“MATADOURO 5″: O CÔMICO E O TRÁGICO EM KURT VONNEGUT

quinta-feira | 5 | maio | 2011

O cômico e o trágico em Vonnegut Por ocasião da morte de Moacyr Scliar, Luís Fernando Veríssimo, em sua coluna no “Estado de São Paulo”, dizia que nenhum outro escritor brasileiro dominou como Scliar “aquela estreita faixa da imaginação entre o cômico e o trágico frequentada por Kafka e Vonnegut”.

A propósito, Kurt Vonnegut – no seu último livro, “A Man without a Country” (2005) – observa que o humor é uma resposta quase fisiológica ao medo. Ao explicar como o humor funciona, pergunta por que o creme de leite – que vem em pequenas caixinhas de papelão (e não em latas, como no Brasil) – custa tão caro. Ora – diz ele – considere que responder perguntas é difícil. Elas põem à prova nossa inteligência e ficamos envergonhados quando damos a resposta errada. Encabulados pela pergunta sobre o preço do creme de leite nos calamos.

Então, quem perguntou oferece a resposta. “Porque as vacas detestam se agachar em cima daquelas caixinhas.” Aliviados, rimos. Não porque a frase seja engraçada. Mas porque sentimos alívio ao saber que não existe “a” resposta correta. Absolvidos, relaxamos a tensão e achamos graça.

Muitas das narrativas de Vonnegut têm a estrutura das piadas, com a tensão que cresce até que, no momento certo, a virada certeira e inesperada providencia o alívio. Mas não se deixe enganar. Vonnegut é um moralista. E é, também, profundo conhecedor da cultura norte-americana e filósofo das tragédias fabricadas pelo homem.

Autor do best-seller “Matadouro 5” – também aplaudido pela crítica literária – Kurt Vonnegut morreu em 2007, aclamado como grande figura do humor negro e satirista social inimitável. O humor negro reconhece o absurdo das “coisas da vida” e as transforma em matéria para riso. Mas a classificação de Vonnegut seja como humorista seja como escritor de literatura de ficção científica limita a compreensão de sua obra, que foi profundamente inovadora, tanto na forma como no conteúdo. Escritor original, de fato merece o lugar ao lado de Kafka que lhe confere Luís Fernando Veríssimo. Na voz de Doris Lessing, Vonnegut foi inigualável: escritor que “dá nome aos lugares que melhor conhecemos.”

“Matadouro 5” (L&PM Editores) tem como pano de fundo a destruição de Dresden em 1945. Em 14 de dezembro de 1944, as forças alemãs e aliadas se enfrentaram na batalha das Ardenas, quando 120.000 alemães e 75.000 americanos morreram. Kurt Vonnegut estava lá.

O choque entre alemães e aliados culminou dois meses mais tarde com a destruição de Dresden em 14 de fevereiro de 1945, em ataque liderado pelas forças britânicas. Embora, naquela época, as forças aliadas tivessem declarado que Dresden era centro de transportes e comunicação, hoje se sabe que sua destruição não serviu a nenhum propósito militar. A rede ferroviária de Dresden não foi afetada pelo ataque. Mas 135.000 civis indefesos morreram incinerados
por tempestade de fogo de mais de 500º.

Depois da Segunda Grande Guerra, varreu-se a catástrofe de Dresden para debaixo do tapete. As histórias militares evitavam mencionar o episódio que permaneceu classificado durante algum tempo.
As autoridades britânicas evitaram gabar-se do feito, porque entenderam que não encontrariam apoio nem entre os ingleses nem entre os aliados para o bombardeio da população indefesa de uma das cidades mais bonitas da Europa.

Durante algum tempo fingiu-se que a cidade tivesse alguma importância militar. Não era o caso. David Irving documentou os fatos em “A destruição de Dresden” (Nova Fronteira).

A tragédia resultou da indiferença grosseira de seus promotores? De vingança? A destruição ocorreu antes que a existência dos campos de concentração se tornasse conhecida e a única explicação para o descaso que se seguiu à carnificina é aquela oferecida por um militar no livro de Vonnegut: a história verdadeira deixaria muito perturbada qualquer pessoa dotada de consciência.

