RELEMBRE (OU CONHEÇA) DRÁCULA – A SOMBRA DA NOITE

sábado | 31 | maio | 2008

Vampiros em estilo mangá, numa pequena pérola esquecida das histórias em quadrinhos brasileiras

Já foi dito que para estar na moda não é necessário estar obsessivamente antenado às tendências dominantes, basta manter os seus gostos pessoais, interesses e convicções, pois, em algum momento, a moda acabará por alcançá-lo. Um dos casos mais recentes são as histórias sobre zumbis. Quem imaginaria, cerca de cinco anos atrás, que os mortos-vivos popularizados pela – até então – trilogia cinematográfica do genial George Romero (A Noite dos Mortos Vivos, Despertar dos Mortos e Dia dos Mortos) estariam hoje na “crista da onda”, quase em vias de saturação da fórmula? Por toda parte pipocam filmes, quadrinhos e até livros sobre o tema. Desde a brilhante HQ Os Mortos-Vivos (publicada no Brasil pela HQM Editora), de Robert Kirkman, até bizarrices como Zumbis Marvel, do mesmo autor, em que os super-heróis são os zumbis canibais famintos.

Para quem nunca deixou de cultuar o gênero, essa superexposição provoca sentimentos ambíguos. Por um lado, é fascinante assistir ao surgimento de uma legião de novos fãs, bem como aproveitar à facilidade de acesso a obras raras que voltam a ser lançadas no mercado graças ao (com perdão do trocadilho inevitável) ressuscitado interesse geral. Por outro, não há como não se sentir meio “invadido”, como se um bando de desconhecidos entrasse na sua casa sem a menor cerimônia e mexesse nos seus brinquedos mais antigos e queridos. Ranhetice? Sim, sem dúvida… mas com algum fundamento.

Afinal, não é nada agradável para um fã com um mínimo de conhecimento histórico testemunhar certas distorções e injustiças típicas das ondas de modismo. Há quem tenha classificado Terra dos Mortos, aguardado retorno do bom e velho Romero ao gênero que ajudou a sedimentar, como “mais um filme de zumbis”. É uma imitação de Madrugada dos Mortos“, este escriba já teve o desprazer de ouvir. Claro que o herege que falou essa bobagem ignora que o popular filme de Zack Snyder nada mais é que um remake do clássico (ainda) insuperável Despertar dos Mortos, de Romero.

Cruel, não?

E é ainda mais triste constatar que enquanto remakes, variações e até pastiches gozam de popularidade e lucro, os filmes originais são raramente vistos, pois são produções de baixo orçamento, assumidamente underground, que não contam com as milionárias campanhas de marketing dos grandes estúdios, sendo facilmente confundidas com filmes trash pelo público leigo.

Mas o que todo esse preâmbulo tem a ver com vampiros (que, em termos de popularidade, deixam os pobres comedores de carne humana no chinelo)? Voltaremos a esse ponto mais adiante

A série Drácula – A Sombra da Noite, de Ataíde Braz e Neide Harue, lançada em 1985 pela editora Nova Sampa, reconta a imortal saga do príncipe dos vampiros sob um prisma romântico deliciosamente sensual e com desenhos com forte influência do estilo japonês.

Note que trata-se de dois pilares da cultura pop atual: vampirismo e mangá, cuja penetração no imaginário do público jovem já foi muito além do simples modismo. Uma HQ combinando ambos tem, atualmente, enormes chances de sucesso comercial, mesmo que seja mal produzida e não tenha mais ambições além do lucro fácil, o que não foi, nem de longe, o caso deste Drácula. Entretanto, vale a pergunta: caro leitor, por acaso alguma vez já ouviu falar dessa série?

Não se envergonhe de dizer não. No início da pesquisa para este artigo, uma busca no Google não revelou mais do que uma dúzia de links, a maioria de sebos virtuais anunciando a edição encadernada publicada posteriormente.

De fato, foi apenas por meio da consulta direta ao criador e escritor da série, o pernambucano Ataíde Braz, que foi possível descobrir mais detalhes sobre sua gênese e publicação. No gigantesco emaranhado de dados da internet, Drácula – A Sombra da Noite permanece quase sumariamente esquecida. Este artigo é uma tentativa de remediar tal injustiça.

Hoje parece inacreditável, mas o fato é que, até o final dos anos 80, ninguém dava muita trela para vampiros ou mangás por aqui. Claro que, devido à tradição do terror nos quadrinhos nacionais, histórias dos seguidores de Drácula sempre foram produzidas, mas não chegavam a ser mais populares do que os demais monstros que infestavam os gibis do período, sem contar o fato de que o gênero passava por um franco declínio.

Quanto ao mangá, com exceção do best-seller Akira e de algumas tímidas tentativas de publicação de cults, como Lobo Solitário e Crying Freeman, era um estilo praticamente desconhecido pelos brasileiros, chamando a atenção apenas de um público mais bem informado, porém insuficiente para garantir a permanência em banca.

Falar em “mangá brasileiro” num contexto assim seria algo próximo do absurdo, e nem era essa a intenção da desenhista Neide Harue, esposa de Ataíde Braz. As características orientais eram apenas parte de seu estilo pessoal, que chegou a ser criticado, na época, por ser semelhante demais ao mangá e não ter um caráter mais “brasileiro”. Quem diria, não? Eram realmente outros tempos.

Polêmicas à parte, o importante é que, mesmo apresentando algumas fragilidades técnicas nos primeiros capítulos, o traço oriental de Harue imprimia um charme irresistível aos personagens e combinava perfeitamente com o romantismo assumido do texto. Vale ressaltar, inclusive, que se por um lado esse não foi o primeiro “mangá nacional”, ao menos foi o primeiro quadrinho brasileiro inteiramente ilustrado por uma mulher. Um fato raramente mencionado.

Mas se o visual japonês foi apenas incidental, o mesmo não se pode dizer da tentativa de reformulação do mito do vampiro empreendido por Ataíde Braz. Totalmente na contramão das tendências da época, o autor apresentou aos leitores (e editores) um vampiro jovem, bonito, elegante, de temperamento intempestivo e audacioso, que questionava a imortalidade e sofria com a solidão melancólica de séculos de uma existência vazia, ainda que orgulhoso de sua linhagem nobre e com energia suficiente para continuar sua busca por vitalidade e amor. Algo muito diferente do paradigma do “monstro maligno sugador de sangue”, estilo Tumba de Drácula, cuja estética permeava praticamente todas as produções do gênero.

A trama, narrada originalmente em cinco edições de periodicidade irregular, seguia a seqüência de eventos do romance de Bram Stoker, porém adaptando livremente os detalhes, sentidos, pontos de vista e caracterizações, além de introduzir novos plots e personagens.

O resultado, para todos os efeitos, era uma nova história, com identidade própria, na qual o terror moralista vitoriano de Stoker foi substituído propositalmente pela aventura romântica, com um casal de protagonistas tão cativante quanto divertido.

Momentos clássicos do livro, como o aprisionamento de Jonathan Harker no castelo da Transilvânia, a vampirização e morte de Lucy Westenra, a formação do grupo de destemidos caçadores de vampiros liderados pelo Prof. Van Helsing, a transformação de Mina Murray em noiva de Drácula, tudo isso marca presença na série, porém com um caráter diferente.

Aqui, Harker é um jovem ingênuo e moralista, cujo terror parece muito mais fruto de sua sexualidade travada do que de alguma ameaça real por parte do conde, que mais parece zombar da afetação do rapaz. Lucy nada mais é do que uma nova tentativa do vampiro de encontrar uma companheira, assim como as três noivas no castelo, com a agravante de ser muito parecida (ao menos fisicamente) com Catherine, sua primeira esposa. Van Helsing é um senhor gentil e de coração puro que, apesar de acreditar que Drácula precisa ser destruído, é permanentemente tomado por dúvidas quanto à moralidade de sua cruzada cristã. Os caçadores de vampiros ganham personalidades muito mais marcantes e bem definidas do que no livro, com destaque para um insuportável Lord Arthur Holmwood, que rouba a cena como o nobre pedante e covarde.

Mas é Mina Murray que detém o coração da HQ. Com seus cabelos curtos e atitudes pouco apropriadas para uma mulher de respeito no século XIX, a impulsiva e geniosa Mina de Ataíde Braz encanta os leitores tanto quanto o orgulhoso conde.

A dinâmica do casal segue a tradição clássica de amor/ódio estilo …E o Vento Levou, com duelos verbais ferinos temperados com astutas provocações sensuais, culminando no tórrido desfecho da edição # 3 (um dos melhores momentos da série), em que a moça se entrega à paixão pelo conde e aceita seu destino como uma nova sombra da noite. Uma cena inteiramente diferente do estupro simbólico cometido no livro, em que Drácula obriga a moça a beber o sangue de uma ferida em seu peito.

E aqui cabe uma pausa. Um leitor atento já deve ter percebido as semelhanças entre a HQ e o filme Drácula de Bram Stoker, que também segue de perto a história do romance, mas modifica o sentido original das cenas, especialmente em momentos como o encontro vampírico/sexual de Drácula e Mina. No longa-metragem, ao invés de ser forçada a beber o sangue amaldiçoado, Winona Ryder suga voluptuosamente, e de bom grado, o peito de um relutante e extasiado Gary Oldman.

De fato, existem ainda mais semelhanças entre as duas obras. Da segunda edição até o final da série, a trama principal alterna-se com flashbacks revelando o passado humano de Vladmir Drácula, suas origens guerreiro/aristocráticas, a guerra sangrenta contra os magiares, a paixão por sua primeira esposa Catherine e sua transformação em vampiro após a morte dela. Praticamente uma versão ampliada do prólogo da película de Francis Ford Coppola. O fato interessante, todavia, é que o filme foi lançado em 1992, sete anos depois de Drácula – A Sombra da Noite ser publicado.

