‘STARGATE UNIVERSE’: POSTER E NOVO SPOT

sexta-feira | 31 | julho | 2009

Stargate UniverseA
O SciFi Channel divulgou novos pôsteres de Stargate Universe, nova série de ficção científica passada no universo Stargate, que no ano passado viu o seriado Atlantis cancelado por baixas audiências. Clique aqui para conferir a galeria de imagens.

Aproveite para conferir um novo spot de TV de apresentação da série disponibilizado pelo site MovieWeb clicando aqui.

A franquia Stargate teve início com um filme homônimo para os cinemas em 1994. No filme, um portal estelar é descoberto em escavações no Egito, Com a descoberta deste Stargate, vem também a revelação de que os deuses egípcios eram na verdade alienígenas.

Em 1997 estreou a série Stargate SG-1, retomando a aventura após os acontecimentos do filme, agora mostrando a principal de várias equipes que exploram diversos planetas através do Stargate. Conquistando vários amigos e ainda mais inimigos, a equipe logo descobre que a Terra ainda é ameaçada por diversas raças alienígenas e que não só os deuses egípcios têm origens extraterrestres.

A série foi um grande sucesso, tendo durado 10 temporadas, além do spin-off Stargate Atlantis, que estreou em 2004 e durou cinco temporadas. A trama de Stargate SG-1 foi concluída em dois filmes lançados diretamente em DVD. Agora em 2009 chega a vez de uma terceira série, Stargate Universe.

Stargate Universe segue um grupo de soldados, cientistas e civis que têm que se virar por conta própria ao serem forçados a passar por um Stargate quando sua base secreta é descoberta. Os sobreviventes, apavorados, aparecem em uma velha nave, que está com um curso desconhecido programado e é incapaz de voltar para a Terra.

Confrontados com problemas básicos como falta de água, comida e ar, o grupo tem que descobrir os segredos do Stargate da nave para sobreviver. As provações que enfrentarão à bordo vão revelar quem são os verdadeiros heróis e vilões do grupo. No elenco estão Robert Carlyle e Lou Diamond Phillips, entre outros. O site da franquia, em inglês, pode ser conferido clicando aqui.
>> HQ MANIACS – por Carlos Costa


‘PRINCE OF PERSIA’: VEJA NOVAS IMAGENS

quarta-feira | 29 | julho | 2009

Principe da PersiaA
O site Empire Online divulgou novas imagens de Prince of Persia: The Sands of Time (Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo), adaptação cinematográfica do famoso jogo clássico. As novas fotos trazem o príncipe Dastan e a princesa Tamina, além de cliques do set de filmagens. Clique aqui para conferir a galeria completa de imagens.

A produção da Disney conta com os atores Jake Gyllenhaal, Gemma Arterton, Alfred Molina, Ben Kingsley e Toby Kebbell.

Gyllenhaal interpreta o príncipe Dastan, que precisa se aliar com a princesa Tamina para impedir que um vilão tome posse das Areias do Tempo, um artefato que permite a manipulação do tempo e o dominio do mundo.

A direção é de Mike Newell e a estreia está prevista para 28 de maio de 2010 nos EUA e 4 de junho de 2010 no Brasil.
>> HQ MANIACS – por Carlos Costa

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CULTURA STEAMPUNK: UMA GALERA QUE VEM GANHANDO FORÇA NA INTERNET E EM OUTROS ESPAÇOS DA MÍDIA

quarta-feira | 29 | julho | 2009

Steampunk_conselho

Estilo vintage, máquinas do final do século XIX
ou retrofuturismo são apenas algumas das suas características

O movimento Steampunk nasceu nos Estados Unidos, no final dos anos 80, como uma vertente do movimento cyberpunk (que se relaciona à internet). Segundo Bruno Accioly, co-fundador do Conselho Steampunk, uma vez que o CyberPunk era um sub-gênero da ficção científica, que se ambientava em uma sociedade de alta tecnologia, o SteamPunk se ambienta em uma realidade marcada pelo uso do Vapor (Steam), e isso fez com que muitos escritores batizassem suas obras com esse nome e as incluíssem nesse gênero.

Emerson Bohrer, atual Presidente da Sociedade Brasileira de Steampunk conta que Bruce Sterling iniciou o movimento Cyberpunk, liderando a ideologia, graças a seu fanzine “Verdade Barata”. Em seguida autores como William Gibson, John Shirley, Rudy Rucker, Michael Swanwick, Pat Cadigan, Lewis Shiner, Richard Kadrey F. também foram “credenciados” como Cyberpunk. Quando perguntado sobre o que é ser steampunk,William Wexford, conhecido na internet como “o poeta inexistente”disse: “O steampunk não é uma tribo, não é como ser punk ou gótico. Ele está muito mais voltado à apreciação de uma cultura e estilo próprio, não com uma ideologia social. Ser Steampunk é apreciar essa cultura”, conclui.

Em outras palavras, segundo Emerson Bohrer, Steampunk é ser um amante dos bons costumes, se libertar das linhas de montagens dos produtos de massa. É trazer tudo da literatura, costumes e das grandes descobertas e invenções do século XIX a um futuro que não tem mais identidade. É gostar de objetos com aspecto de antigos, mas com tecnologias modernas. É resgatar todo o romantismo e etiqueta do passado e injetá-lo ao estéril século XXI, onde se tem tecnologia e às vezes sem nenhuma identidade.
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Ídolos
São inúmeros os ídolos que inspiram os seguidores dessa nova cultura. Cada “steampunk” tem um ícone da tecnologia, da literatura ou da Era Vitoriana como referência. O presidente da Sociedade Brasileira de Steampunk acredita que “os mais cultuados entre os iniciantes são Julio Verne e, nas ciências, quase todos os inventores em especial Nicola Tesla e Thomas Edson”.

“Por conta de o sub-gênero SteamPunk ser atribuído até mesmo a autores que já existiam antes do termo ter sido cunhado, como Julio Verne e H.G.Wells, muitos dos autores adorados não são contemporâneos e boa parte da literatura Vitoriana, de alguma forma, nos inspira interesse. A maior parte dos ídolos dos Steamers (outro nome para os steampunks) são autores, mas há uma tendência clara para a adoração da obra, acima do autor, a meu ver. É o caso de livros como “20 mil Léguas Submarinas”, “A Máquina do Tempo”, “Bússola Dourada”; filmes como “Liga Extraordinária”, “SteamBoy”, “Van Helsing” e “A Cidade das Crianças Perdidas”; quadrinhos como “Girl Genious”, “Steam Detectives” e “Iron West”; e até mesmo bandas, como é o caso de Abney Park. Isso dá um caráter importante a cultura, uma vez que a enraíza no imaginário do entusiasta através não só do entretenimento, mas do despertar da curiosidade a respeito da história”, salienta Bruno Accioly.

É importante explicar que a adoração ao escritor Julio Verne vêm do tema de suas histórias. Isso ocorreu porque ele, tecnicamente, é considerado pelos seguidores dessa cultura um visionário, que em seus contos descreveu máquinas fantásticas, construiu em seus sonhos personagens e aparatos tecnológicos que segue bem o estilo Steampunk, ou seja, construiu coisas do futuro com a tecnologia do século XIX.

Moda Steampunk
Bruno Accioly, co-fundador do conselho steampunk, afirma que “essencialmente a moda desse grupo passa pela época vitoriana, jaquetões, chapéus, cartolas, coletes, gravatas com nós elaborados, trajes formais, corpetes, blusas de tecidos rústicos ou até bastante sofisticados e com um cuidado barroco em sua confecção. O SteamPunk é mais que um retorno à Era Vitoriana. Trata-se de um retorno à uma época que jamais aconteceu. Como se, no Século XIX, o Homem tivesse conseguido alçar voos muito maiores somente com o uso do vapor e da eletricidade. Por conta disso, muitos dos acessórios são profundamente excêntricos e se pode ver pessoas equipadas com desconcertantes armas de raios, bengalas a vapor, cartolas ornadas com bobinas elétricas e muitos outros objetos deslocados no tempo, quase todos em couro, latão e bronze”, conclui.

Música
A música steampunk tem um aspecto bem peculiar, que assim como o movimento ainda está em permanente mutação e refinamento para distinguir-se de outros estilos. “Basicamente é uma mistura de Industrial, Techno, Gótico, Música Oriental, Modinhas Vitorianas. E claro… Rock”, assegura Emerson, Presidente da Sociedade Brasileira de Steampunk. William Waxford, o poeta inexistente, cita como referências as bandas: Abney Park e Clockwork Quartet, além de outros.
>> O ESTADO DO RIO DE JANEIRO – por Maria Clara


‘MEU MESTRE SOBRENATURAL’ CELEBRA A CULTURA GÓTICA

quarta-feira | 29 | julho | 2009

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Meu Mestre de História Sobrenatural, de Luiz Roberto Guedes (Editora Nankin) é uma novela composta por uma série de histórias dos gêneros fantástico, horror sobrenatural e ficção científica. Gêneros que se tornam mais interessantes “quando encontram o trilho da tradição literária”, como assinalou o crítico Bruno Zeni, no Guia da Folha de São Paulo (29/02/2009).

Como exemplo dessa conexão com os mundos da literatura, os escritores Machado de Assis e Antoine de Saint-Exupéry fazem “aparições” especiais nessas histórias assombrosas.

O mestre do título é o livreiro Alpheu, dono do sebo Bazar Bizarro, que gosta de contar histórias fantásticas para uma turma de jovens. Esse “clubinho do Tio Bizarro” é a origem de uma futura Sociedade da Sombra, uma tribo de jovens góticos que costuma se reunir num cemitério, à meia-noite, para cultuar a memória de seu mestre em iniciação literária.

Com ilustrações de Rubens Matuck, Meu Mestre de História Sobrenatural é uma leitura fascinante, para jovens ou aficionados do gênero fantástico. Para saber mais: http://www.nankin.com.br


A METRÓPLE DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS

sexta-feira | 24 | julho | 2009

HQ_museu_fachada
Pouco mais de duas semanas após a abertura do Museu Hergé, na Bélgica, é a vez da França tomar a palavra, com a abertura da Cité Internationale de la Bande Dessinée et de l’Image (Cidade Internacional da História em Quadrinhos e da Imagem), dia 20 de junho, em Angoulême, no sudoeste da França. Angoulême que já sedia o mais importante festival cultural das HQs do mundo, agora definitivamente sobe ao pódio como centro internacional dos quadrinhos com a abertura desta cidade que engloba um museu, uma biblioteca patrimonial (associada à Biblioteca Nacional da França e para onde serão encaminhados todos os exemplares de depósito legal), uma biblioteca pública, uma residência para autores, uma livraria com cerca de 40.000 títulos de HQ, um centro multimídia, duas salas dedicadas ao cinema de arte e experimental, espaço de consulta a Internet e um restaurante.

Unindo-se aos edifícios já existentes – o antigo CNBDI, sede das exposições mais importantes e dos encontros com autores feitos durante os eventos realizados até o início deste ano; e a Maison des Auteurs, que abriga autores para que possam desenvolver seu trabalho em temporadas como artistas residentes – um antigo entreposto de vinhos foi totalmente reformado para acolher a Cité, e é ligado aos outros edifícios por uma passarela sobre o rio Charente que serpenteia pela cidade.

Como a maior parte do acervo do museu é composto pelos 8.000 originais em papel, estes precisam estar em constante rodízio, para que não sejam afetados pela exposição à luz. A cada quatro meses uma nova seleção de pranchas será mostrada ao público, para depois ficarem guardadas por três anos. Isso significa nove exposições diferentes durante os próximos anos, sem contar as novas aquisições.

O museu está dividido em quatro seções:
História da HQ – Com obras desde Rodolph Töpffer, da primeira metade do século XIX, até as atuais. Com ênfase na produção franco-belga, mas destacando também os comics norte-americanos, a HQ underground e a invasão dos mangás.

Técnicas de Criação – Roteiro, esboços, pesquisa de personagens, desenhos a lápis, finalização com tinta nanquim, colorização e criação direta no computador; com as particularidades de cada autor e cada época.

Estética dos Quadrinhos – Os mestres, as influências e as tendências em pranchas originais. Aqui será exposto o melhor do acervo do museu.

Exposições Temáticas – Dedicadas aos autores atuais, movimentos e escolas da França e do Mundo.

Todo este acervo estará enriquecido com audiovisuais, entrevistas com autores e filmes de animação.

Apesar da distância, os brasileiros também poderão usufruir um pouquinho do museu sem precisar ir até a França. O site da Cité é bastante extenso e complexo (basta abrir a página do Mapa do Site para comprovar) e estará sempre apresentando novidades. O site http://www.citebd.org apresenta um layout bastante tradicional e é claro que exige um certo conhecimento de francês.

Mas vale o esforço de explorar e descobrir, por exemplo, a Prancha da Semana: uma página que podemos examinar detalhadamente com o zoom e que será atualizada periodicamente. Ou ainda as Aventuras do Monsieur Talbot, que em páginas desenhadas por nomes como Lewis Trondheim ou François Ayroles, mostra com humor o dia de trabalho de um arquivista do Museu de HQ.

HQ_museu

Além disso, é possível se inscrever para receber a Newsletter que, como o site, traz uma extensa lista de informações sobre o mundo dos quadrinhos.

Também está prometido para breve a abertura livraria virtual do museu. Com certeza esta será uma das maiores livrarias da Internet dedicada aos quadrinhos, permitindo a todos com um cartão de crédito internacional e coragem para fazer compras em Euro o acesso a obras de referência, novidades e clássicos dos quadrinhos de todo o mundo e também uma seleção de DVDs de filmes de animação.

Boa visita a todos à nova capital mundial das HQs.
>> TERRA MAGAZINE – por Claudio Martini


‘ALÉM DA IMAGINAÇÃO’ (TWILIGHT ZONE) JÁ TEM ROTEIRISTA PARA LEVAR A SÉRIE AO CINEMA

quarta-feira | 22 | julho | 2009

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A Appian Way, produtora do ator Leonardo DiCaprio, e a Warner Bros., estão dando continuidade ao projeto de levar para o cinema uma adaptação da série de TV Além da Imaginação.

O escritor Rand Ravich, produtor executivo de Confissões de Uma Mente Perigosa (primeiro filme dirigido por George Clooney), foi contratado para escrever o roteiro. Além de escrever, Ravish foi o diretor do filme O Enigma do Espaço e é o criador da série de TV Life.

Além da Imaginação é um dos seriados mais famosos do mundo. Criado por Rod Serling, estreou em 1959, indo ao ar até 1964. Uma nova versão foi criada em 1985, durando até 1989. Uma terceira versão estreou em 2002, tendo vida curta, sendo cancelada já em 2003. Cada episódio apresentava uma história de ficção independente, muitas vezes escritas por grandes autores de livros, TV ou cinema.
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno


‘STAR WARS: A GUERRA DOS CONES’ LANÇADO EM DVD e BLU-RAY

quarta-feira | 22 | julho | 2009

Star Wars_CloneWars DVD

A Lucasfilms anunciou que a primeira temporada da animação Star Wars: A Guerra dos Clones será lançada no próximo dia 3 de novembro, em DVD e Blu-ray, pela Warner Home Video nos EUA.

Os 4 discos trarão todos os 22 episódios da primeira temporada da animação, incluindo sete episódios com versões estendidas, e extras em todos os capítulos. Tanto o DVD quanto o Blu-ray trazem um diário de produção, que conta com 64 páginas de material sobre como a animação foi realizada. Uma exclusividade para o Blu-ray é The Jedi Temple Archives, sessão que trará material exclusivo de detalhes da produção.

Star Wars: The Clone Wars The Complete Season One tem preço sugerido de US$ 44.99 para os DVDs e US$ 59.99 para o Blu-ray. Ainda não há previsão de lançamento no Brasil.

Star Wars: A Guerra dos Clones explora o mesmo período mostrado na série animada anterior, Star Wars: Guerras Clônicas, que no Brasil foi exibida pelo canal a cabo Cartoon Network. Vilões sinistros – liderados por Palpatine, Conde Dooku (Conde Dookan no Brasil) e General Grievus – estão decididos a governar a galáxia. O destino de todo o universo de Star Wars está nas mãos dos Cavaleiros Jedi. A série traz de volta personagens conhecidos, como Anakin Skywalker, Obi-Wan Kenobi e Padmé Amidala, e também novos personagens como a padawan de Anakin, Ahsoka.
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno


PROMOÇÃO: VOCÊ GOSTARIA DE BATIZAR UM PERSONAGEM?

terça-feira | 21 | julho | 2009
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As escritoras Rosana Rios e Helena Gomes estão escrevendo, juntas, seu segundo livro de aventura (elas já terminaram um, Sangue de Lobo, ainda inédito). Porém elas criaram um vilão para a nova história e ainda não escolheram um nome para ele. Que tal enviar uma sugestão de nome e sobrenome para este personagem?

O vilão é brasileiro, tem por volta de 40 anos, é um homem alto, misterioso e sinistro. Seria até bonito se não tivesse o olhar sombrio e sua presença não inspirasse um certo pavor.

O autor da sugestão que mais combinar com o personagem ganha um exemplar do livro O Último Portal (editora Companhia das Letras), de Rosana Rios, e um exemplar da nova edição de O Arqueiro e a Feiticeira, de Helena Gomes, relançado agora pela Idea Editora. Autografados! E, claro, vai batizar este mais novo e terrível vilão da literatura.

Você pode mandar sua sugestão para o e-mail conexaomagia@yahoo.com.br até o dia 31/12/2009.
Não se esqueça de enviar seus dados (nome completo, e-mail, telefone e endereço).

Links:
http://rosana-rios.blogspot.com
http://rosanariosliterature.blogspot.com
http://mundonergal.blogspot.com
www.segredodaspedras.com
www.acavernadecristais.com.br
www.ciadasletras.com.br
www.ideaeditora.com.br


‘JOHN CARTER OF MARS’: WILLEN DAFOE CONFIRMADO COMO LÍDER MARCIANO

segunda-feira | 20 | julho | 2009

Willem da Foe
O veterano ator Willem Dafoe viverá o marciano Tars Tarkas na adaptação da Disney/Pixar para a obra John Carter of Mars de Edgar Rice Burroughs. Na trama, o personagem de Dafoe é um líder marciano que sabe que o único caminho para seu povo sobreviver é se afastando da guerra, uma posição que pode lhe custar caro.

O filme tem Taylor Kitsch como John Carter e Lynn Collins como Dejah Thoris, a herdeira do trono de Marte.

A direção de John Carter of Mars é de Andrew Stanton (Wall-E, Procurando Nemo), que também assina o roteiro, em parceria com Mark Andrews (Ratatouille).

A história começa durante a Guerra Civil americana, quando o soldado John Carter se esconde em uma caverna para evitar ser capturado por índios. No entanto, ele acaba sendo transportado por um portal para o planeta Barsoom, onde é feito prisioneiro por homens verdes gigantes. Carter e Dejah Thoris fizeram sua primeira aparição no romance A Princess of Mars, de Burroughs, o primeiro de uma série de 11 livros.

Edgar Rice Burroughs foi um romancista norte-americano, famoso por ser o criador de Tarzan. Além do rei dos macacos, Burroughs é autor de uma vasta obra, notadamente séries de ficção científica como as baseadas nos planetas Barsoom e Amtor, nomes fictícios para Marte e Vênus, e em Pellucidar, um lugar no interior do planeta Terra.
>> HQ MANIACS – por Émerson Vasconcelos


SURROGATES

segunda-feira | 20 | julho | 2009

Surrogates_posterA
Baseado na HQ escrita por Robert Venditti, o novo filme de Bruce Willis decorre em 2054, com os humanos a interagirem com o exterior através de corpos robóticos. O filme é realizado por Jonatham Mostow (“O Exterminador do Futuro 3″).

Num futuro próximo, os humanos vivem isolados nas suas casas e só interagem com os elementos exteriores através de entidades robóticas que lhes servem de extensão do próprio corpo.

Quando várias dessas criaturas são assassinadas, caberá a um polícia investigar o sucedido através do seu próprio sósia mecanizado. Só que os eventos acabam por forçá-lo a abandonar o isolamento e sair para o exterior, para desvendar toda a teia conspirativa por trás dos crimes.
>> CINEMA COM RAPADURA – por Rapadura Team

Assista ao trailer:

ESTRÉIA NOS EUA: 25 DE SETEMBRO DE 2009
ESTRÉIA NO BRASIL: 16 DE OUTUBRO DE 2009


GAROTAS EM QUADRO

segunda-feira | 20 | julho | 2009

Garotas_hq SUL
Uma turma dedicada às histórias em quadrinhos desponta em Porto Alegre. Os traços comuns das garotas são a pouca idade, entre 20 e 30 e poucos anos, e a formação em Jornalismo e Arquitetura. Elas são gaúchas e o mais determinante: apesar do mercado editorial tímido, não param de desenhar à mão, usando o computador, no máximo, para colorir. As quatro garotas enquadradas na foto desta página são parte representativa desta turma feminina.

– Sinto que, no Brasil, muitas vezes, quadrinho é identificado com criança. Há ainda dificuldade em alcançar um público maior. O preço das publicações, com os impostos, torna tudo muito caro – diz Ana Luiza Koehler.

Pode até ser, mas a tecnologia está atirando essas artistas em outro mercado – de infinitas possibilidades – por meio da rede mundial de computadores. Todas têm blogs, ou postam suas tirinhas, HQs, histórias em quadrinhos (nomes mais conhecidos) em sites coletivos. Foi assim que Ana viu seus desenhos zarparem da mesa na qual desenha em sua casa, em Porto Alegre, direto para uma editora na França.

– Recebi um e-mail de dois roteiristas belgas que viram meu trabalho em um site francês. Eles mandaram o projeto de uma primeira história e acertamos – conta.

