COMIC CON 2008 – RELATÓRIO

segunda-feira | 28 | julho | 2008


Terminou ontem em San Diego o evento conhecido como ComicCon que reuniu 127 mil pessoas no San Diego Convention Center. Apresentando painéis de filmes, séries de TV e quadrinhos, o evento também ofereceu várias outras atividades relacionadas ao culto dos quadrinhos, da ficção científica e da fantasia.

Criado em 1970 por Shelton Dorf, um fanático por histórias em quadrinhos, o primeiro evento ocorreu no dia 1º de agosto de 1970 reunindo 300 pessoas no salão de eventos do U.S. Grant Hotel. Inicialmente, o evento foi batizado de Golden State Comic Book Convention e tinha como objetivo reunir fãs de quadrinhos e ficção científica para trocar e negociar material, trocar idéias e assistir a palestras de artistas ligados ao universo dos quadrinhos, que também se colocavam disponíveis para responder perguntas. O nome do evento mudou em 1972 para San Diego´s West Coast Comic Convention e, em 1973, recebeu o nome pelo qual é conhecido até hoje, San Diego ComicCon, ou simplesmente, ComicCon.

A fama do evento cresceu chegando em 1998 com um público de 42 mil visitantes. Em 2007, pela primeira vez, os ingressos se esgotaram no dia de abertura, deixando muita gente de fora. Este ano, já estavam esgotados dias antes do evento iniciar. A presença de grandes estúdios que utilizam o evento para o lançamento de filmes e séries, bem como novas temporadas, além da presença dos artistas dessas produções provocou ao longo dos anos um aumento na freqüência de público que se estendeu ao nível internacional.

O crescimento, apesar de positivo, tem preocupado os organizadores em função da própria organização e administração do espaço. O contrato dos organizadores com o San Diego Conventional Center vai até 2012. Acredita-se que haja a necessidade de uma ampliação do local para acomodar o próximo evento que ocorrerá em 2009. Outras cidades já ofereceram seus espaços para receber o ComicCon, mas os organizadores preferem manter a tradição de realizá-lo em San Diego. Em 2006, teve início o New York ComicCon, no Jacob K. Javits Convention Center, que nada tem a ver com os organizadores de San Diego, mas segue a mesma linha de evento, com painéis, palestras, feiras, prêmios, etc.

Tendo sido criado por fãs para fãs, o evento se diferencia, e muito, de outros organizados por grandes corporações para atender um público e, principalmente, a mídia. No caso do San Diego ComicCon, o público tem a preferência, a mídia faz parte do público. Não há atendimento diferenciado, como ocorre, por exemplo com o Television Critics Association – TCA, evento que ocorre duas vezes por ano, janeiro e julho, e reúne a mídia americana e canadense para apresentar as novidades da televisão americana. Sendo organizado para atender a mídia, o evento oferece melhores condições de cobertura. No caso do ComicCon, os fãs estão liberados para filmar, fotografar e conversar com os participantes, tanto quando a imprensa. Eles se misturam e disputam um espaço. Muito embora, grandes jornais ou empresas possam ter algum privilégio.

AS SÉRIES
Embora receba muitas críticas por parte dos participantes mais interessados em quadrinhos (sua origem, afinal), que reclamam da invasão do cinema, da televisão, bem como, do vídeo game, o evento ainda é o maior e mais importante na área de quadrinhos nos EUA.

De fato, a presença dos grandes estúdios promoveu um aumento na “audiência” do evento e em sua importância, transformando-o em vitrine de propaganda de séries e filmes. O evento ganhou maiores proporções para a indústria televisiva em 2004, com a exibição do episódio piloto de uma nova série chamada “Lost”. Desde então, a produção se fez presente nos painéis, atraindo um maior número de fãs de séries de TV ao ComicCon. Em conseqüência disso, outros canais intensificaram sua presença no evento com suas séries de TV.

Este ano, pela primeira vez, as séries de TV ocuparam o maior salão do Centro de Convenções de San Diego, o Hall H, até agora destinado a painéis de filmes e quadrinhos. Apesar da fama de “Lost”, foi “Heroes” que reuniu o maior público este ano, com 6.500 fãs na apresentação de seu painel. Tim Kring, criador da série, retribuiu o carinho e o interesse dos fãs exibindo, na íntegra, o primeiro episódio da terceira temporada, que só irá ao ar na TV americana no início da próxima temporada. Normalmente são exibidos pilotos de séries que ainda não estrearam, para que, assim, conquiste o interesse do público que fará a propaganda “boca-a-boca” (mais eficaz que qualquer campanha caríssima de marketing) e garantir uma audiência em sua estréia na TV.

As séries que se fizeram presentes este ano no ComicCon foram, além das já mencionadas “Lost” e “Heroes”: “24 Horas”, “Fringe”, “Dollhouse”, “Chuck”, “Pushing Daisies”, “Battlestar Galáctica”, “Knight Rider”, “The Office”, “The Big Bang Theory”, “Prison Break”, “Supernatural”, “Ghost Whisperer”, “Dexter”, “Bones”, “Kings”, “Middleman”, “Stargate”, “True Blood”, “Terminator: The Sarah Connor Chronicles”, “O Super-Herói Americano/The Greatest American Hero”, “Legend of the Seeker”, “Buffy, a Caça-Vampiros”, “Kyle XY”, “Eureka”, “The Sarah Silverman Program”, “It´s Always Sunny in Philadelphia”, as inglesas “Dr. Who”, “Torchwood”, “Spaced”, “Primeval”, uma homanagem a Gene Roddenberry sob o nome de “The Gene Roddenberry Legacy: Roddenberry in the 21st Century”, painéis com autores de séries animadas e ainda a presença de Noel Neill, a Lois Lane na série dos anos 50 “As Aventuras do Superman”, que comemorou no evento o aniversário de 60 anos em que interpretou pela primeira vez a personagem.

Vamos dar uma olhada no que resultou alguns dos painéis de séries.

Atenção! A partir daqui, só tem Spoilers!!

As informações abaixo têm como base diversas publicações americanas, bem como comentários em blogs de pessoas que participaram. Seguirei a ordem dos painéis para não correr o risco de esquecer alguma, mas, caso eu esqueça, é só avisar que incluirei, a não ser que nada tenha sido divulgado:

Fringe – A nova série de J. J. Abrams, que teve seu piloto vazado na Internet, teve uma recepção morna. Apontada como cópia de “Arquivo X”, a reação à exibição do episódio piloto não foi das melhores. A maioria das críticas publicadas na mídia ou em blogs reclamavam do excesso de clichés. No painel, J. J. Abrams comentou que algumas cenas do piloto serão refeitas. A Fox preparou uma fraca campanha de marketing que incluiu a distribuição de brindes com o logo da série. Mas o que causou reação negativa foi o fato dela ter montado em um espaço do estacionamento um curral com vacas, animal que aparece no episódio piloto.

Knight Rider – Este é o remake da série “A Supermáquina” produzida nos anos 80 com David Hasselhoff. A NBC preparou um evento de marketing apresentando o novo carro KITT ao público. Durante o evento foi exibido o trailer da série. Particularmente, não vejo motivos para refilmar esta produção e pela reação do público presente e da mídia, eles também não.

Kings – Com a presença de Michael Green, Francis Lawrence, Erwin Stoff, Sebastian Stan, Susanna Thompson e Allison Miller na mesa, o painel serviu para introduzir ao público esta nova série que tem como base a história bíblica do rei Davi, já comentada neste blog. O ator Ian McShane que interpreta Davi não pode estar presente porque ficou preso no trânsito. Mandou uma mensagem via celular pedindo desculpas. Foram exibidos os primeiros os primeiros 20 minutos do filme piloto que estréia em fevereiro de 2009.

Doctor Who – Com as presenças dos roteiristas Steven Moffat e Julie Gardner, o painel apresentou um trailer com as melhores cenas de episódios escritos por ele. Apesar da presença dos fãs que perguntavam o que a 5ª Temporada irá trazer, os dois recusaram-se, de forma bem humorada, a adiantar qualquer informação.

Torchwood – O painel foi basicamente um bate-papo entre os fãs e o ator John Borrowman, que interpreta Jack, um bissexual que vem do futuro. Esta característica do personagem foi a mais comentada e discutida. O ator respondeu a perguntas sobre sua vida pessoal e comentou que adoraria interpretar o Capitão América no cinema, caso foi convidado pela Marvel, por ser seu herói favorito. Ele e a atriz Naoko Mori, que estiveram no musical “Miss Saigon” na Inglaterra, deram uma palhinha para o público interpretando uma das canções”.

O Super-Herói Americano – A série produzida nos anos 80, sobre um professor que recebe de alienígenas uma roupa de super-herói, mas perde seu manual de instruções, esteve presente no Comic Com para anunciar seu retorno. Não na televisão, mas nas histórias em quadrinhos. No painel estavam William Katt, Connie Sellecca e Robert Culp, um ícone da TV americana, que foi ovacionado pelo público presente. William Katt, que estará em participação na terceira temporada de “Heroes”, criou sua própria editora de quadrinhos, a Catastrophic Comics, com a qual pretende lançar seis edições do “Super-Herói Americano”. As três primeiras edições irão recontar a origem do herói. As demais deverão dar continuidade à série do ponto em que ela parou. O lançamento deve ocorrer no final deste ano. Também está sendo planejada a produção de curtas animados para ser disponibilizada na Internet e no celular. Escrito por William Katt, Sean O´Reilly e Christopher Folino, deverá ser criado um vilão recorrente. Estas produções tem o apoio de Stephen J. Cannell, criador da série.

The Middleman – Esta é uma nova série que estreou pela ABC Family, mas que não tem conseguido alcançar uma boa audiência. O painel contou com a presença de seu criador, Javier Grillo-Marxuach, que revelou a trama do último episódio da primeira temporada: os personagens encontrarão seus duplos em um universo paralelo nos quais eles terá uma personalidade inversa à deles. Foi exibido um clip do episódio que irá ao ar no dia 11 de agosto, com a participação do ator Kevin Sorbo, de “Hercules”. Também fizeram o anúncio do lançamento da série em DVD, com 12 episódios, comentários, e cenas de bastidores. Um representante do canal informou que a decisão de renovar a série para uma segunda temporada ainda não foi tomada, mas que será levada em consideração a venda do DVD e o número de downloads que a série tem conquistado.

Legend of the Seeker – A nova série de Sam Raimi utilizou o ComicCon para divulgar sua produção, a mudança de título e os nomes dos atores, já divulgados neste blog. Apesar da fama de Raimi e do sucesso dos livros de onde a série se originou, o painel não provocou grandes reações à estréia da série. Também não apresentou o trailer que foi disponibilizado na Internet. A primeira temporada da série que tem 22 episódios encomendados cobrirá os eventos do primeiro livro. Se renovada, a segunda cobrirá a do segundo livro e assim por diante. São ao todo sete livros.

True Blood – Com estréia prevista para o dia 7 de agosto pela HBO americana, a nova produção de Alan Ball, criador de “A Sete Palmos/Six Feet Under”, não teve boa receptividade via Internet quando seu piloto vazou para download. Com base nos livros de Charlaine Harris, apresenta a Terra povoada por vampiros que dividem o espaço com os humanos. Estrelada por Anna Paquin, que estava no painel juntamente com Ball e Harris, a série teve a apresentação de um trailer. Ao contrário da reação daqueles que fizeram o download do piloto, a série foi muito bem recebida pelo público que se fez presente no painel, isso porque era formado, basicamente, por fãs do livro.

Dexter – A terceira temporada da série estréia no dia 28 de setembro. O painel foi super concorrido, lotando o espaço e deixando muita gente de fora. Estiveram presentes os atores Michael C. Hall e Julie Benz, e os roteiristas Clyde Phillips e Melissa Rosenberg. Foi exibido o trailer da terceira temporada que introduz o personagem de Jimmy Smitts, o promotor Miguel Prado, que se tornará, de certa forma, um amigo para Dexter. A terceira temporada focará na evolução de Dexter, que deixará o código de Harry de lado e passará a utilizar seu próprio código moral. Lundy (Keith Carradine) não irá retornar à trama. A roteirista Rosenberg declarou ter ficado satisfeita com as edições que a CBS fez nos episódios da série quando exibida em canal aberto, pois isto possibilitou conquistar um novo público. Os roteiristas também afirmaram que a série deverá terminar quando Dexter começar a sentir remorsos por seus atos.

The Big Bang Theory – Com a presença de todo o elenco, o painel da série serviu, basicamente, para responder perguntas do público sobre a carreira e a vida pessoal de cada um. Com relação à produção, Chuck Lorre, co-criador da série, comentou que a personagem de Sarah Gilbert, Leslie, deverá retornar em novos episódios da segunda temporada.

Stargate Atlantis – Com a presença de Jon Flanigan (Capitão John Shephard) e Robert Picardo (Richard Woolsey), o painel da série contou apenas com curiosidades de bastidores.

Spaced & Primeval – A sitcom britânica Spaced que fez muito sucesso na Inglaterra esteve presente no painel para responder curiosidades e divulgar o lançamento da série em DVD nos EUA. Também foram comentadas as brigas de bastidores entre os criadores e a versão americana que não aceitou a participação deles no processo criativo, e foi cancelada. A série fez parte do painel da BBC América, juntamente com Dr. Who, Torchwood e Primeval, que contou com a presença dos atores Douglas Henshall, Juliet Aubrey e Karl Theobald e respondeu perguntas relacionadas a curiosidades de produção.

Bones – O painel contou com as presences dos produtores Hart Hanson e Barry e dos atores David Boreanaz, Michaela Conlin, Tamara Taylor e Jon Francis Daley. Foi exibido meia hora do primeiro episódio da quarta temporada da série. O ator Eric Millegan irá retornar em mais episódios interpretando o assassino Zack Addy, que deverá ser preso desta vez. Cam (Taylor) e Sweets (Daley) terão um romance, mas não foi explicado se com terceiros ou entre eles. O misterioso marido de Ângela irá aparecer. Camille se envolverá com alguém com quem Ângela já dormiu e Booth e Brennan irão para a cama juntos; e a família de Booth irá aparecer em alguns episódios. Os produtores revelaram que o final da última temporada não terminou como eles gostariam, em função da greve dos roteiristas. A idéia era terminar com Booth levando um tiro. O primeiro episódio da próxima temporada tem duas horas de duração e foi filmado em Londres.

24 Horas – Com mais de um ano fora do ar, a série retorna em sua sétima temporada e com um filme que precede seus acontecimentos. O painel serviu para reentroduzir a série aos fãs, agradecer sua lealdade e responder a curiosidades de produção. Na mesa estavam os produtores, Howard Gordon, Jon Cassar, os roteiristas Manny Coto, Carlos Coto, David Fury e Brennan Braga, e os atores Kiefer Sutherland, participando pela primeira vez de uma Comic Com, e Carlos Bernard, que retorna ao elenco como Tony Almeida. Foi exibido o trailer do filme “24:Exile”, já divulgado aqui, cujo principal conflito será em torno de crianças que se tornam soldados. A idéia inicial era produzir um filme de 7 a 10 minutos de duração para preceder a sétima temporada, mas a emissora optou por um filme de duas horas de duração. Não é mais novidade que Tony Almeida não morreu, mas a explicação de seu retorno somente será vista quando a temporada iniciar. Segundo os produtores, a nova temporada irá lidar com um nível mais intenso de tortura, jamais visto na série. Respondendo à famosa a pergunta, Kiefer disse que Jack vai ao banheiro quando ele não está em cena. Certa vez foi filmada uma cena neste sentido, mas foi cortada na edição final. Sobre um possível filme para o cinema, Sutherland e os produtores reafirmaram que somente será produzido, se produzido, quando a série terminar, algo que ainda não está previsto.

Prison Break – Com a presença anunciada dos atores Dominic Purcell, Sarah Wayne Callies e Wentworth Miller, o painel iniciou com a exibição dos dez primeiros minutos do primeiro episódio da quarta temporada. Wentworth Miller não compareceu. Com o sucesso da série, o ator britânico tornou-se recluso, não aparecendo em eventos ou entrevistas. Quando divulgada sua presença, muitos fizeram questão de participar do painel. Mas tão logo disseram que ele não viria por estar filmando em outro lugar, várias pessoas sentiram-se enganadas e saíram do recinto. A próxima temporada inicia com Michael perseguindo Whistler em Los Angeles. Em uma festa, Gretchen confessa a Michael que Sarah não morreu que tudo não passou de uma armação. Será uma premiere com duas horas de duração as quais irão focar na busca de Michael e Linc por Sarah. Não deverá ocorrer histórias relacionadas à prisão, os dois não estarão sendo perseguidos. Eles é que se tornarão perseguidores.