Não seria exagero afirmar que a série foi precursora de um novo paradigma do gênero. Ataíde Braz não apenas ajudou a resgatar a dignidade da então desgastada figura do Conde Drácula, como arriscou lançar mão de uma série de idéias que, posteriormente, se tornariam muito populares. Duas delas merecem ser destacadas aqui:

1) Além de belos e atraentes, os vampiros têm uma existência física bastante concreta, diferente dos seres indefinidos e ectoplásmicos do livro de Stoker, que os velhos filmes, como os da produtora inglesa Hammer, ajudaram a popularizar (e desgastar). Depois da inebriante noite de amor, Mina ouve o coração de Drácula batendo, uma prova de que ele não é um cadáver ambulante ou um espectro, mas sim um imortal num corpo concreto de carne e sangue.

(Ainda assim, o conde é capaz de se transformar em morcego ou lobo, algo desnecessário para a trama, mais parecendo uma concessão às velhas histórias.)

2) Há uma clara tentativa de desvincular o vampirismo da religião. Na série, Drácula não renunciou a Deus, não fez pacto com o demônio, nem mesmo foi o primeiro dos vampiros. O conde desconhece as origens da maldição, tudo o que sabe é que foi transformado pela traiçoeira Maria, uma misteriosa vampira estrábica (!) responsável por uma conspiração para tomar seu reinado e seu coração. Com a morte dela, Drácula teve que aprender sozinho os mistérios do vampirismo, acabando por atingir um nível de poder considerável com o passar dos séculos.

(Aqui também há um tipo de concessão, uma vez que os vampiros da série – particularmente os mais jovens e fracos – mostram-se vulneráveis a crucifixos, porém Ataíde Braz apresenta a idéia de que é a “essência não maculada pelo ódio” do portador da cruz que realmente afeta o vampiro, não o símbolo religioso em si. Uma outra forma de dizer que talvez seja preciso ter fé para que funcione, mas ainda assim uma abordagem pouco comum na época.)

Essas idéias (evidentemente em formas mais desenvolvidas e lapidadas) são elementos importantes da mitologia criada pela escritora Anne Rice na sua série de romances Crônicas Vampirescas, uma mitologia que se tornou a base da “cultura vampírica”, como a conhecemos hoje.

Novamente, a HQ chegou antes, pois embora o romance original Entrevista com o Vampiro tenha sido lançado em 1976, foi somente a partir da publicação de Vampiro Lestat (1985) e Rainha dos Condenados (1988) que a popularidade dos livros começou a se espalhar por outras mídias e alcançar proporções de culto.

Paralelamente, Coppola produzia sua “versão definitiva” de Drácula, logo seguida pela vitoriosa adaptação para as telas do próprio Entrevista com o Vampiro (dirigida por Neil Jordan em 1994) além do surgimento de um dos mais bem-sucedidos jogos de RPG da década de 1990, Vampiro – A Máscara (1991), cujo sistema de regras conseguia a proeza de unificar todas as subespécies vampíricas que a imaginação humana já concebeu num bizarro sistema de castas, permitindo ao jogador vivenciar um vasto universo underground, bem ao estilo dos romances de Rice.

De um gênero decadente do cinema de horror, nos anos 70, o vampirismo adentrou a década de 1990 como um “estilo de vida alternativo”, uma subcultura urbana que movimenta uma indústria que abarca filmes, livros, quadrinhos, RPGs, jogos eletrônicos, vestuário, casas noturnas e outros itens não tão facilmente imagináveis.

Naturalmente, uma parcela significativa dessa produção é de qualidade bastante discutível, mas a existência de um público colecionador fiel é suficiente para manter os investimentos se movimentando, seja para artistas ou oportunistas (ou ambos).

No começo dos anos 80, entretanto, não foi nada fácil para Ataíde Braz convencer alguma editora a publicar sua série. Veterano dos quadrinhos nacionais, ele já havia abordado novas facetas do vampirismo numa história publicada no número # 5 da saudosa revista

Spektro (uma edição especial só com HQs de vampiros), em que o protagonista se sacrificava por amor.Uma segunda tentativa, entretanto, foi rejeitada pela editora Vecchi e não chegou sequer a ser desenhada. O curioso é que a descrição de Ataíde Braz para essa história tem tudo o ver com o modelo vampírico pós-Anne Rice: “Era sobre um vampiro atormentado por um fantasma. Toda madrugada, antes de o sol nascer, ele recebia a visita deste fantasma, ele mesmo quando ainda era mortal. Era um vampiro que questionava a imortalidade. Que se angustiava ao ver todas as suas referências, sua época, tudo desaparecendo, mudando. E sentia saudades da sua vida como mortal. De quando a vida o surpreendia. E, no fim, o fantasma o convence a permanecer na janela e ver o sol nascer e assim se juntar aos que ele amava e que já tinham partido.”

O primeiro número de Sombra da Noite, na esperança de conseguir ser publicado, propositalmente abriu o máximo de concessões possíveis ao esquema dos quadrinhos de horror da época, com direito ao conde sendo expulso de uma igreja por um padre gritando “Vade retro, Demônio!” e outras amenidades do tipo.

Finalmente a Nova Sampa topou a empreitada, dando aos autores a liberdade de continuar a história sem interferências e sem um número pré-definido de edições. O resultado foi uma trama sólida, construída lentamente em capítulos de 60 páginas progressivamente mais cativantes, sendo as edições #3, #4 e #5 as mais bem acabadas, tanto nos roteiros quanto nos desenhos cada vez mais seguros de Neide Harue.

Mas como azar pouco é bobagem, o primeiro número foi pego em cheio pelo famigerado Plano Cruzado, tendo seu preço de capa congelado por um ano, o que complicou muito as chances de continuidade.

Com tiragens pequenas, distribuição limitada e temática tão desacreditada, a série tinha poucas chances de ser conhecida, mas surpreendentemente vendeu bem e obteve uma resposta satisfatória, em especial do público feminino.

Ainda assim, os custos e as dificuldades para lançar cada número deixavam claro que a coisa não poderia prosseguir por muito tempo. E Drácula acabou sendo encurralado por seus inimigos (de maneira similar ao livro de Stoker), vindo a morrer juntamente com sua amada Mina, no desfecho da edição # 5, frustrando as esperanças de muitos leitores que escreviam para a redação pedindo um final feliz.

Ou não? Algum tempo depois do final da série, a Nova Sampa lançou a edição especial O Retorno de Drácula – Um Vampiro no Ragtime, trazendo o conde de volta a vida em plenos anos 20.

Seguindo a mesma estrutura de 60 páginas, a revista foi uma maravilhosa promessa tristemente não cumprida. O início de uma nova trama em que Drácula, livre dos caçadores de vampiros já falecidos, inicia uma busca pelo corpo desaparecido de Mina, ao mesmo tempo em que se envolve com novos e fascinantes personagens.

Mais seguros depois da boa recepção da série original, os autores criaram uma história ainda mais envolvente e bem executada, com ganchos suficientes para várias edições, agora sem a obrigação de seguir a trama do livro.

Entre os novos personagens estava a fogosa francesinha Anne, criada sob medida para virar a cabeça do mulherengo conde, e o jovem Holt, um personagem homossexual sem estereótipos e com uma visível queda pelo vampiro, uma ousadia rara para qualquer mídia na época, especialmente o conservador mercado de quadrinhos brasileiro.

Fazia parte dos planos de Ataíde Braz que a nova série girasse em torno da rede de desejos formada entre Drácula, Anne, Holt e as ressuscitadas Maria e Mina (um plot que também teria antecipado os jogos de sedução bissexuais dos vampiros de Anne Rice) e culminaria na vinda de Drácula para o Brasil!

Infelizmente, os problemas econômicos acabaram decretando o fim da empreitada e Um Vampiro no Ragtime não passou dessa primeira edição. Mas a aventura do conde em São Paulo chegou a ser publicada… mas não no Brasil. Os roteiros inéditos foram adaptados e resumidos na forma de um álbum de 48 páginas lançado na França, Bélgica e Holanda.

Os fãs brasileiros nunca puderam saber como a história terminaria, tendo que se contentar apenas com tímidas tentativas de reedição da série original. No finzinho dos anos 80, a Nova Sampa republicou os dois primeiros números, mas mesmo com belas novas capas de Neide Harue (com um Drácula claramente inspirado no ator Christopher Lambert) aparentemente as vendas não compensaram uma continuidade.

Tempos depois, chegou às bancas uma edição encadernada contendo a série completa (menos Um Vampiro no Ragtime). Era um encalhe com páginas borradas que manchavam as mãos de tinta. Ainda assim, esse volume continua sendo a melhor chance para os interessados conhecerem a obra, pois aparece ocasionalmente em sebos virtuais. Já as edições originais são tão raras que nem mesmo os autores têm uma cópia.

“Mas se a série é tão boa não seria viável reedita-la hoje?”, alguém pode perguntar. Bom, aí é que está. Isso nos leva de volta aos zumbis de George Romero e a quem chamou Terra dos Mortos de “imitação”.

Talvez fosse viável um relançamento de Drácula – A Sombra da Noite para essa geração tão obcecada por vampiros e mangás, mas é difícil não se sentir como aquele ranheta que não gosta da idéia de ver seus queridos velhos brinquedos sendo grosseiramente manuseados por mãos pouco carinhosas.

Seria trágico ver a série ser confundida com bobagens como Drácula 2000 e suas seqüelas. Ou ver os desenhos serem colocados no mesmo patamar das “emulações” de mangá que infestam as gibiterias. E seria triste demais ouvir o roteiro ser chamado de antiquado (devido ao que conserva das velhas tradições do gênero) ou acusado de seguir a onda da abundante literatura vampírica brasileira pós-Anne Rice. Enfim, a falta de conhecimento (e interesse) histórico poderia facilmente levar a série a ser menosprezada pelos fãs das mesmas tendências da qual foi precursora.

Com todos os seus acertos e erros, a obra de Ataíde Braz e Neide Harue tem sua força e sua fraqueza no contexto em que foi criada, como um “elo perdido” entre dois paradigmas do mito do vampiro, além de ter apontado caminhos para a crise que os quadrinhos de horror brasileiros atravessavam.

