O DISNEY BRASILEIRO FOI UM JORNALISTA, E NÃO UM QUADRINISTA…

quinta-feira | 28 | janeiro | 2010

Sei que o que vou escrever será visto como insulto por muitas pessoas. Mas, espero que todas elas entendam o que vou dizer.
Hoje, saiu uma nota no Anime News Network acerca de um trabalho do Maurício de Sousa. É um título que ele e Osamu Tezuka pensaram em fazer quando o segundo ainda estava vivo. Há uma tradução do Animepró. A nota original saiu no Asahi. Um fato a ser levado em conta é: a comparação colocada na matéria só foi posta ali, porque alguém aqui do Brasil disse para o jronalista que produziu o material. Eles não teriam chegado a tal conclusão do nada. Ou seja, o dito comentário provavelmente saiu daqui…

Na matéria, fala-se que Maurício de Sousa é o Walt Disney brasileiro. Cara, desculpem não é. Porque para ser o Disney brasileiro, ele teria que ter construido um império a altura. E veja: império no cinema, música, parques, na televisão… Quando vivo, o Walt Disney soube administrar tudo o que conseguiu. E em vários momentos, as empresas dele tiveram problemas, não foram só rosas. Mesmo assim, ele construiu um império.

Muitos podem dizer: “é, mas o Disney tinha apoio do governo americano…” E daí? Leonardo da Vinci também tinha apoio dos mecenas e nem por isso foi menos genial. Mas daí podem dizer, “mas ambos faziam quadrinhos…” Cara, isso não quer dizer nada. Até porque o Disney não fazia quadrinhos, escreveu algumas poucas histórias só…
Se um pesquisador americano ler este comentário de que Maurício de Sousa é o Disney brasileiro, possivelmente, ele faria as seguintes perguntas:

Pesquisador – Maurício de Sousa tem uma produtora de cinema? Uma das maiores do país?
Brasil – Não.
Pesquisador – Tem uma rede de televisão?
Brasil – Não…
Pesquisaodr – Tem algum parque de diversão?
Brasil – Tem até fevereiro…
Pesquisador – Tem uma gravadora?
Brasil – Não…
Pesquisador – Alguém aqui fez, construiu algo parecido?
Brasil – Sim, Roberto Marinho.
Pesquisador – Fale sobre ele…
Brasil – Bem, ele (a família) começou com um jornal. Anos depois conseguiram rádio, editora, depois fizeram uma TV, a primeira rede no país. Hoje, a Globo é tudo isso e mais uma produtora de cinema, além de acionista majoritária da maior operadora de TV a cabo do país…
Pesquisador – Obrigado. Então, o Disney brasileiro foi um jornalista, e não um quadrinhista como me informaram…

Tive a oportunidade em alguns momentos, de ver pessoas que trabalham para o Maurício de Sousa fazer comentários semelhantes, que ele é o Disney brasileiro. O que estas pessoas não percebem é que – além de tudo – compará-lo ao Disney é ruim para o próprio Maurício de Sousa, pois é como se ele não fosse bom o suficiente para ser visto com as próprias pernas… O Maurício de Sousa deveria falar isso para estas pessoas!!!

Maurício de Sousa é Maurício de Sousa é pronto. Não precisa de comparação. Ele é bom. Ele é um cara que sabe o que faz. Compará-lo, sempre, com alguém que não tem comparação, só o coloca muito abaixo do Dinsey, por toda a realização que o americano fez no contexto da comunicação. O Disney criou uma “major”, o Maurício de Sousa não.

Por fim, fazer comparação de trabalhos também não é correto, pois um trabalhou majoritariamente com animação, o outro com quadrinhos.

E só para constar… Não confundam a pessoa Walt Disney com o estúdio Walt Disney. A pessoa foi genial. Os seus estúdios fizeram algumas “bobagens”, como copiar Kimba. Mas, vale lembrar de uma outra coisa. Osamu Tezuka era “devoto” de Walt Disney. Tanto que o Tezuka fez algumas adaptações de animações da Disney para histórias em quadrinhos.

