COMPARANDO DISNEY

Comparando Walt Disney

Inicio esta coluna com base num post do dia 11/01 no blog da amiga Sandra Monte, o Papo de Budega. Ela levanta uma questão interessante sobre as comparações feitas no Brasil entre Walt Disney e Mauricio de Sousa. E tenta, com argumentos válidos (mas que irei respeitosamente discordar a seguir) de que a melhor comparação de Walt Disney a um brasileiro seria Roberto Marinho. Enfim, vamos primeiro ao Mauricio: 

Tive a oportunidade em alguns momentos, de ver pessoas que trabalham para o Maurício de Sousa fazer comentários semelhantes, que ele é o Disney brasileiro. O que estas pessoas não percebem é que – além de tudo – compará-lo ao Disney é ruim para o próprio Maurício de Sousa, pois é como se ele não fosse bom o suficiente para ser visto com as próprias pernas… O Mauricio de Sousa deveria falar isso para estas pessoas! 

Voltei. Nunca vi o próprio Mauricio de Sousa fazer esta comparação com Walt Disney, mas já vi membros da equipe dele e, claro, muitos fãs, fazerem essa comparação infeliz. É infeliz porque é desproporcional. É infeliz porque acaba menosprezando os feitos do Mauricio, que por si só, não são pequenos. Mas eu acho que deixam por isso mesmo porque ajuda no marketing, e sabemos que isso é que tem destacado os lançamentos da Turma da Mônica nos últimos anos. 

Agora, num exercício maluco de comparação, qual brasileiro poderia ser comparado a Walt Disney? A Sandra em seu post destaca que o Walt “Disney criou uma major” (a grande produtora e distribuidora que é hoje). E faz um exercício de lógica envolvendo um hipotético pesquisador perguntando se alguém fez algo parecido com Walt Disney no Brasil. Vejamos um trecho: 

Pesquisador – Alguém aqui fez, construiu algo parecido?
Brasil – Sim, Roberto Marinho.
Pesquisador – Fale sobre ele…
Brasil – Bem, ele (a família) começou com um jornal. Anos depois conseguiram rádio, editora, depois fizeram uma TV, a primeira rede no país. Hoje, a Globo é tudo isso e mais uma produtora de cinema, além de acionista majoritária da maior operadora de TV a cabo do país…
Pesquisador – Obrigado. Então, o Disney brasileiro foi um jornalista, e não um quadrinhista como me informaram… 

Voltei: A argumentação é válida, mas o tempo e os acontecimentos infelizmente não combinam. O Roberto Marinho foi jornalista e um ótimo admnistrador. Mas nunca foi um executivo criativo. Se formos comparar corretamente, Roberto Marinho está mais para Roy Disney (irmão de Walt, responsável pelas finanças e operações do estúdio) do que para o Walt. 

Roberto Marinho era também intimamente ligado ao mundo da política, se beneficiando dela para aumentar a hegemonia da holding Globo. Walt Disney também foi beneficiário do governo americano em algumas oportunidades, mas nunca foi ligado a política. Pelo contrário, era considerado um ingênuo nessa área. Era um conservador republicano, mas que votara em uma ocasião para um democrata. 

Walt Disney era um homem criativo mais do que administrador. Ouvia seu grupo de artistas e tomava sua própria decisão, certa ou errada com base nas necessidades de suas idéias e na evolução técnica delas. Roberto Marinho tinha seus homens criativos, como foi o caso de Walter Clark. A Rede Globo é o que é hoje graças a um homem chamado Boni, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho. É dele essa estruturação de novelas e a formatação do Jornal Nacional e o Fantástico – e todo o ideário de “padrão Globo de qualidade”. Roberto Marinho “apenas” administrou. 

E por fim, Walt Disney não chegou a ver o seu estúdio transformado em uma grande corporação. Na época de sua morte (1966), a Walt Disney Productions se resumia aos estúdios e a um parque temático, a Disneylândia na Califórnia. O Walt Disney World ficaria pronto somente em 1971. A Disney se tornaria uma grande corporação a partir da administração Eisner-Wells em 1984, chegando ao seu ápice com a compra da Capital-Cities/ABC (incluindo a ESPN) em 1995. 

Então, se Roberto Marinho não é uma boa comparação, quem seria? Novamente, é sempre complicado fazer esse tipo de análise, mas é possível um esforço. Os mais próximos do estilo “Walt Disney” de administrar são Victor Civita (fundador da Editora Abril) e Silvio Santos. Ambos personalidades criativas. Victor Civita (1907-1990) tinha sacadas geniais para lançar as revistas, ouvia seus colaboradores e tinha um faro inigualável para arriscar em novidades. Apostou nos gibis Disney e bancou a revista Veja por anos, mesmo dando prejuízo. E assim como Walt, também tinha suas idéias malucas e que não foram para frente como dos Hotéis Quatro Roda (inspirados na revista) e o projeto de um frigorífico. O resultado é o Grupo Abril, hoje responsável por diversos negócios.
 
Na televisão temos Silvio Santos. Personalidade criativa, soube como ninguém adaptar os game-shows que assistia nos EUA para o gosto do brasileiro. Assim como Civita, também é ligado ao universo Disney, exibindo no SBT muitas séries, filmes e especiais. Ouve seus colaboradores, dá preferência para os mais simples, tem um faro para produtos que os demais nunca comprariam para exibição (Chaves é um bom exemplo) e tem uma presença cativante. Como todo gênio, faz suas bobagens, por vezes não tem paciência e muitas vezes erra. Mas essa é uma característica do gênio criativo. O resultado é o Grupo Silvio Santos com o SBT, teatro, bancos, a Tele Sena, hotel no Guarujá, lojas, etc.
 
Agora cabe a cada um equacionar as informações. Mas cada um desses personagens tem características únicas, que os tornam (mais uma vez) peças difíceis de serem comparadas. Sobre o restante do post do blog, sobre “Kimba”, discordo, mas deixarei essa polêmica para outra hora. 
>> ANIMATION-ANIMAGIC – por Celbi Pegoraro

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