“TORCHWOOD” AGORA EM DVD


Jack, Ianto, Toshiko, Owen e Gwen 

A spinoff de “Doctor Who”, que já teve a primeira temporada exibida no Brasil, chega agora em DVD. Lançado pela Log On que tem contrato de exclusividade com a BBC, o box traz 13 episódios divididos em 5 DVDs com áudio original, legendas em português, aberto para todas as Zonas. O preço é inexplicavelmente salgado, R$139,90.

“Se é um alien, é nosso”, esta é a frase que o Capitão Jack Harckness costuma dizer ao se envolver em um novo caso, interferindo com as atividades do governo inglês. Criada por Russell T. Davies, a série traz o personagem surgido em “Doctor Who” em 2005, já interpretado por John Barrowman. 
Gwen, Susi, Ianto, Owen, Toshiko e Jack

Torchwood, anagrama de Doctor Who, é o nome de um Instituto que remonta ao Século XIX. Situada na atualidade, a história apresenta os membros de um dos grupos de Torchwood, que está sediado em Cardiff caçando alienígenas e coletando artefatos que poderão no futuro ajudar a humanidade na defesa do planeta. O grupo age de forma independente ao governo e está acima das atividades da polícia que invariavelmente precisa abrir mão de alguma investigação e passá-la para os membros da Torchwood.

Quando a primeira temporada tem início o grupo é formado por Susi (Indira Varma, da série “Roma”), especialista em artefatos e segunda em comando; Owen (Burn Gorman), médico; Toshiko (Naoko Mori), especialista em computadores e equipamentos eletrônicos; Ianto (Gareth David-Lloyd), o faz-tudo, e Jack, chefe do grupo, ex-trapaceiro e ex-viajante do tempo, vindo do futuro.

A continuação do texto contém spoilers!!!
James Masters e John Barrowman

Vindo do século 51 Jack já esteve em vários lugares e épocas. Sua condição de viajante o transformou em um imortal (situação apresentada em “Doctor Who”). Desde que se uniu ao Instituto Torchwood por volta de 1899, ele vem vivendo várias situações ao longo dos séculos. Sua história é um segredo que ele guarda para si, mas que aos poucos é revelada aos demais. Em função de sua longa vida, Jack não se relaciona bem com as pessoas, mantendo-se emocionalmente afastado. Invariavelmente seus atos do passado o forçam, no presente, a tomar decisões drásticas, muitas vezes impulsivas.

A primeira temporada é composta de episódios que trabalham a introdução e desenvolvimento das personalidades e história de cada personagem, dando ênfase à solidão de cada um. Logo no piloto surge Gwen Cooper (Eve Myles), policial que testemunha uma das atividades do grupo: ressucitar um cadáver por um minuto utilizando uma luva alienígena, pré-“Pushing Daisies”. A história do piloto se desenvolve de forma a mostrar ao público a forma como o trabalho afeta as vidas de cada um. Ao final do episódio, Gwen se une ao grupo.

Ela é a única que tem uma vida pessoal estável. Morando com Rhys (Kai Owen), seu namorado, os dois planejam, no futuro, constituir família. Mas, ao longo da primeira temporada Gwen se envolve com Owen, que por sua vez não planeja manter relacionamentos duradouros. Apaixonada por Owen, Toshiko é uma japonesa que foi resgatada por Jack. Suspeita de espionagem, ela trocou a cadeia por uma dedicação quase cega aos trabalhos na Torchwood.

Logo na primeira temporada a série introduz a temática homossexual. Pela primeira vez temos uma série de ficção científica estrelada por um personagem bissexual, no caso, Jack; mas este tipo de relação não se restringe a ele. Toshiko também encara com naturalidade uma relação gay, enquanto que Gwen, sob efeito de uma “droga” alienígena, protagoniza uma cena na qual troca beijos com outra mulher. De forma natural e sem malícias ou exageros, a série trabalha o tema sem se deixar dominar por ele.

É claro que o fato de John Barrowman ser gay colaborou muito com o desenvolvimento do personagem neste sentido. Mas seus relacionamentos com outros homens somente tomam forma na terceira temporada, quando seu namorado precisa reconhecer publicamente a situação do casal.

Com histórias que remontam situações já exploradas por séries como “Arquivo X”, “Quinta Dimensão” ou mesmo “Buffy” e “Angel”, “Torchwood” consegue, através de seus personagens estabelecer uma característica própria. O olhar britânico também faz toda a diferença. Diferentemente das características de abordagem e desenvolvimento dos americanos, os ingleses não temem explorar temas, matar personagens ou mesmo destruir a idéia de que há vida após a morte.

