EM BUSCA DO BLAKE PERDIDO

William Blake_by_thomas_phillipsATalvez nenhum outro escritor “das antigas” (final do sec. XVIII, início do XIX) permaneça tão atual e mereça tanto uma releitura pela ótica da fc quanto William Blake. Como Lovecraft, Blake criou uma cosmogonia pessoal, com seus próprios deuses e mitos. Como Philip K. Dick, ele tinha visões, era considerado louco por seus contemporâneos e estava firmemente convencido de que o mundo que vemos não é o mundo real. Como William S. Burroughs, tentou criar uma nova forma de literatura que quebrasse os condicionamentos físicos, psicológicos e espirituais do leitor, abrindo as portas da percepção para outros níveis de realidade.

Blake viveu em relativa obscuridade mas, desde que foi redescoberto (em grande parte, pelas mãos de outro grande poeta visionário, W. B. Yeats), sua influência não parou mais de crescer, e ele arrebanhou uma legião respeitável de admiradores, que vai de Yeats a Huxley a Alfred Bester a Jim Morrison à psicóloga junguiana June Singer ao escritor Philip Pullman (cuja obra mais famosa, a trilogia His Dark Materials, deve boa parte de sua inspiração a Blake), para citar apenas uns poucos.

Com suas idéias ousadas, Blake antecipou muitos dos conceitos e temáticas que depois seriam retomados pela ficção científica, especialmente pelos autores da new wave, como as noções de espaço interior, múltiplas realidades e diferentes níveis de consciência. Nada mais justo, portanto, que o próprio Blake acabasse se tornando personagem de uma história de fc, e é o que supostamente acontece em Timequest, romance de Ray Faraday Nelson publicado originalmente em 1985.

Digo supostamente porque, apesar de um dos protagonistas do livro ser um poeta inglês chamado William Blake, Blake mesmo não está lá.
>> EPISTEMONIKE PHANTASIA – por Lucio Manfredi

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