“RETORNO AO BIG-BANG MICROCÓSMICO”: FAGULHA CÓSMICA

O escritor paulistano Denis Moura de Lima lança seu romance de estreia, a ficção científica “Retorno ao Big-Bang Microcósmico”

Só a duras penas, a ficção científica conseguiu se estabelecer como gênero literário respeitável, como objeto de estudos literários que não depreciarão o estudioso. Claro que a mudança não se deu tal o milagre que verteu água e vinho. Ainda resiste muito preconceito (no caso da literatura, o paradoxo da não-leitura). O Brasil, onde ainda persiste vícios de um beletrismo francês, decadente, do século XX, a situação é ainda pior.

No então não faltam resistentes. E recentemente, numa daquelas circunstâncias difíceis de explicar, foi deflagrado um boom de títulos de ficção científica, com repercussões em diversos Estados. O Ceará contribui agora como “Retorno ao Big-Bang Microcósmico” (BNB, 196 páginas
2010
, do paulistano radicado no Estado Denis Moura de Lima.

Com trânsito entre os escritores locais – mais notadamente nas férteis cenas da poesia e do conto -, Denis Moura não se intimidou diante da forma longa e complexa do romance. Formado em Telemática, ele prefere se concentrar no ofício de escritor do que no de cientista (afinal, quem precisa do verossímil em FC?).

Ilustrações de Pedro Uchoa para o livro “Retorno ao Big-Bang Microcósmico”, de Denis Moura de Lima

O clássico e o presente
A leitura do livro mostra que ele não poderia ter seguido outro caminho. Aqui não se trata de uma história estendida, mas de uma narrativa que necessita das bases que o gênero romanesco dá: a possibilidade de se aprofundar na psicologia dos personagens; de trabalhar como tempo em camadas, com presente, passado e futuro; e permitem que o estilo dê reviravoltas, conforme a história avança.

A obra de Denis Moura de Lima é daquelas que se encaixam na concepção de Ursula K. Le Guin da ficção científica. A escritora, autora de clássicos do gênero como “A mão esquerda da escuridão”, diz que a “ficção científica não prevê: descreve”. Em “Retorno ao Big-Bang Microcósmico”, a descrição fica por conta de uma concepção de democracia digital, que rege o mundo em que transitam seus personagens. Não é o caso de dizer onde chegaremos na vida “conectada”, mas de fazer uma caricatura do ponto em que nos encontramos.

Além do suposto exercício de futurologia, que muitos tomam como essencial da FC, há no livro de Denis Moura aquele tipo de especulação existencial que, de fato, é uma das marcas das melhores obras do gênero. Especulação que se dá na revisão de um dos temas clássicos da ficção científica: a viagem no tempo. A diferença é que o escritor deixa que esta viagem sempre traumática modele o texto. O Big-Bang do título pode ser lido como uma pista a respeito da forma escolhida para narrar a história. Diversos fragmentos, difícieis de ordenar ou hierarquizar, mas cuja leitura conferem uma ideia de todo, de jogo, como num quebra-cabeças.
>> CADERNO 3 – por Dellano Rios

Para ver os primeiros capítulos, acessem:
http://bigbangmicrocosmico.blogspot.com/

Assista ao booktrailer do livro:

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