BRÁULIO TAVARES GANHA O PRÊMIO JABUTI

quarta-feira | 30 | setembro | 2009

A invenção do mundo pelo Deus-Curumim, de Braulio Tavares (Editora 34) ganha o Jabuti, na categoria Livro Infatil.

A 51º edição do premio teve recorde de inscrições, foram 2.573 obras

Braulio TavaresA Câmara Brasileira do Livro anunciou os vencedores da 51º edição do Prêmio Jabuti. Foram apresentados os três ganhadores em cada uma das 21 categorias do concurso. No dia 4 de novembro ocorrerá a cerimônia de premiação quando serão anunciados os vencedores do “Livro do Ano de Ficção” e o “Livro do Ano de Não-Ficção”. O primeiro lugar em cada categoria recebe R$ 3 mil, e os melhores livros do ano de Ficção e Não-ficção ficam com R$ 30 mil cada um.

Neste ano, o Jabuti bateu seu recorde de inscrições, foram 2.573 obras, cerca de 20% a mais que em 2008, quando concorreram 2.131 publicações. Uma das categorias premiadas, “Romance”, foi conquistada pelo escritor gaúcho Moacyr Scliar com Manual da paixão solitária (Companhia das Letras), livro que trata do universo religioso inspirado no relato do Gênesis, História de Judá e Tamar.

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Enredo do livro:
Quem iria imaginar que um mundo inteiro, com suas estrelas, folhas, árvores e grãos de areia, poderia existir dentro de um coco? Pois o escritor Braulio Tavares e o artista plástico Fernando Vilela imaginaram. Inspirados em mitos indígenas sobre a criação do mundo, eles juntaram seus talentos para contar esta fábula misteriosa, ilustrada, que fala sobre a relação entre a linguagem e o mundo, e na qual as próprias Letras são personagens.

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‘THE VAMPIRE DIARES’: REVIEW E CURIOSIDADES DA SÉRIE

quarta-feira | 30 | setembro | 2009

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Como quase sempre acabo me inspirando em algo que estou vendo/ouvindo para escrever… ao som de Placebo, resolvi tecer algumas palavras sobre a série “The Vampire Diaries”, que tem a música “Running Up That Hill”, do Placebo, no piloto.

A série, com estréia prevista para novembro de 2009 na Warner, é feita com base em uma trilogia publicada em 1991, com um quarto livro saindo em 1992, pela editora americana Harper Paperbacks. Em fevereiro deste ano saiu o primeiro livro de uma nova trilogia: “The Vampire Diaries: The Return”.

Justamente por ser ambientado em uma escola, é inevitável o lance adolescente, mas não se trata de “vampiros” adolescentes e, a maior similaridade com “Buffy The Vampire Slayer”, perceptível até o momento, é a melhor amiga de Elena, com o “quê” de “bruxa nata”.

 

A série é muito bem produzida, algumas cenas lembram o estilo de filmagem de “Supernatural”. Há elementos de romance, o eterno dilema bem x mal, uma trama aparentemente básica, mas nada é tão simples quanto parece.

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A história centrada nos dois irmãos vampiros e o amor pela mesma mulher parece um clichê, mas é abordada de uma maneira interessante, e, embora eu tenha tentado buscar alguma semelhança entre eles e Louis e Lestat, Estefan não fica lamentando o tempo todo e Damon é muito desagradável em comparação com Lestat. Como eu disse, analisando até o momento. Mas Estefan não bebe sangue humano. Esperei ao menos três episódios para fazer esta review.

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O clima da série cresce em intensidade a cada episódio e, assim espero que continue. Sim, faltava uma série com vampiros que tivesse uma trama mais profunda, plots interessantes e viradas legais.

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O porquê do andar durante o dia é explicado, assim como é mantido e explicado como funciona o “convite” para entrar. (Aqui não posso deixar de mencionar “Let the right one in” – para quem ainda não viu, vide resenha aqui).