Enfim, coloquem Maurício de Sousa no topo. Ele por ele mesmo. Compará-lo a Disney só faz depreciá-lo e depreciar ao Disney, como se este não tivesse produzido nada na vida econômica das empresas dele…

E parabéns ao Maurício de Sousa pelo trabalho envolvendo Tezuka.
>> PAPO DE BUDEGA – por Sandra Monte


COMPARANDO DISNEY

quinta-feira | 28 | janeiro | 2010

Comparando Walt Disney

Inicio esta coluna com base num post do dia 11/01 no blog da amiga Sandra Monte, o Papo de Budega. Ela levanta uma questão interessante sobre as comparações feitas no Brasil entre Walt Disney e Mauricio de Sousa. E tenta, com argumentos válidos (mas que irei respeitosamente discordar a seguir) de que a melhor comparação de Walt Disney a um brasileiro seria Roberto Marinho. Enfim, vamos primeiro ao Mauricio: 

Tive a oportunidade em alguns momentos, de ver pessoas que trabalham para o Maurício de Sousa fazer comentários semelhantes, que ele é o Disney brasileiro. O que estas pessoas não percebem é que – além de tudo – compará-lo ao Disney é ruim para o próprio Maurício de Sousa, pois é como se ele não fosse bom o suficiente para ser visto com as próprias pernas… O Mauricio de Sousa deveria falar isso para estas pessoas! 

Voltei. Nunca vi o próprio Mauricio de Sousa fazer esta comparação com Walt Disney, mas já vi membros da equipe dele e, claro, muitos fãs, fazerem essa comparação infeliz. É infeliz porque é desproporcional. É infeliz porque acaba menosprezando os feitos do Mauricio, que por si só, não são pequenos. Mas eu acho que deixam por isso mesmo porque ajuda no marketing, e sabemos que isso é que tem destacado os lançamentos da Turma da Mônica nos últimos anos. 

Agora, num exercício maluco de comparação, qual brasileiro poderia ser comparado a Walt Disney? A Sandra em seu post destaca que o Walt “Disney criou uma major” (a grande produtora e distribuidora que é hoje). E faz um exercício de lógica envolvendo um hipotético pesquisador perguntando se alguém fez algo parecido com Walt Disney no Brasil. Vejamos um trecho: 

Pesquisador – Alguém aqui fez, construiu algo parecido?
Brasil – Sim, Roberto Marinho.
Pesquisador – Fale sobre ele…
Brasil – Bem, ele (a família) começou com um jornal. Anos depois conseguiram rádio, editora, depois fizeram uma TV, a primeira rede no país. Hoje, a Globo é tudo isso e mais uma produtora de cinema, além de acionista majoritária da maior operadora de TV a cabo do país…
Pesquisador – Obrigado. Então, o Disney brasileiro foi um jornalista, e não um quadrinhista como me informaram… 

Voltei: A argumentação é válida, mas o tempo e os acontecimentos infelizmente não combinam. O Roberto Marinho foi jornalista e um ótimo admnistrador. Mas nunca foi um executivo criativo. Se formos comparar corretamente, Roberto Marinho está mais para Roy Disney (irmão de Walt, responsável pelas finanças e operações do estúdio) do que para o Walt. 

Roberto Marinho era também intimamente ligado ao mundo da política, se beneficiando dela para aumentar a hegemonia da holding Globo. Walt Disney também foi beneficiário do governo americano em algumas oportunidades, mas nunca foi ligado a política. Pelo contrário, era considerado um ingênuo nessa área. Era um conservador republicano, mas que votara em uma ocasião para um democrata. 

Walt Disney era um homem criativo mais do que administrador. Ouvia seu grupo de artistas e tomava sua própria decisão, certa ou errada com base nas necessidades de suas idéias e na evolução técnica delas. Roberto Marinho tinha seus homens criativos, como foi o caso de Walter Clark. A Rede Globo é o que é hoje graças a um homem chamado Boni, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho. É dele essa estruturação de novelas e a formatação do Jornal Nacional e o Fantástico – e todo o ideário de “padrão Globo de qualidade”. Roberto Marinho “apenas” administrou. 

E por fim, Walt Disney não chegou a ver o seu estúdio transformado em uma grande corporação. Na época de sua morte (1966), a Walt Disney Productions se resumia aos estúdios e a um parque temático, a Disneylândia na Califórnia. O Walt Disney World ficaria pronto somente em 1971. A Disney se tornaria uma grande corporação a partir da administração Eisner-Wells em 1984, chegando ao seu ápice com a compra da Capital-Cities/ABC (incluindo a ESPN) em 1995. 