Mais civis morreram carbonizados em Dresden do que em Hiroshima. Mas foi através da leitura de “Matadouro 5” que a maioria dos norte-americanos tomou conhecimento da tragédia pela primeira vez. A experiência de Kurt Vonnegut durante a Segunda grande Guerra lhe deu material para criar Billy Pilgrim, o protagonista do romance. A guerra do Vietnã lhe ofereceu o momento para 3 contar a história de Dresden. Hoje, da Líbia ao Afeganistão, sobram motivos para relembrá-la.

“Matadouro 5” começa com uma espécie de prefácio onde o autor descreve a dificuldade de escrever o livro. Em seguida entra Billy Pilgrim, viajante do tempo. A maior parte das viagens de Billy gira em torno de suas experiências como prisioneiro de guerra.

Depois de um acidente de avião, Billy deseja contar a todos suas aventuras no planeta Tralfamadore, cujos habitantes o tinham sequestrado. Entre uma e outra aventura, Billy também recebe pacientes em seu consultório de optometria, que vai muito bem, diz ele. E, porque ele é um viajante do tempo, sabe de antemão o resultado do que faz e o que vai lhe acontecer.

Enquanto a filha o repreende, Billy viaja para as linhas inimigas com outros soldados. Viaja também para a ala de doentes mentais do hospital onde ficara depois da guerra. Viaja para o jardim zoológico de Tralfamadore. Para a própria morte. Para a noite de núpcias com Valencia. Para o campo de prisioneiros de guerra. Para o matadouro (onde os americanos se hospedam em Dresden). Para uma fábrica de xarope. Para os braços de Montana…

Valencia morre a caminho do hospital onde Billy está internado depois do acidente de avião. Billy vai a Nova York falar, em entrevista de rádio, sobre o que aprendeu com os homenzinhos verdes de Tralfamadore. E viaja ainda para a mina de cadáveres de Dresden, onde trabalha desenterrando carcaças. Ali, a polícia apanha o professor secundário, Edgar Derby, com uma chaleira que ele retirara das catacumbas. Edgar Derby é preso por pilhagem, julgado e fuzilado.

Mas afinal chega a primavera. A Segunda Guerra Mundial termina e Billy sai caminhando. “Os pássaros estavam conversando. Um deles disse a Billy Pilgrim:Piu-piu-piu?”

“Matadouro 5” é também um livro sobre ele mesmo, sobre o ato de escrever e o ato de ler, segundo Jerome Klinkowitz, crítico literário e amigo de Vonnegut. Os tralfamadorianos não são invasores. Eles visitam a terra porque sentem curiosidade sobre seus habitantes. Afinal, os terráqueos são únicos seres no universo inteiro que acreditam no livre arbítrio. E acreditar no conceito de livre 4 arbítrio faz mal? Pode fazer, se as pessoas começam a acreditar que são responsáveis por tudo o que acontece e esquecem a responsabilidade maior de inventar histórias e buscar significados.

Billy Pilgrim, como Vonnegut, aceita a responsabilidade de se perguntar sobre o sentido das coisas. Ambos são escritores. Não representantes de escritores que estão ou estiveram escrevendo histórias, mas escritores da história que estamos lendo, ela mesma. Nenhum dos dois tenta representar a realidade. Ambos a inventam: assim buscam o sentido da vida. Tralfamadore é apenas uma imagem.

Os Tralfamadorianos não nos trazem novas tecnologias futuristas, mas uma nova compreensão do tempo. Essa compreensão não nos chega em termos científicos ou filosóficos, mas através da literatura e se relaciona ao propósito e significado da humanidade.

Para Klinkowitz, a preocupação de Kurt Vonnegut com a teoria literária fica clara, porque Billy Pilgrim toma parte num programa de rádio onde se discute um tópico quente daquela época: a morte do romance. Nos idos de 1960, a morte do romance era um tema tão em voga quanto é hoje a discussão sobre a morte do livro.

Billy examina os romances em Tralfamadore e chega à conclusão que se parecem a telegramas recheados de estrelas a separar grupos de símbolos. Seu anfitrião o corrige. Não existem telegramas em Tralfamadore. Telegramas implicam sequência e é exatamente dela que foge o romance tralfamadoriano. Cada grupo de símbolos é uma mensagem breve e urgente, que descreve uma situação. Os símbolos se leem ao mesmo tempo. A simultaneidade substitui a sequência. “O
autor os escolheu com cuidado, para que vistos ao mesmo tempo produzam uma imagem da vida que é bonita e surpreendente e profunda.” Não há começo nem fim, apenas momentos maravilhosos, todos eles vistos ao mesmo tempo.
>> VALOR ECONÔMICO – por Eliana Cardoso