Simples assim, sem nem mesmo conhecer os roteiristas, Ana dedicou-se a traçar e colorir Awrah, La Rose des Sables. Foi um trabalho detalhado até concluir o livro de 54 páginas já à venda na França e no site Amazon.com. O contrato dela prevê um segundo volume. Ser publicada em solo francês é feito grande, aquele é um dos mercados mais respeitados do gênero.

Quem também já deslanchou editorialmente é Chiquinha, nome artístico de Fabiane Bento. Ela conquistou seu lugar publicando em revistas e jornais, como Folha de S.Paulo, Bravo e Gloss.

– Cresci lendo Angeli por influência dos meus irmãos. Essa era a minha linguagem. No colégio, tudo o que eu desenhava eu colocava um balãozinho – diverte-se Chiquinha.

Valeu a pena a influência dos irmãos. Chiquinha é tida até pelos colegas mais experientes como um dos exemplos bem-sucedidos da nova geração no país.

– Ela é nosso Angeli de saias – brinca Leandro Bierhals, presidente da Grafar (Grafistas Associados do Rio Grande do Sul), a associação que reúne cartunistas, chargistas, quadrinistas, ilustradores.

– Desenho toda a minha vida, nunca parei – diz Chiquinha. – Aqui no Sul, tem uma turma grande. Um exemplo mesmo é a Grafar. Nas reuniões, o pessoal mais experiente dá uns toques, dicas de quem já enfrentou o mesmo problema que a gente.

As reuniões às quais Chiquinha se refere são encontros semanais, terças-feiras à noite, no bar Tutti Giorni (escadaria do Viaduto da Borges de Medeiros, em Porto Alegre) – tradição desde os anos 90. Chiquinha, dona de um humor mais picante em suas histórias, é frequentadora do bar em que os trabalhos de artistas plásticos e gráficos formam a decoração.

Samanta Floor, 29 anos, também participa da Grafar. Ela acaba de publicar de forma independente o gibi Toscomics, cuja personagem principal é ela mesmo.

– Minha personagem vive rindo da própria cara – diverte-se.

Samanta, que é formada em arquitetura, conta que quando está com a mãe ela a apresenta aos amigos como arquiteta e não como quadrinista.

– Se diz qua-dri-nis-ta, as pessoas sempre perguntam: “Quadri… o quê?”.

A maneira com que brinca sobre a mãe é como a personagem Samanta aparece, rindo dela mesma na sua revistinha. O desenho é singelo, lembrando traços de criança, e pode ser comprado pelo seu blog. Outro trabalho da garota são as ilustrações da revista Atrevidinha.

Vender pela internet também foi um empurrãozinho para Mauren Veras. Ela começou a desenhar tirinhas (prefere às HQs) inspirada pela Tiras do Bruno, trabalho de um amigo.

– Fiquei encantada que, numa tirinha, pode-se ter a capacidade de ser simples, engraçado, mesmo com um desenho tosco – explica Mauren.

Como Bruno, o das tirinhas, vivia em uma ilha, Mauren criou a personagem Nina, que vivia em um barco à procura dele. Mauren também partiu para um humor mais direto e criou nova tirinha, batizada de Reginaldo, o Pinto. De brincadeira, rabiscou Reginaldo, o personagem, em um chinelo de borracha, fotografou e postou no seu blog. A peça customizada agradou um inglês e por e-mail oficializaram a compra.

– Quadrinhos era algo um pouco limitado a um Clube do Bolinha, só homens. Mas agora, assim como aconteceu com a argentina Maitena e a iraniana Marjane Satrapi, as mulheres estão despontando no Brasil também – diz o presidente da Grafar.

Outro que faz coro ao bom momento das quadrinistas gaúchas é Marko Ajdaric, editor da newsletter Neorama, dedicada a esta cena.

– Nossas gurias têm se destacado muito. Não vejo em outra cidade uma turma com tanto potencial.

Para não dizer que a coluna não deu uma colher de chá para os homens, a boa notícia é que volta ao mercado, depois de 17 anos, a revista Picabu. Com 12 histórias, a independente Picabu ganhou lançamentos em São Paulo e Buenos Aires. Adeus, Tia Chica!, outra novidade das independentes gaúchas, está à venda desde junho com criação de oito artistas.
>> ZERO HORA – por Fernanda Zaffari


H. P. LOVECRAFT: HEDRA PRESTA SEU TRIBUTO

domingo | 19 | julho | 2009

Lovecraft_Cthulhu
O Chamado de Cthulhu e Outros Contos é um dos lançamentos recentes da Editora Hedra em sua linha de livros de bolso. O volume dedicado ao mestre do horror, do sobrenatural e da ficção cientifica H. P. Lovecraft traz um apanhado breve de sua produção, mas o livro vale não apenas pelos contos que cobrem momentos distintos de sua produção, mas também pelo que reserva ao leitor em suas últimas páginas.

A edição da Hedra traz contos conhecidos, mas não menos horripilantes, como Dagon e A Música de Erich Zann, além de O Chamado de Cthulhu um dos seus principais escritos. Para muitos, Lovecraft é o herdeiro direto de Edgar Alan Poe e um dos expoentes da literatura fantástica do século passado. Dono de uma narrativa calculada, a escrita de H. P. Lovecraft diz muito de sua própria vida: escritor recluso, com uma biografia atribulada e por muito esquecido, sua produção reflete seus conflitos e medos.

Todavia, redescoberto por gerações e gerações de escritores, Lovecraft figura como um dos principais alicerces da literatura fantástica contemporânea e suas criações reverberam em produções nos mais diversos meios. Seja na cinematografia de nomes como Guillermo Del Toro (filmes como Espinha do Diabo e O Labirinto do Fauno, não deixam dúvida), nos quadrinhos de autores como Mike Mignola, Neil Gaiman e Warren Ellis ou ainda nos videogames (quem já jogou Silent Hill sabe do que escrevo), todos pagam algum tributo a H. P. Lovecraft e suas criações.

A edição da Hedra reflete esta importância pois inclui o autor em uma coleção que vem se notabilizando por recuperar algumas das criações mais importantes da literatura – afinal, nenhuma outra editora teve culhões para relançar no esquisito mercado brasileiro livros como A Vênus em Peles, de Sacher-Masoch, No Coração da Trevas, de Joseph Conrad, ou O Casamento do Céu e do Inferno de William Blake. Mesmo não chegando sequer perto de reproduzir a edição The Call of Cthulhu and Other Weird Stories da Penguin Books, ainda assim vale atribuir mais um ponto para a Hedra por apostar na literatura fantástica.

Vale ainda mais quando o leitor nas últimas páginas da publicação dá de cara com dois itens que, mesmo não sendo nenhuma novidade para os fãs de Lovecraft, são significativos para compreender a literatura do criador dos “Mitos de Cthulhu”: o primeiro deles é a carta escrita pelo autor para o amigo e também escritor de ficção fantástica, Clark Ashton Smith, na qual Lovecraft faz um relato/resumo auto-biográfico; o segundo item é um ensaio com o qual o autor procura sintetizar sua técnica e fazer literário.

Como disse, O Chamado de Cthulhu e Outros Contos não será nenhuma novidade para os fãs de H. P. Lovecraft, mas diante da edição de bolso bem cuidada lançada pela Hedra vale gastar os pouco mais de quinze reais para conferir – ou rever – alguns dos contos mais aterrorizantes que a literatura fantástica já produziu. Duvido que alguém fique impassível diante de um conto de horror como A Música de Erich Zann ou Ar Frio. Se ficar, o sujeito é no mínimo doente…
>> DISRUPTORES – por Alexandre Honório


EM DEFESA DA AVENTURA: DE HOMERO A CONRAD

domingo | 19 | julho | 2009

CS Lewis_experiment in criticismEm 1961, dois anos antes de morrer, o escritor irlandês C.S. Lewis publicou o pequeno ensaio An Experiment in Criticism, propondo uma experiência simples – mas muito interessante – de crítica literária: julgar os livros não apenas por si mesmos, mas especialmente pelo tipo de leitura que poderiam proporcionar. A idéia era transferir a atenção isolada da obra e examinar as qualidades e defeitos que fazem um bom ou mau leitor. Naturalmente, as investigações não pretendiam ter o caráter de um método científico rigoroso ou qualquer coisa aborrecida do gênero, mas apenas mostrar que, se a apreciação estética é uma experiência individual, os livros podem e devem ser julgados pela leitura que deles fazem os melhores leitores. Bem, no final das contas, é exatamente por essa razão que você lê com interesse os comentários de Nabokov sobre Jane Austen, mas não perderia um minuto com o que a sua tia – fã incondicional de Danielle Steel e de livros de auto-ajuda – teria a dizer sobre Mansfield Park.

C.S. Lewis identifica nos iliterários algumas características em comum, como a sua completa incapacidade de distinguir um ritmo bem construído da cacofonia mais irritante, e a exigência de que algo esteja sempre acontecendo na história. E mostra por que muitos intelectuais também se incluem nessa categoria dos maus-leitores, ao enxergarem a literatura sob todos os pontos de vista possíveis – sociológico, filosófico, religioso, político, etc. -, menos o artístico propriamente dito. Afinal, livros são essencialmente obras-de-arte e é assim que deveriam ser lidos e amados, em primeiro lugar.

Mas, para Lewis, o pior dos leitores é o que perdeu – ou simplesmente abandonou – a experiência essencial da imaginação e da suspension of disbelief: aquele completamente incapaz de ler uma obra de ficção que não seja estritamente realista. E aqui é interessante notar que a esmagadora maioria dos leitores que se pretendem sérios (na falta de palavra melhor) fazem atualmente parte desse grupo de maus-leitores. A conseqüência disso – ou causa, dependendo do círculo vicioso ontológico da questão – é que a literatura moderna séria & respeitável também está em grande parte composta por obras realistas, feitas de histórias verossímeis e identificáveis com a experiência ordinária do mais ordinário dos homens.

O que é no mínimo estranho, convenhamos. A própria razão de ser da literatura é ocupar-se do excepcional e, até o século dezenove, as histórias sempre foram contadas justamente porque havia nelas algo de interessante e extraordinário: “As atribulações de Aquiles ou Rolando foram contadas porque eram excepcionalmente heróicas; o fardo matricida de Orestes, porque era um fardo excepcional e improvável; a vida de um santo, porque era excepcionalmente sagrada; a má-sorte de Édipo, Ballin, ou Kullervo, porque também era algo além de qualquer precedente. (…) Se somos tão radicalmente realistas a ponto de afirmar que a boa ficção deve ser ‘como a vida’, teremos contra nós a prática literária e a experiência de quase toda a raça humana”.

O insight de C.S. Lewis é realmente interessante e ressalta a enorme importância do enredo nas obras de ficção. “Sobre o quê é este livro?” não é uma pergunta irrelevante, como faz parecer a literatura na modernidade. Ao contrário, a estrutura identificada por Aristóteles na Poética – ação através de enredo – é mesmo essencial. Naturalmente, não se pretende aqui relegar a linguagem a uma posição menor e secundária, mas é o enredo que aprofunda as situações e imagens que causam no leitor maravilhamento, terror, piedade e as outras inúmeras pequenas transcendências de uma grande obra de ficção.

E restringi-lo ao estritamente ordinário é limitar sem qualquer justificativa plausível a experiência literária ao seu aspecto mais raso. Em um texto muito interessante sobre o assunto, o escritor Alexandre Soares Silva defende justamente que essa restrição moderna vai contra a suposição mais básica da literatura, aquela “dos épicos, do romantismo, dos escritores policiais, da ficção científica e fantasia: que existem coisas interessantes no Universo e que é preciso escrever e ler sobre isso”.

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Se a experiência literária inteira da humanidade até o século dezenove baseava-se na premissa de que apenas o que era interessante e excepcional deveria ser contado, esse caráter extraordinário dos enredos sempre esteve intimamente ligado a histórias que atualmente chamaríamos “de aventura”: envolviam viagens a lugares desconhecidos, batalhas sangrentas, naufrágios, duelos pelo amor de uma mulher, tesouros enterrados e embates com monstros marinhos. Bem, se hoje os leitores sérios torceriam o nariz e arrepiariam todos os pelinhos de suas nucas sensíveis diante da menor menção a qualquer um desses temas, parece ser quase desnecessário lembrar que estamos falando apenas de Homero, das Sagas Germânicas, de Boccaccio, Cervantes, Shakespeare, Defoe, Swift, Stevenson e Melville, entre muitos outros.

Evidentemente, esses autores não são os pilares da literatura ocidental somente porque escreviam histórias de aventura – e seria até mesmo um pouco ridículo afirmar o contrário. A questão aqui é bem outra: o ponto de partida dos grandes escritores sempre foi – e deveria continuar a ser – escrever sobre coisas extraordinárias que pudessem verdadeiramente interessar o leitor. E o bom-senso mais natural aponta para o fato de que, em geral, qualquer leitor suficientemente honesto e indiferente aos modismos intelectuais estará dez vezes mais atraído a um livro sobre a expedição em busca do tesouro lendário do Rei Salomão, no coração da África (melhor ainda, na versão do Eça), do que à história da família de retirantes que nos conta – em grande prosa – Graciliano Ramos.

E isso nos leva à constatação seguinte, que parece também andar um pouco esquecida atualmente: os grandes escritores sempre escreveram sobre coisas extraordinárias pelo fato de que a literatura deve também causar prazer no leitor. Borges insistia muito nesse ponto, contrariado com a idéia de uma leitura obrigatória. “Será que podemos falar de prazer obrigatório?”, perguntava ele. E, de fato, o prazer deve sim ser um atributo essencial da experiência literária. Afinal, é o que faz o leitor querer virar a página e mergulhar fundo em determinada obra.

Parece até estranho ter de falar nisso, mas se você está lendo a Eneida e achando a experiência insuportavelmente tediosa, não há sentido algum em continuar, por mais louvável que seja o desejo de se educar. Se por alguma razão você sabe que Virgilio é bom – talvez porque assim vêm considerando todos os grandes leitores ao longo dos séculos -, o primeiro passo de formação seria fazer um verdadeiro esforço – com tudo o que isso implica – para tentar perceber o prazer que a saga de Enéias lhe pode potencialmente trazer. Assim, o papel do enredo excepcional, da aventura, é não apenas alargar o horizonte ordinário e conhecido do leitor, mas também despertar-lhe essa curiosidade prazerosa, dar-lhe a motivação intelectual anterior, essencial a todo conhecimento.

Ao privilegiar apenas a linguagem e a semântica, em detrimento do enredo e do prazer da experiência artística, a intelligentsia moderna parece ter concluído que um romance de aventura não pode, de forma alguma, ser boa literatura. C.S. Lewis aponta o ridículo dessa constatação, lembrando que a situação é exatamente a mesma de alguém que tivesse descoberto outras coisas importantes em um lugar para morar, além do conforto, e concluísse que nenhuma casa confortável pode ter boa arquitetura. Guardadas as devidas proporções, é exatamente essa a posição de grande parte da crítica literária hoje em dia.

* * *
De outro lado, seria difícil não conceder que os atributos literários, enfim, devem se completar. O extraordinário do tema é essencial, mas sozinho não torna um livro bom: é a diferença gritante entre um thriller vagabundo e a obra do grande escritor, que consegue aliar o enredo à linguagem, à habilidade de construção dos personagens e de universos próprios – com seus detalhes e paisagens -, além de inserir na trama os problemas morais complexos da existência humana. Edgar Allan Poe dizia justamente que o enredo e as questões morais são os pontos mais importantes da obra de ficção, e a sua constatação traz a possibilidade de uma relação interessante entre as histórias de aventura e esses mesmos aspectos morais. Vejamos.

A grande escritora americana Flannery O’Connor costumava citar o seguinte trecho de São Cirilo de Jerusalém, para resumir sua visão da literatura: “O dragão senta-se ao largo da estrada, olhando aqueles que passam. Tenha cuidado para que ele não o devore. Nós caminhamos ao Pai, mas é antes preciso passar pelo dragão”. Dizia ela que, não importa qual forma o dragão tome, é da passagem misteriosa por ele – ou dentro de suas mandíbulas – que as histórias sempre se ocuparão. Com essa definição, Flannery O’Connor leva a outro nível a idéia de Edgar Allan Poe e conclui que, no final das contas, as grandes obras de ficção não devem apenas cuidar de problemas morais em geral, mas trazer sempre a relação de seus personagens com uma questão moral específica: o Mal.

Há uma verdade incontestável nessa intuição, se considerarmos que, de fato, o confronto do homem com as variações do Mal no mundo ocupa rigorosamente todas as grandes obras na história da literatura, de maneira direta ou indireta – como até mesmo nas Comédias. E aqui parece estar o ponto-chave, porque não é crível que esse problema moral e o enredo de aventura sejam desde a Antigüidade atributos igualmente recorrentes nas grandes obras de ficção, sem qualquer relação entre si.

A hipótese que parece a mais plausível é a de que talvez não exista um conjunto de situações mais apropriado para o confronto com o dragão – ainda abusando da imagem de Flannery O’Connor – do que aquele criado em uma história de aventura. E por quê? Entre outras coisas, pelo simples fato de que há heróis nos romances de aventura. E a verdade é que o heroísmo talvez seja a forma mais sublime de representação estética do embate entre o homem e o Mal.

Em As Suplicantes, Ésquilo já dizia que os atos heróicos são os únicos que valem a pena ser contados. Porque há mesmo uma enorme qualidade estética na ação dos heróis, e a beleza ressoa no reconhecimento pelo leitor dos valores e virtudes universais encarnados nessa ação: a coragem, a glória, a honra e a lealdade. E, assim, a imagem sublime do herói permite a transcendência artística a uma visão limitada – mas grandiosa – do Bem. Nos autores que atingiram a perfeição, a leitura torna-se então a experiência misteriosa em que se dá nitidamente a identificação clássica entre o pulchrum (o Belo) e o bonum (o Bem). E essa experiência tem também algo de bastante intuitivo, porque é mesmo impossível apreender a totalidade do que se passa em nós quando, por exemplo, lemos no drama de Shakespeare a exortação de Henrique V a seus soldados, antes da Batalha de Agincourt; ou o discurso de Ulisses aos pretendentes de Penélope:

“Dogs, ye have had your day! ye fear’d no more
Ulysses vengeful from the Trojan shore;
While, to your lust and spoil a guardless prey,
Our house, our wealth, our helpless handmaids lay:
Not so content, with bolder frenzy fired,
E’en to our bed presumptuous you aspired:
Laws or divine or human fail’d to move,
Or shame of men, or dread of gods above;
Heedless alike of infamy or praise,
Or Fame’s eternal voice in future days;
The hour of vengeance, wretches, now is come;
Impending fate is yours, and instant doom”

(Livro XXII da Odisséia, na versão em dísticos de Alexander Pope).

E, embora a linguagem seja essencial nos dois exemplos acima – propositadamente selecionados entre os maiores poetas que já viveram -, a força transcendente encontrada naquelas passagens somente seria possível em histórias de aventura. A simbolização da honra e da coragem dificilmente teria o mesmo alcance estético – tão grandioso e perfeitamente acabado – fora de enredos extraordinários, como aquele que recria a expectativa de soldados ingleses em desvantagem numérica, às vésperas de uma batalha crucial – para ficar apenas no caso de Shakespeare. E quer isso dizer que não se pode também retratar artisticamente a honra em outra situação ordinária qualquer, i.e., na história de um gerente financeiro que não se deixa corromper? É evidente que se pode, mas certamente não com a mesma força e o mesmo sucesso estético.

Na Paidéia, Werner Jaeger diz que “os valores mais elevados ganham, em geral, por meio da expressão artística, significado permanente e força emocional capaz de mover os homens. A arte tem um poder ilimitado de conversão espiritual. É o que os gregos chamavam psicagogia”. Aqui, o grande classicista alemão ressalta exatamente a possibilidade de que o Belo e o Sublime mostrem – com todas as limitações inerentes à expressão do artista – os vislumbres do Bem de que falávamos anteriormente. E com a constatação de Jaeger, ganha força a hipótese proposta de que as histórias de aventura são realmente o ambiente ideal para a representação estética de alguns desses valores morais mais altos, especialmente ao percebermos que, não mesmo por acaso, a poesia heróica e as epopéias foram sempre consideradas, além de grande arte, o mito fundador de inúmeras civilizações.

* * *
Na história da literatura, é interessante notar que os gêneros literários foram se desenvolvendo e ganhando novas formas, mas de maneira sempre a manter aquelas raízes do enredo extraordinário e suas implicações morais de valores permanentes. Nesse sentido, já o próprio espírito ético das tragédias tem origem na poesia épica e heróica. A partir de então até a modernidade, das sagas medievais aos romances de cavalaria, das obras de Shakespeare – grandes tragédias de aventura – ao romantismo, sucederam-se formatos artísticos diversos que, com algumas poucas exceções, mantiveram-se realmente fiéis àqueles atributos das epopéias.

E se, de fato, foi o realismo ordinário do romance moderno que rompeu com essa tradição antiga, ao aburguesar o enredo e trazê-lo para a vida das cidades, talvez o último grande autor a não descartar a aventura da trama – e ser ainda reconhecido como representante da literatura séria & respeitável – tenha sido Joseph Conrad (1857-1924), o polonês que viveu como inglês e, em relatos do mar, levou à perfeição a totalidade artística de enredo, linguagem, personagens e problemas morais. Fazendo do oceano insondável e seus navios um palco para grandes aventuras e toda a tragédia da condição humana, Conrad mergulhou nos abismos da alma com histórias de capitães e suas embarcações rangendo aos ventos do Pacífico ou fundeadas em remotos portos malaios, lugares onde ainda fazem sentido os valores homéricos da glória, da honra e da lealdade.