Eureka – Com a presença dos atores e produtores, foi revelada algumas informações sobre a terceira temporada da série, que trará novos personagens: Eva Thorne (Francês Fisher) conhecida como “The Fixer”, tentará descobrir o que está acontecendo em Eureka e iniciará um novo arco na história. A outra personagem será Lexxie, irmã de Jack, que irá virar o mundo dele de pernas para o ar, tornando-se amiga de todos muito mais rápido que ele. A filha de Jack, Zoe, irá trabalhar no Café Diem. Carter e Allison terão uma cena em que estarão nus, mas nada mais foi revelado. Mais informações sobre o pai biológico de Kevin será revelada; bem como mais informações sobre o passado do Xerife Lupo. Beverly não irá retornar nesta temporada, mas o personagem Jim Taggart aparecerá em vários episódios a partir da segunda metade da próxima temporada. Fargo e Henry encontrarão romance em suas vidas. A Internet será mais utilizada para agregar informações sobre a série. Sara passará a dar informações sobre a casa de Jack, respondendo a perguntas. Será lançado o Eurela Unscripted Site, que dará informações sobre como os roteiristas preparam seus textos. Também um podcast será lançado dois dias após a exibição de cada episódio.

Heroes – Presentes os atores Masi Oka (Hiro), Hayden Panettiere (Claire), Adrian Pasdar (Nathan), Milo Ventimiglia (Peter), Greg Grunberg (Matt), Ali Larter (Niki), Sendhil Ramamurthy (Suresh), Zachary Quinto (Sylar), James Kyson Lee (Ando), Jack Coleman (HRG), Dania Ramirez (Maya), o criador Tim Kring, o artista Tim Sale, responsável pelos quadros, e o produtor Jeph Loeb. O painel iniciou com a exibição do primeiro episódio da terceira temporada, que estréia nos EUA no dia 22 de setembro. Nele é apresentado os fatos que ocorrem logo após o final da segunda temporada em que Nathan sofre um atentado, provocado por seu irmão Peter, que veio do futuro. Após sua quase morte, Nathan se volta para Deus e se torna evangélico (a Record vai gostar desta parte!) e conhece um político que irá ajudá-lo, interpretado por Bruce Boxleitner, de “Babylon 5”. Foi divulgado que a segunda temporada da série em DVD terá a inclusão de episódios inéditos. Mohinder irá adquirir super-poderes e Noah está em uma prisão. A exibição do episódio tomou quase todo o tempo disponível para o painel de “Heroes” e poucas perguntas foram respondidas.

Terminator: The Sarah Connor Chronicles – Moderado pelo criador da série, Josh Friedman, e com as participações dos atores, o painel iniciou com a exibição do trailer da próxima temporada. Cam (Summer Glau) sobreviveu à explosão do caminhão que encerrou a primeira temporada. O personagem de John Connor deverá amadurecer, começando a surgir aqui o homem que irá liderar uma revolução no futuro. Foi revelado que um dos personagens irá morrer, algo que, parece, nem os atores estavam sabendo.

Lost – Com as presenças dos produtores Damon Lindelof e Carlton Cuse, o painel iniciou com a divulgação do DVD da quarta temporada. Apresentando um “representante” da iniciativa Dharma, o painel continuou com a distribuição de brindes a quem fazia perguntas. Em dado momento, uma pessoa perguntou se este ano faria o que fizeram ano passado, que foi o de trazer como convidado surpresa um dos atores do elenco. Algo que eles negaram que seria feito. Após mais algumas perguntas, os produtores começaram a discutir se o boneco do Jack era parecido com o ator ou não. A pessoa que iria receber de brinde ficou insistindo que não se importava. Até que o ator Matthew Fox entrou no palco, altografou a caixa do boneco e entregou pessoalmente ao rapaz que ainda recebeu um abraço do ator. Fox sentou-se à mesa do Painel e ficou até o final. A estrutura narrativa da série sofrerá uma mudança. Inicialmente focada nos flashbacks, a partir da quarta temporada passou a trabalhar os flashfowards e flashbacks. Com a quinta temporada, o público vai ficar sem saber em que época ou momento do tempo os personagens estão. Jin, Locke e Faraday estarão de volta. A história de Rousseau será apresentada, mas não em flashbacks, tornando-se importante para a trama neste momento. Kate voltará a encontrar Sawyer e o público voltará a ver Vincent (o cão). Uma série de fatos relacionados ao livro do Capitão Gault serão apresentados. No final da quarta temporada, quando Desmond moveu a chave na escotilha para mover a ilha, ela não se moveu de fato. A quinta temporada que deverá iniciar as filmagens em 18 de agosto terá 17 episódios e, a sexta terá mais 17 episódios. A série continuará a produzir webisodes, mobisodes e games.

Kyle XY – A produtora Julie Plec respondeu a perguntas dos fãs e garantiu que por hora não haverá spinoff da série. A personagem Jessie, uma espécie de “vilã” ou pelo menos alguém que costuma causar problemas, seria a mais indicada para ter sua própria série, mas o canal ABC Family não tem planos no momento para isso. Poucas informações foram divulgadas sobre este painel.

The Office – Com a presença do ator Rainn Wilson e dos roteiristas a presença da série neste evento é no mínimo, estranha, já que não se trata de ficção científica, fantasia ou ação. Foi discutido como os roteiros são escritos. Também foi mostrado cenas em que os roteiristas tiveram participação na série. Nenhuma informação sobre a próxima temporada ou sobre a spinoff, que não vai mais ser spinoff e sim uma série própria.

Dollhouse – A nova série de Joss Whedon está com seu piloto sendo refilmado então não foi apresentado no evento. Apenas um trailer e um press release do que se trata a série já comentada aqui no Blog. O público era basicamente de fãs de Whedon, que explicou que a série vai estrear no ano que vem. Muito embora não haja nenhum sinal de que será cancelada antes de sua estréia, o fato do piloto estar sendo refilmado e a última produção de Whedon, “Firefly”, ter sido cancelada, fez com que surgissem na Internet uma campanha para salvar “Dollhouse” do cancelamento. Whedon declarou que está agradecido pelo carinho dos fãs, mas a campanha o assusta pois dá a impressão para as pessoas de que o produto não é bom.

Battlestar Galactica – Com as presenças dos atores Jamie Bamber, Michael Trucco, Katee Sackhoff, James Callis, Tricia Helfer, do criador Ron Moore e do produtor David Eick, o painel foi moderado pelo cineasta Kevin Smith. Um vídeo clip foi apresentado com resumo das histórias passadas e com cenas do que está por vir, como Adama e Roslyn juntos. A Terra que eles encontram foi devastada por um ataque nuclear. Poucas informações foram passadas ao público. Uma delas foi que o sexto cilônio será alguém que já apareceu na história e não um ator ou atriz convidado(a). Perguntada se Starbuck seria a sexta cilônia, Kate Sackhoff não confirmou ou negou. A série finaliza sua produção com a quarta temporada que termina sua exibição no ano que vem. “Caprica”, que precede a história de Galáctica, ainda está no filme piloto, sua audiência deverá definir a produção de uma série.

Pushing Daisies – Com a presença dos atores e do criador Bryan Fuller, o moderador do painel foi Barry Sonnenfeld. Durante a seção de perguntas e respostas, Kristin Chenoweth interpretou a canção “Somewhere Over the Rainbow”. Cantora de musicais da Broadway, a atriz foi indicada ao Emmy de Melhor Atriz Coadjuvante em Comédia deste ano. Foi apresentado um preview da segunda temporada, com dois minutos de duração. A próxima temporada irá lidar com os problemas de Ned e seu pai, bem como com os problemas relacionados ao pai de Chuck. Um personagem, Dwight Dixon, será introduzido no quinto episódio. Ele será o elo de ligação na história dos dois pais. Chuck vai se mudar do apartamento de Ned, suas tias começarão a freqüentar a Pie-Hole, Olive vai passar um tempo no convento, a mãe de Emerson vai aparecer e será interpretada por uma atriz da Broadway, e a história será desenvolvido de forma a apresentar situações que somente serão exploradas em uma terceira, possível, temporada.

Chuck – Com a presença do elenco e dos criadores Josh Schwartz e Chris Fedak, algumas informações sobre a segunda temporada foram revelados. A próxima temporada irá focar mais na relação de Chuck e Sarah, além da cobertura que eles criaram de namorados. Mais informações sobre a trama serão reveladas, como os motivos pelos quais Chuck se envolveu nesta história. Alguns dos atores convidados da próxima temporada incluem, Melinda Clarke, Jordana Brewster, Michael Clarke Duncan e Tony Hale. Ellie e Awesome farão planos de casamento. O esquadrão do Best Buy vai se tornar fixo. A série estréia no dia 29 de setembro.

Smallville – Moderado por Jeph Loeb teve a presença dos atores Allison Mack, Justin Hartley, Sam Witwer, Cassidy Freeman e dos produtores Kelly Souders, Brian Peterson, Todd Slavkin e Darren Swimmer. Chloe utilizará seus poderes no início da nova temporada e irá aperfeiçoa-los ao longo dos episódios. Ela manterá seu relacionamento com Jimmy e se afastará de Clark. Este deverá ter algum envolvimento com Tess. A história de Doomsday dos quadrinhos será preservada e a origem do Arqueiro Verde será revelada. Uma spinoff está planejada para focar um dos heróis apresentados na série. A nova temporada terá 22 episódios.

It´s Always Sunny in Philadelphia – Damon Lindelof, co-autor de “Lost”, foi o moderador do painel que iniciou com a exibição do primeiro episódio da quarta temporada, que tem o título de “Mac and Dennis: Manhunters”. A história faz referências a “Indiana Jones”, “Tubarão” e outros. Com as presenças dos atores Rob McElhenney (Mac), Glenn Howerton (Dennis) e Charlie Day (Charlie), autores da série, o painel respondeu a perguntas dos fãs sobre como a série foi criada e curiosidades de produção. Kaitlin Olson não estava presente porque ela teve um acidende emachucou as costas, precisando ficar em repouso. De novidade, haverá um episódio em flashback que levará os personagens para o ano de 1776, durante a guerra da revolução. No final do painel, Charlie Day cantou a música de seu personagem “Night Man”.

The Sarah Silverman Program – Moderado por Patton Oswalt, o elenco da série esteve presente no painel respondendo a perguntas sobre os personagens, a produção e sobre os próprios atores. Em meio a muitos palavrões, insinuações de sexo e um discurso sobre maconha, o painel não revelou nenhuma informação sobre a produção, muito embora não haja de fato o que revelar. Outro painel que não faz sentido nenhum ter existido neste tipo de evento.

Supernatural – Com a presença dos atores Jensen Ackles e Jared Padalecki, do criador da série, Eric Kripke, e dos produtores Sera Gamble, Ben Edlund e Peter Johnson, o painel teve início com a exibição dos cinco minutos do primeiro episódio da nova temporada. Entre as informações passadas para o público, qualquer personagem poderá retornar na próxima temporada, Sam irá desenvolver seus poderes e poderá ter uma namorada. O pai de Mary Winchester irá aparecer e será interpretado por Mitch Pileggi, o Skinner de “Arquivo X”. Existem planos para uma spinoff, mas nada definitivo ainda. A estréia está prevista para o dia 11 de setembro.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


OS IRMÃOS FÁBIO MOON E GABRIEL BÁ VÃO ESTREAR NO SELO VERTIGO

segunda-feira | 28 | julho | 2008

Ilustração para "Daytripper"

Com uma minissérie em dez edições chamada Daytripper, os irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, muito elogiados por Jerry Robinson (um dos primeiros roteiristas de “Batman”) durante a San Diego Comic Con, vão estrear no selo Vertigo, a linha de quadrinhos adultos da DC Comics.

“Será um divisor de águas na nossa carreira”, disse Gabriel. E Fábio explicou que a história mostra “um cara que quer se tornar escritor e como as coisas que fazemos todos os dias determinam o que você fará para o resto da vida”. A história de Daytripper será ambientada no Brasil e a estréia está programada para a próxima primavera do hemisfério norte.

Além disso, também foi anunciado na San Diego Comic Con, que os “meninos do Brasil”, Fábio & Gabriel, irão desenhar a série BPRD 1947, escrita pelo Mignola e pelo Josh Dysart.


BRASILEIROS VENCEM O EISNER AWARDS EM SAN DIEGO

segunda-feira | 28 | julho | 2008

Gabriel Bá, Fabio Moon e Rafael Grampá venceram na categoria antologia.
Vitória pela série ‘The Umbrella Academy’ levou Bá outra vez ao palco.

A partir da esquerda, Fabio Moon, Rafael Grampá e Gabriel Bá (ao microfone) recebem o Eisner Award de melhor antologia (Foto: Diego Assis/G1)

A cerimônia de entrega dos Eisner Awards, premiação mais importante do mercado de quadrinhos dos Estados Unidos, ganhou tom verde e amarelo na noite desta sexta-feira (25) em San Diego com a vitória dos irmãos Gabriel Bá e Fabio Moon e do quadrinista Rafael Grampá na categoria melhor antologia. O troféu foi conquistado pela revista independente “5”, que inclui também histórias de Becky Cloonan e Vasilis Lolos.

Bá também subiu outra vez ao palco para receber o prêmio de melhor série limitada por “The Umbrella Academy”, HQ da Dark Horse com roteiro de Gerard Way, da banda My Chemical Romance e desenhos do brasileiro.

Mais adiante, o próprio Bá foi chamado para entregar o prêmio de melhor HQ digital para o irmão Fábio Moon pela HQ “Sugar Shock”.

“Eu amo quadrinhos… tudo o que eu sempre quis foi fazer histórias em quadrinhos”, declarou no palco um Fabio Moon ainda atônito com a vitória pela antologia. Já recomposto, Bá continou: “A gente vem do Brasil para cá há 12 anos e me lembro que, na primeira vez, o Frank Miller fez um discurso que dizia entre outras coisas: você pode fazer mais. E é isso que a gente vem tentando fazer desde então, mais e melhor”.

Aplaudidos com entusiasmo pelo público, os brasileiros viraram o assunto da noite, citados por nomes como Jerry Robinson, escritor veterano de “Batman”, que se disse “feliz de ver os meninos do Brasil aqui”, e o escritor da DC Comics Brad Meltzer, que dedicou seu prêmio “não aos heróis, mas àqueles que tentam; a todos os nerds, geeks e loosers, e a caras como os autores do Brasil, que continuaram tentando”.
>> G1 – por Diego Assis

Abaixo, trechos da matéria do Walt Street Journal sobre os Gêmeos que estão se destacando nos quadrinhos norte-americanos. Tradução da Carol Almeida, do blog Zuper.

“Nos últimos 12 anos, Fábio Moon e seu irmão gêmeo Gabriel Bá gastaram milhares de dólares para viajar de sua cidade natal, São Paulo, até a San Diego Comic Con, o maior evento de quadrinhos dos Estados Unidos. Eles esperavam que seus desenhos chamasse a atenção de um editor grandão e passavam horas esperando por um autógrafo de ídolos como Frank Miller e Jeff Smith. Porém, nesta edição do Comic Con, que começou quinta passada, os senhores Bá and Moon, ambos com 32 anos, são aqueles sob os holofotes. Ambos irmãos têm trabalhos indicados ao Eisner Awards, o equivalente do Oscar nos quadrinhos…. “

“Parte do apelo dos gêmeos é a habilidade de ambos em criar bem sincronizadas colaborações. Muito de seus trabalhos compartilha do mesmo sentimento luxuoso e diáologos curtos. A casa de infância no boêmio bairro da Vila Madalena transformou-se em estúdio e eles trabalham alguns centímetros distantes. “Nós somos a consciência um do outro porque pensamos muito parecido em termos do que é importante para uma história”, diz Moon.”

Conheça os outros vencedores do Eisner aqui.


UMA VISITA A NOVOS AUTORES BRASILEIROS

segunda-feira | 28 | julho | 2008

Imagem do livro "Coisas que a Gente Gosta e Não Gosta", do desenhista Jaca.

Com tantas HQs que atualmente estão presentes em bancas, livrarias e lojas especializadas, muitas obras brasileiras que não têm o privilégio de uma distribuição mais global acabam perdidas em meio aos lançamentos mais badalados e de artistas reconhecidos. Por isso queria destacar aqui algumas destas edições que merecem a atenção de quem gosta de quadrinhos e de livros ilustrados.

 A Quadrinhofilia de José Aguiar

Quadrinhofilia. De quadrinho(-s- + -filia. Arte de colecionar, criar ou apreciar histórias em quadrinhos..

Você não vai achar esta definição nos dicionários, mas ela já existe. Primeiro como uma coluna sobre HQs em um site e uma exposição dos trabalhos do quadrinhista curitibano José Aguiar, e agora como um livro da editora HQM que reúne as histórias curtas do autor.

Vale a pena buscar este livro e mergulhar nas histórias que Aguiar tece com talento e criatividade. Com um estilo de traço às vezes lembrando Mike Mignola ou o alemão Andreas, mas mantendo seu estilo pessoal, o autor percorre com desenvoltura temas como o humor, a ficção-científica, o terror, o fantástico.

A experimentação gráfica e de linguagem é uma constante nas quatorze histórias deste álbum que alterna HQs coloridas e preto e branco, destacando o lado sombrio da vida. Humor negro, film noir, expressionismo alemão: em várias histórias é a porção obscura do ser humano que Aguiar traz à tona, inclusive com uma adaptação do clássico filme alemão, O Gabinete do Dr. Caligari.

A capa do álbum traz uma parece repleta de quadros com cenas das histórias que encontraremos no interior, resumindo a galeria de personagens e contos estranhos que fora reunidos em Quadrinhofilia para nosso prazer de ler e ver.