Então, se Roberto Marinho não é uma boa comparação, quem seria? Novamente, é sempre complicado fazer esse tipo de análise, mas é possível um esforço. Os mais próximos do estilo “Walt Disney” de administrar são Victor Civita (fundador da Editora Abril) e Silvio Santos. Ambos personalidades criativas. Victor Civita (1907-1990) tinha sacadas geniais para lançar as revistas, ouvia seus colaboradores e tinha um faro inigualável para arriscar em novidades. Apostou nos gibis Disney e bancou a revista Veja por anos, mesmo dando prejuízo. E assim como Walt, também tinha suas idéias malucas e que não foram para frente como dos Hotéis Quatro Roda (inspirados na revista) e o projeto de um frigorífico. O resultado é o Grupo Abril, hoje responsável por diversos negócios.
 
Na televisão temos Silvio Santos. Personalidade criativa, soube como ninguém adaptar os game-shows que assistia nos EUA para o gosto do brasileiro. Assim como Civita, também é ligado ao universo Disney, exibindo no SBT muitas séries, filmes e especiais. Ouve seus colaboradores, dá preferência para os mais simples, tem um faro para produtos que os demais nunca comprariam para exibição (Chaves é um bom exemplo) e tem uma presença cativante. Como todo gênio, faz suas bobagens, por vezes não tem paciência e muitas vezes erra. Mas essa é uma característica do gênio criativo. O resultado é o Grupo Silvio Santos com o SBT, teatro, bancos, a Tele Sena, hotel no Guarujá, lojas, etc.
 
Agora cabe a cada um equacionar as informações. Mas cada um desses personagens tem características únicas, que os tornam (mais uma vez) peças difíceis de serem comparadas. Sobre o restante do post do blog, sobre “Kimba”, discordo, mas deixarei essa polêmica para outra hora. 
>> ANIMATION-ANIMAGIC – por Celbi Pegoraro


“KICK-ASS” GANHA TÍTULO NACIONAL E DATA DE ESTRÉIA NO BRASIL

quinta-feira | 28 | janeiro | 2010


“Kick-Ass – Quebrando Tudo” chega em 11 de junho aos cinemas daqui

A Universal Pictures acaba de escolher o título nacional de Kick-Ass, adaptação às telas dos quadrinhos de Mark Millar e John Romita Jr.

O nome foi sugerido por um leitor do Omelete, participante da nossa promoção via Twitter. Será Kick Ass – Quebrando Tudo. Várias pessoas enviaram títulos semelhantes, mas o primeiro a mandar essa ideia foi Alexandre Bulhões (@bulhas), de Itabuna/BA.

O vencedor receberá um álbum importado Kick-Ass: Creating the Comic, Making the Movie (de Mark Millar, John Romita Jr., Jane Goldman e Matthew Vaughn).

O segundo colocado – que sugeriu o título Ação Sem Noção – foi Carlos Fischer (@carlos_fischer), que também receberá Kick-Ass: Creating the Comic, Making the Movie.

A distribuidora do filme por aqui, a Paramount Pictures, aproveitou o resultado da promoção para nos informar, com exclusividade, a data do lançamento do longa no Brasil. Será dia 11 de junho.

Kick Ass – Quebrando Tudo narra a história de um adolescente normal, Dave Lizewski (Aaron Johnson), que decide adotar o codinome Kick-Ass, vestir uma fantasia de super-herói, pintar bastões e combater o crime. Christopher Mintz-Plasse, Nicolas Cage, Chloë Moretz, Lyndsy Fonseca, Duke Clark e Mark Strong também estão no elenco, entre outros. Matthew Vaughn (Nem Tudo É o que Parece) dirige.
>> OMELETE – por Érico Borgo


“MENTHALOS” TRAZ HISTÓRIA SADOMASOQUISTA PAUTADA POR REFERÊNCIAS

quinta-feira | 28 | janeiro | 2010

Menthalos. Crédito: capa cedida pelo autor
Capa do álbum nacional, que tem lançamento em São Paulo nesta quinta-feira, na Livraria HQMIX

“Menthalos”, que tem lançamento nesta quinta-feira em São Paulo, marca duas estreias. No campo editorial, representa a entrada da Annablume na área dos álbuns nacionais. Na parte autoral, traz o primeiro roteiro em quadrinhos de Antonio Vicente Seraphim Pietroforte. Professor de Linguística e Semiótica na Universidade de São Paulo, ele construiu neste primeiro trabalho uma narrativa sadomasoquista permeada por referências de várias ordens.