Em Lorde Jim, por exemplo, Conrad conta a descida ao inferno de Jim, depois de abandonar o Patna no impulso de salvar-se de um naufrágio que acabaria nem mesmo acontecendo. Imediato do navio, ele deixa os passageiros – muçulmanos peregrinos – à deriva da própria sorte, e passará a vida perseguindo a redenção. Nessa história contada em grande prosa, os deveres de homens no comando e a expiação da covardia passam por lugares exóticos, batalhas entre nativos, atos de sacrifício e heroísmo, de maneira que o resultado artístico da obra se deve em grande parte também ao ambiente de aventura ali criado por Conrad.

E a verdade é que a própria idéia de literatura, para ele, passava obrigatoriamente por sua percepção de que apenas as coisas interessantes deveriam ser o tema das obras de ficção. No prefácio de A Linha de Sombra, embora para justificar a desnecessidade de enredos sobrenaturais, Conrad dizia que o “mundo dos vivos já contém suficientes maravilhas e mistérios sendo como é; maravilhas e mistérios agindo sobre nossas emoções e inteligência de modos tão inexplicáveis que quase justificariam a concepção da vida como um estado de encantamento”. E foram justamente essas maravilhas e mistérios excepcionais que Joseph Conrad escolheu como material para suas histórias, no começo de um século que tentava de qualquer forma excluir da literatura tudo o que era estado de encantamento, tudo o que era extraordinário.

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Depois de Conrad, possivelmente nenhum outro autor que tenha incluído temas clássicos de aventura em suas histórias acabou integralmente reconhecido como grande. O exemplo mais claro é o de Tolkien, que muito embora tenha sido scholar respeitadíssimo e o criador de uma das obras literárias mais impressionantes e extraordinárias do século XX, não deixou de ser encarado com certa desconfiança e descaso pela crítica e os leitores sérios de hoje em dia, incapazes de enxergar além do seu próprio umbigo realista. Para os que põem em dúvida esse muro existente ainda em relação aos livros de Tolkien, basta pensar que muitos intelectuais certamente ficariam – em diferentes graus – constrangidos de ler em público O Senhor dos Anéis, ou mesmo de admitir as suas inegáveis qualidades literárias.

Não é muito fácil diagnosticar as razões que levaram a essa quebra, iniciada basicamente no século dezenove, mas as hipóteses mais auto-evidentes dizem respeito a uma mudança do próprio zeitgeist: as transformações de um mundo que hoje parece não mais admitir heróis clássicos – subvertendo as virtudes em nome do politicamente correto -, um mundo que esqueceu a verdadeira função da arte, um mundo em que o cientificismo pretende eliminar o espaço do mistério e da possibilidade de encantamento com o extraordinário, um mundo, enfim, que acabou formando o que C.S. Lewis chamava de puritanos literários: leitores graves, arrogantes e sem imaginação, que não conseguem enxergar a importância do prazer na experiência literária. São pessoas aborrecidas, interessadas apenas na “grande aventura” da física quântica, da luta de classes e do cérebro humano, mas incapazes de perceber que a arte e a literatura podem e devem ser muito mais do que as pequenas gavetinhas míopes e reducionistas com que encaram a realidade.

De toda forma, a grande verdade é que a nossa natureza humana não nos trai: nem todos os modismos intelectuais do mundo poderiam esconder o fato de que continuamos atraídos pela aventura, pelos épicos e suas mitologias carregadas de heroísmo. E a prova disso é o tremendo sucesso que fazem – mesmo entre os leitores sérios e adultos – as obras de aventura de não-ficção. Não fica difícil perceber que estão sempre em alta conta os livros sobre expedições de navegadores reais – os diários de Scott, Shackleton e Amundsen, as viagens de Amyr Klink -, entre outras narrativas do gênero.

Por trás do conforto realista que essas publicações dão ao leitor moderno, está a verdade subliminar de que – como bem explicita Werner Jaeger – “há algo de imperecível na fase heróica da existência humana: o seu sentido universal do destino e verdade permanente da vida”. Ou seja, existe algo de universal e atemporal nas virtudes heróicas transmitidas em uma história de aventura, por mais que esses valores tenham adquirido contornos diferentes ao longo dos séculos (após o advento do cristianismo, por exemplo, somam-se a humildade e a caridade às qualidades da coragem, da honra, da glória e da lealdade).

E exatamente porque podemos dizer que a identificação dos leitores com as obras de aventura faz parte da própria natureza humana é que também não faria o menor sentido associá-las a um gosto infantil do leitor, como se costuma muitas vezes afirmar. Em seu ensaio “Sobre Contos-de-Fadas”, Tolkien demonstra que essa idéia é uma platitude inaugurada na modernidade e, da mesma forma, C.S. Lewis também relembra que, se as crianças lêem e gostam de histórias de aventura e fantasia, é apenas porque “são indiferentes a modismos literários. O que vemos nelas não é um gosto especificamente infantil, mas apenas o gosto humano normal e perene, temporariamente atrofiado em seus pais por uma moda”.

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As obras de ficção existem para expandir a nossa existência, e lemos justamente porque queremos estender para muito além as possibilidades do mundo que nos circunda, transcendê-lo. Se a literatura passa a tratar apenas do corriqueiro, do ordinário, diminuem-se tragicamente essas possibilidades de expansão. E por que razão? Por modismo? Em defesa de um realismo cego e reducionista que só enxerga os fenômenos mais imediatamente desinteressantes?

Há um logos na arte e a literatura de aventura permite ao leitor que experimente o sentido desses vôos mais distantes, que alcance os dilemas morais de uma batalha, as paisagens inóspitas de algum deserto africano, a sublime força da natureza em uma borrasca de inverno no alto-mar, o terror e a grandeza do martírio, a coragem diante da morte. E, bem por isso, a exclusão completa do enredo excepcional é apenas uma limitação pequena e injustificável à experiência estética. A literatura permite levantar vôos e contentamo-nos com ficar no chão, olhando para baixo? Se abandonamos a imaginação e o extraordinário que a alimenta, o que nos resta? Para quê a arte, então?

Na famosa biografia escrita por Boswell, Samuel Johnson afirma que a profissão dos soldados e dos marinheiros tem a dignidade do perigo e que todo homem se envergonha por não ter estado no mar ou em uma batalha. Mas se nem todos podem – ou desejam – de fato vivenciar essas experiências na carne, uma grande obra de literatura terá sempre a capacidade de transmiti-las e transformar em memórias pessoais dos leitores as imagens, personagens, diálogos e paisagens que ultrapassam aquele cercado limitado das suas pequenas misérias. Enfim, talvez o que melhor diferencie o bom leitor seja justamente a habilidade de conseguir incorporar um livro à própria vida, nesse ato de imaginação, esforço, e amor que busca no Belo vislumbres do Bem.
>> DICTA&CONTRADICTA – por Rodrigo Duarte Garcia


QUEM DISSE QUE OS QUADRINHOS SÃO INIMIGOS DOS LIVROS

sábado | 18 | julho | 2009

ASTERIX

Tese investiga importância de gibis na formação de leitores na infância

Em 1944, a Revista do Inep (Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos), do Ministério da Cultura, publicou ao longo de três edições um estudo bombástico a partir de uma pesquisa feita com professores e estudantes sobre as histórias em quadrinhos, um produto de massa surgido no país na década anterior. A conclusão era das mais alarmistas: os comics constituíam um nocivo instrumento que estava prejudicando o aprendizado escolar de diversas formas: desestímulo ao estudo das disciplinas, abandono dos livros infantis e, pior, causavam preguiça mental, ao viciar os estudantes com imagens e poucos textos. Seguiu-se, então, uma guerra em escolas de todo país, quando fogueiras foram organizadas para queimar gibis. Mais lenha foi jogada no incêndio quando o professor Antonio D’Ávila publicou, em 1958, A literatura infanto-juvenil, um tratado em defesa dos livros para crianças e contra as revistinhas.

Foi preciso duas décadas para que editoras como Ibep e Ática adotassem a linguagem dos quadrinhos em seus livros de português, geografia, história e matemática. Desde então, a aceitação das revistinhas pelos professores como reforço paradidático parecia pacífica. Na verdade, os quadrinhos se tornaram quase sempre o primeiro contato de várias gerações de crianças com o aprendizado da leitura e da escrita e de entretenimento, além de um objeto de grande valor afetivo, sempre ligado à infância. É o que está exposto na tese de Valéria Aparecida Bari, O potencial das histórias em quadrinhos na formação de leitores: busca de um contraponto entre os panoramas culturais brasileiro e europeu, com orientação do professor Waldomiro de Castro Santos Vergueiro, da Escola de Comunicações e Artes (ECA), da USP.

Na pesquisa, ela se propôs a discutir a importância das histórias em quadrinhos na formação do gosto pela leitura das crianças, a partir das experiências de dois países: Brasil e Espanha. Ao mesmo tempo, debruçou-se sobre a compreensão das mensagens transmitidas tanto pelo texto das histórias quanto pelos desenhos – que são indissociáveis e se completam nesse tipo de arte. Segundo a pesquisadora, os elementos que constituem os quadrinhos, como o letramento, abrem possibilidades de inserção dos produtos da linguagem gráfica sequencial nas práticas biblioteconômicas e pedagógicas atuais. “A leitura de histórias em quadrinhos forma leitoras que gostam de todo o tipo de leituras, com a vantagem de criar também uma cultura de leitura infantil e comunidades leitoras de grande abrangência”, observa. “Afinal, é preciso lembrar que a formação do leitor só chega ao amadurecimento se a pessoa gostar de ler. O vínculo emocional é um elemento fundamental. Nesse sentido, as histórias em quadrinhos, além da facilidade de mostrar conteúdos complexos para leitores iniciantes, também amadurecem a relação emocional entre o leitor e sua leitura.”

A pesquisadora destaca que, em um país que muito recentemente deixou de ser predominantemente analfabeto, o primeiro contato de grande parte da população com a leitura se deu nos bancos escolares e nas bibliotecas públicas. “Temos uma geração que, no início do século XXI, foi impulsionada a ingressar num mundo letrado e virtualizado, sem que as vivências leitoras tenham um significado em sua vida real. Somente o prazer e o gosto podem justificar esse esforço para subir os enormes degraus da alfabetização e letramento.” Segundo ela, a linguagem híbrida das histórias em quadrinhos, que conjuga texto e imagem na formação dos significados complexos, forma um leitor atento, eclético e proficiente, para a leitura competente de diversas mídias e linguagens, assim como na qualidade da organização das ideias e a formulação de textos escritos, com muita diversão e articulação.

O letramento, prossegue ela, compreende fases evolutivas como pré-requisitos para a formação das habilidades e competências leitoras. Primeiro, a decodificação, que requer a memorização do registro da linguagem escrita e sua reprodução gráfica. Segundo, a de reprodução, repetição e produção própria, que requer a memorização de estruturas mais complexas da linguagem escrita, ao mesmo tempo que o desenvolvimento de habilidades motoras para a reprodução de letras e sinais gráficos, competências linguísticas e articulação de ideias e raciocínios. “A prática da leitura e da escrita como exercícios de reprodução, repetição e produção, quando bem conduzida, leva à formação de hábitos leitores. Os hábitos, por sua vez, levam ao gosto pela leitura, a parte mais requintada e pessoal do processo de letrar alguém.”

Nesse contexto, as histórias em quadrinhos contribuem de forma relevante com todas essas fases: auxiliam muito na memorização, estimulam naturalmente a reprodução e produção própria do seu leitor, habituam as crianças à leitura e, de forma muito clara, formam o gosto leitor. “Todas essas fases têm em comum o grande esforço mental, sofrimento e comprometimento necessário por parte do indivíduo, para o êxito do letramento. Como uma vantagem adicional, preparam o cérebro para trabalhar integradamente as amídalas direita e esquerda, já que se utilizam de linguagem híbrida, facilitando a subjetividade e preparando o cérebro para o pensamento complexo.” Em sua opinião, não seria possível compreender o fenômeno da formação do leitor, ou seja, do letramento, sem as vivências sociais nos ambientes nos quais se dá a apropriação social da leitura. Nem seria procedente que tivesse obtido o grau de especialista, sem viver e reviver o fenômeno da leitura em sua plenitude. “As histórias em quadrinhos chamam a atenção para os aspectos mais positivos da leitura, tornando o ensino da leitura mais afetivo e voltado para a formação de gosto e personalidade do leitor, conforme pude constatar nas minhas entrevistas para a pesquisa, indo muito além das leituras que não poderiam deixar de embasar uma pesquisa científica.”

O trabalho da Valéria parecia ter colocado uma pedra sobre o preconceito de décadas contra os gibis no Brasil. “A inegável popularidade dos quadrinhos foi, talvez, responsável por uma espécie de desconfiança sobre os efeitos que eles poderiam provocar nos leitores. Já que são um meio de comunicação de vasto consumo e com seu conteúdo voltado para os jovens, as HQs se tornaram, logo cedo, objeto de restrição por parte de pais e professores”, observa Waldomiro Vergueiro, coordenador do Núcleo de Pesquisas em Histórias em Quadrinhos da ECA-USP e organizador do livro Como usar as histórias em quadrinhos na sala de aula (Contexto, 160 pág, R$ 25,00), ao lado de Angela Rama, Alexandre Barbosa, Paulo Ramos e Túlio Vilela. Foi só depois de os quadrinhos ganharem um novo status, em especial na Europa, como forma de arte que o preconceito foi diminuindo e se começou, timidamente, a incluir quadrinhos em materiais didáticos, de início para ilustrar partes das matérias que, antes, eram explicadas por um texto escrito. “Houve erros e exageros pela inexperiência do uso em ambiente escolar, mas as iniciativas contribuíram para refinar esse processo”, afirma Vergueiro. Hoje é muito comum usar quadrinhos para transmitir conteúdo, em especial após a avaliação realizada pelo Ministério da Cultura, a partir de meados de 1990. Mais recentemente, o emprego de histórias em quadrinhos na educação é reconhecido pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). “Há várias décadas, os quadrinhos fazem parte do cotidiano dos jovens e, assim, a inclusão desse material na sala de aula não é objeto de qualquer tipo de rejeição por parte dos estudantes que, em geral, o recebem de forma entusiasmada.”

Vergueiro lamenta que haja no Brasil e até mesmo no mundo um subaproveitamento dos quadrinhos nas salas de aula das mais diversas formas – reforço paradidático, estímulo à alfabetização (uma vez que é uma forma de entretenimento) etc. “A interligação do texto com a imagem, que existe nos quadrinhos, amplia a compreensão de uma forma que qualquer um dos dois códigos, sozinho, não conseguiria atingir.” Segundo o pesquisador, há ainda um desconhecimento do meio por parte dos professores, que não lhes possibilita saber o que escolher e como utilizar em aula. “Soma-se a isso o pouco incentivo governamental existente para utilização das histórias em quadrinhos, deixando praticamente toda a iniciativa por conta dos professores.”

Como argumentos para defender a adoção dos quadrinhos no ensino, ele destaca a familiaridade dos alunos com as histórias em quadrinhos e com os elementos de sua linguagem desde os primeiros anos de vida, o fácil acesso aos produtos quadrinhísticos, o baixo custo do material (na banca de jornal) quando comparado a outros meios, a possibilidade de aplicação em virtualmente todas as áreas e disciplinas e a possibilidade de desenvolver estudos ou projetos multidisciplinares com histórias em quadrinhos. “Acho que devemos ter uma atitude permanente de esclarecimento dos professores quanto às vantagens e possibilidades de utilização dos gibis em sala de aula.”

Para Vergueiro, isso poderia começar na formação dos professores que, quando ainda alunos de graduação, podem e devem ter contato com as histórias em quadrinhos como instrumento de trabalho de sua futura profissão, familiarizando-se com produções importantes da área e recebendo orientações de como utilizá-las em ambiente didático. “A ideia preconcebida de que os quadrinhos colaboram para afastar as crianças e jovens da leitura de livros e outros materiais já foi refutada por vários estudos. Hoje sabemos que os leitores de quadrinhos são também leitores de outros tipos de jornais, revistas etc. A ampliação da familiaridade da leitura de quadrinhos, na sala de aula, permite que muitos estudantes se abram para a leitura, encontrando menos dificuldades para concentrar-se nas leituras que são destinadas ao estudo.” Há quem defenda a importância dos quadrinhos como forma de facilitar o acesso à literatura. “Já cresceu o reconhecimento da HQ como recurso pedagógico, porém, na escola, instituição que homologa o uso dos quadrinhos como ferramenta de ensino e aprendizagem, a concepção que prevalece é aquela que vê nos quadrinhos apenas um recurso auxiliar para aprender, não reconhecendo neles o seu diálogo com o literário. Há uma carência sobre o quadrinho e as possibilidades comunicativas que ele oferece”, explica Maria Cristina Xavier de Oliveira, autora da tese de doutorado A arte dos quadrinhos e o literário, defendida há poucos meses na USP sob orientação de Nelly Novaes Coelho.

“O quadrinho apresenta novas formas de criar textos e de leitura. É uma arte que, ao contrário do que se pensa, precisa ser apreendida e compreendida. O quadrinho é um meio que pode servir a muitos fins, como despertar um olhar criativo, o raciocínio rápido, a concatenação de ideias, o domínio de técnicas de composição e da exploração visual. Os quadrinhos podem ser um meio de formação de leitores, não passivos, meros receptores, mas ativos, colaboradores importantes na leitura e na construção de novos textos”, acredita. Quem disse que aquilo que você adora ler é “apenas um gibi”? Com certeza foi alguém que não participou da Campanha de Desarmamento Infantil, em Recife, onde, em poucas semanas, mais de 500 mil armas de brinquedos foram trocadas por gibis. A pena do quadrinho, com certeza, é mais forte do que a espada ou o revólver. E bem mais gostosa de se ver.
>> PESQUISA FAPESP – por Gonçalo Júnior


‘READING COMICS’: DOUGLAS WOLK EXPLICA MUITO DO PAPEL CONTEMPORÂNEO DOS QUADRINHOS

sábado | 18 | julho | 2009

SUPER_BATMAN_readingcomics
O que faz de Reading Comics – How Graphic Novels Work and What They Mean, de Douglas Wolk um dos bons livros sobre este meio é que ele o trata exatamente desta maneira: quadrinhos como meio de comunicação e cultura com particularidades e linguagem que o colocam entre as principais formas de expressão deste e do século passado. Refletir sobre as histórias em quadrinhos, o modo como elas se disseminaram como parte da cultura dos séculos XX e XXI e sua prevalência como meio sensível às transformações sociais e culturais é o mote do autor.

Douglas Wolk em Reading Comics divide sua reflexão em dois momentos aparentemente distintos, mas que se complementam no fim. No primeiro, o autor empreende uma análise sobre o meio de comunicação que encerra as histórias em quadrinhos, seus referenciais, suas transformações e as implicações resultantes delas.

Reading Comics_capaEm Reading Comics, mais que pensar as histórias em quadrinhos em gêneros, Douglas Wolk procura pensar o meio, independente de suas manifestações diversas – afinal, uma Graphic Novel não deixa de ser uma história em quadrinhos e, portanto, sujeita às mesmas implicações técnicas e sociológicas.

Para Douglas, pensar o meio que suporta as histórias em quadrinhos não desconsiderar suas múltiplas manifestações. Histórias em quadrinhos de linha, independentes, narrativas gráficas, arte seqüencial ou graphic novel terminam soando como sinônimos constrangidos de uma mesma expressão social e artística que deve ser considerada como tal: histórias em quadrinhos.

Muito da primeira metade de Reading Comics trata exatamente deste “ressentimento” disseminado entre autores e leitores. Douglas Wolk vai ainda mais longe: defende que os criadores de histórias em quadrinhos atuais apreenderam as lições de gerações anteriores e, como conseqüência, compreendem que, social e culturalmente, este meio detém não apenas uma linguagem própria, mas, mais ainda, uma mitologia elaborada e significativa.

Já no segundo momento de Reading Comics, Douglas Wolk apresenta uma série de seus artigos que ampliam ainda mais a discussão por ele pretendida na primeira parte do livro. Descontado o fato de que o cerne de Reading Comics encontra-se em suas primeiras duzentas páginas, esta segunda parte pode conduzir o leitor a um certo cansaço – uma vez que muitos dos autores analisados por Douglas têm pouco dos seus trabalhos publicados no Brasil.

Entretanto, os artigos com os quais o autor se debruça em torno da arte dos Irmãos Hernandez, de Alan Moore, de Frank Miller e Grant Morrison são indispensáveis para os que pretendem uma reflexão profunda não somente sobre os autores, mas sobre as transformações sofridas tanto pela indústria quanto pelo próprio meio: definir Frank Miller como herdeiro da tradição de Will Eisner me parece, mais que uma sacada, uma certeira percepção – descontados os escorregões de Miller nos últimos dez anos – de como influência e transição são elementos inerentes a este meio.

O artigo dedicado a Alan Moore e sua obra, especialmente analisando as reflexões/implicações sociológicas e políticas dispersas em trabalhos como V de Vingança e Watchmen (de modo ainda mais aprofundado com relação a este último), me pareceu um dos pontos altos de Reading Comics: Douglas Wolk reconhece na narrativa de Moore uma percepção profunda e um timing social que o colocam em um patamar literalmente icônico na historia das histórias em quadrinhos recente.

Grant Morrison é, de certa forma, apontado por Douglas Wolk como a representação de uma forma complexa de escrever histórias em quadrinhos. Para o autor, Morrison é um dos poucos escritores que, além de possuir uma percepção clara sobre os personagens em torno dos quais trabalha, compreende o potencial e a linguagem inerentes às histórias em quadrinhos – buscando construir suas histórias nos limites deste gênero.

