CLAYMORE: VOCÊ CONHECE?

CLAYMOREa
Uma das novas sensações do mundo dos mangás e animes é “Claymore“, saga criada no mangá por Norihiro Yagi em 2001, uma série que prossegue até hoje no Japão, já tendo alcaçado 15 volumes; no Brasil o mangá foi lançado este ano, tendo sido distribuídos dois números até agora (não quer dizer a mesma coisa que os volumes no Japão, diga-se de passagem). O estúdio Madhouse produziu em 2007 um seriado com 26 episódios de 23 minutos de duração cada, e já se especula sobre uma segunda temporada, visto que a história não fecha.

Claymore” é uma série impressionante, gótica, e o desenho animado é sombrio e desesperante. Narra o drama de um mundo alternativo e mediavelesco, mas não cristão, pois nas igrejas adoram-se vários deuses. Este mundo de vilas e cidades medievais ou feudalistas (não esqueçamos que existe a Idade Média japonesa) é assolado pelos “youmas” (monstros do folclore nipônico, dentro da categoria dos “youkais”) que sabem falar mas não possuem cultura própria, seres sedentos de carne e sangue humano, devoradores de vísceras. Produzem o maior terror nas pessoas, pois depois de devorarem um humano conseguem se apropriar de sua forma e maneirismos e assim disfarçados vão vivendo nas aldeias e espalhando as suas vítimas, como vampiros. São fortes e poderosos.

Quando uma aldeia descobre ter um youma enrustido em suas fronteiras, a contragosto chama uma “claymore”; são as chamadas “bruxas de olhos prateados”, que uma misteriosa organização sem nome – simplesmente “a organização” – produz e controla. As claymores são mulheres que, em criança, foram manipuladas geneticamente com material de youmas, e se tornaram meio humanas, meio youmas; dotadas de poderes especiais de força, agilidade, capacidade de regeneração dos tecidos etc. e munidas com as gigantescas espadas “claymore” (espadas medievais, existem na vida real), são treinadas para caçar e destruir os youmas. A vida de uma claymore é triste, solitária e fatalista. Nenhuma delas espera viver muito, e dificilmente cultivam a amizade. Não obstante, ao longo do seriado elas vão revelando sentimentos humanos e personalidades complexas. No apoteótico final da primeira temporada, uma frase de grande profundidade e que inspira reflexão: “Lute por aqueles a quem perdeu e por aqueles a quem não quer perder.”

A história acompanha principalmente a trajetória de Clare, uma jovem aparentemente seca e ríspida, mas cujo coração abriga profundos sentimentos, e que é a claymore 47 do continente – elas possuem hierarquia por número, definidor do poder pessoal de cada uma. Teoricamente a menos poderosa de todas, Clare porém guarda em si espantosos poderes latentes, como herdeira da lendária “Teresa do Sorriso Aparente” – que um dia foi a mais poderosa de todas as Claymores. Por onde passa, Clare vai matando os youmas sem porém receber gratidão da parte dos humanos – ao contrário, eles a temem e odeiam mesmo quando recorrem aos seus serviços, como são sempre odiadas as claymores, que os humanos comuns consideram monstros.

Entretanto um adolescente, Raki, que teve toda a família massacrada por um youma, resolve acompanhar Clare, tornando-se seu companheiro fiel, grato por ela ter exterminado o monstro. Clare aos poucos vai se afeiçoando a ele, cuja presença a princípio tolera, pois o garoto fôra expulso da vila (só o fato de ser parente das vítimas de youma o tornava um pária, numa atitude incoerente dos aldeães).

Mas os youmas não chegam a ser os piores inimigos. As claymores, em combate, invocam o poder youma que existe em seus corpos; nesse momento seus olhos tornam-se amarelos e o grande perigo é o de sua mente humana perder o controle sobre o corpo; em tal caso uma claymore pode tornar-se youma de um tipo especial, o “kakuseisha” – humano tornado youma, e mais poderoso que os youmas naturais. Os mais poderosos kakuseishas são os tres chamados de “abissais”, reservados para as sangrentas cenas dos últimos capítulos. Alguns kakuseishas são machos, inclusive Easley, o mais poderoso de todos: são o resultado das antigas experiencias com claymores masculinos, que a orgaização deixou de produzir por serem considerados muito instáveis (facilmente viravam youmas).

A série é tão sangrenta quanto os filmes de terror com carnificina, entretanto não é uma violencia pela violencia: as claymores afinal são vítimas de uma sina impiedosa, como as “gunsliger girls” de outro notável seriado japonês de animação; um destino cruel de marionetes de uma organização misteriosa e despótica, fadadas a jogar suas vidas contra seres de imenso poder que são o produto de suas próprias irmãs de organização. E, por isso, afinal algumas resolvem romper com a organização e viver suas próprias vidas.

Já existe uma grande expectativa em torno da segunda temporada do seriado, mas, que eu saiba, nenhuma garantia de que ela virá.
>> CULTURA ANIME – por Miguel Carqueija

Assista à abertura de Claymore:

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