VAMPIROS CONQUISTAM O CINEMA E A MODA

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Revistas como a italiana “Vogue” enaltecem a mística do vampiro
Os sintomas são enervantes: o gosto por carne fresca, a aversão à luz do sol e a paixão por garotas magras e espectrais. Todos são indícios de que a pessoa foi mordida pela moda do vampiro.

Sookie Stackhouse, a briguenta heroína da série de TV “True Blood”, do canal a cabo HBO, se arrisca à maldição sempre que visita seu amado sobrenatural. E Oskar, o adolescente desajustado do filme sueco “Let the Right One In”, um favorito nos círculos da moda, corteja a extinção cada vez que se aventura a sair com Eli, sua amiga metamórfica, atemporal e assombrosa.

Sookie e Oskar enfrentam uma verdadeira sede de vampiros, uma contaminação da cultura pop que se espalha pela televisão, os filmes e a ficção. O que começou com “Twilight Saga”, seriado sensualmente romântico para jovens adultos de Stephenie Meyer, seguido de “Crepúsculo”, o filme, tornou-se uma pandemia de proporções insanas.

É uma surpresa?
Raramente os monstros pareceram tão abatidos -ou tão fotogênicos. Nenhum detalhe dessa última mania de vampiros parece derivar da sensualidade jovial e etérea com que os demônios são retratados.
“O vampiro é o novo James Dean”, disse Julie Plec, autora e produtora executiva de “The Vampire Diaries” (Diário do Vampiro), futura série de TV americana baseada nos populares romances de L.J. Smith, sobre garotas colegiais e hommes fatales. “Há algo tão silencioso e sensual nesses jovens predadores eróticos”, disse.

Charlaine Harris acaba de publicar “Dead and Gone” (Morto e desaparecido), nono romance de sua série Sookie Stackhouse, variações da ficção gótica em que se baseia “True Blood”. O mundo editorial ficou intrigado com “The Strain”, primeira parte de uma planejada trilogia escrita pelo diretor de cinema Guillermo del Toro e por Chuck Hogan, sobre predadores sedentos de sangue que enlouquecem em Manhattan.

O mundo da moda também está sob o feitiço do vampiro, na forma de couros e de roupas enfeitadas de rendas, que invadiram as páginas das revistas.

Os vampiros, é claro, fazem parte de uma tradição antiga que remonta a Nosferatu e pelo menos ao Drácula de Bram Stoker. Anne Rice atualizou o gênero, introduzindo o vampiro aristocrático Lestat. Mas os mortos-vivos estão retornando como uma vingança, em parte porque “personificam ansiedades do mundo real”, disse Michael Dylan Foster, professor-assistente no departamento de folclore da Universidade de Indiana em Bloomington.

“Especialmente nesta época de maior vigilância, no pós-11 de Setembro, representações como ‘Crepúsculo’ refletem uma espécie de mentalidade de teoria da conspiração, um temor de que haja alguma coisa secreta e perigosa acontecendo em nossa comunidade, embaixo de nossos narizes.”

E o que mantém os vampiros atraentes?
Poderíamos apontar para sua combinação de boa aparência imortal e sexualidade decadente. Figuras de glamour vampiresco fazem poses sedutoras em diversas publicações recentes de moda. Retratadas como criaturas andróginas na edição de junho de “W”, elas exibem olhares mortíferos, acentuados por sua palidez cadavérica.
A “Vogue” italiana também sucumbiu aos encantos frios dos vampiros: na edição de junho, as modelos posam como feras noturnas; uma imagem capta uma predadora cujo jantar foi interrompido, como sugere uma mancha vermelha em seu rosto.

A atração do vampiro “tem tudo a ver com a excitação de imaginar os monstros que poderíamos ser se nos permitíssemos”, sugeriu Rick Owens, um precursor da moda cujas coleções de tom gótico às vezes evocam os mortos-vivos. “Somos todos fascinados pela corrupção -quanto mais glamourosa, melhor”, e, ele acrescentou, com a ideia de “devorar, consumir, possuir alguém que desejamos”.

Esse tipo de glamour predador é personificado por Catherine Deneuve em “Fome de Viver”. Nesse clássico cult da morbidez de 1983, dirigido por Tony Scott, Deneuve faz o papel de Miriam, uma chupadora de sangue sedutora que usa ternos de ombros marcados e é casada com um pálido David Bowie e atraída por Susan Sarandon, meio andrógina, uma especialista em sono e longevidade.

O controle dos impulsos é um tema que repercute especialmente na atual era de conflitos e recessão. “Os períodos de guerra, crise e turbulência econômica dão origem à produção de vampiros e à ficção fantástica”, disse Thomas Garza, presidente do departamento de estudos eslavos e eurasianos da Universidade do Texas em Austin e especialista na lenda dos vampiros.

“Com a recessão e a guerra, o conflito parece se voltar para dentro, enquanto questionamos nossa situação fiscal, política e moral. Fomos excessivos demais? Precisamos ser mais contidos? Parece que estamos novamente questionando esses valores fundamentais”, agregou.
>> FOLHA DE SÃO PAULO THE NEW YORK TIMES – por Ruth La Ferla

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