“MENINA MORTA-VIVA”, DE ELIZABETH SCOTT

sexta-feira | 29 | abril | 2011

‘Sei o que dizem os contos de fadas, mas estão mentindo.
Contos são exatamente isso, sabe. Mentiras. ’
Pág. 57

Era uma vez uma garotinha, Alice. Todas eram Alice. As Alice’s queridinhas do Ray. Era uma vez uma garotinha, ela não estava morta, nem estava viva. Sua voz não era ouvida, todos a olhavam, mas ninguém realmente a via. Ela não queria ser queridinha, ela queria ser livre. E apenas deixar de ser uma menina morta-viva.

‘Alice’ tinha quase 10 anos quando foi seqüestrada pelo Ray. Ela era uma garotinha forte, nunca chorava, até conhecê-lo. E ela a transformar numa quase mulher, num quase ninguém. Cinco anos sendo abusada, física e psicologicamente.

Comece a se desculpar agora, ele diz, e empurra minha cabeça em seu colo. Enfia os dedos com força em meu ombro.
Odeio o Ray. O pensamento surge como a dor e fica latejando, gritando. Odeio, odeio, odeio.
Tinha me esquecido de quanto doem os sentimentos.

Pág. 143

Ela era sua garotinha, não podia crescer. Quando começou a crescer e seu corpo mudar, foi obrigada a  uma rígida dieta, para não crescer, não ganhar peso. Passava fome, usava roupas e sapatos apertados. Era obrigada a tomar pílulas para não menstruar, nunca. Tinha que ir religiosamente à depiladora. Ela não poderia parecer uma mulher, tinha que ser eternamente a garotinha do Ray, senão…

Senão os moradores da Daisy Lane, n° 623, iriam conhecer a ira dele. Ela não poderia deixá-los morrer. E sabe o que é mais engraçado? ‘Sempre acham que a culpa é minha’, pensa Alice. ‘Como se fosse fácil fugir e denunciá-lo’. Ela sabia o que acontecera com a Alice anterior e seus pais. E ela não podia deixar o mesmo acontecer com sua família.

Ela precisava encontrar uma nova Alice, uma garotinha linda, forte, como ela  fora um dia. Ensiná-la a fazer como Ray gostava e assim, finalmente, ser livre.

O que mais a incomodava era: Ray não a matava e também não a deixava livre. Ela vivia num mundo de nada, vegetando, uma marionete nas mãos de um doente. Às vezes sonhava com a faca da cozinha, dilacerando-a, acabando com seu tormento. Era um sonho feliz.

Menina Morta-Viva, de Elizabeth Scott (Underworld, 169 páginas, R$ 39,90), me deixou perplexa, angustiada, deprimida. Ela tem o dom de descrever certas barbaridades de um jeito único. Você sente na pele o horror imposto à Alice. Ficamos chocadas, sufocadas. E o pior de tudo, choramos porque sabemos que como a Alice do livro, há milhões de outras Alice’s que sofrem o mesmo abuso. Alice’s reprimidas, mudas de medo. Denunciar é fácil para quem está de fora. A vítima do medo nunca irá denunciar.

Scott é de uma rara sensibilidade, a leitura é dura, mas escrita de maneira genial. O livro mexeu comigo e vai mexer com todos que lerem. É simplesmente impossível ficar apático diante de tanta maldade. Ray é o verdadeiro lobo em pele de cordeiro.

>> MENINA DA BAHIA


“MUITAS PELES”, DE LUIS BRÁS

sexta-feira | 29 | abril | 2011

“Muitas Peles” (Terracota, 128 páginas) é uma coletânea de artigos e crônicas de Luiz Bras publicado no jornal virtual de literatura O Rascunho, centradas no ato de escrever, sobretudo Ficção Científica e gêneros afins.

Os textos de Luiz Bras tem a principal função provocar o ato de pensar, que deveria ser comum em quem escreve ou simplesmente lê, por necessidade ou por prazer.

A matéria prima está ali, desde o primeiro texto, “O infinito: um delírio”, onde o conceito de infinito e de eternidade são buscados a partir de um acontecimento simples: um fila de banco. E termina com a citação do filme O Feitiço do Tempo e do conto de Borges, Tlön. Meu lado de fã lamenta que ele não incluiu o excelente Matadouro 5de Kurt Vonnegut Jr.

