VICTORIA E A LITERATURA FANTÁSTICA DO SÉCULO XIX

frankenstein_0z2No início deste ano retomei, junto com alguns amigos, uma história sobre vampiros, na qual encarno uma simpática e um tanto desvairada vampira que viveu a maior parte de sua não-vida no século XIX, entrando em torpor na escura Londres vitoriana em 1899 e acordando na brilhante Salvador em 2009. A história recomeçaria do zero, e decidi entrar de cabeça na pesquisa da vida de Victoria no século XIX, como o que ela vestiria, quais livros conheceria, qual a tecnologia disponível, música, encontros sociais, etc.

Desde então coleciono curiosidades sobre este século, que representou o auge da Revolução Industrial, viu o nascer da fotografia, do cinema, das gravações de voz, da teoria da Evolução entre outras tantas maravilhas da ciência; viu também as atrocidades de H.H. Holmes e Jack, o Estripador, a criação da Torre Eiffel e da Roda Gigante. E deu início a uma enxurrada de histórias sobre o fantástico e o aterrorizante.

É o século de Hans Christian Andersen, Emily Brontë, Lord Byron, Coleridge, Emily Dickinson, Charles Dickens, Conan Doyle, Dumas, Flaubert, Goethe, Gogol, Irmãos Grimm, Hawthorne, Herman Melville, Keats, Irving, George Sand, Robert Louis Stevenson, Bram Stoker, Tennyson, Mark Twain, Júlio Verne, HG Wells, Henry Rider Haggard, Mary e Percy Shelley, Rimbaud, Leon Tolstoi, Dostoiévsky, Edgar Allan Poe, Baudelaire, Oscar Wilde, e tantos outros.

É o século que viu nascer Drácula, Dr. Jekyll, Sherlock Holmes, Heathcliff, Raskolnikov, Dr. Frankenstein, Capitão Nemo, Dorian Gray, Dr. Moreau, Tom Sawyer, Fausto, Alain Quartermain, Scrooge e D’Artagnan. O século que viu o homem ir à lua, ao centro do universo, às profundezas submarinas, lutar com grandes baleias brancas, viajar no tempo, lutar contra o Maelstrom, enfim, atravessar as fronteiras do imaginável.

Considerando sua história pessoal e sua preferência por sangue tóxico – de pessoas drogadas ou alcoolizadas – o estilo literário favorito de Victoria recaiu exatamente nestas grandes histórias. Foi quando surgiu a dúvida. Qual autor  –  ou história – melhor representaria este período?

Seria Poe com suas  histórias extraordinárias, orangotangos assassinos e redemoinhos gigantes? Dickens e seus personagens assombrados pelo passado, presente e futuro? A fina divisão de personalidades em Stevenson? As criaturas deformadas de Dr. Moreau e Frankenstein? A crise de identidade de Dorian Gray ou Raskolnikov? A intrepidez de Quartermain? A sagacidade de Sherlock Holmes?

Ou seriam as aventuras fantásticas de Capitão Nemo e Tom Sawyer, as viagens no tempo de H. G. Wells e os romances Capa e Espada de Dumas? Ou ainda o demônio que inferniza a vida de Fausto? os vampiros de Polidori e Stoker? Os contos de terror de Fantasmagoriana?

Em todas essas histórias vemos a natureza humana representada, discutida e  julgada das mais variadas maneiras, sendo o foco a dimensão das atitudes de uma pessoa e suas consequências. Vemos nossos vícios que se tornam monstros alimentados pelas paixões do homem, que seduzem as virtudes vestidas de belas damas e cavalheiros respeitáveis. Vemos nossas frustrações tomarem a forma de lutas impossíveis e rixas de sangue. Vemos ainda a arrogância ser punida com desespero, e a coragem vindo em forma de grandes desbravadores.

Por conter quase todos os elementos de uma boa história da época, minha escolha recaiu sobre Frankenstein, que me chamou a atenção pela profundidade dos personagens e pela disparidade entre os sentimentos de dor, desespero e solidão discursados pelo criador e a angústia e incompreensão vividos pela criatura.

Mas, seja discutindo as fronteiras da ciência, como em Frankenstein ou O Médico e o Monstro, seja criando um mundo além desta, como a prisão das mazelas do homem numa pintura, do Retrato de Dorian Gray, ou ainda nas palavras de Mefistófeles em Fausto o fato é que o século XIX viu uma explosão de contos fantásticos, num mundo em que o impossível se tornava possível com uma rapidez surpreendente.
>> MEIA PALAVRA – por Kika

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