Douglas, no artigo sobre Morrison, busca as referências para justificar seus argumentos em dois momentos distintos da carreira do escritor: em sua passagem pela série Homem-Animal e em sua tour de force narrativa chamada Os Invisíveis. O segundo momento como clara amplificação dos conceitos que o autor aplicara no primeiro: se em Homem-Animal o vilão era o próprio autor e o herói descobre ser apenas uma criação em duas dimensões fruto das idéias de seu nemesis – este com pleno controle sobre os destinos do personagem -, em Os Invisíveis Morrison dará a seus personagens plena percepção dos limites e da linguagem que os separam de seus destinos.

Para Douglas Wolk, tanto Morrison quanto Moore e Miller ajudaram a consolidar o mídia na qual se encerra as histórias em quadrinhos e a linguagem que as alicerça em uma combinação que alçou o gênero a condição de expressão artística, sociológica e cultural que deve ter seu papel considerado como parte da formação contemporânea das socialidades. Douglas Wolk considera que o lugar contemporâneo das histórias em quadrinhos é o lugar da expressividade de um meio que por muito passara incompreendido em suas manifestações mais complexas.

No fim, Reading Comics é um livro indispensável para os que, como o autor e toda uma geração de leitores/escritores de quadrinhos, percebem este meio como um modo de representar a realidade que muitas vezes diz muito sobre ela, mas sobre uma ótica por vezes imperceptível aos menos habituados ao meio. Douglas Wolk percebe que todas definições que procuraram retirar as histórias em quadrinhos de seu meio e lança-la na direção de uma forma de expressividade aparentemente mais séria desconsideram a dimensão histórica deste mesmo meio, de como ele se relacionou com a própria cultura e de como esta mesma cultura se transformou como resultado das transformações desta mídia. Uma mídia que, para muitos, é feita tão somente de fantasia e ilusões, mas que, no seu íntimo, como concebe de modo brilhante este Reading Comics, vem alimentando gerações com uma visão elaborada dos conflitos que se desenrolam no mundo real.
>> DISRUPTORES – por Alexandre Honório


ALAN MOORE PUBLICA LIVRO SOBRE A HISTÓRIA DO EROTISMO

sábado | 18 | julho | 2009

ALAN MOORE_erotismoA
Segundo o site Bleeding Cool, a editora Abrams publicará em outubro o livro 25,000 Years Of Erotic History, de Alan Moore.

O volume de 96 páginas é um tratado ilustrado, em capa dura, sobre a história do erotismo e da pornografia, em várias culturas, começando com a Vênus de Willendorf, que data aproximadamente de 23 mil anos antes de Cristo.

Algumas ideias desta obra já haviam sido publicadas num artigo sobre erotismo publicado pela revista Arthur, na época do lançamento de Lost Girls.

A Amazon está oferecendo 25,000 Years Of Erotic History em pré-venda, com 32% de desconto (de US$ 20,50 por 15,30 dólares).
>> UNIVERSO HQ – por Sérgio Codespoti


‘O PAGADOR DE PROMESSAS’: GUAZZELLI REVÊ DIAS GOMES EM QUADRINHOS

sábado | 18 | julho | 2009

GUAZZELLI_pagador de promssas

Desenhista gaúcho entra no mundo das adaptações
e lança O Pagador de Promessas em versão HQ

Difícil de ser contada e interpretada pelo seu alto teor político religioso, a história do sonhador Zé do Burro é um dos clássicos da dramaturgia. Mesmo os mais novos conhecem o conto do homem que foi pagar uma promessa carregando uma cruz de madeira por sete léguas até Salvador. A peça teatral de Dias Gomes (1922-1999) já esteve na televisão, ganhou versão cinematográfica premiada em Cannes e agora chega em versão quadrinhos pelas mãos de Eloar Guazzelli em O Pagador de Promessas (Ed. Agir, 72 págs., R$ 44).

GUAZZELLI_pagador de promssas_capaO HQ tenta contar na íntegra a tragetória de Zé do Burro até a paróquia de Santa Bárbara, onde seria o ponto final de sua andança. Lá chegando encontra com repórteres, políticos, a hostilidade do padre local e admiradores da força de Zé em cumprir as sete léguas andando com uma cruz de madeiras nas costas. Muito do teor político do original se perdeu na transcrição, comum em adaptações. “Uma peça de teatro tem sua dinâmica própria e a transposição de linguagens requer cuidados. Privilegiei o cenário, considerando a paisagem como um personagem e fazendo com que a ambientação criasse uma dinâmica visual que os quadrinhos de certa forma exigem”, explica Guazzelli em entrevista à Revista O Grito!.

O convite veio da própria editora para adaptar o conto, o que o ilustrador não pensou duas vezes em aceitar o desafio de uma releitura de uma obra conhecida. Durante o tempo de produção visitou Salvador para pegar imagens e reconstruir na íntegra o cenário. Guazzelli se diz um admirador da obra de Dias Gomes, o que ainda aumentou a responsabilidade sobre seu trabalho. “O Bem Amado deixou muitas lições na minha vida, um clássico”, comenta.

Sobre ter seu quadrinho comparado com a obra original, Guazzelli não parece sentir medo ou receio. “Tenho de acreditar na minha própria capacidade e deixar claro que cada meio tem suas potencialidades e limitações. Acredito que realizei uma adaptação digna dentro dos recursos que dispunha”, comenta. O autor disse que chegou até a desligar a TV quando o filme estava sendo exibido, para evitar perder a neutralidade. “Evitei a todo custo ter referências de obras anteriores. Trabalhava de madrugada muitas vezes e uma ocasião liguei a TV passando a magistral adaptação para cinema. Desliguei no ato. Trata-se de um trabalho tão forte que mesmo sem revê-lo, com certeza algumas passagens estão impregnadas dessa magistral versão”, conta o artista.

O título integra a coleção Grandes Clássicos em Graphic Novel, da Editora Agir e recebeu roupagem de clássico. Em formato em papel couché 115g fica na prateleira com ‘veste de gala’, com uma bela introdução de Ferreira Gullar e os currículos de Eloar Guazzelli e Dias Gomes (o escritor da peça) no final do livro. As páginas não são duplas e têm a diagramação espelhada, mais suave ao olhar. “Gostei do cuidado da editora com acabamento”, comenta.

GUAZZELLI_FOTOIlustrador experiente
O gaúcho Eloar Guazzelli já é um velho conhecido no mundo das ilustrações, tendo publicado obras em diversos países desde os anos 1980. Graças aos irmãos mais velhos, sempre foi um leitor assíduo de quadrinhos, começando pelos velhos Disney, especialmente as magistrais narrativas de Carl Barks. Passou por grandes momentos na carreira indo desde ilustrador contratado a diretor de arte de revistas, até chega no patamar autônomo de desenhar e escrever o que quer. Tem no currículo publicações de São Paulo (Animal, Mil Perigos), Buenos Aires (Lápis Japones) e Espanha (Ojo Clínico, Consequencias).

Atualmente Guazzelli dedica uma grande parte do seu tempo para a sua a produtora de filmes Otto Filmes, na qual é diretor de arte. Está em fase de finalização do longa Fuga em Ré Menor para Klaunus e Pletskaya, previsto para 2010. Entre quadrinhos, cinema e ilustração, comenta não ter preferências. “Todas linguagens apresentam grandes dificuldades operacionais para se efetivarem e tenho a felicidade de transitar com igual prazer por todas essas linguagens”, declara.
>> O GRITO! – por Lidianne Andrade


‘DRAGONLANCE’: ANIMAÇÃO DA SÉRIE SAI EM DVD NO BRASIL

sexta-feira | 17 | julho | 2009

Dragonlance_DVD
Já está à venda o DVD Dragonlance: Dragões do Crepúsculo de Outono (Dragonlance: Dragons of The Autums Twilight), animação dirigida por Will Meugniot, produzida pela Paramount Pictures, com Kiefer Sutherland (24 Horas), Lucy Lawless (Xena), Michael Rosenbaum (Smallville), Fred Tatasciore (Os Supremos – O Filme), entre outros, no elenco de dublagem.

Na animação, após 30.000 anos de paz, o mundo de Krynn desceu às trevas, quando a cruel deusa Takhisis e seu exército de dragões ameaçaram dominar as terras. Será que um pequeno grupo de heróis, incluindo o mago Raistlin, a sacerdotisa Goldmoon e o semi-elfo guerreiro Tanis, vai conseguir salvar o mundo antes que tudo esteja perdido?

Além do desenho, o disco traz alguns extras, como teste de animação e desenvolvimento de personagens. O filme tem opções de áudio em inglês e português, legendas em português, inglês e espanhol, com 91 minutos de duração. O preço sugerido é de R$ 29,90.

Dragonlance é o nome dado a um cenário de campanha de RPG da linha Dungeons & Dragons, e à trilogia de livros de fantasia conhecida como Crônicas de Dragonlance (Dragões do Crepúsculo de Outono, Dragões da Noite de Inverno e Dragões da Alvorada da Primavera). Esse mundo de fantasia medieval foi criado pelos autores Margaret Weis e Tracy Hickman em 1982. A narrativa acontece no mundo imaginário de Krynn, inicialmente no continente de Ansalon.
>> HQ MANIACS – por Carlos Costa


‘O MANUAL DO MINOTAURO’: UM BLOG PARA A ARTE DELIRANTE, GENIAL E SURREAL DE LAERTE

sexta-feira | 17 | julho | 2009

Laerte_autoretratoA

Laerte é uma invenção; um dos poucos cartunistas brasileiros que têm à mão aquela marca particular: uma capacidade quase que inesgotável de surpreender e contar uma boa e, por vezes, bizarra e hilária história em pouco mais de três ou quatro quadros. Isso fica ainda mais claro quando nos deparamos com algo como O Manual do Minotauro, blog criado por ele como uma espécie de vitrine de suas experiências com as tirinhas diárias que cria e que circulam em publicações Brasil afora.

O que mais chama a atenção em O Manual do Minotauro é que em seu curto período de existência – o blog tem poucos meses de vida – fica evidente que a criatividade de Laerte é aparentemente irrefreável. Exercícios metalingüisticos, arte seqüêncial – lá se vão duas palavras com o “finado” trema -, arcos de tiras que brincam com as relações, com a filosofia, com o cotidiano delirante que tem sido a marca de muitos dos trabalhos recentes do cartunista e ilustrador.

Por exemplo: o arco O Manual do Minotauro, primeiro e aquele que empresta nome ao blog, parece saído de alguma reflexão perdida entre doses de bourbon e uma percepção lisérgica acerca das já divagantes – no melhor sentido possível – páginas de Classificados, tamanha a carga surrealista que Laerte empresta às tramas – um drama bizarro sobre um Minotauro reticente, sobre aqueles que querem ir ao seu encontro e outros que pretendem sua extinção. Enfim, um exercício surreal em tiras que nos levam a um passeio por um sem número de significados.

O Manual do Minotauro, o arco de tiras que empresta o nome ao blog criado por Laerte – sem firulas, preciosismos ou outras frescuras midiáticas no Blogspot – aparenta ser um exercício interessante tanto para o autor quanto para os fãs: Laerte publica no blog as tiras no dia imediatamente seguinte à publicação de cada uma delas nas páginas da Folha de São Paulo e de outras publicações. A idéia – tá lá no blog -, segundo o próprio Laerte, foi criar “uma espécie de experiência: os leitores veriam as tiras diárias do autor publicadas na Folha e acessariam o blog para ver seu desenvolvimento”.

Laerte pretende que os leitores tenham uma idéia completa de cada série; a leitura completa de cada uma das tramas por ele criadas. Grande sacada. Levar o leitor a acessar o site e permitir que ele percorra as tiras cronologicamente – a medida em que estas são publicadas na mídia impressa ou mesmo antes dela – em um suporte eletrônico é uma idéia no mínimo interessante ness.

Atualmente o blog O Manual do Minotauro já conta com quatro arcos: o homônimo, as séries Eu, Travesti, Dona Ruth, Minha Guerra Mundial e SPC – Sete Pecados Capitais. E envereda agora por um “rewind” aos tempos do saudoso Cyber Comix – onde passava pelo menos uma vez por dia para conferir, nos idos de 1998, os trabalhos que por lá rolavam – e põe na roda As Aventuras Rocambolescas de Dionísio Galalau.

Mas a principal sacada d’O Manual do Minotauro é a presença do próprio Laerte interagindo com os leitores do blog, explicando o contexto e o processo de seu trabalho de criação ou mesmo o porquê de eventuais atrasos – como quando viaja por aí e esquece, literalmente, de atualizar o blog.

Até agora O Manual do Minotauro vem sendo atualizado com a regularidade de um nerd. Bom para os leitores que podem, além de, de quebra, trocar uma idéia com o criador d’Os Piratas do Tietê, ver o que diabos está passando pelos miolos do cidadão. Laerte é uma invenção, mas, suas criações parecem saídas de algum plano bizarro; saídas de algum plano entre Classificados, Condomínio ou Piratas do Tietê.
>> DISRUPTORES – por Alexandre Honório
Laerte_MINOTAUROa


“CREPUSCULO” EM QUADRINHOS

quinta-feira | 16 | julho | 2009

Twilight_manga
Para aqueles de vocês que nunca conseguem ter o bastante de Bella e Edward, a EW pode anunciar – exclusivamente – que a Yen Press vai publicar Twilight em formato de Graphic Novel. A data da publicação ainda não foi determinada.

Apesar do artista coreano Young Kim estar criando a arte, a própria [Stephenie] Meyer está profundamente inserida no projeto, revisando cada quadro.

Dê uma olhada bem de perto no rascunho da aula de biologia que nós obtivemos (há uma núvem de diálogo vazia sobre as cabeças deles, se você notar). O que me é interessante é que isso não é apenas como se um artista estivesse renderizando Kristen Stewart e Robert Pattinson. Na verdade, os personagens parecem ser uma mistura da imaginação literária de Meyer e do visual real dos atores.

A descrição de Edward na aula de biologia: “Seu rosto deslumbrante era amistoso; abrindo um largo sorriso em seus lábios perfeitos. Mas seus olhos eram cautelosos.” E Bella: “Eu tinha pele de marfim… Sempre fui esbelta, mas suave de alguma forma, obviamente não era uma atleta…” Para mim, essa Bella da graphic novel é muito mais fiel ao livro de Meyer do que o visual sensual de Kristen Stewart. O Edward mostrado é mais próximo de Pattinson, mas não uma duplicata; há algo muito insinuante no rascunho que eu não vejo na perfeição demasiada dos cachos bronzeados e nos olhos penetrantes de Pattinson.

Se você quer ver mais antes que a Graphic Novel seja lançada, a EW magazine que vai para as bancas na sexta-feira dia 17 contem ilustrações finalizadas de Edward, Bella e Jacob.
>> THE VICE OF TWILIGHT – por Deb


VAMPIROS CONQUISTAM O CINEMA E A MODA

quinta-feira | 16 | julho | 2009

Vampiros_Vogue_modaA
Revistas como a italiana “Vogue” enaltecem a mística do vampiro
Os sintomas são enervantes: o gosto por carne fresca, a aversão à luz do sol e a paixão por garotas magras e espectrais. Todos são indícios de que a pessoa foi mordida pela moda do vampiro.

Sookie Stackhouse, a briguenta heroína da série de TV “True Blood”, do canal a cabo HBO, se arrisca à maldição sempre que visita seu amado sobrenatural. E Oskar, o adolescente desajustado do filme sueco “Let the Right One In”, um favorito nos círculos da moda, corteja a extinção cada vez que se aventura a sair com Eli, sua amiga metamórfica, atemporal e assombrosa.

Sookie e Oskar enfrentam uma verdadeira sede de vampiros, uma contaminação da cultura pop que se espalha pela televisão, os filmes e a ficção. O que começou com “Twilight Saga”, seriado sensualmente romântico para jovens adultos de Stephenie Meyer, seguido de “Crepúsculo”, o filme, tornou-se uma pandemia de proporções insanas.

É uma surpresa?
Raramente os monstros pareceram tão abatidos -ou tão fotogênicos. Nenhum detalhe dessa última mania de vampiros parece derivar da sensualidade jovial e etérea com que os demônios são retratados.
“O vampiro é o novo James Dean”, disse Julie Plec, autora e produtora executiva de “The Vampire Diaries” (Diário do Vampiro), futura série de TV americana baseada nos populares romances de L.J. Smith, sobre garotas colegiais e hommes fatales. “Há algo tão silencioso e sensual nesses jovens predadores eróticos”, disse.

Charlaine Harris acaba de publicar “Dead and Gone” (Morto e desaparecido), nono romance de sua série Sookie Stackhouse, variações da ficção gótica em que se baseia “True Blood”. O mundo editorial ficou intrigado com “The Strain”, primeira parte de uma planejada trilogia escrita pelo diretor de cinema Guillermo del Toro e por Chuck Hogan, sobre predadores sedentos de sangue que enlouquecem em Manhattan.

O mundo da moda também está sob o feitiço do vampiro, na forma de couros e de roupas enfeitadas de rendas, que invadiram as páginas das revistas.

Os vampiros, é claro, fazem parte de uma tradição antiga que remonta a Nosferatu e pelo menos ao Drácula de Bram Stoker. Anne Rice atualizou o gênero, introduzindo o vampiro aristocrático Lestat. Mas os mortos-vivos estão retornando como uma vingança, em parte porque “personificam ansiedades do mundo real”, disse Michael Dylan Foster, professor-assistente no departamento de folclore da Universidade de Indiana em Bloomington.

“Especialmente nesta época de maior vigilância, no pós-11 de Setembro, representações como ‘Crepúsculo’ refletem uma espécie de mentalidade de teoria da conspiração, um temor de que haja alguma coisa secreta e perigosa acontecendo em nossa comunidade, embaixo de nossos narizes.”

E o que mantém os vampiros atraentes?
Poderíamos apontar para sua combinação de boa aparência imortal e sexualidade decadente. Figuras de glamour vampiresco fazem poses sedutoras em diversas publicações recentes de moda. Retratadas como criaturas andróginas na edição de junho de “W”, elas exibem olhares mortíferos, acentuados por sua palidez cadavérica.
A “Vogue” italiana também sucumbiu aos encantos frios dos vampiros: na edição de junho, as modelos posam como feras noturnas; uma imagem capta uma predadora cujo jantar foi interrompido, como sugere uma mancha vermelha em seu rosto.

A atração do vampiro “tem tudo a ver com a excitação de imaginar os monstros que poderíamos ser se nos permitíssemos”, sugeriu Rick Owens, um precursor da moda cujas coleções de tom gótico às vezes evocam os mortos-vivos. “Somos todos fascinados pela corrupção -quanto mais glamourosa, melhor”, e, ele acrescentou, com a ideia de “devorar, consumir, possuir alguém que desejamos”.

Esse tipo de glamour predador é personificado por Catherine Deneuve em “Fome de Viver”. Nesse clássico cult da morbidez de 1983, dirigido por Tony Scott, Deneuve faz o papel de Miriam, uma chupadora de sangue sedutora que usa ternos de ombros marcados e é casada com um pálido David Bowie e atraída por Susan Sarandon, meio andrógina, uma especialista em sono e longevidade.

O controle dos impulsos é um tema que repercute especialmente na atual era de conflitos e recessão. “Os períodos de guerra, crise e turbulência econômica dão origem à produção de vampiros e à ficção fantástica”, disse Thomas Garza, presidente do departamento de estudos eslavos e eurasianos da Universidade do Texas em Austin e especialista na lenda dos vampiros.

“Com a recessão e a guerra, o conflito parece se voltar para dentro, enquanto questionamos nossa situação fiscal, política e moral. Fomos excessivos demais? Precisamos ser mais contidos? Parece que estamos novamente questionando esses valores fundamentais”, agregou.
>> FOLHA DE SÃO PAULO THE NEW YORK TIMES – por Ruth La Ferla


‘HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE’: ENTRE A PAIXÃO E A DOR

quinta-feira | 16 | julho | 2009

Harry Potter_Hermione_Principe
Está na telas de todo mundo um dos mais esperados lançamentos cinematográficos do ano: Harry Potter e o Enigma do Príncipe. A história se passa no sexto ano de Harry Potter (Daniel Radcliffe) na escola de magia de Hogwarts. No embate do Bem contra o Mal no mundo dos bruxos, o vilão Voldemort começa a levar a melhor. Nesse cenário nada animador, Harry recebe a ajuda no misterioso príncipe para encarar as aulas, que não são fáceis, e deve descobrir verdadeira origem do menino que se tornou Lord Voldemort. É uma forma revelar o que pode ser sua única vulnerabilidade do malvado.

Mas a trama misteriosa à vezes é quase um pano de fundo para o que parece ser a verdadeiro foco desse novo capítulo da franquia. Se em “A Ordem da Fênix” o conflito de Potter com a sua adolescência deixava transparecer um lado briguento do personagem, agora ele revela bem mais maleável. Aos 16 anos, o aprendiz de bruxo adquiriu uma certa malandragem. Está bem mais atendo às criaturas mágicas que encantam os rapazes dessa idade: as garotas.

A pretendente, no caso, é Gina (Bonnie Wright), que passou os últimos cinco anos apaixonada por Harry à distância e que repente resolveu arrumar um namorado – ou seja, mais sofrimento para o herói da série. Gina é irmã de Rony (Rupert Grint), o melhor amigo de Harry, que por sinal também está às voltas com questões amorosas. Já Hermione (Emma Watson) esnoba um rapaz bem apanhado ao se descobrir apaixonada por um colega que sempre esteve bem à sua frente.

Ok, dito assim parece até capítulo de “Malhação”. Mas não se engane: embora o filme seja mais lento que os anteriores, nele estão todos os elementos que devem agradar os fãs das aventuras sombrias de HP. E o final desse episódio tem uma forte carga dramática capaz de deixar a platéia com um nó na garganta quando as luzes são acesas.