Para quem está mais por dentro do World of Darkness, dá para tentar adivinhar os clãs, embora muito provavelmente não tenha sido feito com base nisso, há algumas semelhanças. Ainda para aqueles que acham que vampiros nunca deveriam andar durante o dia, justamente no WoD, da White Wolf, há amuletos e magias para diversas coisas (o que veremos mais de uma vez nesta série), além de, nas “Vampire Chronicles” de Anne Rice, os vampiros suportarem o sol por mais tempo quanto mais velhos ficam ou quando tomam sangue de algum vampiro mais velho – Para quem não leu, sugiro “A Rainha dos Condenados” e, não, como já disse e repito, o filme é uma desonra ao livro!

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Os livros estão sendo traduzidos e lançados em português – ainda não tive a oportunidade de ler, mas para quem quiser se aprofundar… fico meio triste de não ter ficado sabendo dos livros antes – afinal, em 1991 não havia Internet e não era tão fácil ficar por dentro dos lançamentos de livros. Ao menos no meu círculo de amigos, era mais HQ e RPG. Ai, já estou me sentindo velha, risos.

Bom, vamos lá. Algumas curiosidades até agora.

Não quero estragar muito, mas há referências culturais interessantes na série, das quais destaquei algumas:

Para quem curte Numerologia (e Tarô), no terceiro episódio, além do significado deixado claro, há um significado subentendido interessante nos números 8, 14 e 22 “vistos” por Bonnie, sendo que 8 e 14 somam 22, e a carta 22 no Tarô tem significado, falando de modo meio geral, de “fechamento” de um assunto importante, um “marco”, o que ocorre com dois dos envolvidos, neste episódio.

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Elena diz a Stefan: “And then, back there, there was this…this, this bird, and it was all very Hitchcock for a second. That is the bird movie, right? Hitchcock?” (“E então, lá havia este… este, este pássaro, e tudo ficou meio a la Hitchcock por um segundo. É o do filme do pássaro, né? Hitchcock?”) – Esta é uma clara referência ao filme “The Birds” (1963) (Os Pássaros), de Alfred Hitchcock, que conta a história de uma pequena cidade que foi vítima de vários ataques de pássaros em poucos dias. Damon transforma-se em corvo – ele é responsável pelos ataques em Mystic Falls, a cidade onde a história se passa.

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“The Night of the Comet” é o nome do segundo episódio da série. Não pude deixar de rir ao me lembrar de que “Night of the Comet” é um filme, de 1984, que vi por acaso na TV, um dos piores filmes de zumbis que já vi na minha vida! Para saberem mais, se ficarem curiosos: o filme é dirigido por Thom Eberhardt e dizem que tem elementos de diversos gêneros como ficção científica, horror, apocalipse, zumbis, comédia e romance, embora eu ache que é apenas um filme bem mal feito, risos!

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O título do terceiro episódio, “Friday Night Bites”, além de ser o nome de um livro de Chloe Neill sobre vampiros, faz um trocadilho com “Friday Night Lights”, uma série de TV americana também adaptada de um livro (e de um filme) homônimo, a respeito de detalhes envolvendo os Dillon Panthers, uma equipe de futebol americano de escola – e o foco deste episódio, na escola, é justamente o time de futebol do qual Estefan passa a fazer parte.
>> ICULT GENERATION – por Ana Death Duarte

Confira o trailer legendado:


‘A ESPINHA DORSAL DA MEMÓRIA’, DE BRAULIO TAVARES

quarta-feira | 30 | setembro | 2009

Poucos Entenderão o que representou a escolha de A Espinha Dorsal da Memória para vencedor da edição de 1989 do prémio Caminho de FC. A ficção científica em língua portuguesa que então se publicava tinha a chancela da Caminho (cf. este meu texto sobre o percurso da FC nacional e o papel das editoras no seu desenvolvimento – ou falta deste). João Aniceto, vencedor em 1985, fazia a sua aparição regular com edições de vários milhares de exemplares patrocinados pela Sagres – romances inspirados em temas batidos no género, com alguma ambição literária embora por vezes lhe faltasse mão no material (lembro-me em particular da tentativa de descrever uma mesma cena sob o ponto de vista de quatro personagens em O Quarto Planeta – este tipo de truque quase cinematográfico só resulta quando cada novo recontar do mesmo evento oferece ao leitor novas informações ou uma apreciação completamente diferente, senão resulta maçudo) e uma peculiar falta de ouvido para o diálogo (lembro-me da discussão de um casal em A Lenda e de pensar se o autor nunca teria tido discussões conjugais na vida), eram contudo obras divertidas e com um enredo subjacente, inspiradas na ficção científica e que tentavam de facto fazer juz ao género.