O texto seguinte, “Fim do papel, fim da poesia”, discute as mudanças provocadas pela introdução das tecnologias digitais que pretendem substituir o livro em papel. Será mesmo que o fim do papel significará o fim da poesia?

“Escolha um futuro”, é exatamente o exercício que todo autor de FC deve fazer. Porém, o que este pensar no futuro realmente retrata?

“Convite ao mainstream”, foi uma provocação que Luiz lançou aos autores do mainstream, tentando fazê-los enxergar primeiro a estagnação da ficção literária no Brasil e, depois, fazê-los ver que a salvação poderá vir dos rejeitados “bárbaros”, os autores de Ficção Científica. Este artigo teve uma repercussão grande no meio da FC, a partir da intervenção, de Roberto Causo, no seu espaço no Terra Magazine.

O artigo seguinte, “Um bárbaro que se preze não vem para o chá das cinco”, é assinado Roberto Causo, e retrata a posição pessoal deste autor em relação ao artigo anterior. Causo se diz um iconoclasta, pelas suas posições dentro e fora do fandom de FC.

E o que acontece quando um autor de mainstream, atendendo ao convite, resolve optar por escrever FC? Em “Cinco erros” alguns escritores de FC convidados apontam quais os erros mais graves que estes autores cometem.

E a crítica, como se comporta? Em “Duas elites”, Bras convida escritores, críticos e editores para comparar o comportamento crítica acadêmica e da crítica da literatura de gênero e destaca os princípios norteadores de cada uma delas.

Em “Três leis”, Luiz Bras usa as três leis da robótica de Azimov para indicar, por similaridade, os princípios básicos que norteiam sua escrita.

Em “Sabedoria Secreta”, Bras questiona sobre os contos de fadas de tradição oral que foram terrivelmente mutilados pelos seus compiladores, para adequá-los à sua época ou expurgar trechos mais picantes ou violentos para poderem ser entendidos por crianças.

Em “Olha mamãe, uma cor voando”, comenta a forma de escrever do poeta Leo da Cunha, que segundo ele, é capaz de “captar inocências”, como a da frase que dá título ao artigo.

Em “Encontro com o autor personagem”, o escritor Índigo é o analisado, do ponto de vista de ser ele muito parecido com suas personagens.

“O autor e seu editor”, nos trás o eterno conflito entre estas duas figuras importantes que dão vida a um livro. Termina com uma bem humorada coleção de modelos de cartas de recusa, de acordo com as diversas posturas e personalidades de editores. Hilariante, independentemente do lado em que você está da missiva (remetente ou destinatário).

“Elogio do acaso” aponta a importância do fator sorte em relação ao sucesso de um livro e do poder da insistência na sua busca. Afinal, é acaso ou perseverança (teimosia)?

Será que a nossa infância é algo que pode ser resgatado? Foi mesmo um paraíso ou isto é um mito? É o que é discutido em “Paraíso perdido: a infância”.

O artigo “Morte e imortalidade” discute nosso destino final e o nosso desejo de que ele nunca chegue.

Fechando o livro, a crítica mais uma vez é abordada no artigo ”Crítica é cara ou coroa”. Nele, Bras aponta que a crítica aceita ou rejeita um texto de acordo com um modelo de civilização que o autor da crítica aceita como válido.

Podemos afirmar que todos os textos cumprem o seu papel de nos fazer pensar e, ainda que discordemos dele, alguma vezes sequer teríamos pensado na questão se ele não tivesse levantado a bola.
>> PAI NERD – por Álvaro Domingues


“A GUERRA DOS TRONOS”: GEORGE R. R. MARTIN, O NOVO MESTRE DA FANTASIA

segunda-feira | 25 | abril | 2011

O autor se consagra como sucessor de J. R. R. Tolkien
– e chega às telas

Nick Briggs

George R.R. Martin no set de A guerra dos tronos. Com a adaptação do livro pela HBO, o autor se tornou uma celebridade.

FAMA TARDIA
Em 1994, aos 46 anos, o roteirista de televisão George R.R. Martin decidiu mudar de profissão. Cansado das restrições orçamentárias da série em que trabalhava (A bela e a fera), que podavam sua imaginação, Martin decidiu retomar seu passado pouco glorioso de escritor de fantasia e ficção científica. Seu objetivo era quase uma desforra contra os produtores de televisão: criar um ambicioso épico de fantasia, com batalhas grandiosas, que ninguém ousaria levar às telas.

