CONHEÇA A SÉRIE ‘CRUSOE’

 
A NBC se prepara para estrear a série “Crusoe” no dia 17 de outubro com um filme piloto de duas horas de duração. O canal Fox já divulgou que comprou os direitos de exibição da série no Brasil, mas ainda não agendou uma data de estréia.

Com base na obra literária “Robinson Crusoe”, de Daniel Defoe, a série conta com a co-produção da Power, uma produtora inglesa independente, da Moonlighting, da África do Sul, e da Muse, do Canadá. Estão programados 13 episódios iniciais que estão sendo filmados em Londres, York, e na África do Sul. Ao que me consta, esta é a terceira produção de série americana a ser filmada no continente africano, sendo o filme de “24 Horas” e a minisérie “O Prisioneiro”, as outras duas.

Estrelada por Phillip Winchester, Tongayi Chirisa, Anna Walton, Sam Neill, Sean Bean, a série pretende fazer uma adaptação moderna do clássico da literatura. Considerada a história do Século XVIII sob a lente do Século XXI, a produção irá retratar Crusoe em dois momentos paralelos: sua vida na Inglaterra onde conheceu e se casou com Susannah, bem como sua relação com seu mentor, Jeremiah Blacktorp, até sua partida em um navio. O outro momento é sua vida como náufrago em uma ilha.

A comparação narrativa com “Lost” será inevitável, mas os fãs desta produção deverão levar em conta que ela não introduziu esta estrutura nas séries de TV, embora atualmente, seja a mais famosa e com certeza será apontada como referência. Foi “Kung Fu” em 1972 que introduziu a narrativa parelela do passado e presente em uma trama fixa, na qual apresentava dois momentos da vida de Kwain Chang Cane. uma em um templo e outra no velho oeste.

De qualquer forma, a história do personagem se apoiará em uma obra literária publicada em 1719, na qual temos um homem que sofre um naufrágio e se vê perdido em uma ilha tropical por 28 anos. Lá, faz amizade com Sexta-Feira, um nativo que lhe serve de companhia e que o ajuda a manter a sanidade mental. Os produtores divulgaram que pretendem unir elementos de “Profissão: Perigo/MacGyver”, “O Náufrago” e “Piratas do Caribe” para desenvolver as aventuras na Ilha. Isto porque o personagem irá encontrar as mais diversas dificuldades para se manter vivo em uma ilha sem qualquer traço da civilização, além de enfrentar piratas e outros inimigos que deverão surgir ao longo da história.

A história foi escrita com base em várias referências, como a da experiência vivida por Alexander Selkirk, um escocês que se tornou náufrago em uma ilha do Pacífico por quatro anos; o livro “Philosophus Autodidactas”, situada em uma ilha deserta, também é apontado como influência de Defoe para a crianção de “Robinson Crusoe”. E ainda existe um outro livro, “An Historical Account of the Island Ceylon”, biografia de Robert Knox sobre seu período vivido em uma ilha.

De qualquer forma, “Robinson Crusoe” se tornou um clássico apontado como manifesto do desenvolvimento da civilização, da economia individual e da colonização eruopéia. Seu sucesso inspirou um novo gênero, o robinsonismo, que influenciaria o surgimento de outras obras literárias, como “A Família Robinson Suíça/The Swiss Family Robinson”, escrita por Johann Wyss em 1812, e ainda “Viagens de Gulliver/Gulliver´s Travels”, publicada em 1726, que faz referência à Robinson Crusoe.

Na história original, Crusoe é um jovem inglês que embarca em uma viagem no ano de 1651, contrariando sua família que deseja que ele fique em Londres e crie raízes. Ele sofre um naufrágio, mas é resgatado. Ainda buscando novas aventuras, Crusoe embarca em uma outra viagem. Desta vez, o navio é atacado por piratas e Crusoe é feito escravo. Ele escapa juntamente com um garoto e retorna ao continente. Sem desistir de suas viagens, Crusoe conhece o capitão de um navio português na costa africana que está de partida para o Brasil onde entregará alguns escravos. Assi, Crusoe chega ao Brasil onde se torna proprietário de uma plantação. Mas a vida sem aventuras não lhe agrada e ele parte novamente em um outro navio de escravos.

É este que naufraga durante uma tempestade no ano de 1659, tornando-se o único sobrevivente em uma ilha. Depois de conseguir resgatar partes da estrutura do navio, ele consegue construir sua nova morada. Logo aprende a sobreviver com o que a ilha oferece e se torna um homem religioso. Anos mais tarde, ele descobre que não vive sozinho na ilha. Ela é visitada por uma estranha tribo de canibais que realiza ali o ritual de matar e comer prisioneiros. Quando um dos prisioneiros escapa, Crusoe o ajuda a se esconder. Ele o batiza de Sexta-feira, dia da semana em que se conheceram, e o ensina a falar seu idioma, convertendo-o ao cristianismo.

A Família Robinson Suíços

Pelo elenco da série, a história deverá seguir esta linha narrativa, já que está presente o ator português Joaquim de Almeida, que tem feito vários trabalhos internacionais, incluindo Hollywood. Ele interpretou Salazar no terceiro ano da série “24 Horas”.

Esta será a primeira vez que a obra “Robinson Crusoe” será retratada em uma série de TV, ou mesmo minisérie, americana. A história já tinha sido transformada em série pela TV da Bélgica em 1980, com “Robinson Crusoe”; em minisérie pela TV francesa em associação com a TV alemã, em 1964 com “Les Aventures des Robinson Crusoe”, em três episódios.

O mais próximo que a TV americana chegou foi na adaptação da obra “The Swiss Family Robinson”, com a série “A Família Robinson”, produzida por Irwin Allen em 1975 e que ganhou um remake em 1998. Ou mesmo a adaptação da idéia, com séries como “Perdidos no Espaço”, “Terra de Gigantes”, ambas de Irwin Allen”, ou ainda “A Ilha dos Birutas/Gilligan´s Island” todas dos anos 60, chegando aos dias de hoje com “Lost”. Uma obra escrita no século XVIII e que conseguiu sobreviveu ao tempo e às novas mídias.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim

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