Surgiriam, no entanto duas outras obras peculiares, cuja classificação como «ficção científica» era no mínimo questionável. Universo Limitada, de Isabel Cristina Pires, vencedora do prémio em 1987, ficaria na memória, a esta distância, como uma colectânea de contos muito curtos em que havia breves aparições de temas da FC – robôs, extraterrestres – mas com pouca intenção de enredo ou sequer de ilustrar situações ou estados de alma. Três Lágrimas Paralelas, de Artur Portela, seguia-lhe na esteira, embora deste recorde um conto que tentava apresentar uma Lisboa subordinada a uma invasão japonesa (se era uma invasão concreta ou apenas cultural, não consigo lembrar-me). Entendam que encontrar estas narrativas na colecção da Caminho foi um brusco choque de expectativas para o jovem de então, habituado aos sólidos contos americanos com enredos e percursos emocionais sustentados e extrapolação científica fundamentada. Talvez hoje a apreciação resultasse diferente, mas nessa época pouco contribuiu para sentir que haveria na língua portuguesa uma capacidade de fazer e escrever ficção científica como se fazia lá fora…

Bráulio Tavares foi uma espécie de redenção neste figurino. O conjunto de narrativas da Espinha Dorsal da Memória não só apresentam enredos de tronco inteiro como se encontravam escritos com um estilo sólido e profissional, literário, denunciando um autor que já se encontrava em actividade há algum tempo. Finalmente, contos que se podiam saborear. A FC brasileira afirmava-se assim, julgo que pela primeira vez, em terrenos lusos com qualidade e distinção. A fasquia da FC em língua portuguesa tinha sido elevada – e mais acima subiria, estou em crer, se a produção brasileira da época tivesse proliferado neste lado do oceano. 

Bráulio nunca participou nos encontros nacionais de FC. É possível que nos tenha visitado aquando da cerimónia de entrega do prémio pela Caminho. É possível que tenha sido entrevistado pelos jornais – desconheço. Fica aqui, no entanto, uma oportunidade de conhecer o autor, num debate a respeito de uma antologia de Edgar Allan Poe que se encontra a preparar para edição no Brasil.
>> EFEITOS COLATERAIS – por Luis Filipe Silva


‘GRAFIAS NOTURNAS’: LIVRO REÚNE CONTOS DE LITERATURA FANTÁSTICA

quarta-feira | 30 | setembro | 2009

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A literatura fantástica como meio para falar de problemas reais é o recurso utilizado na coletânea de contos Grafias noturnas, livro de estreia do autor paranaense Luiz Fernando Riesemberg.

Na definição do próprio autor, cada conto traz uma história sobre pessoas comuns tendo que conviver com inimigos poderosos e invisíveis, que podem ser manifestar na figura de um fantasma vingativo, uma epidemia mortífera ou a ambição humana.

Depois de seis anos de prática e participação em concursos literários, Riesemberg resolveu ingressar de vez na carreira literária com a publicação do seu primeiro livro, com a temática que vem sendo uma tendência de vendas, que é a do terror e a do realismo fantástico, presente nos 21 contos da obra.

No caso de Riesemberg, a intenção foi usar o desconhecido para abordar problemas da sociedade. “Histórias com vampiros e bruxos, por exemplo, têm sido bastante consumidas. Procurei ter algo a mais para dizer. Usar o vampiro, por exemplo, como alegoria para falar dos problemas que os humanos enfrentam”, exemplifica.

Entre os contos está Eu não matei Charles Bronson, sobre um jovem de classe média que, após ser vítima de um assalto, passa a incorporar a personagem de um justiceiro que sai noite afora em uma jornada sangrenta atrás dos bandidos, revelando-se ainda mais cruel que os criminosos.