Necronauta: em busca do morto perdido

Com edições de 12 páginas em fotocópia o fanzine Necronauta já chegou ao seu quarto número. Cada revista traz uma história do personagem principal em sua missão: resgatar pessoas que morreram mas que se recusam a aceitar essa realidade.

Os ótimos desenhos são sempre de Danilo Beiruth, mas cada revista conta com um roteirista convidado.

Com um clima do antigo seriado Além da Imaginação, as pequenas histórias bem humoradas e despretensiosas sobre a morte cativam o leitor e nos fazem querer ler mais. Só nos resta ficar atentos para a próxima aparição do Necronauta.

O Câncer Urbano

A pequena obra Câncer é uma edição especial publicada pela revista independente O Contínuo. Belissimamente produzida, é criação do roteirista Dalton Correa Soares e dos desenhistas Rafael Mathé e Olavo Costa.

Misturando pequenas histórias multicoloridas que utilizam a linguagem dos graffiti com páginas de anotações e esboços em sépia, Câncer cria um jogo urbano com referências à mitologia, magia e astrologia.

Underground para crianças

Este livro também utiliza a linguagem dos graffitis, mas desta vez em uma obra para o público infantil desenhada por um veterano dos quadrinhos underground brasileiros, que já foi colaborador das revistas Dundum e Animal e atualmente participa da exposição de cultura urbana Transfer, em Porto Alegre.

O desenhista Jaca, com roteiro de Fabio Zimbres e Laura Costa, nos leva em “Coisas que a Gente Gosta e Não Gosta“, da editora Hedra, a um passeio divertido e lúdico pelas coisas simples e boas (ou más) da vida de uma criança, com sensibilidade e inventividade, trazendo uma nova estética para os livros infantis, geralmente mais apegados às ilustrações tradicionais.

Quadrinhofilia“, “Necronauta“, “Câncer” e “Coisas que a Gente Gosta e Não Gosta” são quatro obras saídas das cabeças e das mãos de uma dúzia de talentosos roteiristas e desenhistas brasileiros, uma amostra da produção nacional de qualidade, e que estão à disposição de quem conseguir desenterrá-las da avalanche de livros lançados todo mês.
>> TERRA MAGAZINE – por Cláudio Martini


MUNDO DOS SUPER-HERÓIS

terça-feira | 22 | julho | 2008

A revista Mundo dos Super-Heróis ganhou, pelo segundo ano consecutivo, o prêmio HQ MIX na categoria “Melhor Publicação Sobre Quadrinhos”.

 

Agora, já está nas bancas SP e RJ a “Mundo dos Super-Heróis 11″, com um dossiê sobre as principais mudanças e curiosidades da carreira do Batman. São 30 páginas com informações essenciais do personagem, além da crítica do novo filme e uma nova seção – chamada “Procurado” – com um mini-dossiê sobre o Coringa.

 

O batdossiê conta com os seguintes capítulos:
> A criação do herói no fim dos anos 30 e seu desenvolvimento nos anos 40
> O processo de censura ocorrido nos anos 50
> Os divertidos e inocentes anos 60
> A volta do lado sombrio do herói nos anos 70
> Os anos de maior popularidade do Batman na década de 80
> Catástrofes e provações dos anos 90
> A renovação do ano 2000

OUTRAS REPORTAGENS DA EDIÇÃO 11 DA MUNDO:
Criador: Neil Gaiman (8 págs)
Graças à sua abordagem pouco convencional, Neil Gaiman é um dos mais elogiados roteiristas de quadrinhos da atualidade. Conheça os detalhes de sua carreira.

10 Mais: Heróis Negros
(5 págs)
Eles ganharam seu espaço nos quadrinhos e hoje apresentam histórias muito interessantes e criativas. Selecionamos 10 heróis negros que marcaram época, como Pantera Negra, Luke Cage, John Stewart, Blade…

Thor de A a Z (7 págs)
Os detalhes da rica mitologia do Deus do Trovão, um dos maiores heróis da Marvel.

Entrevista: Greg Tocchini (4 págs)
Ele é um dos muitos brasileiros que desenham para o exterior. Mas com uma diferença: é sempre chamado para projetos bem particulares que envolvem a criação de visuais diferenciados. Veja como Tocchini trabalha isso.

Heróis BR Velta (4 págs)
A trajetória da musa dos quadrinhos independentes brasileiros que completou 35 anos recentemente.

Coleção: especial batmóvel (2 págs)
O batmóvel é quase um personagem, uma parte essencial na mitologia do Homem Morcego. Separamos sete modelos imperdíveis para colecionadores.

Clássicos da Era de Ouro (1 pág)
O quadrinhista Gedeone Malagola conta a história de Tails Tommy, um herói aviador que fez muito sucesso nos anos 20.

Artista da capa: Samicler Gonçalves (2 págs)
Os detalhes de como o talentoso artista brasileiro criou nossa ilustração de capa e nosso pôster central do Batman.

Etc& Tal (1 pág)
O jornalista Sílvio Ribas conta os detalhes de sua longa relação com o universo do Batman.

Peneira Pop (10 págs)
Notícias e um pouco mais: os bastidores e a crítica do filme Batman, The Dark Knight; novidades sobre o mundo dos quadrinhos; resenhas sobre revistas, fanzines e livros que chegaram à redação.

Super Leitores (5 págs)
Comentários, críticas, textos e desenhos dos leitores. Tem até o desenho de uma leitora de nove anos.

Catacumba (1 pág)
O colecionador Fransérgio Rodrigues conta a história da revista da Família Halley, um grande sucesso dos anos 80.

DISTRIBUIÇÃO:
A Mundo dos Super-Heróis 11 será lançada em duas fases. A primeira será do dia 18/7 em São Paulo Capital e em 21/7 no Rio de Janeiro Capital. Depois, a revista será recolhida no dia 18/8 e volta para as demais bancas do Brasil em setembro de 2008.

Para ver uma versão digital da revista, clique aqui


“CASANOVA”, DE FRACTION, BÁ E MOON, SERÁ ADAPTADO PARA O CINEMA

terça-feira | 22 | julho | 2008


De acordo com o site Entertainment Weekly, a série Casanova, da Image Comics, será adaptada para a telona.

Casanova tem roteiro de Matt Fraction e arte dos irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon.

Além de Casanova, Fraction também assinou contrato para o desenvolvimento de The Last of the Independents, HQ de sua autoria publicada pela AiT/PlanetLar. O título é uma homenagem ao filme policial O Homem que Burlou a Máfia (Charlie Varrick), que traz Walther Matthau no papel principal.

Os dois projetos estão nas mãos de Rick Alexander e Jeff Krelitz. Segundo Alexander, já há atores de primeiro time interessados em Casanova, que poderá vir a ser um blockbuster de grande orçamento.

Alexander está trabalhado para que Casanova faça sua estréia cinematográfica em julho de 2010. A produção de The Last of the Independents está um pouco mais adiantada. O filme já tem um roteirista, Alec Litvak, e as filmagens poderão começar no início de 2009.

Casanova Quinn, personagem que dá nome à série, é um ladrão forçado a se tornar um espião numa perigosa intriga internacional.

Atualmente, Fraction está envolvido com o roteiro de várias revistas da Marvel, como X-Men, Justiceiro e Thor.

Gabriel Bá e Fabio Moon lançaram recentemente a revista Pixu, junto com Becky Cloonan e Vasilis Loolos.
>> UNIVERSO HQ – por Sérgio Codespoti


RE-DESCOBRIR OS INVISÍVEIS

terça-feira | 22 | julho | 2008

Leitores brasileiros ganham, enfim uma edição à altura da importância da obra de Grant Morrison

Repensar todos os mistérios acumulados em séculos da existência humana não é novidade há muito tempo. Grant Morrison, um dos mais importantes escritores de quadrinhos deste século (e do anterior), conseguiu criar a história definitiva de conspiração. Os Invisíveis – Revolução 1 chegou início deste mês às livrarias brasileiras pela editora Pixel.

A idéia de forças ocultas que dominam o pensamento e ações humanas é o mote da série, que chegou a ser a série número 1 do selo Vertigo, da DC Comics. Tudo pode acontecer nas páginas desta HQ, desde viagens no tempo até aparições místicas de demônios, sem esquecer, claro de alienígenas que invadem a Terra. A trama conta a história de uma célula anarquista que busca a evolução da humanidade. Isto é tudo o que é possível explicar nestas linhas. De resto, o prazer de desvendar o quadrinhos é a principal proposta de Os Invisíveis.

O gênio louco de Morrison tornou possível uma transcendência além-papel para a série. Ele é o primeiro a acreditar piamente em sua ficção, ou é isso que ele quer nos fazer acreditar. Já afirmou se tratar de sua obra “autobiográfica” e chegou a dizer que teve uma experiência de conhecer um outro estado de existência (como viajar a outra dimensão) antes de escrever o texto. Mas, para alguém que diz ser uma estudioso da Magia do Caos, tudo é possível.

Ler a série, sobretudo para quem nunca leu nenhum outro texto deste autor escocês pode ser perturbador. Centenas de referências se escondem em cada quadro, cada cena compele o leitor a se confrontar com o mundo em que vive. Existe um outro mundo além das percepções humanas, uma existência ao mesmo tempo mística e virtual. Foi por esta abordagem de um mundo obscurecido por forças dominantes que fez a série ser comparada a Trilogia Matrix, estrelada por Keanu Reeves e dirigida pelos irmãos Warchowski.

Nenhuma outra HQ rompeu tanto com parâmetros da indústria dos quadrinhos norte-americanos quanto Os Invisíveis. Até hoje, figura como referência primordial em todo tipo de experimentação nos quadrinhos. De todos os gênios da nona arte revelados nos anos 80, como Neil Gaiman, Frank Miller e Alan Moore, Morrison é o mais visionário de todos.

Para muitos, seus argumentos chegam a ser egocêntricos e herméticos, mas à ocasião do lançamento do primeiro volume de sua obra maior, disse que travava um diálogo com seus leitores para que eles “despertassem”, ou numa linguagem pop mais entendível, tomem a pílula azul.

Caos
Mais complicado do que entender os conceitos e idéias por trás de Os Invisíveis era tentar acompanhar a série no Brasil. Obra-prima de Grant Morrison, só agora ela ganha uma edição merecida. Lançado pela editora Brainstore, nunca teve peridiocidade definida, nem mesmo uma boa distribuição. A Pixel tenta agora lançar a série em encadernados com nova tradução e bom acabamento.

Chama a atenção também os extras que tentam contextualizar a série com suas diversas referências. Outro renomado escritor de HQs, Peter Miligham (Shade, X-Táticos) assina o prefácio e o jornalista Delfin fez um interessante posfácio do livro. Entre tantos acertos, o único deslize é o formato, menor que o original americano sem que isso significasse uma diminuição no preço. Lembrando que esta era uma das principais queixas que os leitores Vertigo faziam das edições da Devir.

Mas restam razões para comemorar o lançamento de uma das mais importantes obras de quadrinhos do século 20.
>> O GRITO – por Paulo Floro


A “FICÇÃO SOMBRIA” de CTHULHU

terça-feira | 22 | julho | 2008

 
Diferente do que ocorre no Brasil, pequenas e médias editoras da Espanha investem prioritariamente em quadrinhos de autores nacionais, podendo também lançar produtos estrangeiros. Este é o caso da Diábolo Ediciones que, entre outros lançamentos de quadrinistas espanhóis, publica a antologia de terror Cthulhu. Tive a oportunidade de “intercambiar” alguns de meus quadrinhos pelas duas primeiras edições da revista, que podem ser melhor definidas como pequenos álbuns temáticos reunindo vários autores, HQs, textos e histórias ilustradas.

Coordenada por Lorenzo Pascual e Pilar Lumbreras, Cthulhu tem ótima produção gráfica, com capa plastificada e impressão em papel couché, trazendo 64 páginas de miolo em seu primeiro número e 80 no segundo. O título, é claro, refere-se à monstruosa quimera de polvo e dragão idealizada pelo escritor norte-americano H. P. Lovecraft. Alguns dos trabalhos do primeiro número são diretamente adaptados ou parcialmente inspirados em contos e poemas do autor de “A cor que veio do espaço” e “O chamado de Cthulhu”, não faltando sequer uma página da série El Joven Lovecraft (algo como Calvin feito em Expressionismo Alemão). Já a segunda edição, dedicada a histórias de fantasmas, presta um tributo ao escritor britânico M. R. James, com a adaptação de seus contos e incluindo um artigo sobre as “ghost stories” da Era Vitoriana.

À primeira vista, além da qualidade de impressão, salta aos olhos a diversidade de estilos e técnicas empregados em Cthulhu. De um traço mais fotográfico com meios-tons em computação gráfica, passando por páginas coloridas também em computação, até chegar ao mais puro contraste entre preto & branco, a publicação espanhola consegue manter uma unidade na soma das diferenças. Esta unidade vem da temática comum às histórias de terror, que os autores optam por classificar como “ficção sombria”. Há, é claro, uma variação na qualidade artística e mesmo na capacidade técnica dos autores reunidos. Mas é notável que, mesmo nas HQs mais fracas, há algo de interessante (quer seja uma idéia original, quer seja um desenho inspirado). Isto pode ser atribuído ao próprio fundamento da Cthulhu, que é o de ser uma publicação autoral.

As melhores HQs das duas primeiras edições são as assinadas por Pepe Avilés. Em “Oscuridad”, uma expedição de barco que poderia ter feito parte do filme Tubarão acaba mal quando cruza caminho com uma misteriosa criatura das profundezas. Com boa narrativa visual, que se vale de silêncios e contrastes, o autor consegue construir a tensão, envolvendo o leitor até o arrebatamento final. Já o visual em si conta com desenhos eficientes, alternando contrastes em P&B e meios-tons (a título de comparação, o traço lembra muito o estilo de Dave Gibbons em seus melhores momentos). Fechando a segunda edição, “La Advertencia” apresenta uma técnica ainda mais elaborada, com uma narrativa visual impecável, numa história de fantasmas que, no fim, escapa aos lugares-comuns do gênero. Por tudo isso, Avilés é um autor que vale a pena ser conhecido.

Talvez, porém, o mais surpreendente em Cthulhu n°s 1 e 2 não seja uma de suas HQs, e sim as histórias ilustradas criadas pelo escritor Raule e pela ilustradora Meritxell Ribas. Em “Viaje al Más Allí”, uma menina persegue a misteriosa dama que conduz seu irmão “até o umbral onde tudo termina”. Com textos curtos de quatro versos rimados (quadrinhas), a história de cinco páginas impressiona pelas elaboradas ilustrações (que parecem saídas das melhores animações de Tim Burton, como Vincent ou O Estranho Mundo de Jack). Melhor ainda é a bela, arquetípica e horripilante “En lo profundo del bosque”, com seu texto rimado e preciso, suas ilustrações sombrias e envolventes. Uma vez que as editoras brasileiras interessam-se mais por autores estrangeiros, a bela obra produzida pela dupla Raule e Meritxell seria uma ótima opção.

Em princípio, Cthulhu terá edições semestrais, dependendo da resposta dos leitores. Com seus dois primeiros números, a revista prova que mesmo uma iniciativa modesta pode fazer diferença num mercado dominado por quadrinhos comerciais. O resultado é que todos saem ganhando. A editora, por ter produtos originais e interessantes para vender. Os autores, por terem seus trabalhos publicados. Os leitores, por terem mais opções de quadrinhos para ler. E a arte dos quadrinhos que ganha em nuances, linguagens e olhares regionais ou pessoais, que se sobressaem na produção massificada predominante. Certamente, um exemplo que deveria ser seguido por mais editores mundo afora!
>> MAIS QUADRINHOS – por Wellington Srbek


CONFIRA O TRAILER DE “WATCHMEN” E ALAN MOORE FALANDO MAL DA ADAPTAÇÃO, DA DC E DE “300”

segunda-feira | 21 | julho | 2008


Watchmen, a adaptação de Zack Snyder (Madrugada dos Mortos, 300) para a graphic novel de Alan Moore e Dave Gibbons, considerada a melhor história de super-heróis de todos os tempos, ganha um trailer que agradou aos fãs.

Quem não gostou de nada (pra variar) foi exatamente Alan Moore, o grande roteirista, considerado “difícil” por muita gente. O trailer está lá embaixo, mas confira antes alguns comentários que Moore fez para a revista Entertainment Weekly.

Perguntado se tinha curiosidade em ver o que Zack Snyder estava fazendo com sua obra, Moore disse:
- Prefiro nem saber.

Sobre o elogiado 300, de Snyder, baseado numa obra de Frank Miller, Moore comentou:
- Não gostei da HQ e tudo que vi sobre o filme parece ter aumentado o que não gostei: a história é racista, homofóbica e, acima de tudo, extremamente estúpida.

Sobre a possibilidade de um filme baseado em sua obra mais conhecida ser bom ou não:
- Eu disse a Terry Gilliam, que tentou fazer o filme de Watchmen nos anos 80, que ele era impossível de adaptar pois tem coisas que só funcionam nos quadrinhos. No fim, acho que ele veio a concordar comigo.

