‘THE BIG BANG THEORY’: ENTREVISTA COM O CRIADOR DA SÉRIE, CHUCK LORRE E JIM PARSONS, O SHELDON

Leis da física, fórmulas químicas e brincadeiras que, até então, eram consideradas restritas ao mundo nerd podem garantir o sucesso de um seriado de TV? Sim, podem. O roteiro de The Big Bang Theory, exibido no Brasil pelo Warner Channel, comprova que as matérias comumente odiadas na escola podem virar uma comédia de primeira. Para entender esse sucesso, nosso correspondente internacional conversou com Chuck Lorre, criador da série, e Jim Parsons,que dá vida ao incrível Sheldon Cooper. Confira!

O set de The Big Bang Theory é um verdadeiro parque de diversões. Jogos, quadrinhos, colecionáveis e, nos bastidores, uma mesa de pingue-pongue. Tudo isso garante o bom-humor de Johnny Galecki, Jim Parsons, Kaley Cuoco, Simon Helberg e Kunal Nayyar, um grupo dedicado a mostrar o lado humano de gênios científicos, causar gargalhadas e, no meio do caminho, quebrar – ou aumentar – preconceitos em torno dos nerds, geeks, fanboys e outros segmentos de aficionados pela cultura pop e tecnologia.

MOVIE: Suas comédias sempre dão certo, qual o segredo?
Chuck Lorre: Eu uso esteróides! (garalhadas) Precisa ser engraçado para a equipe, se não for, não vale a pena ser feito. Mas The Big Bang Theory tem um elemento fundamental: o elenco. Demos tanta sorte ao encontrar esse pessoal, que devo atribuir o sucesso ao que eles conseguem fazer coletivamente.

Deve ser um delírio trabalhar num set tão divertido como esse! Vocês têm até uma cópia da Máquina do Tempo, de H.G. Wells!
Jim Parsons: Fiquei com muito medo de quebrá-la! Aquela coisa chegou com seguranças e eu juro que tinha um campo de força ao redor dela, caso a gente resolvesse usá-la além do permitido. O melhor é o torneio de pingue-pong, pena que já fui eliminado da competição atual. É eliminatório, então o pessoal pega pesado. (risos).

Sheldon é irritante ao extremo, porém, em vez de afastar as pessoas, ele atrai mais público. Como é possível?
CL: A resposta está no charme e doçura que Jim dá ao personagem, isso permite que façamos as coisas mais horríveis sem prejudicar a história ou o personagem. Há inocência ali, de alguém que não faz por mal.
JP: Há uma colaboração muito grande entre Chuck, eu e os roteiristas para sabermos os limites ali. Houve momentos em que precisamos corrigir o tom, especialmente no modo como ele fala com Penny. O segredo é não ser malicioso. Sheldon não tem segundas intenções, ele diz o que sente pura e simplesmente. Além de tudo, escolhemos bem cada palavra para evitar confusões e sempre respeitá-la.  Penny é sempre uma preocupação.

Mas depois do episódio de Natal as coisas mudaram, não? (Neste episódio, Sheldon tem uma grande aproximação com Penny graças a um presente que recebeu da vizinha)
JP: Totalmente! A seu modo, Sheldon aceitou Penny em sua vida e tem uma nova relação com ela. Continua sendo pura e não maliciosa, mas mudou. Sheldon ficou sem reação, sem ter o que dizer, o que é algo muito raro. Foi muito especial para mim.
CL:
Kaley [Cuoco] ficou perplexa quando contei a ela sobre a cena. Ela não acreditava naquilo e quase chorou. É isso que digo sobre o elenco: eles se importam uns com os outros, transmitem isso aos personagens, e celebram cada momento marcante. O episódio de Natal é um dos meus prediletos.
JP: Confesso ter ficado emocionado ao saber dessa história. Sheldon se expressando fisicamente? Um abraço? Parecia um conto de fadas, de verdade. Sempre preciso me concentrar nos diálogos e em todo o jargão, então um abraço me surpreendeu. [Parsons decora cada linha de roteiro e grava tudo de forma ininterrupta, claro que refaz as cenas várias vezes até acertar tudo].

O elenco foi acertado desde o princípio ou demorou para encontrar o grupo certo?
CL: Precisamos repensar a personagem feminina. Não ficou bom no piloto, o conceito era outro, então remodelamos tudo e concentramos em Penny. Mesmo assim, fizemos o piloto duas vezes. Mantivemos apenas Johnny Galecki e Jim Parsons do primeiro grupo, e aí criamos os personagens Howard e Rajesh. Houve muita tentativa e erro, para ser bem sincero. Algumas coisas não faziam sentido, não ficaram boas na tela e não podíamos correr aqueles riscos, então remodelamos tudo até estarmos totalmente satisfeitos.
JP: Lembro do primeiro teste, quando conheci Johnny, e perguntei a ele: “Quer ensaiar?”, e ele respondeu: “Não”. Gostei dele na hora! Tudo que vocês vêem nasceu dessa confiança e pensamento próximo. Às vezes me surpreendo com isso.

Toda essa preocupação com nerdices, cultura pop e, claro, a parte científica é resultado do trabalho de algum consultor especializado?
CL: [gargalhadas] É só visitar a sala dos roteiristas e você vai entender de onde tudo isso saí! [gargalhadas] Mas isso no aspecto de referências culturais, já na parte de ciência, temos um consultor específico sim. Posso dizer com orgulho que somos a única série cujo consultor lê nossos roteiros na Antártida! Ele é um professor da UCLA [Dr. David Saltzberg, professor de astrofísica e pesquisador de aceleração de partículas] e está envolvido em pesquisas de campo, mas sempre lendo nossos roteiros.
JP: Dá para imaginar que um cara desses, enviado na Antártida, só consegue mandar fotos dos equipamentos deles para a gente? Nada de gelo, pingüins ou algo surpreendente, apenas equipamentos! Entende por que ele é o consultor? É a vida dele!
>> REVISTA MOVIE – por Fábio M. Barreto, de Los Angeles

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