixon, Joe Staton, Pat Boyette, e muitos outros, foram reunidos em 27 álbuns publicados nos Estados Unidos. Alguns anos depois, a série chegou a ser lançada no Brasil, no entanto, somente uma parte desta coleção ganhou sua versão brasileira.

Agora a HQM Editora, casa de sucessos editoriais como Os Mortos-Vivos e Estranhos no Paraíso, traz de volta ao Brasil a série que conquistou crianças, jovens e adultos do mundo todo, agora de forma completa, incluindo ainda três volumes inéditos, nunca antes publicados em nenhuma parte do mundo. Abrindo a coleção com chave de ouro, a série traz em seu primeiro volume Alice Através do Espelho, obra de Lewis Carroll, adaptada pelo premiado Kyle Baker.

Nesta obra-prima da fantasia, a jovem Alice atravessa o espelho para entrar em uma de suas mais estranhas e singelas aventuras já contadas. Ao mesmo tempo cômica e ameaçadora, a jornada de Alice Através do Espelho a introduz para as Rainhas Branca e Vermelha, Tweedledum e Tweedledee, Humpty Dumpty e uma leva de outros divertidos personagens, cada um mais agradável que o outro. Lewis Carroll cria uma terra magnífica, onde as possibilidades são limitadas apenas pela imaginação. As encantadoras ilustrações pintadas por Kyle Baker são o retrato definitivo da viagem de Alice a este colorido mundo dos sonhos.

Classics Illustrated – Volume 1: Alice Através do Espelho terá seu lançamento no próximo sábado, dia 21 de agosto, na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no estande da Comix Book Shop. Contamos com a sua presença!

Classics Illustrated – Volume 1: Alice Através do Espelho
De Lewis Carroll
Adaptado por Kyle Baker
Formato 21 x 28 cm
52 páginas coloridas
Capa-dura
R$ 39,90


ERA HERÓICA DA MARVEL

quinta-feira | 2 | setembro | 2010

HERÓIS DE VERDADE
Entenda o processo que levou a Marvel a abandonar tramas depressivas e realistas, para devolver aos seus personagens o que eles tem de heróicos

O Universo Marvel está prestes a sofrer uma nova mudança com a aurora daEra Heróica, uma época de esperança na qual os heróis voltarão a brilhar e os malfeitores deverão se esconder perante tal brilho. Aliás, este será um momento de alívio após anos de pesadelo. Este é o plot da principal reformulação da Marvel em anos.

Caso você não saiba, há quase seis anos super-heróis como o Homem-Aranha, Homem de Ferro, Luke Cage, Wolverine e outros vivem o mais terrível momento já vivenciado nas páginas da editora dentro de seus 70 anos de publicações. Uma corriqueira briga entre super-heróis e vilões resultou na morte de vários civis – inclusive dezenas de crianças – e trouxe à baila uma discussão política e social que culminaria no extermínio de vários heróis e o retorno à uma época de “caça às bruxas”, na qual eles seriam procurados e condenados como criminosos.

» Marvel fará antologia para apresentar Era Heróica

A “Lei de Registro” foi uma lei que obrigava todo super-herói a revelar sua identidade e a se registrar junto ao governo estadosunidense para que pudesse continuar atuando no combate ao crime.

Desnecessário dizer que muitos foram contra a famigerada lei encabeçada por Tony Stark, o Homem de Ferro. Aqueles que se colocaram contra a medida foram liderados na guerrilha por Steve Rogers, o Capitão América, e os dois grupos lançaram-se em uma contenda de graves conseqüências. O resultado do conflito? A morte do maior herói da editora. Aos moldes da DC Comics, que em 1992 viu tombar seu maior herói, o Superman, quinze anos depois a Marvel viu o Capitão América, seu ideal de heroísmo e justiça, cair ante as forças do mal.

Apesar do duro golpe muitos heróis permaneceram na clandestinidade e passaram a ser caçados pelos Thunderbolts, uma equipe governamental formada por detentos super-poderosos e liderada por um dos maiores vilões do Universo Marvel, o empresário Norman Osborn, também conhecido como o Duende Verde.