Da Filosofia aos estudos da linguagem, dos quadrinhos à literatura, as citações englobam diferentes campos teóricos e ajudam a moldar a história de 80 páginas. O sadomasoquismo, uma das referências centrais da obra, também já havia sido explorado por ele: organizou em 2008 uma antologia sobre o tema em parceria com Glauco Mattoso.

A tradução visual dos temas ficou a cargo de Jorge Zugliani, que assina como Jozz. Este é o primeiro álbum dele desde “O Circo de Lucca”, publicado em 2008 pela Devir. Nesse intervalo, os quadrinhos de Jozz tem sido publicados no circuito independente.

Na leitura dele, “Menthalos” dialoga com o lado literário de Pietroforte, autor de romances e poemas publicados por diferentes editoras. Nesses livros, as referências também dão o tom. “Acho que o leitor se identifica com uma garota comum em foco e fica mais interessante ver como ela chega a constatações, reflexões e imagens aparentemente absurdas, mas partindo de hábitos simples do meio social”, diz o desenhista.

Paulistano de 45 anos, Pietroforte está na USP desde 2002. Ele foge do estereótipo do professor tradicional da universidade. Destoa nos temas, no visual, no uso de acessórios. O envolvimento com os quadrinhos vem desde criança. Como pesquisador, já abordou o tema em mais de um livro teórico com estudos sobre o processo de leitura das imagens.

A última obra foi lançada no fim do ano passado, também pela Annablume: “Análise Textual da História em Quadrinhos – Uma Abordagem Semiótica da Obra de Luiz Gê”. A Annablume, editora onde ele publicou muitos de seus livros, pediu a ele que pense em outros trabalhos para compor uma coleção de álbuns nacionais.

Página de Menthalos. Crédito: imagem cedida pelo autor

O embrião do selo de quadrinhos da Annablume é um dos temas desta entrevista com Antonio Vicente Seraphim Pietroforte, feito após sucessivas trocas de e-mail. As referências vistas em “Menthalos” pautam também as respostas. Com erudição, mas sem perder a clareza própria de um docente, ele detalha suas influências para a obra.

Blog – Do que trata o álbum?
Antonio Vicente Seraphim Pietroforte
– Antes de tudo, trata-se de uma novela gráfica sadomasoquista, cuja influência principal é George Pichard, com ênfase na podolatria, influenciada, nesse tópico, por Franco Saudelli e Dennis Cramer. Contudo, como Menthalos e suas companheiras são anti-super-heróis, o diálogo com Stan Lee e a Marvel Comics é evidente. Contudo, não se trata apenas disso, há, em Menthalos, pelo menos uma tematização mítico-religiosa, quase esotérica, nas citações de Cornélios Agrippa e Robert Fludd; uma tematização musical, nas diversas citações de instrumentos musicais e músicos de jazz, em especial, do álbum Song X, de Pat Metheny e Ornette Coleman; e uma tematização metalingüística, quando os quadrinhos falam dos próprios quadrinhos, mas, ainda, quando são citados temas da semiótica, das teorias da linguagem e da lingüística moderna, como frases dos lingüistas mais importantes do século 20, Noam Chomsky e Ferdinand de Saussure – este último aparece como personagem da HQ no capítulo 6. Em síntese, o álbum trata da construção do sentido e da projeção da subjetividade erótica nesse processo.
 
É seu primeiro roteiro de quadrinhos, não? O que o levou a ele?
Gosto de transitar por várias linguagens, por isso, mesmo na área de Letras, estudei Semiótica, que me permite não me concentrar apenas em questões de língua e literatura. Depois de haver escrito romances, contos e poesias – trabalhos em linguagem verbal – resolvi fazer roteiros de HQs e, atualmente, estou envolvido em dois projetos: um com o Cleyton Fernandes, Maurício DeBonis, Marcus Pereira, Rodrigo Procknov e o mestre Willy Correia, todos músicos eruditos, em uma proposta de dar forma musical a poemas da literatura brasileira contemporânea; outro com a poetisa Ana Cristina Joaquim, o fotógrafo Lucas Kiler e a performer Milze K., na elaboração de um livro que combine fotos e poemas sadomasoquistas. 
 