Sobre a Warner ou a DC tê-lo contatado para falar do filme:
- Não quero que ninguém da DC jamais ligue pra mim novamente ou vou mudar meu número.
>> ANTIGRAVIDADE – por Maurício Muniz

Confira abaixo o trailer de Watchmen:

A estréia está programada para 6 de março de 2009. Abaixo as últimas imagens liberadas do filme


E O TROFÉU HQMIX 2008 VAI PARA…

quinta-feira | 17 | julho | 2008

A cerimônia de entrega do Troféu HQMIX 2008 vai ser realizada no próximo dia 23 (quarta-feira), a partir das 19h, no teatro do SESC Pompéia (rua Clélia, 93 – São Paulo).
A apresentação será de Serginho Groisman, com show e acompanhamento da Banda JumboElektro/Cérebro Eletrônico, participação dos Parlapatões,
Teremos, ainda, a exibição dos seguintes filmes: Documentário Cláudio Seto, Clip Los Três Amigos, Quadrinhópole (trecho do curta Insanidade) e Dossiê Rê Bordosa (premiado no fim de semana no Festival Paulínia de Cinema)
O tróféu deste ano é uma homenagem ao personagem Samurai, de Claudio Seto, e foi esculpido por Olintho Tahara. .
Às 19 horas, começam as exibições das produções sobre quadrinhos.
A cerimônia começa às 20horas.
A ENTRADA É FRANCA – os ingressos estarão disponíveis na bilheteria meia hora antes do evento.
Confira a seguir, a lista dos premiados, escolhidos entre mais de 2 mil profissionais da área de quadrinhos:

1- Adaptação para outro veículo – 300 de Esparta – O Filme

2- Álbum de Aventura – 300 de Esparta

3- Animação – Turma da Mônica – Uma Aventura no Tempo

4- Articulista de Quadrinhos – Paulo Ramos

5- Blog/Flog de Artista Gráfico – Rafael Grampá

6- Blog sobre Quadrinhos – Blog dos Quadrinhos

7- Caricaturista – Baptistão

8- Cartunista – Allan Sieber

9- Chargista – Angeli

10- Desenhista Estrangeiro – John Cassaday

11- Desenhista Nacional – Spacca

12- Desenhista Revelação – Jozz

13- Edição Especial Estrangeira – Persépolis Completo

14- Edição Especial Nacional – Laertevisão – Coisas Que Não Esqueci

15- Editora do Ano – Pixel

16- Evento – 5° FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos

17- Exposição – Ziraldo, o eterno Menino Maluquinho

18- Ilustrador – Kako

19- Ilustrador de livro infantil – Daniel Bueno

20- Livro Teórico – Desenhando Quadrinhos de Scott McCloud

21- Minissérie – Fábulas – Mil e uma noites

22- Projeto Editorial – Laertevisão – Coisas Que Não Esqueci

23- Projeto Gráfico – Laertevisão – Coisas Que Não Esqueci

24- Publicação de Cartuns – Assim Rasteja a Humanidade

25- Publicação de Charges – Urubu de Henfil

26- Publicação de Clássico – Um Contrato Com Deus

27- Publicação de Humor – Piratas do Tietê. A Saga Completa

28- Publicação de Terror – Black Hole

29- Publicação de Tiras – O Mundo é Mágico – Calvin e Haroldo

30- Publicação Erótica – Lost Girls

31- Publicação Independente de Autor – Menino Caranguejo 1

32- Publicação Independente de Bolso – Juke Box 4

33- Publicação Independente de Grupo – Quadrinhópole 4

34- Publicação Independente Especial – O Relógio Insano

35- Publicação Infantil – As Tiras Clássicas da Turma da Mônica

36- Publicação Mix – Pixel Magazine

37- Publicação sobre Quadrinhos – Mundo dos Super-Heróis

38- Revista de Aventura – Lobo Solitário

39- Roteirista Estrangeiro – Alan Moore

40- Roteirista Nacional – Wander Antunes

41- Roteirista Revelação – Cadu Simões

42- Salão e Festival – IX Festival de Humor e Quadrinhos de Pernambuco

43- Site de Autor – José Aguiar

44- Site sobre Quadrinhos – Universo HQ

45- Tira Nacional – Níquel Náusea

46- Web Quadrinhos – Malvados

47- Publicação de Caricatura – É Mentira, Chico!

 

Os outros troféus foram escolhidos pela Comissão de Organização do prêmio. Três são de pesquisas de doutorado, mestrado e trabalho de conclusão de curso. Os demais são homenageados da Comissão:

 

48- Trabalho de Graduação – Gil Tokio

49- Tese de Doutorado – Jorge Arbach (“O Fato Gráfico – O Humor Gráfico como Gênero Jornalístico”)

50- Tese de Mestrado – Daniel Bueno (“O Desenho Moderno de Saul Seinberg – Obra e Contexto”)

51- Grande Mestre – Ypê Nakashima

52- Grande Mestre – Fernando Ykoma

53- Grande Mestre – Minami Keizi

54- Grande Mestre – Paulo Fukue

55- Grande Mestre – Roberto Fukue

56- Cláudio Seto (criador do Samurai que compõe a estátua do HQMix)

57- Homenagem – Ivan Reis

58- Grande Contribuição – Borba Gata-Luiz Gê

59- Grande Contribuição – 4° Mundo

60- Grande Contribuição – Guia do Ilustrador

 


ARQUIVO X – NOVA HQ GANHA PREVIEW DE CINCO PÁGINAS

quinta-feira | 17 | julho | 2008


Com a chegada do segundo filme da franquia criada por Chris Carter, Arquivo X 2: Eu Quero Acreditar, as novidades em torno do mundo obscuro da série e do filme ganham mais destaques. Desta vez não são novas action figures. A nova HQ de Arquivo X, que foi anunciada há algum tempo, ganhou uma prévia de cinco páginas divulgadas pelo site da revista Entertainment Weekly. O novo quadrinho tem roteiro de Frank Spotnitz, um dos roteiristas da série e ilustrado por Brian Denham.

A história, de acordo com o trecho divulgado, mantém o clima sombrio e assustador das primeiras temporadas do seriado. Os agentes Fox Mulder e Dana Scully vão para uma cidade do interior dos EUA a fim de investigar o caso de uma mulher sumida há quase vinte anos e reaparece sem sequer ter envelhecido um dia a mais.

Os quadrinhos serão baseados na quinta temporada da série para a tevê. Com isto, Scully já está com câncer e terá que lidar com isto. Já Mulder, como sempre, busca a conspiração que causou tal doença à sua amiga. Além desses detalhes, foi divulgado que um rosto bem familiar e malígno aparecerá nas histórias em quadrinhos. Quem será, hein? O Canceroso?

A HQ The X-Files #0 chega no dia 23 de julho nas bancas americanas – dois dias antes do lançamento do filme. A editora que publica é a gigante DC Comics, dona dos direitos autorais de Batman, Superman, Mulher-Maravilha e muitos outros.
>> HERÓI – por Rodolfo Bruno Braz


QUEBRA MITOS: “PLANETARY – DEIXANDO O SÉCULO 20″

quinta-feira | 17 | julho | 2008

Encadernado de Planetary repensa não só segredos dos séculos, mas também os quadrinhos

Um dos principais méritos da série Planetary foi repensar toda a história dos quadrinhos de super-heróis de modo a se tornar atemporal, além de se transformar na mais relevante das obras do gênero, ao lado de Watchmen. A Pixel coloca nas bancas este mês o especial Deixando O Século 20, além de ter lançado mês passado a última edição da história, na Pixel Magazine 14.

Deixando O Século 20 é um encadernado que reúne as edições 13 a 18, já publicadas pela editora na revista mensal Pixel Magazine. Aqui, o líder do Planetary se encontra com personagens mitológicos como Sherlock Holmes, Drácula (perfeita a cena do chute nos colhões), além de visitar a cidade perdida de Opak-re. As histórias representam os momentos mais eletrizantes da saga, com muita dose de ação e roteiro muito ágil, que já se encaminha para o final, que se dará nos números restantes.

Planetary conta a história de uma organização internacional (tem sede inclusive no Brasil) que se dedica a desvendar – e guardar – conhecimentos da humanidade através dos tempos. Os principais vilões da série, a superequipe Os Quatro rifaram a Terra para alienígenas de outra galáxia e tentam derrotar Elijah Snow, Jakita Wagner e o Baterista numa incessante luta por informação e poder. Pra completar, são uma releitura criativa do Quarteto Fantástico.

Warren Ellis escreveu seu nome entre os mais importantes autores dos anos 00 com esta série. Por anos, foi acusado de hermetismo pelo seu roteiro elaborado e lotado de referências. Depois, a série atingiu status de culto, com comunidades de fãs tentando desvendar todos os mistérios. O principal mérito é fazer uma releitura de toda a mitologia Marvel e DC, desconstruindo conceitos do mito do herói. Dessa forma, Planetary trouxe uma nova visão do tema como nenhum outro gibi.

No mundo pensado por Ellis e Cassaday, cada século possui suas próprias teorias, medos, segredos. Debater este conceito numa resenha seria muito raso, mas este conceito é importante para compreender a complexidade do roteiro.

Mais do que uma ode nerd com pretensões eruditas, a série trouxe tramas mais inteligentes, algumas truncadas, mas sem deixar a leitura cansativa. A arte de Cassaday, extremamente clean, delicada até, traz dinamismo e colabora para o resultado final. A última edição, publicada no mês passado, deve aumentar ainda mais a notoriedade da obra, que ficou incompleta, e deve ficar assim por um bom tempo. Ellis afirma que já terminou o roteiro, Cassaday diz que irá arrumar tempo para desenhar. Enquanto isso, viveremos o século 20 ainda com muitos segredos escondidos.
>> O GRITO! – por Por Paulo Floro


FICÇÕES GANHARÃO MANGÁS

quinta-feira | 17 | julho | 2008

O “boom” dos mangás não é mais o mesmo como no final do ano passado e começo de 2008. A onda parou um pouco, seja no Brasil ou nos EUA (do Japão eu não faço a mínima idéia). Se os personagens japoneses já não surtem tanto efeito, o jeito é apelar para novos ícones. Avril Lavigne, a gostosinha pop, já ganhou o seu mangá, que chegou ao Brasil pela editora Pixel Media. Alguns heróis americanos também. Agora a mega-editora de mangás Tokyopop anunciou que comprou os diretos das séries e filmes de Battlestar Galactica, Os Caça-Fantasmas e Jornada nas Estrelas: Série Mangá (Star Trek: The Manga Series).

Pode soar como um pecado. Vai saber o que a Tokyopop fará com os personagens e histórias destes mitos mundiais. Seriados de sucesso como BSG e Star Trek são óbvios do porquê está na lista da gigante japonesa. E agora, sabe o porquê de Os Caça-Fantasmas estarem envolvidos na negociação? Não? É que em outubro próximo sairá o novo game de Geléia & cia, que, aliás, pelas imagens, está com gráficos sensacionais.

E para fazer com que os fãs destas três séries e filmes clássicos não se agonizem por aí, a editora japonesa deixou uma imagem de brinde. Veja-a abaixo.
>> HERÓI – por Rodolfo Bruno Braz


Editora amplia investimento em mangás

quinta-feira | 17 | julho | 2008

D-Gray Man, Trigum Maximum, Chrono Cruzade, MPD Psycho, Trinity Blood são algumas das novidades do universo de mangás que devem chegar ao Brasil nos próximos meses. Uma das principais editoras do segmento no País, a Panini publica atualmente mais de 14 títulos do gênero  e prepara o lançamento de mais oito mangás até o final do ano. Outro lançamento é a revista Turma da Mônica Jovem, uma das mais aguardadas pelo público infanto-juvenil, pois o desenhista Mauricio de Sousa mescla o seu consagrado estilo nos quadrinhos com a nova linguagem dos mangás. A publicação mostra os personagens da Turma da Mônica mais “crescidos” abordando questões pertinentes à adolescência. “Os leitores terão muita aventura, diversão e bom-humor”, comenta o diretor de Marketing da Panini, Marcio Borges. Ele afirma que há anos a Panini investe fortemente neste gênero. FONTE: Publishnews – 17/07/2008


Gibi que inspirou vilão está completando 20 anos

quinta-feira | 17 | julho | 2008

O Coringa que Heath Ledger faz em O Cavaleiro das Trevas saiu diretamente das costelas de uma história em quadrinhos que está completando 20 anos: A Piada Mortal, de Alan Moore e Brian Bolland, gibi fantástico de 1988. Mas tem muito também de Batman Ano Um, de David Mazzuchelli e Frank Miller, de 1989, que mostra a origem do personagem Comissário Gordon e de seu aliado, o justiceiro fora-da-lei Batman.Mas é A Piada Mortal que prevalece, porque também prevalece o vilão freak de Heath Ledger, The Joker. Naquele gibi, além de contar como surgiu o personagem, Alan Moore radicalizava seus instintos homicidas – ele chega a deixar Barbara Gordon, a Batmoça, paraplégica. A diferença do Coringa do filme com o Coringa de Alan Moore nos quadrinhos é que, na telona, Nolan não tentou explicar a gênese desse personagem terrível. Já Moore, nos anos 80, tentava encontrar uma motivação para The Joker. FONTE: O Estado de São Paulo – 17/07/2008 – por Jotabê Medeiros


Mangá, de São Paulo para o Japão

quinta-feira | 17 | julho | 2008

Fábio Shin, primeiro professor de Mangá do bairro da Liberdade em São Paulo, estará presente no  Festival do Japão, evento que visa promover a milenar cultura japonesa. Shin e a equipe da escola Japan Sunset, da qual ele é proprietário, estarão presentes no evento, considerado um dos maiores da cultura japonesa no mundo. O professor   estará realizando workshops e oficinas de mangá, e os presentes ainda poderão levar como lembrança uma caricatura neste formato. Shin será uma das atrações destinadas aos jovens no 11º Festival do Japão, que acontece no  Centro de Exposições Imigrantes (Rod. dos Imigrantes, km.1,5 – – SP  – tel.: 11-5067-6767) de 18 a 20 de julho. Ele marca presença nos dias 19 e 20, das 11h às 19h. Aos 11 anos de idade, Shin já realizava trabalho para jornais de bairro, e em 1997 já era professor. A Japan Sunset já conta com mais de 10 pontos de ensino e cerca de 200 alunos. Neste ano, o tema de inspiração do Festival é a Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil e mostrará um panorama geral das celebrações. FONTE: Publishnews – 17/07/2008


O CLIPE DA NOVA HQ DA SÉRIE INTEMPOL

quarta-feira | 16 | julho | 2008


Com desenhos de Manoel Ricardo, tema musical de Adelmar Reis, cores de Fábio Birous e edição das irmãs Gerusa e Gabriela Maluf, este é o clipe da nova HQ da série Intempol, que foi exibido em primeira mão e com exclusividade durante a palestra de Octávio Aragão, no Fantasticon 2008 – Simpósio de Literatura Fantástica.


QUADRINHOS DOS ANOS 80 SÃO RELANÇADOS

quarta-feira | 16 | julho | 2008


A febre de revisitar os anos 80 também chegou ao mercado de quadrinhos. A editora Devir republicou as revistas Chiclete com Banana e Piratas do Tietê (esta em formato de livro com capa dura divididos em três volumes). A primeira, para bancas de jornal, a segunda para livrarias. Este colunista conversou com o editor Toninho Mendes – cuja editora lançou não só a Chiclete como também as revistas Circo e Animal – e o quadrinista Laerte, mestre de muitos de nós. Infelizmente, o Angeli não respondeu aos dois e-mails enviados. Estaria ele em mais uma de suas crises? ;-)

A conjuntura social, política e econômica do Brasil nos anos 80 é bem diferente da de hoje. Vocês acham que algumas histórias e personagens perderam o sentido no contexto atual ou se mantém ao longo das décadas?

Toninho Mendes: Uma parte muito pequena do material no máximo, 10% é bastante datada. O resto acho absolutamente atemporal e continua atual e dentro do contexto de hoje.

Laerte: Acho que se mantêm. Ou talvez não. Há quem considere as minhas histórias não só datadas como localizadas (em São Paulo). Não tenho segurança pra dar opinião nesse tema

Na época de publicação (1985-1995), as revistas Chiclete com Banana venderam (segundo o press release que acompanha o material para a imprensa) mais de 3 milhões de exemplares. As dos Piratas também devem ter vendido bastante. Hoje, em tempos de internet e pirataria, vocês acham viável lançar uma revista de humor semelhante e ter a mesma expectativa?

Toninho: Não acho viável lançar uma revista humor com as mesmas espectativas. Primeiro porque o universo das bancas de revista modificou-se barbaramente e perdeu importância nos últimos 20 anos. Segundo porque os códigos de linguagem se modificaram demais desde 1990 com popularização dos computadores e a entrada da internet na vida das pessoas. É possível que a experiência da Circo tenha sido a última dessa linha da fase em que o papel impresso ainda tinha grande significado na existência das pessoas.

Laerte: Três milhões? Uau. A PIRATAS não vendeu isso tudo, não. A média era de uns 10 ou 12 mil exemplares, foram 14 edições, quer dizer: uns 150 mil, somando tudo. Deu pra comprar o Monza usado quase com garantia. Acho que uma revista assim como você sugere ainda tem possibilidade, mesmo com internet e pirataria. Há uma tendência de superação das revistas em papel e vendidas em banca, mas ainda existe campo pra jogar. O problema é, como era nos anos 80, distribuição, produção etc.