Manipulador por natureza Osborn não tardou em ganhar prestígio devido à sua liderança frente aos Thunderbolts e posteriormente, quando a Terra foi invadida pela raça de alienígenas metamorfos, Skrulls, foi ele quem se apresentou como o salvador da raça humana.

Tendo atuado como um dos pivôs da vitória sobre os Skrulls, Osborn não teve problemas em firmar-se no cenário político como um homem de grande influência e poder, tanto a ponto de conseguir organizar sua própria equipe de Vingadores, os Vingadores Sombrios, um grupo composto pelos mesmos vilões com os quais Osborn trabalhou nos Thunderbolts, mas desta vez disfarçados como os super-heróis já aceitos pelo público.

Apesar de todos estes acontecimentos tudo até então serviu somente como preâmbulo para o verdadeiro terror dentro da Marvel. Com todo o poder que agregou ao longo dos acontecimentos anteriores Osborn deu início ao que é conhecido como Reinado Sombrio, um cenário no qual um dos homens mais maquiavélicos e malignos do mundo e com poderes quase ilimitados se lançará em uma cruzada pessoal de vingança contra todos aqueles que algum dia lhe fizeram mal, ou seja, vários heróis. É neste momento que encontramos a cronologia da Marvel no Brasil, o qual está sendo publicado na nova revista mensal da editora Panini, Vingadores Sombrios.

Mas, como todo grande império o reinado de Osborn chegará ao fim, e após isso virá uma Era Heróica; o amanhecer após uma noite de grande tristeza e desesperança que por vários anos cobriu o Universo Marvel, um cenário no qual o mal finalmente foi vencido e aqueles que desejam lutar contra ele poderão viver sem o medo da perseguição e da morte.

Desde que os Vingadores foram criados por Stan Lee e Jack Kirby em 1963 o grupo recebeu a alcunha de “Os maiores Heróis da Terra”, mas ao longo dos últimos 25 anos pouquíssimas vezes houve justiça à este título. Suas histórias eram fracas, superficiais e a equipe contava com personagens de baixo escalão. Esta situação começou a mudar em 2005 quando o escritor Brian Michael Bendis deu início à uma reformulação na equipe e de lá para cá os Vingadores se tornaram os principais heróis da Marvel.

É inegável que muitos heróis provaram seu valor durante este terrível período, o que contribuiu para reafirmar os Vingadores como os “Maiores Heróis da Terra”. Além disso, observando as vendas é possível perceber que a editora se manteve como líder do mercado durante os últimos anos.

No entanto, apesar do sucesso em recriar alguns heróis e sua principal equipe e ainda, do satisfatório número de vendas o mesmo não se deu no que tange à criatividade, pois nesta época a Marvel mais se assemelhou a um cachorro correndo atrás do próprio rabo.

Apesar da qualidade dos roteiros de Brian Bendis e outros roteiristas nota-se que poucas inovações houveram nos últimos 5 anos. As histórias de qualquer personagem giravam em torno do grande evento que estivesse ocorrendo no momento e qualquer história que fosse escrita estava direta ou indiretamente ligada ao que estivesse ocorrendo ao fundo. Tudo girava em torno de um ponto focal e se enrolava cada vez mais, mas nunca saia do lugar.

Conseguir amarrar toda esta trama com as revistas mensais é, sem dúvida, um trabalho minucioso e de difícil realização e o fato de ter sido feito só faz revelar a qualidade dos roteiristas da Marvel. Porém, revela também a incompetência em realizar boas histórias simples. Afinal, contar boas histórias completas em poucas páginas – arte na qual Stan Lee realizava com maestria – parece demandar muito mais competência do que coordenar um blockbuster como Guerra Civil, Invasão Secreta ou Reinado Sombrio.

A partir de agora termina o show pirotécnico da Marvel e que estava focando toda a atenção dos leitores, a qual se voltará neste momento para os personagens em si e suas próprias histórias, de modo que obrigatoriamente boas aventuras precisarão ser contadas a fim de que os leitores não os abandonem.

A Era Heróica apresenta-se, portanto, como uma época de esperança não somente para os heróis, mas também para os leitores que poderão ver surgirem histórias que não mais estejam ligadas a uma grande trama e que privilegiem as características de personagens que valeram-se somente delas para cativar os leitores durante décadas. Aliás, as mesmas que foram tão deterioradas e deturpadas ao longo dos anos que à editora só restava recorrer à pouco original opção de criar um grande acontecimento para reformular todos eles.