Em vários episódios os personagens deixam bem claro acreditarem que após a morte só existe a escuridão. Defendendo a ciência e não a fé, a série derruba uma visão que atualmente está sendo explorada por diversas séries americanas. Mesmo assim, na primeira temporada foi produzido o episódio “Random Shoes”, no qual a trama é narrada por um fantasma que mais tarde encontra a “luz no fim do túnel”. A temporada termina com a introdução de um crossover que a série teve com “Doctor Who” nesta época, fazendo com que Jack desapareça, forçando o grupo a se reorganizar sem saber o que aconteceu com ele.

Na segunda temporada os roteiros trazem alguns temas interessantes para o desenvolvimento de personagens. Inicia com “Kiss, Kiss, Bang, Bang”, que abre a temporada com um ótimo personagem o qual retornaria mais tarde: Capitão John Hart (James Masters), ex-companheiro de Jack em suas trapaças pelo tempo; passa por “Sleeper”, que explora a infiltração alienígena na Terra; por “Adam”, um personagem que só existe nas lembranças pré-fabricadas por ele; “Dead Man Walking”, em que um dos personagens volta à vida graças a um artefato alienígena, mas em conseqüência disso é forçado a olhar para o vazio de sua existência (remonta “Além da Imaginação”); “Something Borrowed”, em que Gwen se descobre grávida de um alienígena; “Adrift” no qual mais um segredo de Jack vem à tona; “Fragments”, no qual descobrimos como cada membro se uniu ao grupo; e “Exit Wounds”, que marca a despedida de dois membros.

Sem se deter em cenas e situações de ação e aventura, a temporada penetra mais a fundo na história dos personagens e suas relações com os amigos, família e trabalho. Aqui também aparecem alguns atores especialmente convidados, como o já mencionado James Masters, e ainda Freema Agyeman, que reprisa seu personagem de “Doctor Who”, Marta; Alan Dale, de “Ugly Betty”, entre outros mais conhecidos pelos ingleses. Ao final da 2ª temporada a série perde dois dos personagens fixos, chegando à 3ª com apenas três membros do grupo Torchwood em ação.

Exibida em 2009 a terceira temporada é a melhor de todas. Diferentemente das duas primeiras que apresentavam uma história para cada episódio, a terceira temporada introduz uma única trama que foi desenvolvida ao longo de cinco episódios. Com isso, a série mostrou todo seu potencial narrativo e de personagens, o que a levou a conquistar uma média de 6 milhões de telespectadores.

Marta Jones e o elenco de Torchwood na 2ª temporada

Quando estreou a série foi exibida pela BBC3, conquistando uma média de 2 milhões de telespectadores para a primeira temporada. A segunda foi exibida pela BBC2, que fechou uma média de 3 milhões. A terceira, composta de apenas cinco episódios, foi exibida pela BBC1 e a audiência que ela gerou fez com que fosse renovada para uma quarta temporada. Ao menos é o que Russell T. Davies, John Barrowman e a BBC America afirmam, já que a BBC inglesa ainda não oficializou esta informação.

Na terceira temporada temos o desenvolvimento de situações, trama e personagens na medida certa. Na história, crianças do mundo inteiro começam a agir como zumbis, falando em uníssono, anunciando a chegada de alguém. Enquanto o governo tenta lidar com a situação e controlar a opinião pública, ele ainda decide eliminar a existência do Torchwood e seus membros. Fugindo de um grupo de elite militar determinados a matá-los, eles  buscam uma forma de desmascarar o governo.

Dosando as cenas de ação e introduzindo a trama logo na primeira cena, a terceira temporada, que recebeu o título de “Children of Earth”, consegue desenvolver o mistério que cerca a situação o qual vai se revelando em um crescendo. O fato desta temporada lidar com uma única história ao longo de seus episódios, e ainda ter extendido o desenvolvimento da narrativa às questões políticas, desprendendo-se do egocentrismo dos personagens, permitiu que a temporada pudesse explorar todas as alternativas que a série possibilita.

Para completar, a história de aventura e ficção proposta pela trama é uma metáfora a uma dura realidade: a sociedade está perdendo as crianças para as drogas, enquanto o governo apóia indiretamente o tráfico e camufla a realidade diante do público.

Quem gosta de aventura e ficção, com uma mescla de drama “Torchwood” é uma ótima opção. Tá certo que o elenco em muitos momentos é meio canastra, mas a aventura e a simpatia dos personagens/atores compensa.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim

Estúdio: BBC
Distribuição: Log On Editora
Tempo: 650 min
Cor: cor
Ano de Lançamento: 2009
Região do DVD: Livre
Áudio: Inglês
Legendas: Português
Formato de tela: Widescreen
Nº de Discos: 5 (13 episódios)
Preço de Lançamento: R$139,90

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