“O BESOURO É UM FILME DE FANTASIA, NÃO SOBRE CAPOEIRA”, DIZ DIRETOR

João Daniel Tikhormiroff conta que se apaixonou por cinema ainda criança dentro das cabines de projeção, quando seu pai, Daniel Michael Tikhormiroff, era diretor da distribuidora Universal do Brasil. “Fiquei fascinado com o universo hitchcockiano”, conta ele, em entrevista exclusiva ao UOL, por telefone, direto de seu escritório no Rio de Janeiro. “Mas também aprendi muito na adolescência vendo [Ingmar] Bergman, [Federico] Fellini, [Jean-Luc] Godard, Alain Resnais e outros.”

Naturalmente, Tikhormiroff seguiu carreira no cinema. Atuou como assistente em vários filmes brasileiros, dirigiu curtas-metragens, fez um documentário e, quando estava para estrear como diretor de longas-metragens de ficção, o ex-presidente Fernando Collor extinguiu a Embrafilme. Depois de se dedicar à publicidade e viver na Espanha durante quase uma década, ele finalmente estreia na direção com “Besouro”, definido pelo próprio cineasta como “um filme de fantasia baseado nas lendas a respeito dO [lendário capoeirista] Besouro”.

Tikhormiroff diz que sua primeira inspiração foi o livro “Feijoada no Paraíso”, ficção inspirada no folclórico personagem da cultura brasileira, escrito pelo publicitário e cartunista carioca Marco Carvalho. “Claro que o livro me inspirou, mas também me atraiu a possibilidade de transformar essa história em algo original, com personalidade, nunca antes feito”, contou ele. A despeito dos esforços do cineasta, não há como afastar “Besouro” de filmes de ação, artes marciais e aventura, especialmente “O Tigre e o Dragão”, de Ang Lee.

O sucesso mundial de Lee foi, aliás, uma das referências apresentadas por Tikhormiroff à equipe e atores de “Besouro”. Na pequena Andaraí, vizinha a Igatu, na Chapada Diamantina, onde o filme foi rodado, o diretor fazia sessões com o objetivo de informar a equipe e os atores. Exibiu o faroeste “Os Indomáveis”, com Russel Crowe e Christian Bale, para exemplificar a química de amor e ódio que deve se estabelecer entre os capoeiras Besouro e Quero-Quero; “Sangue Negro”, com Daniel Day-Lewis, para mostrar como se constroi um personagem maquiavélico e também como referência de fotografia; “Kill Bill vols. 1 e 2”, de Quentin Tarantino, por conta das cenas de ação.

Entusiasmado com a repercussão antes mesmo da estreia, Tikhormiroff rejeita o rótulo de “filme popular” para “Besouro”. “Eu voltei para o Brasil motivado pela possibilidade de fazer esse filme”, disse ele. “”Queria contar essa história dessa maneira, queria falar de uma época em que aqui ainda tratavam os negros como escravos, em que a luta era tratada como dança ou jogo para driblar a legislação.”

Nas primeiras sessões feitas para amigos e conselheiros, Tikhormiroff recebeu opiniões muito encorajadoras. Segundo o diretor, Hector Babenco ficou surpreso com o risco que ele correu fazendo esse filme. Cacá Diegues, por sua vez, disse que o diretor inventou um novo gênero, por acaso muito original, com amplo apelo de público.

Não por acaso, “Besouro” entrou em cartaz no dia 30 de outubro, com 160 cópias distribuídas pelas principais capitais brasileiras. “É um sinal de que a distribuidora acredita no filme”, disse ele.
>> UOL – por Alessandro Giannini

Assista ao trailer:

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