A METRÓPLE DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS

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Pouco mais de duas semanas após a abertura do Museu Hergé, na Bélgica, é a vez da França tomar a palavra, com a abertura da Cité Internationale de la Bande Dessinée et de l’Image (Cidade Internacional da História em Quadrinhos e da Imagem), dia 20 de junho, em Angoulême, no sudoeste da França. Angoulême que já sedia o mais importante festival cultural das HQs do mundo, agora definitivamente sobe ao pódio como centro internacional dos quadrinhos com a abertura desta cidade que engloba um museu, uma biblioteca patrimonial (associada à Biblioteca Nacional da França e para onde serão encaminhados todos os exemplares de depósito legal), uma biblioteca pública, uma residência para autores, uma livraria com cerca de 40.000 títulos de HQ, um centro multimídia, duas salas dedicadas ao cinema de arte e experimental, espaço de consulta a Internet e um restaurante.

Unindo-se aos edifícios já existentes – o antigo CNBDI, sede das exposições mais importantes e dos encontros com autores feitos durante os eventos realizados até o início deste ano; e a Maison des Auteurs, que abriga autores para que possam desenvolver seu trabalho em temporadas como artistas residentes – um antigo entreposto de vinhos foi totalmente reformado para acolher a Cité, e é ligado aos outros edifícios por uma passarela sobre o rio Charente que serpenteia pela cidade.

Como a maior parte do acervo do museu é composto pelos 8.000 originais em papel, estes precisam estar em constante rodízio, para que não sejam afetados pela exposição à luz. A cada quatro meses uma nova seleção de pranchas será mostrada ao público, para depois ficarem guardadas por três anos. Isso significa nove exposições diferentes durante os próximos anos, sem contar as novas aquisições.

O museu está dividido em quatro seções:
História da HQ – Com obras desde Rodolph Töpffer, da primeira metade do século XIX, até as atuais. Com ênfase na produção franco-belga, mas destacando também os comics norte-americanos, a HQ underground e a invasão dos mangás.

Técnicas de Criação – Roteiro, esboços, pesquisa de personagens, desenhos a lápis, finalização com tinta nanquim, colorização e criação direta no computador; com as particularidades de cada autor e cada época.

Estética dos Quadrinhos – Os mestres, as influências e as tendências em pranchas originais. Aqui será exposto o melhor do acervo do museu.

Exposições Temáticas – Dedicadas aos autores atuais, movimentos e escolas da França e do Mundo.

Todo este acervo estará enriquecido com audiovisuais, entrevistas com autores e filmes de animação.

Apesar da distância, os brasileiros também poderão usufruir um pouquinho do museu sem precisar ir até a França. O site da Cité é bastante extenso e complexo (basta abrir a página do Mapa do Site para comprovar) e estará sempre apresentando novidades. O site http://www.citebd.org apresenta um layout bastante tradicional e é claro que exige um certo conhecimento de francês.

Mas vale o esforço de explorar e descobrir, por exemplo, a Prancha da Semana: uma página que podemos examinar detalhadamente com o zoom e que será atualizada periodicamente. Ou ainda as Aventuras do Monsieur Talbot, que em páginas desenhadas por nomes como Lewis Trondheim ou François Ayroles, mostra com humor o dia de trabalho de um arquivista do Museu de HQ.

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Além disso, é possível se inscrever para receber a Newsletter que, como o site, traz uma extensa lista de informações sobre o mundo dos quadrinhos.

Também está prometido para breve a abertura livraria virtual do museu. Com certeza esta será uma das maiores livrarias da Internet dedicada aos quadrinhos, permitindo a todos com um cartão de crédito internacional e coragem para fazer compras em Euro o acesso a obras de referência, novidades e clássicos dos quadrinhos de todo o mundo e também uma seleção de DVDs de filmes de animação.

Boa visita a todos à nova capital mundial das HQs.
>> TERRA MAGAZINE – por Claudio Martini

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