Dezessete anos depois, a televisão se curvou a Martin. A série A guerra dos tronos, baseada no primeiro volume de sua saga de fantasia As crônicas de gelo e fogo, estreará neste domingo nos Estados Unidos com um orçamento estimado em US$ 60 milhões – e a expectativa de se tornar um dos maiores sucessos da temporada.

Nos 15 minutos da série revelados pelo canal americano HBO antes da estreia, é possível perceber que ela tem pouco em comum com outras sagas de fantasia. Para quem se acostumou com o mundo de O senhor dos anéis, de J.R.R. Tolkien, em que as diferenças entre o bem e o mal são claras e o final feliz é quase inevitável, A guerra dos tronosparece pertencer a outro gênero. O mundo de Westeros, criado por George R.R. Martin, é repleto de sombras e sangue. Personagens recém-apresentados ao espectador podem morrer poucas cenas depois, sem aviso e de forma violenta, e a disputa entre heróis e vilões dá lugar a uma trama cheia de intrigas e traições, na qual diferentes clãs da nobreza disputam o poder sobre o reino.

Parte das mudanças no gênero pode ser atribuída ao meio escolhido para a adaptação: a televisão, e não o cinema. A audiência da HBO está acostumada a tramas mais adultas: o drama A família Soprano e o faroeste Deadwood são algumas de suas séries mais bem-sucedidas nos Estados Unidos. Para ser aceita por esse público, uma série de fantasia precisaria manter o tom adulto. A classificação indicativa, que impede cenas muito fortes nas grandes produções de cinema sob o risco de diminuir seu público (e seus lucros), não é uma preocupação tão grande para os canais de televisão. Isso permite exibir sem pudores imagens de personagens mutilados ou decapitados. Outra vantagem das séries sobre os filmes está na duração. Enquanto os três livros de O senhor dos anéis foram transformados em pouco mais de nove horas de filme, a primeira temporada de A guerra dos tronos terá dez episódios de uma hora para contar a história de apenas um romance. A maior duração dá espaço a uma trama mais lenta e elaborada, em que as intenções dos personagens se revelam gradualmente.

Assista ao trailer de “A guerra dos tronos”.

   Divulgação

AMBIÇÃO
Acima, Sean Bean, de O senhor dos anéis, na pele do nobre Eddard Stark. No alto, cavaleiros em uma montanha de Westeros. A série recria o mundo descrito pelo autor em mais de 3.800 páginas

Mas o tom sombrio que parece caracterizar a série tem origem nos próprios livros. Em um universo literário dominado pela influência de J.R.R. Tolkien, Martin se recusou a ser um imitador. No mundo de Westeros, criado por ele, há pouca magia e muita humanidade. Seus personagens não são movidos pelo desejo de salvar o mundo, mas por motivos menos nobres: sexo, dinheiro e poder. Para escapar da influência de O senhor dos anéis, buscou inspiração no tom sóbrio adotado por escritores de romances históricos e acrescentou à fórmula técnicas que aprendeu como roteirista de televisão. Ao contrário de Tolkien, que se detém muitas vezes em descrições exageradamente detalhadas, Martin mantém a trama sempre em movimento e prende a atenção do leitor com “ganchos” ao final de cada capítulo. A fórmula deu certo: com os quatro romances de As crônicas de gelo e fogo, Martin tornou-se o escritor mais influente do gênero na atualidade – e o principal representante de uma geração de bem-sucedidos autores de fantasia (leia o quadro abaixo).

   Reprodução   Reprodução

Apesar do sucesso, a relação de Martin com os fãs nem sempre é amistosa. Sua demora de quase seis anos para lançar o quinto volume da série (A dance with dragons, previsto para julho) motivou a criação de sites de protesto. Alguns acusam o autor de ter perdido o interesse pela saga, que só será concluída no sétimo volume, e não dedicar tempo suficiente à escrita.

Para eles, A guerra dos tronos é uma má notícia: a série, na qual Martin ocupa o cargo de produtor executivo, seria mais um motivo para afastar o autor do “dever” de terminar logo os três livros restantes. Os fãs menos impacientes de Martin – e de boas séries de televisão – vão gostar de ver o mundo de Westeros recriado nas telas, de uma maneira que Martin imaginava impossível em 1994.
>> REVISTA ÉPOCA – por Danilo Venticinque


PHILIP K. DICK, O FILÓSOFO FICCIONAL QUE INVADIU OS CINEMAS

segunda-feira | 25 | abril | 2011

Ele foi o responsável por reeinventar o gênero da ficção cientifica.