Como leitor devo concordar que o “reinado sombrio” da falta de criatividade terminou e uma “era criativa” desponta no horizonte. Espero não me decepcionar.

Se quiser conhecer mais detalhes sobre os planos da Marvel para a Era Heróica visite o SOC! TUM! POW!

>> O GRITO! – por Gustavo Vícola


STEAMPUNK: MAIS DO QUE UMA MODA, UMA CULTURA

quinta-feira | 5 | agosto | 2010

steampunk

“Retrofuturismo” é a palavra que melhor define o steampunk. Conceituado como um subgênero da ficção científica nascido em meados da década de 80, quando Kevin Wayne Jeter tentava rotular seus trabalhos e os de seus colegas escritores Tim Powers e James Blaylock, que escreveram uma série de romances entre 1979 e 1986 cuja característica principal eram histórias de Ficção Científica passada na época Vitoriana, com tecnologia “retro” e claras influências de clássicos da literatura de Ficção Científica.

No caso o paradigma da Revolução Industrial impulsionava os motores a vapor e a adaptação da nossa tecnologia atual para a época, e restaurava valores hoje perdidos pelas mudanças da sociedade.

Constantes inspirações no gênero SteamPunk, os romances de Ficção Científica do século XIX, como “20.000 Léguas Submarinas” e “Da Terra à Lua”, ambos de Julio Verne; “A Máquina do Tempo” e “Guerra dos Mundos”, de H. G. Wells; “Frankenstein”, de Mary Shelley; e “A Connecticut Yankee in King Arthur’s Court”, de Mark Twain, não escapam, atualmente, de serem associados ao novo gênero.

Esta nova linha de Ficção Científica se estende a várias outras mídias além da literatura como HQs, Mangás, Animes, Moda, Games, RPG e ao Cinema e, quem costuma apreciar a cultura SteamPunk, se começa a identificar a estética do novo gênero – seja ela intencional ou não – em filmes como “Metropolis”, “1984″, “Brazil – o Filme”, “Delicatessen”, “Jovem Sherlock Holmes”, “De Volta para o Futuro”, “A Cidade das Crianças Perdidas”, “As Aventuras do Barão de Munchausen”, “Wild Wild West” esse inclusive um grande exemplo do modo de vida americano na era da rainha Vitória, “Pacto dos Lobos”, “SteamBoy” – um dos animes mais conhecidos do gênero, “O Cavaleiro sem Cabeça”, “Liga Extraordinária” – que juntou vários heróis da era vitoriana em uma super ação e com elementos tecnológicos, “Van Hensing”, “Hellboy”, “O Grande Truque”, “A Bússola Dourada”, “9 a salvação” e muitos outros.

Com uma estética por vezes bela, por vezes inusitada e, por que não, por vezes grotesca, o SteamPunk conquistou o público Gótico, Cyber, Industrial e Punk sem dificuldade, bem como todos os que apreciam a riqueza de detalhes, que é fruto da colisão entre a tecnologia moderna e os recursos e a estética Vitoriana, repleta de bronze, couro, cobre, pano, vapor e eletricidade.

E nesse conceito de unir arte, história e tecnologia muitas pessoas se unem para promover o movimento. Em 2010 o Steampunk sai de um gênero para uma cultura. Aqui no Brasil diversas cidades têm seus conselhos, ou lojas como também são conhecidas (fazendo referência aos tradicionais maçons), onde eventos são realizados, oficinas para montagens de peças steampunk e customização de objetos, jogos de RPG, moda e muito mais.

Se interessou? Para saber mais, visite: www.steampunk.com.br e confira se na sua cidade o Conselho já está presente, se não está é uma ótima oportunidade para  começar um, certo?
>> 1000 COMBOS – por Gisaiagami


COMPARAÇÃO DE “A ORIGEM” COM QUADRINHO DO TIO PATINHAS CIRCULA PELA WEB

quinta-feira | 5 | agosto | 2010

Irmãos Metralha já invadiam sonhos em 2002

Donald inceptionEm A Origem, novo filme do roteirista e diretorChristopher Nolan, como você já deve saber, uma equipe é paga para invadir os sonhos das pessoas e buscar seus segredos.