Fala-se na crise do setor de quadrinhos, citando a não renovação do público leitor e a mudança no ponto de venda – cada vez mais em livrarias ao invés de bancas de jornal. Qual a opinião de vocês a respeito?

Toninho: Não existe crise no setor de quadrinhos. Basta acompanhar a quantidade de títulos que são publicados todo mês. O que acontece hoje, é tem muita mais coisa sendo publicada do que leitor para consumir. É um quadro momentâneo. Pode estar completamente diferente em um ano.

Laerte: Então: banca é um busílis da questão. Vale a pena apostar nelas ainda, tentando uma volta? Ou pensar em pontos diferentes – uma combinação de livraria com banca especializada em quadrinhos, como existe em alguns países? De qualquer maneira, a forma de colocar as revistas na banca precisa ser resolvida. O sistema das distribuidoras me parece meio ultrapassado, ou inadequado para quadrinhos.

Por fim, a quantas andam os projetos pessoais de vocês?

Toninho: A Circo faz parte da história, não existe mais. Eu trabalho como editor e artista gráfico free-lancer e produzo livros meus, do Angeli, Laerte, Glauco e outros autores em parceria com a Devir Livraria também e para a coleção LPM poket. NÃO HÁ PLANOS PARA O FUTURO. O FUTURO É O SUFICIENTE.

Laerte: A peça PIRATAS DO TIETÊ – O FILME (sic) foi levada ao palco em 2003, e não há planos de remontagem. O filme está sendo feito pelo estúdio do Otto Guerra, e está em fase de roteiro. Isso pode levar anos…
>> JB – por Pedro de Luna


SONJA, A GUERREIRA NO CINEMA

quarta-feira | 16 | julho | 2008

Que o remake de “Barbarella” com Robert Rodriguez na direção e Rose McGowan como a personagem-título foi engavetado, todos já devem saber. O que muita gente não sabe é que a dupla (que não é mais casal, aparentemente) agora está envolvida em outra adaptação dos quadrinhos para o cinema: “Red Sonja”, guerreira que já foi publicada pela Marvel e seria um equivalente feminino para Conan, de Robert E. Howard.

No novo projeto, previsto para 2010, Rodriguez será apenas o produtor, enquanto que a direção caberá a Douglas Aarniokoski. Em foruns, como o Newsarama, o público já começa a chiar para escolha de McGowan para o papel. Alguns preferem Megan Fox (“Transformers”) como Sonja. Páreo duro. Certo mesmo é que vai ser difícil – mas não impossível, claro – fazer um filme pior do que aquele de 1985, estrelado por Brigite Nielsen como a guerreira de cabelos ruivos.
>> GIBIZADA – por Télio Navega


ÜBERMENSCH – SUPER-HOMEM OU ALÉM DO HOMEM

quarta-feira | 16 | julho | 2008

Friedrich Wilhelm Nietzsche (15/10/1844 - 25/08/1900), filósofo nascido na Prússia, em região que atualmente pertence à Alemanha. O conceito do Übermensch foi apresentado em "Assim Falou Zaratustra". Não há um "super-homem" real, nem mesmo Nietzsche foi, mas segundo o autor, Napoleão Bonaparte, Júlio César, Leonardo da Vinci, Michelangelo, Shakespeare, Goethe e até mesmo Jesus Cristo chegaram perto de ser.

Seguindo o rastro dos comentários sobre o Superman, eu decidi pesquisar um pouco sua origem, induzido pela curiosidade em entender a antítese gerada pela criação de Jerry Siegel e Joe Shuster, dois judeus, e o conceito de Übermensch do prussiano Nietzche, que comentam por aí, foi influenciador direto da campanha pela pureza da raça ariana do nazismo.

Colocando de lado valores políticos e ideológicos, o que conta aqui é o valor filosófico do Übermensch. Nietzche diz haver uma maneira de se atingir um estado de perfeição humana, ou pelo menos buscá-lo, física e mentalmente. “O que é bom?”, perguntava ele, e o próprio respondia: tudo que aumenta no homem a sensação e a vontade de poder. O livro “O Anti Cristo”, base para nossa pesquisa, é assim chamado porque Nietzche vê no cristianismo a contrariedade do que acredita, ou seja, ele condena o contentamento, a compaixão e a humildade. Mas vamos dar um salto nisso tudo e cair direto no ponto que nos interessa.

De acordo com o filósofo prussiano, a humanidade parou de evoluir quando começamos a adotar conceitos como compaixão, que não nos deixam permitir que tombem os mais fracos para que os mais fortes se elevem. Nietzche acusa o cristianismo de ter gerado uma cultura de “mal” que impede o progresso e a evolução humana. De acordo com ele, o poder é o destino do homem, e a busca por ser o mais forte é natural e respeitável. Esse conceito de “maldade” criado pelo cristianismo acaba por estigmatizar essa busca de evolução, usando a culpa como instrumento de controle.

E a evolução está exatamente nesse entender, nessa cadeia de raciocínio: de que é preciso negar a questão moral, pois ela fere os instintos do homem. Compaixão é, em suas palavras, depressora, pois contraria a lei da evolução, impedindo assim a seleção natural. Logo, alguém que compreenda sua ideologia, que entenda a necessidade da seleção dos mais aptos, da necessidade de crescer a todo custo, que saiba que são necessários sacrifícios da espécie para que a raça humana caminhe para a perfeição, esse alguém seria um Ubermensch em seu meio, ou em nossas palavras, seria um super-homem.

Superman: Entre a Foice e o Martelo, de Mark Millar, Dave Johnson e Kilian Plunkett mostram o que aconteceria se o Superman caísse na União Soviética. Nessa realidade, Lex Luthor é um cientista genial e principal oposição ao Superman, símbolo-mór do comunismo mundo afora.

Independente de estar certo ou errado, Nietzche cria o conceito do super-homem, no qual algumas fontes indicam que Siegel e Shuster se basearam ao criar o azulão. Tomando Clark Kent como fonte de estudo, além da perfeição física e intelectual, o que mais ele tem do super-homem de Nietzche?

Na verdade, nada, já que, apesar de criado por judeus, está mais ligado aos conceitos cristãos que o filósofo abominava, como a compaixão, a humildade e a culpa. Se por um lado ele é a defesa dos ideais filosóficos, comprovada pela descrição de Krypton como sendo um planeta de homens que atingiram a perfeição, por outro ele é a resposta moral a esses mesmos ideais.

É então que descubro que em seus primeiros esboços o Super-Homem era um governante poderoso que dominava com mão de ferro seus súditos. Este Super-Homem tinha um detalhe digno de nota: era careca.

Claro que o Super-Homem do inicio não era esse de hoje, como podem ver na excelente matéria do Márcio Teixeira aqui no Fanboy, mas mesmo que tenhamos um Super-Homem déspota, ele não se enquadra em Nietzche por um motivo: ele não busca a evolução, já que ele é o ponto final da evolução, e não o caminho que leva a ela. Siegel e Shuster não criaram um Super-Homem tão forte quanto o de hoje, mas aquele já era um homem com seu potencial atingido. Lembremos que, apesar de ser uma ficção, seus poderes eram “plausíveis”, como se fossem evoluídos das capacidades humanas: salto, resistência à dor, força, velocidade… Todas capacidades humanas, apenas evoluídas. Portanto, ele era já o objeto final da evolução.

Sendo assim, vamos estabelecer alguns pontos:

Ponto 1: essa qualidade de ser o objeto final impede o homem de fazer seu próprio caminho. Da mesma maneira que o cristianismo ditava o futuro do homem com seus objetivos, o Super-Homem marca o ponto máximo onde se pode chegar, e isso é uma ofensa grave ao ideal filosófico.

Ponto 2: o Super-Homem está lá para impedir que a humanidade sofra com seus problemas. Ele salva crianças e velhos, pára trens desgovernados, impede a queda de aviões, chuvas de meteoros destruidores, seres de outros planetas, guerras, etc, etc… E impede com isso que a humanidade aprenda com seus erros e problemas. Sua compaixão refreia a evolução humana, como Nietzche previa e proclamava. Se alguém realmente acredita nisso como o filósofo acreditava, ficaria furioso. Você está anotando, certo?

A seleção natural foi tese do naturalista inglês Charles Darwin, publicada no livro A Origem das Espécies, que bateu de frente com a igreja ao afirmar que o homem e o macaco têm um antepassado em comum. Suas idéias foram mais tarde distorcidas e usadas como prova de que uma limpeza genética tornaria a humanidade cada vez mais forte e avançada. Somado ao preconceito, tais idéias provocaram verdadeiros genocídios.

Ponto 3: ser o super-homem filosófico em pessoa, tendo atingido a perfeição e não seguir os preceitos filosóficos do mesmo é no mínimo incoerente. Da mesma forma que alguns neo-nazistas acusam Hitler de tolerância, um homem com a fé focada na evolução de Nietzche acharia Kal-El uma ofensa gravíssima a toda raça humana.

Ponto 4: o super-homem de Nietzche tem que buscar a evolução, ser contra tudo que provoca o retrocesso e acreditar que o fim justifica os meios. Clark e seu respeito ao livre-arbítrio da humanidade está longe disso.

Ponto 5: o super-homem filosófico sabe que pode ser necessário o uso da força e do controle, sabe que suas capacidades o colocam acima dos demais.

Ponto 6: o super-homem de Nietzche ficaria furioso, se, tendo ele todo o entendimento do que é necessário fazer para que a humanidade atinja seu potencial máximo, de repente, cai do céu alguém com o poder de Kal-El, mas completamente avesso a suas teorias.

Espero eu você tenha anotado tudo, e revendo o que foi pensado chegue à mesma conclusão que eu. A dica mestre é: ele é careca.

Sim, o verdadeiro Super-homem de Nietzche é Lex Luthor. Ele é aquele que sabe que a evolução é necessária, que acredita nos fins acima dos meios, que se arrisca e se dispõe a cometer atrocidades pelo ideal de atingir mais e mais poder. Ele que se preparou para atingir seu potencial máximo e ele que teve de ver um homem como ele queria ser surgir e praticar o oposto ao que ele acredita.

Psicologicamente, sem Kal-El, Lex talvez não fosse um vilão, ou talvez fosse um grande líder de estado (mesmo que sob um regime totalitário). Eu gosto muito do Lex de “Entre A Foice E O Martelo”, pois ele representa bem esse super-homem filosófico.

Se Nietzche fosse um personagem de quadrinhos, com certeza absoluta, seu grande nêmesis seria o herói de capa, e não o cristianismo. Primeiro porque o cristianismo não existe nos quadrinhos, e segundo porque os heróis seriam a grande ameaça ao pensamento progressivo e evolutivo de sua ideologia. Se Nietzche existisse lá, ele estudaria em Gotham, onde há o único herói que não se abate com a presença do Super-Homem e busca de si mesmo atingir seu potencial máximo, ainda que peque pela qualidade moral e pela compaixão recalcada. Nietzche pode não estar lá, mas tem em Lex um defensor de suas ideologias. E na cabeceira de Luthor, embaixo dos óculos meia-lua para leitura, está um exemplar da primeira edição de “O Anti Cristo”, ou ainda “Assim Falou Zaratustra

>> FANBOY – por Vitor Coelho


EMPRESA JAPONESA CRIA SANGUE SINTÉTICO PARA VAMPIROS

terça-feira | 15 | julho | 2008


Ok, não é bem isso. A comentada série literária teen Crepúsculo (Twilight), de Stephenie Meyer, vai ganhar versão cinematográfica em dezembro; a HQ da Buffy – A Caça Vampiros continua bombando lá fora; e agora é a HBO que vai entrar na onda vampiresca, com a estréia da série True Blood em setembro. Também baseada numa série de livros (Southern Vampire Mysteries, de Charlaine Harris), True Blood é criação de Alan Ball, roteirista de A Sete Palmos / Six Feet Under e do filme Beleza Americana. A premissa é a seguinte: numa cidadezinha da Louisiana, no sul dos EUA, uma garçonete telepata chamada Sookie (Anna Paquin) salva um vampiro das garras de um casal que queria roubar e vender seu sangue – e acaba se apaixonando por ele.

E a campanha viral da série já começou. A história na TV parte da criação de uma bebida sintética japonesa que reproduz as propriedades do sangue humano, o que faz com que os vampiros parem de caçar humanos e assumam publicamente sua existência. Então era questão de tempo até aparecer o site oficial do sangue falso (chamado de TruBlood), anúncios misteriosos em jornais e revistas dos EUA, vídeos no MySpace e até um blog criado para documentar a co-existência de humanos e vampiros, tudo isso parte da divulgação criada pela HBO.

A premissa é incrível, a expectativa para a série é alta (o canal precisa urgentemente de um novo hit) e a campanha é genial. Só tem um problema. Uma versão quase pronta do primeiro episódio vazou na web… e é um horror de tão ruim. Não fui só eu que achei, a recepção internet afora não não está nada boa. Uma tristeza sem fim. E agora? O que fazer quando tudo em volta de uma nova série funciona, menos o programa em si?
>> SUPERINTERESSANTE – por André Sirangelo


EDGAR ALLAN POO GANHA CONTINUAÇÃO

terça-feira | 15 | julho | 2008


Em 2007 a Shadowline e a Image Comics publicaram um encadernado reunindo a série, originalmente publicada em formato webcomic, The Surreal Adventures of Edgar Allan Poo.

A série foi aclamada por público e crítica e ganhará continuação agora em agosto. O roteirista original da série, Dwight MacPherson, e o artista Avery Butterworth serão os responsáveis pela continuação em The Adventures of Edgar Allan Poo: Book 2.

A história da série é baseada em acontecimentos reais e acontece logo após a morte da esposa de Edgar Allan Poe, Virginia, em 1847. A partir daí, entretanto, o conceito se aventura na fantasia. Poe é assombrado em seus sonhos pelo fantasma de sua esposa que o culpa por sua morte. É então que ele reza para nunca mais sonhar e é atendido prontamente por Deus, que separa dele sua consciência imaginativa na forma de Edgar Allan Poo. Poo, separado de seu “pai” e isolado no mundo dos sonhos, se aventura nas pirações mitológicas do fomoso autor de poemas e tenta, com a ajuda de algumas criaturas desse mundo, voltar para se unir a Poe novamente.
>> HQMANIACS – por Bruno Martone Nucci


QUADRINHOS E LITERATURA

terça-feira | 15 | julho | 2008

Fun Home cita Joyce, Camus, Proust, Wilde, Henry James e Fitzgerald, mas não é literatura.

A escolha de Fun Home – Uma tragicomédia em família, de Alison Bechdel como livro do ano pela revista Time, em 2006 e American Born Chinese, de Gene Luen Yang, ter concorrido ao National Book Award gerou a polêmica: quadrinhos são literatura?

O histórico de prêmios diria que sim. Afinal, Maus, de Art Spiegelman ganhou o Pulitzer em 1992.

E a história Sonho de Uma Noite de Verão, de Neil Gaiman em Sandman ganhou o World Fantasy Award como melhor história curta em 1991. E Chris Ware, com seu Jimmy Corrigan ganhou em 2001 o Guardian First Book Award. Watchmen foi escolhido como um dos 100 melhores romances do século XX pela Time novamente.

Mas o fato é que quadrinhos NÃO são literatura. Assim como quadrinhos NÂO são cinema. Eles são as duas coisas e também não são.

As histórias em quadrinhos CONTÉM literatura e cinema. Assim como contém a pintura, por exemplo. Os quadrinhos não são um subgênero literário, ou uma divisão artística. Eles são uma coisa à parte.

Eles são a nona arte, mas eles também possuem uma forma narrativa própria. Não são um gênero, mas uma mídia.

Estou dizendo que os quadrinhos não são profundos o suficiente para gerarem os questionamentos que um romance traria? Que não oferecem a mesma fruição que uma obra de arte proporcionaria? Que não são capazes de arrebatar o público, determinar emoções e criar climas da mesma maneira que o cinema? CLARO QUE NÃO.

Quero dizer que eles fazem TUDO ISSO ao mesmo tempo. E a maioria das pessoas nem percebe ou dá importância pra isso. Quadrinhos não são um complemento. São um meio que tem história própria e interações únicas.

Os quadrinhos não conseguem traduzir um romance, muito menos um filme. Um dos exemplos disso são as adaptações de filmes para quadrinhos, que nem sempre se saem bem no seu intento. Ou as adaptações de clássicos da literatura para os quadrinhos nos Classic Illustrated ou nas Edições Maravilhosas. Ou até mesmo quando um livro é adaptado para o cinema. Muita coisa é perdida no processo.

Outras coisas são ganhas. Mas a maioria das pessoas concorda que a experiência de ler um livro é diferente da de assistir um filme. Cada meio possui uma linguagem própria e tem sua forma de capturar atenção do público e de envolvê-lo em sua história.

Infelizmente, por ser um meio marginalizado, os quadrinhos não possuem uma taxonomia própria. E por isso, têm de pegar muitos termos emprestado da literatura e do cinema. Samuel R. Delany cunhou o termo “paraliteratura”, onde os quadrinhos seriam abarcados como um TIPO de literatura. Mas não a literatura propriamente dita.