Você tem trabalhos de análises semióticas de histórias em quadrinhos em mais de um livro. Uma pergunta dividida em duas: 1) você sente na USP e fora dela algum olhar torto sobre o tema?; 2) como acha que será visto pelos pares agora que é roteirista de quadrinhos?
Não sinto, não, a universidade está aberta a estudar canções populares, histórias em quadrinhos, cinema, etc; o preconceito contra essas linguagens já acabou faz tempo. Meus pares, meus amigos continuarão me vendo como sempre viram. A universidade é habitada por todos os tipos de pessoas, o professor sisudo e mergulhado apenas nas gramáticas e no cânone literário conservador é apenas um estereótipo. Os poetas Horácio Costa e Jaa Torrano são professores da USP, basta ler os livros de poemas “Homoeróticas e Paulistanas”, do Horácio, e “A Esfera e os Dias”, do Torrano, para confirmar o quanto eles podem ser bem “malucos”.
   
Qual a sua leitura do momento atual dos quadrinhos nas universidades brasileiras?
O que eu noto, às vezes, por parte dos alunos interessados no tema, é certo desconhecimento da história da história em quadrinhos e uma concentração em quadrinhos americanos de super-heróis e mangás. Como é quase só isso que circula nas bancas, fica bem difícil acessar artistas como Winsor Maccay, Goerge Herriman, Andrea Pazienza, Vuillemin; no erotismo, o mercado está bastante restrito ao Milo Manara, falta material do George Pichard e do Franco Saudelli, até mesmo do Guido Crepax, muita coisa está esgotada; no quadrinho nacional, pouca gente se lembra de Jayme Cortez, Júlio Shimamoto, Flávio Colin, Luiz Gê.

Há algum outro projeto semelhante em pauta?
Tenho mais três roteiros de histórias em quadrinhos, estou tentando convencer o Jozz para desenhar o segundo. Além disso, eu e o Jozz estamos coordenando a coleção “Em quadrinhos”, do selo [e]xperimental, da editora Annablume, cujo projeto é editar os novos autores do quadrinho brasileiro.

Queria que aprofundasse sobre do que se trata o selo “Em quadrinhos”. Como funciona na prática a seleção das obras e o que foi conversado com a editora?
Dentro da Annablume, os selos Demônio Negro e [e]xperimental cuidam de divulgar a literatura contemporânea – o selo Demônio Negro edita escritores com mais tempo de carreira, como o Augusto de Campos, o Horácio Costa e o Glauco Mattoso; o selo [e]xperimental, escritores mais recentes – dentro dessa proposta de divulgação da literatura contemporânea, surgiu a idéia, até em função da publicação de Menthalos, de fazer também um selo que editasse quadrinhos da nova geração. O Vanderley Mendonça, responsável pelo Demônio Negro, já foi editor de quadrinhos; o Zé Roberto, editor da Annablume, está dando bastante força para o projeto; o Jozz, que está no selo “[e]m quadrinhos” junto comigo, conhece bastante a nova geração de quadrinistas brasileiros. Por enquanto, temos apenas projetos para o futuro; queremos lançar, pelo menos, um álbum por semestre.
>> BLOG DOS QUADRINHOS – por Paulo Ramos 

Página dupla de Menthalos. Crédito: imagem cedida pelo autor


SERVIÇO
- Lançamento de “Menthalos”.
Quando: nesta quinta-feira (28.01).
Horário: 19h30.
Onde: HQMix Livraria.
Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo.


“CONAN”: ESCOLHIDO O NOVO BÁRBARO DA CIMÉRIA NO CINEMA

terça-feira | 26 | janeiro | 2010

A Nu Image e a Millennium Pictures definiram o nome do ator que viverá o guerreiro cimério de Conan, reinício da saga nas telonas. Depois de conseguir os nomes dos três finalistas ao papel, o blog Deadline Hollywood crava o escolhido: Jason Momoa, de 30 anos, o Ronon Dex de Stargate: Atlantis.

Ao mesmo tempo, o Latino Review diz que as produtoras já estão atrás do resto do elenco. Um convite teria sido feito a Mickey Rourke para que ele interprete o pai de Conan, Corin.

O roteiro é de Thomas Dean Donnelly e Joshua Oppenheimer (dupla de Sahara) e as revisões ficaram a cargo de Dirk Blackman e Howard McCain. Marcus Nispel (Sexta-Feira 13) dirige.

As filmagens começam em 15 de março, na Bulgária.