Matrix“, “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças“, “O Show de Truman“, “Clube da Luta”, “Donnie Darko“, “A Origem“. Filmes famosos que levaram milhões de curiosos às salas de cinema. Mas além da óbvia popularidade, o que esses filmes têm em comum? Todos, segundo seus autores, foram inspirados no trabalho de Philip K. Dick, autor de ficção científica que reinventou o gênero ainda na década de 50 e cujas obras abordavam questionamentos sobre a realidade e o ser humano. Você não sabe de quem eu estou falando? Então se ajeita nessa cadeira e espia só que eu vou te contar quem foi esse gênio da ficção científica.

Nascido em 1928, em Chicago, o autor teve uma vida conturbada digna de suas obras. A começar pela perda da irmã gêmea, seis semanas após o nascimento de ambos, fato que afetaria profundamente sua escrita, relacionamentos e todos os outros aspectos de sua vida, estando presente em vários de seus livros por meio do tema recorrente do “gêmeo fantasma”.  Ainda por causa disso, ele desenvolveu um relacionamento difícil com os pais que se agravou com a separação dos mesmos quando ele tinha cinco anos de idade. Mudou-se com a mãe para a Califórnia onde moraria para o resto da vida.

Ao concluir o ensino médio em 1949, Dick ingressou na Universidade da California, mas devido a problemas de ansiedade logo abandonou os estudos. Somente então, após conseguir um emprego em uma loja de discos, teve mais tempo para se dedicar à literatura.

Em 1951, o autor finalmente publicou seu primeiro conto de forma independente. A partir de 1955, buscou seu lugar no mercado literário americano ao publicar seu primeiro livro, “Solar Lottery”, o ponto inicial para as várias histórias de ficção cientifica que escreveu entre as décadas de 50 e 60. Porém, o que poucas pessoas sabem é que Dick alimentava o sonho de estar entre os mais populares escritores americanos, naquela época composto por grandes romancistas, o que nunca chegou a acontecer uma vez que não houve interesse na publicação de seus romances fora do gênero da ficção científica.

No início da década de 60, veio o primeiro reconhecimento de suas obras na forma do Prêmio Hugo, por “O Homem no Castelo Alto”. A conquista, no entanto, não prestigiou seu estilo junto aos grandes nomes do mercado e o autor continuaria obrigado a publicar seus livros por  pequenas editoras.

Entre fevereiro e março de 1974, Dick afirmou ter visões e experiências extra-sensoriais e acreditou firmemente viver entre dois mundos paralelos, o que serviu de inspiração para a criação da trilogia VALIS: “Valis” (1981), “The Divine Invasion” (1981) e “The Own in Daylight” (1982), livros da última fase de sua carreira.

As visões, no entanto, são atribuídas ao uso de anfetaminas, LSD e psicotrópicos, os quais o autor experimentou por quase toda a vida, além de seu conhecido histórico de doença mental. Em 1982, ele morreu vítima de um AVC (Acidente Vascular Cerebral), deixando cinco ex-esposas e três filhos, além de um legado que incluem 44 livros e 121 contos, entre eles “O Homem do Castelo Alto“, “Minority Report“, “Os Três Estigmas de Palmer Eldritch“, a trilogia “Valis“, “Vozes da Rua” e “O Pagamento“. Suas cinzas foram levadas para o Colorado e depositadas no túmulo de sua irmã.

Foi somente após sua morte, naquele mesmo ano, que seus livros ganharam notoriedade junto ao grande público, tendo seguidas adaptações de suas tramas para o cinema, começando pelo clássico “Blade Runner – O Caçador de Andróides”(1982), seguido por “O Vingador do Futuro” (1990), “Confissões de Um Louco” (1992), “Screamers – Assassinos Cibernéticos” (1995), “O Impostor” (2001), “Minority Report – A Nova Lei” (2002), “O Pagamento” (2003), “O Homem Duplo” (2006) e “O Vidente” (2007), responsáveis por tal feito.

Em 2011, o autor volta às telas com “Os Agentes do Destino“, filme baseado em seu conto “Adjusment Team“. O longa conta a história de David Norris (Matt Damon, de “O Vencedor”), um carismático congressista que parece destinado ao estrelato político nacional. Ele conhece Elise Sellas (Emily Blunt, de “O Diabo Veste Prada”), uma linda bailarina, mas começa a perceber circunstâncias estranhas e esforços ocultos atrapalhando o romance.