Lendo Quadrinhos: como as Graphic Novels funcionam e o que elas querem dizer

“Quadrinhos não são prosa. Quadrinhos não são filmes. Eles não são um meio movido pelo texto com figuras adicionadas; eles não são o equivalente visual da narrativa em prosa ou uma versão estática dos filmes. Eles são sua própria coisa: um meio com dispositivos próprios, com inovadores próprios, clichês próprios, seu próprios gêneros, fórmulas, armadilhas e liberdades” foi o que disse Douglas Wolk no seu Reading Comics – how graphic novels work and what they mean.

Quando se afirma que os quadrinhos têm uma linguagem própria e uma forma única de lidar com o leitor, quer dizer que existe uma subjetividade intrínseca entre as páginas de uma HQ, que é impossível de ser traduzida em outras mídias.

Para ilustrar melhor o que eu quero dizer, vou usar um termo que Wolk apresenta no capítulo 5: cada quadro em um gibi representa um MOMENTO GRÁVIDO. Ou seja, cada quadro contém um determinado espaço e tempo cristalizado. Eles estão grávidos de seu passado ou de seu futuro, que não acontece necessariamente no quadrinho anterior ou no posterior, mas no espaço entre eles.

É nesse espaço, que Scott McCloud batizou de SARJETA, que ocorre a grande sacada dos quadrinhos. É ali onde o cérebro do leitor trabalha, unindo o acontecimento do quadro 1 com o do quadro 2 e assim por diante. Esse espaço subjetivo vai ser preenchido com a visão de mundo do leitor.

Visão de mundo, essa que já vem sendo trabalhada nas imagens, que nada mais são do que metáforas do artista para o mundo. O espaço não é visto como ele realmente é, como em um filme, mas como o artista o vê: é a sua interpretação, seja ela errada, adaptada ou inventada.

Alan Moore já falou uma vez que os quadrinhos são o único meio que trabalha os dois hemisférios cerebrais: O esquerdo, racional, que processa as palavras. O direito, emocional, as imagens. Numa leitura que acontece AO MESMO TEMPO AGORA, a que o leitor é exposto durante o tempo que achar necessário, na hora e local que bem lhe couber. A qualidade da atenção de um leitor de quadrinhos é diferente da de um leitor de romances ou de um espectador de cinema.

Quadrinhos podem promover uma aquisição de conteúdo mais efetiva do que os livros e despender de uma atenção maior dos detalhes do que um filme. Segundo Eisner: “Ler a imagem requer experiência e permite a aquisição no ritmo do observador. O leitor deve fornecer internamente o som e a ação das imagens”.

Existe um grande ironia na forma que os quadrinhos comunicam. “Os quadrinhos sugerem movimento, mas eles são incapezes de realmente demonstrar movimentação. Eles indicam som, e até mesmo os soletram, mas são silenciosos. Eles deduzem a passagem de tempo, mas a experiência temporal deles é controlada mas pelo leitor do que pelo artista.

Eles conduzem histórias contínuas, mas são feitos de uma série de momentos discretos. Eles estão preocupados com a condução das percepções do artista, mas uma dos componentes cruciais é o espaço em branco”, para Wolk.

O autor também apresenta uma analogia entre a poesia e a pintura para chegar até os quadrinhos. Simônides de Ceos possuía uma máxima que dizia: “poesia é uma figura verbal, pintura é uma poesia silenciosa”, Horácio, mais tarde reduziu para “assim como a pintura, a poesia também o é”.Então Gotthold Ephraim Lessing, num ensaio de 1766, reescrevia o princípio dizendo que o espaço era o domínio da pintura, enquanto o tempo era o domínio da poesia.

O tempo é o domínio da poesia (ou da linguagem) porque toma tempo para a experimentação, e porque pode descrever o tempo ou a mudança sobre o tempo, de uma maneira mais fácil que as figuras o fazem. Os quadrinhos, por serem a cristalização de um momento no espaço, abarcam a poesia e a pintura comunicando através da MUDANÇA SOBRE O TEMPO.

Poesia, linguagem… Afinal, os quadrinhos são literatura? Não. Eles são MUITO MAIS que apenas isso. Espero que agora você veja os quadrinhos com outros olhos.
>> SPLASH PAGES – por Guilherme Smee


CHIBATA! JOÃO CANDIDO E A REVOLTA QUE ABALOU O BRASIL

terça-feira | 15 | julho | 2008

Não é muito difícil encontrar aqueles que defendam as histórias em quadrinhos apenas como um meio e não como um fim em si mesmo. Essas pessoas comumente acreditam nos quadrinhos apenas como um divino destino funcional, geralmente dedicado a transformar histórias complexas em objetos didáticos, e esquecem em muitos momentos que o meio, ou seja, a linguagem, é justamente aquilo que existe para desafiar a ordem da lógica que coloca palavras como “complexo” e “didático” em extremos opostos.

Quando o artista Hemeterio e o escritor Olinto Gadelha (ambos em auto-retrato na página 215 do álbum), ambos residentes da cidade de Fortaleza, resolveram trocar algumas idéias e tocá-las em frente, certamente não havia um pressuposto funcional no projeto. Porque quando se termina de ler o álbum Chibata! João Cândido e a revolta que abalou o Brasil, a sensação não é de missão cumprida, mas sim de uma obra feliz em sua complexidade e, por que não, no seu didatismo.

O livro de 223 páginas é uma preciosidade para as histórias em quadrinhos e para a História do Brasil. A começar pelos méritos didáticos. O que se conta aqui é a vida de João Cândido, um nome que passa muito rápido pelos livros de história que, claro, se atém mais ao contexto que ao conteúdo. Cândido, e isso você só descobre neste álbum, foi um dos grandes líderes políticos e sociais do País que, como quase todos aqueles que nasceram à margem do centro, termina sendo convenientemente esquecido das grandes narrativas.

Hemeterio e Olinto retomam a vida de João Cândido e a Revolta da Chibata, liderada e estrategicamente planejada pelo nosso protagonista em novembro de 1910. A revolta, e qualquer estudante secundário pode testemunhar isso, costuma ser um capítulo chato e de pouca relevância na ordem de importância dos acontecimentos nacionais. Até porque, se você não lembra, o ponto de vista partia sempre do dia em que um navio atacou a costa do Rio de Janeiro. E ponto de vista é de onde este livro subverte nosso interesse por esse enredo.

Tudo parte da perspectiva do próprio João Cândido, que guia e é guiado por artistas que souberam construir um cenário extremamente rico em uma narrativa que habilmente vai e volta no tempo. O desenho de Hemeterio tem um pulso forte, de lápis de ponta escura, sem medo dos detalhes nos quadros abertos e muito atento à luz de cada personagem nos quadros fechados. Olinto conduz a história em nove capítulos que não perdem o ritmo ascendente e conseguem equilibrar informações verídicas com a natural liberdade poética do narrador ausente. O cuidado de edição da Conrad sustenta firme o trabalho desses dois.

João Cândido é um personagem fascinante e, nas mãos da dupla que assina este álbum, ele finalmente ganha o título a história sempre lhe deveu: não o de herói, mas o de homem. Não o contexto, mas sim o conteúdo.
>> ZUPER – por Carol Almeida

Clique aqui para um preview das primeiras páginas.


YOSHITAKA AMANO ADAPTA A “FLAUTA MÁGICA”

terça-feira | 15 | julho | 2008

Yoshitaka Amano é mais conhecido dos fãs de quadrinhos pelas oníricas ilustrações do livro Sandman: Os Caçadores de Sonhos, de Neil Gaiman.

Mas Amano começou a carreira na animação, trabalhando para o estúdio japonês Tatsunoko na elaboração do anime de Gatchaman, conhecido aqui como G-Force ou Batalha dos Planetas.

O artista também é famoso por suas ilustrações para os romances de Vampire Hunter D e pela arte conceitual do primeiro videogame de Final Fantasy.

No começo de julho, Amano lança nos EUA, pela Radical Books, seu mais recente trabalho, Mateki: The Magic Flute, uma adaptação ilustrada da ópera A Flauta Mágica, de Mozart. A obra conta com 128 páginas inteiramente ilustradas pelo artista.

Em Mateki, Amano conta a história do jovem príncipe Shanna, que luta contra as forças do mal para resgatar sua amada Kouran das garras do senhor das trevas, Yasha.

O demônio inveja a habilidade de Shanna de tocar a flauta mágica. Yasha também quer vingança porque se sente traído por Kouran, criada por ele para trair Shanna – algo que ela não pôde fazer, pois se apaixonou pelo príncipe.

O artista confessa que nunca assistiu à ópera – “Eu durmo na maior parte do tempo!” – mas que buscou inspiração ouvindo a CDs. Amano também misturou elementos espirituais e religiosos tradicionais da cultura japonesa à história da ópera. “Adorei criar a Rainha da Noite.

Na música, ela parece algo fora deste mundo, sem forma e misteriosa. Lembrou-me de alguns personagens do teatro Nô que surgem do mundo do além”, disse ele, referindo-se ao teatro clássico japonês, surgido no séc. XIV.

A Radical foi fundada por Barry Levine, Jesse Berger e o escritor David Elliot, com o propósito de trazer o melhor em narrativa e arte, com talentos famosos como Yoshitaka Amano, John Bolton, Luis Royo, Jim Steranko, Steve Niles, Ian Edginton, Steve Moore, Sam Sarkar, Dan Abnett, Stjepan Sejic, Dave Wilkins, Steve Pugh, James Heffron, Nick Percival, Bryan Edward Hill, Nelson Blake, Glenn Fabry, Bill Sienkiewicz, WETA, Imaginary Friends Studios, entre outros.
>> HQMANIACS – por Andrea Pereira


CHEGAMOS AO 20° TROFÉU HQMIX

domingo | 13 | julho | 2008

Dia 23 de julho de 2008, quarta-feira, acontecerá no SESC Pompéia a festa de entrega do 20° Troféu HQMIX. São 20 anos iniciados no programa TV MIX (1988), da TV Gazeta em São Paulo, apresentado por Serginho Groisman com a participação de JAL e Gualberto Costa.

Com apresentação de Serginho Groisman e o apoio do SESC Pompéia, o Troféu HQMIX chega à sua 20ª edição. É um histórico de sucesso de um evento que é reconhecido internacionalmente como um dos principais no mundo. A votação foi feita após as indicações da Comissão Organizadora, capitaneada pela Associação dos Cartunistas do Brasil-ACB e do Instituto Memorial das Artes Gráficas do Brasil – IMAG.

Neste ano, foram quase três mil (exatas 2.950) pessoas habilitadas a votar nos 46 itens, escolhendo os melhores do ano que passou. A cada ano os itens sofrem alguma modificação por conta do surgimento de novas plataformas de mercado e para isso foram formadas comissões de estudo. A auditoria foi feita pelo Dr. Edwin Ferreira Britto do Tribunal de Ética da OAB. A presidência do Evento, desta vez, é da professora e pesquisadora Sonia Bibe-Luyten.

HOMENAGEM AOS IMIGRANTES JAPONESES
A cada ano é homenageado um personagem brasileiro na imagem esculpida pelo artista plástico Olintho Tahara. Nesse ano a imagem é do personagem Samurai do quadrinhista Cláudio Seto, um dos primeiros a produzir quadrinhos no Brasil ao estilo “manga” japonês.

Também serão homenageados com o Troféu de Grande Mestres: Ypê Nakashima, Fernando Ykoma, Minami Keizi e os irmãos Paulo e Roberto Fukue. O troféu de Grande Mestre é concedido pela importância da produção do artista na história das artes gráficas no Brasil. É a primeira vez que o Troféu homenageia cinco de uma só vez, já que o costume é de um por ano. Inclusive Júlio Shimamoto e Cláudio Seto já ganharam esse prêmio em anos anteriores. A professora Sonia Luyten, presidente atual do Troféu é premiada internacionalmente por seu livro “O poder do Manga” que encontra-se esgotado. Mauricio de Sousa também estará no evento com seus novos personagens Tikara e Keika, criados para a comemoração do Centenário da Imigração japonesa no Brasil. Essa homenagem tem o apoio da Fundação Japão.

No dia da entrega do troféu haverá a exibição de documentário sobre Cláudio Seto.

A lista dos premiados será divulgada na próxima quinta-feira, dia 17 de julho mas além dos homenageados acima também ganharão os troféus de Grande Contribuição à Linguagem dos quadrinhos:

-Grupo 4° Mundo – que promove a organização dos autores de quadrinhos independente no Brasil

-Guia do Ilustrador de Ricardo Antunes – livro gratuito pela NET com dicas e explicações de como atuar no mercado de trabalho das artes gráficas.

-Borba Gata – pintura de uma HQ sobre manequim de vitrine pelo cartunista Luiz Gê.

Além da exibição do documentário sobre o quadrinhista Cláudio Seto, também estarão sendo exibidos os curtas Quadrinhópole, um Clip com a nova produção de Daniel Messias sobre os personagens “Los Três Amigos” e o premiadíssimo curta de animação de César Cabral – “Dossiê Rê Bordosa” sobre a morte da personagem mais escrachada de Angelí.

O SESC ainda mantêm a extensa programação do HQ Férias que promove uma mostra de animações brasileiras, exposição sobre a História dos Quadrinhos no Brasil e interatividade com quadrinhos na cafeteria especialmente montada no espaço da Convivência.

Toda programação é gratuita.


ENTREGA DO TROFÉU HQMIX

Dia 23 de julho às 19hs
Exibição: Documentário “Cláudio Seto”
Clip “Los Três Amigos”
“Quadrinhópole”
Dossiê “Rê Bordosa”
20h – show de entrega dos troféus
Apresentação de Serginho Groisman
Show e acompanhamento da Banda JumboElektro / Cérebro Eletrônico
Participação dos Parlapatões

Entrada Gratuita – pegar ingressos na bilheteria meia hora antes do evento


PRONTUÁRIO 666 – OS ANOS DE CÁRCERE DE ZÉ DO CAIXÃO

domingo | 13 | julho | 2008

Zé do Caixão é um dos personagens mais famosos e assustadores do cinema de terror do mundo, e Prontuário 666 é a história em quadrinhos que precede o filme Encarnação do Demônio, que estréia em agosto de 2008 com distribuição da Fox Filmes. Com o traço sombrio de Samuel Casal, Prontuário 666 atualiza o personagem e cria uma nova forma de terror em quadrinhos.

A história se passa durante os 40 anos em que Zé do Caixão esteve preso – desde 1968, logo após o clássico filme Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver até o atual Encarnação do Demônio. No livro é revelado o verdadeiro nome de Zé do Caixão, bem como as terríveis experiências que o personagem promove na cadeia que ele chama de “zoológico humano”. Com argumento e co-roteiro de Adriana Brunstein, Prontuário 666 (número da ficha do personagem no sistema carcerário) é a melhor introdução para o novo mundo de Zé do Caixão.

Samuel Casal nasceu em Caxias do Sul, RS, em 1974. Trabalhando como ilustrador desde 1990, já publicou quadrinhos no Brasil (em álbuns coletivos como Ragú e Front), América Latina, França e Espanha. Ganhador de seis Troféus HQMix, também ilustra para revistas das editoras Abril e Globo e para o jornal Folha de S. Paulo, entre outros. Prontuário 666 é seu primeiro álbum-solo.

Adriana Brunstein nasceu em São Paulo, em 1970. Cientista por formação, há quatro anos largou o trabalho com física quântica e genética para dedicar-se apenas à ficção. Roteirista de inúmeros curtas e do longa LizVamp (de Liz Marins, filha de José Mojica Marins) , foi também assistente de Mojica no roteiro de Encaranção do Demônio. Sua primeira peça de teatro, Flores de Asfalto, estreará no Satyrianas de 2008. Adriana também mantém o blog de ficção Pontada no Apêndice.

Leia aqui um trecho de Prontuário 666.


ZÉ DO CAIXÃO ATERRORIZA PAULÍNIA

domingo | 13 | julho | 2008

O filme Encarnação do Demônio, nova fita de Zé do Caixão dirigida por José Mojica Marins, teve a sua primeira exibição publica realizada nesta semana, na mostra competitiva do I Festival Paulínia de Cinema, em Paulínia, no interior de São Paulo. Apresentado pelo próprio Mojica (incorporando o próprio Zé do Caixão), o longa foi duplamente aplaudido, segundo a jornalista Silvana Arantes, da Folha de S. Paulo. Encarnação do Demônio estréia no circuito comercial no dia 08 de agosto, e Prontuário 666, prólogo em quadrinhos do filme, já está em pré-venda na Loja Conrad.

Visite o site oficial de Encarnação do Demônio.


MAIS FOTOS DE DRAGON BALL – O FILME

domingo | 13 | julho | 2008

Enquanto não surgem informações oficiais sobre o filme de Dragon Ball, que está sendo produzido pela Fox, algumas imagens vão circulando pela internet. As mais novas fora fotografias de banners que apareceram numa convenção de licenciamento no Japão.

A imagem principal mostra Goku (interpretado por Justin Chatwin) sobre um fundo vermelho, com o logo do filme logo abaixo. Para ver mais imagens do filme, você pode acessar o site Dragon Ball The Movie.