Só isso já seria suficiente para merecer mais do que meia dúzia de entradas no Google e ter seu lugar garantido entre os mais significativos trabalhos da história editorial dos quadrinhos no Brasil.

* Agradecimentos especiais a Ataíde Braz, pela disposição em esclarecer as dúvidas tanto do autor deste artigo quanto do garotinho que um dia encontrou o número cinco de Drácula – A Sombra da Noite numa banca de gibis usados em São Paulo e passou anos tentando descobrir de onde aquilo tinha vindo. E também a Neide Harue, por ter estimulado os sonhos eróticos/românticos desse mesmo menino com suas mulheres espevitadas de rostinhos redondos.
>> UNIVERSO HQ – por Rodrigo Emanoel Fernandes – maio/2008

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FICÇÃO DE POLPA: ELES ESTÃO DE VOLTA!

sexta-feira | 30 | maio | 2008

De robôs em crise de consciência a astronautas e alienígenas solitários, armadilhas do sobrenatural que se escondem onde menos se espera, experiências científicas que dão errado, um golem descontrolado e um detetive do imaginário, será lançado pela Não Editora, mais um volume de Ficção em Polpa.

Após o sucesso do Volume 1, chega em julho de 2007, o projeto Ficção de Polpa com maior número de páginas e autores e ultrapassa fronteiras (com autores de outras regiões do Brasil e de Portugal), mas ainda buscando representar o universo do terror, da ficção científica e do fantástico.

Vinte autores aceitaram o novo desafio do organizador Samir Machado de Machado. Dessa forma, robôs, alienígenas, fantasmas e seres imaginários ganharam vida e mostram a força que a literatura tem para escritores e leitores. Eles estão de volta! Ficção de Polpa – Volume 2, que passa a ser publicado pela Não Editora, terá sessão de autógrafos no dia 04 de junho, a partir das 18h, no Cult Bar (Rua Comendador Caminha, 348 – Porto Alegre).

O primeiro volume do Ficção de Polpa, que reuniu 16 autores, pendeu mais para o horror. No Volume 2, que possui 176 páginas e tem apresentação de Daniel Pelizzari, os contos abordam mais a ficção científica, embora a edição tenha uma mistura dos três estilos (ficção científica, terror e fantástico). Robôs em crise de consciência, astronautas e alienígenas solitários, armadilhas do sobrenatural, experiências científicas malsucedidas, um golem descontrolado e um detetive do imaginário são alguns
dos temas.

Participaram do Volume 1 e retornam no Volume 2 os escritores Annie Piagetti Müller, Antônio Xerxenesky, Guilherme Smee, Luciana Thomé, Marcelo Juchem Rafael Bán Jacobsen, Rafael Kasper, Rafael Spinelli, Rodrigo Rosp, Samir Machado de Machado e Silvio Pilau. E fazem sua estréia no projeto Bernardo Moraes, Carlos Orsi, Frederico Cabral, João P. Kowacs Castro, Juarez Guedes Cruz, Kelvin K., Leonardo Siviotti, Pena Cabreira e Yves Robert (Portugal).

O Ficção de Polpa foi inspirado nas revistas Pulp, ou Pulp Fictions, que foram publicadas entre as décadas de 1920 e 1950. O objetivo é dar continuidade ao projeto de incentivar a produção de uma literatura do gênero que, homenageando suas origens, se compromete em ser entretenimento do mais
alto nível.

Seguindo a edição anterior, a antologia traz dois destaques. O primeiro é uma faixa-bônus, com a publicação de Uma Odisséia Marciana, de Stanley G. Weinbaum, história há muito tempo sumida das prateleiras. O conto, com tradução feita especialmente para o livro, é um dos mais importantes da história da ficção científica por ser o primeiro texto literário a retratar um alienígena inteligente, que não fosse um monstro de olhos esbugalhados ou um “humano de outro planeta”. Além disso, o livro contém os estudos para a arte da capa, com ilustração de Gisele Oliveira.

A Não Editora foi criada em outubro de 2007. Uma das palavras mais fortes da língua portuguesa, o “Não” também é uma das mais pronunciadas e ouvidas no mercado editorial. É para esse “Não” que a Não Editora diz não: para tudo o que é convencional, comum, repetido e pré-estabelecido. A Não Editora tem como ideal assumir riscos junto com seus autores, sem interferir ou tentar enquadrá-los. Apenas apostando no que é diferenciado. Seu Conselho Editorial é formado pelos escritores Antônio Xerxenesky, Guilherme Smee, Rafael Spinelli, Rodrigo Rosp e Samir Machado de Machado. A editora planeja vários lançamentos para 2008, entre eles livros de novos autores e ainda o terceiro volume da antologia Ficção de Polpa.

Para ver a lista de livrarias e cidades em que o livro estará à venda, visite o site da editora www.naoeditora.com.br.

*LANÇAMENTO DA ANTOLOGIA FICÇÃO DE POLPA – VOLUME 2*, com sessão de autógrafos dos autores
Data e horário: *04 de junho*, a partir das 18h
Local: Cult Bar (Rua Comendador Caminha, 348 – Porto Alegre – RS). Entrada franca.
Preço: R$ 20,00 o exemplar


”OS MUTANTES – CAMINHOS DO CORAÇÃO ” GIRARÁ EM TORNO DE TRÊS NOVAS TRAMAS CENTRAIS

quinta-feira | 29 | maio | 2008

No final da novela da TV Record, “Caminhos do Coração”, em seu último capítulo, será revelado o mistério do seqüestro de Maria, quem é o (a) mandante, o (a) responsável pelos crimes da Progênese.

Dois terços do elenco, aproximadamente 40 atores da fase atual, continuarão em “Os Mutantes – Caminhos do Coração”. Haverá aproximadamente 20 novos atores e atrizes, contratados para a nova fase. Marcelo e Maria continuam na nova fase, ao lado de novos heróis e vilões.

Em “Os Mutantes – Caminhos do Coração”, as mutações perigosas continuam a se espalhar pela sociedade, transformando homens e mulheres em feras, vampiros, lobisomens, serpentes, que atacam nas ruas de São Paulo, disseminando o mal, como uma epidemia. Maria e Marcelo reúnem a Liga do Bem na mansão, onde passam a proteger os mutantes do bem. Juntos eles agem para tentar deter as feras.

O DEPECOM – Departamento de Pesquisa e Controle de Mutantes, é reestruturado com enorme verba. Ganha sala com vários computadores, agentes instruídos para deter os mutantes perigosos.

O DEPECOM está dividido em duas alas: a do bem e a do mal. A ala do bem é representada por Marcelo, Beto, Miguel (ainda não escalado)e a jovem policial Aline (ainda não escalada). A ala do mal é representada por Fredo e seus Agentes (participações – a definir), que querem simplesmente exterminar todos os mutantes, inclusive os do bem, os pacíficos. A ala do bem quer separar o joio do trigo. Quer prender os violentos, deixá-los nas celas, e cuidar dos outros, dos pacíficos. A população, apavorada, passa a perseguir todos os mutantes, inclusive os do bem.

A história girará em torno de três novas tramas centrais:

Primeira: O Mistério de Valente.
Segunda: Policial apaixonado por vampira.
Terceira: Salvar os bebês para salvar o mundo.

“Os Mutantes – Caminhos do Coração”, de Tiago Santiago com direção Geral de Alexandre Avancini estréia em 02 de Junho, às 21h na Record.

Primeira nova trama central
O MISTÉRIO DE VALENTE

VALENTE sofre atentado do novo vilão – o policial FREDO e seus AGENTES. Escapa do atentado, mas perde a memória. VALENTE acorda e não se lembra absolutamente nada de seu passado. Do seu passado, ele só tem uma carteira, com alguns papéis, cartões e documentos. Ele será salvo pela doutora GABRIELA, jovem médica. Enquanto ele tenta desvendar o mistério do seu passado, é sempre perseguido por FREDO e seus AGENTES. Sabemos que FREDO deseja desesperadamente matar VALENTE, para impedir este passado de vir à tona.
Quem é na verdade VALENTE? Qual é o mistério do seu passado? Este é o novo mistério estrutural da nova fase de “Caminhos do Coração – Os Mutantes”.
Entre duas mulheres, uma que o perseguirá – a policial ALINE -, mas depois terminará por ajudá-lo, e outra que o esconderá (GABRIELA), duas amigas, o coração de VALENTE terá que escolher.
A perseguição a VALENTE e GABRIELA gerará cenas de muita adrenalina e fortes emoções.
E a revelação do mistério do seu passado trará grandes surpresas para a audiência.

Segunda nova trama central
POLICIAL APAIXONADO POR VAMPIRA

MIGUEL é um jovem policial de 30 anos, que entrou para o DEPECOM.
Ele investiga em profundidade a Liga Bandida, que se organizou em São Paulo, congregando mutantes feras, vampiros, lobisomens, serpentes e outros perigosos.
A Liga Bandida é liderada por JULI, a nova DOUTORA JÚLIA.
Para escapar da cadeia, condenada por seus crimes, DOUTORA JÚLIA usa o pouco que conseguiu produzir de soro da juventude e torna-se trinta anos mais jovem.
Apesar de se tratar do mesmo personagem, como terá rejuvenescido trinta anos, de modo fantástico, JULI será vivida por outra atriz.
MIGUEL lutará ao lado de BETO e MARCELO para destruir a Liga Bandida.
Porém, MIGUEL se apaixonará por NATI, jovem vampira do bem.
Por ser vampira, NATI será perseguida por MIGUEL, que se apaixona por ela.
NATI se encontra com VLADO, que também se apaixona por ela, e quer levá-la para a Liga Bandida, mas a índole de NATI é boa, e ela reluta em se entregar ao mal.
Seu coração bate na verdade por MIGUEL.
NATI se sente totalmente sem lugar no mundo. Não se identifica com a Liga Bandida. É perseguida por ser vampira. E eventualmente será rejeitada pelos mutantes do bem, os quais têm medo de todos os vampiros.

