É UM PÁSSARO? UM AVIÃO? NÃO, É O PRESIDENTE!

A política sempre foi uma grande inspiração para os humoristas. No caso dos chargistas, todos os Presidentes da República foram “vítimas” de lápis afiados em livros e jornais, sem desrespeito ou partidarismo. Mas e quando o principal dirigente do país acaba nas páginas dos quadrinhos? Essa situação está se tornando cada vez mais comum.

Nos EUA, a lista de presidentes coadjuvantes em HQs é imensa: Franklin Roosevelt, Ronald Reagan, Jimmy Carter, Bill Clinton e George Bush são alguns deles. Em 1964, John Kennedy aparece num gibi pedindo ajuda ao Superman para divulgar um programa nacional de prática de atividades físicas. Por sua vez, Richard Nixon é provavelmente o recordista de aparições, inclusive na minissérie Watchmen, como o presidente vitalício dos EUA.

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Bush em Ultimates 3

Obama e Sarkozy Na última eleição americana, um gibi com as
biografias de Barack Obama e John McCain foram vendidas aos borbotões. Havia uma versão simplificada de cada candidato e uma no formato “dois em um”. Em janeiro de 2009 a revista Amazing Spider-Man mostrou Obama cumprimentando o Homem-Aranha.“Foi algo natural depois que o novo presidente se declarou fã do personagem”, declarou Joe Quesada, editor-chefe da Marvel.LEIA A MATÉRIA COMPLETA

Obama na capa HQ homem aranha 2009

Na França, é normal as editoras lançarem álbuns durante as campanhas presidenciais, alegando que as vendas até o dia da eleição compensam o investimento. Um bom exemplo é La face karchée de Sarkozy (co-editado pela Fayard e a Vents d´Ouest). Resultado de uma detalhada reportagem do jornalista Philippe Cohen, com roteiro do advogado e cenarista de Richard Malka e desenhos de Riss, o livro biográfico de Nicolas Sarkozy vendeu mais de 200 mil exemplares. O sucesso foi tanto que inspirou o lançamento de outros dois álbuns de autores diferentes: Tout sur Sarko (Tudo Sobre Sarko) e Tout sur Ségo (Tudo Sobre Ségolene Royal, sua adversária política).

LULA EM QUADRINHOS

capa gibi Lula 2002 by Bira Dantas

Se hoje o presidente Lula é tema de filme, a tentativa de transpor sua vida para os quadrinhos aconteceu durante a corrida presidencial de 2002. Um movimento independente lançou o gibi Lula – A história de um vencedor com tiragem total de 580 mil exemplares. A revista contava a trajetória do “mocinho” Luiz Inácio Lula da Silva e apresentando seus então adversários José Serra e Ciro Gomes. Além do idealizador, o desenhista Bira Dantas, participaram do projeto o pesquisador Bargas, o arte-finalista Ricardo Cruzeiro e o cartunista Paulo Caruso, que escreveu a apresentação.

O financiamento para a tiragem inicial de 60 mil cópias veio de um fazendeiro de Ponta Grossa (PR). O lançamento aconteceu num jantar em Curitiba, com a presença do próprio Lula, que não esperava a surpresa.

– Ele não sabia de nada, só a Marisa, que acompanhou tudo, dando palpites nas caricaturas do marido – lembra Dantas.
– Quando o Lula viu a revista em cima do prato e começou a folhear, seus olhos encheram de lágrimas. Para a segunda edição ele só pediu uma mudança: que na cena dele no velório da primeira mulher, houvesse menos flores e que ele não aparecesse abraçando o caixão, que não aconteceu. Claro que atendi ao pedido pré-presidencial.

Membro do PT desde 1980, Dantas lembra que a revista fez sucesso entre os leitores, petistas ou não. Mas teve que passar por mudanças no segundo turno, quando Ciro passou a apoiar Lula.

– Sobre as mudanças, eu sempre fui muito categórico em aceitá-las. Mas quando fizemos a edição na Bahia eu disse: “Bargas, se você pedir para eu tirar o ACM ou Sarney, eu não tiro. Aí é questão de honra!” .

Para a eleição deste ano, Bira diz que aceitaria fazer um gibi com a biografia de Dilma Roussef. Mas e se algum quadrinista fizesse uma revista atacando o seu candidato? O artista acha saudável, desde que a discussão se dê no campo das idéias e propostas.
>> JORNAL DO BRASIL – por Pedro de Luna

Kennedy e Superman em 1964
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