SESC POMPÉIA PROMOVE O “HQ FÉRIAS” DURANTE O MËS DE JULHO

segunda-feira | 7 | julho | 2008


No dia 23 de julho, o Sesc Pompéia será palco da entrega do 20º Troféu HQ Mix. Por isso, a entidade aproveitou a deixa para incrementar sua programação ligada aos quadrinhos realizando o HQ Férias, evento que terá diversas atrações.

Uma delas é a exposição A História dos Quadrinhos no Brasil, montada pela primeira vez 15 anos atrás, mas que ganhou nova roupagem dos seus curadores, Gualberto Costa e José Alberto Lovetro, o Jal. Os dois são os criadores do HQ Mix.

Haverá também apresentações de grupos de teatro, com peças que têm algo em comum com a linguagem dos quadrinhos, e o Cine Teatro HQ, uma mostra de animações que exibirá trabalhos como Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock’n’Roll, de Otto Guerra, com os personagens de Angeli; CineGibi 2 e Turma da Mônica – Uma Aventura no Tempo, de Mauricio de Sousa; Curtas de Allan Sieber; Tiras Animadas, de Daniel Messias; Rock & Hudson, de Otto Guerra, com os caubóis gays de Adão Iturrusgarai; Princesas do Mar, de Fabio Yabu; e diversos curtas-metragens.

A bela imagem do folder de divulgação foi desenhada por Newton Foot.

O HQ Férias começou no dia 5 de julho e vai até 3 de agosto. A participação no evento é gratuita. O Sesc Pompéia fica na rua Clélia, 93, no bairro da Pompéia, em São Paulo. Para mais informações, visite o site oficial da entidade ou telefone para 0XX-11-3871-7700.
>> UNIVERSO HQ – por Sidney Gusman


NEIL GAIMAN E A RELAÇÃO DE LONGA DATA COM O BRASIL

sábado | 5 | julho | 2008


Em um café de Paraty, o gerente reclamou de uma suposta “descaracterização” da Flip ao trazer convidados que não eram escritores, digamos, à maneira como o moço conhecia. “Trouxeram esse tal de Neil Gaiman. Esse cara é mais estrela de rock!”. A barba, os cabelos desgrenhados, o figurino totalmente preto e fãs em efervescência – mesmo em uma entrevista coletiva – poderiam dar razão ao sujeito. Mas o britânico é um dos nomes que ajudaram a pulverizar a armada que considera os quadrinhos uma “arte menor”.

Atração da festa deste sábado, quando dividirá uma mesa com o romancista Richard Pryce, ele pavimentou ao lado de outras figuras um caminho ao reconhecimento das HQs por meios tradicionais e conceituados, com títulos como “Sandman”, até ganhar um prestígio que chegou a outras áreas. Gaiman faz também prosa ficcional, é roteirista de cinema (“Beowulf”) e vai dirigir um filme com produção-executiva de Guillermo Del Toro (a adaptação de sua graphic novel “Death: the high cost of living”). Ele chegou todo simpatia à sala de entrevista e provocou frisson em alguns fãs (e jornalistas-fãs) que acompanhavam o papo.

Justamente uma das questões foi sobre a legitimidade dos quadrinhos como uma arte que é simplesmente arte e ponto final. “Uma das coisas curiosas quando venho ao Brasil é que faço uma volta histórica, porque sou questionado a respeito disso”, declarou em tom suave. “O fato é que há pessoas como Art Spiegelman que já ganharam um Pulitzer [que premia jornalistas e escritores] e já figuraram em listas da revista ‘Time’ junto a obras literárias. E estava lá porque é boa literatura. É apenas diferente de outros meios”.

Como pessoa que transita por outros meios e também retrabalha obras alheias, Gaiman diz que não sofre de preocupação quando vê suas criações na mão dos outros. “Hoje em dia eu estou mais confortável com isso. Só tenho dúvidas sobre a versão de ‘Anansi boys’, cujos direitos a Warner Bros comprou. A BBC Filmes adaptou uma vez e fiquei muito insatisfeito com o resultado”, conta. Conformado, ele diz que sempre algo é perdido em uma adaptação. “Mas em geral eu não vejo problemas. E uma coisa que eu aprendi fazendo filmes é que você sempre se surpreende com o resultado.”

Uma pergunta curiosa foi sobre as crenças – de modo geral – de Gaiman. “Minha resposta depende do que eu estou escrevendo. Se eu estou escrevendo sobre fantasmas, eu acredito em fantasmas. Minha relação com Deus é a mesma coisa. Eu adoro acreditar em Deus – e em deuses”, disse, em referência a “American gods”. Publicado originalmente em 2001 (e lançado no Brasil pela editora Conrad), o romance transporta personagens da mitologia nórdica para um cenário contemporâneo, numa trama de mistério, humor e referências aos novos meios tecnológicos.

Gaiman também discorreu sobre sua relação com desenhistas e artistas. O escritor disse que não acredita em tensão criativa na parceria para parir uma nova obra. “Eu faço uma espécie de carta para o artista, com 10 mil palavras e isso vai resultar em 24 páginas. Antes de começar um trabalho eu pergunto o que ele não gosta de desenhar. Um deles não gostava de carros e, bom, havia uma cena sobre uma viagem na estrada. Tive que fazer uma adaptação, mas não vi problema nisso”.

De volta a questão rock ‘n roll, o britânico comentou a influência que o punk teve em sua vida. “Era a crença de que você não precisa de um porco inflável [referência ao Pink Floyd e Roger Waters] para entrar em uma banda de rock. Mas isso valia para muitas coisas.”

Por fim, Gaiman recordou a experiência de assinar dedicatórias para mais de mil pessoas em uma única noite e falou da impressão que tem do fã brasileiro. “Estava já há um bom tempo nisso e o gerente resolveu que até a pessoa 700 a fila acabaria. Havia mais 500 esperando. Os que iriam ficar sem autógrafos simplesmente disseram que iriam destruir a livraria se saíssem sem autógrafo. Então eu fiquei até a madrugada assinando livros e perdi completamente a minha voz. Cheguei a Argentina completamente afônico.”

“Mas não foi uma experiência ruim não. Isso tem a ver com o entusiasmo do fã brasileiro. Aqui foi a única vez em que invadiram o palco ao fim de uma leitura e um segurança teve que me tirar do meio”, relata. “E o Brasil foi o primeiro país do mundo a fazer uma edição de ‘Sandman’ depois dos Estados Unidos. Eu me recordo de quando recebi pela primeira vez as revistas pelo correio e disse ‘uau, isso é legal demais’. A edição brasileira estava melhor do que a americana. Coloquei até no banheiro um pôster do Dave Mckean da versão brasileira.”

Pergunto se ele aqui se sente um rock star. “Não, talvez nas Filipinas. Aqui eu me sinto um jogador de futebol.”
>> G1 – por Shin Oliva Suzuki

Acompanhe a cobertura completa da Flip 2008


ENCICLOPÉDIA DOS MONSTROS NO FANTASTICON 2008

terça-feira | 1 | julho | 2008


As crônicas de um anti-herói

terça-feira | 1 | julho | 2008

Não se devem buscar sinais de integridade no protagonista de Diário de um banana [V&R, 217 pp., R$ 29,90], de Jeff Kinney, um romance em quadrinhos que se tornou best-seller nos Estados Unidos e foi lançado há pouco no Brasil. Greg Heffley, 13 anos, é um anti-herói, mente para os pais, trapaceia em atividades escolares e faz de gato e sapato o melhor amigo. Mas é ingênuo, azarado e, mesmo quando estamos todos torcendo por ele, quase sempre leva a pior. “Greg está longe de ser um protagonista politicamente correto. Ele é um adolescente comum, experimentando os sofrimentos do ambiente escolar e tentando ser um cara mais popular”, conta o autor do livro em entrevista à Megazine. Kinney lançou Diário de um banana ["Diary of a wimpy kid", no original] no site Funbrain.com, há três anos, em forma de tirinhas. Mas as histórias atraíram uma avalanche de cliques e, ano passado, foram materializadas num livro que ficou 33 semanas na lista de mais vendidos do jornal “The New York Times”. >> O Globo – 01/07/2008 – por William Helal Filho


HISTÓRIAS EM QUADRINHOS, MITOS E FORMAS NARRATIVAS

segunda-feira | 30 | junho | 2008


Há, ao menos, quatro maneiras de relacionarmos o universo das Histórias em Quadrinhos e os mitos. a) em relação à função que as artes e a indústria cultural desempenham no mundo moderno, em substituição ao mito e às narrativas orais do mundo tradicional; b) o aproveitamento direto de temas de mitos na construção de personagens e ambientações, o que podemos chamar “referências literárias”; c) a utilização de elementos da estruturação mítica e da imaginação simbólica na “estruturação profunda” de personagens e ambientações; e d) a consideração do próprio processo enquanto “forma simbólica”, considerando-se a noção de “mito” de forma mais abrangente, enquanto “narrativa de imagens simbólicas”.

Do Desencantamento à Indústria Cultural
Com o final da Idade Média e o advento da sociedade moderna, o espaço ocupado pelo mito e pelo símbolo, pela imagem e pelo sagrado, cede seu lugar à mecânica, ao cálculo e à razão. Deste modo, querelas medievais que levantavam fiéis defensores da “verdade revelada” contra os “hereges”, simplesmente deixaram de ocupar o primeiro plano da vida política, econômica e cultural, com a preocupação cada vez maior com a produção (mecanizada) o surgimento do Estado nacional (burocrático e racionalizado) e o desenvolvimento das ciências modernas. Para o moderno, discutir o simbolismo do “sexo dos anjos”, que deve ter sido de primeira relevância para um pensador medieval, tornou-se sinônimo de questão tanto irrelevante, quanto insolúvel.

Este fenômeno, de peculiar significância na história da humanidade, foi chamado “desencantamento do mundo” (entzauberung) por um dos pais da sociologia, o pensador alemão Max Weber. Este desencantamento coincide com a expansão da influência européia sobre os demais continentes, fazendo desabar formas de organização milenares, como as orientais, que não tiveram alternativa senão se “modernizarem”; as civilizações africanas, que foram estilhaçadas na partilha dos mercados de consumo para os produtos das fábricas mecanizadas; e as ameríndias, que detinham uma sofisticada cultura e viram seu número reduzir, somente no Brasil, de cinco milhões, no século XVI, para pouco mais de oitocentos mil, no século XXI. Contudo, a imaginação simbólica, destronada pelo advento das luzes cegantes da razão, não perece, buscando abrigo nas artes – como a pintura, a escultura e a literatura; ao mesmo tempo, o poeta ou artista ganha um status de “marginal” ou outsider, como o típico adepto do Romantismo, que não parece encontrar lugar confortável no mundo luminoso da indústria, da técnica ou da organização burocrática do Estado.

Em um segundo momento, são a própria ciência e a indústria que percebem a impossibilidade de reduzir a alma humana intrinsecamente à sua dimensão “racional”. Para suprir o vácuo deixado pelo racionalismo, nasce a indústria cultural, cujas principais expressões são o cinema, o rádio, a música “comercial” da indústria fonográfica, bem como a TV, enquanto modos industriais, ou industrializados, de suprir o necessário alimento onírico às massas de uma cultura já sem encantamento. Independentemente da postura crítica ou entusiástica frente a esta nova modalidade de produção de imagens e narrativas, um denominador comum pode ser encontrado: o modo como a indústria cultural toma o lugar deixado vago pelo fim da primazia do mito e da fábula. Este é um ponto consensual entre autores díspares, como o ácido Walter Benjamin, da Escola de Frankfurt, e Marshall McLuhan, que cunhou a expressão “aldeia global” para denotar este retorno ao primeiro plano da vida coletiva do imaginário, cujo substrato são narrativas e imagens, semelhante aos mitos e fábulas das “aldeias” tradicionais, contudo agora em escala “global”.

Neste contexto, a História em Quadrinhos, ou, simplesmente, HQ, goza de um status cambiante. Nascida no seio da indústria cultural, advoga, diversas vezes, o status de Arte, assim como o cinema. Em ambos os casos podemos encontrar um chamado “main stream” (algo como “rio principal”) que conduzirá os esforços de produção e consumo de massa, ao lado de circuitos “alternativos”, que serão caracterizados pelo privilégio à dimensão estética e expressiva, assim como certa “especialização” do público, que se torna um conhecedor mais aprofundado do tema, bem como dos elementos expressivos da linguagem.

Citações Literárias de Temas Míticos em HQs
São diversos os modos como as temáticas tradicionais dos mitos são recuperados e refundidos pelas HQs. O primeiro modo é aquele no qual heróis culturais são tomados como fonte de inspiração para a elaboração de personagens, como o Heracles grego ou Thor escandinavo. Aqui, a utilização é de caráter mais literária, ou seja, a referência ao mito se dá de modo direto, como uma “citação”, aproveitando-se a popularidade do nome, mas transportando o personagem para universos imaginários contemporâneos. O que, na maioria das vezes, descaracteriza o simbolismo originário pela perda do contexto imaginário ou da tessitura arquetípica das narrativas tradicionais.

A adaptação de temas míticos – bem como literários – a contextos contemporâneos ocasiona tantas rupturas nos elementos estruturantes internos das narrativas clássicas ou tradicionais, com o intuito de acentuar a dramaticidade, conforme o gosto do público atual, que resulta um algo apenas superficialmente semelhante ao original. Independentemente do resultado estético ou do envolvimento alcançado com esta forma de adaptação, pode-se afirmar, com segurança, que não é possível considerar-se “conhecida” uma narrativa mítica tradicional a partir do contato apenas com sua adaptação atual, seja em HQ, seja em cinema, TV ou outra fonte. E este ponto é de primeira importância em contexto educacional, que não pode prescindir do contato com a fonte original.

O Mito como Estrutura Profunda de Narrativas
Um segundo modo, mais sofisticado, é a utilização de mitemas – menor unidade significante do mito – e elementos arquetípicos na constituição de personagens e narrativas, não ao modo de “citações” ou apropriações, mas como estruturação “em profundidade” de personagem e seus universos imaginários. Este é o caso de Superman, um dos heróis mais conhecidos das HQs, que sobrevive a um planeta destruído (dilúvio) e é abandonado em uma espécie de cesto, semelhante ao Moisés bíblico. O vôo ascencional, as imagens luminosas e a ênfase na visão do “olhar além do alcance” são atributos clássicos do herói solar, presente em diversas mitologias, constelação simbólica que confere coerência imaginária à caracterização do Superman. Sandman, de Neil Gaiman, é outro exemplo de adaptação inteligente de temas míticos ao universo dos Quadrinhos, embora a constelação simbólica seja totalmente diversa, de estruturação noturna ou, poderíamos dizer, lunar. As “três faces da lua”, um dos principais arquétipos do imaginário noturno, é personificado na Hécate de Neil Gaiman; o próprio personagem principal, Sandman, é construído a partir de mitemas de Orfeu, herói grego de essencial relevância na arte Romântica. Assim como Orfeu, Sandman deverá descer aos infernos, realizar um resgate e retornar. Paralela a esta história, Neil Gaiman narra, ponto a ponto, um mito ou rito de iniciação.

Tanto no caso do Superman, quanto do Sandman, as referências a mitos e narrativas tradicionais não são apenas superficiais. Em Sandman pode-se observar inúmeras referências diretas às mais diversas e importantes produções da cultura – como a bela adaptação do Sonho de uma Noite de Verão, de Shakespeare, ou de uma narrativa das Mil e Uma Noites, em Ramadan, dentre muitas outras. No entanto, a adaptação é realizada, até mesmo com muita liberdade de recriação, mas consciente da estrutura simbólica profunda das narrativas originárias. Em Superman sequer são realizadas referências diretas aos mitos inspiradores. Não obstante, a recriação é coerente ao apresentar certa “coesão interna” entre as imagens estruturantes da narrativa. Estes casos da HQ podem ser aproximados, em termos de sucesso na execução, a outros, como as adaptações do filólogo inglês, J.R.R. Tolkien, da mitologia nórdica para o mundo literário (Senhor dos Anéis); e à recriação, para o cinema, do estudo de mitologia comparada de Joseph Campbell (O Herói de Mil Faces) por George Lucas (Guerra nas Estrelas).

A HQ Enquanto Forma Simbólica
Um último modo de se considerar a relação entre HQ e mito é tomar este último termo no sentido utilizado por Gilbert Durand, dentre outros autores, que não designam com o termo “mito” apenas uma classe ou espécie de narrativa, especialmente aquelas com relevância cultural ou tradicional, mas toda e qualquer produção do imaginário. Neste sentido, uma leitura mítica do universo da HQ equivale diretamente a uma morfologia de suas narrativas e de seus universos imaginários, mantendo como base uma arquetipologia geral e como instrumento principal a própria imaginação simbólica. Nesta abordagem, não se busca elementos de adaptação de mitologias ou narrativas tradicionais por parte dos autores de HQ, mas, considera-se a própria HQ enquanto produção do imaginário, portanto forma simbólica, passível de uma análise arquetipológica.