Terceira nova trama central
SALVAR OS BEBÊS PARA SALVAR O MUNDO

JANETE ampliará seus poderes e enxergará o futuro distante. Ela faz uma profecia: a sobrevivência da espécie humana vai depender da sobrevivência dos filhos de LEONOR (o menino de luz) e BIANCA (o menino da supercomunicação).
Aquelas crianças terão que ser protegidas ou toda a humanidade será dominada pelos mutantes ferozes.
BIANCA e LEONOR são resgatadas da Ilha com seus bebês e se juntam à Liga do Bem.
JULI consegue descobrir isso, e junto com todo o pessoal da Liga Bandida, ataca os bebês e suas mães, que passam a ser protegidos pela Liga do Bem.
O novo elenco ainda está em definição.


AS SÉRIES DE TV NA INTERNET

terça-feira | 27 | maio | 2008
A Folha de São Paulo publicou uma extensa matéria no caderno de Informática sobre os fãs de séries de TV que utilizam a Internet como meio de assistir aos episódios de suas séries favoritas e como fonte de informação sobre as mesmas. Na matéria, a jornalista Daniela Arrais aborda a velha conhecida dos fãs e internautas: baixar episódios de séries é crime??

Na matéria da Folha, foi publicado o seguinte trecho que fala sobre o assunto:

Baixar conteúdo protegido por direito autoral não é crime, desde que a cópia única seja para uso privado, sem visar lucro, de acordo com especialistas ouvidos pela Folha.

Quem baixa episódios de séries para consumo próprio não comete crime, e sim infração da propriedade intelectual, de acordo com Túlio Viana, professor da PUC Minas e advogado especialista em crimes informáticos.

Ao infringir a propriedade intelectual, um usuário pode ser multado e ter o objeto em questão apreendido, como o computador. “Mas preso ele não pode ser de jeito nenhum”, afirma Viana.

Disseminar esse tipo de conteúdo em sites, fóruns ou programas, no entanto, pode ser configurado como crime. “O autor fica sujeito a pagar pelo número de downloads. Se não der pra identificar esse número, ele paga 3.000 vezes o valor do vídeo. E fica sujeito a pena que varia de dois a quatro anos”, diz o advogado especialista em direito digital Renato Opice Blum.

No início dessa alternativa encontrada por fãs de séries, que hoje tornou-se parte do dia-a-dia, tanto diretores de canais pagos quanto empresários do ramo de distribuição de filmes e séries em DVD afirmaram em matérias publicadas em jornais que baixar o programa pela Internet não era crime. Hoje, passados pelo menos cinco anos, com o mercado de TV paga e distribuição em DVD tendo sofrido uma enorme queda nas vendas de produtos e assinaturas, tem gente que começa a apontar o dedo afirmando que esta atividade é pirataria. Mau percebendo que para muitas pessoas, o download funciona como uma vitrine para conhecer a série para depois acompanhá-la na TV ou DVD.

A Internet é uma nova mída com a qual a televisão e as distribuidoras ainda não souberam se adaptar. Lutar contra não melhora a situação. O importante é saber abraçar esse novo veículo e aprender a melhor forma de utilizá-lo. É o que os internautas estão fazendo.

De qualquer forma, o download, na verdade não é o maior problema das distribuidoras de DVD. O problema é o fator preço. Ao disponibilizar o DVD no Brasil, o box fica mais caro que se fosse importado (já incluso o valor postal). Maior rapidez em disponibilizar o produto e um valor mais justo para o mercado e perfil do segmento no Brasil seria a melhor forma de reconquistar o público que fugiu do DVD oficial. Sem mencionar a necessidade da TV paga em preservar seus telespectadores oferecendo rapidez na oferta de seus programas, melhor seleção de programação (algo que poderá ser constatado inclusive pelo número de downloads que uma determinada série tem na Internet) e a oferta de opção de áudio e legendas.
>> TV SÉRIES – por Fernando Furquim – maio/2008

Fãs se articulam para ver séries no micro

Episódios exibidos nos EUA são colocados na internet em poucas horas; internautas apontam falhas da TV paga

Sexta-feira é um dia longo para os fãs do seriado “Lost”. Isso porque eles passam a noite de quinta esperando a exibição, nos Estados Unidos, do episódio mais recente da trama.
Assim que termina mais uma aventura de Jack, Kate e sua turma, fãs do seriado se desdobram para colocar o arquivo na internet -principalmente por meio de programas de torrent, que centralizam e direcionam as informações de milhares de microcomputadores.
Com base na cooperação, usuários se articulam em sites para fazer downloads e uploads de suas séries preferidas; outros ficam responsáveis pelas legendas -no Legendas.TV, por exemplo, apenas uma versão das legendas de “Lost” chega a mais de 50 mil downloads.
Em sites como o www.mininova.org são disponibilizados os arquivos. Em três dias, o torrent mais popular com um episódio da série pode ultrapassar os 300 mil downloads.
“A velocidade de informação é impressionante. O que vai ao ar hoje nos EUA, amanhã já está no meu computador com legenda em português do Brasil com qualidade que nenhuma emissora da TV paga tem”, diz Daniel Barcelos, que mantém o blog Série Maníacos (seriemaniacos.wordpress.com).
Para Ale Rocha, editor do Poltrona TV (poltrona.tv), o crescimento da audiência de séries de TV na internet se deve a uma deficiência dos canais pagos no Brasil. “Eles demoram muito para lançar uma série. Há casos de séries que já chegaram ao país em DVD, mas não foram exibidas ainda pela televisão”, afirma.
Outro problema que afasta o telespectador da TV são as legendas. “Tem muito erro de português, erro de sincronização. As legendas feitas por fãs são mais caprichadas.”
O aumento no número de domicílios com acesso à conexão banda larga também é apontado como fator que contribui para a prática. “Hoje, com velocidade de 2 Mbps, você consegue baixar um episódio em 40 minutos”, diz Rocha.
Para a estudante Gisele Ramos, que escreve no Blog na TV (www.blognatv.com), o principal motivo se deve à facilidade de assistir ao que quiser, quando quiser. “Posso montar minha programação. Como eu trabalho, estudo, tenho filhos e outros compromissos, não consigo me adaptar a um horário fixo para assistir aos meus programas favoritos.”

Irreversível
O interesse dos fãs pelos seriados é positivo, na opinião de Paulo Barata, diretor do Universal Channel (globosat.globo.com/universalchannel) -o canal pago exibe séries de sucesso, como “Heroes” e “House”. “É muito bom que a gente lide com um produto que gera esse tipo de fidelidade, que esteja associado a um conteúdo pelo qual as pessoas façam esse esforço”, diz.
O canal mantém quatro blogs. “As mídias se complementam. O fato de as pessoas verem na internet antes ajuda na divulgação. Parte do esforço promocional acontece nesse momento do boca-a-boca digital.”
>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Daniela Arrais – 21/04/2008

Episódios têm desdobramentos na internet

“Lost” é um bom exemplo de como a televisão pode ser feita em colaboração com os internautas. A série, sobre os sobreviventes de um acidente aéreo, tem vários desdobramentos na internet.
Em fóruns, blogs, podcasts e games, os mistérios da trama são discutidos por internautas. A experiência de assistir ao seriado, portanto, é uma para quem o acompanha on-line, e outra para quem se contenta com uma hora de episódio.
“Os produtores colocam dicas e histórias que fazem parte da história em jogos, como o Lost Experience e o Find 815, em que foram divulgados vídeos sobre a Iniciativa Dharma, por exemplo”, diz Daniel Melo, administrador do portal LostBrasil.com, que tem mais de 170 mil cadastrados.
Mas a articulação pode gerar problemas. A equipe do LostBrasil já foi ameaçada, na época em que fazia legenda para os episódios. “Tentamos convencer a distribuidora de que não tínhamos nenhum lucro em cima disso”, diz Melo.
Na segunda-feira, a coluna Mônica Bergamo, na Folha, informou que a Polícia Federal prepara uma blitz contra sites de legendagem. Já foram mapeados 19 sites, cujos donos podem responder pelo crime de produção de conteúdo pirata, pois os textos também são protegidos pelas leis de direitos autorais.
>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Daniela Arrais – 21/04/2008

VEJA SÉRIES ON-LINE
“SOUTH PARK”
Versões integrais das doze temporadas da animação estrelada por Stan, Kyle, Cartman e Kenny, em streaming
www.southparkstudios.com/episodes

“CLARK AND MICHAEL”
Episódios curtos, estrelados por Clark Duke e Michael Cera (que fez “Juno”), sobre o processo de criação de um roteiro para televisão
www.clarkandmichael.com

TERRATV
A TV do portal Terra disponibiliza episódios inteiros, divididos em partes, de séries como “Lost”, “Desperate Housewives” e “Criminal Minds”
terratv.terra.com.br

“BATTLESTAR GALACTICA”
Remake da série de ficção científica dos anos 70, em que andróides se rebelam contra seus mestres -episódios por streaming
www.scifi.com/battlestar


SAIU A LISTA DOS INDICADOS PARA O 20º PRÊMIO HQMIX

sexta-feira | 23 | maio | 2008

CHEGAMOS AO 20° TROFÉU HQMIX
Dia 23 de julho de 2008 acontecerá no SESC Pompéia, a festa de entrega do 20° Troféu HQMIX.

Com apresentação de Serginho Groisman e sua banda, apoio do SESC Pompéia, o Troféu HQMIX chega à sua 20ª edição. É um histórico de sucesso de um evento que é reconhecido internacionalmente como um dos principais no mundo. A votação é feita nesse mês de maio após as indicações da Comissão de Organização capitaneada pela Associação dos Cartunistas do Brasil-ACB e do Instituto Memorial das Artes Gráficas do Brasil – IMAG. São cerca de 1.200 profissionais da área que votam nos 45 itens, escolhendo os melhores do ano que passou. A auditoria é feita pelo Dr. Edwin Ferreira Britto do Tribunal de Ética da OAB.
Neste ano a presidência do Evento é da professora e escritora Sonia Bibe-Luyten.
Além dos criadores do prêmio, Jal e Gualberto Costa, já presidiram o evento, Orlando Pedroso e Zélio Alves Pinto.
A cada ano os itens sofrem alguma modificação por conta do surgimento de novas plataformas de mercado e para isso foram formadas comissões de estudo.
São 20 anos iniciados no programa TV MIX(1988) da TV Gazeta em São Paulo, apresentado por Serginho Groisman com a participação de Jal e Gual.