A Nu Image e a Millennium Pictures definiram o nome do ator que viverá o guerreiro cimério de Conan, reinício da saga nas telonas. Depois de conseguir os nomes dos três finalistas ao papel, o blog Deadline Hollywood crava o escolhido: Jason Momoa, de 30 anos, o Ronon Dex de Stargate: Atlantis.

Ao mesmo tempo, o Latino Review diz que as produtoras já estão atrás do resto do elenco. Um convite teria sido feito a Mickey Rourke para que ele interprete o pai de Conan, Corin.

O roteiro é de Thomas Dean Donnelly e Joshua Oppenheimer (dupla de Sahara) e as revisões ficaram a cargo de Dirk Blackman e Howard McCain. Marcus Nispel (Sexta-Feira 13) dirige.As filmagens começam em 15 de março, na Bulgária.
>> OMELETE – por Marcelo Hessel


SAMUEL L. JACKSON ESCREVERÁ HISTÓRIAS EM QUADRINHOS

terça-feira | 26 | janeiro | 2010

O Boom! Studios revelou nesta segunda-feira que o ator Samuel L. Jackson escreverá uma nova HQ para a editora, chamada Cold Space. Os roteiros serão feitos em parceria com Eric Calderon, e os desenhos ficam por conta de Jeremy Rock.

O que? Você achou que Samuel L. Jackson iria escrever Os Supremos para a Marvel Comics? Não entendeu? Bem, Jackson foi a base para a versão de Nick Fury presente em Os Supremos. No fim das contas, o ator agora interpreta Fury nos filmes da Marvel.

A revista terá seu personagem principal baseado no próprio ator, como você pode conferir acima. O herói será um forasteiro que cai em um planeta alienígena bem no meio de uma guerra civil.

Cold Space ainda não tem data para sair.

O Boom! Studios foi inaugurado em 2005, com a proposta de viabilizar projetos autorais de grandes nomes dos quadrinhos. A editora possui uma série de títulos em vários gêneros diferentes, entre os quais se destacam Hero Squared, Zombie Tales, Cthulhu Tales e títulos com personagens da Pixar e Disney. Mark Waid é seu atual editor.
>> HQ MANIACS – por Artur Tavares


“OS PASSARINHOS”: PRÉ-VENDA AJUDA A PAGAR CUSTOS DE LIVRO DE TIRAS

terça-feira | 26 | janeiro | 2010

Os Passarinhos. Crédito: divulgação

A internet se tornou um rica janela virtual para expor trabalhos em quadrinhos. De graça, porque não se ganha para produzir tiras e histórias num site ou num blog. A falta de pagamento é contornada com ganhos indiretos – eventual publicação em jornal, por exemplo – ou com o uso da criatividade para não ficar no vermelho.

Foi exatamente com criatividade que o desenhista Estevão Ribeiro conseguiu viabilizar a publicação em papel das tiras de “Os Passarinhos”, até então exclusivas de seu blog.

O jeitinho que o autor encontrou foi dividir os custos com o leitor. O internauta que segue a página faz um pagamento prévio da obra. E parte desse dinheiro que foi feito o livro, que tem lançamento nesta segunda-feira à noite no Rio de Janeiro e no mês que vem em São Paulo.

O sistema de pré-venda já é usado há alguns anos em diferentes sites, inclusive de editoras brasileiras. A estratégia é oferecer a compra antecipada de determinado produto dias ou semanas antes de ele ser posto à venda.Cada leitor do blog com as tiras de “Os Passarinhos” foi convidado a fazer um depósito entre R$ 8 e R$ 9,50. A diferença é por causa da variação do frete para o envio da obra.

Em troca, além do recebimento do livro, os patrocinadores terão os nomes impressos no livro como forma de agradecimento. 72 pessoas ajudaram e serão mencionadas na obra.Segundo Ribeiro, o esquema não permitiu o pagamento de toda a obra, mas garantiu 25% do custo total. Ele arcou com outros 25% e metade com a editora, a estreante Balão.

No entender do desenhista, o apelo direto ao leitor ajuda a contornar a burocracia de outras formas de viabilização de um projeto como esse, como as leis de incentivo cultural. O retorno foi uma surpresa. Alguns fãs depositaram dinheiro a mais. Outros aproveitaram para comprar outros trabalhos escritos por ele, como o livro “Contos Tristes”, segundo lugar no Prêmio Capixaba de Literatura Infanto-Juvenil, em 2007.