Parafraseando-se o mitólogo norte americano, Joseph Campbell, para quem o sonho é um mito individual, e o mito, é um sonho coletivo, na abordagem da HQ enquanto forma simbólica, o trabalho consiste em observar como a criação subjetiva – e muitas vezes solitária – se espelha e ressoa nas grandes narrativas coletivas de seu tempo, nessa circulação entre as pulsões subjetivas e as intimações e demandas do meio cultural e social, trajeto cuja sutura é o símbolo. Nesta última concepção, não se busca referências ou adaptações de temas culturalmente difundidos, mas, de modo direto, discernir as imagens simbólicas presentes na produção de cada autor, haja vista que a imaginação humana (sua atividade onírica ou criativa) se desenvolve de modo simbólico.

Em Síntese
A indústria cultural e a produção artística ocuparam um espaço deixado vago com a perda do prestígio das narrativas tradicionais na sociedade, no final da idade média européia, fenômeno que se espalha por todo o globo – o desencantamento do mundo (entzauberung), termo cunhado pelo sociólogo Max Weber. O estudo e utilização da mitologia e da arquetipologia pelos autores e criadores de HQ é amplo, e são diversos os substratos que as narrativas tradicionais fornecem neste contexto. A compreensão da estruturação profunda do mito é primordial para uma boa adaptação, e existem excelentes exemplos, seja em circuitos comerciais ou alternativos. Em ambos os casos, as narrativas ganham uma espécie de “força”, por ressoarem em estruturas profundas da alma humana.

Livros Citados
WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.
BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo : Brasiliense, 1985
MCLUHAN, Marshall. Os meios são as massa-gens. Rio de Janeiro, Record, 1969
CAMPBELL, Joseph. O herói de mil faces. São Paulo, Cultrix.
DURAND, Gilbert. As Estruturas Antropológicas do Imaginário: introdução à arquetipologia geral. São Paulo: Martins Fontes, 1994.

José Abílio Perez Junior, graduado em Comunicação Social e mestre em Educação pela USP. Docente em disciplinas de graduação da FANORPI/PR. Assessor em diversos projetos de formação de professores e gestão da educação desde 1996
>> BIGORNA – por José Abilio Perez Junior


HOMEM DOS SETE MARES

segunda-feira | 30 | junho | 2008


Pixel lança quinto álbum da série Corto Maltese, marujo com jeito sensual que se tornou obra-prima, criada pelo Italiano Hugo Pratt

Escritor e desenhista de origem italiana, Hugo Pratt morreu há 13 anos. Mas sua obra-prima, Corto Maltese – um misto de lobo-do-mar solitário, aventureiro, desbravador dos cinco continentes e sete mares – continua vivo e procurando emoções por onde quer que passe. Para aqueles que desejam reviver a emoção de se deparar com um texto poético, denso, cheio de ação e reflexão, nada melhor do que conferir, ou rever, as páginas de As Etiópicas, quinto álbum lançado pela Pixel para os amantes do marujo no Brasil. A história é uma pequena amostra do que foi produzido por Pratt e protagonizado por Corto nas quase três décadas de parceria entre autor e criatura.

Nesta aventura, Pratt, mais uma vez, combina as andanças do personagem com fatos reais e faz Corto se embrenhar na guerra entre turcos, árabes e ingleses – a mesma que permitiu Lawrence das Arábias, um jovem e sonhador tenente britânico, virar clássico da história, do cinema e da literatura. Neste caso, como em todos os outros, a “missão” vivenciada por Corto Maltese é pura ficção, mas os fatos em volta são reais: em 1916, conduzido por dois guias muçulmanos, nosso aventureiro chega ao Iêmen, que à época estava tomado pelos turcos, atravessa a Somália ocupada pelos ingleses, passa pela Etiópia para chegar à África Oriental Alemã. Andanças no meio de um barril de pólvora, e de muitos perigos e tiros, mas que ajudam a compreender um pedaço da história recente.

Especificamente neste episódio, Corto Maltese enfrenta a morte, e escapa dela novamente. Mas vai além: mais do que nos reportar às batalhas e lutas nas areias do deserto, também faz várias alusões a um homem que não apenas é referência literária de muitas as gerações, mas que chocou ao mundo quando decidiu abandonar os cafés e a vida boêmia de Paris para se refugiar nos países africanos, como contrabandista, traficante de armas e mercenário. Sim, ele mesmo, Arthur Rimbaud. No caso, sendo protagonista de histórias passadas nos primeiros anos do início do século 20, Corto não poderia, ainda, conhecer a fama e a verve do enfant terrible das letras. Mas Pratt sim, e homenageou Arthur ao fazer com que seu lobo do mar percorresse o itinerário de Rimbaud (de Djibuti a Harrar) quando resolveu incorporar o traficante de armas. Uma bela forma de interligar vidas, histórias, sonhos.

Por essas e por outras situações, o marinheiro Corto e seu mundo podem ser igualados aos
personagens e universos criados por escritores do porte de Herman Melville, Joseph Conrad e Robert Louis Stevenson. Ou seja, o marujo corso, com sua personalidade marcante, seu espírito desbravador, seu temperamento independente, mas sereno, conseguiu tornar-se um clássico dos quadrinhos de todos os tempos. Para se ter idéia da sua força no gênero, basta dizer que em 1996 um júri, formado por críticos europeus de seis países, elegeu o conjunto de suas aventuras como “os quadrinhos do século 20”.

Corto Maltese surgiu em 1967, como um dos muitos personagens pitorescos do clássico A Balada Do Mar Salgado. O seu “caráter”, segundo contava Pratt, lhe chamou atenção, porque dava a possibilidade de desenvolver boas histórias. Ao ser convidado pela revista PIF para publicar uma série, Pratt elegeu Corto como personagem central. E criou um mito das HQs. Após eleger o marinheiro como protagonista das suas sagas, Pratt deu-lhe um perfil: Corto nasceu do encontro entre uma cigana da Andaluzia — Nina de Gibraltar — e um marinheiro inglês da Cornualha, que fazia uma escala no litoral do Mediterrâneo. Anticolonialista, ele é um marinheiro que já teve um barco no começo da vida, mas o perdeu em um desastre logo nos primórdios de suas aventuras.
>> O GRITO! – por Fernando de Albuquerque


O CABELEIRA FAZ ROTEIRO DE CINEMA NA FORMA DE QUADRINHOS

quinta-feira | 26 | junho | 2008

Álbum nacional inspirado no romance de Franklin Távora foi lançado neste mês pela editora Desiderata


O fim do ano passado sinalizava para um maior investimento editorial em álbuns nacionais. Parte deles de adaptações literárias. Outra parcela em histórias inéditas.

“O Cabeleira”, lançado neste mês (Desiderata, 136 págs., R$ 39,90) fica na fronteira entre essas duas tendências. Não é só uma adaptação literária. É um exercício de roteiro de cinema na forma de quadrinhos.

A história surgiu em razão de um laboratório de roteiro, promovido pelo Sesc. Leandro Assis e Hiroshi Maeda inscreveram uma primeira versão de “O Cabeleira”. Publicitário e engenheiro, respectivamente, os dois tinham em comum o interesse pelo cinema.

O roteiro foi sabatinado e remoldado. O resultado final não foi filmado. Foi vertido para a linguagem dos quadrinhos, no álbum lançado pela Desiderata.

 

A versão de Leandro Assis e Hiroshi Maeda mostra a trajetória do personagem central em dois momentos, na fase adulta e na infância dele (como mostrado no desenho acima).

A base do roteiro foi o romance de Franklin Távora (19842-1888). O escritor cearence foi o primeiro a relatar em letras as histórias orais do Cabeleira, uma espécie de Lampião que percorreu Pernambuco no século 18. O livro é de 1876.

É do primeiro capítulo da obra o dito “Fecha a porta, gente / O Cabeleira aí vem / Matando mulheres / Meninos também”. José Gomes, nome do Cabeleira, fez fama por roubar e assustar os moradores da região. Nem igrejas e crianças poupava. Nos saques e matanças, era acompanhado pelo pai, Joaquim Gomes, de quem herdou o tino pelo estilo de vida violento.

 

 A “câmera” de Assis e Maeda foi o traço do carioca Allan Alex. A escolha dele foi um dos acertos da editora Desiderata, que propôs o projeto aos dois. O desenho de Alex soube captar os enquadramentos e, principalmente, os cortes cinematográficos da proposta original. E sem perder a necessária expressividade da obra.

Em vários momentos, cria-se a sensação de leitura de um storyboard, que serve de base para muitas filmagens cinematográficas. É como se fosse um longa-metragem moldado em quadrinhos.

 

“O Cabeleira” é o segundo álbum nacional com histórias longas lançado pela Desiderata.

O primeiro -“A Boa Sorte de Solano Dominguez”- foi publicado em novembro do ano passado (mais aqui). O roteiro de Wander Antunes também se diferenciava nesse projeto.

Os dois trabalhos seguem a proposta da editora carioca de produzir álbuns nacionais. Há pelo menos outros três em produção: “Mesmo Delivery”, de Rafael Grampa, “Menina Infinito”, de Fabio Lyra, e “Copacabana”, de Odyr e de Sandro Lobo, editor de quadrinhos da Desiderata (leia mais aqui).
                                                           ***

Ver obras bem produzidas como “O Cabeleira” leva ao questionamento, ainda sem uma resposta definitiva, de por que as editoras brasileiras não investiram antes nesse filão.

Já há exemplos concretos de que desponta um grupo de roteiristas e desenhistas capaz de criar boas histórias, uma das críticas que existiam até então.

Faltou coragem? Então, que se reconheça, de público, a meritória coragem editorial da Desiderata e de poucas outras -entre elas a HQM- que têm investido e desbravado essa área.

                                                           ***
Nota: A obra de Franklin Távora está em domínio público e pode ser lida na internet (aqui). 
>> BLOG DOS QUADRINHOS – Paulo Ramos


GABRIEL BÁ É INDICADO AO PRÊMIO HARVEY

quinta-feira | 26 | junho | 2008

Saiu a lista de indicados ao Prêmio Harvey e o brasileiro Gabriel Bá está entre eles. Bá concorre na categoria “Melhor Desenhista” por seu trabalho na série – inédita no Brasil – “The Umbrella Academy”, publicada nos EUA pela Dark Horse Comics. A Academia do Guarda-Chuva do título original é um grupo de jovens com superpoderes que, após a morte do pai, se reúne para salvar o mundo.

A série, escrita por Gerard Way, do grupo My Chemical Romance, também foi indicada nas categorias “Melhor série” e “Melhor nova série”. Os vencedores serão anunciados no dia 27 de setembro, durante a Comic-Con de Baltimore. Veja todos os indicados aqui.

The Umbrella Academy” também concorre ao Prêmio Eisner, o Oscar dos quadrinhos, na categoria “Melhor série limitada”. O resultado sai no próximo dia 25 de julho, durante a Comic-Con de San Diego. Já “Sugar Shock”, história ilustrada pelo irmão gêmeo de Bá, Fábio Moon, concorre ao Eisner como “Melhor HQ digital”. Leia aqui, em inglês.

Juntos, os irmãos ainda concorrem ao Eisner na categoria “Melhor antologia” pelo gibi independente “5”. Produzido por eles em parceria com Vasilis Lolos, Becky Cloonan e o brasileiro Rafael Grampá, a história não tem diálogos e funciona como um portfólio do trabalho do quinteto. Sem Grampá, ocupado com seu primeiro álbum, “Mesmo delivery”, que deve sair pela Desiderata em julho, o quarteto levará para a Comic-Con de San Diego uma nova HQ independente feita pelo grupo: “Pixu”.
>> GIBIZADA – Télio Navega


A nova missão dos super-heróis depois de virarem setentões

terça-feira | 24 | junho | 2008

Os heróis também envelhecem, mas com estilo. Este ano Super-Homem, Batman e Mulher-Maravilha são convocados para a frente de batalha das comemorações pelos 70 anos no Brasil da DC Comics, empresa norte-americana de quadrinhos. Nada melhor que brindar os novos setentões com novidades nas bancas e uma bela repaginada no visual. A Panini lança no momento uma coleção especial com as melhores histórias de cada herói. A coleção tem início com Superman e traz histórias selecionadas das fases mais marcantes do personagem. Batman, Mulher-Maravilha, Flash, Lanterna Verde e a Liga da Justiça são os próximos heróis DC da Coleção 70 Anos. Além dos seis volumes, a coleção ainda terá uma edição especial com outros personagens que não tiveram espaço na fornada atual. A publicação comemorativa com o Super-Homen contém histórias de escritores e desenhistas consagrados, que se revezam para mostrar a bravura de um dos primeiros super-heróis do mundo HQ. >> Gazeta Mercantil – 23/06/2008 – por Sheila Horvath


REVISITANDO A BIBLIOTECA DE BABEL

segunda-feira | 23 | junho | 2008

No livro Ficções o escritor argentino Jorge Luis Borges materializa no breve conto A Biblioteca de Babel um universo infinito de livros distribuídos por prateleiras, estantes, salas e andares que conteriam todas as combinações possíveis de letras em suas páginas e onde todas as obras imagináveis e inimagináveis estariam arquivadas.

Hoje nós temos uma nova Biblioteca de Babel que se espalha pela internet e a cada dia nos revela novas obras ou ainda outras esquecidas no tempo. Um blog recente e um site e nos abrem as páginas ilustradas de livros e revistas que antes só poderíamos esperar encontrar em um centenário sebo londrino ou na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.

O blog Golden Age Comic Book Stories vem dedicando-se em suas atualizações diárias a apresentar histórias em quadrinhos, ilustrações, cartazes e capas de revistas que são de uma outra era de artistas e que merecem ser conhecidos pela qualidade e originalidade de seu trabalho.

Ali podemos ver obras de desenhistas famosos junto a outras de autores pouco conhecidos: capas das revistas Famous Monsters, Weird Tales, Crime e Shock SuspenStories; pin-ups de Enoch Bolles e Olivia; ilustrações clássicas de N. C. Wieth, Franklin Booth e Alphonse Mucha; desenhos para livros infantis de Jessie Wilcox Smith e Kay Nielson; histórias em quadrinhos de terror, aventura e ficção-científica dos anos 1940/1950; os belos desenhos de Jules Guérin retratando o Oriente Próximo e dos castelos da França; Tarzan nas páginas coloridas de Burne Hogarth e nos bicos-de-pena de Reed Crandall; uma extensa pesquisa pictórica de como Hollywood retratava os orientais em seus filmes; O Sombra de Michael Kaluta; HQs dos primórdios da revista MAD; as estranhas ilustrações de Hannes Bok e Virgil Finlay utilizando a técnica de pontilhismo para obras de ficção-científica.

Descobrimos curiosidades, como uma HQ sobre Pearl Harbor e que mostra Uncle Sam como super-herói, com barba branca e cartola, que foi publicada meses antes do ataque japonês, ou ilustrações de Harold Foster (o criador do Príncipe Valente) para anúncios de uma rede ferroviária.

Embora a maioria dos posts apresente material criado na primeira metade do século passado, o blog tem também obras de grandes nomes da ilustração e HQ mais atuais, como Frank Frazetta, Berni Wrightson, Jeffrey Jones, Alex Nino e do inovador e prematuramente falecido Vaughn Bodé.

Já o site Barnacle Press é dedicado às histórias em quadrinhos norte-americanas do início do século passado, quando tudo ainda era muito novo e as convenções gráficas e narrativas estavam sendo estabelecidas. Em milhares de páginas de mais de duzentos personagens podemos rever nossos velhos conhecidos, como Os Sobrinhos do Capitão e Pafúncio, ou conhecer muitas outras HQs com nomes sugestivos como: Joe and Asbestos, Economical Bertie ou Our Antediluvian Ancestors.

E essas são apenas algumas das obras e imagens que estão ao nosso alcance nessa Biblioteca de Babel que nem Borges pôde imaginar.

P.S.: Um outro blog interessante foi criado apenas para a revista Mystery Tales nº. 40, que se tornou personagem do seriado Lost em seu episódio 11. Nele podemos fazer o download das HQs que recheiam as páginas dessa misteriosa revista de 1956.
>> TERRA MAGAZINE – por Claudio Martini

Achados. Quadrinhos em que Tio-Sam é super-herói produzido pouco antes do ataque de Pearl Harbor é veiculado na internet


Lenda do mangá

segunda-feira | 23 | junho | 2008

Pouco conhecido pelas novas gerações, Claudio Seto foi o responsável pela introdução do mangá no Brasil. Filho de japoneses, Claudio cresceu lendo as histórias trazidas do Japão até que, um dia, resolveu criar a sua. “Quase todo japonês sabe desenhar. É da cultura”, disse o autor ao Folhateen. Em 1967, o desenhista lançou Samurai, Flores Banhadas de Sangue, considerado o primeiro mangá publicado fora do Japão. Naquela década, os brasileiros acostumados com Batman e Superman achavam o estilo bem esquisito. “Tentei desenhar como nos gibis ocidentais, mas não consegui.” Em seu novo livro, Lendas do Japão (Devir/Jacarandá, 128 pp., R$ 32), estão reunidas 15 lendas inspiradas na história antiga do país. As narrativas são ricas em simbolismos do budismo e referências ao confucionismo. >> Folha de S. Paulo – 23/06/2008 – por Juliana Calderari


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