Tudo indica que “O Enigma do Príncipe” foi produzido como uma espécie de transição para os próximos filmes. Harry Porter vai voltar em 2010, na primeira parte de sua última saga: “Harry Potter e as relíquias da morte”. O derradeiro episódio foi dividido em dois, e a segunda parte deve se exibida apenas em 2011. De acordo com os produtores, história é muito comprida para ser contada em apenas um filme.

Interessante é perceber a força da mitologia criada pela escritora Joanne Kathleen Rowling. Todo esse sucesso começou com uma série de livros, coisas que para as crianças e adolescentes do século XIX – acostumadas com internet e games – poderiam ser apenas objetos de papel agrupado destinados a apodrecer nas estantes. Mas mesmo saindo das páginas impressas, Harry Potter conquistou um espaço significativo na cultura Pop. Sinal de que a literatura fantástica permanecerá enfeitiçando leitores por muitas gerações.
>> ASSOMBLOG – por Roberto Beltrão


RAY BRADBURY: FORMADO EM BIBLIOTECAS, ESCRITOR PAGA SUA DÍVIDA

quinta-feira | 16 | julho | 2009

Ray Bradbury_New York Times_Ethan Pines

“Eu não acredito em escolas e universidades”, disse Ray Bradbury, “eu acredito em bibliotecas.”

Quando alguém que está perto de fazer 90 anos já escreveu dezenas de romances, contos e roteiros de filmes famosos e realizou seu objetivo de fazer uma viagem simulada a Marte, o que falta fazer?

“Bo Derek é muito minha amiga, e eu gostaria de passar mais tempo com ela”, diz Ray Bradbury sobre a atriz de Hollywood que apareceu em mais de duas dúzias de filmes desde o final da década de 1970.

Uma resposta improvável, mas Bradbury, escritor de ficção-científica, é muito específico em sua excêntrica lista de interesses e em como tenta concretizá-los em sua idade avançada e no estado de relativa imobilidade.

Isto é uma sorte para as Bibliotecas Públicas do Condado de Ventura, nos EUA -porque, entre as paixões de Bradbury, nenhuma é tão intensa quanto seu antigo entusiasmo por salas cheias de livros. Seu romance mais famoso, “Fahrenheit 451”, que trata da queima de livros, foi escrito em uma máquina de escrever alugada no porão da Biblioteca da Universidade da Califórnia em Los Angeles; seu romance “Algo Sinistro Vem Por Aí” contém uma cena de biblioteca seminal.

Bradbury fala frequentemente em bibliotecas de toda a Califórnia e, no final de junho, esteve em Ventura para uma palestra beneficente para a Biblioteca H.P. Wright, que, como muitas outras do sistema público estadual, corre o risco de fechar as portas por causa do corte de orçamento.

“As bibliotecas me criaram”, disse Bradbury. “Não acredito em colégios e universidades. Acredito em bibliotecas porque a maioria dos estudantes não tem dinheiro. Quando me formei no colégio, durante a Depressão [dos anos 1930], não tínhamos dinheiro. Eu não pude ir à faculdade, então fui à biblioteca três dias por semana durante dez anos.”

Os dólares do imposto predial, que fornecem a maior parte do financiamento das bibliotecas no condado de Ventura, caíram precipitadamente, deixando o sistema de bibliotecas com um buraco de aproximadamente US$ 650 mil. Quase a metade dessa quantia é atribuída à Biblioteca H.P. Wright, que atende a aproximadamente 65% dessa cidade costeira a cerca de 80 km a noroeste de Los Angeles. Em janeiro, a Biblioteca Wright soube que, a menos que conseguisse US$ 280 mil, seria fechada.

O grupo que levanta fundos para a entidade tem até março de 2010 para atingir essa meta. A conversa com Bradbury custa US$ 25 por pessoa e inclui uma projeção de “The Wonderful Ice Cream Suit” (O maravilhoso traje de sorvete), filme baseado em seu conto de mesmo nome.

O objetivo financeiro do evento não é uma solução a longo prazo. Isso só aconteceria se os impostos territoriais fossem aumentados ou os eleitores aprovassem um aumento de meio centavo no imposto das vendas locais em novembro, parte do qual iria para as bibliotecas.
Ameaças fiscais às bibliotecas irritam profundamente Bradbury, que passa todo o tempo que pode conversando com crianças em bibliotecas e incentivando-as a ler. A internet? Não o provoque. “A internet é uma grande distração”, bradou Bradbury em sua casa em Los Angeles. “É insignificante; não é real”, ele continuou. “Está no ar, em algum lugar.”

Quando não está angariando dinheiro para bibliotecas, Bradbury ainda escreve durante algumas horas todas as manhãs; lê George Bernard Shaw; recebe visitantes, incluindo repórteres, cineastas, amigos e filhos de amigos; e assiste a filmes em sua TV gigante de tela plana.

Ele ainda pode ser visto regularmente na Biblioteca Pública de Los Angeles, que visitou frequentemente na adolescência. “As crianças me perguntam: ‘Como também posso viver para sempre?'”, disse. “Eu lhes digo: façam o que vocês amam e amem o que fazem. Essa é a história da minha vida.”
>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Jennifer Steinhauer


‘OS SIMPSONS’ GANHA DOCUMENTÁRIO EM COMEMORAÇÃO AOS 20 ANOS DA SÉRIE

quinta-feira | 16 | julho | 2009

SIMPSONS
Os Simpsons, a família mais famosa das telinhas, acaba de ganhar um documentário em comemoração ao 20º aniversário do seriado. A produção irá se chamar The Simpsons 20th Anniversary Special in 3-D on Ice, dirigido por Morgan Spurlock (Super Size Me – A Dieta do Palhaço), de acordo com a Fox.

“Quando eles me chamaram para isso, eu achava que era uma brincadeira e eu desliguei”, revelou Spurlock. “E então o meu agente ligou de volta e disse, ‘Não, não, isso é de verdade’, e nessa altura eu desmaiei. Então, quando eu acordei, eu chamei a todos, porque eu sabia que era a melhor coisa que eu nunca poderia chegar a fazer na minha carreira”, finalizou.

The Simpsons 20th Anniversary Special in 3-D on Ice será exibido em 14 de janeiro no canal pago FOX.

Durante este tempo de carreira, a família foi parar uma vez nas telonas no longa Os Simpsons – O Filme, lançado em 2007. A aventura arrecadou mais de US$ 527 milhões no mundo e recebeu uma indicação ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme de Animação.
>> CINECLICK


KAFKA: L&PM LANÇA COLETÂNEA DE CONTOS

quarta-feira | 15 | julho | 2009

Kafka_artista da fomeDesde 2001, a L&PM lançou três livros de Franz Kafka: A metamorfose, seguido de O Veredicto; o desabafo Carta ao pai; e a história do labirinto de Joseph K., O processo. Este ano, a editora reúne alguns contos escritos já no fim da vida do escritor, sob o nome de Um artista da fome. O que ele era. Kafka era um artista que tinha fome, não de comida, tinha fome de respostas, fome de alguma coisa que ele procurou a vida toda e com a qual ansiou as almas de várias gerações, famintas como a dele.

O livro traz contos como Primeira dor, Uma pequena mulher, Josefine, a cantora ou O povo dos ratos e, aquele que batiza a coletânea, Um artista da fome, onde contando a história de um homem que passa dias sem comer nada, o autor traz a superfície seus próprios conflitos a paranóia, a solidão, os conflitos existenciais.

Além dos contos, Um artista da fome, traz a novela Na colônia penal, uma mistura de A sangue frio e Laranja Mecânica, com o toque da pena de Kafka. A novela conta a história de um viajante que visita uma colônia penal onde foi construída uma máquina excepcional de execução. A história da máquina que escreve com agulhas na pele dos condenados, é a metáfora do próprio escritor que teve uma obra completamente auto-biográfica. Condenado a gravar em si mesmo os crimes que atormentaram sua escrita.
>> OS ARMÊNIOS – por Madeleine Zimmer


‘O LOBISOMEM’ PASSA POR REFILMAGENS

terça-feira | 14 | julho | 2009

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Até a criatura de Rick Baker será modificada

Adiado em quase um ano, O Lobisomem (The Wolfman) passa por algumas mudanças extensas.

A Universal Pictures, segundo o Daily Mail, refilmou algumas cenas, já que os responsáveis decidiram melhorar as cenas de ação. Além disso, um aspecto fundamental do filme, a criatura desenvolvida por Rick Baker, também foi reformulada. O monstro anteriormente caminhava sobre as pernas, como um homem, mas usará as quatro patas para se locomover na nova versão.

Foram seis semanas de refilmagens dessas sequências de efeitos especiais. Agora, segundo fontes do jornal, as cenas estão mais empolgantes.

No filme, Benicio Del Toro repetirá o papel imortalizado por Lon Chaney em 1941. O remake manterá a ambientação original – a Inglaterra vitoriana. Na trama, Larry Talbot retorna ao castelo de seu pai, no País de Gales, conhece uma linda mulher, Gwen, mas, numa noite fatídica, é mordido por um lobisomem e começa a viver uma sofrida maldição.

Del Toro faz Talbot, Hugo Weaving interpreta o detetive Aberline, Emily Blunt vive Gwen e Anthony Hopkins faz o pai. Joe Johnston (Jurassic Park III, Mar de Fogo) dirige. A nova data mundial de estreia é 6 de novembro.
>> OMELETE – por Érico Borgo


HENTAI “NINJA”: BRASILEIRINHAS LANÇA DVD

terça-feira | 14 | julho | 2009

HENTAI ninja_brasileirinhas
No próximo mês a distribuidora de filmes eróticos Brasileirinhas dará continuidade aos seus lançamentos em DVD para os amantes de putaria em acetato. A empresa colocará no mercado mais um box com 2 discos, cada um contendo um mísero episódio de 30 minutos do hentai Ninja, ao preço de 45,00 em média – ou seja, além de ser louco por hentai ainda tem que ter dinheiro sobrando.

Nada diferente dos títulos já disponibilizados anteriormente, mas mesmo assim temos que tirar ao chapém para a distribuidora, que já conta com cerca de 15 animações do gênero em seu catálogo. É caro? Sim, muuito. Tem qualidade? Raramente. Mas há quem goste e se continuam investindo é porque dá retorno. Que tragam mais.
>> JBOX – por Tio Cloud


‘MATADORES DE VAMPIRAS LÉSBICAS’: JOÃO GORDO EMPRESTA VOZ A PERSONAGEM DE TERROR

segunda-feira | 13 | julho | 2009

Cantor fez dublagem para o filme ‘Matadores de vampiras lésbicas’.
Longa-metragem britânico chega aos cinemas dia 30 de outubro..

Vampiras Lesbicas_joao gordo

João Gordo emprestou sua voz ao protagonista do filme britânico “Matadores de Vampiras Lésbicas“, que mistura terror e comédia e entra em cartaz nos cinemas brasileiros dia 30 de outubro.

O cantor dublou o personagem Fletch (James Corden), que na trama é atacado por mulheres lindas e amaldiçoadas quando resolve passar as férias no campo com um amigo.
>> G1, no Rio

Vampiras Lesbicas_foto


‘SPOOK COUNTRY’: O PAÍS DOS ESPIÕES

segunda-feira | 13 | julho | 2009

William Gibson_Spook CountryEm seu recente “Spook Country”, William Gibson produz um curioso romance de espionagem que “The New York Times Book Review” chamou de “o primeiro exemplo do romance pós-11 de setembro, cujos personagens estão cansados de serem empurrados para lá e para cá por forças maiores do que eles – a Burocracia, a História, e, sempre, a Tecnologia – e finalmente decidiram-se a enfrentá-las”. Chamar o livro de Gibson de “thriller” seria forçar um pouco a barra, porque um thriller é por definição um livro que visa produzir emoções fortes, e Gibson afasta-se mais disso a cada livro que publica. Seu estilo é lúcido, contemplativo, e mesmo quando descreve intensa ação física, como uma perseguição, uma tentativa de atropelamento, uma briga, ele verbaliza as coisas de tal modo que o leitor sente estar tendo acesso a uma descrição analítica de um fato, e não à ilusão do fato propriamente dito.

“Spook Country” conta a minuciosa preparação de algo que imaginamos ser um atentado terrorista, ou um assalto de grande porte, ou um crime político… Vemos os preparativos, mas os vemos através dos olhos de personagens que no livro são protagonistas, mas não passam de meros figurantes no fato. Eles entendem as coisas fragmentadamente, com avanços e recuos, dúvidas e surpresas… Aos poucos vão montando o quebra-cabeças; e nós também.

A certa altura, um dos personagens de Gibson diz: “Uma nação consiste em suas leis. Uma nação não consiste em sua situação num dado momento. Se a moral de um indivíduo é uma moral situacional, este indivíduo não possui uma moral. Se as leis de uma nação são leis situacionais, essa nação não possui leis, e dentro em pouco deixará de ser uma nação. (…) Será que vocês estão tão apavorados com os terroristas que estão dispostos a destruir as estruturas que fizeram da América o que ela é? (…) Se for assim, estarão permitindo que os terroristas vençam. Porque esse é exatamente o seu objetivo, seu único e específico objetivo: amedrontar vocês até fazê-los abrir mão de suas leis. É por isto que são chamados terroristas. Eles usam ameaças aterrorizantes para fazer com que vocês degradem sua própria sociedade. (…) E tudo se baseia no mesmo defeito da psicologia humana que faz as pessoas acreditarem que podem ganhar na loteria. Estatisticamente, quase ninguém ganha na loteria. Estatisticamente, ataques terroristas quase nunca acontecem”.

Desde que Gibson inventou o conceito literário de ciberespaço e fundou o movimento “cyberpunk” sua literatura mudou enormemente, embora em essência permaneça a mesma. Seu estilo tornou-se mais límpido; perto de “Spook Country”, um livro como “Neuromancer” é um delírio surreal. Seu tema básico – humanismo vs. alta tecnologia – continua a perpassar tudo que escreve. Vinte e cinco anos após sua estréia em livro, o humanismo está descendo aos Infernos, e a tecnologia subindo ao Paraíso. Gibson tem a ubiquidade de espírito necessária para documentar os dois.
>> JORNAL DA PARAIBA – por Braulio Tavares


DANIEL RADCLIFFE: FIM DE “HARRY POTTER” É LIBERTAÇÃO

segunda-feira | 13 | julho | 2009

Ator inglês afirma que vai ser estranho quando os filmes terminarem

Daniel RadcliffePara o jovem, o “Enigma do Príncipe“, que estreia na quarta, não sofrerá prejuízo por ser o primeiro a sair após o final da saga nos livros

O ambiente do Mandarin Oriental Hotel, no centro de Londres, é cheio de rococós. Cortinas de veludo, poltronas estofadas, mesas com toalhas pesadas. Daniel Radcliffe, 19, destoa de tudo isso. Ele veste tênis, calças velhas, uma camiseta marrom e uma jaqueta de couro preto. Parece um punk encostado no muro da esquina. É isso o que a reportagem da Folha lhe diz, assim que ele entra no quarto onde cinco jornalistas o esperam: “Você está vestido como um punk”. “Sim”, diz, abrindo um sorriso. “Quando estava vindo para cá, tocou Ramones no rádio. É ótimo! Fiquei de bom humor.” E que música foi essa? “Sheena Is a Punk Rocker”, gravada pelos Ramones em 1977, 12 anos antes de Radcliffe nascer. “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” estava programado para o Natal de 2008 -por isso, uma série de entrevistas, incluindo esta abaixo, foi feita no ano passado. Mas o filme foi adiado e estreia nesta quarta.

PERGUNTA – Este é o primeiro filme de Harry Potter que é lançado quando todos já sabem o final da série. Isso diminui o interesse?
RADCLIFFE – Não, porque todo mundo sabia o que acontecia no quinto livro quando o quinto filme foi lançado. Mesmo conhecendo o sétimo livro, as pessoas vão estar curiosas em ver o sexto e o sétimo filme.

E o fato de o sétimo livro ter sido dividido em dois filmes?
Vamos filmar as duas partes de uma só vez. Eu fiquei feliz com a divisão. Acho que tivemos que cortar muita coisa antes e isso não seria possível no sétimo filme.

E você vai ganhar o dobro de dinheiro?
(Risos) Em teoria, sim. Acho que sim. Gosto do jeito que você pensa! Primeiro diz que sou punk e agora aumenta meu salário! Yeah!

Você faz trabalhos pelo dinheiro?
De jeito nenhum. Dinheiro é uma coisa pela qual sou muito, muito grato. Não me preocupo com dinheiro, mas provavelmente isso acontece porque o tenho. Uma das coisas pelas quais adoro George Clooney é que ele faz a série “Onze Homens e um Segredo” , que são bons filmes comerciais, e ele tira grana daí e faz “Syriana” ou “Boa Noite, Boa Sorte”, filmes que não vão render muito dinheiro, mas que são ótimos.

Estamos bem perto de dizer adeus a Harry Potter. Como se sente a respeito disso?
Acho que vai ser bem estranho quando terminarmos. Nos últimos tempos, quando fiz outros trabalhos, como “December Boys” [cinema], “Equus” [teatro] ou “My Boy Jack” [filme para TV], sempre soube que haveria um filme de Harry Potter para voltar e havia segurança nisso. Ao mesmo tempo, acho que vai ser uma libertação. Hoje, recebo roteiros fantásticos e tenho que dizer: “Infelizmente, estou ocupado até 2030” (risos).

Cinema, teatro ou TV?
É interessante. No palco, você tem aquela plateia na sua frente e isso é muito empolgante. Na TV, o legal é que é tão rápido… E, quando vou fazer Harry Potter, é um processo muito, muito lento. Levamos 11 ou 12 meses num filme. Quando conseguimos uma cena inteira num dia, é um dia muito bom. Em “My Boy Jack”, fazíamos seis ou sete cenas por dia. Isso me exigia muito mais em termos de aprendizado. A diferença é que a TV é um corrida de cem metros e o cinema é uma maratona. Porque o desafio em Potter é manter os níveis de energia altos e manter a resistência por 12 meses. Mas, se eu tivesse que escolher um dos três, eu realmente amo o teatro e escolheria esse.

As meninas brasileiras querem saber: que tipo de garotas você gosta?
De garotas brasileiras (risos)! Nunca estive no Brasil, nem na América do Sul. Na verdade, procuro por alguém que seja mais talentosa que eu, que seja mais esperta que eu. Eu quero alguém que me desafie e que esteja certa sobre as coisas mais vezes do que eu. Não sei por quê, mas acho que se entrasse num relacionamento em que eu estivesse sempre certo, eu ficaria de saco cheio. Preciso de alguém que realmente me desafie. E que tenha um bom gosto musical! Sim, porque acho que se a gente estivesse numa situação romântica, jantar à luz de velas, e ela colocasse Britney Spears no som, eu sairia correndo.

Talvez se ela colocasse Sex Pistols?
Exatamente! Isso seria bem mais romântico (risos).
>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Ivan Finotti


TURMA DA MÔNICA: CAPITÃO FEIO

segunda-feira | 13 | julho | 2009

Turma da Monica_capitao feio
Supersimpático supervilão supersujo, o Capitão Feio tem algumas de suas melhores histórias em quadrinhos reunidas em edição extra da revistinha da Turma da Mônica (Panini). O gibi de 68 páginas custa R$ 3,20 e traz as aventuras “O monstro do lixo”, “A ameaça das águas”, “Cabe mais um”, “Bicho-Papão sujão!” e “O sumiço dos pais do Cascão”.

A primeira, em que Cascão é transformado pelo Capitão em monstro gigante, ao estilo das ameaças japonesas, é ótima. E conta com participação especial de Cáspion, pois o Superomão estava de férias em Saturno, a Mulher-Maravilhosa tinha quebrado o pé e os Xingamen haviam mandado os uniformes para a lavanderia.
>> GIBIZADA – por Telio Navega


O JARGÃO DA FICÇÃO CIENTÍFICA

sábado | 11 | julho | 2009

astounding-science-fiction Nov 1953a
(Astounding SF, novembro 1953)

A ficção científica é como o xadrez, a música sinfônica ou a química orgânica. Para quem não domina seus conceitos, é um caos sem sentido. Para quem os aprendeu, é uma fonte inesgotável de beleza, conhecimento e evolução mental. O uso inesperado de palavras comuns e a invenção de novas palavras é um dos recursos mais fascinantes desse tipo de literatura. Há um exemplo clássico, muito citado pelos críticos, de uma história de Robert Heinlein ambientada no futuro onde a certa altura o autor diz, assim como quem não quer nada: “The door dilated”. A porta se dilatou. A porta se expandiu, se alargou. O autor implica que no futuro as portas serão aberturas que se dilatarão, como pupilas, para que as pessoas passem por elas, em vez de consistirem em abertura vedadas por painéis que giram em ângulo sobre dobradiças. As portas poderão ser (e os cenógrafos dos filmes de FC adotaram isto rapidamente) como diafragmas de máquinas fotográficas.

Uma frase discutida há pouco na New York Review of SF é bem típica das circunvoluções barrocas a que a FC pode chegar, para deleite dos aficionados e perplexidade dos leigos. Críticos ficaram debatendo os méritos ou os excessos de uma frase de Charles Stross num livro recente: “An unoptimized instance of H. Sapiens maintains state coherence for only two to three gigaseconds before it succumbs to necrosis”. Mais ou menos: “Um exemplar não-otimizado de Homo Sapiens mantém coerência de estado por apenas dois ou três gigassegundos antes de sucumbir à necrose”. Um gigassegundo (um bilhão de segundos) dá aproximadamente 31,7 anos. Duas ou três vezes isto é uma média de tempo de vida bem razoável para um corpo humano não-otimizado, ou seja, sem receber os implementos, próteses, aditivos bio-moleculares ou outros fatores com que a civilização futura possa aumentar nossa longevidade. Sem isso, é claro que entre os 62 e os 93 anos um ser humano sucumbe à necrose.