Em “The Dream of a Lifetime”, HQ do célebre autor Don Rosa, os Irmãos Metralha utilizam uma nova tecnologia (desenvolvida pelo Professor Pardal) para penetrar nos sonhos do Tio Patinhas e descobrir a senha da Caixa-Forte.

É essa a comparação que começou no Reddit ontem e já circula a web. O gibi do Tio Patinhas não é tão velho; foi publicado originalmente na Noruega em 2002, nos EUA em 2004 e no Brasil em 2003 (em Tio Patinhas #457) e no ano passado (Disney Big 3). As semelhanças chegam inclusive à utilização dos totens, os objetos que os invasores de sonhos usam no filme como link com a realidade.

Nolan já disse, em entrevistas, que desenvolveu o primeiro conceito da história há aproximadamente dez anos, chegou a entregar um esboço à Warner e esperou ganhar experiência para realizar o filme.

Coincidência ou não, vale a pena ler a HQ dos patos – disponível gratuitamente, em inglês, nosite da Disney – e depois imaginar que Leonardo DiCaprio, no filme, está fazendo o papel do Pato Donald.

A Origem estreia sexta-feira no Brasil. A crítica será publicada nesta quinta-feira, e o Especial do filme está sendo atualizado com entrevistas - confira.

>> OMELETE – por Érico Assis


“BATTLESTAR GALACTICA”: SÉRIE RETORNA NA INTERNET

quinta-feira | 29 | julho | 2010

A série Battlestar Galactica, que teve sua última temporada exibida em 2009, voltará com uma série na web com o subtítulo Blood & Chrome.

O jornal Chicago Tribune revelou que essa série será focada no personagem  William Adama durante a primeira Guerra Cylon.

Michael Taylor, produtor executivo de Galactica e da série derivada Caprica, escreverá o roteiro de Blood & Chrome, que ele descreveu como: “a iniciação de um garoto na guerra, percebendo como essa é lutada na realidade e como é representada na mídia“.

Serão 10 episódios de 10 minutos cada, com conteúdo explícito em termos de cenas de batalha, sexo e ideologias. “Estou pensando tanto nas guerras do Afeganistão e Iraque quanto no passado de Battlestar Galactica“, disse Taylor.

O sucesso dessa empreitada pode significar o começo de vários projetos similares ou mesmo a possibilidade de uma nova série da franquia na TV.

Lançada originalmente em 1978, a série Battlestar Galactica (cuja versão original foi rebatizada no Brasil como Galactica: Astronave de Combate) conta a história dos últimos sobreviventes das doze colônias, liderados pela nave militar Galactica. As colônias foram dizimadas pelos Cylons, uma raça de androides criados pelos humanos das colônias, mas que se tornaram sapientes, revoltando-se contra seus criadores. Todos buscam a lendária décima terceira colônia, a Terra.

Um remake da série teve início em 2003 e terminou em 2009. Tanto a série original quanto a atual têm HQs publicadas pela Dynamite Entertainment. A nova versão da série tem um prelúdio no ar, chamado Caprica.
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno


“MUMIN”: HIPOPÓTAMO, TROLL OU QUALQUER COISA FOFA

quinta-feira | 29 | julho | 2010

Parece um hipopótamo, mas, na verdade, é um troll. Criado pela finlandesa Tove Jansson (1914-2001) nos anos 40, o personagem Mumin é um sucesso na Escandinávia, no resto da Europa e no Japão. Pouco conhecida no Brasil, a simpática, fofa e inocente criatura de olhos redondos, sem boca, traço simples e cor branca acaba de ganhar um álbum de capa dura chamado simplesmente de “Mumin” (Conrad, PB, 96 pgs., R$ 37.90).

O livro, o primeiro de cinco volumes, traz quatro histórias em quadrinhos no formato de tiras, em que o troll, hipopótamo, ou seja lá o que ele seja, vive aventuras pueris ao lado de amigos como Faro-Fino, Snufkin, Senhorita Snork e outros. A série demorou bastante para chegar por aqui e seu sucesso talvez esteja no fato de que suas histórias sirvam para qualquer idade.
>> GIBIZADA – por Télio Navega


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