Troféu homenageia Cláudio Seto e desenhistas de mangá brasileiros
Em pleno ano em que se comemoram os 100 anos da Imigração Japonesa no Brasil, a figura que irá se transformar em troféu é o personagem SAMURAI de Cláudio Seto. O sucesso do personagem nos anos 70, desenhado no clássico estilo mangá, foi o motivo da escolha. Como nos anos anteriores a estatueta será esculpida pelo artista Olintho Tahara e se juntará à galeria de homenagens a Horácio (Mauricio de Sousa), Pererê (Ziraldo), ReBordosa (Angeli), Piratas do Tiete (Laerte), Amigo da Onça (Péricles), Sig (Jaguar), Madame e seu cachorro (Fortuna), Zeferino/Orelana e Graúna (Henfil), Lamparina (J.Carlos), Kactus Kid (Canini), Reco-Reco, Bolão e Azeitona (Luiz Sá) e Garra Cinzenta (Renato Silva).

A programação envolverá exposição, workshop, debates e exibição de desenhos animados durante todo o mês de julho no SESC Pompéia, Rua Clélia n° 93 , São Paulo.

INDICADOS AO 20º PRÊMIO HQMIX

1) Desenhista Nacional
Fábio Moon e Gabriel Bá (5, Alienista e Fanzine)
Guazzelli (O Primeiro Dia, O Relógio Insano e Ragú #6)
José Márcio Nicolosi (Fetichast: Província dos Cruzados)
Laudo (Clube da Esquina e Tianinha)
Marcatti (A Relíquia)
Mozart Couto (A Boa Sorte de Solano Dominguez)
Spacca (D. João Carioca)

2) Desenhista Estrangeiro
Charles Burns (Black Hole)
David B. (Epiléptico 1)
Doug Braithwaite (Justiça)
Frank Quitely (Grandes Astros Superman)
Hiroya Oku (Gantz)
John Cassaday (Planetary)
Takehiko Inohue (Vagabond, Slam Dunk)

3) Roteirista Nacional
Daniel Esteves (Nanquim Descartável)
Fábio Moon (O Alienista)
Guazzelli (O Primeiro Dia, O Relógio Insano)
Laerte (Laertevisão)
Marcatti (A Relíquia)
Spacca (D. João Carioca)
Wander Antunes (O Corno que sabia demais, A Boa Sorte de Solano Domingues)

4) Roteirista Estrangeiro
Alan Moore (Lost Girls)
Alison Bechdel (Fun Home)
David B. (Epiléptico)
Ed Brubaker (Demolidor)
Guy Delisle (Pyongyang)
Kazuo Koike (Samurai Executor, Lobo Solitário)
Warren Ellis (Planetary)

5) Desenhista Revelação

Daniel Gisé (Sociedade Radioativa / The Doors)
Felipe Cunha (Front / Eterno)
Gabriel Renner (Tarja Preta )
Jozz (Zine Royale)
Leonardo Pascoal (Bongolê-Bongoró)
Shiko (Blue Note)
Vinicius Mitchell (Revista O Globo)

6) Roteirista Revelação
A. Moraes (Desvio)
Cadu Simões (Homem-Grilo / Nova Hélade / Garagem Hermética)
Chicolam ( Menino-Caranguejo)
Fabiano Barroso (Um dia Uma Morte)
Leonardo Melo (Quadrinhópole)
Leonardo Santana (Prismarte)
Nestablo Ramos Neto ( Zona Zen)

7) Chargista
Angeli (Folha de São Paulo)
Chico Caruso (O Globo-RJ)
Cláudio (Agora -SP)
Dálcio (Correio Popular – SP)
Jean (Folha de São Paulo)
Paixão (Gazeta do Povo-PR)
Santiago (Jornal do Comércio de Porto Alegre)

8) Caricaturista
Baptistão (O Estado de S.Paulo)
Cárcamo (Revista Época / Folha de São Paulo)
Dálcio (Correio Popular)
Fernandes (Diário do Grande ABC)
Gustavo Duarte (Lance!)
Leite (Salão Carioca de Humor / Salão de Imprensa)
Loredano (O Estado de S.Paulo)

9) Cartunista
Adão Iturusgarai
Allan Sieber
Amorim
DaCosta
Dálcio
Duke
Simanca

10) Ilustrador
Adams Carvalho
Cau Gomez
Cavalcante
Gilmar Fraga
Kako
Walter Vasconcelos

11) Ilustrador de livro infantil
Alê Abreu (As Cocadas – Global Editora)
André Neves (O capitão e a sereia – Scipione)
Daniel Bueno (Fernando Sabino na sala de aula – Panda Books)
Felipe Cohen (O nascimento de Zeus – CosacNaify)
Joana Lira (A criação do mundo – Cia das Letras)
Mariana Massarani (Vivinha, a baleiazinha – Salamandra e Adamastor, o pangaré – Melhoramentos)
Suppa (Valentina – Global Editora e Rima ou Combina – Editora Ática)

12) Publicação Infantil
As Tiras Clássicas da Turma da Mônica(Panini)
Histórias da Carolina (Globo)
Luluzinha (Devir)
Naruto (Panini)
Turma da Mônica (Panini)
Turma do Xaxado (Cedraz)
Witch (Abril)

13) Publicação de Clássico
As Aventuras De Tintim – Explorando A Lua (Companhia Das Letras)
Corto Maltese – As Célticas (Pixel)
Krazy Kat – Páginas Dominicais 1925-1926 (Opera Graphica)
Marvel 40 Anos (Panini)
O Gaúcho (SM)
Turma Da Mônica – Coleção Histórica (Panini)
Um Contrato Com Deus E Outras Histórias De Cortiço (Devir)

14) Publicação de Humor
Escombros (Zarabatana)
Groo: Odisséia (Opera Graphica)
Humortífero (Opera Graphica)
Marusaku (Conrad)
Os Noivos Podem Se Beijar (Via Lettera)
Piratas do Tietê: A Saga Completa (Devir)
Tarja Preta (Independente)

15) Publicação Mix
Front – Ódio #18
Graffiti #16
Marvel Max
Irmãos Grimm em Quadrinhos
Pixel Magazine
Ragú # 6
Tarja Preta # 5

16) Publicação de Terror
A Serpente Vermelha (Zarabatana)
Black Hole (Conrad)
Courtney Crumrin & As Criaturas da Noite (Devir)
Death Note (Jbc)
Midnight Nation – O Povo Da Meia-Noite (Panini)
Preacher – Rumo Ao Sul (Pixel)
Zombie World – O Campeão Dos Vermes (Pixel)

17) Publicação Erótica
Chiara Rosenberg (Zarabatana)
Justine (Pixel)
Lost Girls (Devir)
Morango E Chocolate (Casa 21)
Mulheres (Zarabatana)
Revolução (Conrad)
Valentina Volume 2 – 66-68 (Conrad)

18) Revista de Aventura
Grandes Astros Superman (Panini)
J. Kendall – Aventuras De Uma Criminóloga (Mythos)
Lobo Solitário (Panini)
Mágico Vento (Mythos)
Marvel Action (Panini)
Pixel Magazine (Pixel)
Slam Dunk (Conrad)

19) Publicação de Tiras

Animatiras de Jean (Abril)
Benett Apavora! de Benett (Independente)
Livro Negro de André Dahmer (Desiderata)
Maakies de Tony Millionaire (Zarabatana)
Mais Preto No Branco de Allan Sieber (Desiderata)
O Mundo É Mágico – As Aventuras de Calvin & Haroldo de Bill Watterson (Conrad)
Talvez Isso… de Marcelo Campos (Casa 21)

20) Edição Especial Nacional
A Boa Sorte De Solano Dominguez (Desiderata)
A Relíquia (Conrad)
Fetichast: Províncias dos Cruzados (Devir)
Irmãos Grimm Em Quadrinhos (Desiderata)
Laertevisão (Conrad)
O Alienista (Agir)
O Corno Que Sabia Demais (Pixel)

21) Edição Especial Estrangeira
Antes do Incal – Volume 2 (Devir)
Asterix e a Volta Às Aulas(Record)
Fun Home – Uma Tragicomédia em Família (Conrad)
O Sonhador (Devir)
Persépolis Completo (Companhia Das Letras)
Planetary/Batman – Noite na Terra (Pixel)
Pyongyang – Uma Viagem à Coréia Do Norte (Zarabatana)

22) Minissérie
52 (Panini)
A Saga do Tio Patinhas (Abril)
Eternos (Panini)
Ex Machina – Símbolo (Pixel)
Fábulas – 1001 Noites (Pixel)
Guerra Civil (Panini)
Justiça (Panini)

23) Publicação sobre Quadrinhos
Crash (Editora Escala)
Jornal Graphiq (Independente)
Mundo dos Super-heróis (Editora Europa)
Neo Tokyo (Escala)
Revista Omelete (Mythos)
Tokyo Pop (NSP)
Wizmania (Panini)

24) Publicação Independente de Autor
Defensores da Pátria #1
Dinossauro do Amazonas #1
Homem-Grilo # 42
Lorde Kramus # 1
Menino Caranguejo # 1
Necronauta # 1

25) Publicação Independente de Grupo
Café Espacial #1
Nanquim Descartável # 1
Bongolé Bongoro # 2
Quadrinhópole # 4
Cão # 2
Garagem Hermética # 3
O Contínuo #6

26) Publicação Independente Especial
5
Contos Tristes
El Terrado
Música para Antropomorfos
Na Bodega
O Relógio Insano
Schem Há-Mephorash

