FICÇÃO EM 1º GRAU

Começa nesta próxima quinta, 24, em Quixadá e Quixeramobim, a filmagem de “Área Q”, ficção-científica de Halder Gomes e Gerson Saginitto sobre a “presença” de OVNIs e seres extraterrestres nestes municípios. O Caderno 3 de hoje investiga o tema

Foram meses de preparação: formatação do o roteiro, negociações com os atores americanos e brasileiros e os parceiros nacionais e estrangeiros, seleção do elenco local, montagem da equipe técnica, a escolha de locações. Ainda há parcerias a serem fechadas, mas, finalmente, começa no próximo dia 24, em Quixadá, a filmagem de “Área Q”, ficção científica que aborda o “aparecimento” de Objetos Voadores não Identificados (Ovnis) nas cidades de Quixadá e Quixeramobim. Com produção do cearense Halder Gomes (“No Calor da Terra do Sol” e “The Morgue”), o longa terá direção do carioca, radicado nos Estados Unidos, Gerson Saginitto, além de elenco incluindo atores nacionais e internacionais.

A história trata da aparição de discos voadores em Quixadá e Quixeramobim (daí o título, “Área Q”), para muitos um mero exercício de fantasia, para outros, em geral daquela região, uma série de eventos reais, que incluem casos de abdução e outros “contatos”entre humanos e alienígenas. Halder esconde os detalhes do enredo, mas dá pistas. “As várias formas de relatos de contatos imediatos no mundo inteiro descrevem os seres extraterrestres com as mais diversas intenções em relação à espécie humana e ao planeta Terra, seja para o bem ou para o mal”, sugere. “Optamos por contar uma história sobre seres mais evoluídos tecnologicamente, culturalmente; seres iluminados, mais interessados na essência humana do que em experimentos científicos com seus corpos. São seres que foram atraídos não por radio telescópios, uma tecnologia obsoleta para eles, e sim pelas ondas de energia emitidas pela força de nossas atitudes. Estão interessados em saber que espécie é esta que, ao mesmo tempo em que mostra a capacidade de ser extremamente solidária e caridosa, é igualmente capaz de fomentar guerras e matar seus semelhantes de forma brutal e impiedosa”, diz. “No argumento, expressamos essa busca pela compreensão humana de que reside no estágio evolutivo o destino da humanidade. Com a violência, a desigualdade, o preconceito, o seu possível caminho será a autodestruição, e antes mesmo de possuir uma tecnologia capaz de deixar o planeta quando este não nos servir mais como morada. Em resumo, os seres que mostramos são aqueles preocupados com a nossa estupidez”, acrescenta.

Halder relembra o fato de a escritora Rachel de Queiroz, nascida em Quixadá, ter escrito um relato impressionante para a revista “O Cruzeiro”, na década de 60. “O relato dela nos inspirou na concepção da tonalidade de cores das luzes das naves extraterrestres”, revela. No argumento, Quixeramobim e Quixadá tornaram-se quase personagens da história, pois o trabalho de pesquisa enfoca essencialmente relatos já conhecidos e discutidos, tanto pela população, quanto por cientistas. A ficção captaria, então, realidades, segundo alguns.

“Elaboramos uma história densa, envolta em mistério e suspense, com foco no desconhecido. Ela ainda conterá uma forte ambigüidade entre a religiosidade e a ufologia. Não esquecemos que o tema engloba questões filosóficas sobre a humanidade e a espiritualidade sob o aspecto da pluralidade dos mundos, paralelos e de estágios de evolução. Em síntese, será um filme diferente ao formular uma mensagem de paz para um planeta perdido em seus valores humanitários”, complementa o produtor.

Para a elaboração da história, houve uma extensa pesquisa. “Cara, valeu de tudo: jornais, revistas especializadas em discos voadores e científicas, entrevistas com moradores de Quixeramobim e Quixadá, enfim, ampliamos o leque e acreditamos que não tenha ficado alguma coisa de fora. Nós nos deparamos com teorias que ajudaram nos diálogos e motivações dos personagens. Um deles fala de possíveis casos de testes nucleares feitos por americanos na década de 50 nos céus do que chamamos de Área Q. O documentário ´Labirinto´, dos colegas Tibico Brasil e Margarita Hernandez, também foi uma rica fonte de pesquisa”, expõe o cineasta cearense, confirmando todo o seu empenho.

A direção será de Gerson Saginitto, carioca que, desde 2000, atua nos estúdios independentes de Hollywood como assistente e coordenador de produção, roteirista, diretor de segunda unidade, produtor e diretor (“The TV Broke”, 2006; “Beyond the Ring”, 2008). Sanginitto, que co-dirigiu “The Morgue”, com Halder Gomes, acaba de finalizar “Commander and Chief”, com C. Thomas Howell (de “A Morte Pede Carona”) e Candice Patton. “Fiz com o Howell ainda um trhiller de ação, ´´Big Game´. Já ´Área Q´ eu classifico como um drama de ficção científica, ela funciona como um plano de fundo. O mote é um pai à procura de um filho. A ficção científica é meu gênero favorito. Considero um desafio por ser uma coisa inovadora, no próprio cinema nacional”, diz o “film-maker”, classificação que cabe também a Halder, um realizador de filmes que vem rompendo barreiras. Os dois diretores escreveram o roteiro de “Área Q” juntos.

Em novos horizontes

Halder Gomes revela que gostaria de contar com o apoio da Secretaria de Turismo, pois o filme terá 90% do enredo filmado no interior do Estado e tem a garantia de exibição no mercado internacional por se tratar de uma co-produção entre EUA (Reef Pictures e Woodland Hills) e Brasil (ATC Entretenimentos, Estação da Luz e Boa Vontade Filmes). Uma boa oportunidade, segundo ele, para expor o potencial turístico do Estado. “Vamos mostrar o sertão com outra visão, mística e científica, sob o olhar daquela região, bastante visitada por turistas e pesquisadores de todo o mundo. Tudo isso com locações fantásticas, como a Pedra da Gaveta, em Quixeramobim, e os monólitos de Quixadá, além de apresentar tudo isto com uma linguagem nossa, quando for pertinente”, conta o diretor ainda do premiado curta “O Astista contra o Cabra do Mal”, falado em bom “cearensês”.

Cercada de todos os cuidados para ser uma produção de qualidade, “Área Q” contará com atores norte-americanos e brasileiros. Os principais papéis serão ocupados pelo norte-americano Isaiah Washington (de “Crime Verdadeiro”, de Clint Eastwood, e da conceituada série de TV “Grey´s Anatomy”), Murilo Rosa (de “A Orquestra de Meninos”) e Tania Khalil, recém saída da novela “Caminho das Índias” e estreando no cinema. No elenco local, destaques para os cearenses Karla Karenina, Leuda Bandeira, Maria Fernanda Mota, Hiramisa Serra e Sol Morfeur.
>> DIÁRIO DO NORDESTE – por PEDRO MARTINS F./HENRIQUE NUNES

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