A inspiração vem de escritores renomados da literatura fantástica, como Ray Bradbury (Farenheit 451), Roald Dahl (Beijo com beijo), Richard Matheson (Eu sou a lenda) e J.G. Ballard (Crash).

“Também não faltam homenagens ao cinema, principalmente aos filmes “B’ dos anos 1970 e 1980, nem às clássicas séries de horror e fantasia, como Além da imaginação e Amazing stories”, diz o autor.

Lançamento
Assim como a maioria dos autores iniciantes, Riesemberg enfrentou dificuldades para a publicação de seu livro. Querendo fugir da fórmula de pagar para lançar, o autor trilhou um caminho mais demorado, até receber uma proposta da editora Biblioteca24x7, especializada em escritores iniciantes.

Muitas editoras que aceitam publicar livros de novos editores mudam o foco do seu comércio: cobram do autor que precisa então vender os livros -para que a publicação aconteça.

“Esse não era o meu objetivo e por isso continuei tentando até encontrar a Biblioteca24x7, que publica e eu passo a ganhar uma porcentagem em cima das vendas”, conta Riesemberg. “Queria lançar com o meu talento, não com o meu dinheiro”, completa.

No entanto, muitos autores acabam optando pelo caminho pago, com a expectativa do lançamento. “O problema é que muitas vezes essas editoras nem fazem o trabalho de divulgação. É como lançar um CD. Hoje, qualquer um grava, mas o problema está depois, em vender”, compara.

Sem divulgação, a publicação por uma editora nem sempre pode ser a opção mais viável. “Para um autor iniciante, editora grande é utopia. Tem que ser conhecido, nem precisa escrever bem, para conseguir a publicação em uma delas. Por isso, para muitos autores iniciantes, é mais fácil ir diretamente em uma gráfica do que aceitar uma dessas propostas”, afirma o autor.

Grafias noturnas pode ser adquirido por meio do site da editora: http://www.biblioteca24x7.com.br.
>> PARANÁ ONLINE – por Luciana Cristo


O PRISIONEIRO JÁ TEM DATA DE ESTRÉIA

quarta-feira | 30 | setembro | 2009

Quem aguarda com ansiedade a releitura do canal AMC para a clássica série inglesa “O Prisioneiro” já pode marcar na agenda. A minissérie de seis episódios deverá estrear nos EUA no dia 15 de novembro.

O AMC promete exibir dois episódios por noite ao longo de três dias consecutivos. A produção é estrelada por Jim Caviezel, que interpreta o nº6, um agente que fica preso em uma misteriosa vila (que na clássica era situada em uma ilha), gerenciada pelo nº2, interpretado por Ian McKellen.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


‘UMBIGO SEM FUNDO’: UMA FAMÍLIA DE IMAGENS E PALAVRAS

quarta-feira | 30 | setembro | 2009

Umbigo Sem Fundo, de Dash ShawUm dos aspectos principais na produção de histórias independentes dos últimos anos é ter como temas principais o deslocamento e a disfuncionalidade. Cada uma trata de temas diferentes e desenvolve estes aspectos de forma a se adaptar com eles. Em Umbigo Sem Fundo, lançada mês passado pela Companhia das Letras, o tema central é a família e as relações que se dão entre seus vários integrantes. Tudo começa quando, depois de quarenta anos de casados, os pais da família Loony (maluco, em inglês) resolvem se divorciar. Para passar uma última semana juntos, os membros da família, filhos, netos e cunhados voltam a morar na casa na beira da praia onde cresceram. Os filhos, retratados bastante diferentes um dos outros, ecoam suas visões diversas sobra a família e divórcio. Dennis, o mais velho, se mostra nervoso e preocupado com o fim do casamento, ele é pai de família e acredita que as família são o pilar para uma vida de sucesso. Claire, a filha do meio, que já se divorciou, é atormentada pelo passado e pela preocupação com sua filha, Jill. Por fim, Peter, o caçula, está alheio a tudo isso agindo como se vivesse num mundo só seu, já que toda a família por vezes esquece que ele existe.