O que há de interessante nesta frase é que nela o jargão científico – que infelizmente provoca tanta rejeição na maioria dos leitores – tem uma dupla função: informativa e poética. “Poética” com o sentido bem específico de “intensificação de efeito”. Este resumo do destino biológico do ser humano é como aqueles documentários em que, por meio da câmara acelerada, vemos a terra se abrir, uma folhinha verde brotar, em alguns segundos uma arvorezinha tenra esticar-se para o alto, com um caule que vai aos poucos engrossando e se escurecendo, abrindo galhos fortes e ramos mais finos em todas as direções, cobrindo-se de folhas que rapidamente caem e são substituídas por outras, até que os galhos secam, o tronco mirra, apodrece e se desfaz. Um século inteiro de vida em poucos segundos. Essa capacidade de sintetizar o tempo cósmico e a existência humana em poucas frases, que foi uma especialidade de Augusto dos Anjos, é um dos muitos e raros prazeres que encontramos na ficção científica.

MAIS JARGÃO

PLANET STORIES
(Planet Stories, julho 1952)

Falei aqui há pouco tempo sobre as belezas literárias da ficção científica, o modo como a FC expande e enriquece nossa maneira de ver as coisas através da simples escolha de palavras, e da criação verbal de imagens ou situações que não ocorreriam espontaneamente a nossa imaginação. Existe na FC uma forma peculiar de poesia que nasce do conhecimento científico do autor somado à sua habilidade em compor uma frase que ao mesmo tempo nos evoca algo familiar e desnorteia nossos pontos de referência por nos fazer considerar dimensões muito além das que estamos acostumados a conceber.

Neuromancer, o grande romance cyberpunk de William Gibson, começa com uma frase que ficou famosa: “O céu sobre o porto era da cor de uma tela de TV ligada num canal fora do ar”. É o diapasão ideal para que o leitor entre no tom de um texto onde se misturam irrealidade, tecnologia e desenraizamento. Um conto de Greg Egan, “Learning to Be Me”, tem como tema uma tecnologia futura em que uma espécie de “disco rígido” é implantado na mente das pessoas, gravando todas as suas memórias, para que sua personalidade possa um dia ser transplantada para um novo corpo. O conto começa assim: “Eu tinha seis anos quando meus pais me disseram que dentro do meu cérebro havia uma pequena jóia escura, aprendendo a ser quem eu sou”.

Um dos melhores contos do brasileiro Fausto Cunha, “61 Cygni”, conta como uma prostituta percorre as ruas de madrugada e encontra-se com um cliente estranho, que a leva para um local escuro e aí se transforma numa criatura indizível que a ataca. Enquanto morre, transfixada de dor, ela ainda tem tempo de pensar que “eles” talvez desconheçam a dor e não saibam o mal que estão lhe fazendo. Mas aí ela ouve uma voz em sua mente dizer: “Sabemos, sim. Sabemos TUDO”. E o último parágrafo do conto diz: “O raio mergulhou no espaço, rumo à planície incandescente onde os Seres de Cristal estão imóveis à espera. Estão imóveis, e têm a forma de uma rosácea”. Meu amigo! Se isto não for grande literatura, então é melhor eu mudar de ramo, porque não entendi nada.

Claro que nem tudo na FC tem este nível. Li há pouco num saite esta citação de um conto de um tal de Kenyon Holmes intitulado “The Man Who Rode the Saucer”, ou seja, “O Homem que Pilotava o Disco”. Ao descrever os alienígenas de sua história, ele se sai com esta pérola: “Não eram marcianos… nem venusianos. Eram de regiões muito mais longínquas. De uma Galáxia vizinha, com seu próprio sol e seus próprios planetas; vinham de uma estrela que, pelas melhores estimativas de Creigh, devia estar situada na órbita de Antares, o seu sol”. Para quem tenha um mínimo de conhecimento de astronomia, este trecho é Zé Limeira puro, é o Samba do Crioulo Doido, é o lado mais caricatural e mais divertido da “space opera” dos “pulp magazines”. Porque nem só de Grande Arte vive um leitor. Se não existisse o Íbis, não compreenderíamos o que faz o Barcelona.
>> MUNDO FANTASMO – por Bráulio Tavares


DESCOBERTA DE LIVRO NUNCA PUBLICADO POR C.S. LEWIS

sábado | 11 | julho | 2009

CS Lewis_carta
C.S. Lewis, autor de As Crônicas de Nárnia e Cartas de um demônio a seu aprendiz, e JRR Tolkien, autor de O Hobbit e O Senhor dos Anéis, planejaram escrever um livro juntos sobre a Linguagem, nos anos 1940. De acordo com uma carta escrita por Tolkien, em 1944 a seu filho Christopher, o co-escrito livro era para ser chamado Language and Human Nature (A Linguagem e a Natureza Humana). Um aviso de sua editora anunciou que o livro foi agendado para a publicação em 1950. Foi, no entanto, nunca publicado. Estudiosos estavam pensando, até agora, que a obra nunca foi iniciada.

Steven Beebe, Professor e Coordenador do Departamento Estadual de Estudos sobre Comunicações do Texas, descobriu as páginas abertas do manuscrito inédito na Biblioteca Bodleian da Universidade Oxford e recentemente documentou que o manuscrito foi o início do que anteriormente acreditava-se ser o livro não escrito de Lewis e Tolkien.

Embora CS Lewis tenha começado o livro, não há provas de que Tolkien começou a trabalhar no projecto.

“O que é excitante”, disse Beebe, “é que o manuscrito inclui algumas das melhores e mais precisas declarações de Lewis a natureza da linguagem e do significado. Tanto Lewis quanto Tolkien escreveram separadamente sobre linguagem, comunicação e significado, mas eles nunca publicaram algo em conjunto”.

O artigo que Beebe escreveu documentando sua descoberta, “Manuscrito Encontrado de ‘A Linguagem e a Natureza Humana’: C.S. Lewis sobre Linguagem e Significado“, será publicado no próximo ano no jornal Seven: An Anglo-American Literary Review (Sete: Uma Resenha Literária Anglo-Americana). O jornal Seven publica bolsas de estudo que foca no trabalho dos sete mais proeminentes autores britânicos do século XX, incluindo tanto Lewis quanto Tolkien.

Os trechos do manuscrito foram encontrados por Beebe em um pequeno caderno, no qual Lewis tinha escrito a palavra “Esboços”. Incluídos no esfarrapado caderno, estão fragmentos de ideias inicias de duas Crônicas de Nárnia, O Sobrinho do Mago e A Viagem do Peregrino da Alvorada, juntamente a ideias sobre uma variedade de assuntos não publicados.

Beebe descobriu o fragmento do livro virando o pequeno caderno e lendo da contra-capa para a capa.

“Eu estava tão surpreso ao descobrir que Lewis tinha escrito sobre linguagem e significado, utilizando exemplos e ilustrações nunca encontrados em nenhum de seus trabalhos publicados”, disse Beebe. “Eu sabia que tinha descoberto algo interessante. Mas, na época, eu não sabia que tinha encontrado algo importante”.

Vários anos após a descoberta do manuscrito e de fazer pesquisas adicionais sobre Lewis e Tolkien, Beebe concluiu que o manuscrito era o início do livro perdido.

Na própria e distinta caligrafia de Lewis, a frase de abertura indica claramente que Lewis estava escrevendo um livro sobre a natureza e as origens da linguagem, o tema do projeto do livro de Lewis e Tolkien. Outras provas de que o manuscrito é o início do projeto em co-autoria é o fato de que Lewis escreveu sobre “as nossas declarações” e utilizou a expressão “autores consideram” ao invés de escrever na primeira pessoa do singular como Lewis fez muitas vezes. Devido ao manuscrito recém-descoberto ser protegido, ainda não está disponível para publicação. A permissão deve ser concedida pela C.S. Lewis Pte, e esse processo está em andamento. Quando for publicado, Beebe acredita que o manuscrito irá adicionar novos insights sobre as ideias de Lewis acerca da natureza da linguagem, com uma ênfase especial nos aspectos da linguagem oral, e sobre como significado ocorre quando os seres humanos se comunicam.

Beebe ministra um curso sobre Lewis e comunicação denominado “C. S. Lewis: Crônicas de um Mestre Comunicador”, tanto no campus do estado do Texas em San Marcos quanto em uma classe especial que será ministrada nestes meses de julho e agosto, na Universidade de Oxford. Muitas aulas são ministradas em vários locais em toda a Oxford, incluindo a casa de Lewis, The Kilns; o Magdalen College, a faculdade onde ensinava Lewis, bem como na sala do Eastgate Hotel onde Lewis conheceu sua esposa, Joy Davidman. Sua história de amor foi o tema do filme Shadowlands, em que Anthony Hopkins representou Lewis e Debra Winger retratou Joy.

“Minha meta no ensino do curso em Oxford,” disse Beebe, “é trazer Lewis à vida e fazer os alunos descobrirem a abordagem de Lewis sobre comunicação. Descobrir ideia inéditas de Lewis sobre linguagem e natureza humana acrescenta profundidade à nossa discussão sobre a sua abordagem em comunicação”, disse Beebe.

OBS.: A imagem acima é de trecho de uma das cartas de CS Lewis, não do manuscrito.
>> Texas State University via Aslan’s Country – tradução e adaptação: Polly Plummer (Narnianos.com)


SÉRIE HARRY POTTER, DE J.K. ROWLING

sábado | 11 | julho | 2009

Harry Potter_livros2
Na minha mais sincera opinião, foi uma façanha. J.K. Rowling é bruxa, só pode ser!

Uma escritora competentíssima, dona de uma fertilidade criativa invejável, arquiteta de tramas macarrônicas saturadas de reviravoltas rocambolescas e – o mais incrível – que não confunde o leitor! Ela consegue sustentar através de sete livros uma narrativa leve e cativante, dosando um nível de maturidade crescente. Sabe construir personagens carismáticos; aliás, gera um exército deles! Lança todos no tabuleiro e não perde o comando do jogo, constrói uma teia supercomplexa de relações e brinca de fazer e desfazer os nós… Isso que é uma tremenda contadora de histórias!

O que mais me admira não é o amplo impacto da série Harry Potter e o fato dela tem ter conquistado leitores de todas as idades, em todos os países. Tenho certeza que ela criou um conto de fadas para as crianças dos próximos séculos. É um clássico absoluto. Rowling não escreveu simplesmente uma história de bruxos, ela criou uma mitologia completa e a situou no mundo contemporâneo, na realidade das crianças de hoje, falando a língua delas, conhecendo as suas necessidades e gostos. E a despeito da complexidade, que é bem alta (inclusive nos primeiros livros), consegue prender a atenção infantil – por isso eu repito: é uma façanha!

Muitas pessoas – eu, inclusive – vivem lembrando as influências onde Rowling bebeu para criar Harry Potter. A começar que o menino é a cara de Tim Hunter, o menino bruxo dos Livros da Magia, do Neil Gaiman, que também é órfão, também está destinado a se tornar um grande bruxo e também tem uma coruja de estimação. Ou pode ainda ter se baseado numa tal escola de magia de Roke, do mundo de Terramar (Earthsea, concebido pela Ursula K. Le Guin), igualmente povoado de dragões e palavras mágicas, e com vilões cuja grande aspiração é a imortalidade. Eu não chamaria de plágio, mas tenho certeza que essas referências passaram por Rowling e a ajudaram, ainda que inconscientemente, a compor o universo de Harry Potter. No caso, o que interessa não é se ela usou as referências, mas COMO as usou.

Mas vamos aos livros…

Falando dos personagens que mais gostei (e os mais criativos, na minha opinião) destaco: a família trouxa Dursley, o gigante Hagrid (e seus bichinhos: Norberto, Bicuço, os explosivins…), Alvo Dumbledore, o narcisista Gilderoy Lockhart, os gêmeos tagarelas Fred e Jorge Weasley, o lobisomem Lupin, os dementadores, a professora Trelawney, a veela Fleur Delacour, Olho-Tonto Moody, Ninfadora Tonks, a megera Umbridge e – minha clone fictícia: – Luna Lovegood. No entanto, como tenho uma verdadeira fascinação por personagens ambíguos – que transitam entre a vilania e o heroísmo – o meu favorito é o Severo Snape, com quem simpatizei logo de início e no final virei fã completa (soube que é um dos personagens favoritos de Rowling também). É raro encontrar personagens tão bem trabalhados.

Das metáforas inteligentes: medalha de bronze para o F.A.L.E., da Hermione Granger, uma instituição devotada a querer libertar os elfos domésticos, que não fazem a menor questão de serem libertados. Medalha de prata para a Inquisidora de Hogwarts, Dolores Umbridge, e seus decretos-lei que não deixam nada a dever para o AI-5. Medalha de ouro para a supremacia da raça bruxa e a perseguição aos sangue-ruins; só faltava os Comensais da Morte usarem a suástica no lugar da marca negra.

Críticas. Acho que eu recomendaria um pouco menos de Agatha Christie no tempero. Às vezes a trama fica rocambolesca demais, e então a situação se esclarece magicamente numa conversa com algum personagem chave. Estranho também Harry Potter e cia terem um chutômetro excepcionalmente bom e um talento inexplicável para juntar pistas e chegar a conclusões improváveis e magicamente certeiras. Senti uma certa falta de arrependimento em Harry nos momentos em que ele percebeu que estava errado. E bem que fiquei me perguntando se um dos pré-requisitos para ser professor em Hogwarts é ser solteiro e celibatário. E sobre a temática dos últimos livros – a morte -, a questão do medo da morte perdeu o impacto num universo que é habitado por fantasmas e onde os mortos voltam por magia para dar conselhos. Conheço muita gente que não gostou do final; realmente, o livro 7 parece ter algumas fraquezas – personagens esquecidos que ficam sem desfecho, muitas idas e vindas em meio às batalhas finais, uma certa tendência a sucumbir a clichês e um epílogo que me pareceu totalmente redundante. Mas de resto, perfect!

Os dois primeiros livros pouco me prenderam. A trama começou a ficar muito mais empolgante a partir do 3º (o prisioneiro de Azkaban); a mudança radical de atitude do 5º livro (a Ordem da Fênix) é o ponto alto da série, e também curti o roteiro imprevisível e diferentoso do sétimo livro (as Relíquias da Morte).

É isso aí. Elogios feitos, chapéu tirado. Agora, se me permite, vou desaparatar…
>> Cristina Lasaitis


CONHEÇA DEFYING GRAVITY

sábado | 11 | julho | 2009

S1-1
Esta é uma co-produção entre Inglaterra, Canadá, Alemanha e Estados Unidos, criada pelo veterano americano James D. Parriott, responsável por séries como “Voyagers!” e a canadense “Maldição Eterna/Forever Knight”; produtor de “Grey´s Anatomy” e “Ugly Betty”.

A série tem como base um documentário da BBC chamado “Space Odyssey: Voyage to the Planets”, de 2004. Filmada em Vancouver, Canadá, e situada no futuro próximo, a trama gira em torno de um grupo de oito astronautas representando cinco diferentes países.

Quatro homens e quatro mulheres partem em uma missão international monitorada que deverá durar seis anos, para explorar o sistema solar. Mas logo o grupo descobre o verdadeiro objetivo de sua missão.

A narrativa é dividida entre presente, com a nave Antares em viagem ao planeta Vênus, e passado, com flashbacks que remontam oito anos antes quando os astronautas passavam pelo processo de seleção e treinamento, enfrentando desafios de se superarem.

Estrelada por Ron Livingston, visto em “Sex and the City”, Laura Harris, Malik Yoba, Christina Cox, Eyal Podell, Zahf Paroo, Florentine Lahme, Ty Olsson e Peter Howitt.

Criada para ter pelo menos três temporadas, a série teve 13 episódios iniciais encomendados, os quais serão exibidos pela rede ABC americana. O piloto de duas horas de duração vai ao ar no dia 2 de agosto, e os demais episódios serão exibidos a partir do dia 9 de agosto. Na Inglaterra, a série será exibida pela BBC2 e no Canadá pelo CTV.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


‘STAR TREK XI’ CHEGA EM DVD

quinta-feira | 9 | julho | 2009

Star Trek XI_posterA
O filme de J.J. Abrams, o 11º na lista da franquia, chega em DVD ao Brasil no dia 4 de novembro, para venda.

Abrams e os roteiristas Roberto Orci e Alex Kurtzman receberam a missão de resgatar a franquia que desde o final dos anos 80 vinha declinando nas bilheterias. Para se ter uma idéia, o novo filme já rendeu 247.625 milhões de dólares somente nos EUA, e pouco mais de 371 milhões de dólares a nível global. Levando em consideração que seu custo de produção foi de 140 milhões de dólares.

O 10º filme, “Nemesis“, tinha rendido para a Paramount pouco mais de 43 milhões de dólares. O filme da franquia que mais tinha rendido nas bilheterias para o estúdio era “Jornada nas Estrelas: IV“, com 109.713 milhões.

Por curiosidade, em 1982, “Jornada nas Estrelas: A Ira de Kahn“, foi responsável em alterar o rumo das vendas de filmes em VHS. Ao lançar esta produção em home video, a Paramount baixou o preço que vinha sendo cobrado até então, de 79,95 dólares para 39,95 dólares.

O filme vendeu mais de 100 mil cópias, promovendo uma corrida dos outros estúdios para reajustar os valores de suas produções em VHS, dando início, de fato, ao mercado de home video.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


‘LIVRO DE SANGUE’: VEJA O NOVO TRAILER DA ADAPTAÇÃO

quinta-feira | 9 | julho | 2009

Livro de Sangue
Filme de Clive Barker já está disponível no Brasil em DVD

Book of Blood, longa-metragem que adapta os Livros de Sangue de Clive Barker, ganhou um novo trailer.

Na trama, depois de anos tentando provar que existe um universo sobrenatural, a Dra. Mary tem a oportunidade definitiva de confirmar sua teoria. Ela, seu assistente e o estudante Simon McNeal mudam-se para uma casa onde aconteceram brutais e inexplicáveis assassinatos. Mary espera que Simon, um paranormal, seja o elemento de ligação com o mundo dos mortos. Mas ela e Simon acabam se apaixonando e desencadeando forças que não podem ser controladas, tornando o rapaz um escravo do além, alguém cuja pele torna-se uma eterna página na qual os mortos escrevem incontáveis contos de morte, perversão e injustiça.

Book of Blood tem roteiro e direção de John Harrison. O lançamento acontece em DVD e Blu-ray nos EUA em 22 de setembro, mas o disco já está nas locadoras brasileiras, pela Playarte, desde 15 de abril com o título Livro de Sangue.
>> OMELETE – por Érico Borgo

Assista ao trailer:


PINÓQUIO, O CAÇADOR DE VAMPIROS

quinta-feira | 9 | julho | 2009

Pinoquio_capa

Criado pelo escritor Van Jensen e pelo artista Dusty Higgins, Pinocchio, Vampire Slayer é uma maluca reinterpretação da história do boneco de madeira que se transforma em um menino de verdade.

Jensen buscou inspiração na história original, escrita por Carlo Collodi, onde Pinóquio mantém-se de madeira no final, para escrever uma história na qual vampiros invadem a pacata cidade de Nasolungo e o garoto criado por Geppetto é o único disposto a lutar contra essas criaturas. Enquanto Pinóquio tenta vingar a morte de seu criador, ele descobre que o objetivo desses vampiros vai além de apenas chupar sangue.

Jensen disse que o conceito começou como uma brincadeira, mas a história cresceu a ponto de se tornar um conto cheio de nuances e dramas, sem esquecer suas “raízes”. “Sim, temos dramas e pesares, mas também teremos Pinóquio empalando vampiros com seu nariz. Montes de vampiros”, contou Jensen.

Higgins disse que eles pensaram na história como se Pinóquio não vivesse feliz para sempre, mas estivesse destinado a matar vampiros. “Ele tem um estoque infinito de estacas de madeira e não tem carne ou sangue para se preocupar. Pinóquio é a arma perfeita contra esses chupadores de sangue”.

Pinocchio, Vampire Slayer será publicada pela SLG Publishing e estará à venda nos EUA em setembro.

A Slave Labor Graphics (SLG) Publishing é uma editora norte-americana de quadrinhos independentes fundada em 1986, por Dan Vado. Boa parte de seus títulos trazem temática gótica ou de humor negro, como Lenore, Gloomcookie, Nightmares & Fairy Tales ou Johnny the Homicidal Maniac. Publicou também HQs de Tron e Os Gárgulas, entre outras.
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno

Assistar ao trailer promocional da graphic novel:


MAURÍCIO DE SOUSA: DOIS NOVO LIVROS DA COLEÇÃO CONTOS

quinta-feira | 9 | julho | 2009

A Editora Globo está retomando a Coleção Contos de Mauricio de Sousa, com o lançamento de dois novos livros belíssimos.

Mauricio de Sousa_CONTOS1

Falando com os Bichos, ilustrado por Thalita Dol, mostra a vida de um garoto que se diverte imitando o som dos animais da fazenda e observando as reações deles, numa gostosa molecagem.

Mauricio de Sousa_CONTOS2

Já Vendo sem enxergar, com desenhos de Anderson Mahanski, conta a história de Tonico, um garoto cego que, durante um passeio pelo campo, conta ao amigo Zé como “vê” a natureza ao seu redor.