27) Publicação Independente de Bolso
A Serpente e a Borboleta
De Bris
Juke Box # 4
Subterrâneo # 20
The Doors
Tulípio # 5
Zine Royale # 2

28) Projeto Gráfico
A boa sorte de Solano Dominguez (Desiderata)
Almanaque do Ziraldo (Melhoramentos)
Cidades Ilustradas São Paulo (Casa 21)
Estórias Gerais (Conrad)
Laertevisão (Conrad)
Piratas do Tietê vol.2 (Devir)
Sandman – Fim dos Mundos (Conrad)

29) Álbum de Aventura
300 De Esparta (Devir)
Bone – A Princesa Revelada (Via Lettera)
Corto Maltese – As Célticas (Pixel)
Invencível – Perfeitos Estranhos (Hq Maniacs)
Loki – Edição Especial Encadernada (Panini)
O Menino-Vampiro – Infância Maldita (Mythos)
Os Supremos – Edição Definitiva (Panini)

30) Publicação de Charges
As Galinhas #1 de Eduardo Prado (Independente)
Dálcio – Charges Publicadas entre 2003 e 2007 de Dálcio (Correio Popular)
Imbróglio Capixaba de Vários (Independente)
Ninguém Segura Caratinga de Vários (Independente)
Pasquim (Antologia 72-73) #2 (Desiderata)
Pizzaria Brasil de Cláudio (Devir)
Urubu de Henfil (Desiderata)

31) Publicação de Cartuns
Assim Rasteja A Humanidade de Allan Sieber (Desiderata)
Confesso de Marco Jacobsen (Independente)
Desenhos de Humor de Reinaldo (Desiderata)
Existe Sexo Após a Morte de Adão (Desiderata)
Jeremias, O Bom de Ziraldo (Melhoramentos)
Ninguém Segura Caratinga de Vários (Independente)
Onde Foi Que Eu Errei? de Rico (Independente)

32) Livro Teórico
Almanaque de Cultura Pop Japonesa de Alexandre Nagado (Via Lettera)
Desenhando Quadrinhos de Scott McCloud (M. Books)
Iconográfilos – Teorias, Colecionosmo e Quadrinhos de Agnelo Fedel (LCTE)
JAPOP – O Poder da Cultura Pop Japonesa de Cristiane A. Sato (NSP Hakkosha)
Love Hina Infinity (JBC)
Mulher ao Quadrado – As Representações Femininas nos Quadrinhos
Norte-americanos de Selma Oliveira (UNB/Finatec)
O Riso que nos Liberta de Wellington Srbek (Marca da Fantasia)

33) Tira Nacional
Animatiras de Jean Galvão
La Vie En Rose de Adão
Malvados de André Dahmer
Níquel Náusea de Fernando Gonsales
Piratas Do Tietê de Laerte
Quadrinho Ordinário de Rafael Sica
Salmonelas de Benett

34) Projeto Editorial
A Ciência Ri (UNESP)
Batman Crônicas vol. 1 (Panini)
Coleção 100% Quadrinhos (Graffiti)
Irmãos Grimm em Quadrinhos (Desiderata)
Krazy Kat – Páginas Dominicais 1925-1926 (Opera Graphica)
Laertevisão (Conrad)
São Paulo (Casa 21)

35) Animação
Disputa Entre o Diabo e o Padre pela Posse do Cênte-Fór na Festa do Santo Mendigo de Francisco Tadeu e Eduardo Duval
EngoleDuasErvilhas, de Marão
Garoto Cósmico de Alê Abreu
Juro Que Vi : Matinta Pereira de Humberto Avelar
Leonel Pé-de-Vento (Leonel The Flurry-Foot) de Jair Giacomini
Turma da Mônica – Uma aventura no Tempo de Maurício de Sousa
Yansan de Carlos Eduardo Nogueira

36) Exposição
400 Quadrinhos Franceses (Midiateca da Aliança Francesa), Niterói/RJ
Exposição “Oscar Niemeyer” (FIQ) Belo Horizonte/MG
Fierro – La Historieta Argentina (FIQ) Belo Horizonte/MG
Mangá: Como o Japão Reinventou os Quadrinhos (Metrô Clínicas) São Paulo/SP
Viajando em Quadrinhos pela França e Alemanha, Icaraí/RJ
Ziraldo – O Eterno Menino Maluquinho (Salão Carioca), Rio de Janeiro/RJ

37) Evento
25 Anos da Gibiteca de Curitiba (Gibiteca Curitiba)
2ª Semana de Quadrinhos (Ufrj)
2º Festival de Quadrinhos (Fnac Brasília)
4º Ilustra Brasil! (SIB)
5° FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos
Anime Dreams
Recife 12 Horas de Hq

38) Salão e Festival
1º Salão Internacional De Humor Pela Floresta Amazônica
15º Salão Universitário De Humor De Piracicaba
18º Salão Carioca De Humor
20º Salão De Humor De Volta Redonda
34º Salão De Humor De Piracicaba
3º Salão De Humor De Paraguaçu Paulista
IX Festival De Humor E Quadrinhos De Pernambuco

39) Adaptação para outro veículo
1º Salão Mackenzie De Humor E Quadrinhos – Documentário
300 – Filme
Carlos Zéfiro – Calendário (Cervejaria Devassa)
Homem Aranha 3 – Filme
Hqs – Quando A Ficção Invade A Realidade – Romance (Rosana Rios)
Três Irmãos De Sangue – Documentário
Turma Da Mônica – Uma Aventura No Tempo

40) Web Quadrinhos
Desvio – A. Moraes / Jean Okada: http://www.desvio.art.br
Dinamite & Raio Laser – Samuel Fonseca: http://www.dinamiteraiolaser.com.br/index.php
Linha do Trem – Raphael Salimena: http://linhadotrem.blogspot.com
Malvados – André Dahmer: http://www.malvados.com.br
Nicolau – Lucas Lima: http://www.lucaslima.com
The Major – Hector Lima / Irapuan Luiz / Michelle Fiorucci: http://www.themajor.org
Toscomics – Samanta Flôor: http://www.cornflake.com.br/cornflake/toscomics

41) Site sobre Quadrinhos
Bigorna – http://www.bigorna.net
Fanboy – http://www.fanboy.com.br
Guia dos Quadrinhos – http://www.guiadosquadrinhos.com
HQManiacs – http://www.hqmaniacs.com
MundoHQ – http://hq.cosmo.com.br
Omelete – http://www.omelete.com.br
Universo HQ – http://www.universohq.com

42) Blog sobre Quadrinhos
Blog do Universo HQ – http://universohq.blogspot.com
Blog dos Quadrinhos – http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br
Gibizada – http://oglobo.globo.com/blogs/Gibizada
Mais Quadrinhos – http://maisquadrinhos.blogspot.com
Melhores do Mundo – http://www.interney.net/blogs/melhoresdomundo
Projeto Continuum – http://projetocontinuum.blogspot.com
Zine Brasil – http://zinebrasil.googlepages.com

43) Blog / Flog de artista gráfico
Fabiano Gummo – http://fgummo.blogspot.com
Grafar – http://grafar.blogspot.com
Gustavo Duarte – http://mangabastudios.blog.uol.com.br
Luigi Rocco – http://roccoblog.zip.net
Rafael Coutinho – http://raffa-bingo.blogspot.com
Rafael Grampá – http://furrywater wordpress.com
Solda – http://cartunistasolda.blogspot.com

44) Site de Autor
André Caliman – http://www.andrecaliman.com
Daniel Gisé – http://www.danielgise.com
Jozz – http://www.jozz.com.br
Julia Bax – http://www.juliabax.com
José Aguiar – http://www.joseaguiar.com.br
Leonardo Pascoal – http://www.leonardopascoal.com
Lorde Lobo – http://www.lordelobo.com.br

45) Articulista de Quadrinhos
Álvaro de Moya (Revista Abigraf)
André Morelli (Mundo dos Super-heróis)
Eduardo Nasi (UniversoHQ)
Gonçalo Júnior (Revista Cult, Bigorna)
Marcus Ramone (UniversoHQ)
Paulo Ramos (Blog dos Quadrinhos do UOL)
Télio Navega (O Globo/Gibizada)

46) Editora do Ano
Conrad
Desiderata
Devir
JBC
Panini
Pixel
Zarabatana


UM GÊNERO INOMINÁVEL

sexta-feira | 23 | maio | 2008

Como no livro “O Inominável”, de Beckett, certas coisas simplesmente não podem ser definidas, porque não há nome que as contenha (e acaso existe nome que contenha inteiramente aquilo que é nomeado? Pausa para reflexão). A idéia se aplica com perfeição a uma nova vertente da literatura fantástica.

Em termos de literatura, essa nomeação é de caráter quase adâmico: imposta quase sempre de cima para baixo, ou seja, das editoras para os autores, sem interferência destes. Estou me referindo à classificação do livro em determinada categoria, ou gênero literário. No Brasil, ao contrário dos Estados Unidos ou da Europa, não se nomeia o gênero na lombada do livro – mas isso não impede que a editora classifique o livro e anuncie essa classificação por intermédio de sua assessoria de imprensa e das estantes das livrarias.

(Isso nem sempre funciona a contento – vide o caso, já antigo, de “Marte”, de Fritz Zorn, um livro contendo as reflexões de seu autor, um homem que estava prestes a morrer de câncer; “Marte”, publicado pela editora Nova Fronteira e classificado apenas como literatura estrangeira, foi encontrado por este que vos digita em diversas livrarias na seção de Ficção Científica, evidentemente por causa de seu título, digamos, espacial, embora a referência de Zorn no título fosse mitológica.)

A ficção científica, aliás, é um dos gêneros mais afetados por esse tipo de equívoco editorial ou livreiro. Livros como “Terroristas do Milênio”, de J.G.Ballard (uma tradução infeliz para “Millennium People”, muito mais sutil) e “Shikasta”, da recém-Nobelizada Doris Lessing, são assumidos como ficção científica por seus autores, mas nem sempre são vendidos como tal; talvez porque eles sejam conhecidos como, digamos, escritores mais polivalentes, que não jogam apenas no campo da FC (o que não é verdade com Ballard, que já cansou de declarar que tudo o que escreve é ficção científica e ponto final, embora a Companhia das Letras insista em ignorar isso, como se fosse uma praga).

