DANIEL RADCLIFFE: FIM DE “HARRY POTTER” É LIBERTAÇÃO

Ator inglês afirma que vai ser estranho quando os filmes terminarem

Daniel RadcliffePara o jovem, o “Enigma do Príncipe“, que estreia na quarta, não sofrerá prejuízo por ser o primeiro a sair após o final da saga nos livros

O ambiente do Mandarin Oriental Hotel, no centro de Londres, é cheio de rococós. Cortinas de veludo, poltronas estofadas, mesas com toalhas pesadas. Daniel Radcliffe, 19, destoa de tudo isso. Ele veste tênis, calças velhas, uma camiseta marrom e uma jaqueta de couro preto. Parece um punk encostado no muro da esquina. É isso o que a reportagem da Folha lhe diz, assim que ele entra no quarto onde cinco jornalistas o esperam: “Você está vestido como um punk”. “Sim”, diz, abrindo um sorriso. “Quando estava vindo para cá, tocou Ramones no rádio. É ótimo! Fiquei de bom humor.” E que música foi essa? “Sheena Is a Punk Rocker”, gravada pelos Ramones em 1977, 12 anos antes de Radcliffe nascer. “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” estava programado para o Natal de 2008 -por isso, uma série de entrevistas, incluindo esta abaixo, foi feita no ano passado. Mas o filme foi adiado e estreia nesta quarta.

PERGUNTA – Este é o primeiro filme de Harry Potter que é lançado quando todos já sabem o final da série. Isso diminui o interesse?
RADCLIFFE – Não, porque todo mundo sabia o que acontecia no quinto livro quando o quinto filme foi lançado. Mesmo conhecendo o sétimo livro, as pessoas vão estar curiosas em ver o sexto e o sétimo filme.

E o fato de o sétimo livro ter sido dividido em dois filmes?
Vamos filmar as duas partes de uma só vez. Eu fiquei feliz com a divisão. Acho que tivemos que cortar muita coisa antes e isso não seria possível no sétimo filme.

E você vai ganhar o dobro de dinheiro?
(Risos) Em teoria, sim. Acho que sim. Gosto do jeito que você pensa! Primeiro diz que sou punk e agora aumenta meu salário! Yeah!

Você faz trabalhos pelo dinheiro?
De jeito nenhum. Dinheiro é uma coisa pela qual sou muito, muito grato. Não me preocupo com dinheiro, mas provavelmente isso acontece porque o tenho. Uma das coisas pelas quais adoro George Clooney é que ele faz a série “Onze Homens e um Segredo” , que são bons filmes comerciais, e ele tira grana daí e faz “Syriana” ou “Boa Noite, Boa Sorte”, filmes que não vão render muito dinheiro, mas que são ótimos.

Estamos bem perto de dizer adeus a Harry Potter. Como se sente a respeito disso?
Acho que vai ser bem estranho quando terminarmos. Nos últimos tempos, quando fiz outros trabalhos, como “December Boys” [cinema], “Equus” [teatro] ou “My Boy Jack” [filme para TV], sempre soube que haveria um filme de Harry Potter para voltar e havia segurança nisso. Ao mesmo tempo, acho que vai ser uma libertação. Hoje, recebo roteiros fantásticos e tenho que dizer: “Infelizmente, estou ocupado até 2030” (risos).

Cinema, teatro ou TV?
É interessante. No palco, você tem aquela plateia na sua frente e isso é muito empolgante. Na TV, o legal é que é tão rápido… E, quando vou fazer Harry Potter, é um processo muito, muito lento. Levamos 11 ou 12 meses num filme. Quando conseguimos uma cena inteira num dia, é um dia muito bom. Em “My Boy Jack”, fazíamos seis ou sete cenas por dia. Isso me exigia muito mais em termos de aprendizado. A diferença é que a TV é um corrida de cem metros e o cinema é uma maratona. Porque o desafio em Potter é manter os níveis de energia altos e manter a resistência por 12 meses. Mas, se eu tivesse que escolher um dos três, eu realmente amo o teatro e escolheria esse.

As meninas brasileiras querem saber: que tipo de garotas você gosta?
De garotas brasileiras (risos)! Nunca estive no Brasil, nem na América do Sul. Na verdade, procuro por alguém que seja mais talentosa que eu, que seja mais esperta que eu. Eu quero alguém que me desafie e que esteja certa sobre as coisas mais vezes do que eu. Não sei por quê, mas acho que se entrasse num relacionamento em que eu estivesse sempre certo, eu ficaria de saco cheio. Preciso de alguém que realmente me desafie. E que tenha um bom gosto musical! Sim, porque acho que se a gente estivesse numa situação romântica, jantar à luz de velas, e ela colocasse Britney Spears no som, eu sairia correndo.

Talvez se ela colocasse Sex Pistols?
Exatamente! Isso seria bem mais romântico (risos).
>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Ivan Finotti

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