Os livros têm 32 páginas, são no formato 21,5 x 21,5 cm e custam R$ 23,90 cada um. Nessa coleção, outros artistas ilustram histórias contadas por Mauricio de Sousa sem os personagens da Turma da Mônica. Antes desses dois lançamentos, a Editora Globo publicou outros três livros, em 2006: O Ratinho Curioso, Eu Vejo e O Pelicano Mentiroso, todos desenhados por Mauro Souza. Todos podem ser encontrados nas livrarias.
>> MURAL


SÉRIES CLÁSSICAS EM VERSÃO PORNÔ

quarta-feira | 8 | julho | 2009

Star Trek_porno

Sem muito alarde, no ano passado a Hustler Video Group começou a produzir paródias de clássicos da TV em versão pornô. A mais recente chama-se This Ain’t Star Trek XXX, e os títulos incluem retoques em Happy Days, A Família Dó Ré Mi (The Partridge Family), Gilligan’s Island, Os Monstros (The Munsters), e A Família Sol Lá Si Dó (The Brady Bunch).

Mas a empresa não para por aí. Eles ainda oferecem uma nova visão de reality shows, como Hell’s Kitchen e Keeping Up With the Kardashians. Na promessa, encontra-se uma adaptação de I Love Lucy, que deve se chamar Everybody Loves Lucy.

Jeff Thill, um dos diretores da empresa, entrou em contato com William Shatner para convidá-lo a gravar um comentário para o DVD da paródia de Jornada nas Estrelas, mas o ator recusou a oferta.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim

Veja o trailer oficial:


FICÇÃO DE GÊNERO COMO DEGRAU: A CRÍTICA DE J. PAES

quarta-feira | 8 | julho | 2009

Jose Paulo PaesO crítico, poeta e tradutor José Paulo Paes (1926-1998) é conhecido por ser um dos poucos intelectuais brasileiros de peso no jornalismo cultural a voltar seus olhos para a ficção científica. Mas vamos ver que tipo de argumento ele tem levantado sobre o gênero…

O que é ficção de gênero? Ficção científica, fantasia, horror, suspense, mistério, faroeste, histórias da amor, histórias de guerra, etc. Aquelas formas de ficção que em geral são consideradas como “literatura de entretenimento” ou literatura comercial.

Nos ensaios “As Dimensões da Aventura” e “Por Uma Literatura Brasileira de Entretenimento” (In A Aventura Literária, José Paulo Paes. São Paulo: Companhia das Letras, 1990, págs. 11-38.), José Paulo Paes parece ter um ponto de vista bastante razoável em muitas das suas afirmativas e propostas com respeito à literatura de entretenimento ou ao romance de aventuras, mas não evita expressar seus preconceitos.

Em “As Dimensões da Aventura” ele faz um histórico dos antecedentes do romance de aventuras: o poema épico (Homero), o conto maravilhoso (contos-de-fadas, etc), as narrativas de viagens, a novela de cavalaria, etc. Para ele, o herói do romance de aventuras nunca é especialmente profundo, e Paes então nos lembra das “personagens planas X personagens redondas” (na teoria de E. M Forster), mas expressa seus preconceito limitador quando recorre a um velho clichê crítico, ao escrever que (citando Tzvetan Todorov), quando se tenta “embelezar” o romance policial, ele deixa de ser romance policial e passa a ser “literatura”.

No campo da FC é comum se ouvir que, se é bom, não pode ser FC. O preconceito institucionalizado aparece ainda quando Paes afirma que “a crítica bem-pensante (sic) costuma relegar ao plano da subliteratura … a ficção aventureira, tão popular no século 19 e nos primeiros decênios do nosso século, mas hoje definitivamente suplantada pelos seus sucessores naturais – as histórias de espionagem e de ficção científica.”

Mas 1984 de Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Huxley, obras “respeitáveis”, raramente são chamadas de ficção científica (embora o sejam), e nunca pela “crítica bem-pensante”. Nisso se revela a questão do estatuto literário, conforme definido por Bernard Mouralis, no livro As Contra-Literaturas – a posição, o status que uma determinada literatura possui.

Para Paes, é esse aspecto o valor dominante, e não as características estruturais e inerentes da FC ou outros gêneros. Por mais que eu me esforce, fica difícil entender como é que um romance de FC, possa se “sublimar” e assumir um lugar dentro de um discurso canônico que em geral desconsidera o valor de qualquer obra de gênero, sem deixar de valorizar o gênero ao qual pertence.

Parece um pouco com um filme de Charles Chaplin: o sujeito é um vagabundo que todos desprezam, para o qual as mulheres não dão a melhor bola, e que a polícia persegue o tempo todo. Aí o sujeito vai para o Alasca e faz uma fortuna em ouro. Quando volta, é convidado para se associar a todos os country-clubs de milionários – só que agora ele não pode nunca restabelecer os contatos com os amigos do tempo de vagabundagem. Agora, ele pertence à elite.

É espantoso até onde vai o intelectual para salvar as aparências dos seus valores, diante do que percebe ser a “ameaça” representada por gêneros como a FC. Vale, inclusive, recordar a famosa polêmica entre o escritor André Carneiro e Otto Maria Carpeaux, renomado crítico literário e intelectual alemão radicado no Brasil, e já falecido. Carpeaux afirma: “Tenho lido, gemendo, várias dúzias desses livros (de ficção científica).”

Bem, na minha conta, “várias dúzias” são pelo menos três dúzias, porque uma ou duas dúzias a gente fala normalmente. Três dúzias são 36 livros. Lendo um por semana, que é uma boa média, mas levando em conta ainda que ele não leria todos os 36 um atrás do outro, me parece que Carpeaux levaria em torno um ano ou um ano e meio lendo – “gemendo” – toda essa biblioteca de FC, até chegar à conclusão de que nenhum deles prestou. Agora, depois da primeira dúzia de porcarias, quem é que teria saco de ler as outras 24? É muito excesso de zelo. Talvez Carpeaux tenha simplesmente usado uma figura de linguagem, e ele mesmo leu dois ou três romances e concluiu que o gênero todo e os seus milhares de livros eram pura porcaria.

Mas o próprio André Carneiro reconhece outras contradições em Carpeaux, como os momentos em que ele elogia enfaticamente romances de FC escritos por Olaf Stapledon ou Walter M. Miller Jr., mas que por uma razão ou outra não foram comercializados como FC. É justo concluir que o problema de Carpeaux era com o rótulo FC, e não com as obras. Outra possibilidade, mais irônica, é a de que Carpeaux leu aquelas “várias dúzias” de livros de FC porque gostava, mas só se sentia livre para elogiar livros do gênero não comercializados como tais. Afinal, ele tinha uma imagem de crítico e intelectual a proteger.

Paes lembra a introdução de autores de aventura no Brasil por meio das coleções Terramarear e Paratodos, da Companhia Editora Nacional, e já dá conta da divisão (que não existia tão expressamente no século 19) entre “literatura” e “literatura popular”.

Paes associa a FC a um impulso saudosista que recupera o exotismo que não mais existe em nosso mundo “encolhido”, projetando esse exotismo para o espaço. Em primeiro lugar isso aliena toda aquela parte substancial, senão dominante da FC, que não é ambientada no espaço. Além disso, a associação aí com a literatura exótica (de viagens e explorações e tratando do mundo colonial) é superficial e redutora.

Mouralis coloca a literatura exótica como uma primeira tentativa do “eu” europeu em comunicar-se, em tentar compreender o “outro” que aparece, a partir do século 16, como o não-europeu dos mundos em recém descobertos e em processo de colonização. A FC se associa à literatura exótica nessa chave de comunicação “eu-outro”, porque ela investiga um “outro” virtual, na forma da criatura alienígena, do mutante, do homem do futuro, etc. Mas essa exploração pode tanto conduzir a um exótico vinculado ao saudosismo, quanto a especulações instigantes sobre o relacionamento “eu/outro”.

Paes entende que a continuidade do exótico do romance de aventuras na FC é rompida quando a adesão ao mundo geográfico e físico compreendido não é mais determinante na FC, que passa a especular sobre a geografia e a física de um universo ainda não conhecido. Esse rompimento conduziria a um “tédio da fantasia” (segundo Koestler), o que é outra concepção problemática, mas que acabou se fixando como um clichê crítico limitador – a idéia de que na FC tudo seria possível, desse modo desobrigando o leitor de qualquer esforço intelectual e conduzindo a leitura do gênero a uma atividade tediosa. Toda a boa FC é capaz de desviar-se dos fatos conhecidos substituindo-o por uma “lógica alternativa” que deve operar dentro do universo ficcional. Mesmo a literatura de fantasia, baseada em mundos mágicos, também se obriga à construção de uma lógica alternativa. Por fim, é possível até mesmo recorrer às teorias pós-modernistas na questão, pois elas consideram que qualquer texto ficcional, mesmo os que pretendam ser realistas, são basicamente construções alternativas, arbitrárias, de uma realidade que não pode ser apreendida.

Em “Por uma Literatura Brasileira de Entretenimento“, Paes defende a produção local de uma literatura popular como modo de conquistar para a literatura brasileira um público leitor mais numeroso. Cita Umberto Eco e sua teoria de Apocalípticos x Integrados, mas afirma: “Talvez cause estranheza ter-se falado até agora só de um nível popular e de um nível médio na literatura de entretenimento, deixando de fora um eventual nível superior. Este já seria o da literatura erudita ou de proposta, onde há de igual modo um propósito de entretenimento, embora de natureza mais sutil e menos ‘fisiológica’, se assim se pode dizer…” “Fisiológica” aqui deve significar “concebido como um produto para a venda”.

Paes acredita que a literatura de entretenimento de nível médio pode ser um degrau de acesso ao patamar da literatura “séria”, da “alta literatura” e outras bobagens. A proposta em si é razoável e a tarefa de conquistar leitores e conduzi-los a uma literatura de apreciação mais sofisticada é também honrosa, mas o seu engano está em achar que esse patamar mais alto está fora do âmbito da própria literatura popular ou de gênero.

A idéia de que os escritores de ficção de gênero seriam subservientes ao extremo de acreditarem que sua maior função seria a de servir de degrau para os verdadeiros aristocratas da palavra é enfurecedora em sua presunção de que eles já teriam, nos aspectos comerciais do ofício, recompensa suficiente, e que não estariam interessados nas “glórias do panteão literário” e em qualquer reconhecimento intelectual e artístico. Sem dúvida, se os autores populares ou de gênero pretendem conquistar leitores, será para as formas em que militam, e não para a literatura elitista que costuma esnobá-los. Se há algum tipo de glória envolvida, a queremos para nós, e não para entregá-la aos literatos, que esperam sentados em seus tronos de marfim, que ela seja despejada a seus pés.
>> TERRA MAGAZINE – por Roberto de Sousa Causo


“STEAMPUNK – HISTÓRIAS DE UM PASSADO EXTRAORDINÁRIO”: PRIMEIRA ANTOLOGIA BRASILEIRA DO GÊNERO SERÁ LANÇADA NO FANTASTICON 2009

quarta-feira | 8 | julho | 2009

Steampunk_conviteA


REVOLUÇÃO DE 1932 EM QUADRINHOS

terça-feira | 7 | julho | 2009

Revolucao 32_capa
A adaptação de obras literárias ou passagens da História brasileira têm se mostrado cada vez mais como uma alternativa economicamente viável para a produção nacional de quadrinhos.

O exemplo mais recente é Revolução Constitucionalista de 1932 em Quadrinhos, escrita e ilustrada pelo cartunista Maurício Pestana, que tem lançamento dia 8, às 19h, no Museu Afro Brasil.

O projeto foi uma encomenda da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo a Pestana, que tem grande experiência na produção de material didático. Segundo informa a assessoria, o novo livro já está garantido nas salas de aula da rede estadual de ensino para crianças a partir de 9 anos.

A Revolução Constitucionalista de 1932 foi um levante armado de parte da população de São Paulo contra o governo provisório de Getúlio Vargas e a favor de uma nova Constituição. Mesmo derrotados pelas forças governistas, os revoltosos deixaram como legado a convocação de uma Assembleia Constituinte no ano seguinte e a Constituição de 1934.

Nesta adaptação, os fatos são contados de uma criança para outra – uma técnica para promover a identificação do público-alvo com a história. Do mesmo modo, o autor buscou fazer a ponte entre alguns elementos do fato histórico com o cotidiano dos paulistanos, como as avenidas Nove de Julho (data de início do conflito) e 23 de Maio (dia em que os jovens Martins, Miragaia, Drausio e Camargo foram mortos num confronto pré-revolução).
>> PAPO DE QUADRINHO – por Jota Silvestre

SERVIÇO:
Revolução Constitucionalista de 1932 em Quadrinhos
Roteiro e Arte: Maurício Pestana
32 páginas – R$ 12,00

Lançamento: 8 de julho, 19h, Museu Afro Brasil (Parque Ibirapuera, Pavilhão Manoel da Nóbrega)


SPEED RACER: MANGÁ ORIGINAL CHEGA AO BRASIL PELA NEWPOP EDITORA

terça-feira | 7 | julho | 2009

Speed Racer_Caixa
O mangá Speed Racer, de Tatsuo Yoshida, acaba de ser lançado no Brasil pela NewPOP Editora em uma caixa colecionadora especial.

São dois volumes (de 296 e 328 páginas, respectivamente – contendo algumas coloridas) editados com capas cartonadas – incluindo orelhas – e acabamento de luxo, apresentando pela primeira vez no País a série original completa, cujo sucesso mundial se estendeu ao animê que conquistou gerações de fãs desde a década de 1960.

A coleção Speed Racer – Mach Go Go Go já está à venda em comic shops por R$ 60,00.
>> UNIVERSO HQ – por Marcus Ramone

Speed Racer_Capa1
Speed Racer_Capa2


VAMPIRELLA: SAIU NOVO TEASER

terça-feira | 7 | julho | 2009

VAMPIRELLA_second coming_WHOA imagem ao lado foi revelada recentemente, como um teaser para a nova Vampirella.

O cartaz traz, além da silhueta da personagem dizendo “Eu sou Vampirella”, a pergunta “Quem é Vampirella agora?”

Celebrando os 40 anos de criação da personagem, Vampirella: The Second Coming terá roteiro de Phil Hester (Darkness) e está prevista para ser lançada em setembro nas lojas norte-americanas pela Harris Comics. A edição terá quatro capas variantes, com 20 páginas e custando US$ 1.99.

Uma das femme fatales mais populares dos quadrinhos, Vampirella foi criada por Forrest J. Ackerman em 1969. Ela é filha de Lilith e nasceu no planeta Drakulon, onde a água, elemento essencial à vida, foi substituída por sangue. Vampirella chegou até a ganhar um telefilme, estrelado por Talisa Soto (a Kitana dos filmes de Mortal Kombat).
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno

VAMPIRELLA_second coming


CIENTIFICÇÃO – 1ª CONVENÇÃO DE FICÇÃO CIENTÍFICA DO NORDESTE

segunda-feira | 6 | julho | 2009

Darth Vader le Harry Potter
“O espaço, a fronteira final, Estas são as fantásticas Jornadas do capitão Kelmer e sua tripulação , em uma missão(já há 12 anos)para a exploração de novos mundos, novas festas e Eventos, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve!…”

A jornada continua… Que este ano possamos estar juntos mais uma vez! Para este novo evento de ficção, depois do sucesso da primeira palestra (em 2007), daremos um voou maior juntos com você e sua família.

Este ano chega “recheado”. 2009 foi decretado pela UNESCO o “Ano Internacional da Astronomia”, que comemorará 400 anos das observações de Galileu ao telescópio. Já são 140 países unidos em um esforço mundial para difundir a astronomia e suas contribuições para o conhecimento humano, trazendo o “Universo para a Terra”. E é claro que estamos engajados neste propósito também!

Comemoraremos 40 anos da primeira vez que o homem pisou na Lua,10 anos de Matrix, 20 Anos de De volta para o Futuro 2 (a saga mais futurista da série ), o novo filme do Exterminador entre muitos outros do gênero,assim como tivemos a tão aguardada estréia do novo filme de Jornada nas Estrelas.
Mas há muito mais surpresas e novidades para vocês. No sábado dia 11 de Julho será realizado um “Encontro de fãs de ficção científica”, organizado pela Cidadão Kelmer Produções – Recife com a parceria de diversos grupos de Hq´s, Anime, Seriados de TV e cinema. Serão exibidos séries antigas e novas dentro do tema, filmes, vídeos feitos por fãns, expo de réplicas de filmes, workshops, stands, contos de ficção, entrega de troféus para os responsáveis pelo entretenimento na cidade, concurso de cosplay/ficção & fantasia, games free e atividades durante todo o dia para todos os públicos, e a cada duas horas no Auditório do Shopping Capibaribe haverá uma mesa-redonda com vários convidados, críticos de cinema, jornalistas, astrônomos juntamente com o publico que discutirão sobre o temas como Harry Pottter, Star Wars, Star Trek, Planeta dos Macacos, Senhor dos Anéis, Jurassic Park, os eventos e mundo anime de Recife, a Ciência na ficção cientifica, Ficção Pós-Moderna e Ficção Científica no Brasil, e ainda show com bandas , Dj´s/Vj´s tocando temas de séries,animes e etc…em um dia bem recheado de atrações.

Cientificção- A jornada Continua…
I convenção de Ficção Cientifica e Fantasia do Nordeste.

Dia 11/Julho.
Local: Shopping Capibaribe (Rua da Imperatriz,257 – Recife – Pe) – Localizado próximo a praça Marciel Pinhero/Passe Fácil
Horário: atrações á partir das 10h as 21h.as 22h
Cinerave Space Cowboys: A festa do cinema nas estrelas.

Esperamos você lá, vida longa e próspera e que a força esteja com você.


FICÃO CIENTÍFICA: FORMAS DE SE PENSAR O SER HUMANO, A CIÊNCIA E A TECNOLOGIA

sexta-feira | 3 | julho | 2009

science_fiction_4a

“Espaço, a fronteira final…” com essas palavras começavam as aventuras da nave estelar Enterprise, do seriado Star Trek, exibido no final dos anos 70 e que foi recentemente (re)adaptado para o cinema. Os diferentes planetas visitados, com as mais variadas civilizações, forneciam elementos para se discutir, na ficção, as atitudes e comportamentos existentes no mundo real.

Os autores de ficção científica, ao construírem realidades alternativas (possíveis apenas na imaginação de seus criadores), utilizam a literatura como forma de jogar com diferentes possibilidades de ser e de viver. Esse tipo de perspectiva é exemplificado pelo raciocínio do antropólogo Edmund Leach ao dizer que “a ficção científica tomou da mitologia tradicional o papel de formadora de fantasias”. Esse tipo de literatura, e de seu equivalente cinematográfico, o cinema de ficção científica, abre possibilidades hipotéticas capazes de colocar questões e de suscitar debates que podem ser úteis para se (re)pensar a realidade em que vivemos.

Racismo, inteligência artificial, desigualdade social, clonagem e ecologia são alguns dos temas que já foram explorados e discutidos em obras que podem ser consideradas parte da literatura de ficção científica. O que diferencia essas obras de outros textos, como a literatura de fantasia, com a qual guardam alguma semelhança (como o fato de se reportarem a realidades imaginadas, mais ou menos descoladas do mundo real) é o fato da literatura de ficção científica ter por base um referencial científico.

Por esse motivo, Star Wars, com suas referências místicas à existência da força, está mais próxima da fantasia do que da ficção científica mais engajada, a qual costuma ter como ponto de partida a presença da ciência e a tecnologia como elementos centrais, em torno dos quais a trama se desenvolve. Essa explicação também esclarece porque obras de Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft e de Guy de Maupassant, que muitas vezes fazem referências à eletricidade e ao magnetismo, apesar de utilizarem referências científicas, são consideradas como literatura de horror, já que esse é o aspecto por elas enfatizado. Daí compreendermos também porque os filmes Alien, o 8° Passageiro e O Predador são geralmente considerados, respectivamente, um filme de terror e o outro de ação (a ciência tem um papel secundário na trama), mais do que filmes de ficção científica.

É claro que essa classificação feita acima é didática, questionável e controversa. O termo “ficção científica” abrange uma vasta gama de manifestações e, dependendo do ponto de vista, pode incluir ou excluir diferentes obras. X-Men, com seu argumento baseado na existência de mutantes, é ficção científica? Então Batman Begins e Homem de Ferro também são? O fato de As Crônicas de Nárnia se passarem em um universo paralelo faz com que essa obra deixe de ser um texto fantástico para se tornar ficção científica? O filme 2001, Uma Odisséia no Espaço termina de forma ambígua, fazendo alusão ao nascimento (ou morte) do ser humano. Isso faz com que deixe de ser ficção científica para se tornar um filme sobre filosofia?

Essa diversidade de possibilidades evidencia a complexidade que caracteriza esse gênero literário. Os diferentes subgêneros que o compõem podem variar em temática, abordagem e em ênfase, dando mais atenção às questões filosóficas ou ao jargão científico do que a uma narrativa fragmentada ou tradicional, bem como podem ser textos sobre avanços no futuro ou sobre a tecnologia nos dias de hoje. Se por um lado temos obras solidamente embasadas na Biologia, Física e Informática, por outro lado é possível encontrar trabalhos que discutem questões filosóficas. O Enigma de Andrômeda seria um exemplo do primeiro caso. Já o 13° Andar poderia evidenciar a segunda possibilidade.

Logo, pode-se dizer que a ficção científica é a uma manifestação da cultura de massa que discute como a crescente presença da tecnologia no mundo atual interfere na nossa vida diária. A literatura e o cinema de ficção científica refletem sobre a influência que a ciência e a tecnologia terão no nosso futuro. Por isso, esse tipo de literatura, surgida no final do século XIX (no auge da segunda Revolução Industrial), está fortemente ligado à modernidade. Essa modernidade – caracterizada pela rapidez das transformações, pelo avanço das novas tecnologias da comunicação (telégrafo, telefone, fax, internet e celular) e pela velocidade dos meios de transportes (navio a vapor, ferrovias, aviões e trens-balas) – traz uma forte confiança no futuro, no poder da tecnologia, símbolo do mundo industrial.

