‘O VAMPIRO ANTES DE DRÁCULA’

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A ideia para o livro surgiu do desejo dos organizadores de lerem uma coletânea de contos vampíricos em que fossem explicados os critérios para a seleção e organização dos textos, e mais, a relevância destes para a evolução da ficção vampírica. Depois de muita pesquisa e trabalho de Martha e Humberto, o leitor tem a chance de ler uma das melhores antologias de contos de vampiros.

A maioria das pessoas, incluindo alguns fãs, acham que o vampiro estreou na literatura com o romance Drácula, do escritor irlandês Bram Stoker, em 1897. É inquestionável a contribuição do livro de Stoker para a popularização dos vampiros, mas a entrada desses seres foi através dos poetas românticos alemães do século XVIII. O primeiro romance dos sugadores de sangue foi publicado em 1801 (Der Vampyr, de Theodor Arnold), mas a obra caiu no esquecimento. Foi com o conto “O vampiro”, de John Polidori, publicado em 1819, que o vampiro se estabeleceu na prosa de ficção.

Foram selecionados 12 contos, publicados originalmente entre os anos de 1819 e 1897, período anterior à publicação de Drácula. O que chama a atenção nessa antologia é a diversidade dos textos escolhidos. Nem todos os escritores presentes são da língua inglesa, há o russo Alexei Tolstoi (”A família do Vurdalak”) e os franceses Guy de Maupassant e Alexandre Dumas.

Dos vampiros que aparecem nas narrativas, nem todos são humanos. No conto “A floração da estranha orquídea”, de H. G. Wells, aparece uma planta vampira. Em “O último dos vampiros”, de Phil Robinson, temos a descoberta de um vampiro reptiliano em plena Amazônia. Há ainda o ser invisível de “O Horla”, história de Guy de Maupassant.

A coletânea não é composta somente de histórias de terror. “A dama pálida”, de Alexandre Dumas, é um conto de aventura em que dois homens, sendo um deles vampiro, disputam o amor de uma jovem donzela. “O velho Éson”, de Arthur Quiller-Couch, é uma metáfora de como os filhos sugam a juventude e a força do pai. O Conde de Stenbock parodia o clássico “Carmilla” em “A verdadeira história de um vampiro”, história da relação do Conde Vardalek e seu jovem amado Gabriel.

O conto de Edgar Allan Poe, “O retrato oval”, não trata propriamente de vampiros, mas contém elementos vampíricos. Um quadro vai sugando a energia vital de uma mulher, enquanto o marido vai pintando a obra maligna.

Há ainda textos inéditos no livro, que nunca haviam sido traduzidos para o português. É o caso de “Um mistério da Campagna”, de Anne Crawford, da primeira versão de “O Horla” e dos textos de Phil Robinson e de Arthur Quiller-Couch.

Para encerrar a antologia há um conto de Bram Stoker, que alguns acreditam ser um capítulo suprimido de Drácula. Trata-se da história “O convidado de Drácula”.

A introdução, o posfácio, as notas explicativas, a bibliografia e os apêndices tornam a coletânea uma excelente obra de referência. A introdução apresenta as origens do vampiro literário, bem como a sua evolução ao longo do século XIX. Também explica as contribuições do teatro e do poeta Lord Byron, há um texto dele no livro (”Fragmento de um relato”), para o desenvolvimento da literatura vampírica. O posfácio mostra como a obra máxima de Bram Stoker foi importante para consolidar a figura do vampiro tal como a conhecemos hoje. As notas apresentam uma breve biografia do autor do conto, além de indicar a importância da narrativa na história do vampiro literário. A bibliografia consultada contém recomendações dos organizadores e é um excelente ponto de partida para aqueles que resolverem fazer as suas próprias pesquisas sobre vampiros. Os apêndices são duas lista: uma com a relação de obras literárias sobre os seres da noite até 1897; a outra, uma lista de peças teatrais sobre sugadores de sangue até o mesmo ano do apêndice anterior.

O vampiro antes de Drácula é um item obrigatório na estante de qualquer fã de vampiros. Além de ser uma das melhores coletâneas de contos vampíricos, é uma excelente obra de consulta.
O VAMPIRO ANTES DE DRÁCULA – Vários autores – Organização, tradução e notas por Martha Argel e Humberto Moura Neto – 336 páginas – Aleph, 2008.
>> LITERATSI – por Luiz Fernando Cardoso

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