Quem não fez o depósito poderá ler as tiras do mesmo jeito. As inéditas – metade da obra – serão colocadas no blog algum tempo depois do lançamento do livro. “Algumas pessoas podem não querer desperdiçar numa publicação que estará on-line em três meses, e eu não as culpo”, diz Estevão, que está com 30 anos.

O desenhista, que também é ilustrador do jornal carioca “O Dia”, pretende repetir a experiência da pré-venda. Planeja lançar mais livrinhos da série ainda este ano. Este primeiro foi feito em formato horizontal e com as páginas grampeadas. São 102 tiras em preto-e-branco, uma por página. O preço R$ 9, um pouco mais caro que a pré-venda. O conteúdo mostra em papel o que o leitor virtual já conhece. A série tem como protagonistas dois passarinhos, Afonso, parecido com um sabiá, e o baixinho Hector.

Segundo o autor, os dois surgiram por acaso. “Eu estava num estúdio de animação esperando para apresentar um teste de roteiro e comecei a desenhar para passar o tempo.” “Em poucos minutos, eu fiz a ilustração do Hector, o passarinho menor. Fiz mais alguns desenhos dele, até que pensei que poderia fazer algo legal com o personagem. Então, decidi fazer outro personagem para acompanhá-lo e criei o Afonso, que inicialmente era para ser um periquito.”

Os Passarinhos. Crédito: reprodução do blog do autor

Da concepção para a realização. Estevão Ribeiro deu início ao blog da série em julho do ano passado. Desde então, tem usado a internet como ferramenta de divulgação. “Às vezes damos foras, eu tenho sido chamado de chato por algumas pessoas na Internet. Tento compensar com qualidade de trabalho”, diz o desenhista, nascido em Vitória (ES) e morando há quase dois anos em Niteroi (RJ).

O burburinho virtual teve seu ápice com a criação de Piu Gaiman, paródia em forma de ave de Neil Gaiman, conhecido por ser o roteirista da série norte-americana “Sandman”. O link com a tira com o personagem foi divulgada no Twitter e foi descoberta pelo próprio Gaiman. O escritor mencionou o trabalho e ajudou a pôr o blog brasileiro em evidência.

“Naquele momento, meu Twitter entrou em parafuso: pessoas comentando, repassando a mensagem do Neil Gaiman para outros”, diz o desenhista de 30 anos. “Ao todo, foram 65 ´recomendações´ para os seguidores, resultando mais de 1.200 acessos no blog. Foi o maior número de acessos num só dia.”

O blog de “Os Passarinhos” soma até agora 18 mil visitas, segundo o autor. A meta de Ribeiro é acentuar a popularização da série e publicar outro projeto. Ele organiza o livro “Pequenos Heróis”, que tem como ponto central a criação de histórias que tenham como fundo os superseres da editora norte-americana DC Comics.

“´Pequenos Heróis´ é um álbum em quadrinhos que conta oito histórias de crianças e adolescentes que tem algo em comum: num determinado momento da história eles agem heroicamente, fazendo referência a grandes super-heróis.” O livro irá fazer referência a Super-Homem, Batman, Mulher-Maravilha, Flash, Aquaman, Canário Negro, Ajax e os Lanternas Verdes. Estevão assina os roteiros, todos sem balões.

Serão oito histórias, cada uma com arte de um desenhista: Mário César, Emerson Lopes, Fernanda Chiella, Vitor Cafaggi, Jaum, Leo Finocchi, Ric Milk & Dandi – arte e cor – e Raphael Salimena.

Estevão aguarda a finalização de duas das histórias. Planeja lançar a obra ainda este ano e, depois, levá-la ao exterior. Ele já imagina também duas sequências, uma com heróis da Marvel – Homem-Aranha, Hulk, entre outros – e de clássicos, como Flash Gordon e Spirit.
>> BLOG DOS QUARINHOS – por Paulo Ramos

Os Passarinhos. Crédito: reprodução do blog do autor 

Serviço – Lançamentos de “Hector & Afonso – Os Passarinhos”
Rio de Janeiro. Quando: nesta segunda-feira (25.01). Horário: 19h. Onde: Blooks Livraria. Endereço: Praia de Botafogo, 316
São Paulo. Quando: 20 de fevereiro. Horário: a partir das 17h. Onde: Quanta Academia. Endereço: rua Dr. José de Queirós, 246, Vila Mariana


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