Não é a toa que livros e filmes de ficção científica sejam alvo do interesse dos jovens, os quais crescem convivendo cada vez mais com a presença da tecnologia nas suas vidas. Uma pesquisa com mais de cinco mil alunos de 12 anos de idade, em mais de 20 países, mostrou que “os programas (TV/filmes/vídeo) favoritos das crianças de 12 anos eram histórias de crimes ou ação, ficção científica (grifo nosso) e horror, respectivamente. Os programas/filmes dessas três categorias foram mencionados, cada um, por cerca de 20% das crianças ou tomados em conjunto por quase dois terços dos alunos de 12 anos.” (GROEBEL, 2002, p. 71)

Pode parecer estranho (para alguns) pensar que a literatura que talvez esteja mais próxima dos jovens seja a de ficção científica, porém tal visão seria equivocada. Muitas vezes se esquece que Júlio Verne, um clássico das aventuras infanto-juvenis, pode ser considerado como um autor de ficção científica. Textos como Vinte Mil Léguas Submarinas e Viagem ao Centro da Terra, se enquadram dentro dos parâmetros da ficção científica e são considerados clássicos da literatura infanto-juvenil.

A amplitude do espectro temático da ficção científica lhe permite fazer diferentes cortes e pontos de vista, podendo suscitar as mais variadas discussões, sobre os mais diversos temas. Algumas das questões mais clássicas e presentes nas discussões filosóficas e sociológicas são abordadas pela ficção científica. Quem somos nós? De onde viemos? Qual o melhor tipo de sociedade? Essas perguntas são discutidas em diferentes planetas, povos e tempos. A ficção científica permite criar um laboratório de testes, onde é possível experimentar realidades alternativas, onde é possível postular diferentes formas de ser e de viver.

O processo civilizatório que se desenvolveu no Ocidente, durante a modernidade, tem sido pautado pela ideologia do individualismo. Em função disso, o direito à individualidade é visto como um elemento constituinte da noção de pessoa ocidental. Essa forma de ver o ser humano como autônomo, individualizado, independente, imagem que se desdobraria no sonho do “self-made man” burguês, acabou por se tornar uma representação ideológica hegemônica.

Ela é tão forte que tanto os iluministas quanto os românticos, respectivamente defensores e críticos desse processo civilizatório, têm a mesma perspectiva: a defesa de uma humanidade pautada na existência de um indivíduo. Tanto pode haver uma ênfase na racionalidade – produto de um processo civilizatório (na visão iluminista) – quanto uma valorização da emotividade, da impulsividade, destruídas pelo modelo de civilização defendido pelos iluministas e atacado pelos românticos.

Os textos e filmes de ficção científica também servem para nos lembrar que nossa condição de senhores da natureza, de donos do mundo, é uma posição precária, sempre sujeita a riscos. Se nos consideramos seres superiores, com direito a aprisionarmos outros seres para nossa diversão e/ou alimentação, as obras de ficção científica frequentemente colocam esse pressuposto em dúvida. O direito de se colocar como possuidor de valores e qualidades superiores (qualidades humanas que nos definem como livre-arbítrio e racionalidade) seria uma conquista constante frente aos “seres da natureza”.

A concepção do que seja natureza – dependendo da perspectiva – pode ser encarada positiva ou negativamente. Ela é positiva quando nos humaniza, quando desperta, em nós, valores como o amor, a compaixão, bem como quando nos estimula a exercitarmos nosso direito à autonomia, à liberdade. Contudo, a natureza também pode ser vista negativamente, ao nos submeter aos seus desígnios, aos nos lembrar de nosso lado animalesco, nosso lado instintivo.

A partir das representações do que seja o não-humano, a ficção científica mostra como são concebidos os limites entre o humano e o natural de forma fluída. Ela explicita as representações de humanidade e de humano que caracterizam a civilização ocidental moderna. O natural é visto dentro de uma perspectiva comunitária, onde há uma integração total. Benigna, segundo os defensores da importância da coletividade. Ou maligna, segundo os partidários da supremacia do indivíduo.

Partindo-se da definição de “ser humano”, estabelecida pelo mundo ocidental moderno, pode-se compreender como a ficção científica desenvolve algumas das suas interpretações sobre o que é a natureza: ou ela é pensada como um elemento separado do homem, estando em oposição a ele – o que significa dominá-la ou ser dominado por ela – ou ela é vista como uma fonte de restauração da nossa humanidade, de nossos valores, nos renovando ética e moralmente. A primeira perspectiva está presente na visão instrumental que temos do mundo natural, tido apenas como fonte de recursos a serem explorados. Atualmente pagamos o preço da nossa arrogância enfrentando problemas como o buraco na camada de Ozônio e o efeito estufa.

Se pudemos subjugar a natureza graças à tecnologia, isso não a tornará uma heroína, pode, inclusive, transformá-la em “vilã”. Se a natureza pode nos desumanizar, a tecnologia também pode. Os perigos que a arrogância humana podem provocar ao pensar na tecnologia como solução para todos os problemas já eram discutidos em Frankenstein, ou o Moderno Prometeu, de Mary Shelley. Enquanto que a natureza pode nos levar ao nosso estado original mais primitivo, sem uma noção de individualidade; a tecnologia pode nos privar do nosso livre-arbítrio, nos prendendo em atividades alienantes, nos deixando dependentes dela.

Essa cristalização que a tecnologia pode provocar, imobilizando-nos, nos tornando incapazes de agir sem ela, pode nos tornar submissos a ela. Filmes como Até o Fim do Mundo (1991), de Win Wenders – onde as pessoas deixam de viver para permanecerem conectadas a máquinas nas quais revivem seus sonhos – e Estranhos Prazeres (1995) – no qual pessoas experimentam o prazer através de CDs com gravações das vivências de outras pessoas – mostram como o uso da tecnologia pode provocar vícios e evidenciam que a discussão sobre a escravização do Homem pelas máquinas não surge no cinema com Matrix, de 1999.

Recentemente, o filme WALL-E chamou a atenção como, apesar de praticamente não possuir diálogos, tendo a tela “dominada” basicamente por duas máquinas, uma delas chamada EVE (EVA). A trama gira em torno de uma Terra devastada pelo lixo produzido pela tecnologia e sobre como um pequeno robô, WALL-E, na sua tarefa de limpar o planeta desenvolve consciência. Ele busca entender através dos dejetos humanos que encontra quem foram seus criadores. O motor inicial da trama é o nascimento de uma pequena planta, início da recuperação do planeta – é a natureza, superando a destruição deixada pelos humanos, que se recupera, garantindo a possibilidade de uma redenção humana, do retorno dos seres humanos, que viviam uma existência sem sentido no espaço.

É interessante que a presença da natureza como fonte de humanização e de renovação apareça de forma singela através de andróides ou robôs, como em O Homem Bicentenário, obra do grande escritor de ficção científica Isaac Asimov (juntamente com Robert Silverberg), transformada em filme dirigido por Chris Columbus. Embora haja muito temor em relação aos autômatos, sejam eles de forma humana ou não, esse receio não era compartilhado por Asimov; ele pensava que os robôs, poderiam ser um desdobramento das melhores qualidades humanas, desde que houvesse precauções, cuidados. Para ele, as máquinas não eram nem boas nem ruins, seu uso indevido deveria ser evitado e seu bom uso garantido. Para isso, ele criou as três leis da robótica: 1ª lei. Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal; 2ª lei. Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei; 3ª lei. Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira e Segunda Leis.

Essas leis visavam mostrar que robôs e andróides seriam incapazes de fazer mal à humanidade, e que isso só ocorreria se os seres humanos fizessem um uso indevido deles, ou se os reprogramassem como ocorre no filme Eu, Robô, estrelado por Will Smith. Assim, as máquinas não são boas nem más, bons ou maus são os homens que as utilizam. As máquinas, na visão de Asimov, por estarem sujeitas às três leis, não poderiam prejudicar o ser humano, podendo, em alguns casos (através do convívio com pessoas nobres e gentis), desenvolver qualidades humanas. Isso explica em filmes como A. I. Inteligência Artificial, onde alienígenas dependem de um andróide, com sentimentos humanos, para poderem entender o que tinha sido a espécie humana, extinta séculos antes. São os sentimentos humanos que conferem humanidade ao personagem principal, não por acaso, chamado de Adam (Adão).

Com isso, a ficção científica aparece como uma arena privilegiada para perceber como os ideais de progresso defendidos pelo Iluminismo e fortalecidos pelos avanços da Revolução Industrial acabaram se tornando hegemônicos no Ocidente, definindo nossa relação com o mundo. Em vista do domínio do individualismo, as críticas ao processo civilizatório ocidental são vistas como ameaças a essa própria civilização. É importante deixar claro que o conceito de Individualismo aqui presente não é o mesmo do senso comum, como egocentrismo, egoísmo ou o descaso para com o outro e preocupação para consigo mesmo.

Aqui, ao falar de uma ideologia individualista que é predominante na maioria das sociedades ocidentais,  está se falando da crença de que o indivíduo existe em separado da sociedade, que ele é um átomo independente, em contraposição a uma visão holista, dentro da qual o indivíduo ocupa um espaço dentro de uma hierarquia. Enquanto que no Holismo o indivíduo, mesmo tendo um valor específico intrínseco, deve ser pensado como parte da sociedade que a compõem, no Individualismo o indivíduo aparece como base, como possuindo sentido em si mesmo, sentido esse que, por diversas vezes, a sociedade tenta suprimir.

Essa valorização do indivíduo é frequentemente visível em produções hollywoodianas, onde os heróis são personagens que se não se submetem ao sistema, que possuem um jeito próprio de fazer as coisas. Essa tradição remonta ao bandoleiro Robin Hood e ao pirata heróico, mas de bom coração retratados por Errol Flynn, passando pelo detetive particular (imortalizado em vários filmes de Humphrey Bogart) que investiga crimes com métodos que contrariam a prática policial e pelo policial que nunca cumpre as regras, como o personagem Dirty Harry de Clint Eastwood.

Quando essa perspectiva da importância do indivíduo sobre o todo foi ameaçada por um modelo onde o bem geral se dava através da renúncia ao bem individual, através da instauração do modelo do socialismo real nos países do Leste Europeu após a Segunda Guerra Mundial, o temor que a expansão comunista viesse a anular a individualidade ganhou uma releitura cinematográfica. Daí os filmes dos anos 1950, onde os alienígenas (simbolizando os comunistas) tentavam desumanizar os estadunidenses, retirando-lhes a autonomia, a racionalidade e o livre-arbítrio, as bases da individualidade ocidental.

A perda ou o desaparecimento da individualidade, freqüente nas obras de ficção científica, aparecem como uma expiação simbólica – a adrenalina do medo é sentida, sem perigo real. A ameaça de se deixar de ser um indivíduo, submergindo dentro de um todo indiferenciado, seja através das forças da natureza ou da própria tecnologia, é um temor constante em diversas obras. Assim, a luta pela manutenção dos valores do individualismo expressa uma tomada de posição. Há uma afirmação, por parte do homem ocidental, de que ele existe em sua plenitude apenas fora da natureza. Ele se recusa a ser um animal movido por instintos, sua racionalidade o elevaria, enquanto que sua parte instintiva o rebaixaria. O surgimento de alienígenas “malignos”, que nos parasitam, que desejam nos dominar ou devorar – seres que vivem sob seus impulsos naturais – simbolizam a ameaça da natureza, da sua tentativa de dominar a civilização humana.

Da mesma forma que a natureza é vista como ameaçadora por muitos, a tecnologia é perigosa para alguns. Desde o Iluminismo, com Rousseau criticando os efeitos nocivos da sociedade sobre o indivíduo, o desenvolvimento tecnológico tem sido alvo de críticas de desumanização. Enquanto há os que vêem na natureza o inimigo a ser vencido pela tecnologia, há os que pensam a natureza como depositária dos valores humanos da sensibilidade e da solidariedade, ameaçados pelo mundo mecanicista das máquinas.

Se, por um lado, um ser não-humano (como um extraterrestre, um mutante ou um andróide) pode ser uma figura que se apresenta como uma ameaça, capaz de nos subjugar e tirar a nossa humanidade, ele também pode ser aquele que a renova, enriquece e fortalece. Ao mesmo tempo em que existem os espectros, da série StarGate Atlantis, que se alimentam da energia vital dos seres humanos, também temos o andróide Adam, de AI. Inteligência Artificial, demonstrando que é possível amar e ser amado por uma máquina, demonstrando uma gentileza e inocência que nem todos os humanos são capazes de mostrar.

A máquina também é capaz de possuir aspectos positivos e/ou negativos. Podemos citar os Borgs da série Jornada nas Estrelas: A Nova Geração, que pretendem assimilar outras espécies através da substituição dos órgãos biológicos por próteses mecânicas, tornando-os organismos sem autonomia, integrados dentro de uma entidade coletiva. Por outro lado, o andróide Data, um outro personagem desse mesmo seriado, buscava sempre aprender mais sobre os humanos, tentando se humanizar. Essa atitude nos lembra das qualidades, virtudes e fraquezas humanas, que nos definem como seres humanos.

Dessa forma, a ficção científica nos coloca uma questão: retornar à natureza? Tal decisão preservaria nossa humanidade ou nos levaria a perdê-la, submetida aos ditames do mundo natural, onde seríamos mais uma espécie? Ou permanecer na civilização? A tecnologia poderia nos ajudar a expressar, desenvolver nossa individualidade frente aos nossos instintos básicos ou nos desumanizaria, nos robotizando através de seus instrumentos e recursos alienantes?

Essas dúvidas antagônicas caracterizam os extremos dos debates sobre o que pensamos como humanidade, sobre como entendemos a nossa relação com a natureza. Elas também nos permitem entender a importância que atribuímos à ciência e à tecnologia. As obras de ficção científica aparecem como um palco, onde cada uma dessas possibilidades é testada e caminhos intermediários são sugeridos. Ela surgiu com a industrialização e com o avanço da ciência e tem sido um dos campos que mais reflete sobre os seus efeitos.

Referências bibliográficas:
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IRWIN, W. Matrix. Bem-vindo ao Deserto do Real. São Paulo: Madras, 2005.
GONÇALO JUNIOR. Enciclopédia dos monstros. São Paulo: Ediouro, 2008.
LOURENÇO, A. Cinema de Ficção Científica e Guerra. In: yaTEIXEIRA DA SILVA, F. C. (org.) Enciclopédia de Guerras e Revoluções do Século XX. São Paulo: Campus/Elsevier, 2004. pp. 140-142.
ROWLANDS, M. SciFi = SciFilo: A Filosofia explicada pelos Filmes de Ficção Científica. Rio de Janeiro: Relume, 2005.
SCHOEREDER, G. Ficção Científica. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1986.
SF Symposium. FC Simpósio. SC: Instituto Nacional do Livro, 1969.
SICLIER, J. e LABARTHE, A. S. Cinema e Ficção Científica. Lisboa: Editorial Áster, s/d.
>> REVISTA PONTOCOM – por André Luiz Correia Lourenço


‘MOONWALKER’, DE MICHAEL JACKSON VAI SER RELANÇADO NO BRASIL

quinta-feira | 2 | julho | 2009

Moonwalker DVDa

Musical de Michael Jackson chega em DVD às lojas em 15 dias

Gosto de entrar na Amazon de tempos em tempos para ver a lista dos mais vendidos, enfim, saber como anda o gosto do povo. Quando fiz isso esta semana, dos 25 discos mais vendidos apenas oito não eram de Michael Jackson. É, sem dúvida, um fenômeno pop sem igual.

E as empresas que têm material dele sabe disso. A Warner Home Entertainment avisa que vai relançar no Brasil o DVD Moonwalker, longa-metragem musical de 1988 estrelado pelo Rei do Pop.

Moonwalker conta a história de um herói extraterrestre cheio de poderes mágicos, interpretado por Jackson, que vem à Terra para ajudar três crianças a combater o vilão Mr. Big, um poderoso traficante de drogas. A trama serve como pano de fundo para a apresentação de diversos sucessos como “Man in the Mirror”, “Smooth Criminal” e “Leave me Alone” – que rendeu ao artista um Grammy de melhor videoclipe em 1989.

Com 92 minutos, Moonwalker estará à venda nas lojas a partir do dia 16 de julho, pelo preço sugerido de R$ 29,90.
>> OMELETE – por Marcelo Forlani

Assita ao trailer:


‘MOON’: FILHO DE DAVID BOWIE ESTREIA COMO DIRETOR E CONQUISTA A CRÍTICA INTERNACIONAL COM FICÇÃO CIENTÍFICA

quinta-feira | 2 | julho | 2009

Moon_Rockwell

Duncan Jones está em cartaz nos EUA com a ficção científica ‘Moon’.
Produção é homenagem a ‘2001: Uma odisséia no espaço’.

40 anos depois de o cantor David Bowie lançar o sucesso “Space oddity”, seu filho Duncan Jones estreia como diretor de cinema e já começa a ser apontado como fenômeno do cinema independente. Jones está em cartaz nos EUA com seu primeiro longa-metragem “Moon” (“Lua”), uma ficção científica realizada com apenas US$ 5 milhões.

O filme foi lançado durante o Festival de Sundance, em janeiro, e chegou aos cinemas recentemente sob elogios da crítica internacional. O “Wall Street Journal” classificou a produção como “brilhante” e “impressionante”, e o “New York Times” descreveu a atuação do filme como “intrigante”.

O influente Roger Ebert publicou texto afirmando que o trabalho de Jones é “um exemplo superior do gênero”, enquanto a revista “Rolling Stone” disse que o longa é “uma potente provocação que se apoia em boas ideias em vez de truques de computador”.

Nascido Duncan Zowie Heywood Jones, o cineasta de 38 anos, filho do cantor com sua ex-mulher Angela Bowie, estudou na London Film School e iniciou a carreira como diretor de comerciais.

Filme conta história de astronauta ‘duplicado’
“Moon” é uma espécie de “2001: Uma odisséia no espaço” do século 21, uma homenagem a clássicos de ficção científica dos anos 1970 e 80, como “Alien”, “Corrida silenciosa”.

Em “Moon”, Sam Rockwell vive um astronauta isolado em uma estação espacial (Foto: Divulgação)
No filme, o ator Sam Rockwell interpreta um astronauta que passa três anos isolado em uma nave espacial extraindo um gás lunar para ser usado na Terra como fonte de energia. A trama cresce quando ele conhece um clone de si mesmo, só que mais novo e mais revoltado, que também está no espaço realizando o mesmo trabalho.

Jones criou a história especialmente para o ator, que faz os dois papéis. “Eu me encontrei com Sam para discutir outro projeto, que nós terminamos largando, mas nos demos muito bem”, lembra o diretor britânico. Conversando sobre cinema, eles descobriram que tinham em comum o amor pelos mesmos filmes, ficções científicas de décadas passadas. Jones disse a Rockwell: “Olha, se você prometer que vai ler o roteiro, eu escrevo algo para você”.

O filho de Bowie escreveu um longo argumento, mas naquele momento estava ocupado demais com gravações de comerciais para redigir um roteiro. Assim, ele resolveu passar a tarefa para o roteirista novato Nathan Parker, que segundo o cineasta fez “um ótimo trabalho”.

Orçamento limitado
Desde o início, Duncan Jones tinha um orçamento disponível de US$ 5 milhões, que deveria cobrir todas as fases de produção de sua viagem à Lua. “Nossa ideia era manter os gastos no mínimo usando um elenco pequeno, rodando tudo em estúdio e investindo em efeitos especiais específicos”, conta o diretor.

Tudo aconteceu muito rapidamente. As filmagens foram realizadas em apenas 33 dias, apesar de haver mais de 450 cenas com efeitos especiais que precisavam ser rodadas duas vezes, já que Rockwell devia interpretar ambos os personagens. Outros oito dias foram dedicados às seqüências filmadas com modelos em miniatura.

A trama traz ainda outro personagem chave: Gerty, um computador da estação espacial dublado pelo veterano Kevin Spacey. Jones mostrou ao ator o material que já tinha rodado e conseguiu convence-lo a emprestar sua voz ao computador, uma espécie de HAL 9000 do século 21.

Agora, Jones pretende levar às telas uma nova ficção científica, chamada “Mute”, ambientada em Berlim. “Será um suspense muito maior e mais comercial”, revela o diretor.
>> G1, com informações da Reuters

Assista ao trailer:


‘ECLIPSE’: JÁ TEM DATA PARA INÍCIO DAS FILMAGENS O TERCEIRO FILME DE ‘CREPÚSCULO’

quarta-feira | 1 | julho | 2009

ECLIPSE
A saga de amor entre a jovem Bella Swan e o vampiro Edward Cullen continua. A Production Weekly revelou que o terceiro filme da série Crepúsculo, entitulado The Twilight Saga: Eclipse, terá sua filmagem iniciada em 17 de agosto deste ano e será produzido no Vancouver Film Studios, no Canadá. A direção fica por conta de David Slade, responsável pela adaptação da HQ 30 Dias de Noite, já o roteiro é de Mellissa Rosenberg, que dá continuidade ao seu trabalho desde o primeiro filme.

Com lançamento previsto para 30 de junho de 2010, a continuação terá Bella, interpretada por Kristen Stewart, mais uma vez em perigo e Edward Cullen (Robert Pattinson) retornando a Forks para salvá-la.

O segundo filme da série, Lua Nova, poderá ser conferido nos cinemas no dia 20 de novembro de 2009.

Crepúsculo segue o romance adolescente entre os dois jovens protagonistas, vividos por Kristen Stewart e Robert Pattinson. Ela é uma mortal, ele é um vampiro, e o romance dos dois enfrenta a oposição dos outros vampiros locais. A série de filmes adapta os romances escritos por Stephenie Meyer.
>> HQ MANIACS – por Diego Vignon