‘O HOMEM DUPLO’, DE PHILIP K. DICK REUNE ANIMAÇÃO E FICÇÃO CIENTÍFICA

A história, criada por Philip K. Dick, autor de “Blade Runner – O Caçador de Andróides”, considerado um dos melhores filmes de Ficção Científica de todos os tempos, fala de um tempo futuro onde uma droga chamada “Substância D” toma conta do mercado de alucinógenos e é tida como a droga mais viciante de todos os tempos.

Um agente infiltrado chamado Fred que é interpretado por Keanu Reeves é encarregado de comprar grandes quantidades da droga de uma fornecedora, interpretada por Winona Ryder com a intenção de encontrar a fonte da produção.

A animação do filme fica por conta da Rotoscopia, técnica em que a película previamente filmada por atores reais é pintada com software gráfico, como em Waking Life. Nesse caso a técnica dá  maior dramaticidade aos personagens e também dá conta de criar o clima de realidade alternativa vivenciada pelos personagens viciados e suas delirantes visões da realidade. Como já tinha dito antes na  resenha de Waking Life a tarefa de pintar quadro a quadro do filme é extremamente demorada.

O filme rodado em apenas 23 dias, levou 18 meses de pós- produção.

Mas esse tipo de animação é perfeita pra ilustrar o sentimento de paranóia dos personagens. Como Fred, que além de ter que fazer uso da droga, o agente infiltrado mantém sua identidade protegida por um traje especial que impede que alguém no escritório de polícia reconheça sua real identidade e a de seu chefe.

Dirigido por Richard Linklater, o filme de 2006 também retrata parte da vida do escritor Philip K. Dick, que vivenciou o mundo das drogas e teve muitos de seus amigos mortos por esse vício. As filhas do escritor participaram de perto da criação do roteiro para assegurar a fidelidade filme-livro.

Gostei muito dos diálogos do filme, embora os personagens estejam chapados ou até por isso é muito interessante saber o que eles pensam sobre suas vidas. Falam sobre coisas comuns em um estado alterado, vivenciam paranóias: como a de um personagem que imagina ter muitos bichos saindo de seu nariz e recobrindo seu corpo.

O filme tem clima e gosto de uma bad trip, pra que quem conhece se reconhecer e pra quem nunca fez uma viajem dessas tenha idéia do que se passa na cabeça de pessoas dependentes. A vida passa a acontecer em função da aquisição e uso do entorpecente. Nesse aspecto o filme é  bem realista. Embora o tema seja meio pesadão  é um filme muito divertido e Robert Downey Jr. faz um personagem digno de suas atuações. Aliás, a escolha dos atores foi ótima, todos eles têm na vida real um lado B com drogas e por isso mesmo conseguem passar com veracidade o estado de confusão mental dos personagens.

Como os efeitos especiais aqui são totalmente inseridos no contexto, já que tudo é desenho, fica mais crível e menos efeitos especiais, e você pode viajar na história sem ficar intrigado com a técnica usada pra criar o efeito. Isso é bom, mas não pode se sobressair à história correndo o risco de ser apenas mais um filme de efeitos especiais. Animação é tudo de bom nesse sentido.
>> ANIMAÇÃO S.A. – por Andrea Gaia

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