E quando isso acontece do lado dos escritores? Foi assim com o Movimento Cyberpunk em 1984, uma revolta imposta pela “classe operária” da ficção científica, ou seja, os próprios autores, como William Gibson e Bruce Sterling. O movimento desta vez foi de baixo para cima, mas rapidamente caiu no gosto da mídia e gerou uma revolução que até hoje ressoa no imaginário popular (“Matrix” que o diga).

De lá para cá, a indefinição pós-moderna de barreiras não fez muito mais que gerar clones de histórias de Gibson e cópias do filme dos irmãos Wachowski. É o que costuma acontecer com todo movimento, dos hippies aos punks, e com os cyberpunks não seria diferente: a cooptação pelo establishment.

Esse tipo de situação às vezes provoca incômodos entre os mais xiitas (no caso dos punks, só não provocou incômodo para Malcolm McLaren, que já criou os Sex Pistols pensando na grana, mas esta é outra história). No entanto, a cada época o que lhe é de direito: se no tempo dos cyberpunks, os anos 1980, ainda existia uma certa ingenuidade do tipo “fight the power”, “rage against the machine” e congêneres, hoje parece que isso deu lugar a uma ironia corrosiva – e não necessariamente saudável ou producente.

Talvez por isso os novos “movimentos” que tenham surgido nos últimos anos não tenham tido lá muita vontade de se considerarem como tais. Surgem novos e talentosos autores, que expandem as barreiras do gênero, e os editores fazem a sua parte: buscam rótulos para categorizá-los segundo a classificação de Dewey ou a classificação bem menos rigorosa e atenta das livrarias. Esta situação viu passar nos últimos 15 anos autores como Neal Stephenson, Charles Stross, Alastair Reynolds, China Miéville, Cory Doctorow, Steph Swainston e muitos, mas muitos outros mesmo.

Vários destes autores deram a volta na revolução cyberpunk promovendo revoltas silenciosas e de-um-autor-só; assim, desde 1992, nasceram diversos movimentos como subgêneros dentro da ficção científica: o pós-cyber, do qual “Snow Crash” é o representante máximo, a New Space Opera, que tem entre seus principais defensores John Scalzi e Alastair Reynolds, e a New Weird Fiction, que, de todos esses movimentos, é o mais organizado. Primeiro, por conta de revistas como a quase centenária revista Weird Tales, que publicou nos bons tempos da pulp fiction contos de autores hoje clássicos, como H. P. Lovecraft e Robert E. Howard (este, criador de Conan, o Bárbaro); segundo, porque seus autores têm trocado idéias nos últimos anos de um jeito e com uma intensidade que não se via desde os tempos do cyberpunk.

O segundo motivo eu tenho em minhas mãos agora: a coletânea “The New Weird”, editada por Ann e Jeff VanderMeer. O livro promove uma revolução saudável e adequadamente bizarra: para os editores, o casal Ann e Jeff VanderMeer (ela se tornou recentemente editora da Weird Tales e ele é editor e escritor de primeira – confiram aqui a novela kafkiana “The Situation”, que a Wired disponibilizou de graça), o Movimento New Weird propriamente (se é que houve realmente um movimento) já acabou. O que não quer dizer que seus autores e histórias não estejam cada vez mais fortes.

Paradoxo? Talvez. Mas o paradoxo não é o paradigma do pós-moderno, ou melhor, da modernidade líquida, segundo Bauman? É o que as suculentas 403 páginas do livro demonstram.
O livro “The New Weird” é um verdadeiro estudo de caso: dividido em várias seções, ele analisa os precursores recentes (sem deixar de mencionar seus representantes mais famosos, como Lovecraft e Howard, ou Mervyn Peake, autor da trilogia “Gormenghast”, escrita na década de 1950, que promove uma revolução na fantasia tolkieniana até então vigente) como M. John Harrison, autor de “Viriconium” e dos recentes “Light” e “Nova Swing” (este último ganhador do Arthur C. Clarke Award de 2007), que começou a escrever na década de 1970. Juntamente com Michael Moorcock (este o principal articulador da New Wave britânica de FC dos anos 1960, outro exemplo de revolução midiática criado pelos próprios autores) e Clive Barker, clássico do horror, mas que produziu contos mais estranhos do que assustadores – ou talvez assustadores porque estranhos, no sentido proposto pelo formalista russo Viktor Chklovski, que criou o neologismo ostraniene, ou estranhamento.

Em seguida, somos apresentados aos autores da nova safra, como China Miéville, autor do já clássico “Perdido Street Station” (que, por sua riqueza narrativa e imaginativa daria por si só um ou mais artigos, mas esta também é outra história), Jeffrey Thomas, autor do ótimo “Deadstock”, Jay Lake, K.J. Bishop, a finlandesa Leena Krohn (cujo conto está traduzido do finlandês, mostrando que, ao contrário da paranóica administração Bush, os americanos que escrevem FC não têm o menor preconceito contra quem vem de outras terras), e uma das maiores autoras do gênero no momento, a inglesa Steph Swainston.

Depois, somos brindados com uma seção de Simpósio:, que contém artigos de editores europeus sobre o New Weird e algo que não existia (não como conhecemos hoje) na época de “Neuromancer”, nem nunca foi feito na antologia máxima do movimento, “Mirrorshades”: um resumo de uma lista de discussão onde os autores procuraram, em 2003, definir o que seria esse tal de New Weird. Uma discussão nem sempre totalmente ponderada, mas que também não descamba para uma discussão acirrada. O foco continua fixo ao longo da discussão e, se não sabemos exatamente o que pode ou deve ser considerado New Weird, ao menos saímos dessas páginas entendendo um pouco mais sobre o que não é New Weird (exatamente o que acontece com todos aqueles que tentam fixar limites sobre a ficção científica, esse gênero tão elusivo).

Ao final do volume, uma surpresa: uma round-robin, ou seja, uma história escrita em parceria onde a regra principal é que um autor cria uma premissa e os seguintes vão desenvolvendo da forma mais coerente possível, mas sem noção de como ela deve terminar. A história, que mistura cidades e criaturas bizarras com terrorismo, termina de forma muito brusca, mas a Tachyon Publications, editora do livro, fornece gratuitamente um final alternativo em seu site (mas atenção: não vale ler se você não tiver lido a história toda no livro; você não vai entender nada)

Como dito antes na resenha de “Brasyl”, quem não faz leva. Mas aqui o puxão de orelha não é para os autores, e sim para os editores. Já está mais do que na hora de alguém perceber que FC é literatura adulta e de qualidade, e The New Weird é prova mais que suficiente disso.
>> CIBERCULTURA – Por Fábio Fernandes – Maio/2008


CONHEÇA A GUERRA DOS TRONOS, DE GEORGE. R.R. MARTIN ATRAVÉS DE DAENERYS, A MÃE DOS DRAGÕES

sexta-feira | 23 | maio | 2008

Se fosse um livro em papel, Daenerys, A Mãe dos Dragões, seria o maior best-seller da editora portuguesa Saída de Emergência. Já foram ultrapassados os 25.000 downloads! Faça o seu clicando aqui
Daenerys, A Mãe dos Dragões é um eBook gratuito, da autoria de George R. R. Martin, e que nos conta a história de uma jovem princesa exilada, e da luta que tem de travar, não só para recuperar o seu trono, mas também a sua dignididade. Daenerys, a última descendente da dinastia Targaryen, antigos senhores dos Sete Reinos. Exilada pelo Usurpador, Daenerys terá que crescer mais depressa do que seria normal para uma menina da sua idade. E em vez do luxo destinado aos senhores dos Sete Reinos, terá que experimentar as agruras da fuga, da carência, das tentativas de assassinato, do casamento forçado…

Daenerys, A Mãe dos Dragões é uma coletânea dos capítulos dedicados a esta personagem, presentes em A Guerra dos Tronos, a mais fantástica, elogiada, premiada e vendida série de fantasia da actualidade. Segundo a revista Locus: “A Guerra dos Tronos é a obra-prima da fantasia moderna e reúne o que de melhor o género tem para oferecer: magia, mistério, intriga, romance e aventura.”

Entrevista com George R. R. Martin
Eu sempre gostei de ler entrevistas com George R. R. Martin. Não porque ofereçam aspectos informativos relevantes sobre a sua (sim, também existe no fantástico épico) brilhante série As Crónicas de Gelo e Fogo, que, devido às suas múltiplas perspectivas e ocasional narrativa subtil, oferece a hipótese de se ser exposto a informação provocativa, bem como a oportunidade de se ser levado ao longo de elaboradas pistas falsas, como ele tão bem frisou ao falar do enredo e das personagens de uma forma mais específica. Também não tem a ver com qualquer tipo de tendência de Martin para ser controverso nas suas afirmações.

Aquilo que tão estranhamente me fascina é que, quando leio entrevistas com Martin, crio esta imagem de um escritor ocupadíssimo que preferiria mil vezes fazer qualquer outra a falar sobre si próprio enquanto tem um livro por ser terminado, e caramba… há algo de admirável nisso. Um autor que não precisa de publicidade, e que em vez de abrandar um pouco – satisfeito por ter alcançado o seu objectivo – ainda vai a meio da sua obra máxima, talvez até a obra máxima dentro do subgénero épico em si, trabalhando naquela que, possivelmente, será a obra mais aguardada dentro da sua área no próximo ano.

Na entrevista, perguntei a Martin o que é que ele achava que separava o seu trabalho do de outros no seu subgénero, e embora ele tenha evitado o assunto graciosamente (ou me tenha enviado para o Inferno – lembrem-se, ele é o mestre de perspectivas), eu sempre achei que o que separa o trabalho dele é o facto de a interacção entre o fã e a história contada não ter sido esquecida. Não há qualquer outra série contemporânea – talvez até em toda a história do género – que tenha provocado um debate tão grande acerca da própria história narrada. Há mais teorias excêntricas bem desenvolvidas nesta série do que enredos lógicos em dezenas de outras séries combinadas. É este entusiasmo quase epidémico, e a sua própria consciência do mesmo, que, na minha opinião, melhor mostram quão único Martin é.