Mas quem ficou com vontade de ver mais, a Walt Disney promete para 2012 a adaptação em animação de “King of The Elvis”; além dessa, duas outras adaptações estão a caminho: “Radio Free Albemuth“, baseado no livro homônimo, finalizada e esperando distribuição; e “Ubik“, roteiro criado em 1974 pelo própio Dick, que ainda está em negociação. Quanta novidade aguarda os fãs de Philip K. Dick, não? Agora é só curtir esse novo filme e esperar.
>> CINEMA COM RAPADURA – por Leilane Soares


NO MUNDO DOS CONTOS DE FADA

sábado | 23 | abril | 2011

No mundo dos contos de fadas

Era uma vez uma mocinha indefesa, que vai parar num mundo encantado cheio de criaturas mágicas, onde enfrenta um ser malévolo e muitos outros obstáculos, e que, no final, consegue o seu final feliz. É essa a premissa básica do conto de fadas, manifestado na literatura a partir do século VII. Com o surgimento do cinema, em 1896, não demorou muito para os contos de fadas fazerem história também na sétima arte.

O primeiro conto visto em película foi Cinderela (1898), sobre a gata borralheira que sofre nas mãos da madrasta. Mas os contos de fadas ganharam mesmo popularidade foi pelas mãos da Disney. Cinderela, aliás, também foi adaptado numa animação clássica do estúdio, em 1950.

Branca de Neve

O primeiro conto de fadas da Disney foi Branca de Neve e os Sete Anões (Snow White and the Seven Dwarfs, 1937). Outros títulos populares são: Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, 1951), A Bela Adormecida (Sleeping Beauty, 1959), A Pequena Sereia (The Little Mermaid, 1989) e Aladin (Alladin, 1992).

A quadrilogia Shrek (2001, 2004, 2007, 2010) ficou responsável por subverter clássicos personagens dos contos de fadas, como o Lobo Mau, Os Três Porquinhos, Cinderela e Bela Adormecida, apresentando-os de forma satírica e irônica. Deu a Louca na Chapeuzinho (Hoodwinked!, 2005) mostra uma versão bem humorada do conto de fadas que rendeu até continuação: Deu a Louca na Chapeuzinho 2 (Hoodwinked Too! Hood vs. Evil), com estreia marcada para 02 de setembro.

Versões live-action

A história de Chapeuzinho Vermelho também está no filme A Garota da Capa Vermelha, que estreia nesta quinta-feira (21/04). Nele, um vilarejo recebe o alerta de que o lobo está à espreita e o povoado precisa tomar cuidado. Valerie (Amanda Seyfried) está apaixonada por Peter (Shiloh Fernandez). No entanto, ela está prometida a Henry (Max Irons). Valerie e Peter decidem fugir, mas o perigo os acompanha com o lobo à solta.

O cinema soviético teve diversas adaptações de contos de fadas em live-action, como A Lâmpada Mágica de Aladdin (Volshebnaya Lampa Aladdina, 1966), A Princesa e a Ervilha (Printsessa na Goroshine, 1976) e A Pequena Sereia (Rusolochka, 1976).

Sombrios ganham cor Na tradição literata dos contos de fadas, havia uma carga sombria nas histórias. Com o passar do tempo, foram feitas adaptações para os contos se adequarem ao público infantil, alvo para as animações da Disney. Agora, o cinema volta às origens soturnas dos contos de fadas da literatura para versões em live-action.

A Garota da Capa Vermelha é apenas o começo de uma série de adaptações em live-action de contos de fadas. No ano passado, já havia estreado Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland), dirigido por Tim Burton. Ainda este ano, estreia A Fera (Beastly), versão moderna de A Bela e a Fera, em 03 de junho, e o terror Curse of the Smoke O’ Lantern.

Mais por vir

Em 2012, a Branca de Neve aparecerá em dois filmes. O primeiro, The Brothers Grimm: Snow White terá Lily Collins como a heroína do título e Julia Roberts como Rainha Má. Já Snow White and the Huntsman contará com Kristen Stewart como Branca de Neve.

