UM NOVO PAPEL PARA OS QUADRINHOS

Um dos aspectos mais interessantes das histórias em quadrinhos é justamente o desafio em se manter como um negócio lucrativo, indo além da venda de revistas e livros em papel. Pelo menos dos tradicionais couché e offset. Nos Estados Unidos e no Japão, um novo suporte foi utilizado como mídia para divulgação de HQs e uma inusitada fonte de renda: o papel higiênico.

Isso mesmo. A primeira experiência aconteceu em 1979 na terra do Tio Sam. A editora Marvel tinha um departamento especial que lidava com a produção de qualquer coisa que não fizesse parte da linha principal de HQs. Após uma bem sucedida parceria com um jornal para o lançamento de um quebra-cabeça, decidiram licenciar uma história do Hulk e o Homem-Aranha para um rolo promocional de papel higiênico que hoje é vendido como relíquia em sites de leilão.

papel higienico marvel 10

“O objetivo era contar uma história simples que conseguiu ser fiel aos personagens, e para capturar um pouco da sensação dos quadrinhos da época. Tentamos torná-lo divertido, mas não bobo. Ao escrever o roteiro real, em vez de escrever página um e página dois, chamamos de folha um, folha dois, etc.” conta Jim Salicrup, que foi editor da revista do herói aracnídeo.

papel marvel hq

Na terra do sol nascente a empresa Banbix produziu e comercializou três versões diferentes de rolos de papel higiênico com tiras de Mitsuro Yaku, um popular autor de mangás. Na ocasião do lançamento, foram criadas edições limitadas do “Food Toipe” vendidas a 8500 ienes cada (algo em torno de R$ 170). Hoje, numa rápida visita ao site da empresa o consumidor encontra também outras versões, com passatempos diversos, como labirinto e caça-palavras.

papel higienico mangá
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Segundo o relatório 2008/2009 da Associação Brasileira de Papel e Celulose (Bracelpa), em 2008 foram produzidas no país mais de 850 mil toneladas de papéis com fins sanitários. Ou seja, guardanapo, papel toalha, lenço, lençol hospitalar e as quatro variações de papel higiênico, do popular a folha dupla de alta qualidade.

Em 1991, o inventor Hamilton Branquinho, de Goiás, patenteou o papel higiênico em quadrinhos no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) justificando que “o presente invento tem o objetivo direto de passar informações culturais, educativas ou de entretenimento”. Quem sabe agora esta veiculação bem sucedida no exterior possa sair da mesa de trabalho direto para o banheiro dos brasileiros?
>> JORNAL DO BRASIL – por Pedro de Luna

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