‘ANNO DRACULA’: O RENASCER DOS VAMPIROS

“Anno Dracula”, romance do inglês Kim Newman, homenageia os mortos-vivos da cultura pop, reaproveitando personagens como o Conde Drácula

Bela Lugosi, o mais famoso intérprete do Conde Drácula. Personagem de Bram Stoker é figura central de romance cult do inglês Kim Newman

Não se deve confundir “Anno Dracula” (Editora Aleph, 376 págs., R$49,90) com outros romances de vampiros que se aproveitaram do sucesso da saga litero-cinematográfica “Crepúsculo”. O livro do jornalista inglês Kim Newman saiu lá fora em 1993. Ele chega aqui pela Aleph, editora que se dedica à ficção científica e ao horror e que tem em seu catálogo outros escritos vampirescos, lançados antes da nova moda dos chupadores de sangue.

Os vampiros de Newman tampouco lembram os da série de Stephenie Meyer. Ao invés de adolescentes apaixonados, predominam os do velho tipo, misterioso, aristocrático, selvagens, malignos e góticos. Newman trabalha com uma variedade deste gênero de vampiro mais tradicional, dos modelos criados por Bram Stoker (“Drácula”, de 1897) aos que lhe antecederam (“O vampiro”, de 1819, de John Polidori; “Carmilla”, 1872, de Sheridan Le Fanu), passando por exemplares remodelados, como as crias de Anne Rice (“Entrevista com o vampiro”, 1976).

Anno DraculaRenascidos
Mais do que se apropriar apenas dos modelos, Kim Newman toma emprestado estes personagens para criar sua história. Ela se passa numa realidade alternativa, que se segue a derrota de Abraham Van Helsing pelo Conde Drácula da Transilvânia (e não o contrário, como de fato se dá no romance de Bram Stoker). Vitorioso, o vampiro triunfa ao seduzir e desposar a rainha Vitória e expandir seu domínio sobre os territórios britânicos. A sociedade se reorganiza, possibilitando a coexistência de “quentes” (pessoas normais) e “renascidos” (os vampiros).

Neste universos, Kim Newman desenvolve um enredo baseado nos crimes de Jack, o estripador. É o ano de 1888, e Londres é agitada por uma série de assassinatos de prostitutas vampiras. A ação se desenvolve num emaranhado que envolve investigadores vivos e mortos-vivos em busca do criminoso.

Parceiro do roteirista de HQs Neil Gaiman em um livro sobre fantasia pulp, Newman deve agradar em cheio aos fãs do autor. Como aquele fez em sua clássica série “Sandman”, Kim Newman se dá bem ao fazer renascer personagens de outros escritores.
>> DIARIO DO NORDESTE – por Dellano Rios

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