Hansel and Gretel: Witch Hunters traz de volta os irmãos João e Maria, que, na literatura, encontram uma casa feita de doces, que tem como dona uma bruxa. O filme mostra os irmãos crescidos e agora caçadores de bruxas. Jeremy Renner (Atração Perigosa – The Town, 2010) e Gemma Arterton (Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo – Prince of Persia: The Sands of Time, 2010) são Hansel e Gretel, e atualmente estão na cidade de Braunschweig, naAlemanha, para as filmagens. João e Maria também vão aparecer no filme Hansel e Gretel in 3D.

O pacote de contos de fadas em carne e osso ainda terá Cinderela, cuja protagonista  ainda é um mistério, e A Bela Adormecida, esse com Emily Browning (Sucker Punch – Mundo Surreal) na pele da personagem-título.

Assim como em muitas das páginas da literatura, os contos de fadas têm tudo para conquistar um final feliz também no cinema.
>> YAHOO – BR Press – por Vanessa Wonhrath


“OS SETE SELOS”, DE LUIZA SALAZAR

segunda-feira | 18 | abril | 2011
Sinopse: Lara Carver é uma jovem de 21 anos que trabalha para a Agência, um local especializado em estudar, localizar e conter fenômenos paranormais. Um evento inesperado tira Lara do conforto da Agência em Londres e a leva para Paris, onde ela descobre que uma força muito além de qualquer coisa que a Agência já enfrentou assolou a cidade à procura de um artefato milenar. Lara precisa se unir a um velho amigo e ex-agente, Jason e a um demônio, Lucius, inimigo declarado de Lara desde sua infância, para descobrir quem está atrás do artefato e porque ele é tão importante. No entanto, a jornada de Lara vai lhe mostrar coisas que ela jamais esperava sobre perigo, amor, amizade e acima de tudo, sobre os estranhos e poderosos segredos do seu próprio passado.

Ontem terminei de ler o livro Os Sete Selos, o que podeia dizer deste livro?Surpreendente.

O livro conta a história de Lara Carver, ela trabalha para a “Agência” uma instituição especializada em fenômenos paranormais.

Lara é chamada para resolver um caso de ataque a um Bispo que trabalhava para a Agência, chegando na Igreja em que o Bispo foi morto Lara fica sabendo que quem matou o Bispo foi o Anjo Gabriel, o maior de todos os Anjos.

Gabriel e Lúcifer como todos sabem queriam acabar com a humanidade, porém Gabriel acabou desistindo do plano e “traindo” Lúcifer.

Lara é designada a resolver este caso porém terá que “aguentar” a presença de Lucius, o demônio que anos antes assassinou o pai de Lara e agora vai ajudar na investigação.

Com a condição de levar Jason, um antigo amigo e agente, Lara concorda em trabalhar com Lucius. A partir desde momento a história começa a ganhar vida.

Achei que a história fosse ser de uma menina que se apaixonaria pelo Anjo e pelo Demônio, que ficaria mais focado no romance ou em Lara. Ai que me enganei, o livro conta a história de uma Guerra travada desde os confins da Terra, pelo poder, a ganância de dois Anjos que são tão parecidos e se dizem tão diferentes um do outro.

Os Sete Selos conta com Gárgulas, espectros, armas de última geração, romance, traição e os principais valores da humanidade, Amor e Amizade.

O livro tem vários cenários, isso é que é o mais legal. Lara viaja por vários países, e várias dimensões. Indo do mundo dos mortos até o paraíso.

No meio da história acaba entrando para o grupo Roseanne, uma amiga de Jason que vai ajudar a desvendar os mistérios da busca pelo Objeto que Gabriel tanto deseja para exterminar a humanidade.

Os Sete Selos é um livro sobre anjos e demônios, a luta do bem e do mal em seus mais variados pontos de vista. Nem sempre os Anjos são Anjos como deveriam ser.

Para quem quer ler este livro, prepare-se pois você vai encontrar aventura do começo ao fim do livro.

O livro superou as minhas expectativas, pois a história acabou sendo totalmente diferente do que eu achava que fosse ser.

super recomendo e espero que o livro tenha continuação, pois Luiza autora do livro deixa abertura para novas histórias e aventuras, talvez com a Lara, mais de outros personagens.

Espero que tenham gostado da resenha, tentei falar um pouco do livro sem contar muito a história. Eu Adorei Os Sete Selos. Adorei os personagens e consegui montar na minha cabeça todas as passagens do livro. Sempre gostei de mitologia Grega e Religião, então pra mim Os Setes Selos foi um “prato cheio”.
>> MEU LIVRO ROSA PINK – por A Leitora


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