Martin não precisa de criar polémica nem de aparecer em qualquer outro que não as prateleiras de livrarias de forma a ser o mais debatido autor de fantástico, cuja audiência não seja maioritariamente representada por crianças. Tal característica define o sumo elemento por que todos os autores deveriam ansiar, o elemento que mantém um livro ou uma série de livros na mente do leitor após a página final ter sido virada.

Dito isto, enquanto esperamos pelo quinto volume, A Dance with Dragons, e numa altura em que alguns, de forma a acompanharem a série, acabaram de comprar a edição económica de A Feast for Crows, lançada pela Voyager há bem pouco tempo, deixo-vos com uma edição algo resumida da entrevista com George R.R. Martin.

Jay Tomio: De onde veio a ideia que o levaria a escrever uma sequência épica, em vários livros, que seria contada através de múltiplas narrativas?
George R.R. Martin: Isso gostava eu de saber. Para dizer a verdade, eu estava a trabalhar num novo romance de FC em 1991 quando o primeiro capítulo de A Guerra dos Tronos – o capítulo onde Brad cavalga com o seu pai até ao local onde um homem vai ser decapitado, e onde eles encontram as crias de lobo na neve – me surgiu certo dia, de uma forma tão vigorosa e vívida que eu soube de imediato que tinha de deixar o outro romance para o escrever. Nessa altura, eu não fazia a mais pequena ideia de que seria uma obra com múltiplos volumes. Apenas sabia que tinha de passar tudo para o papel. A presente estrutura dos livros Gelo e Fogo, com os seus vários pontos de vista e enredos entrelaçados, foi inspirada pela estrutura aberta dos livros Wild Cards, que tenho vindo a editar e escrever desde 1985. Muitos dos livros Wild Cards são romances em mosaicos, onde cada um dos escritores conta a história da sua própria personagem, juntando eu em seguida tudo. É uma espécie de filme de Robert Altman, mas em prosa. Estruturalmente falando, os livros Gelo e Fogo são Wild Cards, onde eu escrevo todas as partes.

Numa entrevista recente, fez um comentário que, na minha opinião, foi bastante preciso relativamente ao crescimento do género – mais precisamente, à quantidade crescente de livros publicados actualmente – ter afectado negativamente o género. Isto porque, embora a variedade seja, de facto, algo positivo, a base de fãs tem vindo a tornar-se bem mais exclusiva dentro de cada subgénero, em vez de serem fãs de Fantástico e de Ficção Científica, coisa que também comentou: “O Fantástico e a Ficção Científica separaram-se, uma tendência que, a meu ver, é particularmente triste”. Acha que isto foi resultado de edição/marketing ou terá sido meramente uma reacção por parte destes de forma a seguir a mudança da base de fãs, e, assim sendo, o que associa à causa desta mudança?
A meu ver, as diferenças entre FC e o Fantástico são bem menos importantes do que as coisas que têm em comum. Não foi por acaso que ambos os subgéneros partilharam prateleiras durante décadas a fio, ou que escritores como Jack Vance, Paul Anderson e L. Sprague de Camp mudassem fácil e alegremente de um para o outro no decorrer das suas longas carreiras. Tanto a FC como o Fantástico são variedades de literatura imaginativa proveniente da tradição romântica. Há fãs que apenas lêem FC e ignoram o Fantástico, e o mesmo se passa ao contrário. Aliás, são os suficientes para que as editoras pareçam decididas a construir muros entre os dois subgéneros, de forma a satisfazer os seus preconceitos, chegando em alguns casos a dizer aos novos escritores de FC que têm de mudar de nome se quiserem escrever Fantástico. Isso é um completo disparate.

A sequência de As Crónicas de Gelo e Fogo desfrutou de verdadeiro sucesso, nada de atípico numa série épica de Fantástico. No entanto, aquilo que, de facto, se distingue é o facto de o George ter conseguido tornar-se uma espécie de excepção no que se refere a ser aceite pela crítica dentro do círculo do Fantástico. O que considera haver neste trabalho que proporcione este passaporte que pode, ou não, estar presente noutros trabalhos dentro do subgénero?
Sou a pessoa errada para responder a essa pergunta, que deveria ser dirigida à crítica. Um escritor nada mais pode fazer do que tentar produzir a melhor obra possível, e esperar que a mesma seja bem aceite. Não adianta nada estar sentado à espera da “aceitação por parte da crítica” ou da falta desta.

Recentemente, um artigo da TIME consagrou-o ” o Tolkien americano”. Teve conhecimento dessa afirmação antes da sua publicação? Qual foi a sua reacção?
Eu sabia que a TIME poderia publicar uma crítica, mas até eu ter lido o artigo eu não fazia ideia do que iam dizer. Quando o fiz, fiquei entusiasmado. O Tolkien é o pai do fantástico moderno, e um dos grandes escritores do século XX. Para mim, ele foi uma influência enorme, quando eu me deparei pela primeira vez com O Senhor dos Anéis, ainda andava eu na escola. Eu e ele somos escritores muito diferentes, disso não há dúvida, ma ao mesmo tempo senti-me tremendamente satisfeito e lisonjeado pelo rótulo “Tolkien Americano”.

Permita-me lançar aqui uma pergunta fútil, uma que lhe será perguntada 1000 vezes mais em 2006. Como vai a escrita de A Dance with Dragons?
Uma página de cada vez.

Lisonjeia frequentemente o trabalho de Vance, e penso que se pode ver pequenos reflexos de influência em Tuf Voyaging. O que é que distingue Vance dos outros na sua mente, tornando-o igualmente eficaz no Fantástico e na Ficção Científica (e, já agora, no mistério)?
O seu estilo. A sua imaginação. A forma como combina as palavras. A sua criatividade para nomes, para a língua. Ninguém escreve como Jack Vance. Ele é único.

Tornou uma regra sua não falar de outros autores, contudo tenta destacar alguns escritores novos dentro do panorama. Recentemente, fez comentários positivos acerca de dois que já li e gostei, Daniel Abraham, cujo livro de estreia, A Shadow in Summer, foi publicado recentemente, e Scott Lynch, cuja obra de estreia, The Lies of Locke Lamora, foi publicada este mês. Num género que tem demasiadas publicações, o que é que, para si, separou estes trabalhos dos restantes?
A qualidade dos mesmos. Enviam-me vários trabalhos, e tento pelo menos passar uma vista de olhos em todos. Em alguns casos, basta-me ler um ou dois capítulos para saber se é simplesmente mais do mesmo numa caixa diferente, mas o Abraham e o Lynch captaram-me a atenção logo na primeira página, e a partir daí eu já não consegui parar. Havia uma frescura no trabalho deles que eu não encontro em muitos dos livros que me enviam… para além de personagens que me agradaram.

Em 1982, numa resposta acerca da troça de Dish sobre Labor Day Group, o George disse: “A divisão entre ficção popular e literária é recente e odiosa”. 25 anos mais tarde, as mesmas discussões parecem implacáveis no género. Acha que agora está pior, ou era pior antes? A sua posição mudou?
A minha posição não mudou, não. Penso que, de facto, houve alguns sinais que mostram uma tendência para a divergência baixar, ao longo das últimas décadas. Jornais e revistas importantes mostram-se agora mais disponíveis para fazer críticas a obras de FC e de fantasia do que há vinte anos. Michael Chabon ganhou o Pulitzer com The Adventures of Kavalier and Clay, Stephen King ganhou o National Book Award, e o Tolkien destacou-se em vários inquéritos acerca das obras mais importantes do século XX. Não pretendo de forma alguma com isto dizer que a divisão deixou de existir, mas parece-me que estamos na direcção certa.

Comentou já acerca das dificuldades associadas à publicação de A Feast for Crows, que se deveram a várias razões. O que mais lhe agradou no livro, no que se refere ao desenvolvimento de personagens e do enredo terem resultado melhor do que esperava?
Estou demasiado ligado ao livro para poder avaliá-lo de uma forma objectiva. Pergunte-me de novo dentro de vinte anos, e pode ser que eu tenha uma resposta para si.

As histórias Dunk and Egg, que estão para vir, já têm editora?
Ainda não as acabei, infelizmente. Mas assim que as acabe, não me parece que vá ter muito problemas em entregá-las a uma editora. Já recebi várias propostas aliciantes.

The Ice Dragon vai ser reeditado, e eu pergunto-me se haverá planos para mais ficção curta (sem ser Dunk and Egg), seja a nível de trabalhos novos ou reedições no futuro?
A nova edição de The Ice Dragon é uma versão para jovens adultos ilustrada pela magnífica artista britânica Yvonne Gilbert. Há décadas que a minha dama, Parris, me vinha dizendo que The Ice Dragon daria um fabuloso livro para crianças, e por fim ouvi-a. Esperamos que o livro ajude a apresentar o meu trabalho a uma nova geração de leitores, que depois crescerão e tentarão ler as minhas outras histórias. No entanto, é provável que seja um acontecimento único. The Ice Dragon necessitou penas de ser ligeiramente editado de forma a adequar-se a leitores mais novos, mas essa facilidade não se verifica com qualquer outra das minhas histórias, por isso, este pode bem ser o meu único trabalho para jovens adultos.
No entanto, para leitores adultos, tenho, de facto, uma edição britânica da minha enorme colecção: GRRM: A RRetrospective, publicada inicialmente pela Subterranean Press, em 2003, sendo em seguida publicada pela Gollancz sob o título Dreamsong. São cerca de meio milhão de palavras da minha ficção curta, peças escritas para televisão e autobiografia.

Agora a grande questão! Pode prometer a um fã leal que Bronn vai sobreviver?
Lamento. Ninguém está a salvo nos meus livros.
>> SAIDA DE EMERGÊNCIA – por Jay Tomio