Dash ShawNa história, Peter é retratado como um sapo, – a não ser por um único quadro – pois é como ele acredita que a família e o mundo o vêem. Aqui a zoomorfização funciona como modo de trabalhar o deslocamento e a disfuncionalidade de uma forma gráfica e explícita, sem remeter a artistas que usaram este recurso anteriormente como Spielgman e David B.. Há ainda uma possibilidade de que Peter seja reflexo do autor, Dash Shaw, descrito como quieto e recluso em reportagens. Nesse caso, Peter lembra alguns personagens de Woody Allen principalmente quando retrata a si mesmo em seus trabalhos. Mas não é somente a semelhança com protagonistas que guardam analogia com o trabalho de Allen. O humor também segue um caminho parecido quando os personagens fazem piadas sobre si mesmos e seus entes queridos. Há uma cena bastante emblemática deste caso quando Claire imita os membros da família para sua filha, dizendo, ao final, que imitar Denis, descrito pelo autor como “um Homer Simpson com cabelos”, era crueldade, pois ele já era uma paródia de si mesmo.

O clima inicial da história lembra bastante Como uma Luva de Veludo Moldada em Ferro, de Daniel Clowes pela sensação de estranheza e não-pertencimento que o leitor sente. Somos apresentados à família Loony através de gráficos, esquemas de layout e por cenas características dos quadrinhos undergrounds. Acabada a primeira parte da graphic novel – que tem mais de setecentas páginas –, entretanto, os personagens já cativaram e envolveram de uma forma que fica difícil largar o tijolão e fazer uma pausa para ler o que vem na sequencia, como o autor sugere na abertura.

Talvez o principal recurso narrativo que Dash Shaw usa em Umbigo Sem Fundo sejam os reflexos. Há desde reflexos que temos sobre nós mesmos (como a retratação de Peter como um sapo), do que os outros têm sobre nós (após ser comparada com um homem, toda vez que Jill é refletida, ela se vê como um) ou até mesmo os dos outros em nós mesmos (os filhos tornando-se pais e os pais tornando-se filhos), o que produz um efeito também reflexivo no leitor que passa a se colocar no lugar dos personagens. Afinal, se o leitor não foi pai, com certeza já foi filho.Contemplação

Contemplação

Umbigo sem Fundo é uma história contemplativa, contada vagarosamente para que o leitor capte as nuances nos diálogos e nas cenas. Infelizmente, uma leitura apenas não dá conta de todos. Longas seqüências de imagens são usadas para mostrar experiências sensoriais como as páginas inteiras que mostram os diferentes tipos de areia e água. O mais impressionante é que estas imagens não guardam apenas uma grande carga sensória, mas também a sensibilidade de momentos-chave da narrativa e na emoção dos personagens. Há efeitos de leitura que remetem a filmes como Encontros e Desencontros que levam o leitor a ponderar a importância de momentos banais para os personagens. Por outro lado, esse efeito também é usado para realçar a importância de uma cena, como quando Peter vê Kat despindo lentamente a roupa, evento que leva quatro páginas para ser mostrado. A naturalidade e a casualidade são pontos altos da condução da narrativa  — atenção para as cenas explícitas de sexo, ou para quando os personagens recorrem ao banho para renovar suas energias — e lembra filmes da nova safra de filmes independentes como Pequena Miss Sunshine, A Família Savage e Juno.

Palavras utilizadas para substituir imagens Palavras utilizadas para substituir imagens 

Os desenhos da graphic novel não são muito desenvolvidos ou detalhados como em outros quadrinhos de autor. Lembram a simplicidade de Persépolis, mas têm a estranheza de traço dos quadrinhos underground. Porém, o recurso gráfico que mais chama atenção são as palavras. O autor lança mão de descrições e onomatopéias. Usa palavras para representar aquilo que não pode ser desenhado como barulhos e ações, ou por vezes para mostrar o efeito de uma ação ou diálogo sobre um personagem, como quando Peter ou seu pai encolhem os ombros. Se de início a utilização destes recursos pode parecer cansativa e repetitiva, por outro lado pode ser algo poético. Umbigo sem fundo é uma HQ sem cores. Para demonstrar um pôr-do-sol, Shaw desenha um horizonte e escreve sobre ele algumas cores em um quadro, outras cores em outro. Provavelmente o aspecto mais literário desta obra esteja, ironicamente, nas palavras que valem mais que mil imagens.
>> SPLASH PAGES – por Guilherme “Smee”


FANTASTICON 2009: “STEAMPUNK E OS NOVOS RUMOS DA FICÇÃO CENTÍFICA”

terça-feira | 29 | setembro | 2009

Você sabe o que é Steampunk?

