MARCELLO QUINTANILHA: DE REPORTAGENS A CAPA DE DISCO

Artista já fez de tudo um pouco antes de se tornar um ilustrador cultuado no Brasil e no exterior
 


SALVADOR DA BAHIA, SEGUNDO QUINTANILHA – Autor desenhou sua visão da capital baiana para a elogiada série editorial Cidades Ilustradas

Entre os trabalhos destacados de Marcello Eduardo Mouco Quintanilha (nome completo do autor, de 38 anos) está a homenagem que fez à cidade de Salvador no projeto Cidades Ilustradas, da editora Casa 21. Quintanilha retratou os monumentos, ruas, feiras, praias e praças da capital baiana em um livro ricamente ilustrado, no qual a paisagem é importante, mas a paisagem humana é mais importante ainda.
Cidades Ilustradas é um projeto editorial que buscou realizar uma série de livros cujo tema são as principais cidades brasileiras vistas através do traço e arte de desenhistas nacionais e internacionais. O inglês David Lloyd (de V de Vingança) desenhou São Paulo. O francês Jano desenhou o Rio de Janeiro.

Quintanilha explora, como diz, “bastidores do futebol; histórias ou desestórias de amor; cotidiano”. Começou a carreira na Editora Bloch, desenhando Mestre Kim. Após publicar na Heavy Metal, ganhou prêmios nas Bienais de Quadrinhos do Rio de Janeiro de 1991 e 1993. Ilustrou para revistas, como Trip, Bravo!, República, Vip, Sabor, entre outras; fez capas de livros, como da biografia do sambista Martinho da Vila, para a Editora Record; e desenhou um encarte de um CD do grupo Planet Hemp; entre outras atividades.

Nos anos 1990, quando ainda assinava Marcello Gaú, Quintanilha começou a conquistar muitos leitores no Brasil com seus trabalhos publicados nas revistas General, Nervos de Aço e Metal Pesado e no álbum Fealdade de Fabiano Gorila (que tem o hipercitado prefácio do músico Aldir Blanc, no qual ele compara o quadrinista a Rosselini). Fealdade foi um dos primeiros títulos de quadrinhos da então emergente Conrad.

Atualmente, além de trabalhar na série de quadrinhos Sept Balles Pour Oxford, em parceria com Jorge Zentner e Montecarlo (para a editora belga Editions du Lombard), ele faz ilustrações para revistas brasileiras e foi premiado nas bienais de quadrinhos do Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Também colabora com a revista virtual Zé Pereira, que tem várias HQs dele postadas

“Trabalho basicamente com grafite e aquarela. O grafite é um eco da imprensa do século 19, de imagens litográficas, e cujo objetivo é recuperar essa estética, esse grafismo, como ponto de partida para uma proposta pessoal. Aliado à aquarela, a intenção é simular o efeito de realidade que acho tão importante.”

Sábado dos Meus Amores, no ano passado, veio coroar uma carreira de grande coerência. Há um grande componente lírico na obra, para que os leitores não pensem que o título é mero efeito. Por exemplo, na história do amor de uma moça simples semianalfabeta por um pescador sagaz, que é especialmente tocante. “Tiago é macumbeiro eu sou evangélica mas eu vou rezar pra Iemanjá trazer o barco dele de volta são e salvo”, ela escreve em sua cartilha.

Com mais de 20 anos de carreira, sempre se batendo para publicar num mercado rarefeito, não avalia com entusiasmo desmesurado o momento brasileiro de quadrinhos. “Esse mercado ainda é incipiente e as iniciativas de muitas editoras em lançar títulos na esteira da visibilidade que os quadrinhos têm hoje não necessariamente colabora para sua consolidação. É difícil dizer o que pode decorrer do momento que vivem os quadrinhos no Brasil, quando os títulos migram cada vez mais para as livrarias e lojas especializadas, mas, sem dúvida, pode ser um passo importante para conquistar novos leitores.”
>> O ESTADO DE SÃO PAULO – por Jotabê Medeiros

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