É um movimento? Uma moda? Um lifestyle? Um novo gênero literário? Tem brasileiro metido nisso? Para você não ficar com cara de bobo quando ouvir essa palavra, assista agora mesmo ao especial Steampunk da TV Cronópios.


 
A TV Cronópios apresenta uma mesa-redonda do evento Fantasticon 2009 – Simpósio de Literatura Fantástica A proposta é que todas as atividades do evento sejam colocadas no ar o mais breve possível. Os vídeos estão sendo colocados no ar aos poucos.

Steampunk e os Novos Rumos
da Ficção Científica:
Mesa-redonda com Bruno Accioly,
Gianpaolo Celli e Fábio Fernandes

Este programa é resultado de numa parceria com o Fantasticon 2009. Evento organizado por Silvio Alexandre, em uma realização da Biblioteca Temática de Literatura Fantástica Viriato Corrêa, do Sistema Municipal de Bibliotecas e da Secretaria Municipal de Cultura. Com o apoio do GELF (Grupo de Estudos de Literatura Fantástica), da Fly Cow Produções Culturais, da Cálamo Editorial, do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica), da OPELF (Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica) e da TV Cronópios.

Sinopse: Criativos, retrofuturistas no estilo e no comportamento. Esses são alguns dos conceitos do Steampunk, um gênero de ficção que explora um “mundo alternativo” movido a vapor (”steam”). Assim, temos uma fusão de “era vitoriana” com “futuro pós-apocaliptico” ou “punk” no sentido de transgredir o hoje e o passado. Algo com muitas engrenagens, com grandes zepelins voando pelos céus e seus respectivos piratas, um misto de roupas vitorianas com tecnologias que parecem do nosso tempo. Mais do que nunca, surgem novos e talentosos autores na atual Ficção Científica que expandem as barreiras do gênero. E os editores fazem a sua parte: buscam rótulos para categorizá-los. No meio de tantos rótulos e inovações, o que exatamente eles representam?

Fabio Fernandes é jornalista, tradutor e dramaturgo. Seus contos foram publicados no Brasil, Portugal, Romênia e Estados Unidos. Publicou a coletânea de contos “Interface com o Vampiro” (Writers) e “A Construção do Imaginário Cyber” (Anhembi Morumbi). É Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e professor pela mesma instituição. Foi curador do “Invisibilidades II” (2008), do Instituto Itaú Cultural, evento voltado para a Ficção Científica, e fará a curadoria da terceira edição, ainda em 2009.

Gianpaolo Celli, além administrador de empresas, é escritor e editor. Estudioso de ocultismo, esoterismo e mitologia. Tem matérias e aventuras-solo de fantasia na revista Dragão Brasil; é colunista do site de neopaganismo “Tribos de Gaia”; co-autor da coleção Necrópole: “Histórias de Vampiros” (2005), “Histórias de Fantasmas” (2007) e “Histórias de Bruxaria” (2008); das coletâneas “Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos” (2006) e “Paradigmas, volume 3″ (2009), e co-editor e co-autor dos livros “Histórias do Tarô” (2008) e “Steampunk” (2009).

Bruno Accioly é empresário da área de tecnologia, editor da revista de internet OutraCoisa.com.br, co-fundador do Conselho SteamPunk e responsável pela loja Rio de Janeiro. Crítico da forma como o homem se relaciona com a tecnologia, é estudioso de Filosofia e seu rebento mais bem sucedido, a Ciência. Especialista em Usabilidade – disciplina que lida com a interação homem/máquina – atua na área há mais de dez anos enquanto divide seu tempo como redator e ficcionista.
 
Produção/vídeo: Egle Spinelli, Thiago Augusto e Pipol.


Assista agora | Clique aqui

Link: http://www.cronopios.com.br/tv-cronopios-palestras/steampunk.html